Universidade Católica de Moçambique
Instituto de Educação à Distância
Ensino de Educação Física e Desporto
O Pensamento Filosófico de Platão e Aristóteles: Continuidade e Descontinuidade.
Estudante: Domingos Pessano Código: 708221843
Turma: B
Licenciatura em Ensino de Educação Física e Desporto
Disciplina: Introdução a Filosofia
Ano de Frequência: 2º Ano
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Nampula, Maio de 2023
Universidade Católica de Moçambique
Instituto de Educação à Distância
Ensino de Educação Física e Desporto
O Pensamento Filosófico de Platão e Aristóteles: Continuidade e Descontinuidade.
Domingos Pessano Código: 708221843
Trabalho de carácter avaliativo de Estudos
Práticos II submetido ao Instituto de Educação à
Distância (IED), da Universidade Católica de
Moçambique, no curso de Ensino de Educação
Física e Desporto
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Nampula, Maio de 2023
Índice
Introdução........................................................................................................................................4
1. Origem e Conceito de Filosofia...................................................................................................5
2. O Contexto Filosófico de Platão e Aristóteles.............................................................................6
2.1. Principais características do pensamento de Platão e Aristóteles.............................................6
2.2. Discordância entre Platão e Aristóteles....................................................................................7
3. Vida e Obra de Platão e Aristóteles.............................................................................................7
3.1. Vida e Obra de Platão...............................................................................................................7
3.2. Vida e Obra de Aristóteles........................................................................................................9
4. O pensamento filosófico de Platão e Aristóteles: continuidade e descontinuidades.................10
5. Conclusão..................................................................................................................................14
9. Referências Bibliográficas.........................................................................................................15
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Introdução
O presente trabalho tem como tema: O Pensamento Filosófico de Platão e Aristóteles:
Continuidade e Descontinuidade. Filosofia é uma palavra de origem grega que no sentido
estrito designa um tipo de especulação que se originou e atingiu o apogeu entre os antigos
gregos, e que teve continuidade com os povos culturalmente dominados por ele: grosso modo
(grande parte), os povos ocidentais.
Para o seu surgimento, dependeu de dois pensadores e/ou filósofos cujo estes deram o seu
contributo com os seus pensamento, estes filósofos são Platão e Aristóteles. Segundo
Aristóteles, a filosofia é essencialmente teorética: deve decifrar o enigma do universo, em
face do qual a atitude inicial do espírito é o assombro do mistério. O seu problema
fundamental é o problema do ser, não o problema da vida.
A filosofia aristotélica é, portanto, conceptual como a de Platão mas parte da experiência; é
dedutiva, mas o ponto de partida da dedução é tirado - mediante o intelecto da experiência. A
ciência platónica e aristotélica são, portanto, ambas objectivas, realistas: tudo que se pode
aprender precede a sensação e é independente dela. No sentido estrito, a filosofia aristotélica é
dedução do particular pelo universal, explicação do condicionado mediante a condição,
porquanto o primeiro elemento depende do segundo.
Entretanto, para a efectivação do trabalho foi definido o seguinte objectivo geral: analisar o
pensamento filosófico de Platão e Aristóteles. O objectivo geral definido foi operacionalizado
nos seguintes objectivos específicos: (i) Definir o conceito de Filosofia; (ii) Descrever Vida e
Obra de Platão e Aristóteles; (iii) Explicar o pensamento filosófico de Platão e Aristóteles.
A metodologia utilizada para realização deste estudo foi o levantamento da temática por meio
de pesquisa bibliográfica.
O trabalho está subdividido em quatro partes. Além dessa parte introdutória, a segunda parte é
constituída pelo referencial teórico, que embasa a análise a ser realizada com os resultados
obtidos na pesquisa. Em seguida, é apresentada no último tópico as considerações finais,
incluindo conclusões e sugestões de estudos futuros, seguidas das referências bibliográficas.
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1. Origem e Conceito de Filosofia
De uma maneira geral, a abordagem de qualquer ciência começa pela apresentação da sua
definição, pela delimitação do seu objecto e pela indicação dos seus métodos específicos.
O que a prática já nos demonstrou é que não se pode falar em Filosofia sem problemas por
resolver. No entanto só tem problemas a resolver quem está em posse de uma razoável
experiência de Vida.
De acordo com Geque e Biriate (2011), Filosofia é uma palavra de origem grega que no
sentido estrito designa um tipo de especulação que se originou e atingiu o apogeu entre os
antigos gregos, e que teve continuidade com os povos culturalmente dominados por ele:
grosso modo (grande parte), os povos ocidentais. É claro que, actualmente, nada impede que
qualquer parte do mundo se possa fazer especulações “à moda grega”, isto é, Filosofia.
