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JORNAL
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DAS FAMÍLIAS
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PUBLICAÇÃO ILLUSTRADA o
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RECREATIVA, ARTÍSTICA, ETC.
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ANNO DE 1864
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RIO DE JANEIRO
B. L. GARNIER, EDITOR-PROPRÍETARIO
09, RUA DO OUVIDOR, 00
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JORNAL /
DAS FAMÍLIAS
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AOS LEITORES ^vPIk4 , ¦ XV- í -i-ú
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m anno já lá vai que contamos d'cxisteneia. ¦í
A' imitação d'esses astros que gyrao no espaço,
tambem fizemos nosso gyro, tambem nos atirámos
no espaço sem limites do pensamento.
Como havemos cumprido a missão difíicil que
D m sobre os hombros tomámos?
Compele a outros decidir a queslão e responder á pergunta; mas
diz-nos a consciência que nao mentimos ás promessas que fizemos ao
balbuciar do primeiro verbo da publicidade, ao dar do primeiro passo
no caminho da nossa existência. M í
Envidámos todos os esforços, não [Link]ámos a despezas e sacri-
íicios, afim de dar aos leitores, e sobretudo ás gentis leitoras que se
dignão dispensar comnosco algumas horas e lançar os olhos ás paginas
Tomo II. — Janeiro mí 1864.
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AOS LEITORES
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escrevemos, um volume nitido, variado, elegante, digno dc oriiar,
que
desenhos, pelo
pola amenidade de seus artigos, pela perfeição de seus
lino dc suas gravuras, pela delicadeza dc sua impressão, as estantes dos
litteratos, os gabinetes dos artistas, c o perfumado camarim dc nossas
amáveis leitoras.
Que cumprimos a missão a que nos compromettêmos, prova-o o ac O-
lliimento cm extremo lisongeiro que recebemos do publico, acolliimenU I
dc di-
que, a continuar, como esperamos, nos perinitlirá a rcalisação
versos melhoramentos que temos cm mente, já na parle puramente
material, ja na parte litteraria ou intellcelual.
E, a nao querermos merecer o labéo de ingratos, não podemos deixar
de agradecer ao publico tão benigno acolhimento.
Sabc~o elle que não somos avezados a faltar a compromissos que lo-
mainos, c pode pois contar que as reformas (pie virão sobrevindo, já na
variedade e escolha dos artigos, já na nitidez da impressão e belleza das
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gravuras, provarão quese desejamos a benevolência e a animarão, não
nos retrahimos ao dever de procurar agradar a quem tanto nos merece.
Agradecemos lambem aos babeis e amenos litteratos que sc não cs-
quecerão de enfeitar as nossas paginas com aquellas lindas produecòes
fe*. cabidas de suas pennas cm horas de mágica inspiração, com aquellas
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flores que tão perfumadas e formosas offcreeérào ás nossas leitoras.
Esperamos que uos continuarão tão graciosas offertas. Flores como
são, antes sejão cilas colhidas por mãos dc neve de outras Ilores, a sc-
rem por abi des folhadas pela ventania do esquecimento.
Fade-nos Deos no trilhar (Uesle segundo anno, que começa; acolha-
nos ainda benignamente o publico, e não esmoreceremos na lida, íieiii
pararemos no caminho,
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A UEDACCÂO.
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A FANTASIA DA MORTE m
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Providencia, negando ao homem a faculdade de adivi-
nhar o futuro, deo-lhe uma grande força, armou-o de urn
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grande poder para lutar contra o seu próprio destino.
Quanto1 seria pusillauime e fraco aquelle que tivesse
de aguardar sem remissão o desfecho de uma desgraça
ilffllt prevista I Quanto seria miserável a creatura humana que,
sabendo de antemão todas as peripécias de sua própria
vida, tivesse de esperar na resignação ou no desespero a realização da terrivel m-V
sentença que lhe reservava a sua sorte!
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Fora então a vida um martyrio indescriptivel. 0 homem diante da fatali-
dade, em presença constantemente do dia inevitável da sua morte, olharia o ¦ ¦ *?
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presente da existência como um favor negativo do implacável arbítrio de urna A
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vontade inflexível. ¦¦¦¦¦
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Apezar, porém, do convencimento em
que todos estamos do mal que nos
acarretaria esse fatal dom da previsão^ quantas vezes desejáramos nós devassar I
os recônditos arcanos do porvir, eler patentes os segredos
que nos esconde o i
horizonte impenetrável do infinito! Quantos infortúnios se evitarião na socie-
¦-,¦-¦
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dade, e quantas dores se poupariáo a tanto
padecimento moral, que nos afílige
sem causa, e tem sua origein de ser nos illusorios fantasmas de nosso desvai-
rado pensamento? Mas entre a lógica da razão e os decretos da sabedoria in-
lallnel ha leis que estão fora do alcance da intelligenciâ humana^ e
que o ente
¦ ¦
¦
JORNAL DAS FAMÍLIAS.
nào nunca perscrutar, porque cilas formão a linha divisória
pensador poderá
estabelecida entre a creatura e o creador, entre o Onito e o iil imitado, entre
o homem, que é o reflexo, e a divindade, que é a luz.
Estas reflexões mais ou menos fará o leitor que seguir com attenção a lus-
toria que vamos narrar-lhe. E este uni romance doloroso e triste, mas que
infelizmente nào pertence senão em seus toscos atavios á fantasia do narrador,
existe ainda na lem-
porque repousa sobre factos verdadeiros, e cuja memória
branca de algumas pessoas que conhecerão os personagens que vamos pôr em
scena com a fidelidade dos traços que nos é possível conservar, sc por ventura
nos é fiel a nossa reininisccncia.
As peripécias cVeste drama sinistro passárão-sc em uma capital da America
do Sul, cujo nome occultaremos, se liem que quasi todos os seus adores fos- .
sem estrangeiros nesse paiz. Esta ultima circunistancia, porém, longe de
w
arrefecer o interesse que naturalmente inspirão os acontecimentos cpie se se-
guem, dá-lhes talvez o cunho de singular emais rude originalidade.
ii
Ein urn salão ricamente adornado com todo o reípiintc do gosto e do luxo,
estava rcclinada em um sofá estofado de velludo uma gentil senhora de vinte
c dous annos pouco mais ou menos, que parecia ler distrahida em um livro
de encadernação dourada; pois de quando em quando alçava a mageslosa ea-
beca, e olhava para uma elegante pêndula de bronze, que parecia retardar-
lhe acintosamente uma hora desejada.
A moça era um admirável typo dc formosura meridional. No fulgor de seus
bellos olhos negros, rasgados cm forma de amêndoa,'
lia-se toda aiullamnia-
vel paixão de uma mulher andaluza. Era alta, osbelta, flexível, e estava vestida
com tào artística simplicidade, que mais fazia sobresahir ainda a perfeição de
sua natureza esplendida, e os contornos fascinadores de suas formas, dignas
de servir de modelo a unia estatua deCanova.
0 magnífico salão era um verdadeiro templo d'aquella divindade. A riqueza
dos adornos, a novidade da mobilia, a profusão das jarras e das figuras de fina
porcelana de Sòvres, o alvo esplendor dos transparentes cortinados, a magni-
íicencia dos tapetes, e finalmente o perfume das varias e matizadas dores (pie
embalsamavão o ambiente, formavào em torno da moça uma atmospliera
inebriante e deliciosa, onde parecia respirar-se o deleite, a morbidez e o
amor, e sentir-se a alma arrobar em sonhos e devaneios celestes.
Ella, porém, triuinphante e doininadora no meio de tantos prodígios da
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JORNAL DAS FAMÍLIAS. 5
arte e da industria, que parecião tacitamente render um culto á sua incom-
paravel> belleza, olhava indifferente para tudo, pois o seu pensamento estava
longe de certo de quanto a rodeava, e só desviava do livro os olhos quando se
lembrava de os volver á pêndula, que lenta e compassadamente movia ospon-
teiros dourados no circulo immovel do branco mostrador.
