Diferenças entre Cultura e Clima Organizacional
Diferenças entre Cultura e Clima Organizacional
A compreensão das diferenças entre cultura e clima organizacional, bem como as metodologias
específicas para a pesquisa de cada um desses conceitos.
Prof. Luiz Carlos Victorino de Souza Junior | Prof. Enrique Jesús Sánchez Elvira
1. Itens iniciais
Propósito
Compreender os conceitos de cultura e clima organizacional, assim como as diferenças metodológicas nas
pesquisas de clima e cultura organizacional, para o uso adequado desses processos dentro das organizações.
Objetivos
• Descrever conceitos gerais de cultura e clima organizacional.
• Identificar as principais características da pesquisa de cultura organizacional.
• Distinguir as principais características da pesquisa de clima organizacional.
Introdução
Pensando no ambiente de organizações e empresas, você provavelmente já ouviu frases como “lá na empresa,
existe uma cultura de cobrança muito forte” ou “depois das demissões, o clima lá ficou muito ruim”. Afinal de
contas, o que significa uma cultura da organização? O que é o clima? E, por fim, qual é a diferença entre eles?
Neste conteúdo aprenderemos as diferenças entre cultura e clima organizacional. Veremos ainda como é
possível fazer pesquisas específicas para avaliar cada um desses temas dentro das organizações.
Entender essa diferença e saber como pesquisar esses fenômenos constituem pontos importantíssimos para
você ser capaz de compreender as razões pelas quais as pessoas comportam-se de determinadas maneiras
ou por que alguns locais de trabalho são leves e descontraídos, enquanto outros são pesados e tensos — e
até mesmo por qual motivo você provavelmente irá se sentir melhor trabalhando em certas empresas por
conta da cultura e do clima delas.
Apesar de muito semelhantes, esses conceitos são discrepantes. Desse modo, em muitos casos, os
problemas na empresa ocorrem pelo fato de os gestores ou o time de recursos humanos não conseguir
trabalhar com clareza cada um deles.
1. Cultura e Clima Organizacional
Relembre agora o lar onde você foi criado na infância para considerar as questões a seguir:
Questão 1 Questão 2
Vocês costumavam fazer as refeições sentados Quando esse hábito foi criado e quem
à mesa ou em outro lugar (como o sofá, por fiscalizava se ele era cumprido?
exemplo)?
Questão 3 Questão 4
Você ouvia histórias sobre o passado da família Na sua família havia regras rígidas, por exemplo:
e sobre feitos de pessoas mais velhas (o avô “na nossa família não aceitamos o
que veio de outro estado e iniciou a família, o tio comportamento X ou Y”?
que venceu uma dificuldade etc.)?
Reflita sobre como essas e outras características da sua família influenciaram a forma como você pensa, age e
entende o mundo a seu redor.
O quanto dessas lições, regras, histórias e valores você continua carregando, provavelmente passando-as (ou
fazendo isso futuramente) adiante na própria família e em suas relações pessoais? Ou ainda: quais desses
aspectos se modificaram ao longo do tempo? Como se deu esse processo?
Traremos esse exemplo para dentro das organizações, pois elas também têm regras, valores, formas de fazer
as coisas, além de pessoas fiscalizando esses comportamentos.
Analisaremos esse conceito a partir do ponto de vista de um de seus principais autores: Edgar Schein. Ele
define a cultura organizacional como:
Quando falamos de padrões de suposições básicas, estamos nos referindo a certo modus pensandi (modo de
pensar) que interfere diretamente no modus operandi (modo de agir). Isso indica que as pessoas que
compõem uma organização são direcionadas a não apenas agir de certa forma, mas a também pensar
(observar e interpretar) de determinada maneira.
Isso se dá por meio da definição (e implementação real) de missão, valores e visão, os quais, hoje em dia,
podem ter diferentes formas. Uma delas é o chamado BHAG (big hairy audacious goal), que é uma espécie de
missão mais desafiadora a funcionar como um objetivo condutor macro. Ele pode, inclusive, nunca ser
atingido, mas ajuda a guiar os esforços e decisões.
Por mais que as terminologias mudem, estes três elementos podem ser sempre observados na elaboração da
cultura:
Missão
Valores
Visão
Objetivo de médio a longo prazo, que muda quando necessário e serve para motivar as pessoas e
orientar os esforços em uma direção.
Atenção
Nesses casos, os fundadores determinam esses aspectos macro da cultura e, no processo de
construção da organização, guiam-se por eles ao longo de seu crescimento e desenvolvimento.
No entanto, infelizmente, este não é o caso da maioria das empresas. Quase sempre, como o início de uma
organização é um momento crítico em que a demanda por rentabilidade e retorno de investimento é muito
grande, as pessoas preocupam-se mais em obter os resultados financeiros esperados, deixando de lado
aspectos importantes, como a cultura organizacional.
Quando isso ocorre, a cultura que vai se desenvolver será o resultado da influência (intencional ou não) dos
primeiros líderes e de como eles lideram seus times.
