Dinâmica da Movimentação no Trabalho
Dinâmica da Movimentação no Trabalho
PARTE II
MOVIMENTANDO PESSOAS
Objetivos da PARTE II
Resultados Esperados
com a Leitura da PARTE II
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PARTE II
MOVIMENTANDO PESSOAS
Nesta parte do livro vamos trabalhar os movimentos efetuados pelas
pessoas na organização ou no mercado de trabalho. Esse movimento é
de natureza física, ou seja, quando a pessoa muda de local de trabalho,
de posição profissional, de empresa e de vínculo empregatício. Existe
outro tipo de movimento ocasionado pelo desenvolvimento da pessoa,
esse tipo de movimento será trabalhado na parte três: desenvolvendo
pessoas.
Quando olhamos na perspectiva da organização a movimentação está
ligada a decisões como as descritas a seguir:
• Planejamento de pessoas – quantidade e qualidade de pessoas
necessárias para cada uma das operações ou negócios da
organização;
• Atração de pessoas – capacidade da organização em atrair
pessoas para efetuar os trabalhos necessários;
• Socialização e aclimatação das pessoas – capacidade da
organização, no espaço de tempo mais reduzido possível,
permitir que a pessoa se sinta à vontade e possa oferecer o
melhor de si para o trabalho;
• Reposicionamento das pessoas – políticas e práticas para
transferências, promoções, expatriações das pessoas de forma
a adequar as necessidades da organização com as expectativas
e objetivos das pessoas;
• Recolocação das pessoas – capacidade da organização em
recolocar as pessoas no mercado de trabalho quando a
manutenção da relação de trabalho com as mesmas não é mais
possível.
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Quando olhamos na perspectiva das pessoas a movimentação está ligada
a decisões tais como:
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form
CAPÍTULO 3
Dinâmica do Mercado de Trabalho
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ESTUDO DE CASO – OPERADORA TIM – REGIÃO SUL
Descrição do Caso
A TIM quando se instalou no Brasil estabeleceu duas operações de telefônica celular (telefonia
móvel): a operação sul e a operação nordeste. Na operação sul as atividades da TIM abrangiam
o Estado do Paraná, o Estado de Santa Catarina e a Cidade de Pelotas. Nesse momento, o
Brasil estava efetuando a privatização do Sistema Telefônico, onde cada região tinha a empresa
que absorvia as operações das estatais e outra, chamada de espelho, que fazia concorrência.
Na Região Sul a TIM absorveu as operações estatais e a Global passou a atuar como empresa
espelho.
A TIM absorveu de imediato um milhão de assinantes com apenas 3 pessoas que decidiram sair
da estatal e atuar na nova empresa. O planejamento da empresa era de ampliar sua base de
assinantes para três milhões no primeiro ano de atuação. A meta arrojada de ampliação da base
de assinantes era necessária para que a TIM pudesse ampliar sua área de atuação. Esse era
outro aspecto importante do processo de privatização, as empresas iniciariam suas atividades
circunscritas a uma área de atuação e só poderiam ampliá-la após atingirem metas de cobertura
e de qualidade de serviços. Por isso todas as organizações que assumiram a operação de
telefonia celular e fixa, efetuaram investimentos e esforços para ampliar sua atuação com muita
velocidade.
Situação Problema
A TIM tinha que contratar pessoas em grande velocidade para a atividade administrativo-
financeira, para a atividade técnica e para a atividade comercial. A atividade técnica consistia
basicamente de tecnologia de informação aplicada na programação de equipamentos de
comutação e transmissão e a atividade comercial no estabelecimento de redes de venda de
linhas telefônicas, parcerias com produtores de celulares, atendimento da população, desenho
dos serviços a serem oferecidos para a população e fixação de preços.
A questão é como a empresa conseguiu equacionar o seu problema de captação, quais foram
as suas fontes de captação, quais foram os atrativos oferecidos pela empresa e como
estabeleceu estratégias de retenção de pessoas. Lembrando que a TIM estava em um mercado
extremamente demandante por pessoas.
Procure se colocar no papel de Diretor de Recursos Humanos e desenvolver as soluções para
os problemas da organização.