Uma das vezes, porém, em que fez este movimento, deixou cahir lenta-
mente o braço que segurava o livro, c soltou um ligeiro suspiro, acompa-
nhado de pequeno movimento de impaciência. *
Poucos instantes depois abrio-se uma porta, e entrou apressadamente urn
elegante moço dc seus trinta annos dc idade, vestido com esmero, que se di-
rigio ao sofá familiarmente, e a quem cila recebeo sem mudar da posi;;ão em
que estava.
Tardei muito, Angelita? Não foi minha a culpa. Sabia que me espera-
vas, c por mais diligencias que fiz, só agora, que é pouco mais de meio-dia,
pude vir abraçar-te e almoçar comtigo. Vamos, não estejas amuada.
E, dizendo isto, o moço sentou-se junto dc Angelita, passou-lhe o braço em
roda da cintura, e, attrahindo-a docemente ao peito, deo-lhe um beijo na face.
E uma ingratidão da lua parte fazer-me estar tanto tempo ein sobrcsalto,
depois de me haveres dado a promessa de voltar logo; e quanto mais que
sabes em que perplexidade vivo neslc paiz, onde nestes conllictos de guerra
civil não se tem um momento a vida segura! tornou a joven Ucspanhola,
olhando com um gesto divino para o varonil mancebo.
Agradeço-te o cuidado que tens em mim, Angelita; mas vou explicar-te
em duas palavras a causa da minha demora.
—¦ Pois sim, respondeo ella ; mas consente que me previna contra a vivaci-
dade da tua imaginação.
Louquinha! contestou elle... é a ecusa mais natural do mundo o que me
aconteceo, como vais ver.
Angelita encarou-o de novo, continuando a sorrir maliciosamente.
0 mancebo tomou uma das mãos da moça entre as suas c proseguio :
Estás perfeitamente ao facto da melindrosa situação em que ine acho col-
locado para com o governo (Peste paiz. Não quer elle adinittir as condições da
intervenção que lhe proponho, autorisado pelas instrucções que recebi, e tal-
vez seja inevitável um rompimento entre nós. Dirigi-me portanto ao ministro
dos estrangeiros, com quem tive uma larga conferência esta manhãa, sem que
todavia a questão ficasse collocada cm melhor terreno, c vinha para casa um
pouco contrariado. Soube então da chegada do paquete, c com elle da vinda
de um amigo meu dc Paris, com quem estive já, c convidei para jantar hoje
comnosco. Aqui está a causa da minha demora, Angelita. Bem vês que não
JORNAL DAS FAMÍLIAS.
tens motivo para ficares nrrufada comigo, minha formosa Andàluza! acres-
cen tou elle, renovando-lhe as suas caricias.
Está bom, Álvaro; creio nas tuas palavras; mas cn te peço que te au-
sentes de mim o menos possivel; sou frnea, estou em um pniz estrangeiro,
rodeada de gente que me não inspira confiança; ludo me sobresalla e desá.s-
socega; receio sempre e muito por ti... e ás vezes também por mim.
Tens razão, minha filha; a vida turbulenta dos negócios públicos rouba-
me os preciosos momentos que podia passar a teu lado, feliz e satisfeito; mas
conto que em breve regressaremos á Europa, ou iremos talvez para outro paiz
em que possamos mais tranquillamcntc entregar-nos á ventura dc sermos
sempre e insepáravcimente uni do outro.
Oh! como eu serei nesse dia afortunada!
proseguio Angclita, corres-
pondendo com carinho e amor ao aperto de mão de Álvaro... Casados apenas
ha um nnno, e pnssarmos tantas horas distantes c sepnrados! Bem sabes
que não sou exigente, meu marido; mas sou moça, amo-te, adoro-te, c
preciso de te ver perto de mim, de saber-te a meu lado, de encontrar-tc
quando meus olhos te procurão para communicar-te os desabafos de mi-
nhas apprehensões ou a ternura dos meus affectos! É assim o coração da
mulher extremosa... E eu sou uma louca!... tenho zelos até do ar
que tu
respiras!
Deixa estar, Angelitn, esta situação não
pôde demorar-se; partiremos
em breve d'aqui. Mas o pouco tempo que nos demorarmos ainda será d'aqui
em diante menos monótono, pois no companheiro
que me chegou hoje da Eu-
ropa temos um amigo verdadeiro, que estou certo fará constantemente
parte
de nossa pequena sociedade.
Álvaro e Angelita forão almoçar nessa feliz intimidade do amor lealmente
correspondido, que não vè no horizonte azul da vida nem a sombra de uma
nuvem que possa annunciar a procclla.
ni
0 companheiro de Álvaro não faltou á hora marrada.
Era um joven Francez de maneiras distinetas, vestido
com essa particular
elegância dos homens de boa sociedade, espirituoso, vivo,
talvez um pouco
futil, mas que revelava em sua variada conversação estudo,
alguma intelligen-
cia, e esse segredo admirável de dizer as cousas mais superíiciaes
com a ]v>-
cuidada apparencia de uma reflexão
profunda e de um espirito modesto, mas
realmente investigador.
JORNAL DAS FAMÍLIAS. 7
O jantar foi animado, versando a conversa sobre grande numero de as-
snmptos, c acabando por fim com a narração das viagens do ospiriluoso lios-
pede, que havia visitado o Oriente e percorrido o Mediterrâneo, colleccionando
onecdótas chislosas, e tomando elle mesmo parte em alguns episódios aven-
furosos.
Nào ha nada como as dcscripçoes em que torna parte o maravilhoso para
hallucinar as imaginações feminis! Angelita, que, sejamos francos, á primeira
vista nào havia sympathisado com o amigo dc Álvaro, depois que este repre-
sentou um papel tào brilhante na conversação, sentio-se presa com irresistível
interesse ao dcscnlace de todas as suas aventuras; e é forçoso confessar epie,
terminada a refeição, Júlio Ferry, que assim sc chamava o Francez, havia to-
mado a seus olhos as proporções dc um verdadeiro heroe.
Todos se levantarão contentes da mesa, e passarão ao salão, onde no de-
curso da noite Júlio Ferry teve mais de uma vez o prazer de acompanhar ao
piano e cantar mesmo alguns escolhidos duetos com a formosa e seduetora
I (espanhola.
Em poucos dias os tres estavão ligados pela mais estreita amizade. Júlio
era recebido em casa de Álvaro como um irmão, e a liberdade dos costumes
europeos, a franqueza de antigos hábitos de confiança reciproca, dava lugar a
que muitas vezes Álvaro, entregue todo ao desempenho das melindrosas func-
ções de seu cargo diplomático, se demorasse muitas oceasiões longas horas
fóra de casa, deixando Angelita e Júlio entretidos ora no desenho, ora na
musica, e nas leituras dos livros escolhidos e preciosos que formavào a sua
esmerada bibliotbeca.
Todo o mundo comprehende o perigo da liberdade inconsiderada (Festas
relações melindrosas. As naturezas mais frias, as almas mais severas no cum-
primento de seus deveres sagrados, os corações menos impressionáveis pelas
paixões exaltadas, estão sujeitos algumas vezes a fraquear, e rendem-se ven-
eidos a uma fatalidade infernal, que parece constantemente perseguir a vir-
tudo e armar-lhe os mais funestos ardis! Foi o epie aconteceo á desgraçada
Angelita.
Pallida e desfigurada, corroo uni dia do salão em que sc achava em com-
panhia de Júlio, e cahio sobre o leito de sua câmara cm um tal estado de
medonha desesperação, que, quando seu marido voltou para casa, a infeliz cs-
tava devorada por um accesso de febre ardente c ameaçada dc perder o juizo.
