0% acharam este documento útil (0 voto)
5 visualizações272 páginas

Redes de Comunicação de Dados: Teoria Básica

Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
5 visualizações272 páginas

Redes de Comunicação de Dados: Teoria Básica

Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

ETEC ALBERT EINSTEIN

REDES DE COMUNICAÇÃO DE DADOS


(TEORIA)

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


Curso Técnico de Eletrônica
Setembro de 2014
2

Apresentação
Esta apostila aborda de forma básica, mas abrangente, os tópicos para o aprendizado de Redes do curso
Técnico de Eletrônica.

Seu conteúdo não segue uma ordem específica: procurei organizar com base em minha experiência pessoal e
profissional. Faz parte do meu currículo, atuações como Técnico de Eletrônica, Técnico de Telecomunicações,
Programador, Analista de Sistemas, Analista de Redes de Telecomunicações e Professor de Curso Técnico de
Eletrônica.

Começou como uma transcrição de minhas aulas de Redes, da lousa para um editor de textos. Em um primeiro
momento, figuras eram necessárias e recorri à Internet. Complementei com consulta a artigos da Wikipédia,
[Link], [Link], [Link], Microsoft, Apple, Cisco, RFCs, [Link] e
artigos de revistas eletrônicas como Veja, Exame e etc. Os conteúdos da Internet foram acessados em
setembro de 2014 de forma aberta (sem necessidade de login, senha ou qualquer criptografia) e encontrados
por meio de buscas simples em buscadores, como o Google.

Por não ter a pretensão de ser um trabalho acadêmico de graduação ou pós-graduação, me senti livre para
escrever da forma como os conteúdos surgiram a se acomodaram, quase uma brain storm, mas procurando
manter a didática para que os alunos, ou quem quer se a consulte, possam compreender seu conteúdo com a
menor necessidade possível de um professor por perto.

Sendo uma versão inicial, esta apostila não tem seus assuntos separados em capítulos. Muita coisa deverá ser
reposicionada, revista, incluída ou mesmo excluída, conforme sua utilização em aulas assim o indicar.
Conforme novos conceitos surgirem, do ponto de vista do Técnico em Eletrônica (nem sempre o será para o
de Informática), seu conteúdo tenderá a ser absorvido gerando novas versões. Assim, esta apostila, não é algo
que se finalize e considere pronta: deverá evoluir com minhas aulas e experiências.

Em paralelo, há um conjunto de exercícios de laboratórios, também na forma apostilada, idealizados para uso
em máquinas virtuais (ambiente MS-Windows e Linux Ubuntu) e com o simulador Cisco Packet Tracer.

Da mesma forma como consultei documentos abertos da Internet, permito que esta apostila seja difundida
entre os alunos ou por quem encontre nela interesse.

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


[Link]@[Link]
Setembro de 2014

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


3

Índice
Os Nós e as Linhas .............................................................................................................. 04
Redes de Acesso e Backbone ....................................................................................... 04
Órgãos de Padronização ................................................................................................... 05
RFC ..................................................................................................................................... 06
Formas de Conexão .............................................................................................................. 07
Comutação por Circuitos e por Pacotes ............................................................................ 07
Tipos de Redes .............................................................................................................. 08
Internet, Intranet, Extranet e VPN ....................................................................................... 09
Topologia de Redes .............................................................................................................. 10
Formas de Endereçamento de Mensagens ............................................................................ 15
O Host ......................................................................................................................... 16
Arquiteturas de Redes ................................................................................................... 16
O Modelo OSI da ISO ................................................................................................... 16
O Modelo TCP/IP .............................................................................................................. 18
Portas de Comunicação ................................................................................................... 20
O Endereço Físico – Mac Address ........................................................................................ 23
O Endereço Lógico – IP Address ........................................................................................ 23
IPv4 ..................................................................................................................................... 24
Máscaras de Subredes ................................................................................................... 28
A Atribuição de Endereços IP ........................................................................................ 30
Nome de Domínio ............................................................................................................... 32
A Conexão em Rede por Cabos TP ........................................................................................ 34
Equipamentos de Redes de Dados ........................................................................................ 41
Tecnologias de Redes ................................................................................................... 50
A Convergência das Redes de Comunicação ................................................................. 75
Redes NGN .......................................................................................................................... 77
A Zona Desmilitarizada DMZ ........................................................................................ 78
IPv6 ..................................................................................................................................... 84
Tipos de Endereços IPv6 ................................................................................................... 86
Ataques a Redes ............................................................................................................... 89

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


4

Os Nós e as Linhas
As Redes de Comunicação, assim como uma rede de pescador, são constituídas de Nós e Linhas.

Os Nós são os equipamentos onde as informações são processadas e é o que realmente caracteriza as
diferentes redes (podendo abranger inclusive o equipamento dos usuários na origem e no destino).

As Linhas são os meios de transmissão que interligam cada dois nós adjacentes, passando
informações de um nó para outro.

Ao se implantar uma nova rede, os seus nós são específicos, mas as linhas são normalmente
“emprestadas” das redes de maior capacidade e ou de maior capilaridade.

Cada novo serviço de comunicações que se desenvolveu, em épocas e por motivações diferentes,
evoluiu para uma nova rede de comunicação monosserviço (rede de telegrafia; a rede de telefonia; as
redes de TV; etc.).

As redes são acessadas por interesse em um serviço que ela disponibilize. Os equipamentos
envolvidos, caminho que a mensagem toma ou como é tratada, pouco interessa ao usuário final da
rede; à ele interessa o serviço. Por não se ver/perceber o que há no interior das redes, do ponto de
vista do usuário, diz-se que são opacas, como uma nuvem. Assim, para representar uma rede de
forma genérica, o fazemos através do desenho de uma nuvem.

Quando se diz que um serviço está “na nuvem” (como cloud computing), se refere à disponibilidade
do serviço em um ambiente externo. Onde está o servidor, qual tecnologia ou técnica utiliza, tipo de
equipamento, conexões, etc., não interessam ao usuário.

Redes de Acesso e Backbone


Conceitualmente a UIT (União Internacional das Telecomunicações, ITU para a sigla em inglês)
divide as redes de grande porte em redes de acesso e redes de backbone:

• Redes de acesso são aquelas que os usuários se conectam para ter acesso aos serviços.
Exemplos: na telefonia fixa, o aparelho telefônico do usuário, a sua linha telefônica e a central

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


5

local que atende à essa linha; na telefonia celular, a estação móvel do usuário (aparelho) e a
estação rádio base (ERB) que atende a essa estação móvel.

• Redes de backbone são as partes de alta capacidade que servem para a interconexão das
diferentes redes de acesso. Exemplos: na telefonia fixa, as centrais trânsito (locais ou
interurbanas); na telefonia celular, a central de comutação e controle (CCC) e gateways.

Em uma rede de computadores, para se possibilitar o controle de erros (detecção e, por vezes, a
correção dos erros) e o controle de fluxo (evitando que um computador mais rápido “entupa” o mais
lento) nos enlaces usam-se os chamados protocolos de comunicação.

Órgãos de Padronização
A padronização das redes de computadores foi essencial no início da década de 80, e foi um dos
principais motivos do grande crescimento observado nas redes. Antes da criação do modelo OSI pela
(visto adiante), os sistemas eram todos baseados em soluções proprietárias e não permitiam a
interoperabilidade dos fabricantes. Este fato gerava um grande desconforto aos usuários da
tecnologia, que ficavam atrelados a soluções de um único fabricante. Se eles decidissem comprar a
solução de uma determinada marca, eram obrigados a expandir com a mesma marca, o que era ótimo
para o dono da marca e péssimo para o cliente, principalmente na hora de negociar preço.

Os padrões foram criados para permitir que uma solução tecnológica única e padronizada pudesse ser
implementada por diferentes fabricantes. Inicialmente os fabricantes acreditavam que a padronização
limitava a expansão tecnológica, mas o que aconteceu ao longo dos anos foi que os fabricantes
implementavam o padrão e ofereciam a seus clientes, como uma solução de valor agregado, as
capacidades avançadas por eles, criadas como um valor agregado.

A padronização em rede de computadores pode ser dividida em dois tipos:

Padronização da indústria: É o tipo de padronização formal. Em geral esses padrões são


desenvolvidos por entidades de padronização que funciona como um grande fórum, do qual fazem
parte representante das indústrias, dos Governos, dos laboratórios das universidades e dos usuários. É
também denominado Padrão de Direito. Alguns exemplos são:

• IEEE (Institute of Electrical and Electronics Engeneers): Possui engenheiros elétricos e


eletrônicos de praticamente todos os países do mundo. Sua meta é promover conhecimento no
campo da engenharia elétrica, eletrônica e computação. Um de seus papéis mais importantes é o
estabelecimento de padrões para formatos de computadores e dispositivos.

• ANSI (American National Standards Organization): É um órgão de padronização criado nos


Estados Unidos, em 1918. Possuem aproximadamente 1000 associados entre empresas,
organizações, agências de governo e instituições internacionais. A ANSI trabalha em parceria
com a IEC. Seu equivalente no Brasil seria a ABNT.

• IEC (International Electrotechnical Commission): É uma organização internacional de


padronização de tecnologias elétricas, eletrônicas e relacionadas. Alguns dos seus padrões são
desenvolvidos juntamente com a Organização Internacional para Padronização (ISO). A sede da
IEC, fundada em 1906, é localizada em Genebra, Suíça.

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


6

• EIA (Electronic Industries Association): É uma organização privada para as indústrias de


produtos eletrônicos nos Estados Unidos. A EIA é credenciada pela ANSI para desenvolver
padrões e especificações técnicas de componentes eletrônicos, telecomunicações e Internet.

• TIA (Telecommunications Industry Association): Associação das indústrias das


telecomunicações.

• ISO (International Organization for Standardization): É uma organização internacional de


padronização que pode ser considerada a maior do mundo. A ISO desenvolve e estabelece
padrões nem diversas áreas do desenvolvimento tecnológico e é formada por diversas
organizações de diferentes países.

• UIT (ITU) - A União Internacional de Telecomunicações (UIT) (em francês: Union


internationale des télécommunications; em inglês: International Telecommunication Union) é a
agência da ONU especializada em tecnologias de informação e comunicação. Destinada a
padronizar e regular as ondas de rádio e telecomunicações internacionais, a agência é composta
por todos os 193 países membros da ONU e por mais de 700 entidades do setor privado e
acadêmico. Foi fundada como International Telegraph Union (União Internacional de
Telégrafos), em Paris, no dia 17 de maio de 1865 e é hoje a organização internacional mais
antiga do mundo. Suas principais ações incluem estabelecer a alocação de espéctros de ondas de
rádio e organizar os arranjos de interconexões entre todos os países permitindo, assim, ligações
de telefone internacionais. É uma das agências especializadas da Organização das Nações Unidas
(ONU), tendo sua sede em Genebra, na Suíça, próximo ao principal campus da ONU. Os padrões
internacionais que são produzidos pela UIT são denominados Recomendações (com a primeira
letra em maiúsculo, para diferenciar do significado comum da palavra recomendação).

Padronização de Fato: Trata das tecnologias que acabaram virando padrões porque simplesmente o
produto ganhou mercado. Como exemplos há o SNA da IBM, o Windows da Microsoft e o UNIX.

RFC
As Request for Comments (pedido para comentários) são documentos técnicos desenvolvidos e
mantidos pelo IETF (Internet Enginnering Task Force), instituição que especifica os padrões que
serão implementados e utilizados em toda a Internet.

Cada RFC detalha o funcionamento de todos os aspectos do protocolo proposto. A RFC 3286, por
exemplo, possui todas as especificações necessárias para a implementação do controle de fluxo de
dados, também conhecido como streaming, e assim permitir que sites como o Youtube funcionem.

Se um padrão se torna obsoleto ou mudanças são necessárias, é gerado um outro arquivo chamado
Request for Change, onde pessoas que possuem o conhecimento necessário sobre o assunto oferecem
soluções para o problema proposto. Caso seja aprovado pelo Comitê, esse documento se torna uma
nova RFC, com uma numeração diferente da original (que não é excluída), ficando disponível para
consulta.

Existe até uma RFC estabelece como funciona o processo de elaboração e aprovação de uma RFC
(RFC 2826) para que qualquer pessoa que possa oferecer uma solução para um problema existente
possa dar a sua contribuição e, se aprovado, será implementado em toda a Internet com o nome do
autor original.

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


7

Formas de Conexão
As comunicações em uma rede podem ser orientadas ou não orientadas à conexão.

À semelhança do que ocorre em uma chamada telefônica, na forma orientada à conexão a


comunicação se dá em três fases: estabelecimento da conexão (tom de discar, discagem, roteamento,
tons de supervisão da chamada); transferência de dados (conversação); desconexão (liberação dos
recursos utilizados quando os usuários desligam os aparelhos).

Na comunicação não orientada à conexão só existe a fase de transferência de dados, pois, como o
próprio nome diz, nenhuma conexão é estabelecida (ela já estará disponível, como em uma linha
privativa). Neste caso, como não há negociação, não há como indicar (ou negociar) os parâmetros
que se querem para esta comunicação; dizendo-se, por isto, que as comunicações não orientadas à
conexão são de melhor esforço (best efort), sem QoS (Quality of Service). Isto não significa que estas
comunicações não possuem qualidade e sim que esta qualidade não é controlada.

Há aplicações que exigem comunicações orientadas à conexão como, por exemplo, as transferências
de arquivos (que toleram atrasos, mas não toleram erros). Existem outras aplicações que necessitam
comunicações não orientadas à conexão como, por exemplo, a troca de informações de um Sistema
de Gerência (que privilegiam rapidez, tolerando algum grau de erros).

Comutação por Circuitos e por Pacotes


Comutação é o processo de chaveamento que define como uma mensagem é direcionada por uma ou
mais redes. As comunicações podem ocorrer por duas formas de comutação: por circuitos ou por
pacotes.

A comutação por circuito é a usada, por exemplo, pelas centrais telefônicas onde se reservam
fisicamente os recursos que ficam dedicados aos interlocutores durante todo o tempo da
comunicação. Nesta, os dados cursam todo o percurso a uma mesma velocidade, sem nenhum
processamento nos nós sendo, portanto, transparente aos protocolos.

Em caso de falhas em um nó ou em um enlace de uma rede comutada por circuitos, as comunicações


que usavam esses recursos caem, pois este tipo de rede não tem a capacidade de re-rotear (reorientar
automaticamente) tais comunicações.

Embora se dê a rede telefônica como exemplo para a comutação de circuitos, também existem redes
de dados que usam esta técnica.

A comutação de pacotes surge com a comunicação de dados, onde a mensagem inteira pode ser
subdividida em pacotes e estes podem trafegar simultaneamente pela rede, embora cada qual em um
trecho distinto. Quando os pacotes têm tamanho fixo e relativamente pequeno, chamamos
comutação de células.

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


8

Enquanto a comutação de circuitos é sempre orientada à conexão, a comutação de pacotes pode ser
orientada à conexão (quando se usam circuitos virtuais) ou não orientada à conexão (quando se
usam datagramas).

Um datagrama é uma unidade de transferência básica associada a uma rede de comutação de


pacotes em que a entrega, hora de chegada, e a ordem não são garantidos.

O termo datagrama é muitas vezes considerado sinônimo de "pacote", mas há algumas diferenças. O
termo pacote se aplica a qualquer mensagem formatada como um pacote, enquanto o termo
datagrama é geralmente reservado para os pacotes de um serviço "não confiável". Um serviço "não
confiável" não notifica o usuário se a entrega falhar.

Diferente das redes comutadas por circuito, as redes comutadas por pacotes, quando congestionadas,
degradam os tempos de resposta, mas sempre aceitam uma nova solicitação de comunicação.

A denominação circuitos virtuais se dá porque os recursos são reservados apenas logicamente. Estes
ainda podem ser do tipo permanente (PVC – Permanet Virtual Circuit) onde o circuito permanece
estendido durante toda a comunicação e o caminho por onde passa a informação é fixo, ou do tipo
comutados (SVC – Switched Virtual Circuit) onde se deve restabelecer a conexão a cada nova
comunicação com a possível escolha de um novo caminho.

No caso dos datagramas, a comunicação não é orientada à conexão e, portanto, não há qualquer
reserva de recursos da rede, nem física nem logicamente. Cada pacote passa em cada nó da rede por
uma nova decisão de roteamento e, por isso, é possível que pacotes transmitidos primeiro cheguem
depois ao destino (sejam entregues fora de ordem) necessitando ser reordenados.

Tipos de Redes
No início de sua popularização (uso civil), as redes existiam principalmente dentro de escritórios
(rede local), mas com o passar do tempo a necessidade de trocar informações entre esses módulos de
processamento aumentou, dando vez a diversos outros tipos de rede. Assim, as redes passaram a ser
categorizadas conforme sua abrangência:

A seguir, temos os principais tipos:

• LAN – Rede Local


As chamadas Local Area Networks, ou Redes Locais, interligam computadores presentes dentro de
um mesmo espaço físico. Isso pode acontecer dentro de uma empresa, de uma escola ou dentro da
sua própria casa, sendo possível a troca de informações e recursos entre os dispositivos participantes.

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


9

• WLAN – Rede Local Sem Fio


A Wireless LAN, ou Rede Local Sem Fio é, como o nome sugere, uma evolução da LAN, onde
foram retirados os cabos de interconexão dos equipamentos. Esse tipo de rede é bastante usado tanto
em ambientes residenciais quanto em empresas e em lugares públicos.

• MAN – Rede Metropolitana


Imaginemos, por exemplo, que uma empresa possui dois escritórios em uma mesma cidade e deseja
que os computadores permaneçam interligados. Para isso existe a Metropolitan Area Network, ou
Rede Metropolitana, que conecta diversas Redes Locais dentro de algumas dezenas de
quilômetros. Através da MAN é possível uma livraria, autopeças, farmácia, etc., consultar a
existência do produto desejado em um estoque central ou em outra unidade de vendas (loja).

• WMAN – Rede Metropolitana Sem Fio


Esta é a versão sem fio da MAN, com um alcance de dezenas de quilômetros.

• WAN – Rede de Longa Distância


A Wide Area Network, ou Rede de Longa Distância, possui abrangência muito além da MAN,
como um país, um continente, ou mesmo entre continentes.

• WWAN – Rede de Longa Distância Sem Fio


Como versão sem fio da WAN, a WWAN, ou Rede de Longa Distância Sem Fio, alcança diversas
partes do mundo. Justamente por isso, a WWAN está mais sujeita a ruídos.

• SAN – Rede de Área de Armazenamento


As Storage Area Networks, ou Redes de Área de Armazenamento, são utilizadas para fazer a
comunicação de um servidor e outros computadores, ficando restritas a isso.

Há outras denominações que surgem conforme a evolução de dispositivos e popularização de


aplicações, como:

• PAN – Rede de Área Pessoal


As redes do tipo Personal Area Network, ou Redes de Área Pessoal, são usadas para que
dispositivos pessoais se comuniquem dentro de uma distância bastante limitada. Um exemplo disso
são as redes Bluetooth e USB. As redes assim formadas são também denominadas Piconets.

• CAN – Rede de um Campus


As Campus Area Networks são as redes maiores que as redes locais, interligando vários prédios de
um campus universitário ou centro empresarial, por exemplo, mas de forma muito menor que uma
MAN.

Assim, esta lista apresenta apenas as denominações mais comuns de redes, onde mesmo entre os
citados ainda poderíamos descrever as WPAN (Wireless PAN) ou WCAN (Wireless CAN).

Internet, Intranet, Extranet e VPN


A Internet é um conglomerado de redes locais espalhadas pelo mundo, o que torna possível a
interligação entre os computadores utilizando o protocolo de internet.

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


10

Uma intranet é uma rede corporativa que está protegida atrás de firewalls e utiliza tecnologias de
Internet. Mesmo utilizando o mesmo protocolo TCP/IP que a Internet, elas operam como redes
privadas com acesso limitado. Apenas empregados com senhas e códigos de acesso podem acessá-
las. As intranets estão limitadas às informações relacionadas com a empresa (informação pertinente,
proprietária e sensível). Firewalls protegem intranets de acessos externos não autorizados. A intranet
ainda possibilita o uso de mais protocolos de comunicação, não somente o HTTP usado pela internet,
geralmente utilizado em servidores locais instalados na empresa.

Uma extranet é uma “extended intranet”. As transmissões das extranets são realizadas via Internet
porém oferecendo privacidade e segurança através da criação de canais seguros de transmissão de
dados denominados de túneis. Estes túneis utilizam criptografia e algoritmos de autenticação.

As extranets troca de informações de forma segura entre as intranets das corporações e dos seus
parceiros, fornecedores e clientes.

A VPN (Virtual Private Network) é o conceito que permite conectar dois hosts ou mesmo duas redes
utilizando a Internet, mas de forma segura e protegida. A VPN possibilita a criação dos túneis que
interligam as intranets (para formação de extranets) ou de conexão simples à intranet mas com
privacidade e segurança de comunicação.

Conexão de intranets, formando extranets, pela Internet, com o uso de VPNs.

Topologia de Redes
A topologia de uma rede indica como os equipamentos estão interligados entre si. Quando faz
referência à conexão entre as máquinas, é denominada topologia física. Quando diz respeito a forma
como os equipamentos trocam informações entre si, é denominada topologia lógica.

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


11

• Peer-to-peer
Do inglês par-a-par ou simplesmente ponto-a-ponto, com sigla P2P, é uma arquitetura de redes de
computadores onde cada um dos pontos ou nós da rede funciona tanto como cliente quanto como
servidor, permitindo compartilhamentos de serviços e dados sem a necessidade de um servidor
central. As redes P2P podem ser configuradas em casa, em Empresas e ainda na Internet. Todos os
pontos da rede devem usar programas compatíveis para ligar-se um ao outro.
Uma rede peer-to-peer pode ser usada para compartilhar músicas, vídeos,
imagens, dados, enfim qualquer coisa com formato digital.

A topologia ponto a ponto é a mais simples. Une dois computadores, através de um meio de
transmissão qualquer. Dela podemos formar novas topologias, incluindo novos nós em sua estrutura.

• BUS
A Rede em barramento (BUS) é uma topologia de rede em que todos os
computadores são ligados em um mesmo barramento físico de dados. Apesar de
os dados não passarem por dentro de cada um dos nós, apenas uma máquina
pode “escrever” no barramento num dado momento. Todas as outras “escutam” e
recolhem para si os dados destinados a elas. Quando um computador estiver
transmitindo um sinal, toda a rede fica ocupada e se outro computador tentar
enviar outro sinal ao mesmo tempo, ocorre uma colisão e é preciso reiniciar a
transmissão.

Para contornar o problema de colisões existem mecanismos como o protocolo CSMA/CD (Carrier
Sense Multiple Access / Colision Detect). Nele, o equipamento “escuta” a rede; caso algum outro nó
esteja fazendo sua transmissão ele espera um tempo para então voltar a escutar e verificar se a rede
está livre. Outra característica é que, se quando o canal estiver ocioso e o nó for transmitir e outro o
fizer no mesmo momento, o CSMA/CD realiza a detecção de colisão, fazendo com que os dois
parem a transmissão e esperem tempos aleatórios e distintos para voltar a escutar a rede e tentar nova
transmissão.

Essa topologia utiliza cabos coaxiais. Para cada barramento existe um único cabo, que vai de uma
ponta a outra. O cabo é seccionado em cada local onde um micro será inserido na rede. Com o
seccionamento do cabo formam-se duas pontas e cada uma delas recebe um conector BNC. No micro
é colocado um "T" conectado à placa que junta as duas pontas. Embora ainda existam algumas
instalações de rede que utilizam esse modelo, é uma tecnologia obsoleta. Existe uma forma um
pouco mais complexa dessa topologia, denominada barramento distribuído, no qual o mesmo começa
em um local chamado raiz e se expande aos demais ramos (Ligados a um conector). A diferença
entre este tipo de barramento e o barramento simples é que, neste caso a rede pode ter mais de dois
pontos terminais.

cabo coaxial conector BNC conector BNC T

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


12

• Line
A topologia linear coloca um link de duas vias entre um computador e outro.
No entanto, isso era caro nos primeiros dias da computação, uma vez que cada
computador (exceto os que estão em cada extremidade) necessitava de dois
receptores e dois transmissores.

• Ring
A topologia de rede em anel (ring) consiste em estações conectadas através de
um circuito fechado, em série (anel). O anel não interliga as estações
diretamente, mas consiste de uma série de repetidores ligados por um meio
físico, sendo cada estação ligada a estes repetidores. É uma configuração em
desuso, exceto para backbones.

Redes em anel são capazes de transmitir e receber dados em configuração unidirecional. O projeto
dos repetidores é mais simples e torna menos sofisticados os protocolos de comunicação que
asseguram a entrega da mensagem corretamente e em seqüência ao destino, pois sendo unidirecional
evita o problema do roteamento.

Numa rede em anel cada estação está conectada a apenas duas outras estações, quando todas estão
ativas. Uma desvantagem é que se, por acaso apenas uma das máquinas falhar, toda a rede pode ser
comprometida, já que a informação só trafega em uma direção, que no caso é circular.

Há um atraso de um ou mais bits em cada estação para processamento de dados. A cada estação
inserida, há um aumento de retardo (delay) na rede. É possível usar anéis múltiplos para aumentar a
confiabilidade e o desempenho.

Em termos práticos, nessas redes a fiação, que geralmente é realizada com cabos coaxiais, possui
conectores BNC em formato de "T", onde uma das pontas é conectada ao computador anterior e a
outra levará a informação adiante, para a máquina seguinte.

Em uma rede em anel, cada nó tem sua vez para enviar e receber informações através de um token
(ficha, em inglês). Caso o token esteja vazio, a máquina que deseja transmitir o preenche com os
dados. Caso o token esteja preenchido e não forem destinatárias, repassam a mensagem adiante e
aguardam um token vazio. As máquinas que recebem a mensagem verificam se é endereçada à elas,
Caso seja, retiram o conteúdo do token (mensagem) e entregam o token vazio à máquina seguinte.

Somente o nó com o token pode enviar informações. Todos os outros nós devem esperar o token
chegar. Com a evolução, passou-se a utilização uma topologia híbrida,ou seja, utiliza-se cabos de
rede RJ45 e um hub (vistos mais adiante) que faz a topologia anel lógica no seu interior. Pode-se
ligar entre 30 a 50 computadores com taxas de transferência de 50 Mbps.

• Star
A topologia estrela (star) é caracterizada por um elemento central que gerencia
o fluxo de dados da rede, estando diretamente conectado (ponto-a-ponto) a cada
nó, resultando daí a designação estrela.

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


13

Na topologia estrela todas as conexões partem de um ponto centralizado, normalmente um hub ou


switch.

Toda informação enviada de um nó para outro é enviada primeiro ao dispositivo que fica no centro
da estrela, os dados não passam por todos os hosts. O concentrador encarrega-se de encaminhar o
sinal para as estações solicitadas.

Existem também redes estrela com conexão passiva (similar ao barramento), na qual o elemento
central nada mais é do que uma peça mecânica que atrela os enlaces entre si, não interferindo no
sinal que flui por todos os nós, da mesma forma que o faria em redes com topologia barramento. Mas
este tipo de conexão passiva é mais comum em redes ponto-a-ponto lineares, sendo muito pouco
utilizado já que os dispositivos concentradores (HUBs, Switches, e outros) não apresentam um custo
tão elevado se levarmos em consideração as vantagens que são oferecidas.

Como este tipo de topologia possui um concentrador, caso um equipamento apresente problemas, a
rede permanece estável. Porém, um problema no equipamento que é o centro da estrela pode
paralisar a rede.

• Tree
Uma topologia em árvore é uma rede, que, pela sua configuração de suas
interligações, se assemelha a uma árvore, no sentido em que as suas ramificações
tendem a convergir para uma raiz, ou uma origem (como por exemplo, em árvore
genealógica). Introduz-se, portanto, a noção de raiz e descendência.

Nas redes em árvores devem ser tomados cuidados adicionais, pois cada
ramificação significa que o sinal deverá se propagar por dois caminhos diferentes.
A menos que estes caminhos estejam perfeitamente casados, os sinais terão velocidades de
propagação diferentes e refletirão os sinais de diferentes maneiras. Em geral, redes em árvore,
trabalham com taxas de transmissão menores do que as redes em barramento comum.

• Mesh
Na rede em malha (mesh), cada nó pode se comunicar com vários outros.
Na figura ao lado, temos uma rede mesh parcial, onde as máquinas
comunicam com várias outras, mas não todas. Caso as conexões sejam
entre todos os nós é denominada Fully Connected.

Esta topologia é muito utilizada em várias configurações, pois facilita a


instalação e configuração de dispositivos em redes mais simples, já que são
vários os caminhos possíveis por onde a informação pode fluir da origem
até o destino.

Neste tipo de rede, o tempo de espera é reduzido e eventuais problemas não interrompem o
funcionamento da rede. Um problema encontrado é em relação às interfaces de rede, já que para cada
segmento de rede seria necessário instalar, em uma mesma estação, um número equivalente de placas
de rede. Uma vez que cada estação envia sinais para todas as outras com frequência, a largura da
banda de rede não é bem aproveitada.

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


14

Ainda no que diz respeito às conexões de rede, podemos citar as seguintes técnicas de formação de
topologias:

• Daisy-Chain
Exceto para redes conectadas em estrela, a maneira mais fácil de adicionar mais computadores em
uma rede é por encadeamento (Daisy-Chaining), ou seja, ligar cada computador em série com o
próximo. Se a mensagem se destina a um computador distante no caminho da linha, cada sistema a
retransmite em sequência, até que ela chegue ao seu destino. Uma rede encadeada (Daisy-Chained)
pode assumir duas formas básicas: linear e anel.

• Ad Hoc
Ad hoc é uma expressão latina que significa "para esta finalidade" ou "com este objetivo".
Geralmente se refere a uma solução destinada a atender a uma necessidade específica ou resolver um
problema imediato - e apenas para este propósito, não sendo aplicável a outros casos. Portanto, tem
um caráter temporário. Em um processo ad hoc, nenhuma técnica de uso geral é empregada, pois as
fases variam a cada aplicação, conforme a situação assim o requeira. O processo nunca é planejado
ou preparado antecipadamente.

Tecnicamente, as redes ad hoc são um tipo de rede que não possui um nó ou terminal especial -
geralmente designado como ponto de acesso - para o qual todas as comunicações convergem e que as
encaminha para os respectivos destinos. Assim, uma rede de computadores ad hoc é aquela na qual
todos os terminais funcionam como roteadores, encaminhando de forma comunitária as
comunicações advindas dos terminais vizinhos. Um dos protocolos usados para redes ad hoc sem
fio é o OLSR (Optimized Link State Routing).

Geralmente, numa rede ad hoc não há topologia predeterminada, nem controle centralizado. Redes
ad hoc não requerem uma infraestrutura tal como um backbone ou pontos de acesso configurados
antecipadamente. Os nós (ou nodos) se comunicam com conexão física entre eles, criando uma rede
on the fly, na qual alguns dos dispositivos da rede fazem parte dela apenas durante a sessão de
comunicação - ou, no caso de dispositivos móveis ou portáteis, enquanto estão a certa proximidade
do restante da rede.

No modo ad hoc o usuário se comunica diretamente com outros, como em P2P. Este modelo,
pensado para conexões pontuais, só recentemente passou a prover mecanismos robustos de
segurança, por conta do fechamento de padrões mais recentes (802.11i).

• Rede Mista ou híbrida


Numa topologia híbrida, o desenho final da rede resulta da combinação de duas ou mais topologias
de rede. A combinação de duas ou mais topologias de rede permite-nos beneficiar das vantagens de
cada uma das topologias que integram esta topologia. Embora muito pouco usada em redes locais,
uma variante da topologia em malha, a malha híbrida, é usada na Internet e em algumas WANs. A
topologia de malha híbrida pode ter múltiplas ligações entre várias localizações, mas isto é feito por
uma questão de redundância, além de que não é uma verdadeira malha porque não há ligação entre
cada um e todos os nós, somente em alguns por uma questão de backup.

• Resumindo:
A figura seguinte ilustra resumidamente os principais tipos de topologias de redes.

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


15

Exemplos de Topologias de Redes

Formas de Endereçamento de Mensagens


Denomina-se domínio de difusão como sendo um segmento lógico de uma rede de computadores
em que um computador ou qualquer outro dispositivo conectado à rede é capaz de se comunicar com
outro sem a necessidade de utilizar um dispositivo de roteamento.

Existem, basicamente, três formas de endereçamento que podem ser implementadas em uma rede:
unicast, multicast e broadcast.

No endereçamento unicast, a origem envia uma mensagem para apenas um destinatário, ou seja,
apenas um dispositivo receberá a mensagem.

No endereçamento broadcast, a origem envia uma mensagem para todos os dispositivos da rede.
Nesta situação, diz-se que a mensagem atingiu todos os hosts de seu domínio de difusão, sendo por
isso, muitas vezes denominado domínio de broadcast. É importante ressaltar que uma mensagem de
broadcast não sai da rede (não atinge outras redes, fica restrita ao domínio da rede).

Switches e Hubs encaminham pacotes de broadcast (routers não) e por isso formam somente um
domínio de broadcast. Já um roteador (router) não encaminha broadcasts e por isso cada porta dele
forma um domínio de broadcast.

No endereçamento multicast, a origem envia uma mensagem para um grupo de dispositivos


chamado grupo multicast. O grupo multicast é um subconjunto dos dispositivos que formam a rede,
ou seja, vários recebem a mensagem, mas não todos.

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


16

O Host
Por definição, host é qualquer computador ou máquina conectado a uma rede, que conta com
número de IP e nome definidos. Essas máquinas são responsáveis por oferecer recursos, informações
e serviços aos usuários ou clientes. Por essa abrangência, a palavra pode ser utilizada como
designação para diversos casos que envolvam uma máquina e uma rede, desde computadores
pessoais a roteadores.

Servidores de hospedagem de sites também podem ser considerados hosts. Esses serviços contam
com uma máquina central, o host, que fica conectada 24 horas por dia, enquanto armazena e envia os
dados das páginas para a Internet. Essa máquina é responsável pelo armazenamento de todos os
arquivos contendo os códigos das páginas que se encontram online.

O termo pode ainda ser usado para indicar outras formas de rede que não a Internet. Um roteador que
controla a rede onde diversas máquinas se conectam por meio de um número de IP, por exemplo,
também pode ser considerado um host.

Arquiteturas de Redes
Arquitetura de rede é como se designa um conjunto de camadas e protocolos de rede. A
especificação de uma arquitetura deve conter informações suficientes para permitir que um
implementador desenvolva o programa ou construa o hardware de cada camada, de forma que ela
obedeça corretamente ao protocolo adequado

O Modelo OSI da ISO


O Modelo OSI (Open System Interconnection) é um modelo de referência da ISO
(International Standards Organization), criado em 1970 e formalizado em 1983, idealizado para
viabilizar uma solução aberta para redes de Comunicação. O modelo OSI se tornou referência para a
maioria das arquiteturas de redes atuais. As sete camadas do RM-OSI (Reference Model OSI) são:

• Camada 7 - Aplicação: A camada de aplicação corresponde às aplicações (programas) no topo


da camada OSI que serão utilizados para promover uma interação entre a máquina-usuário
(máquina destinatária e o usuário da aplicação). Esta camada também disponibiliza os recursos
(protocolo) para que tal comunicação aconteça, por exemplo, ao solicitar a recepção de e-mail
através do aplicativo de e-mail, este entrará em contato com a camada de Aplicação do protocolo
de rede efetuando tal solicitação (POP3 ou IMAP).

• Camada 6 - Apresentação: A camada de Apresentação, também chamada camada de tradução,


converte o formato do dado recebido pela camada de Aplicação em um formato comum a ser
usado na transmissão desse dado, ou seja, um formato entendido pelo protocolo usado. Trata a
sintaxe (disposição dos diferentes campos pelos flags de delimitação) e a semântica (significado
dos campos como compressão de dados ou criptografia) – para que os bits transmitidos tenham o
mesmo significado na origem e no destino;

• Camada 5 - Sessão: A camada de Sessão permite que duas aplicações em computadores


diferentes estabeleçam uma comunicação, definindo como será feita a transmissão de dados,

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


17

pondo marcações nos dados que serão transmitidos. Se porventura a rede falhar, os computadores
reiniciam a transmissão dos dados a partir da última marcação recebida pelo computador
receptor. Resumidamente, organiza o diálogo fim-a-fim (half-duplex, full-duplex, etc...).

• Camada 4 - Transporte: Garante a integridade fim-a-fim dos “bits” (Controle de Erros e Fluxo
fim-a-fim). A camada de transporte é responsável por receber os dados enviados pela camada de
sessão e segmentá-los para que sejam enviados a camada de rede, que por sua vez, transforma
esses segmentos em pacotes. No receptor, a camada de Transporte realiza o processo inverso, ou
seja, recebe os pacotes da camada de rede e junta os segmentos para enviar à camada de sessão.
Isso inclui controle de fluxo, ordenação dos pacotes e a correção de erros, tipicamente enviando
para o transmissor uma informação de recebimento, garantindo que as mensagens sejam
entregues sem erros na sequência, sem perdas e duplicações. A ISO define o protocolo de
transporte para operar em dois modos: orientado a conexão e não-orientado a conexão.

• Camada 3 - Rede: Define o roteamento (rotas até o destino) e promove o controle de


congestionamento da rede enquanto se mantém a qualidade de serviço requerido pela camada de
transporte. A camada de rede realiza roteamento de funções. Roteadores operam nesta camada,
enviando dados em toda a rede estendida e tornando por exemplo, a Internet possível.

• Camada 2 - Enlace: A camada de ligação de dados também é conhecida como de enlace


ou link de dados. Esta camada detecta e, opcionalmente, corrige erros que possam acontecer no
nível físico. É responsável por controlar o fluxo (recepção, delimitação e transmissão de quadros)
e também estabelece um protocolo de comunicação entre sistemas diretamente conectados. Os
switches operam nesta camada.

• Camada 1 - Física: Adéqua a interface dos computadores à Rede (a conexão física). A camada
física define especificações elétricas e físicas dos dispositivos. Em especial, define a relação
entre um dispositivo e um meio de transmissão, tal como um cabo de cobre ou um cabo de fibra
óptica. Isso inclui o layout de pinos, tensões, impedância da linha, especificações do cabo,
temporização, hubs, repetidores, adaptadores de rede, adaptadores de barramento de host e etc. A
camada física, a camada mais baixa do modelo OSI, diz respeito à transmissão e recepção do
fluxo de bits brutos não-estruturados em um meio físico. Ele descreve as interfaces elétricas
óptica, mecânicas e funcionais para o meio físico e transporta sinais para todas as camadas
superiores. Os hubs operam nesta camada.

A figura seguinte ilustra a comunicação entre origem e destino envolvendo três nós, utilizando o
modelo OSI.
Origem Destino

Aplicação (7) Aplicação (7)


Apresentação (6) Apresentação (6)
Sessão (5) Sessão (5)
Transporte (4) Transporte (4)
Rede (3) Rede (3) Rede (3)
Enlace (2) Enlace (2) Enlace (2)
Física (1) Física (1) Física (1)

Caminho físico em uma comunicação envolvendo três nós.

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


18

Os Protocolos utilizados em cada camada adicionam bits aos pacotes promovendo o Overhead.

Ilustração da inclusão de bits em cada camada (Overhead).

Para não confundir quadro e pacote, podemos simplificar com as seguintes definições:

• Quadro: (ou frame) é a menor estrutura de informação transmitida através de uma rede
local. Possui o endereço de origem e destino físico (da placa de rede), toda a estrutura do
pacote e o checksum (código usado para verificar a integridade de dados transmitidos).

• Pacote: são transportados no interior dos quadros, possuindo: endereço lógico de destino,
endereço lógico de origem (da rede) e os dados.

O modelo TCP/IP
O RM-OSI é excelente por motivos didáticos, mas não existe em uso comercial uma rede mundial
totalmente OSI (com as sete camadas implementadas). Existe outro modelo para a implementação de
uma solução aberta de redes de comunicação e que efetivamente está sendo usado: é a arquitetura
TCP/IP, o modelo usado na Internet.

Pode-se dizer que a história do que hoje se conhece por Internet começa no dia 04/07/1957 quando a
União Soviética lançou o Sputnik 1, o primeiro satélite artificial a orbitar o globo terrestre.

Uma das respostas americanas foi a criação da ARPA (Advanced Research Projects Agency) dentro
do DoD (Department of Defense), com a finalidade de manter os Estados Unidos na liderança da
ciência e da tecnologia aplicadas às atividades militares.

Em 1962, Paul Baran, da Rand Co., publicou “On Distribuited Communications Networks” a defesa
da idéia de se criarem redes que sobrevivessem à destruição parcial dos seus nós e enlaces.

Uma rede assim não poderia ser uma rede de circuitos, mesmo que de circuitos virtuais, pois, após o
estabelecimento das conexões (dos circuitos) a informação dos endereços de origem e destino é
perdida (tal qual numa chamada telefônica).

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


19

Uma rede de circuitos não têm a capacidade de re-rotear as comunicações afetadas; uma rede de
datagramas sim, já que cada datagrama “per si” é roteado de forma independente dos demais.

O TCP (Transfer Control Protocol) e o IP (Interconnection Network Protocol) são dois protocolos
independentes – o IP é sempre usado nesta arquitetura, o TCP nem sempre. Mas quando se cita o
TCP/IP não se está falando dos dois protocolos e sim da arquitetura que, além destes dois, possui
dezenas de outros protocolos.

FTP TELNET SMTP BOOT DNS SNMP

TCP UDP

IP

PPP

As quatro camadas e alguns protocolos da arquitetura IP.

A figura seguinte ilustra a comparação entre as funções das camadas dos modelos OSI e o TCP/IP.

A camada “Internet” também é conhecida como “Inter Rede”.

• OBS: O modelo TCP/IP foi definido originalmente, pela RFC 871, como tendo três camadas. Na RFC
1122 (1989) especificou-se um modelo de quatro camadas. Mais recentemente (RFC 1188, RFC 1377 e
RFC 1663) foi apresentado um modelo de cinco camadas que divide a camada “acesso à rede” (vide
figura acima) em “enlace de dados” e “física” (como no modelo OSI).

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


20

Portas de comunicação
Como vimos, o TCP/IP usa o IP para endereçar as mensagens (camada de rede). Na camada de
transporte, estas mensagens podem trafegar na forma orientada a conexão (TCP – Transfer Control
Protocol) ou não orientada a conexão (UDP – User Datagram Protocol).

FTP TELNET SMTP BOOT DNS SNMP

TCP UDP

IP

PPP

O TCP é o protocolo mais usado, fornece garantia na entrega de todos os pacotes e opera na forma
orientada a conexão. No estabelecimento da conexão entre emissor e receptor existe uma
negociação denominada de Three Way Handshake (SYN, SYN-ACK, ACK). Após o aceite (ACK) é
feita a transmissão dos pacotes. Ao final da transmissão a conexão é desfeita.

O protocolo TCP/IP permite o uso de pacotes com até 64 kbytes, mas normalmente são usados
pacotes com até 1500 bytes, que é o tamanho máximo de um frame Ethernet.

Para cada pacote recebido, a estação envia um pacote de confirmação e, caso algum pacote se perca,
ela solicita a retransmissão. Cada pacote inclui 4 bytes adicionais com um código de CRC (Cyclic
redundancy check), que permite verificar a integridade do pacote. É através dele que o cliente sabe
quais pacotes chegaram danificados.

Depois que todos os dados são transmitidos, o servidor envia um pacote "FIN" que avisa que não tem
mais nada a transmitir. O cliente responde com outro pacote "FIN" e a conexão é oficialmente
encerrada.

Este procedimento garante a integridade da comunicação. Porém toda esta formalidade torna as
transferências mais lentas, já que via TCP, para cada conexão é necessário adicionar um total de 9
pacotes.

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


21

A figura a seguir ilustra o fluxo de informações na troca de dados usando TCP.

O UDP é um protocolo mais simples e por si só não fornece garantia na entrega dos pacotes. Esse
processo de garantia de dados deve ser realizado pela aplicação em si (que usa o protocolo UDP) e
não pelo protocolo. Por ser mais simples, é mais rápido que o TCP.

Assim como no TCP, são usados pacotes de até 1500 bytes (o protocolo permite o uso de pacotes
com até 64 kbytes, mas, assim como no caso do TCP eles são raramente usados devido ao limite de
tamanho dos frames Ethernet), contendo os bits adicionais de verificação. A estação pode verificar a
integridade dos pacotes, mas não tem como perceber se algum pacote se perdeu, ou solicitar a
retransmissão de um pacote corrompido. Se um pacote se perde, fica por isso mesmo.

Um exemplo típico de uso do UDP é o streaming de vídeo e áudio via web, uma situação onde se
privilegia a velocidade e não a confiabilidade.

Outra aplicação comum são os servidores DNS (Domais Name Server). Sempre que se acessa um
site, a solicitação do endereço IP referente ao domínio do site e a resposta do servidor são enviadas
via UDP, para ganhar tempo.

Na prática, é raro encontrar algum programa que utilize unicamente pacotes UDP para outros
serviços além do envio de mensagens curtas. Mesmo no caso do streaming de vídeo, é comum usar
uma porta TCP para estabelecer a conexão e enviar informações de controle, deixando o UDP apenas
para o envio dos dados.

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


22

Em uma comparação simplista podemos resumir na seguinte tabela:

TCP UDP
Serviço orientado por conexão: Serviço sem conexão:
Uma sessão é estabelecida entre os hosts. Não há sessão entre os hosts.
Garante a entrega através do uso de confirmações e Não garante ou confirma a entrega ou seqüência os
entrega seqüenciada dos dados. dados.
Os programas que usam UDP são responsáveis por
Os programas que usam TCP têm garantia de
oferecer a confiabilidade necessária ao transporte de
transporte confiável de dados.
dados.
TCP é mais lento, necessita de maior sobrecarga e UDP é rápido, necessita de baixa sobrecarga e pode
pode oferecer suporte apenas à comunicação ponto a oferecer suporte à comunicação ponto a ponto e
ponto. ponto a vários pontos.

Cada programa trabalha com um protocolo/serviço específico, ao qual está associado um número
denominado Port (porta). Assim, enquanto o IP permite endereçar redes e hosts, o número de porta
permite identificar o protocolo/serviço ao qual a mensagem é endereçada.

Atuação de portas TCP

Exemplos de portas TCP


nº Descrição
20 Servidor FTP (canal de dados)
21 Servidor FTP (canal de controle)
23 Servidor Telnet
53 Transferências de zona DNS
80 Servidor da Web (HTTP, Hypertext Transfer Protocol, protocolo de transferência de hipertexto)
139 Serviço de sessão de NetBIOS

Exemplos de portas UDP


nº Descrição
53 Consultas de nomes DNS
69 Trivial File Transfer Protocol (TFTP)
137 Serviço de nomes de NetBIOS
138 Serviço de datagrama de NetBIOS
161 Simple Network Management Protocol (SNMP)
520 Routing Information Protocol (RIP, protocolo de informações de roteamento)

Para obter uma lista atualizada e completa de todas as portas conhecidas e registradas atualmente, consulte o
seguinte endereço web:

[Link]

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


23

O Endereço Físico – MAC Address


O MAC (Media Access Control) é um endereço físico associado à interface de comunicação (NIC –
Netwok Interface Card), que conecta um dispositivo à rede. O MAC é um endereço “único”, não
havendo duas portas com a mesma numeração, e usado para controle de acesso em redes de
computadores. Sua identificação é gravada em hardware, isto é, na memória ROM da placa de rede
de equipamentos como desktops, notebooks, roteadores, smartphones, tablets, impressoras de rede,
etc. Assim, em tese, uma interface de rede tem um código que a identifica como sendo única.

Um host pode ter várias interfaces de rede, tendo um MAC para cada interface (NIC).

O endereço MAC é formado por um conjunto de seis bytes separados por dois pontos (“:”) ou hífen
(“-”), sendo cada byte representado por dois algarismos na forma hexadecimal, como por exemplo:
"00:19:B9:FB:E2:58". Cada algarismo em hexadecimal corresponde a uma sequência de quatro bits,
desta forma, os 12 algarismos que formam o endereço totalizam 48 bits.

Há uma padronização dos endereços MAC administrada pela IEEE (Institute of Electrical and
Electronics Engineers) que define que os três primeiros bytes, denominados OUI (Organizationally
Unique Identifier), são destinados a identificação do fabricante - eles são fornecidos pela própria
IEEE. Os três últimos bytes são definidos pelo fabricante, sendo este responsável pelo controle da
numeração de cada placa que produz.

Apesar de ser único e gravado em hardware, o endereço MAC pode ser alterado através de técnicas
específicas.

O endereço físico (MAC) de interface de rede (NIC) em um computador com Windows pode ser
verificado pelo comando ipconfig /all executado em janela de prompt de comandos. Em sistemas
baseados em Unix e Linux, pode-se utilizar o comando ifconfig em janela de terminal. Estes
comandos mostram, além do endereço físico, o endereço lógico das interfaces de redes.

