Cirurgia Vascular: Doença Arterial Periférica
Cirurgia Vascular: Doença Arterial Periférica
VASCULAR
DOENÇA ARTERIAL
OBSTRUTIVA PERIFÉRICA
SUMÁRIO
1. Introdução....................................................................................................................3
2. Fisiopatologia..............................................................................................................5
3. Clínica...........................................................................................................................9
4. Diagnóstico................................................................................................................13
5. Classificação .............................................................................................................19
6. Tratamento.................................................................................................................21
Referências ....................................................................................................................25
A aterosclerose é uma doença sistêmica das artérias de grande e médio calibre que
causa estreitamento luminal (focal ou difuso) como resultado do acúmulo de material lipí-
dico e fibroso entre as camadas íntima e média do vaso. Pode causar doenças das artérias
coronárias, cerebrais e periféricas. A aterosclerose das artérias dos membros inferiores
é definida como Doença Arterial Obstrutiva Periférica (DAOP), sendo mais comum que
os membros inferiores sejam envolvidos. Embora outros processos patológicos possam
levar ao estreitamento das artérias dos membros (por exemplo, inflamação, trombose) e
sintomas de insuficiência arterial, a aterosclerose é a etiologia mais prevalente da DAOP.
Podem ocorrer sintomas agudos ou crônicos, em decorrência de embolia proveniente de
vasos mais proximais ou trombose de uma artéria que foi progressivamente estreitada.
Os sintomas isquêmicos ocorrem quando há um desequilíbrio entre a oferta e a de-
manda de fluxo sanguíneo. As manifestações clínicas da DAOP dependem da localização
e gravidade da estenose arterial ou oclusão, e variam de dor moderada nos membros com
atividade (isto é, claudicação) a isquemia que ameaça os membros. A maioria dos pacientes
com DAOP assintomática tem um curso benigno, no entanto as manifestações clínicas
podem se desenvolver ou progredir rápida e imprevisivelmente naqueles que continuam
fumando ou naqueles com diabetes ou insuficiência renal.
A prevalência mundial da DAOP dos membros inferiores está entre 3 e 12%. A maioria
(70%) dos acometidos vive em países de baixa ou média renda. É mais prevalente em in-
divíduos mais velhos, afro-americanos, em famílias com aterosclerose e naqueles com
fatores de risco para doenças cardiovasculares (hipertensão, diabetes, hiperlipidemia,
síndrome metabólica, tabagismo). Os fatores de risco para DAOP são semelhantes aos
fatores de risco para doença arterial coronária, devido à associação de ambas com a ate-
rosclerose. As diretrizes do American College of Cardiology e American Heart Association
(ACC/AHA) sobre DAOP identificaram os seguintes grupos de risco associados a um
aumento da prevalência da doença e início precoce:
Idade ≥ 70 anos.
Entre 40 e 49 anos com diabetes e pelo menos outro fator de risco para aterosclerose.
Sintomas nas pernas sugestivos de claudicação com esforço ou dor isquêmica em repouso.
Aterosclerose Epidemiologia
Aterosclerose
A aterosclerose é caracterizada por lesões na íntima chamadas ateromas, ou pla-
cas ateromatosas. São lesões elevadas compostas por centro mole e grumoso de
lipídeos (principalmente colesterol e ésteres de colesterol, com restos necróticos),
recobertas por uma cápsula fibrosa. As placas ateromatosas podem obstruir meca-
nicamente o lúmen vascular e se romper, evoluindo para trombose dos vasos. Elas
também enfraquecem a camada média subjacente e levam à formação de aneurismas.
Endotélio
Artéria
monócitos e macrófagos
infiltrantes
Túnica íntima
Túnica média
Túnica adventícia
Célula T
Matriz
extracelular
Os fatores de risco para aterosclerose podem ser divididos entre não modificáveis,
ou constitucionais e modificáveis:
Anormalidades genéticas
Antecedentes familiares
Idade avançada
Sexo masculino
Modificáveis
Hiperlipidemia
Hipertensão
Tabagismo
Diabetes
Inflamação
Músculo liso
Crescimento principalmente por acúmulo de lipídios Trombose
e colágeno
DAOP
Pacientes com DAOP geralmente são assintomáticos, no entanto se o suprimento
de sangue não for suficiente para atender os requisitos metabólicos contínuos como
consequência do estreitamento arterial, ocorrerão sintomas. A gravidade dependerá
do grau de estreitamento arterial, número de artérias afetadas e nível e atividade dos
pacientes. O paciente pode apresentar dor de um ou mais grupos musculares dos
membros inferiores relacionados à atividade (claudicação intermitente), dor atípica,
dor em repouso ou feridas não cicatrizadas, ulceração ou gangrena. A dor desses
pacientes é causada por uma neurite isquêmica e tende a piorar à noite quando o
membro é colocado em posição horizontal.
