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Execução e Cumprimento de Sentença

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Processo de Execução e

Cumprimento de Sentença
Unidade I e II - Prof.ª Jamile Sabbad.
Agenda do Curso
1 2

Efetivação dos Direitos Processo de Execução


Princípios comuns à execução e ao cumprimento de sentença, Conceitos fundamentais, legitimidade, procedimento,
fraude contra credores e à execução, desconsideração da desistência, remissão, remição, suspensão e extinção da
personalidade jurídica. execução.

3 4

Espécies de Processo de Execução Cumprimento de Sentença


Execução quanto ao tipo de obrigação, penhora e avaliação, fase Títulos executivos judiciais, legitimidade e procedimento,
expropriatória. liquidação de sentença.
Agenda do Curso (continuação)
1 2

Espécies de Cumprimento de Sentença Cumprimento de Sentença Condenatória de Dívida


Efetivação de condenação em obrigação de fazer e não fazer,
de Valor
entrega de coisa, emissão de declaração de vontade. Prazo para cumprimento e multa, mandado de penhora e
avaliação, fase expropriatória.

3 4

Resistência do Devedor e de Terceiros Execuções Específicas


Impugnação, embargos à execução, embargos de terceiro. Execução da prestação de alimentos, execução contra a Fazenda
Pública, noções do executivo fiscal.
Unidade I - Efetivação dos
Direitos
Nesta unidade, estudaremos os princípios fundamentais que regem o processo de
execução e o cumprimento de sentença, bem como os mecanismos para combater
fraudes e a aplicação da desconsideração da personalidade jurídica no contexto
executivo.
Princípio Nulla executio sine titulo
O princípio Nulla executio sine titulo é uma expressão em latim que significa "não há
execução sem título". Este princípio fundamental do direito processual civil
brasileiro estabelece que a execução forçada somente pode ser promovida se
houver um título executivo válido.

Para que a execução seja possível, o título deve comprovar a existência de uma
obrigação certa, líquida e exigível.

No Brasil, este princípio está consagrado no artigo 783 do Código de Processo


Civil (CPC/2015), que determina que a execução só pode ser iniciada com base em
um título executivo judicial ou extrajudicial. Esse título constitui a prova da
obrigação do devedor, garantindo segurança jurídica ao processo de execução.

Conforme ensinamentos de Elpídio Donizetti, o título


executivo é condição essencial e imprescindível para
o início do procedimento executório.
Títulos Executivos Judiciais
O título executivo judicial tem sua origem em uma decisão proferida pelo
Poder Judiciário que reconhece um direito e determina uma obrigação a ser
cumprida por uma das partes envolvidas em um processo judicial.

Também pode decorrer de situações em que a lei atribui a um documento


força executiva judicial.

O artigo 515 do CPC enumera os títulos executivos judiciais, que são


documentos dotados de força executiva decorrentes de uma decisão judicial
ou equiparados a esta por disposição legal.

Leitura Recomendada
Estude detalhadamente o Art. 515 do CPC, que apresenta o rol de títulos executivos judiciais.
Principais Títulos Executivos Judiciais

Decisões Judiciais Instrumentos Formais Outros Títulos


Sentenças proferidas no processo Formal e certidão de partilha Sentença arbitral
civil que reconheçam a exigibilidade Certidão de teor da decisão Decisão homologatória de
de obrigação autocomposição extrajudicial
Sentença penal condenatória
Decisões homologatórias de transitada em julgado Sentença estrangeira homologada
autocomposição judicial pelo Superior Tribunal de Justiça
Decisões interlocutórias que
reconheçam a exigibilidade de
obrigação

O título executivo judicial forma-se através do processo de conhecimento, onde o juiz analisa os fatos e provas apresentados e declara a
existência de um direito, reconhecendo uma obrigação que deverá ser cumprida pela parte vencida.
Títulos Executivos Extrajudiciais
Um título executivo extrajudicial é um documento que, por disposição legal, é
dotado de força executiva. Esses títulos são reconhecidos pela lei como aptos a
serem executados diretamente, sem a necessidade de um processo de
conhecimento prévio.

O artigo 784 do CPC apresenta um rol exemplificativo dos títulos executivos


extrajudiciais, que podem ser utilizados para iniciar um processo de execução
autônomo.

A existência de um título executivo extrajudicial permite ao credor buscar a


satisfação de seu crédito diretamente pela via executiva, sem necessidade de um
prévio reconhecimento judicial do direito.

