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Avaliação dos Interesses Profissionais AIP

O AIP (Avaliação dos Interesses Profissionais) é um teste que avalia interesses profissionais através da escolha de atividades preferidas, permitindo identificar interesses reais e relativos. O documento discute a importância de uma avaliação dinâmica e a relação entre interesses e aspectos da personalidade, utilizando o modelo RIASEC de Holland. Além disso, aborda os campos de interesses avaliados pelo AIP e suas implicações na orientação profissional.

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Avaliação dos Interesses Profissionais AIP

O AIP (Avaliação dos Interesses Profissionais) é um teste que avalia interesses profissionais através da escolha de atividades preferidas, permitindo identificar interesses reais e relativos. O documento discute a importância de uma avaliação dinâmica e a relação entre interesses e aspectos da personalidade, utilizando o modelo RIASEC de Holland. Além disso, aborda os campos de interesses avaliados pelo AIP e suas implicações na orientação profissional.

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Capítulo

O conhecimento adequado das


dimensões de interesses de um sujeito
é capaz de predizer o montante de
satisfação que ele experimentará no
desempenho de ocupações
relacionadas a suas preferências
(Fogliatto & Perez, 2003; Lent, Brown,
& Hackett, 1994). Esses interesses
podem ser definidos por meio do uso
de inventários de interesses, no
entanto, eles coletam informações
apenas quantitativas e perdem
parcialmente seu valor.

Com o propósito de se ter uma visão


mais abrangente desses interesses, o
AIP (Avaliação dos Interesses
Profissionais) foi criado para permitir
que a qualidade das respostas também
fosse avaliada.
Alguns sujeitos apresentam
interesses reais muito inferiores à
média, coincidindo com fenômenos
cognitivos ou emocionais. Outros
apresentam tantos interesses relativos
em determinados campos que, embora
no total apresentem interesse superior
à média, esse interesse é questionável.
Outros, ainda, apresentam
predominância de baixos interesses e
interesses relativos em todo o teste.

Esses fenômenos podem traduzir


informações relevantes ao psicólogo
orientador. São manifestações que não
devem ser desprezadas, pois
seguidamente ajudam o psicólogo a
entender alguns motivos que podem
estar interferindo na possibilidade
de escolha. Sugerem-se, nessa
situação, exame complementar em
entrevista clínica e testagem de
personalidade e/ou outros instrumentos
que se fizerem
necessários.

AIP- AVALIAÇÃO DOS


INTERESSES PROFISSIONAIS

O AIP (Avaliação dos Interesses


Profissionais) é um teste que tem como
objetivo avaliar os interesses
profissionais a partir da escolha de
atividades preferidas. É composto por
um caderno contendo 100 pares de
atividades, totalizando 20 atividades de
cada um dos dez campos avaliados,
distribuídas de tal forma que cada
campo seja confrontado com todos os
outros e com ele mesmo duas vezes.
Em vista da necessidade do sujeito de
escolher uma das alternativas da dupla
de atividades apresentadas, o AIP
oferece a possibilidade de o sujeito
apontar quando uma delas está sendo
escolhida por obrigação. Isso oferece
ao orientador um dado a mais sobre a
intensidade de
satisfação com a escolha. Em 2009, ele
foi aprovado pelo SATEPSI como teste
para uso exclusivo do psicólogo
(Conselho Federal de Psicologia [CFP),
2003; Levenfus & Bandeira, 2009).

O teste propõe que o orientando


escolha, entre pares de atividades
laborais, aquela que mais lhe interessa.
A atividade escolhida é considerada um
interesse real
No entanto, é permitido ao sujeito
sinalizar quando nenhuma atividade lhe
interessa e sua escolha ocorre "por
obrigação". Chamamos essa escolha
de interesse relativo. O somatório dos
interesses reais e relativos é o que
chamamos de interesse total. Em
média, os orientandos sinalizam até
quatro interesses relativos por campo.

Já que diversos estudos apontaram


diferenças de interesses por sexo e,
em três campos, essas diferenças
foram significativas nos estudos do AIE
os resultados coletados no teste são
avaliados em tabelas específicas,
considerando o sexo do sujeito (Bueno,
Lemos, & Tomé, 2004; Levenfus, 2002;
Levenfus & Bandeira, 2007; Sáinz &
López, 2002; Shimada & Melo-Silva,
2013; Valentine, Teodoro, & Balbinotti,
2009).

CAMPOS DE INTERESSES
AVALIADOS PELO AIP

CFM - Campo Físico/Matemático


Tem relação com a investigação do
mundo físico e matemático. Diz
respeito à aplicação de leis e
propriedades dos corpos, bem como a
um tipo de pensamento lógico-
dedutivo. Traduz também o interesse
pelas ciências que revelam fenômenos
da natureza no campo elétrico e
mecânico.
CFQ - Campo Físico/Químico
Diz respeito ao estudo dos fenômenos
naturais, da reação química (orgânica e
inorgânica)
e das práticas experimentais em
laboratório.

CCF - Campo Cálculos/Finanças


Relaciona-se à aplicação de regras
para determinar quantidades,
circunstâncias por
meio de cálculos, avaliação,
investigação,previsão de riscos, bem
como interesse por
previdência, pecúlios e pensões.

COA - Campo
Organizacional/Administrativo
O interesse por esse campo pode se
relacionar a atividades que implicam
gerenciar pessoas, administrar
situações, organizar documentos,
procedimentos burocráticos nos mais
diversos
ambientes.