Aterosclerose
Lesão endotelial
Principalmente em Bifurcação
FORMAÇÃO DE PLACAS DE ATEROMA
e angulação de vasos
• Dor atípica nas extremidades: Os sintomas atípicos são mais comuns em pacientes
com comorbidades, inatividade física e percepção aletrada da dor. Muitas vezes é
difícil separar nesses casos a dor decorrente da DAOP de outras etiologias, como
artrite, neuropatia, fibromialgia, entre outras. Dessa forma, antes de atribuir um sin-
toma atípico à DAOP, é importante considerar outros diagnósticos.
• Dor isquêmica em repouso: Uma redução severa na perfusão dos membros pode
resultar em dor isquêmica em repouso. Esta é tipicamente localizada no antepé e
nos dedos dos pés e não é facilmente controlada por analgésicos. O paciente refere
uma piora da dor com a elevação do membro inferior. Reduções crônicas no fluxo
sanguíneo das extremidades também podem levar a uma dor neuropática isquêmica
sobreposta que é frequentemente descrita como latejante ou ardente.
• Dor difusa grave: A isquemia aguda difusa dos membros é caracterizada pelo início
repentino de dor nas extremidades, progredindo para dormência e, finalmente, pa-
ralisia da extremidade, acompanhada de palidez, parestesias e ausência de pulsos
palpáveis.
• Ferida/úlcera sem cicatrização: As úlceras isquêmicas geralmente começam como
pequenas feridas traumáticas e depois não cicatrizam porque o suprimento de san-
gue é insuficiente para atender às crescentes demandas do tecido cicatrizante. As
úlceras isquêmicas que envolvem o pé podem ser infectadas e levar à osteomielite.
• Descoloração da pele/ gangrena: A isquemia extrema altera a aparência da pele.
Podem surgir áreas focais de descoloração da pele, que podem evoluir para necrose
cutânea.
Uma característica que pode ser encontrada no exame físico dos pacientes com
DAOP é extremidades com pele fina, seca, brilhante e sem pelos. As unhas podem ficar
quebradiças, hipertróficas e estriadas. Pode ser observada também uma alteração
da temperatura da pele local (um membro isquêmico é frio).
ÚLCERA
CARACTERÍSTICAS ÚLCERA ARTERIAL ÚLCERA VENOSA
NEUROPÁTICA
Sobre as articulações dos
Superfície plantar,
dedos dos pés, maléolos, Área maleolar medial e
Localização calcanhar, metatarso,
base do calcanhar, pontos lateral, panturrilha.
pontos de pressão.
de pressão.
Margens irregulares,
Margens irregulares, base base rosa ou vermelha, Úlcera geralmente
Aparência
seca e pálida, necrótica. coberta por tecido superficial, base vermelha.
fibrinoso e exsudato.
Temperatura dos pés Quente ou frio Quente Quente
Dor Importante Geralmente leve Ausente
Pulsos arteriais Ausente Presente Presente ou ausente
Ausência de sensibilidade
Sensibilidade Variável Presente tátil, dolorosa, térmica e
de pressão.
Deformidades nos
Ausente Ausente Frequente
pés
Eritema, hiperpigmenta-
Brilhante, tensa, perda de Brilhante, seca, pode ter
Alterações na pele ção amarronzada, ede-
pelos. edema e perda de pelos.
ma, varizes.
Membro ameaçado
1-2%
10-35% 40-50%
Nádegas/quadris: aorto-ilíaco
Coxas: a. femoral
Panturrilhas: a. femoral superficial ou
a. poplítea
Pés: a. tibial ou a. fibular
4. DIAGNÓSTICO
Na investigação da DAOP algumas perguntas na anamnese são importantes para
caracterização do quadro, entre elas: “O paciente sente dor com a deambulação? Até
onde pode caminhar antes que a dor ocorra? A dor o leva a parar de andar? Depois
de quanto tempo consegue retomar a caminhada? O paciente sente alguma dor nas
extremidades que o acorda do sono? Onde está localizada a dor? O paciente notou
feridas ou úlceras de difícil cicatrização nos dedos dos pés?”