Comentário
Sempre haverá uma cultura organizacional, porém, se ela não for intencionalmente criada, além de não
haver controle sobre quais serão os elementos constituintes dessa cultura, futuramente, quando surgir a
necessidade de mudá-la, o trabalho exigido será muito mais árduo.
Muitas são as metáforas possíveis, mas o fato é que a cultura organizacional, como elemento macroscópico e
abstrato, tem impactos em todos os aspectos da gestão e da própria vida da organização.
Para entendermos as características de algo tão amplo, precisamos analisar seus elementos constituintes.
Segundo Schein (2009), a cultura divide-se em três grandes grupos:
Valores esposados
A liderança efetivamente os promove e difunde por meio de suas ações, podendo ser diferentes
daqueles descritos na declaração de valores tornada pública.
Suposições básicas
Crenças e pressupostos básicos que são difundidos, principalmente pela liderança, como elementos
direcionadores das tomadas de decisão e comportamentos.
Artefatos observáveis
Regras, normas, arquitetura, estilos (cores, roupas e logotipos), rituais, comportamentos, linguagem
(jargões) e práticas.
Os valores esposados são um elemento interessante, pois indicam que não necessariamente o que acontece
na prática está alinhado ao discurso. Se, por um lado, a empresa pode fazer um trabalho forte no sentido de
professar certos valores, sabemos que a liderança precisa trabalhar no mesmo sentido; caso contrário,
observamos um discurso diferente da prática.
Por fim, os artefatos observáveis são os elementos mais facilmente detectados. Geralmente, é por meio deles
que começamos a entender as características da cultura das organizações.
Já vimos muitos casos em que, mesmo com jogadores de alto nível, uma seleção não consegue ter um bom
desempenho justamente pelo técnico não conseguir fazer com que todos esses jogadores atuem de forma
alinhada e consigam criar a sinergia necessária para uma boa performance.
Esse aspecto não afeta apenas o público externo, mas também o interno,
pois a percepção sobre produtos e serviços oferecidos começa na
chamada “venda interna”, ou seja, no quanto os funcionários acreditam
no produto ou serviço que oferecem e quão alinhados estão com os
valores e as ideias ligadas a eles.
Essa noção de que as empresas devem ser mais justas e honestas tem
ganhado força, como podemos ver na reportagem da Harvard Business
Review (2020) sobre o tema.
Facilita a integração e a comunicação interna
Dessa forma, o trabalho torna-se estimulante para os colaboradores e oferece desafios na medida certa.
Aliado a crescimento e valorização pessoal, ele aumenta as chances de retorno em termos de desempenho e
resultados.
Esse tipo de análise é importante, pois a cultura organizacional deve ser analisada e acompanhada; afinal, ela
possui forte relação com as práticas, as estruturas e o comportamentos das pessoas nas empresas, sendo
essencial para a gestão.
Agora reflita sobre a mesma empresa após uma de suas aeronaves sofrer um acidente com vítimas fatais.
Níveis de estresse altos em praticamente todos os departamentos, decisões sendo tomadas de forma urgente
e o CEO tendo de fazer pronunciamentos à imprensa.
São as mesmas pessoas, no mesmo ambiente e na mesma cultura organizacional; ainda assim, podemos dizer
que são atmosferas completamente diferentes.
Apesar de, em geral, algum tipo de clima ser percebido como mais comum em uma organização (até porque
eventos extremos são raros), existem variações naturais e menos drásticas que ocorrem tanto em termos de
diferentes unidades de negócio quanto dentro de uma mesma unidade.
Schneider, Ehrart e Macey (2013) descrevem o conceito de clima organizacional como “percepções
compartilhadas e significados atribuídos que os funcionários experienciam sobre as políticas,
práticas, processos e comportamentos recompensados e punidos”.
Apesar de, em geral, algum tipo de clima ser percebido como mais comum em uma organização (até porque
eventos extremos são raros), existem variações naturais e menos drásticas que ocorrem tanto em termos de
diferentes unidades de negócio quanto dentro de uma mesma unidade.
Comentário
As pesquisas sobre o tema indicam que praticamente todos os fatores que compõem o ambiente
organizacional podem, em algum momento, ser atribuídos ao clima. Contudo, apontam Puente-Palacios e
Freitas (2006), os fatores mais presentes são o relacionamento entre líderes e liderados, assim como o
estabelecido entre pares e decisões organizacionais de grande impacto (demissões, fusões, aquisições),
com a predominância dos tópicos relacionados a questões consideradas mais práticas.
Dependendo do tipo de organização, alguns fatores podem ser naturalmente preponderantes, mas os
aspectos relacionais têm se mostrado como os principais, servindo, em alguns casos, até como redutores de
problemas. Isso ocorre, por exemplo, quando uma empresa passa por alguma dificuldade, mas o
relacionamento interno é forte, o que mantém o time mais engajado para enfrentar os obstáculos.