Etimologicamente Filosofia é (philos = amigo + sophia = sabedoria). Nisto, Filosofia
significará amor profundo à sabedoria ou, simplesmente “amor à sabedoria”.
Para Chiui (2000), a Filosofia é um tipo especial de saber, diferente de outros tipos como a
Geografia, a Bióloga (…) que começam pela apresentação da sua definição, pela delimitação
do seu objecto e pela indicação dos seus métodos específicos.
Segundo Chambisse et al (2012), Filosofia é uma forma de saber que tem uma esfera própria
de competência, a respeito do qual procura adquirir informações válidas, precisas e ordenadas
sobre os problemas do homem. Portanto, não se pode falar em Filosofia quando não haja
problemas por resolver. Por causa dessa especificidade a Filosofia terá vários conceitos
segundo a pessoa que filosofa.
Não obstante, a Filosofia é um conhecimento, uma forma de saber que, como tal, tem uma
esfera própria de competência, a respeito da qual procura adquirir informações válidas,
precisas e ordenadas. Mas, enquanto é fácil dizer qual é a esfera de competência de várias
ciências experimentais, o mesmo não se dá com a Filosofia. Sabemos, por exemplo, que a
Botânica estuda as plantas, a Geografia os lugares, a História os factos, a Medicina as
doenças, etc.
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2. O Contexto Filosófico de Platão e Aristóteles
Pensamento de Platão
O idealismo platónico é o que há de mais marcante em sua obra. Com base na noção de que o
conhecimento das Ideias ou Formas puras, imutáveis e perfeitas é o único conhecimento
verdadeiro (obtido pelo intelecto), o filósofo afirmou que o nosso conhecimento sobre a
matéria (obtido pelos sentidos) é enganoso.
Platão defendia o Inatismo, nascemos como princípios racionais e ideias inatas. A origem das
ideias segundo Platão é dado por dois mundos que são o mundo inteligível, que é o mundo
que nós, antes de nascer, passamos para ter as odeias assimiladas em nossas mentes. (Aranha
& Martins, 2003).
Por outro lado, para Platão o conhecimento sensível (crença e opinião) é apenas uma da
realidade, como se fosse uma visão dos homens da caverna do texto “Alegoria da Caverna” e
o conhecimento intelectual (raciocínio e indução) alcança a essência das coisas, as ideias.
(Aranha & Martins, 2003).
Pensamentos de Aristóteles
Ao contrário de Platão, Aristóteles defendia que a origem das ideias é através da observação
de objectos para após a formulação da ideia dos mesmos. Para Aristóteles o único mundo é o
sensível e que também é o inteligível. (Chauia, 2003).
Para Aristóteles, o conhecimento é formado e enriquecido por informações trazidas de todos
os graus citados e não há diferença entre o conhecimento sensível e intelectual, um é
continuação do outro, a única separação existente é entre as seis primeiras formas e a última
forma pois a intuição é puramente intelectual, mas isso não quer dizer que as outras formas
não sejam verdadeiras mas sim formas de conhecimento diferentes que utilizam coisas
concretas. (Aranha & Martins, 2003).
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2.1. Principais características do pensamento de Platão e Aristóteles
Os pensamentos de Platão e Aristóteles são parecidos no que diz respeito à existência do ser
humano contemplando o mundo e ao significado de sua existência. Ambos se dedicaram a
reflectir e tentar compreender o que é ter consciência de uma existência e como ela se
relacionaria com a consciência dos outros.
Segundo Aristóteles, a filosofia é essencialmente teorética: deve decifrar o enigma do
universo, em face do qual a atitude inicial do espírito é o assombro do mistério. O seu
problema fundamental é o problema do ser, não o problema da vida.
2.2. Discordância entre Platão e Aristóteles
A principal diferença entre Platão e Aristóteles encontra-se em suas crenças sobre o que era
mais autêntico sobre a existência. Platão acreditava que a realidade última não está presente
em experiências quotidianas. Aristóteles pensava que o mundo de todos os dias é mais
autêntico do que o mundo das ideias de Platão.
