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Ficha Técnica da Cultura da Mangueira

O documento apresenta uma ficha técnica sobre a cultura da mangueira, abordando sua origem, botânica, morfologia e fisiologia, além de práticas de cultivo e manejo. Destaca a importância econômica da manga e os requisitos específicos para seu cultivo, incluindo condições climáticas e nutricionais. O guia visa capacitar estudantes em técnicas de produção e análise de mercado da mangueira.
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Ficha Técnica da Cultura da Mangueira

O documento apresenta uma ficha técnica sobre a cultura da mangueira, abordando sua origem, botânica, morfologia e fisiologia, além de práticas de cultivo e manejo. Destaca a importância econômica da manga e os requisitos específicos para seu cultivo, incluindo condições climáticas e nutricionais. O guia visa capacitar estudantes em técnicas de produção e análise de mercado da mangueira.
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ESCOLA SUPERIOR DE DESENVOLVIMENTO

RURAL
DEPARTAMENTO DE PRODUÇÃO AGRÁRIA

CURSO: Produção Agrícola III

Unidade Curricular: Fruticultura

Tema: Ficha Técnica da Cultura da Macieira

Discentes: Docentes:

Edna da Conceição Boa


GodinhoZomane

Sheila Francisco Mabjaia Teófilo Langa

YumnaAmadGivá

Vilankulo, Março de 2021


Introdução

A mangueira ( Mangifera ) e uma das arvores frutíferas mais cultivadas e apreciadas do


mundo , conhecida por produzir a manga , um fruto tropical de sabor doce e aroma
marcante . A manga e originaria do Sul da Ásia, especialmente da Índia , ela se adaptou
a diferentes regiões do globo, sendo amplamente cultivada em países de clima tropical e
subtropical . no A mangueira tem destaque tanto no mercado interno quanto nas
exportações , tornando se uma das frutas mais importantes na economia agrícola.

O cultivo da mangueira requer condições específicas de solo, clima e manejo para


garantir sua produção em larga escala e qualidade dos frutos. Este guia oferece uma
visão geral sobre os aspectos essenciais do plantio manejo visando dar conhecer aos
estudantes as técnicas de produção de mangueira.
Objectivos

Geral

 Analisar e avaliar as práticas de cultivo da mangueira, identificando os principais


desafios e oportunidades para o desenvolvimento sustentável da cultura.

Específicos

 Identificar as principais técnicas de manejos utilizados na cultura da mangueira,


incluído irrigação, adubação e adubação e controle de pragas;
 Analisar o mercado nacional e internacional da manga, identificando tendências e
oportunidades de expansão.
Historial e origem

A mangueira é originário do Sul da Asia, mais especificamente da índia onde existem


mais de 1000 variedades, e tem sido cultivada por mais de 4 mil anos, e do Arquipélago
Malaio, de onde se espalhou para outras partes do mundo, inclusive nas Américas.

Como outras fruteiras tropicais, a dispersão da manga pelo mundo, teve inicio com a
cobertura do comércio, entre a Asia e a Europa. Os portugueses, os primeiros a
estabelecerem contactos comerciais, principalmente em especiarias e produtos vegetais,
transportaram no inicio do século XVI sementes e mudas de manga de Goa, na Índia,
para o Leste e Oeste da África e, em seguida para o brasil, que foi o primeiro país a
cultivar a manga nas Américas (Embrapa, 2002).

Os exploradores espanhóis introduziram a mangueira nas suas colónias do continente


americano, por meio de tráfego entre as Filipinas e a Costa do México, por volta dos
séc. XV e XVI, sendo que as primeiras mangas foram levadas do México para o Havai
em 1809, e para a Califórnia por volta de 1980.

BOTÂNICA, MORFOLOGIA E FISIOLÓGICA DA MANGA

A mangueira (Mangifera indica L.) pertence à família Anacardiaceae, cujos frutos


geralmente se dividem em dois grupos: o grupo indiano (frutos monoembriônicos,
fortemente aromáticos, de coloração atraente e suscetíveis à antracnose) e o grupo indo
chinês (frutos poliembriônicos, com caroços longos e achatados, pouco aromáticos,
geralmente amarelados e medianamente resistentes à antracnose) (CAMPBELL; MAIO,
1974).

O gênero Mangifera inclui cerca de 60 espécies, das quais a Mangifera indica é a mais
importante por possuir cultivo comercial, representando 90% do germoplasma da
cultura ao nível internacional (PINTO; FERREIRA, 1999; MODESTO, 2013).

Existam outras espécies que produzem frutos comestíveis, como Mangifera altíssima,
Mangifera caesia, Mangifera lagenifera, Mangifera macrocarpa, Mangifera odorata e
Mangifera sylvatica.