CJS- Campo Jurídico/Social


Responde por um campo de interesse
nas áreas humanas do conhecimento.
Diz respeito ao interesse pelo
comportamento humano em nível
grupal, religioso, cultural, racial,
amplamente social e geográfico. Os
interesses pelo campo jurídico
certamente
formam-se em vista das diferenças nos
comportamentos humanos.

CCP - Campo Comunicação/Persuasão


Atrai o interesse de pessoas
habilidosas em seu potencial verbal de
argumentação. Persuadir está
fortemente relacionado ao
convencimento de pessoas acerca de
um pensamento que o sujeito deseja
transmitir. Dessa
forma, esse campo reúne interesses
voltados a induzir, comandar, liderar,
influenciar, formar juízo, vender e
convencer pessoas ou grupos.

CSL - Campo Simbólico/Linguístico


Envolve dois campos: estudo da
linguagem e das línguas e referência
ao mundo simbólico e potencial
interpretativo da linguagem.

CMA- Campo Manual/Artístico


Traduz mais claramente fazer artístico
do que o pensamento criativo,
relacionado principalmente a trabalhos
manuais de uma forma geral. Abrange
a atividade de profissionais que lidam
com cirurgias e outras atividades
práticas.

CCE - Campo
Comportamental/Educacional
Diz respeito ao interesse pelo
comportamento humano em nível
individual, grupal, familiar ou
amplamente social. Os interesses
podem ser de ordem emocional,
educacional, ajuste social e outros.

CBS - Campo Biológico/Saúde


Diz respeito ao corpo humano, animal,
vegetal e microrganismos, ou seja, à
própria vida.

AVALIAÇÃO DINÂMICA

Não raro, vemos orientadores que


interpretam os resultados da avaliação
de interesses de forma estática e
simplória. Apontam listas de profissões
para cada campo, de forma isolada,
valorizando especialmente o campo
mais evidente. Há interpretações muito
reducionistas, como sugerir ciências
jurídicas e sociais para quem tem a
maior concentração no campo CJS,
independentemente do conjunto
apresentado.
A proposta de avaliação do AIP é
dinâmica e requer, sobretudo, que o
orientador possua bagagem de
informações sobre as carreiras - o que
se espera de qualquer profissional que
atue nessa atividade. As observações a
seguir podem auxiliar o orientador a ter
uma visão dinâmica da avaliação.

No campo CFM, a média de interesse é


maior para os rapazes do que para as
moças - fenômeno observado no
estudo de avaliação do teste AIP de
Levenfus e Bandeira (2009) e em
outros estudos (Bueno et al., 2004;
Levenfus, 2002, 2005; Sáinz & López,
2002). Assim, o orientador deve estar
atento ao fato de que uma moça possa
estar interessada por esse campo
mesmo que não pareça ser seu maior
interesse registrado no teste como um
todo. O interesse acima da média pelo
CFM sugere
fortemente interesse por qualquer uma
das engenharias, podendo-se observar
as associações com outros campos.
Além disso, diz respeito ao
bacharelado em fisica ou matemática,
assim como astronomia.

Dinamicamente, grandes interesses


apresentados nos campos CFM + CFQ
poderão nos levar a pensar em
engenharias e tecnologias relacionadas
mais especificamente à química
(engenharia de alimentos, engenharia
sanitária, engenharia de petróleo,
engenharia de plásticos, engenharia do
meio ambiente, engenharia hídrica,
engenharia bioquímica, ciências dos
alimentos, celulose e papel; e outras)

Alguns orientandos apresentarão


grandes interesses pelo grupo CFM +
CSL + CMA, revelando um grupo de
interesses que coincide bem
com as exigências reveladas, por
exemplo, pelos cursos de arquitetura,
design e desenho industrial. O
interesse em CFM + CSL também pode
estar presente em escolhas por
carreiras de informática e engenharia
da computação, por exemplo, nas
quais se espera elevado nível de
pensamento simbólico abstrato e
linguístico.

O interesse pelo CFQ combinado ao


interesse pelo CBS poderá relacionar
profissões tais como farmácia,
bioquímica e nutrição. Esse interesse
conjugado ao CMA pre-dispõe a
atração por atividades práticas,
manuais e laboratoriais, que também
dizem respeito às profissões citadas
anteriormente.

É importante distinguir interesse


pela matemática financeira da
matemática pura, aplicada às
engenharias, do CFM. Então,
derivamos para o CCF os interesses
pelos cálculos do tipo estatístico e
financeiro.

O CJS responde por um campo de


interesse na área de conhecimento das
ciências humanas. Por sua vez, o
interesse específico pelo
comportamento humano na
educação e na psicologia concentra-se
no CCE.

Embora os inventários de interesses


não se ocupem da determinação de
habilidades ou capacidades para
desempenho de tarefas, notamos que o
CCP atrai o interesse de pessoas com
potencial para argumentação verbal.
Em estudos clínicos, pudemos
perceber o quanto o CCP pode se
apresentar muito inferior à média em
pessoas tímidas (Levenfus, 2002,
2005).
O CSL é de uma riqueza ímpar em
termos de informações que podem
prestar ao orientador em sua tarefa.
Preferimos abordar esse tema
dividindo-o em dois campos:

1. como estudo da linguagem e das


línguas; e
2. como referência ao mundo simbólico
e potencial interpretativo da linguagem.

