Cálculo Diferencial Fracionário: Fundamentos
Cálculo Diferencial Fracionário: Fundamentos
Autor: J. E. Castilho
Data: Maio-2025
José Eduardo Castilho
Maio/2025
B
Dedico este trabalho a minha esposa Maria Cristina e filhas Alex e Laura.
C
Conteúdo
Bibliografia 110
ii
Introdução
Muitos autores consideram que o surgimento do cálculo diferencial fracionário decorreu da troca
de cartas entre L’Hopital e Leibniz em 1695. Na ocasião L’Hopital questionava Leibniz sobre o
significado de derivadas não inteiras, especialmente o caso d1/2 xy ( Notação da época para a derivada
√
de y(x) = x ). Leibniz assegurava que a resposta para este caso seria d1/2 x = x dx : x. Dizia que
“um dia consequências muito úteis serão tiradas desse paradoxo, já que existem pequenos paradoxos
sem utilidade” [Oldhann74]. O cálculo de ordem não inteira tem a intensão de generalizar o cálculo
classico de ordem inteira, proposto por Newton e Leibniz, no século XVII. Popularmente é chamado
de Cáculo Fracional ou Cálculo Fracionário, mas nos dias hoje tem-se uma visão mais atualizada,
que considera a integração e diferenciação de ordem arbitrária, diferentemente da visão restrita que o
enxerga apenas como cálculo de frações. Neste texto será adotado o termo popular Cálculo Fracionário,
já que a abordagem numérica será feita em ordem fracionária.
No desenvolvimento do cálculo clássico, surge classes de funções especiais nas soluções de
equações diferenciais ordinárias e parciais. No Cálculo Fracionário, também temos diversas funções
especiais, tais como a Função Gama, que generaliza o conceito de fatorial, a Função de Mittag-Leffler
de um parâmetro, como a generalização da função exponencial.
Existe mais de uma formulação possı́vel para o Cálculo Fracionário, sendo cada uma mais
adequada a um certo contexto fı́sico que outro, mas todas podem ser pensadas como operadores que
representam funções da memória sobre o processo de alguns sinais de sistemas fı́sicos. A ideia de
que fenômenos fı́sicos, como difusividade anômala ou processos ondulatórios, pode ser descrito com
modelos diferenciais fracionários levantando, pelo menos, as seguintes três questões fundamentais: Os
modelos matemáticos com derivadas fracionárias de espaço e/ou tempo são consistentes com as leis
fundamentais e simetrias bem conhecidas da natureza? Como a ordem fracionária de diferenciação
pode ser observada experimentalmente ou como uma derivada fracionária emerge de micro-modelos
escópicos? Uma vez que um modelo de cálculo fracionário esteja disponı́vel, como um modelo
fracionário pode ordenar que a equação seja resolvida (exatamente ou aproximadamente)?
O Cálculo Fracionário se manteve relativamente desconhecido por se limitar a poucas contribuições
e aplicações nas ciências aplicadas, como nas engenharias. O tema começou a despertar interesse da
comunidade cientı́fica, em 1974, com a realização da primeira conferência internacional sobre Cálculo
Fracionário, promovida por Bertram Ross em New Havem, USA. Na década de 90 ocorre uma ex-
plosão de publicações de livros e artigos sobre o tema, consolidando o Cálculo Fracionário como
uma importante ferramenta na análise de fenômenos, demonstrando ter propriedades e caracterı́sticas
superiores ao cálculo integro-deferencial clássico.
Estas notas procura abordar vários aspectos do Cálculo Fracionário estruturadas das seguintes
formas:
O Capı́tulo 1 aborda uma breve revisão histórica da teoria do Cálculo Fracionário e suas
aplicações; No Capı́tulo 2 são apresentados alguns resultados do cálculo clássico de ordem inteira, no
contexto analı́tico e numérico; Capı́tulo 3 trata de alguns resultados de operadores integrais e funções
CONTEÚDO
2
Capı́tulo 1 Breve Histórico do Cálculo Diferencial
Fracionário
O Cálculo Fracionário surgiu quase simultaneamente ao cálculo clássico, mas ganhou reconhe-
cimento como área de interesse da comunidade cientı́fica, principalmente nos anos 90. Trabalhos
recentes tem considerado a integração e diferenciação de ordem arbitrária, não se restringindo apenas
as ordens fracionárias.
Nos últimos anos, diversos artigos ([44], [43]) e livros ([30], [45]) têm abordado vários aspectos
da história e desenvolvimento do cálculo fracionário. Nas citações históricas iremos manter a notação
que era usada na época.
Com o objetivo de fornecer uma visão geral do seu desenvolvimento histórico, apresentamos uma
retrospecção dividida em três seções, abordando os diferentes estágios do desenvolvimento do cálculo
fracionário.
que n não seja um número inteiro. Embora não haja artigos matemáticos de Leibniz sobre o assunto,
há uma série de cartas enviadas a L’Hopital, nas quais procura dar um significado a derivadas não
inteiras, especialmente o caso d1/2 xy. Em sua carta Leibniz escreve: [43]
“Você pode ver aqui, senhor, que se pode expressar um termo como d1/2 xy ou d1:2 xy por
uma série infinita, ainda que pareça distante da geometria, que costuma considerar apenas
as diferenças de expoentes inteiros positivos ou os negativos com respeito a somas, mas
não aquelas cujos expoentes são fracionários. É verdade que é ainda mostrar o que é esta
série para d1:2 x; mas não só isso pode ser explicado de certa forma. Como as ordenadas
x são expressas em uma série geométrica, tal que escolhendo uma constante dβ segue
que dx = xdβ : a, ou (se alguém escolheu a como unidade) dx = xdβ, significando
2 3 e
que ddx seria xdβ , e d3 x seria igual a xdβ etc. e de x seria igual a xdβ . E assim
o expoente diferencial foi alterado e pela substituição de dβ por dx : x, resultando em
e √
de x = dx : x x. Portanto segue-se que d1/2 x será igual a x dx : x. Parece que um
dia, consequências muitos uteis serão tiradas desse paradoxo, uma vez que há pequenos
paradoxos sem utilidade.”
Leibniz reconhece a questão levantada por L’Hospital, considera suas implicações em termos
matemáticos. O tema de derivada não inteira é retornada na correspondência entre Johann Bernoulli
e Leibniz. Em dezembro de 1695, Bernoulli reitera o tema das derivadas “fracionária ou irracional”.
Leibniz aborda esse problema em uma carta de volta a Johann Bernoulli escrita no mesmo mês, onde
1.1 Os primeiros estágios 1695-1822
menciona derivadas de “ordem geral” e repete essa questão em mais detalhes em comparação com a
carta ao L’Hospital:
“O que você procura nas derivadas, cujo expoente é fracionário ou irracional, já con-
siderei em carta ao L’Hospital. Eu acrescentei isso, as derivadas estruturadas podem
ser comparadas com equações diferenciais. Seja por exemplo d1:2 x a derivada proposta.
Permita que x seja uma progressão geométrica. Deixe a constante derivada assumida ser
dh, e temos xdh : a = dx, e obtemos d2 x = dxdh : a = xdhdh : aa e similarmente
d3 x = xdh3 : a3 , e mais geral de x = xdhe : ae , bem como d1:2 x = xdh1:2 : a1:2 , ou
√
d1:2 x = x dh : a (aqui 1 : 2 é igual a 1/2; e dh : a igual a dh
a
). Assim, você pode ver que
tais derivadas estruturadas só têm significado extraindo ou exponenciando as derivadas
ordinárias. Eu acho que isso é memorável e você não será ingrato por isso. Você viu que
as derivadas ordinárias podem ser expressas compondo séries geométricas infinitas e eu
suspeito que isso será verdade para os casos que não são reais.”
O tópico das derivadas de ordem não inteira não termina com a morte de Leibniz em 1716. Em
1783, Leonhard Euler trabalhou em progressões de números e pela primeira vez introduziu a função
Gama como generalização de fatoriais [9]:
“27. Para encerrar esta discussão, deixe-me acrescentar algo que certamente é mais
curioso do que útil. Sabe-se que dn x denota a diferencial de x de ordem n, e se p denota
qualquer função de x e dx é considerado constante, então dn p é homogêneo com dxn ; mas
sempre que n é um número inteiro positivo, a razão de dn p com dxn podem ser expressos
algebricamente; por exemplo, se n = 2 e p = x3 , então d2 (x3 ) está para dx2 como 6x
para 1. Agora perguntamos, se n é um número fracionário, qual o valor dessa proporção
deve ser. É fácil entender a dificuldade neste caso; pois se n é um número inteiro positivo,
dn pode ser encontrado por diferenciação contı́nua; tal abordagem não está disponı́vel
se n for um número fracionário. Mas ainda assim será possı́vel desembaraçar a questão
usando a interpolação em progressões, que discuti neste ensaio.”
Indiretamente Lagrange, contribuiu para o cálculo fracionário, quando desenvolveu a lei dos
expoentes para operadores diferenciais de ordem inteira [16]
Pouco mais de meio século após a morte de Leibniz, a obra de J.L. Lagrange indiretamente
contribuiu para o campo do cálculo fracionário. Em 1772 Lagrange desenvolveu a lei dos expoentes
para operadores diferenciais de ordem inteira
dm dn dm+n
= m+n , m, n ∈ N
dxm dxn dx
Este resultado pode ser generalizado para escolhas arbitrárias de n, m ∈ C sob certas condições, que
se tornou evidente muito mais tarde na história.
A primeira definição detalhada de uma derivada fracionária é atribuı́da a P. S. Laplace [17], em
que se define uma derivada fracionária para funções representáveis por uma integral:
4
1.1 Os primeiros estágios 1695-1822
Z i
i −x b q
∇ yx = T dtt a + + ··· + n
t t
Assim, a mesma análise, que resulta em derivação bem-sucedida das variáveis das funções
R
geradoras, as funções sob , a integral definida, expressando essas derivadas. O sı́mbolo
∇i expressa estritamente apenas um conjunto i, contendo operações consecutivas. A
análise da geração das funções reduzem essas operações ao aumento de um polinômio em
seus expoentes; e o exame das integrais definidas produz diretamente a expressão ∇i yx ,
mesmo no caso de i ser um número fracionário.
No mesmo livro, Laplace generaliza seus resultados para outro conjunto de funções:
Para obter integrais negativas, as quais são assumidas ser finita e infinitesimal, é suficiente
escolher n negativo nas fórmulas acima. Pode-se verificar que a fórmula também é válida
para n geral, mesmo que n seja fracionário.
5
1.2 A integral de Abel e suas consequências. (1823-1916)
S. F. Lacroix, no seu livro “Traité du calcul différentiel et du calcult intégral”, 1819, elabora uma
generalização de uma derivada de ordem inteira para ordem fracionária. Sendo n-ésima derivada da
função y(x) = xm , m ∈ N dada por
dn n!
n
y(x) = xm−n , m ≥ n.
dx (m − n)!
Lacroix faz a generalização do fatorial, usando a função Gamma de Euler, para formular a derivada
não inteira, sendo n ∈ R, segue:
dn Γ (m + 1)
n
y(x) = xm−n .
dx Γ (m − n + 1)
Para o caso particular y(x) = x e n = 1/2, Lacroix apresenta a representação
√
d1/2 Γ (2) 1/2 2 x
y(x) = x = √ .
dx1/2 Γ (3/2) π
A relevância matemática do trabalho de Lacroix reside no fato de que seu resultado é a mesma
representação da atual derivada fracionário a do tipo Riemann-Liouville.
Uma definição mais geral foi apresentada por Fourier, em 1822, no seu trabalho “Théorie analy-
tique de la chaleur”. Ele observou que a expressão:
π iπ iπ
cos r + i = cos r cos − senrsen ,
2 2 2
que resulta em −senr, − cos r, senr, cos r, . . ., quando i = 1, 2, 3, 4, . . .. Desta forma função
Z +∞ Z +∞
1
f (x) = f (α)dα cos(p(x − α))dp
2π −∞ −∞
tem sua i-ésima derivada dada por:
Z +∞ Z +∞
di 1 i
π
f (x) = f (α)dα p cos p(x − α) + i dp
dxi 2π −∞ −∞ 2
Ao considerar que i pode assumir qualquer valor positivo ou negativo, Fourier fornece uma definição
para a derivada não inteira. Os trabalhos de Fourier marca o final do primeiro estágio, em que se
deram formulações para a derivada fracionária, mas sem apresentar aplicações da mesma.
6
1.2 A integral de Abel e suas consequências. (1823-1916)
,-
onde m é a massa da partı́cula, Λ é a distância que a partı́cula percorre sobre a curva, desde o ponto
inicial e g a força gravitacional. Separando as variáveis tempo e espaço temos
dΛ p
−√ = 2gdt
y0 − y
e integrando sobre a variação de tempo t = 0 a t = T , segue
p Z y0
2gT = (y0 − y)−1/2 dΛ.
0
Dado que o tempo que a partı́cula necessita para atingir o ponto mais baixo da curva é constante,
podemos considerar que o lado esquerdo da equação acima será uma constante, que chamaremos de
k. Definindo a distância percorrida como uma função da altura (posição em y) por Λ = F (y) seque
que dλ/dt = F ′ (y). Fazendo a mudança de variáveis y0 por x e y por t e denotando F ′ = f a integral
acima se torna Z x
k= (x − t)−1/2 f (t)dt,
0
onde f é a função a ser determinada. Ao multiplicar ambos os lados por 1/Γ (1/2) Abel obtém
Z x
k 1 −1/2 d−1/2
= (x − t) f (t)dt = −1/2 f (x).