O endereço lógico é um endereço que é atribuído pelo gestor da rede (de forma manual ou
automática) que permite a comunicação entre redes (nível 3 – Rede – do modelo OSI). Em uma rede
TCP/IP, o endereço lógico é o Endereço IP.

O MAC é responsável pelo controle de acesso ao meio propriamente dito, além da construção do
quadro, endereçamento e detecção de erro.

.
O Endereço lógico – IP Address
O endereço IP é uma forma de endereçamento lógico que permite endereçar hosts e redes. As
primeiras versões foram usadas para desenvolvimento em ambientes de teste. A versão estável e que
tornou a Internet possível foi a versão 4 (IPv4).

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


24

O IPv5 (Internet Protocol, versão 5) foi uma pequena modificação experimental no IPv4 para
trafegar voz e vídeo sobre multicast. Foi uma versão experimental do protocolo ST (Stream
Protocol), que foi primeiramente definido em 1979 em IEN 119 (Internet Experiment Note), e
revisto na RFC 1190 e na RFC 1819. Nunca foi introduzido ao público geral, mas atualmente muitos
de seus conceitos estão presentes no protocolo MPLS.

No contexto das redes de computadores e telecomunicações, o MPLS (Multi Protocol Label


Switching) é um mecanismo de transporte de dados pertencente à família das redes de comutação de
pacotes. O MPLS é padronizado pelo IETF (Internet Engineering Task Force) através da RFC-3031
e opera numa camada OSI intermediária às definições tradicionais do Layer 2 (Enlace) e Layer
3 (Rede), pelo que se tornou recorrente ser referido como um protocolo de "Layer 2,5".

O IPv6 é a versão mais atual do Protocolo de Internet. Originalmente oficializada em 6 de junho de


2012, é fruto do esforço do IETF para criar a "nova geração do IP" (IPng: Internet Protocol next
generation), cujas linhas mestras foram descritas por Scott Bradner e Allison Marken, em 1994,
na RFC 1752. Sua principal especificação encontra-se na RFC 2460.

O protocolo está sendo implantado gradativamente na Internet e deve funcionar lado a lado com
o IPv4, numa situação tecnicamente chamada de "pilha dupla" (dual stack), por algum tempo. Em
longo prazo, o IPv6 tem como objetivo substituir o IPv4, que suporta cerca de 4 bilhões (4x109)
de endereços IP, contra cerca de 3,4x1038 endereços do novo protocolo (enquanto o IPv4 conta com
32 bits de endereçamento, o IPv6 conta com 128 bits de endereçamento).

IPv4
O endereço IPv4 (Internet Protocol versão 4) é formado por uma sequência de 32 bits que
identificam redes e hosts. Para facilitar a interpretação e manuseio, os 32 bits são representados em
quatro grupos (octetos), convertidos para decimal e separados por pontos.

Exemplo:

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


25

Originalmente, o espaço do endereço IP foi dividido em poucas estruturas de tamanho fixo chamados
de "classes de endereço". As três principais são a classe A, classe B e classe C. Examinando os
primeiros bits de um endereço, o software do IP consegue determinar rapidamente qual a classe, e
logo, a estrutura do endereço.

• Classe A: Primeiro bit é 0 (zero)


• Classe B: Primeiros dois bits são 10 (um, zero)
• Classe C: Primeiros três bits são 110 (um, um, zero)
• Classe D: (endereço multicast): Primeiros quatro bits são: 1110 (um, um, um, zero)
• Classe E: (especial reservado): Primeiros quatro bits são 1111 (um, um, um, um)

A figura seguinte mostra o arranjo para as classes A, B e C.

A tabela, a seguir, contém o intervalo das classes de endereços IPs:

Classe Gama de Endereços Redes Hosts por Rede


A* [Link] até [Link] 126 16 777 214**
B [Link] até [Link] 16 384 65 534**
C [Link] até [Link] 2 097 152 254**
D [Link] até [Link] Multicast
E [Link] até [Link] Reservada para testes pela IETF

Observações:
* Os endereços de rede 0 e 127 são reservados a loopback e não acessam a rede física.
** Em cada classe, dois endereços de hosts que são reservados:
Quando todos os bits que endereçam o host estão zerados, o endereço se refere à própria rede.
Quando todos os bits que endereçam o host estão em 1, trata-se de broadcast (todos os hosts da rede).

Há blocos de endereços IP que são reservados para uso em redes privativas e não são roteados pela
Internet.
Classe A = [Link]
Classe B = [Link] (Zeroconf)
Classe B = [Link] a [Link]
Classe C = [Link]

Zeroconf (ou Zero Configuration Networking) é um conjunto de técnicas que criam de forma
automática uma rede IP sem necessitar de configuração ou servidores. Isto permite usuários
inexperientes conectarem computadores, impressoras de rede e outros dispositivos e aguardar que o

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


26

funcionamento da rede se estabeleça automaticamente. Sem o Zeroconf, um usuário precisaria


configurar serviços especiais, tais como DHCP e DNS, ou configurar manualmente cada computador
para acessar a rede.

Historicamente a primeira tentativa de implementação deste tipo de serviço foi realizada pela Apple
com o AppleTalk, ainda nos anos 80. Com esta facilidade, que já existia nos Macs, o usuário podia
simplesmente ligar dois computadores numa rede que eles já estariam aptos a se comunicar.

A RFC 3330 define um bloco de endereço, [Link]/16, para o uso especial no endereçamento de
conexão local para redes IPv4. No IPv6, cada interface, seja através de atribuições de endereços
estáticos ou dinâmicos, também recebe um endereço de link local automaticamente no bloco fe80 :: /
10.

Esses endereços são válidos apenas no link, como um segmento de rede local ou ponto a ponto, que
um host está conectado. Esses endereços não são roteáveis e como endereços privados não pode ser a
origem ou o destino dos pacotes que atravessam a Internet.

Quando o bloco de endereços IPv4 foi reservado, não existiam normas para os mecanismos de auto
configuração de endereços. Preenchendo o vazio, a Microsoft criou uma implementação que é
chamada de IP privado automático (APIPA - Automatic Programmed IP Address).

Quando um computador com o windows não encontra o DHCP, usará um endereço classe B com
configuração 169.254.x.x, onde “x.x” (parte do IP referente ao host) será definido em função do
hardware, ou seja, utilizando o endereço físico (MAC).

Com essa operação, mesmo que não haja DHCP na rede, as máquinas passarão a compor a rede
[Link] e terão conectividade entre si, embora não acessem outras redes.

Devido ao poder de mercado da Microsoft, o APIPA foi implantado em milhões de máquinas e assim
tornou-se um padrão de fato na indústria. Muitos depois a IETF definiu um padrão formal para essa
funcionalidade, a RFC 3927, intitulada de configuração dinâmica de endereços IPv4.

O endereçamento IPv6 contém 128 bits e não possui classes específicas.

O equipamento que permite interligar redes é o router. Quando interliga uma rede interna (de IP
interno/privado) à rede externa (de IP público, como a Internet), é um router gateway. Quando
representa a saída padrão da rede interna para o exterior, é um default gateway.

Os números de IP interno da rede (como [Link]/8, [Link]/12 e [Link]/16) nunca poderiam


ser passados para a Internet pois não são roteados nela. Sendo assim, os pedidos teriam de ser
gerados com um IP global do router. Mas quando a resposta chegasse ao router, seria preciso saber a
qual dos computadores presentes na LAN pertenceria aquela resposta.

A solução encontrada foi fazer um mapeamento baseado no IP interno e na porta local do


computador. Com esses dois dados, é gerado um número de 16 bits usando a tabela hash (tabela de
dispersão), este número é então escrito no campo da porta de origem e o pacote é enviado.

Quando o router recebe a resposta faz a operação inversa, procurando na sua tabela uma entrada que
corresponda aos bits do campo da porta. Ao encontrar a entrada, é feito o direcionamento para o
computador correto dentro da rede privada.

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


27

Este processo é denominado NAT (Network Address Translation).

Esta foi uma medida de reação face à previsão da exaustão do espaço de endereçamento IPv4, e
rapidamente adaptada para redes privadas também por questões econômicas (no início da Internet os
endereços IP alugavam-se, quer individualmente quer por classes/grupos).

Por reconhecer apenas os protocolos de transporte TCP e UDP, não é possível estabelecer uma
conexão que não utilize um desses protocolos.

O número gerado pela tabela de hash tem apenas 16 bits, o que faz com que esta técnica permita
pouco mais de 65000 conexões ativas. Dependendo das dimensões da rede e do número de pedidos
feitos pelos computadores desta rede, o limite pode ser facilmente atingido.

As entradas no NAT são geradas apenas por pedidos dos computadores de dentro da rede privada.
Sendo assim, um pacote que chega ao router vindo de fora e que não tenha sido gerado em resposta a
um pedido da rede, ele não encontrará nenhuma entrada no NAT e este pacote será automaticamente
descartado, não sendo entregue a nenhum computador da rede. Isso impossibilita a entrada de
conexões indesejadas e o NAT acaba funcionando como um firewall.

Loopback
Um loopback é um canal de comunicação com apenas um ponto final. Qualquer mensagem
transmitida por meio de tal canal é imediatamente recebida pelo mesmo canal.

O Internet Protocol define uma rede loopback. No IPv4, deve ser a rede 0 ("a própria rede") e um
endereço de loopback para o computador atual - [Link] - ("este computador nesta rede").

Por razões de mau uso deste endereço (em particular o uso do endereço 0 para broadcast) levou ao
uso do endereço [Link] como "endereço de loopback".

Atualmente a maioria das implementações do IPv4 usa o IP [Link] como o endereço de loopback
padrão; alguns chegam a não aceitar o valor correto [Link].

A maior parte das implementações do IP aceita uma interface de loopback. Qualquer tráfego que um
computador envie em uma rede loopback é endereçada ao mesmo computador. O endereço IP mais
usado para tal finalidade é [Link] no IPv4 e ::1 no IPv6. O nome de domínio padrão para tal
endereço é localhost.

O nome de domínio foi concebido com o objetivo de facilitar a memorização dos endereços de
computadores na Internet. Sem ele, teríamos que memorizar uma sequência grande de números.

Em sistemas Unix e Linux, a interface loopback é geralmente chamada de lo ou lo0.

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


28

Máscaras de Subrede
Uma máscara de subrede, também conhecida como subnet mask ou netmask, é um número de 32
bits usado com um IP para separar a parte correspondente à rede pública, à subrede e aos hosts.

Uma subrede é uma divisão de uma rede de computadores - é a faixa de endereços lógicos reservada
para uma organização. A divisão de uma rede grande em menores resulta num tráfego de rede
reduzido, administração simplificada e melhor performance de rede. No IPv4 uma subrede é
identificada por seu endereço base e sua máscara de subrede.

Os 32 bits das Máscaras de Subrede são divididos em duas partes: um primeiro bloco de 1s (uns)
seguido por um bloco de 0s (zeros). Os 1s (uns) indicam a parte do endereço IP que pertence à rede e
os 0s (zeros) indicam a parte que pertence ao host. A máscara de rede padrão acompanha a classe
do endereço IP:

Classe A = 11111111 00000000 00000000 00000000


Classe B = 11111111 11111111 00000000 00000000
Classe C = 11111111 11111111 11111111 00000000

Assim como o endereço IP, a máscara de subrede, por razões de facilidade de manuseio, é dividida
em quatro octetos convertidos para decimal e separados por pontos.

Classe A = 255. 0 . 0 . 0
Classe B = 255.255. 0 . 0
Classe C = 255.255.255. 0

Embora normalmente as máscaras de subrede sejam representadas em notação decimal, é mais fácil
entender seu funcionamento usando a notação binária. Para determinar qual parte de um endereço é o
da rede e qual é o do host, um dispositivo deve realizar uma operação "AND".

Exemplo:
Endereço decimal Binário
Endereço completo [Link] 11000000 10101000 00000101 00001010
Máscara da subrede [Link] 11111111 11111111 11111111 00000000
Porção da rede [Link] 11000000 10101000 00000101 00000000

Uma rede classful é uma rede que possui uma máscara de rede [Link] (classe A), [Link]
(classe B) ou [Link] (classe C).

O CIDR (Classless Inter-Domain Routing) foi introduzido em 1993 como um refinamento para a
forma de condução de tráfego pelas redes IP. Permite flexibilidade acrescida possibilitando a divisão
de endereços IP em redes separadas. Com isso promove um uso mais eficiente para os endereços
IPv4. O CIDR está definido no RFC 1519.

A notação standard para o intervalo de endereços CIDR começa com o endereço de rede. Isto é
seguido por um caracter e de um prefixo que define o tamanho da rede em questão (o prefixo é, na
verdade, o comprimento em bits 1 da máscara de sub-rede).

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


29

Exemplo:
IP = [Link]
Netmask = [Link] → 11111111.11111111.11111111.00000000

Contamos, neste caso, 24 bits 1 da esquerda para direita, temos então: [Link] /24
Na notação padrão, teremos então:

Classe A → ip/8
Classe B → ip/16
Classe C → ip/24

O CIDR usa máscaras de comprimento variável, o VLSM (Variable Length Subnet Masks) para
alocar endereços IP em sub-redes de acordo com as necessidades individuais e particulares da rede.
Assim a divisão de rede/host pode ocorrer em qualquer fronteira de bits no endereço.
Como as distinções de classes normais são ignoradas, o novo sistema foi chamado de routing sem
classes. Isto levou a o sistema original passar a ser chamado de routing de classes.

Com o CIDR, se são necessários apenas 1000 endereços, por exemplo, poderia ser usada uma
máscara /22 (que permite o uso de 1022 endereços), em vez de uma faixa de classe B inteira, como
seria necessário anteriormente.

Outra mudança é que as faixas de endereços não precisam mais iniciar com determinados números.
Uma faixa com máscara /24 (equivalente a uma faixa de endereços de classe C) pode começar com
qualquer dígito e não apenas com de 192 a 223.

Um exemplo do VLSM seria um endereço como [Link]/29

Na notação decimal separado por pontos, a máscara será: [Link]

Nesse caso, teríamos 29 bits do endereço dedicados a endereçar a rede e apenas os 3 últimos bits
destinados ao host. Convertendo o endereço para binário temos o endereço:

(binário) 01001000 11101000 00100011 01101100


Onde:
01001000 11101000 00100011 01101 é o endereço da rede (29 bits da esquerda para a direita);
100 (últimos 3 bits) é o endereço do host dentro dela. Neste caso, o equipamento utiliza o 4º
endereço de host dentro desta rede.

Fazendo a operação lógica AND entre o endereço IP e a máscara, encontramos o endereço de rede:
[Link]. O broadcast desta rede será: [Link]

O CIDR permite também que várias faixas de endereços contínuas sejam agrupadas em faixas
maiores, de forma a simplificar a configuração. Por exemplo, é possível agrupar 8 faixas de
endereços com máscara [Link] (classe C) contínuas em uma única faixa com máscara /21
que oferece um total de 2045 endereços utilizáveis (descontando o endereço da rede, endereço de
broadcast e o endereço do gateway).

Este agrupamento permite uma redução significativa do número de routes, prevenindo a “explosão
da tabela de routing”. Assim, é possível que uma única entrada na tabela de roteamento especifique a
rota de vários endereços de rede individuais.

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


30

Exemplo de aplicação do VLSM na simplificação de tabelas de roteamento

Para simplificar o trabalho do administrador de redes, na Internet, há disponível várias ferramentas


que atuam como calculadoras de endereçamento IP, com conversão para a notação binária, decimal,
hexadecimal e octal.

A Atribuição de Endereços IP
Inicialmente, a necessidade de automatizar a requisição e distribuição do endereço IP deu-se em
função da existência de estações sem disco (diskless). Esta demanda provocou o uso do protocolo de
camada de enlace RARP.

Com o aumento do número de máquinas nas redes e também a crescente necessidade de maiores
informações de configuração para comunicação em uma rede, o RARP mostrou-se ineficiente, o que
levou a criação do protocolo BOOTP.

O advento da computação móvel trouxe uma grande limitação ao BOOTP. Foi criado, então, o
DHCP (Dynamic Host Configuration Protocol), uma versão estendida do BOOTP, que permite a
atribuição dinâmica de endereços IP e simplifica a administração da rede TCP/IP.

O DHCP é especificado pela IETF por meio dos RFCs 1533, 1534, 1541 e 1542.

• RARP
Em condições normais (uma estação completa), o endereço IP fica armazenado na memória da
máquina, carregado após o boot (inicialização). Quando a máquina não possui um disco para
inicialização do sistema (estação diskless) para carregar o seu endereço IP, a imagem de memória
daquela estação fica armazenada no servidor.

A estação diskless utiliza um protocolo que permite a obtenção do endereço IP fazendo uso do
endereço físico (MAC) de sua NIC (Network Interface Card). Este protocolo é o RARP (Reverse
Address Resolution Protocol).

O RARP é uma adaptação do protocolo ARP [RFC826].

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


31

Algumas desvantagens de uso deste protocolo são:

o Como o RARP opera num nível mais baixo, ele utiliza um acesso direto ao hardware de rede,
com isso torna-se muito complicado para um programador de aplicativos construir um
servidor;
o Pelo fato do RARP utilizar um endereço de hardware para identificar o equipamento, ele não
pode ser aplicado em redes que atribuem esses endereços dinamicamente.

• O BOOTP
As deficiências encontradas no RARP foram solucionadas com a criação do BOOTP (BOOTstrap
Protocol).

Por utilizar o UDP (User Datagram Protocol) para trafegar suas mensagens, ele pode ser usado por
uma aplicação de forma mais simples que o RARP. Ele também é mais eficiente que este protocolo
por embutir em sua mensagem outras informações importantes para a inicialização.

Diferente da comunicação RARP, a comunicação BOOTP se processa na camada de rede. A estação


cliente lança a sua solicitação na rede utilizando um endereço IP de difusão. Os servidores BOOTP
serão os únicos a reconhecer e responder também por difusão. Esta forma de resposta é utilizada pelo
fato do cliente não possuir ainda, o seu endereço IP para confirmar o recebimento.

O BOOTP delega ao cliente toda a responsabilidade por uma comunicação segura pois, os protocolos
utilizados são passíveis de corrupção ou perda de dados. O BOOTP solicita ao UDP que faça
um checksum e ainda especifica que solicitações e respostas tenham seu campo dont fragment ativo
para comportar clientes de memória pequena.

O BOOTP fornece alocação fixa de um único endereço IP para cada cliente, reservando
permanentemente esse endereço no banco de dados do servidor BOOTP. Ou seja, os clientes BOOTP
não renovam suas configurações, a não ser que o sistema seja reinicializado.

• O DHCP
O DHCP (Dynamic Host Control Protocol) surgiu como evolução do BOOTP. Ele pode atribuir
endereço para um equipamento de rede de três formas: configuração manual, automática e dinâmica.

o Configuração Manual
Neste caso, é possível atrelar um endereço IP a uma determinada máquina na rede. Para isso, é
necessária a associação de um endereço existente no banco do servidor DHCP ao endereço MAC do
adaptador de rede da máquina. Configurado desta forma, o DHCP irá trabalhar de maneira
semelhante ao BOOTP. Esse endereço "amarrado" à NIC não poderá ser utilizado por outra.

o Configuração Automática
Nesta forma, o servidor DHCP é configurado para atribuir um endereço IP a um equipamento por
tempo indeterminado. Quando este se conecta pela primeira vez na rede, lhe é atribuído um endereço
permanente. A diferença existente entre esta e a primeira configuração é que nesta não é necessária
uma especificação do equipamento que utilizará determinado endereço. Ele é atribuído de forma
automática.

o Configuração Dinâmica
Neste tipo de configuração, é que reside a característica principal do DHCP, que o diferencia do
BOOTP. Desta forma o endereço IP é locado temporariamente a um equipamento e periodicamente,

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


32

é necessária a atualização dessa locação. Com essa configuração, é possível ser utilizado por
diferentes equipamentos, em momentos diferentes, o mesmo endereço IP. Basta, para isso, que o
primeiro a locar o endereço, deixe de utilizá-lo. Quando o outro equipamento solicitar ao servidor
DHCP um endereço IP poderá ser fornecido ao mesmo o endereço deixado pelo primeiro.

o O SERVIDOR DHCP
O servidor DHCP deve ser configurado pelo administrador da rede para disponibilizar aos seus
clientes, endereços IP em uma das três formas de fornecimento descritas (manual, automática ou
dinâmica). Para tanto, ele alimenta um banco com os endereços da sua sub-rede que serão fornecidos
de forma automática. É importante deixar claro que, em uma rede, o administrador deverá deixar fixo
em algumas máquinas os seus endereços IP.

Nas configurações, será estabelecido o prazo de locação de um endereço. Esse prazo pode variar de
horas a dias ou simplesmente ser ilimitado. Essa decisão irá depender da rede em que o DHCP está
servindo e das necessidades de um determinado equipamento.

o O CLIENTE DHCP
Um cliente DHCP é um equipamento que está configurado para solicitar a um servidor DHCP um
endereço IP. Como já foi dito anteriormente, alguns equipamentos na rede devem possuir endereços
IP fixos, já configurados na própria máquina, em função dos serviços que eles disponibilizam na
rede. Essas máquinas não são consideradas como clientes DHCP.

Nome de Domínio

Domínio é um nome que serve para localizar e identificar conjuntos de computadores na rede. O
nome de domínio foi concebido com o objetivo de facilitar a memorização dos endereços de
computadores na Internet. Sem ele, teríamos que memorizar números IPs.

O DNS (Domain Name System - Sistema de Nomes de Domínios) é um sistema de gerenciamento de


nomes hierárquico e distribuído visando resolver nomes de domínios em endereços IP.

O sistema de distribuição de nomes de domínio foi introduzido em 1984. Ele baseia-se em nomes
hierárquicos e permite a inscrição de vários dados digitados além do nome do host e seu IP. Em
virtude do banco de dados de DNS ser distribuído, seu tamanho é ilimitado e o desempenho não
degrada tanto quando se adiciona mais servidores nele. Este tipo de servidor usa como porta padrão a
53.

O servidor DNS traduz nomes para os endereços IP e endereços IP para nomes respectivos. Dessa
forma permite a localização de hosts em um domínio determinado.

Um servidor DNS secundário é uma espécie de cópia de segurança do servidor DNS primário.

Existem 13 servidores DNS raiz no mundo todo e sem eles a Internet não funcionaria. Destes, dez
estão localizados nos Estados Unidos da América, um na Ásia e dois na Europa.

Para Aumentar a base instalada destes servidores, foram criadas réplicas localizadas por todo o
mundo, inclusive no Brasil desde 2003.

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


33

Localização dos Servidores DNS raiz.

Normalmente o DNS atua resolvendo o nome do domínio de um host qualquer para seu endereço IP
correspondente. O DNS Reverso resolve o endereço IP, buscando o nome de domínio associado ao
host. Ou seja, quando temos disponível o endereço IP de um host e não sabemos o endereço do
domínio (nome dado à máquina ou outro equipamento que acesse uma rede), tentamos resolver o
endereço IP através do DNS reverso que procura qual nome de domínio está associado aquele
endereço.

Os servidores que utilizam o DNS Reverso conseguem verificar a autenticidade de endereços,


verificando se o endereço IP atual corresponde ao endereço IP informado pelo servidor DNS. Isto
evita que alguém utilize um domínio que não lhe pertence para enviar spam, por exemplo.

O espaço de nomes de domínio e endereços IP são recursos críticos para a internet, no sentido que
requerem coordenação global. Cada endereço IP deve identificar um único equipamento, de forma
que não é possível atribuir endereços IP de maneira descentralizada. Da mesma forma, um nome de
domínio deve identificar o conjunto de computadores que o mantém. A organização responsável por
atribuir nomes de domínio e endereços IP em nível global é a ICANN ([Link]

O TLD (top-level domain – domínio de topo) é um


dos componentes dos endereços de Internet. Cada
nome de domínio na Internet consiste de alguns
nomes separados por pontos, e o último desses
nomes é o domínio de topo, ou TLD. Por exemplo,
no nome de domínio [Link], o TLD é com.

O gTLD (generic top-level domain) é uma das


categorias dos domínios de topo (TLD) para uso no
DNS (Sistema de Nomes de Domínios da Internet).
Exemplo de hierarquia de Nomes de Domínios

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


34

A ICANN atualmente distingue os seguintes grupos de domínios de topo:

o domínio de topo de código de país (country-code top-level domains ou ccTLD)


o domínios de topo genéricos (generic top-level domains ou gTLD)
o domínios de topo patrocinados (sponsored top-level domains ou sTLD)
o domínios de topo não patrocinados (unsponsored top-level domains)
o domínios de topo de infraestruturas (infrastructure top-level domain)
o domínios de topo internacionalizados (internationalized top-level domains ou IDNs)
o domínios de topo de código de país internacionalizado (internationalized country code
top-level domains)
o domínios de topo em teste(testing top-level domains)

Em 20 de junho de 2011, o comité do ICANN aprovou o fim das restrições a sufixos para domínios
de topo genéricos (gTLD) além dos 22 até então disponíveis (como por exemplo .com, .gov, .edu,
etc). Com isso, as empresas e as organizações poderão escolher sufixos arbitrários para os seus
gTLD.

Também o uso de caracteres não-latinos, como os dos alfabetos cirílico, árabe, chinês, tailandês,
georgiano, hebraico ou outros, passou a ser permitido.

A Conexão em Rede por Cabos TP


O cabeamento por par trançado (TP – Twisted Pair) é feito por um tipo de cabo que possui pares de
fios entrelaçados um ao redor do outro para cancelar as interferências eletromagnéticas de fontes
externas e interferências mútuas (crosstalk – linha cruzada) entre cabos vizinhos. A taxa de tranças
(normalmente definida em termos de tranças por metro) é parte da especificação de certo tipo de
cabo. Quanto maior o número de tranças, maior é o cancelamento do ruído.

Essa tecnologia foi originalmente produzida para transmissão telefônica analógica que utilizou o
sistema de transmissão por par de fios.

A matéria-prima fundamental utilizada para a fabricação dos cabos TP é o cobre.

Existem três tipos de cabos Par trançado:

UTP (Unshielded Twisted Pair – Par Trançado sem Blindagem): é o mais usado atualmente tanto
em redes domésticas quanto em grandes redes industriais devido ao fácil manuseio, instalação,
permitindo taxas de transmissão de até 100 Mbps com a utilização do cabo CAT 5e; é o mais barato
para distâncias de até 100 metros; Para distâncias maiores emprega-se cabos de fibra óptica. Sua
estrutura é de quatro pares de fios entrelaçados e revestidos por uma capa de PVC. Pela falta de
blindagem este tipo de cabo não é recomendado ser instalado próximo a equipamentos que possam
gerar campos magnéticos (fios de rede elétrica, motores, inversores de frequência) e também não
podem ficar em ambientes com humidade.

STP (Shielded Twisted Pair – Par Trançado com Blindagem): possui uma blindagem feita com a
malha metálica em cada par. É recomendado para ambientes com interferência eletromagnética
acentuada. Por causa de sua blindagem especial em cada par acaba possuindo um custo mais
elevado. Caso o ambiente possua umidade, grande interferência eletromagnética, distâncias acima de
100 metros ou exposto diretamente ao sol, ainda é aconselhável o uso de cabos de fibra óptica.

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


35

ScTP (Screened Twisted Pair - também referenciado como FTP, Foil Twisted Pair): para este tipo
de cabo uma película de metal é enrolada sobre o conjunto de pares trançados, melhorando a resposta
a interferências, embora exija maiores cuidados quanto ao aterramento.

Os cabos TP foram padronizados pelas normas da EIA/TIA-568-B (Electric Industries Association /


Telecommunication Industries Associations) e são divididos em categorias, levando em conta o nível
de segurança e a bitola do fio, onde os números maiores indicam fios com diâmetros menores.

A seguir temos um resumo simplificado dos cabos UTP.

Categoria do cabo 1 (CAT1)


Consiste em um cabo blindado com dois pares trançados compostos por fios 26 AWG. São utilizados
por equipamentos de telecomunicação e rádio. Foi usado nas primeiras redes Token-ring mas não é
aconselhável para uma rede par trançado. O CAT1 não é mais recomendado pela TIA/EIA.

Categoria do cabo 2 (CAT2)


É formado por pares de fios blindados (para voz) e pares de fios não blindados (para dados).
Também foi projetado para antigas redes token ring e ARCnet chegando a velocidade próxima de
4Mbps. O CAT2 não é mais recomendado pela TIA/EIA.

Categoria do cabo 3 (CAT3)


Foi o primeiro padrão de cabos de par trançado desenvolvido especialmente para uso em redes. O
padrão é certificado para até 16 MHz, o que permitiu seu uso no padrão 10BASE-T, que é o padrão
de redes Ethernet de 10 megabits para cabos de par trançado. Existiu ainda um padrão de 100
megabits para cabos de categoria 3, o 100BASE-T, mas ele é pouco usado e não é suportado por
todas as placas de rede.

Pode ser usado para VOIP, rede de telefonia e redes de comunicação 10BASE-T e 100BASE-T. O
CAT3 é recomendado pela norma TIA/EIA-568-B.

Categoria do cabo 4 (CAT4)


É um cabo par trançado não blindado (UTP – Unshield Twisted Pair) que pode ser utilizado para
transmitir dados a uma frequência de até 20 MHz e dados a 20 Mbps. Foi usado em redes que podem
atuar com taxa de transmissão de até 20Mbps como token ring, 10BASET e 100BASET4. Não é
mais utilizado, pois foi substituído pelos cabos CAT5 e CAT5e. O CAT4 não é mais recomendado
pela TIA/EIA.

Categoria do cabo 5 (CAT5)


Usado em redes fast ethernet em frequências de até 100 MHz com uma taxa de 100 Mbps. O CAT5
não é mais recomendado pela TIA/EIA.

Categoria do cabo 5e (CAT5e)


É uma melhoria da categoria 5. Pode ser usado para frequências até 125 MHz em redes 1000BASE-
T gigabit ethernet. Ela foi criada com a nova revisão da norma EIA/TIA-568-B. Porém, o CAT5e
não é mais recomendado pela norma EIA/TIA-568-B).

Categoria do cabo 6 (CAT6)


Definido pela norma ANSI EIA/TIA-568-B-2.1 possui bitola 24 AWG e banda passante de até 250
MHz e pode ser usado em redes gigabit ethernet a velocidade de 1Gbps.

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


36

Categoria do cabo 6a (CAT 6a)


É uma melhoria dos cabos CAT6. O a de CAT6a significa augmented (ampliado). Os cabos dessa
categoria suportam até 500 MHz e podem ter até 55 metros no caso da rede ser de 10Gbps, caso
contrario podem ter até 100 metros. Para que os cabos CAT 6a sofressem menos interferências os
pares de fios são separados uns dos outros, o que aumentou o seu tamanho e os tornou menos
flexíveis. Essa categoria de cabos tem os seus conectores específicos que ajudam à evitar
interferências.

Para potencializar o efeito da blindagem eletromagnética, as placas de rede utilizam o sistema


balanced pair de transmissão, onde, dentro de cada par, os dois fios enviam o mesmo sinal, porém
com a polaridade invertida. Para um bit "1", o primeiro fio envia um sinal elétrico positivo, enquanto
o outro envia um sinal elétrico negativo:

Devido a esta técnica de transmissão, os cabos de par trançado são também chamados de "balanced
twisted pair", ou "cabo de par trançado balanceado".

O quadro a seguir compara as perdas em Cat.3, Cat.4 e Cat.5 em 100m em função da frequência.

Cat. 3 Cat. 4 Cat. 5


Frequência (MHz)
Atenuação (dB) Atenuação (dB) Atenuação (dB)
1,0 2,6 2,2 2,0

4,0 5,6 4,3 4,1

8,0 8,5 6,2 5,8

10,0 9,7 6,9 6,5

16,0 13,1 8,9 8,2

20,0 - 10,0 9,3

25,0 - - 10,4

31,25 - - 11,7

62,5 - - 17,0

100,0 - - 22,0

Atenuação por 100 metros (328 pés) a 20° C

O conector padrão para cabos TP é o RJ45.

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


37

Há dois padrões de utilização dos conectores: o T568A e o T568B.

Padrão T568B: Padrão T568A:

pino / cor pino / cor


1. branco laranja (Recepção) 1. branco verde (transmissão)
2. laranja (Recepção) 2. verde (transmissão)
3. branco verde (Transmissão) 3. branco laranja (Recepção)
4. azul 4. azul
5. branco azul 5. branco azul
6. verde (Transmissão) 6. laranja (Recepção)
7. branco marrom 7. branco marrom
8. marrom 8. marrom

De acordo com a aplicação desejada, podemos construir cabos de três formas:

O cabo reto ou Straight Through: consiste em ligar os pinos na proporção 1 para 1 entre as pontas.
Isto é feito utilizando o mesmo padrão (T568A ou T568B) nas duas pontas.

A figura seguinte ilustra a construção de um cabo straigh com o T568A.

O mesmo efeito é alcançado utilizando o padrão T568B nas duas pontas do cabo.

O cabo reto é usado na interligação de hosts através de um elemento concentrador como um hub ou
switch.

O cabo cruzado ou Crossover (ou simplesmente Cross) é construído


com a utilização de uma ponta do cabo no padrão T568A e a outra
ponta no padrão T568B. Nesta configuração, os pinos 1 e 2 de uma
das pontas são conectados a 3 e 6 da outra (ligando TX de um lado ao
RX do outro e vice versa). A figura seguinte ilustra as interligações
em um cabo crossover ethernet (10Mbps) e FastEthernet (100Mbps).

Cabo crossover
A conexão gigabit exige que os 8 fios sejam cruzados.

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


38

O cabo crossover é usado nas seguintes situações:

o Para ligar um computador a um router


o Conexão de um computador para um computador
o Ligar um router a um router
o Ligar um hub a um hub

Além destes, há também o cabo Rollover. Este é construído com a


interligação dos pinos 1~8 de uma ponta respectivamente em 8~1
da outra. A figura ao lado ilustra essas ligações.
.
Cabos Rollover, também chamado de cabos Yost, costumam ligar
porta AUX do roteador ao qual se tem acesso (via ssh/telnet/afins),
e a outra ponta no dispositivo que se deseja acessar na porta
CONSOLE.

Um cabo de rede Ethernet operando a 100Mbps (FastEthernet) trabalha com uma frequência de clock
de 125MHz com uma taxa de transmissão de 8 bits a cada 10 símbolos.

Aprimoramentos nos protocolos possibilitam atingir 10 bits em 10 símbolos. Isto significa operar a
até 125Mbps.

Nos cabos gigabit (1000baseT), todos os fios são usados e são bidirecionais. Como cada um opera a
até 125Mbps, será possível atingir 8 x 125Mbps = 1000Mbps.

Cabeamento estruturado é a disposição organizada e padronizada de conectores e meios de


transmissão para redes de informática e telefonia, de modo a tornar a infraestrutura de cabos
autônoma quanto ao tipo de aplicação e de layout. O Sistema de Cabeamento Estruturado utiliza o
conector RJ45 e o cabo UTP como mídias-padrão para a transmissão de dados, análogo ao padrão da
tomada elétrica que permite a alimentação elétrica de um equipamento independentemente do tipo de
aplicação.

O conceito de Sistema de Cabeamento Estruturado se baseia na disposição de uma rede de cabos


com integração de serviços de dados e voz que facilmente pode ser redirecionada por caminhos
diferentes, no mesmo complexo de Cabeamento, para prover um caminho de transmissão entre
pontos da rede distintos.

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


39

Um Sistema de Cabeamento Estruturado EIA/TIA-568-B (ver a norma brasileira equivalente: NBR


14.565) é formado por sete subsistemas.

1. Entrada do Edifício
2. Sala de Equipamentos
3. Cabeamento de Backbone
4. Armário de Telecomunicações
5. Cabeamento Horizontal
6. Área de Trabalho
7. Norma 606 "Administração do Sistema"

Os padrões EIA/TIA-568-B foram publicados em 2001. Eles substituem o padrão EIA/TIA-568-A


um conjunto de padrões que atualmente está obsoleto. A norma é muito conhecida pela característica
do cabeamento EIA/TIA-568-B.1-2001 que são 8 condutores de fios 100-ohm balanceados e
trançados. Estes condutores são nomeados T568A e T568B, e frequentemente se refere
(erroneamente) como EIA/TIA-568A e EIA/TIA-568B.

O foco do cabeamento estruturado consiste em preparar todo o prédio de forma a colocar pontos de
rede em todos os pontos onde eles possam ser necessários. Todos os cabos vão para um ponto
central, onde ficam os equipamentos de rede. Os pontos não precisam ficar necessariamente ativados,
mas a instalação fica pronta para quando precisar ser usada.

O conceito defende que, em longo prazo, é mais barato instalar todo o cabeamento de uma vez, de
preferência antes do local ser ocupado, do que ficar fazendo modificações cada vez que for preciso
adicionar um novo ponto de rede.

O início de tudo é na sala de equipamentos (equipment room). A sala de equipamentos deve ser uma
área de acesso restrito, onde os equipamentos fiquem fisicamente protegidos.

Em um prédio, a sala de equipamentos ficaria normalmente no andar térreo. É inviável puxar um


cabo separado para cada um dos pontos de rede do prédio, da sala de equipamento até cada ponto de
rede individual; por isso é criado um segundo nível hierárquico, representado pelos armários de
telecomunicações (telecommunications closed).

O armário de telecomunicações é um ponto de distribuição, de onde saem os cabos que vão até os
pontos individuais. Normalmente é usado um rack, contendo todos os equipamentos, o qual é
também instalado em uma sala ou em um armário com acesso restrito.

Além dos switches, um equipamento muito usado no armário de telecomunicações é o patch panel
(painel de conexão). Ele é um intermediário entre as tomadas de parede e outros pontos de conexão
de cada andar e sala do prédio e os switches da rede. Os cabos vindos dos pontos individuais são
numerados e instalados em portas correspondentes do patch panel e as portas utilizadas são então
ligadas aos switches.

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


40

Uma vantagem é que com os cabos concentrados no patch panel, tarefas como desativar um ponto ou
ligá-lo a outro segmento da rede (ligando-o a outro switch ou roteador) ficam muito mais simples.

Os patch panels são apenas suportes, sem componentes eletrônicos e por isso são relativamente
baratos. Eles são normalmente instalados em racks, junto com os switches e outros equipamentos. Os
switches são ligados às portas do patch panel usando cabos de rede curtos, chamados de "patch
cords" (cabos de conexão). Os patch cords são muitas vezes feitos com cabos stranded (cabos de par
trançado onde cada condutor é composto por várias fibras) de forma a serem mais flexíveis.

Cada andar tem um ou mais armários de telecomunicações (de acordo com as peculiaridades da
construção e a distância a cobrir) e todos são ligados a um switch ou um roteador na sala de
equipamentos através de cabos verticais chamados de rede primária (eles são também chamados de
cabeamento vertical ou de backbones). Se a distância permitir, podem ser usados cabos de par
trançado, mas é muito comum usar cabos de fibra óptica para esta função.

Temos em seguida a rede secundária (horizontal cabling – cabeamento horizontal), composta pelos
cabos que ligam o armário de telecomunicações às tomadas onde são conectados os PCs da rede.
Estes são os cabos permanentes, que são instalados como parte do cabeamento inicial e continuam
sendo usados por muito tempo.

Assim, este sistema prevê o uso de três segmentos de cabo:

a) O patch cord ligando o switch ao patch panel.


b) O cabo da rede secundária, ligando o patch panel à tomada na área de trabalho.
c) O cabo entre a tomada e o PC.

Dentro do padrão, o cabo da rede secundária não deve ter mais do que 90 metros, o patch cord entre
o patch panel e o switch não deve ter mais do que 6 metros e o cabo entre a tomada e o PC não deve
ter mais do que 3 metros. Estes valores foram definidos tomando por base o limite de 100 metros
para cabos de par trançado (90+6+3=99), de forma que, ao usar um cabo de rede secundária com
menos de 90 metros, pode-se usar um patch cord, ou um cabo maior para o PC, desde que o
comprimento total não exceda os 100 metros permitidos.

Cabeamento horizontal (rede secundária) e work área

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


41

Exemplo de cabeamento

As salas e os outros ambientes contendo as tomadas, onde ficam os micros, são chamadas de área de
trabalho (work area), já que em um escritório corresponderiam às áreas úteis, onde os funcionários
trabalham. Na norma da ABNT, as tomadas são chamadas de "pontos de telecomunicações" e não de
"pontos de rede". Isso acontece porque o cabeamento estruturado prevê também o uso de cabos de
telefone e de outros tipos de cabos de telecomunicação, não se limitando aos cabos de rede.

Equipamentos de Redes de Dados

• Modem
O termo modem vem da combinação de modulador/demodulador. De início dedicado a converter
dados para comunicação por linhas telefônicas, hoje permite altas velocidades em redes de acesso.

Cisco uBR 10012

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


42

Por exemplo: através do uso de Channel bonding empresas brasileiras já conseguem comercializar a
velocidade de 100Mbps, utilizando CMTS Cisco uBR 10012 e Cable modem Cisco DPC300 que
suporta 4 canais agregados (downstream e upstream), o que fornece uma taxa de transferência
máxima praticável de 152 Mbps.

• Transceiver
Um Transceiver (de Transmitter + Receiver), também designado
MAU (Media Attachment Unit), é um dispositivo que funciona
como receptor e emissor de um sinais elétricos. Existem
transceivers para amplificar sinais ou para adaptar duas
interfaces elétricas diferentes. Por serem dispositivos que
trabalham com nível elétrico e/ou conexões mecânicas, os
transceivers trabalham na camada física (camada 1) do modelo OSI.

Podemos utilizar transceivers para adaptar a interface AUI (Attachment Unit


Interface) à interface RJ-45.
conector AUI

• Hub
Por vezes também designado concentrador, repetidor ou até comutador de nível 1, o hub é um
dispositivo que permite interligar uma série de dispositivos Ethernet para que funcionem como um
único segmento de rede (domínio de colisão).

Uma rede constituída por uma série de dispositivos Ethernet interligados através de um hub tem uma
topologia em estrela a nível físico, mas a nível lógico tem uma topologia em barramento (segmento
partilhado).

Tal como os transceivers, os hubs funcionam na camada física (camada 1) do modelo OSI.

Embora na versão mais pura um hub apenas seja capaz de interligar interfaces a funcionar à mesma
velocidade, existem dual-speed hubs capazes de interligar segmentos de rede de 10Mbps com
segmentos de 100Mbps. No entanto, estes dispositivos são híbridos entre hubs e bridges ou
comutadores (discutidos mais adiante), pois não existe um único segmento de rede, mas dois — um a
10Mbps e outro a 100Mbps. O conjunto destes dois segmentos funciona como um único domínio de
difusão, mas cada um dos segmentos é um domínio de colisão separado.

Existem duas classes de hubs Fast-Ethernet: classe I e classe II. A diferença reside no fato de os
primeiros recuperarem o sinal para uma forma digital para o retransmitir, enquanto os segundos
apenas amplificam e reenviam o sinal recebido de forma analógica. Uma vez que os hubs classe I
introduzem um atraso superior (máx. 140 bits) aos classe II (máx. 92 bits), pode existir um único hub
classe I entre qualquer par de máquinas numa rede, mas podem existir dois hubs classe II.

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


43

• Bridge
A bridge (ponte) é um dispositivo que permite interligar dois segmentos de rede, unindo dois
domínios de colisão num único domínio de difusão.

Uma bridge “aprende” quais endereços MAC se encontram de um lado e do outro. Um frame
recebido de um segmento é retransmitido ao outro se destinar-se a um endereço MAC que a bridge
sabe estar do outro lado, ou destinar-se a um endereço MAC de difusão (broadcast ou multicast) ou
ainda destinar-se a um endereço MAC desconhecido.

Divisão de uma rede em dois domínios de colisão com uma Bridge


Para evitar ciclos de retransmissão em redes com várias bridges, estas rodam um algoritmo
denominado spanning tree (árvores de abrangência), utilizado para o reenvio de frames incluídos nos
casos de difusão ou de localização desconhecida.

O Spanning Tree Protocol (STP) possibilita a inclusão de ligações


redundantes entre os comutadores, provendo caminhos alternativos
no caso de falha de uma dessas ligações. Nesse contexto, ele serve
para evitar a formação de loops entre os comutadores e permitir a
ativação e desativação automática dos caminhos alternativos e
auxiliando na melhor performace da rede

Os quadros (frames) são recuperados em uma memória antes de


(eventualmente) serem retransmitidos pela bridge, o que possibilita
a interligação de segmentos que operem em velocidades diferentes.

Uma vez que trabalha no nível de frames e faz filtragem através de endereços MAC, a bridge opera
na camada de ligação lógica (enlace - camada 2) do modelo OSI.

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


44

Com o uso de uma bridge, os segmentos de rede são unidos para formar uma única rede (um único
domínio de broadcast), porém o tráfego de dados nos dois segmentos passa a ser isolado, com
gerenciamento da bridge, restringindo o domínio de colisão a cada segmento.

• Access Point
Um ponto de acesso (AP - Access Point) é uma bridge em
que (pelo menos) um dos segmentos é sem fios (wireless).
Os pontos de acesso são usados como interface entre um
segmento cabeado e um segmento wireless.

A aparência de um AP é muito similar à de roteadores sem


fio populares, porém o AP não interliga redes diferentes.

• Switch
Embora o termo switch (comutador) possa referir-se a diferentes tipos de dispositivos que trabalham
em diferentes camadas do modelo OSI ― um comutador ATM (Asynchronous Transfer Mode)
trabalha na camada de rede (camada 3) e historicamente utilizou-se o termo packet switch para
designar routers ― no uso mais frequente, hoje em dia, refere-se ao dispositivo que comuta frames,
efetuando filtragem com base nos endereços MAC.

Na realidade, um comutador Ethernet (switch) não é mais que uma bridge com múltiplas portas. É,
portanto, um dispositivo que opera na camada de ligação lógica (camada 2) do modelo OSI.
Em termos de aspecto físico, um comutador Ethernet (switch) é muito semelhante a um hub; por
vezes, a única maneira de os distinguir visualmente é pelo fato de ter escrito hub ou switch em seu
painel.

Exemplo da aparência de um switch

No switch, assim como nas bridges, apesar de transmitir mensagens de broadcast, o domínio de
colisão fica restrito a cada porta.

Há switches usados em redes de alta capacidade e redes corporativas que são gerenciáveis e
possibilitam a criação de VLANs.

Uma rede local virtual, normalmente denominada de VLAN, é uma rede logicamente independente.
Várias VLAN's podem co-existir em um mesmo comutador (switch), de forma a dividir uma rede
local (física) em mais de uma rede (virtual), criando domínios de broadcast separados. Uma VLAN
também torna possível colocar em um mesmo domínio de broadcast, hosts com localizações físicas
distintas e ligados a switches diferentes. Outro propósito de uma rede virtual é restringir acesso a
recursos de rede sem considerar a topologia da rede, porém este método é questionável.

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


45

Redes virtuais operam na camada 2 do modelo OSI. No entanto, uma VLAN geralmente é
configurada para mapear diretamente uma rede ou sub-rede IP, o que dá a impressão que a camada 3
está envolvida.

Os enlaces switch-a-switch e switch-a-roteador são chamados de troncos. O processo de interligar


mais de uma VLAN através de um link único é chamado de trunking. Um roteador ou switch de
camada 3 serve como o backbone entre o tráfego que passa através de VLANs diferentes.

• Router
O roteador (router) é um dispositivo que permite interligar redes diferentes. A função primordial de
um router é o reenvio (forwarding) de pacotes entre as suas diferentes interfaces. No entanto, para
desempenhar esta função, os routers necessitam manter tabelas de encaminhamento atualizadas. Para
o fazerem de forma autônoma e distribuída, os routers rodam um ou mais protocolos de
encaminhamento (routing) que lhe permitem preencher e atualizar as suas tabelas de roteamento.

Roteadores

Enquanto o reenvio de pacotes é uma função do plano de dados, o encaminhamento (escolha da rota)
é uma função do plano de controle. Além destas duas funções, a maioria dos routers suporta muitas
outras funções (NAT, DHCP, etc.); contudo, são o reenvio e roteamento que lhe dão nome.

Os routers transportam os pacotes (datagramas) desde o terminal de origem até ao terminal de


destino. Trabalham, portanto, na camada de rede (camada 3) do modelo OSI.

São exemplos de protocolo de roteamento, o protocolo RIP (Routing Information Protocol) e o


OSPF (Open Shortest Path First).

Com a popularização de redes locais, a figura do roteador de baixo custo se tornou muito comum.
Seu aspecto é parecido com o do AP, mas ele interconecta redes. Normalmente tem uma porta
designada WAN, para conexão externa (Internet, no uso
mais corriqueiro) e quatro portas para rede local comutada
(switch). Opcionalmente pode ter também uma interface sem
fio (wireless) para rede local.

Apesar de oferecerem 254 endereços de hosts em suas


conexões, muitos roteadores populares (de baixo custo) têm
grandes limitações de conexão de LAN. Alguns, como os
roteadores android (de celulares) permitem apenas quatro
conexões de hosts.