O interesse por esse campo parece


imprescindível aos profissionais das
áreas exatas que necessitam trabalhar
com desenho e volumes, como no caso
da arquitetura, do design industrial e da
engenharia mecânica; ou linguagens,
como na produção de softwares ou na
composição musical. Dessa forma,
torna-se compreensível o interesse
conjugado por CFM + CSL.
Observamos que o interesse pelo
campo artístico traduz mais claramente
o fazer artístico do que o pensar
criativo. Por esse motivo,
denominamos esse campo como
manual/artístico. Seguidamente o
sujeito refere gosto por trabalhos
manuais diversos, pela observação da
estética das artes, pela expressão
corporal. É comum referirem, por
exemplo, que gostam de copiar
desenhos, mas que não conseguem
produzi-los mentalmente, quando o
CSL está baixo, evidenciando estar
naquela área o potencial criativo-
relativo ao mundo simbólico.

Sujeitos interessados em cursar artes


plásticas ou artes cênicas costumam
apresentar esse interesse acima da
média. No
entanto, um razoável conjunto de
profissões também contempla esse
interesse em vista das atividades
manuais que lhe competem. É o
caso de odontologia, arquitetura,
gastronomia, atividades laboratoriais,
cirúrgicas e outras (ver validade de
construto).

O CCE é aquele que atribui significa


do à divisão grosseira que sempre foi
feita entre as profissões "exatas ou
humanas", respondendo
evidentemente pelas humanas. Diz
respeito ao interesse pelo
comportamento humano seja a nível
individual, grupal, familiar ou
amplamente social. Os interesses
podem ser de ordem emocional,
educacional, ajuste social e outros,
evidenciando, em seu maior grau,
profissões como psicologia, serviço
social e pedagogia. Sempre que o CCE
estiver associado ao interesse por uma
das ciências exatas, pode-se levantar a
hipótese pela licenciatura. Por
exemplo, CCE + CFQ pode traduzir o
interesse pela licenciatura em química,
em vez, do
bacharelado. O CCE apresenta
diferenças de interesses relacionados
ao gênero do sujeito, tendendo a
interessar as mulheres em níveis mais
evidentes (Levenfus, 2002, 2005;
Levenfus & Bandeira, 2007).

Quanto ao CBS, é novamente na


observação sobre o conjunto dos
campos que notaremos, por exemplo,
se o interesse por esse campo reside
predominantemente sobre ser humano
ou sobre plantas, animais ou
microrganismos. Caso no mesmo teste
apresente também um interesse pelo
CCE, o sujeito tenderá a optar por
áreas da saúde, envolvendo humanos
ou animais, em vez de plantas.

Também podemos interligar CBS +


CFQ, com possibilidades de interesse
em nutrição, farmácia, engenharia de
alimentos,
engenharia ambiental e outros cursos.

AVALIAÇÃO PSICODINÂMICA

Diversos são os estudos que


investigam relações entre os interesses
profissionais e aspectos da
personalidade.

Por ter afirmado que o interesse de


uma pessoa para desenvolver
determinadas atividades ocupacionais
nada mais é do que a expressão de
sua personalidade e pela consistência
de seu modelo RIASEC, Holland teve
sua teoria tipológica eleita como norte
para amplas investigações, sendo até
os dias de hoje explorada e
correlacionada a diversos testes de
personalidade, especialmente os do
tipo fatorial (Ambiel, Noronha, & Nunes,
2012; Costa, McCrae, & Holland, 1984;
Gottfredson, Jones, &
Holland, 1993; Holland, 1975, 1997;
Junk, 2012; Noronha, Mansão, &
Nunes, 2012; Valentini et al., 2009).

Segundo Holland (1997), a maioria


das pessoas pode ser classificada
levando em conta seis tipos de
interesses vocacionais: RIASEC
(Realista, Investigativo, Artístico,
Social, Empreendedor, Convencional).
Assim, pessoas realistas tendem a
preferir atividades práticas, exatas, com
máquinas. As investigativas optam
preferencialmente por
exploração, análise profunda de
fenômenos, observação e
compreensão. As artísticas gostam de
manifestar ideias próprias por meio de
expressão criativa, inovadora e
estética. Pessoas do tipo social gostam
de ajudar, ensinar, aconselhar, tratar,
cuidar, envolvendo-se em atividades
que proporcionem contato direto com
pessoas. Empreendedores tendem
a se mostrar decididos, autoconfiantes,
com facilidade para assumir liderança e
postos de representação.
Convencionais costumam envolver-se
em rotinas e atividades estruturadas e
sistemáticas.

É interessante notar que Holland não


descreveu apenas atividades de
interesse para cada tipo, mas, também,
comportamentos associados. Dessa
forma, descreve, por exemplo, o tipo
realista como um sujeito que tende a
ser inflexível, reservado e pouco afeito
à interação social (Holland, 1997).
Nesse sentido, mais do que
agrupamento de interesses, o modelo
RIASEC apresenta personalidades
vocacionais.

