CAPÍTULO 5 – CARTOGRAFIA E OS SISTEMAS DE INFORMAÇÃO GEOGRÁFICAS (SIG)
5.1. Introdução e Historial dos Sistemas de Informação Geográfica (SIGs)
Os Sistemas de Informação Geográfica (SIGs) constituem uma das mais importantes ferramentas de
análise espacial, resultantes do avanço das tecnologias de informação e da cartografia digital. De acordo
com Teixeira (1993), a génese dos SIGs remonta à década de 1960, quando começaram a ser exploradas
aplicações computacionais para organizar e analisar dados espaciais de forma integrada.
O primeiro projeto reconhecido mundialmente foi o Canada Geographic Information System (CGIS),
desenvolvido no Canadá sob a liderança de Roger Tomlinson. Este sistema foi concebido para apoiar o
inventário e a gestão dos recursos naturais do país. Pela relevância da sua contribuição, Tomlinson é
amplamente considerado como o “pai dos SIGs”, dado o papel pioneiro que desempenhou na
consolidação desta tecnologia (Teixeira, 1993).
Na década de 1970, os SIGs ainda se encontravam restritos a ambientes académicos e institucionais,
devido ao elevado custo dos equipamentos e à capacidade computacional limitada da época. Todavia,
esse período foi fundamental para a definição dos princípios metodológicos que sustentam a disciplina,
nomeadamente a articulação entre dados espaciais e bases de dados relacionais (Teixeira, 1993).
Com a popularização dos computadores pessoais e o avanço do software durante a década de 1980, os
SIGs começaram a expandir-se para diferentes setores da sociedade. Empresas privadas passaram a
investir no desenvolvimento de aplicações comerciais, como o ARC/INFO, que permitiram a sua
utilização em áreas como o planeamento urbano, a gestão ambiental e a engenharia. Esta fase
representou a transição dos SIGs de uma ferramenta restrita ao meio académico para uma tecnologia
amplamente aplicada (Teixeira, 1993).
Nos anos 1990, os SIGs consolidaram-se como sistemas integradores, beneficiando da associação com o
sensoriamento remoto e o Sistema de Posicionamento Global (GPS). Essa convergência tecnológica
tornou possível análises espaciais mais rápidas e precisas, permitindo uma aplicação cada vez mais
diversificada em domínios como a logística, a conservação ambiental e o ordenamento do território
(Teixeira, 1993).
Atualmente, os SIGs ultrapassaram os limites inicialmente estabelecidos, evoluindo para plataformas
que integram grandes volumes de dados (big data), inteligência artificial e soluções baseadas em
serviços na nuvem. Esta trajetória histórica demonstra a importância dos SIGs não apenas como
ferramentas técnicas, mas como disciplina científica essencial para o apoio à decisão e a gestão
sustentável dos territórios (Teixeira, 1993).
Definições de SIG's
É bastante complicado encontrar um conceito único que defina Sistema de Informação Geográfica (SIG),
devido à sua utilização em várias áreas científicas ou domínios da actividade humana (recursos naturais,
planeamento urbano, agricultura, geografia, informática, etc.), portanto, os conceitos aceites em cada
área ou domínio variam com a forma como os SIG são utilizados.
Vários autores ou entidades definem os sistemas de informação geográfica incidindo em diferentes
aspectos. A seguir apresentam-se algumas definições feitas por vários autores ou instituições:
Ozemov, Smith e Sicherman (1981) definiu os sistemas de informação geográfica como «Um conjunto de
funções automatizadas que dota capacidades para armazenar, capturar, manipular e localizados dados
geograficamente localizados.»
Burrough (1986) definiu-os como «Um sistema de ferramentas poderosas que permite recolher,
armazenar, recuperar, transformar e visualizar dados espaciais do mundo real.»