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


46

• Switches da camada 3
Enquanto a maioria dos switches opera na camada de enlace de dados (camada 2) do Modelo de
referência OSI, alguns incorporam funções de um roteador e também operam na camada de rede
(camada 3). Na verdade, um switch de camada 3 é muito parecido com um roteador.

Quando um roteador recebe um pacote, ele observa os endereços da fonte e do destino da camada 3
para determinar o caminho que o pacote deve tomar. Um switch padrão utiliza os endereços MAC
para determinar a fonte e o destino do pacote. Este procedimento é feito na camada 2 (enlace de
dados) da rede.

A principal diferença entre um roteador e um switch de camada 3 é que os switches têm hardware
otimizado para transmitir dados tão rapidamente quanto os switches de camada 2. Entretanto, eles
ainda decidem como transmitir o tráfego na camada 3, exatamente como um roteador faria. Dentro
de um ambiente LAN, um switch de camada 3 é geralmente mais rápido do que um roteador porque
é construído para ser um hardware de comutação. Muitos switches de camada 3 da Cisco são, na
verdade, roteadores que operam mais rapidamente porque são construídos com pastilhas
personalizadas de comutação.

O reconhecimento de padrões (pattern matching) e a memória cache em switches de camada 3


funcionam de maneira semelhante a um roteador. Ambos utilizam um protocolo e uma tabela de
roteamento para determinar o melhor caminho. Entretanto, um switch de camada 3 tem a capacidade
de reprogramar dinamicamente um hardware com as informações atuais de roteamento da camada 3.
Por isso o processamento dos pacotes é mais rápido.

Nos switches de camada 3 atuais, as informações recebidas pelos protocolos de roteamento são
utilizadas para atualizar a memória cache das tabelas do hardware.

• Firewall
Um firewall é um dispositivo que inspeciona o tráfego que o atravessa e, mediante um conjunto de
regras, permite ou nega a passagem a determinados pacotes. O firewall intercala-se entre a rede
interna e a rede externa, isolando a primeira da segunda por motivos de segurança - pode permitir-se
o acesso à rede externa por parte de máquinas da rede interna, mas normalmente nega-se o acesso de
máquinas da rede externa à rede interna. Além destas duas zonas, normalmente os firewalls suportam
uma terceira, designada zona desmilitarizada (Demilitarized Zone - DMZ), na qual se colocam
máquinas às quais se permite o acesso (embora restrito) a partir do exterior.

Exemplo de Firewall: Cisco ASA5505

Os firewalls de primeira geração efetuavam apenas uma filtragem stateless; os de segunda geração
podem manter informação de estado para as conexões que as atravessam e efetuar a filtragem com
base não apenas em pacotes individuais, mas também na relação de cada pacote com os anteriores da

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


47

mesma conexão (stateful); os firewals de terceira geração podem, adicionalmente, entender (pelo
menos parcialmente) alguns protocolos de aplicação (http, ftp, DNS, protocolos P2P) e, assim,
detectar se pacotes de algum protocolo indesejado estão circulando numa porta não-standard (fora de
padrão) ou se algum serviço está sendo atacado usando o protocolo de uma forma que se sabe ser
nociva.

Os firewalls trabalham pelo menos nas camadas de rede e de transporte (camadas 3 e 4) do modelo
OSI, embora alguns possam usar também critérios da(s) camada(s) superiores.

• Proxy
A tradução da palavra inglesa proxy, segundo o dicionário Michaelis, significa procurador, substituto
ou representante.

O proxy surgiu da necessidade de conectar uma rede local à internet através de um computador da
rede que compartilha sua conexão com as demais máquinas. Em outras palavras, podemos dizer que
o proxy é que permite as máquinas da rede interna terem acesso à rede externa.

Geralmente, máquinas da rede interna não possuem endereços válidos


na internet e, portanto, não têm uma conexão direta com a internet.
Assim, toda solicitação de conexão de uma máquina da rede local para
um host da internet é direcionada ao proxy, este, por sua vez, realiza o
contato com o host desejado, repassando a resposta à solicitação para a
máquina da rede local. Por este motivo, é utilizado o termo proxy para
este tipo de serviço, que é traduzido para procurador ou intermediário.
É comum termos o proxy com conexão direta com a internet.

Um servidor proxy pode, opcionalmente, alterar a requisição do cliente ou a resposta do servidor e,


algumas vezes, pode disponibilizar este recurso mesmo sem se conectar ao servidor especificado.
Pode também atuar como um servidor que armazena dados em forma de cache em redes de
computadores. São instalados em máquinas com ligações tipicamente superiores às dos clientes e
com poder de armazenamento elevado.

Uma aplicação proxy popular é o proxy de armazenamento local (ou cache) web, em inglês caching
web proxy, um proxy web usado para armazenar e atualizar (conforme pré-programado). Este provê
um armazenamento local de páginas da Internet e arquivos disponíveis em servidores remotos da
Internet assim como sua constante atualização, permitindo aos clientes de uma rede local (LAN)
acessá-los mais rapidamente e de forma viável sem a necessidade de acesso externo.

Quando recebe uma requisição para acesso a um recurso da Internet (a ser especificado por
uma URL), um proxy que usa cache procura resultados da URL em primeira instância no
armazenamento local. Se o recurso for encontrado, este é consentido imediatamente. Caso contrário,
carrega o recurso do servidor remoto, retornando-o ao solicitante e armazena uma cópia deste na sua
unidade de armazenamento local.

É importante notar que, utilizando um proxy, o endereço que fica registrado nos servidores externos
acessados é o do proxy e não o do cliente.

O proxy usa um algoritmo de expiração para a remoção de documentos e arquivos de acordo com a
sua idade, tamanho e histórico de acesso (previamente programado).

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


48

Dois algoritmos simples são o Least Recently Used (LRU) e o Least Frequently Used (LFU).

O LRU remove os documentos que passaram mais tempo sem serem usados, enquanto o LFU
remove documentos menos frequentemente usados.

Uma vez que o proxy atua como intermediário no acesso à rede externa, nele podemos definir a
política de regras (policy) da rede, bloqueando ou liberando serviços (ports), tipos de dados, páginas
web, etc.

Uma vez que as funções de firewall e proxy são implementadas em software, é comum termos hosts
que atuam como firewall e proxy simultaneamente.

Na Internet é possível encontrar vários proxies abertos. Nestes, qualquer usuário da Internet pode
fazer uso do forwarding (repasse), o que auxilia a manter o anonimato enquanto navega pela web ou
usa outro recurso.

Através dos proxies é possível enviar mensagens eletrônicas anônimas e visitar páginas na Internet
de forma anônima. Também há mensageiros simples e anônimos, o IRC e o intercâmbio de arquivos.

o Internet Relay Chat (IRC) é um protocolo de comunicação utilizado na Internet. Ele é


utilizado basicamente como bate-papo (chat) e troca de arquivos, permitindo a conversa em
grupo ou privada. Foi documentado formalmente pela primeira vez em 1993, com a RFC
1459.

Alguns donos de proxies incluem o registro de logs (relatórios) em seus servidores, para diminuir
problemas legais. Guardam as requisições e o endereço IP original do usuário. Além disso, alguns
enviam cabeçalhos HTTP, como X-Powered-by, contendo o endereço IP original do usuário.

• Proxy reverso
Um proxy reverso é um servidor de rede geralmente instalado para ficar na frente de um servidor
Web. Ele repassa o tráfego de rede recebido para um conjunto de servidores, tornando-o a única
interface para as requisições externas.

Por exemplo, um proxy reverso pode ser usado para balancear a carga de um cluster de servidores
Web, o que é exatamente o oposto de um proxy convencional que age como um despachante para o
tráfego de saída de uma rede, representando as requisições dos clientes internos para os servidores
externos a rede a qual o servidor proxy atende.

O proxy reverso pode proporcionar segurança, criptografia, balanceamento de carga, cache e


compressão de dados.

• Appliance
Máquinas que têm função dedicada (hardware + software) são também chamadas appliance. A
tradução mais simples para este tema é simplesmente "ferramenta". No mundo da informática, as
Appliances são equipamentos pré-configurados para executar uma tarefa específica, como servir para
compartilhar a conexão com a Web ou como um firewall para a rede, como um sistema de caixa
registradora e leitor de código de barras, um centro de multimídia, um centro de controle de um
sistema de automatização doméstica e assim por diante. As possibilidades são quase infinitas.

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


49

• NAT Box
Embora possa existir num equipamento independente (NAT box),
a função NAT (Network Address Translation) está quase sempre
integrada num router ou num firewall. A versão mais simples do
NAT (tradução apenas de endereços IP) funciona na camada de
rede (camada 3) do modelo OSI; versões mais elaboradas (NAPT,
masquerading) funcionam nas camadas de rede e de transporte
(camadas 3 e 4).

The Bulletin 9300 NAT Device .

• Server
Um servidor (Server) é um dispositivo que disponibiliza um ou mais serviços de rede, segundo o
modelo cliente/servidor. Muito embora o termo servidor se associe, normalmente, a máquinas de
grande capacidade e confiabilidade, nem todos os servidores encaixam neste estereótipo (sobretudo
em termos de capacidade), é possível construir servidores com base em hardware comum. De fato,
uma vez que não necessitam de uma interface gráfica, os servidores dispensam aquele que, hoje em
dia, é o subsistema mais complexo e consumidor de recursos num computador pessoal ou
workstation (estação de trabalho): o subsistema gráfico. Um computador que opera unicamente como
servidor é denominado Servidor Dedicado. Os computadores clientes dos servidores são as estações
de trabalho ou Workstation.

Os servidores trabalham nas camadas superiores (5 a 7) do modelo OSI (camada 4, ou de aplicação,


no modelo TCP/IP).

Muitas vezes necessitamos de vários servidores


devido às várias aplicações de rede. Neste caso, é
comum agrupá-los em um mesmo ambiente,
formando um grupo de servidores.

Para simplificar a instalação do monitor, teclado e


mouse de cada um dos servidores, podemos usar um
KVM Switch (comutador de Keyboard, Video e
Mouse).

Com ele, um único monitor, teclado e mouse podem ser compartilhados


entre vários computadores. Existem modelos eletrônicos (melhores e
mais caros) e mecânicos.

Exemplo de KVM para quatro hosts

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


50

Tecnologias de Redes

• Arcnet
A Arcnet é uma tecnologia de rede antiga, que existe desde a década de 70. Tornou-se obsoleta com
o surgimento e evolução de novas tecnologias como a Ethernet. As redes Arcnet são capazes de
transmitir a apenas 2.5 Mbps e quase não existem drivers (controladores) para Windows para as
placas de rede. Os poucos que se aventuram a usá-las atualmente normalmente as utilizam em modo
de compatibilidade, usando drivers MS-DOS antigos.

• Ethernet
Ethernet é uma tecnologia de interconexão para redes locais baseada no envio de pacotes. Ela define
cabeamento e sinais elétricos para a camada física, e formato de pacotes e protocolos para a
subcamada de controle de acesso ao meio (Media Access Control - MAC) do modelo OSI. A
Ethernet foi padronizada pelo IEEE como 802.3. A partir dos anos 90, ela vem sendo a tecnologia de
LAN mais amplamente utilizada e tem tomado grande parte do espaço de outros padrões de rede
como Token Ring, FDDI e ARCNET.

Em 1973 dentro do PARC (o laboratório de desenvolvimento da Xerox, em Palo Alto, EUA), foi
feito o primeiro teste de transmissão de dados usando o padrão Ethernet. Por sinal, foi no PARC
onde várias outras tecnologias importantes, incluindo a interface gráfica e o mouse, foram
originalmente desenvolvidas. O teste deu origem ao primeiro padrão Ethernet, que transmitia dados a
2.94 megabits através de cabos coaxiais e permitia a conexão de até 256 estações de trabalho.

O termo "ether" era usado para descrever o meio de transmissão dos sinais em um sistema.

No Ethernet original, o "ether" era um cabo coaxial, mas em outros padrões pode ser usado um cabo
de fibra óptica, ou mesmo o ar, no caso das redes wireless. O termo foi escolhido para enfatizar que o
padrão Ethernet não era dependente do meio e podia ser adaptado para trabalhar em conjunto com
outras mídias.

É importante frisar que isso aconteceu muito antes do lançamento do primeiro micro PC, o que só
aconteceu em 1981. Os desenvolvedores do PARC criaram diversos protótipos de estações de
trabalho durante a década de 70, incluindo versões com interfaces gráficas elaboradas (para a época)
que acabaram não entrando em produção devido ao custo. O padrão Ethernet surgiu, então, da
necessidade natural de ligar estas estações de trabalho em rede.

O desenho a seguir foi feito por Bob Metcalf, o principal desenvolvedor do padrão, para ilustrar o
conceito:

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


51

• Token Ring
Foi desenvolvida pela IBM em meados de 1980, essa arquitetura opera a uma velocidade de
transmissão de 4 a 16 Mbps. É um protocolo de redes que opera na camada física (ligação de dados)
e de enlace do modelo OSI dependendo da sua aplicação. Usa um símbolo (em inglês, token), que
consiste em uma trama de três bytes, que circula numa topologia em anel em que as estações devem
aguardar a sua recepção para transmitir. A transmissão se dá durante uma pequena janela de tempo, e
apenas por quem detém o token.

Este protocolo foi descontinuado em detrimento de Ethernet e é utilizado atualmente apenas em


infra-estruturas antigas.

• FDDI
O padrão FDDI (Fiber Distributed Data Interface) foi estabelecido pelo ANSI (American National
Standards Institute) em 1987. Este abrange o nível físico e de ligação de dados (as primeiras duas
camadas do modelo OSI).

As redes FDDI adotam uma tecnologia de transmissão idêntica às das redes Token Ring, mas
utilizando, normalmente, cabos de fibra óptica, o que lhes concede capacidades de transmissão muito
elevadas (em escala até de Gigabits por segundo) e a oportunidade de atingirem distâncias de até 200
Km, conectando até 1000 estações de trabalho. Estas particularidades tornam esse padrão bastante
indicado para a interligação de redes através de um backbone – nesse caso, o backbone deste tipo de
redes é justamente o cabo de fibra óptica duplo, com configuração em anel FDDI, ao qual se ligam as
sub-redes. FDDI utiliza uma arquitetura em anel duplo

• ISDN
ISDN é a sigla para Integrated Services Digital Network. Essa tecnologia também recebe o nome de
RDSI - Rede Digital de Serviços Integrados. Trata-se de um serviço disponível em centrais
telefônicas digitais, que permite acesso à internet e baseia-se na troca digital de dados, onde são
transmitidos pacotes por multiplexação sobre condutores de "par-trançado".

A tecnologia ISDN já existe há algum tempo, tendo sido consolidada entre os anos de 1984 e 1986.
Através do uso de um equipamento adequado, uma linha telefônica convencional é transformada em
dois canais de 64 Kb/s, onde é possível usar voz e dados ao mesmo tempo, sendo que cada um ocupa
um canal. Também é possível usar os dois canais para voz ou para dados. De grosso modo, é como
se a linha telefônica fosse transformada em duas.

Um computador com ISDN também pode ser conectado a outro que utilize a mesma tecnologia, um
recurso interessante para empresas que desejem conectar diretamente filiais com a matriz, por
exemplo.

A tecnologia ISDN possui um padrão de transmissão que possibilita aos sinais que trafegam
internamente às centrais telefônicas serem gerados e recebidos em formato digital no computador do
usuário, sem a necessidade de um modem de linha discada, comum na época. No entanto, para que
um serviço ISDN seja ativado em uma linha telefônica é necessária a instalação de equipamentos
ISDN no local de acesso do usuário e a central telefônica deve estar preparada para prover o serviço
de ISDN.

A largura de banda de uma linha telefônica analógica convencional é de 4 KHz. Numa linha digital
ISDN esse valor é de 128 Kb/s, o que faz com que o sinal de 4 KHz não exista mais, pois a interface

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


52

da central de comutação na outra "ponta da linha" não trabalha mais com sinais analógicos. Os
circuitos eletrônicos da central telefônica efetuam a equalização e detecção do sinal digital a 128
Kb/s transmitido a partir do equipamento do usuário.

Essa técnica de transmissão na linha digital é a conhecida como "Híbrida com Cancelamento de
Eco". O equipamento do usuário recebe o fio do telefone proveniente da rede telefônica e
disponibiliza duas ou mais saídas: uma para o aparelho telefônico e a outra para a conexão com o
computador, geralmente via cabo serial.

Quando o equipamento do usuário é informado pela central


telefônica que chegará até ele uma chamada telefônica, ou
quando o usuário aciona o aparelho telefônico para realizar
uma chamada, automaticamente um dos dois canais utilizados
na transmissão de 128 Kb/s passa a transmitir os dados a 64
Kb/s enquanto o usuário utiliza o telefone para voz, no canal
disponibilizado. Após o término do uso de voz, o canal volta a
ser usado para a transmissão de dados a 128 Kb/s. No entanto,
é importante frisar que o equipamento de ISDN do usuário
tem que ter suporte a este mecanismo (conhecido como call
bumping), caso contrário esse recurso pode não funcionar e o
usuário não receber a chamada telefônica.
Equipamento RDSI da Trellis
• SNA
SNA significa System Network Architecture e é propriedade da IBM. Foi definida antes do modelo
OSI e é também baseada numa estrutura de camadas. As duas arquiteturas possuem muitas
semelhanças, embora também haja muitas diferenças nos serviços que são prestados e na maneira
como estes serviços estão distribuídos entre as camadas. É ainda utilizada geralmente em sistemas de
grande porte (mainframes).

• X.25
X.25 é um conjunto de protocolos padronizado pela ITU para redes de longa distância e que usam o
sistema telefônico ou ISDN como meio de transmissão.

O protocolo X.25 foi lançado em 1970 pelo Tymnet, sendo baseado em uma estrutura de rede
analógica, predominante na época de sua criação. É considerado o precursor do protocolo Frame
Relay. Como protocolo de rede sua função é gerenciar pacotes organizando as informações, atuando
na camada de enlace do RM-OSI (camada de enlace). O X.25 executa esta tarefa ficando responsável
pela interpretação de uma onda modulada recebida, efetuando a demodulação do sinal e lendo o
cabeçalho de cada pacote. Quando uma informação entra na interface de rede esse é o primeiro
protocolo a ser acionado. Muito utilizado hoje para troca de dados dos Pin Pad (máquinas de cartão
de crédito).

No X.25 a transmissão de dados ocorre entre o terminal cliente denominado de Data Terminal
Equipment (DTE) e um equipamento de rede denominado Data Circuit-terminating Equipment ou
Data Communications Equipment (DCE). A transmissão dos pacotes de dados é realizada através de
um serviço orientado a conexão (a origem manda uma mensagem ao destino pedindo a conexão
antes de enviar os pacotes), garantindo assim a entrega dos dados na ordem correta, sem perdas ou
duplicações.

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


53

• Frame Relay
O Frame Relay é uma tecnologia de comunicação de dados de alta velocidade que é usada em muitas redes ao
redor do mundo para interligar aplicações do tipo LAN, SNA, Internet e Voz.

Basicamente pode-se dizer que a tecnologia Frame Relay fornece um meio para enviar informações através de uma
rede de dados, dividindo essas informações em frames (quadros) ou packets (pacotes). Cada frame carrega um
endereço que é usado pelos equipamentos da rede para determinar o seu destino.

A tecnologia Frame Relay utiliza uma forma simplificada de chaveamento de pacotes, que é adequada para
computadores, estações de trabalho e servidores de alta performance que operam com protocolos inteligentes, tais
como SNA e TCP/IP. Isto permite que uma grande variedade de aplicações utilize essa tecnologia, aproveitando-se
de sua confiabilidade e eficiência no uso de banda.

O Protocolo Frame Relay, sendo descendente direto do X-25, utiliza-se das funcionalidades de
multiplexação estatística e compartilhamento de portas, porém com a alta velocidade e baixo atraso
(delay) dos circuitos TDM (Time Division Multiplex). Isto é possível pois o mesmo não utiliza o
processamento da camada de rede (camada 3) do X.25. Isto exige redes confiáveis para a sua
implementação eficiente, pois em caso de erro no meio de transmissão, ocorre um aumento
significativo no número de retransmissões, pois a checagem de erros ocorre somente nas pontas.

O protocolo Frame Relay proporciona orientação à conexão em sua camada de trabalho (camada 2
do modelo OSI - Enlace).

• ATM
O ATM (Asynchronous Transfer Mode) surgiu em 1990. Foi desenhado como um protocolo de
comunicação de alta velocidade que não depende de nenhuma topologia de rede específica. É uma
tecnologia de comunicação de dados de alta velocidade usada para interligar redes locais,
metropolitanas e de longa distância para aplicações de dados, voz, áudio e vídeo.

Basicamente a tecnologia ATM fornece um meio para enviar informações em modo assíncrono
através de uma rede de dados, dividindo essas informações em pacotes de tamanho fixo de 53 bytes
(48 bytes de dados e 5 de cabeçalho) denominados células (cells). Cada célula carrega um endereço
que é usado pelos equipamentos da rede para determinar o seu destino.

Uma célula é análoga a um pacote de dados, à exceção que as células ATM nem sempre contém a
informação de endereçamento de camada superior nem informação de controle de pacote.

A velocidade do ATM começa em 25 Mbps, 51 Mbps, 155 Mbps e superiores. Estas velocidades
podem ser atingidas com cabeamento de cobre ou fibra óptica (com a utilização exclusiva de
cabeamento em fibra óptica pode-se atingir até 622.08 Mbps). Estas velocidades são possíveis
porque o ATM foi desenhado para ser implementado por hardware em vez de software, sendo assim
são conseguidas velocidades de processamento mais altas.

• DSL
A linha digital de assinante (DSL – Digital Line Subscriber, ou ainda xDSL) é uma família de
tecnologias que fornecem um meio de transmissão digital de dados, aproveitando a própria rede de
telefonia que chega na maioria das residências. As velocidades típicas de download de uma linha
DSL variam de 128 Kbits/s até 52 Mbits/s dependendo da tecnologia implementada e oferecida aos
clientes. Quando as velocidades de upload são menores do que as de download é denominado ADSL
e quando as velocidades são iguais é SDSL.

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


54

O DSL é a base para várias tecnologias: DSL: ADSL, ADSL Lite, ADSL2, ADSL2+, SDSL, IDSL,
HDSL, RADSL, VDSL, VDSL2, [Link], VoDSL, PDSL e UDSL.

No ADSL (Asymmetric Digital Subscriber Line) convencional, geralmente as menores taxas de


Download começam em 64 Kbit/s e podem atingir 8 Mbit/s dentro de 300 metros de distância da
central telefônica onde está instalado o sistema. As taxas podem chegar a 52 Mbit/s dentro de 100
metros (o denominado VDSL - Very-high-bit-rate Digital Subscriber Line).

As taxas de envio geralmente começam em 64 Kbit/s e vão até 256 Kbit/s, mas podem ir até 768
Kbit/s. O nome UDSL é às vezes usado para versões mais lentas (Universal Asymmetric Digital
Subscriber Line ou UADSL, UDSL ou ADSL Lite).

São componentes de uma rede ADSL:

Modem ADSL: Na residência ou escritório do usuário é instalado um modem ADSL para conexão
com um PC. O modem é geralmente conectado a uma placa de rede no micro. Este micro pode servir
de servidor para uma pequena rede local.

Divisores de potência: Divisores de potência e filtros colocados na residência do usuário e na


Estação telefônica permitem a separação do sinal de voz da chamada telefônica do tráfego de dados
via ADSL.

DSLAM: Na estação telefônica cada par telefônico é conectado a um mutiplexador de acesso DSL
(DSLAM). A função do DSLAM é concentrar o tráfego de dados das várias linhas com modem DSL
e conectá-lo com a rede de dados.

Componentes de uma rede de acesso ADSL.

A conexão através de circuitos ATM é a mais utilizada em redes ADSL. Existem equipamentos
DSLAM que assumiram o papel de nó de acesso incorporando sistemas de comutação ATM.

Rede de dados: A rede de dados a que se conecta o DSLAM poderá ser a rede do provedor de
conexão a Internet ou qualquer outro tipo de rede de dados.

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


55

No ADSL a faixa de freqüências de transmissão no pares de cobre é dividida em três canais:

o Serviço telefônico convencional de Voz (0-4 kHz);


o Dados originados no cliente e transmitidos para a rede (tráfego upstream);
o Dados originado na rede e transmitidos para o cliente (tráfego downstream).

A figura seguinte ilustra estes canais no espectro de freqüências.

É possível desta forma a operação simultânea dos serviços de voz e ADSL e o aumento da taxa de
dados pela utilização de freqüências mais altas.

Ao criar canais múltiplos, os modems ADSL dividem a largura de banda disponível de uma linha
telefônica utilizando uma das seguintes técnicas: Multiplexação por Divisão de Frequência (FDM)
ou Cancelamento de Eco.

O FDM determina uma faixa inferior de dados e outra faixa superior. A inferior é dividida então
através de multiplexação por divisão de tempo em um ou mais canais de alta velocidade ou em um
ou mais canais de baixa velocidade, conforme mostra figura a seguir. A faixa superior está também
multiplexada em canais correspondentes de baixa velocidade.

Espectro de Freqüência do ADSL usando FDM

O cancelamento de eco sobrepõe a faixa superior na inferior, e separa os dois por meio de
cancelamento de eco local conforme mostra a figura a seguir. Esta técnica é empregada nos padrões
V.32 e V.34.

Espectro de Freqüência do ADSL usando Cancelamento de Eco

Em ambas as técnicas, o ADSL divide uma faixa de 4 kHz da linha comum, que é destinada ao tráfego
de voz.

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


56

O ADSL é apenas um meio físico de conexão, que trabalha com os sinais elétricos que serão
enviados e recebidos. Funcionando dessa forma, é necessário um protocolo para encapsular os dados
de seu computador até a central telefônica. O protocolo mais utilizado para essa finalidade é o
PPPoE (Point-to-Point Protocol over Ethernet - RFC 2516).

O PPPoE trabalha com a tecnologia Ethernet, que é usada para ligar sua placa de rede ao modem,
permitindo a autenticação para a conexão e aquisição de um endereço IP à máquina do usuário. É por
isso que cada vez mais as empresas que oferecem ADSL usam programas ou o navegador de internet
do usuário para que este se autentique. Através da autenticação é mais fácil identificar o usuário
conectado e controlar suas ações.

Outra opção é autenticar o usuário através do endereço MAC da placa de rede, onde esta
identificação é registrada na operadora. Durante a conexão, essa informação é trocada entre os
modens ADSL, e neste momento, a autenticação é realizada.

• Rede HFC
Com o passar dos anos, o sistema de televisão cresceu,
e os cabos entre as várias cidades foram substituídos
por fibra óptica de alta largura de banda, de forma
semelhante ao que aconteceu no sistema telefônico.
Um sistema com fibra nas linhas principais e cabo
coaxial nas ligações para residências é chamado HFC
(Hybrid Fiber Coaxial) Sistema híbrido de cabo
coaxial e fibra.

Outra possibilidade de acesso residencial que se


observa é a linha híbrida de cabo de fibra óptica e cabo
coaxial. A rigor, essa tecnologia utiliza a infraestrutura
de TV a cabo para transmissão de dados até 30 Mbit/s.

A tecnologia modem a cabo, diferentemente das outras


tecnologias de acesso residencial, é um meio de
transmissão compartilhado. Cada pacote enviado pelo
provedor trafega por todos os enlaces até todas as
casas. Isso faz com que os pacotes enviados
simultaneamente por duas casas diferentes colidam e se
destruam. Portanto, a taxa efetiva de transmissão,
depende do número de usuários ativos.

Uma possível vantagem da tecnologia ADSL sobre a de modem a cabo reside justamente no fato de
ADSL ser uma linha dedicada e não compartilhada. Entretanto, uma rede HFC bem dimensionada
provê taxa de transmissão maior que a do ADSL. Opcionalmente, HFC permite utilizar um
Interactive Set-Top-Box, cuja principal função é a de disponibilizar um maior número de canais de
TV, sobre a mesma banda passante. O Set-Top-Box cria um canal de retorno que permite ao usuário
navegar pela Internet e receber os resultados na tela da TV. Serviços como voz sobre IP, quando bem
dimensionados, podem ser implantados com alta qualidade.

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


57

A partir de meados dos anos 90, o desenvolvimento de tecnologia digital com baixo custo e o
crescente interesse por serviços digitais interativos veio trazer algumas experiências que deram
origem a alguns protocolos proprietários.

O DOCSIS (Data Over Cable Service Interface Specifications) é um padrão técnico internacional
desenvolvido por CableLabs em conjunto com empresas fornecedoras do setor e define os requisitos
de interface dos cable modems para a transferência de dados a alto desempenho sobre redes de TV a
cabo.

A versão 3.0 do DOCSIS permite a utilização de 4 ou mais canais agregados para a transferência de
dados. Embora a especificação não determine um número máximo de canais que podem ser
agregados, existe um limite prático, além do fluxo de downstream, o meio físico também necessita
transportar os canais analógicos e os digitais.

Recentemente, a Cisco realizou um teste onde alcançou quase 1.6 Gbps, utilizando seu novo CMTS
(Cable Modem Termination System), que suporta agregar até 72 canais no fluxo de downstream e 60
canais no de upstream.

Além da falta de espectro disponível na rede HFC, outro fator que limita o número de canais que
podem ser agregados pelas operadoras é a falta de cable modems que suportem mais de 8 canais
agregado. No teste da Cisco, foram utilizados protótipos de cable modems que suportam 16 canais
agregados no fluxo de downstream e 4 canais no de upstream. Mesmo assim, foram utilizados três
destes protótipos para realizar o teste com 48 canais agregados. É tecnologicamente possível
produzir cable modems que agreguem 72 canais ou mais, mas o custo é alto.

• FTTX
Uma rede FTTX é uma rede de acesso baseada em fibra que conecta uma grande quantidade de
usuários finais (residências, prédios, ERBs, etc.) a um ponto central, conhecido como nó de acesso
ou ponto de presença (POP) da operadora.

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


58

Uma rede FTTX pode apresentar várias arquiteturas:

• Fibre to the home (FTTH), ou fibra até a residência do usuário final.


• Fibre to the building (FTTB), onde a fibra vai até o prédio e a distribuição para os assinantes
são feitas através de uma rede Ethernet tendo como meio o cabo coaxial ou o par de cobre.
• Fibre to the curb (FTTC) – onde a fibra vai até um armário na rua e a distribuição para os
assinantes na quela vizinhança é através deVDSL2 ou Ethernet tendo como meio o cabo
coaxial ou o par de cobre.
• Redes Híbridas de Fibra e Cabo (HFC), arquitetura utilizada pelas operadoras de TV a Cabo.

o FTTB – Fibra até o Prédio


Esta solução permite a implantação de uma fibra óptica ponto-a-ponto e ponto-multiponto. Na sala
apropriada do estabelecimento a ser atendido por FTTB é instalada uma ONT (Optical Network
Terminal) que é conectada a um switch para a distribuição dos serviços aos diversos andares de
forma que as conexões entre o switch e equipamento do cliente podem ter terminações óptico –
óptico ou óptico – elétrico. Normalmente o atendimento interno a partir do switch é através de uma
rede metálica de cabeamento estruturado, onde se tem a aplicação mais comum de tecnologias
ADSL2+, VDSL2, 10/100Base-T.

A fibra é terminada num terminal remoto (RT), um equipamento ativo que requer energização e
segurança comumente instalado no subsolo do prédio dentro de um armário de utilidades ou numa
sala de comunicações. Se o edifício tiver uma solução de cabeamento estruturado do tipo Cat.5 para
cada unidade, uma rede Ethernet local é instalada para prover uma banda compartilhada de 10 ou
100 Mbps.

Casos apenas pares de fios telefônicos são disponíveis, o RT é um DSLAM (Digital Subscriber Line
Access Multiplexer) que provê os serviços de banda necessários no edifício. Atualmente aplicações
típicas de FTTB provêm cerca de 10 Mbps.

Solução FTTB em conexão P2P e P2MP

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


59

o FTTC – Fibra até o Armário


É realizado o atendimento até um distribuidor intermediário (exemplo: uma caixa outdoor instalada
no auto de um poste de energia na rua) e a partir do mesmo é realizado o atendimento a um edifício
ou residência se utilizando de cabos coaxiais, cabos metálicos, fibra óptica ou algum outro meio para
a transmissão das informações. Muito similar ao FTTN (Fiber to the Node), mas a distância da ONU
(Optical Network Unite) ao usuário final não deve ultrapassar 300 metros de distância. Este
equipamento deve possuir elementos robustos que suportem grandes variações de temperatura e
demais intempéries climáticas no meio em que for instalado, visto que pode haver uma dificuldade
com a refrigeração do mesmo, devido as suas instalações.

Solução FTTC

o FTTN – Fibra até o Nó


Refere-se a uma arquitetura de atendimento PON (Passive Optical Network) em que as ONTs
(Optical Network Terminal) se distanciam a aproximadamente 1 km (quilometro) do usuário final.
Normalmente instaladas em um distribuidor intermediário (Armário) disponibilizam o serviço ao
usuário por meio de cabos coaxiais, cabos metálicos, fibra óptica ou algum outro meio para a
transmissão das informações.

Solução FTTN

o FTTH – Fibra até a Casa


Uma fibra óptica é instalada diretamente da Central (OLT – Optical Line Terminal) até a Residência
do Cliente (ONU – Optical Network Unit). Este atendimento é o que gera maior custo para os
prestadores de serviços, pois um novo cabeamento é realizado por ser atendimento óptico e não
elétrico - nenhuma estrutura da rede metálica existente é utilizada.

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


60

Solução FTTH

As redes FTTH oferecem velocidades de até 100 Mbps. Com o uso crescente da banda larga e a
demanda por velocidades maiores aumentaram os investimentos em redes FTTH em todo o mundo.

• PLC
O Power Line Communication (PLC) é uma tecnologia de rede de acesso, ainda não comercial, que
transforma a rede de distribuição de energia em uma rede de comunicação pela superposição de um
sinal de informação de baixa energia ao sinal de corrente alternada de alta potência.

Com o propósito de assegurar a coexistência correta e a separação entre os 2 sistemas, a faixa de


freqüência utilizada para comunicação é bastante distante daquela utilizada para a corrente alternada
(50 ou 60 Hz), sendo 1,7 MHz a 50 MHz para aplicações banda larga. Os dois sinais podem conviver
harmoniosamente, no mesmo meio. Com isso, mesmo se a energia elétrica não estiver passando no
fio naquele momento, o sinal da Internet não será interrompido.

Os fornecedores da tecnologia PLC estão atingindo capacidades de largura de banda de 200 Mbit/s
(capacidade partilhada nos fluxos de dados brutos downstream e upstream), velocidade que compete
com outras tecnologias de acesso.

A tecnologia PLC pode utilizar à rede de Baixa Tensão (BT) e/ou a rede de Média Tensão (MT)
como suporte. A utilização da alta tensão (AT) é objeto de estudos adicionais com possíveis
resultados futuros em escala comercial.

A tecnologia PLC é adequada tanto às redes de baixa tensão aérea quanto às redes de distribuição
subterrânea.

Entre os principais pontos fortes da tecnologia PLC, os seguintes merecem destaque:

o Utiliza-se da infra-estrutura existente com um potencial de cobertura superior ao das


tecnologias competidoras, permitindo estar presente em todas as partes sem
precedentes (indoor e outdoor);

o Permite uma implantação rápida, modular e seletiva;

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


61

o A instalação interna (em residências e escritórios) é rápida e simples;

o Investimentos e custos operacionais na rede PLC estão ficando a cada ano mais
competitivo com relação à ADSL (Asymmetric Digital Subscriber Line) e menor do
que o serviço de distribuição via cabo;

o O desenvolvimento da tecnologia tira proveito, se apóia e é convergente com os


desenvolvimentos mais recentes do quadro de serviços NGN (Next Generation
Network) e protocolos IP, por exemplo, parâmetros de QoS (Quality of Service), IPv6
(Internet Protocol versão 6), etc..

A PLC trabalha na camada 2 do modelo ISO/OSI, ou seja, na camada de enlace. Sendo assim, pode
ser agregada a uma rede TCP/IP (camada 3) já existente, além de poder trabalhar em conjunto com
outras tecnologias de camada 2.

As principais dúvidas em relação à PLC referem-se à interferência que os aparelhos elétricos exercem
sobre ela. Uma das grandes desvantagens é que qualquer "ponto de energia" pode se tornar um ponto
de interferência, ou seja, todos os outros equipamentos que utilizam radiofreqüência, como
receptores de rádio, telefones sem fio, alguns tipos de interfone e, dependendo da situação, lâmpadas
fluorescentes, furadeiras, batedeiras e até mesmo os televisores e outros equipamentos que consome
muita energia estão entre os vilões. Mas, de acordo com Orlando César Oliveira, coordenador do
empreendimento PLC da COPEL (Companhia Paranaense de Energia), a instalação de filtros nos
disjuntores e tomadas da residência reduz o problema. Pelas regras da Agência Nacional de
Telecomunicações (Anatel), antes de iniciar uma operação comercial, as empresas devem fazer uma
varredura da área para verificar se há conflito com sistemas de comunicações.

Em 13/04/2009, a Anatel publicou a Resolução 527, que aprova o Regulamento sobre Condições de
Uso de Radiofreqüências por Sistemas de Banda Larga por meio de Redes de Energia Elétrica
(PLC). O documento estabelece os critérios e parâmetros técnicos que permitem a utilização dessa
tecnologia de forma harmônica com as aplicações de radiocomunicação que usam radiofreqüência na
faixa entre 1,705 kHz e 50 MHz.

Em 18/08/2009, a ANEEL publicou portaria que regulamenta o uso da tecnologia PLC. A Resolução
Normativa nº 375/2009 estabelece as condições de compartilhamento da infra-estruturar das
distribuidoras.

• Wi-Fi
Uma WLAN (Wireless LAN) é uma rede local sem fio padronizada pelo IEEE 802.11. É conhecida
também pelo nome de WiFi (wireless fidelity – fidelidade sem fios) e a marca registrada pertencente
à WECA (Wireless Ethernet Compatibility Alliance).

O funcionamento desse tipo de rede é bem parecido com as redes cabeadas: utilizam o TCP/IP.

A configuração da rede wireless é feita em duas etapas. Primeiro é preciso configurar o ESSID
(Extended Service Set ID) e o canal, e depois configurar a chave de acesso WEP (Wired Equivalent
Privacy) ou WPA (WiFi Protected Access).

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


62

Quando uma rede WiFi é configurada, é necessário criar o ESSID. Trata-se de um nome atribuído à
rede. Deste modo, ao se conectar a rede desejada, não ocorre uma troca de dados com a rede
incorreta.

Como o sinal de acesso é aberto, quem estiver no raio de alcance conseguirá acessar sem problemas
a sua rede. Por esse motivo, quando se configura uma rede com essa característica, deve-se utilizar o
serviço de criptografia de dados, deste modo, mesmo que outros usuários consigam captar o sinal,
não conseguirão conectar-se à rede sem a chave de decriptografia. Há três tipos de criptografia, o
WEP de 64 bits, o WEP de 128 bits e o WPA.

O WEP (Wired Equivalent Privacy – Privacidade equivalente aos fios) foi o primeiro protocolo de
criptografia lançado para redes sem fio. O WEP é um sistema de criptografia adotado pelo padrão
IEEE 802.11. Ele utiliza uma senha compartilhada para criptografar os dados e funciona de forma
estática. Ele fornece apenas um controle de acesso e de privacidade de dados na rede sem fio.

As chaves de acesso utilizam 64 ou 128 bits e o algoritmo RC4 para criptografar os pacotes, que são
transmitidos pelas ondas de rádio. Além disso, faz uso de uma função detectora de erros para
verificar a autenticidade e dados.

Poucos anos após ter sido lançado, várias vulnerabilidades foram encontradas no uso do protocolo,
até que o WPA foi lançado.

O WPA (Wi-Fi Protected Access) é um protocolo WEP melhorado. Também chamado de WEP2,
ou TKIP (Temporal Key Integrity Protocol), essa primeira versão do WPA surgiu de um esforço
conjunto de membros da Wi-Fi Aliance e de membros do IEEE empenhados em aumentar o nível de
segurança das redes sem fio, em 2003, combatendo algumas das vulnerabilidades do WEP.

Apesar de não ser o padrão IEEE 802.11, é baseado nele e tem algumas características que fazem
dele uma ótima opção para quem precisa de segurança rapidamente:

o Pode-se utilizar WPA numa rede híbrida que tenha WEP instalado.
o Migrar para WPA requer somente atualização de software.
o WPA é desenhado para ser compatível com o próximo padrão IEEE 802.11i.

O WPA2 (802.11i ) é considerada a versão final o WPA. A principal diferença entre o WPA e o
WPA2 é a forma com a qual ele criptografa os dados. Enquanto o WPA utiliza o TKIP como
algoritmo de criptografia, o WPA2 utiliza o algoritmo AES (Advanced Encryption Standard). O
algoritmo AES é consideravelmente mais pesado que o TKIP. Por conta disso, as placas mais antigas
não suportam o WPA2, nem com um firmware atualizado.

O AES é o padrão de criptografia utilizado pelo Governo Norte Americano.

Padrões IEEE
O IEEE (Institute of Electrical and Electronics Engineers) instaurou um comitê para padronizar a
conectividade sem fio em 1990, além de ser considerada a maior organização profissional do mundo
de engenheiros eletrotécnicos e eletrônicos. Em 1997 surgiu o padrão para as conexões e
regulamentar o uso de freqüências para transmissão de dados.

Nos itens a seguir, são apresentados alguns dos principais padrões de WiFi utilizados atualmente.

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


63

Padrão 802.11b
Esse padrão foi o primeiro padrão para comunicação wireless utilizado em grande escala, e com ele
foi possível a comunicação e interação com dispositivos de diversos fabricantes.

Nas redes de padrão 802.11b, utiliza-se uma freqüência de banda de 2,4 GHz, permitindo a
transmissão de 11 Mbit/s a um alcance de 100 metros. Contudo essa velocidade pode ser alterada
dependendo do número de obstáculos presentes na transmissão.

O distanciamento do ponto de acesso faz com que o sinal diminua até que se perca definitivamente e
através de alguns softwares específicos, é possível medir a qualidade do sinal.

Padrão 802.11b+
Esse padrão é uma evolução do padrão 802.11b. Com ele é possível se conectar a uma rede a 22
Mbit/s, o dobro do tradicional 802.11b, porém para que isso seja efetivamente possível, as duas
placas wireless devem ser 802.11b+ e estarem bem próximas do ponto de acesso. Caso ocorra a
mistura de dispositivos, como por exemplo, 802.11b e 802.11b+, a velocidade de acesso será 11
Mbit/s respeitando assim o dispositivo mais lento.

Padrão 802.11a
Conforme indica o nome, esse padrão começou a ser desenvolvido antes do padrão 802.11b, porém
ficou pronto depois. Com ele é possível trabalhar a uma velocidade teórica de 54 Mbit/s e com uma
freqüência de 5 GHz. Também é capaz de compartilhar dados com os padrões 802.11b e 802.11b+
lembrando que a velocidade será sempre considerada à do dispositivo mais lento.

Padrão 802.11g
Esse padrão é a evolução dos padrões anteriores, agrupando o melhor do 802.11b (alcance do sinal) e
do 802.11a (taxa de transmissão). Com ele é possível chegar aos 54 Mbit/s. Porém como os outros
padrões caso alguém se conecte a rede WiFi com uma placa que não seja 802.11g a rede inteira
começará a trabalhar a uma velocidade de 11 Mbit/s. Um ponto importante é que o 802.11g não
trabalha com placas tipo 802.11a.

Há também as placas dual-band, que transmitem simultaneamente dois canais diferentes, isso faz
com que a taxa de transferência seja dobrada. Lembrando que mais uma vez, apesar da velocidade
muito superior às outras, o nível máximo de transferência só será atingido caso todas as placas sejam
também dual-band.

A transmissão WiFi, no Brasil, ocorre na faixa não licenciada de 2,4GHz.

Nas redes 802.11b e 802.11g estão disponíveis 14 canais de transmissão. No Brasil são permitidos 11
destes, que englobam as freqüências de 2.412 GHz (canal 1) a 2.462 GHz (canal 11), com intervalos
de 5 MHz entre eles.

Como os canais utilizam uma banda total de 22 MHz (em muitas citações, o valor é arredondado
para 20 MHz), as freqüências acabam sendo compartilhadas, fazendo com que redes operando em
canais próximos interfiram entre si.

O canal 6, por exemplo, cuja freqüência nominal é 2.437 GHz, opera na verdade entre 2.426 e 2.448
GHz, invadindo as freqüências dos canais 2 até o 10.

A tabela a seguir mostra a listra de canais Wi-Fi disponíveis no Brasil e cada faixa ocupada.

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


64

Canal Frequência nominal Faixa de Frequências


1 2.412 GHz 2.401 a 2.423 GHz

2 2.417 GHz 2.405 a 2.428 GHz

3 2.422 GHz 2.411 a 2.433 GHz

4 2.427 GHz 2.416 a 2.438 GHz

5 2.432 GHz 2.421 a 2.443 GHz

6 2.437 GHz 2.426 a 2.448 GHz

7 2.442 GHz 2.431 a 2.453 GHz

8 2.447 GHz 2.436 a 2.458 GHz

9 2.452 GHz 2.441 a 2.463 GHz

10 2.457 GHz 2.446 a 2.468 GHz

11 2.462 GHz 2.451 a 2.473 GHz

Tabela de frequência nominal e faixa ocupada por canal WiFi.

Representação de ocupação dos canais WiFi no espectro de frequências.

Os canais 1, 6 e 11 são os únicos que podem ser utilizados simultaneamente sem que exista nenhuma
interferência considerável entre as redes (em inglês, os três são chamados de "non-overlapping
channels" ou seja, canais que não se sobrepõem).

Isto faz com que muitos usuários do sistema utilizem estes 3 canais como regra, o que é um engano,
pois só é valido para um sistema ideal, com apenas 3 redes wifi irradiando. Deve-se levar em
consideração todos os canais irradiando nas proximidades para escolher as opções com menor
interferência.

A Potência de transmissão
O ganho da antena é medido em relação a um radiador isotrópico (modelo teórico de antena, onde
o sinal seria transmitido igualmente em todas as direções).

Todas as antenas concentram o sinal em determinadas direções, sendo que quanto mais concentrado
é o sinal, maior é o ganho. Uma antena de 3 dBi, por exemplo, irradia o sinal com o dobro de
potência que um radiador isotrópico, porém irradia em um ângulo duas vezes menor. Uma antena de
6 dBi oferece um sinal quatro vezes mais concentrado, porém para um ângulo 4 vezes mais estreito,
e assim por diante.

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


65

De uma forma geral, quanto maior é o ganho desejado, maior precisa ser a antena; justamente por
isso as antenas ominidirecionais e yagi de alto ganho são muito maiores que as antenas padrão de 2.2
dBi dos pontos de acesso.

A maioria dos modelos domésticos de pontos de acesso trabalham com 17.5 dBm (56 mW) ou 18
dBm (63 mW) de potência, mas existem modelos com apenas 15 dBm (31.6 mW) e, no outro
extremo, alguns modelos com até 400 mW (26 dBm) como, por exemplo, o Senao ECB-3220 e o
OVISLINK WL-5460:

Senao ECB-3220 OVISLINK WL-5460

É importante notar que, em muitos casos, a potência anunciada pelo fabricante inclui o ganho da
antena, de forma que um ponto de acesso com sinal de 20 dBm pode ser, na verdade, um ponto de
acesso com transmissor de 18 dBm e uma antena de 2 dBi. Nesse caso, você obteria 24 dBm ao
substituir a antena padrão por uma antena de 6 dBi e não 26 dBm (20dBm+6dB) como seria de se
esperar. Uma diferença de 2 dBm pode parecer pequena, mas na verdade equivale a um aumento de
66% na potência do sinal, daí a importância de checar as especificações.

Nenhuma antena irradia o sinal igualmente em todas as direções. Mesmo as antenas ominidirecionais
irradiam mais sinal na horizontal que na vertical. Isso significa que o sinal é concentrado dentro da
área de transmissão da antena, tornando-se mais forte. Como vimos, quanto maior o ganho da antena,
mais concentrado e forte é o sinal, fazendo com que ele seja capaz de percorrer distâncias maiores e
superar mais obstáculos. Se a potência de transmissão nominal é de 400 mW, o uso de uma antena de
2.2 dBi faria com que, na prática, tivéssemos uma potência de transmissão de 660 mW (28.2 dBm).

Extendendo o alcance para enlaces de longa distância


Substituindo a antena padrão por uma antena yagi com ganho de 18 dBi, a potência de transmissão
subiria para 44 dBm e, se a antena tivesse 24 dBi, subiria para impressionantes 50 dBm. Na prática,
os valores seriam um pouco mais baixos, devido à perda introduzida pelo cabo e pelos conectores,
mas ainda assim os números são impressionantes.