Essa definição de fatores é, de fato, bastante complexa. De acordo com Puente-Palacios e Freitas (2006),
estudos nessa área apontam que o clima organizacional pode ter suas origens em elementos como:
• Remuneração e recompensas;
• Segurança e riscos;
• Inovação/conservadorismo;
• Reconhecimento e feedback;
• Flexibilidade e autonomia;
• Coesão;
• Relacionamento entre superior e subordinado;
• Estratégias de controle interno;
• Suporte da liderança;
• Sucessão e carreira;
• Desenvolvimento de habilidades;
• Esforço;
• Segurança psicológica;
• Clareza e transparência de comunicação.
Essa gama de possibilidades sugere uma necessidade fundamental de que cada empresa discuta e determine
os fatores que parecem fazer mais sentido em seu contexto específico, pois essa delimitação possibilitará
uma pesquisa mais efetiva do clima e uma maior capacidade de trabalhar essas questões no cotidiano da
gestão.
Relações muito próximas que invadem a Relações conflituosas, marcadas por hostilidade
privacidade e são prejudiciais à boa e desentendimentos entre as pessoas
convivência. (animosidades).
Precisamos considerar um ponto: as pessoas reagem de formas diferentes a um mesmo estímulo. Algumas
são mais sensíveis; outras, mais indiferentes. Como podemos detectar essas diferenças em termos de clima
organizacional?
Por meio de outra característica importante do clima organizacional, que é a chamada força do clima. Esse
conceito indica o grau de concordância das percepções que os empregados têm e o quanto eles
compartilham tais percepções entre si.
Implicações práticas do
clima organizacional
O clima organizacional tem impactos em diversas variáveis do comportamento organizacional. Imagine, por
exemplo, os casos extremos que discutimos no início deste conteúdo acerca da empresa de aviação
comercial.
A “atmosfera psicológica” ainda tem seus efeitos ampliados, pois as percepções e as emoções das pessoas
vão sendo transmitidas dentro do grupo de forma natural. Isso transcorre em um processo equivalente ao de
uma bola de neve que impacta todas as pessoas exponencialmente.
Atenção
As organizações não têm um clima apenas. Elas, na verdade, têm diferentes climas simultâneos a
depender da unidade de negócio, da filial, do nível hierárquico e do setor.
Por isso, geralmente é possível observar impactos diferentes dependendo do local para onde voltarmos o
nosso olhar. Contudo, os efeitos mais claros do clima podem ser vistos, como já frisamos, em aspectos como
motivação, engajamento, comprometimento, performance, mas também em absenteísmo, afastamentos,
relacionamentos internos e satisfação.
De maneira simples e direta, podemos dizer que o clima é um reflexo da cultura ou, mais especificamente, das
formas como ela ensinou as pessoas a reagirem aos eventos transitórios que ocorrem no cotidiano
organizacional.
Cultura
Cultura
Clima
... Enquanto a cultura é fruto de um
O clima é o resultado das percepções longo trabalho de construção de
compartilhadas... valores, crenças e formas de agir e
pensar.
Podemos dizer que a cultura ensina as pessoas como pensar e agir, enquanto o clima é o resultado da
resposta que elas conferem aos elementos que afetam a atmosfera da organização.
Puente-Palacios (2006) ressalta que, embora a cultura sirva de alicerce para a constituição do clima, “os dois
atuam juntos no direcionamento dos comportamentos dos membros da organização”. Ele vai além, salientando
que “o clima não deve ser visto como um mero reflexo da cultura, e sim como um elemento que afeta o
comportamento e o desempenho dos indivíduos nas organizações”.
Inicialmente, o ideal é regularmente realizar análises da cultura e do clima, utilizando as informações obtidas
como base para diversas frentes de ação de gestão. Será adotada, para isso, uma perspectiva de médio
prazo, no caso da cultura, e outra de curto prazo, no caso do clima.
Uma pesquisa realizada em empresas brasileiras mostrou a clara necessidade de se realizar esse tipo de
avaliação antes mesmo de qualquer intervenção ou mudança que a liderança queira implementar. (BARALE;
SANTOS, 2017)
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Verificando o aprendizado
Questão 1
Sobre o conceito de cultura organizacional, aprendemos que há duas formas pelas quais a cultura é
estabelecida. Nessa etapa, trouxemos o exemplo de nossas casas na infância, pois, assim como as
organizações, elas também têm uma cultura própria. Para exercitar sua capacidade de reflexão, considere as
três casas a seguir e assinale a alternativa correta sobre qual tipo de intencionalidade está na origem da
cultura em cada uma delas:
I. Uma família que se preparou para ter filhos e definiu desde cedo como eles seriam criados.
II. Uma república de estudantes que se juntou pela primeira vez para morar juntos, embora cada um seja livre
para agir como se sentir melhor.
III. Após muita consideração, um casal de namorados que morava com seus respectivos pais resolve viver sob
o mesmo teto.