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DEMANDA E OFERTA DE PESSOAS
O caso da TIM demonstra uma situação real de mercado onde há escassez de recursos
ou inexistência como o caso de pessoas especializadas na comercialização de linhas
telefônicas ou de celulares. Nessas situações conhecer o mercado de trabalho e
conseguir viabilizar os objetivos estratégicos da organização é fundamental. Por essa
razão compreender a dinâmica da demanda e oferta de pessoas pelo mercado de
trabalho pode criar um diferencial competitivo. A TIM, por possuir dirigentes que
conheciam o mercado de trabalho, desenvolveu uma equipe que construiu vantagens
competitivas em sua região de atuação com muita velocidade, permitindo-lhe alcançar
as metas antes do tempo previsto.
O mercado de trabalho tem sido encarado como um organizador das relações entre as
pessoas que oferecem sua força de trabalho e as organizações ou pessoas que
demandam (OFFE; HINRICHS, 1989; ARAÚJO; ALBUQUERQUE; SILVA, 2009;
CHIAVENATO, 2009; BRATTON; GOLD, 1999). Embora Claus Offe e Karl Hinrichs
(1989) procurem analisar o mercado a partir das características da população
classificada em: inativos, autônomos, empregado e desempregados, não fogem da ideia
de uma relação de forças entre os que oferecem a força de trabalha e os que demandam.
Essa forma de definir o mercado de trabalho pode nos conduzir a equívocos. É
importante analisarmos o mercado de forma mais ampla, observando aspectos tais
como:
• Compreender o mercado de trabalho como um espaço de negociação e de troca,
onde de um lado temos alguém oferecendo seu talento e capacidade, com
necessidades sociais, psicológicas e físicas a serem satisfeitas, e de outro uma
organização que necessita desse talento e capacidade e que está disposta a
DESTAQUE DE oferecer as condições para satisfação das necessidades e expectativas das
PÁGINA pessoas. Cada negociação estabelecida nesse mercado faz parte de um
O mercado é um processo de conciliação de interesses complexos;
espaço de
• Compreender o mercado como sendo constituído não só pelas oportunidades
negociações e
de trabalho oferecidas pelas organizações, mas também pelos espaços criados
trocas entre
pessoas e pelas próprias pessoas e pela dinâmica do próprio mercado. Nesse sentido,
organizações estamos vivendo um ambiente cada vez mais volátil, onde surgem novas
demandas a cada momento e as pessoas podem ser, ao mesmo tempo,
ofertantes e demandantes de força de trabalho.
Essa visão ampliada do mercado sugere que as organizações e as pessoas devem ter
um contato contínuo com o mercado e não de forma episódica em função de uma
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necessidade específica. Sugere ainda que as relações no mercado de trabalho tornar-
se-ão mais complexas no futuro e haverá um crescente espaço para a intermediação
das relações entre as pessoas e as organizações através de tecnologia e de pessoas
especializadas. Essa intermediação agirá sobre o mercado criando impactos sobre o
mesmo em um processo de influência circular. Teremos provavelmente, como
decorrência de uma maior complexidade do mercado de trabalho e uma tendência para
a globalização, para o trabalho a distância e para ações mais estruturadas para balizá-
lo, principalmente oriundas de posicionamentos políticos de governos nacionais.
Portanto, não devemos entender o mercado de trabalho condicionado apenas pelas leis
de procura e oferta.
• As pessoas estão cada vez mais capacitadas e, portanto, cada vez mais aptas
a lidar com níveis crescentes de complexidade;
Essas premissas nos permitem dizer que as relações são complexas e as organizações
e as pessoas que não se prepararem perderão vantagens competitivas.
DESTAQUE DE
PÁGINA Normalmente a organização se mobiliza para analisar o mercado de trabalho e/ou para
As pessoas agir sobre ele quando enfrenta escassez de recursos. É comum observar uma ação mais
estão cada vez estruturada das organizações em relação a determinadas categorias profissionais, tais
mais capacitadas como: executivos, profissionais técnicos em áreas de informática ou profissionais
e, portanto, cada altamente especializados. Além disso, a organização observa o mercado somente
vez mais aptas a quando necessita de recursos. A organização ao se preocupar com o mercado de forma
lidar com níveis episódica e somente em relação aos recursos escassos perde a dimensão do mercado
crescentes de como um todo, escapando-lhe oportunidades e ameaças.
complexidade
As atitudes reativas das organizações têm gerado grandes problemas para a eficiência
organizacional e para a sociedade como um todo. Um caso elucida esta afirmativa,
ocorreu no setor de eletrônica profissional na primeira metade dos anos 80: durante a
fase de expansão das empresas desse setor, os salários oferecidos foram muito
elevados, atraindo docentes, retirando das universidades matrizes reprodutoras de
conhecimento, e pesquisadores, desarticulando células geradoras de conhecimento.
