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Direitos humanos e educação
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CAPITULO 5 O X DA QUESTAO —
DIREITOS HUMANOS E A POPULAGAO
LGBTI+ EM UMA ESCOLA DA BAIXADA
FLUMINENSE
Luciano Marques da Silva23
Leonardo da Silva Pereira24
Leandro Rodrigues Nascimento da Silva25
Introdugao
Uma mudanca_estrutural_transformou as
sociedades modernas do final do século XX,
fragmentando as paisagens culturais de classe,
género, sexualidade, etnia, raga e nacionalidade,
as quais no passado nos tinham fornecido sdlidas
localizagdes como individuos_ sociais. Essas
transformag6des estéo também mudando nossas
identidades pessoais, abalando a ideia que temos
de nds préprios como sujeitos integrados. Esta
perda de um “sentido de si”, de uma identidade
estavel € chamada de deslocamento ou
descentragao do sujeito. Esse duplo deslocamento,
descentragao dos individuos tanto do seu lugar no
mundo social e cultural quanto de si mesmos,
constitui uma “crise de identidade” para o individuo
(HALL, 2004).Temos estudado, pesquisado e partilhado nossas
pesquisas realizadas na Baixada Fluminense por
varias partes do pais. Nossos estudos estéo
pautados na compreensao das tramas em que as
pessoas LGBTI+ estéo inseridas na_ escola.
Interessamo-nos por essa perspectiva porque
acreditamos que a escola pode melhorar essa
relagdo a partir da perspectiva dos Direitos
Humanos. O que seria essa ideia de
Direitos Humanos?
Teoria e praxis do género
Scott (1989) ensina-nos que os tedricos pds-
estruturalistas sublinham o papel central da
linguagem na comunicagao, interpretacdo e
representagdo de género, pois a linguagem nao
designa unicamente as palavras, mas os sistemas
de significagéo, as ordens simbdlicas que
antecedem o dominio da palavra propriamente dita,
da leitura e da escrita.
Eagleton (2001) destaca o carater historico do pés-
estruturalismo que foi um movimento que resultou
da fusao da euforia e da decepgao que se verificou
no ano de 1968, quando o movimento estudantil foi
varrido das ruas e levado a ilegalidade e, diante da
incapacidade do movimento romper com as
estruturas do poder estatal, passou-se entéo a
direcionar as suas atitudes politicas na esfera dasestruturas da linguagem. Eagleton defende que o
pds-estruturalismo tornou-se uma maneira
conveniente de fugir totalmente das questées
politicas pelo caminho da linguagem porque a
linguagem € muito menos estavel e se assemelha a
uma teia que se estende sem limites, possibilitando
o intercambio e a circulagao constante de
elementos, onde nenhum desses elementos é
definivel de maneira absoluta, pois tudo esta
relacionado com tudo.
De acordo ainda com o_ pesquisador, a
“desconstrucao”, termo que vem do fildsofo
Jacques Derrida, € o nome dado a operacao critica
através da qual tais oposigdes podem ser
parcialmente enfraquecidas, ou através da qual se
pode mostrar que se enfraquecem parcial e
mutuamente no processo de significago textual.
A desconstrugao, portanto, compreendeu que as
oposigées binarias, com as quais o estruturalismo
classico optar por trabalhar, representam uma
maneira tipica das ideologias. Estas tendem a
tragar fronteiras rigidas entre o que é aceitavel e o
que nao é, entre o eu e o nao-eu, a verdade e a
falsidade, 0 sentido e o absurdo, a razdo e a
loucura, 0 central e 0 marginal, a superficie e a
profundidade. Esse pensamento metafisico nao
pode ser simplesmente evitado. Nao podemos nos
langar, para além desse habito binario de
pensamento, a uma esfera ultrametafisica. Masatravés de uma determinada maneira de operar
sobre os textos — sejam “literarios” ou “filosoficos” —
podemos comegar a revelar um pouco dessas
oposigdes, e demonstrar como um termo de uma
suposta antitese esta secretamente presente no
outro (EAGLETON, 2001, p. 183).