Aspecto botânico:
A classificação taxonomia da manga é a seguinte:

Reino - Plantae (Plantas);

Sub-reino - Tracheobionta (Plantas vasculares);

Superdivisão - Espermatophyta (Sementes);

Divisão - Magnoliophyta (Plantas com flores);

Classe - Magnoliopsida (Dicotiledôneas);

Subclasse: Rosidae

Ordem: Sapindales

Família: Anacardiaceae

Gênero: Mangifera

Espécie: Mangifera indica (L.) Cultivares: Tommy Atkins, Palmer, Keitt, Kent, Haden,
Van Dyke (USA) Ataulfo (México), Alphonso (Índia), Espada, Rosa, Carlota,
Itamaracá, Coité (Brasil), etc.

Aspecto morfológico Planta

A mangueira é uma árvore longeva (perene), de porte médio a grande, podendo


chegar até 30 metros de altura, dependendo da cultivar, do clima, do solo e do manejo.
Como as mudas são enxertadas, as plantas não crescem na mesma proporção que uma
planta plena (originada de semente) podendo alcançar mais de 8 metros de altura
quando em idade muita avançada, com mais de 10 anos, pois destinam a maior parte de
sua força para a frutificação. Além disso, sua altura pode ser facilmente controlada com
podas regulares. Seu tronco é largo, e apresenta casca escura, rugosa e látex resinoso.
Possui copa arredondada e simétrica, variando de baixa e densa a ereta e aberta. As
folhas são coriáceas, lanceoladas, com 15 a 35 cm de comprimento. De floração
abundante e ornamental, a mangueira apresenta inflorescências paniculadas e terminais,
com flores pequenas epolígamas, radialmente simétricas, branco-esverdeadas.
Geralmente apenas 1 estame fértil por flor; 4 outros estames são estéreis. Cada flor tem
um disco visível de 5 lóbulos entre as pétalas e os estames. Fruto: Drupa carnuda
irregularmente ovalada e ligeiramente comprimida, com 8-12 (-30) cm de comprimento,
presa na extremidade mais larga a um caule pendular. Pele lisa, amarelo-esverdeada, às
vezes tingida de vermelho. A polpa amarelo-laranja subjacente varia em qualidade,
desde macia, doce, suculenta e sem fibras em variedades selecionadas (clonais) de alta
qualidade até com sabor de terebintina e fibrosa em mudas não selecionadas
(selvagens). A polpa macia é suculenta e doce, embora às vezes possa apresentar um
tom ácido. Na melhor das hipóteses, as mangas têm uma qualidade resinosa agradável,
mas na pior das hipóteses podem cheirar a querosene. A semente ovoide comprimida
única, grande e não comestível tem 3,5-20 cm de comprimento e está envolta na camada
interna fibrosa branca do fruto.

Folhas

As folhas são ovóides- lanceoladas, de textura coreacea , face superior plana , pecíolo
curto ( 2.5- 10cm), medem de 15- 40cm de comprimento e de 1.5 – 4cm de largura, e
apresentam cloração verde clara levemente amarronzada ou arroxeidas , quando jovens,
e verde normal a escuro quando maduras . A idade da folha pode ser caracterizada pela
cor da nervura , que se apresenta amarelada quando madura e arroxeada quando esta em
crescimento .

Flores

A inflorescência polígama ou seja apresenta flores hermafrodita , masculina na mesma


panículo(Embrapa,2002), que geralmente terminal, as vezes lateral , ramificada , de
forma piramidal com raque comummente erecta. A panículo possui um numero variado
de flores que variam entre 500- a mais de 4 mil ou segundo Simão( 1971 ), 400 a 17mil
as quais são pequenas (6mm) e rosadas. De acordo com o autor supra citado, são, em
geral pentâmeras, com androceu composto de 4 – 6 estames, dos quais um é fértil; o
ovário é supero , unilocular; a antera é fértil e o estigma rudimentar

Fruto

O fruto da mangueira é uma drupa, com tamanho de peso variando de poucas gramas a
2g, de formas reniformes, ovada, oblonga, arredondada, ou cordiforme, e casca com
diferentes variações das cores verdes, amarelo e vermelha. Em geral, a cor do fruto esta
relacionada a cor da raque. A casca é coriácea e macia e envolve a polpa, de cor
amarela (varias tonalidades), mais ou menos fibrosas (de acordo com a variedade), e de
sabor variado. No interior da polpa encontra se o caroço ou semente, que é fibroso e
apresenta diferentes formas de acordo com a variedade, (Embrapa, 2002)

Clima

A mangueira adapta-se e produz muito bem em ambiente com temperatura amena (25°C
diurno e 15°C noturno) e período seco antes dafloração.