O modelo dos Cinco Grandes Fatores


(Big Five) está na base da
maior parte dos testes utilizados pelos
pesquisadores mencionados que
buscaram associações entre os tipos
de Holland e personalidade.
Resumidamente, esse modelo agrupa
as características de personalidade da
seguinte forma (Silva & Nakano, 2011;
Valentine et al., 2009):

• Extroversão: quantidade e intensidade


de interações pessoais;

• Socialização (ou amabilidade):


quantidade de orientação interpessoal
ao longo de um contínuo da compaixão
ao
antagonismo;

• Realização (ou consciência): grau de


controle, organização e persistência;

• Neuroticismo: nível de ajustamento e


instabilidade
emocional;

• Abertura à experiência: tolerância e


apreciação de novas experiências
(Nunes, 2005).

As associações mais robustas


encontradas pela maioria dos
pesquisadores foram entre:

• Tipo Artístico e Tipo Investigativo ao


fator Abertura

• Tipo Social e Tipo Empreendedor aos


fatores Realização e Extroversão

• Tipo Social ao fator Socialização

• Tipo Convencional ao fator


Realização

O fator Neuroticismo não mostrou


associações significativas com
nenhuma tipologia. No entanto, em
uma amostra feminina, os fatores de
depressão (Neuroticismo) associaram-
se negativamente ao tipo
Empreendedor (Valentine et al., 2009).
Tal fato demonstra não apenas a
questão das diferentes preferências por
sexo, mas o quanto a depressão
imobiliza e afeta a proatividade.

Para todos os efeitos, Valentine e


colaboradores (2009), assim como
diversos pesquisadores citados por
eles (Schinka, Dye, & Curtiss, 1997;
Sullivan & Hansen, 2004; Tokar &
Swanson, 1995), concluíram que,
apesar das associações encontradas, a
teoria de Holland e os Cinco Grandes
Fatores não se sobrepõem. Os
modelos
avaliam construtos teórica e
empiricamente distintos e sugerem que
as avaliações de personalidade e
interesses profissionais sejam
realizadas concomitantemente. É
correto afirmar, no entanto, que
interesses profissionais possuem
relação com fatores de personalidade e
que mais estudos se fazem
necessários.

Na prática clínica da coautora des-


te capítulo, Levenfus, o AIP é aplicado
concomitantemente ao teste de
personalidade Palográfico. Embora os
estudos psicométricos ainda não
tenham sido finalizados, são
apresentados, a seguir, dois exemplos
de aspectos qualitativos levantados
pelo AIP e sustentados por informações
obtidas no teste Palográfico. A intenção
não é promover traços de
personalidade como preditores de
Interesses profissionais, e sim
contribuir para a compreensão
dinâmica da escolha de carreira.

Caso João,' 17 anos


João iniciou a orientação vocacional na
semana em que encerravam as
inscrições para
o vestibular da universidade federal.
Em entrevista inicial, relatou que
acabou se inscrevendo para medicina,
embora quisesse engenharia, por
sempre ter se saldo bem em
matemática e fisica. Contou que os
pais sempre
disseram para ele fazer medicina, que
seria legal para ele. Revelou-se com
muito medo de escolher algo fora do
gosto da famlia e depois não dar certo.
Pensou em medicina por causa da
renda e porque poderia dar certo,
afirmando ser uma das coisas de que
poderia gostar. Disse que nunca se
interessou mas por uma área do que
por outra.

Além disso, afirmou que, se o resul-


tado do ENEM possibilitasse, faria
medicina, pois conseguiria se
adaptar e teria capacidade de gostar.
Não pensou em nenhuma
especialidade, mas acredita que seria
cirurgião, pois esses são os que
ganham melhor, especialmente os que
fazem cirurgia plástica. Revela ter
pensado em alguma área da
computação, mas ficou desanimado ao
saber que o salário não está muito bom
e a famlia
se preocupa muito com [Link]ém
pensou em direito, achando que se
daria bem, mas
acha que se daria melhor em
engenharia. No entanto, um familiar,
engenheiro, mal remunerado, fala mal
da engenharia.

Apesar de ter realizado inscrição para


medicina, busca ajuda por estar em
dúvida entre medicina, ciências da
computação e direito.
Ademais, relata histórico de TDAH,
com manifestações de
impulsividade e muita agitação,
estando sob controle medicamentoso
desde pequeno.

Resultado obtido no AIP

Na Figura 9.1, há dois gráficos em que


os quadradinhos pintados em preto
representam os interesses reais, e os
quadradinhos pintados metade em
preto e metade em cinza, os interesses
relativos. Por ter escolhido repetidas
vezes as duas opções apresentadas no
grafico I, o que e comum em
hiperativos, foi solicitada uma redução
para escolha de apenas uma opção
para cada par de atividades,
apresentada no gráfico 2. Essa
estratégia busca alcançar maior nitidez
nos resultados. Espera-se que três
campos.
se sobressaiam. Quando mais de 20%
das escolhas são pelo par de
atividades, pode ocorrer que
metade das respostas, ou mais,
se apresentem em níveis acima da
média. Ao solicitar que o orientando
volte àquelas questões e fique com
apenas uma das opções, o orientador
deve manter os dois resultados
visíveis, de forma a compará-los.

Contradizendo a informação inicial,


não há interesse pelo CFM, que
caracteriza opção por engenharia. A
pouca produção acima da média
ocorreu em vista de interesses
relativos. Esse fato se deve ao
autoconhecimento muito aquém do
esperado (informação percebida em
entrevista e coletada no teste EMEP).