Por mais que Álvaro fizesse por descobrir a causa (lesta repentina mudança
physica c moral de Angelita, nào podia atinar com a verdade. Ella chorava
todas as vezes (pie elle lhe fazia alguma pergunta neste sentido; elle soffria a
natural repercussão do todos os seus padorimentos.
JORNAL DAS FAMÍLIAS.
c tinha
Júlio aproveitou esta circurnstaneia para se tornar menos assíduo;
dc vergo-
razão, porque a desgraçada Hespanhola. se o visse, morreria talvez
nha e desespero!
Assim decorreo algum tempo, durante o qnal, ao menos apparentementc,
dir-se-hia que Angelita recuperava as forças c a razão.
No emtanto a alegria tinha de todo abandonado aquelle lar, ainda ha poucos
mezes tão feliz e abençoado! A consternarão e a tristeza achavão-se dese-
nhadas no semblante de toda a gente de casa.
A's portas do paraíso havia-se aberto um abysmo !
Se as apprehensões mais ou menos singulares de Álvaro, e a dor de ver sua
joven esposa ein tão grave risco de vida, traziâo
em grandes tributações o seu
espirito, os tormentos de Angelita erão muilo mais incomportaveis!
Elle soffria, mas tinha a consciência tranquilla; ella, porém, via-se devo-
rada pelo remorso, eslorcia-se no desespero, sentia o incêndio da vergonha e
da deshonra afoguear-lhe dc vez em quando as faces, e queimar-lhe o sangue
numa febre devoradora! A desventurada já não tinha lagrimas para chorar,
nem palavras para dirigir a Deos a blasphenia supplica de lhe arrancar a vida!
As horas passavão, e o tormento tornava-se cada momento mais feroz e in-
supportavel.
Não quero demorar-me em traçara pintura dos sentimentos (pie, em uma •
luta tão suprema, espedaçavão o coração da infeliz Angelita. Era a morte ua
vida, a agonia do passamento em cada minuto que se volvia no tempo!
A desgraçada tomou pois uma resolução fatal e immutavel. Urgia sahir
d'este infernal desespero. Mas como?
IV
Júlio estava, oito dias depois do acontecimento que acabamos dc narrar,
só e pensativo em seu quarto, sentado ao pede runa mesa de escrever, (punido
ouvio repentinamente abrir-se a porta, e entrar uma senhora cujas feições
estavão tão demudadas, que só pela voz ponde conhecer que era Angelita.
O mancebo sentio coar-lhe nas veias um arripio de morte.
Ella trazia estampado na semblante o sello fúnebre da sepultura. Dir-se-hia
que, espedaçando a lage do túmulo, viera ainda uma vez á terra para cumprir
uma missão terrível! Os seus negros e abundantes cabellos em desalinho e a
sinistra expressão de seus olhos contrastavào estranhamente com a livida pai-
lidez de seu rosto e o convulsivo tremor de seus lábios descorados... Olhou
em roda de si, e disse com voz vibrante de cólera c indignação :
JORNAL DAS FAMÍLIAS. 9
- [Link]... venho fazer-ihe
a derradeira visita, e conhecer ao
tempo se e tao cora,p,0 na reparação mesmo
do mal como o foi na
c «nc A,„, [Link] duas perpetraçào do
[Link] : ,™, i R, . S, , , oul„
admitlo observações escusas,, • ^ J
nem pseii<?íK eó esta
neio an umca
vingança que exige o ultraje
leito a honra de meu mando J
Júlio estremeceo ; porém, antes
que tivesse tempo de realizar o pensamento
de Iraque., que^manifestou em seus
gestos, Angelita apontou-lhe uma
ao coração, c, disparando* sem vacilar, pistola
o varou com a bala
Ao estrondo desta detonação suecedeo-sc
imediatamente outra, e,
os criados acudírão, dous cadáveres estavào quando
estendidos no chão sobre ondas
de sangue.
Alvar,,, quando soube desta medonha
catastrophe, perdeo a razão. Todos
os recursos da sciencia, todos os desvelos
que naturalmente inspirava, mesmo
as pessoas que lhe erão menos
próximas, o seu lamentável estado dc infortu-
nio, lorao [Link]
para o arrancar de tão pungente e angustiosa situação.
A s vezes, dc noite, mandava illuminar salão,
o e senlava-sc ao piano, onde
tocava com inexplicável
perfeição os trechos de musica mais predilectos da
¦'-abadada Angelita. Os seus olhos, lauguidos
e amortecidos, íixavào iininoveis
o retrato de sua mfehz esposa, e dc vez
cm quando duas grossas lagrimas se
desprcndiao de suas
palpebras, e escorregavão por suas faces lividas, como qne
rasgando-lhes dous
profundos sulcos!
Era uma dôr do coração ouvir essa musica indcscriptivel
em que tinha mais
parte o sentimento do que a arte!... Ria, cantava, soluçava, chorava,
supplicava e orava nas teclas do gemia
piano, como se as harmonias d'csse instru-
mento se houvessem convertido no
grito, na expressão e nos cchos da voz
humana!
Não sabemos qual foi
posteriormente o seu destino; mas pessoas que co-
nhecèrào jnuito dc
perto as singulares peripécias de tão trágica aventura nos
affirniao que o desgraçado nunca mais
poderia de certo recuperar o juizo.
No túmulo de Angelita ainda hoje se ve, .segundo nos
informa,,, uma coroa
dc perpétuas roxas,
presa nos braços da cruz, renovada por mãos invisíveis no
dia anniversario dc sua desgraçada morle.
Í1QPKS.
T II
UM EPISÓDIO DA ROÇA
e fim)
(continuação
IV
^!$j** ,/ I í-*ttV JJCL *9* L*^^*W
coronel foi informado do acontecido ás nove horas da
manhãa, e ao meio-dia cm ponto devia achar-se ao
lado de seu afilhado.
Estes acontecimentos passavào-sc em duas povoa-
á margem do rio
ções quasi fronteiras, estabelecidas
Parahyba.
0 rio, engrossado com as enchentes das cabeceiras
tenc-
c dos mil tributários que desaguão em seu leito, apresentava um aspecto
os troncos
broso e medonho. O temporal desfeito torcia c açoutava os ramos c
das arvores das florestas circumvizinhas, e a ventania soprava em violentas
silvo
rajadas pelos recôncavos das matas e as gargantas das montanhas com um
agudo e aterrador. Era um espectaculo feroz ver a natureza debatendo-sc, gi-
rrantesca o vigorosa, nos braços tilanicos da tempestade desvairada!
0 rio havia crescido a ponto que transbordava das margens. Grandes pas-
saros negros, dc azas alongadas, esvoaçavffo por cima dos vagalhões, soltando
longos e fúnebres pios. As águas pesadas e borrentas rugiao com fúria, que^
brando contra os penhascos, atirando-sc pelas encostas das montanhas, en-
<rolfando-se pelas enseadas da praia, ou redemoinhando nos sorvedores,
afundando-sc nas voragens, como se o anjo da destruição tivesse ordenado aos
JORNAL DAS FAMÍLIAS. il
elementos uma luta de exterminio! Quem se afoutaria a arrostar a impetuo-
sidadc da correnteza? Qual seria a canoa bastante temerária para se aventurar
no meio d'essc pego revolto, em cujas, ribas se viao já os destroços de algu-
mas ligeiras embarcações, c cm cuja superfície se divisaváo passar, impellidos
ramos ainda verdes das
por uma força irresistível, os troncos vigorosos c os
arvores das florestas?
Uma barreira inveneivel separava pois, neste momento, as duas pbvoaçõcsi
O vento, longe de acalmar, recrudescia dc violência. As horas passavâo; o
meio-dia estava próximo.