Contudo, quando a temperatura na fase de frutificação é cerca de 30° C, a produção é


pouco afectada desde que o suprimento de água seja adequado (Chacko, 1986).

Temperatura abaixo de 15°C ou acima de 30°C pode inibir a germinação do tubo


polínico, sem ocorrência da fertilização e aborto do embrião. Algumas cultivares
monoembriônicas como a Haden, não vingam nenhum fruto quando as condições
ambientais, principalmente a temperatura é superior a 35°C, em virtude da inibição do
embrião zigótico, ou degeneração com queda prematura dos frutos (Mukherjee, 1953;
Sturrock, 1968).

A radiação solar é muito importante para o crescimento e produção da mangueira,uma


vez que está diretamente relacionada com à fotossíntese e à produção de carboidratos.
Contudo, a quantidade de radiação depende da época do ano e da maior ou menor
nebulosidade (Allen et al.,1998). Dados apresentados por Lima Filho et al. (2002)
mostraram que em regiões produtoras de manga, os valores máximos de radiação
ocorrem em outubro (528 cal cm-2 dia-1), e os mínimos verificam-seem junho (363 cal
cm-2 dia-1), que correspondem aos períodos de florescimento e frutificação,
respectivamente. Como a mangueira está dispersa entre as latitudes de 27°N e 27°S,
aparenta ser uma planta de fotoperíodo neutro, ou seja, não responde fisiologicamente
ao efeito da luz para seu florescimento.

Raiz – O sistema radicular da mangueira é formado por uma raiz pivotante bem
desenvolvida, que cresce até encontrar o lençol freático, o que possibilita uma boa
sustentação à planta e lhe permite sobreviver em períodos prolongados de estiagem
(PINTO et al., 2000). Todas as raízes possuem inúmeras ramificações, chamadas de
radicelas, que podem alcançar até 5,5 m de profundidade e 7,6 m de distância lateral. As
radicelas são as principais responsáveis pela absorção da solução do solo e, portanto,
pela nutrição da planta. Nos pomares das regiões áridas e semiáridas, que utilizam
irrigação localizada, o tamanho e forma do sistema radicular segue a distribuição da
água no solo (PINTO et al., 2000; CUNHA et al., 2002).

Talo – A mangueira é uma árvore frondosa, possuindo porte médio a alto, caule
lignificado e copa simétrica, podendo ser compacta ou aberta com forma variando de
arredondada a globosa.

Fluxo vegetativo - A mangueira pode apresentar vários fluxos vegetativos por ano,
dependendo das condições climáticas de cada região, distribuídos do final de inverno,
primavera e verão (agosto/março no Sudeste).Estes fluxos estão correlacionados com os
futuros florescimentos e consequente frutificação

Pontos principais:

 Crescimento apical e periodicidade: Segundo Saúco (1999), a mangueira


cresce de forma apical, seguindo um eixo principal, com fluxos de crescimento
periódicos, cujos intervalos dependem de fatores como temperatura, água, vigor
da planta, cultivar e outros fatores externos e internos.

 Internódios e fluxo vegetativo: O comprimento dos internódios varia com a


fase de desenvolvimento da planta. Em plantas juvenis, os internódios são
maiores que em plantas adultas. Cada fluxo vegetativo dura de 30 a 45 dias,
sendo os primeiros 15 a 20 dias para o crescimento do ramo e o restante para a
maturação dos tecidos.

 Crescimento errático: Em plantas adultas, o crescimento ocorre de forma


irregular, não acontecendo simultaneamente em toda a copa, o que divide a
planta em setores.

 Interrupção do crescimento: O crescimento vegetativo é interrompido por


condições desfavoráveis, como baixas temperaturas ou deficiência hídrica.
Quando as condições voltam a ser favoráveis, inicia-se um novo ciclo de
crescimento, com predomínio da gema apical.

 Diferenciação floral: A planta pode entrar em um estado de diferenciação


floral, especialmente após períodos de estresse hídrico e temperaturas altas. O
florescimento ocorre apenas em ramos com pelo menos 4 meses em condições
tropicais, ou 3 meses em climas mais amenos.

 Indução ao florescimento: A indução à diferenciação floral depende da idade


da gema apical. Reguladores de crescimento, como o paclobutrazol, são mais
eficazes quando a planta passa por processos como a poda, que uniformizam o
último fluxo vegetativo.

Calagem e adubação Calagem.