Smith et al. (1987) definiu como «Um sistema de base de dados onde a maioria dos dados são indexados
espacialmente e onde um conjunto de procedimentos são operados com o objectivo de responder a
pesquisas sobre entidades espaciais da base de dados»
Cowen (1988) definiu como «Um sistema de apoio à decisão que envolve a integração de dados
georeferenciados num ambiente orientado para a resolução de problemas»
Federal Interagency Coordinating Committee (1988) definiu como «Um sistema de hardware/software e
procedimentos organizado de forma a possibilitar a aquisição de dados, gestão, manipulação, análise e
visualização de dados espaciais, de tal modo que seja possível resolver problemas de planeamento
complexos»
Como se pode facilmente constar a partir destes exemplos de definições variadas, não é tarefa simples
compor uma definição exacta ou convincente para os sistemas de informação geográfica.
Qualquer que seja a definição ou tentativa de definir deixa sempre um vazio e, fica sempre a mesma
pergunta – afinal, o que são os sistemas de informação geográfica?
Para base de entendimento e por ser a definição mais abrangente possível, ou seja, que cobre todas as
áreas de utilização e utilização dos sistemas de informação geográfica, o presente manual adopta a
seguinte definição:
Sistemas de Informação Geográfica (SIGs) são sistemas de informação construídos especialmente para
armazenar, analisar e manipular dados geográficos, ou seja, dados que representam objectos e
fenómenos em que a localização geográfica é uma característica inerente e indispensável. Segundo
Câmara et al. (1996), estes dados geográficos ou espaciais, são adquiridos a partir de diversas fontes e
armazenados por regra nas chamadas base de dados geográficas. Um dos objectivos básicos de SIGs é
permitir a integração de dados espaciais e não espaciais numa mesma base de dados, servindo de
instrumento valioso de suporte à tomada de decisão, através da possibilidade de produção e
apresentação dos dados e informação na forma gráfica (mapas).
Tipos de Dados em Sistemas de Informação Geográfica (SIGs)
Segundo Teixeira (1993), “a natureza dos dados espaciais é determinante para a forma como os
Sistemas de Informação Geográfica estruturam e organizam a informação geográfica” (p. 52). O autor
defende que os dados em SIG podem ser classificados em três categorias principais: vectoriais, matriciais
(ou raster) e alfanuméricos, sendo que cada um destes tipos desempenha funções específicas e
complementares.
Dados Vectoriais
Teixeira (1993) afirma que “os dados vectoriais traduzem a realidade em elementos geométricos
básicos, como pontos, linhas e polígonos” (p. 55).
Pontos são utilizados para representar localizações singulares, como um marco geodésico ou uma
escola.
Linhas descrevem elementos lineares, como estradas ou rios.
Polígonos delimitam superfícies, como municípios, áreas agrícolas ou zonas urbanas.
De acordo com o autor, este modelo apresenta a vantagem de permitir alta precisão geométrica, sendo
fundamental em atividades como o planeamento urbano, a cartografia cadastral e o ordenamento do
território. Contudo, ele também reconhece que o vectorial é menos adequado para fenómenos
contínuos, como a temperatura ou a altitude.
Dados Matriciais (Raster)
Conforme explica Teixeira (1993), “o modelo matricial organiza a informação numa grelha de células, em
que cada célula possui um valor que representa uma variável espacial” (p. 53).
Este tipo de dado é o mais apropriado para fenómenos contínuos. Exemplos incluem:
A altitude representada num modelo digital de terreno;
A precipitação distribuída numa região;
As imagens de satélite, em que cada pixel contém valores de reflectância.
O autor sublinha que os raster “são particularmente úteis para a modelação ambiental e para o estudo
de superfícies contínuas” (Teixeira, 1993, p. xx).
A estrutura matricial apresenta óptimas características do ponto de vista operacional nomeadamente:
– Definição clara e implícita da localização espacial e relações topológicas de cada elemento;
– Acesso imediato aos dados de atributos de cada elemento;
– Operações algébricas iguais para quaisquer elemento, com implementações disponíveis em qualquer
linguagem de programação, com simples rotinas de ciclo;
– Facilidades de tratamento de multi-mapas com sobreposição.
Contudo, apresenta limitações quando se deseja representar limites exatos, dado que a sua precisão
depende da resolução da grelha.