O coronel estava cm uma agitação febril. Tinha offerccido já cem e duzen-
tos mil reis a quem fosse levar uma carta urgente á margem opposta; porém
as pirogas dos mais ousados haviáo-se espedaçado pondo-sc cm pratica as pri-
meiras tentativas.
Todos haviâo desanimado.
A insistência do coronel em conseguir quem transpozesse o rio havia at-
trahido á riba grande numero de pessoas, que lhe seguiáo e acompanhavào
todos os movimentos com visível interesse c curiosidade.
Dc repente soarão as badaladas do meio-dia, gemendo nas azas da procella.
0 coronel despio a sobrecasaca, agarrou em dous negros que erão seus pagens,
á
atirou-os para dentro da única canoa que ainda se conservava amarrada
e tambem elle com uma agilidade inconcebível na sua idade,
praia, pulando
sentou-se á poupa, gritando para os negros estupefactos:
— Remem!
indcseriptivel sahio
0 povo agglomerava-se cada vez mais, c um murmúrio
dos lábios de todos os que presenciarão esta incrível temeridade.
fosse
A canoa, apenas solta, pulou sobre a superfície revolta da água como se
c a correnteza do
unia folha secca, e principiou então uma lula entre o lenho
rio que fora impossivel poder descrever.
custa dc inauditos esforços, c vendo a todos os momentos a morle abrir-
A'
vencer metade
se debaixo de seus pés, o coronel c os dous negros conseguirão
da largura do rio. Ahi as difficuldades redobrarão.
A canoa sos-
No meio do rio o impulso das águas era mais forte e caudal.
como por uma
tinha-se milagrosamente na crista dos escarceos, c era agitada
elementos.
Torça diabólica no meio de toda esta explosão encontrada dos
o equilíbrio á
De quando cm quando uma bifada dc vento fazia quasi perder
virasse, sepul-
frágil piroga, e pouco faltou mais dc uma vez para que ella
tando os desgraçados dentro do abysmo.
de conti-
Os escravos estavão já extenuados. A voz do coronel animava-os
ouvidos dos anciosamente olhavão da praia para este ter-
nuo... mas aos que
t
12 JORNAL DAS FAMÍLIAS.
dos intrepnlos, porem
rivel espectaculò apenas chegavào os echos queixosos
fragor das cachoeiras c peios s,I-
canoeiros, cortados pelo
quasi desfallecidos
vos do vento espedaçador! <
O terror augmentava. (
em os dous [Link] ao traba-
Chegou um instante, porém, que pretos
os da camisa abertos, paredão dous entes
lho Alagados em suor, com peitos
da Estige! Sentirão enfraquecer as
fantásticos atravessando a lagoa mysteriosa
uma vertigem pela cabeça, e
dos olhos, passar-lhes
pernas, fugir-lhes a luz
cahio dentro da canoa quasi sem vida, e dc todo sem animo
uni após outro
nem esperança!
apinhado então nas duas margens, acompanhava todas as pen-
O povo, já
ao coronel voltasse, mas sem que um só dos
bradando
pecias d'esta luta, que
se atrevesse
de todo o interesse llies inspirava o ancião,
assistentes, apezar que
a lançar-se ao rio para lhe acudir.
morteira ali inevitável ¦ ¦!
jf"porque a
difliculdade quctmha
O coronel, achando-se só dentro da canoa, apezar da
os dous escravos como mortos a seus pés, tomou o
cm mover-se, pois jaziáo
forte, levantou-se dc na da embarcação, e foi tal a energia
remo mais pé proa
neste extremo, o barco, galgando pela face espumosa
que empregou passo que
'
varou como uma flecha o espaço que restava para chegar á margem, e
do rio,
foi encalhar dentro da areia da praia!
e
Em grito unisono e estrepitoso retumbou das duas ribas oppostas, parece
os elementos se acalmarão um momento para saudar o triumpho da von-
que
da natu-
tade e da energia humana contra toda a conflagração das potências
reza!
. Passava já muito do meio-dia, e o pobre Seraphim tinha sido neste inter-
vallo condemnado a perder a sua única esperança, pois a questão se havia de-
eidido, como era de esperar, infelizmente contra cite.
0 coronel, informado do oceorrido, depois de haver recebido as felicitaçõess
de todos, a que procurava furtar-se, ainda fatigado e sem haver descansado
um .só momento, foi ler cnm Seraphim, e lhe disse, batendn-lhe familiar-
mente com a mão no hombfo, e sorrindo á afilhada :
— Por sua causa acabo de rapar agora uni grande susto!... Eu já sabia
(piem
que vossés perdião o negocio!... Conheço a casta dc fratantes cnm
tinháo de lidar!... 0 que faço eu? O Seraphim e a Ròsinha não hão de ficai
JORNAL DAS FAMILIAS. tiO
sem o sitio!... Escrevo ao meu correspondente, e mando buscar uma somma
de dinheiro qne calculei necessária para o resgate da sna fazendola... Métto o
dinheiro no bolso, e ateimo em atravessar o rio com uma tempestade furiosa!.„,
Que cu morra, nào faz mal, dizia eu comigo : estou velho e já nflo presto
para nada; mas que se perca o dinheiro, que fiquem o Seraphim e a Rosinha
sem a sua situação, ao desamparo e á miséria neste mundo... nada; nao
quero!... E lutei, lutei, até (pie cheguei aqui... Agora tomem o dinheiro,
paguem a divida simulada a esses ladrões, e nào quero ver mais caras chorosas
nesta casa!
0 coronel cumprio a sua promessa de tal modo, que no dia seguinte era
dia de festa no sitio do Seraphim.
O coronel nào gostava que se contassem estas cousas; mas agora que elle
me nào ouve, penso que muita gente, lendo estas linhas, resará nma oraçào
pela sua alma!
A. fe; /ALUAR.
A-*SÈl!if&' a&wSBHÍ
»M^í^rlR wi^J MlliHHl nrafilkm:>^MMMMmm»W»w^'^''-Mm'^
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HISTORIA
A VOLTA DO CATIVEIRO
elenta annos sehavião passado!
Setenta annos de duro cativeiro, setenta annos de
amargura e de lagrimas!
A ira do Eterno, provocada de ha tanlo tempo, cahíra
impiedada e esmagadora contra os infelizes descendeu-
tes de Abrahão e Jacob.
Cahiâo-lhes longas e ardentes as lagrimas pelas faces
cavadas pela dôr, e somente o soluçar plangente e os suspiros que do intimo
do peito exhalavão indicavão a intensidade da magoa que lhes devorava o
coração.
E a alegria febricitante dos conquistadores era como um insulto atirado á
desgraça, como um desafio aos vencidos.
Setenta annos!... setenta séculos d'essa angustia dilacerante, d'essa agonia
lenta, mas pungente, em que, uma a uma, ião cahindo todas as esperanças
da vida, como cahem as folhas amarellecidas das arvores ao bafejar destruidor
do outono.
Setenta annos!... setenta séculos!... e esmagados sob o estigma maldito
de escravos, sob o insulto provocador dos vencedores!
JORNAL DAS FAMÍLIAS. Io
Eos velhos, alquebrados ao peso dos annos, ou, melhor dissereis, ao peso
das magoas, dirigião os olhos embaciados, sombrios e turvos, como se esti-
vessern tacteando nas trevas, pela immensidade do horizonte que se desenro-
lava além... £
Ah! parecião nesse olhar tão longo, lão saudoso e tão sentido, enviar a
alma á cidade santa, que o rei-propheta conquistara, e onde, no silencio de
suas campas, felizes repousavão os restos de seus maiores.
E os moços, que haviáo nascido em terra dc estrangeiros, que tinhão descer-
rado os olhos á luz de outro céo, que havião sido acalentados ao sopro de outra
briza, ao murmurar de outro rio, ao ruido de outras florestas, ao calor de
outro sol, ao susurrar de outras palmeiras, tinhão inveja das recordações dos
velhos, como consolações que lhes mitigavão as magoas no desalento do ca-
liveiro.