A calagem tem como finalidade a correção da acidez do solo, elevando o pH e


neutralizando os efeitos da toxidade do alumínio e manganês, melhorando o
aproveitamento dos nutrientes pelas plantas. Em pomares corrigidos com calcário ou
naqueles em que o pH elevado não permite a sua utilização, a concentração de cálcio
nas folhas pode ficar abaixo do nível crítico, predispondo as plantas a distúrbios
fisiológicos, como o colapso interno “soft nose”. Uma fonte alternativa de cálcio é o
gesso ou o fosfogesso (SILVA et al., 2004). Nestas situações, o gesso é um material que
vem sendo usado para aumentar os teores de cálcio, sem alterar o pH do solo. Na
fazenda Agrobras, Casa Nova - BA é feita aplicação de cálcio marinho nas fitas de
gotejo das linhas de plantio.

Na fase de produção, as quantidades de fertilizantes empregadas estão vinculadas à


produtividade. Assim, nas áreas irrigadas do Nordeste, nas quais a produtividade é
muito maior, podendo atingir 40 t/ha de frutos, o consumo de fertilizantes também é
mais elevado.

Macronutrientes.

Com relação ao consumo dos fertilizantes NPK, as exigências nutricionais da mangueira


não são constantes durante o seu ciclo de vida. No período de crescimento as
quantidades de nitrogênio e fósforo devem ser altas, pois estes nutrientespropiciam o
crescimento rápido das raízes e da parte aérea, evitam o florescimento precoce e
garantem a formação de um pomar produtivo. Na fase de frutificação, o potássio torna-
se mais importante do que esses dois nutrientes (SILVA et al., 2004). As concentrações
dos nutrientes sofrem alterações acentuadas com a idade dos tecidos. De um modo
geral, os elementos com grande mobilidade no floema (N, P, K e Mg) têm tendência
definida de decréscimos com a idade das folhas, enquanto o inverso ocorre com aqueles
com pouca mobilidade (Ca, S e B). O nitrogênio pode sofrer variações temporárias em
função da adubação. A influência da idade das folhas na sua composição mineral
podeser observada na Tabela que se segue.

Na fase de produção, as quantidades de fertilizantes empregadas estão vinculadas à


produtividade. Assim, nas áreas irrigadas, nas quais a produtividade é muito maior,
podendo atingir 40 t/ha de frutos, o consumo de fertilizantes também é mais elevado
(SILVA et al., 2004).

Micronutrientes.

Os teores críticos de micronutrientes no soloe também nas folhas devem ser empregados
para orientar as adubações. A correção da deficiência de boro deverá ser realizada
aplicando-se ao solo 1 a 2 g/planta de B para teores menores que 0,2 mg dm-3 no solo
ou menores que 50 mg dm-3 nas folhas. Para o zinco, recomenda se aplicar 4 a 5
g/planta de Zn quando os teores no solo são menores que 0,5 mg dm-3 ou quando a
concentração nas folhas está abaixo de 20 mg dm-3 de Zn (SILVA et al., 2004).

Adubação orgânica: Aplicar 20 a 30 L de esterco por cova no plantio e pelo menos


uma vez por ano.

Nutrição

Apesar da mangueira ser uma espécie que apresenta relativa tolerância a solos de baixa
fertilidade, a oferta adequada de nutrientes é a melhor forma de promover o crescimento
da planta e a exportação dos mesmos pelos frutos. Stassen et al. (1997),trabalhando com
mangueiras ‘Sensation’, enxertadas sobre ‘Sabre’, observaram queas mesmas, quando
atingiam a idade de seis anos, apresentavam na matéria seca das folhas 29,6% do
fósforo contido na planta.

Do restante, 17,9% estavam contidos nas raízes, nos ramos novos (16,6%), nos frutos
(14,9%), no lenho (11,7%) e na casca (9,3%). Embora as folhas constituam o
compartimento da mangueira que, proporcionalmente contem a maior porcentagem do P
da planta, parcela significativadesse nutriente (70,4%), está contida no conjunto dos
demais órgãos.

Logo, os altos teores do nutriente na folha, constatados em alguns pomares, embora


possam denotaralta disponibilidade do nutriente no solo, não expressam a magnitude
total dessa disponibilidade. Existem algumas particularidades com relação à
concentração de nutrientes nos frutos de mangueiras de diferentes procedências.
Laborem et al. (1979) observaram que os frutos da cultivar Haden exportaram menos da
metade de nitrogênio (0,86 kg de N t-1) do que a cultivar Tommy Atkins (2,01 kg de N
t-1). Quantidades de cálcio exportados pelos frutos provenientes de pomares da
Venezuela (Laborem et al., 1979) são cerca de seis vezes maiores (1,25 kg de Ca t-1),
do que os observados em frutos colhidos (0,15 kg de Ca t-1). Em geral, os teores médios
de nutrientes na polpa da manga obedecem à seguinte ordem decrescente:
(macronutrientes) K > N > P > Mg > Ca > Na e (micronutrientes) e Fe > Mn > B > Zn >
Cu. Na casca, os nutrientes apresentam seqüência diferente daquela observada na polpa:
(macronutrientes) N > K > Ca > Mg > P > Na e (micronutrientes) Mn>Fe>B>Zn>Cu
(Pinto, 2002).
1. Nitrogênio.