Estude detalhadamente o Art. 784 do CPC,


que apresenta o rol de títulos executivos
extrajudiciais.
Exemplos de Títulos Executivos
Extrajudiciais
Letras de Câmbio, Notas Promissórias e Duplicatas
Títulos de crédito que representam promessas de pagamento, amplamente
utilizados nas relações comerciais.

Escrituras Públicas ou Contratos Particulares Assinados


Documentos formais que registram obrigações assumidas voluntariamente
pelas partes, como contratos de compra e venda, locação ou prestação de
serviços.

Certidão de Dívida Ativa


Documento que comprova a existência de dívidas de natureza tributária ou
não tributária para com a Fazenda Pública.
Outros Títulos Executivos
Extrajudiciais
Créditos Decorrentes de Foro, Laudêmio e Aluguel
Valores devidos em razão de contratos enfitêuticos ou locatícios, que
podem ser cobrados diretamente por via executiva.

Seguro de Vida em Caso de Morte


O contrato de seguro de vida, quando ocorre o falecimento do segurado,
constitui título executivo para os beneficiários.

Penhor, Hipoteca e Anticrese


Contratos de garantia real que asseguram ao credor o direito de executar
diretamente o bem dado em garantia em caso de inadimplemento da
obrigação principal.
Requisitos dos Títulos Executivos
Certeza Liquidez Exigibilidade
O título deve demonstrar, de forma A obrigação contida no título deve ser A obrigação deve ser atual, ou seja, já deve
inequívoca, a existência da obrigação. Não determinada quanto ao seu objeto e ter vencido o prazo para seu cumprimento
pode haver dúvidas sobre a existência do quantificada em seu valor. O montante da voluntário, não estando sujeita a termo ou
vínculo obrigacional entre as partes. dívida deve estar especificado ou ser condição suspensiva.
facilmente calculável.
Um contrato assinado por ambas as partes, Um cheque pós-datado só se torna exigível
com cláusulas claras e objetivas, demonstra Uma nota promissória com valor expresso após a data nele indicada, momento a partir
a certeza da obrigação. de R$ 10.000,00 é líquida, pois o valor da do qual pode ser executado.
obrigação está claramente definido.
Princípio da Patrimonialidade
O Princípio da Patrimonialidade da execução estabelece que, para garantir a
satisfação do crédito do exequente, a execução deve recair sobre o patrimônio do
devedor, e não sobre sua pessoa. Este princípio encontra fundamento nos
seguintes artigos do CPC:

Art. 789: "O devedor responde com todos os seus bens presentes e futuros para
o cumprimento de suas obrigações, salvo as restrições estabelecidas em lei."
Art. 797: "Ressalvado o caso de insolvência do devedor, em que tem lugar o
concurso universal, realiza-se a execução no interesse do exequente que
adquire, pela penhora, o direito de preferência sobre os bens penhorados."

Este princípio representa uma evolução histórica do direito executivo, superando


antigas práticas que permitiam a execução pessoal do devedor, como a prisão por
dívidas civis ou a escravidão.

Conforme ensina Elpídio Donizetti, a execução deve


ser realizada de forma a respeitar o patrimônio do
devedor, sendo possível a penhora de bens
suficientes para garantir o cumprimento da sentença.
Princípio da Menor Onerosidade do Devedor
O Princípio da Menor Onerosidade do Devedor busca assegurar que, na
execução de uma obrigação, a medida adotada pelo juiz cause o menor
impacto possível ao devedor, respeitando seus direitos fundamentais.

Este princípio está previsto no artigo 805 do CPC:

"Art. 805. Quando por vários meios o exequente puder promover a


execução, o juiz mandará que se faça pelo modo menos gravoso para o
executado."

Seu parágrafo único estabelece que o ônus de indicar o meio menos gravoso
cabe ao executado:

"Parágrafo único. Ao executado que alegar ser a medida executiva mais


gravosa incumbe indicar outros meios mais eficazes e menos onerosos,
sob pena de manutenção dos atos executivos já determinados."

O objetivo é equilibrar a efetividade da execução com a


proteção do patrimônio do devedor, evitando que o
cumprimento da obrigação afete suas condições mínimas de
subsistência.
Princípio da Efetividade da Execução
O Princípio da Efetividade da Execução preconiza que a execução deve
garantir a satisfação do direito do credor de maneira efetiva, ou seja,
deve ser capaz de produzir resultados concretos e satisfatórios para o
exequente.