Dados Alfanuméricos
Para Teixeira (1993), “os dados alfanuméricos são os atributos associados a cada objeto espacial”. Estes
atributos acrescentam informação descritiva às geometrias e permitem análises temáticas complexas.
Por exemplo:
A um polígono de município podem ser associados atributos como população, densidade e área agrícola.
Uma linha de estrada pode conter informação sobre tipo de pavimento ou intensidade de tráfego.
Um ponto de localização pode incluir o nome e a função de um equipamento público.
Assim, a integração entre dados espaciais e atributos alfanuméricos constitui a verdadeira força dos
SIGs, pois permite análises que vão além da simples representação cartográfica.
Referência (APA)
Teixeira, Ó. C. (1993). SIG: Sistemas de informação geográfica [Dissertação de mestrado, Universidade
do Porto]. Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto.
Introdução
Os Sistemas de Informação Geográfica (SIGs) surgiram na década de 1960, com destaque para o Canada
Geographic Information System (CGIS) liderado por Roger Tomlinson, considerado o “pai dos SIGs”.
Desde então, evoluíram de ferramentas restritas ao meio académico para sistemas amplamente
utilizados em planeamento urbano, agricultura, gestão ambiental, logística e muitas outras áreas. Hoje,
os SIGs integram big data, inteligência artificial e computação em nuvem, consolidando-se como
instrumentos fundamentais para a análise espacial e apoio à decisão.
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Objetivo Geral
Compreender a importância, evolução e aplicações dos SIGs como instrumentos de análise espacial e
apoio à gestão territorial.
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Objetivos Específicos
1. Apresentar a evolução histórica dos SIGs.
2. Comparar diferentes definições propostas por autores e instituições.
3. Identificar os principais tipos de dados utilizados em SIGs (vetoriais, raster e alfanuméricos).
4. Reconhecer as aplicações práticas dos SIGs em diferentes áreas.
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Metodologia
O trabalho baseou-se em pesquisa bibliográfica, com consulta a livros, dissertações e artigos científicos
de autores de referência na área
Referências (APA)
Burrough, P. A. (1986). Principles of geographic information systems for land resources assessment.
Oxford: Clarendon Press.
Câmara, G., Casanova, M. A., Hemerly, A., Magalhães, J., & Medeiros, J. (1996). Anatomia de sistemas de
informação geográfica. INPE.
Teixeira, Ó. C. (1993). SIG: Sistemas de informação geográfica [Dissertação de mestrado, Universidade
do Porto]. Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto.
Conclusão
Os Sistemas de Informação Geográfica representam hoje um marco na forma como a humanidade lida
com a informação espacial. Desde o seu início nos anos 1960, com o projeto pioneiro CGIS, até às atuais
plataformas baseadas em nuvem e inteligência artificial, os SIGs passaram por uma evolução que reflete
o próprio avanço da ciência e da tecnologia.
A sua principal força está na capacidade de integrar diferentes tipos de dados – vetoriais, raster e
alfanuméricos – transformando-os em mapas, gráficos e análises que facilitam a compreensão da
realidade geográfica. Essa integração permite que os SIGs sejam aplicados em diversas áreas, desde o
planeamento urbano e a agricultura até à gestão de riscos naturais, transportes e conservação
ambiental.
Além de serem ferramentas técnicas, os SIGs são também instrumentos de apoio à decisão. Governos,
empresas e instituições académicas utilizam-nos para otimizar recursos, planear intervenções e
antecipar problemas, contribuindo para uma gestão mais eficiente e sustentável dos territórios.
No entanto, é importante reconhecer que a qualidade dos resultados depende da qualidade dos dados
utilizados e da competência dos profissionais envolvidos. Questões como interoperabilidade entre
sistemas, custos tecnológicos e formação de especialistas continuam a ser desafios presentes.
Em síntese, os SIGs deixaram de ser apenas uma tecnologia de cartografia digital para se tornarem uma
disciplina científica e prática indispensável. O seu papel vai além da simples representação espacial: os
SIGs constituem hoje um pilar fundamental para enfrentar os desafios contemporâneos ligados ao
ordenamento do território, à sustentabilidade ambiental e à gestão inteligente das cidades e recursos
naturais.