Mesmo um ponto de acesso mais simples, com um transmissor de 56 milliwatts (17.5 dBm), pode
atingir uma boa potência de transmissão se combinado com uma antena de bom ganho. Usando uma
antena setorial de 12 dBi, a potência total de transmissão já seria de 29.5 dBm, o que equivale a
891mW. A principal diferença é que nesse caso o sinal seria concentrado em uma área muito menor,
tornando-o utilizável para um link de longa distância, mas não para uma rede doméstica, onde o sinal
precisa ficar disponível em todo o ambiente.

Em se tratando de links de longa distância, é preciso ter em mente que a potência de transmissão do
ponto de acesso não está necessariamente relacionada à sua sensibilidade de recepção e a falha em

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


66

captar o sinal do cliente também leva à perda da conexão. Ou seja, para obter um ganho tangível, é
necessário usar produtos com uma maior potência de transmissão dos dois lados do link.

Uma antena de alto ganho (corretamente focalizada), por outro lado, aumenta tanto a potência de
transmissão quanto a sensibilidade de recepção, já que é capaz de concentrar o sinal em ambas as
direções. É por isso que instalar uma antena yagi na placa de um notebook, por exemplo, permite que
ele consiga se conectar a redes distantes, mesmo sem modificações nos respectivos pontos de acesso.

O sinal transmitido pelo ponto de acesso é espalhado por uma grande área, de forma que apenas uma
pequena quantidade da energia irradiada é efetivamente captada pela antena receptora. O mesmo
acontece no caminho inverso.

Em um ambiente livre de obstáculos, para 2,4GHz, temos aproximadamente a seguinte perda:

o 500 metros: -94.4 dB


o 1000 metros: -100.4 dB
o 2000 metros: -106.4 dB
o 4000 metros: -112.4 dB

Em um ambiente real, devemos considerar uma perda um pouco maior que a apresentada, com um
acréscimo de 6 a 9 dB cada vez que a distância dobra.

A margem é necessária, pois, em uma situação real, raramente se consegue obter um alinhamento
perfeito das antenas e também a fatores ambientais, como o vento e a chuva. Sem uma boa margem
de tolerância, sua rede poderá ficar instável nos dias nublados, com ventos ou durante as chuvas.

Ao receber o sinal, o receptor precisa amplificá-lo, de forma que ele possa ser processado. Neste
ponto deve-se atentar à sensibilidade de recepção (receive sensitivity), que corresponde ao nível
mínimo de sinal que o receptor precisa para receber os dados, com um volume aceitável de erros de
recepção.

Ao criar um link de longa distância, é importante usar pontos de acesso e placas com a maior
sensibilidade possível. Com o exposto acima, vimos que uma diferença de apenas 6 dB na recepção
permite obter o dobro do alcance, utilizando as mesmas antenas. Este acaba sendo o principal
diferencial entre interfaces de rede de diferentes fabricantes, mesmo quando elas são baseadas no
mesmo chipset.

Uma dica prática é que os pontos de acesso e placas 802.11g atuais oferecem em geral uma recepção
melhor do que produtos antigos, baseados no padrão 802.11b (mesmo se utilizadas as mesmas
antenas), devido a melhorias nos chipsets.

Os aparelhos baseados no 802.11n oferecem uma taxa de transferência muito maior em curtas
distâncias, devido ao uso do MIMO (Multiple-input and multiple-output é o conjunto de técnicas de
transmissão para sistemas de comunicação sem fio com múltiplas antenas na transmissão e na
recepção), mas esta característica é praticamente inútil em links de longa distância, onde
normalmente utilizamos uma única antena. O 802.11n oferece algumas melhorias adicionais no
sistema de correção de erros e na transmissão do sinal, que reduzem o overhead da transmissão em
relação ao 802.11g, resultando em um certo ganho na taxa de transmissão (mesmo com uma única
antena), mas não muito.

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


67

É possível encontrar a relação entre o nível mínimo de sinal para cada taxa de transferência nas
especificações da placa ou do ponto de acesso. A maioria dos dispositivos trabalha com um valor
mínimo de -92 dBm e alguns chegam a -95 dBm (note que a sensibilidade de recepção não está
necessariamente relacionada à potência de transmissão).

Entretanto, esse valor corresponde à taxa de transmissão mínima, a 1 megabit por segundo. Para que
a rede possa trabalhar a velocidades mais altas, é necessário um sinal mais forte.

Para exemplificar, podemos construir uma relação entre taxa de transmissão e potência de recepção
baseada nos valores teóricos esperados em uma comunicação sem fio. Os valores podem variar em
até 6 dBm, de acordo com a marca e o modelo da placa:

o 1 Mbps: -92 dBm


o 2 Mbps: -91 dBm
o 5.5 Mbps: -90 dBm
o 9 Mbps: -88 dBm
o 12 Mbps: -87 dBm
o 18 Mbps: -86 dBm
o 24 Mbps: -83 dBm
o 36 Mbps: -80 dBm
o 48 Mbps: -74 dBm
o 54 Mbps: -72 dBm

Pela lista podemos ver que um sinal de -98 dBm é muito baixo, mesmo para criar um link de apenas
1 megabit. Para cada redução de 3 dB no sinal, temos uma redução de 50% na potência, de forma
que -98 dBi corresponde a apenas um quarto de -92 dBi, que seria o mínimo para estabelecer a
conexão, dentro das especificações da lista apresentada.

Diante de tal nível de recepção, uma antena setorial ou yagi com 8 dBi de ganho, devidamente
apontada para a antena do ponto de acesso remoto, seria suficiente para elevar o sinal ao nível
mínimo (a 1 Mbps), mas seria necessário usar uma antena com pelo menos 26 dBi para ter uma
chance de efetuar a conexão na velocidade máxima, a 54 Mbps.

O valor de potência irradiado pela antena é dado em EIRP (equivalent isotropically radiated power)
e corresponde à potência efetiva da transmissão, obtida somando a potência do transmissor e o ganho
da antena (descontando perdas causadas pelos cabos, conectores e outros fatores).

Em muitos países da Europa, vigora uma norma muito mais restritiva, que limita as transmissões a
apenas 100 milliwatts (20 dBm), o que equivale à potência nominal da maioria dos pontos de acesso,
sem modificações na antena ou uso de amplificadores.

No Brasil, vigora uma norma de 2004 da Anatel (resolução 365, artigo 39) que limita a potência
EIRP do sinal a um máximo de 400 milliwatts (26 dBm) em cidades com mais de 500 habitantes.
Acima disso, é necessário obter uma licença de operação.

Alguns roteadores sem fio têm o recurso de configurá-los em WDS.

WDS (Wireless Distribution System) é um sistema que permite a interconexão de access points sem
a utilização de cabos ou fios, descrito nas normas do IEEE 802.11 e IEEE 802.16.

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


68

Com o WDS, um access point pode ser uma base central, de repetição ou remoto. Uma base central é
tipicamente conectada à rede por fios. Uma base de repetição retransmite dados entre bases remotas e
centrais, clientes wireless ou outras bases de repetição. Uma base remota aceita conexões de clientes
wireless e as repassa para estações centrais ou de repetição.

Todas as estações base em uma rede WDS precisam ser configuradas para utilizarem o mesmo canal
e compartilharem chaves WEP se for utilizado.

Firmware: A maioria de fornecedores de equipamentos promove melhoras em seus produtos e os


disponibiliza na forma de novas versões dos modelos. Essas melhoras também podem ocorrer no
software de administração do produto (firmware) que pode corrigir falhas que causam instabilidade
de funcionamento ou mesmo novas funcionalidades.

Esse firmware é o sistema operacional dos roteadores wi-fi. Os fabricantes normalmente o


desenvolvem de forma dedicada e proprietária procurando extrair um bom custo/benefício do
produto.

Muitos fabricantes consideram como ponto de partida sistemas operacionais de código aberto, como
o Linux ou o BSD. Com isso, muitos roteadores wi-fi disponíveis no mercado, possibilitam a
substituição de seu firmware por outro, construído de forma independente. Essa é a proposta do DD-
WRT ([Link]

O DD-WRT é uma alternativa de firmware Opensource baseada em Linux suportado por uma grande
variedade de equipamentos wi-fi e que pode prover acesso a ajustes não liberados pelo fabricante do
equipamento.

Porém, deve-se tomar muito cuidado com a atualização do firmware, pois, um erro ou falha no
procedimento, como queda de energia, desconexão ou escolha de firmware errado pode inutilizar o
aparelho.

• Bluetooth
Bluetooth é o nome dado ao protocolo de rádio baseado em saltos de
frequências (frequency-hopping) de curto alcance (10 a 100 metros) que
visa complementar ou substituir ás redes convencionais cabeadas, cujo meio
físico de transmissão é o cabo de par trançado, cabo coaxial e fibra óptica.

Este protocolo surgiu em 1994 após a empresa de dispositivos móveis Ericsson (hoje Sony-Ericsson)
identificar a deficiência que os dispositivo tinham em estabelecer uma interconexão entre si como,
por exemplo: fone de ouvido, aparelhos celulares, impressoras, auto rádio e etc.

Quatro anos após a investigação as empresas IBM, NOKIA, INTEL e TOSHIBA se uniram á
Ericsson e desenvolveram o protocolo Bluetooth. A este grupo formado foi dado o nome
de Bluetooth Special Interest Group (SIG). Um ano depois, se incorporaram ao SIG a 3com, Lucent
Technologies, Microsoft e Motorola com a proposta de maior penetração no mercado.

O protocolo recebeu esse nome, em homenagem ao primeiro rei Cristão da Dinamarca, o rei Harald
Blatand (Bluetooth, em inglês), por conseguir comandar os reinos da Dinamarca e da Noruega à
distância. A sua primeira versão foi lançado em 1999 e suas atualizações trazem a otimização do
consumo, além da mesma ser compatível com as versões anteriores.

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


69

A figura seguinte ilustra os objetivos de aplicações do Bluetooth.

A proposta do Bluetooth é substituir as várias soluções proprietárias existentes para conexão de


dispositivos com uma solução padronizada que possa ser adotada a nível mundial. Os requisitos
principais que nortearam o desenvolvimento do Bluetooth foram:

o Baixo consumo de potência;


o Baixo custo, US$ 5 a 10 para adicionar o Bluetooth a um dispositivo.
o Cobertura pequena, tipicamente 10 metros;
o Transmissão de voz, dados e sinalização.

O Bluetooth opera na faixa de frequências de 2,4 GHz a 2,483 GHz que não precisa de autorização
para ser utilizada (faixa não licenciada) e adotou o espalhamento espectral por salto de frequência
(Frequency-Hopping) de modo a garantir uma comunicação robusta em uma faixa de frequências
compartilhada com outras aplicações como o WI-FI e ISM (Industrial, Científica e Médica).

Apesar de ser padronizada pelo IEEE 802.15 como uma WPAN (Wireless Personal Area Network),
uma rede Bluetooth assemelha-se mais a um barramento para extensão de portas de um dispositivo
como por exemplo o USB (Universal Serial Bus) encontrado nos PCs.

O Bluetooth pode, a grosso modo, ser comparado a um USB wireless onde um dispositivo mestre
(PC no caso do USB) se comunica com seus periféricos. A diferença é que no Bluettoth qualquer
dispositivo pode assumir o papel de mestre e montar a sua rede de periféricos denominada
de piconet .

Uma piconet é uma rede Blootooth formada por até 8 dispositivos, sendo 1 mestre e os demais
escravos. Todos os dispositivos estão sincronizados ao relógio e sequência de salto de frequência
(hopping) do mestre.

Em uma piconet toda comunicação ocorre entre mestre e escravos. Não existe comunicação direta
entre escravos em uma piconet.

Em um determinado local podem existir várias piconets independentes. Cada piconet tem um canal
físico diferente, ou seja, um dispositivo mestre diferente e um relógio e sequência de salto de
frequência independentes.

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


70

Um dispositivo Bluetooth pode participar concorrentemente em duas ou mais piconets. No entanto


não pode ser mestre de mais de uma piconet. Como o canal físico que caracteriza a piconet é
definido pelo relógio e endereço do dispositivo mestre é impossível ser o mestre de duas ou
mais piconets. Um dispositivo pode ser escravo em várias piconets independentes.

Exemplo de Piconet

Um dispositivo Bluetooth que é um membro de duas ou mais piconets é dito estar envolvido em uma
scatternet. O envolvimento em uma scaternet não implica necessariamente em qualquer função ou
capacidade de roteamento no dispositivo Bluetooth. Os protocolos do Bluetooth não oferecem esta
funcionalidade, que é responsabilidade de protocolos de mais alto nível.

Exemplo de Scatternet

O Bluetooth oferece suporte para dois tipos de tráfego:

o Assíncrono a uma taxa máxima de 723,2 kbit/s (unidirecional).


o Bidirecional síncrono com taxa de 64 kbit/s que suporta tráfego de voz entre os dois
dispositivos.

A faixa de frequência ocupada pelo Bluetooth (2,4 GHz a 2,483 GHz) foi divida em 79 frequências
com Bandas de 1 MHz entre 2402 MHz e 2480 MHz.

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


71

Em um canal físico básico de piconet do Bluetooth a sua frequência muda de forma pseudo-aleatória
1600 vezes por segundo (a cada 0,625 µs). O intervalo de tempo de 0,625 µs que dura a transmissão
em uma frequência é chamado de slot. A sequência de salto de frequência é definida pelo relógio e
endereço Bluetooth do dispositivo mestre.

Os dispositivos em uma piconet compartilham este canal físico de comunicação. O


compartilhamento ocorre usando o método TDMA (Time Division Multiple Access), que
define slots específicos para cada um dos dispositivos conectados através do canal físico (mestre,
escravo 1, escravo 2, etc.) alocados em tempos distintos, sobre esse canal. Todos os dispositivos
participantes de uma piconet utilizam a mesma frequência, porém, ao longo do tempo e de forma
organizada, apenas um deles usa o canal para transmitir ou receber informações, de acordo com
o slot que lhe foi atribuído.

Quando ocorre um salto de frequência os seus transmissores e receptores são sintonizados ao mesmo
tempo na nova frequência. A transmissão e a recepção usam o esquema TDD (Time Division
Duplex), onde a mesma frequência é utilizada tanto para transmitir como para receber informações.
A vantagem desse método é a possibilidade de alocar dinamicamente largura de banda entre o enlace
direto e o enlace reverso, o que permite ter enlaces de dados assimétricos.

Um pacote de dados é transmitido em cada slot de tempo. É possível também estender o pacote para
ocupar 3 ou 5 slots de modo a aumentar a taxa de dados transmitida como apresentado na figura:

O release 1.2 da especificação do Bluetooth definiu também um canal de piconet adaptado que
apresenta as seguintes diferenças em relação ao canal básico:

o As frequências nas quais um escravo transmite são as mesmas que o mestre acabou de
transmitir. Ou seja, não há um salto de frequência entre um pacote do mestre e o
pacote do escravo que vem logo a seguir.

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


72

o É possível excluir algumas frequências entre as 79 disponíveis para a sequência de


salto de frequências, que são marcadas como fora de uso. Evita-se desta forma a
utilização de frequências com alto grau de interferência.

Além destes canais existem ainda dois outros canais físicos utilizados em funções de gerenciamento:
inquiry scan e page canal.

O release 2 da especificação do Bluetooth definiu um novo modo de operação, o Enhanced Data


Rate – EDR, que possibilitou aumentar a taxa da dados na interface rádio para 2 ou 3 Mbit/s (até 2,1
Mbit/s para a camada de aplicação), mantendo a mesma taxa de símbolos de 1 MS/s.

O release 3 da especificação do Bluetooth introduziu um novo modo de operação, o Alternate


MAC/PHY – AMP, que permitiu o uso de protocolos alternativos nas camadas física (PHY) e de
controle de acesso ao meio (MAC) na interface rádio, para aumentar a taxa de dados para até 54
Mbit/s (até 24 Mbit/s para a camada de aplicação). Adicionalmente, o novo release inclui o uso da
faixa de 5 GHz para a comunicação entre os dispositivos.

Os aperfeiçoamentos do release 3 têm como objetivo principalmente propiciar o uso das conexões
Bluetooth em aplicações que necessitam grandes transferências de dados, ou em aplicações de vídeo
streaming sincronizado.

O release 4 atualizou a especificação do Bluetooth para dar suporte aos dispositivos de baixo
consumo de energia (Low Energy) até a Camada L2CAP, ao Attribute Protocol (ATT) e ao Generic
Attribute Profile (GATT), e para habilitar os High Speed Controller Subsystems.

A seguir temos as características dos canais físicos de dispositivos Bluetooth.

PARÂMETRO INFORMAÇÃO / VALOR

Antena Omndirecional

Faixa de Frequências 2,4 GHz a 2,483 GHz

GFSK (Gaussian Frequency Shift Keying) – Basic Rate


Modulação PI/4 DQPSK (PI/4 Rotated Differential Quaternary Phase Shift Keying) – EDR em 2 Mbit/s
8DPSK (8 phase Differential Phase Shift Keying) – EDR em 3 Mbit/s

Taxa de símbolos 1 Mega Símbolo/seg (1 MS/s).

Nº de Canais 79

Banda do Canal 1 MHz

Banda de Guarda Inferior 2 MHz, superior 3,5 MHz

Classe 1: 1 (0 dBm) a 100 mW (20 dBm)


Potência de
Classe 2: 0,25 (-6 dBm) a 2,5 mW (4 dBm) – nominal = 1 mW
transmissão
Classe 3: <= 1 mW (0 dBm)

Espalhamento
Salto de frequência (Frequency-Hopping) a cada 625 micro segundo (µseg)
Espectral
Bluetooth – Enhanced Rate

A taxa de dados bruta máxima em um canal físico do Bluetooth varia de 1 a 3 Mbit/s, dependendo do
modo de operação (Basic Rate e Enhanced Data Rate).

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


73

A figura a seguir apresenta a relação entre as camadas de protocolo definidas pela especificação core
do Bluetooth e as camadas do modelo OSI e do IEEE802. As camadas definidas pela especificação
principal (core) do Bluetooth correspondem às camadas de MAC e física do IEEE 802.

Comparação entre OSI x IEEE 802 x Bluetooth

O Bluetooth core pode ser divido nas seguintes camadas:

o Logical Link Control Adaptation Protocol (L2CAP): Fornece serviços de conexão de


dados com e sem conexão para as camadas superiores de protocolo. Executa funções
de multiplexação, segmentação, controle de fluxo e de erro e gerenciamento de grupo.
O L2CAP é utilizado para multiplexar canais lógicos em um único enlace físico.
o Gerência de Enlace: É a camada responsável pela codificação e decodificação dos
pacotes Bluetooth do pacote de dados e parâmetros relacionados com o canal físico,
transporte lógico e enlace lógico. É responsável pelo estabelecimento de enlaces entre
os vários dispositivos Bluetooth, controlando a negociação dos tamanhos de pacotes,
chaves de segurança, modos de potência e estado de uma unidade na piconet.
o Banda Básica: Fornece o suporte para o link de RF em funções como sincronização e
salto de freqüências e controle de acesso ao meio.
o Rádio: É a parte de Rádio Freqüência (RF) propriamente dita;
o Camada de Adaptação – PAL (AMP): fornece os serviços de conversão de
protocolo entre a camada MAC e o L2CAP;
o Acesso ao Meio – MAC (AMP): fornece os serviços de controle de acesso ao meio
(MAC);
o Rede Física – PHY (AMP): é a rede física propriamente dita, no caso compatível
com as redes IEEE802.11.

As 3 camadas inferiores são normalmente implementadas em um Controlador Bluetooth. A interface


entre este controlador e um servidor onde residem as camadas superiores do protocolo foi
padronizada de modo a garantir a interoperabilidade entre dispositivos de vários fornecedores. Esta
interface é chamada de Host Controller Interface (HCI).

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


74

Existem disponíveis no mercado, na forma de Circuitos Integrados (CI’s), que implementam o


Controlador Bluetooth através de um ou dois CI’s, permitindo inclusive a incorporação de software
de camadas superiores como o L2CAP. Para exemplos de fornecedores consulte o
site [Link].

O Bluetooth oferece serviços de transporte lógico a serem utilizados por enlaces lógicos de suporte a
canais do L2CAP ou protocolos de ordem superior. Estes serviços podem ser classificados em
síncronos e assíncronos.

Nos serviços síncronos é feita a reserva de slots no canal físico podendo ser considerado uma forma
de conexão comutada a circuito. A taxa de dados é de 64 kbit/s e tipicamente a informação
transmitida é voz sendo a interface de áudio feita diretamente na camada de banda básica. Os
serviços definidos são o SCO (Synchronous connection-oriented) e o eSCO (Extended SCO)

Os serviços de dados assíncronos disponíveis no Bluetooth para o transporte de dados como suporte
à camada L2CAP e superiores são:

o ACL (Asynchronous connection-oriented), assíncrono orientado a conexão que


fornece um serviço confiável de transporte como detecção e correção de erros.
o ASB (Active Slave Broadcast), sem conexão utilizado para o broadcast de dados para
os dispositivos escravos.

Após quase 20 anos de desenvolvimento o Bluetooth apresenta uma especificação consolidada e


fornecedores de CI que possibilitaram uma massificação desta solução.

As principais aplicações disponíveis hoje para o Bluetooth são destinadas a celulares, smartphone,
tablets e computadores, permitindo a comunicação entre eles e seus periféricos, como mouses,
teclados, e impressoras, entre outros. Existem inclusive pequenos dispositivos como adaptadores
USB/Bluetooth facilitam a conexão Bluetooth com computadores.

Outras áreas da indústria estão adotando também o Bluetooth: Eletro-Eletrônicos (Consumer


Electronics), Saúde e Bem-estar (Health and Wellness), Esporte e Fitness (Sports and Fitness), e
Casas Inteligentes (Smart Homes).

Ainda podemos dizer que um exemplo comum de aplicação do Bluetooth são os fones de ouvido
(Headset), que podem ser utilizados para ouvir vários dispositivos, tais como o celular, a TV ou o
rádio.

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


75

Interação do Bluetooth com outras redes

A Convergência das Redes de Comunicação


Desde a criação do telégrafo nos anos 1830, a cada nova mídia de comunicação adotada foi criada
uma rede distinta para torná-la disponível a seus usuários. Sucessivamente tivemos o telefone, o
telex, a comunicação de dados e a TV a cabo, cada acompanhado por sua própria rede de serviços.

Hoje é comum o usuário final possuir conexões separadas às redes de telefonia, de dados e de TV a
cabo.

Quando se fala da convergência na área de telecomunicações, se refere à redução para uma única
conexão de rede, fornecendo todos os serviços, com consequente economia de escala.

A convergência é um tema discutido desde os anos 80, quando foi reconhecida pela primeira vez a
importância crescente da comunicação entre computadores. Com a digitalização da rede de telefonia,
a voz passou a ser transmitida como dados entre as centrais telefônicas mantendo-se, porém, a rede
de terminais analógicos para os usuários finais.

Nessa época já foi defendida a extensão do canal de voz digital até o usuário final, substituindo seu
antigo telefone analógico por um aparelho digital. Foi proposta a criação da Rede Digital de Serviço
Integrado (RDSI, em inglês ISDN), que levaria ao usuário uma única conexão (digital), podendo ser
usada indistintamente para voz (telefonia) e comunicação de dados em até 128 kbps. Quando foi
proposto, esse serviço seria revolucionário, pois os modems usados na época eram tipicamente de
2400 bits/s.

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


76

Porém, ele demorou muito para chegar. No Brasil, somente passou a ser oferecido ao público no
final dos anos 90, quando já existiam modems de 56 kbps, e alternativas ainda mais rápidas.

A segunda tentativa de promover a convergência veio ainda nos anos 80, associada à introdução de
fibras óticas e serviços de faixa larga.

A fibra ótica possui uma capacidade de transmissão digital tão grande que abriu a possibilidade de
enviar por cabo novos serviços antes impraticáveis, tais como televisão.

Na perspectiva de realizar um novo nível de integração entre as redes de comunicação, foi lançada a
proposta de RDSI de Faixa Larga (RDSI-FL), baseada em Asynchronous Transmission Mode
(ATM). Nesta proposta, seria criada uma rede mundial ATM, à qual todos os computadores estariam
ligados, e através de uma única conexão seria realizado acesso a serviços de telefonia, televisão e
dados. Para dar suporte à transmissão de voz e vídeo, o ATM previu suporte diferenciado para
diferentes tipos de serviço, de qualidades e prioridades distintas.

Embora o ATM hoje seja muito usado nos backbones das grandes redes de dados, não se espera para
ele uma sobrevida longa. O que teria lhe sido fatal foi a concorrência com outras tecnologias de rede,
especialmente a Ethernet, que permite interligar computadores em rede local por um preço muito
menor que o ATM.

Sem interligar diretamente as centenas de milhões de computadores das grandes redes, o ATM
passou a ser apenas mais uma tecnologia de rede, entre várias, e requerendo ainda uma tecnologia de
inter-redes, tal como o TCP/IP da Internet para comunicação fim-a-fim.

Hoje se acredita que a convergência entre as redes de serviços deva ser realizada através do TCP/IP,
estendido para tratar prioritariamente aplicações como voz e vídeo.

A extensão mais promissora se chama Serviços Diferenciados, que permite uma classificação
simples de aplicações, de acordo com seu grau de urgência ou importância, ou com o preço cobrado
para sua transmissão. Nesta visão, a Internet deverá deixar de ser uma rede onde todos os usuários
são tratados de forma igual.

Será este o preço a pagar para se tornar a rede única para todos os serviços diferentes.

Devem aparecer novos serviços, talvez principalmente de entretenimento, pelos quais deva se pagar
um preço maior do que pelo serviço tradicional de hoje.

Essa visão do futuro já está se evidenciando em nível mundial através das fusões entre empresas
operadoras de serviços de telecomunicações (telefonia e TV a cabo), e entre fabricantes de
equipamentos.

Entre fabricantes de telefonia, há uma corrida generalizada para a tecnologia TCP/IP de comunicação
de dados, geralmente através da aquisição de empresas especializadas. A primeira conseqüência foi
o lançamento acelerado de equipamentos de telefonia IP, termo que caracteriza a comunicação por
voz, com qualidade e recursos da telefonia, usando redes de dados para sua transmissão.

Enfim, parece que a tecnologia vai permitir realizar a sonhada convergência para uma rede única.
Porém isto só deve trazer benefícios para o usuário final, se ele tiver a liberdade de escolher quem
será seu provedor destes serviços integrados.

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


77

Exemplo de rede convergente: VoIP

O exemplo mais simples da convergência de serviços em redes de comunicação é o VoIP (voz sobre
IP) que, com a utilização de infraestrutura única há menor custo de implantação e manutenção com
facilidade de ampliação dos serviços oferecidos.

Redes NGN
Next Generation Networking (NGN) é um termo amplo para descrever algumas importantes
evoluções arquiteturais em redes de telecomunicações que serão implantadas nos próximos 5-10
anos. A idéia geral de NGN é que uma mesma rede transporte todas as informações e serviços (voz,
dados e todos os tipos de mídias como o vídeo), encapsulando-os em pacotes tal como é feito o
tráfego de dados na Internet. NGNs são geralmente construídas com base no protocolo IP.

O NGN é um conceito e não uma tecnologia. É a construção inteligente de uma plataforma multi
serviços em cima de uma rede IP. Com esta alteração a convergência de mídia se torna muito mais
forte, sendo que uma mesma rede transporta voz, vídeo e dados. O conceito de NGN permite que as
operadoras de telefonia administrem melhor sua rede, pois as ativações e desativações de serviços
passam a ser lógicos e não mais físicos.

Com a modificação dos meios físicos, permitindo cada vez um número maior de informações pelo
mesmo meio, a possibilidade de serviços convergentes em uma rede se torna cada vez mais real.
Poderemos ver chegar no mesmo ponto conexão para internet, sinal para TV Digital, Voz,
Videoconferência, entre outros.

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


78

Com os sistemas integrados e a rede inteligente, as grandes operadoras poderão oferecer serviços
mais baratos e com qualidade, sem perder dinheiro. Assim surgirá uma gama de serviços novos e
inimagináveis. Poderemos ver e controlar televisões, geladeiras, iluminação, etc., de maneira online
sem custos astronômicos para isto.

Assim, as Redes NGN são redes que integram todos os serviços das redes modernas podendo
transmitir Voz sobre IP através de diversos protocolos como o SIP, MGCP ou MEGACO além de
outros serviços.

Como exemplos de equipamentos uma rede NGN, partindo da visão de operadora de telefonia, temos
o Softswitch e o Media Gateway.

O Softswitch nada mais é que um Switch (comutador - a central que faz comutação telefônica), mas
em forma de software. Como vantagem de usar um softswitch em relação a uma central telefônica
convencional temos os serviços oferecidos como o VoIP, além do custo (muito menor que uma
central), menor tamanho (ocupam alguns racks ao invés de alguns andares), maior capacidade,
desenvolvimento mais rápido e mais flexível.

Media Gateway, tem a função de traduzir os protocolos de uma linguagem a outra, de uma rede a
outra. Conversa o mundo IP (por exemplo, os protocolos de voz sobre IP como SIP) e as redes
tradicionais (por exemplo, PCM-E1). Neste caso um media gateway converte a voz que vem dos
canais PCM-E1 para pacotes IP.

Exemplo de hardware Media Gateway – G700 da Waycom:


interconecta redes TDM (GSM/EDGE) e redes IP

A Zona Desmilitarizada DMZ


Uma DMZ fica localizada entre uma rede interna e uma rede externa:

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


79

Com a finalidade de prover uma camada adicional de segurança os engenheiros de redes


desenvolveram um conceito denominado "screened subnet based on creating a buffer network", uma
pequena rede com filtros e cache localizada entre duas zonas de segurança conhecida como DMZ
(Zona Desmilitarizada).

Normalmente administradores de redes não permitem que qualquer tráfego passe diretamente através
de uma DMZ.

Uma DMZ pode ser implementada com fitros de rede configurados nas suas bordas, estes filtros são
responsáveis por realizar o controle de acesso do que entra e do que sai da DMZ e podem ser do tipo
packet filtering, stateful packet filtering e de cache como servidores de proxy conhecidos como
ALGs (Application Layer Gateway).

O Packet filtering limita o tráfego dentro da rede baseado no destino e na origem de endereços IPs,
portas e outras flags que podem ser utilizadas na implementação das regras de filtro.

O Stateful packet filtering filtra o tráfego baseado no destino e na origem dos endereços IPs, portas,
flags além de realizar “stateful inspection” uma inspeção de pacotes que permite o armazenamento
de dados de cada conexão em uma tabela de sessão. Esta tabela armazena o estado do fluxo de
pacotes e serve como ponto de referência para determinar se os pacotes pertencem a uma conexão
existente ou se são pacotes de uma fonte não autorizada.

As ALGs funcionam no nível da aplicação e interceptam e estabelecem conexões dos hosts da rede
interna com a rede externa, autorizando ou não a conexão.

As DMZs podem possuir a capacidade de conter um ataque e limitar os danos na rede. Uma das
arquiteturas mais utilizadas são as DMZs que utilizam uma solução de defesa em camadas.
As multiplas camadas de segurança que uma DMZ ofereçe são distribuidas entre pontos de serviços
e de filtragem:

• Os pontos de filtragem inicialmente servem para proteger os serviços. Se os serviços da rede


são comprometidos, a capacidade de um ataque prosseguir fica limitado. Tanto o tráfego que
entra e sai da DMZ é filtrado, seja por roteadores ou por meio de firewalls;

• Os servidores públicos que ficam localizados na DMZ exigem medidas de segurança


adequadas. Os serviços são duramente protegidos, aumentando a dificuldade de um invasor
comprometer os serviços disponíveis dentro do perímetro da DMZ;

• As ALGs (servidores de proxy) localizados em uma DMZ, servem como intermediários entre
os hosts da rede interna e as redes externas como à Internet. É possível impor restrições de
acesso com base no horário, login, endereço IP entre outros. Uma ALG serve também como
cache de rede, armazenando as informações de páginas e arquivos já acessados.

• Quando um ataque consegue entrar na DMZ, o ataque não é capaz de passar para a rede
interna devido aos pontos de filtragem que oferecem uma defesa adicional. A implementação
de funcionalidades tais como VLANs podem ajudar a combater estes ataques.

Para implementar uma DMZ podemos utilizar diversos tipos de dispositivos, sendo que o nível de
segurança pode ser variado dependendo das funcionalidades disponíveis em cada dispositivo.

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


80

Em roteadores SOHO (Small Office / Home Office) é possível criar uma DMZ rapidamente, porém
este tipo de DMZ somente libera o acesso de um dispositivo da rede interna para a rede externa sem
adicionar funciolalidades avançadas de segurança.

Para uma DMZ que utilize multiplas camadas de segurança, precisamos reunir diversas
funcionalidades como packet filtering, stateful packet filtering e um servidor de proxy.

Quanto aos equipamentos para implementação de uma DMZ, podemos utilizar roteadores com
sistema operacional que permita funções avançadas de segurança, appliances de segurança
específicos ou servidores linux.

Características de uma DMZ:


• A DMZ acomoda servidores que precisam ser acessados externamente;
• As DMZs são estabelecidas entre duas zonas de segurança;
• Em uma DMZ pode-se posicionar dispositivos para realizarem um cache de rede;
• As DMZs realizam o controle do tráfego do que entra e do que sai da rede;
• A DMZ pode conter um ataque sem que o mesmo passe para a rede interna.

Esgotamento do IPv4
Para melhor compreensão do esgotamento do endereçamento IPv4, precisamos rever alguns
conceitos e sua evolução.

As especificações do IPv4 reservam 32 bits para endereçamento que possibilitam gerar mais de 4
bilhões de endereços distintos. Inicialmente, estes endereços foram divididos em três classes de
tamanhos fixos, como mostra a tabela:

Classe Formato Redes Hosts


A 7 bits Rede, 24 bits Host 126 16.777.214
B 14 bits Rede, 16 bits Host 16.384 66.534
C 21 bits Rede, 8 bits Host 2.097.152 254

Diante do provável esgotamento dos endereços IP, a IETF (Internet Engineering Task Force) passou
a discutir estratégias para solucionar a questão do esgotamento dos endereços IP e do aumento da
tabela de roteamento. Em novembro de 1991 foi formado o grupo de trabalho ROAD (Routing and
Addressing), que apresentou como solução a estes problemas, a utilização do CIDR (Classless Inter-
domain Routing). Definido na RFC 4632 (tornou obsoleta a RFC 1519), o CIDR tem como idéia
básica o fim do uso de classes de endereços, permitindo a alocação de blocos de tamanho apropriado
a real necessidade de cada rede; e a agregação de rotas, reduzindo o tamanho da tabela de
roteamento.

Outra solução, apresentada na RFC 2131 (tornou obsoleta a RFC 1541), foi o protocolo DHCP
(Dynamic Host Configuration Protocol).

A NAT (Network Address Translation) foi outra técnica desenvolvida para resolver o problema do
esgotamento dos endereços IPv4. Definida na RFC 3022 (tornou obsoleta a RFC 1631) tem como

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


81

objetivo básico permitir que, com um único endereço IP, ou um pequeno número deles, vários hosts
possam trafegar na Internet. Dentro de uma rede, cada computador recebe um endereço IP privado
único, que é utilizado para o roteamento do tráfego interno. No entanto, quando um pacote precisa
ser roteado para fora da rede, uma tradução de endereço é realizada, convertendo endereços IP
privados em endereços IP públicos globalmente únicos.

Para tornar possível este esquema, utiliza-se os três intervalos de endereços IP declarados como
privados na RFC 1918, sendo que a única regra de utilização, é que nenhum pacote contendo estes
endereços pode trafegar na Internet pública. As três faixas reservadas são:

• [Link] a [Link] /8 (16.777.216 hosts)


• [Link] a [Link] /12 (1.048.576 hosts)
• [Link] a [Link] /16 (65.536 hosts)

A utilização da NAT mostrou-se eficiente no que diz respeito a economia de endereços IP, além de
apresentar alguns outros aspectos positivos, como facilitar a numeração interna das redes, ocultar a
topologia das redes e só permitir a entrada de pacotes gerados em resposta a um pedido da rede. No
entanto, o uso da NAT apresenta inconvenientes que não compensam as vantagens oferecidas.

A NAT quebra o modelo fim-a-fim da Internet, não permitindo conexões diretas entre dois hosts, o
que dificulta o funcionamento de uma série de aplicações, como P2P, VoIP e VPNs. Outro problema
é a baixa escalabilidade, pois o número de conexões simultâneas é limitado, além de exigir um
grande poder de processamento do dispositivo tradutor. O uso da NAT também impossibilita rastrear
o caminho do pacote (através de ferramentas como traceroute, por exemplo) e dificulta a utilização
de algumas técnicas de segurança como IPSec. Além disso, seu uso passa uma falsa sensação de
segurança, pois, apesar de não permitir a entrada de pacotes não autorizados, a NAT não realiza
nenhum tipo de filtragem ou verificação nos pacotes que passa por ela.

A figura seguinte mostra o quanto essas medidas ajudaram a diminuir o aumento da alocação de
endereço:

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


82

Embora estas soluções tenham diminuído a demanda por IPs, elas não foram suficientes para
resolver os problemas decorrentes do crescimento da Internet. A adoção dessas técnicas reduziu em
apenas 14% a quantidade de blocos de endereços solicitados à IANA e a curva de crescimento da
Internet continuava apresentando um aumento exponencial. Essas medidas, na verdade, serviram
para que houvesse mais tempo para se desenvolver uma nova versão do IP, que fosse baseada nos
princípios que fizeram o sucesso do IPv4, porém, que fosse capaz de suprir as falhas apresentadas
por ele.

Em dezembro de 1993 a IETF formalizou, através da RFC 1550, as pesquisas a respeito da nova
versão do protocolo IP, solicitando o envio de projetos e propostas para o novo protocolo. Esta foi
umas das primeiras ações do grupo de trabalho da IETF denominado Internet Protocol next
generation (IPng). As principais questões que deveriam ser abordadas na elaboração da próxima
versão do protocolo IP foram:

• Escalabilidade;
• Segurança;
• Configuração e administração de rede;
• Suporte a QoS;
• Mobilidade;
• Políticas de roteamento;
• Transição.

Diversos projetos começaram a estudar os efeitos do crescimento da Internet, sendo os principais o


CNAT, o IP Encaps, o Nimrod e o Simple CLNP. Destas propostas surgiram o TCP and UDP with
Bigger Addresses (TUBA), que foi uma evolução do Simple CLNP, e o IP Address Encapsulation
(IPAE), uma evolução do IP Encaps. Alguns meses depois foram apresentados os projetos Paul’s
Internet Protocol (PIP), o Simple Internet Protocol (SIP) e o TP/IX. Uma nova versão do SIP, que
englobava algumas funcionalidades do IPAE, foi apresentada pouco antes de agregar-se ao PIP,
resultando no Simple Internet Protocol Plus (SIPP). No mesmo período, o TP/IX mudou seu nome
para Common Architecture for the Internet (CATNIP).

Em janeiro de 1995, na RFC 1752 o IPng apresentou um resumo das avaliações das três principais
propostas:

• CATNIP – foi concebido como um protocolo de convergência, para permitir a qualquer


protocolo da camada de transporte ser executado sobre qualquer protocolo de camada de
rede, criando um ambiente comum entre os protocolos da Internet, OSI e Novell;
• TUBA – sua proposta era de aumentar o espaço para endereçamento do IPv4 e torná-lo mais
hierárquico, buscando evitar a necessidade de se alterar os protocolos da camada de
transporte e aplicação. Pretendia uma migração simples e em longo prazo, baseada na
atualização dos host e servidores DNS, entretanto, sem a necessidade de encapsulamento ou
tradução de pacotes, ou mapeamento de endereços;
• SIPP – concebido para ser uma etapa evolutiva do IPv4, sem mudanças radicais e mantendo a
interoperabilidade com a versão 4 do protocolo IP, fornecia uma plataforma para novas
funcionalidades da Internet, aumentava o espaço para endereçamento de 32 bits para 64 bits,
apresentava um nível maior de hierarquia e era composto por um mecanismo que permitia
“alargar o endereço” chamado cluster addresses. Já possuía cabeçalhos de extensão e um
campo flow para identificar o tipo de fluxo de cada pacote.

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


83

Entretanto, conforme relatado também na RFC 1752, todas as três propostas apresentavam
problemas significativos. Deste modo, a recomendação final para o novo Protocolo Internet baseou-
se em uma versão revisada do SIPP, que passou a incorporar endereços de 128 bits, juntamente com
os elementos de transição e auto configuração do TUBA, o endereçamento baseado no CIDR e os
cabeçalhos de extensão. O CATNIP, por ser considerado muito incompleto, foi descartado.

Após esta definição, a nova versão do Protocolo Internet passou a ser chamado oficialmente de IPv6.

IPv6
O IPv6 possui um espaço para endereçamento de 128 bits, sendo possível obter:

2128 = [Link].[Link].[Link].456 endereços

Este valor representa aproximadamente 79 octilhões (7,9×1028) de vezes a quantidade de endereços


IPv4 e representa, também, mais de 56 octilhões (5,6×1028) de endereços por ser humano na Terra,
considerando-se a população estimada em 6 bilhões de habitantes.

A representação dos endereços IPv6, divide o endereço em oito grupos de 16 bits, separando-os por
“:”, escritos com dígitos hexadecimais (0-F). Por exemplo:

2001:0DB8:AD1F:25E2:CADE:CAFE:F0CA:84C1

Na representação de um endereço IPv6, é permitido utilizar tanto caracteres maiúsculos quanto


minúsculos. Além disso, regras de abreviação podem ser aplicadas para facilitar a escrita de alguns
endereços muito extensos. É permitido omitir os zeros a esquerda de cada bloco de 16 bits, além de
substituir uma sequência longa de zeros por “::”.

Por exemplo, o endereço: 2001:0DB8:0000:0000:130F:0000:0000:140B


pode ser escrito como: 2001:DB8:0:0:130F::140B ou 2001:DB8::130F:0:0:140B

Neste exemplo é possível observar que a abreviação do grupo de zeros só pode ser realizada uma
única vez, caso contrário poderá haver ambiguidades na representação do endereço.

Se o endereço acima fosse escrito como 2001:DB8::130F::140B, não seria possível determinar se ele
corresponde:

a 2001:DB8:0:0:130F:0:0:140B,
a 2001:DB8:0:0:0:130F:0:140B
ou 2001:DB8:0:130F:0:0:0:140B.

Esta abreviação pode ser feita também no fim ou no início do endereço, como ocorre
em 2001:DB8:0:54:0:0:0:0 que pode ser escrito da forma 2001:DB8:0:54::.

Outra representação importante é a dos prefixos de rede. Em endereços IPv6 ela continua sendo
escrita do mesmo modo que no IPv4, utilizando a notação CIDR.

O exemplo de prefixo de sub-rede apresentado a seguir indica que dos 128 bits do endereço, 64 bits
são utilizados para identificar a sub-rede.

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


84

Prefixo 2001:db8:3003:2::/64
Prefixo global 2001:db8::/32
ID da sub-rede 3003:2

Esta representação também possibilita a agregação dos endereços de forma hierárquica, identificando
a topologia da rede através de parâmetros como posição geográfica, provedor de acesso,
identificação da rede, divisão da sub-rede, etc. Com isso, é possível diminuir o tamanho da tabela de
roteamento e agilizar o encaminhamento dos pacotes.

Com relação à representação dos endereços IPv6 em URLs (Uniform Resource Locators), estes
agora passam a ser representados entre colchetes, de modo a não haver ambiguidades caso seja
necessário indicar o número de uma porta juntamente com a URL. Observe os exemplos a seguir:

[Link]
[Link]

Tipos de Endereços IPv6


Existem no IPv6 três tipos de endereços definidos:
• Unicast – este tipo de endereço identifica uma única interface, de modo que um pacote
enviado a um endereço unicast é entregue a uma única interface;
• Anycast – identifica um conjunto de interfaces. Um pacote encaminhado a um endereço
anycast é entregue a interface pertencente a este conjunto mais próxima da origem (de acordo
com distância medida pelos protocolos de roteamento). Um endereço anycast é utilizado em
comunicações de um-para-um-de-muitos.
• Multicast – também identifica um conjunto de interfaces, entretanto, um pacote enviado a um
endereço multicast é entregue a todas as interfaces associadas a esse endereço. Um endereço
multicast é utilizado em comunicações de um-para-muitos.

Diferente do IPv4, no IPv6 não existe endereço broadcast, responsável por direcionar um pacote
para todos os nós de um mesmo domínio. No IPv6, essa função foi atribuída à tipos específicos de
endereços multicast.

Endereços Unicast
Os endereços unicast são utilizados para comunicação entre dois nós. Exemplos: telefones VoIPv6;
computadores em uma rede privada; etc. Sua estrutura foi definida para permitir agregações com
prefixos de tamanho flexível, similar ao CIDR do IPv4.

Os endereços unicast IPv6 são divididos em: Global Unicast; Unique-Local; e Link-Local. Existem
também alguns tipos para usos especiais, como endereços IPv4 mapeados em IPv6, endereço de
loopback e o endereço não-especificado, entre outros.

• Global Unicast – equivalente aos endereços públicos IPv4, o endereço global unicast é
globalmente roteável e acessível na Internet IPv6. Ele é constituído por três partes: o prefixo
de roteamento global, utilizado para identificar o tamanho do bloco atribuído a uma rede; a
identificação da sub-rede, utilizada para identificar um enlace em uma rede; e a identificação
da interface, que deve identificar de forma única uma interface dentro de um enlace. Sua
estrutura foi projetada para utilizar os 64 bits mais a esquerda para identificação da rede e os
64 bits mais a direita para identificação da interface. Assim, exceto casos específicos, todas

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


85

as sub-redes em IPv6 tem o mesmo tamanho de prefixo, 64 bits (/64), o que possibilita 264 =
[Link].709.551.616 dispositivos por sub-rede.
Atualmente, está reservada para atribuição de endereços a faixa 2000::/3 (001), que
corresponde aos endereços de 2000:: a 3fff:ffff:ffff:ffff:ffff:ffff:ffff:ffff. Isto representa 13%
do total de endereços possíveis com IPv6, o que nos permite criar 264−3 =
[Link].213.693.952 (2,3×1018) sub-redes (/64) diferentes ou 248−3 =
[Link].832 (3,5×1013) redes /48.
• Link Local – pode ser usado apenas no enlace específico onde a interface está conectada. O
endereço link local é atribuído automaticamente utilizando o prefixo FE80::/64. Os 64 bits
reservados para a identificação da interface são configurados utilizando o formato IEEE EUI-
64. Vale ressaltar que os roteadores não devem encaminhar pacotes que possuam como
origem ou destino um endereço link-local para outros enlaces.
• Unique Local Address (ULA) – endereço com grande probabilidade de ser globalmente
único, utilizado apenas para comunicações locais, geralmente dentro de um mesmo enlace ou
conjunto de enlaces. Um endereço ULA não deve ser roteável na Internet global. Um
endereço ULA, criado utilizado um ID global alocado pseudo-randomicamente, é composto
das seguintes partes:
o Prefixo: FC00::/7.
o Flag Local (L): se o valor for 1 (FD) o prefixo é atribuído localmente. Se o valor for
0 (FC), o prefixo deve ser atribuído por uma organização central (ainda a definir).
o Identificador global: identificador de 40 bits usado para criar um prefixo
globalmente único.
o Identificador da Interface: identificador da interface de 64 bits.
Deste modo, a estrutura de um endereço ULA é FDUU:UUUU:UUUU:: onde U são os bits
do identificador único, gerado aleatoriamente por um algoritmo específico. Sua utilização
permite que qualquer enlace possua um prefixo /48 privado e único globalmente. Deste
modo, caso duas redes, de empresas distintas, por exemplo, sejam interconectadas,
provavelmente não haverá conflito de endereços ou necessidade de renumerar a interface que
o esteja usando. Além disso, o endereço ULA é independente de provedor, podendo ser
utilizado na comunicação dentro do enlace mesmo que não haja uma conexão com a Internet.
Outra vantagem, é que seu prefixo pode ser facilmente bloqueado, e caso um endereço ULA
seja anunciado acidentalmente para fora do enlace, através de um roteador ou via DNS, não
haverá conflito com outros endereços.

Endereços Anycast
Um endereço IPv6 anycast é utilizado para identificar um grupo de interfaces, porém, com a
propriedade de que um pacote enviado a um endereço anycast é encaminhado apenas a interface do
grupo mais próxima da origem do pacote.

Os endereços anycast são atribuídos a partir da faixa de endereços unicast e não há diferenças
sintáticas entre eles. Portanto, um endereço unicast atribuído a mais de uma interface transforma-se
em um endereço anycast, devendo-se neste caso, configurar explicitamente os nós para que saibam
que lhes foi atribuído um endereço anycast. Além disso, este endereço deve ser configurado nos
roteadores como uma entrada separada (prefixo /128 – host route).

Este esquema de endereçamento pode ser utilizado para descobrir serviços na rede, como servidores
DNS e proxies HTTP, garantindo a redundância desses serviços. Também se pode utilizar para fazer
balanceamento de carga em situações onde múltiplos hosts ou roteadores provem o mesmo serviço,
para localizar roteadores que forneçam acesso a uma determinada sub-rede ou para localizar os
Agentes de Origem em redes com suporte a mobilidade IPv6.

