03/03/2023, 10:02 AVA UNINOVE
FATORES QUE INTERFEREM NA
FORMAçãO DA DEMANDA POR
MOEDA
NESTA AULA É NOSSO OBJETIVO APRESENTAR UMA DISCUSSÃO SOBRE OS FATORES QUE INTERFEREM
NA DEMANDA POR MOEDA. VOCÊ PRECISA DA MOEDA? SAIBA POR QUÊ? OUTRO PONTO IMPORTANTE É
SABER O MONTANTE MONETÁRIO QUE OS AGENTES ECONÔMICOS PROCURAM MANTER EM EU PODER.
COMO OS JUROS PODEM INFLUENCIAR A DEMANDA POR MOEDA.
AUTOR(A): PROF. LUIS CARLOS VIEIRA DA CUNHA
Fatores que interferem na formação da demanda por moeda.
Os agentes econômicos que atuam na sociedade demandam ou procuram obter certa quantidade de moeda
para atender a suas necessidades. É isso mesmo, indivíduos e empresas necessitam obter uma certa
quantidade de recursos financeiros para fazer frente a uma série de necessidades conforme iremos
descrever a seguir.
Tradicionalmente, existem três motivos que levam os agentes econômicos a demandarem a moeda:
A – por motivo de realização de transações: há necessidade de manter uma determinada quantidade de
moeda disponível no bolso, em casa, ou mesmo na conta corrente nos bancos para atender às demandas
cotidianas. A demanda por moeda para transações está condicionada pela renda recebida bem como o seu
fluxo.
B – por motivo de precaução: busca-se a posse da moeda como proteção contra acontecimentos
inesperados tais como desemprego, doença, uma viagem inesperada. Da mesma forma que a demanda por
transação a demanda por precaução dependerá da renda, sendo portanto proporcional a ela.
C – por motivo de especulação: existe a possibilidade de uma parte considerável dos agentes econômicos
em adiar o seu desejo de consumo para o futuro, e dessa forma, essa renda fica disponível para ser alocada
em outras possibilidades de investimento visando obter uma renda futura. Essa decisão é conhecida pelo
nome de especulação financeira e está atrelada ao comportamento da taxa de juros. Quando a taxa juros
está baixa a tendência é a retenção da moeda pelas pessoas e empresas e quando a taxa de juros está alta a
tendência é emprestar o dinheiro para obter algum ganho financeiro.
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De acordo com Vasconcellos e Garcia (p. 200) a teoria econômica desenvolvida pelos economistas clássicos
e neoclássicos definIram que a demanda por moeda ocorreria apenas por motivo de transação e precaução.
Já keynes, em seus estudos sobre o comportamento da demanda por moeda foi um pouco mais longe e
chegou ao entendimento que a demanda por motivo de especulação é influenciada pelo comportamento do
juros na economia.
Comportamento dos juros sobre a demanda da moeda
Você pessoa física ou jurídica precisa de dinheiro para atender suas necessidades seja, para comprar bens de
consumo finais, bens intermediários, bens de capital, ou mesmo realizar investimentos no mercado
financeiro, objetivando ganhos maiores de capital.
Saiba que dentre as várias alternativas possíveis, existe uma saída que é buscar recursos junto a terceiros e
aqui, nesta análise, estamos partindo do pressuposto que os agentes econômicos não estão dispostos a
liberar seus recursos sem cobrar um ágio por ele.
Esse ágio representa na verdade um custo financeiro maior a ser assumido pelo proponente de uma
determinada operação, ou seja, a pessoa física ou jurídica que deseja obter uma determinada quantidade de
dinheiro para suprir suas necessidades de consumo ou de investimento.
Portanto, esse ágio ou custo financeiro maior é determinado com base na taxa de juros praticada pelo
mercado. O nível da taxa de juros retrata na verdade a relação entre a oferta e a demanda por moeda em um
determinado período de tempo, e é exatamente com base nessa relação que as expectativas quanto à
trajetória das taxa de juros são formadas.
Se a expectativa é de alta sabe-se que o custo financeiro no futuro será alto e isso vai refletir,
negativamente, sobre o volume dos investimentos produtivos a serem realizados pelos empresários, assim
como, irá influenciar na retração do consumo das pessoas físicas. Por outro lado, abre-se uma janela para
que as pessoas físicas e jurídicas possam aproveitar o momento e investir em determinados produtos
financeiros ofertados pela área bancária e receber juros sobre o capital investido.
Existe uma relação entre a taxa de juros praticada no mercado interno com a demanda por crédito no
mercado financeiro internacional. Se, por exemplo, “Ceteris paribus”, ou seja, tudo o mais constante, a taxa
de juros no Brasil for mais elevado do que na França, os agentes econômicos do Brasil irão preferir expandir
sua demanda por esse crédito internacional. Agora caso ocorra o contrário haverá uma expansão do crédito
concedido aqui no Brasil. Fica claro que a arbitragem dos juros no mercado internacional influencia o
comportamento do volume de crédito nas economias.