Γ (1/2) Γ (1/2) 0 dx
Usando a derivada inversa a esquerda, ou seja
d1/2 d−1/2 d0
f (x) = f (x) = f (x)
dx1/2 dx−1/2 dx0
obtemos a solução do problema da tautócrona
1 d1/2 k
f (x) = 1/2
k= √ ,
Γ (1/2) dx π x
onde a última igualdade se deve a derivada de ordem 1/2 da constante k. Na Figura (1.1) temos a
curva, tomando o valor de T = 10s. Samko, em seu livro [45] destaca que é importante observar que
Abel, não só resolve o problema de tautócrona, mas fornece uma solução para uma equação integral
mais geral, Z x
f (t)
k(x) = α
dt, x > a, 0 < α < 1.
a (x − t)
Em uma série de oito artigos, J. Liouville aborda o Cálculo Fracionário. Em [22] desenvolveu
duas definições diferentes de derivadas fracionárias. A primeira é aplicada em funções f (x) que
7
1.2 A integral de Abel e suas consequências. (1823-1916)
A escolha de α se restringe aos casos em que a série converge. A segunda definição, feita para funções
do tipo f (x) = 1/xa , é dada por:
(−1)α Γ (a + α) −a−α
Dα x−a = x ,
Γ (a)
onde a, α ∈ C. Liouville aplica essas definições em problemas geométricos, fı́sicos e mecânicos [22].
Em 1847, G. F. B. Riemann procurou generalizar a série de Taylor, usando a integral fracionária
de ordem α da função f (x) definida por:
Z x
α 1
D f (x) = (x − t)(α−1) f (t)dt + ψ(x).
Γ (α) c
A função ψ(x) foi introduzida pela ambiguidade do extremo inferior c, que corresponde a função
complementar definida no trabalho de Liouville [21]. Quando c = 0 e sem a função complementar, a
definição acima é conhecida como Integral Fracionária de Riemann-Liouville, uma das definições mais
usadas nos dias de hoje e será abordada no Capı́tulo 4. A representação, sem a função complementar
não é uma trivialidade, como observado por A. Cayley [4]. A resolução do problema da função
complementar se deve a contribuições de várias pessoas. Em 1869 N. Y. Sonin [46] usa a fórmula
da integral de Cauchy como ponto de partida para obter a diferenciação com ı́ndice arbitrário. A. V.
Letnikov estendeu a ideia de Sonin pouco tempo depois, em 1872 em seu artigo [19]. Ambos tentaram
definir derivadas fracionárias utilizando um contorno fechado. Começando com a fórmula integral de
Cauchy para derivadas de ordem inteira, dada por
Z
(n) n! f (t)
f (z) = dt,
2πi C (t − z)n+1
e a generalização para o caso de ı́ndice arbitrário é obitido trocando o fatorial pela função Gama de
Euler, onde α! = Γ (α + 1). A extensão direta para valores não inteiros resulta no problema de que o
integrando contém um ponto de ramificação, como demostrado por Ross [44]. Foi no ano de 1884 que
H. Laurent usou um contorno dado como um circuito aberto, em vez de um circuito fechado usado
por Sonic e Letnikov [18], obtendo a definição integral fracionária de Riemann-Liouville.
Z x
−α 1
c Dx f (x) = (x − t)α−1 f (t)dt, Re(α) > 0.
Γ (α) c
Quase simultaneamente ao trabalho de Sonin, Grünwald [11] e Letnikov [20] forneceram a base
para outra definição de derivada fracionária que também é frequentemente usada nos dias de hoje.
Usando diferenças de ordem fracionária, Grünwald e Letnikov obtiveram como definição da derivada
fracionária
GL α (∆αh f )(x)
Dx f (x) = lim (1.1)
h→0 hα
8
1.3 Cálculo Fracionário a partir de 1917
a fim de definir a integração fracionária adequada para essas funções, dada por
Z 2π
α 1 α
I± ϕ(x) = ψ± (x − t)ϕ(t)dt, (1.2)
2π 0
α
com algumas funções especiais ψ± (x). Além disso Weyl demostrou que essas integrais fracionárias
podem ser escritas como
Z x
α 1
I+ ϕ(x) = (x − 1)α−1 ϕ(t)dt, (1.3)
Γ (α) −∞
Z +∞
α 1
I− ϕ(x) = (x − 1)α−1 ϕ(t)dt, (1.4)
Γ (α) x
dado que as integrais sejam convergentes. Weyl garante a convergência para funções ϕ(x) periódicas,
cujo o coeficiente de Fourier ϕ0 = 0. Conforme observado por Samko et al. [10] as definições atuais
de integrais de Weyl geralmente não mencionam esse detalhe. Como a definição de Riemann-Liouville
já considerava o intervalo de integração infinito, nomear as equações (1.3) e (1.4) como integral de
Weyl é um erro histórico.
Em 1918, O’Shaughnessy [33] apresenta uma solução explicita para a equação diferencial fra-
cionária Dα y = y/x. O problema não foi rigorosamente definido, desde que não se fez menção que
tipo de operador diferencial fracionário estava sendo aplicado. Tanto que, em 1919, Post [36] propõe
uma solução completamente diferente e correta.
9
1.3 Cálculo Fracionário a partir de 1917
10
1.3 Cálculo Fracionário a partir de 1917
11
Capı́tulo 2 Elementos do Cálculo Clássico
O Cálculo é uma campo da matemática bem conhecido e tem seus resultados aplicados em
diversas áreas do conhecimento. Existe diversos livros que fazem abordagem analı́tica ou numérica
sobre o cálculo diferencial e integral, análise, equações diferenciais ordinárias, equações diferenciais
parciais, equações integrais, etc. Todos esses temas podem ser abordados no contexto do Cálculo
Fracionário . Desta forma, resultados relevantes do cálculo clássico são abordados neste capı́tulo.
Vamos considerar os aspectos analı́ticos e numéricos para uso nos próximos capı́tulos.
Lema 2.1
Seja f uma função Rieamann integravel em [a, b]. Para x ∈ [a, b] e n ∈ N temos
Z x
n 1
Ia f (x) = ϕn (x) ∗ f (x) = (x − t)n−1 f (t)dt.
(n − 1)! a
onde ∗ representa a convolução de Laplace.
♡
Demonstração Demonstra-se o Lema por indução no parâmetro n. Para n = 1 temos que, pela
definição (2.1) e a convolução de Laplace, que
Z x
(x − t)1−1
Ia f (x) = ϕ1 (x) ∗ f (x) = f (t)dt
a (1 − 1)!
Supondo que seja válido para n, seque que
Ian+1 f (x) = Ia [Ian f ](x)
= Ia (ϕn ∗ f )(x)
Z x
= ϕn (t) ∗ f (t)dt
a
Z xZ u
(u − t)n−1
= f (t)dtdu.
a a (n − 1)!
Z xZ x
(u − t)n−1
= f (t)dudt.
a u (n − 1)!
Z x
1
= (x − t)n f (t)dt
(n)! a
onde se aplica o Teorema de Goursart [23], para a troca da ordem de integração
Através desse Lema, podemos fazer uma relação entre o operador diferencial de ordem m com o
operador integral. Segue que DIa f = f , o que implica que Dn Ian f = f . Com isto temos o seguinte
Lema.
Lema 2.2
Seja m, n ∈ N com m > n, e seja f uma função continuamente derivável em [a, b]. Então,
Dn f = Dm Iam−n f
♡
13
2.1 Diferenciação e Integração
Definição 2.2
Seja 0 < µ ≤ 1, k ∈ N e p ≥ 1. Definimos
Z b
p
Lp [a, b] := f : [a, b] → R; f é mensurável em [a, b] e |f (x)| dx < ∞
a
L∞ [a, b] := {f : [a, b] → R; f é mensurável e essencialmente limitada em [a, b]}
Hµ [a, b] := {f : [a, b] → R; ∃c > 0, ∀x, y ∈ [a, b] : |f (x) − f (y)| ≤ c|x − y|µ }
C k [a, b] := {f : [a, b] → R; f tem a k-ézima derivada contı́nua }
C[a, b] := C 0 [a, b]
H0 [a, b] := C[a, b]
♣
Os espaços Lp [a, b], com 1 ≤ p ≤ ∞ são chamados de Espaços de Lebesque, enquanto Hµ [a, b]
são chamados de Espaços de Hölder ou Lipschitz de ordem µ. Um resultado que será necessário
para os próximos é a versão do Teorema Fundamental do Cálculo no Espaço de Lebesque, dado pelo
Teorema:
Teorema 2.2 (Teorema Fundamental no Espaço de Lebesgue )
Seja f ∈ L1 [a, b]. Então Ia f é diferenciável em quase todo os pontos em [a, b], e DIa f = f
também vale em quase todo o intervalo [a, b].
♡
Uma versão da demostração deste Teorema pode ser encontrada no trabalho de R. L. Pouso [37].
No cálculo clássico, são bem conhecidas as seguintes regras de derivação. Sendo f, g, ∈ C[a, b]
temos:
Regra do Produto:
D(f · g)(x) = (Df )(x) · g(x) + f (x) · (Dg)(x).
14
2.1 Diferenciação e Integração
Iremos abordar uma versão não clássica do Teorema de [Link] isto necessitamos da definição
de outro espaço de funções:
Definição 2.3
Denotamos por An ou An [a, b] o conjunto de funções que apresentam (n − 1) derivadas
absolutamente contı́nuas, isto é, funções f para qual existe, em quase toda parte, uma função
g ∈ L1 [a, b] tal que Z x
f (n−1) (x) = f (n−1) (a) + g(t)dt.
a
Neste caso, a função g é chamada de n-ésima derivada (de forma generalizada) de f , simplifi-
cando g = f (n) . ♣
Teorema 2.3
Para m ∈ N as seguintes afirmações são equivalentes:
1. f ∈ Am [a, b]
2. Para todo x, y ∈ [a, b]
m−1
X (x − y)k
f (x) = Dk f (y) + Iym Dm f (x).
k=0
k!
♡
A forma clássica do Teorema de Taylor é obtida com y = a e usando o fato de que 1. ⇒ 2.. Se
y = 0 a expansão é conhecida como Série de Maclaurin . Uma importante parte da expansão é a
forma polinomial:
Definição 2.4
Seja f (x) ∈ C n [a, b] e x0 ∈ [a, b]. O polinômio
n
X (x − x0 )k k
Tn [f, x0 ](x) = D f (x0 )
k=0
k!
é chamado de polinômio de Taylor de ordem n e centrado em x0 . ♣
Para provar alguns resultados nos próximos capı́tulos, vamos necessitar a troca da ordem da
integração dupla. Para isto, revemos o seguinte teorema,
Teorema 2.4 (Teorema de Fubini)
Sejam [a, b] e [c, d] dois intervalos compactos, f uma função Rieamann integravel e assumimos
quase Z b
g(y) = f (x, y)dx
a
existe para todo y fixo em [c, d]. Então g é Rieamann integravel em [c, d] e
Z Z d Z b
f (x, y)d(x, y) = f (x, y)dx dy. (2.1)
[a,b]×[c,d] c a
15
2.1 Diferenciação e Integração
Além disso, se Z d
h(y) = f (x, y)dy
c
Abordamos a maioria dos resultados analı́ticos sobre diferenciação de ordem inteira e integração,
que vamos precisar em capı́tulos posteriores sobre Cálculo Fracionário ou reformular na configuração
fracionária. No entanto, para algumas provas nas próximas seções e capı́tulos vários teoremas de
ponto fixo serão necessários, então os enunciamos nesta seção, embora eles não são resultados no
campo da integração e diferenciação em sentido estrito. Iniciamos com Teorema do Ponto Fixo de
Weissinger. Algumas definições sobre espaços métricos:
Definição 2.5
Seja (E, d) espaço métrico e F ⊆ E.
Espaço Completo: F é completo se toda sequência de Cauchy de elementos de F converve em
F
Equicontinuo: F é equicontinuo se, para todo ϵ > 0, ∃δ > 0 tal que, ∀f ∈ F, x, y ∈ [a, b]
com |x − y| < δ temos |f (x) − f (y)| < ϵ
Uniformemente Limitado: F é uniformemente limitado se existe a constante C tal que
∥f ∥∞ ≤ C para toda f ∈ F .
Compacto: F é compacto se toda sequência em F tem uma subsequencia convergente emF ,
Relativamente Compacto: O conjunto F é dito ser relativamente compacto em E se o fecho
de F é um subconjunto compacto de E, ♣
16
2.2 Equações Diferenciais
para todo u, v ∈ U . Então A tem um único ponto fixo definido u∗ . Além disso, para qualquer
u0 ∈ U , a sequencia (Aj u0 )∞ ∗
j=1 converge para o ponto fixo u .
♡
Além disso, precisaremos de um resultado ligeiramente diferente que afirme apenas a existência,
mas não a singularidade de um ponto fixo em seções posteriores deste texto. Uma hipótese maı́s fraca
sobre o operador em questão leva ao Teorema de Schauder.
Teorema 2.6 (Teorema do Ponto Fixo de Schauder)
Seja (E, d) um espaço métrico completo, e seja U um subespaço convexo e fechado de E. Além
disso, seja a aplicação A : U → U tal que o conjunto {Au : u ∈ U } é relativamente compacto
em E. Então A tem ao menos um ponto fixo. ♡
Estes são os resultados básicos do cálculo clássico que usaremos nos próximos capı́tulos. Na
seção seguinte iremos abordar alguns resultados de equações diferenciais ordinárias no contexto
analı́tico e numérico.
17
2.2 Equações Diferenciais
Lema 2.3
A função y(x) é solução do P.V.I (2.5) e (2.6) se e somente se y(x) é uma solução da equação
integral
n−1 k Z x
X x k 1
y(x) = D y(0) + (x − t)n−1 f (t, y(t))dt (2.7)
k=0
k! (n − 1)! 0
O teorema que segue, estabelece as condições para que a solução da equação diferencial (2.5)
apresenta uma solução analı́tica.
18
2.3 Esquemas Numéricos
Teorema 2.10
Se a função f do P.V.I. (2.5) e (2.6) é uma função analı́tica na vizinhaça de
(0, Dy(0), . . . Dn y(0)) a solução de (2.5) é analı́tica na vizinhaça de 0.
♡
onde k é uma constante positiva que depende do material que constitui o corpo e Tm é a temperatura
ambiente considerada constante. A solução analı́tica se apresenta na forma
T (t) = Tm + (T0 − Tm )e−kt (2.9)
Na Figura 2.1 é apresentado as curvas integrais para valores de Tm = 27, k = 1 e T0 no intervalo
[0, 20].