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


86

Todos os roteadores devem ter suporte ao endereço anycast Subnet-Router. Este tipo de endereço é
formado pelo prefixo da sub-rede e pelo IID preenchido com zeros (ex.: 2001:db8:cafe:dad0::/64).
Um pacote enviado para o endereço Subnet-Router será entregue para o roteador mais próximo da
origem dentro da mesma sub-rede.

Também foi definido um endereço anycast para ser utilizado no suporte a mobilidade IPv6. Este tipo
de endereço é formado pelo prefixo da sub-rede seguido pelo IID dfff:ffff:ffff:fffe
(ex.: 2001:db8::dfff:ffff:ffff:fffe). Ele é utilizado pelo Nó Móvel, quando este precisar localizar um
Agente Origem em sua Rede Original.

Endereços Multicast
Endereços multicast são utilizados para identificar grupos de interfaces, sendo que cada interface
pode pertencer a mais de um grupo. Os pacotes enviados para esses endereços são entregues a todos
as interfaces que compõe o grupo.
No IPv4, o suporte a multicast é opcional, já que foi introduzido apenas como uma extensão ao
protocolo. Entretanto, no IPv6 é requerido que todos os nós suportem multicast, visto que muitas
funcionalidades da nova versão do protocolo IP utilizam esse tipo de endereço.

Seu funcionamento é similar ao do broadcast, dado que um único pacote é enviado a vários hosts,
diferenciando-se apenas pelo fato de que no broadcast o pacote é enviado a todos os hosts da rede,
sem exceção, enquanto que no multicast apenas um grupo de hosts receberá esse pacote. Deste
modo, a possibilidade de transportar apenas uma cópia dos dados a todos os elementos do grupo, a
partir de uma árvore de distribuição, pode reduzir a utilização de recurso de uma rede, bem como
otimizar a entrega de dados aos hosts receptores.

Aplicações como videoconferência, distribuição de vídeo sob demanda, atualizações de softwares e


jogos on-line, são exemplos de serviços que vêm ganhando notoriedade e podem utilizar as
vantagens apresentadas pelo multicast.

Os endereços multicast não devem ser utilizados como endereço de origem de um pacote. Esses
endereços derivam do bloco FF00::/8, onde o prefixo FF, que identifica um endereço multicast, é
precedido por quatro bits, que representam quatro flags, e um valor de quatro bits que define o
escopo do grupo multicast. Os 112 bits restantes são utilizados para identificar o grupo multicast.

Endereços IPv6 Especiais


Existem alguns endereços IPv6 especiais utilizados para fins específicos:
• Endereço Não-Especificado (Unspecified): é representado pelo endereço
0:0:0:0:0:0:0:0 ou ::0 (equivalente ao endereço IPv4 unspecified [Link]). Ele nunca deve ser
atribuído a nenhum nó, indicando apenas a ausência de um endereço. Ele pode, por exemplo,
ser utilizado no campo Endereço de Origem de um pacote IPv6 enviado por um host durante
o processo de inicialização, antes que este tenha seu endereço exclusivo determinado. O
endereço unspecified não deve ser utilizado como endereço de destino de pacotes IPv6;
• Endereço Loopback: representado pelo endereço unicast 0:0:0:0:0:0:0:1 ou ::1(equivalente
ao endereço IPv4 loopback [Link]). Este endereço é utilizado para referenciar a própria
máquina, sendo muito utilizado para testes internos. Este tipo de endereço não deve ser
atribuído a nenhuma interface física, nem usado como endereço de origem em pacotes IPv6
enviados para outros nós. Além disso, um pacote IPv6 com um endereço loopback como
destino não pode ser enviado por um roteador IPv6, e caso um pacote recebido em uma
interface possua um endereço loopback como destino, este deve ser descartado;

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


87

• Endereços IPv4-mapeado: representado por 0:0:0:0:0:FFFF:wxyz ou ::FFFF:wxyz, é


usado para mapear um endereço IPv4 em um endereço IPv6 de 128-bit, onde wxyz representa
os 32 bits do endereço IPv4, utilizando dígitos decimais. É aplicado em técnicas de transição
para que nós IPv6 e IPv4 se comuniquem. Ex.::FFFF:[Link].

Algumas faixas de endereços também são reservadas para uso específicos:


• 2002::/16: prefixo utilizado no mecanismo de transição 6to4;
• 2001:db8::/32: prefixo utilizado para representar endereços IPv6 em textos e
documentações.
• 2001:0000::/32: prefixo utilizado no mecanismo de transição TEREDO;
o Teredo é um mecanismo desenvolvido pela Microsoft que permite conectividade IPv6 para hosts com
endereços IPv4 mesmo que estejam conectados na Internet por meio de NAT. Esta técnica realiza o
encapsulando datagramas IPv6 dentro de pacotes IPv4 utilizando UDP (User Datagram Protocol).
Para estabelecer um túnel Teredo é preciso que uma estação de trabalho se conecte a um servidor Teredo
que irá fornecer um endereço IPv6 e determinar qual o tipo de NAT que está sendo utilizado na conexão. Os
endereços Teredo iniciam com o prefixo 2001:0::/32.
Após definido o endereço IPv6 da estação de trabalho, o servidor Teredo estabelecerá uma conexão inicial
com o host IPv6 de destino, este host manterá a conexão com a estação de trabalho de origem através de um
Relay Teredo mais próximo.

Outros endereços, utilizados no início do desenvolvimento do IPv6 tornaram-se obsoletos e não


devem mais ser utilizados:
• FEC0::/10: prefixo utilizado pelos endereços do tipo site local, desenvolvidos para serem
utilizados dentro de uma rede específica sem a necessidade de um prefixo global, equivalente
aos endereços privados do IPv4. Sua utilização foi substituída pelos endereços ULA;
• ::wxyz: utilizado para representar o endereço IPv4-compatível. Sua função é a mesma do
endereço IPv4-mapeado, tornando-se obsoleto por desuso;
• 3FFE::/16: prefixo utilizado para representar os endereços da rede de teste 6Bone. Criada
para ajudar na implantação do IPv6, está rede foi desativada em 6 de junho de 2006
(06/06/06).

Políticas de alocação e designação


Na hierarquia das políticas de atribuição, alocação e designação de endereços, cada RIR (Regional
Internet Registry) recebe da IANA um bloco /12 IPv6.

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


88

O bloco 2800::/12 corresponde ao espaço reservado para o LACNIC alocar na América Latina. O
[Link] por sua vez, trabalha com um /16 que faz parte deste /12.

A alocação mínima para ISPs (Internet Service Provider) é um bloco /32, no entanto, alocações
maiores podem ser feitas mediante apresentação de justificativa de utilização. Um aspecto
importante que merece destaque é que diferente do IPv4, com IPv6 a utilização é medida em relação
ao número de designações de blocos de endereços para usuários finais, e não em relação ao número
de endereços designados aos usuários finais.

O [Link] recomenda utilizar:


• /64 a /56 para usuários domésticos: Para usuários móveis pode-se utilizar /64, pois
normalmente apenas uma rede é suficiente. Para usuários residenciais recomenda-se redes
maiores. Se o provedor optar por, num primeiro momento, oferecer apenas /64 para usuários
residenciais, ainda assim recomenda-se que no plano de numeração se reserve um /56.
• /48 para usuários corporativos. Empresas muito grande podem receber mais de um bloco
/48.

Para planejar a rede é preciso considerar que para cada rede física ou VLAN com IPv6 é preciso
reservar um /64. Esse é o tamanho padrão e algumas funcionalidades, como a autoconfiguração
dependem dele. É preciso considerar também a necessidade de expansão futura, assim como a
necessidade de agregação nos protocolos de roteamento.

Concluindo
Mesmo com todos os benefícios, a transição dos protocolos IPv4 para o IPv6 apresenta algumas
dificuldades, como o tamanho do endereço que passou de 32bits para 128 bits.

De imediato percebemos que isso torna muito difícil que se decore algum endereço. As empresas
terão que atualizar seus equipamentos de redes e os técnicos terão que se atualizar para que
continuem dando suporte. Mesmo assim já começa a existir uma necessidade de que a Internet adote
o IPv6 pois o IPv4 mostra limitações para suprir os serviços de multimídia, videoconferência,
telefonia-ip e transmissões de TV.

A utilização por definitivo do IPv6 ainda deve demorar muitos anos. Alguns estudos apontam para o
final da próxima década. Por isso é muito importante que empresas e instituições comecem os
estudos para a utilização do IPv6 não só para se preparar para a adequação de suas máquinas para o
futuro mas também para que busque novos serviços. Até lá, o IPv6 vem surgindo em “bolhas” por
todo o mundo.

O IPv4 não será substituído pelo IPv6. As “bolhas IPv6” devem crescer e se tornar maior que a rede
IPv4. Os equipamentos IPv4 serão gradualmente desativados por obsolescência. As redes IPv4 serão
englobadas pelo IPv6, formando “bolhas IPv4” que tenderão a desaparecer (por obsolescência do
IPv4 e gigantismo do IPv6).

O IPv6 já vem habilitado por padrão nos sistemas operacionais modernos, como versões atualizadas
de Windows, Linux, MacOS ou BSD. Esta é a forma para novos serviços de comunicação. Para
verificar se o sistema operacional em execução está preparado para o IPv6, basta realizar um ping
para o loopback e analisar sua resposta:

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


89

Ataques a Redes
Ataques a computadores são tipos de crimes virtuais que visam, principalmente, roubar informações
ou prejudicar computadores alheios. Todo computador em rede está potencialmente suscetível a
ataques.

As técnicas mais usadas para invasão são através de e-mails, arquivos compartilhados e páginas da
web infectadas. Suas conseqüências são bastante variadas: algumas têm como instrução infectar
computadores alheios para, em seguida, danificar seus componentes, seja excluindo arquivos, seja
alterando o funcionamento da máquina ou até mesmo deixando o computador vulnerável a outros
tipos de ataques. Existem também aqueles que não visam prejudicar a máquina, mas sim, seu
usuário, como os softwares que têm como objetivo capturar informações sigilosas, como senhas e
números de contas bancárias e cartões de créditos.

Há termos que definem o tipo de script utilizado e sua forma de ação. A seguir, temos listadas as
formas mais comuns de termos utilizados em ataques às redes:

• Malware: Termo geralmente aplicado a qualquer software desenvolvido para causar danos em
computadores. Estão nele incluídos vírus, cavalos-de-tróia e vermes.

• Vírus: Pequenos programas de computador criados para causar danos na máquina infectada,
apagando dados, capturando informações ou alterando o funcionamento da máquina. O nome
vem da grande semelhança que estes programas têm com os vírus biológicos, pois, depois de
infectar um computador, ele se instala em um programa e o usa como hospedeiro para se
multiplicar e se disseminar para outros computadores. Podem anexar-se a quase todos os tipos de
arquivos. Podem mostrar apenas mensagens ou imagens, sem danificar arquivos da máquina
infectada, mas consumindo a capacidade de armazenamento e de memória ou diminuindo o
desempenho do computador infectado. Podem também destruir arquivos, reformatar o disco
rígido, ou até a destruição total do sistema operacional.

• Vermes (Worms): É um programa completo, não precisando de um hospedeiro para entrar em


ação, como o vírus. Primeiro, ele controla os recursos que permitem o transporte de arquivos e
informações, depois o verme cria cópias e envia para outros computadores. Seu grande perigo é
sua enorme capacidade de replicação. Pode ser projetado para fazer muitas coisas, como, por
exemplo, excluir arquivos em um sistema, enviar documentos por e-mail ou podem provocar
danos apenas com o tráfego de rede, como é o exemplo do verme Mydoom, que causou lentidão
generalizada na Internet no auge do seu ataque. Podem também trazer embutidos programas que
geram algum problema ou que tornam o computador infectado vulnerável a outros ataques. Há

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


90

também um tipo de verme, como é o caso do Sobig, que abre o computador para ataques via
Internet, transformando os computadores infectados em computadores zumbis que são utilizados
para enviar e-mail ou para atacar outros computadores. Há também um tipo de verme, o
Doomjuice, que utiliza as brechas deixadas por outros tipos de vermes, para se espalhar.

• Cavalo de Tróia (Trojan Horse): Diferentemente dos vírus e dos vermes, não se duplica. Alguns
são programados para se autodestruir após algum tempo ou com algum comando do cliente. A
infecção ocorre através de arquivos anexos a e-mails, mensagens instantâneas, downloads, por
CDs ou disquetes. O programa é quase sempre uma animação ou imagens pornográficas, mas é
durante a exibição dessas imagens que o computador está sendo infectado. São famosos pela
facilidade de uso: com ele qualquer pessoa pode controlar o computador de outros, sendo
conhecido como "ferramentas de script kid". Sua função é abrir o computador para o ataque de
um eventual invasor, passando para este o controle da máquina infectada. Os cavalos de tróia são
divididos em duas partes: o servidor e o cliente. O servidor geralmente fica oculto em algum
arquivo, que, quando executado, permite que o servidor seja instalado no computador da vítima,
sem que esta saiba. Daí por diante o cliente passa a ter controle do computador infectado.

• Programa espião (Spyware): É um programa automático de computador que recolhe informações


sobre o usuário e repassa para uma entidade externa na internet que não tem como objetivos a
dominação ou a manipulação do sistema do usuário. Seu intuito é permanecer desapercebido no
sistema. Ele Pode ser obtido por download de websites, mensagens de e-mail, mensagens
instantâneas e conexões diretas para o compartilhamento de arquivos, podendo também estar
contidos em vírus. Costumava ser legalmente embutido em software e freeware, sendo removidos
quando era feito a compra do software ou de uma versão mais completa e paga.

• Phishing: É um golpe on-line de falsificação. Seus criadores geralmente usam falsas páginas de
inscrição para serviços comuns da Internet para tentar conduzir o receptor a revelar informações
sigilosas e pessoais, como números de contas bancárias, cartões de crédito e senhas. Usam
também spam, websites e mensagens instantâneas com pretextos falsos para fazer com que as
supostas vítimas baixem e executem arquivos que permitem o roubo futuro de informações ou o
acesso não autorizado.

• Pharming: é o termo atribuído ao ataque baseado na técnica DNS cache


poisoning (envenenamento de cache DNS) que consiste em corromper o DNS (Domain Name
System) em uma rede de computadores, fazendo com que a URL (Uniform Resource Locator -
Localizador Uniforme de Recursos) de um site passe a apontar para um servidor diferente do
original.

• Spam: São mensagens de e-mail indesejadas, geralmente, anúncios não solicitados e enviadas em
massa. Pode ser usado para transmitir todo tipo de praga eletrônica além de alguns poderem
conter links para websites com conteúdo não desejados. Há vários tipos de spam. Um dos mais
conhecidos são os chamados hoaxes, que são histórias falsas recebidas por e-mails, seus
conteúdos podem ser correntes, apelos sentimentais ou religiosos, campanhas ou ainda falsos
vírus que ameaçam destruir, infectar ou formatar o disco rígido do computador. Tem como
objetivo capturar endereços de e-mail que são passados ou vendidos para spammers (pessoas que
passam spams). Há também as correntes (chain letters), mensagens que prometem sorte, riqueza
ou algum outro tipo de benefício àqueles que a repassarem para um número mínimo de pessoas
em um tempo pré-determinado, e que dizem que aqueles que forem capazes de interromper a
corrente sofrerão muitos infortúnios. Outra forma do spam são os chamados golpes ou scam, que
nada mais são do que golpes que garantem oportunidades de empregos, negócios, empréstimos

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


91

facilitados, etc. Com tantos tipos diferentes e modos distintos de persuasão, o spam acaba se
tornando um dos mais perigosos tipos de golpes existente na Internet.

• Ataque DoS (Denial of service - Ataque de negação de serviço): É um tipo de ataque onde se
procura vulnerabilidades dos Sistemas Operacionais específicos. São tentativas de impedir
usuários legítimos de utilizarem determinado serviço utilizando técnicas que podem
sobrecarregar uma rede a tal ponto que seus usuários não consigam mais usá-la, ou derrubar uma
conexão entre dois ou mais computadores. É importante frisar que quando um computador/site
sofre ataque DoS, ele não é invadido, mas sim, sobrecarregado, independente do sistema
operacional utilizado. Uma das formas de ataque mais conhecidas é a SYN Flooding, no qual um
computador tenta estabelecer conexão com um servidor através de um sinal de solicitação SYN
(syncronize). Estabelecida a conexão o servidor envia ao computador solicitante um sinal ACK
(acknowledgement), o problema é que o servidor não consegue responder a todas as solicitações
e então passa a recusar novos pedidos.

• Ataque DDoS (Distributed Deniel of Service) é um tipo de ataque DoS mais complexo, pois
envolve a quebra da segurança de vários computadores conectados a Internet. É um tipo de
ataque que, para que seja bem sucedido, é necessária uma grande quantidade de computadores
zumbis, podendo ser dezenas, centenas, ou até milhares de máquinas controladas, para então
atacar uma determinada vítima. A forma mais comum de fazer isso é através de softwares
maliciosos, como os vírus. Após ter acesso às máquinas, o atacante instala o software de DDoS
que permite a ele controlar essas máquinas para atacar qualquer site. Esses ataques esgotam o
bandwidth e capacidade de processamento dos roteadores, fazendo a vítima perder a conexão
com a Internet enquanto o ataque estiver ocorrendo. Esse tipo de ataque é um dos mais eficazes
que existem e já prejudicou sites como os da CNN, Amazon, Yahoo, Microsoft e eBay.

Porém, os ataques informatizados (scripts em redes) não são a única ameaça às redes e informações
de um computador. Eles podem sofrer invasões por usuários não autorizados. Mesmo redes/hosts
protegidos por login/password podem ter seu acesso liberado com ajuda da engenharia social

Social Engineering (Engenharia Social): é um conjunto de técnicas utilizadas para obter informações
importantes e sensíveis de uma corporação ou de um indivíduo por meio da enganação, realizada de
forma pessoal (face-to-face) ou por meio de recursos de tecnológicos. O elemento mais vulnerável de
qualquer sistema de segurança é o próprio indivíduo, ao qual possui traços comportamentais e
psicológicos que o torna suscetível aos ataques de engenharia social.

As técnicas utilizadas pelos Engenheiros Sociais são diversificadas, entre elas estão: a exploração de
confiança das pessoas utilizando da vaidade pessoal, da autoconfiança, da formação profissional, da
busca de amizades e persuasão ou utilizando a engenharia social inversa, quando um cracker cria
uma personalidade e aparece numa posição de autoridade, de modo que os usuários lhe pedirão
informação que permite ao cracker extrair dos funcionários informações valiosas.

A utilização de meios como pharming, phisching e footprint também são comuns na engenharia
social. O envio de emails maliciosos contendo vírus ou softwares como keyloggers (software que
coletam senhas) ou de emails em nome de uma instituição bancária solicitando uma atualização
cadastral fazem parte do rool de ações dos Engenheiros Sociais.

o Footprint é uma técnica de levantamento de dados e informações, que auxiliam a criar um perfil sobre um
determinado site. Com este objetivo é possível descobrir falhas que possam ser exploradas e utilizadas por
pessoas maliciosas.

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


92

Na engenharia social em ambientes corporativos, o exemplo de atuação mais comum é a do norte


americano Kevin Mitnick, considerado por muitos como o maior hacker de todos os tempos. Após
sair da prisão, escreveu dois livros: “A Arte de Enganar”, no qual descreve técnicas de invasão de
redes com histórias fictícias e “A Arte de Invadir”, com histórias reais de amigos e hackers
conhecidos (os dois estão disponíveis no Brasil). Atualmente o ex-hacker é dono de uma consultoria
de segurança de sistemas, a Mitnick Security Consulting, nos Estados Unidos.

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


ÍNDICE – TREINAMENTO EM REDES

1. INTRODUÇÃO -------------------------------------------------------- 1
LAN – Redes locais de computadores------------------------------------ 2
MAN – Redes metropolitanas -------------------------------------------- 3
WAN – Redes geograficamente distribuídas ----------------------------- 3
Redes remotas ------------------------------------------------------------ 3
Redes ponto a ponto ----------------------------------------------------- 3
Cliente-servidor ----------------------------------------------------------- 4
2. REDE DE COMPUTADORES – UM POUCO DE HISTÓRIA-------- 4
ENIAC – O início da computação moderna ------------------------------ 5
3. TOPOLOGIA DAS REDES -------------------------------------------- 7
3.1 – Barramento --------------------------------------------------------- 7
3.2 – Estrela -------------------------------------------------------------- 8
3.3 – Anel ----------------------------------------------------------------- 9
3.4 – Híbrida ------------------------------------------------------------- 10
4. REDES LOCAIS ETHERNET ---------------------------------------- 10
4.1 – Topologia barramento ou bus ------------------------------------ 11
4.2 – Topologia estrela -------------------------------------------------- 12
5. TRÁFEGO DE DADOS NAS REDES LOCAIS ETHERNET --------- 13
6. O MODELO OSI------------------------------------------------------ 15
6.1 – Camada 1 – Camada física (PHY Physical Layer) ---------------- 16
6.2 – Camada 2 – Camada de link de dados (Data Link Layer) ------- 17
6.3 – Camada 3 – Camada de rede (Network Layer) ------------------ 17
6.4 – Camada 4 – Camada de transporte (Transport Layer) ---------- 18
6.5 – Camada 5 – Camada de sessão (Session Layer) ---------------- 18
6.6 – Camada 6 – Camada de apresentação (Presentation Layer) --- 18
6.7 – Camada 7 – Camada de aplicação (Application Layer) ---------- 19
6.8 – NDIS e ODI -------------------------------------------------------- 19
7. CONTROLE DE ACESSO À MÍDIA (MAC) E CSMA/CD ---------- 20
7.1 – Pacotes de dados nas redes Ethernet ---------------------------- 21
8. PROTOCOLOS DE REDE E DE COMUNICAÇÃO ------------------ 22
8.1 – Ethernet ----------------------------------------------------------- 22
8.2 – Fast Ethernet ------------------------------------------------------ 23
8.3 – Local Talk ---------------------------------------------------------- 23
8.4 – Token Ring -------------------------------------------------------- 23
8.5 – FDDI --------------------------------------------------------------- 24
8.6 – Camadas de rede (protocolos de comunicação) ----------------- 24
8.7 – NetBEUI ----------------------------------------------------------- 25
8.8 – IPX / SPX ---------------------------------------------------------- 26
8.9 – DLC ---------------------------------------------------------------- 26
8.10 – TCP / IP ---------------------------------------------------------- 27
9 – EQUIPAMENTOS PARA REDES E APLICAÇÕES ---------------- 28
9.1 – Repetidores -------------------------------------------------------- 28
9.2 – HUBs --------------------------------------------------------------- 29
Gerações de HUBs ------------------------------------------------ 30
9.3 – Switches ----------------------------------------------------------- 31
Diferença básica entre Switches e Hubs ------------------------- 34
Utilização dos Switches ------------------------------------------- 34
9.4 – Pontes (Bridges) -------------------------------------------------- 35
9.5 – Roteadores (Routers) --------------------------------------------- 37
9.6 – Placas de rede (NIC – Network Interface Card) ----------------- 40

TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 1


10.0 – ENDEREÇAMENTO IP ----------------------------------------- 43
10.1 – Classes de endereços -------------------------------------------- 44
10.2 – Disposição do endereço IP (decimal e binário) ----------------- 48
11 – MÁSCARAS DE REDE -------------------------------------------- 48
11.1 – Máscaras padrão ------------------------------------------------- 48
11.2 – Finalidade e utilidade das máscaras ---------------------------- 49
11.3 – Máscaras complexas --------------------------------------------- 50
12 – DHCP – GATEWAY ----------------------------------------------- 54
12.1 – DHCP ------------------------------------------------------------- 54
12.2 – Default gateway ------------------------------------------------- 55
13 – DNS ---------------------------------------------------------------- 56
13.1 – Sistema de consulta --------------------------------------------- 59
14 – REDES SEM FIO (WiFi) ----------------------------------------- 62
14.1 – Antenas para transmissão de dados ---------------------------- 62
14.2 – Modo Ad Hoc ----------------------------------------------------- 64
14.3 – Bluetooth --------------------------------------------------------- 64
14.4 – Funcionamento do Bluetooth ------------------------------------ 66
14.5 – Consumo elétrico do Bluetooth --------------------------------- 66
14.6 – Padrões IEEE 802.11a, 802.11b e 802.11g -------------------- 67
15 – REDES HOME ----------------------------------------------------- 68
15.1 – Home PNA -------------------------------------------------------- 69
15.2 – HomePlug Powerline --------------------------------------------- 69
15.3 – Home RF --------------------------------------------------------- 70
16 – GIGABIT ETHERNET--------------------------------------------- 71
16.1 – 1000BaseLX ------------------------------------------------------ 71
16.2 – 1000BaseSX ----------------------------------------------------- 71
16.3 – 1000BaseCX ----------------------------------------------------- 72
16.4 – 1000BaseT ------------------------------------------------------- 72
16.5 – 10 Gigabit Ethernet ---------------------------------------------- 73
17 – PROXY E FIREWALL --------------------------------------------- 75
17.1 – Proxy ------------------------------------------------------------- 75
17.2 – Firewall ----------------------------------------------------------- 76
17.3 – Arquiteturas de firewall------------------------------------------ 76
17.3.1 – Roteador com triagem (Screening Router) ------------------- 76
17.3.2 – Gateway de base dupla (Dual Homed Gateway) ------------- 77
17.3.3 – Gateway host com triagem (Screened Host Gateway) ------ 77
17.3.4 – Sub-rede com triagem (Screened Subnet) ------------------- 78
17.3.5 – Características importantes ----------------------------------- 78
17.4 – NAT (Netword Address Translator) ----------------------------- 79
18 – VPN ---------------------------------------------------------------- 81
18.1 – Implementação de uma VPN ------------------------------------ 81
18.2 – Conexão a uma VPN --------------------------------------------- 83
19 – COMO FUNCIONA O PROTOCOLO FTP ------------------------ 88
19.1 – O FTP no modo padrão ------------------------------------------ 88
19.2 – O FTP no modo passivo ----------------------------------------- 89

TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 2


1- INTRODUÇÃO
Basicamente uma rede consiste em 2 computadores interligados com o objetivo de
compartilhar dados. Isso já pode ser considerado uma rede. Veja um exemplo na figura
abaixo.

Este é apenas um exemplo simples, é claro que uma rede não é formada por apenas
2 computadores interligados afim de compartilhar dados e sim 2 ou mais computadores
interligados. Aliás, todas as redes, não importa o quanto sejam sofisticadas, derivam desse
sistema simples.

Se a idéia de dois computadores conectados por um cabo pode não parecer


extraordinária, no passado representou uma grande conquista nas comunicações.

Definição: Basicamente, uma rede de trabalho é um sistema que permite a


comunicação entre pontos distintos, ou seja, um sistema que permite a troca de
informações. Os componentes básicos de uma rede de trabalho (ou rede de informações)
são um emissor (origem da informação), o meio através da qual a informação trafega (o
canal), um receptor (o destino da informação) e finalmente a mensagem, que nada mais é
do que a informação em si.

Um exemplo comum seria uma pessoa falando no telefone com outra pessoa: O
emissor seria quem está falando, o canal seria a linha telefônica, o receptor a pessoa que
está ouvindo e a mensagem seria a própria mensagem que está sendo comunicada. Ao
longo dos anos as ferramentas para a comunicação de dados foram evoluindo
gradativamente, de modo a tornar a troca de informações rápida, fácil e mais eficiente.

Uma rede de computadores baseia-se nos princípios de uma rede de informações,


implementando técnicas de hardware e software de modo a torná-la efetivamente mais
dinâmica, para atender às necessidades que o mundo moderno impõe. Redes de
computadores incluem todos os equipamentos eletrônicos necessários à interconexão de
dispositivos, tais como microcomputadores e impressoras.

Esses dispositivos que se comunicam entre si são chamados de nós, estações de


trabalho, pontos ou simplesmente dispositivos de rede.

Dois computadores, ou nós, seria o número mínimo de dispositivos necessários para


formarmos uma rede. O número máximo não é predeterminado, teoricamente todos os
computadores do mundo poderiam estar interligados.

Quanto à natureza podemos ter dois tipos de redes de computadores: cliente-


servidor (client-server) e ponto-a-ponto (peer-to-peer).
Na rede cliente-servidor uma máquina, ou um pequeno grupo de máquinas,
centraliza os serviços da rede oferecidos às demais estações, tais como aplicativos e filas
de impressão.

TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 3


As máquinas que requerem esses serviços são chamadas de clientes, e as máquinas
que os fornecem são chamadas de servidores.

Na rede ponto-a-ponto não existem servidores, todas as estações compartilham seus


recursos mutuamente.

A grande desvantagem que as redes ponto-a-ponto oferecem com relação às redes


cliente-servidor é a dificuldade de gerenciar os seus serviços, já que não existe um sistema
operacional que centralize a administração da rede.

Também não é possível estendê-las excessivamente, já que um número elevado de


nós sobrecarregaria o fluxo de dados, tornando-a lenta e por conseguinte ineficaz.

Aos poucos as empresas estão substituindo suas redes ponto-a-ponto por redes
cliente-servidor, e o número de redes ponto-a-ponto está diminuindo.

O principal motivo para a implementação de redes de computadores nas


organizações, sejam elas simples escritórios ou empresas de âmbito internacional, resume-
se em uma única palavra: dinheiro!

Os custos reduzidos com a automatização dos processos mediante a utilização de


redes é realmente muito significativo.

Por exemplo, se uma empresa pudesse optar entre adquirir cem impressoras
independentes ou apenas dez compartilhadas, sem dúvida alguma a segunda opção seria
mais interessante.

Também é preferível adquirir o direito de compartilhar um aplicativo (chamados de


pacotes para vários usuários) entre um número predeterminado de usuários, do que
adquirir várias cópias unitárias.

As redes consistem em vários computadores autônomos, interligados entre si com o


objetivo de se compartilhar recursos de hardware, transferência de dados e troca de
mensagens entre seus usuários.

Os computadores estão ligados fisicamente através de cabos, linhas telefônicas,


ondas de rádio, infravermelho.

Os tipos básicos de rede quanto à distribuição geográfica são:

LAN - Redes Locais de Computadores (Local Area Network);


MAN - Redes Metropolitanas (Metropolitan Area Network);
WAN - Redes Geograficamente Distribuídas (Wide Area Network).

LAN Redes Locais de Computadores

Este é o tipo mais comum de rede de computadores. Redes que interligam salas em
um edifício comercial ou prédios de um campus universitário são exemplos de redes locais.

Até mesmo quem tem dois computadores ligados em sua própria casa possui uma
rede local. No princípio a maioria das redes locais era ponto-a-ponto.

Com a expansão das redes cliente-servidor, foi viabilizado a interconexão de


diferentes redes locais, dando origem às redes metropolitanas e redes remotas.

TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 4


As redes locais caracterizam-se por altas taxas de transferência, baixo índice de
erros e custo relativamente pequeno.

MAN Redes Metropolitanas

O conceito de rede metropolitana pode parecer um tanto quanto confuso, e algumas


vezes há certa confusão no que diz respeito às diferenças existentes entre uma MAN e uma
rede remota.

Na verdade, a definição para este tipo de rede de computadores surgiu depois das
LANs e WANs.

Ficou estabelecido que redes metropolitanas, como o próprio nome já diz, são
aquelas que estão compreendidas numa área metropolitana, como as diferentes regiões de
toda uma cidade.

Normalmente redes metropolitanas são constituídas de equipamentos sofisticados,


com um custo alto para a sua implementação e manutenção, que compõem a infra-
estrutura necessária para o tráfego de som, vídeo e gráficos de alta resolução.

Por serem comuns nos grandes centros urbanos e econômicos, as redes


metropolitanas são o primeiro passo para o desenvolvimento de redes remotas.

WAN Redes Geograficamente Distribuídas

Redes Remotas - Redes remotas são aquelas que cobrem regiões extensas. Na verdade
redes remotas são um agrupamento de várias redes locais ou metropolitanas, interligando
estados, países ou continentes.

Tecnologias que envolvem custos elevados são necessárias, tais como cabeamento
submarino, transmissão por satélite ou sistemas terrestres de microondas.

As linhas telefônicas, uma tecnologia que não é tão sofisticada e nem possui um
custo muito elevado, também são amplamente empregadas no tráfego de informações em
redes remotas.

Este tipo de rede caracteriza-se por apresentar uma maior incidência de erros, e
também são extremamente lentas.

Novas técnicas estão surgindo de modo a subverter esses problemas, mas a sua
implementação depende de toda uma série de fatores, logo o processo é gradativo.
Um exemplo de rede remota muito popular é a Internet, que possibilita a
comunicação entre pessoas de lugares totalmente diferentes.
Os tipos quanto aos sistemas operacionais:

• Ponto a Ponto
• Cliente-Servidor

Ponto a Ponto
Numa rede ponto a ponto a distribuição dos dados está de forma descentralizada em
todos os computadores.

Não existe uma máquina servidora de arquivos ou um gerenciamento centralizado da


rede.

TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 5


Todos os computadores são tratados igualmente. São redes desenhadas para
pequenas ou médias redes locais.

Windows for Workgroups e a rede do Windows 95 são alguns dos exemplos de rede
ponto a ponto.

A desvantagem está na falta de segurança para a arquitetura cliente/servidor.

Rede ponto a ponto


Cliente-Servidor
São todos os tipos de rede que centralizam suas funções como servidor de arquivos,
impressão, contas de usuários, entre outros num equipamento diferenciado tratado como
servidor da rede.
As estações de trabalho acessam o servidor e os recursos que estão disponíveis
neste. Dentre alguns exemplos desta arquitetura podemos citar o Novell Netware o
Windows NT Server o Windows 2000 Server e o Windows 2003 Server.

Rede cliente/servidor

As vantagens desta arquitetura são:

1) Centralização dos recursos e segurança do sistema;

2) Flexibilidade: novas tecnologias podem ser facilmente integradas ao sistema;

3) Acessibilidade: diversas plataformas podem acessar remotamente o servidor.

2 - REDE DE COMPUTADORES
UM POUCO DE SUA HISTÓRIA
Há tempos que o homem vem tentando fazer com que a informação circule por
longas distâncias e, desta necessidade surgiram várias invenções no decorrer da história,
tais como relacionadas a seguir:

• Cabo Submarino (1866)


• Telégrafo sem fio (1894)
• Corrida espacial (1957)
• Satélites artificiais a partir de1960

TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 6


• Arpanet (Advanced Research Projects Agency Network) estabelecida em 1968 com a
finalidade de interligar universidades visando pesquisas avançadas. É a predecessora
da Internet
• E-mail (1972)
• TCP/IP (1982)
• Telenet primeira rede remota comercial (1974). Não confundir com Telnet, que é um
protocolo de simulação.
• BBS (Bulletin Board System), especialmente para serviços, em 1978
• DNS (Domain Name Service), um serviço da Internet que converte nomes em
números de endereçamento (1984)

ENIAC – O INÍCIO DA COMPUTAÇÃO MODERNA


Em 1946 John Mauchly e J. Presper Eckert desenvolveram o ENIAC I (Electrical
Numerical Integrator And Calculator).

O exército dos Estados Unidos patrocinou essa pesquisa e o seu desenvolvimento,


em 31 de maio de 1.943 pois necessitava na época de cálculos exatos dos processos de
desempempenho do seu arsenal militar.

O projeto custou quinhentos mil dólares e ficou pronto somente dezoito meses
depois, quando a guerra já tinha acabado.

Mesmo assim, o ENIAC foi utilizado para fazer os cálculos da bomba de hidrogênio.

Era composto de 17.468 válvulas, 70.000 resistores, 10.000 capacitores, 1.500


relês, 6.000 chaves manuais e 5 milhões de pontos de solda.

Ocupava uma área de 167 metros quadrados, pesava 30 toneladas e consumia 160
quilowatts e no momento em que era ligado, provocava na cidade de Filadélfia oscilações
de energia.

A patente do ENIAC foi concedida em 26 de junho de 1.947, com a seguinte


justificativa:

“Com a necessidade nos dias de hoje de se elaborar cálculos, a velocidade tornou-se


imprescindível, não havendo no mercado métodos computacionais capazes de satisfazer tal
demanda”.

TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 7


Em um segundo, o ENIAC (que era mil vezes mais veloz do que qualquer máquina de
calcular da época) podia executar 5.000 operações de soma, 357 operações de
multiplicação ou 38 divisões.

Levando-se em conta que os relês e as chaves mecânicas ou manuais foram


substituídas por válvulas, isto levou a um aumento da performance, no entanto, a
manutenção era demorada e sua reprogramação exigia técnicos altamente competentes,
tal a sua complexidade.

O lado positivo disso tudo, é que o ENIAC proporcionou um desenvolvimento


tecnológico avançado para as válvulas, que na época eram os dispositivos eletrônicos mais
utilizados.
Em 1948 foram feitas diversas modificações no ENIAC de tal forma a otimizar
operações aritméticas e transferir essas operações simultaneamente, causando uma série
de dificuldades na sua programação. Foi então introduzido o primeiro código de
programação.

Com base nas experiências desenvolvidas no ENIAC foi fundada em 1.949 pelos
criadores no ENIAC a Eckert-Mauchly Computer, que lançou o BINAC (BINary Automatic
Computer) que usou pela primeira vez a fita magnética para armazenamento de dados.

Em 1.950 a Eckert-Mauchly Computer foi comprada pela Remington Rand


Corporation, que trocou o nome para Univac que nada mais era do que uma divisão da
Remington Rand. Isto resultou no lançamento do UNIVAC (UNIversal Automatic Computer,
um importante precursor dos computadores atuais.

Em 1.955 a Remington Rand fundiu-se com a Sperry Corporation que resultou na


Sperry-Rand, que mais tarde fundiu-se com a Burroughs Corporation, de onde surgiu a
Unisys.

Às 23:45h do dia 2 de outubro de 1.955, o ENIAC foi definitivamente desligado.

Em 1980 J. Presper Eckert and John Mauchly receberam da IEEE (Institute of


Electrical and Electronics Engineers) um prêmio pelo seu pioneirismo.

Avanços na década de 1960 possibilitaram o desenvolvimento dos primeiros


terminais interativos, permitindo aos usuários acesso ao computador central através de
linhas de comunicação.

Usuários passavam a ter então um mecanismo que possibilitava a interação direta


com o computador, ao mesmo tempo em que avanços nas técnicas de processamento
TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 8
davam origem a sistemas de tempo compartilhado (time-sharing), permitindo que várias
tarefas dos diferentes usuários ocupassem simultaneamente o computador central, através
de uma espécie de revezamento no tempo de ocupação do processador.

Mudanças na caracterização dos sistemas de computação ocorreram durante a


década de 1970.

O desenvolvimento de minis e microcomputadores de bom desempenho, com


requisitos menos rígidos de temperatura e umidade, permitiu a instalação de considerável
poder computacional em várias localizações de uma organização, ao invés da anterior
concentração deste poder em uma determinada área.

Embora o custo de hardware de processamento estivesse caindo, o preço dos


equipamentos eletromecânicos continuava alto.

Mesmo no caso de dados que podiam ser associados a um único sistema de pequeno
porte, a economia de escala exigia que grande parte dos dados estivessem associados a
um sistema de grande capacidade centralizado.

Assim a interconexão entre os vários sistemas para o uso compartilhado de


dispositivos periféricos tornou-se importante.

A capacidade de troca de informações também foi uma razão importante para a


interconexão. Usuários individuais de sistemas de computação não trabalham isolados e
necessitam de alguns dos benefícios oferecidos por um sistema centralizado.

Entre esses a capacidade de troca de mensagens entre os diversos usuários e a


facilidade de acesso a dados e programas de várias fontes quando da preparação de um
documento.

Ambientes de trabalho cooperativos se tornaram uma realidade tanto nas empresas


como nas universidades, exigindo a interconexão dos equipamentos nessas organizações.

Para tais problemas de performance os pesquisadores a criaram novas arquiteturas


que propunham a distribuição e o paralelismo como forma de melhorar desempenho,
confiabilidade e modularidade dos sistemas computacionais.

3 - Topologia das Redes


Topologia de rede é a forma através da qual ela se apresenta fisicamente, ou seja, com
os nós estão dispostos.
A topologia de uma rede descreve como o é o "layout" do meio através do qual há o
tráfego de informações, e também como os dispositivos estão conectados a ele. São várias
as topologias existentes, podemos citar:

Barramento
Estrela
Anel
Malha
Híbridas

3.1 – Barramento

TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 9


Esta topologia é caracterizada por uma linha única de dados (o fluxo é serial),
finalizada por dois terminadores (casamento de impedância), na qual atrelamos cada nó de
tal forma que toda mensagem enviada passa por todas as estações, sendo reconhecida
somente por aquela que está cumprindo o papel de destinatário (estação endereçada).

Nas redes baseadas nesta topologia não existe um elemento central, todos os pontos
atuam de maneira igual, algumas vezes assumindo um papel ativo outras vezes assumindo
um papel passivo.

As redes locais Ethernet ponto-a-ponto usam essa topologia.

Topologia barramento

DESVANTAGENS:
1. Como todas as estações estão atreladas a uma linha única (normalmente um cabo
coaxial), o número de conexões é muito grande, proporcional ao número de nós.

Logo, se a rede estiver apresentando um problema físico, são grandes as chances


deste problema ser proveniente de uma dessas conexões (conectores e placas de rede) ou
até mesmo de um segmento de cabo.

2. A maior dificuldade está em localizar o defeito, por conta dos vários segmentos de
rede.

3. Como a troca de informações dá-se linear e serialmente, quando ocorrem tais


defeitos toda a rede fica comprometida, e ela pára de funcionar.

VANTAGENS:
A única vantagem que este tipo de rede pode oferecer é o baixo custo, sendo ideal
quando implementada em lugares pequenos.

3.2 – Estrela

A topologia estrela é caracterizada por um elemento central que "gerencia" o fluxo


de dados da rede, estando diretamente conectado (ponto-a-ponto) a cada nó, daí surgiu a
designação "Estrela".

Toda informação enviada de um nó para outro deverá obrigatoriamente passar pelo


ponto central, ou concentrador, tornando o processo muito mais eficaz, já que os dados
não irão passar por todas as estações.

O concentrador encarrega-se de rotear o sinal para as estações solicitadas,


economizando tempo.

TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 10


Topologia estrela

VANTAGENS:

1. Uma vez que o sinal sempre será conduzido para um elemento central, e a partir
deste para o seu destino, as informações trafegam bem mais rápido do que numa rede
barramento.

Essa é a melhor vantagem oferecida por uma rede estrela, sendo a mesma ideal
para redes em que imperam o uso de informações "pesadas", como a troca de registros de
uma grande base de dados compartilhada, som, gráficos de alta resolução e vídeo.

2. A instalação de novos segmentos não requer muito trabalho.

3. A manutenção é menos complicada, pois na rede estrela é mais fácil de visualizar


os defeitos fisicamente, uma vez que se ocorrer algum problema num dos segmentos, os
demais permanecerão em atividade.

4. A rede pode ser deslocada para outro ambiente sem grandes dificuldades de
adaptação.

5. Oferece taxas de transmissão mais elevadas.


DESVANTAGEM:

A única desvantagem é que o custo de instalação de uma rede estrela é mais


elevado.

Quanto maior for a distância entre um nó e o concentrador maior será o


investimento, já que cada "braço" é representado por um segmento de cabo coaxial, par
trançado ou fibra óptica, além do concentrador (Hub ou Switch) de tráfego de dados da
rede.

Uma rede cliente-servidor, segue a topologia estrela.

3.3 – Anel

Como o nome indica, uma rede anel é constituída de um circuito fechado, tal como a
rede elétrica.

A maior vantagem: não há atenuação do sinal transmitido, já que ele é regenerado


cada vez que passa por uma estação (a atenuação é diretamente proporcional à distância
entre um nó e outro).

TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 11


A maior desvantagem: todas as estações devem estar ativas e funcionando
corretamente.

A implementação mais comum da topologia estrela são as redes Token-Ring, de


propriedade da IBM.

Esta topologia oferece uma taxa de transmissão maior da que é oferecida nas redes
de topologia barramento, veremos melhor o seu funcionamento mais adiante.

Topologia em anel

3.4 – Híbrida

Redes híbridas são aquelas que utilizam mais de uma das topologias citadas acima, e
normalmente surgem da fusão de duas ou mais LANs entre si ou com MANs.

Os serviços comerciais "on-line" e as redes públicas são exemplos de redes híbridas,


como a Internet e até mesmo redes fechadas que estão sob o controle de organizações
empresariais.

4 - REDES LOCAIS ETHERNET


A rede Ethernet1 foi a primeira aplicação comercial de rede local a utilizar a topologia
de barramento (bus topology).

A Ethernet é a tecnologia de rede local mais usada em todo o mundo.

Apesar do aparecimento de novas tecnologias de redes locais de alta velocidade,


como ATM, FDDI, ARCnet a 20Mbps, Token Ring a 16Mbps, entre outras, a Ethernet é
ainda campeã em popularidade e crescimento, agora também em duas novas versões:

Fast Ethernet
Switched Ethernet
Vários fatores pesaram no sucesso da rede Ethernet:

1. Seu custo baixo de implementação, manutenção e gerenciamento.

2. Integração de ambientes de rede Ethernet com Mainframes, com o uso de várias


interfaces e programas emuladores de terminais disponíveis no mercado.

3. Disponibiliza uma taxa de transmissão de dados em redes, suficiente para a


maioria das aplicações em uso atualmente.

1
ETHERNET, padrão de rede de comunicação local, originalmente desenvolvida pela Xerox Corporation, Inc.
TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 12
O padrão Ethernet define um método para a implementação de rede local baseado
na topologia barramento.
Neste tipo de topologia o meio físico (ou cabo) está constantemente presente para
todos os usuários, porém, apenas um usuário o utiliza para uma transmissão, em um dado
momento.

O protocolo definido como protocolo Ethernet é definido pelo IEEE (Institute of


Electrical and Electronics Engineers) como o padrão IEEE 802.3 embora não seja o
proposto inicialmente pelas companhias que desenvolveram a Ethernet.

4.1 - TOPOLOGIA BARRAMENTO OU BUS:

A figura a seguir mostra a implementação de uma rede Ethernet com a topologia


barramento ou bus.

Topologia em barramento

CABO COAXIAL: As redes Ethernet foram desenvolvidas para “rodar” em um tipo


específico de cabo coaxial grosso (thick wire) sob uma divisão do padrão Ethernet
denominado 10 BASE-5.

Este subpadrão, dividido em três partes tem o seguinte significado:

10 – refere-se à velocidade de transmissão (10Mbps)


BASE – indica que a rede é do tipo banda base
5 – especificação do meio físico (cabo coaxial grosso) com
comprimento máximo de 500 metros

O 10 BASE-5 ficou conhecido como tecnologia Yellow Cable, devido a cor do cabo
coaxial grosso empregado nessas redes.

Conexão: Como em qualquer rede local a conexão de cada dispositivo ou


equipamento é obtida por meio de uma interface de rede denominada NIC (Network
Interface Card) ou simplesmente placa de rede.

No caso do 10 BASE-5, devido as dimensões e rigidez do cabo coaxial esta conexão


era feita por meio de um transceiver e uma interface AUI (Attachment Unit Interface), uma
interface de conexão entre o computador e o sistema de cabeação.

O cabo AUI ou “drop cable” era um cabo fino e flexível terminado com conectores
DB-15, utilizando-se nove pinos, muito semelhante aos cabos seriais RS 232C, a podia ter

TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 13


um comprimento máximo de 50 metros, muito embora, raramente, essas distâncias
fossem atingidas.

Como evolução do 10 BASE-5 foi desenvolvido o subpadrão 10 BASE-2, que


representa uma rede Ethernet de banda base operando a 10Mbps, em cabo coaxial fino e
comprimento máximo de 200 metros.

Assim, o 10 BASE-2 tornou a rede Ethernet em topologia de barramento de menor


custo e de maior popularidade do mundo.

Devido aos problemas citados anteriormente, principalmente a dificuldade de


manutenção, uma vez que um problema de conexão faz a rede toda cair, este tipo de
Ethernet vem caindo em desuso há algum tempo.

4.2 - TOPOLOGIA ESTRELA:

A figura a seguir mostra uma rede Ethernet com topologia estrela, com um servidor
de arquivos.

Topologia estrela

Para esta topologia o subpadrão é o 10 BASE-T (rede em banda base Ethernet a


10Mbps, que opera em cabos de pares trançados como meio físico).

Apesar de não especificado no nome do subpadrão, o comprimento máximo de cabo


permitido entre as estações de trabalho nesta topologia é de 100 metros.

Observa-se na figura mostrada (topologia estrela) a presença de um elemento


distribuidor do cabeamento para as estações de trabalho, denominado HUB, onde cada
porta desse HUB corresponde a uma estação de trabalho.

Como a maioria dos HUBs possuem em cada porta um led indicador de atividade,
isto facilita em muito a manutenção da rede. Ainda, se uma das estações parar, as demais
continuam em atividade.