Alguns anos mais tarde, com o desaquecimento do mercado e crise no setor, a maioria
das organizações reduziu seu quadro e algumas fecharam suas portas, não deixando
alternativa para os profissionais senão buscar outros setores de atividade econômica
para se colocarem. Neste caso a postura reativa das organizações levou-as a agir de
forma predatória no momento de aquecimento, enfraquecendo as fontes geradoras e
reprodutoras de conhecimento, e de forma imediatista no momento de desaquecimento,
provocando evasão de talentos do mercado. Fenômenos semelhantes no Brasil podem
ser observados em relação à internet no final dos anos 90, ao setor de telecomunicações
no final dos anos 90 e início dos anos 2000, setores de insumos em 2005 e 2006 e a
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partir de 2010 em diferentes setores econômicos em função de uma realidade de pleno
emprego no mercado de trabalho.
A partir de meados da primeira década dos anos 2000 ganhou força a ideia de explicitar
as agregações de valor oferecidas pela organização, principalmente as não tangíveis,
para trabalhar sua imagem perante os empregados e o mercado de trabalho. Essa
iniciativa recebeu o nome de Employee Value Proposition (EVP), uma variação do que
já era discutido nos anos anteriores com o nome de Employer Branding, e tem gerado
bons resultados nos processos de atração, retenção e engajamento, como mostram
diversos trabalhos de pesquisa acadêmica nos EUA, Europa e outras regiões. Muitas
organizações relatam como um efeito dessa prática uma maior coerência entre o
discurso da organização e sua prática (ALOO; MORONGE, 2014; HEGER, 2007; FROW;
DESTAQUE DE PAYNE, 2011; BELL, 2005). Apesar da ampla divulgação dessa prática nos meios
PÁGINA acadêmicos e profissionais poucas organizações brasileiras a implantaram. Em nossa
O descaso com o pesquisa sobre as melhores empresas para se trabalhar revelou que em 2016, entre as
mercado de 150 melhores, apenas 8% tinham essa prática.
trabalho revela
que as O descaso com o mercado de trabalho revela que as organizações, no que se refere a
organizações, no gestão de pessoas, estão essencialmente voltadas para dentro. A hipótese mais sensata
que se refere a por enquanto, é que as pressões do contexto externo e interno conduzem as
gestão de organizações a focar sua atenção para o seu interior. As organizações têm considerado
pessoas, estão o seu trabalhador mais valioso do que aquele que está fora. As pessoas desenvolvidas
essencialmente pela organização são percebidas como a continuidade dos projetos e dos valores,
voltadas para enquanto o profissional que está fora é percebido como uma ameaça de mudança. No
dentro. contexto em que vivemos, entretanto, as pressões estão sendo alteradas e as premissas
para a relação com o mercado de trabalho devem ser revistas.
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• Organizações do mesmo setor de atividade – são concorrentes que atuam no
mesmo setor de atividade econômica ou mesmo tipo de produção ou serviços. Essa
competição se dá mais intensamente para uma mão de obra de 3 a 10 salários
mínimos, trata-se de uma mão obra qualificada e que se locomove entre
organizações de mesma natureza;
• Especialidade técnica e/ou funcional – são organizações concorrentes que podem
utilizar a mão de obra especializada, normalmente profissionais com formação
superior e com remuneração superior a 10 salários mínimos. Neste caso podem ser
profissionais com formação técnica ou funcional e que têm capacidade para se
deslocar para qualquer região do pais e, eventualmente, para outros países.
No final da primeira década dos anos 2000 e início da segunda década efetuamos
análises do mercado de trabalho em diferentes cidades do Brasil. Nas cidades mais
industrializadas havia uma concorrência intensa entre o setor de serviços e a indústria
pela mão de obra existente. Nessa disputa o setor industrial saiu perdendo porque
trabalhava com margens muito apertadas e não podia incrementar os salários e ao
mesmo tempo o setor de serviços apresentava condições de trabalho mais favoráveis,
tais como: climatização, trabalho intelectual e não físico, facilidades e benefícios. Em
muitas dessas cidades as industrias foram buscar mão de obra em outras localidades
gerando problemas inesperados para os municípios estudados.