19
2.3 Esquemas Numéricos
Definição 2.8
Definimos um método linear de multipassos para uma equação diferencial ordinária de primeira
ordem por
p p
X X
αk ym−k = h βk f (xm−k , ym−k ) (2.10)
k=−1 k=−1
A cada método linear de multipassos está associado ao primeiro e segundo polinômio carac-
terı́stico, sendo estes
p
X
ρ(ζ) = αk ζ p−k (2.11)
k=−1
p
X
σ(ζ) = βk ζ p−k (2.12)
k=−1
(2.13)
A estrutura do método será denotada pelo tipo dos polinômios caracterı́sticos. Dizemos que o método
será do tipo (ρ, σ). O Lema 2.2 nos garante que uma equação diferencial ordinária é equivalente a um
tipo especı́fico de equação integral de Volterra. Desta forma, vamos formular um método linear de
multipassos (ρ, σ) aplicado a uma equação integral.
Lema 2.4
Um método linear multipassos (ρ, σ) aplicado a equação integral
Z x
y(x) = f (t)dt,
0
20
2.3 Esquemas Numéricos
Para finalizar este capı́tulo, apresentados dois exemplos de métodos linear de multipassos
Vamos considerar dois métodos que pertencem a famı́lia de métodos do tipo Adams, um explicito,
Adams-Bashforth e outro implı́cito, Adams-Moulton. Em ambos o primeiro polinômio caracterı́stico
é dado por
ρ(ζ) = ζ p+1 − ζ p
21
2.3 Esquemas Numéricos
a diferença entre eles está no segundo polinômio caracterı́stico, fornecendo duas diferentes equações
diferença:
p
X
ym+1 = ym + h βk f (tm−k , ym−k ) (Adams-Bashforth)
k=0
p
X
ym+1 = ym + h βk f (tm−k , ym−k ) (Adams-Moulton)
k=−1
onde os coeficientes βk são obtidos pela interpolação polinomial sobre os pontos tm , tm−1 , . . . tm−p ,
no caso do método de Adams-Bashforth e tm+1 , tm , . . . tm−p , no caso do método de Adams-Moulton.
(p)
As Tabelas 2.1 e 2.2 apresentam os coeficientes βk , onde p determina o número de passos do
método.
Tabela 2.1: Coeficientes de Adams-Bashforth da segunda caracterı́stica polinomial
k 0 1 2 3 4 5
(0)
βk 1
(1)
2 βk 3 -1
(2)
12 βk 23 -16 5
(3)
24 βk 55 -59 37 -9
(4)
720 βk 1901 -2774 2616 -1274 251
(5)
1440 βk 4227 -7673 9482 –6798 2627 -425
Outra classe de esquemas numérico pode ser obtido na aproximação da derivada da função por
diferenças finitas. Consideremos Esquemas de Diferenças Finitas de passo múltiplo de ordem p, cuja
a fórmula geral é dada por:
p
X
αk ym−k = hf (xm+1 , ym+1 )
k=−1
22
2.4 Exemplos Numéricos
por:
p p
X
k
X 1
α(z) = αk z = (1 − z)k
k=0 k=1
k
(p)
A Tabela 2.3 mostra os coeficientes αk . Os coeficientes são calculados com base na função
geradora mencionada acima.
23
2.4 Exemplos Numéricos
Figura 2.2: Aproximação Adams-Bashforth com N = 1024, no intervalo de tempo [0, 10].
24
2.4 Exemplos Numéricos
25
Capı́tulo 3 Transformadas Integrais e Funções
Especiais
Neste capı́tulo iremos fazer uma revisão de algumas transformadas integrais e funções especiais,
que serão essenciais na definição do Cálculo Fracionário. Iniciamos o capı́tulo, abordando a Trans-
formada de Fourier. Na solução de equações diferenciais lineares, a Transformada de Fourier pode
ser usada para transformar a equação para o domı́nio de frequência, onde pode ser resolvida com
métodos algebraicos. Depois, a solução pode ser transformada de volta ao domı́nio do tempo com
a utilização da Transformada de Fourier Inversa. Também iremos ver a Transformada de Laplace,
que no contexto de solução de equações diferenciais lineares, a Transformada de Laplace pode ser
usada para transformar a equação para o domı́nio de Laplace, onde pode ser resolvida com métodos
algébricos. Depois, a solução pode ser transformada de volta ao domı́nio do tempo com a utilização
da Transformada de Laplace inversa.
As funções Gama de Euler e a função de Mittag-Leffler, generalizam situações que se são
importante no desenvolvimentos do Cálculo Fracionário. Por essa razão, faremos uma revisão das
definições e propriedades que serão essenciais para o próximo capı́tulo.
Sendo as Transformadas 3.2 e 3.3 inversas uma da outra, ou seja, (FF −1 φ)(x) = (F −1 Fφ)(x) =
φ(x), segue que
(FFφ)(x) = φ(−x) (3.4)
27
3.2 Função Gama de Euler
Existem várias formas de se definir a Função Gama de Euler. Adotamos aquela que será mais
28
3.2 Função Gama de Euler
,-
A Função Gama de Euler é uma função meromorfa, isto é, uma função complexa diferenciável
em todo o plano complexo exceto em um número de pontos, chamados de polos. Neste caso os polos
são os inteiros negativos, Z− .
Na Figura 3.1 temos a representação da Função Gama de Euler e sua reciproca. Veremos algumas
propriedades que a Função Gama satisfaz.
Teorema 3.2
A Função Gama satisfaz as seguintes propriedades:
1. Para Re(z) > 0 segue que
Z 1 z−1
1
Γ (z) = ln dt
0 t
2. Para z ∈ C\Z−
Γ (z + 1) = zΓ (z)
3. Para n ∈ N
Γ (n) = (n − 1)!
4. Para z ∈ C\Z−
Γ (1 − z) = −zΓ (−z)
29
3.2 Função Gama de Euler
Demonstração
1. Fazendo a troca de variáveis u = −log(1/t) temos que du = 1/tdt e t = −e−u Quanto t = 1 ⇒
u = 0 e quando t → 0 ⇒ u → ∞. Logo obtemos que
Z 1 z−1 Z 0 Z +∞
1 −u
ln dt = z−1
u (−e )du = uz−1 e−u du
0 t +∞ 0
2. Aplicando a integração por partes na integral de (3.14 ), onde u = tz−1 ⇒ du = (z − 1)tz−1 e
dv = e−t ⇒ v = −e−t temos Z ∞
Γ (z) = tz−1 e−t dt
0
Z ∞
∞
= −tz−1 e−t 0 + (z − 1)tz−1 e−t dt
0
Z ∞
z−1 −t
= (z − 1) t e dt
0
= (z − 1)Γ (z − 1)
3. Como Γ (1) = 1 e do resultado da propriedade 2. segue que
Γ (n) = (n − 1)Γ (n − 1) = (n − 1)(n − 2)Γ (n − 2) = . . . = (n − 1)(n − 2) · 2Γ (1) = (n − 1)!
4. Da propriedade 2. temos que se Re(−z) > 0 segue
Γ (1 − z) = Γ (1 + (−z)) = −zΓ (−z)
30
3.2 Função Gama de Euler
segue que
nz
Γn (z) =
z(1 + z/1) · · · (1 + z/n)
ez(ln(z)−1−1/2−...−1/n) ez+z/2+...+z/n
=
z(1 + z/1) · · · (1 + z/n)
1 ez ez/2
= ez(ln(z)−1−1/2−...−1/n) . . . ez/n (1 + z/n).
z (1 + z) (1 + z/2)
31
3.2 Função Gama de Euler
Muitas outras propriedades da Função Gama de Euler podem ser encontradas em [3]. As
apresentadas no Teorema (3.2) serão suficiente para os próximos capı́tulos. A propriedade 3. mostra
que a Função Gama é uma generalização do fatorial, que nos leva a uma generalização dos coeficientes
binomiais para α ∈ R
32
3.3 A Função Beta
Definição 3.8
Para α ∈ R e k ∈ N∗ definimos
(−1)k−1 Γ (k − α)
α α(α − 1) · · · (α − k + 1)
= =
k Γ (1 − α)Γ (k + 1) k!
♣
Vamos estabelecer algumas propriedades da função, as quais serão necessárias para estabelecer
resultados nos próximos capı́tulos, especialmente a integral de Beta, que será usada nos exemplos no
Cálculo Fracionário. .
Teorema 3.3
A Função Beta satisfaz as seguintes propriedades:
1. Para Re(z), Re(w) > 0 (3.15) é equivalente a
Z 1
B(z, w) = tz−1 (1 − t)w−1 dt
Z0 +∞
tz−1
= dt
0 (1 + t)z+w
Z π/2
= 2 (sen t)2z−1 (cos t)2w−1 dt
0
2. A função B(z + 1, w + 1) é solução da Beta Integral:
Z 1
tz (1 − t)w dt = B(z + 1, w + 1)
0
3. B(z, w) = B(w, z)
4. B(z, w) = B(z + 1, w) + B(z, w + 1)
w w
5. B(z, w + 1) = B(z + 1, w) = B(z, w)
z z+w ♡
Demonstração
1. Primeiramente, vamos verificar as equivalências entre as integrais. Aplicando a mudança de
variável t = x/(x + 1) segue que dt = dx/(x + 1)2 , logo
Z 1 Z ∞ z−1 w−1
z−1 w−1 x x
t (1 − t) dt = 1− (x + 1)2 dx
0 x+1 x+1
Z0 ∞ z−1
x
= dx
0 (1 + x)z+w
33
3.3 A Função Beta
Reescrevendo a integral com a variável t, obtemos a primeira igualdade. Para a igualdade com
a última integral fazemos a mudança de variável t = sen2 (φ) e temos dt = 2sen(φ) cos(φ)dφ.
Z 1 Z π/2
z−1 w−1
t (1 − t) dt = (sen2 φ)z−1 (1 − sen2 φ)w−1 2senφ cos φdφ
0 0
Z π/2
= 2 (senφ)2z−1 (cos φ)2w−1 dφ
0
Novamente, reescrevendo na variável t obtemos o resultado. Agora vamos mostrar que essas
integrais são equivalentes a Função Beta. Para isto iniciamos com a relação.
Z ∞ Z ∞
−t z−1
Γ (z)Γ (w) = e t dt e−s sw−1 ds
0 0
Fazendo as mudanças de variáveis t = x2 ⇒ dt = 2xdx e s = y 2 ⇒ ds = 2ydy segue
Z ∞ Z ∞
−x2 2z−2 2
Γ (z)Γ (w) = 4 e x xdx e−y y 2w−2 ydy
Z0 ∞ Z ∞ 0
2 2
= 4 e−x −y x2z−1 y 2w−1 dxdy
0 0
√ √
Com r = t ⇒ dr = dt/(2 t) e θ = π/2 − φ finalmente chegamos que
Z ∞ Z Z π/2
−t z+w−1
Γ (z)Γ (w) = e t dt × 2 (senφ)2z−1 (cos φ)2w−1 dφ
0 0
Z π/2
= Γ (z + w) × 2 (senφ)2z−1 (cos φ)2w−1 dφ
0
34
3.4 Função de Mittag-Leffler
Para provar a segunda igualdade vamos usar o resultado acima e da propriedade 4. Do resultado da
primeira igualdade temos
z
B(z + 1, w) = B(z, w + 1)
w
Substituindo no resultado da propriedade 4. segue
B(z, w) = B(z + 1, w) + B(z, w + 1)
z
= B(z, w + 1) + B(z, w + 1)
wz
= + 1 B(z, w + 1)
w
z+w
= B(z, w + 1)
w
35
3.4 Função de Mittag-Leffler
Demonstração
1. Para esta demonstração iremos usar a Transformada de Laplace de tk eqt , sendo
k!
L(tk eqt ) = , Re(p) > |q|.
(q − p)k+1
Calculando a Transformada de Laplace da função Mittag-Leffler segue
Z +∞ Z +∞ +∞
−t β−1
X (ztα )k
α
e t Eα,β (zt )dt = e−t tβ−1 dt
0 0 k=0
Γ (αk + β)
∞ k Z +∞
X z
= e−t tαk+β−1 dt
k=0
Γ (αk + β) 0
+∞
X zk
= Γ (αk + β)
k=0
Γ (αk + β)
+∞
X 1
= zk = , |z| < 1
k=0
1−z
36
3.4 Função de Mittag-Leffler
sα−β
= α
s −a
3. Para cada caso é só observar que a série de potências representa a função em questão.
Na Figura 3.2 apresentamos o gráfico de Função Mittag-Leffler, geradas pelo Octave e truncando
a soma em n = 20.
37
Capı́tulo 4 Cálculo Fracionário
Neste capı́tulo iremos abordar as formulações clássicas para a derivada e integral não inteira. Os
resultados desse capı́tulo pode ser encontrado nos livros [Oldhann74], [30], [1] e [45]. Os aspectos
da integração e derivação e equações diferenciais serão visto separadamente.
No Capı́tulo 1, fizemos uma breve revisão histórica e podemos concluir que não existe uma forma
única de transferir os conceitos do cálculo inteiro para o não inteiro. Uma vez que uma derivada
fracionária é uma generalização da derivada comum e perderá muitas de suas propriedades básicas.
Como exemplo, não temos uma interpretação geométrica ou fı́sica clara da derivada fracionária. A
lei do ı́ndice só é válido quando se trabalha em espaços funcionais especı́ficos, a derivada do produto
de duas funções é difı́cil de calcular e a regra da cadeia não pode ser aplicado diretamente. Logo é
natural perguntar, quais propriedades de derivadas fracionárias as tornam tão adequadas para modelar
certos sistemas complexos.
No contexto em que a integração e diferenciação são operadores funcionais, iremos dividir este
capı́tulo seções dedicadas a cada um dos operadores não inteiros e suas propriedades. Iniciamos com
o operador de Riemann-Liouville.
se f ∈ L1 [a, b] e α, β ∈ R+ .
♡
Demonstração Para valores de α, β ∈ N este resultado é bem conhecido. O fato de que Ia0 ser
o elemento neutro do semigrupo decorre da Definição 4.1. Para a demostração de (4.2) usamos a
definição do operador não inteiro.