Pela quantidade excessiva de


atividades sinalizadas, não há nitidez
com relação à opção por direito ou
medicina. Chama a
atenção, no entanto, que o CFQ, que,
naturalmente se faz presente em
candidatos à medicina, encontra-se
rebaixado. Além disso, o CMA,
característico naqueles que optam por
trabalhos cirúrgicos, teve mais da
metade das escolhas formada por
interesses relativos. Quando obrigado a
reduzir, os interesses caem "em bloco",
mantendo a baixa nitidez, mas também
nuances do direito, já que o importante
CSL permanece acima da média e,
qualitativamente, o CJS mantém-se
estável. O interesse pelo CBS diminui
significativamente.

Avaliação de personalidade com o


Teste Expressivo Palográfico

João apresentou, no momento da


avaliação, produção laboral (410 =
média inferior) aquém do esperado
pelo mercado de trabalho, com ritmo de
produção tendendo a instável (NOR =
7,59), sugerindo
vulnerabilidade emocional.

Demonstra contato adequado, respei


tando limites. Além disso, apresenta um
bom padrão de relacionamento
interpessoal, flexibilidade, amabilidade
e respeito tanto com seus pares quanto
com figuras de autoridade, o que o
favorece nas relações sociais, de
trabalho e formação de networking.
Tende a ter apego excessivo a normas
e padrões familiares, mostrando pouca
iniciativa e desprendimento.

Por ser excessivamente autocrítico e


exigente consigo mesmo, por vezes,
sente-se inseguro para interagir
socialmente, temendo críticas alheias.
Essa característica, somada a um
padrão obsessivo, minucioso e
perfeccionista, contribuiu para a
lentidão na tarefa, rebaixando sua
produtividade. Embora apresente
energia, não há
um bom direcionamento desta quando
se apresentam tarefas novas e
desconhecidas.

Há, em sua produção, sinais


característicos de manifestações de
ansiedade. A ansiedade é
caracterizada por antecipação de
dificuldades que nem sempre se
manifestam, provocando desgaste de
energias que poderiam ser investidas
nas tarefas propriamente ditas, e não
em preocupações (pré-ocupações). É
muito evidente a ansiedade relacionada
ao futuro, que está muito relacionada à
tendência a pensar mais na garantia de
renda do que na satisfação com o
trabalho.

Conclusão

Por meio da avaliação de


personalidade além da entrevista
clínica, é possível obter
entendimento sobre as irregularidades
qualitativas apresentadas no AIP.

Caso Maria, 16 anos

Na metade da 3* série do ensino


médio, Maria buscou a orientação por
pensar em cursar administração de
empresas, mas não estava totalmente
contente com essa escolha.

Não soube especificar o motivo de tal


sentimento, já que, desde o ano
anterior, sentia-se animada com essa
opção, pensando em empreender.

Além disso, na entrevista inicial, de:


monstrou estar bem informada sobre o
curso, tendo, inclusive, assistido a duas
palestras em feiras de profissões
promovidas por
universidades.
Os resultados apresentados no teste
EMEP (Escala de Maturidade para a
Escolha Profissional) (Neiva, 1999)
atingiram classificação média em todos
os fatores, sendo que, em
Responsabilidade, a classificação foi
médio superior.

Avaliando quantitativamente, a
resposta formada pela dupla CCF +
COA, com classificações no nível muito
superior à média, é plenamente
compatível com o interesse pela
carreira em administração de
empresas.

No entanto, qualitativamente, percebe-


se um quadro de abatimento,
permeado por escolhas obrigatórias. A
quantidade de interesses relativos que
envolvem, inclusive, os campos
preferidos faz jus à fala inicial de não
estar totalmente contente com essa
escolha.

Avaliação de personalidade com o


Teste Expressivo Palográfico

Maria apresentou, no momento da


avaliação, produção laboral (820 =
Superior), podendo produzir acima do
esperado pelo mercado de trabalho.
Seu ritmo de produção tende a instável
(NOR = 6,73), sugerindo
vulnerabilidade emocional. Maria inicia
a tarefa com velocidade, mas é
possível observar queda na produção
com o passar do tempo.

Além disso, ela demonstra contato


adequado e bom padrão de
relacionamento interpessoal. No
entanto, à medida que o teste avança e
sua produtividade diminui, Maria tende
à retração social, mostrando-se mais
reservada.
São evidentes os padrões relacionados
à independência, desprendimento e
aceitação de desafios, típico do perfil
empreendedor. No entanto, Maria
apresentou diversos marcadores para o
diagnóstico de depressão.' Quando
indagada pela orientadora, relatou ter
frequentado psicoterapia com uma
psicóloga aos 11 anos de idade e ter
usado uma medicação que não soube
descrever.

Em entrevista posterior com Maria e


seus pais, foi relatado que ela esteve
em tratamento psiquiátrico com uso de
fluoxetina, quando apresentou quadro
de desmotivação, intensa sonolência,
episódios de choro desmotivado e
dificuldades de memorizar informações,
com queda expressiva no rendimento
escolar. Aos 14 anos, ela teve alta e
suspensão da medicação e, desde
então, nada
notaram. Os pais informaram que a
família materna apresenta diversos
casos de depressão endógena, sendo
que a avó materna teve três episódios
de internação. A mãe utiliza fluoxetina
há muitos anos.

A família percebia certo abatimento


em Maria, mas não relacionaram com
uma possível reincidência do quadro.
Pensaram que ela apenas estava em
dúvida sobre o
curso, o que poderia ser absolutamente
normal nesse momento.

