UNIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZÔNAS
PESQUISA SOBRE RUGOSIDADE
MANAUS
AMAZÔNAS
METROLOGIA INDUSTRIAL MECÂNICA
Antônio Luiz Praxedes
Irla de M. Castro Souza
Karolen Susan Pereira
Liene C. Batista
Lincon Gianesini
Rodolfo dos Santos Pimentel
Thaíse Cascais de Novaes
PESQUISA SOBRE RUGOSIDADE
MANAUS
AMAZÔNAS
RUGOSIDADE DAS SUPERFÍCIES
Todos os componentes mecânicos fabricados devem ter suas características
ajustadas para sua função, dentro destes características inclui-se a rugosidade
superficial, devido a isto, a importância de ser avaliada e estudada esta propriedade
aumenta de acordo com as exigências do projeto. Como exemplos que podemos citar
para essas aplicações componentes deslizantes eixo-mancal, componentes de
interferência eixo/alojamento-rolamento dentre outros que precisem de uma
superfície que trabalhe com acoplamento.
Tal característica é definida pelos processos de fabricação do componente,
também podemos dizer que quanto menor o grau de rugosidade de uma superfície,
maior controle e mais complexos serão seus processos de fabricação. Devido a isto é
de muita importância o estudo para determinação da rugosidade máxima admissível
para um projeto. A rugosidade interfere diretamente na qualidade do deslizamento de
um conjunto, na resistência ao desgaste, resistência a corrosão e fadiga e vedações.
Todas as superfícies, por mais trabalhadas que sejam, apresentam
irregularidades, porém caso tal erro seja grosseiro, como ovalização, planicidade,
circularidade, enfim, todos os erros de forma, são classificados como erros
macrogeométricos. Para erros muito mais sutis e que não são detectados com os
aparelhos de medição convencionais, como paquímetros, micrômetros, relógios
comparadores e projetores de perfil, damos a classificação de erros microgeométricos,
que nada mais é que a rugosidade superficial do componente.
Podemos dizer então que a rugosidade é o conjunto das micro-saliências e
micro-reentrâncias da superfície do componente, ou seja, suas irregularidades, que
podem ser medidas e avaliadas apenas através do aparelho conhecido como
rugosímetro.
Denomina-se dentro da superfície ampliada, os pontos para cima, de picos, os
pontos para baixo, de vales, e a linha média de um perfil é a linha paralela à direção
geral do perfil, no comprimento da amostragem, de tal modo que a soma das áreas
dos picos, compreendidas entre ela e o perfil efetivo, seja igual à soma das áreas dos
vales, no comprimento da amostragem, conforme ilustrado abaixo.
Quantificar, ou medir, as irregularidades das superfícies significa avalia-la
quanto a alturas dos picos, profundidades dos vales e intervalo dessas irregularidades,
para posteriormente analisar esses resultados comparando-os a métodos pré-
definidos e determinar os valores para padrões industriais de fabricação. A forma e o
tamanho das irregularidades superficiais e o acabamento do produto final,
determinam se a rugosidade será utilizada a favor ou contra.
Os métodos para medição da rugosidade inclui a medição linear, a qual mede
uma única linha na superfície amostral, e a medição aérea da superfície, a qual mede
toda uma área, esta pode ser por laser ou som. Atualmente as normas estão todas
baseadas na medição linear, porém a ideia de analisar a rugosidade de toda uma área
da superfície amostral vem se tornando muito atrativa nos dias atuais.
As medições realizadas pelo rugosímetro pode ser analisada de diversas
formas, para tal adota-se a parametrização através das medidas Ra, Ry, Rt e Rz
O parâmetro Ra é a média aritmética dos valores absolutos das alturas dos
picos e profundidade dos vales em relação a linha média, como é ilustrado abaixo:
O valor de Ra é utilizado principalmente para acabamentos estéticos onde os
sulcos do processo de fabricação são bem definidos e orientados, como por exemplo o
torneamento e fresagem. Também é o parâmetro mais utilizados nas linhas de
produção devido ao seu controle contínuo. A principal desvantagem deste parâmetro é
sua indistinção entre vales e picos, ou seja, caso ocorra um defeito de fabricação onde um pico
ou vale não típico for feito na peça, este não será detectado pois o valor não sofrerá grande
alteração. No processo de sinterização, onde há uma ocorrência muito elevada de picos e
vales, este parâmetro não é indicado, pois não refletirá uma situação aceitável da superfície.
Segundo a NBR8404/1984, a rugosidade Ra tem seus valores de acabamento conforme
a tabela abaixo, a qual os relaciona também com a especificação de projeto.
O parâmetro de rugosidade Ry, rugosidade máxima, é definido pela maior amplitude
de uma zona de análise, conforme ilustrado abaixo. Tal parâmetro é recomendado
para avaliação de superfícies de vedação, tampões em geral, parafusos altamente
carregados e assentos de anéis de vedação.
Este parâmetro informa sobre a máxima deterioração da superfície vertical da
peça, e complementa o resultado obtido com o Ra, pois identifica os valores dos picos
extremos dentro da amostra, ou seja, comprova a acuracidade de Ra.
O parâmetro Rt, rugosidade total, é a amplitude entre o pico mais alto da
amostra e o vales mais profundo, como mostrado a seguir. Tem a mesma aplicação do
Ry, porém por verificar todo o comprimento amostral, seu valor é mais confiável.
A rugosidade média Rz é a rugosidade média de cinco valores de rugosidades
parciais, conforme ilustrado abaixo.
A principal vantagem deste parâmetro é que pontos isolados não influenciam
na função da peça a ser controlada. Por exemplo: superfícies de apoio e de
deslizamento, ajustes prensados etc. Informa a distribuição média da superfície
vertical e riscos isolados serão considerados apenas parcialmente, de acordo com o
número de pontos isolados. Em algumas aplicações, não é aconselhável a consideração
parcial dos pontos isolados, pois um ponto isolado acentuado será considerado
somente em 20%.
Nos desenhos técnicos, a rugosidade é definida conforme a necessidade ou não
de retirada de material, de acordo com o quadro abaixo.