Os cabos originalmente utilizados para a implementação da topologia estrela foram


os cabos de pares trançados de dois pares, categoria 3 (10Mbps).

Estes condutores foram largamente empregados em redes Ethernet 10 BASE-T até o


advento das redes Ethernet a 100Mbps e dos cabos UTP (Unshielded Twisted Pair),
categoria 5, com capacidade para suportar altas velocidades.

Na topologia estrela, apesar de cada estação de trabalho utilizar um segmento de


cabo único com o concentrador (hub), este é conectado ao servidor por meio de um cabo,
o que confere a esta configuração características de topologia de barramento.
TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 14
No entanto, existem várias vantagens na implementação, como vistas
anteriormente:

• Facilidade de identificação de problemas físicos no cabeamento

• Facilidade de manutenção nas estações de trabalho

• Possibilidade de gerenciamento por meio de ferramentas específicas

• Melhor organização do ambiente de rede

• Redução do downtime 2 da rede, devido a problemas físicos

Uma vez que o método de acesso ao servidor é o mesmo para ambas as topologias
(barramento e estrela), um gargalo na rede será verificado com o aumento do número de
estações de trabalho.
Para minimizar ou mesmo sanar esse problema, utiliza-se a técnica de segmentação,
que consiste de implantação de novos barramentos, dividindo as estações de trabalho,
conforme sugere a figura a seguir.

Técnicas de segmentação em redes


Observa-se que o servidor possui três placas de rede, cada uma delas representando
um segmento. Com isto, obtém-se um melhor desempenho.

5 - TRÁFEGO DE DADOS NAS REDES LOCAIS


ETHERNET
As placas de rede Ethernet são de longe as mais utilizadas atualmente, sobretudo
em redes pequenas e médias.

2
Downtime – tempo ocioso em que uma estação de trabalho pára, por motivo de manutenção
TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 15
Numa rede Ethernet, temos uma topologia lógica de barramento. Isto significa que
quando uma estação precisar transmitir dados, ela irradiará o sinal para toda a rede.

Todas as demais estações ouvirão a transmissão, mas apenas a placa de rede que
tiver o endereço indicado no pacote de dados receberá os dados. As demais estações
simplesmente ignorarão a transmissão.

Mais uma vez vale lembrar que apesar de utilizar uma topologia lógica de
barramento, as redes Ethernet podem utilizar topologias físicas de estrela ou de
barramento.

Transmissão de dados para a estação 5

Como apenas uma estação pode falar de cada vez, antes de transmitir dados a
estação irá “ouvir” o cabo. Se perceber que nenhuma estação está transmitindo, enviará
seu pacote, caso contrário, esperará até que o cabo esteja livre. Este processo é chamado
de “Carrier Sense” ou sensor mensageiro.

Enviando o pacote Carrier Sense

Mas, caso duas estações ouçam o cabo ao mesmo tempo, ambas perceberão que o
cabo está livre e acabarão enviando seus pacotes ao mesmo tempo. Teremos então uma
colisão de dados.

Colisão de dados

Dois pacotes sendo enviados ao mesmo tempo geram um sinal elétrico mais forte,
que pode ser facilmente percebido pelas placas de rede.

TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 16


A primeira estação que perceber esta colisão irradiará para toda a rede um sinal
especial de alta frequência que cancelará todos os outros sinais que estejam trafegando
através do cabo e alertará as demais placas que ocorreu uma colisão.

Sendo avisadas de que a colisão ocorreu, as duas placas “faladoras” (as que estão
transmitindo os dados) esperarão um número aleatório de milissegundos antes de
tentarem transmitir novamente.

Este processo é chamado de TBEB “Truncated Binary Exponencial Back-off”.


Inicialmente as placas escolherão entre 1 ou 2, se houver outra colisão escolherão entre 1
e 4, em seguida entre 1 e 8 milissegundos (ms), sempre dobrando os números possíveis
até que consigam transmitir os dados.

Apesar de as placas poderem fazer até 16 tentativas antes de desistirem,


normalmente os dados são transmitidos no máximo na terceira tentativa.

TBEB – Truncated Binary Exponencial Back-off

Apesar de não causarem perda ou corrupção de dados, as colisões causam uma


grande perda de tempo, resultando na diminuição do desempenho da rede.

Quanto maior for o número de estações, maior será a quantidade de colisões e


menor será o desempenho da rede.

Por isso existe o limite de 30 micros por segmento numa rede de cabo coaxial, e é
recomendável usar bridges para diminuir o tráfego na rede caso estejamos usando
topologia em estrela, com vários hubs interligados (e muitas estações).

Outro fator que contribui para as colisões é o comprimento do cabo. Quanto maior
for o cabo (isso tanto para cabos de par trançado quanto coaxial) mais fraco chegará o
sinal e será mais difícil para a placa de rede escutar o cabo antes de enviar seus pacotes,
sendo maior a possibilidade de erro.

Usar poucas estações por segmento e usar cabos mais curtos do que a distância
máxima permitida, reduzem o número de colisões e aumentam o desempenho da rede.

O ideal no caso de uma rede com mais de 20 ou 30 micros, é dividir a rede em dois
ou mais segmentos, pois como vimos anteriormente, isto servirá para dividir o tráfego na
rede.

É bom salientar que todo este controle é feito pelas placas de rede Ethernet. Não
tem nada a ver com o sistema operacional de rede ou com os protocolos de rede usados.

6 – O MODELO “OSI”

TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 17


Quando as redes de computadores surgiram, as soluções eram, na maioria das
vezes, proprietárias, isto é uma determinada tecnologia só era suportada por seu
fabricante.

Não havia a possibilidade de se misturar soluções de fabricantes diferentes. Dessa


forma um mesmo fabricante era responsável por construir praticamente tudo na rede.

Para facilitar a interconexão de sistemas de computadores a ISO (International


Standards Organization) desenvolveu um modelo de referência chamado OSI (Open
Systems Interconnection), para que os fabricantes pudessem criar protocolos a partir desse
modelo.

Nos Estados Unidos o representante da ISO é o ANSI (American National Standards


Institute)

Interessante notar que a maioria dos protocolos existentes (como o TCP/IP o


IPX/SPX e o NetBeui) tomam o modelo OSI como referência, mas não o segue ao pé da
letra (como veremos esses protocolos só correspondem a partes do padrão OSI).

Todavia, o estudo deste modelo é extremamente didático, pois através dele há como
entender como deveria ser um protocolo ideal, bem como facilita enormemente a
comparação do funcionamento de protocolos criados por diferentes fabricantes.

O modelo de protocolos OSI é um modelo de sete camadas, apresentadas na figura


a seguir. Inicia-se com a camada 1 (Física).

Modelo OSI de protocolos

Tanto o ANSI quanto o IEEE vem utilizando o modelo OSI de camadas há muito
tempo, por uma boa razão: a divisão da tecnologia em diferentes camadas, permite que
uma camada sofra algumas alterações sem causar problemas ao restante do modelo.

Por exemplo, o IEEE pôde acrescentar ao padrão Ethernet o uso de cabos UTP como
meio físico, sem alterar o padrão.

Da mesma forma, protocolos diferentes como IPX/SPX, TCP/IP, NetBeui podem ser
utilizados com o mesmo hardware, devido a cada componente formar uma camada
independente, melhorando a interoperabilidade da rede.

6.1 - Camada 1 – Camada física (PHY – Physical Layer)

A camada física é representada pelas conexões e pela sinalização. O protocolo dessa


camada define a sinalização elétrica, símbolos, estados de linha, requisitos de

TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 18


temporização, codificação de dados e conectores para transmissão de dados e suas
configurações (pinagem).

Como exemplo da camada física, podemos citar o padrão 10 BASE-T. Os hubs são
dispositivos da primeira camada, pois transmitem os sinais de dados sem decodificá-los.

Todas as camadas superiores se comunicam com a camada física por meio de uma
interface específica. Para o Ethernet 10 BASE-5, a interface utlizada é a AUI e um conector
DB-15 pode ser usado para conectar as camadas 1 e 2.

Para a Ethernet 100Mbps, esta interface é denominada “Interface Independente do


Meio” (MII – Medium Independent Interface).

A camada 1 é interfaceada com o meio pela “Interface Dependente do Meio” (MDI –


Medium Interface Dependent).

Por exemplo, para Ethernet 10 BASE-T a MDI é o conector RJ-45.

6.2 - Camada 2 – Camada de link de dados (Data Link Layer)

A camada de link de dados consiste no controle de acesso à mídia (MAC – Media


Access Control) e do controle do link lógico (LLC – Logical Link Control).
Como as funções do LLC ocorrem em nível superior, interessa-nos então apenas o
MAC.

O controle de acesso à mídia pode ser descrito como uma estação organizada que
transmite e recebe dados em um ambiente de meio físico compartilhado.

O MAC é responsável pela transferência de informações ao longo de um link,


sincronizando a transmissão de dados, detecção de erros e controle de fluxo de dados.

Exemplos de MACs definidos pelo IEEE: Ethernet 802.3, Token Ring 802.5, etc.

De uma forma geral os MACs em ambiente físico compartilhado, permitem que


múltiplos “nós” (workstation) podem se conectar ao mesmo canal de transmissão.

As “ bridges” (pontes) são usadas para conectar diferentes locais de mesmo tipo de
MAC.

Por exemplo, um segmento Ethernet 10 BASE-2 pode ser conectado a um segmento


Ethernet 10 BASE-T por meio desse dispositivo. Estes tipos de transferências de dados
ocorrem em nível MAC e são denominadas funções de camada 2.

6.3 - Camada 3 – Camada de Rede (Network Layer)

A camada de rede é responsável pela conexão entre a fonte de informação e o


destinatário. Redes grandes normalmente consistem de diferentes tipos de padrões MAC.

Por exemplo, uma organização pode ter uma rede Ethernet no Departamento
Administrativo e uma rede Token Ring no Departamento Técnico.

O software de camada de rede deve estar apto a executar a conexão entre


diferentes tipos de redes de forma otimizada. Dizemos então que, a função da camada 3 é
de roteamento.

TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 19


6.4 - Camada 4 – Camada de Transporte (Transport Layer)

Esta camada executa muitas tarefas em comum com a de rede, porém, em âmbito
local.

Os drivers do software da rede executam tarefas da camada de transporte uma vez


que, se houver uma interrupção na rede por qualquer motivo, o software da camada de
transporte procurará rotas alternativas, ou irá gravar os dados transmitidos em local
seguro, até que ocorra o restabelecimento.

Essa camada é responsável pelo controle de qualidade da comunicação, cuidando


para que os dados recebidos estejam no formato correto.

Os recursos de formatação e ordenação são importantes quando os programas da


camada de transporte estabelecem conexões em computadores de concepções diferentes.

A camada link de dados poderá contar as mensagens para verificar se estão todas lá.
A camada de transporte abre as mensagens e verifica se há falhas.

As redes com computadores de concepções diferentes podem utilizar muitos


protocolos de camada de transporte e um dos mais utilizados é o TCP (Transmission
Control Protocol), o qual é adotado por muitas empresas como parte do protocolo TCP/IP.

Os componentes de software que operam na camada de transporte estão contidos


nas estações de rede e estabelecem a chamada entre os programas aplicativos da rede. As
principais aplicações que estabelecem comunicações pela camada de transporte são os
programas de gateway de rede.
Exemplos de produtos usados em redes de PCs com funções da camada 4:
NetBIOS
Named Pipes
IPX (Internetwork Protocol Exchange)

6.5 - Camada 5 – Camada de sessão (Session Layer)

A camada de sessão é muito importante em redes locais com computadores


pessoais, pois cabe a ela funções que permitem a comunicação entre duas aplicações (ou
dois componentes da mesma aplicação) pela rede, dentre as quais: de segurança, de
reconhecimento de nome, de conexão, de administração, etc.

Programas como o NetBIOS e o Named Pipes ignoram muitas vezes o padrão ISO e
executam as funções da camada de transporte e da camada de sessão.

Em vista disso, torna-se difícil citar o nome de um software específico para a camada
5, porém, existe um protocolo desenvolvido pela ISO, que é o ISO 8327, denominado
Connection – Oriented Session Protocol Specification para tal fim. O que não se sabe ao
certo, é se esse protocolo está sendo utilizado pelos softwares de rede disponíveis no
mercado.
6.6 - Camada 6 – Camada de apresentação (Presentation Layer)

Esta camada é responsável pela forma que as informações são entregues aos
usuários, podendo também tratar da criptografia e de alguns formatos especiais de
arquivos.

TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 20


É responsável também pela formatação de tela e de arquivos de modo que, o
produto final tenha a apresentação que o programados deseja.

Na camada de apresentação estão os códigos de controle, os gráficos especiais e o


conjunto de caracteres.

6.7 - Camada 7 – Camada de aplicação (Application Layer)

A camada superior serve ao usuário, e nela estão contidos o sistema operacional da


rede e os programas aplicativos.

Em suma, está contido os programas aplicativos que o usuário pode controlar:


compartilhamento de arquivos, criação de spools de impressão, correio eletrônico e até a
criação e o gerenciamento de banco de dados.

6.8 - NDIS e ODI

Criado pela Microsoft e pela 3Com, o NDIS (Network Driver Interface Specification)
é um driver instalado no sistema operacional que permite que uma única placa de rede
possa utilizar mais de um protocolo de rede ao mesmo tempo.

O driver NDIS possui duas partes. A primeira é chamada driver MAC NDIS, que é o
driver da placa de rede (que deve ser escrito usando o padrão NDIS). A segunda parte é
chamada vector.

Essa camada é que permite que uma mesma placa de rede possa usar mais de um
protocolo, já que o driver da placa de rede (driver MAC NDIS) só permite uma única
conexão. Quando um quadro é recebido pelo driver da placa de rede, ele o passa para a
camada vector, que o envia para o primeiro protocolo, que poderá aceitar ou rejeitar o
pacote.

Caso primeiro protocolo rejeite o quadro, a camada vector entrega o quadro ao


segundo protocolo. Esse processo continua até que um dos protocolos instalados aceite o
quadro ou então todos o tenha rejeitado.

Outra finalidade da especificação NDIS é possibilitar a existência de mais de uma


placa de rede em um mesmo micro. Muitas vezes esse procedimento é necessário para
ligar um mesmo micro a dois segmentos de rede diferentes.

Em princípio, sem o NDIS, com duas placas de rede em um mesmo micro seriam
necessárias duas pilhas de protocolos completas, uma para cada placa de rede (isto é,
seguindo o modelo OSI seriam necessários protocolos completos com sete camadas para
cada placa de rede instalada).

Com o NDIS, um única pilha de protocolos é compartilhada (isto é, as camadas 4, 5,


6 e 7 do modelo OSI) com todas as placas de rede instaladas, já que o que existir acima da
camada vector poderá ser compartilhado por todas as placas de rede.

O ODI (Open Datalink Interface) é um driver com o mesmo objetivo que o NDIS,
criado pela Novell e pela Apple para os seus sistemas operacionais, só que com um
funcionamento um pouco mais complexo e mais completo.

A grande diferença entre o NDIS e o ODI é o uso da camada Controle de Link


Lógico (LLC) que não é usada no NDIS. No NDIS há a camada vector, que possui

TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 21


funcionamento similar, porém funciona de maneira diferente. No modelo ODI essa camada
é chamada Camada de Suporte ao Link (Link Support Layer).

Neste modelo são adicionadas duas interfaces, uma chamada interface para
Múltiplos Protocolos (MPI - Multi Protocol Interface), que faz a interface entre a Camada de
Suporte ao Link e os drivers das placas de rede instaladas. Os drivers da placa de rede
compatíveis com o padrão ODI são chamados MLID ou Multiple Link Interface Driver.

A principal diferença entre o NDIS e o ODI é que, como a camada de Controle do


Link Lógico ou Camada de Suporte ao Link, como chamada no ODI, possui um campo de
endereçamento de protocolos, tanto o transmissor quanto o receptor sabem qual é o
protocolo que está sendo usado no dado que foi encapsulado dentro do quadro.
Com isso, ao receber um quadro, a interface de múltiplos protocolos (MPI) entrega
diretamente os dados para o protocolo responsável.

No NDIS, quando um quadro chega, a camada vector tenta encaminhar o quadro


para cada um dos protocolos instalados, até um deles aceitar (ou todos rejeitarem), já que
não há o campo do endereçamento.

A existência da Interface para Múltiplos Links (MLI) permite a instalação de mais de


uma placa de rede na máquina, tendo as vantagens que já foram explicadas no NDIS, isto
é, as duas placas de rede podem compartilhar os protocolos existentes acima desta
camada.

7 – CONTROLE DE ACESSO À MÍDIA (MAC) e


CSMA/CD
A Ethernet é baseada no modelo OSI e em vista disso o mecanismo de controle de
acesso à mídia – MAC (Media Access Control) pode ser facilmente combinado com
diferentes meios físicos. Os padrões de MAC mais importantes para a Ethernet são o 10
BASE-2 e o 10 BASE-T.

A tecnologia MAC Ethernet denominada Carrier Sense Multiple Access with Collision
Detection ou CSMA/CD trabalha de forma muito similar a conversação humana. O
fluxograma do CSMA/CD é mostrado na figura a seguir:

Fluxograma do CSMA/CD

TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 22


1. Carrier-sense: a estação que precisa transmitir um pacote de informação tem
que se assegurar de que não há outros nós ou estações utilizando o meio físico
compartilhado. Assim, primeiramente a estação “ouve” ou “sente” o canal antes
da transmissão.
2. Se o canal estiver livre por um certo período de tempo denominado IFG
(Interframe Gap), a estação pode iniciar a transmissão.
3. Se o canal estiver ocupado, ele será monitorado continuamente até se tornar
livre por um período de tempo mínimo de IFG. Então a transmissão será iniciada
(nova tentativa).
4. Collision detection: uma colisão pode ocorrer se duas ou mais estações iniciam
a transmissão ao mesmo tempo. Esta colisão destrói os pacotes de dados destas
estações. A Ethernet monitora continuamente o canal durante uma transmissão
para detectar colisões.
5. Se uma estação detecta uma colisão durante a transmissão, esta é
imediatamente interrompida. Um sinal de congestionamento (JAM) 3 é enviado ao
canal para garantir que todas as estações detectem a colisão e rejeitem qualquer
pacote de dados que possam estar recebendo, pois pode haver erros no mesmo.
6. Multiple access: após um período de espera (back-off), uma nova tentativa de
transmissão é feita pelas estações que precisam transmitir. Um algoritmo de
back-off determina um atraso de modo que, diferentes estações tenham que
esperar tempos diferentes antes que uma nova tentativa de transmissão seja
feita novamente.

7.1 - Pacotes de dados nas redes Ethernet

Todos os dados transmitidos através da rede, são divididos em pacotes.

A estação emissora escuta o cabo, transmite um pacote, escuta o cabo novamente,


transmite outro pacote e assim por diante. A estação receptora por sua vez, vai juntando
os pacotes até ter o arquivo completo.

O uso de pacotes evita que uma única estação monopolize a rede por muito tempo,
e torna mais fácil a correção de erros.

Se por acaso um pacote chegar corrompido, devido a interferências no cabo, ou


qualquer outro motivo, será solicitada uma retransmissão do pacote, assim, quanto pior for
a qualidade do cabo e maior for o nível de interferências, mais pacotes chegarão
corrompidos e terão que ser retransmitidos e, consequentemente, pior será o desempenho
da rede.

Os pacotes Ethernet 802.3 são divididos em 7 campos:

Estrutura de frame (campos) Ethernet 802.3

• PREÂMBULO (Preamble):
O preâmbulo é composto de 7 bytes 4 e serve para sincronizar a transmissão dos
dados entre transmissor e receptor.

3
congestionamento; processo ou mecanismo que foi interrompido devido a uma falha;
4
1 byte é uma unidade de informação básica composta de 8 bits
TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 23
• SFD (Start of Frame Delimiter):
Composto por 1 byte, indica que um frame de MAC está prestes a iniciar.

• ENDEREÇO DE DESTINO (Destination Address):


Especifica para onde o frame está sendo enviado

• ENDEREÇO FONTE (Source Address):


Denota o equipamento que inicia a transmissão. Cada nó ou estação tem um
endereço único.

Os três primeiros do endereço são chamados de Bloco ID e identificam o fabricante do


equipamento, sendo estes determinados pelo IEEE. Os outros três são chamados de Device
ID e são determinados pelo fabricante.
Estes são sempre únicos, ou seja não existem por exemplo, teoricamente, placas de
rede com endereços MAC iguais.

• GÊNERO E TAMANHO DO CAMPO (Type/Lenght Field):


Especifica o tipo de campo ou frame.

Se for menor ou igual a 1500 decimal (0x5DC), trata-se de um pacote 802.3 e se for
maior do que 1500 trata-se de um pacote DIX (DEC/Intel/Xerox) Ethernet V2.

Por exemplo, 0x0800 indica que o campo Ethernet contém um pacote IP (Internet
Protocol)

• DADOS (Data Field):


Varia de 46 a 1500 bytes, onde 46 bytes é a mínima condição para o CSMA/CD.

• CRC (Cyclic Redundancy Check) ou Checksum:


Verifica frames ou campos inválidos, de modo a assegurar a confiabilidade da
transmissão.

8 – PROTOCOLOS DE REDE E DE COMUNICAÇÃO


Os protocolos consistem num conjunto de regras que determinam como se procede a
comunicação entre computadores na rede.

Estas regras definem as características da rede, tais como: tipos de cabos,


velocidade de transferência, métodos de acesso ao meio, distribuição das topologias físicas
permitidas na rede.

Os protocolos mais comuns são:

Ethernet

• Fast Ethernet
• LocalTalk
• Token Ring
• FDDI

8.1 - Ethernet

É o protocolo de rede mais usado. Utiliza um método de acesso chamado CSMA/CD


(Carrier Sense Multiple Access with Collision Detection).
TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 24
Este é um sistema onde cada computador "escuta" o cabo antes de enviar algum
dado pela rede, se a rede estiver livre então o computador poderá transmitir.

Caso algum outro computador queira transmitir e o cabo já esteja sendo utilizado,
então este comutador irá esperar até que o cabo fique desocupado e tentar novamente
quando a linha estiver livre.

Se ocorrer o fato em que dois computadores tentem transmitir no mesmo instante


então ocorrerá uma colisão e a rede ficará for por um curtíssimo tempo até que seja
liberado o tráfego para então poder transmitir.

Entretanto o atraso causado pelas colisões e retransmissões é muito curto e


normalmente não faz efeito na velocidade de transmissão na rede. As topologias usadas
para este protocolo são do tipo barramento ou estrela. O tipo de cabeamento é de par
trançado, coaxial ou fibra ótica e a velocidade de transmissão é de 10 Mbps.

8.2 - Fast-Ethernet

É um novo conceito do padrão Ethernet, diferenciando-se pela velocidade de tráfego


na rede que é de 100Mbps. São necessários cabos de fibra ótica ou par trançado categoria
5.

Não há possibilidade de se usar o cabo coaxial devido à sua velocidade de


transmissão que é de no máximo 10Mbps.

Além disto a rede precisa de hubs, placas de rede que suportem a velocidade de
100Mbps.

8.3 - Local Talk

É uma rede desenvolvida pela Apple Computers para computadores Macintosh. O


método de acesso é o CSMA/CA (Carrier Sense Multiple Access with Collision Avoidance).

Semelhante ao CSMA/CD com exceção que o sinal está preparado para transmitir
antes mesmo que seja feita a transmissão, ou seja, a rede é inicialmente pré-alocada em
intervalos de tempo para a transmissão, ao terminar o tempo pré alocado para cada
estação, então outra estação poderá transmitir sem probabilidade de colisão.

Adaptadores de rede e cabos par trançado especiais são usados para conectar uma
série de computadores de um extremo a outro numa porta serial.

O Sistema Operacional Macintosh permite o estabelecimento de uma rede ponto-a-


ponto sem a necessidade de software adicional.

Com a versão Server da AppleShare, uma rede cliente/servidor pode ser feita.

A topologia de rede aplicável a este protocolo pode ser barramento ou estrela


utilizando par trançado. A grande desvantagem deste protocolo é a sua velocidade que é
de somente 230 Kbps.

8.4 - Token Ring

TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 25


Desenvolvido pela IBM em meados de 1980, utiliza-se do método de acesso de
passagem de símbolo ou anel lógico.

Os computadores somente são conectados após o sinal ter passado por todos os
computadores da rede; esta "volta" do sinal forma um anel lógico.

Um sinal elétrico dá as características do anel de um computador para o outro, se


um computador não tem nada a transmitir ele então simplesmente passa o sinal para a
próxima estação.

Quando um computador deseja transmitir uma determinada informação a uma outra


estação qualquer ele então anexa os dados ao sinal juntamente com o endereço da estação
a ser enviada e então a estação que recebeu os dados, absorve-os e envia um sinal de
resposta de recebimento dos dados à estação que o enviou inicialmente, sendo assim, após
a estação ter recebido o sinal de resposta ela reenvia um sinal "limpo" em que outras
estações poderão transmitir normalmente.

Utiliza topologia anel com par trançado ou fibra ótica. Devido à crescente
popularidade do padrão Ethernet, o uso do Token Ring tem diminuído.

8.5 - FDDI

FDDI (Fiber Distributed Data Interface), interconecta duas ou mais redes locais,
frequentemente cobrindo longas distâncias.

O método de acesso envolve a passagem de sinal, usa topologia física de duplo anel.

A transmissão ocorre em um dos anéis, entretanto caso uma parada ou quebra


ocorra, o sistema mantém a informação automaticamente usando porções do segundo anel
para, então criar um anel completo.

A maior vantagem no FDDI está na velocidade. Usa somente fibra ótica com
velocidade de 100Mbps.

PROTOCOLO CABEAMENTO VELOCIDADE TOPOLOGIA


Par trançado,
Barramento ou
ETHERNET cabo coaxial ou 10Mbps
estrela
fibra ótica
Par trançado ou
FAST ETHERNET 100Mbps Estrela
fibra ótica
Barramento ou
LOCAL TALK Par trançado 230Kbps
estrela
Par trançado ou
TOKEN RING 4 – 16Mbps Anel
fibra ótica
FDDI Fibra ótica 100Mbps Duplo anel

8.6 - Camadas da rede (Protocolos de Comunicação)

Uma rede é formada por várias camadas.

Primeiro temos toda a parte física da rede, incluindo os cabos, hubs e placas de
rede.

Ainda na parte física temos a topologia lógica da rede que, como vimos, é
determinada pela própria placa de rede.

TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 26


Em seguida, temos o driver da placa rede que é fornecido pelo fabricante e permite
que o sistema operacional possa acessar a placa de rede, atendendo às solicitações do
protocolo de rede, o sistema operacional de rede e finalmente os programas.

A primeira camada é física (hardware), e as demais são lógicas (software).

Camadas de uma rede

Atualmente são usados basicamente 4 protocolos de rede, especificamente para a


comunicação de dados, incluindo a transmissão e recepção: o NetBEUI, o IPX/SPX, o DLC
e o TCP/IP. Cada um com suas características próprias.

Um protocolo é um conjunto de regras que definem como os dados serão


transmitidos; como será feito o controle de erros e retransmissão de dados; como os
computadores serão endereçados dentro da rede etc.

Um micro com o protocolo NetBEUI instalado, por exemplo, só será capaz de se


comunicar através da rede com outros micros que também tenham o protocolo NetBEUI.

É possível que um mesmo micro tenha instalado vários protocolos diferentes,


tornando-se assim um “poliglota”.

Graças aos protocolos, também é possível que computadores rodando diferentes


sistemas operacionais de rede, ou mesmo computadores de arquiteturas diferentes se
comuniquem, basta apenas que todos tenham um protocolo em comum.

8.7 - NetBEUI

O NetBEUI é uma espécie de “vovô protocolo”, pois foi lançado pela IBM no início da
década de 80 para ser usado junto com o IBM PC Network, um micro com configuração
semelhante à do PC XT, mas que podia ser ligado em rede. Naquela época, o protocolo
possuía bem menos recursos e era chamado de NetBIOS.

O nome NetBEUI passou a ser usado quando a IBM estendeu os recursos do


NetBIOS, formando o protocolo complexo que é usado atualmente.

No jargão técnico atual, usamos o termo “NetBEUI” quando nos referimos ao


protocolo de rede em si e o termo “NetBIOS” quando queremos nos referir aos comandos
deste mesmo protocolo usado pelos programas para acessar a rede.

Ao contrário do IPX/SPX e do TPC/IP, o NetBEUI foi concebido para ser usado apenas
em pequenas redes, e por isso acabou tornando-se um protocolo extremamente simples.

TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 27


Por um lado, isto fez que ele se tornasse bastante ágil e rápido e fosse considerado o
mais rápido protocolo de rede durante muito tempo. Para você ter uma idéia, apenas as
versões mais recentes do IPX/SPX e TCP/IP conseguiram superar o NetBEUI em velocidade.
Mas, esta simplicidade toda tem um custo: devido ao método simples de
endereçamento usado pelo NetBEUI, podemos usa-lo em redes de no máximo 255 micros.

Além disso, o NetBEUI não suporta enumeração de redes (para ele todos os micros
estão ligados na mesma rede).

Isto significa, que se você tiver uma grande Intranet, composta por várias redes
interligadas por roteadores, os micros que usarem o NetBEUI simplesmente não serão
capazes de enxergar micros conectados às outras redes, mas apenas os micros a que
estiverem conectados diretamente. Devido a esta limitação, dizemos que o NetBEUI é um
protocolo “não roteável”

Apesar de suas limitações, o NetBEUI ainda é bastante usado em redes pequenas,


por ser fácil de instalar e usar, e ser razoavelmente rápido. Porém, para redes maiores e
Intranets de qualquer tamanho, o uso do TCP/IP é muito mais recomendável.

8.8 - IPX/SPX

Este protocolo foi desenvolvido pela Novell, para ser usado em seu Novell Netware.

Como o Netware acabou tornando-se muito popular, outros sistemas operacionais de


rede, incluindo o Windows passaram a suportar este protocolo. O IPX/SPX é tão rápido
quanto o TPC/IP (apesar de não ser tão versátil) e suporta roteamento, o que permite seu
uso em redes médias e grandes.

Apesar do Netware suportar o uso de outros protocolos, incluindo o TPC/IP, o


IPX/SPX é seu protocolo preferido e o mais fácil de usar e configurar dentro de redes
Novell.

Você já deve ter ouvido muito a respeito do Netware, que é o sistema operacional de
rede cliente - servidor mais utilizado atualmente.

Além do módulo principal, que é instalado no servidor, é fornecido um módulo


cliente, que deve ser instalado em todas as estações de trabalho, para que elas ganhem
acesso ao servidor.

Além da versão principal do Netware, existe a versão Personal, que é um sistema de


rede ponto a ponto, que novamente roda sobre o sistema operacional.

Esta versão do Netware é bem fácil de usar, porém não é muito popular, pois o
Windows sozinho já permite a criação de redes ponto a ponto muito facilmente.

8.9 - DLC

O DLC é um protocolo usado por muitas instalações Token Ring para permitir a
comunicação de PCs com nós de interconexão de mainframe.

Alguns modelos antigos de JetDirects da HP, assim como alguns poucos modelos de
impressoras de rede também só podem ser acessados usando este protocolo.

Apesar de ser necessário instala-lo apenas nestes dois casos, o Windows oferece
suporte ao DLC, bastando instala-lo junto com o protocolo principal da rede.
TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 28
8.10 - TCP/IP

Uma das principais prioridades dentro de uma força militar é a comunicação.

No final da década de 60, esta era uma grande preocupação do DOD, Departamento
de Defesa do Exército Americano: como interligar computadores de arquiteturas
completamente diferentes, e que ainda por cima estavam muito distantes um do outro, ou
mesmo em alto mar, dentro de um porta aviões ou submarino?

Após alguns anos de pesquisa, surgiu o TCP/IP, abreviação de “Transmission Control


Protocol/Internet Protocol” ou Protocolo de Controle de Transmissão/Protocolo Internet.

O TPC/IP permitiu que as várias pequenas redes de computadores do exército


americano fossem interligadas, formando uma grande rede, embrião do que hoje
conhecemos como Internet.
O segredo do TCP/IP é dividir a grande rede em pequenas redes independentes,
interligadas por roteadores.

Como apesar de poderem comunicar-se entre si, uma rede é independente da outra;
caso uma das redes parasse, apenas aquele segmento ficaria fora do ar, não afetando a
rede como um todo.

No caso do DOD, este era um recurso fundamental, pois durante uma guerra ou
durante um ataque nuclear, vários dos segmentos da rede seriam destruídos, junto com
suas respectivas bases, navios, submarinos, etc., e era crucial que o que sobrasse da rede
continuasse no ar, permitindo ao comando coordenar um contra ataque.

Mesmo atualmente este recurso continua sendo fundamental na Internet, se por


exemplo, o servidor do Yahoo cair, apenas ele ficará inacessível.

Apesar de inicialmente o uso do TPC/IP ter sido restrito a aplicações militares, com o
passar do tempo acabou tornando-se de domínio público, o que permitiu aos fabricantes de
software adicionar suporte ao TCP/IP aos seus sistemas operacionais de rede.

Atualmente, o TPC/IP é suportado por todos os principais sistemas operacionais, não


apenas os destinados a PCs, mas a todas as arquiteturas, inclusive mainframes,
minicomputadores e até mesmo celulares e handhelds.

Qualquer sistema com um mínimo de poder de processamento, pode conectar-se à


Internet, desde que alguém crie para ele um protocolo compatível com o TCP/IP e
aplicativos www, correio eletrônico etc.

Alguns exemplos de sistemas operacionais que suportam o TCP/IP são: o MS-DOS,


Windows 3.11, Windows 95/98/NT/2000/XP, Netware, MacOS, OS/2, Linux, Solaris, a
maioria das versões do Unix, BeOS e vários outros.

Voltando à história da Internet, pouco depois de conseguir interligar seus


computadores com sucesso, o DOD interligou alguns de seus computadores às redes de
algumas universidades e centros de pesquisa, formando uma inter-rede, ou Internet.

Logo a seguir, no início dos anos 80, a NFS (National Science Foundation) dos EUA,
construiu uma rede de fibra ótica de alta velocidade, conectando centros de
supercomputação localizados em pontos chave nos EUA e interligando-os também à rede
do DOD.
TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 29
Essa rede da NSF, teve um papel fundamental no desenvolvimento da Internet, por
reduzir substancialmente o custo da comunicação de dados para as redes de computadores
existentes, que foram amplamente estimuladas a conectar-se ao backbone 5 da NSF, e
consequentemente, à Internet.

A partir de abril de 1995, o controle do backbone (que já havia se tornado muito


maior, abrangendo quase todo o mundo através de cabos submarinos e satélites) foi
passado para o controle privado.

Além do uso acadêmico, o interesse comercial pela Internet impulsionou seu


crescimento, chegando ao que temos hoje.

9 – EQUIPAMENTOS PARA REDES E APLICAÇÕES


9.1 - REPETIDORES

São dispositivos normalmente de baixo custo, que servem para aumentar a distância
entre dois pontos, de maneira a preservar a integridade da informação que passa por eles.

Quando se deseja aumentar a distância dos segmentos de redes locais (LANs),


utiliza-se repetidor regenerativo. Um repetidor regenerativo é como o próprio nome diz, um
dispositivo para regenerar sinais caso estes sofram atenuações.

Os repetidores são transparentes para os demais dispositivos da rede e problemas


devidos ao overhead 6 bem como o jitter 7 podem ocorrer.

Por isso, a adição de repetidores em um sistema deve obedecer critérios; os


repetidores trabalham apenas na camada física do modelo OSI.
A figura a seguir representa um usuário (1) comunicando-se com outro usuário (2)
por meio de um repetidor regenerativo, em relação ao modelo OSI.

Repetidores e o modelo OSI


Outros dispositivos que operam em redes na camada física do modelo OSI são os
MODEMs limitados em distância – LDM (Limited Distance Modem) as Unidades de Serviço
de Canal (CSU – Channel Service Unite) e as Unidades de Serviço de Dados (DSU – Data
Service Unit).

Os LDMs também denominados drivers de linha são utilizados para aumentar a


distância de circuitos físicos, ou seja, os LDMs são MODEMs que operam como repetidores.

5
Backbone - infra-estrutura fisica central da Internet, redes principais que conectam redes menores à Internet
6
Overhead - perda de dados por excesso de repetição
7
Jitter - rápida variação de um sinal devido a perturbações elétricas
TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 30
9.2 - HUBs

Os hubs ou concentradores são dispositivos que conectam vários segmentos de rede


local, estações de trabalho e servidores ao meio físico.

A aplicação mais simples e comum dos hubs é a conexão de várias estações de


trabalho, dotadas de placas de rede compatíveis com o mesmo meio físico dos hubs.

Esse meio físico é geralmente composto de cabos de pares trançados (UTP), embora
alguns tenham interfaces para outras mídias.

A quantidade de estações de trabalho que podem ser conectados ao hub depende da


quantidade de portas do mesmo (em geral de 8 a 48 portas).

No entanto a conexão de muitas estações de trabalho a um hub e a conexão deste a


um segmento de rede simples, pode resultar em muitas colisões com prejuízo na
transmissão de dados.

A figura a seguir mostra uma aplicação típica dos hubs, com segmentação de rede,
concentrada em um painel de distribuição (Patch Panel).

Aplicação típica dos HUBs

Observe na figura mostrada anteriormente (aplicação típica dos hubs) que os hubs
estão empilhados.

Estes hubs são denominados hubs “stackable” (empilháveis) e são os mais utilizados
em redes locais.

Desta forma, uma rede pode começar com um número pequeno de estações e, para
acompanhar o crescimento da rede, coloca-se um em cima do outro, formando assim uma
pilha.

Quando os hubs são empilhados eles são interligados por uma interface stack
específica, de modo que todas as suas portas continuem disponíveis para os usuários da
rede.

Além disso, em redes com hubs stackable gerenciáveis, apenas um hub da pilha
precisa ser o agente de gerenciamento SNMP (Simple Network Management Protocol –

TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 31


Protocolo de Administração Simples da Rede) que, por meio deste todos os demais hubs da
pilha passam a ser gerenciáveis.

Assim, podemos dizer que uma pilha de 5 hubs com 16 portas ligados na
configuração stack, com apenas um deles com o agente SNMP, se comporta como um
único hub gerenciável de 80 portas.

A quantidade de hubs que podem ser empilhados para formar uma única rede lógica,
depende de cada fabricante.

No entanto, pilhas muito grandes de hubs em um único segmento de rede não é


muito interessante, pois apenas uma estação de trabalho pode acessar o meio físico
(CSMA/CD) e isto, devido ao congestionamento, pode prejudicar o funcionamento da rede.

Alguns fabricantes já estão disponibilizando hubs inteligentes, que oferecem a


possibilidade de criação de multi-segmentos de rede dentro de uma única pilha de hubs, ou
seja, hubs individuais podem ser agrupados em um número de segmentos em função da
especificação do fabricante.

Este artifício permite a melhora do desempenho da rede, principalmente em virtude


da drástica redução do congestionamento.

A figura a seguir, mostra 3 hubs ligados em cascata.

Hubs ligados em cascata (visto por trás)

GERAÇÕES DE HUBs:
A primeira geração de hubs Ethernet apareceu por volta de 1.984. Estes hubs eram
do tipo coaxial e eram utilizados para conectar vários segmentos de rede local, conforme
ilustra a figura a seguir.

TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 32


Uso típico do hub coaxial 10 BASE-T

Nesta configuração, o hub está sendo utilizado simplesmente como repetidor.

Os hubs são usualmente empregados na topologia estrela, ocupando sempre o


centro de uma rede local, com os dispositivos desta conectados diretamente a eles.

A segunda geração de hubs para redes locais apareceu com a mesma arquitetura da
primeira, porém com algumas facilidades de gerenciamento local e remoto dos segmentos
de rede a ele conectados, além de permitir a interligação de arquiteturas diferentes de
redes locais, como a Ethernet e Token Ring.

A terceira geração de hubs é a dos hubs inteligentes. Estes hubs, além dos recursos
dos da segunda geração, oferecem também as funções de ponte (bridge 8). Os hubs
inteligentes são gerenciáveis por meio de um agente SNMP (Simple Network Management
Protocol).

A quarta geração de hubs é a dos switch-hubs.


Esses hubs são também denominados switches 9, oferecendo todas as vantagens das
gerações anteriores, incluindo switching 10 em nível de MAC, funções de pontes
transparentes e interfaces com a WAN.

9.3 - SWITCHES

Os switches são divididos em quatro classes:

• Workgroup switch
• Enterprise switch
• Backbone switch
• Edge switch

8
Bridge – dispositivo que coordena o tráfego de dados entre os segmentos de uma rede; estes segmentos deverão ter um
endereço de rede em comum
9
Switch – dispositivo que abre ou fecha circuitos e seleciona caminhos
10
Switching – ação de comutação
TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 33
Os workgroups switches e os enterprise switches são os mais utilizados em
ambientes de redes locais.

Os workgroups switches em uma LAN isolam grupos específicos de usuários dentro


de uma LAN, com um servidor próprio além daqueles que são utilizados por toda a rede.

A figura a seguir ilustra uma aplicação do workgroup switch, onde se observa que
em uma das redes existe um servidor próprio.

Workgroup switch

Observa-se na figura acima que o switch está sendo usado também para segmentar
a rede, pois mais de um servidor está sendo utilizado pela mesma.

Não é aconselhável utilizar switches para a função exclusiva de segmentação, pois


todas as estações de trabalho de todos os hubs conectados ao switch estarão concorrendo
a um segmento único de rede para acessar o servidor.

A figura a seguir mostra uma forma de ligação do switch com a finalidade exclusiva
de segmentação da rede.

Esse arranjo não é recomendável, pois com toda a rede operando a uma velocidade
única, por exemplo 10Mbps, um gargalo se formará no segmento que conecta o switch ao
servidor.

O único benefício que essa configuração poderá trazer é se o segmento que interliga
o servidor ao switch operar a uma velocidade maior do que a da rede, que está sendo
segmentada.

TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 34


Segmentação de rede com switch (1)

A arranjo mostrado na figura acima (1) não é recomendável devido ao gargalo que
se formará no segmento que interliga o servidor ao switch, pois a velocidade desse
segmento é igual da rede toda.

Segmentação de rede com switch (2)

O arranjo mostrado na figura anterior (segmentação de rede com switch - 2) é mais


vantajoso uma vez que o link de alta velocidade entre o servidor e o switch (100Mbps)
proporcionará a diminuição do gargalo entre eles.

Embora esta aplicação dos switches seja muito comum na prática, deve-se salientar
que, a melhor maneira de segmentar uma rede com um único servidor é a adição de placas
de rede a este.

TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 35


A figura a seguir mostra uma aplicação típica de um switch em uma LAN, onde as
portas do switch que conectam os servidores podem operar tanto na mesma velocidade da
rede, como numa velocidade superior.

Aplicação típica do switch em uma LAN

DIFERENÇA BÁSICA ENTRE SWITCHES E HUBs:

O hub comporta-se como um repetidor, ou seja, a informação contida em uma porta


qualquer do hub é repetida para todas as portas do mesmo.

O switch é um hub com endereçamento de portas.

Em cada porta do switch há um endereço único, desta forma, a informação


endereçada a uma das portas do switch estará presente somente nessa porta, deixando as
demais livres para tratamento dos dispositivos a ela conectados.

No caso de uma rede com mais de um servidor (conforme ilustra a figura acima), o
desempenho da rede é melhorado, pois cada servidor será conectado a uma porta
específica do switch, assim como os hubs, podendo ser acessados simultaneamente pelas
estações de trabalho.

UTILIZAÇÃO DOS SWITCHES:

a) Workgroup switches: conforme visto anteriormente esses switches são utilizados


em uma LAN para isolar grupos específicos de usuários, por exemplo, usuários da rede A,
rede B, etc.

b) Enterprise switches: interligam os workgroups switches, em outras palavras,


conectam vários departamentos ou grupos de usuários.

c) Edge switches: são utilizados como acesso a serviços públicos de dados


d) Backbone switches: atuam como dispositivos de interligação de alta velocidade
para os edge switches.

TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 36


Os switches são dispositivos orientados à conexão. As interfaces entre usuário e
switch são referenciadas como UNI (User to Network Interface) e as conexões entre os
switches são feitas por um protocolo “interswitch”.

As redes são interligadas entre switches por meio de uma interface denominada NNI
(Network to Network Interface).

A figura a seguir mostra um diagrama das classes de switches. Observe que existe
uma interligação entre uma rede privada e uma rede pública.

Classes de switches

A figura a seguir mostra um switch workgroup de 8 portas, 10/100.

A figura a seguir mostra um hub/switch de uso geral, com 24 portas.

9.4 - PONTES (BRIDGES)


Supondo que em uma empresa existam duas redes; uma rede Ethernet, e outra rede
Token Ring.

Apesar das duas redes possuírem arquiteturas diferentes e incompatíveis entre si, é
possível instalar nos PCs de ambas um protocolo comum, como o TCP/IP por exemplo.

TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 37


Com todos os micros de ambas as redes falando a mesma língua, resta apenas
quebrar a barreira física das arquiteturas de rede diferentes, para que todos possam se
comunicar.

É justamente isso que um bridge faz. É possível interligar todo o tipo de redes
usando bridges, mesmo que os micros sejam de arquiteturas diferentes, Macintosh de um
lado e PC do outro, por exemplo, contanto que todos os micros a serem conectados
utilizem um protocolo comum.

Antigamente este era um dilema difícil, mas atualmente isto pode ser resolvido
usando o TCP/IP.

FUNCIONAMENTO:

Imagine duas redes, uma Ethernet e outra Token Ring, interligadas por um bridge.

O bridge ficará entre as duas, escutando qualquer transmissão de dados que seja
feita em qualquer uma das duas redes.

Se um micro da rede A transmitir algo para outro micro da rede A, o bridge ao ler os
endereços de fonte e destino no pacote, perceberá que o pacote se destina ao mesmo
segmento da rede e simplesmente ignorará a transmissão, deixando que ela chegue ao
destinatário através dos meios normais.

Se, porém, um micro da rede A transmitir algo para o micro da rede B, o bridge
detectará ao ler o pacote que o endereço destino pertence ao outro segmento, e
encaminhará o pacote.

Portanto uma característica importante de um bridge é a sua habilidade de filtrar


dados.

Existem basicamente quatro tipos de bridges:

1) bridge transparente
2) bridge de translação ou conversão de mídia
3) bridge de encapsulamento
4) bridge de roteamento

A figura a seguir mostra um bridge conectando duas redes (Ethernet e Token Ring).

Interligação Ethernet/Token Ring

TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 38


A figura a seguir ilustra os bridges em relação ao modelo OSI. Os bridges conectam
dispositivos utilizando camadas física e de link de dados.

As pontes (bridges) em relação ao modelo OSI

No caso de uma rede muito grande, que esteja tornando-se lenta devido ao tráfego
intenso, poderá ser utilizado um bridge para dividir a rede em duas, dividindo o tráfego
pela metade.

Existem também alguns bridges mais simples (e mais baratos) que não são capazes
de distinguir se um pacote se destina ou não ao outro lado da rede.

Eles simplesmente encaminham tudo, aumentando desnecessariamente o tráfego na


rede.

Estes bridges, que são chamados de bridges de encaminhamento, servem para


conectar redes diferentes, mas não para diminuir o tráfego de dados. A função de bridge
também pode ser executada por um PC com duas placas de rede, corretamente
configuradas.

9.5 - ROTEADORES (ROUTERS)

Os roteadores são dispositivos destinados a interconectar LANs com WANs e MANs.

São largamente utilizados quando há necessidade de interligação de redes com


protocolos diferentes.

Assim, os roteadores suportam vários dispositivos de redes locais podendo empregar


uma grande variedade de protocolos entre redes e esquemas de endereçamento.

Os roteadores são providos de inteligência para entender uma rede inteira, de tal
forma a rotear as informações baseadas em vários fatores, proporcionando a essas
informações e melhor caminho para atingir seu destino.

Por esse motivo os roteadores são largamente empregados na Internet.

Os roteadores operam nas camadas “física”, “link de dados” e “rede” do modelo OSI.

No entanto, a funcionalidade principal dos roteadores está na camada “link de


dados”.

TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 39


Roteadores em relação ao modelo OSI

A figura a seguir mostra um roteador sem fio.

Os roteadores não precisam suportar o mesmo protocolo de rede local ou protocolos


até a camada 3, no entanto, precisam utilizar o mesmo protocolo deste a camada quatro
até a camada sete do modelo OSI.

Os roteadores utilizam seus próprios protocolos entre redes, e por isso retém
inteligência artificial que nada mais é do que o conhecimento dinâmico da rede inteira,
podendo com isso identificar topologias.

Com isso, cria tabelas dinâmicas de modo a oferecer um roteamento que pode
limitar o número de contagem de hops 11; daí sua grande utilidade na Internet.