Z x Z t
α β 1 α−1
Ia Ia f (x) = (x − t) (t − τ )β−1 f (τ )dτ dt
Γ (α)Γ (β) a a
Com a existência das integrais garantida pelo Teorema 4.1 e pelo Teorema de Fubini 2.1 podemos
trocar a ordem de integração, obtendo
Z xZ x
α β 1
Ia Ia f (x) = (x − t)α−1 (t − τ )β−1 f (τ )dtdτ
Γ (α)Γ (β) a τ
Z x Z x
1
= f (τ ) (x − t)α−1 (t − τ )β−1 dtdτ
Γ (α)Γ (β) a τ
39
4.1 Operador de Riemann-Liouville
Teorema 4.4
Seja α > 0, p > max{1, 1/α} e seja f ∈ Lp [a, b]. Então
Iaα f (x) = O((x − a)α−1/p )
quando x → a+ . Se α − 1/p ∈
/ N então Iaα f ∈ C [α−1/p] [a, b],e D[ α − 1/p]Iaα f ∈
Hα−1/p−⌊α−1/p⌋ [a, b]
♡
Demonstração Vamos considerar que f seja o limite da sequência (fk )∞ k=1 . O A primeira afirmação
segue diretamente do fato de que f é contı́nua. Para a segunda afirmação temos que se α = 0, o
operador Ia0 é o operador identidade e o resultado segue pelo fato da convergência uniforme da série.
40
4.1 Operador de Riemann-Liouville
Demonstração Sendo f uma função analı́tica, esta pode ser representada numa série de potências
sobre x. Além disso, x ∈ [a, a + h/2) e a série de potências converge em todo o intervalo de
integração. Segundo do Teorema 4.5 podemos trocar a ordem entre a soma e integração. Então,
usando a representação explicita para a integral não inteira a primeira parte é válida. A segunda parte
pode ser deduzida de forma análoga, expandindo a séria em a em vez de x. A analiticidade de Iaα f
segue imediatamente da segunda parte
Inspirado pelo resultado do Lema 2.2 podemos definir o operador diferencial não inteiro.
Definição 4.2 (Derivada Fracionária de Riemann-Liouville)
Seja α ∈ R+ e n = ⌈α⌉. O operador Daα definido por
n Z x
α n n−α 1 d
Da f (x) = D Ia f (x) = (x − t)n−α−1 f (t)dt
Γ (n − α) dx a
para a ≤ x ≤ b, é chamado de Riemann-Liouville de ordem α. Quando α = 0 temos o operador
identidade, ou seja, Da0 := I.
♣
Observe que, quando α ∈ N, o operador Daα coincide com o operador diferencial clássico. O
próximo lema é a versão não inteira do resultado do Lema 2.2.
41
4.1 Operador de Riemann-Liouville
Lema 4.1
Seja α ∈ R+ e seja n ∈ N tal n > α. Então,
Daα = Dn Ian−a
♡
Exemplo 4.1.1 Vamos considerar a função f (x) = (x − a)c , para algum c > −1 e α > 0. Desejamos
obter Daα f . Pela definição do operador temos.
Daα f (x) = D⌈α⌉ Ia⌈α⌉−α f (x)
Z x
⌈α⌉ 1 c ⌈α⌉−α−1
= D (t − a) (x − t) dt
Γ (α) a
Z 1
⌈α⌉ 1 ⌈α⌉−α+c β ⌈α⌉−α−1
= D (x − a) s (1 − s) ds
Γ (α) 0
⌈α⌉ Γ (c + 1) ⌈α⌉−α+c
= D (x − a)
Γ (⌈α⌉ − α + c + 1)
Γ (c + 1)
= D⌈α⌉ (x − a)⌈α⌉−α+c
Γ (⌈α⌉ − α + c + 1)
Segue-se que para o caso, onde (−α + c) ∈ N, o lado direito é simplesmente a ⌈α⌉-ésima derivada
de um polinômio de grau (⌈α⌉ − α + c) ∈ {0, 1, . . . , ⌈α⌉ − 1}, e desta forma a expressão se anula,
isto é,
Daα [(· − a)α−n ](x) = 0, para todo α > 0, n ∈ {1, 2, . . . , ⌈α⌉}
Quando (−α + c) ∈
/ N, segue que
Γ (c + 1)
Daα [(· − a)α−n ](x) = (x − a)c−α
Γ (c + 1 − α)
Observe que as duas últimas relações são simples generalizações do caso clássico. Mas também
revela um comportamento singular da derivada fracionária. No caso das funções constantes, o operador
42
4.1 Operador de Riemann-Liouville
diferencial de Riemann-Liouville apresenta solução não nula. Na Figura 4.1 temos a derivada de
f (x) = 1, para α = 0.73.
No próximo exemplo, veremos como a derivada não inteira, em geral, não pode ser obtida
diretamente do caso inteiro.
Exemplo 4.1.2 Seja f (x) = eλx , para algum λ > 0, e seja α > 0, α ∈
/ N. Então
∞
eλa X Γ (1 + k)Γ (1 − α) (λ(x − a))k
Daα f (x) = (x − a)−α .
Γ (1 − α) k=0
Γ (1 − α + k) k!
Para α = n ∈ N a expressão acima coincide com o resultado clássico.
Dan = eλx = λn eλx
Existe várias formas de definir o operador diferencial fracionário. Cada um com caracterı́sticas que
podem atender propósitos diferentes.
Devido a sua definição, o operador diferencial clássico satisfaz propriedade de semigrupo. No
teorema que segue veremos que o operador diferencial de Riemann-Liouville satisfaz propriedade
similar.
Teorema 4.6
Sejam α1 , α2 ≥ 0. Além disso, seja g ∈ L1 [a, b] e f = I α1 +α2 g. Então
Daα1 Daα2 f = Daα1 +α2 f.
♡
43
4.1 Operador de Riemann-Liouville
O fato de que o operador diferencial clássico é o operador inverso a esquerda do operador integral e o
fato de que as ordens da integração e diferenciação envolvidas são números naturais segue que.
Daα1 Daα2 f = Da⌈α1 ⌉ Ia⌈α1 ⌉−α1 Iaα1 g = Da⌈α1 ⌉ Ia⌈α1 ⌉ g = g
A demonstração que Dα1 +α2 f = g segue de forma análoga
Aqui devemos fazer uma observação. O Teorema 4.4 impõe condições em f , sem as quais
não podemos garantir que a propriedade de semigrupo da derivada fracionária seja satisfeita. Nos
próximos exemplos,veremos casos em que, propriedades de semigrupos
Daα1 Daα2 f = Dα1 +α2 f (4.3)
Daα1 Daα2 f = D D fα2 α1
(4.4)
não são satisfeitas, quando f não satisfaz as condições do Teorema 4.4.
Exemplo 4.1 Seja f (x) = x−1/2 e α1 = α2 = 1/2. Pelo Exemplo 4.1.1 temos que se (⌈α⌉ − α + c) ∈
{0, 1, . . . , ⌈α⌉ − 1}, Daα [(· − a)α−n ](x) = 0. Assim, temos que D0α1 = D0α2 = 0. com isto
D0α1 D0α2 f (x) = 0, mas D0α1 +α2 f (x) = D01 f (x) = −(2x3/2 )−1 e desta forma (4.3) não é satisfeita.
√
Exemplo 4.2 Sendo f (x) = x1/2 e α1 = 1/2 e α2 = 3/2. Pelo Exemplo 4.1.1 temos que D0α1 = π/2
e D0α2 = 0. Desta forma D0α1 D0α2 f (x) = 0, mas D0α2 D0α1 f (x) = x−3/2 /4 e desta forma (4.4) não é
satisfeita.
Isto ocorre pelo fato de que f (x) pode estar no núcleo do operador diferencial Daα para algum
α ∈ R+ .
Versões análogas do Teorema 4.5 e do Corolário 4.1 para o operador diferencial são apresentadas
a seguir.
Teorema 4.7
Seja α > 0 e sejam (fk )∞
k=1 uma sequência uniformemente convergente de funções contı́nuas
em [a, b] e que Da fk existam para todo k. Além disso assuma que (Daα fk )∞
α
k=1 converge
uniformemente em [a + ϵ, b] para todo ϵ > 0. Então, para todo x ∈ (a, b], temos
α α
Da lim fk (x) = lim Da fk (x)
k→∞ k→∞
Em particular, a sequência (Iaα fk )∞
k=1 é uniformemente convergente. ♡
Com este resultado, podemos mostrar a conexão entre o operador diferencial não inteiro com a
derivação inteira de uma função analı́tica.
Corolário 4.2
Seja f função analı́tica em (a − h, a + h) para h > 0 e seja α > 0, α ∈/ N. Então
∞
X α (x − a)k−α
Daα f (x) = Dk f (x)
k=0
k Γ (k + 1 − α)
para a ≤ x < a + h/2, e
∞
X (x − a)k−α
Daα f (x) = Dk f (a)
k=0
Γ (k + 1 − α)
para a ≤ x < a + h. Em particular, Daα f é analı́tica em (a, a + h).
♡
44
4.1 Operador de Riemann-Liouville
O fato do operador diferencial não inteiro ser definido por Daα f = Dn I n−α f com n = ⌈α⌉, faz
com que a demonstração dos resultados acima seja feita de forma análoga feita nas demonstrações do
Teorema 4.5 e do Corolário 4.1.
Teorema 4.8
Sejam f1 e f2 funções definidas em [a, b] tal que Daα f1 e Daα f2 existam em quase todo [a, b].
Além disso, sejam c1 , c2 ∈ R. Então Daα (c1 f1 + c2 f2 ) existe em quase todo [a, b], e
Daα (c1 f1 + c2 f2 ) = c1 Daα f1 + c2 Daα f2
♡
45
4.1 Operador de Riemann-Liouville
Com os resultados dos Corolários 4.1 e 4.2 pode-se substituir os somatórios internos e chegar no
resultado desejado
Algumas observações sobre a diferenças entre a formulação clássica e a formulação fracionária
são necessárias. Observe que o Teorema 4.8 assume que ambas as funções são analı́ticas. Para a
função f isto se faz necessário para dar sentido a variação do k nos inteiros não negativos. Por outro
lado, para a função g apenas as derivadas até a ordem α são necessárias. Mas na demonstração,
assumimos que f · g é analı́tica e isto só é possı́vel se g for analı́tica. Como consequência duas
propriedades importantes da regra clássica não se transfere para o caso fracionário. Primeiro que a
fórmula fracionária de Leibniz não é simétrica devido ao segundo termo. Segundo, que necessitamos
de conhecer infinitamente mais derivadas da função f para o cálculo da derivada do produto f · g.
Enquanto no caso clássico é necessário conhecer apenas as derivadas até a n-ésima ordem. Outra
regra de derivação importante é a regra da cadeia. Neste caso a formulação fracionária tem uma
estrutura complexa [6], sem uso prático.
Outro ponto importante é a propriedade inversa entre os operadores de diferenciação e integração.
Teorema 4.10
Seja α > 0. Então, para toda f ∈ L1 [a, b], temos
Daα Iaα f = f
em quase todo lugar. Se existe uma função g ∈ L1 [a, b], tal que f = Iaα g, então
Iaα Daα f = f
em quase todo lugar. ♡
46
4.2 Operador de Caputo
a condição f = Iaα g. Se f não satisfizer esta condição, uma representação diferente para Iaα Daα f pode
ser obtida.
Teorema 4.11
Seja α > 0 e n = ⌈α⌉. Assumimos que f tal que Iaα f ∈ [a, b]. Então,
n−1
α α
X (x − a)α−k−1
Ia Da f (x) = f (x) − lim Dn−k−1 Ian−α f (z).
k=0
Γ (α − k) z→a+
Com o resultado deste teorema segue a demostração da versão da expansão de Taylor no caso
fracionário.
Teorema 4.12
Seja α > 0 e n = ⌈α⌉. Assumimos que Ian−α f ∈ An [a, b]. Então
n−1
(x − a)α−n n−α
X (x − a)k+α−n
f (x) = lim+ Ia f (z)+ lim Dk+α−n f (z)+Iaα Daα f (x)
Γ (α − n + 1) z→a k=1
Γ (k + α − n + 1) z→a+
♡
47
4.2 Operador de Caputo
Observe que na definição do operador diferencial de Caputo, temos a inversão da da ordem que a
diferenciação e integração são aplicadas no operador diferencial de Riemann-Liouville. Este fato tem
um impacto bastante importante na estrutura da diferenciação fracionária, como pode ser verificado
com o exemplo que se segue:
Ao comparar com o Exemplo 4.1.1, notamos que o os operadores tem diferentes kernel, e que o
domı́nio dos dois operadores são diferentes. No entanto, um primeiro resultado conectando os dois
operadores é apresentado no próximo teorema.
Teorema 4.14
Seja α ≥ 0 e n = ⌈α⌉. Além disso, assuma que Daα f e f possui (n − 1) derivadas em a. Então
C
Daα f = Daα [f − Tn−1 [f ; a]]
em quase todo lugar, onde Tn−1 [f ; a] denota o Polinômio de Taylor de grau n − 1 para a função
f , centrado em a. ♡
48
4.2 Operador de Caputo
t = x. Desta forma
Ian−α [f − Tn−1 [f ; a]] = Ian−α+1 D[f − Tn−1 [f ; a]]
Este teorema estabelece que o operador diferencial de Caputo de uma função f está definida se
o operador diferencial de Riemann-Liouville existe e se f é (n − 1)-vezes diferenciável no sentido
clássico, que garante a existência do polinômio de Taylor. Outra forma de expressar a relação entre os
operadores é dado pelo lema que se segue.