A execução não deve ser meramente formal, mas sim focada em


assegurar que o crédito seja cumprido de forma eficiente. Este princípio
encontra amparo nos seguintes dispositivos:

Art. 6º: "Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para


que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e
efetiva."
Art. 139, IV: "O juiz dirigirá o processo conforme as disposições deste
Código, incumbindo-lhe: (...) IV - determinar todas as medidas
indutivas, coercitivas, mandamentais ou sub-rogatórias necessárias
para assegurar o cumprimento de ordem judicial, inclusive nas ações
que tenham por objeto prestação pecuniária."
Art. 797: "Realiza-se a execução no interesse do exequente que
adquire, pela penhora, o direito de preferência sobre os bens
penhorados."

Este princípio reforça a ideia de que o processo de execução deve ser um


instrumento para a concretização do direito material reconhecido, não
se satisfazendo com meros formalismos que não conduzam à efetiva
satisfação do crédito.
Princípio da Disponibilidade da Execução
O Princípio da Disponibilidade da Execução estabelece que a parte
credora tem o direito de desistir ou modificar a execução a qualquer
tempo, de acordo com seu interesse, enquanto o processo ainda não
for concluído.

Este princípio encontra respaldo nos seguintes artigos do CPC:

Art. 775: "O exequente tem o direito de desistir de toda a


execução ou de apenas alguma medida executiva."
"Parágrafo único. Na desistência da execução, observar-se-á o
seguinte: I - serão extintos a impugnação e os embargos que
versarem apenas sobre questões processuais, pagando o
exequente as custas processuais e os honorários advocatícios; II
- nos demais casos, a extinção dependerá da concordância do
impugnante ou do embargante."
Art. 924, IV: "Extingue-se a execução quando: (...) IV - o
exequente renunciar ao crédito;"

Conforme ensina Elpídio Donizetti, "o credor (exequente) dispõe da


execução, podendo desistir a qualquer tempo (art. 775), e também
pode renunciar ao crédito, hipótese de extinção (art. 924, IV)."
Princípio da Utilidade da Execução
O Princípio da Utilidade da Execução estabelece que a execução
deve ser realizada de forma a garantir que o credor obtenha uma real
e eficaz satisfação do seu direito. As medidas executivas adotadas
devem ser adequadas para o cumprimento da obrigação, buscando
sempre que a execução seja útil ao credor e eficaz para atingir seu
objetivo.

Este princípio encontra fundamento nos seguintes artigos do CPC:

Art. 4º: "As partes têm o direito de obter em prazo razoável a


solução integral do mérito, incluída a atividade satisfativa."
Art. 6º: "Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si
para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa
e efetiva."
Art. 797: "Ressalvado o caso de insolvência do devedor, em que
tem lugar o concurso universal, realiza-se a execução no
interesse do exequente que adquire, pela penhora, o direito de
preferência sobre os bens penhorados."

A aplicação deste princípio implica em evitar atos executivos inúteis


ou ineficazes, que não contribuam para a satisfação do crédito,
privilegiando medidas que efetivamente conduzam ao resultado
pretendido pelo exequente.
Princípios da Boa-Fé e da Cooperação
Princípio da Boa-Fé Princípio da Cooperação
O Princípio da Boa-Fé no processo exige que as partes ajam com O Princípio da Cooperação determina que todas as partes
honestidade, lealdade e probidade, sem práticas que possam envolvidas no processo, inclusive o juiz, devem colaborar para a
prejudicar o andamento do processo ou causar danos indevidos à efetividade da decisão judicial, facilitando o andamento do processo
outra parte. e buscando a solução mais justa e eficiente.

Fundamentação legal: Art. 5º, CPC/2015: "Aquele que de qualquer Fundamentação legal: Art. 6º, CPC/2015: "Todos os sujeitos do
forma participa do processo deve comportar-se de acordo com a processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo
boa-fé." razoável, decisão de mérito justa e efetiva."

A boa-fé é esperada não apenas das partes, mas também do juiz e de A cooperação envolve o dever das partes de compartilhar
todos os envolvidos no processo, para garantir a integridade e a informações, agir com transparência e contribuir para que o
confiança nas relações jurídicas. processo chegue a uma solução eficaz e justa.
Princípio do Contraditório e da Ampla Defesa
O Princípio do Contraditório e da Ampla Defesa no processo de execução civil
garante às partes envolvidas a oportunidade de se manifestar sobre os atos
praticados e de contestar as alegações e provas apresentadas pela outra parte.