A tatica de critica desconstrutiva é€, segundo
Eagleton, uma tentativa de demonstrar como os
textos podem embaragar seus prdprios sistemas
légicos dominantes. Para o pesquisador, o discurso
‘literario” se torna o lugar mais evidente para a
desconstrugao, mas ela ocorre também em todos
os outros tipos de escrita que rejeitam qualquer
distingao absoluta. Eagleton afirma também que de
todas as oposigdes binarias que o pos-
estruturalismo buscou desfazer, a oposicao
hierarquica entre homens e mulheres era talvez a
mais virulenta. Ele afirma:
Embora a opressao das mulheres seja uma
realidade material, uma questao de maternidade,
de trabalho doméstico, de discriminagadéo de
empregos e de salarios desiguais, ela nado pode ser
reduzida a esses fatores: trata-se também de uma
questao de ideologia sexual, das maneiras pelas
quais os homens e mulheres se concebem e
concebem 0 outro em uma sociedade dominada
pelos homens, de percepcdes e comportamento
que vao da brutalidade explicita a brutalidade
profundamente inconsciente. A mensagem domovimento feminino nao era apenas a de que as
mulheres deviam ter igualdade de poder e de
condigaéo com os homens — era um questionamento
desse poder e dessa condigao. Nao que o mundo
se tornasse melhor com uma maior participagao da
mulher, mas sim que sem a “feminizacao” da
historia humana, é€ improvavel que o mundo
sobreviva (EAGLETON, 2001, p. 205).
No que se refere aos estudos culturais, Silva (2000)
afirma que eles se concentram na analise da
cultura compreendida como forma global de vida ou
como experiéncia vivida de um grupo social. Os
estudos culturais concebem a cultura como um
campo contestado de significagao onde se define a
forma que o mundo deve ter e a forma como as
pessoas devem ser; um campo de luta em torno da
significagao social ja que ela € um campo de
produgado de significados no qual os diferentes
grupos sociais, situados em posigdes diferentes de
poder, lutam pela imposigao de seus significados a
sociedade mais ampla (SILVA, 2000, p. 133).
Para Silva as analises feitas nos Estudos Culturais
buscam caracterizar 0 objeto sob analise como um
artefato cultural, isto 6, como o resultado de um
processo de construgao social j4 que a analise
cultural parte da concepgao de que o mundo
cultural e social torna-se, na interacao social,
naturalizado; sendo tarefa desta analise cultural a
desconstrucao, ou seja, a exposigao do processode naturalizagao, mostrando as suas origens; dai
dizer invengao dos processos pelos quais ela se
tornou “naturalizada”. Johnson (2000, p. 151) diz
que os estudos culturais dizem respeito as formas
historicas da consciéncia ou da subjetividade, ou as
formas subjetivas pelas quais nds vivemos ou,
ainda, uma redugao da qual os Estudos Culturais
dizem_ _respeito ao lado subjetivo das
relag6es sociais.
Cevasco (2003, p. 151) afirma que a presenga dos
Estudos Culturais no campo discursivo da critica
cultural trouxe uma expansao evidente na mudanga
do teor dessa critica, que hoje discute com fluéncia
as condigdes materiais de producao cultural. Para
Cevasco, mais importante do que essa inclusao de
novos assuntos na critica da cultura é a maneira de
ver a cultura como a formalizagao de um complexo
de relagdes sociais j& que se trata de
um locus onde é possivel apreender caracteristicas
da sociedade contemporanea e mapear meios de ir
além dos seus limites.
Aplicabilidade do aporte tedrico e as implicagdes
metodologicas
Optamos por uma pesquisa que pautasse dois
movimentos dialégicos. No primeiro momento
utilizamos para encetar o debate com os/as
alunos/as uma dinamica onde eles/as eram
induzidos/as a eliminarem seus pares em umadisputa simples, tentando assim explicar a
realidade social na qual estamos inseridos e que a
sociedade a todo instante tenta, as vezes de
maneira velada, cercear todos/as aqueles/as que
fogem do dito padrao estabelecido
socioculturalmente. E num segundo momento
mapeamos as principais quest6es e assuntos
pautados a partir da sigla LGBTI+ e nos
desdobramentos do universo gay questionando o
lugar que ocupamos e o que é levantado como
verdade nas relagdes existentes.
O corpus que nos enderega a uma analise pds-
estruturalista
Selecionamos as seguintes categorias provocadas
e receptadas a fim de partirmos delas para uma
discussdo mais percuciente e fértil 4 luz da analise
tedrica selecionada:
A aceitagao familiar;
*Homofobia;
Sociedade binaria;
-As diferentes formas de atragao afetiva e sexual.