Lema 4.3
Seja α ≥ 0 e n = ⌈α⌉. Assuma que f é, tal que, ambos C Daα f e Daα existam. Então,
n−1
C α α
X Dk f (a)
Da f (x) = Da f (x) − (x − a)k−a
k=0
Γ (k − α + 1)
♡
49
4.2 Operador de Caputo
Teorema 4.15
Se f é contı́nua e α ≥ 0, então
C
Daα Iaα f = f
♡
Demonstração Sendo g = Iaα f . Pelo Teorema 4.3, segue que Dk g(a) = 0, para k = 0, 1, . . . , n − 1,
e desta forma
C α α
Da Ia f = C Daα g = Daα g = Daα g = Daα Iaα f = f
Demonstração Sendo g = Iaα f . Pelo Teorema 4.3, segue que Dk g(a) = 0, para k = 0, 1, . . . , n − 1,
e desta forma
C α α
Da Ia f = C Daα g = Daα g = Daα g = Daα Iaα f = f
Comparando com o resultado do Teorema 4.12, que apresenta expansão de Taylor para o operador
diferencial Riemann-Liouville, observa-se que a expansão do operador Caputo tem uma estrutura bem
simples.
O resultados a seguir, são as versões das regras de derivação para o operador diferencial de
Caputo.
Teorema 4.17
Seja f1 e f2 funções definidas em [a, b] tal que C Daα f1 e C Daα f2 existem em quase todo lugar.
Seja c1 , c2 ∈ R. Então,
C
Daα (c1 f1 + c2 f2 ) = c1 C Daα f1 + c2 C Daα f2
♡
50
4.2 Operador de Caputo
onde usamos o fato que, para k ∈ N, Dak = Dk = C Daα . Uma expressão para Daα [1] é obtida pelo
Exemplo 4.1.1, que completa a demonstração
Nos próximos dois lemas veremos outras diferenças significativas entre os operadores diferenciais
de Riemann-Liouville e de Caputo.
Lema 4.5
Seja α > 0, α ∈ / N e n = ⌈α⌉. Além disso, assuma que f ∈ C n [a, b]. Então C Daα f é contı́nua
em [a, b] e C Daα f (a) = 0
♡
Demonstração Pela definição e Teorema 4.14, C Daα f = Ian−α Dn f . O resultado segue pelo Teorema
4.3 porque Dn f é contı́nua por hipótese
As condições do lema anterior pode ser relaxadas.
Lema 4.6
Seja α > 0, α ∈ / N e n = ⌈α⌉. Além disso, assuma que f ∈ An [a, b] e assumimos que
C ē
Da f ∈ C[a, b] para algum ē ∈ [α, n). Então C Daα f é contı́nua em [a, b] e C Daα f (a) = 0
♡
51
4.3 Operador de Grünvald-Letnikov
Teorema 4.19
Sendo α > 0 e n = ⌈α⌉, seque que
n−1
X
C
(L Daα f )(s) α
= s (Lf )(s) − sα−k−1 (Dk f )(0) (4.11)
k=0
em particular, se 0 < α ≤ 1, teremos
(LC Daα f )(s) = sα (Lf )(s) − sα−1 f (0)
♡
Nesta definição o termo (∆αh f )(x) é a formulação não inteira do operador diferença. A definição
é válida para uma função arbitrária f (x), mas a convergência da soma infinita não é garantida para toda
função. No entanto, aplicando o operador diferencial de Grünwald-Letnikov em equações diferenciais
de ordem não inteira, podemos definir a solução y(x) formalmente de zero a menos infinito. Como
resultado. a soma infinita na Definição 4.4 se torna uma soma finita. Também é possı́vel definir o
52
4.3 Operador de Grünvald-Letnikov
Corolário 4.4
Seja α ≥ 0, n = ⌈α⌉ e f ∈ C n [a, b], então
GL
Daα f (x) = Tn−1 [f ; a](x) + C Daα f (x) = Daα f (x).
♡
53
Capı́tulo 5 Equação Diferencial Ordinária
Fracionária
Neste capı́tulo iremos discutir a existência e unicidade das equações diferenciais ordinárias que
envolvem operadores diferenciais fracionário do tipo Riemann-Liouville e do tipo Caputo. A nossa
abordagem se restringe aos problemas de valor inicial (P.V.I.) e sem perda de generalidade assumimos
que os operadores são desenvolvidos no ponto x = 0. Desta forma na anotação dos operadores iremos
suprir o subı́ndice a.
Como no caso dos operadores diferenciais e integrais inteiros, esquemas numéricos, baseados
no resultados teóricos, tem sido uma ferramenta atrativa no campo da engenharia para descrever
diferentes tipos de modelos. Iremos focar nos esquemas numéricos para equações diferenciais ordinária
fracionária de cada tipo apresentado no Capı́tulo 4.
O uso de condições iniciais diferentes é necessários para garantir a unicidade da solução, a qual
será demonstrada no próximo teorema.
5.1 Equações do tipo Riemann-Liouville e do tipo Caputo
Teorema 5.1
/ N e n = ⌈α⌉. Além disso, seja K > 0, h∗ > 0 e b1 , b2 , . . . , bm ∈ R. Defini-se
Seja α > 0, α ∈
G := {(x, y) ∈ R2 : 0 ≤ x ≤ h∗ , y ∈ R para x = 0 e
Xn
|xn−α y − bk xn−k /Γ (α − k + 1)| < K},
k=1
e assuma que a função f : G → R é contı́nua e limitada em G e que esta satisfaz a condição
de Lipschitz com respeito a segunda variável, isto é, existe uma constante L > 0 tal que, para
todo (x, y1 ), (x, y2 ) ∈ G, temos
|f (x, y1 ) − f (x, y2 )| < L|y1 − y2 |.
Então a EDOF do tipo Riemann-Liouville (5.1) com as condições iniciais (5.2) tem uma única
solução contı́nua y ∈ C(0, h], onde h := min{h∗ , h1 , h2 }, onde
1/n
Γ (2α − n + 1) Γ (α + 1)K
h1 < , h2 = .
(Γ (α − n + 1)L)1/α M
♡
G e que esta satisfaz a condição de Lipschitz com respeito a segunda variável, isto é, existe uma
constante L > 0 tal que, para todo (x, y1 ), (x, y2 ) ∈ G, temos
♡
55
5.1 Equações do tipo Riemann-Liouville e do tipo Caputo
56
5.1 Equações do tipo Riemann-Liouville e do tipo Caputo
Como a integral se anula para k ≥ 1 e pelo Exemplo 4.1.1, obtemos que D0α−k (·)α−k (x) = Γ (α−k+1),
resultando que D0α−k y(0) = bk , ou seja satisfaz as condições iniciais para 1 ≤ k ≤ n − 1.
Para k = n, aplicamos o operador I0n em ambos os lados da equação integral e aplicando o limite
com z → 0, todos os termos do somatório se anulam, com exceção do termo de ı́ndice n. A integral
I0n−α I0α f (·, y(·))(z) = I0n f (·, y(·))(z) também se anula quando z → 0. Com isto, segue que
bn I n−α (·)α−n (z)
lim+ I0n y(z) = lim z → 0+I0n−α 0 = bn .
z→0 Γ (α − n + 1)
Desta forma y é solução do P.V.I.
Se y é uma solução contı́nua do P.V.I. então definimos z(x) := f (x, y(x)). Supondo que z seja
contı́nua e z(x) = f (x, y(x)) = Dα y(x) = Dn I0n−α y(x). Desta forma Dn I0n−α y também é contı́nua.,
isto é, I0n−α y ∈ C n (0, h]. Isto permite aplicar o Teorema 4.11, obtendo
Xn X n
α α α−k α
y(x) = I0 D0 y(x) + ck x = I0 f (·, y(·))(x) + ck xα−k ,
k=1 k=1
onde ck são determinados pelas condições iniciais, sendo
bk
ck = .
Γ (α − k + 1)
2. Pela definição do operador diferencial de Caputo, podemos reescrever a equação diferencial
fracionária (5.1) como
f (x, y(x)) = C Daα = Dα (y − Tn−1 [y, 0])(x) = Dn I n−α (y − Tn−1 [y; 0])(x)
No nosso contexto, as funções são contı́nuas e podemos aplicar o operador de integração n-vezes em
ambos dos lados, obtendo
I n f (x, y(x)) = I 1−α = (y(x) − Tn−1 [y, 0])(x) + q(x),
onde q(x) é um polinômio de grau menor ou igual a n − 1. Como f (x, y(x)) é contı́nua, I n f (x, y(x))
tem um zero de multiplicidade n na origem. Pela definição do polinômio de Taylor isto também é
verdade para o termo I 1−α = (y(x) − Tn−1 [y, 0])(x) e também devido a equação para q(x). Assim
q(x) = 0 e consequentemente
I n f (x, y(x)) = I 1−α = (y(x) − Tn−1 [y, 0])(x).
Aplicando o operador diferencial de Riemann-Liouville Dn−α em ambos os lados da equação segue
que
I α f (x, y(x)) = y(x) − Tn−1 [y, 0](x),
que é a equação integral de Volterra (5.6). A outra direção da igualdade pode ser provada pela aplicação
do operador diferencial C Daα em ambos os lados da equação integral de Volterra (5.6) resultando em
n−1 k
! Z x
C α C α
X x C α 1
Da y(x) = Da bk + Da (x − t)α−1 f (t, y(t))dt.
k=0
k! Γ (α) 0
Como o polinômio está dentro do kernel do operador C Daα apenas o termo C Daα I α f (x, y(x)) permanece
do lado direito, de modo que a equação se reduz a
C
Daα y(x) = f (x, y(x)),
que é a equação diferencial fracionária (5.3). Para verificar as condições iniciais, derivamos a equação
57
5.1 Equações do tipo Riemann-Liouville e do tipo Caputo
(5.6) k-vezes, com k = 0, 1, . . . , n − 1 usando a regra de Leibniz para a diferenciação de uma integral,
dando
n−k−1
X xj−k c(k) x
Z
(k)
y (x) = bk + (x − t)α−k−1 f (t, y(t))dt,
j=k
(j − k)! Γ (α) 0
onde c(k) é uma constante formada por termos que surgem da derivação, onde
Yk
c(k) = (α − k).
j=1
Para os casos k < n − 1 apenas o termo bk não se anula para x = 0, porque os outros termos da soma
são nulos e a integração de 0 a 0 é nula. No caso k = n − 1 a integral contém singularidade na origem
e desta forma justificamos o resultado pela integral imprópria.
Z x
lim (x − t)α−k−1 f (t, y(t))dt = 0
x→0 0
e desta forma, apenas o termo bn−1 não se anula. Com isto conclui-se que as condições iniciais são
válidas
Este resultado permite provar resultados análogos aos apresentados pelos Teoremas 5.1 e 5.2,
que estabelece os resultados em termos da correspondente equação integral.
Lema 5.1
Sobre as condições do Teorema 5.1 a equação de Volterra
n Z x
X bk xα−k 1
y(x) = + (x − t)α−1 f (t, y(t))dt (5.7)
k=1
Γ (α − k + 1) Γ (α) 0
para x ∈ (0, h], onde a última desigualdade se deve da definição de h, Isso mostra que Ay ∈ B, se
y ∈ B, isto é, o operador A de B em B.
58
5.1 Equações do tipo Riemann-Liouville e do tipo Caputo
Consideremos o conjunto
n−α
B̂ := y ∈ C(0, h] : sup x y(x) ≤ ∞
0≤x≤h
Prova-se que B̂, com essa norma, é um espaço linear normado e B é um subespaço de B̂.
A equação de Volterra, pode ser reescrita, de forma reduzida como
y = Ay.
Consequentemente, temos que mostrar que o operador A tem um único ponto fixo. Para este propósito,
usamos o Teorema 2.1. Neste contexto, provaremos que para y, ỹ ∈ B,
α j
j j Lh Γ (α − n + 1)
∥A y − A ỹ∥B̂ ≤ ∥y − ỹ∥B̂ (5.8)
Γ (2α − n + 1)
A demonstração segue pelo processo de indução finita. Para j = 0 segue que
∥A0 y − A0 ỹ∥B̂ = ∥y − ỹ∥B̂
Considerando válido para j − 1, temos
∥Aj y − Aj ỹ∥B̂ = sup xn−α (Aj y(x) − Aj ỹ(x)
0<x≤h
E usando a hipótese de indução provamos para j. Aplicando o resultado do Teorema 2.1, com αj = γj ,
59
5.1 Equações do tipo Riemann-Liouville e do tipo Caputo
onde
Lhα Γ (α − n + 1)
γ= .
Γ (2α − n + 1)
∞
X
Falta demonstrar que que a série αj converge. Mas isto decorre de que h ≤ h̃ e pela definição de
j=0
h̃ segue que γ < 1. Pelo teorema do ponto fixo seque que a nossa equação integral tem uma solução
única
Lema 5.2
Sobre as condições do Teorema 5.2 a equação de Volterra
n−1 k Z x
X x k 1
y(x) = D y(0) + (x − t)α−1 f (t, y(t))dt (5.9)
k=0
k! Γ (α) 0
60
5.1 Equações do tipo Riemann-Liouville e do tipo Caputo
Desta forma, mostramos que para y ∈ U , Ay ∈ U , isto é, operador A mapeia U em si mesmo.
Desejamos aplicar o Teorema 2.6 (Teorema do ponto fixo de Schauder) e para isto, necessitamos
mostrar que A(U ) é relativamente compacto. Isto pode ser feito por intermédio do Teorema 2.7
(Teorema de Arzelà-Ascoli). Para z ∈ A(U ), segue que, para todo x ∈ [0, h],
|z| = |(Ay)(x)|
Z x
1
≤ |b0 | + (x − t)α−1 |f (t, y(t))|dt
Γ (α) 0
1
≤ |b0 | + ∥f ∥∞ hα ,
Γ (α + 1)
o que demonstra ser limitado. Além disso, para 0 ≤ x1 ≤ x2 ≤ h e se |x2 − x1 | < δ, então
∥f ∥∞ α
|(Ay)(x1 ) − (Ay)(x2 )| ≤ 2 δ
Γ (α + 1)
Observe que a expressão a direita é independente de y, mostrando que A(U ) é equicontinuo. Então o
Teorema de Arzelà-Ascoli garante que A(U ) é relativamente compacto. Desta forma o Teorema do
ponto fixo de Schauder garante que A tem um ponto fixo. Pela definição de A, este ponto fixo é a
solução do p.v.i. Basta provar a unicidade do ponto fixo.