Este princípio tem fundamento constitucional no artigo 5º, inciso LV, da


Constituição Federal:

"Aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral


são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela
inerentes."

No CPC, encontra expressão nos artigos 9º e 10, que vedam a chamada "decisão
surpresa":

"Art. 9º. Não se proferirá decisão contra uma das partes sem que ela seja
previamente ouvida."

"Art. 10. O juiz não pode decidir, em grau algum de jurisdição, com base em
fundamento a respeito do qual não se tenha dado às partes oportunidade de se Embora o processo de execução tenha a finalidade de

manifestar, ainda que se trate de matéria sobre a qual deva decidir de ofício." buscar a satisfação do crédito do exequente de forma
mais célere, isso não significa que o devedor seja
privado de sua garantia constitucional de defesa.
Princípio da Atipicidade dos Meios Executivos
O Princípio da Atipicidade dos Meios Executivos permite que o juiz utilize
medidas não previstas expressamente em lei para garantir o cumprimento da
obrigação do devedor, desde que respeitados os princípios da proporcionalidade
e razoabilidade.

Este princípio está consagrado no artigo 139, IV, do CPC:

"Art. 139. O juiz dirigirá o processo conforme as disposições deste Código,


incumbindo-lhe: (...)
IV - determinar todas as medidas indutivas, coercitivas, mandamentais ou
sub-rogatórias necessárias para assegurar o cumprimento de ordem judicial,
inclusive nas ações que tenham por objeto prestação pecuniária."

No cumprimento de sentença referente a obrigações de fazer ou não fazer, o


princípio é reforçado pelo artigo 536 do CPC:

"Art. 536. No cumprimento de sentença que reconheça a exigibilidade de


obrigação de fazer ou de não fazer, o juiz poderá, de ofício ou a requerimento,
para a efetivação da tutela específica ou a obtenção de tutela pelo resultado
prático equivalente, determinar as medidas necessárias à satisfação do
exequente."
Exemplos de medidas atípicas incluem a suspensão da CNH
(Carteira Nacional de Habilitação), do passaporte, o
cancelamento de cartões de crédito e restrições em
investimentos, concursos e licitações.

Cabe ressaltar que a medida atípica deve ser fundamentada e


proporcional, respeitando os direitos fundamentais do
executado.
Incidente de Desconsideração da Personalidade Jurídica
O Incidente de Desconsideração da Personalidade Jurídica é um
mecanismo jurídico que permite, em situações específicas, que os bens
dos sócios ou administradores de uma pessoa jurídica (empresa) sejam
utilizados para satisfazer dívidas da empresa.

Este incidente ocorre quando há abuso da personalidade jurídica,


caracterizado pelo desvio de finalidade ou confusão patrimonial, e tem
por objetivo evitar que a pessoa jurídica seja utilizada de forma
fraudulenta para prejudicar credores ou terceiros.

A desconsideração da personalidade jurídica pode ser aplicada com


base nos seguintes dispositivos legais:

Art. 50 do Código Civil: Desconsideração em caso de abuso da


personalidade jurídica.

Art. 28 do Código de Defesa do Consumidor: Desconsideração em


relações de consumo.
Arts. 133 a 137 do CPC/2015: Procedimento do incidente de
desconsideração.

Procedimento (Arts. 133 a 137 do CPC/2015)


O incidente pode ser instaurado a pedido da parte ou do
Ministério Público
O sócio ou a pessoa jurídica será citado para manifestar-se
e requerer provas no prazo de 15 dias
Concluída a instrução, o incidente será resolvido por
decisão interlocutória
Se acolhido o pedido, a alienação ou oneração de bens
ocorrida em fraude à execução será ineficaz
Exemplos de Desconsideração da Personalidade
Jurídica
Art. 50 do Código Civil Art. 28 do CDC Arts. 133 e 134 do CPC
Uma empresa de fachada, criada apenas Uma empresa de vendas online que Um grupo de empresas que atua de
para desviar bens de outra empresa do engana consumidores, recebendo o forma conjunta e mistura seus
mesmo grupo econômico e não pagar pagamento sem entregar os produtos, e patrimônios para evitar o pagamento de
credores, pode ter sua personalidade que é utilizada pelos sócios para desviar dívidas pode ter a personalidade jurídica
jurídica desconsiderada. Nesse caso, os recursos para contas pessoais, pode ter desconsiderada por meio do incidente de
sócios ou administradores da empresa de sua personalidade jurídica desconsideração da personalidade
fachada terão seus bens pessoais desconsiderada para que os jurídica. Nesse caso, a ação é dirigida
utilizados para pagar as dívidas. consumidores lesados possam ser contra todos os integrantes do grupo
indenizados diretamente pelos bens dos econômico.
sócios.
Fraude Contra Credores e Fraude à Execução

