O blog esquecido.
Visão Izumi
- Ei! Acho que a senhora está um pouco errada.
Eu digo isso no impulso, para que isso, droga! Eu fugi rápido para o
bebedouro quando percebi, que poderia ser um problema, mesmo assim
estava ouvindo e meio no impulso, meio por autismo, eu resolvo dar minha
opinião.
Simplesmente não conseguia ficar apenas olhando, droga! Isso não faz
sentido, mas ver aquilo parecia doer em mim, muito estranho, sem sentido,
como eu imaginava, humanos realmente vem com defeito de fabrica, no
minimo eu vim, certeza.
Olho para Yuna, ela parece estar sem reação. meio que deu tela azul,
não tenho certeza, mas parece que ela não lida bem, quando o assunto é sua
mãe.
- Quem é você?
- Sou colega de classe da Yuna, desculpa ser mal educado, é só que
quando eu estava passando, ouvi o que você disse, mas na verdade eu acho
que escrever agora pode ser muito útil.
Não sei o que está acontecendo, mas não acho que a Yuna vai
conseguir lidar com isso direito, por isso eu decido convencer a mãe dela eu
mesmo, genial, né? Qual a chance de EU conseguir fazer isso? Bem, pelo
menos como é um adulto eu consigo lidar um pouco melhor, por algum
motivo, sempre achei mais fácil falar com pessoas mais velhas.
- Por que você acha isso?
Ufa! Ela me dá a chance de falar, nesse caso eu tenho chance, ela não
parece ser alguém cabeça dura, contanto que eu tenha bons argumentos.
- Primeiro, isso é bom para melhorar a desenvoltura, se expressa por
texto pode ser difícil, nesse caso treinar é muito importante, isso também é
uma boa forma de treinar ortografia e gramática, além do mais pode até
mesmo render dinheiro.
- Render dinheiro?
- Sim, olhe por exemplo meu blog.
Mostro alguns números falsos, mas não exagerados.
- Além do mais é uma boa forma de conhecer pessoa e…
Começo a ficar nervoso e me embolar, foi uma montanha de mentiras
muito grande, mesmo assim acho que pode dar certo, a única coisa na qual
me dou bem e conversar com pais dos meus “amigos”.
- Entendo, tudo bem acho que não tem problema, mesmo assim não
deixe que isso afete seus estudos, eu não sabia disso tudo. - Ela diz com um
sorriso.
- Isso é natural afinal o dever de um pai é se preocupar com os filho. -
Repondo sorrindo.
visão Yuna
Izumi fica um longo tempo conversando com minha mãe, mas depois
de falarem sobre a escrita, o resto da troca foi bem inútil, por isso não me
lembro direito.
Além do mais não conseguia achar uma chance para falar, apenas
sinto um certo alívio, devo agradecer ao Izumi por ter me salvado, mesmo
assim isso foi bem repentino, nunca esperaria esse tipo de impulsividade
dele.
- Eu tenho que ir, senão vou chegar atrasada.
Minha mãe diz.
- A onde vai? Essa escola é quase um labirinto, que que eu te ajude a
chegar na sala?
Só por que o Izumi se ofereceu para ajudar? Ele nem conhece a escola
direito, enfim, de qualquer jeito minha mãe recusou, ela vem sempre aqui, por
isso não precisava, nos finalmente ficamos a sós.
- Por que se ofereceu para ser guia?
Tinha muitas coisas que queria falar, mas a curiosidade era tanta, que
eu tive de perguntar agora, se não ficaria com essa duvida pelo resto da vida
e ele provavelmente esqueceria o motivo.
- Para manter a mentira.
- Manter a mentira?
- Meio sem querer, quando sua mãe perguntou quem eu sou, eu
respondi que um colega da sua classe, por isso achei que seria coerente agir
dessa forma.
- Só por isso, para começo de conversa ela nem repararia.
- Mesmo assim é melhor assim, também é bom para causar uma boa
primeira impressão, as pessoas gostam de pessoas coerentes, fáceis de
entender e pouco conflitivas.
Ele aleatoriamente joga na roda, quão calculada foi sua troca anterior
com minha mãe.
- Bem, eu meio que só faço tudo isso instintivamente.
Acho que posso entender, essa deve ser sua forma de se encaixar,
sem atrair atenção de mais, sem causar problemas, sem ter problemas, uma
forma fácil, prática e funcional de interagir socialmente.
- Acho que entendo, de qualquer forma obrigado.
- Não se preocupe com isso, somos amigos, então…
Ele parece bem desconfortável dizendo isso, apesar de esconder, eu
diria que o verdadeiro significado dessa frase seria, “nós somos amigos? Diz
que sim, por favor diz que sim”.
- Verdade, mesmo assim obrigado.
Ele fecha os olhos e fica meio vermelho, imagino que esteja
envergonhado, Izumi normalmente é bom em esconder suas emoções,
menos quando isso diz respeito a coisas que ele gosta, ou demonstrações de
afeto em sua direção.
Bem, acho até um pouco fofo, dá até alguma vontade de provocar
mais, mesmo assim seria melhor tomarmos nosso caminho, apenas sugiro
ser sua guia, ou seja, usar a desculpa de estar perdido para podermos andar
junto e conversar mais um pouco, dado que eu deveria estar, tipo, fazendo
trabalho de monitora e tals…
- Ah...êh, sabe, sobre a conversa de antes, então… Eu queria perguntar,
sobre você escrever… Claro, não precisa responder se não quiser, é só que
fiquei um pouco curioso e…
Ele se embola todo, sabe, eu normalmente não falo sobre isso com
ninguém, o normal da minha parte seria fugir do assunto, ou usar alguma
outra desculpa.