Para isto, vamos provar que, para todo j ∈ N0 e para todo x ∈ [0, h] temos
(Lxα )j
∥Aj y − Aj ỹ∥L∞ [0,x] ≤ ∥y − ỹ∥L∞ [0,x] (5.12)
Γ (1 + αj)
Isto pode ser visto por indução. Para j = 0 o resultado é trivial. Supondo verdadeiro para j − 1 segue.
61
5.1 Equações do tipo Riemann-Liouville e do tipo Caputo
o que resulta na equação (5.12). Aplicando a norma de Chebyshev no intervalo fundamental [0, h],
(Lxα )j
∥Aj y − Aj ỹ∥∞ ≤ ∥y − ỹ∥∞
Γ (1 + αj)
Com isto mostramos que o operador A satisfaz as condições do Teorema 2.1, com
(Lxα )j
αj =
Γ (1 + αj)
Para aplicar o teorema, é necessário verificar que a série
X∞
S= αj
j=0
converge. Isto, no entanto, segue imediatamente da propriedade 3, do Teorema 3.4. Com isto podemos
aplicar o Teorema do ponto fixo de Weissinger e deduzir a unicidade da solução da equação diferencial
A série S da demonstração do Lema 5.2 nada mais é do que a função de Mittag-Leffler, Eα (Lhα ).
A função de Mittag-Leffler não apenas surge neste contexto, ela realmente tem um papel fundamental
no campo do Cálculo Fracionário, como exemplificado no próximo teorema.
Teorema 5.4
Seja α > 0, n = ⌈α⌉ e λ ∈ R. A solução do P.V.I.
C
Daα y(x) = λy(x), y(0) = 1y k (0) = 0(k = 1, 2, . . . , n − 1)
é dada por
y(x) = Eα (λxα ), x ≥ 0
62
5.1 Equações do tipo Riemann-Liouville e do tipo Caputo
63
5.2 Métodos de Diferenças Fracionárias Regressivas
l
(∆αh y)(x)
GL 1 X k α
Daα y(x) = lim = lim α (−1) y(x − kh), lh = x, α > 0
h→0 hα h→0 h
k=0
k
Numericamente, adotamos a forma discreta do operador, para um valor h ≪ 1.
m
GL 1 X k α
Daα F y(xm ) = α (−1) y(xm − kh), m = 0, 1, . . . , N,
h k=0 k
onde
αk
ωk = (−1) .
k
64
5.2 Métodos de Diferenças Fracionárias Regressivas
65
5.2 Métodos de Diferenças Fracionárias Regressivas
onde y(x) é assumido ser n-vezes continuamente diferenciáveis. Aplicado ao problema (5.15), o
polinômio de Taylor Tn−1 [y; 0](x), é completamente definido pelas condições iniciais e segue que, a
equação (5.21) no caso α > 0 pode ser reescrita como
m
!
α
X m−α
ym = h f (xm , ym )− ωk y(xm −kh)− y0 +hα Dα Tn−1 [y; 0](xm ), m = 1, 2, . . . , N
Γ (m − α) − m
P
k=1 j=0 ωj
(5.23)
Com isso obtemos um método de primeira ordem, do tipo Caputo, que soluciona equações lineares
ou não lineares, homogêneas ou não homogêneas para α > 0.
Observação
66
5.2 Métodos de Diferenças Fracionárias Regressivas
a) Observamos que a derivada Dα Tn−1 [y; 0](x) na fórmula (5.23) pode ser calculada por
n−1
α
X bk xk−α
m
D Tn−1 [y; 0](xm ) =
k=0
Γ (k + 1 − α)
b) Ao fazer a análise da equação (5.23) para os casos não lineares de Caputo, observamos que o
polinômio de Taylor é nulo para as condições iniciais homogêneas. Logo o sistema de equações
(5.22) permanece o mesmo para α > 1 e 0 < α ≤ 1.
c) Ao considerar equações do tipo Riemann-Liouville (5.14), obtemos uma fórmula semelhante a
(5.23). Isto mostra a conexão entre os operadores de Riemann-Liouville e Grünwald-Letnikov.
Podemos usar a seguinte identidade
Dα y(x) = Dα (y(x) − T̂n−1 [y; 0](x)),
onde n
X bk xα−k
T̂n−1 [y; 0](x) =
k=1
Γ (α − k + 1)
67
5.2 Métodos de Diferenças Fracionárias Regressivas
m
X X
α
ym = f (xm ) + h ωm−j K(Xm , xj , y(xj )) + hα j = 0m wm,j K(Xm , xj , y(xj )) (5.25)
j=0
A equação diferencial fracionária do tipo Caputo (5.15) pode ser interpretada como uma equação
integral de Abel-Volterra
Z x
1
y(x) = Tn−1 [y; 0](xm ) + (x − t)α−1 f (t, y(t))dt (5.29)
Γ (α) 0
onde o termo forçante Tn−1 [y; 0](xm ) é completamente definido pela condição inicial de (5.15) e o
kernel K(t, x, y(x)) = f (x, y(x)) é dado pelo termo do lado direito de (5.15). O método diferenças
regressivo clássico de ordem p possui função geradora
p p
X
k
X 1
ω(ζ) = ωk ζ = (5.30)
k=0 k=1
k(1 − ζ)k
Com estes resultados, podemos descrever o método de diferenças regressivas fracionária.
Teorema 5.5
Seja α > 0 e n = ⌈α⌉. O método de diferenças regressivo fracionário de Lubich, de ordem
p ∈ {1, 2, . . . , 6}, para uma equação do tipo Caputo (5.15) reescrita como uma equação de
Abel-Volterra, é dada por
m
X s
X
α α
ym = Tn−1 y; 0(xm ) + h ωm−j f (xj , y(xj )) + h wm,j f (xj , y(xj )) (5.31)
j=0 j=0
para m = 1, . . . , N , onde os coeficientes ωm são obtidos pela função geradora
p
!−α
X 1
ω α (ζ) = (1 − ζ)k (5.32)
k=1
k
e com os coeficientes iniciais wm,j são obtidos na solução do sistema linear (5.27). A equação
(5.31) fornece uma aproximação de ordem O(hp−ϵ ) com ϵ > 0 para todos os pontos da malha
xm . ♡
68
5.3 Método do tipo Adams-Bashforth-Moulton
Teorema 5.6
Seja α > 0 e n = ⌈α⌉. O método de diferenças regressivo fracionário de Lubich, de ordem
p ∈ {1, 2, . . . , 6}, para uma equação do tipo Caputo (5.15) é dada por é dada por
m−1
X Xs
α
ym = h f (xm , ym ) − ωm−j y(xj ) − wm,j y(xj ) + hα Dα Tn−1 [y; 0](xm ) (5.33)
j=0 j=0
para m = 1, . . . , N , onde os coeficientes wm,j são obtidos pela função geradora
s m
X
γ Γ (1 + σ) α+α
X
wm,j j = m − ωm−j j γ , γ ∈ A (5.34)
j=0
Γ (1 + σ + α) j=1
com A definido em (5.28). O coeficientes wm,j tem ordem O(mα−1 ) e o erro satisfaz O(hp−ϵ )
com ϵ > 0 para todos os pontos da malha xm . ♡
Observação
a) A restrição de que a ordem p ∈ {1, 2, . . . , 6} se deve ao fato de que o método clássico é estável
até a ordem p = 6.
b) O valor de ϵ no Teorema 5.5 e no Teorema 5.6 é dado pela equação
ϵ = p − α − min{γ = k + jα, k, j ∈ N0 , γ > p − 1}
c) A vantagem da formulação (5.34) comparada com a formulação (5.32) é que na formulação (5.34)
os pesos são calculados em função dos pesos já obtidos.
d) O Teorema 5.5 e o Teorema 5.6 podem ser formulados para equações do tipo Riemann-Liouville.
e) O Teorema 5.5 e o Teorema 5.6 iniciam os coeficientes de forma particular. Garantem que o
conjunto de funções base b(x) = xk+jα , k + jα ∈ A são integráveis ou deriváveis de forma
exata.
O Teorema 5.6 estabelece uma generalização do método de diferenças finitas clássico para o caso
fracionário. Ainda não abordamos os aspectos computacionais do cálculo dos coeficientes ωm e Wm,j
e o fato da formulação (5.34) não pode ser resolvidos passo a passo para os primeiros s + 1 pontos da
malha. Todavia o cálculo dos s + 1 iniciais, pode ser feito de forma simultânea, com a resolução de
um sistema nâo linear.
Suponha que (5.35) tenha solução única para x ∈ [0, X]. Estamos interessados em uma solução
numérica na malha uniforme M = {xj = jh : j = 0, 1, 2, . . . , N } para algum N inteiro positivo e
h = X/N .
Uma caracterı́stica dos métodos de Adams-Bashfort é que este é um método de passo múltiplo, ou
69
5.3 Método do tipo Adams-Bashforth-Moulton
seja, necessita de um método de passo simples de mesma ordem para obter as primeiras aproximações
yj ≈ y(xj ), j = 1, 2, 3, . . . , k. Além disso, podem ser aplicados no esquema implı́cito, ou seja, o
cálculo de yk+1 depende do conhecimento de uma aproximação ỹk+1 também obtido por um método
de passo simples, configurando um esquema Preditor-Corretor.
Inicialmente vamos considerar que temos as primeira aproximações calculadas. Usaremos uma
formulação da quadratura trapezoidal para aproximar a integral de (5.35), onde os pontos da mala
xj , j = 1, 2, . . . , k + 1 são tomados com respeito a função peso (xk+1 − ·)α−1 . Em outras palavras,
aplicamos a aproximação
Z xk+1 Z xk+1
α−1
(xk+1 − z) g(z)dz ≈ (xk+1 − z)α−1 g̃k+1 (z)dz (5.36)
0 0
onde g̃k+1 é a interpolação linear de g nos pontos da malha xj , j = 1, 2, . . . , k + 1.
Usaremos um esquema do tipo Newton-Côtes para aproximar a integral (5.36).
Z xk+1 k+1
X
α−1
(xk+1 − z) g̃k+1 (z)dz = aj,k+1 g(xj ) (5.37)
0 j=0
Z xk+1
aj,k+1 = (xk+1 − z)α−1 ϕj,k+1 (z)dz (5.38)
0
(z − xj−1 )/(xj − xj−1 )
se xj−1 < z ≤ xj ,
ϕj,k+1 (z) = (xj+1 − z)/(xj+1 − xj ) se xj < z ≤ xj+1 , (5.39)
0
caso contrário
Com o cálculo da integral (5.38) para um xj obtemos
(xk+1 − x1 )α+1 + xαk+1 (αx1 + x1 − xk+1
a0,k+1 = (5.40)
x1 α(α + 1)
(xk+1 − xj−1 )α+1 + (xk+1 − xj )α (α(xj−1 − xj ) + xj−1 − xk+1 )
aj,k+1 =
(xj − xj−1 )α(α + 1)
α+1
(xk+1 − xj+1 ) − (xk+1 − xj )α (α(xj − xj+1 ) − xj+1 + xk+1 )
+ se 1 ≤ j ≤ k
(5.41)
(xj+1 − xj )α(α + 1)
(xk+1 − xk )α
ak+1,k+1 = (5.42)
α(α + 1)
No caso de uma malha equidistante, (xj = jh para um h fixo) então estas relações se reduzem a
hα
k α+1 − (k − α)(k + 1)α
se j = 0,
α(α + 1)
hα
(k − j + 2)α+1 + (k − j)α+1 − 2(k − j + 1)α+1
aj,k+1 = se 1 ≤ j ≤ k, (5.43)
α(α + 1)
hα
se j = k + 1.
α(α + 1)
Com isto temos a variante fracional para o esquema corretor de um passo dado por:
n−1 j k
!
X xk+1 1 X
yk+1 = bj + aj,k+1 f (xj , yj ) + ak+1,k+1 f (xk+1,yk+1
P ) (5.44)
j=0
j! Γ (α) j=0
70
5.4 Exemplos Numéricos
onde ykP é o valor obtido pelo esquema preditor, que iremos abordar a seguir.
A ideia é usar a generalização do esquema de Adams-Bashforth de um passo. usando a mesma
técnica aplicada no caso corretor. Usamos a regra de quadratura para co cálculo da integral (5.35)
Z xk+1 K
X
(xk+1 − z)α−1 g(z)dz ≈ bj,k+1 g(xj ), (5.45)
0 j=0
onde
α)
xj+1 (xk+1 − xj )α − (xk+1 − xj+1
Z
α−1
bj,k+1 = (xk+1 − z) dz = . (5.46)
xj α
Estamos considerando aproximação constantes por partes e não linear por partes, e usamos a
Função de Haar em [xj , xj+1 ]. Novamente, no caso equidistante, temos a expressão mais simples
hα
bj,k+1 = ((k + 1 − j)α − (k − j)α ) (5.47)
α
P
Desta forma, o esquema preditor yk+1 é determinado pelo esquema Adams-Bashforth
n−1 j k
P
X xk+1 1 X
yk+1 = bj + bj,k+1 f (xj , yj ) (5.48)
j=0
j! Γ (α) j=0
Em resumo, o esquema Adams-Bashforth-Moulton fracionário é completamente descrito pelas equações
(5.48) e (5.44), onde os coeficientes aj,k+1 e bj,k+1 são definidos em (5.46) e (5.43).
71
5.4 Exemplos Numéricos
3/2
Ay ′′ (t) + B C D0 y(t) + Cy(t) = f (t) (5.51)
onde A, B e C são constantes reais. A equação (5.51) pode ser reescrita como um sistema de
quatro equações diferenciais acopladas de ordem α = 1/2.
C 1/2
D0 y1 (t) = y2 (t)
C 1/2
D0 y2 (t) = y3 (t)
C 1/2
(5.52)
D0 y3 (t) = y4 (t)
C 1/2
A−1 (−Cy1 (t) − By4 (t) + f (t))
D0 y4 (t) =
′
com condições iniciais y1 (0) = y0 , y2 (0) = 0, y3 (0) = y0 , y4 (0) = 0
Vamos considerar o caso em que A = B = C = 1 e f (t) é dada por
t3/2
f (t) = t3 + 7t + 1 + 8 √
π
Neste caso a equação diferencial apresenta a solução exata y(t) = t3 + t + 1.