B
Cultura intencional, cultura intencional e cultura intencional.
Questão 2
A cultura organizacional é um conceito amplo cujos impactos estendem-se por praticamente todos os
processos de gestão. Sobre as características e as implicações práticas dessa cultura, avalie os itens a seguir
e assinale a alternativa correta:
II. As influências da cultura organizacional podem ser vistas até mesmo nas características de comunicação
interna dos funcionários.
III. Uma das funções da cultura organizacional é dar identidade à organização, diferenciando-a das demais.
IV. A cultura, como elemento transitório, atua como um filtro de percepção. Esse filtro é encorpado por
crenças, valores e formas de pensar que ganham um significado a partir da vivência dos indivíduos na
organização, sendo modificado quando eventos externos ocorrem, impactando as percepções dos
funcionários.
C
Apenas as alternativas II e III estão corretas.
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Vimos que a cultura organizacional é um elemento importantíssimo da gestão que deve constituir o foco de
atenção em qualquer empresa independentemente de seu tamanho. Todavia, para começarmos a trabalhar a
cultura da organização, teremos de ser capazes de realizar um diagnóstico.
É como um médico que realiza a primeira consulta com um paciente. Ele precisa de alguns exames básicos
para entender o caso e ter uma base de conhecimento capaz de fornecer os alicerces para os próximos
passos.
Nesse sentido, reforçamos a noção de que o primeiro passo é fazer um diagnóstico da cultura
organizacional, entendendo sua história, seu processo de formação e seu estado atual. Contudo,
somente quando munidos de outras informações, como planejamentos estratégicos, análises de
mercado e pesquisas, poderemos ter o necessário para elaborar um plano de ação que abarque a
cultura como elemento central.
Schneider, Ehrhart e Macey (2013) fizeram uma revisão de toda a literatura sobre a cultura e o clima
organizacional. Com isso, eles puderam apontar alguns elementos importantes para a pesquisa de cultura
organizacional.
Os autores destacaram que os diferentes instrumentos existentes para medir a cultura são baseados em uma
teoria ou um framework específico. Além disso, eles frisaram que o entendimento completo e profundo dessas
teorias é um elemento essencial.
Atenção
Não podemos simplesmente escolher um “questionário legal que eu achei na internet” e aplicá-lo.
Fazendo isso, não só seremos incapazes de entender os resultados em sua profundidade, mas também
poderemos – e este é o problema principal – escolher um instrumento cuja teoria não se enquadra na
forma como entendemos a organização.
Um estudo interessante do MIT em conjunto com a Glassdoor (2015) utiliza tecnologias de Machine Learning
para analisar a cultura de diversas empresas ao redor do mundo. Esse estudo aponta alguns aspectos
importantes para a pesquisa de cultura organizacional.
Investigar Estudar
Devemos investigar a cultura, porque ela é A cultura deve ser entendida, entre
importante para a performance das outros aspectos, por meio dos valores e
organizações. das normas existentes.
Digamos então que uma empresa queira entender melhor a cultura organizacional criada ao longo do tempo:
• O primeiro passo é saber como funcionam os diferentes instrumentos de medida. Deve-se escolher o
mais adequado a partir do entendimento de sua teoria ou de seu framework subjacente, começando a
pensar no processo prático de condução da pesquisa.
• Na medida do possível, é importante garantir também que esse processo seja conduzido por pessoas
preparadas para tanto, sejam elas componentes de um time interno ou de uma consultoria
especializada contratada para isso.
Situação 1 Situação 2
Imagine que você vai ao médico realizar o Agora imagine a mesma situação, porém, em
checkup anual da sua saúde. Na consulta, seu vez de fazer os exames recomendados, você
médico pede alguns exames, você os faz, mas realiza um teste on-line que encontrou no
engaveta os resultados e segue sua vida Google com a promessa de oferecer os mesmos
normalmente. Não faz muito sentido, certo? resultados dos exames apenas com 10
perguntas rápidas. Faz menos sentido ainda,
não é verdade?
Adivinhe só: as duas práticas são as mais comuns em termos de pesquisa de cultura organizacional.
Assim como as empresas costumam realizar pesquisas e não fazem um uso efetivo de seus
resultados, elas frequentemente usam testes encontrados na internet sem qualquer embasamento
científico.
Os problemas advindos dessas práticas são facilmente perceptíveis no dia a dia: dificuldade de estabelecer
uma cultura forte, falta de conhecimento e de dados sobre o estado atual da cultura e resultados vazios de
significado. Todos advindos de instrumentos que são, no mínimo, descalibrados.
Sobre as formas de se mensurar a cultura, há no mercado inúmeras ferramentas que prometem uma avaliação
desse conceito de forma rápida, simples e assertiva. No entanto, por conta de sua complexidade, temos de
tomar cuidado na escolha do melhor instrumento.