O N é um ingrediente essencial da clorofila, proteínas, hormônios de crescimento e de


enzimas, agindo como um bloco construtor na produção de frutos (SAMRA; ARORA,
1997). O nitrogênio relaciona-se com o aumento da produção porque aumenta a área
foliar e o número de gemas floríferas (GEUS, 1964; AVILÁN, 1974). Os efeitos do N
se manifestam principalmente na fase vegetativa da planta. Ao se considerar a relação
existente entre surtos vegetativos, emissão de gemas florais/frutificação, sua deficiência
pode afetar negativamente a produção. Mangueiras adequadamente nutridas com N
poderão emitir regularmente brotações que, ao atingirem a maturidade, resultariam em
panículas responsáveis pela frutificação (SILVA, 1997). A carência de N, se pouco
pronunciada provoca: desenvolvimento retardado, crescimento vegetativo pequeno,
floração e a produção de frutos reduzida (JACOB; UEXKULL, 1958; GEUS, 1964).
Em casos de deficiência avançada ocorrem: pequeno desenvolvimento das folhas, perda
de clorofila e amarelecimento generalizado das mesmas (CHILDERS, 1966). O excesso
de N provoca: maior crescimento vegetativo, pobre fixação de frutos e aumento da
incidência de “soft-nose” (GEUS, 1964; KOO, 1968). Portanto, níveis baixos de Ca e
altos de N nas folhas aumentam a incidência de “soft–nose” (colapso interno).
Concluindo-se que a redução da incidência desse distúrbio requer aumento da
disponibilidade de Ca, evitando-se excessos de N na planta (QUAGGIO, 1996).

2. Fósforo.

As mangueiras exportam através dos frutos pequenas quantidades de P em relação ao N


e o K (HIROCE et al., 1977). Nas sementes ocorrem maiores concentrações de P (cerca
de 0,11%). O P favorece adequado desenvolvimento radicular, produção de caule forte,
boa fixação de frutos e amadurecimento no devido tempo (SAMRA; ARORA, 1997).
Muito embora as mangueiras em produção exijam quantidades significativamente
menores de P do que de N e de K, recomenda-se a aplicação regular desse nutriente nas
adubações, visto que os seus teores no solo são normalmente baixos, principalmente
devido as altas taxas de fixação (SILVA, 1997).

A deficiência de P pode levar a um pobre desenvolvimento radicular (restringindo a


absorção de água e de nutrientes), retardando a fixação e promovendo o
amadurecimento extemporâneo de frutos que adquirem textura grosseira. Outros
sintomas de carência de P em mangueira: retardamento do crescimento; seca das
margens da região apical das folhas, acompanhadas ou não de zonas necróticas; queda
prematura de folhas; secamento e morte de ramos, reduzindo sensivelmente a produção
(CHILDERS, 1966; SIMÃO, 1971).

3. Potássio.

O K, ao lado do N, é um dos nutrientes mais exportados pela mangueira. O teor de


amido nas folhas bem como os processos de fotossíntese, respiração e circulação da
seiva estão na dependência dos seus teores. Melhora a qualidade dos frutos e a sua vida
de prateleira, como também possibilita às árvores suportarem condições de estresse tais
como seca, frio, salinidade e ataque de pestes e doenças (SAMRA; ARORA, 1997).
Sintomas de deficiência de K são mostrados pelas folhas mais velhas através de
concentrações de cor amarelada, irregularmente distribuída. As folhas são menores e
mais finas que as normais. Com carência mais acentuada as pontuações aumentam e
crescem e a área foliar se torna necrótica ao longo das margens. A queda das folhas
ocorre somente quando estão completamente mortas (CHILDERS, 1966; KOO, 1968,
SIMÃO, 1971).

Floração – A floração natural da mangueira no Semiárido ocorre com maior


intensidade entre junho e agosto. Nesta região, as condições climáticas (entre maio e
agosto) são caracterizadas pela ocorrência de temperaturas noturnas inferior a 20 ºC e
diurnas inferior a 30 ºC e, também, pela menor quantidade de precipitação
pluviométrica.

A iniciação floral consiste na mudança morfológica de um ponto de crescimento


induzido a partir de um primórdio vegetativo para um floral, é o início do
desenvolvimento da flor, que na mangueira pode ser estimulada por fatores ambientais
ou através do manejo realizado na cultura (SWAMY, 2012).