Fraude Contra Credores Fraude à Execução


Ato do devedor que, antes da existência de um processo judicial, aliena ou onera seus Alienação ou oneração de bens pelo devedor quando já existe um processo judicial em
bens com o intuito de fraudar credores, dificultando a futura satisfação de seus curso, com o objetivo de frustrar a execução.
créditos.
Mecanismo de combate: Reconhecimento incidental no próprio processo de execução
Mecanismo de combate: Ação Pauliana (ou revocatória), regulada pelos arts. 158 a 165 (arts. 792 e 793 do CPC).
do Código Civil.
Efeito: Ineficácia do ato de disposição em relação ao exequente.
Efeito: Anulabilidade do negócio jurídico fraudulento.

Súmula 375 do STJ


"O reconhecimento da fraude à execução depende do registro da penhora do bem alienado ou da prova de má-fé do terceiro adquirente."
Estudo de Caso: Fraude à Execução
No curso de uma ação de reparação por danos morais e após a sentença do juízo de primeiro grau, José (réu) vendeu um de seus dois imóveis
por R$ 100.000,00 (cem mil reais), restando um único patrimônio. Após o trânsito em julgado da sentença, Breno (autor) pretende receber o
valor da indenização fixado pelo Juiz, ou seja, R$ 80.000,00 (oitenta mil reais).

A. Tutela Jurisdicional Aplicável B. Possibilidade de Desfazer o C. Meio para Satisfação do


Trata-se de um caso de cumprimento de
Negócio Crédito
sentença (arts. 513 a 538 do CPC), pois É possível alegar fraude à execução (art. Breno pode requerer o reconhecimento
há uma sentença condenatória 792, IV, do CPC), pois a alienação ocorreu da fraude à execução e a penhora do bem
transitada em julgado que impõe a José o quando tramitava ação capaz de reduzir alienado, mesmo estando em nome de
pagamento de indenização por danos o devedor à insolvência. Se comprovada a terceiro (art. 790, V, CPC). Também
morais. fraude, o negócio será declarado ineficaz poderá requerer a penhora do imóvel
em relação a Breno. remanescente de propriedade do
executado.
Estudo de Caso: Fraude Contra Credores vs. Fraude à
Execução
João, devedor em uma ação de execução movida por Maria, vendeu um imóvel a Pedro durante o curso do processo. No momento da alienação, não
havia registro de penhora do bem. No entanto, Maria alegou fraude à execução, argumentando que João vendeu o imóvel para se esquivar da obrigação
de pagar a dívida. Pedro, por sua vez, afirmou que adquiriu o bem de boa-fé, sem conhecimento da ação de execução. O irmão de Maria é advogado e
sugeriu que buscasse uma ação pauliana para desfazer o negócio jurídico, pois o devedor estava com objetivo de prejudicar a credora.

1. Adequação da Sugestão do 2. Medida Processual Disponível 3. Critério do STJ


Advogado Maria pode requerer o reconhecimento da Conforme a Súmula 375 do STJ, "o
A sugestão do advogado não está correta. fraude à execução nos próprios autos do reconhecimento da fraude à execução
A ação pauliana é adequada para casos de processo de execução, com base no art. depende do registro da penhora do bem
fraude contra credores, que ocorre antes 792, IV, do CPC, demonstrando que a alienado ou da prova de má-fé do terceiro
da existência de processo judicial. No caso alienação ocorreu durante a tramitação de adquirente." Na ausência de registro da
apresentado, como a alienação ocorreu ação capaz de reduzir o devedor à penhora, Maria precisará comprovar a má-fé
durante o curso do processo de execução, insolvência e que o adquirente tinha de Pedro, demonstrando que ele tinha
trata-se de fraude à execução, que deve conhecimento da existência da ação (má- conhecimento da existência da ação de
ser alegada no próprio processo executivo. fé). execução.
Unidade II - Processo de Execução
Nesta unidade, estudaremos os aspectos fundamentais do processo de execução, abordando sua estrutura, legitimidade, procedimento,
formas de suspensão e extinção, bem como os mecanismos de desistência, remissão e remição disponíveis às partes.
Processo de Execução: Conceito e Fundamentos
O Processo de Execução é o mecanismo pelo qual o credor busca satisfazer
judicialmente o seu crédito/obrigação contra o devedor, utilizando-se de um título
executivo judicial ou extrajudicial.