Apresentando indicadores de
maturidade para a escolha profissional
e interesses totais plenamente
compatíveis com a carreira de
administração de empresas, entende-
se que o quadro depressivo impedia
Maria de se sentir contente com a
escolha, assim como "contente com a
própria vida".

A manifestação qualitativa no AlP


encontrou respaldo no teste de
personalidade, facilitando a
compreensão do quadro. A orientação
culminou com a retomada do
atendimento psiquiátrico. Ao final do
ano, Maria foi aprovada no vestibular
para administração de empresas com
excelente classificação.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Embora o teste psicológico AIP tenha a


função de avaliar os interesses
profissionais mensurando-os e
possibilitando relacioná-los às
profissões e cursos, percebe-se que,
qualitativamente, o teste oferece muitas
hipóteses a serem melhor investigadas.
Sempre que o orientando apresentar
informações
qualitativas que coloquem em risco a
interpretação quantitativa, cabe ao
orientador investigar os. motivos de tal
acontecimento. Pode estar, justamente,
no contraste entre essas informações,
na irregularidade e na baixa nitidez a
chave para o entendimento das
maiores dificuldades que o orientando
encontra em seu processo de escolha
profissional.

Capítulo

A AUTOAVALIAÇÃO
DE HABILIDADES

Será que um trabalhador pode avaliar


as próprias habilidades com precisão e
não se deixar afetar pelo desejo de
causar uma boa
impressão e/ou defender a sua
autoestima?
Há evidências favoráveis a isso. As
pesquisas sobre o tema da
avaliação de habilidades revelam que
as habilidades autoavaliadas são
melhores preditores de desempenho
acadêmico do que os escores de testes
(Katz, 1993) e também apresentam
maior
utilidade em orientação de carreira do
que as habilidades medidas por testes
padronizados (Prediger, 1999).
Ademais, a autoavaliação permite uma
estimativa de habilidades complexas
ausentes em baterias de testes (p. ex.,
persuasão, ajudar os outros,
criatividade artística) (Prediger, 1999).

Nesse sentido, a MHIP possibilita


investigar a proficiência do indivíduo
em um amplo conjunto de habilidades
relevantes para
o mundo do trabalho que não são
contempladas em testes objetivos
(entrevistar, vender, inovar, controlar,
entre muitas outras).
Para fins de orientação profissional
e de carreira, desde os trabalhos
seminais de Super (1963), sabe-se
que, mais do que estimar
objetivamente características pes-
soais, é necessário conhecer os
autoconceitos do indivíduo sobre essas
características e compreender a
construção dessas autopercepções ao
longo da vida. Entre os objetivos
principais de um processo de auto-
avaliação, está a clarificação do
autoconceito vocacional ou de carreira.
Esse é mais
um argumento importante para justificar
a autoavaliação subjetiva de
habilidades. No entanto, quando
questionadas sobre suas
habilidades, não raro as pessoas
mostram dificuldades para identificá-
las. Essa dificuldade frequentemente
está associada à falta de um
vocabulário pertinente. Nesse sentido,
a MHIP fornece um
repertório de conceitos ao cliente,
apresentando o vocabulário necessário
para uma autoavaliação de habilidades
e reduzindo o esforço do orientando na
sua identificação e nomeação.

O QUE É UM INTERESSE?

Em termos básicos, um interesse pode


ser definido como algo que atrai e
mantém a atenção ou a curiosidade de
uma pessoa.
Sendo assim, o passo seguinte é
responder por que determinadas
entidades ou fenômenos são
interessantes para determinado
indivíduo, e não para outro. A resposta
está na etimologia latina da palavra:
inter est é a terceira pessoa do singular
do presente
do indicativo de inter sum, que significa
"estar entre", Os interesses estão
situados entre os indivíduos e suas
metas de vida/carreira. Isto é,
as pessoas se interessam por
determinadas atividades, uma vez que
es-tas sejam percebidas como meios
úteis para o alcance de seus objetivos
e valores. Por
exemplo, pessoas que valorizam a
solidariedade geralmente tentam
alcançar esse valor por meio de
atividades assistenciais que
se tornam interessantes na medida em
que são percebidas como meios para a
solidariedade. Portanto, a magnitude
do interesse por uma habilidade resulta
da crença sobre a efetividade do seu
uso para o alcance dos objetivos do
indivíduo. É importante lembrar que o
uso de um determinado tipo de
habilidades tende a ser requisitado em
determinados papéis em ambientes
físicos e sociais favoráveis à sua
aplicação.
Por fim, pode-se dizer que as
habilidades para as quais há pouca ou
nenhuma motivação de uso são,
assim, desinteressantes, porque o
indivíduo não acredita que o
exercício destas o aproximará de suas
metas particulares de vida e carreira.
Além disso, as habilidades que se está
motivado a usar são denominadas de
habilidades interessantes ou
motivadoras.

O porquê da matriz de habilidades


e interesses profissionais

O senso comum sobre inclinações


vocacionais tende, equivocadamente, a
associar
uma elevada competência em
determinado tipo de tarefa com a
motivação para realizar
tal tarefa. Quando alguém mostra
elevado desempenho em determinadas
habilidades,
costuma-se concluir que seria
recomendado direcionar sua carreira
para o uso destas. Nesses casos,
acredita-se erroneamente
que uma elevada competência está
naturalmente associada à motivação
para utilizá-la. Porém, muitos
indivíduos não estão assim motivados.
E, ao contrário, a motivação elevada
pode estar associada ao uso de
habilidades em que se apresenta um
desempenho de baixa qualidade. Em
síntese, uma determinada habilidade
pode estar associada a
graus diversos de competência e
motivação.