O florescimento é o evento inicial para a produção da manga que determina quando e


quantos frutos serão produzidos. Entender essa fase, contribui para que a colheita seja
planejada para acontecer nos momentos de mercado mais favoráveis ao produtor
(ORDÓÑEZ, 2011).

O frio e o estresse hídrico são condições naturais que induzem a paralisação do


crescimento vegetativo da mangueira, nas condições de clima subtropical e tropical,
respectivamente. A ocorrência de temperaturas baixas, nas condições subtropicais,
define o período de floração e de produção da mangueira (SOUZA, 2015).

Para que a mangueira floresça em condições subtropicais, é essencial a ocorrência de


temperaturas frias (entre 10 e 18°C) ao longo de todo o processo de florescimento,
compreendendo desde a morfogênese floral até a completa formação da inflorescência.
Por outro lado, nas regiões tropicais, o florescimento é menos dependente da
temperatura, sendo necessária a exposição da planta a um período de déficit hídrico
(NUÑEZ-ELISEA et al., 1996; RAMÍREZ; DAVENPORT, 2010).

Variedades

A escolha da variedade de mangueira que será cultivada em um determinado pomar


está directamente relacionada à preferência do mercado consumidor, ao potencial
produtivo na região considerada, à susceptibilidade às pragas, às doenças e à
deterioração que é constatada imediatamente após a colheita e, principalmente, à
provável projecção de comercialização verificada a longo prazo. Um eventual erro na
escolha da variedade que será cultivada certamente acarretará enormes prejuízos ao
mangicultor. Pode-se afirmar que a escolha da variedade representa uma das decisões
económicas mais importantes para o estabelecimento competitivo da mangicultura, uma
vez que a rejeição do fruto pela comunidade à qual foi destinado inviabiliza a
manutenção do pomar. As variedades cultivadas com maior frequência são a "Tommy
Atkins", a "Haden", a "Keitt", a "Kent", a "Palmer", a "Rosa" e a "Espada". Enquanto as
cinco primeiras visam principalmente o mercado consumidor internacional, as duas
últimas são direcionadas, sobretudo, aos diversos mercados consumidores nacionais.

As principais características

Tommy- Produz frutos médios a grandes (até 13 cm de comprimento, 400 g a 600 g)


resistentes ao maneio e ao transporte, de casca grossa, lisa e de coloração que vão do
vermelho com laivos amarelos ao vermelho - brilhante. A polpa apresenta textura firme,
coloração amarelo-escura, de sabor agradável, doce (17% de açúcares), com poucas
fibras. A semente é pequena, cerca de 8% do peso do fruto, e mono embriônica. A
árvore é vigorosa, de copa densa e arredondada. Tem produção natural de meia -
estação, ou seja, de Outubro a Janeiro, apresentando resistência mediana à antracnose
sendo, no entanto, uma das mais sensíveis ao colapso interno dos frutos, (MUCAVELE,
1989).

Keitt - Seus frutos são grandes (até 15cm de comprimento, 600 g a 800 g), ovalados,
de casca amarelo -esverdeado, geralmente com laivos leves cor-de-rosa, polpa de tom
amarelo-intenso, sem fibras, firme, sucosa e doce. A semente é pequena (7% a 8,5% do
peso do fruto) e mono embriônica. A planta é muito produtiva, medianamente resistente
à antracnose, possuindo hábito de crescimento típico, representado por ramos abertos e
arcados, e folhas voltadas para a base dos ramos, o que resulta num formato irregular da
copa, (MUCAVELE, 1989).

Tem maturação tardia e os frutos mantêm-se na planta por longo período. Apresenta boa
resistência ao transporte, (MUCAVELE, 1989).

Kent - A árvore é vigorosa, produtiva, de porte médio e copa compacta e


arredondada. O fruto é grande (13 cm de comprimento, 600 g a 750 g) e ovalado, de
casca entre verde-claro e amarelo, laivos carmesins, adquirindo tom avermelhado com o
amadurecimento. A polpa é amarela alaranjada, doce, sem fibra, aromática e sucosa. A
maturação é tardia. Produz semente pequena (em torno de 9% do peso do fruto) e mono
embriônica. É susceptível às principais doenças, (MUCAVELE, 1989).

Van Dyke - Produz frutos médios (300 g a 400 g), de casca amarela com laivos
vermelhos. A polpa é firme e resistente ao transporte, tem sabor agradável, muito doce,
(SDAE, 2013). A semente é pequena, monoembriônica. A planta é muito produtiva e de
meia-estação quanto à maturação, mostrando uma certa irregularidade na produção,
(MUCAVELE, 1989).