DESTAQUE DE
Outro exemplo foi um estudo encomendado pelo Sindicato Nacional das Indústrias
PÁGINA
Siderúrgicas no final da primeira década dos anos 2000, preocupada com a dificuldade
As organizações de atração e retenção de engenheiros. Esse setor foi muito castigado no final dos anos
atuam de forma 90 e houve o fechamento de muitos cursos de engenharia metalúrgica. Era natural que
reativa na sua em algum momento haveria escassez de profissionais para o setor, caso houvesse uma
relação com o análise da demanda projetada muitos problemas poderiam ter sido evitados.
mercado de
trabalho. Podemos acrescentar a essa análise a dinâmica da economia, um exemplo claro é o que
vivemos na segunda década dos anos 2000, iniciamos a década com um mercado
demandante, em meados da década vivemos um período de recessão para ao final
observamos uma retomada. No início da década tínhamos escassez de mão de obra e
as organizações estavam preocupadas com atração e retenção, com a crise econômica
deixaram de colocar atenção no mercado de trabalho. Estruturalmente o mercado não
mudou, não houve incremento algum no sistema formal de ensino e, portanto, não houve
um aumento da oferta, desse modo na retomada do crescimento econômico houve a
absorção da massa desempregada e posteriormente o enfrentamento dos mesmos
problemas do início da década. Conforme já foi frisado as organizações atuam de forma
reativa na sua relação com o mercado de trabalho.
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COMO O MERCADO CONTRÓI A OFERTA DE PESSOAS
A oferta de pessoas no mercado onde a organização atua pode surgir da atração
oferecida pelas condições de trabalho ou pelos salários fazendo com que pessoas
invistam em sua formação e/ou preparação para o ingresso nesse mercado ou pela
migração de pessoas de outros mercados menos atrativos ou, ainda, pela migração
geográfica para trabalhos ou localidades que ofereçam melhores condições de vida.
A atuação sobre as fontes é uma ação estratégica para garantir o suprimento necessário
DESTAQUE DE para a organização e para o mercado. Essa ação não necessita ser realizada pela
PÁGINA organização de forma isolada, pode e deve ser uma ação em comunidade, através de
parcerias entre várias organizações interessadas ou através de associações e/ou
A atuação sobre
sindicatos patronais. Um caso interessante foi na região metropolitana de Belo Horizonte
as fontes de
onde haveria a implantação de mais duas indústrias siderúrgicas além das existentes,
pessoas
com um aumento da demanda por profissionais qualificados. As empresas existentes
talentosas é uma
procuraram as empresas que se instalariam na região e, em conjunto, fizeram um
ação estratégica
levantamento na região de pessoas em condições de serem preparadas, investiram na
para garantir o
preparação e, como resultado, aumentaram a oferta para dar conta da demanda com a
suprimento
entrada das duas novas siderúrgicas.
necessário para
a organização e Em alguns casos temos um movimento articulado entre o poder público e as
para o mercado. organizações, como por exemplo a eleição da região metropolitana de Campinas como
um centro de produção eletrônica, onde foram criados cursos de ensino médio de alta
qualidade e o estímulo à Unicamp para investir na formação de profissionais voltados
para essa área. Essa iniciativa atraiu várias empresas do setor e a região se tornou um
polo de geração de tecnologia e conhecimento em eletrônica.
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oportunidades de desenvolvimento profissional ou ameaças ao seu emprega e/ou à sua
carreira.
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Esse aspecto já suscitou muitas discussões entre nós, principalmente durante a década
de 90. Discutíamos a atuação de organizações com a sede fora do Brasil onde
transferiam para cá atividades operacionais e comerciais, mas muito pouco de atividades
que exigiam um conhecimento técnico e de gestão mais estratégico. Nossa vocação era
para um trabalho de mão de obra intensiva e pouco inteligente. Nesse caso era vital a
criação de um movimento nacional para qualificação de nossa mão de obra, políticas
públicas para o desenvolvimento de nossas organizações e para privilegiar a
transferência de empregos inteligente para o pais. Infelizmente, essas discussões e
contatos com membros do governo na época tiveram pouca repercussão.