Schneider, Ehrhart e Macey (2013), que fizeram uma vasta revisão sobre o tema, apontam diversas
ferramentas com robustez científica, por exemplo:
No contexto brasileiro, Barale e Santos (2017) sugerem, além do Competing values framework, o emprego do
Instrumento Brasileiro de Avaliação da Cultura Organizacional (Ibaco), que, apesar de não ter essa
característica de relacionamento com outras variáveis, é um bom instrumento de mensuração de cultura.
De maneira geral, um bom instrumento precisa ter uma base teórica robusta e ser
psicometricamente adequado, ou seja, ele deve ser capaz de medir adequadamente o construto.
1
Inicialmente, eles elaboraram uma série de 39 indicadores; posteriormente,
eles foram reduzidos e agrupados em duas grandes dimensões: flexibilidade
ou estabilidade estrutural (o quanto a organização muda e adapta-se ao
ambiente) e foco interno ou externo (o quanto a gestão é direcionada para os
processos internos ou para o mercado).
2
Se considerarmos a primeira dimensão, identificaremos facilmente algumas
empresas que mudam constantemente, como Nike e Amazon, enquanto
outras são mais estáveis e orientadas e procedimentos e formalização, como
a Petrobras e a Cisco.
3
Já na segunda dimensão, algumas empresas orientam-se pela maior
integração dos times e pelo foco nos processos internos, como a IBM e a HP,
que têm seu “jeito IBM” e “jeito HP” de fazer as coisas. Outras são mais
orientadas pelo mercado, casos da Netflix e do Spotify.
Como o CVF orienta-se por duas dimensões com características opostas, isso gera uma matriz 2 X 2 em que
cada quadrante caracteriza um tipo de cultura. Cada tipo de cultura é descrito pela forma como a organização
entende que deve funcionar para ter maior efetividade organizacional:
Clã
São as organizações com foco interno, como o próprio nome denota. Elas
são similares a grupos familiares, em que a força dos membros é o
elemento central para lidar com as adaptações que o ambiente demanda.
Neste tipo de cultura, existe uma grande preocupação com um ambiente
de trabalho mais humanizado, um estímulo ao trabalho integrado e
líderes que encorajem a participação dos liderados na elaboração de
respostas adequadas às mudanças que o ambiente impõe.
Adhocracia
Apesar de também ser composta por organizações flexíveis, o foco dela
é o ambiente externo, ou seja, a inovação e o agir rápido são mais
importantes do que necessariamente a coesão do time. Empresas do
setor de tecnologia costumam ter este tipo de cultura, pois são
enérgicas, flexíveis e lidam o tempo todo com incertezas.
Mercado
Com o mesmo objetivo em relação ao ambiente externo, ainda que
direcionadas à estabilidade, as empresas com este tipo de cultura
tendem a funcionar com grande ênfase em resultados atingidos por meio
do foco em “fazer as coisas com o nosso jeito”.
Hierarquia
As empresas com cultura desse tipo têm um foco grande no time interno
(como a cultura clã), embora acreditem que a eficiência se dá por meio
da elaboração e da aplicação de procedimentos bem determinados com
muita clareza em termos de regras, normas e comportamentos
esperados. Os líderes tendem a centralizar as decisões, enquanto o
ambiente tende a ser mais formal.
Kim e Chang (2018) realizaram um estudo longitudinal que indicou as culturas clã e mercado como mais
comuns que a adhocracia e a hierarquia, havendo uma leve tendência de redução na prevalência das culturas
clã. Em relação à performance, as culturas adhocracia, clã e orientação a mercado tiveram relações mais
positivas com as variáveis de performance, sugerindo um impacto da cultura nesse sentido.
Ele está voltado para questões ligadas às metas estratégicas principais da organização: formas de
relacionamento interpessoal consideradas mais adequadas a cada uma delas, características dos processos
de tomada de decisão, planejamento e implementação de mudanças, distribuição de recompensas e formas
de atendimento aos clientes internos e externos.
A partir daí, a escala foi elaborada para avaliar as seguintes dimensões (três de valores e outras três de
práticas):
O quanto os funcionários colaboram entre si, são dedicados, têm iniciativa e se esforçam para o
alcance das metas.
Quão rigorosas são as relações de poder e os sistemas de autoridade (este fator está presente
apenas na versão completa da escala, que é menos aplicada em contextos organizacionais, servindo
primordialmente para fins de pesquisa).
As instruções de aplicação desse instrumento podem ser vistas no capítulo 7 do livro Medidas do
comportamento organizacional, de Siqueira (2009).
Com o instrumento definido e aplicado, resta a questão: o que fazer com os resultados? Para realizar um bom
trabalho a partir dos resultados da pesquisa de cultura, Schneider, Ehrhart e Macey (2013) postulam que são
necessários três movimentos por parte dos gestores:
1. 2.
Interesse real em criar uma cultura Interesse real em ter uma estratégia
organizacional forte por meio de processos organizacional forte e bem desenhada que
internos que reforcem os valores e estejam esteja alinhada aos elementos culturais.
alinhados com a estratégia.
