Direito Constitucional
A 1º Constituição conhecida em Portugal foi a constituição de 1822, que teve como
grande influência a Revolução francesa de 1789.
A mais importante é a constituição de 1976, que se encontra em vigor atualmente.
Esta constituição não é uma constituição fechada, uma vez que foi sendo alterada ao
longo dos anos. A estas alterações dá-se o nome de revisões constitucionais, e são
revisões processadas pelo poder constituinte derivado (poder de alterar uma constituição
≠ poder constituinte originário).
O objeto de estudo do Direito Constitucional é a Constituição, que se apoia em 3
pilares:
• Caracterização da disciplina jurídica, que é o direito constitucional;
• Constituição (conjunto de normas jurídicas que constituem a lei fundamental);
• Constitucionalismo (movimentos sociais, políticos e jurídicos que deram origem ao
chamado constitucionalismo moderno).
NOTA 1: o estado não é apenas uma organização. O estado somos todos nós, é uma
comunidade de homens; o interesse público primário é encontrado na constituição; a
constituição é o projeto político da comunidade, dotado de força normativa.
- O direito constitucional influencia e subordina tanto o ramo do direito privado como o
do direito público.
O Direito Constitucional apoia-se em 3 âmbitos: o âmbito material, territorial e
subjetivo.
Âmbito material: Ramo do Direito sustentado num princípio da supremacia das
respetivas normas jurídicas
Âmbito territorial: Ramo do Direito aplicável ao território do Estado, mas com
alcance transnacional em certos casos
Âmbito subjetivo: Ramo do Direito que regula as relações que envolvam órgãos de
soberania ou políticos e entes públicos e cidadãos em matéria de direitos fundamentais
Desta forma, entende-se que o direito constitucional é um ramo do Direito Público
Interno. Este, tem como base a constituição e esta pode dividir-se em constituição
formal e constituição material.
NOTA 2: Lei Fundamental é sinónimo de constituição
Os direitos fundamentais não são sinónimo a 100% de Direitos Humanos
- os direitos fundamentais são sempre protegidos pelos nossos estados, na constituição
portuguesa tem direitos fundamentais que compete ao estado Portugal assegurar os
direitos dos portugueses e daqueles que lá vivem – cidadãos do estado com a sua
nacionalidade, no entanto, há quem não tenha.
Além disso os catálogos são mais ricos que os direitos humanos, têm mais coisas, há um
consenso. Por exemplo: o direito à saúde, o direito à habitação – não estão consagrados
nos direitos humanos pois são direitos nacionais, uma vez que compete ao estado de
cada país e são direitos fundamentais
- Os direitos humanos ligam-se a convenções internacionais, nesse caso, todos os
estados têm o dever de proteger os direitos humanos de todas as pessoas, ou seja, toda a
gente tem direitos humanos, há um consenso reduzido, o catálogo é diferente, são
direitos internacionais
Por exemplo: prevê o direito de refúgio, mas nem todos os estados têm isso logo não é
um direito fundamental
Pode haver direitos fundamentais e humanos iguais, por exemplo: se achar que o direito
à vida esta a ser violado e for a um tribunal português invoca-se os direitos
fundamentais, se for a um tribunal europeu invoca-se os direitos humanos.
- As constituições nascem como um documento político, ligada à organização política
não de direitos, por exemplo: havia parlamento, deputados
- Dentro do ordenamento jurídico interno a constituição é a norma mais elevada, tudo o
que vem abaixo tem de respeitar a constituição
- Pode haver leis incompatíveis entre si, mas leis incompatíveis à constituição não é
possível
Órgãos de soberania: Presidente da República, Assembleia da República, Tribunais e
Governo.
A constituição formal é a que está escrita, em papel. A constituição material é a que não
está escrita, uma vez que o Direito também aparece sem ser designado, por exemplo: o
princípio da dignidade da pessoa humana, norma de valor elevado, formou-se pelo
nosso uso enquanto comunidade e costumes.
Outro exemplo: o direito à vida está previsto na constituição por isso tem dimensão
formal, mas diz-nos pouco, pois envolve mais, mas que não está escrito e por isso é
constituição material