E só de vez em quando, por entre o gemer dos cativos e as vociferações dos
senhores, ouvia-se a voz consoladora de algum prophela, que, á semelhança
do orvalho do céo, refrigerava o ardor da magoa (Paqueíles corações descon-
solados.
E Cyro reinava triumphante na cidade de Balthasar.
Desviando as águas do magestoso rio que lhe banhava o seio- conseguira
conquistar a cidade inconquistavel.
Os crimes dos Babylonios incircumeisos havião também attrahido os raios
de Jehovah, que armara contra elles o braço invicto de seu guerreiro.
As vozes de arrependimento sincero, os suspiros doridos dos filhos de Israel,
havião subido, como nuvens de arornatico incenso, até o throno em que se
assenta a magestade soberana.
Fora bastante a punição, bastantes as lagrimas derramadas, e a nuvem que
sombreava a fronte severa do Eterno dissipára-se aos suspiros do arrependi-
mento.
Resolvera, como outr'ora, retirar seu povo da terra do cativeiro, da casa
da servidão; doia-lhe ver a desolação c a tristeza a pairarem sobre a cidade
em que tantos hyrnnos de amor lhe entoara o propheta-rei.
Oh! aqueíles muros derrocados pela aeção do tempo e pelo dente do aríete,
e táo cobertos de musgo e hera, o templo destruído, os vasos sagrados rouba-
dos, os levitns fugitivos, os campos talados c seccos, as casias sombrias c sob-
lu-
farias, como fantasmas a cunipriiem seu fadario, e o moebo apiar vozes
16 JORNAL DAS FAMÍLIAS.
e sentidas na habitação que o homem abandonara, e tantas outras
gubres
em meio das
scenas de dôr, erão como suspiros queixosos que achavão echo
potestades do empyreo. —os velhos al-
E um dia —logo após a conquista da cidade de Semiramis
volta vão do trabalho, e os moços, que já sentiào que o d esa-
quebrados, que
as
lento lhes diminuía rapidamente as forças, e as mulheres, cujos olhos
lagrimas havião desbotado, e as crianças, que nào sahião ainda que dòr pun-
dilacerava o coração de seus pais, ouvirão a voz inspirada do prophela
gente
a
do Senhor, que annunciava o fim do cativeiro, a cessação da tempestade,
misericórdia e o perdão de Jehovah.
« Sim, exclamava elle aos filhos de Sião, sim, voltaremos cm breve; cessou
« a cólera do Senhor, e nossos restos repousarão tranquillos com os restos
« de nossos maiores na cidade santa de David. »
E contra o seio, que palpitava de emoção, apertavào as mais estremecidas
as tenras primicias de suas entranhas.
in
No outro dia, ao rufar dos tambores, ao som dos instrumentos marciaes,
fazia publicar o grande rei o decreto em que permittia aos Israelitas voltarem
para a terra de seus pais.
E os velhos e mocos, com os joelhos em terra, e os olhos arrasados de la-
grimas de prazer, que doces lhes corrião pelas face?, c as mãos erguidas para
o céo, murmuravâo do intimo do peito estas vozes que proferiào os lábios:
« Santo! santo'.santo! tres vezes santo'. Ks grande, és poderoso, Senhor!...
(( Bemdito entre todas as nações e por toda a eternidade seja o teu nome!... »
E contra o seio, que palpitava de emoção, apertavào as mais estremecida;s
as tenras primicias de suas entranhas.
Padre FRANCISCO BERNARDINO DE SOUZA.
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POESIA
PORTUGAL E A ITALIA
(Jue grito é este que inllamina,
D-um a outro continente,
"'¦¦%'.
Nos peitos a nohrc chamma
Do enthusiasmo frcmente?
Sào dous povos que sc ahraçào,
Dous thronos que se entrei ação,
É um fcstim das nações,
Em que toma parte a gloria,
Unindo na mesma historia
Tasso ao nome de Camões!
Amhas, dos sec'los herdeiras,
Tem aos trophéos pendurados
De suas lutas guerreiras
Os estandartes sagrados!
Vestidas de rijo aço,
Da conquista abrindo o espaço,
Sempre gigantes dc pé
Caminharão tanto avante,
Que do occidente ao levante
Levarão de Christo a fé!
\
18 JORNAL DAS FAMILIAS
Embora um curto desmaio
As abata num momento;
Logo a idéia, alui, o raio
Lhes acorda çipensamento,
E veloz impcllc ousadas
As cabeças e as espadas
Das legiões d'essa grei,
Para quem a humanidade
Tem por iim a liberdade,
Tem o progresso por lei!
Nos arcanos do destino,
Occultos em véo escuro,
A's vezes um doce hvmno
Canta o presente ao futuro!
Primeiro vagos rumores...
Uin deslumbrar d7esplendores...
Como d'aurora a sorrir...
Annuncia um dia aos povos
Que seus caminhos são novos..,
E força nelles seguir!
Marca emfim o Deos superne.
Essa epocha famosa!
Surge á voz do Verbo eterno
A redempção luminosa!
São verdade as prophecias...
Une um laço as dvnastias.., ti
Vincula os povos o amor...
a Descco sobre vós a "raça! »
Murmura o anjo que passa,
E o povo adora o Senhor!
'¦. »
. ¦ ¦ ¦¦.¦¦¦¦'...¦'¦¦ ¦. . - ' :"¦¦- -.. ¦¦¦¦¦- ¦¦ .¦'"¦¦ ¦¦ ¦ V ¦.'¦.¦ ' . ¦.¦-'¦¦ ¦¦•'¦"
Um tal momento hoje assiste
Ao regio, ditoso enlace
Dos dous ramos, onde existe
Da gloria a seiva vivace!
Dom Luiz, o predilecto,
0 anjo do seu affecto
JORNAL DAS FAMÍLIAS. 19
Cinge ao peito seu leal,
E da Saboia a princeza
Vai realçar a grandeza
Ao solio de Portugal.
Sobre as praias brasileiras
Em jubilosos cântaros
Repetem verdes palmeiras
0 grito d'além dos mares!
Todo o peito se associa
Ao transporte d'esle dia !
E um festirn das nações,
Em que toma parte a gloria,
Unindo na mesma historia
Tasso ao nome de Camões!
BRASILIUS
- ¦ .Va-H
a-Ç.
MODAS
DESCRIPÇiO DO FIGURINO DF, MODAS.
Toilette de passeio. -Vestido de cassa branca com
gràozinlios; folho alto
pregado na sa.a, formando largas ondulações, tendo
por cima uma ntáe de
cassa abainhada. Corpinbo afogado com
pregas reunidas rio meio o searas
por um cinto redondo; ruche ao redor do pescoço, e no alto e no
manga que é larga e meio comprida. Mantelete baixo d-,
irmão .lo vestido,
de um folho e de nma ruche. Segundas mangas guarnecido
de cassa fina, om [Link]
krgos, orna os de um fofo de filo. Cinto de
fita azul com com .-idas onta
Chapéo de fdo [Link], ornado com uma
mantinha de filo e uíbs È4
nheiro-alvar. Luvas depelliea côr de milho. '
Toilette caseira. -Vestido de
; foulard das Índias côr de pérolas com Cor
P-he zonau;. roda da saia e todos os contornos do
dos «a fita *___. cà. S0lfcrill0, corp ',A ¦
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¦?* d, é "«»*"''• mi,„ como
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nnho direito de
panno de linho pespontado. Cravatinba de tafetá solfe.-ino
bordada nas duas
_____ pontas com contas brancas. Cinto de dous ieo . ''a'
Y [Link], „„„,„,„ corascl|a
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4' •
¦JORNAL DAS FAMÍLIAS. 21
DESCRIPÇÃO DO FIGURINO DE CAPAS E VESTUÁRIOS.