O objetivo é compelir o devedor a cumprir sua obrigação, seja ela de pagar quantia
certa, entregar coisa, ou prestar um fato.

No Brasil, este processo está regulado pelos artigos 771 a 925 do Código de
Processo Civil (Lei nº 13.105/2015).

Ao contrário do processo de conhecimento, onde se busca o reconhecimento de um


direito, o processo de execução parte de um direito já reconhecido em título
O processo de execução pressupõe a existência de
executivo, visando sua concretização no mundo fático.
um título executivo que comprove o direito do credor
e a obrigação do devedor, conferindo certeza, liquidez
e exigibilidade à pretensão executiva.
Procedimentos na Execução

Procedimento Comum na Execução Procedimento Especial na Execução


É regido pelas regras gerais do Livro II do CPC (art. 771 e É reservado para casos que exigem um tratamento
seguintes) diferenciado devido à natureza da obrigação ou da parte
Ocorre quando o credor possui um título executivo (judicial envolvida
ou extrajudicial) que comprova o direito à execução Alguns exemplos:
O devedor é citado/intimado para cumprir a obrigação e, caso Execução contra a Fazenda Pública (arts. 910 e 535 do
não o faça, podem ser aplicados meios coercitivos, como CPC): segue o regime de precatórios ou requisições de
penhora de bens e expropriação pequeno valor (RPV)
Abrange a execução de obrigações de pagar quantia, Execução de alimentos (art. 528 do CPC): permite a prisão
entregar coisa, fazer ou não fazer civil do devedor em caso de inadimplência
Execução hipotecária ou de alienação fiduciária (Lei nº
9.514/97): segue regras próprias para retomada do bem
dado em garantia
Execução de cheque e títulos de crédito (arts. 784 e
seguintes do CPC): têm regras específicas sobre
prescrição e forma de cobrança
Legitimidade Ativa na Execução
O artigo 778 do CPC trata da legitimidade ativa para promover a execução forçada. Este artigo estabelece que a execução forçada pode ser promovida pelo credor que possui um
título executivo.

Credor Reconhecido no Título Espólio, Herdeiros ou Sucessores Cessionário


A pessoa que consta expressamente como credora Em casos de falecimento do credor, o espólio, os Aquele a quem o direito resultante do título executivo
no título executivo, seja ele judicial ou extrajudicial. herdeiros ou sucessores podem promover ou foi transferido por ato entre vivos.
prosseguir com a execução.
Exemplo: O banco em um contrato de empréstimo Exemplo: Uma empresa que compra uma carteira de
com cláusula executiva. Exemplo: Filhos que herdam o direito de cobrar uma créditos de outra instituição.
dívida após o falecimento do pai credor.

Sub-rogado Ministério Público Outros Legitimados


Pessoa que assume o lugar do credor original por Nos casos previstos em lei, o Ministério Público pode Demais pessoas a quem a lei confere legitimidade
disposição legal ou contratual. promover a execução forçada. para promover a execução.

Exemplo: Uma seguradora que paga a indenização ao Exemplo: Na execução de multa imposta em ação Exemplo: Administrador judicial na execução de
segurado e se sub-roga no direito de cobrar do civil pública. créditos da massa falida.
causador do dano.
Legitimidade Passiva na Execução
O artigo 779 do CPC descreve contra quem a execução pode ser promovida, enumerando os legitimados passivos.

Devedor Reconhecido no Título Espólio, Herdeiros ou Sucessores Novo Devedor


A pessoa identificada expressamente como Em caso de falecimento do devedor, a execução Pessoa que assumiu a obrigação com o
devedora no título executivo. pode ser promovida contra seu espólio, herdeiros consentimento do credor.
ou sucessores.
Exemplo: O mutuário em um contrato de Exemplo: Comprador de imóvel que assume a
empréstimo bancário. Exemplo: Espólio do falecido devedor de uma dívida hipotecária do vendedor com anuência do
dívida garantida por hipoteca. banco.

Fiador Responsável Titular de Garantia Real Responsável Tributário


O fiador do débito constante em título Quem possui um bem vinculado por garantia real A pessoa que, por disposição legal, é responsável
extrajudicial pode ser alvo da execução. ao pagamento da dívida. pelo pagamento de um tributo.

