Oração de Péricles
Oração fúnebre aos
mortos do primeiro ano da Guerra, de Péricles, de 430 a. C.
No século V a.C., durante a Guerra do Peloponeso, o político ateniense Péricles
fez um discurso em honra dos soldados mortos em combate. Esse discurso, registado
pelo historiador Tucídides, é conhecido como Oração Fúnebre e tornou-se um dos textos
mais importantes para compreender a democracia ateniense.
Segundo Péricles, o governo de Atenas chama-se democracia porque serve os
interesses da maioria e não de uma minoria. Todos os cidadãos eram iguais perante a lei
e, na vida pública, cada um era valorizado de acordo com os seus méritos e capacidades,
não pela sua riqueza ou pela sua origem social. Assim, qualquer cidadão podia servir a
cidade, desde que tivesse valor para isso.
Na sua visão, um cidadão que se afastava da política era considerado inútil para
a sociedade, porque todos tinham o dever de participar ativamente na vida da pólis
(cidade-Estado). As decisões eram tomadas em conjunto, depois de discussão e debate,
porque os Atenienses acreditavam que o diálogo não atrapalhava a ação, mas sim
ajudava a esclarecer as melhores escolhas.
Péricles também afirmou que a constituição e as leis de Atenas não seguiam o
exemplo de outras cidades; pelo contrário, eram um modelo para o resto da Grécia. Por
isso, dizia que Atenas era a “escola da Grécia”, um exemplo de liberdade, participação
cívica e grandeza política e cultural.
Formador: Henrique Sousa
Fonte: MOREIRA, Adriano, Ideal Democrático, O Discurso de
Péricles, Legado Político do Ocidente (O Homem e o Estado), 3.ª ed., Estratégia, vol.
VIII, 1995, págs. 15-31.
Formador: Henrique Sousa