Primeiro jiijuiino. — Capa Rachel «Ie panno de cordão, côr de havana. Esta
capa forma sobre o [Link] direito tres pregas grossas, seguras
por botões dc
passamanaria; tres borlas cie froco formando bolas sào pregadas, desde o de-
gote, na costura do meio das costas. Vestido preto de pauno de Lyon, com
tres ordens de velludo preto formando dentes agudos na roda da saia. Chapéo
franzido dc sçtim cor de havana, com beira de froco com bolas da mesma côr
ao redor da passe e do bavolet.
Segundo fujurino. — Paletó Odette dc velludo preto, com mangas estreitas
e de cotovello. Cuarnicàode passamanaria, adornada com vidrilhos. Vestido de
cbamalote (morre mitigue) azul mexieo. Chapéo de velludo
preto com beira de
bloncle branca e preta; plumas azues viradas para trás, e pequena
pluma preta
na frente; bavolet de tafetá azul, coberto de btonde branca e
preta; fitas dc
tafetá azul. Luvas de pellica côr de milho.
Terceiro figurino.. — liurnous Argelino de pellucia cinzento azulado, com
capuz de bico, forrado com tafetá cinzento, e ornado de borlas de froco com
bolas. Vestido de popetine roxo imperial, guárnecido na roda com um folho
iüyauiê tendo por cima um entremeio de passamanaria. Chapéo redondo de
e;astor, rodeado com um velludo preto debruado com uma tira enviezada de
\xlludo eseossez verde e azul;
plumas pretas, azues e verdes; tüyQrUteie tafetá
escossez na beira da passe.
Quarto figurino. — Paletó Luiz XV de velouiine azul imperial, forrado de
tafetá branco, e ornado com grandes arabescos de velludo preto. Vestido de
tafetá côr de couro, com pequenas listas pretas. Chapéo de pellucia côr de
couro, guárnecido com rosas de pellucia de côr natural. Luvas de pellica.
EXPLICAÇÃO DA DUPLA ESTAMPA DE MOLDES.
Molde de paletó Odette. — Este modelo acha-se no figurino dew capas e ves-
tuarios. [Ver a descripção d'este fujurino.)
N" 1. — Frente do paletó.
W 2. — Pequeno lado.
N° 5. — Costas. , x..X;
K° 4. — Manga. .
Molde de vestido bordado. — Este vestido, cujo desenho nos foi pedido, e
assignantes, por ser muito de
que poderá agradar a mais de unia das nossas
moda neste momento, é destinado a ser feito de tafetá preto e bordado em
fazem-se quer com contas de
ponto real com seda preta; as pétalas das flores
vidrilhos, (píer com nósinhos. O corpinho é bordado nas frentes, e atrás ao
JORNAL DAS FAMÍLIAS.
redor do pescoço; as mangas são bordadas nos canhões. Toda a frente da saia
é bordada em forma de avental; o bordado forma canto de cada lado c segue
toda a roda.
N° 5, — Frente do vestido.
Nü 6. — Costas do corpinho.
N° 7. — Canhão da manga.
N° 8. — Motivo que se continua no alto da saia do vestido.
N° 9. — Bordado para a frente da saia, em forma de avental.
N° 10. — Parte formando o canto da roda da saia.
N° 11. —Motivo que se continua na roda da saia.
N° 12. — Alphabeto de lettras inglezas e iniciaes. Ponto dc relevo.
N° 15. — G. D. Grandes iniciaes para marcar a roupa. Ponto dc relevo.
N° 14. — Dobrado C e D entrelaçados. Iniciaes para roupa de mesa. Ponto
de relevo.
N°15. — Victoria. Nome para bordar-se numa almofadinha de cheiros.
Ponto real e nósinhos.
N° 16. — A. B, Iniciaes entrelaçadas. Ponto dc relevo.
. N° 17. — [Link] Iniciaes gothicas. Cordãozinho com grossos grãos em realce.
N° 18. — Sophia. Nome para canto de lenço. Cordãozinho c point d'armes.
Nos 19 e 20. — P. D. e P. P. Iniciaes para marcar a roupa. Recorte
point
de rose e ponto de relevo.
EXPLICAÇÃO DA DUPLA ESTAMPA DE BORDADOS.
Nos 1 e 2. — Collarinho direito e punhos irmanados. Desenho leve em
ponto
de relevo.
N° 5. — G. L, Iniciaes gothicas em ponto de relevo.
N° 4. - L. fl. M. Dilo, dito.
N° 5.-4. L, Pequenas iniciaes. Ponto de relevo.
N° Q.—M. B. Iniciaes romanas. Ponto de relevo e
point tf armes.
N° 7. — .£,. R. Iniciaes inglezas. Ponto de relevo e cordãozinho.
lN° 8. — Punho alto de manga, dc
panno de linho dobrado, pespontado, o
ornado com um bordado de ponto russo, de lãa meio torcida
— preta ou de côr.
N° 9. Renata. Nome para canto de lenço. Ponto de relevo e
pequenos
grãos.
W 10. — Quarta parte de lenço rico para bordar-se em cambraia de linho.
Medalhões com flores-de-liz e roda de florzinhas,
pequenas llores-de-liz soltas.
Ponto de relevo, point d'armes, point de
phime e cordãozinho, recorte point
de rose.
N° II. — Baixo dc alva ou de toalha de altar, em applicaçâo de cassa sobre
filo de Bruxellas.
JOIINAL DAS FAMÍLIAS. k
Nüa 12 c 15. — Carlola e Cecília. Nomes para cantos dc lenço. Ponto de
relevo e cordàozinho.
N° li. — Punia de gravata advogado, dc cassa branca. Ponto de relevo,
recorte simples.
NUb 15 e 16. —Frente e costas de uma camisinha para moça. Recortepomt
de rose, bordado à Ja minute epoint de poste.
W 17. — M. L. Iniciaes. Ponto de relevo.
N° 18. — Ventarolu. Ponto real c cordão dc ouro.
N° 19. — Ernestina. Nome para canto de lenço. Ponto de relevo.
N° 20. — L. (j. Iniciaes entrelaçadas, tendo por cima uma coroa de mar-
quez, Cordàozinho, ponto dc relevo e point dlarmes.
W 21. —Motivo para canto de lenço. Ponto de relevo.
W 22. — S. P. Iniciaes. Ponto de relevo.
N° 25. — Desenho de trancelim com canto para tapete de mesa.
N° 2% — Eugenia. Nome para canto de lenço. Cordãòzinho e point de
poste,
3S" 25. — Collarinho direito irmanado como o punho n° 8.
N° 20. — Ponta de gravata de cassa branca; desenho de grades em cordão-
zinho, com florzinhas em ponto de relevo e grossos grãos cm realce; escudo
em ponto de relevo c grãos; recorte point de rose.
W 27. —Desenho para roda de vestido de menina; flores-de-liz em ponto
de relevo e point Carmes; recorte point de rose. Esle motivo pode servir
igualmente para roda de saia.
]\0 9(s. _ Quarta parte de lenço arredondado ; quadrados alternados de va-
lenciennes e de bordado em ponto de relevo e point d'armes; grmaldade flor-
zinhas cm ponto de relevo; a roda dos quadrados em cordãòzinho; recorte
point de rose.
EXPLICAÇÃO DO FIGURINO DE TRAJOS DE FANTASIA
5
DADO COM O NUMERO DE DEZEMBRO DE 1865.