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• Discussão com a academia – professores e pesquisadores acadêmicos podem
oferecer um ângulo diferente do mercado de trabalho, através das pesquisas
realizadas ou da convivência com alunos de graduação, pós-graduação ou
extensão;
• Diálogo com centros de estudo ou pesquisa – em algumas áreas existem
organizações de estudo e pesquisa que podem ser fontes importantes de
informação como, por exemplo: no setor agrícola temos a EMBRAPA (Empresa
Brasileira de Pesquisa Agropecuária) em nível nacional e organizações
estaduais ou no setor elétrico temos o CEPEL (Centro de Pesquisas de Energia
Elétrica).
Um relato que despertou a nossa atenção foi de uma organização que tinha problemas
com um recurso técnico muito disputado pelo mercado naquele momento. Essa
organização entrou em contato com todas as entidades que ofereciam bolsas para
cursos de pós-graduação fora do pais e mapeou todos os bolsistas que atuavam dentro
da especialidade que necessitavam. A partir daí efetuaram contato com todos os
bolsistas e muitos ao retornarem para o Brasil passaram a procurar essa empresa.
Essas iniciativas oferecem condições para análise do mercado. Há, entretanto, um ponto
de atenção, quando a organização e a principal ou uma das principais fornecedoras do
mercado. Nesse caso o suprimento será prioritariamente interno. Analisamos um caso
interessante, tratava-se de um grande banco nacional, onde havia uma posição crítica
na área de tecnologia de informação, eles chamavam de “business analist”, era o
profissional responsável por fazer a conexão entre o negócio e o pessoal de
desenvolvimento de software. Esse profissional era muito disputado na época e o banco
resolveu criar para essa área um transito mais rápido na carreira (fast track), onde, na
medida em que o profissional tinha condições de promoção, recebia um avanço na
carreira, sem importar se havia vaga ou não. Desse modo, o banco criou gordura nas
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posições onde havia maior pressão do mercado, os níveis pleno e sênior. Com isso
consegui manter o quadro que necessitava sem ter que inflacionar os salários.
As organizações brasileiras não têm tradição de trabalhar a sua imagem para o mercado
de trabalho. Muitas se valem da imagem de seus produtos e/ou serviços para construir
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uma imagem para o mercado de trabalho. Uma grande empresa brasileira negligenciou
sua imagem no mercado de trabalho e se fixou perante os profissionais de mercado
como uma “máquina de moer gente”, embora a maior parte de seu público interno não
tenha essa imagem da organização. Depois de muitos anos está desenvolvendo um
trabalho sistemático para reverter essa imagem, mas encontra muita dificuldade.
Esse caso não é um caso isolado, muitas organizações têm dificuldades para atrair
pessoas talentosas por terem descuidado de sua imagem. Um grande grupo de
empresas industriais ganhou fama ao longo dos anos 90 de ser paternalista e autoritária,
ao longo dos anos 2000 patrocinou uma grande transformação em sua cultura e tornou-
se uma empresa moderna e global, mas continuou com grande dificuldade para atrair
jovens talentosos. Essa dificuldade prejudicou sua atratividade nos anos de aquecimento
econômico, onde os jovens tinham muitas ofertas de emprego e a organização
necessitava de pessoas para suportar o seu rápido crescimento. Nessa época a
organização se deu conta do problema e contratou uma profissional com a missão de
trabalhar a imagem no mercado de trabalho, esse trabalho, entretanto, não é de uma
pessoa, mas de toda a organização e os resultados desse tipo de trabalho demoram
para aparecer. Ao final de um ano essa profissional foi demitida e a organização continua
com a mesma imagem no mercado de trabalho.
A imagem construída pela organização deve ser verdadeira, caso contrário não se
sustenta no tempo. Em nossas análises das melhores empresas para se trabalhar uma
questão fundamental é a de identificar práticas sustentáveis e coerentes com a cultura e
propósitos da organização. Nem sempre é fácil distinguir entre shows de pirotecnia e
práticas que podem manter a organização com uma boa opção de emprego.
A ideia de criar uma boa marca da organização como empregadora não é nova, mas sua
prática vem ganhando urgência no Brasil na medida em que temos um mercado de
trabalho cada vez mais competitivo. A proposta do EVP (Employee Value Proposition) é
o de explorar os aspectos que diferenciam a organização no mercado de trabalho, tanto
os aspectos tangíveis, tais como: remuneração, benefícios, ambiente de trabalho,
desenvolvimento profissional e carreira, quanto os não tangíveis, tais como: respeito a
individualidade e a diversidade, valores e crenças, desenvolvimento pessoal e equilíbrio
entre vida e trabalho. A mensagem transmitida pela organização como sua imagem deve
estar refletida em suas práticas, por essa razão é tão difícil implantar o EVP. A imagem
a ser refletida deve estar assentada na realidade da organização e não em sua visão
idealizada.