Palmer- A planta apresenta porte médio, vigor moderado e produção regular. Os


frutos são grandes (15 cm de comprimento, até 900 g), de forma alongada, e de cor
laranja amarelada com laivos vermelho-brilhante. A polpa tem pouca fibra, é firme e
com aroma suave. A semente é monoembriônica e de tamanho médio (cerca de 10% do
peso do fruto). A maturação é tardia. Aceitação crescente no mercado consumidor,
(MUCAVELE, 1989).

Essas são as principais variedades cultivadas para consumo in natura (fruto para mesa),
ao lado de outras, tais como a Carlota, Espada, Extrema, Coité, Lira, Mamão e Ubá
(resistente à malformação), usadas também para o fabrico de suco, (MUCAVELE,
1989).

Doenças

As culturas de importância econômica são acometidas por inúmeras doenças, causando


grandes perdas (Tavares, 2004). Essas doenças apresentam maior ou
menoragressividade em função de fatores climáticos como umidade, temperatura e ciclo
fenológico da cultura (Johnson & Sangchote, 1994).

Para a mangueira, as doenças decorrentes do ataque de fungos e bactérias são as mais


importantes. Os órgãos mais afetados são as flores reduzindo a quantidade de frutos
produzidos e os frutos, com queda na qualidade dos mesmos (Santos Filho et al., 2002).

 O Colletotrichum gloeosporioides (Penz), agente causal da antracnose, causa


sérios problemas a cultura da mangueira. A doença afeta ramos novos, folhas,
inflorescências e frutos, causando lesões necróticas. Pode ocorrer em
temperatura oscilando entre 10 ºC a 30 ºC sob condições de alta umidade

 O oídio (Oidium mangiferae Bert) Causa sérios problemas à mangueira.


Folhas, inflorescências e frutinhos novos atacados por esse fungo ficam
recobertos por um pó branco acinzentado. A penetração do fungo é favorecida
pela perda de água nos tecidos da planta, quando há temperaturas altas

Seguidas de queda de umidade. (Santos Filho et al., 200) A morte descendente causa
grandes prejuízos à mangicultura. É causada pelo fungo (Botryodiplodia theobromae
Pat.). Este pode ocorrer nas folhas, ramos, caule, flores e frutos causando a morte dos
mesmos. O fungo é disseminado através do vento, insetos e instrumentos de poda
(Tavares et al., 1991). A temperatura favorável à infecção situa-se entre 27ºC a 32ºC e
Humidade relativa do ar superior a 80% (Zambolim & Junqueira, 2004). O fungo é mais
agressivo em plantas sob estresse hídrico, falta ou excesso de água e deficiência de
cálcio (Tavares, 1993a).

 Seca-da-Mangueira – Ceratocystisfimbriata (Ell e Halst) Essa é uma das


doenças mais grave que afectam a mangueira, já que provoca a sua morte em
curto espaço de tempo, se as necessárias medidas preventivas e curativas não
forem adoptadas, (STEBBING, 1914).

Uma mangueira atacada apresenta, inicialmente, murcha nas folhas de um galho fino,
que ficam esmaecidas e em posição paralela ao ramo. Com o progresso da doença as
folhas tomam a coloração par do avermelhado, contrastando com o restante da planta.
Em estádio mais avançado, o ramo seca completamente em consequência do colapso
dos tecidos, (ALMEIDA, 2006). O fungo penetra no interior da planta através de
galerias longitudinais abertas abaixo da casca pela broca Hypocryphalus mangífera,
(STEBBING, 1914).

Para controlar essa doença, devem-se adoptar as seguintes medidas:

 Inspeccionar frequentemente o pomar e, assim que a seca da mangueira for


detectada, dar início à sua erradicação, cortando-se os ramos atacados a 40 cm
do ponto de infecção e queimando-os em seguida (desinfectar a ferramenta
usada com uma solução de hipoclorito de sódio a 2%);
 Pincelar aparte cortada dos ramos com pasta cúprica para prevenir infecção por
outros agentes patogénicos, (ALMEIDA, 2006).

Pragas

Broca-da-mangueira - Hypocryphalus mangiferae (Coleoptera: Scolytidae). Este


inseto tem como único hospedeiro da mangueira, sendo encontrado, geralmente, em
todas as regiões do mundo onde existe essa fruteira. Em todos os países onde ocorre é
inexpressivo como praga. A presença do fungo Ceratocistis fimbriata, agente causal da
doença “seca da mangueira”, faz com que H. mangiferae seja de relativa importância,
por ser o vetor desta doença. No Brasil oestado de São Paulo, Donadio (1980) relata que
dos vários insetos que afetam os ramos da mangueira, H. mangiferae é o mais
importante. Contudo, o fungo pode também infectar as plantas, penetrando pelas raízes
sem necessidade de vetor, mas, também, pode ser disseminado pelas mudas
(ROSSETTO et al., 1996; ROSSETTO; RIBEIRO, 1990). A “seca da mangueira” é
capaz de causar a morte de plantas em qualquer estádio de desenvolvimento, desde
plantas jovens até árvores centenárias (GALLO et al., 2002).