Tanto em organizações em que a cultura está bem estabelecida quanto naquelas em que um processo de
mudança se desenha, além dos aspectos anteriores, é imprescindível que a gestão esteja presente e atuando
de forma efetiva, pois os movimentos de manutenção ou mudança de cultura começam de cima para baixo e
precisam ser desdobrados para os níveis inferiores. Nesse processo, gerentes, coordenadores e supervisores,
também chamados de middle management (gerência intermediária), têm um papel fundamental.
Além de facilitarem a comunicação, eles são as principais forças de incentivo e controle para que as
mudanças propostas efetivamente sejam implementadas. Muitos processos de manutenção ou de mudança
de cultura falham exatamente porque o middle management não está adequadamente envolvido.
Exemplo
Digamos que, em uma empresa, um dos valores seja o de colaboração, que é descrito como “a
capacidade e a vontade de trabalharmos sempre juntos em total sinergia e integração”. Agora imagine
que, na mesma organização, as estratégias de recompensa são todas individualizadas (remuneração por
atingimento de metas pessoais e bônus de acordo com a avaliação de desempenho individual). A gestão
está dizendo “coletivo”, mas as recompensas afirmam outra coisa: “individual”. Nesse cenário, como você
acha que as pessoas vão se comportar?
Em geral, esse tipo de problema decorre de outro muito comum: a diferença entre o que a organização diz e o
que ela faz.
Em muitos casos, essa diferença entre discurso e prática acaba minando os esforços na criação de uma
cultura bem definida, já que os colaboradores recebem sinais opostos em termos do que devem fazer. Com
isso, eles acabam desenvolvendo um sentimento de descrença em relação ao discurso da gestão, o que é
muito prejudicial.
O trabalho de cultura organizacional deve ser bem planejado, estar baseado em resultados e perpassar todos
os processos de gestão. Absolutamente todos.
Em cada centímetro da empresa, as pessoas precisam perceber sua cultura para que, em médio e longo
prazo, esses elementos sejam internalizados e tornem-se naturais. Afinal, nessa etapa, fica muito mais fácil
realizar a manutenção da cultura.
Verificando o aprendizado
Questão 1
Sobre os resultados da pesquisa de cultura organizacional, analise os itens a seguir e assinale o correto.
II. Dependendo dos resultados, pode ser necessário planejar novas contratações e demissões para uma
mudança efetiva da cultura.
III. A pesquisa de cultura precisa ser repetida com certa frequência, pois ela costuma mudar rapidamente – e
essas mudanças devem ser acompanhadas.
Questão 2
Sobre o OCAI e a teoria que lhe dá embasamento (competing values framework), analise as alternativas a
seguir e assinale a correta.
As quatro dimensões são complementares e podem aparecer em igual força, dependendo do porte e mercado
da organização.
As quatro dimensões, por estarem dispostas em dois eixos, precisam apresentar resultados em que apenas
um dos polos de cada eixo se sobressai. Caso isso não ocorra, provavelmente se trata da indicação de um
erro de aplicação ou de preenchimento.
As quatro dimensões são complementares, mas não podem aparecer em igual força, salvo em casos
específicos em que a cultura implementada comporte os quatro elementos.
O uso do OCAI pode ocorrer com o emprego de apenas duas das quatro dimensões, já que algumas delas
claramente não se aplicam a certos tipos de empresas.
Com os resultados que o OCAI proporciona, é possível verificar o estado atual não apenas da cultura, mas
também do nível de competitividade, já que a dimensão “foco no mercado” oferece uma vantagem competitiva
às empresas.
1. Ele é baseado na percepção dos funcionários sobre diversos elementos que afetam o dia a dia da
empresa. Justamente por ser baseado em percepção, o clima organizacional precisa ser investigado de
forma precisa, evitando vieses.
2. Ele reflete a satisfação dos funcionários em relação à empresa, mas não é apenas isso. Muitas
pesquisas de clima, na verdade, são apenas pesquisas de satisfação, analisando, assim, apenas um
lado do problema.
3. O clima é influenciado pela cultura. Os elementos culturais devem sempre ser considerados na
pesquisa de clima.
Ao realizarmos a pesquisa de clima, portanto, precisamos observar os elementos que a afetam e, na medida
do possível, mensurá-los. Esse conjunto de elementos varia um pouco em cada organização, mas alguns deles
são relativamente comuns:
• Satisfação;
• Desempenho atual da empresa;
• Perspectivas de futuro;
• Avaliações de desempenho;
• Comunicação;
• Suporte do supervisor;
• Recompensas;
• Autonomia;
• Conflitos interpessoais e interdepartamentais;
• Clareza das tarefas;
• Estratégias de controle;
• Inovação;
• Conforto físico;
• Desperdício de material;
• Afastamentos por razões de saúde;
• Turnover;
• Absenteísmo;
• Pressão no trabalho;
• Falas, posturas e comportamentos dos colaboradores.
