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Tipos e Tratamentos de Queimaduras

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SP3 – Queimaduras

Termo desconhecido:

●​ Halo pálido: Refere-se geralmente a um anel ou aura de cor clara ao redor de uma lesão ou
estrutura.

1. Descreva os tipos de queimaduras (térmicas, químicas e elétricas).

As queimaduras são classificadas de acordo com o agente etiológico em térmicas, químicas e


elétricas, cada uma com características clínicas e implicações terapêuticas distintas.

●​ Queimaduras Térmicas: São as mais comuns e resultam da exposição da pele ou tecidos a


fontes de calor, como chamas, líquidos quentes (escaldamento), superfícies aquecidas ou
vapores. A gravidade depende da temperatura e do tempo de contato.
●​ Queimaduras Químicas: Ocorrem pela exposição da pele ou mucosas a substâncias químicas
corrosivas, como ácidos ou álcalis. O dano tecidual resulta da reação química entre o agente e
os tecidos. A gravidade depende do tipo de agente, concentração, tempo de exposição e
mecanismo de contato.
●​ Queimaduras Elétricas: São causadas pela passagem de corrente elétrica pelo corpo.
Frequentemente apresentam dano tecidual profundo desproporcional à lesão cutânea
aparente, pois a corrente pode causar necrose muscular, lesão vascular, arritmias cardíacas e
complicações neurológicas. Podem ser classificadas em lesões por contato direto, arco
elétrico (flash) ou por raio.

Classificação por Profundidade:

●​ 1º Grau: Atinge a epiderme. Apresenta vermelhidão (eritema), edema discreto e dor.


●​ 2º Grau: Atinge a epiderme e parte da derme. Caracteriza-se pela presença de bolhas (flictenas)
e dor acentuada.
●​ 3º Grau: Atinge todas as camadas da pele, podendo chegar aos músculos e ossos. Há necrose
do tecido, que se apresenta com cor esbranquiçada ou escura (carbonização). A dor está
ausente devido à destruição das terminações nervosas.

Classificação por Extensão:

A extensão é calculada como uma porcentagem da área corporal total. A Regra dos Nove é um método
prático para essa estimativa:

●​ Cabeça: 9%
●​ Tronco (frente): 18%
●​ Tronco (costas): 18%
●​ Cada Membro Superior: 9%
●​ Cada Membro Inferior: 18%
●​ Genitais: 1%

Com base nisso, as queimaduras são categorizadas como:

●​ Leves (ou "pequeno queimado"): atingem menos de 10% da superfície corporal;


●​ Médias (ou "médio queimado"): atingem de 10% a 20% da superfície corporal;
●​ Graves (ou "grande queimado"): atingem mais de 20% da área corporal

Complicações Sistêmicas das Queimaduras Graves:

●​ Desidratação e Choque Hipovolêmico: O líquido é extravasado do sangue para os tecidos


queimados.
●​ Desequilíbrios Eletrolíticos.
●​ Rabdomiólise: Destruição do tecido muscular, liberando mioglobina no sangue, que pode
causar insuficiência renal aguda.
●​ Infecções: Podem evoluir para sepse.
●​ Cicatrizes Hipertróficas e Retráteis: Podem comprometer a circulação ou a mobilidade articular.
●​ Hipotermia: Durante a reanimação com fluidos ou em ambientes frios.

2. Explique o processo da entrada e saída da corrente elétrica no organismo e correlacione com o


paciente (músculos).

O processo de entrada e saída da corrente elétrica no organismo é fundamental para determinar o


padrão de lesão.

●​ Entrada da Corrente: Ocorre no ponto de contato com a fonte energizada. A resistência da pele
íntegra é alta, mas esta barreira é rompida por lesões, umidade, ou alta voltagem, facilitando a
entrada.
●​ Percursos Internos: A corrente percorre o caminho de menor resistência entre o ponto de
entrada e o de saída. Tecidos ricos em água e eletrólitos, como músculos, vasos sanguíneos e
nervos, são os condutores preferenciais.
●​ Saída da Corrente: Ocorre através de um ponto de contato com a terra ou um potencial
diferente, como o solo ou um objeto metálico aterrado. Marcam-se, assim, os pontos de
entrada e saída, muitas vezes com queimaduras de terceiro grau.