3. Vida e Obra de Platão e Aristóteles
3.1. Vida e Obra de Platão
Platão chamava-se Arístocles. Nascido em Atenas, no ano de 428 a.C., e falecido em 348
a.C., o apelido Platão foi conferido ao filósofo em sua juventude por causa de seus atributos
físicos, por ser um homem forte, de ombros largos (a palavra correspondente em grego,
Platon, significa “omoplatas largas”, “costas largas”, “ombros grandes”). (Reale, 1990).
Platão era filho de uma família influente politicamente na Grécia (Platão era descendente de
Sólon, um dos legisladores e estadistas de maior destaque da política ateniense). Por pertencer
a uma família que possuía bens materiais, Platão pôde dedicar-se aos estudos de Filosofia.
Entre 409 a.C. e 404 a.C., Platão lutou na Guerra do Peloponeso, período final das batalhas
entre Atenas e Esparta. Tendo sido derrotado (Esparta derrotou Atenas), Platão vivenciou o
período denominado Tirania dos 30, quando o regime democrático ateniense deu lugar à
tirania oligárquica dos modelos espartanos. (Reale, 1990).
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Desta forma, Platão conheceu o filósofo Sócrates, pensador que foi o seu mestre iniciador na
Filosofia, mentor intelectual e amigo, em Atenas. A influência de Sócrates sobre Platão é tão
grande que a maioria dos textos deixados por Platão é feita de diálogos em que Sócrates é o
personagem principal. (Reale, 1990).
Já em 388 a.C., onze anos após a morte de Sócrates, Platão fundou a sua escola filosófica: a
Academia. Por ser ateniense, o filósofo tinha direitos civis garantidos e podia adquirir terrenos
na cidade. Ele escolheu um terreno no interior do parque Academia, dedicado ao herói grego
Akademus. Um lugar onde os jovens reuniam-se para discutir política e praticar exercícios
físicos, a Academia era uma espécie de retiro tranquilo e politicamente efervescente dentro da
cidade, tendo uma vasta área verde e dois templos.
A maior parte dos escritos de Platão é composta pelos diálogos socráticos, em que o seu
mestre, Sócrates, é a figura central. Em geral, os diálogos falam sobre um determinado tema,
mas sem grandes delimitações ou especificações, podendo falar sobre outros assuntos.
Temos conhecimento, hoje, de 35 diálogos deixados por Platão. Abaixo, estão listados os
principais textos e suas características gerais:
1. Apologia de Sócrates: escrito após a morte de Sócrates, o texto narra os últimos momentos
do mestre de Platão, quando foi acusado de corrupção da juventude de Atenas, julgado e
condenado à morte.
2. Láques, ou Da coragem: o livro traz uma nova concepção de coragem ao cidadão grego,
antes habituado à concepção heróica relacionada a Aquiles e Ulisses, por exemplo. Agora, a
concepção de heroísmo ganha uma conotação de acção moralmente equilibrada e justa.
3. Hípias menor: diálogo em que são tratadas as noções de verdade, mentira e justiça.
4. Hípias maior: nesse texto, Platão expõe as suas concepções sobre o belo e as artes.
5. Górgias: livro que fala sobre a Retórica, tomando como interlocutores principais Sócrates e
o sofista Górgias.
6. Fédon: diálogo em que Platão expõe a sua concepção de alma, de reencarnação e assuntos
em relação à constituição metafísica do homem.
7. O Banquete: nesse livro, Platão utiliza a figura de Sócrates para falar sobre o bem e o amor
ideal.
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3.2. Vida e Obra de Aristóteles
Conforme Reale (1990), Aristóteles nasceu na cidade de Estagira, na Macedónia, em 384
a.C. Foi um dos três grandes filósofos da Grécia Antiga, tendo convivido e estudado
com Platão. Sabe-se que, em sua juventude, teve uma sólida formação em ciências, o
que influenciou bastante a sua produção filosófica. Ainda jovem, o filósofo foi para Atenas,
onde conheceu o seu mestre Platão e foi estudar na Academia — centro de estudos e
discussões sobre Filosofia e Política fundado pelo professor de Aristóteles nos arredores de
Atenas.
Após anos de estudos na Academia, Aristóteles passou a leccionar na instituição,
aprofundando-se em seus estudos sobre temas da Filosofia Platónica (de forte inspiração
socrática) — que iam de conhecimentos de Ética e Política até questões como o conhecimento
da verdade e a formação das ideias. Na medida em que estudava tais temas, Aristóteles
formulava as suas próprias teorias, o que o levou a um afastamento intelectual das ideias
platónicas e marcou uma cisão muito grande dele com o seu mestre, representada na
valorização do conhecimento empírico.