Portanto, no momento de definir metas


e planos de carreira, insistir que
alguém aplique habilidades que lhe são
aversivas somente porque apresenta
elevado desempenho nelas pode ser
muito prejudicial para
a carreira, a saúde e o contexto geral
do trabalho dessa pessoa. Esse é um
erro comum de gestores que delegam
mais tarefas de um
mesmo tipo para determinado
colaborador que demonstra
competência para cumpri-las, sem se
perguntar se o profissional está
realmente motivado para tal. E o
próprio trabalhador pode não se dar
conta de que, nessas condições,
esgotam-se progressivamente as suas
energias físicas, psicológicas e
emocionais. Dessa maneira, um
elevado desempenho inicial é seguido
por desgaste e burnout. Esse é o
resultado nefasto
de crenças equivocadas de gestores e
profissionais sobre uma correlação
sempre positiva entre habilidade e
motivação/interesse.
Conclui-se que é improdutivo
recomendar o desenvolvimento de
habilidades de trabaIho para as quais
não há motivação.
As escolhas de quais habilidades
devem ser alvo de desenvolvimento por
meio de atividades, estágios ou cursos
devem levar em
consideração o cruzamento entre
níveis de habilidade e de motivação.
Nesse sentido, a matriz de habilidades
e interesses profissionais é
apresentada como um recurso rápido e
eficiente para explorar habilidades de
trabalho, simultaneamente, em critérios
de motivação/interesse e
proficiência/competência. As
particularidades
da interpretação e as consequências
práticas do cruzamento desses critérios
serão exploradas mais adiante.