Joven FMandeMtC— Saia de lãa azul. Corpinho de velludo preto caberto
de bordados de ouro na parte superior. Camisinha de mangas largas, de cassa
bordada. Avental de estofa dc riscas, guarnecido com uma larga franja en-
leitada com varias carreiras de nós. Pequeno barrete de estofa bordada de
ouro. Meias dc seda roxa; botinas dc marroquim amarello, atacados no peito
- Saia de seda branca, guarnecida
Ética com trajo do tempo de Ltiü XIII.
de-
de mn dobrado galão de ouro subindo na frente até á cintura. Corpinho
JORNAL DAS FAMÍLIAS
gotaclo, com pequenas abas, dc velludo côr de nacar, guarnecido com galão de
ouro; os canhões das mangas são inteiramente dc setim amarello, com gtiar-
nição de renda. Um pequeno fichú de renda, atado ao pescoço com üm alfinete
de ouro, cobre em parte o corpinho. Collar e braccletes de pérolas. Penteado
com tufos annelados na frente, ornado, atrás da cabeça, com laços de fila côr
de nacar e com alfinetes de ouro. Sapatos brancos.
Menina italiana. —Saia dc lãa pardo claro, guarnecida com um velludo
pardo escuro. Túnica de lãa encarnada, debruada com um galão amarello.
Vestido de tafetá azul apanhado atrás. Avental com riscas transversaes dc di-
versas cores vivas. Fichú de cassa encruzado sobre o peito. Nos honiliros laços
de fitas encarnadas e amarellas. Véo posto chato sobre a cabeça e seguro por
compridos alfinetes dourados. Meias encarnadas com quadrados dourados; sa-
patos de velludo preto.
Menino com trajo grego. — Saia curta com pregas cm roda da cintura, em
lãa de camelo branca. Casaquinha de velludo pardo, bordada de ouro. Manta
de seda azul. Barretinho dc velludo encarnado. Polainas de lãa, bordadas de
ouro. Sapatos com pontas viradas para cima, de couro bordado.
EXPLICAÇÃO DA ESTAMPA DE TRABALHOS OURO E CORES ¦*
DADA COM O NUMERO DE DEZEMBRO DE 1805.
A administração do Jornal das Famílias, sempre dirigida pelo desejo de
procurar ás suas assignantes o que lhes pôde agradar, offerece-lhes hoje uma
esplendida gravura Ad ouro e cores, representando de uma maneira clara e
circumstanciada differentes pequenos trabalhos elegantes (pie lhes (orneceráò
lindos modelos para presentes dc festas.
3S° 1. — GÍIARUTEIRA DE COURO DA RÚSSIA, SETIM E VELLUDO.
0 chão faz-se em couro da Rússia, os ovados em setim roxo e velludo preto
pregados, as riscas transversaes em trancelim de ouro fino. Os pequenos flo-
lões são bordados de
í
ponto real com seda côr de couro da Rússia, e conclui-
dos por pequenas pontas de canotilho fusco dc ouro fino, que se corla do ta-
manho indicado no desenho. Este canotilho enfia-se como contas.
N c2. — DESENHO TARA BOLSA DE TABACO, COM CORREDIÇA.
Para fazer-se esta bolsa são precisos 5 carreteis de fio de ouro fino u° 10/à;
Retroz de Berlim de dous verdes, 4 grammas de cada matiz;
Retroz de Berlim preto, 5 grammas;
Retroz de Berlim solferino, 4 grammas;
Retroz de Berlim branco, o grammas;
Retroz de Berlim roxo, 8 grammas.
A estrella da bolsa de fecho (veja-se o n° 5)
pôde servir para o chão d'esta
bolsa, mudando-se o encarnado ein roxo.
JORNAL DAS FAMÍLIAS. 25
Forra -se com pellica branca e tina.
Faz se no alto quatro carreiras de crõchel aberto, e uma pequena renda para
eoncluir. O lio de ouro pode ser substituído por retroz amarello vivo.
Nx 5 E 4. -— [Link].
Precisa-sc do
50 centímetros dt1 talagarsâ,
L5 granmias de seda de Argel, roxo (ino,
5 grammas de torrai, còr de ouro,
7) peças de froco de bordar, roxo lino,
peças de froco de bordar, verde,
peça de froco de bordar, còr de madeira (para a hastea e as ner-
vuras).
As applieações fazem-se quer dc velludo prelo, quer de passamanaria ou dc
madreperola.
O ehào do porta-carlas faz-se com seda de Argel roxa, de pointde plume,
tomando-se primeiro um só ponto de talagarsâ, depois dous, depois tres, e
depois ainda dous, concluindo com um, o (pie forma uni quadrado.
O chão do cacho d'uvas, de torrai còr de ouro, faz-se dc ponto des Gobe-
lins, tomando-se dous lios na altura da talagarsâ e um só na largura. As uvas,
assim como as folhas, sào feitas em bordado real.
O desenho mesmo que offerecenios ás nossas assignantes pôde utilisar-se
nm muito bonilinho, sem causar gastos nem tra-
|)ara pequeno porta-earfas
balho. Bastará recortar o nosso desenho e grudá-lo sobre papelão : será pre-
uma
ciso acrescentar o comprimento necessário á parle mais alta, assim como
dar o
lira «le papelão para ò fundo, e uma dc cada lado, formando folie, para
de pa-
lur-ar necessário para sc colloearem as cartas. Estas differentes partes
serão cosidas c depois cobertas de papel lustroso, branco ou
pclào juntas,
roxo, e as beiras guarnecidas dc tiras estreitas de papel dourado.
K« ;,, — vjOI-SA DE CHOCUKT FECHADO.
fazem-se dous lados iguaes e.n crochet lechado. Principia-se
para a bolsa
pelo meio do redondo.e fecha-se , ,
o redondo.
1> Carreira. 5 malhas chainclles de retro/, prelo,
2a Garreim. d malhas mesma còr.
5" Carreira. 16 malhas fio de ouro,
¦\n Carreira w2í- malhas de ouro.
2 malhas de ouro; repete-se isto sele [Link]
5' Carreira. I malha preta,
para a roda da bolsa. ouro.
6' Carreira. 5 malhas pretas, 4 malhas
|c
de ouro.
7» Carreira. 5 malhas pretas, 5 malhas
de ouro.
8" Carreira. 5 malhas pretas, 6 malhas
5 malhas 7 ma has de ouro.
9» Garreim. pretas,
de ouro.
10» Carreira. 5 malhas pretas, 8 malhas
26 JORNAL DAS FAMÍLIAS.
11a Carreira. 5 malhas pretas, 9 malhas dc ouro.
{^Carreira. 7 malhas pretas, 2 malhas de ouro; I malha encarnada,
1 malha de ouro, 1 malha encarnada, 2 malhas dc ouro; e repete-se ainda
sete vezes.
15a Carreira. 7 malhas pretas, 2 malhas de ouro, e o resto como na
12a carreira.
14a Carreira. 7 malhas pretas e 2 malhas de ouro, como na 15a carreira.
15a Carreira. 5 malhas pretas, 2 malhas de ouro, 2 malhas encarnadas,
5 malhas dc ouro, 5 malhas encarnadas, 2 malhas dc ouro.
16a Carreira. 5 malhas pretas, 2 malhas de ouro, 5 malhas encarnadas,
5 malhas de ouro, 5 malhas encarnadas, 2 malhas de ouro.
17a Carreira. 1 íííalha preta, 2 malhas dc ouro, 5 malhas encarnadas,
5 malhas de ouro, 4 malhas encarnadas, 2 malhas de ouro; repete-se.
18a Carreira. 5 malhas de ouro, 4 malhas encarnadas, 5 malhas de ouro.
4 malhas encarnadas, 5 malhas de ouro.
19a Carreira, 5 malhas de ouro, 4 malhas encarnadas, 2 malhas dc ouro,
malha encarnada, 1 malha de ouro, I malha encarnada, 2 malhas de ouro,
4 malhas encarnadas.
20a Carreira. No meio das 5 malhas de ouro da 19:l carreira, 1 malha
preta, 2 malhas de ouro, 4 malhas encarnadas, 2 malhas de ouro.