Contam as suas biografias que, na ocasião da morte de Platão, Aristóteles (que já leccionava
há muito tempo na Academia) esperava um cargo de gestão na instituição de ensino. Ao não
receber esse cargo, o pensador desligou-se da Academia e partiu de Atenas para a cidade de
Artaneus, na Ásia Menor, tornando-se consultor e conselheiro político entre os anos de 347 e
343 a.C.
Nesse último ano, ele resolveu retornar à Macedônia e, na ocasião, tornar-se preceptor
de Alexandre, herdeiro do império macedónico. Em 335 a.C., na ocasião da posse de
Alexandre como imperador devido à morte de seu pai, Aristóteles seguiu de volta para Atenas
e fundou, em um local próximo à cidade, o seu Liceu — um centro de estudos de filosofia e
desportos para os jovens atenienses. (Reale, 1990).
Das 22 obras deixadas por Aristóteles, especula-se que algumas podem ter sido, na verdade,
compilações e anotações de seus alunos do Liceu tiradas durante as aulas do mestre. Os
historiadores não sabem, ao certo, a autoria correcta dessas obras, com excepção das
principais.
Não obstante, os principais escritos de Aristóteles:
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Metafísica: conjunto de dez livros, escritos como “Estudos de Filosofia Primeira” e reunidos
e renomeados mais tarde por Andrógino de Rodes como “Metafísica”. Tratavam de um
conhecimento geral sobre o ser e como o conhecemos, ou seja, uma espécie de ciência geral
que tinha como objecto o próprio ser e não recortes dele (como a Matemática é um recorte do
ser que estuda apenas as relações numéricas uma parte de todo o ser).
Categorias: pequeno livro sobre Lógica que apresenta a necessidade da classificação e
separação de conceitos diferentes para o tratamento de assuntos diferentes, a fim de que
equívocos sejam evitados. Seria uma espécie de distinção das diversas categorias do
pensamento.
Physica: tratado de oito livros com observações de Aristóteles sobre a Ciência da Natureza.
Da alma, ou Sobre a alma: escritos sobre a noção dos antigos de alma, que equivale, para
nós, à noção de mente. O filósofo trata de assuntos relacionados a como o ser humano
constitui-se com base em sua personalidade e a como essa alma actua na distinção entre nós e
os outros animais.
Ética a Nicômaco: livro que fala sobre Ética expondo as noções de virtude, racionalidade
prática (uma racionalidade voltada para o quotidiano e o convívio político) e eudaimonia
(uma noção dos gregos antigos de que haveria um guia a consciência para as nossas acções).
Política: livro em que o pensador defendeu as suas teses sobre a organização política das
cidades, baseada na acção ética individual e no exercício da democracia, além de um conjunto
de factores que levariam os cidadãos à vida perfeita.
4. O pensamento filosófico de Platão e Aristóteles: continuidade e descontinuidades
Em sua História da filosofia, o filósofo alemão do século XIX, Hegel, fala em “filosofia
oriental” e “filosofia grega”. A primeira é descrita por ele como religião, diferentemente da
filosofia grega, descrita como ruptura em face da religião.
No caso dos orientais - mais precisamente, para Hegel, chineses e hindus o "elemento
filosófico" da religião encontra-se na admissão de que não existe a individualidade ou a
singularidade (o individual é uma aparência evanescente, uma ilusão efémera) porque só
existe a substância universal ou total, sempre idêntica a si mesma e na qual o indivíduo se
dissolve, cessa de existir e desaparece na inconsciência. Só existe o ser infinito; o finito é
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insubstancial e apenas existe na sua unidade indissolúvel com o infinito que, por sua
infinitude mesma, é um ser sempre indeterminado que não pode ser pensado e do qual nada se
pode dizer. Inefável, inominável, indizível, impensável. Oceano no qual os indivíduos são
como a superfície efémera da espuma das ondas. (Neves, 2000).
Contrastando com a filosofia-religião oriental, diz Hegel, surge na Grécia a filosofia
propriamente dita, isto é, aquilo que era uma substância indefinida e indeterminada torna-se
definida, determinada, qualificada, rica em individualidades reais, e não aparentes e efémeras.
O ser pode ser visto, nomeado e pensado porque possui forma e qualidades, possui diferenças
internas e nele os indivíduos existem (coisas, animais, vegetais, homens) sem perder sua
realidade individual. (Abbagnano, 2007).