- Fique avontade para perguntar, eu também estou curiosa sobre
algumas coisas que você disse para minha mãe.
- Desculpa eram mentiras, eu não exatamente escrevo muito, mas no
meu tempo de blog, nunca ganhei mais que 5 dólares, minha ortografia não
passou perto de melhorar, além do mais sobre comunicação, bem.. Deixo a
seu julgamento.
Já imaginava, mas…
- Izumi teve um blog, nunca tinha ouvido sobre isso?
- Porque eu não falei sobre isso, horas.
- De qualquer jeito não acho que 5 dólares convenceram minha mãe de
que escrever pode dar dinheiro.
- ah! Sobre isso é apenas clicar em inspecionar com o google, aí você
abre o código do site, então é só ir no html, então muda o número, é bem fácil
e ela nem percebeu.
- Como consegue fazer isso tão rápido?
- Anos de prática, haha! - Ele ri ironicamente.
- Além do mais sobre o blog, se quiser pode procurar por ele, acho que
ainda está no ar, o nome é otakus entediados, ou algo do tipo, enfim não uso
mais essa porra.
- Entendo.
Pesquisei rapidamente, acabo encontrando, tem algumas listas
suspeitas aqui, considerando a leve ansiedade em seus rosto ele deve ter se
lembrado disso só agora, vou apenas fingir que não vi, tipo, preferia não o
deixar desconfortável desnecessariamente.
- Agora sobre você?
Acho que também deveria falar, não seria justo se eu só ouvisse, além
do mais acho que quero falar.
- Tudo bem, mas nesse caso quero que venha a um lugar comigo, por
isso vamos nos encontrar depois disso.
- Ok, vou meter uma de que meus pais vieram me buscar, aí já fico por
aqui.
- Ah! Espera, isso não vai acabar te atrapalhando, como você vai voltar
para casa depois.
- Não se preocupe, eu me viro.
Me sinto um pouco culpado por causar tantos problemas, mesmo assim
acho que preciso dizer naquele lugar.
...
Um silêncio absoluto, apenas o som do vento nas folhas das árvores
está, no momento estou andando com izumi.
Vamos até um lugar mais isolado da cidade, um lindo parque, próximo
da escola, um lugar particularmente especial para mim, mas na realidade era
apenas um campo aberto, com alguns postes de eletricidade e algumas
árvores.
Nem por isso era um lugar feio, pelo contrário era lindo, ou pelo menos
tinha um charme especial para mim. A luz do sol que aos poucos some no
horizonte, as lindas nuvens, a paisagem que vai aos poucos escurecendo.
No canto dessa linda paisagem, um pequeno extra, uma pequena
garota olhando para o nada, do seu rosto algumas lágrimas escorriam, em
sua frente um livro jogado, ela estava muito triste. por algum motivo começou
a ler o livro, então deu um sorriso deprimente. Um antiga memória.
- Você está bem?
Izumi pergunta meio desesperado, me pergunto por que? Lágrimas
rolaram incontrolavelmente, não em grande quantidade, mas suficiente para a
luz refletir e Izumi notar, sem motivo ou razão respondo a pergunta.
- Esse é um lugar muito marcante para mim, de certa forma quando
sento nesse morro, eu sinto que posso soltar todas as minhas angústias, no
começo fazia isso gritando com todas as minhas forças.
Paro de falar um pouco, deixo o vento bater no meu cabelo.
- Mas depois descobri uma nova forma, lendo, ou melhor escrevendo, é
só isso, uma pequena e ridícula fuga, meu mundo especial, minha nárnia,
para onde posso fugir de tudo.
- Desculpa eu não sei o que dizer.
Suspiro! Quanta honestidade, ele normalmente não é assim tão idiota,
parece que realmente o impacto de alguma forma.
- Por acaso posso ler?
Eu pensei em dizer não, mas no fim me ocorre, uma loucura, um lapso
de idiotice, um impulso? Não sei dizer ao certo, fato é, respondo:
- Sim, vou te mandar pelo drive, por favor me dê sua opinião, bem, na
verdade já publiquei na internet, tenho até alguns fãs.
Droga! Não deveria ter vindo para cá, esse maldito morro me deixa
emotiva, pois isso senti uma grande vontade de ter alguém para quem falar
sobre isso.
Pense um pouco, eu nunca mostrei isso para amigos, mesmo minha
mãe só sabe de uma pequena parte do que já escrevi, então por que eu
contaria para um amigo tão recente.
- Eu vou ler até amanhã!
- Tem certeza, além de chato é um longo texto.
- Não importa, em último caso eu vou colocar em algum leitor digital e
ouvir tudo, mas não importa como eu vou dar minha opinião.
Acho que ele levou isso mais a sério do que eu esperava, me sinto até
um pouco tímida diante de sua empolgação.
- Faça como preferir, mas não deixe isso ser um problema, por isso sei
lá, pode gastar algumas semanas para ler.
- Você acha que eu faço algo de util da vida, para não ter tempo para
dedicar para uma amiga.
Ele diz com orgulho, mas isso pega bem mal sabe, só faltou ele falar
algo tipo: estarei sempre aqui para te ajudar, até porque não tenho outros
amigos mesmo.
Acho que seria bom ensinar algumas coisas para ele, de qualquer
forma.
- Espero ansiosamente por isso, então.
- Pode deixar comigo, vou comentar em todos os capítulos!
- Para que isso?
- Sei lá, acho que minha forma de demonstrar interesse.
- Tá, né?