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MONITORAMENTO DO MERCADO PELA PESSOA
Ao nos relacionarmos com pessoas que atuam em outras organizações nos alertam para
possíveis ameaças ou oportunidades do mercado de trabalho e nos ofertam uma visão
mais arguta de nossa relação com a organização. A participação em redes que envolvem
profissionais que atuam em outras organizações cria uma maior visualização das nossas
competências e uma maior possibilidade de convites para novas oportunidades
profissionais.
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OPORTUNIDADES E AMEAÇAS APRESENTADAS PELO MERCADO
Outro exemplo são mudanças de valores como, por exemplo, maior respeito à
individualidade, profissionais que não incorporam esses valores perdem espaço nas
organizações e no mercado. Por essa razão é importante estarmos atentos a
informações que podem revelar tendências que podem nos afetar.
As pessoas que nos relataram seus desconfortos afirmaram que estavam trabalhando
em atividades e organizações das quais gostavam e, em um determinado momento,
chegaram a um limite onde não havia mais espaço para o crescimento. Não se deram
conta do fato e nem a organização, somente depois de sofrerem com o processo é que
foram descobrindo do que se tratava. Em seguida vem o processo de negociação com a
organização e nem sempre é simples.
As soluções para essa situação foram muito variadas em função do tipo de carreira e de
organização onde as pessoas atuavam. A saída mais comum foi a ampliação do espaço
ocupacional da pessoa, com o incremento de atribuições e responsabilidades de maior
complexidade. Outras saídas foram a mudança de organização ou de ocupação dentro
da própria organização.
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venha gerar problemas futuros, como, por exemplo, buscar uma nova ocupação que no
curto prazo oferece satisfação, mas no longo prazo gerará estagnação profissional.
Neste capítulo vimos a dinâmica do mercado de trabalho percebida tanto pela pessoa quanto
pela organização, permitindo a ambos analisar oportunidades e ameaças. Vimos também a
importância de monitorarmos o mercado de trabalho para tirarmos partidos das situações
favoráveis apresentadas e nos prepararmos para as situações que podem nos criar problemas.
As principais implicações para o aprendizado sobre a gestão de pessoas podem ser resumidas
em:
• A importância estratégica para as organizações a gestão de sua relação com o mercado
de trabalho;
• As formas para monitorar o mercado de trabalho e conseguir realizar interferências
críticas para o futuro da organização;
• Papel da pessoa em monitorar o mercado de trabalho para tirar proveito das
oportunidades e preparar-se para as ameaças.
Caso 1
A Brasrobótica é uma organização especializada em inteligência artificial aplicada controle de
processos industriais. Nos últimos cinco anos cresceu fortemente e se tornou um dos principais
fornecedores de tecnologia do mercado brasileiro, sua demanda por profissionais especializados
cresce geometricamente e a oferta de pessoas pelo mercado cresce aritmeticamente.
Nesse mercado a disputa por profissionais especializados se tornou muito intensa. Esses
profissionais são essenciais para viabilizar o crescimento da organização e o alcance de seus
objetivos estratégicos.
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Atualmente a Brasrobótica enfrentava algumas questões críticas em termos de gestão de
pessoas:
BIBLIOGRAFIA DO CAPÍTULO 3
ALOO, Victoria A.; MORONGE, Makori The effects of employee value proposition on
performance of comercial bank in Kenya. European Journal of Business Management, vol 2,
issue 1, Inglaterra, 2014.
BELL, Andrew N. The employee value proposition redefined. Strategic Human Resouces
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BRATTON, J.; GOLD, J. Human resouces managemento theory and practice. Londres,
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HEGER, Brian K. Linking employment value proposition to employee engagement and business
outcomes: preliminary findings form linkage researh pilot study. Organizational Develoment
Journal, vol. 25 number 1 pag 21-33, EUA, spring 2007.
19
OFFE, Claus; HINRICHS, Karl. Trabalho e sociedade: problemas estruturais e perspectivas
para o futuro da sociedade do trabalho. Rio de Janeiro, Tempo Brasileiro, 1989.
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