Correlação com os Músculos:

●​ Efeito Joule e Necrose: Ao percorrer os músculos, a energia elétrica é convertida em calor,


causando coagulação e necrose muscular extensa, que pode não ser aparente na superfície.
●​ Rabdomiólise: A destruição muscular libera mioglobina e outras substâncias na corrente
sanguínea, podendo levar à mioglobinúria e insuficiência renal aguda.
●​ Tetania Muscular: A corrente, especialmente a alternada, induz contrações musculares
violentas e involuntárias (tetania). Isso pode impedir que a vítima se solte da fonte e causar
fraturas ósseas, luxações e mais danos musculares.
●​ Arritmias Cardíacas: Se o trajeto da corrente atravessa o tórax, pode interferir no sistema
elétrico do coração, causando desde arritmias benignas até fibrilação ventricular e parada
cardiorrespiratória.

3. Revise a histologia do tecido epitelial e suas camadas.


O tecido epitelial é formado por células justapostas, com pouca matriz extracelular, apresentando
coesão, polaridade e estando apoiado sobre uma membrana basal. Suas principais funções são
proteção, absorção, secreção e sensação.

Classificação:

●​ Quanto ao Número de Camadas:


○​ Simples: Uma única camada de células (ex.: alvéolos pulmonares).
○​ Estratificado: Múltiplas camadas de células (ex.: epiderme da pele).
○​ Pseudoestratificado: Uma camada de células com núcleos em alturas diferentes,
aparentando várias camadas.
●​ Quanto à Forma das Células:
○​ Pavimentosas: Mais largas que altas.
○​ Cúbicas: Altura e largura semelhantes.
○​ Colunares: Mais altas que largas.

A Pele (Tecido Epitelial de Revestimento):

A pele é composta por três camadas principais: epiderme (tecido epitelial), derme (tecido conjuntivo) e
hipoderme (tecido conjuntivo adiposo). A epiderme, um epitélio estratificado pavimentoso
queratinizado, é dividida em cinco camadas (da mais profunda à mais superficial):

1.​ Camada Basal (Germinativa): Células cúbicas ou colunares com intensa atividade mitótica,
responsáveis pela renovação.
2.​ Camada Espinhosa: Células poligonais unidas por desmossomos, formando pontes
citoplasmáticas ("espinhos").
3.​ Camada Granulosa: Células achatadas com grânulos de queratino-hialina, iniciando o processo
de queratinização.
4.​ Camada Lúcida: Camada delgada e translúcida, presente apenas na pele espessa (palmas e
plantas), onde as células perdem seus núcleos e organelas.
5.​ Camada Córnea: Camada superficial de células mortas, achatadas e cheias de queratina, que
proporciona proteção e impermeabilização.

4. Discorra sobre a conduta imediata pré e intra-hospitalar dando ênfase na queimadura elétrica.

Conduta Pré-Hospitalar:

●​ Segurança: A primeira ação é desligar a fonte de energia antes de tocar na vítima.


●​ Avaliação Primária (ABCDE):
○​ A (Via Aérea): Avaliar permeabilidade.
○​ B (Respiração): Verificar ventilação.
○​ C (Circulação): Iniciar RCP se necessário; monitorar ritmo cardíaco.
●​ Imobilização: Imobilizar a coluna cervical se houver suspeita de trauma associado (queda,
contração violenta).
●​ Cuidados com as Lesões: Cobrir as queimaduras com curativo limpo e seco.
●​ Transporte: Encaminhar rapidamente para um hospital, preferencialmente um centro de
queimados.