A analise que empreendemos aqui se baseia no
que Laurence Bardin (BARDIN, 2011) cunhou de
“analise de conteudo”. Estabelecer uma valorizagaoacerca da diversidade na escola € um caminho
desafiador e crescente, uma vez que nossa
sociedade tem em sua realidade concepgdes de
verdades que segregam e excluem. E necessario o
desenvolvimento de propostas e agées voltadas ao
atendimento e assisténcia a/a todos/todas os/as
alunos/as, sem excegao. Ao propor uma vivéncia
dialdgica e interativa com as juventudes na escola,
construimos uma articulagao entre linguagem e
sociedade. Uma troca de saberes que contesta a
ordem e contribui para novas possibilidades a fim
de ser e estar no mundo. Neste sentido, ha uma
ago que constréi olhares diversos sobre o real e
assim age no mundo.
Logo, as diferengas culturais, sociais e sexuais
precisam nortear os principios de coletividade em
instituigdes como a escola, garantindo assim a
vivéncia como o que @ proposto na Declaragaéo
Universal dos Direitos Humanos. As desigualdades
e agdes de preconceito circulam em toda camada
social exigindo de instituigoes como a escola
politicas articuladas a fim de debater a importancia
da cidadania e diversidade como realidade de cada
sujeito. Em relagéo a valorizagao da diversidade,
Stecanella e Saydo (2006, p. 164) afirmam:
Sempre tentamos enquadrar definir, delimitar a
diferenga. Sempre colocamos rétulos naquilo que
nao compreendemos, a fim de melhor lidar com o
que difere de nds. Antes de ouvirmos, antes deabrirmo-nos e acolhermos o que esta diante de nds,
partimos na frente, afirmamos e determinamos
categorias e adjetivos. Esse é o nosso maior erro e
a maior violéncia que cometemos. Partimos de
nossos referenciais, de nossas certezas centradas
em nds mesmos e julgamos, condenamos
e preconceituamos.
A questéo da diversidade se estrutura numa
concep¢ao construida socioculturalmente. E preciso
reconhecer que o respeito a diversidade oferece
respostas aos problemas educacionais, onde
diferentes sujeitos da sociedade nao estao tendo
acesso total 4 educacéo por serem ou terem
identidades dissidentes. As oficinas e atividades
realizadas na escola na semana em alusdo aos 70
anos da Declaracao Universal de Direitos Humanos
podem se somar as praticas pedagégicas que
visam diversificar 0 cotidiano escolar e as suas
rotinas. E preciso oportunizar aos jovens e
adolescentes uma aproximagao com a cultura, para
além da vis&o do conhecimento como uma
informagao unicamente utilitaria; nesse sentido, as
trocas de experiéncias como nas oficinas podem
ser um bom caminho. A vivéncia pautada na
Diversidade deve acontecer além das copias do
quadro negro, dos fragmentos dos livros didaticos,
das propostas de leitura e escrita que circulam
frequentemente e repetidamente em
nossas escolas.As interagoes e as relagoes na escola nao podem
se restringir a simples _ instrumentagdes
pedagdgicas que no fim do percurso aprova ou
reprova, mas sim garantir espagos para pensar o
presente e o futuro dialogando com a sua realidade
e ajudando a construir um espago social que
valorize e nos ensine a conviver com as diferengas.
A juventude produz cultura e por ela é produzida.
Logo, deve-se considerar seu conhecimento de
mundo e sua fala. Quando a escola nao valoriza e
nao reconhece o saber dos estudantes, esta
contribuindo para que acontega a exclusdo do
sujeito, sua identidade e seu direito como cidadao.
De acordo com Candau (2012) é preciso “reinventar
a escola”. Neste sentido, a escola deve ser
entendida como um espago da diferenga, pois a
diferenga precisa ser entendida como um
enriquecimento do processo, uma possibilidade de
novas construgées no dia a dia.
As vozes trazidas pelos jovens e adolescentes
foram frutos deste trabalho e surtiu efeito para as
interagdes no ambiente escolar, trazendo para
nosso estudo essa juventude potente com suas
falas e experiéncias como sujeitos que produzem
cultura, que criam e compartilham situagdes para a
vida coletiva nos seus modos de ser e agir em
tempos-espagos diversificados.