O MODELO HEXAGONAL DE
INTERESSES PROFISSIONAIS DE
HOLLAND
Holland (1997) propôs um modelo
teórico da congruência entre pessoas e
ambientes de trabalho, que tem
dominado a pesquisa ea prática de
avaliação de interesses ocupacionais
(Rounds, Armstrong, Liao, Lewis, &
Rivkin, 2008). Para o
autor, indivíduos interessados por uma
mesma ocupação possuem
características de personalidade
similares e criam ambientes físicos e
interpessoais peculiares.
Holland (1997) defende que ambientes
ocupacionais e pessoas sejam vistos
de maneira integrada, pois tais
ambientes são constituídos por meio
das características das pessoas, isto é,
pessoas com características similares
tendem a se agrupar em torno de
atividades e tarefas adequadas às suas
características e valores. Os tipos
básicos de pessoas e ambientes serão
descritos a seguir. O individuo
predominantemente realista é pouco
sociável e carece de habilidade
interpessoal. Por suas tendências
pragmáticas, tem aversão a situações
ambíguas e carregadas de
subjetividade. Sendo assim, sente-se
pouco à vontade
em situações sociais ou de conteúdo
emocional, sendo mais reservado,
inflexível e conformista. Prefere tarefas
em que possa perceber o resultado
objetivo e concreto do seu trabalho em
atividades mais técnicas e
operacionais. Portanto, o ambiente
realista envolve atividades práticas e
concretas, com o uso de máquinas,
ferramentas e materiais. É composto
por pessoas interessadas em
atividades operacionais que requerem
competências manuais, coordenação
motora e força física. Desse modo, é
um ambiente que reforça a expressão
de estilos pessoais objetivos e diretos,
motivados por realizações práticas e
produtividade (Armstrong, Day, McVay,
&Rounds, 2008; Holland, 1997). O
trabalhador mais investigativo, assim
como o realista, sente-se
desconfortável diante de
emoções mais intensas e aparenta
frieza e alheamento, mas, em
contrapartida, está mais aberto a
questões subjetivas e abstratas. A sua
preferência por atividades teóricas e
autônomas tende a torná-lo ainda mais
independente com relação a vínculos
grupais e mais centrado em si mesmo.
O ambiente investigativo requer o uso
de competências analíticas e verbais
para a realização de atividades que
implicam observação, investigação
sistemática e criativa de fenômenos
biológicos, físicos e culturais. São
pessoas que buscam criar e usar o
conhecimento em atividades
intelectuais para a solução de
problemas com objetividade e
persistência. Pessoas nesses
ambientes tendem a possuir um estilo
introspectivo e reflexivo. A pessoa de
inclinação artística, aparentemente,
aprecia o contato interpessoal, porém,
isto é verdade
quando esse indivíduo está seguro de
poder expressar-se com desenvoltura
no ambiente. Em outras condições, é
tímido e introvertido. É aberto a
estímulos subjetivos e emocionais e
tem preferência por atividades livres,
criativas e não sistematizadas. O
ambiente artístico envolve trabalho
criativo em música, escrita, artes ou
atividades intelectuais desestruturadas.
São ambientes que permitem maior
liberdade de expressão, valorizando
ideias e maneiras não convencionais e
inovadoras. É composto por pessoas
emocionalmente expressivas que
preferem atividades em que possam
criar ou dar formas artísticas a diversos
materiais e/ou manifestações culturais.
O indivíduo social, em contraste com o
realista e o investigativo, interessa-se
pelos vínculos
humanos e manifesta sensibilidade e
responsabilidade na busca de auxiliar,
orientar, tratar e resolver as
dificuldades dos outros. Gosta de se
sentir aceito e respeitado em suas
atividades e de conquistar os demais
por sua amabilidade. Nesse sentido, o
ambiente social demanda empatia,
humanitarismo e sociabilidade, pois
envolve o trabalho com outras pessoas
de forma a ajudar, apoiar ou curar. O
ambiente é composto por pessoas que
se preocupam com o bem-estar dos
outros e tendem a exibir
comportamento solidário, amigável e
gregário. Desse modo, esse tipo de
ambiente requer competências
interpessoais, habilidades para tratar,
orientar ou ensinar outros.
O indivíduo empreendedor gosta de
usar habilidades verbais para a
persuasão e o controle de outras
pessoas. Ele deseja
exercer o poder e ter status, em
contraste com o convencional, que
apenas os admira. E extrovertido, tem
iniciativa e quer assumir a liderança.
Portanto, aprecia o papel de liderança,
em que use sua capacidade de
persuasão, a fim de obter ganhos
econômicos e de status. O ambiente
empreendedor envolve atividades de
venda, motivacionais e de liderança
para alcançar metas pessoais e
organizacionais, pois valoriza a
iniciativa na busca de realizações
financeiras e oportuniza a obtenção de
posições de prestígio e status social.
Portanto, tende a ser composto por
pessoas de estilo assertivo,
autoconfiante e ambicioso.
O tipo convencional tende a controlar
os afetos e a se sentir à vontade no
âmbito interpessoal somente quando
em atividades rotineiras e estruturadas.
Identifica-se com tudo que outorgue
status e
poder, mas prefere atividades com
ordens claras e estabelecidas. O
ambiente convencional abrange
atividades que possibilitem a
manipulação sistemática e ordenada de
informações. Requer boa capacidade
de organização para atender padrões
definidos e precisos em tarefas
estruturadas. É composto por pessoas
que valorizam a realização econômica
e a estabilidade na carreira. Essas
descrições estão apoiadas em
evidências empíricas acumuladas
durante mais de 50 anos (Holland,
1997).
A teoria preconiza que as pessoas
buscam ambientes ocupacionais
pertinentes à expressão de sua
personalidade. Isto é, pessoas com
inclinações predominantemente
realistas irão procurar ambientes com
essas características marcantes, de
forma a maximizar suas possibilidades
de satisfação e
sucesso no papel de trabalho. Portanto,
observa-se uma relação de
reciprocidade entre pessoas e
ambientes, na medida em que
indivíduos procuram ambientes
congruentes com suas características,
e ambientes constroem-se na
dependência dos indivíduos que os
habitam e dos tipos de atividades que
ali se desenvolvem.
Adverte-se que, na verdade, cada
indivíduo ou ambiente possui
características de todos os seis tipos,
em maior ou menor grau, ainda que os
atributos de um dado tipo possam
predominar. A categorização de um
indivíduo ou ambiente particular,
portanto, não exige que apresente, de
modo exclusivo, todos os traços
usados para descrever um
representante extremo ou ideal. A
tendência é que os indivíduos possuam
uma hierarquia de preferência pelos
seis
tipos de ambiente e apresentem um
perfil tipológico particular. Desse modo,
por exemplo, uma empresa ou
ambiente ocupacional dedicado à
criação e à venda de produtos
publicitários pode ser categorizado
como empreendedor e artístico (EA),
pois irá congregar indivíduos que
priorizam atividades de criação (AE) e
indivíduos que priorizam atividades de
venda (EA), embora todos participem
de um mesmo projeto de trabalho de
caráter empreendedor (E).
Os tipos de Holland (1997) estão
dispostos em um hexágono, no qual
cada vértice representa a localização
de determinado tipo de interesse, como
mostra a Figura 13.3. As distâncias e
proximidades entre os tipos são
proporcionais às associações entre as
inclinações de personalidade que
representam. Portanto, valores,
interesses e habilidades pertinentes a
pessoas e
ambientes de trabalho do tipo realista
são mais similares aos valores,
interesses e habilidades do tipo
investigativo, que lhe é adjacente, em
comparação ao tipo social, situado no
vértice oposto ao realista.
O entendimento do relacionamento
entre os tipos vocacionais é
fundamental para uma interpretação
adequada de medidas de interesses e
sua articulação com medidas de
habilidades. Holland (1997)
caracterizou as ocupações com o uso
de duas ou três letras do modelo
RIASEC. Desse modo,
a atividade de um engenheiro civil é
classificada como IRE, pois requer
raciocínio lógico-matemático
(investigativo), lidar com equipamentos
e máquinas (realista) e o planejamento
e a coordenação de pessoas e
processos (empreendedor). Essa
categorização das ocupações pode
ser encontrada no Occupations Finder,
material de referência incluído no SDS
(Self Directed Search) (Holland, 1997).
Portanto, ao utilizar a categorização
das habilidades motivadoras no modelo
RIASEC, é preciso compreender que
essas habilidades podem se combinar
e configurar perfis de predominância tal
como definidas pelo modelo hexagonal.
Sendo assim, os elementos teóricos
para a interpretação dessa
categorização de habilidades devem
ser buscados no modelo de Holland
(1997).

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