Os indicadores, assim como os aspectos analisados por um médico em um exame de sangue, servem apenas
como alertas para certos elementos. No entanto, é necessária uma visão global capaz de considerar outras
informações para se obter um diagnóstico preciso.
A pesquisa de clima é exatamente uma estratégia que considera esses elementos, os fatores
externos e a cultura organizacional, para consolidar um diagnóstico do momento atual da empresa.
As razões para tanto são diversas, desde a oportunidade de realizar um processo de melhoria contínua até
uma gestão correta dos humores e sentimentos dos funcionários.
Trata-se, principalmente, de uma questão que está em alta: a valorização cada vez maior que as pessoas têm
sobre sua experiência como funcionário. Chamada de employee experience, ela deve um ser alvo constante
dos RHs atualmente.
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Primeiramente, temos de considerar que a pesquisa de clima pode ser realizada em dois níveis diferentes:
Avaliação setorial Avaliação institucional
Em segundo lugar, a estratégia mais adequada deve sempre ser orientada tanto por uma coleta de dados
direta (por um instrumento adequado) quanto por uma indireta (por meio de outros indicadores).
Sobre a coleta de dados direta, a recomendação é utilizar a escala de clima organizacional (ECO) elaborada
por um time de cinco pesquisadores brasileiros e adequada ao nosso contexto organizacional. (MARTINS et
al., 2004)
Ele era composto inicialmente por 12 aspectos que, segundo esses estudos, representariam o conjunto de
elementos a afetar o clima. Já sua escala é composta por 63 itens que apontam cinco dimensões do clima:
• Apoio da liderança
• Recompensas
• Conforto físico
• Controle/pressão
• Coesão entre colegas
Sua aplicação pode ser feita tanto de forma coletiva quanto individual, sendo amplamente recomendada para
empresas de quaisquer portes e mercados.
Saiba mais
As instruções de aplicação, bem como a escala em si, podem ser encontradas no livro Medidas do
comportamento organizacional (SIQUEIRA, 2009, cap. 2).
Indicaremos a seguir algumas das ações que devem ser escolhidas pelos responsáveis pela pesquisa de clima
visando à melhor qualidade dos dados (e nem sempre o que for mais fácil ou mais conveniente):
• Conversas individuais entre líderes e liderados, também chamados de 1:1 (um a um ou one on one).
• Programas de sugestões.
• Reuniões de equipes (grupos focais).
• Canal direto de comunicação com o CEO, ou diretor de RH.
• Café da manhã com a liderança.
• Observação de comportamentos, posturas e falas no dia a dia.
• Redes especializadas como o Glassdoor (antigo Love Mondays).
• Análise do ambiente físico (iluminação, cadeiras, computadores, áreas de alimentação e descanso
etc.).
• Imagem externa da empresa (pode ser feita por pesquisa específica ou por indicadores de redes
sociais, por exemplo).
A pesquisa de clima deve ser planejada não só em termos de coleta de dados (direta e indireta, como
discutimos), mas também quanto à sua periodicidade. O natural é que ela ocorra a cada seis meses, porém
isso pode variar segundo a dinâmica de cada organização.
O importante é não espaçar muito as avaliações, pois o clima muda com frequência – e essas mudanças
precisam, na medida do possível, ser acompanhadas.
Comentário
Outro elemento importante é garantir alguns espaços de anonimato para a coleta desses dados (o que é
fácil na aplicação de uma escala, mas impossível em um grupo focal). O balanço adequado entre esses
dois aspectos enriquece a pesquisa e deixa os dados mais confiáveis.
Assim como a cultura organizacional, o clima é um construto complexo: seu acompanhamento deve ser um
elemento central na gestão de pessoas. Com uma pesquisa bem planejada e conduzida de maneira
apropriada, teremos resultados que vão nos proporcionar a base para uma série de ações por parte da gestão.
Ao encontrar um resultado positivo, a gestão deve identificar as causas e fazer sua correta manutenção.
Exemplo
Digamos que o clima tenha apresentado um resultado positivo pelo fato de a estrutura física ter sido
renovada e os colaboradores terem passado a contar com um ambiente de trabalho mais arejado, bem
iluminado e moderno. Se isso possui peso nesse grupo, deve estar sempre no radar dos gestores para
que não se torne um elemento de piora do clima.
No caso de resultados negativos, a gestão precisa encarar a necessidade de mudança com abertura e
profissionalismo. Se o problema é o relacionamento entre liderança e liderados, ela deve investir em
programas de desenvolvimento para resolver essa questão.
Em geral, os problemas mais comuns encontrados não são tão difíceis de se resolver:
2. Excesso de foco nos resultados em detrimento dos processos e do desgaste para gerar tais resultados;
5. Falta de coerência entre o que a organização diz (e propaga para o mercado) e o que ela efetivamente
faz e como trata seu time;
6. Todas as empresas têm um serviço de atendimento ao cliente externo, mas é comum não haver
nenhum canal de comunicação adequado para ouvir o cliente interno;
9. Resistência a mudanças por conta de paradigmas antiquados (por exemplo, trabalho remoto implica
queda de produtividade).