Tripes (Selenothrips rubrocinctus e Frankliniella schultzei). S. rubrocinctus e F.


schultzei são as espécies mais comuns de tripes que atacam a mangueira. Espécies do
gênero Frankliniella têm sido relatadas ocasionando danos em panículas, por sua
alimentação em nectários e anteras de flores, que poderá resultar em perda prematura de
pólen (PEÑA; MOHYUDDIN, 1997). S. rubrocinctus e F. schultzei também têm sido
reportados danificando frutos. Em altas infestações o dano é visível na casca dos frutos
(Figura 106), que apresentam manchas ou rachaduras que depreciam o seu valor
comercial (BARBOSA et al., 2000a; BRANDÃO; BOARETTO, 1999).

Coleobroca - Chlorida festiva (Coleoptera: Cerambycidae). As larvas de C. festiva


broqueiam o tronco e os ramos mais grossos da mangueira, abrindo galerias que,
dependendo do seu número, tamanho e localização, podem comprometer totalmente a
planta (GALLO et al., 2002; NASCIMENTO; CARVALHO, 1998).

Lepidóptero da inflorescência (Pleuroprucha asthenaria (Lepidoptera: Geometridae) e


Cryptoblabes gnidiella (Lepidoptera: Pyralidae). Alimentam-se de pétalas e ovários de
flores, resultando no secamento parcial ou total da inflorescência com consequente
diminuição da frutificação.

Moscas-das-Frutas Ceratitis capitata e Anastrepha spp. (Diptera: Tephritidae). As


moscas-das-frutas fazem parte de um grupo de pragas responsável por grandes prejuízos
econômicos na cultura da mangueira, não só pelos danos diretos que causam à
produção, como, também, pelas barreiras quarentenárias impostas pelos países
importadores. A. obliqua é a principal mosca-das-frutas que ataca a manga.

Metodos de Controle

Controle químico.
Para menor impacto do inseticida sobre os inimigos naturais, recomendam-se a
utilização dos inseticidas (Tabela 17) na forma de isca tóxica, isto é, atrativo alimentar
(hidrolisado de proteína ou melaço de cana-de-açúcar ou suco de frutas) mais inseticida
e água. A aspersão é feita com uma brocha de parede ou pulverizador com bico em
leque. Deve-se aspergir a isca num volume de 150 a 200 mL da calda em cada metro
quadrado de copa da árvore, em ruas alternadas. A aplicação deve ser feita em ruas
alternadas e na periferia do pomar (NASCIMENTO et al., 2002). Recomenda-se a
utilização de produtos certificados pelo governo.

Controle cultural

A coleta e a destruição dos frutos maduros na planta ou caídos no chão devem ser
realizadas, para impedir a emergência de adultos moscas-das-frutas. Tais frutos deverão
ser colocados em uma vala de 50 a 70 cm de profundidade, ou serem destinados à
alimentação animal (BARBOSA et al., 2001a). Também é de fundamental importância
o controle das moscas-das-frutas em plantas hospedeiras, cultivadas ou nativas,
próximas aos plantios comerciais de mangueira, bem como a eliminação de hospedeiros
alternativos que possam favorecer o desenvolvimento populacional da praga (CUNHA
et al., 2000).
Conclusão

A manga, fruto milenar e versátil, revela se uma cultura de grande importância


económica e social. Ao longo deste trabalho, exploramos sua origem, características
botânica e suas exigências climáticas e as diversas variedades existentes. A
identificação de pragas e doenças assim como o desenvolvimento de praticas de cultivo
adequadas são muito cruciais para garantir a produtividade e a qualidade dos frutos.
Diante das mudanças climáticas e da crescente demanda por alimentos saudáveis, a
cultura da manga apresenta uma grande importância para o futuro exigindo
investimentos em pesquisas e desenvolvimentos tecnológicas para optimizar a produção
e atender as necessidades do mercado

Referencia

Embrapa (2002) A Cultura de Mangeuira ̸ Pedro Jaime de Carvalho Genú, Alberto


Carlos Queiroz [Link], Dispersao, Taxonomia e Botaniaca, pag 33-35, Brazilia,
1ª edição

MANGA (Mangifera indica, L. cv. Tommy Atkins), TECNOLOGIAS DE PLANTIO E


UTILIZAÇÃO 1ª Edição

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