21a Carreira. 5 malhas pretas, fazendo-se exceder 1 dc cada lado da car-
reira precedente, 2 malhas de ouro, 2 malhas encarnadas, 5 malhas de ouro,
malhas encarnadas, 2 malhas de ouro.
22u Carreira. 1 malha preta, 2 malhas dc ouro, 2 malhas encarnadas,
2 malhas dc ouro, 1 malha encarnada, 1 malha de ouro, 1 malha encarnada,
2 malhas de ouro, 2 malhas encarnadas, 2 malhas de ouro.
25a Carreira, o malhas de ouro, 7 malhas encarnadas, 1 malha de ouro,
7 malhas encarnadas, 5 malhas de ouro.
24a Carreira. 5 malhas de ouro, 9 malhas encarnadas, 5 malhas de ouro,
9 malhas encarnadas, o malhas de ouro.
* 25a Carreira. 1 malha dc ouro que concluc a estrella preta, 11 malhas
encarnadas, 5 malhas de ouro, 11 malhas encarnadas, 1 malha de ouro.
26a Carreira. Para concluir o ornamento que separa a estrella preta,
23 malhas encarnadas entre 1 malha de ouro.
27a Carreira. 27 malhas encarnadas entrei malha de ouro.
28a Carreira. 0 malhas encarnadas que sccollocáo no meio das 27 malhai
encarnadas da carreira precedente, 2 malhas de ouro, 15 malhas encarnadas
2 malhas de ouro; torna-se a principiar com as 0 malhas encarnadas.
29a Carreira. 7 malhas encarnadas, 2 malhas pretas, 16 malhas encarna-
das, 2 rfíalhas pretas.
50a Carreira. 50 malhas encarnadas, 2 malhas de ouro, 5 malhas encar-
nadas.
51a Carreira. 55 malhas encarnadas, 2 malhas pretas, 55 malhas cucar-
nadas. ¦ . '
¦ 52a Carreira, 8 malhas encarnadas, % malhas
pretas, 19 malhas encarna-
das, 2 malhas pretas,
JORNAL DAS FAMÍLIAS. y,
55a Carreira. 10 malhas encarnadas, 5 malhas
pretas, 19 malhas encar-
nadas, 2 malhas pretas, 10 malhas encarnadas; o lado cònclue-se com tres
carreiras lisas encarnadas.
O (pie fazem tudo 56 carreiras e dá um bom tamanho de bolsa. Pôde ser-
vir igualmente para bolsa de tabaco, dobrando-se o numero das malhas.
Então lazer-sc-ha uma tira deste mesmo crochet com o
pequeno desenho que
sc fez desde a 28" carreira,
para concluir o lado da bolsa; para esta tira fazer-
se-hào lõ carreiras de crochet, deixando-se uma terça
parte do redondo para
a entrada. Emlim, tendo-se concluído os dous lados, unir-se-hâo
por uma
carreira de lio de ouro, o armar-se-ha a bolsa com mn fecho dourado, depois
de forrada com uma pellica branca muito fina.
_N G. [Link] ORIENTAL.
Para o par, sào precisos 5 centimetros de casimira encarnado vivo, e 5 cen-
timetros de casimira xmk claro; 150 grammas dc contas rocailles; um fio
de grossas contas marcassites; um maço de contas douradas n.° 5; uma meada
de seda frouxa verde; um meio maço de contas assetinadas; um novello de
linha de crochet, e um crochet apropriado á linha.
Toma-se a linha e fazem-se 56 malhas chaínettes; reune-se a primeira á
ultima, de maneira a formar um redondo. Fazem-se 7 carreiras de malhas do-
bradas, auimiontando-se \ ou 5 malhas em cada carreira. Divide-se em cinco
i
parles o numero das malhas, e formão-se cinco (lentes regulares dc 12 carrei-
ras cada um; em cada uma d-estas carreiras diminuem-se 2 malhas, para
formar um dente agudo. Tendo-se concluído o trabalho de crochet, dispõein-sc
sobre todas as carreiras recortes de contas brancas mescladas dc contas mar-
cassiles, de maneira que o tecido fique completamente escondido debaixo das
contas. Entre cada um dos dentes de crochet colloca-sc um dente dc casi-
mira encarnada inuito mais comprido; colloca-se sobre esta casimira as pe-
ner-
quenas estrellas recortaéas em casimira verde claro, marcando se nellas
vuras com a seda, e pregando-sc uma conta dourada em cada ponta da estrella
e un centro: pregao-sc sobre a casimira encarnada contas assetinadas, se-
se pregão em
guindo-se o modelo, e fazem-se com ellas pequenas borlas que
todas as pontas da arandela.
EXPLICAÇÃO DA ESTAMPA DE CROCHET
DADA COM O INÚMERO DE DEZEMBRO DE 1803.
«
Esta estampa compõe-se de seis bellos desenhos inéditos, próprios para
dc
muitos dilíerentes objectos. Ila duas maneiras dc executa-los : 1° de ponto
ser/.ir eom linha chata cm um chão de filei quadrado, quer feto á mao, quer
a mecânica' 2" de crochet con, quadrados fechados e quadrados abertos.
No primeiro caso, conlão-sc os quadrados como nos trabalhos cm talagarsa,
uma
c enchem-se conforme o nosso modelo. No segundo, prmcipia-sc com
JORNAL DAS FAMÍLIAS,
de cknnettes, conforme o comprimento do trabalho; deve-se, calcular
porção concluir. Ira-
três malhas cada do modelo, c mais uma para
para quadrado
direita para a es-
balha-se no sentido da largura do trabalho, quer indo da
e da esquerda a direita, quer trabalhando sempre no primeiro
querda para
a linba a cada carreira. Vara cada quadrado aberto do
sentido, c cortando-se
duas
modelo faz-se uma banette, depois duas malhas chainettes, passando-se
malhas na carreira precedente; faz-se depois mais uma barreüe para prmci-
o seguinte; e sendo um quadrado aberto , contmua-sc como o
piar quadrado
sendo um quadrado fechado, fazem-se mais duas bairetles.
primeiro; porém, e mais
Cada quadrado fechado compõe-se, por conseguinte, dc trcs barrettes,
uma para principiar o seguinte. Para as guarnições dc recortes ou dentes,
faz-se a parte, superior da maneira já indicada; faz-se depois a extremidade dc
cada dente a parte, diminuindo de cada lado. Sendo a guarnição recortada nos
dous lados, principia-se pela carreira do meio, fazendo-se primeiro uma me-
tade, depois a outra para formar os dentes, conforme o havemos indicado.
Esperamos que, com estas explicações, as nossas assignautes nào encontraráò
difliculdadc alguma para reproduzir os nossos modelos.
í|? 1. — Ramo ou coberta de
para coberta de almofada, vco de poltrona,
mesa ovada.
N° 2. _ Guarnição recortada ou entremeio para guarnecer as cobertas de
trastes, cortinas, colchas, etc.
-
N° 5. _ Braço dc poltrona irmanado com o n° 1. Este motivo pôde servir
igualmente para bordar, de ponto em cruz, em chão de crochet timisien, tiras
para colchas ou almofadas.
j\T0 4. _ Toalha de, altar, com as miciaes da Virgem Santíssima e grinalda
de flores-de-liz. Este modelo, que nos foi pedido, produzirá um lindo effeito.
Pôde servir igualmente para baixo de alva, tirando-se as iniciaes.
N° 5. — Coberta dc mesa, ramo e flores soltas. As flores soltas continuão-
se á vontade. Este desenho pódc servir igualmente para cobertas de trastes,
colchas, etc.
N° 6. — Renda para redear as colchas, cobertas de almofadas, cortinas,
véos de poltronas, etc.
PAUIS, — TYP. DE S1MUN i.AÇON' E COIT., RUA D EUFUUTH, 1