A honestidade institucional é um elemento absolutamente essencial para que a pesquisa de clima
efetivamente gere mudanças práticas. Quando os colaboradores percebem que a empresa não tem receio de
encarar seus problemas e faz um esforço verdadeiro para mudar, os níveis de engajamento, comprometimento
e satisfação só tendem a aumentar, melhorando o clima, reforçando a cultura e impactando positivamente os
resultados.
Verificando o aprendizado
Questão 1
II. O clima organizacional muda constantemente tanto por conta dos elementos externos que o afetam quanto
pelo fato de as percepções dos funcionários sobre os mesmos elementos poderem mudar.
III. A situação emocional de cada colaborador tem um impacto no clima e varia de acordo com a forma como
cada um interpreta o ambiente da empresa.
Sobre os instrumentos de pesquisa de clima organizacional e seus resultados, analise as alternativas a seguir
e assinale a correta.
Clima organizacional é um fenômeno temporal, referindo-se a práticas enraizadas pelas pessoas ao longo do
tempo na organização.
Há duas formas de avaliação do clima: a avaliação inclusiva (responsabilidade de cada gestor) e a exclusiva
(responsabilidade do RH).
Diferentemente do clima meteorológico — que não se consegue mudar —, o clima organizacional depende em
grande parte da percepção das pessoas; portanto, ele pode ser modificado.
A escala de clima organizacional (ECO) pode ser facilmente aplicada como o elemento único para investigar o
clima.
O uso da ECO deverá ser considerado apenas se a cultura organizacional for adequada à teoria que embasa o
instrumento. Caso contrário, seu uso é desaconselhado.
Considerações finais
Cultura e clima organizacional são dois aspectos absolutamente essenciais para a boa gestão de qualquer
organização, independentemente de porte ou mercado. Infelizmente, as pesquisas desses dois elementos
geralmente não são tratadas com a seriedade adequada, sendo vistas como atividades paralelas ao negócio
central, que é focado no serviço ou produto oferecido.
O problema dessa visão é que as implicações de uma cultura inadequada ou de um clima ruim têm impacto
direto exatamente no produto ou serviço que uma organização oferece. Tendo isso em vista, destacamos a
importância, especialmente em um mercado cada vez mais competitivo, do acompanhamento desses dois
elementos feita de forma precisa e focada.
Salientamos ainda que o investimento em pesquisas nas organizações é algo que felizmente tem se tornado
mais comum, embora ainda esteja longe de ser unanimidade em termos de gestão.
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Conheça como ocorreu a construção da cultura da empresa e de seus elementos tangíveis e intangíveis, além
de sua integração a aspectos práticos e seus impactos na cultura organizacional.
Este TED Talk de Simon Sinek trata da importância de um clima organizacional adequado em tempos de
mudanças constantes.
a) Culture 500
Veja como diferentes empresas se posicionam em termos de cultura organizacional neste relatório emitido
pelo MIT Sloan Management Review em parceria com a Glassdoor.
Disponível na página de teses e dissertações da USP, Saiba como funciona o teste OCAI na prática em sua
versão original, em inglês, acessando a página oficial OCAI on-line ou, em português, na dissertação de
mestrado de Liza Fachin de Carvalho.
Conheça um exemplo de relatório técnico de uma pesquisa de cultura organizacional por meio deste
documento (em inglês) da Everything DISC, uma empresa do grupo Wiley, especializado em pesquisas
organizacionais.
Analise o caso de transformação cultural da PagSeguro e identifique os elementos que discutimos no que se
refere à mudança de cultura organizacional nesta reportagem da Harvard Business Review.
Referências
ARANHA, M. L. de A. História da Educação. 2. ed. São Paulo: Moderna, 2000.
BARALE, R. F.; SANTOS, B. R. Cultura organizacional: revisão sistemática da literatura. Revista Psicologia.
Organizações e trabalho. v. 17. n. 2. 2017.
CAMERON, K. S.; QUINN, R. E. Diagnosing and changing organizational culture: based on the competing values
framework. Toronto: John Wiley & Sons, 2011.
HARVARD BUSINESS REVIEW. A empresa justa. Harvard business review. Publicado em: 10 jun. 2020.
KIM, T; CHANG, J. Organizational culture and performance: a macro-level longitudinal study. Leadership &
organization development journal. 2019.
MARTINS, M. C. F. et al. Construção e validação de uma escala de medida de clima organizacional. Revista de
psicologia: organizações e trabalho. v. 4. n. 1. 2004. p. 37-60.
PUENTE-PALACIOS, K.; FREITAS, I. A. Clima organizacional: uma análise de sua definição e de seus
componentes. Organizações & sociedade. v. 13. n. 38. 2006. p. 45-57.
SCHNEIDER, B.; EHRHART, M. G.; MACEY, W. H. Organizational climate and culture. Annual review of
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