252 persones Capítulo 1 – A Herança
Quando o avô de Clara faleceu, deixou-lhe uma única coisa: um relógio de bolso
antigo, feito de prata escurecida, com um símbolo gravado na tampa — uma lua
cortada por um raio.
No testamento, uma frase intrigante:
“Nunca deixes o relógio marcar meia-noite.”
Clara achou aquilo apenas mais uma excentricidade de um homem que sempre acreditara
em coisas estranhas. Mas, naquela noite, não resistiu a dar corda ao relógio e
deixá-lo funcionar.
Capítulo 2 – O Primeiro Toque
Às doze badaladas, o relógio começou a brilhar. O ar ficou pesado, e o som do vento
desapareceu. O ponteiro parou entre o 12 e o 1.
Clara olhou à volta — o seu quarto estava igual, mas o silêncio era absoluto. Olhou
pela janela e percebeu algo impossível: as pessoas na rua estavam paradas, imóveis,
como se o tempo tivesse congelado.
Capítulo 3 – O Estranho Sem Sombra
Saiu à rua, confusa. As luzes piscavam, mas ninguém se movia.
De repente, uma voz ecoou:
— Estás no intervalo do tempo.
Um homem apareceu atrás dela. Alto, vestia um casaco antigo e um chapéu preto — e
não projetava sombra alguma.
— Chamam-me o Guardião da Meia-Noite, — disse ele. — E acabaste de abrir o portal
entre os segundos, onde vivem as almas que o tempo esqueceu.
Capítulo 4 – O Preço do Tempo
O homem explicou que o relógio era um artefacto antigo, criado para manter o
equilíbrio entre o tempo e o esquecimento. Cada vez que soava a meia-noite, o mundo
parava… e algo do passado podia regressar.
— Mas há um preço. — acrescentou. — Cada minuto aqui é um ano que perdes lá fora.
Assustada, Clara tentou voltar, mas o relógio não respondia.
Capítulo 5 – Ecos do Passado
Enquanto procurava uma saída, começou a ouvir vozes conhecidas.
Chamavam o seu nome — vozes da mãe, do avô, e de pessoas que já tinham morrido.
Uma figura aproximou-se: o avô, sorrindo tristemente.
— Eu avisei-te. Este lugar alimenta-se da saudade.
Clara chorou, mas ele apenas lhe deu um conselho:
“Para sair, deves devolver ao tempo aquilo que te foi tirado.”
Capítulo 6 – O Coração do Relógio
Seguindo as instruções do avô, Clara chegou ao centro da cidade imóvel, onde um
enorme relógio de torre marcava sempre meia-noite exata.
No topo, encontrou o Guardião à espera.
— Estás pronta para devolver o tempo? — perguntou.
Ela acenou.
Para libertar o mundo, teria de entregar a lembrança mais preciosa que guardava: o
momento em que a mãe ainda vivia.
Capítulo 7 – A Escolha
Clara fechou os olhos. Imaginou o sorriso da mãe, o som da sua voz, e deixou que a
memória se dissolvesse. O relógio começou a girar, e o som da cidade voltou
lentamente.
Quando abriu os olhos, o Guardião já não estava lá. E, pela primeira vez, o relógio
no seu bolso estava parado para sempre.
Epílogo – O Tempo Renasce
Meses depois, Clara continuava a viver a sua vida, mas algo estava diferente. Já
não se lembrava do rosto da mãe, apenas de um calor inexplicável no peito quando
pensava nela.
E, todas as noites, à meia-noite, o relógio de prata pulsava suavemente, como um
coração adormecido… esperando o dia em que alguém voltasse a dar-lhe corda.