Potencializando narrativas dissidentes por meio da
Declaracao Universal dos Direitos HumanosQuem @€ o/a dissidente, o/a diferente, o/a
marginalizado, o/a rechacado/a ou o/a
circunscrito/a que € fadado/a a viver na penumbra
do género, nos limites da geografia dificultosa das
cidades e nos labirintos delegados aos minotauros
OU= | monstioss. da vida feale | Ola;
redimensionaremos a pergunta encetada acima
para o espago escolar. Na escola quem ocupa o
lugar do “monstro”? Decerto sao aqueles/as que,
assim como os monstros das historias infantis, sao
fadados ao limbo, aos limites nao humanos, as
regides mais afastadas do nucleo social a fim de se
preservar o “todo organico humano”. Essas
alegorias da monstruosidade sao apreciadas pelas
criangas desde a mais tenra idade.
ApOs crescermos os monstros ja nao sao mais
abstratos; ja nao mais estao num _ lugar
equidistante, porém, veladamente, tem a sua
alegoria do espanto, do horror e da perplexidade
deslocada para tudo quanto o social considera
como sendo “abjeto”. Tomemos o abjeto nao por
adjetivo, mas por palavra substantivada (abjecao)
que delimita, ou que se coloca no lugar de agdes e
corpos que nao merecem sequer léxico capaz de
trazé-los a luz da existéncia. Nao dizer o nome do
“monstro”, nao discutir acerca de suas
possibilidades de inteligibilidades e, portanto, deixa-
lo sem discurso, no sentido mais polissémico da
frase anterior, é extermina-lo simbolicamente. Os/as
“monstros/as” escolares existem e nao fomos nésquem assim os/as caracterizamos, porém assim o
foram caracterizado/as no limiar do século XVIII e
com mais percuciéncia na década de 80 do
mesmo século.
Ora, a queda da Bastilha em 14 de julho de 1789,
na Franca, nao representou apenas um fato
aprisionado a luta da classe burguesa contra a
aristocracia absolutista do Regime Antigo. Nao é na
virada de um ano no qual ocorreram fatos hist6éricos
de supina notoriedade que se extinguem quest6es
proprias da problematica social; © podemos
considerar que as questées se arrastam, sao
perpassadas ao longo dos dias, meses, anos e
séculos, influenciando geragdes, normalizando
padrées, auferindo privilégios para uns em
detrimento de outros. E assim que aconteceu com o
racismo no Brasil. A abolig¢ao da escravatura se deu
em 1888 oficialmente; contudo, o racismo ainda
vive na mentalidade da cultura brasileira. Em 1933
tinhamos leis especificas que obrigavam as
mulheres a serem dependentes dos seus maridos
impedindo-as de trabalhar e conferindo poder
autoritario ao dito “homem da casa”, o qual estaria
respaldado por lei para vingar a sua honra se
julgasse necessario em caso de suposta trai¢ao por
parte da esposa.
O que afirmamos no paragrafo acima nao consta
mais na Lei, sendo inclusive punido por ela. Nao
obstante, os jornais e telejornais noticiam todos osdias uma artilharia de casos em que homens nao
aceitam o fim da relagdo amorosa com as suas
parceiras e se sentem legitimados e motivados a
langarem mao da violéncia fisica, psicolégica e
verbal a fim de que satisfagam os caprichos de
suas honras hegeménicas _heterofalocraticas.
Voltemos agora a queda da Bastilha a ao cenario
da Revolugao Francesa no século XVIII, cuja classe
vencedora fora a classe burguesa e perceberemos
que, de acordo com o fildsofo Michel Foucault
(1988) na trilogia Historia da Sexualidade, os
ditames sociais acerca da economia, da gestao
social e dos padrées da sexualidade comegam a se
massificar, se adensar e a se corporificar na
organicidade social por meio de um discurso das
normas, proibidor dos saberes envolvendo a
tematica sexual, mas paradoxalmente versados no
mesmo assunto.
Se € o século XVIII com os seus desconfortos e as
concepgédes burguesas os engendradores de uma
marca proeminente nos intercursos amorosos, quer
sejam os, naquele momento, recém-criados
heterossexuais ou homossexuais, detectamos uma
fissura na norma do discurso heterofalocratico para
conflitarmos com instituigdes naturalizadas que
discriminam, fadam ao mutismo e ao alheamento
corpos dissidentes daqueles concebidos pelos
esforcos da Revolugéo Burguesa eivada de
interpretagdes desvirtuadas das culturas judaicas-
cristés (MOTA, 1986). Desvirtuamento advindo deanacronismo da leitura dos textos da Biblia e das
tradig6es Romanas, Gregas e do Mediterraneo
Antigo. Assim, podemos inferir que ha um
nascimento, embora nao tao preciso, mas que se
amolda com maior clarividéncia no século XVIII,
como ja afirmamos, da_ estética corporal
heteronormativa e da estética
corporal homossexual.