SINTOMAS
Figura 9. Radiografia AP de tí
da mostrando calcificação da a
tea abaixo do joelho antes de s
Fonte: Uptodate, 202
Figura 5. Radiografia AP de tíbia esquerda mostrando calcificação da ar-
Figura 9. Radiografia AP de tíbia esquer-
téria poplítea abaixo do joelhocalcificação
da mostrando antes de sedaramificar.
artéria poplí-
tea abaixo
Fonte: do joelho
Acervo [Link] de se ramificar.
Fonte: Uptodate, 2020
Figura 7. Angio
Figura TC com
11. Angio obstrução
TC com de artéria
obstrução femoral.
de artéria fe-
moral. Fonte: [Link]
DOENÇA ARTERIAL
Fonte: OBSTRUTIVA
Acervo Sanar.
studies/32925?lang=us&referrer=%2Farti-
PERIFÉRICA
cles%2Fperipheral-arterial-disease%3Flang%-
3Dus%23image_list_item_8916228
Os principais diagnó
trução arterial são: tr
risma, lesão arterial, d
embolismo, Tromboa
do aprisionamento da
Teste ergométrico
DAOP
Estágio 0 Assintomático
Fonte: Adaptado de projeto diretrizes sociedade brasileira de angiologia e cirurgia vascular, 2015
Estágio 1 Assintomático
Fonte: Adaptado de projeto diretrizes sociedade brasileira de angiologia e cirurgia vascular, 2015
Fonte: Adaptado de projeto diretrizes sociedade brasileira de angiologia e cirurgia vascular, 2015
A – Estenose ≤ 10cm;
0 – Assintomático 1 – Assintomático
oclusão ≤ 5 cm
Fonte: Adaptado de projeto diretrizes sociedade brasileira de angiologia e cirurgia vascular, 2015
A Pentoxifilina é outra droga que pode ser utilizada no tratamento dos pacientes com
DAOP, reduzindo o sintoma da claudicação. Atua aumentando a deformabilidade das
hemácias, aumentando a viscosidade sanguínea e diminuindo a adesividade plaquetária.
A intervenção cirúrgica é uma opção para pacientes significativamente incapaci-
tados pela claudicação, naqueles refratários ao tratamento clínico, ou com dor em
Figura 13. Angioplastia e implante de stent no tratamento de oclusão de artéria femoral. Fonte: [Link].
Figura 9. Angioplastia e implante de stent no tratamento de oclusão de artéria femoral.
net/figure/Figura-5-Tratamento-de-oclusao-da-arteria-femoral-superficial-com-angioplastia-e_fig5_228498983
Fonte: Acervo Sanar.
(Hiperlipidemia, hipertensão,
hiperglicemia, tabagismo)
Modificação dos
fatores de risco
Balão + stent; Aterectomia
45-60 min,
Percutânea
≥ 3 vezes/semana
Revascularização cirúrgica
Enxerto vascular:
Veia/ prótese
Terapia farmacológica
Gangrena
Hiperglicemia Cilostazol
Rutherford HAS
TASC II DM
DIAGNÓSTICO
DAC
Anamnese e Exame Físico Imagem vascular
Dislipidemia
ITB Angio TC
Tabagismo
DAOP ≤ 0,9 Angio RM
> 1,3
DAOP ITB ↓≥ 20%
REFERÊNCIAS DE IMAGENS
Imagem utilizada sob licença da [Link], disponível em: < [Link]
[Link]/pt/image-vector/atheroma-plaque-artery-wall-80984965 > Acesso em:
06 de novembro de 2022.
Imagem utilizada sob licença da [Link], disponível em: < [Link]
[Link]/pt/image-vector/development-atheromatous-plaque-artery-over-
-four-331735955 > Acesso em: 06 de novembro de 2022.
Imagem utilizada sob licença da [Link], disponível em: < [Link]
[Link]/pt/image-photo/diabetic-foot-ulcers-selective-focus-dark-425491612 >
Acesso em: 06 de novembro de 2022.
Imagem utilizada sob licença da [Link], disponível em: < [Link]
[Link]/pt/image-photo/limb-ischemia-after-common-femoral-artery-1373920550 >
Acesso em: 06 de novembro de 2022.
Sanar
Rua Alceu Amoroso Lima, 172, 3º andar, Salvador-BA, 41820-770