O princípio primordial guarda sua própria realidade, produz outras realidades (os indivíduos
do mundo) e separa-se delas para que sejam sempre indivíduos dotados de qualidades
próprias, formas próprias e realidade própria. Essa capacidade para dar origem aos diferentes,
aos elementos diferenciados (quente, seco, frio, húmido, fogo, terra, ar, água, astros, plantas,
animais, homens etc.) e às relações entre eles seria a marca própria do nascimento da filosofia
grega.
Ao descrever as condições históricas objectivas que determinaram (isto é, tornaram possível)
o nascimento da filosofia grega, Hegel aponta: o desaparecimento da sociedade patriarcal, o
surgimento das cidades livres e organizadas por leis, nas quais passaram a ter proeminência
"homens de talento, poder e imaginação e conhecimento científico", muitos deles
reverenciados pelos demais e sete deles tornaram-se conhecidos como os Sete Sábios, entre os
quais Sólon e Tales de Mileto.
O primeiro, ilustre na política; o segundo, fundador da filosofia. A descrição hegeliana,
independentemente de ser ou não acurada historicamente, possui um traço importante e que já
mencionamos nos tópicos anteriores: não podemos separar o início da filosofia e o da política,
pois são duas invenções eminentemente gregas. A descrição hegeliana é interessante também
porque nela o primeiro filósofo grego já não aparece na condição que teria um "filósofo
oriental", isto é, não é um sacerdote, um mago, uma figura da religião, mas é um homem
político e um pensador. (Abbagnano, 2007).
É verdade, diz Burnet, que isso foi facilitado porque os dois maiores antepassados do
pensamento grego - Homero e Hesíodo - já haviam liberado, em muito, o mito das
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superstições mais primitivas e selvagens. A tarefa também fora facilitada pelas viagens
comerciais: os viajantes percorriam os locais cantados pelos mitos e ali não descobriam seres
maravilhosos ou monstruosos, nem deuses e heróis, mas outros seres humanos, prosaicamente
vivendo uma vida humana. (Abbagnano, 2007).
As viagens desencantaram um mundo que o mito encantara. Enfim, a tarefa fora facilitada
pela prosperidade material, que não só libertava os homens dos medos que a miséria produz e
seu cortejo de superstições, como ainda liberava muitos deles para a vida contemplativa, sem
a qual a filosofia não seria possível.
Todavia, nenhuma dessas condições teria feito surgir a filosofia se uma mudança mental e de
atitude não tivesse tido lugar, isto é, se os primeiros filósofos não houvessem feito a
descoberta, sozinhos e por si mesmos, do que chamamos de pensamento ou razão. E o fizeram
graças a duas qualidades próprias da inteligência grega: o espírito de observação e o poder do
raciocínio. Com eles, uma descontinuidade radical se impõe na história das civilizações. O
nascimento da filosofia é o nascimento da ciência ocidental, da lógica e da razão.
Segundo Burnet (1994), além de negar o orientalismo e a continuidade entre mito e filosofia,
defendeu a ideia de que os primeiros filósofos gregos criaram as bases da ciência
experimental moderna.
Contra a continuidade da filosofia a partir do mito, Bumet (1994), afirma que há, pelo menos,
duas características definidoras do mito que são contrárias às da filosofia nascente:
1) o mito pergunta e narra sobre o que era antes que tudo existisse, enquanto o filósofo
pergunta e explica como as coisas existem e são agora;
2) o mito não se preocupa com as contradições e irracionalidades de sua narrativa; aliás, usa
as contradições e irracionalidades para justificar o carácter misterioso dos deuses e suas
acções; a filosofia afasta os mistérios porque afirma que tudo pode ser compreendido pela
razão e esta suprime e explica as contradições.
Finalmente, afirmando que os primeiros filósofos lançaram as bases da ciência experimental
do Ocidente, Bumet enumera as descobertas positivas que alguns dos primeiros filósofos
fizeram: Anaximandro de Mileto teria feito descobertas de biologia marinha confirmadas no
século XIX; Empédocles de Agrigento teria descoberto a clepsidra, antecipando-se a Harvey e
Torricelli. Sem dúvida, os filósofos gregos possuíram uma grande limitação científica:
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admitiam o geocentrismo (a Terra, imóvel, no centro do universo, os demais astros girando à
sua volta), mas, escreve Bumet:
Justamente, os gregos foram os primeiros a encarar o geocentrismo como hipótese geocêntrica
e por isso nos permitiram ultrapassá-la. Os pioneiros do pensamento grego não tinham,
evidentemente, uma ideia clara do que era uma hipótese científica [ . . . ], mas a eles devemos a
concepção de uma ciência exacta que iria tornar o mundo todo um objecto de investigação
(Burnet, 1 952, p. 32).