Conduta Intra-Hospitalar:

A abordagem segue o protocolo ABCDE do Trauma, com ênfase nas particularidades da queimadura
elétrica:

●​ A (Via Aérea) e B (Respiração):


○​ Garantir via aérea pérvia. Intubação orotraqueal precoce se houver queimaduras faciais,
inalação de fumaça ou edema de via aérea.
●​ C (Circulação):
○​ Acesso Venoso: Estabelecer dois acessos venosos calibrosos.
○​ Monitoração Cardíaca: ECG contínuo por 6-24h devido ao risco de arritmias tardias.
○​ Reposição Volêmica Agressiva: A fórmula de Parkland (4 mL x kg x %ACQ) subestima a
necessidade. Os fluidos são titulados para manter um débito urinário alto (1-1,5
mL/kg/h), visando prevenir a insuficiência renal por rabdomiólise. Pode-se utilizar soro
fisiológico e, em alguns casos, alcalinizar a urina.
●​ D (Déficit Neurológico): Avaliação do nível de consciência e exame neurológico.
●​ E (Exposição): Expor completamente o paciente para identificar todos os pontos de entrada e
saída da corrente e outras lesões traumáticas.

Medidas Específicas Adicionais:

●​ Tratamento da Rabdomiólise: Hidratação vigorosa e monitorização da creatina quinase (CK).


●​ Avaliação Cirúrgica: Desbridamento precoce de tecido muscular necrótico para reduzir a carga
sistêmica de mioglobina e prevenir síndromes compartimentais.
●​ Controle da Dor: Uso de opioides por via intravenosa.
●​ Profilaxia: Antitetânica e curativos tópicos com antimicrobianos (ex.: Sulfadiazina de Prata).
●​ Encaminhamento: Para unidade especializada em queimados.

5. Cite e explique os tratamentos.

O tratamento das queimaduras é multifatorial e inclui:

A. Tratamento Cirúrgico:

●​ Desbridamento e Escarotomia: Remoção do tecido necrótico (escaras) para melhorar a


perfusão sanguínea e facilitar a cicatrização. A escarotomia é um procedimento de emergência
para aliviar a constrição causada por escaras circulares no tórax ou membros.
●​ Enxertos de Pele:
○​ Autoenxerto: Pele retirada de uma área não queimada do próprio paciente. É o
padrão-ouro e o único enxerto permanente.
○​ Enxerto em Malha: O autoenxerto é expandido mecanicamente para cobrir uma área
maior, deixando um padrão de cicatrização em "grelha".
○​ Aloenxerto e Xenoenxerto: Pele de doador humano ou animal (porco), respectivamente.
Fornecem cobertura temporária até que um autoenxerto possa ser realizado, sendo
rejeitados pelo sistema imunológico em 10 a 21 dias.

B. Tratamento Clínico e de Suporte:

●​ Cuidados Locais com a Ferida:


○​ Limpeza e Curativos: Limpeza suave e uso de antimicrobianos tópicos para prevenir
infecções.
○​ Antimicrobianos Tópicos:
■​ Sulfadiazina de Prata 1%: Padrão-ouro, com amplo espectro, mas requer trocas
diárias e pode causar leucopenia.
■​ Curativos de Prata de Liberação Sustentada (ex.: Acticoat®): Permitem trocas
menos frequentes e são menos traumáticos.
■​ Nitrato de Cério + Sulfadiazina de Prata: Para queimaduras muito profundas,
reduz a resposta inflamatória.
●​ Suporte Sistêmico:
○​ Nutrição: Dieta hipercalórica e hiperproteica, via oral, enteral ou parenteral.
○​ Fisioterapia e Terapia Ocupacional: Iniciadas precocemente para prevenir contraturas,
imobilidade e manter a amplitude articular. Uso de talas.
○​ Controle da Dor: Analgésicos e opioides.
●​ Tratamento de Complicações:
○​ Rabdomiólise: Hidratação agressiva e alcalinização da urina.
○​ Infecção: Antibioticoterapia sistêmica quando indicada.

C. Conduta para Queimaduras Químicas:

●​ Remoção das roupas contaminadas.


●​ Irrigação copiosa e prolongada (pelo menos 30 minutos) com água corrente.
●​ Observar exceções (ex.: metais alcalinos, onde a água pode piorar a reação).