Testamos o esquema, usando N = 1000 para aproximar a solução da EDOF no intervalo de
72
5.4 Exemplos Numéricos
tempo [0, 6] e α = 0.5. A aproximação e o erro absoluto são apresentados na Figura 5.3.
Figura 5.4: Derivadas de ordem α = 0, 1/2, 1, 3/2, 2 com N = 1000, no intervalo de tempo [0, 6]
Vamos apresentar um outro exemplo, onde consideramos uma equação diferencial, onde a ordem
é inteira e vamos transformá-la num sistema de equações diferenciais fracionárias e ver como se
comporta os procedimentos numéricos. Para isto vamos considerar o P.V.I. de segunda ordem
′′
y +y =0
y(0) = 0 (5.53)
′
y (0) = 1
cuja a solução exata é dada por y(t) = sen(t). Transformando o P.V.I. num sistema de quatro equações
73
5.4 Exemplos Numéricos
74
5.4 Exemplos Numéricos
Figura 5.6: Derivadas de ordem α = 0, 1/2, 1, 3/2, 2 com N = 1000, no intervalo de tempo [0, 1]
75
Capı́tulo 6 Equação Diferencial Parcial
Fracionáriado tipo Riesz
Vários modelos nas áreas de finanças, engenharia e fı́sica, tem feito uso das equações diferenciais
parcial fracionária. As equações diferenciais parciais fracionárias com derivada de Riesz têm sido
amplamente utilizadas para modelar fenômenos de difusão anômala e transporte em meios complexos.
Nesta capı́tulo iremos abordar a formulação matemática dessas equações, com ênfase nas propriedades
da derivada fracionária de Riesz [52]. Apresentamos três esquemas numéricos no contexto da derivada
fracionária de Riesz. Vamos considerar a equação cinética fracionária, com condições de fronteiras
de Dirichlet homogêneas.
O lema que segue mostra a relação entre o Laplaciano Fracionário e a derivada fracionária no
espaço de Riesz.
Lema 6.1
Para uma função y(x) definida em R que tende a zero quando x → ±∞, vale:
∂α
−(−∆)α/2 y(x) = y(x)
∂|x|α
onde −(−∆)α/2 é o operador Laplaciano fracionário definido via Transformada de Fourier.
♡
Demonstração Segundo Yang [Link] [52], o operador Laplaciano fracionário é definido como
−(−∆)α/2 y(x) = −F −1 |x|α Fy(x),
onde F e F −1 representam a Transformada de Fourier e sua inversa. Consequentemente temos
Z +∞ Z +∞
α/2 1 −iξx α iξη
−(−∆) y(x) = − e |ξ| e u(η)dη dξ
2π −∞ −∞
Supondo que y(x) se anula em x → ±∞, aplicamos a integração por partes
Z +∞
1 +∞ iξη ′
Z
iξη
e y(η)dη = e y (η)dη
−∞ iξ −∞
Com isto obtemos
Z +∞ Z +∞ α
α/2 1 ′ i(η−ξ) |ξ|
−(−∆) y(x) = − y (η) i e dξ dη
2π −∞ −∞ ξ
Vamos chamar de I o termo entre parênteses da equação acima. Então
Z +∞ α
Z +∞ Z +∞
i(η−ξ) |ξ| i(ξ−η) α−1 i(η−ξ) α−1
I=i e dξ = i − e ξ dξ + e ξ dξ
−∞ ξ 0 0
Note que, sendo
Z +∞
Γ (v)
p−1
L(t ) = e−st tp−1 dt = p , Re(v) > 0
0 s
77
6.1 Equação de Advecção-Difusão Fracionária do tipo de Riesz
+∞
sign(ξ − η)π
Z
1
−(−∆) α/2
y(x) = − u′ (η) dη
2π
−∞ cos(πx/2)|ξ − η|α Γ (1 − α)
Z +∞ Z +∞
u′ (η) u′ (η)
1 1 1
= − dη − dη .
2 cos(πx/2) Γ (1 − α) −∞ (ξ − η)α Γ (1 − α) x (ξ − η)α
Segundo o Teorema 4.20, para 0 < α < 1, a derivada fracionária de Grünwald-Letnikov em [a, x] é
dada por Z x
GL α y(a)(x − a)−α 1 y ′ (η)
D [y(x)][a,x] = + dη
Γ (1 − α) Γ (1 − α) a (x − η)α
Desta forma, se y(x) tende a zero, quando a → −∞, temos que
x
y ′ (η)
Z
GL α 1
D [y(x)][−∞,x] = dη
Γ (1 − α) −∞ (x − η)α
De forma análoga, se y(x) tende a zero, quando b → +∞, temos que
+∞
y ′ (η)
Z
GL α 1
D [y(x)][x,+∞] =− dη.
Γ (1 − α) x (η − x)α
Se y(x) é contı́nua e y ′ (x) é integrável para x ≥ a, então para todo α no intervalo (0, 1) a derivada
de Riemann-Liouville existe e coincide com a a derivada de Grünwald-Letnikov. Finalmente, para
0 < α < 1 temos
1 ∂α
−(−∆)α/2 y(x) = −
GL α
D [y(x)][−∞,x] + GL Dα [y(x)][x,+∞] ) =
y(x)
2 cos(πα/2) ∂|x|α
Para o caso em que 1 < α < 2, a demostração pode ser feita de forma similar a apresentada para
o caso 0 < α < 1. [52]
E com isto, podemos concluir que sendo n − 1 < α < n então
1 ∂α
−(−∆)α/2 y(x) = −
GL α
D [y(x)][−∞,x] + GL Dα [y(x)][x,+∞] ) =
y(x),
2 cos(πα/2) ∂|x|α
onde Z x
GL α 1 ∂n y(η)
D [y(x)][−∞,x] = dη,
Γ (n − α) ∂x −∞ (x − η)α+1−n
n
Z +∞
GL (−1)n ∂ n y(η)
Dα [y(x)][x,+∞] = n
dη
Γ (n − α) ∂x x (η − x)α+1−n
No cado de funções y(x) definidas num intervalo finito [0, L], os resultados acima são válidos
78
6.2 Esquemas Numéricos
79
6.2 Esquemas Numéricos
u(0)x−α u′ (0)x1−α x
u(2) (η)
Z
GL α 1
D [u(x)][0,x] = + + α−1
dη, (6.7)
Γ (1 − α) Γ (2 − α) Γ (2 − α) 0 (x − η)
u(L)(L − x)−α u′ (L)(L − x)1−α
Z L
GL 1 u(2) (η)
Dα [u(x)][x,L] = + + dη. (6.8)
Γ (1 − α) Γ (2 − α) Γ (2 − α) x (η − x)α−1
x x
u(2) (η) u(2) (x − η)
Z Z
1 1
α−1
dη = dη
Γ (2 − α) 0 (x − η) Γ (2 − α)0 (η)α−1
l−1 Z (j+1)h (2)
1 X u (x − η)
= dη
Γ (2 − α) j=0 jh (η)α−1
l−1
h−α X
(ul−j+1 − 2ul−j + ul−j−1 ) (j + 1)2−α − j 2−α
≈
Γ (3 − α) j=0
Desta forma, temos a aproximação para a derivada fracionária a direita (6.7) com 1 < α ≤ 2
dada por
h−α
GL α (1 − α)(2 − α)u0 (2 − α)(u1 − u0 )
D [u(x)][0,x] ≈ +
Γ (3 − α) lα lα−1
l−1
)
X
(ul−j+1 − 2ul−j + ul−j−1 ) (j + 1)2−α − j 2−α
+ (6.9)
j=0
A aproximação para a derivada fracionária a direita (6.8) com 1 < α ≤ 2 é obtida de forma
similar, sendo
80
6.2 Esquemas Numéricos
h−α
GL α (1 − α)(2 − α)uN (2 − α)(uN − uN −1 )
D [u(x)][x,L] ≈ α
+
Γ (3 − α) (N − l) (N − l)α−1
l−1
)
X
(ul+j−1 − 2ul+j + ul+j+1 ) (j + 1)2−α − j 2−α
+ (6.10)
j=0
Com isto temos que o termo de difusão pode ser discretizado substituindo (6.9) e (6.10) em (6.4).
De forma similar ao termo de difusão, vamos apresentar um esquema de aproximação com base
na Definição 6.1 e no Lema 6.1.1 para o termo de advecção. Para a aproximação do termo de advecção
vamos considerar as derivadas a esquerda e a direita de Grünwald-Letnikov, de ordem 0 < β < 1 no
intervalo [0, L].
Z x
GL α u(0)x−β 1 u′ (η)
D [u(x)][0,x] = + dη, (6.11)
Γ (1 − β) Γ (1 − β) 0 (x − η)β
Z L
GL α u(L)(L − x)−β 1 u′ (η)
D [u(x)][x,L] = + dη, (6.12)
Γ (1 − β) Γ (1 − β) x (η − x)β
Na aproximação do segundo termo a direita, da equação (6.11), usamos a diferença finita central
de segunda ordem, em cada subintervalo, sendo
x x
u′ (η) u′ (x − η)
Z Z
1 1
β
dη = dη
Γ (1 − β) 0 (x − η) Γ (1 − β)0 (η)β
l−1 Z (j+1)h ′
1 X u (x − η)
= dη
Γ (1 − β) j=0 jh (η)β
l−1
h−β X
(ul−j − ul−j−1 ) (j + 1)1−β − j 1−β
≈
Γ (2 − β) j=0
Obtemos assim, uma aproximação para a derivada fracionária a esquerda (6.11), com 0 < β < 1, é
dada por
( l−1
)
−β
GL α h (1 − β)u 0
X
(ul−j − ul−j−1 ) (j + 1)l−β − j l−β
D [u(x)][0,x] ≈ + (6.13)
Γ (2 − β) lβ j=0
Com procedimento similar, uma aproximação para a derivada fracionária a direita (6.12), com 1 <
β < 1, é dada por
( NX−l−1
)
−β
GL α h (1 − β)u N
(ul+j − ul+j+1 ) (j + 1)l−β − j l−β
D [u(x)][x,L] ≈ + (6.14)
Γ (2 − β) (N − l)β j=0
Com isto temos que o termo de difusão pode ser discretizado substituindo (6.13) e (6.14) em
(6.5).
Ao reunimos os resultados das aproximações dos termos de difusão e advecção, obtemos o
81
6.2 Esquemas Numéricos
Kα h−α
dul (1 − α)(2 − α)u0 (2 − α)(u1 − u0 )
≈ − +
2 cos πα
dt 2 Γ (3 − α)
lα lα−1
l−1
X (1 − α)(2 − α)uN
(ul−j+1 − 2ul−j + ul−j−1 ) (j + 1)2−α − j 2−α +
+
(N − l)α
j=0
−l−1
NX
(2 − α)(uN − uN −1 ) 2−α 2−α
+ + (u l+j−1 − 2u l+j + u l+j+1 ) (j + 1) − j
(N − l)α−1
j=0
l−1
Kβ h−β (1 − β)u
0
X h
1−β 1−β
i
− + (u l−j+1 − u l−j ) (j + 1) − j
2 cos πα
2 Γ (2 − α)
lβ
j=0
−l−1
NX
(1 − β)uN h
1−β 1−β
i
+ + (ul+j−1 − u l+j ) (j + 1) − j (6.15)
(N − l)β
j=0
82
6.2 Esquemas Numéricos
padrão
l+1
GL α 1 X
D [u(x)][0,x] = α wj ul−j + O(h) (6.19)
h j=0
N −l+1
GL 1 X
Dα [u(x)][x,L] = wj ul+j + O(h) (6.20)
hα j=0
(6.21)
onde os coeficientes wj são definidos por
β(β − 1) · · · (β − j + 1)
w0 = 1, wj = (−1)j
j!
com j = 1, 2, . . . , N .
Com isto temos que o seguinte sistema de equações diferenciais ordinárias que será resolvido
pelo método implı́cito BDF (Backward Differentiation Formulas.) da função solve_ivp na variável
tempo
l+1 −l+1
NX l+1 −l+1
NX
dul Kα h−α X Kβ h−β X
≈− πα
gj ul−j+1 + gj ul+j−1 − wj ul−j + wj ul+j
dt 2 cos 2 2 cos πβ
j=0 j=0 2 j=0 j=0
(6.22)
83
6.3 Exemplos Numéricos
84
6.3 Exemplos Numéricos
85
6.3 Exemplos Numéricos
A solução numérica para o problema (6.25) sujeito as condições (6.27), obtida transformação
matricial é apresentado na Figura 6.6.
A comparação entre a aproximação e a solução exata para o nı́vel de tempo t = 0.51 é apresentada
na figura 6.7.
Neste capı́tulo apresentamos um tipo de equação diferencial parcial fracionária, onde as derivadas
fracionárias ocorriam na variável espacial. Para mais exemplos sugerimos o livro de B. Guo, X. Pu
e F. Huang [12]. Existem outras abordagem que devemos destacar. As derivadas fracionárias
são conhecidas por serem eficientes em fenômenos com memória, com as quais frequentemente
caracterizamos a dissolução de energia. A representação do modelo com operadores de derivadas
fracionárias, na variável tempo, demonstrou ser mais precisa e confiável quando comparada aos casos
de ordem inteira. Um exemplo é a equação de reação-difusão de Fisher não linear com derivada de
Caputo-Fabrizio fracionária no tempo [34].
86
6.3 Exemplos Numéricos
Figura 6.5: Comparação entre Aproximação Grünwald deslocado com solução exata
Figura 6.7: Comparação entre Aproximação por Transformação Matricial com solução exata
87
Apêndice A Esquema Adams-Bashforth
O esquema de Adams-Bashforth é um esquema de passo múltiplo, onde os valores iniciais
y1 , . . . , yp−1 são obtidos por um esquema de passo simples. No código abaixo, temos a implementação,
onde os valores iniciais são obtidos pelo Esquema Numérico de Euler Melhorado e o número de passo
variando p = 1, 2, 3, 4. Isto garante ordem de precisão O(h3 ).