Na verdade, aquilo que Burnet chama de "tísica", diz Cornford, é uma cosmologia
(kosmología) e o historiador deve ficar atento ao parentesco e à diferença entre cosmologia e
cosmogonia. A pergunta feita pelas cosmogonias é sempre a mesma: como do caos surgiu o
mundo ordenado (cosmos)? As cosmogonias respondem a essa pergunta fazendo uma
genealogia dos seres, isto é, por meio da personificação dos elementos (água, ar, terra, fogo) e
de relações sexuais entre eles explicam a origem de todas as coisas e a ordem do mundo. Que
fazem os primeiros filósofos? Não fazem cosmogonias e sim cosmologias. Que significa essa
mudança? Significa que os primeiros filósofos despersonalizam os elementos, não os tratam
como deuses individualizados, mas como potências ou forças impessoais, naturais, activas,
animadas, imperecíveis, embora ainda divinas, que se combinam, se separam, se unem, se
dividem, segundo princípios que lhes são próprios, dando origem às coisas e ao mundo
ordenado.
Na mesma linha de continuidade vai o alemão Werner Jaeger, que em sua obra Paideia: a
formação do homem grego considera que a filosofia nasce passando pelo interior da epopeia
homérica e dos poemas de Hesíodo, de tal modo que "o começo da filosofia científica não
coincide com o princípio do pensamento racional nem com o fim do pensamento mítico". De
fato, diz Jaeger, nas duas grandes epopeias de Homero (a flíada e a Odisseia), o fantástico
raramente é o monstruoso; nelas, os acontecimentos nunca são apresentados numa simples
sequência narrativa, mas o poeta sempre se preocupa em apresentar as causas e os motivos
das acções e dos feitos; e nelas há um esforço para apresentar a realidade no seu todo (deuses
e homens, terra, céu e mar, guerra e paz, bem e mal, justiça e injustiça).
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5. Conclusão
Os estudos comprovam que a filosofia vem de origem grega, e a partir de seu surgimento fez
com que a verdade do mundo e dos humanos não seria mas um mistério, que através da razão
poderia ser conhecida. Com seu surgimento, os estudos sobre tal assunto foi crescendo, ao
longo dos anos a filosofia veio mostrando sua grande importância, e em todos os meios estão
presentes, com isso vieram os famosos filósofos que por sua vez começaram a se perguntar
sobre tudo que está ao seu redor. A filosofia surge quando se descobriu que a verdade do
mundo e dos humanos não era algo tão secreto e misterioso que precisasse ser revelado por
divindades a alguns escolhidos, mas que, ao contrário, podia ser conhecida por todos através
da razão, que é a mesma em todos.
Com isso, os pensamentos de Platão e Aristóteles são parecidos no que diz respeito à
existência do ser humano contemplando o mundo e ao significado de sua existência. Ambos
se dedicaram a reflectir e tentar compreender o que é ter consciência de uma existência e
como ela se relacionaria com a consciência dos outros.
Todavia, mesmo que Aristóteles discordasse das ideias de Platão em vários pontos centrais, é
inegável que boa parte de sua obra apresenta uma evolução dos pensamentos formulados por
seu mestre. Ainda assim, é interessante observar que Platão voltava seu raciocínio mais para
preocupações com a "alma". Já Aristóteles se concentrou na linha política, tentando inserir
suas ideias em um contexto social. Em termos filosóficos, para Platão, ser era ser.
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9. Referências Bibliográficas
Abbagnano, N. (2007). Dicionário de Filosofia. 5ª ed. São Paulo: M. Fontes.
Aranha, M. L. A.; & Martins, M. H. P. (2003). Filosofando: Introdução á Filosofia. 3ª ed.
São Paulo, Moderna.
Chambisse, E. et al. (2003). A Emergência do Filosofar. Filosofia 11ª/12ª Classe. 1ª Edição;
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Chui, M. (2000). Convite à Filosofia. 10ª edição, Ática editora.
Geque, E. & Biriate, M. (2011). Filosofia 11ª classe - pré universitário. Longman
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Oliveira, R. M de. (2018). Filosofia Na Escola: A Necessidade De Um Pensar Crítico E
Reflexivo Em Torno Do Ensino-Aprendizagem Em Sala De Aula. Revista Científica
Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento.
Reale, G, A. D. (1990). História da Filosofia: antiguidade e idade média, 2ª edição, edições
paulistas, S. Paulo.
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