Nossa conversa amistosa com os/as alunos/as do
Colégio Estadual Pedro |, localizado na Baixada
Fluminense, discorreu com base no que consta no
primeiro capitulo da DUDH: “Todos os seres
humanos nascem livres e iguais em dignidade e em
direitos [...]". Estavamos naquela escola para
provocar reflexdes, sistematizar narrativas e ao fim
de toda a dinamica, a qual expomos paginas
anteriores a esta, dialogarmos acerca da ambiéncia
de gays, lésbicas, travestis, pessoas queers,
transexuais e intersexuais no espago escolar que,
por direito, é de todos/as. Perguntas varias foram
arroladas no decurso do nosso coléquio; decerto as
religiosas eram as que mais chamavam a atengao.
Ser gay é pecado? Ouvimos repetidas vezes essa
pergunta, a qual, apos alguns minutos, nos demos
conta de que nao era uma voz presente, mais
vozes de homens e mulheres, pais e maes, tios e
tias, avés e avds que ecoavam através do
vazamento das narrativas e dividas trazidas.
Como continua 0 artigo 1° da DUDH, “f...] Dotadosde razao e consciéncia, devem agir uns para com
os outros em espiritos de fraternidade”, assim
acontecia no momento em que iam se
sobressaltando mais e mais dtvidas. Nos,
ministradores/as do debate deixamos de ser a
centralidade, e as respostas, o poder da verdade,
da autenticidade de analise e do discurso ja havia
grassado por entre os/as jovens e adolescentes
que, modéstia a parte, aderiram ao debate
ocupando todas as mais de 20 cadeiras que
haviam sido dispostas na sala. Eles/as nao
precisavam de especialistas em género,
sexualidade e Direitos Humanos para discorrerem
acerca desses assuntos; nado estavam crus como
propde o Movimento Escola sem Partido; nao
estavam “doutrinados/as”, mas estavam tomando
um lugar que por direito é deles/as e todos/as nés,
o lugar de fala. De voz. De evidéncia com respeito
e compreensao as suas singularidades.
Concluindo uma experiéncia unica
O que vivenciamos no Colégio Dom Pedro | fora
unico, expressivo e, aqui poderiamos sequenciar
mais de dez adjetivos, mas o préximo sintetiza
tudo, gratificante. Paulo Freire nao errou quando
empunhou, sim, escolhemos o verbo empunhar
com convicgao para se referir ao educador, a voz
por uma pedagogia do oprimido, da autonomia, das
libertagdes das amarras agentes da microfisica dos
poderes. O tema escolhido por nds_ paraministragao da oficina com os/as_ alunos/as
possibilitou tessituras com enfoques atravessados
pelas vivéncias de gays, lésbicas, bissexuais e
pessoas queers que ocupavam o espaco nao sé
com corpos, porém com vida, cor, energia,
religiosidade (das mais diversas) e possibilidades.
Pensar género e sexualidades com _ os/as
estudantes da educacaéo basica nao é sd
instrumento pedagogizante de transformagao
cultural, de mitigagao de preconceitos
subterfugiados de “opinido”; pensar género com
esses/as alunos/as é€ instituir um segmento
vanguardista dotado de coragem, forga e vigor para
girar a engrenagem das desigualdades sociais tao
impetradas e arraigadas na nossa cotidianidade
das mais diversas e escabrosas formas. Nos gera
asco ver e ouvir defensores armamentistas,
conservadores e tradicionais defenderem o
cerceamento dos debates de género com os jovens
e adolescentes. Nossa oficina se mostrou
pedagogicamente e politicamente contraria a todo o
monopolio da fala. “Eu acredito é na rapaziada”
pois sei que “Amanha ha de ser outro dia!”.
REFERENCIAS
BARDIN, Laurence. Analise de contetdo. Trad.
Luis Antero Reto, Augusto Pinheiro. Sao Paulo:
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CEVASCO, Maria Eliza Dez ligdes sobre Estudos
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