Parâmetros:
N : número de pontos
p : ordem do segundo polinômio caracterı́stico
y0 : condição inicial
t0 : tempo inicial
T : tempo final
f : função f(t, y) para o cálculo numérico
EulerMelhorado : função que implementa o método de Euler Melhorado
"""
# Definição de constantes
h = T / N
# Definição de vetores
y = [Link](N+1)
t = [Link](N+1)
t[0] = t0
y[0] = y0
# Método de Euler Melhorado
# Cálculo dos valores iniciais
for n in range(1, p+1):
t[n], y[n] = EulerMelhorado(t[n-1], y[n-1], h, f)
return t, y
89
Apêndice B Esquema Adams-Moulton
Os Esquemas de Adams-Moulton, são esquemas implı́citos de passo p, ou seja o cálculo de ym
depende do cálculo de f (tm , ym ). Isto configura um esquema do tipo Preditor-Corretor, onde usamos
um esquema explı́cito de passo simples para calcular um primeiro valor de ym , que será “ corrigido”
pelo esquema de passo multiplo. Na implementação apresentada abaixo, usamos o Esquema de Euler
Melhorado para obter os valores iniciais e para atuar como esquema previsor.
# Definição de constantes
h = T / N
# Definição de vetores
y = [Link](N + 1)
t = [Link](N + 1)
t[0] = t0
y[0] = y0
# Esquema Corretor
somaB = 0.0
for k in range(1, p+2):
somaB += B[p, k] * f(t[m-k+1], y[m-k+1])
return t, y
91
Apêndice C Esquema de Adams-Bashforth-Moulton
Apresentamos uma versão do método de Adams-Bashforth-Moulton de um passo para resolver
um sistema de equação diferencial fracional para problemas na forma da integral Abel-Volterra. Na
integração utilizamos um esquema do tipo Newton-Côtes.
import numpy as np
from [Link] import gamma
return f
# Definição de constantes
h = T / N
h_alpha = h ** alpha
m = int([Link](alpha))
gamma1 = gamma(alpha + 1)
gamma2 = gamma(alpha + 2)
# Definição de vetores
a = [Link](N) # Pesos Corretor
b = [Link](N) # Pesos Preditor
c = [Link](N) # Pesos Condições Iniciais Corretor
y = [Link]((N + 1, S))
t = [Link](N + 1)
fyt = [Link](N + 1)
ypred = [Link](S)
ym = [Link](S)
# Inicialização
y[0, :] = y0
t[0] = t0
fyt[0] = f4t(y[0, :], t[0])
# Loop principal
for j in range(1, N):
sumb = [Link](S)
suma = [Link](S)
for k in range(j):
for n in range(S - 1):
sumb[n] += b[j - k] * y[k + 1, n + 1]
sumb[S - 1] += b[j - k] * fyt[k + 1]
# Preditor
for k in range(S):
ypred[k] = y[0, k] + h_alpha * sumb[k] / gamma1
# Corretor
for k in range(j):
for n in range(S - 1):
suma[n] += a[j - k] * y[k + 1, n + 1]
suma[S - 1] += a[j - k] * fyt[k + 1]
93
t[j + 1] = (j + 1) * h
y[j + 1, :] = ypred
fyt[j + 1] = f4t(y[j + 1, :], t[j + 1])
return t, y
94
Apêndice D Esquema de aproximação L1-L2
Apresentamos uma versão do método de Aproximação L1-L2 descrito na Seção 6.2.1 aplicado na
Equação de Advecção-Difusão Fracionária do tipo de Riesz. Também apresentamos a implementação
da solução exata.
import numpy as np
from [Link] import gamma
from [Link] import solve_ivp
import [Link] as plt
from mpl_toolkits.mplot3d import Axes3D
from [Link] import quad
from [Link] import fft, ifft
import [Link] as plt
class RieszFractionalSolver:
def __init__(self, L, N, T, K_alpha, K_beta, alpha, beta):
"""
Inicializa o solver para equações fracionárias de Riesz
Parâmetros:
L : float - Comprimento do domı́nio espacial
N : int - Número de pontos da malha no espaço
T : float - Tempo final
K_alpha : float - Coeficiente de difusão fracionária
K_beta : float - Coeficiente de advecção fracionária
alpha : float - Ordem da derivada de difusao (1 < alpha <= 2)
beta : float - Ordem da derivada de advecção (0 < beta < 1)
"""
self.L = L
self.N = N
self.T = T
self.K_alpha = K_alpha
self.K_beta = K_beta
[Link] = alpha
[Link] = beta
# Discretização espacial
self.h = L / N
self.x = [Link](0, L, N+1)
# Coeficientes constantes
self.c_alpha = 1 / (2 * [Link]([Link] * alpha / 2))
self.c_beta = 1 / (2 * [Link]([Link] * beta / 2))
def _precompute_weights(self):
"""Pré-calcula os pesos para os esquemas L1 e L2"""
max_weights = self.N + 2
# Termo à direita
right = 0
for j in range(N-i):
right += (u[i+j-1] - 2*u[i+j] + u[i+j+1]) * self.w_alpha[j]
96
# Combinação Riesz
du[i] = -self.c_alpha / gamma([Link]) * (left + right) / h_alpha
return du
# Termo à direita
right = 0
for j in range(N-i):
right += (u[i+j] - u[i+j+1]) * self.w_beta[j]
# Combinação Riesz
du[i] = -self.c_beta / gamma([Link]) * (left + right) / h_beta
return du
97
# Combinar os termos
return self.K_alpha * d_alpha[1:self.N] + self.K_beta * d_beta[1:self.N]
Parâmetros:
initial_condition : função - Função u(x,0) = g(x)
Retorna:
sol : Objeto solution de solve_ivp
"""
u0 = initial_condition(self.x[1:self.N])
sol = solve_ivp([Link], [0, self.T], u0, method=’BDF’,
t_eval=[Link](0, self.T, 100))
return sol
98
ax2.set_title(’ Evolução Temporal’, fontsize=14)
[Link]()
[Link](True)
plt.tight_layout()
[Link]()
class ExactFractionalSolution:
def __init__(self, L, alpha, beta, K_alpha, K_beta):
"""
Inicializa o solver para a solução exata
Parâmetros:
L : float - Comprimento do domı́nio
alpha : float - Ordem da derivada de difusão (1 < alpha <= 2)
beta : float - Ordem da derivada de advecção (0 < beta < 1)
K_alpha : float - Coeficiente de difusão
K_beta : float - Coeficiente de advecção
"""
self.L = L
[Link] = alpha
[Link] = beta
self.K_alpha = K_alpha
self.K_beta = K_beta
# Constantes
self.c_alpha = 1 / (2 * [Link]([Link] * alpha / 2)) if alpha != 1 else 1.0
self.c_beta = 1 / (2 * [Link]([Link] * beta / 2)) if beta != 1 else 1.0
99
integrand = lambda x: initial_condition(x) * self._eigenfunction(n, x)
b_n, _ = quad(integrand, 0, self.L)
return (2 / self.L) * b_n
Parâmetros:
x : array - Pontos espaciais onde calcular a solução
t : float - Tempo onde calcular a solução
initial_condition : função - u(x,0) = g(x)
N_terms : int - Número de termos na série
Retorna:
u : array - Solução em cada ponto x no tempo t
"""
u = np.zeros_like(x)
return u
Parâmetros:
x : array - Pontos espaciais
t_values : array - Tempos para calcular
initial_condition : função - u(x,0) = g(x)
N_terms : int - Número de termos na série
Retorna:
u_matrix : array 2D - Solução em cada (x,t)
100
"""
u_matrix = [Link]((len(x),len(t_values)))
for i, t in enumerate(t_values):
u_matrix[:, i] = self.exact_solution(x, t, initial_condition, N_terms)
return u_matrix
101
Apêndice E Esquema de aproximação Grünwald
deslocado
Proposto por Meerschaert e Tadjeran [29], o esquema de aproximação Grünwald deslocado é
aplicado no termo difusivo, enquanto termo de advecção é aproximado pelo esquema padrão.
class ShiftedGrunwaldSolver:
def __init__(self, L, N, alpha, beta, K_alpha, K_beta):
"""
Inicializa o solver com deslocamento adaptativo para cada termo
Parâmetros:
L : float - Comprimento do domı́nio
N : int - Número de pontos da malha (excluindo bordas)
alpha : float - Ordem da derivada difusiva (1 < alpha <= 2)
beta : float - Ordem da derivada advectiva (0 < beta < 1)
K_alpha : float - Coeficiente de difusão
K_beta : float - Coeficiente de advecção
"""
self.L = L
self.N = N
[Link] = alpha
[Link] = beta
self.K_alpha = K_alpha
self.K_beta = K_beta
self.h = L / (N + 1) # Tamanho do passo espacial
# Constantes de normalização
self.c_alpha = 1 / (2 * [Link]([Link] * alpha / 2)) if alpha != 1 else 1.0
self.c_beta = 1 / (2 * [Link]([Link] * beta / 2)) if beta != 1 else 1.0
def _compute_diffusion_coeffs(self):
"""Coeficientes para termo difusivo com deslocamento"""
max_k = self.N + 2
self.g_alpha = [Link](max_k)
self.g_alpha[0] = 1
for k in range(1, max_k):
self.g_alpha[k] = self.g_alpha[k-1] * (k - 1 - [Link] ) / k
def _compute_advection_coeffs(self):
"""Coeficientes para termo advectivo sem deslocamento"""
max_k = self.N + 2
self.g_beta = [Link](max_k)
self.g_beta[0] = 1
for k in range(1, max_k):
self.g_beta[k] = self.g_beta[k-1] * (k - 1 - [Link] ) / k
return diff_term
103
for i in range(1, N):
# Soma à esquerda (não deslocada)
left = 0.0
for k in range(i): # i termos (sem deslocamento)
weight = self.g_beta[k]
idx = i - k # Sem deslocamento
left += weight * u[idx]
return adv_term
104
sol = solve_ivp([Link], t_span, u0, t_eval=t_eval, method=’BDF’)
105
Apêndice F Esquema de aproximação por
Transformação Matricial
Yang e Tuner [52] propuseram um esquema de transformação matricial para uma equação de
difusão fracionária com condições de fronteiras homogêneas. Aplicamos este esquema para a equação
de advecção-difusão.
import numpy as np
from [Link] import solve_ivp
import [Link] as plt
from mpl_toolkits.mplot3d import Axes3D
from [Link] import gamma
from [Link] import quad
from [Link] import fft, ifft
class MTMFractionalSolver:
def __init__(self, L, N, alpha, beta, K_alpha, K_beta):
"""
Inicializa o solver MTM para equação de advecção-difusão fracionária
Parâmetros:
L : float - Comprimento do domı́nio
N : int - Número de pontos da malha (excluindo bordas)
alpha : float - Ordem da derivada de difusão (1 < \alpha <= 2)
beta : float - Ordem da derivada de advecção (0 < beta < 1)
K_alpha : float - Coeficiente de difusão
K_beta : float - Coeficiente de advecção
"""
self.L = L
self.N = N
[Link] = alpha
[Link] = beta
self.K_alpha = K_alpha
self.K_beta = K_beta
self.h = L / N
# Construir matrizes
self._build_matrices()
# Pré-computar as matrizes fracionárias
self._compute_fractional_matrices()
def _build_matrices(self):
"""Constrói as matrizes do Laplaciano e do gradiente discretos"""
# Matriz do Laplaciano (difusão)
main_diag = 2 * [Link](self.N)
off_diag = -1 * [Link](self.N - 1)
self.A = ([Link](main_diag) + [Link](off_diag, 1) + [Link](off_diag, -1))
def _compute_fractional_matrices(self):
"""Calcula as matrizes fracionárias via diagonalização"""
# Diagonalizar A = P D PˆT
self.eigvals_A = [Link](self.N)
for k in range(0,self.N):
self.eigvals_A[k] = 2 - 2*[Link]((k+1)*[Link]/(self.N+1))
[Link] = [Link]((self.N,self.N))
for j in range(0,self.N):
for k in range(0,self.N):
[Link][k][j] = [Link]((j+1)*(k+1)*[Link]/(self.N+1))
# Normalização
[Link] = [Link]/[Link]((self.N+1)/2)
107
def solve(self, initial_condition, t_span, t_eval):
"""
Resolve a equação fracionária
Parâmetros:
initial_condition : função - u(x,0) = g(x)
t_span : tuple - (t0, tf)
t_eval : array - Tempos onde a solução é calculada
Retorna:
x : array - Pontos da malha espacial (incluindo bordas)
sol : Objeto solution de solve_ivp
"""
# Discretizar condição inicial (pontos internos)
x_internal = [Link](self.h, self.L - self.h, self.N)
u0 = initial_condition(x_internal)
108
T, X = [Link](t, x)
# Plot 3D
fig = [Link](figsize=(14, 6))
ax1 = fig.add_subplot(121, projection=’3d’)
surf = ax1.plot_surface(X, T, u, cmap=’viridis’, rstride=1, cstride=1,
linewidth=0, antialiased=True)
ax1.set_xlabel(’Posição x’, fontsize=12)
ax1.set_ylabel(’Tempo t’, fontsize=12)
ax1.set_zlabel(’u(x,t)’, fontsize=12)
ax1.set_title(f’Solução 3D (alpha={alpha}, beta={beta})’, fontsize=14)
[Link](surf, ax=ax1, shrink=0.5, aspect=5)
plt.tight_layout()
[Link]()
109
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113
O Cálculo Fracionário surgue como uma generalização do cálculo classico de ordem inteira,
proposto por Newton e Leibniz, no século XVII. O tema começou a despertar interesse da comunidade
cientı́fica, em 1974, com a realização da primeira conferência internacional sobre Cálculo Fracionário,
promovida por Bertram Ross em New Havem, USA. Na década de 90 ocorre uma explosão de
publicações de livros e artigos sobre o tema, consolidando o Cálculo Fracionário como uma importante
ferramenta na análise de fenômenos, demonstrando ter propriedades e caracterı́sticas superiores ao
cálculo integro-deferencial clássico.
Neste trabalho fazemos uma breve revisão histórica da teoria do Cálculo Fracionário e suas
aplicações. São apresentados alguns resultados do Cálculo Fracionário, apresentando alguns exemplos
de equações diferenciais ordinárias fracionárias no contexto analı́tico e numérico.