HOMEOSTASE
Postado por Alana Caiusca em 19/06/2019 e atualizado pela última
vez em 22/07/2020
Condição de equilíbrio interno do corpo
A homeostase, de modo geral, é caracterizada como uma condição
de equilíbrio do ambiente interno corporal, independentemente das
alterações do ambiente externo. Isso garante, por exemplo, a
regulação da temperatura corporal mesmo em ambientes frios.
A palavra homeostase deriva do grego homeo (similar ou igual)
e stasis (estático). Esse fenômeno foi descrito pelo médico
francês Claude Bernard:
Todos os mecanismos vitais, apesar de sua diversidade, têm
apenas uma finalidade, a de manter constantes as condições de
vida no ambiente interno.
Posteriormente, os estudos foram aperfeiçoados pelo fisiologista
norte-americano Walter Cannon. Ao analisar os sistemas digestório
e nervoso, notou que os organismos possuem uma tendência em
manter o meio interno em condições ideais, apesar das mudanças
que ocorram no meio externo.
Cannor então nomeou essa condição de homeostase, que seria então
o equilíbrio interno. Como os seres vivos estão em constante
evolução, sabe-se que eventualmente podem surgir desequilíbrios, os
quais podem ser regulados através dos mecanismos de homeostase.
Homeostase da glicose. (Foto: Wikipédia)
Tipos de homeostase
De forma ampla, a homeostase qualifica os conjunto de ações
reflexas que os seres vivos, em especial animais, adotam com o
objetivo de manter o equilíbrio necessário para a vida, reconhecendo
as variabilidades.
Estudos recentes subdividem a homeostase em três:
1) Ecológica: refere-se ao equilíbrio em nível planetário.
2) Biológica: corresponde a manutenção do ambiente interno, ou
seja, seus fluidos corporais
3) Humana: além dos fluidos inclui fatores como temperatura,
salinidade, pH e concentrações de nutrientes.
Em condições normais, os seres humanos possuem temperatura
ideal, pH do sangue ótimo, pressão arterial estável e níveis ideais de
glicose no sangue. Tudo isso sustentado graças aos processos
fisiológicos que acontecem de forma organizada. Veja abaixo alguns
processos homeostáticos:
Regulação térmica - a chamada endotermia é uma característica
que alguns animais possuem para manter a temperatura corporal
constante apenas com o auxílio do seu metabolismo, mesmo com as
variações de temperatura do meio externo.
Um bom exemplo de regulação térmica é quando uma pessoa está
em uma sala muito fria e com roupas sem mangas. Nessa situação, a
área do cérebro responsável pela temperatura necessita desenvolver
respostas para que o corpo se aqueça.
Em resposta, o fluxo de sangue na pele diminui e o indivíduo pode
começar a tremer para que seus músculos gerem mais calor.
Também é possível que ele sinta arrepios, isso faz com que aumente
a liberação de hormônios que ajudam a produzir calor.
Regulação química - o pâncreas é o órgão responsável pela
produção de insulina e glucagon, que são os hormônios responsáveis
pela regulação da glicose (açúcar) no sangue. Quando há um
aumento dos níveis de de glicose no sangue, a insulina realiza uma
ação hipoglicemiante.
Por outro lado, quando ocorre queda nos níveis da glicose, o glucagon
atua com sua ação hiperglicemiante. A atuação desses hormônios
ajudam a manter a concentração da glicose dentro dos limites, ou
seja, a homeostase da glicose.
Regulação hídrica - os rins são responsáveis por excretar a ureia e
regular as concentrações de água e vários tipos iônicos, além disso
respondem ao ADH (hormônio antidiurético), o qual é produzido pelo
hipotálamo.
O ADH evita a perda de água e desidratação do organismo. Em
situações de aumento da osmolaridade plasmática (maior
concentração de sais), o organismo produz o hormônio para impedir a
perda de água.
Nessa situação, após o indivíduo ingerir água, os osmorreceptores
sensíveis à osmolaridade plasmática percebem a modificação e
informam ao hipotálamo para que este reduza o ADH e a diurese
retorne ao normal.
Mecanismos de regulação
Os processos da homeostáticos são controlados pelos mecanismos
de feedback negativo e feedback positivo, também chamados
de retroalimentação. Eles são considerados como uma mudança na
condição dos componentes, gerando uma reação que reduz ou
aumenta a resposta do sistema onde ele está inserido.
O principal mecanismo, o negativo, gera alterações no meio interno
que desencadeiam alterações no sentido contrário. Por exemplo, se a
pressão arterial está alta diversas reações acontecem para que baixe,
e quando ela fica abaixo do normal se iniciam processos a fim de
estabilizá-la.
Já o feedback positivo amplifica o estímulo e faz com que os valores
fiquem diferentes do padrão, o que as vezes pode ser perigoso. Nesse
tipo de feedback o corpo tenta gerar respostas que reduzam o
desequilíbrio.
Um dos exemplos nocivos de feedback positivo é quando um
indivíduo perde muito sangue, o que faz o coração parar de bombeá-
lo adequadamente e provocar a queda de pressão arterial e redução
do fluxo sanguíneo para o seu músculo.