Determinação da taxa de Juros Nominal e taxa de Juros Real
Sabemos que o comportamento da taxa de juros influencia o comportamento da demanda por moeda, certo!
Agora vamos abordar a diferença entre taxa de juros nominal e real na economia.
Geralmente, quando estamos discutindo qual é o juros nominal?, qual é o juros real?, é porque estamos
envolvidos com questões relativas ou voltados para as operações de crédito e/ou investimento.
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No caso de operações de crédito, pode ser analisado pela ótica de quem concede empréstimos (Ex. bancos,
financeiras, agiotas) e no caso vai receber “JUROS” ou aquele que toma emprestado, ou seja, o tomador de
recursos financeiros, que no caso vai pagar “JUROS”.
No caso de operações de investimento, pode ser analisado pela ótica de quem tem recursos financeiros para
investir, oriundos de qualquer fonte, ex. poupança, que é o ato de guardar parte da renda não consumida e
que visa investir esse capital e obter “JUROS”, e do outro lado, tem a figura do tomador, que é a pessoa
física ou jurídica que precisa desse capital e, portanto, vai ter que pagar “JUROS”.
Dito isso agora vamos as definições:
A taxa de juros nominal corresponde a um recebimento expresso em valor percentual que pode ser
calculado diariamente, mensalmente, anualmente ou no tempo desejado. Essa taxa representa na verdade o
retorno sobre o capital que não foi gasto no consumo presente pensando no futuro, e que por ter sido
poupado, poderá ser investido em outra oportunidade no mercado.
A taxa de juros real corresponde a uma taxa de juros nominal descontada a taxa de inflação, e também é
representada na forma percentual em qualquer base ou período.
Pense na seguinte situação: um banqueiro (investidor/credor) empresta uma determinada quantia de
dinheiro a um tomador (emprestador/devedor) e cobra 10% a.a. Se não houver inflação nesse período, a taxa
de juros nominal será igual à taxa de juros real, ou seja, 10% a.a.
Vamos fazer o cálculo dessas taxas de acordo com a equação de Fisher:
(1 + i) = (1 + r) (1 + ¶ )
onde:
i = taxa nominal de juros;
r = taxa de juros real;
¶ = taxa de inflação esperada.
Logo: (1 + r) = (1 + i) / (1 + ¶ ) ⿺ r = (1 + i) / (1 + ¶ ) – 1
Exemplo: Sabendo-se que a taxa de juros nominal de uma determinada operação financeira seja de 12% a.a.
e que a taxa de inflação no ano foi de 7% a.a. Determine o valor da taxa real de juros?
Solução:
r = (1 + 0,12) / (1+ 0,07) – 1 = 1,0467 – 1 = 0,0467 x 100 = 4, 67 % a.a.
Saiba mais: Veja o texto de Fabrício Augusto de Oliveira sobre a obra de Irving Fisher: Do equilíbrio
neoclássico à crise do subprime em [Link]
[Link]. 22.09.14
ATIVIDADE FINAL
A demanda de moeda para especulação:
A. aumenta quando as taxas de juros aumentam.
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B. aumenta à medida que a taxa de juros se reduz.
C. diminui quando as taxas de juros diminuem.
D. independe das taxas de juros.
A demanda de moeda por motivo transacional:
A. dependerá do nível de renda do indivíduo, sendo proporcional a ele;
B. independerá do nível de renda, sendo proporcional somente em relação á taxa de juros;
C. decorre da necessidade dos indivduos não terem necessidade de utilizar a moeda para pagamento de
suas transações com bens e serviços;
D. depende inversamente da renda e diretamente dos juros.
REFERÊNCIA
BIBLIOGRAFIAS
Básica
CARVALHO, Fernando J. Cardim e outros. Economia Monetária e Financeira. Campus, Rio de Janeiro, 2000.
MISCHIN, Frederick, Moedas, Bancos e Mercados Financeiros, Ed. LTC, 1998.
ROSSETTI, José Paschoal e LOPES, João C. Economia Monetária, Ed. Atlas, São Paulo, 2001.
Vansconcellos Marco A. S.. Garcia, Manual E. Fundamentos de Economia. Ed. Saraiva, São Paulo, 4 ed. 2012.
Complementar
BLANCHARD, Olivier. Macroeconomia. Rio de Janeiro: Ed. Prentice Hall, 2008.
DORNBUSH, R. Macroeconomia. São Paulo: Ed. McGrawhill, 1996.
SIMONSEN M. H. e CYSNE, R. P. Macroeconomia. 2a edição São Paulo: Atlas, 1995.
Suplementar
COSTA, Nogueira Fernando da. Economia Monetária – Uma Abordagem Pluralista, Ed. Makron Books, São
Paulo, 1999.
MONTES, Gabriel C. Política monetária, inflação e crescimento econômico: a influência da reputação da
autoridade monetária sobre a economia. Revista Economia e Sociedade Vol.18, N3, p.237-437, dez (2009).
Acesso em [Link]://[Link]/publicações.
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