Exemplo: Fiador de um contrato de locação que Exemplo: Proprietário de imóvel hipotecado para Exemplo: Sócio-gerente responsabilizado por
pode ser executado em caso de inadimplência do garantir dívida de terceiro. débitos tributários da empresa (responsabilidade
locatário. subsidiária).
Cumulação de Execuções e Competência
Cumulação de Execuções Competência na Execução
O artigo 780 do CPC permite ao exequente cumular várias O artigo 781 do CPC estabelece as regras para determinar o juízo
execuções contra o mesmo executado, desde que para todas elas competente para processar a execução fundada em título
seja competente o mesmo juízo e idêntico o procedimento. extrajudicial:

Exemplo: Um banco pode executar, em um único processo, várias Foro de domicílio do executado
cédulas de crédito bancário não pagas pelo mesmo devedor, desde Foro de eleição constante do título
que todas sigam o mesmo rito processual.
Foro de situação dos bens
Esta possibilidade visa à economia processual e à harmonização dos Em caso de domicílios múltiplos, o exequente pode escolher
atos executivos, evitando decisões conflitantes e otimizando a qualquer um deles
atividade jurisdicional. Se o domicílio for incerto ou desconhecido, a execução pode ser
proposta onde o executado for encontrado ou no domicílio do
exequente
Com múltiplos devedores, a execução pode ser proposta no foro
de qualquer um deles
No local do ato ou fato que deu origem ao título
Extinção do Processo de Execução
A execução chega ao seu fim por meio da extinção, que ocorre quando se verifica uma das hipóteses previstas no artigo 924 do CPC. A extinção da execução impede
que o credor (exequente) continue buscando a satisfação de seu crédito por essa via.

I - Indeferimento da Petição Inicial II - Satisfação da Obrigação III - Extinção da Dívida por Outros
A execução é extinta quando a petição inicial, A execução é extinta quando o devedor
Meios
que dá início ao processo, é indeferida pelo juiz (executado) cumpre integralmente a obrigação, A execução também é extinta quando a dívida é
por não preencher os requisitos legais. seja mediante pagamento, seja mediante o extinta por outros meios, como a novação, a
cumprimento de outra prestação devida. compensação ou a remissão.
Exemplo: O exequente ingressa com uma ação
de execução, mas não apresenta o título Exemplo: O executado paga integralmente o Exemplo: O executado e o exequente celebram
executivo que comprova a existência da dívida. valor da dívida, incluindo juros e correção um acordo de novação, substituindo a obrigação
monetária. original por uma nova.

IV - Renúncia do Exequente ao Crédito V - Prescrição Intercorrente


A renúncia do exequente ao crédito, ou seja, a desistência do credor em A prescrição intercorrente, que ocorre quando o processo de execução fica
relação ao seu direito de crédito, é causa de extinção da execução. parado por um longo período, sem que o exequente promova os atos
necessários ao seu prosseguimento, é causa de extinção da execução.
Exemplo: O exequente (credor) renuncia expressamente ao seu direito de
crédito. Exemplo: O processo de execução fica paralisado por mais de 5 anos, sem
que o exequente realize qualquer ato para dar andamento ao processo.
Efeitos da Extinção e Prescrição Intercorrente
Efeitos da Extinção da Execução Prescrição Intercorrente
O artigo 925 do CPC estabelece que a extinção da execução só A prescrição intercorrente está prevista no artigo 921, §§ 4º e
produz efeito quando declarada por sentença. Ou seja, mesmo que seguintes, do CPC, e consiste na perda do direito de ação do
ocorra uma das hipóteses previstas no artigo 924 do CPC, a exequente quando o processo de execução fica parado por um longo
execução não é automaticamente extinta. período sem que sejam promovidos os atos necessários ao seu
prosseguimento.
A sentença de extinção da execução possui natureza declaratória,
apenas reconhecendo uma situação jurídica preexistente. Prazo: O mesmo da prescrição da pretensão executiva
Contagem: Inicia-se após o período de 1 ano de suspensão por
Esta sentença é indispensável para que a extinção produza todos os
não localização de bens (art. 921, § 4º)
seus efeitos, como a impossibilidade de o credor ajuizar nova ação
de execução com base no mesmo título executivo, salvo nos casos Reconhecimento: O juiz pode, de ofício, reconhecer a prescrição
de indeferimento da petição inicial por vício sanável. intercorrente após ouvir as partes (art. 921, § 5º)
Extinção sem ônus: A Lei 14.195/2021 alterou o § 5º para prever
que a extinção pela prescrição intercorrente se dará sem ônus
para as partes
Desistência, Remissão e Remição
Remissão
A remissão é o ato pelo qual o credor,
voluntariamente, perdoa a dívida total ou
parcialmente. Está disciplinada no artigo 924, III,
do CPC como causa de extinção da execução.
Desistência
Efeito: Extinção da obrigação e,
A desistência da execução pode ocorrer por
consequentemente, do processo de execução.
vontade do exequente, antes de realizada
qualquer constrição do patrimônio do executado.
Remição
Está prevista no artigo 775 do CPC.
A remição da execução ocorre quando o executado
Efeito: Extinção do processo sem resolução de ou terceiro interessado efetua o pagamento
mérito, permitindo nova execução posterior. integral da dívida, extinguindo a execução. Está
prevista no artigo 826 do CPC.