6. Elabore o plano de cuidado do paciente.

Plano de Cuidados para Paciente com Queimadura Elétrica Grave

1. Estabilização Imediata e Monitorização (Fase Aguda):

●​ Prioridade ABCDE:
○​ A/Via Aérea: Manter via aérea pérvia (intubação orotraqueal se necessário).
Monitorização contínua da saturação de O₂.
○​ B/Respiração: Ventilação mecânica ou suporte conforme necessidade. Ausculta
pulmonar e radiografia de tórax.
○​ C/Circulação: Acesso venoso central ou periférico calibroso. Reposição volêmica
agressiva, titulada pelo débito urinário (meta: 1-1,5 mL/kg/h). Monitorização cardíaca
contínua (ECG).
●​ Investigação de Lesões Sistêmicas:
○​ Cardíacas: ECG seriado, dosagem de enzimas cardíacas (troponina, CK-MB),
ecocardiograma.
○​ Musculares/Renais: Dosagem de CK, mioglobina sérica e urinária, ureia, creatinina e
eletrólitos.
○​ Neurológicas: Avaliação do nível de consciência, exame neurológico detalhado e
tomografia de crânio se houver suspeita de trauma.

2. Cuidados com as Feridas e Manejo Cirúrgico:

●​ Curativos: Limpeza delicada com solução salina e aplicação de antimicrobianos tópicos (ex.:
Sulfadiazina de Prata) conforme prescrição.
●​ Avaliação Cirúrgica: Para desbridamento de tecido necrótico e planejamento de enxertia.
●​ Monitorização de Infecção: Observar sinais como aumento da dor, exsudato purulento, odor
fétido e febre.

3. Controle da Dor e Conforto:

●​ Administração de analgesia adequada, preferencialmente com opioides IV (ex.: Morfina,


Fentanil), titulados conforme a escala de dor.

4. Reabilitação Funcional Precoce:


●​ Fisioterapia: Exercícios de amplitude de movimento passivos e ativos para prevenir contraturas.
Uso de órteses se necessário.
●​ Terapia Ocupacional: Adaptações para atividades de vida diária e preservação da função de
membros superiores.

5. Suporte Nutricional e Metabólico:

●​ Instituir suporte nutricional enteral precoce (sonda nasogástrica) para atender às demandas
hipermetabólicas. Dieta rica em calorias e proteínas.

6. Suporte Psicossocial:

●​ Acompanhamento Psicológico: Para paciente e família, visando lidar com o trauma, a dor e as
possíveis sequelas.
●​ Orientação: Treinar familiares/cuidadores sobre cuidados com curativos, sinais de alerta e
técnicas de mobilização.

7. Profilaxias e Educação para a Alta:

●​ Profilaxia: Vacinação antitetânica atualizada.


●​ Educação do Paciente:
○​ Cuidados com a pele cicatrizada (hidratação, proteção solar).
○​ Reconhecer sinais de complicações (febre, redução da diurese, palpitações).
○​ Importância da adesão à fisioterapia e acompanhamentos ambulatoriais.
●​ Encaminhamentos Ambulatoriais:
○​ Centro de Queimados, Cardiologia, Neurologia, Nefrologia, Dermatologia e Serviço
Social.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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and Histopathology, v. 38, n. 2, p. 127-138, fev. 2023.
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Review. Eplasty, v. 9, p. 407-420, 2009.
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4.​ HOSPITAL ISRAELITA ALBERT EINSTEIN. Glossário de Saúde: Queimaduras. Disponível em:
[Link] Acesso em: 21 out. 2023.
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6.​ KHOR, Desmond; ALQASAS, Tareq; GALET, Colette; BARRASH, Joseph; GRANCHI, Thomas;
BERTELLOTTI, Robert; WIBBENMEYER, Lucy. Electrical injuries and outcomes: a retrospective
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7.​ MSD MANUAIS. Lesões por Choque Elétrico. Disponível em:
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8.​ PAVESI, Eloisa. Tecido Epitelial. 08 de agosto 2025. Disponível em:
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10.​YIN, Shan. Chemical and Common Burns in Children. Clinical Pediatrics (Philadelphia), v. 56,
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