Prazo: Até a adjudicação ou alienação dos bens


penhorados.

Valor: Dívida + juros + custas + honorários.

É importante distinguir os conceitos de remição (pagamento da dívida pelo executado ou terceiros para liberar o bem penhorado) e remissão (perdão da dívida
pelo credor), que frequentemente são confundidos na prática forense devido à semelhança fonética.
Suspensão da Execução
A execução pode ser suspensa em diversas situações, conforme previsto no artigo 921 do CPC. A suspensão implica a paralisação do processo, impedindo a prática de
atos processuais, com o objetivo de aguardar o implemento de uma condição ou a resolução de uma questão prejudicial.

I - Causas Genéricas II - Embargos com Efeito Suspensivo III - Não Localização do Executado ou
Suspensão nas hipóteses previstas nos artigos 313 A oposição de embargos à execução, quando
Bens
e 315 do CPC, que tratam da suspensão do recebidos com efeito suspensivo, impede o A impossibilidade de localizar o executado ou de
processo em geral, como o falecimento de qualquer prosseguimento da execução até o julgamento dos encontrar bens penhoráveis para satisfazer a dívida
das partes. embargos. é causa de suspensão da execução por 1 ano.

IV - Falta de Licitantes V - Parcelamento da Dívida Convenção das Partes (Art. 922)


Se a alienação dos bens penhorados não se realizar A concessão de parcelamento da dívida ao As partes podem, de comum acordo, requerer a
por falta de licitantes e o exequente não requerer a executado (art. 916 do CPC) é causa de suspensão suspensão da execução, mediante concessão de
adjudicação dos bens ou indicar outros bens da execução, durante o período de cumprimento do prazo pelo exequente para que o executado cumpra
penhoráveis no prazo de 15 dias. acordo. voluntariamente a obrigação.
Exercícios Práticos: Legitimidade e Procedimentos na
Execução
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Legitimidade Ativa após Cumulação de Execuções Competência na Execução


Falecimento Enunciado: Maria, credora de diversas dívidas Enunciado: Ana é credora de uma dívida e
Enunciado: João, credor de uma dívida reconhecidas judicialmente, deseja executar deseja iniciar o processo de execução contra
reconhecida judicialmente, faleceu durante o todas contra o mesmo devedor em um único João, que reside habitualmente em São Paulo.
processo de execução. Quem tem processo. É possível essa cumulação de Em qual foro Ana deve propor a execução?
legitimidade ativa para promover ou execuções?
Resposta: Ana deve propor a execução no
prosseguir com o processo de execução?
Resposta: Sim, é possível. O artigo 780 do foro de domicílio do executado (São Paulo),
Resposta: A legitimidade ativa é do espólio, CPC permite ao exequente cumular várias conforme o artigo 781, I do CPC.
herdeiros ou sucessores do credor, conforme execuções contra o mesmo executado, desde Alternativamente, poderia escolher o foro de
os artigos 110 e 778, §1º, II do CPC. Em casos de que para todas elas seja competente o mesmo eleição constante do título ou o foro de
falecimento do credor, o espólio, os herdeiros juízo e idêntico o procedimento. situação dos bens, se aplicáveis.
ou sucessores podem assumir a execução.

A compreensão adequada das regras de legitimidade, competência e procedimento na execução é fundamental para garantir a efetividade do processo
executivo e evitar nulidades que possam comprometer a satisfação do crédito.

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