11
Hops – (Internet) um dos muitos nós de uma rede de computadores nos quais uma mensagem é transferida de um ponto para
outro; cada vez que um dado é transmitido de um roteador para outro forma-se um hop.
TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 40
Roteadores e hops

A figura acima ilustra um processo de roteamento entre seis redes, onde se observa
que os dados da estação 1 para a estação 6, passam por três roteadores, formando assim
3 hops.
A Internet é na verdade uma rede gigantesca, formada por várias sub-redes
interligadas por roteadores.
Todos os usuários de um pequeno provedor, por exemplo, podem ser conectados à
Internet por meio do mesmo roteador.

Para baixar uma página do Google por exemplo, o sinal deverá passar por vários
roteadores, várias dezenas em alguns casos.

Se todos estiverem livres, a página será carregada rapidamente. Porém, se alguns


estiverem congestionados pode ser que a página demore vários segundos, ou mesmo
minutos antes de começar a carregar.

O tempo que um pedido de conexão demora para ir até o servidor destino e ser
respondido é chamado de “Ping”. Você pode medir os pings de vários servidores diferentes
usando o prompt do MS-DOS.

Estando conectado à Internet basta digitar:

ping endereço de destino

Exemplo: ping [Link] ou ping [Link]

Outra ferramenta útil tanto para medir o tempo de resposta de um servidor


qualquer, quanto para verificar por quantos e quais roteadores o sinal está passando até
chegar lá é o NeoTrace Pro 3.25.

CONCLUSÃO:

Os bridges servem para conectar dois segmentos de rede distintos, transformando-


os numa única rede.

Os roteadores por sua vez, servem para interligar duas redes separadas.

A diferença é que usando roteadores, é possível interligar um número enorme de


redes diferentes, mesmo que situadas em países ou mesmo continentes diferentes.

Cada rede possui seu próprio roteador e os vários roteadores são interligados entre
si.

Os roteadores são mais espertos que os bridges, pois não lêem todos os pacotes que
são transmitidos através da rede, mas apenas os pacotes que precisam ser roteados, ou
seja, que se destinam à outra rede.

Por este motivo, não basta que todos os micros usem o mesmo protocolo, é preciso
que o protocolo seja roteável.

Apenas o TCP/IP e o IPX/SPX são roteáveis, ou seja, permitem que os pacotes sejam
endereçados à outra rede. Portanto, não é possível utilizar o protocolo NetBEUI nos
roteadores.

TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 41


9.6 - PLACAS DE REDE (NIC – Network Interface Card)

Para que o microcomputador possa ser conectado ao meio físico, para ter acesso a
todos os recursos da rede (servidor de arquivos, estações de trabalho) é necessário que o
mesmo seja interfaceado com o meio.

Para isso utilizam-se placas de rede que são instaladas em um slot interno de cada
micro que compõe a rede, fazendo com que ele se torne uma estação de trabalho da
mesma.

Quanto à taxa de transmissão, temos placas Ethernet de 10 e 100Mbps placas


Token Ring de 4 e 16Mbps.

Como vimos anteriormente, devemos utilizar cabos adequados à velocidade da placa


de rede. Usando placas Ethernet de 10Mbps por exemplo, devemos utilizar cabos de par
trançado de categoria 3 ou 5, ou então cabos coaxiais.

Usando uma placas de 100Mbps o requisito mínimo é a utilização de cabos de par


trançado (UTP) categoria 5.

No caso de redes Token Ring, os requisitos são cabos de par trançado, por exemplo,
categoria 3.

Devido às exigência de uma topologia em estrela das redes Token Ring, nenhuma
placa de rede Token Ring suporta o uso de cabos coaxiais.

Cabos diferentes exigem encaixes diferentes na placa de rede. O mais comum em


placas Ethernet, é a existência de dois encaixes, uma para cabos de par trançado e outro
para cabos coaxiais.

Muitas placas mais antigas, também trazem encaixes para cabos coaxiais do tipo
grosso (10Base5), conector com um encaixe bastante parecido com o conector para
joysticks da placa de som.

Placas que trazem encaixes para mais de um tipo de cabo são chamadas placas
combo. A existência de 2 ou 3 conectores serve apenas para assegurar a compatibilidade
da placa com vários cabos de rede diferentes. Naturalmente, somente um conector poderá
ser usado de cada vez.

As placas de rede que suportam cabos de fibra óptica, são uma exceção, pois
possuem encaixes apenas para cabos de fibra. Estas placas também são bem mais caras,
de 5 a 8 vezes mais do que as placas convencionais por causa do CODEC, o circuito que
converte os impulsos elétricos recebidos em luz e vice-versa que ainda é extremamente
caro.

Finalmente, as placas de rede diferenciam-se pelo barramento utilizado. Atualmente


podem ser encontradas no mercado placas de rede ISA e PCI usadas em computadores de
mesa e placas PCMCIA, usadas em notebooks e handhelds.

Existem também placas de rede USB que vem sendo cada vez mais utilizadas,
apesar de ainda serem bastante raras devido ao preço salgado.

Naturalmente, caso o PC possua slots PCI, é recomendável comprar placas de rede


PCI pois além de praticamente todas as placas PCI suportarem transmissão de dados a

TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 42


100Mbps (todas as placas de rede ISA estão limitadas a 10Mbps devido à baixa velocidade
permitida por este barramento), as mesmas poderão ser usadas muito mais tempo, já que
o barramento ISA vem sendo cada vez menos usado em placas mãe mais modernas e deve
gradualmente desaparecer futuramente das placas mães.

Placa de rede Ethernet PCI

Placa de rede Ethernet ISA

Placa de rede PCMCIA

O microcomputador e a placa de rede podem trocar informações pelo bus de dados


deste por meio de algumas técnicas diferentes.

TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 43


a) I/O 12 programada: o processador da placa de rede controla uma quantidade
compartilhada de memória e se comunica com o processador do computador por meio de
I/O.

Nesta técnica os dados são transferidos para o mesmo bloco de memória, gravando
e lendo os dados ou informações com rapidez. Esta técnica usa menos memórias que
outras técnicas.

b) DMA (Direct Access Memory) ou acesso direto à memória, para que a sinalização
entre a placa e o computador fosse executada.

Esta técnica praticamente não é mais usada, levando-se em conta a evolução


tecnológica dos hardwares para essa finalidade.

c) Técnica de memória compartilhada: com o objetivo de melhorar as técnicas


anteriores. Uma placa de rede que opera de acordo com esta técnica possui uma área de
memória que pode ser acessada pelo processador do computador diretamente, em alta
velocidade e sem estados de espera (interrupção).

d) Controle de bus: uma técnica largamente utilizada em computadores com


barramento EISA (Extended Industry Standard Architecture) ou ISA, em que a placa de
rede envia e recebe dados para a memória do computador sem interromper a atividade do
processador..

As placas de rede que operam com essa técnica assumem o bus de dados do
computador e colocam as informações diretamente na região de memória RAM do
computador enquanto que, o processados continua operando.

Em se falando de recursos do sistema, todas as placas de rede são parecidas:


precisam de um endereço de IRQ, um canal de DMA e um endereço de I/O, que devem ser
configurados corretamente.

O canal de IRQ é necessário para que a placa de rede possa chamar o processador
quando tiver dados a entregar.

O canal de DMA é usado para transferir os dados diretamente à memória,


diminuindo a carga sobre o processador. Finalmente, o endereço de I/O informa ao sistema
onde estão as informações que devem ser movidas.

Ao contrário dos endereços de IRQ e DMA que são escassos, existem muitos
endereços de I/O e por isso a possibilidade de conflitos é bem menor, especialmente no
caso de placas PnP.

De qualquer forma, mudar o endereço de I/O usado pela placa de rede (isso pode
ser feito através do gerenciador de dispositivos do Windows, por exemplo) é uma coisa a
ser tentada caso a placa de rede misteriosamente não funcione, mesmo não havendo
conflitos de IRQ e DMA.
Todas as placas de rede atuais são PnP, tendo seus endereços configurados
automaticamente pelo sistema. Placas mais antigas por sua vez, trazem jumpers ou dip-
switches que permitem configurar os endereços a serem usados pela placa.
Existem também casos de placas de rede que são configuráveis via software, sendo
sua configuração feita através de um programa fornecido junto com a placa.

12
I/O - input/output (dispositivo de entrada e saída num memo barramento)
TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 44
Para que as placas possam “se encontrar” dentro da rede, cada placa possui também
um endereço de nó.
Este endereço de 48 bits é único e estabelecido durante o processo de fabricação da
placa, sendo inalterável.

O endereço físico é relacionado com o endereço lógico do micro na rede.

Se por exemplo na sua rede existe um outro micro chamado “Micro B”, e o “Micro A”
precisa transmitir dados para ele, o sistema operacional de rede ordenará à placa de rede
que transmita os dados ao “Micro B”, porém, a placa usará o endereço de nó e não o
endereço de fantasia “Micro B” como endereço.

Os dados trafegarão através da rede e será acessível a todas as os micros, porém,


apenas a placa do “Micro B” lerá os dados, pois apenas ela terá o endereço de nó indicado
no pacote.
Sempre existe a possibilidade de alterar o endereço de nó de uma placa de rede,
substituindo o chip onde ele é gravado.

Este recurso é usado algumas vezes para fazer espionagem, já que o endereço de nó
da rede poderá ser alterado para o endereço de nó de outra placa da rede, fazendo com
que a placa clonada, instalada no micro do espião também receba todos os dados
endereçados ao outro micro.

10 – ENDEREÇAMENTO IP
Cada host (qualquer dispositivo que possui placa de rede) é identificado por um
endereço IP lógico.

O endereço IP pertence à camada de rede no modelo OSI e não tem nenhuma


dependência com a camada de enlace (como o endereço de acesso à mídia de um
adaptador, por exemplo).

Um único endereço IP é requerido para cada host ou qualquer outro componente de


rede que se comunica usando TCP/IP.

O endereço IP identifica a localização de um host na rede do mesmo modo que o


endereço de uma rua identifica uma casa na cidade.

Como um endereço de uma casa deve identificar uma única residência um endereço
IP deve ser globalmente único e ter um formato uniforme.

O endereço IP é composto de um número de quatro bytes, separados por três


pontos como: [Link] ou algo similar.

Composição de um endereço IP (32 bits no total)

TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 45


Endereçamento IP

A figura acima representa um exemplo de endereçamento entre quatro estações de


trabalho e o servidor.

Observa-se na figura acima que todos os componentes tem a mesma identificação


de rede, por pertencerem ao mesmo meio físico.

A identificação de rede (também conhecida como endereço de rede) identifica os


sistemas que estão localizados no mesmo segmento físico de rede na abrangência de
roteadores IPs.

Todos os sistemas na mesma rede física devem ter a mesma identificação de rede. A
identificação de rede deve ser única na rede.

A identificação de host (também conhecido como endereço de host) identifica uma


estação de trabalho, servidor, roteador, ou outro host TCP/IP dentro de uma rede.

O endereço para cada host deve ser único para a identificação de rede.

Observações: A identificação de rede faz referência para qualquer endereço IP na rede,


seja baseada em classes, sub-redes ou uma super-rede.
Um endereço IP consiste em 32 bits. Ao invés de trabalhar com 32 bits por vez, é comum
na pratica de segmentar os 32 bits de um endereço IP em quatro campos de 8 bits
chamados de octetos. Cada octeto é convertido em um número de base decimal na escala
de 0-255 e separados por um ponto. Este formato é chamado notação decimal pontuada.

10.1 - CLASSES DE ENDEREÇOS

Apesar de parecer simples, a implementação do endereçamento TCP/IP é um pouco


mais complicada, pois existem regras para a formação dos endereçamentos, que são
divididas em classes de endereçamento: A, B, C, D e E.

A comunidade Internet definiu originalmente nestas 5 classes de endereços para


acomodar as redes de tamanhos variados.

TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 46


A classe de um endereço define quantos bits estão sendo usados para identificação
de rede e quantos para identificação do host, definindo também, o possível número de
redes e hosts por rede.

Classe A

Endereços classe A são atribuídos a redes com um vasto número de hosts. O bit de
maior grau em uma classe A é sempre zero.

Os próximos 7 bits (preenchendo o primeiro octeto) completam a identificação de


rede. Os 24 bits restantes (os últimos 3 octetos) representam a identificação do host.

Endereço IP classe A
Um endereço classe A permite 128 redes e 16.777.214 hosts por rede.

27 = 128 (redes)
24
(2 – 2) = 16.777.214 (hosts)

O endereço classe A 127.x.x.x está reservado para testes de loopback e para


processos de comunicação interna no computador local, portanto, a identificação da rede
não pode começar com 127 pois, o número 127 em uma classe A está reservado para
funções internas e loopback.

Levando-se em consideração que uma rede não pode começar também com 0
(zero), então para classe A temos valores compreendidos entre 1 e 126.

Classe B

Endereços classe B são atribuídos a redes com um número médio de hosts.


Os dois bits de maior grau em classe B são os valores binário 10.

Endereço IP classe B

Os 2 bits de maior grau em uma classe B são sempre os valores binários 10. Os
próximos 14 bits (preenchendo o primeiro e o segundo octeto) completam a identificação
de rede.

Os 16 bits restantes (os últimos 2 octetos) representam a identificação do host.

TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 47


Assim, um endereço classe B permite 16.384 redes e 65.534 hosts por rede, que
compreendem valores entre 128 e 191.

214 = 16.384 (redes)


16
(2 – 2) = 65.534 (hosts)

Classe C

Endereços classe C são atribuídos a pequenas redes.

Os 3 bits de maior grau em uma classe C são sempre os valores binários 110. Os
próximos 21 bits (preenchendo os 3 primeiros octetos) completam a identificação de rede.
Os oito bits restantes (o último octeto) representam a identificação do host.
Um endereço classe C permite 2.097.152 redes e 254 hosts por rede, que
compreendem valores entre 192 e 223.

221 = 2.097.172 (redes)


(28 – 2) = 254 (hosts)

Endereço IP classe C

Observações:
 Não podem existir dois computadores com o mesmo endereço IP na rede, especialmente
se os computadores estiverem remotamente interligados, como no caso da Internet.
 Um host não pode ser representado apenas por valores 0 ou 255.

Classe D

A classe D representa os endereços IP cujo primeiro número é igual ou superior a


224, e está reservado para criar agrupamentos de computadores para o uso de Multicast 13.

O sistema Multicast permite que um grupo de computadores utilize um ou mais


endereços para enviar dados somente para aqueles que estejam configurados para receber
por este endereço.

Não podemos utilizar esta faixa de endereços para endereçar os computadores na


rede TCP/IP.

Classe E
A classe E é um endereço reservado e utilizado para testes e novas implementações
e controles do TCP/IP. São endereços IP com valores iniciais acima de [Link]. Da
mesma forma, não podemos utilizar esta faixa de endereços para endereçar os
computadores na rede TCP/IP.

13
Multicast - transmissão múltipla (transmissão simultânea para várias estações de trabalho); multicasting (multidifusão);
transmissão para um número de receptores ou nós, com um endereço em cada mensagem para indicar o nó desejado.
TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 48
RESUMO

REDES HOSTS
CLASSE ABRANGÊNCIA
DISPONÍVEIS DISPONÍVEIS
A 1 – 126 126 16.777.214
B 128 – 191 16.384 65.634
C 192 - 223 2.097.152 254
A figura a seguir mostra uma rede com endereçamento classe B. Observe que os
“nós” estão identificados em relação aos dois últimos octetos.

Desta forma, os hosts são identificados como 11.1, 11.2, 11.3, etc. e a rede é
identificada por 140.255 (os dois primeiros octetos).

Enquanto que os dois primeiros números identificam a rede (que devem ser iguais
para todos os computadores) os dois últimos números identificam os hosts ou
computadores (que devem ser diferentes para cada um dos computadores).

Endereçamento IP classe B

A figura a seguir mostra uma rede com endereçamento IP classe A. Atente para o
detalhe da identificação da rede e dos hosts em relação ao endereçamento IP classe B
mostrado na figura acima.

Endereçamento IP classe A

A rede é identificada pelo número 80, enquanto que os hosts são identificados por
200.11.1, 200.11.2, 200.11.3, etc.

TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 49


A figura a seguir mostra uma rede com endereçamento classe C, onde a rede é
identificada por 200.168.101 e os hosts por 1, 2, 3, etc.

Endereçamento IP classe C

10.2 - Disposição do endereço IP – decimal e binário


Como vimos anteriormente, um endereço IP tem 4 bytes, que se denomina octeto
uma vez que, cada byte de endereço abrange 8 bits.

Desta forma, um endereço IP completo tem 32 bits.

Geralmente, em termos de usuário, o endereço IP é representado na forma decimal,


uma vez que é mais fácil de lembrar e portanto, de manusear.

Equivalência decimal/binário no endereço IP

11 – MÁSCARAS DE SUB-REDE
11.1 - Máscaras padrão

Ao configurar o protocolo TPC/IP, seja qual for o sistema operacional usado, além do
endereço IP é preciso informar também o parâmetro da máscara de sub-rede, ou “subnet
mask”.

Ao contrário do endereço IP, que é formado por valores entre 0 e 255, a máscara de
sub-rede é formada por apenas dois valores: 0 e 255, como em [Link] ou [Link].
onde um valor 255 indica a parte endereço IP referente à rede, e um valor 0 indica a parte
endereço IP referente ao host.

A máscara de rede padrão acompanha a classe do endereço IP: num endereço de


classe A, a máscara será [Link], indicando que o primeiro octeto se refere à rede e os
três últimos ao host.
TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 50
Num endereço classe B, a máscara padrão será [Link], onde os dois primeiros
octetos referem-se à rede e os dois últimos ao host, e num endereço classe C, a máscara
padrão será [Link] onde apenas o último octeto refere-se ao host.

Exemplo de Classe de Sub-net


Rede Host
endereço IP endereço mask padrão
[Link] A 100 128.161.18 [Link]
[Link] B 148.110 105.12 [Link]
[Link] C 210.100.100 22 [Link]

Para a máscara de sub-rede (sub-net mask) [Link], teremos:


net. [Link]

Para a máscara de sub-rede (sub-net mask) [Link], teremos:


net. [Link]

Para a máscara de sub-rede (sub-net mask) [Link], teremos:


net. [Link]

11.2 - Finalidade e utilidade das máscaras

Apesar das máscaras padrão acompanharem a classe do endereço IP, é possível


“mascarar” um endereço IP, mudando as faixas do endereço que serão usadas para
endereçar a rede e o host.

O termo “máscara de sub-rede” é muito apropriado neste caso, pois a “máscara” é


usada apenas dentro da sub-rede.

Veja o exemplo mostrado na tabela a seguir, referente ao endereço


[Link].

Por ser um endereço de classe C, sua máscara padrão seria [Link],


indicando que o último octeto refere-se ao host, e os demais à rede.

Porém, se mantivéssemos o mesmo endereço, mas alterássemos a máscara para


[Link] apenas os dois primeiros octetos (200.110) continuariam representando a
rede, enquanto o host passaria a ser representado pelos dois últimos octetos e não apenas
pelo último.

Sub-net mask
Endereço IP Rede Host
padrão
[Link] [Link] 200 110.112.114
[Link] [Link] 200.110 112.114
[Link] [Link] 200.110.112 114

O endereço [Link] com máscara [Link] é diferente de


[Link] com máscara [Link].

Enquanto no primeiro caso temos o host 114 dentro da rede 200.110.112, no


segundo caso temos o host 112.114 dentro da rede 200.110.

TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 51


Dentro de uma mesma sub-rede, todos os hosts deverão ser configurados com a
mesma máscara de sub-rede, caso contrário poderão não conseguir comunicar-se, pois
pensarão estar conectados a redes diferentes.

Se, por exemplo, houverem dois micros dentro de uma mesma sub-rede,
configurados com os endereços [Link] e [Link] mas configurados com
máscaras diferentes, [Link] para o primeiro e [Link] para o segundo,
teremos um erro de configuração.

11.3 - Máscaras complexas

Até agora vimos apenas máscaras de sub-rede simples ou padrão.

Porém o recurso mais refinado das máscaras de sub-rede é quebrar um octeto do


endereço IP em duas partes, fazendo com que dentro de um mesmo octeto, tenhamos uma
parte que representa a rede e outra que representa o host.

Máscara de sub-rede (sub-net) padrão


Decimal 255 255 255 0
Binário 11111111 11111111 11111111 00000000
rede rede rede host

A figura acima representa um endereço classe C, com máscara de sub-rede padrão e


respectiva equivalência decimal/binário.

Para melhor entendimento, a tabela abaixo mostra algumas equivalências


decimal/binário para 8 bits.

Trata-se de uma codificação extendida do BCD8421 14, que possui peso relativo, ou
seja, ao bit mais significativo (MSB – Most significant bit) associa-se:

2(n-1)
Onde: n é o número de bits que compõe o número

Assim, para um número composto de 8 bits, teremos 2(8-1) = 27 = 128


Veja que na conversão decimal/binário somente são somados os valores que
correspondem ao bit 1.

PESO
Valor decimal
128 64 32 16 8 4 2 1
135 1 0 0 0 0 1 1 1
100 0 1 1 0 0 1 0 0
254 1 1 1 1 1 1 1 0
80 0 1 0 1 0 0 0 0
11 0 0 0 0 1 0 1 1
Exemplos de conversão decimal/binário

Por exemplo, o número binário 10000111 corresponde ao 135 decimal, que é


equivalente a soma dos pesos aos quais são atribuídos “1”.

Desta forma teremos: 128+4+2+1 = 135

14
BCD - Binary Coded Decimal
TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 52
Para o número binário 01100100, que corresponde ao 100 decimal, teremos:
64+32+4, e assim por diante.

Vejamos a utilidade de quebrar um octeto, ou dividi-lo em dois, o que teoricamente


seria a utilização de ½ byte para identificar a rede e ½ byte para identificar o host.

Tomemos como exemplo, uma empresa que se conecta a Internet e sua rede possui
dois segmentos, interligados por um roteador.

Essa empresa recebe um número IP, por exemplo: 200.220.171.x, onde


200.220.171 identifica a rede e “x” é o número de hosts (1 a 254, pois o endereço é classe
C) que podem ser interligados a mesma.

Levando-se em conta um endereço classe C convencional, e supondo IP =


[Link], a sub-rede será: [Link], restrito a 254 hosts em um único
segmento.

Rede com dois segmentos interligada a Internet

O objetivo de quebrar o byte é justamente permitir que o mesmo endereço seja


usado nos dois segmentos. Se utilizarmos a máscara [Link], por exemplo, os
quatro primeiros bits identificarão a rede e os quatro restantes os hosts ou “nós”.

Com isto, é possível obter-se 14 redes e 16 hosts (ou 16 computadores em cada


rede).

Teoricamente deveríamos ter também 16 redes, mas, como não são permitidos
valores 0 e valores 1 para todos os bits da rede, então teremos apenas 14 redes.

A tabela a seguir mostra como funciona a quebra do byte, quando são escolhidos
alguns parâmetros para a máscara.

TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 53


Valor da
Hosts
máscara Onde o byte é Número de
(computadores)
(último cortado redes possíveis
em cada rede
número)
128 1º 0 -
192 2º 2 64
224 3º 6 32
240 4º 14 16
248 5º 30 8
252 6º 62 4
254 7º 126 2
255 8º 254 0

Os valores 128 e 255 normalmente não são utilizados para a criação de sub-redes,
uma vez que o primeiro não permitirá a criação de sub-redes e o segundo por não sobrar
bits para a definição do host, principalmente em se tratando de endereçamento IP classe C.

Tomemos como exemplo dois computadores do segmento B da figura mostrada


anteriormente com os endereços: [Link] e [Link], ambos usando a
máscara (sub-net) [Link].

Como os endereços que identificam a rede devem ser iguais no seguimento,


pergunta-se: os computadores se comunicarão?

Analisemos então:

Conclui-se portanto que os computadores não se comunicarão, pois a identificação


da rede não é igual (1000 e 1100).

Por este motivo é muito importante ficar atento às identificações de sub-redes e


explorar ao máximo os seus recursos, de acordo com as necessidades do projeto da
mesma.

Obviamente, se trocarmos o endereço [Link] para [Link],


haverá a comunicação entre os dois computadores, pois as redes terão números iguais.

TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 54


Ainda com relação ao segmento B, poderão ser interligados mais 14 computadores,
que abrangerão os endereços: [Link] até [Link], conforme ilustra a
figura a seguir.

Analogamente para o segmento A, poderão ser atribuídos os endereços


[Link] até [Link].

Podemos notar que o recurso de quebra do byte é bastante sofisticado e de grande


utilidade quando se tem segmentos de rede, principalmente quando a Internet é acessada.

Resta ao administrador analisar quais as melhores condições para um determinado


projeto.

Para melhor fixação deste conceito, façamos um exercício.

 Supondo um endereçamento: 200.220.171.x, com máscara de sub-rede


[Link]. Especifique quantos hosts ou computadores poderão ser interligados a
esse endereçamento e sua correlação com as redes.
Solução:
Com a máscara [Link], podemos obter 2 redes (pois o corte ocorre no 2º
bit) e 64 hosts.
Temos então:
bits da rede 11 (2 e 3 - binário)
bits de host 000000 (0 a 63 - binário)

Lembrar que, numa máscara de sub-rede os números binários “1” referem-se à rede e os
números binários “0” referem-se ao host.

Rede A

IP: [Link] a [Link]

Rede B

IP: [Link] a [Link]

CONCLUSÃO: Obteve-se um arranjo com 2 redes e com 64 hosts por rede.

TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 55


12 – DHCP – GATEWAY
12.1 - DHCP

Ao invés de configurar manualmente os endereços IP em cada máquina, é possível


fazer com que os hosts da rede obtenham automaticamente seus endereços IP, assim
como sua configuração de máscara de sub-rede e default gateway.

Isto torna mais fácil a tarefa de manter a rede e acaba com a possibilidade de erros
na configuração manual dos endereços IP.
Para utilizar este recurso, é preciso implantar um servidor de DHCP 15 na rede.

Se a rede não for muito grande, não é preciso usar um servidor dedicado só para
isso, pois esta tarefa poderá ser executada por um servidor de arquivos.

O serviço de servidor DHCP pode ser instalado apenas em sistemas destinados a


servidores de rede, como o Windows NT Server, Windows 2000 Server, Novell Netware
4.11 (ou superior) além claro do Linux e das várias versões do Unix.

Do lado dos clientes, é preciso configurar o TCP/IP para obter seu endereço DHCP a
partir do servidor.
Para fazer isso, no Windows XP por exemplo, basta abrir o ícone redes do painel de
controle, acessar as propriedades do TCP/IP e na guia “General - Geral” escolher a opção
“Obtain an IP address automaticaly - Obter um endereço IP automaticamente”.

Obtenção de endereço IP através do DHCP

Cada vez que o micro cliente é ligado, carrega o protocolo TCP/IP e em seguida
envia um pacote de broadcast para toda a rede, perguntando quem é o servidor DHCP.

Este pacote especial é endereçado como [Link], ou seja, para toda a


rede. Junto com o pacote, o cliente enviará o endereço físico de sua placa de rede.

Ao receber o pacote, o servidor DHPC usa o endereço físico do cliente para enviar
para ele um pacote especial, contendo seu endereço IP.
Este endereço é temporário, não é da estação, mas simplesmente é “emprestado”
pelo servidor DHCP para que seja usado durante um certo tempo.

15
DHCP – (Dynamic Host Configuration Protocol)
TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 56
Uma configuração importante é justamente o tempo do empréstimo do endereço.

A configuração do “Lease Duration – duração do empréstimo” muda de sistema para


sistema. No Windows NT Server por exemplo, pode ser configurado através do utilitário
“DHCP Manager – Gerenciador do DHCP”.

Depois de decorrido metade do tempo de empréstimo, a estação tentará contatar o


servidor DHCP para renovar o empréstimo.

Se o servidor DHCP estiver fora do ar, ou não puder ser contatado por qualquer
outro motivo, a estação esperará até que tenha se passado 87.5% do tempo total,
tentando o contato por várias vezes.

Se terminado o tempo do empréstimo o servidor DHCP ainda não estiver disponível,


a estação abandonará o endereço e ficará tentando contatar qualquer servidor DHCP
disponível, repetindo a tentativa a cada 5 minutos.

Porém, por não ter mais um endereço IP, a estação ficará fora da rede até que o
servidor DHPC volte.

Uma vez instalado, o servidor DHCP passa a ser essencial para o funcionamento da
rede.

Se ele estiver travado ou desligado, as estações não terão como obter seus
endereços IP e não conseguirão entrar na rede.

O tempo do empréstimo pode ser configurado como sendo de 12 ou 24 horas, ou


mesmo estabelecer o tempo como ilimitado, assim a estação poderá usar o endereço até
que seja desligada no final do dia, minimizando a possibilidade de problemas, caso o
servidor caia durante o dia.

Todos os provedores de acesso à Internet usam servidores DHCP para fornecer


dinamicamente endereços IP aos usuários. No caso deles, esta é uma necessidade, pois o
provedor possui uma faixa de endereços IP, assim como um número de linhas bem menor
do que a quantidade total de assinantes, pois trabalham sobre a perspectiva de que nem
todos acessarão ao mesmo tempo.

Finalizando, a cada reinício da estação, um novo endereço será atribuído a esta, pelo
DHCP.

12.2 - Default Gateway

Uma rede TCP/IP pode ser formada por várias redes interligadas entre si por
roteadores.

Neste caso, quando uma estação precisar transmitir algo a outra que esteja situada
em uma rede diferente (isso é facilmente detectado através do endereço IP), deverá
contatar o roteador de sua rede para que ele possa encaminhar os pacotes.

Como todo nó da rede, o roteador possui seu próprio endereço IP. É preciso informar
o endereço do roteador nas configurações do TCP/IP de cada estação, no campo “default
gateway – gateway padrão”, pois sem esta informação as estações simplesmente não
conseguirão acessar o roteador e como consequência, as outras redes.

TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 57


Caso a rede seja suficientemente grande, provavelmente também terá um servidor
DHCP.

Neste caso, o servidor DHCP poderá ser configurado para fornecer o endereço do
roteador às estações junto com o endereço IP.

No caso de uma rede pequena com 6 PCs, usando os endereços IP [Link],


[Link], [Link], [Link], 192.168.05 e 192.168.06 e o PC
[Link] estiver compartilhando o acesso à Web, seja através do ICS do Windows ou
outro programa qualquer, as outras cinco estações deverão ser configuradas para utilizar o
Default gateway: [Link].

Configuração do default gateway

13 – DNS
Toda interface ligada a uma rede TCP/IP é identificada por um endereço IP, formado
por 32 bits, conforme vimos anteriormente.

Um nome pode ser atribuído a qualquer dispositivo que possua um endereço IP. A
atribuição de nomes aos endereços deve-se ao fato de que, as pessoas tem mais facilidade
de memorizar nomes do que números. No entanto, o software de rede só trabalha com
números.

Na maior parte dos casos, nomes e números podem ser usados indistintamente,
uma vez que tanto números como nomes conduzem ao mesmo computador.

Quando nomes são utilizados, é necessário que exista um serviço que efetue a
conversão deste nome em um número IP para que a conexão seja estabelecida.

A tradução entre nomes e números passou por diversos estágios durante o


desenvolvimento da Internet e das redes que a precederam.

Inicialmente existia uma tabela chamada “[Link]”, mantida pelo DDN-NIC e que
era distribuída para todos os computadores da Internet.

Cada rede que precisasse solucionar nomes de hosts em outras redes, carregava
este arquivo.

TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 58


Isto quer dizer que, quando uma nova máquina é inserida na tabela de hosts de um
determinado computador, somente este computador reconhecerá a alteração na tabela.

Para que os outros computadores possam reconhecer a alteração, o administrador


da rede deverá copiar este arquivo para os outros computadores, procedimento este, não
recomendável para redes grandes.

No entanto, para redes locais de empresas este sistema ainda é muito utilizado. Veja
a seguir um exemplo de uma tabela de hosts de uma empresa, criada dentro do diretório
Windows.

Essa tabela funciona como um pequeno banco de dados que pode ser comparado a
uma agenda telefônica. A mesma fica em cada computador da rede que tem o TCP/IP
instalado.

Isto funciona da seguinte forma: quando o TCP/IP que está rodando em um


computador não reconhece as instruções que o usuário inseriu na aplicação, ou seja,
nomes no lugar do endereço IP padrão, este recorre à tabela hosts previamente criada.

Com o crescimento da Internet essa tabela tornou-se inviável, exigindo um serviço


mais eficiente para a resolução de nomes; a tabela [Link], foi então substituída pelo
banco de dados distribuído denominado DNS (Domain Name Service), cujas especificações
encontram-se descritas na RFC 1034 e 1035 16.

O sistema de distribuição de nomes de domínio foi introduzido em 1984, e com ele,


os nomes de hosts residentes em um banco de dados pode ser distribuído entre servidores
múltiplos, baixando assim, a carga em qualquer servidor que provê administração no
sistema de nomeação de domínios.

Ele baseia-se em nomes hierárquicos e permite a inscrição de vários dados digitados


além do nome do host e seu IP.

Em virtude do banco de dados de DNS ser distribuído, seu tamanho é ilimitado e o


desempenho não é comprometido quando se adiciona mais servidores nele.

16
RFC - Request for comments
TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 59
Arquitetura DNS

Dentro da arquitetura do DNS existem dois tipos de computadores: o cliente DNS


(resolver) e o servidor DNS. O servidor DNS faz a tradução do nome para o endereço IP. A
figura acima ilustra o cliente DNS solicitando do servidor DNS a resolução do endereço IP.

Quando o cliente DNS está configurado, este trabalha em conjunto com o protocolo
IP na tradução dos nomes para os respectivos endereços IP, sempre que os nomes são
fornecidos pelo usuário aos aplicativos.

Quando o usuário tenta se conectar a um computador na rede a partir do endereço


IP, isto é feito diretamente, mas, quando tentar fazer uma conexão com uma máquina na
rede a partir do seu nome, o protocolo IP em conjunto com o cliente DNS fará primeiro
uma pesquisa no servidor DNS, que retornará o endereço IP da máquina cujo nome foi
fornecido.

O DNS é administrado por uma Autoridade de Inscrição de Nome na Internet,


responsável por manter domínios de topo de nível que são nomeados através de
organizações e por fim, por países.

Estes nomes de domínio seguem o padrão 3166 Internacional.

A figura a seguir um exemplo que como a árvore de domínios se forma.

Estrutura básica de uma árvore de domínios

TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 60


A árvore de domínios mostrada apresenta abreviações, que são reservadas para uso
através de organizações. Veja a seguir uma tabela contendo algumas abreviações
importantes e respectivos tipos.

DNS Tipo de organizações


com Organizações comerciais
edu Instituições educacionais
org Organizações filantrópitcas
net Redes (backbone da internet)
gov Organizações governamentais
mil Organizações militares
num Números de telefones
arpa Reverso de DNS
xx Código dos países (br, tw, etc.)

13.1 - Sistema de consulta

Sistema de consulta – I

Quando um usuário da Internet tentar se comunicar com o computador


[Link], este possivelmente estará utilizando um servidor DNS local ou do seu
provedor de acesso.

O seu servidor de DNS provavelmente não tem a resposta para o cliente à pergunta:
Qual é o endereço de [Link]? É a partir daí que devemos analisar o sistema de
pesquisas dos servidores DNS.

O servidor DNS pode fornecer a resposta para o usuário de duas formas diferentes:

1) a partir do banco de dados que o administrador criou, contendo possivelmente


apenas os computadores da rede local.
TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 61
2) tentar a consulta fora do domínio.

Resumindo: quando um usuário tenta se comunicar com o computador


[Link], o TCP/IP enviará uma solicitação de tradução do nome para o endereço
IP ao servidor DNS local ou do provedor de acesso.

A figura anterior mostra a pesquisa sendo feita primeiramente nos computadores


que retém o domínio ROOT do DNS da Internet.

Um dos computadores que contém o domínio ROOT responde e informa ao servidor


DNS, que procura descobrir qual é esse endereço IP, através de um dos servidores do
domínio BR, cujo endereço IP então fornece.

Sistema de consulta – II

Na segunda tentativa o servidor DNS que procura resolver o “nome” busca agora um
dos computadores do domínio BRASIL (BR).

O servidor de DNS que contém o domínio BR responde ao servidor pesquisador o


endereço IP dos servidores que armazenam o domínio .[Link] e este então, entra em
contato com um dos servidores do domínio [Link].

Os computadores do domínio [Link] enviam, como resposta à pesquisa de


endereço do servidor, os endereços IP dos servidores de DNS que respondem pelo domínio
[Link], isto é, servidor que provavelmente contém o registro WWW em seu banco de
dados.

O servidor DNS entra então em contato com um dos servidores DNS do domínio
[Link] e, o servidor responsável por esse domínio procura pelo WWW. em seu banco
de dados.

TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 62


Caso encontre, responde ao servidor DNS que está fazendo a pesquisa e, finalmente,
repassa tal informação ao cliente DNS (resolver) solicitante.

As figuras a seguir (sistema de consulta - III e sistema de consulta - IV) diagramam


esse processo.

Sistema de consulta – III

Sistema de consulta – IV

TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 63


14 – REDES SEM FIO (Wi-Fi)
14.1 – Antenas para transmissão de dados

Assim como em outras tecnologias de transmissão via rádio, a distância que o sinal é
capaz de percorrer depende também da qualidade da antena usada.

As antenas padrão utilizadas nos pontos de acesso, geralmente de 2dBi 17 são


pequenas e práticas, além de relativamente baratas, mas existe a opção de utilizar antenas
mais sofisticadas para aumentar o alcance da rede.

Antena padrão típica para ambientes fechados

Embora alguns fabricantes aleguem que o alcance de suas antenas padrão possa
chegar até a 300 metros, isto é um tanto quanto irreal uma vez que, na maioria das vezes
essa distância é coberta em condições muito especiais, como campo aberto, por exemplo.

A medida que a distância aumenta, ocorre uma atenuação do sinal, fato esse que
compromete a velocidade de transmissão. Mesmo assim, a distância máxima e a qualidade
do sinal (e consequentemente a velocidade de transmissão) pode variar bastante de um
modelo de ponto de acesso para outro, de acordo com a qualidade do transmissor e da
antena usada.

Existem basicamente três tipos de antenas que podem ser utilizadas para aumentar
o alcance da rede. As antenas Yagi, são as que oferecem um maior alcance, mas em
compensação são capazes de cobrir apenas a área para onde são apontadas.

Antena Yagi

17
dBi - é o ganho relativo em decibels de uma antena qualquer em relação a uma antena isotrópica; uma antena isotrópica é
aquela que irradia igualmente em todas as direções.
TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 64
Estas antenas são mais úteis para cobrir alguma área específica, longe do ponto de
acesso, ou então para um usuário em trânsito, que precisa se conectar à rede. Em ambos
os casos, o alcance utilizando uma antena Yagi pode passar dos 500 metros.

A segunda opção são as antenas omnidirecionais, que, assim como as antenas


padrão dos pontos de acesso, cobrem uma área circular (ou esférica, caso o ponto de
acesso esteja instalado acima do solo) em torno da antena.

A vantagem é a possibilidade de utilizar uma antena com uma maior potência.

Existem modelos de antenas omnidirecionais de 3dbi, 5dBi, 10dBi ou até mesmo


15dBi, um grande avanço sobre as antenas de 2dBi que acompanham a maioria dos pontos
de acesso.

Antenas omnidirecionais

Assim como as Yagi, as antenas omnidirecionais podem ser usadas tanto para
aumentar a área de cobertura do ponto de acesso, quanto serem instaladas numa interface
de rede, em substituição à antena que a acompanha, permitindo captar o sinal do ponto de
acesso de uma distância maior.

Mais uma opção de antena são as semi-parabólicas, que também captam o sinal em
apenas uma direção, como as Yagi, mas em compensação podem ter uma potência ainda
maior, geralmente 24dBi, dependendo do modelo usado.

Antena semi-prabólica

Estas antenas podem custar de 30 a mais de 200 dólares, dependendo da potência.


As antenas Yagi estão entre as mais caras (150 dólares ou mais).

Além do problema do preço, existe um aumento no risco de uso indevido na rede, já


que o sinal irá propagar-se por uma distância maior, mais uma razão para reforçar a
segurança.

TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 65


14.2 – Modo Ad Hoc

Assim como é possível ligar dois micros diretamente usando duas placas Ethernet e
um cabo cross-over, sem usar hub, também é possível criar uma rede wireless (sem fio)
entre dois PCs sem usar um ponto de acesso.

Basta configurar ambas as placas para operar em modo Ad Hoc (através do utilitário
de configuração). A velocidade de transmissão é a mesma, mas o alcance do sinal é bem
menor, já que os transmissores e antenas das interfaces não possuem a mesma potência
do ponto de acesso.
Este modo pode servir para pequenas redes domésticas, com dois PCs próximos,
embora mesmo neste caso seja mais recomendável utilizar um ponto de acesso, interligado
ao primeiro PC através de uma placa Ethernet e usar uma placa wireless no segundo PC ou
notebook, já que a diferenças entre o custo das placas e pontos de acesso não é muito
grande.

14.3 - Bluetooth

Bluetooth é uma tecnologia de rádio de curto alcance criada pela Ericsson em


meados da década de 90 e desenvolvida hoje por diversas companhias. Esta tecnologia
sem fio possibilita a transmissão de dados em curtas distâncias entre telefones,
computadores e outros aparelhos eletroeletrônicos.

O Bluetooth irá simplificar a comunicação e a sincronização entre estes aparelhos. A


tecnologia substituirá muitos dos fios e cabos que nós usamos em nossa casa e no nosso
escritório para conectar aparelhos: telefones, impressoras, PDA's, desktops e laptops, fax,
teclados, joysticks - quase qualquer aparelho digital que use um chip Bluetooth será capaz
de aproveitar as vantagens desta tecnologia.

Mais do que somente uma substituição de cabos, a tecnologia sem fio Bluetooth
provê uma conexão universal para redes de dados existentes - possibilitando a formação
de pequenos grupos privados de aparelhos conectados entre si.

A tecnologia de rádio do Bluetooth usa um sistema de frequência de sinal que provê


um link seguro e robusto, mesmo em ambientes com alto ruído e de grande interferência.

A distância ideal é de no máximo 10 metros e a distância máxima é de 100 metros.


Um dos trunfos dessa tecnologia é a promessa de transmissores baratos e pequenos o
suficiente para serem incluídos em praticamente qualquer tipo de dispositivo, começando
por notebooks, celulares e micros de mão, passando depois para micros de mesa, mouses,
teclados, joysticks, fones de ouvido, etc.

Transmissor BLUETOOTH

TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 66


A grande vantagem do Bluetooth é o fato de ser um padrão aberto e livre de
pagamento de royalties, o que vem levando muitos fabricantes a se interessar pela
tecnologia.
As especificações técnicas do padrão são as seguintes:

Alcance ideal: 10 metros


Alcance máximo: 100 metros (em condições ideais e com ambos os transmissores
operado com potência máxima)
Frequência de operação: 2.4 GHz
Velocidade máxima de transmissão: 1Mbps
Potência da transmissão: 1mW a 100mW

Inicialmente imaginava-se que o Bluetooth poderia ser usado para quase tudo,
desde redes sem fio até para conectar periféricos como mouses, teclados, e até mesmo
eletrodomésticos entre si.

Mas, atualmente os fabricantes vem considerando seu uso para tarefas um pouco
mais modestas.

A probabilidade de utilizar o Bluetooth como um padrão universal para redes sem fio
caiu por terra com o IEEE 802.11b, o qual é capaz de manter taxas de transferência de
11Mbps e de cobrir distâncias maiores, sem falar nos dois sucessores, o 802.11a e o
802.11g

O 802.11b pode ser utilizado para conectar PCs, notebooks e também outros
dispositivos de médio porte. O problema fica por conta dos handhelds, celulares e outros
aparelhos pequenos, alimentados por baterias.

Os transmissores 802.11b trabalham com um sinal bastante intenso e por isso


também consomem muita energia.

Em termos de velocidade o Bluetooth é capaz de transmitir a apenas 1 Mbps, isto em


teoria, já que a velocidade prática cai para apenas 700Kbps graças aos sinais de controle e
modulação. Em compensação, o Bluetooth é uma tecnologia mais barata que o 802.11b.

Atualmente os transmissores já custam, para os fabricantes, cerca de 20 dólares ou


menos por unidade, um quinto do preço de uma placa de rede 802.11b.

Outra diferença é que os transmissores Bluetooth trabalham com uma potência mais
baixa e são menores.

Isso permite que eles consumam menos energia, permitindo que sejam usados
também em pequenos aparelhos. Os transmissores são bastante compactos, alguns um
pouco maiores do que um palito de fósforo.

Devido a sua baixa velocidade de transmissão, a idéia agora é usar as redes


Ethernet ou o 802.11b para ligar os PCs e notebooks em rede e o Bluetooth como um
complemento para conectar periféricos menores, como Handhelds, celulares, e até mesmo
periféricos de uso pessoal, como teclados, mouses, fones de ouvido, etc.

TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 67


Fone de ouvido Bluetooth

O Bluetooth serviria então como uma opção às interfaces USB, seriais e paralelas
para a conexão de periféricos. De fato, a velocidade permitida pelo Bluetooth é bem mais
baixa que a das interfaces USB (12Mbps contra apenas 1Mbps).

14.4 - Funcionamento do Bluetooth

Numa rede Bluetooth, a transmissão de dados é feita através de pacotes, como na


Internet.

Para evitar interferências e aumentar a segurança, existem 79 canais possíveis (23


em alguns países onde o governo reservou parte das frequências usadas).

Os dispositivos Bluetooth têm capacidade de localizar dispositivos próximos,


formando as redes de transmissão, chamadas de “piconet”. Uma vez estabelecida a rede,
os dispositivos determinam um padrão de transmissão, usando os canais possíveis.

Isto significa que os pacotes de dados serão transmitidos cada um em um canal


diferente, numa ordem que apenas os dispositivos da rede conhecem.

Isto anula as possibilidades de interferência com outros dispositivos Bluetooth


próximos (assim como qualquer outro aparelho que trabalhe na mesma frequência) e torna
a transmissão de dados mais segura, já que um dispositivo "intruso", que estivesse
próximo, mas não fizesse parte da rede simplesmente não compreenderia a transmissão.

Naturalmente existe também um sistema de verificação e correção de erros, um


pacote que se perca ou chegue corrompido ao destino será retransmitido, assim como
acontece em outras arquiteturas de rede.

Para tornar as transmissões ainda mais seguras, o padrão inclui também um sistema
de criptografia. Existe também a possibilidade de acrescentar camadas de segurança via
software, como novas camadas de criptografia, autenticação, etc.

14.5 - Consumo elétrico do Bluetooth

Os dispositivos Bluetooth possuem um sistema de uso inteligente da potência do


sinal.

Se dois dispositivos estão próximos, é usado um sinal mais fraco, com o objetivo de
diminuir o consumo elétrico, se por outro lado eles estão distantes, o sinal vai ficando mais
forte, até atingir a potência máxima.

TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 68


Dentro do limite dos 10 metros ideais, o consumo de cada transmissor fica em torno
de 50 microampères, algo em torno de 3% do que um celular atual, bem menos do que
outras tecnologias sem fio atuais.

O baixo consumo permite incluir os transmissores em notebooks, celulares e


handhelds sem comprometer muito a autonomia das baterias.

14.6 – Padrões IEEE 802.11a, 802.11b, 802.11g

O IEEE 802.11b utiliza a frequência de 2.4GHz, a mesma utilizada por outros


padrões de rede sem fio e pelos microondas, todos potenciais causadores de interferência.

A figura a seguir ilustra um adaptador de rede sem fio de 2.4GHz.

Adaptador de rede (wireless) padrão 2.4GHz

O IEEE 802.11a por sua vez utiliza a frequência de 5GHz, onde a interferência não
é problema.

Graças à frequência mais alta, o padrão também é quase cinco vezes mais rápido,
atingindo respeitáveis 54Mbps.

Note que esta é a velocidade de transmissão “bruta” que inclui todos os sinais de
modulação, cabeçalhos de pacotes, correção de erros, etc. a velocidade real das redes
802.11a é de 24 a 27Mbps, pouco mais de 4 vezes mais rápido que no 802.11b.

Outra vantagem é que o 802.11a permite um total de 8 canais simultâneos, contra


apenas 3 canais no 802.11b. Isso permite que mais pontos de acesso sejam utilizados no
mesmo ambiente, sem que haja perda de desempenho.

O grande problema é que o padrão também é mais caro, por isso a primeira
produção vai ser destinada ao mercado corporativo, onde existe mais dinheiro e mais
necessidade de redes mais rápidas.

Além disso, por utilizarem uma frequência mais alta, os transmissores 802.11a
também possuem um alcance mais curto, teoricamente metade do alcance dos
transmissores 802.11b, o que torna necessário usar mais pontos de acesso para cobrir a
mesma área, o que contribui para aumentar ainda mais os custos.

Ao contrário do que o nome sugere, o 802.11a é um padrão mais recente do que o


802.11b. Na verdade, os dois padrões foram propostos pelo IEEE na mesma época, mas o
802.11b foi finalizado antes e por isso chegou ao mercado com antecedência. Os primeiros
periféricos 802.11a foram lançados em novembro de 2001.

TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 69


O IEEE 802.11g é um padrão recentemente aprovado pelo IEEE, que é capaz de
transmitir dados a 54Mbps, assim como o 802.11a.

A principal novidade é que este padrão utiliza a mesma faixa de frequência do


802.11b atual: 2.4GHz. Isso permite que os dois padrões sejam inter compatíveis.

A idéia é que se possa montar uma rede 802.11b agora e posteriormente adicionar
placas e pontos de acesso 802.11g, mantendo os componentes antigos, assim como hoje
em dia temos liberdade para adicionar placas e hubs de 100Mbps a uma rede já existente
de 10Mbps.

A velocidade de transferência nas redes mistas pode, ou ser de 54Mbps ao serem


feitas transferências entre pontos 802.11g ou de 11Mbps quando um dos pontos 801.11b
estiver envolvido, ou então ser de 11Mbps em toda a rede, dependendo dos componentes
que forem utilizados. Esta é uma grande vantagem sobre o 802.11a, que também
transmite a 54Mbps, mas é incompatível com os outros dois padrões.

15 – REDES HOME
15.1 - Home PNA

Este é um padrão para transmissão de dados através de cabos telefônicos comuns a


curtas distâncias.

A idéia é que os usuários interessados em montar uma rede doméstica mas que não
tenham como passar cabos de rede pela casa, possam aproveitar as extensões telefônicas
já existentes para ligar seus micros em rede.

Existem duas versões deste padrão: a versão 1.0, já obsoleta, transmite a apenas
1Mbps, muito pouco se comparado às redes Ethernet, enquanto a versão 2.0 já transmite a
10Mbps, uma velocidade próxima à das redes 802.11b.

Os dispositivos Home PNA utilizam uma arquitetura de rede ponto a ponto, sem a
necessidade de usar nenhum tipo de hub ou concentrador e os sinais não interferem com
as ligações de voz, nem com os serviços de acesso via ADSL, já que ambos utilizam
frequências diferentes.

A distância máxima entre os pontos é de 330 metros e, é possível utilizar em redes


de até 50 PCs. É possível conectar mais PCs caso necessário, mas quanto maior o número
de PCs, maior o número de colisões de pacotes e pior o desempenho.

O uso do Home PNA só é viável caso já existam extensões telefônicas para todos os
PCs, caso contrário, será mais vantajoso usar as velhas redes Ethernet, que são mais
rápidas e mais baratas.

Em termos de custo, temos uma faixa intermediária entre as redes Ethernet e as


redes Wireless. Nos EUA cada placa PCI custa de 40 a 60 dólares, dependendo do modelo,
menos da metade do preço das placas 802.11b, mas ainda, um custo um pouco elevado.

No Brasil estes produtos ainda não são muito comuns, mas os preços não são muito
mais altos que isto. Além dos PCI, existem também alguns modelos USB, que são um
pouco mais caros.

TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 70


Como esta é uma tecnologia destinada a usuário domésticos, o mais comum é os
fabricantes oferecerem os produtos na forma de kits, com duas placas de rede, ao invés de
vendê-los de forma unitária.

A figura a seguir ilustra um desses kits para uso doméstico.

Kit com placas Home PNA

Fora a praticidade de poder utilizar as extensões telefônicas, as redes Home PNA não
oferecem vantagens sobre as redes Ethernet e por isso não são tão difundidas quanto as
redes sem fio.

Apesar disso, as placas são relativamente baratas, o que deve garantir a


sobrevivência do padrão pelo menos até que as redes sem fio tornem-se mais acessíveis.

Apesar de não serem mais produzidas, ainda existe oferta de placas de 1 Mbps, que
são suficientes apenas para compartilhar a conexão com a Internet e transferir pequenos
arquivos.

É possível misturar placas de 1 e 10Mbps na mesma rede mas, neste caso, as placas
de 10Mbps passarão a trabalhar a apenas 1Mbps para manter compatibilidade com as
placas mais lentas.

15.2 - HomePlug Powerline

Esta é mais uma tecnologia que segue a idéia de utilizar os cabos que já temos em
casa ao invés de instalar mais cabos para a rede.

Mas, enquanto o Home PNA permite usar as extensões telefônicas, o HomePlug


permite utilizar a própria fiação elétrica da casa, algo ainda mais prático.

Apesar dos cabos elétricos não serem exatamente um meio adequado para a
transmissão de dados, o HomePlug permite velocidades mais altas que o 802.11b e o
HomePNA, 20Mbps no total ou 14Mbps reais, descontando o protocolo de correção de erros
utilizado para garantir a confiabilidade das transmissões através de um meio tão hostil
quanto os cabos elétricos.

Descontando todas as perdas com as várias camadas de modulação e protocolos,


temos velocidades de transmissão de dados de 8 a 9Mbps, uma marca respeitável, que
supera por uma boa margem os 7Mbps reais das redes Ethernet de 10Mbps.

TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 71


O padrão HomePlug 1.0 foi estabelecido em Julho de 2001 e os primeiros produtos
começaram a ser lançados em Novembro ou seja, trata-se de um padrão bastante novo.

Não existe um número máximo de dispositivos que podem ser adicionados à rede,
mas a banda é compartilhada entre todos os dispositivos. Quanto mais dispositivos, pior
será o desempenho.

O maior problema do HomePlug é que os sinais da rede se propagam por toda a


instalação elétrica até o transformador da rua. Isto é um problema sobretudo em
apartamentos e conjuntos residenciais, onde é comum cada prédio ou bloco compartilhar o
mesmo transformador.

Caso um número grande de moradores resolvesse usar redes HomePlug, sem dúvida
a velocidade de transmissão cairia bastante.
Para garantir pelo menos a privacidade dos usuários, o padrão utiliza o algoritmo de
encriptação DES, que utiliza chaves de 56 bits, razoavelmente seguras para os padrões
atuais.

Cada interface HomePlug custa em média 100 dólares, apesar de haver perspectiva
de queda futuramente, já que o padrão ainda é muito novo.
A tendência é que o sistema se mantenha mais barato que o 802.11b, já que não é
necessário utilizar pontos de acesso, os transmissores são mais baratos e não é necessário
usar a antena que responde por boa parte dos custo das placas 802.11b

Ainda é muito cedo para dizer se o HomePlug será capaz de conquistar seu espaço
competindo diretamente com as redes sem fio, mas sem dúvida o padrão tem potencial
para tornar-se uma alternativa viável, principalmente considerando que já está em
desenvolvimento o padrão 2.0, que aumentará a velocidade de transmissão para 100Mbps.

15.3 – Home RF

O Home RF é mais um padrão de redes sem fio que utiliza a faixa dos 2.4 GHz, mas
que acabou levando a pior com o lançamento do 802.11b.

O Home RF utiliza um protocolo chamado Shared Wireless Access Protocol, onde as


interfaces de rede se comunicam diretamente, sem o uso de um ponto de acesso.

Isto diminui o custo da rede, mas também compromete o alcance do sinal, que é de
(em condições ideais) apenas 50 metros.

É possível criar redes HomeRF com até 127 nós, mas como o mesmo canal é
compartilhado por todos, quanto mais nós mais baixa será a velocidade. O ideal seria criar
redes com no máximo 10 nós, segundo o recomendado pelos próprios fabricantes.

A idéia original era que o Home RF fosse um padrão de redes sem fio de baixo custo,
o que não se concretizou, já que no auge do padrão as placas não custavam menos de 100
dólares a unidade.

Até aí não temos nenhuma grande desvantagem, já que mesmo hoje em dias as
interfaces 802.11b custam nesta faixa de preço (sem incluir o ponto de acesso), o grande
problema é que além de tudo o padrão Home RF também é mais lento; apenas 1.6Mbps.

TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 72


Na época em que foi lançado esta era uma boa marca, já que a versão original do
IEEE 802.11 transmitia a apenas 1Mbps e a segunda versão, que já utilizava modo DSS
(Digital Satellite System) atingia apenas 2Mbps.

Como o preço das placas 802.11 era mais alto na época, o Home RF tinha tudo para
conquistar seu espaço.
Foi então que surgiu o padrão 802.11b, que além de ser mais rápido, conseguiu uma
razoável aceitação, permitindo que os fabricantes produzissem os componentes em maior
quantidade e baixassem os preços.

O Home RF é um padrão quase esquecido, mas que pode voltar a ser usado em
aparelhos de telefone sem fio e outros dispositivos de comunicação, já que o padrão
permite a transmissão de 4 chamadas de voz simultâneas.

16 – GIGABIT ETHERNET
Depois dos padrões de 10 e 100Mbps, o passo natural para as redes Ethernet seria
novamente multiplicar por 10 a taxa de transmissão, atingindo 1000Mbps. E foi justamente
o que aconteceu.

O padrão Gigabit Ethernet começou a ser desenvolvido pelo IEEE em 1997 e acabou
se ramificando em quatro padrões diferentes.

A figura a seguir ilustra um adaptador de rede Gigabit

Adaptador Gigabit Ethernet

16.1 – 1000BaseLX

O 1000BaseLX é o padrão mais caro, que suporta apenas cabos de fibra óptica e
utiliza a tecnologia Long Wave Laser, com laseres de 1300 nanometros. Apesar de, em
todos os quatro padrões a velocidade de transmissão ser a mesma, 1Gbps, o padrão
1000BaseLX é o que atinge distâncias maiores.

Usando cabos de fibra óptica com núcleo de 9 mícrons o sinal é capaz de percorrer
distâncias de até 5km, enquanto que utilizando cabos com núcleo de 50 ou 62.5 mícrons,
com frequências de respectivamente 400 e 500MHz, que são os padrões mais baratos, o
sinal percorre 550 metros.

16.2 – 1000BaseSX

TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 73


O segundo padrão é o 1000BaseSX que também utiliza cabos de fibra óptica, mas
utiliza uma tecnologia de transmissão mais barata, chamada Short Wave Laser, que é uma
derivação da mesma tecnologia usada em CD-ROMs, com feixes de curta distância.

Justamente por já ser utilizada em diversos dispositivos, esta tecnologia é mais


barata, mas em compensação o sinal atinge distâncias menores.

Existem quatro padrões de laseres para o 1000BaseSX. Com laseres de 50 mícrons e


frequência de 500MHz, o padrão mais caro, o sinal é capaz de percorrer os mesmos 550
metros dos padrões mais baratos do 1000BaseLX.

O segundo padrão também utiliza laseres de 50 mícrons, mas a frequência cai para
400MHz e a distância para apenas 500 metros.

Os outros dois padrões utilizam laseres de 62.5 mícrons e frequências de 200 e


160MHz, por isso são capazes de atingir apenas 275 e 220 metros, respectivamente.

16.3 - 1000BaseCX

Para distâncias mais curtas existe o 1000BaseCX, que ao invés de fibra óptica
utiliza cabos twiaxiais, um tipo de cabo coaxial com dois fios, que tem a aparência de dois
cabos coaxiais grudados.

Este padrão é mais barato que os dois anteriores, mas em compensação o alcance é
de apenas 25 metros. A idéia é que ele servisse para interligar servidores em data centers,
que estivessem no mesmo rack, ou em racks próximos.

16.4 - 1000BaseT

O padrão que está crescendo mais rapidamente, a ponto de quase condenar os


demais ao desuso é o 1000BaseT, também chamado de Gigabit Over Copper, por utilizar
os mesmos cabos de par trançado categoria 5 que as redes de 100Mbps atuais.

Isto representa uma enorme economia, não apenas por eliminar a necessidade de
trocar os cabos atuais por cabos muito mais caros, mas também nas próprias placas de
rede, que passam a ser uma evolução das atuais e não uma tecnologia nova.

O alcance continua sendo de 100 metros e os switches compatíveis com o padrão


são capazes de combinar nós de 10, 100 e 1000Mbps, sem que os mais lentos atrapalhem
os demais.

Toda esta flexibilidade torna uma eventual migração para o 1000BaseT


relativamente simples, já que você pode aproveitar o cabeamento já existente.

Na verdade, muita pouca coisa muda. Note que apesar dos cabos serem os mesmos,
o 1000BaseT faz um uso muito mais intensivo da capacidade de transmissão e por isso
detalhes como o comprimento da parte destrançada do cabo para o encaixe do conector, o
nível de interferência no ambiente, cabos muito longos, etc. são mais críticos.
Com um cabeamento ruim, o índice de pacotes perdidos será muito maior do que
numa rede de 100Mbps.
Todos estes padrões de Gigabit Ethernet são inter compatíveis a partir da camada
Data Link do modelo OSI.
Abaixo da camada Data Link está apenas a camada física da rede, que inclui o tipo
de cabos e o tipo de modulação usado para a transmissão de dados.

TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 74


Os dados transmitidos, incluindo camadas de correção de erro, endereçamento, etc.
são idênticos em qualquer um dos padrões.

Assim como muitos hubs, inclusive modelos baratos permitem juntar redes que
utilizam cabos de par trançado e cabo coaxial, é muito simples construir dispositivos que
permitam interligar estes diferentes padrões.

Isto permite interligar facilmente seguimentos de rede com cabeamento e cobre e de


fibra óptica, que podem ser usados nos locais onde os 100 metros dos cabos categoria 5
não são suficientes.

As placas Gigabit Ethernet podem operar tanto no modo full-duplex, onde os dois
lados podem transmitir dados simultaneamente, quanto no modo half-duplex.

O que determina o uso de um modo ou de outro é novamente o uso de um hub ou


de um switch.

As placas anunciadas como capazes de operar a 2Gbps, nada mais são do que uma
alusão ao uso do modo full-duplex.

Já que temos 1Gbps em cada sentido, naturalmente a velocidade total será de 2


Gigabits.

Mas, na prática não funciona bem assim pois raramente ambas as estações
precisarão transmitir grandes quantidades de dados.

O mais comum é uma relação assimétrica, com uma falando e a outra apenas
enviando os pacotes de confirmação.

Assim como as placas de 100 megabits, as placas gigabit são completamente


compatíveis com os padrões anteriores.

Pode-se até mesmo ligar uma placa Gigabit Ethernet a um hub 10/100 se quiser,
mas a velocidade terá de ser nivelada por baixo, respeitando a do ponto mais lento.

Considerando o custo, o mais inteligente é naturalmente usar um switch, ou um PC


com várias placas de rede para que cada ponto da rede possa trabalhar na sua velocidade
máxima.

16.5 – 10 Gigabit Ethernet

O primeiro padrão de redes 10 Gigabit Ethernet, novamente 10 vezes mais rápido


que o anterior, está em desenvolvimento desde 1999 e chama-se 10GBaseX.

Este padrão é bastante interessante do ponto de vista técnico, pois além da


velocidade, o alcance máximo é de nada menos que 40km, utilizando cabos de fibra óptica
monomodo. Existe ainda uma opção de baixo custo, utilizando cabos multimodo, mas que
em compensação tem um alcance de apenas 300 metros.

O 10 Gigabit Ethernet também representa o fim dos hubs. O padrão permite apenas
o modo de operação full-duplex, onde ambas as estações podem enviar e receber dados
simultaneamente, o que só é possível através do uso de switches.

TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 75


Isto encarece mais ainda o novo padrão, mas trás ganhos de desempenho
consideráveis, já que além de permitir o uso do modo full-duplex, o uso de um switch
acaba com as colisões de pacotes.

Outra mudança importante é que, pelo menos por enquanto, sequer é cogitado o
desenvolvimento de um padrão que utilize cabos de cobre, pois ainda não se tem idéia se
isso seria possível.

Mas, isto não é conclusivo, pois os padrões iniciais do Gigabit também traziam como
opções apenas os cabos de fibra óptica. O par trançado veio posteriormente ao
lançamento, cerca de dois anos depois.

O 10 Gigabit não se destina a substituir os padrões anteriores, pelo menos a médio


prazo.

A idéia é complementar os padrões de 10, 100 e 1000Mbps, oferecendo uma solução


capaz e interligar redes distantes com uma velocidade comparável aos backbones DWDM
(Dense Wavelength Division Multiplex) 18, uma tecnologia muito mais cara, utilizada
atualmente nos backbones da Internet.

Suponha por exemplo que você precise interligar 5.000 PCs, divididos entre a
universidade, o parque industrial e a prefeitura de uma grande cidade.

Você poderia utilizar um backbone 10 Gigabit Ethernet para os backbones principais,


unindo os servidores dentro dos três blocos e os interligando à Internet, usar uma malha
de switches Gigabit Ethernet para levar a rede até as salas, linhas de produção e salas de
aula e usar hubs 10/100 para levar a rede até os alunos e funcionários, talvez
complementando com alguns pontos de acesso 802.11b para oferecer também uma opção
de rede sem fio.

Isto estabelece uma pirâmide, onde os usuários individuais possuem conexões


relativamente lentas, de 10 ou 100 megabits, interligadas entre si e entre os servidores
pelas conexões mais rápidas e caras, um sistema capaz de absorver várias chamadas de
videoconferência simultâneas por exemplo.

Tanto o Gigabit quanto o 10 Gigabit sinalizam que as redes continuarão a ficar cada
vez mais rápidas e mais acessíveis. Hoje em dia é possível comprar uma placa 10/100 por
volta de 20 reais e, com o barateamento dos novos padrões, estes preços não voltarão a
subir.

Com as redes tão baratas, aplicações que estavam fora de moda, como os terminais
diskless, terminais gráficos, etc. voltaram a ser atrativas.

Os PCs continuam relativamente caros, mas a banda de rede está muito barata.

Com isto, começa a fazer sentido aproveitar PCs antigos, transformando-os em


terminais de PCs mais rápidos.

Um único Pentium III ou Duron pode servir 5, 10 ou até mesmo 20 terminais 486 e
com um desempenho muito bom, já que os aplicativos rodam no servidor, não nos
terminais.

18
DWDM - tecnologia de transmissão de dados através em ondas de luz através de fibras óticas; cada sinal tem seu próprio
comprimento de onda e pode-se transmitir até 80 canais diferentes em uma única fibra ótica.
TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 76
17 – PROXY E FIREWALL
17.1 – Proxy

Os servidores de proxy são usados para permitir aos micros de uma rede interna o
acesso à Web, FTP e outros serviços mais, no qual ele foi previamente configurado.

O proxy é um servidor especial, que roda em uma máquina que pode agir também
como se fosse um Firewall, escondendo os computadores da rede interna.

Basicamente, ele recebe requisições de máquinas que estão na rede interna, envia
aos servidores que estão do lado externo da rede, lê as respostas externas e envia de volta
o resultado aos clientes da rede interna.

Normalmente, o mesmo servidor proxy é usado para todos os clientes em uma rede
interna, que pode ou não ser constituída de sub-redes.

Os tipos de servidores Proxy mais utilizados, são:

A) Os proxies genéricos, que oferecem serviços de proxy para várias aplicações (por
exemplo Web, Ftp, Gopher e Telnet) em um único servidor.

B) Os proxies específicos, que oferecem serviços de proxy para uma determinada


aplicação, como é o caso do Web Proxy, que é um proxy que tem por finalidade, fazer
caching de documentos Web que foram acessados, reduzindo de forma considerável, o
tráfego de acesso à Internet em requisições futuras.

Nota: A habilidade de fazer cache dos documentos acessados, tornou atrativo o seu uso
dentro de empresas e provedores de acesso à Internet, pois com ele, existe o ganho de
"banda virtual", tendo em mente que documentos frequentemente acessados, serão
retornados do cache local ao invés de um servidor remoto distante.

Fluxo de informações no proxy

Na ilustração mostrada acima, temos uma demonstração de como funciona o fluxo


dentro de um Servidor Proxy (Servidor Web Proxy); ele recebe as requisições, faz uma
análise no cache local, e se o documento estiver no cache, ele responde automaticamente,
caso contrário, se o documento não estiver no cache, ou se ele estiver precisando de
atualização, ele vai ao endereço remoto e busca o documento, ou as atualizações e guarda

TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 77


no cache local, para ser usado nas requisições futuras.

Os proxies de circuitos, que oferecem conexões virtuais ponto a ponto entre o cliente
e o destino final, eles normalmente fazem a autenticação antes de estabelecer a conexão
final, agindo como se fosse um controlador.

Esse tipo de proxy, baseia-se livremente no conceito de proxy genérico.

17.2 – Firewall

Firewall é o mecanismo de segurança interposto entre a rede interna e a rede


externa com a finalidade de liberar ou bloquear o acesso de computadores remotos aos
serviços que são oferecidos em um perímetro ou dentro da rede corporativa.
Este mecanismo de segurança pode ser baseado em hardware, software ou uma
mistura dos dois.

Três fatores estão em risco quando nos conectamos a Internet, são eles, a
reputação, os computadores e as informações guardadas, e três fatores precisam ser
resguardados, a privacidade, a integridade e a disponibilidade.

Existem situações de riscos como, roubo de conexão depois dela ter sido
autenticada, espionagem de dados secretos enquanto em trânsito pela rede e um usuário
não autenticado convence a rede que ele foi autenticado.

O firewall é o ponto de conexão com a Internet, tudo o que chega à rede interna
deve passar pelo firewall, ele é também o responsável por aplicar as regras de segurança,
autenticar usuários, logar tráfego para auditoria e deve limitar a exposição dos hosts
internos aos hosts da Internet, entretanto, algumas tarefas não podem ser executadas,
como, proteger a rede contra usuários internos mal intencionados, conexões que não
passam por ele, ameaças novas, no qual ele não foi parametrizado para executar uma
ação.

17.3 - Arquiteturas de Firewall

Normalmente, as empresas preferem implementar um firewall baseado apenas em


uma máquina, seja ele um host PC ou um roteador, entretanto, os firewalls mais robustos,
são compostos de várias partes. Veja algumas arquiteturas a seguir:

17.3.1 - Roteador com Triagem (Screening Router)


Essa é a maneira mais simples de se implementar um firewall, pois o filtro, apesar
de ser de difícil elaboração, é rápido de se implementar e seu custo é zero, entretanto, se
as regras do roteador forem quebradas, a rede da empresa ficará totalmente vulnerável.

Roteador com triagem

TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 78


17.3.2 - Gateway de Base Dupla (Dual Homed Gateway)
Aqui, é posto uma única máquina com duas interfaces de rede entre as duas redes
(a Internet e a rede da empresa).

Quase sempre, esse Gateway, chamado de Bastion Host (host guardião) conta com
um proxy de circuito para autenticar o acesso da rede da empresa para a internet e filtrar o
acesso da Internet contra a rede da empresa. Como na arquitetura anterior, se o proxy for
desativado, a rede da empresa ficará totalmente vulnerável.

Dual Homed Gateway

Bastion Host é qualquer computador configurado para desempenhar algum papel crítico
na segurança da rede interna, ele fica publicamente presente na Internet, provendo os
serviços permitidos pela política de segurança da empresa.

17.3.3 - Gateway Host com Triagem (Screened Host Gateway)


Roteador e Gateway aqui, são usados conjuntamente em uma arquitetura, formando
assim, duas camadas de proteção. Veja a figura a seguir.

Gateway com triagem (Screened Host Gateway)

A primeira camada, é a rede externa, que está interligada com a Internet através do
roteador, nesta camada a rede só conta com o "filtro de pacotes" que está implementado

TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 79


no roteador e tem como finalidade aceitar ou bloquear pacotes de rede seguindo as regras
definidas pela política administrativa da empresa.

A segunda camada, é a rede interna, e quem limita os acessos neste ponto é um


Bastion Host com um “proxy firewall”, pois nele temos um outro filtro de pacotes além de
mecanismos de autenticação da própria rede interna.

17.3.4 - Sub-rede com Triagem (Screened Subnet)


Roteador e Gateway, são usados aqui também conjuntamente em uma arquitetura
que é bem parecida com a arquitetura anterior, entretanto a camada de serviços nesta, fica
na mesma linha da camada interna, atrás do Bastion Host Gateway, em uma das sub-redes
que podem ser criadas nele, fortalecendo bem os serviços contra ataques externos. Veja a
figura a seguir.

Sub-rede com triagem (Screened Subnet)

A primeira camada, é a externa, que está interligada com a Internet através do


roteador, nesta camada a rede só conta com o "filtro de pacotes" que está implementado
no roteador, e tem como finalidade aceitar ou bloquear pacotes de rede seguindo as
regras definidas pela política administrativa da empresa.

A segunda camada, está dividida em duas partes, a de serviços prestados (Exemplo,


E-mail, Web, Ftp e Ras) e a interna (rede da empresa), e elas, recebem duas filtragens, a
do roteador e a do próprio programa Firewall. Esta camada utiliza também uma outra
técnica chamada NAT (Network Address Translator), que tem por finalidade transcrever
números de internet em números privados, fortalecendo bem a transparência da camada.

17.3.5 – Características importantes

TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 80


Autenticação - Processo que verifica a identidade de um usuário para assegurar de que o
mesmo que está pedindo o acesso, seja de fato, o mesmo a quem o acesso é autorizado.

Controle de Acesso - Processo que bloqueia ou permite conexões de entrada ou de saída


baseado em filtros de acesso ou através de mecanismos inteligentes que detectam o uso
abusivo, bloqueando o acesso temporariamente.

Compatibilidade - O firewall deve permitir o pleno funcionamento dos serviços prestados


na rede, bem como, interagir ou até mesmo se integrar com as aplicações servidoras
escolhidas pela corporação.

Auditoria - Processo vital na detecção de vulnerabilidades e acessos indevidos.

Flexibilidade - Facilidade no uso, ferramentas de administração de boa compreensão e


suporte técnico.

Considerações finais:
Um bom programa de segurança de rede, é construído por um conjunto de
programas e técnicas que tem por finalidade liberar ou bloquear serviços dentro de uma
rede interligada à Internet, de forma controlada.

Embora o firewall seja a parte mais importante em um programa de segurança, não


devemos nos esquecer da importância de se utilizar ferramentas que auxiliam na detecção
de brechas e vulnerabilidades dos sistemas operacionais que estão em uso na rede, com a
finalidade de detectar intrusos ou ataques. É importante também, saber a ação que deverá
ser tomada quando uma violação ou um serviço importante parar.

17.4 – NAT (Network Address Translator)

NAT (Network Address Translator) é um tradutor de endereços de rede que visa


otimizar a utilização dos endereços IP, uma vez que o crescimento da Internet tem sido
muito grande tornando escassos tais endereços IP e como sabemos, para que uma
máquina tenha acesso à rede, é preciso ter um endereço IP válido.

O NAT é uma das soluções que existem para a economia de endereços IP. Para o
tradutor funcionar, é preciso usar endereços IP privados e é importante observar que tais
endereços só podem ser utilizados em redes corporativas, pois, não são propagados pela
Internet.

O NAT abordado neste artigo, é do tipo que é utilizado em roteadores, mas, ele
também é aplicado nos firewalls e nos proxies.

Além de fazer economia de endereços IP, ele é o responsável por manter a rede
interna transparente. Os endereços IP reservados estão definidos na RFC 1918, através do
órgão IANA (Internet Assigned Numbers Authority) e suas faixas são:

[Link] até [Link] (10/8 prefix)


[Link] até [Link] (172.16/12 prefix)
[Link] até [Link] (192.168/16 prefix)

O tradutor NAT, tem três finalidades principais:

1. Cria um tipo especial de firewall, escondendo os endereços IP internos;

TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 81


2. Habilita uma empresa a utilizar maior quantidade endereços IP internos. Desde
que esses endereços sejam usados somente internamente, não há possibilidade de
conflitos com endereços IP de outras empresas;
3. Permite a empresa combinar várias conexões ISDN dentro de uma conexão de
Internet simples.

A tradução pode ocorrer de forma estática, onde se estabelece uma relação entre
endereços locais e endereços da Internet, ou dinâmica, onde o mapeamento de endereços
locais e endereços da Internet é feito conforme a necessidade de uso. As traduções
estáticas, são úteis quando disponibilizamos serviços na rede interna, como exemplo, um
site Web. A figura a seguir ilustra um processo de tradução estática.

Tradução estática

Nestas condições, quando o pedido de conexão chega ao roteador, o NAT consulta a


tabela de endereços e transcreve para o IP interno correspondente, permitindo assim, que
seja possível fazer uma conexão no sentido da Internet para a rede interna.

A figura a seguir ilustra um processo de tradução dinâmica.

TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 82


Tradução dinâmica

As traduções dinâmicas, são úteis quando, se pretende dar acesso aos computadores
no sentido da rede corporativa para Internet, e ela funciona da seguinte maneira:

O computador da rede corporativa faz uma requisição que passa pelo roteador e ele,
aloca em sua tabela, o endereço da máquina interna que requisitou a informação e o
endereço Internet configurado no roteador (esse endereço pode ser único ou uma faixa de
endereços).

Quando os dados retornam da Internet, o NAT consulta a tabela de traduções e


responde à máquina que fez a requisição.

18 – VPN
VPN (Virtual Private Network) ou Rede Privada Virtual, é uma rede privada
construída sobre a infra-estrutura de uma rede pública, normalmente a Internet.

Na VPN, ao invés de se utilizar links dedicados ou redes de pacotes (como Frame


Relay e X.25) para conectar redes remotas, utiliza-se a infra-estrutura da Internet.

A grande adesão às redes privadas virtuais ocorre principalmente pelo lado


financeiro, pois os links dedicados são caros, e do outro lado está a Internet, que por ser
uma rede de alcance mundial, tem pontos de presença espalhados pelo mundo.
Conexões com a Internet em geral tem um custo mais baixo que links dedicados,
principalmente quando as distâncias são grandes, e esse tem sido o motivo pelo qual, as
empresas cada vez mais utilizam a infra-estrutura da Internet para conectar a rede
privada.

A utilização da Internet como infra-estrutura de conexão entre hosts da rede privada


é uma ótima solução em termos de custos mas, não em termos de privacidade, pois a
Internet é uma rede pública, onde os dados em trânsito podem ser lidos por qualquer
equipamento.

Isto então compromete a segurança e a confidencialidade das informações da


empresa. Como solucionar isso?

A adoção da criptografia é a solução mais confiável para tal. Incorporando


criptografia na comunicação entre hosts da rede privada, se os dados forem capturados
durante a transmissão, não poderão a princípio, serem decifrados.

Os túneis virtuais habilitam o tráfego de dados criptografados pela Internet e esses


dispositivos, são capazes de entender os dados criptografados formando uma rede virtual
segura sobre a rede Internet.

Os dispositivos responsáveis pelo gerenciamento da VPN devem ser capazes de


garantir a privacidade, integridade, autenticidade dos dados.

18.1 – Implementação de uma VPN

Basicamente uma VPN pode ser feita de duas formas.

A primeira forma um simples host em trânsito, conecta-se em um provedor Internet


e através dessa conexão, estabelece um túnel virtual com a rede remota.

TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 83


Nesse túnel estão contidas as informações criptografadas.
Os protocolos utilizados no túnel virtual são:

• (IPSec) Internet Protocol Security


• (L2TP) Layer 2 Tunneling Protocol
• (L2F) Layer 2 Forwarding
• (PPTP) Point-to-Point Tunneling Protocol

O protocolo escolhido, será o responsável pela conexão e a criptografia entre os


hosts da rede remota.

Eles podem ser normalmente habilitados através de um servidor firewall ou RAS que
esteja trabalhando com um deles agregado.

A figura a seguir demonstra ilustra uma conexão de uma VPN com um host.

Observa-se que existe uma ligação entre o host e a rede remota através da Internet
em um túnel virtual, onde estão os dados criptografados.

Conexão VPN entre um host e uma rede remota

Uma outra forma (segunda forma) é a interligação de duas redes através de hosts
com link dedicado ou discado via internet, formando assim um túnel entre as duas redes.

A figura a seguir ilustra essa forma.

TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 84


Conexão VPN entre duas redes interligadas
18.2 – Conexão a uma VPN

Uma VPN, ou rede privada virtual é uma rede de longa distância que usa a Internet
como meio de comunicação.

Numa VPN o servidor só precisa ter um link dedicado ou dial-up para que qualquer
usuário da rede possa acessá-lo de qualquer parte do mundo usando a Internet.

O Windows 98 ou ME pode atuar apenas como cliente de uma VPN, o servidor


obrigatoriamente deve estar rodando Windows 2000 server ou qualquer outro tipo de
sistema que opere como servidor.

Para conectar-se a uma VPN basta marcar a “Rede Particular Virtual” que aparece
dentro da pasta “Comunicações” durante a instalação do Windows.

Se o Windows 98 já estiver instalado, siga os procedimentos a seguir:

1) Abra o ícone Adicionar/remover programas (Add/Remove Programs) no Painel de


controle;

2) Clique no guia Instalação do Windows (Windows Setup);

4) Clique na opção Comunicações (Communications);

5) Clique em Detalhes (Details);

6) Clique em Rede Particular Virtual (Virtual Private Network);

TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 85


Instalação da VPN no Windows 98
7) Com o programa cliente instalado, abra a janela de acesso à rede dial-up e clique
em Fazer Nova Conexão (Make New Connection).

8) Digite o nome do servidor VPN e no campo Selecionar um Dispositivo (Select a


Device) escolha “Microsoft VPN Adapter”, conforme ilustra a figura a seguir.

Para conectar-se à VPN através do Windows XP, proceda da seguinte forma:

1) Abra o Painel de Controle (Control Panel);

TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 86


2) Clique em Network Connections (Conexões de Rede);

3) Em Tarefas de Rede (Network Tasks) selecione Criar uma nova conexão (Create a
new connection);

4) Ao aparecer a caixa de diálogo Assistente para Novas Conexões (New Connection


Wizard) clique em Avançar (Next);

5) Oriente-se pelas caixa de diálogo a seguir, clicando em Conectar-me a uma rede


em meu local de trabalho (Connect to the network at my workplace) e a seguir em Avançar
(Next);

Ao conectar-se a uma rede no local de trabalho, usando VPN ou dial-up, será


possível acessar todos os dados necessários da empresa de qualquer lugar do mundo,
lembrando que o canal para estabelecer esse tipo de comunicação é a Internet.

6) Na próxima caixa de diálogo, selecione a opção Conexão VPN (rede virtual


privada) (Virtual Private Network connection);

Observe que nessa opção a conexão VPN está vinculada à Internet, que formará
então um túnel para o tráfego das informações.

TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 87


7) Digite o nome da empresa;
(por exemplo: você pode digitar o nome do seu local do trabalho ou o nome do
servidor ao qual irá se conectar).

A caixa de diálogo mostrada a seguir mostra um local específico, por exemplo, o


laboratório de informática ESF1.

Neste caso estará sendo conectado ao servidor do referido laboratório.

TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 88


O Windows pode certificar-se de que a rede pública está conectada, e para isso,
basta selecionar uma das opções na próxima caixa de diálogo, ou seja, use o discador
padrão ou opte por não iniciar nenhum tipo de conexão.

8) Para concluir, digite o nome para conexão ou o endereço IP;

Ao clicar em Avançar (Next), a conexão VPN estará criada.

TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 89


Aparecerá uma caixa de diálogo indicando que a conexão foi criada com sucesso
após os passos sugeridos pelo Assistente de Nova Conexão.

Você poderá optar ainda, por adicionar o ícone correspondente a essa conexão na
área de trabalho (Desktop).

19 – COMO FUNCIONA O PROTOCOLO FTP


O FTP (File Transfer Protocol) é uma opção comum e oferece um meio viável de
transferir arquivos na Internet. Dos seus serviços, o mais comum é o FTP anônimo, pois
este, permite o download de dados e arquivos contidos nos sites sem a necessidade de
autenticação.

Ele é utilizado também de forma personalizada e automática em soluções que


trabalham como o EDI (Eletronic Data Interchange), onde Matriz e Filial trocam arquivos de
dados com a finalidade de sincronizar seus bancos de dados.

Os programas que aceleram download, também se utilizam do protocolo FTP, sendo


que estes, usam tecnologia de empacotamento e quebra dos arquivos conseguindo assim,
uma melhora significativa na velocidade do download.

19.1 – O FTP no modo padrão

O protocolo FTP utiliza duas conexões TCP, a primeira é conhecida como “Ftp-
controle” que é estabelecida pelo cliente em uma porta TCP de número alto (1025 a 65535)
e se comunica com o servidor de FTP em uma porta TCP padrão, número 21. Essa conexão
diz ao servidor qual(is) arquivo(s) o cliente deseja e permite a passagem de outras
informações de controle (comandos por exemplo).

Contudo, quando chega à hora de transferir os dados reais, uma segunda conexão,
conhecida como “Ftp-dados” será aberta. Diferente da conexão de controle, essa conexão é
aberta pelo servidor na porta TCP 20 e se comunica com o FTP cliente em uma porta TCP
que é atribuída dinamicamente e não é privilegiada (o cliente e o servidor negociam a porta
como parte da troca de controle).

Conexão no modo padrão

Na figura acima, por exemplo, o Cliente 1025 refere-se a porta TCP 1025 e o
Servidor 21 refere-se a porta TCP 21 e assim por diante.

TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 90


19.2 – O FTP no modo passivo

O segundo método para a execução do protocolo é o FTP em modo passivo. Esse,


consiste em fazer com que o cliente abra a conexão do “Ftp-dados” quando for preciso, e
tudo é estabelecido na conexão “Ftp-controle” onde fica estabelecida inclusive a porta TCP
que o cliente vai usar contra o servidor. Além de modificar o sentido da conexão “Ftp-
dados”, as portas nesse modo são altas tanto no cliente como no servidor, ou seja, valores
que variam entre 1025 a 65535.

Conexão no modo passivo

Outro aspecto importante que deve ser mencionados aqui é o fato de que as redes,
normalmente, se conectam à Internet através de um Gateway, e que esse, dependendo do
tipo e concepção, pode fazer com que o FTP seja configurado de forma nada convencional.

Um exemplo é o Proxy da AnalogX, nesse, o programa FTP deve ser configurado


para conectar diretamente no servidor Proxy, como se ele fosse realmente o servidor de
FTP, entretanto, será passado a ele o endereço do FTP correto, de tal forma que ele fará o
resto do trabalho (conexões no FTP correto e repasses para o cliente da rede interna que
solicitou a conexão).

Nota sobre segurança: Na conexão FTP no modo padrão, a parte “Ftp-dados”, traz sérios
problemas para a segurança das redes, o motivo é que a conexão no sentido do servidor
em uma porta abaixo de 1025 (o default é 20), contra o cliente em uma porta dinâmica,
maior que 1024, sem o flag ACK acionado, é considerado pelos administradores de
segurança de redes, como acesso indevido e, será simplesmente descartado. Já o modo
passivo, é considerado o modo correto de se conectar com FTP.

TREINAMENTO EM REDES – Prof. Edgar Zuim 91


ETEC ALBERT EINSTEIN

REDES DE COMUNICAÇÃO DE DADOS


(PRÁTICA)

Prof. Wilson Carvalho de Araújo


Curso Técnico de Eletrônica
2

Apresentação
Esta apostila nasceu do agrupamento dos exercícios praticados em laboratório, em minhas
aulas de Redes de Comunicação no curso Técnico de Eletrônica da ETEC Albert Einstein.

No início, em 2008, não tínhamos laboratório estruturado e as práticas eram improvisadas


com construção de cabos e algumas verificações feitas no Windows XP das máquinas dos
laboratórios virtuais.

A construção de um ambiente específico e o uso de máquinas virtuais ajudaram muito no


processo, mas ficávamos restritos às redes locais e sem analisar o fluxo de pacotes pela
rede.

O maior avanço veio com a adoção do software de simulação Cisco Packet Tracer.

O Cisco Packet Tracer é um software de simulação de redes que permite a configuração


de equipamentos e serviços de redes com uma interface bastante amigável e didática.
Além disso, conta com recursos de visualização do tráfego dos diversos tipos de pacotes.

O software é gratuito, disponível para download (em junho de 2014) no link:


[Link]/web/about-us/cisco-packet-tracer.

O uso do Packet Tracer possibilitou ampliar as atividades de laboratório para além de


redes locais (simulações com o uso de roteadores) e serviços IP (DNS, HTTP e VoIP, por
exemplos) com noções de WANs.

De início, as atividades de laboratório foram sendo definidas conforme o avanço das aulas
teóricas.

Os roteiros aqui descritos não esgotam o assunto e não contém todas as atividades
praticadas. Por exemplo, continuo trabalhando com máquinas virtuais e Linux, mas não
são apontados aqui. Também não há nada sobre TVIP. Mas servem de ótima base para
consolidar a teoria.

Procurei focar nas necessidades do Curso Técnico de Eletrônica e nos roteiros de


laboratório com o uso do Cisco Packet Tracer. Muito deverá ser revisto, melhorado e
ampliado em futuras versões.

Da mesma forma como consultei documentos livres em sites da Internet e o próprio


software adotado também é livre, permito que esta apostila seja difundida entre os alunos
ou por quem encontre nela interesse.

Prof. Wilson
[Link]@[Link]
Outubro de 2014
3

Índice
Hub x Switch .............................................................................................................. 04
Máscara de Subredes – Subnet Mask ........................................................................... 06
Atribuição automática de IPs – DHCP ........................................................................... 08
Roteamento Estático .................................................................................................. 10
Roteamento Estático x Roteamento Dinâmico ............................................................... 15
Serviços entre Redes – DNS & HTTP ........................................................................... 26
Acesso de LAN e WLAN à WAN por ADSL ............................................................... 34
VLAN estática em Switch .................................................................................................. 37
Telefonia básica IP - VoIP no Cisco Packet Tracer ............................................................... 41
Comandos Básicos de Switches Cisco ............................................................................ 45
4

Hub x Switch
Inicie o Cisco Packet Tracer

1. Na área de trabalho, inclua:


• Um hub (Hub >> generic.[Hub-PT])
• Seis PCs (end devices >> generic [PC-PT])

2. Interligue todos os hosts ao Hub usando a conexão por cabo reto (straight)
• Connections => Cooper Staright-Through
• Use as portas Fast Ethernet de cada host.

3. No PC0, coloque o IP [Link]/24


• Clique sobre o PC0 => aba Desktop => IP configuration
IP Address [Link]
Subnet Mask [Link]

4. Nos demais PCs, coloque os seguintes endereços IP:


• PC1 = [Link]/24
• PC2 = [Link]/24
• PC3 = [Link]/24
• PC4 = [Link]/24
• PC5 = [Link]/24

5. Abra o “prompt de comandos” do PC0


• Clique sobre o PC0 => aba Desktop => command prompt

6. Teste a conectividade com as outras máquinas usando o comando “ping”.


• Ping [Link]
• Ping [Link]
• Ping [Link]
• Ping [Link]
• Ping [Link]

o O comando ping recebeu seu nome como analogia ao som de um sonar. Com este comando, o
host é capaz de verificar quantos milissegundos (ms) um pacote de informações leva para ir até
um destino e voltar. De forma simples, quanto menor o valor que ele retornar, mais rápida é sua
conexão. A resposta principal, indica quantos bytes foram enviados em cada solicitação, o tempo
de cada um (ms) e a quantidade de roteadores transitados (TTL = Time To Live – se o valor
chegar a zero, o pacote é descartado). O ping sem parâmetros envia 4 solicitações. Isto pode ser
alterado por ping – n count (count = número de solicitações) ou ping –t (envia solicitações
indefinidamente até ser parado – [ctrl]+[C]). O ping usa o ICMP (Internet Control Message
Protocol), atuando na camada de rede.

7. Escolha uma das máquinas como destino. Por exemplo, a [Link].

• Envie ping –t para ela.


• Verifique a reposta obtida e assegure-se que há conectividade.

8. A direita da tela, atrás do relógio “realtime” há a figura de um cronômetro (“simulation”). Clique


sobre ela e assegure-se de estar no modo simulação.

____________________________________________________________________________________
Laboratório de Redes – Prof. Wilson – Hub x Switch
5

9. Ative o filtro apenas para os protocolos ICMP e STP.


• Edit filters => show all/none => ICMP, STP (após a escolha, clique fora da tela).

10. Execute a visualização das mensagens.


• Auto Capture / Play (pode-se ajustar a velocidade na barra de rolagens imediatamente abaixo)

11. Verifique o fluxo das mensagens e responda:


a) A solicitação de eco (ping), enviada pela máquina de origem, é replicada para quantos hosts?
b) Todos a recebem?
c) Algum host descarta a mensagem de solicitação de eco (ping)?
d) Quantas máquinas respondem à solicitação de eco (ping)?
e) A resposta à solicitação de eco é enviada para quantos hosts?
f) Todos a recebem?
g) Algum host descarta a mensagem de resposta da solicitação de eco (ping)?

12. Saia do modo simulação, voltando à tela “realtime”.

13. Finalize o ping ( [ctrl]+[c] no prompt de comandos do host que enviou o ping).

14. Substitua o hub por um switch


• Switches >> generic [generic-switch-pt]
o Podemos incluir/excluir portas (Max. 8). Clique sobre o switch. Na aba “physical” desligue o
switch e inclua portas arrastando as figuras RJ45 às partes livres. Religue o switch.

15. Refaça as conexões entre os hosts e o elemento concentrador (neste caso, o switch).

16. Repita o procedimento a partir do passo 5 até o passo 13, inclusive as análises.

17. Envie uma mensagem ping em broadcast.


• ping [Link]
o O ping em broadcast não opera numa rede real, mas há aplicações para isto, como o
NMAP.

18. Verifique quais hosts respondem.

19. Salve o arquivo, encerre o Cisco Packet Tracer e responda:


h) Qual a diferença na atuação do hub e do switch?
i) Para que servem as mensagens STP usadas pelo Switch?

____________________________________________________________________________________
Laboratório de Redes – Prof. Wilson – Hub x Switch
6

Máscara de Subredes – Subnet Mask


Inicie o Cisco Packet Tracer

1. Na área de trabalho, inclua:


• Um switch (Switches => 2950-24 – switch de 24 portas)
• dez PCs (end devices => generic [PC-PT])

2. Interligue todos os hosts ao Switch usando a conexão por cabo reto


• Connections => Cooper Staright-Through
• Use as portas Fast Ethernet de cada host.

3. No PC0, coloque o IP [Link]/24


• Clique sobre o PC0 => aba Desktop => IP configuration
IP Address [Link]
Subnet Mask [Link]

4. Nos PCs, coloque os seguintes endereços IP:


• PC1 = [Link]/24
• PC2 = [Link]/24
• PC3 = [Link]/24
• PC4 = [Link]/24
• PC5 = [Link]/24
• PC6 = [Link]/24
• PC7 = [Link]/24
• PC8 = [Link]/24
• PC9 = [Link]/24

5. Verifique as configurações IP de PC0:


• Clique sobre o PC0 => aba Desktop => command prompt
• ipconfig

6. Teste a conectividade de PC0 com as outras máquinas usando o comando “ping”.


• ping [Link]
• Quais máquinas respondem? Porque?

7. Verifique as configurações IP de PC5:


• Clique sobre o PC5 => aba Desktop => command prompt
• ipconfig

8. Teste a conectividade de PC5 com as outras máquinas usando o comando “ping”.


• ping [Link]
• Quais máquinas respondem? Porque?

9. Responda:
• Qual a classe destas redes?
• Quantas redes temos configuradas?
• Qual o endereço de cada rede?
• Qual o endereço de broadcast de cada rede?

____________________________________________________________________________________
Laboratório de Redes – Prof. Wilson – Subnet Mask
7

10. No PC0, coloque o IP [Link]/26


• Clique sobre o PC0 => aba Desktop => IP configuration
IP Address [Link]
Subnet Mask [Link]

11. Nos PCs, coloque os seguintes endereços IP:


• PC1 = [Link]/26
• PC2 = [Link]/26
• PC3 = [Link]/26
• PC4 = [Link]/26
• PC5 = [Link]/26
• PC6 = [Link]/26
• PC7 = [Link]/26
• PC8 = [Link]/26
• PC9 = [Link]/26

12. Verifique as configurações IP de PC0:


• Clique sobre o PC0 => aba Desktop => command prompt
• ipconfig

13. Teste a conectividade de PC0 com as outras máquinas usando o comando “ping”.
• ping [Link]
• Quais máquinas respondem? Porque?

14. Verifique as configurações IP de PC7:


• Clique sobre o PC7 => aba Desktop => command prompt
• ipconfig

15. Teste a conectividade de PC7 com as outras máquinas usando o comando “ping”.
• ping [Link]
• Quais máquinas respondem? Porque?

16. Salve o arquivo, encerre o Cisco Packet Tracer e responda:


a) Quantas redes temos configuradas?
b) Qual o endereço de cada rede?
c) Qual o endereço de broadcast de cada rede?

____________________________________________________________________________________
Laboratório de Redes – Prof. Wilson – Subnet Mask
8

Atribuição automática de IPs – DHCP


Inicie o Cisco Packet Tracer

1. Na área de trabalho, inclua:


• Um switch (Switches => 2950-24 – switch de 24 portas)
• Um Servidor (end devices => generic [Server-PT])
• dez PCs (end devices => generic [PC-PT])

2. Interligue todos os hosts ao switch usando a conexão por cabo reto (straight)
• Connections => Cooper Staright-Through
• Use as portas Fast Ethernet de cada host.

3. No Server0, coloque o IP [Link]/24 (IP estático)


• Clique sobre o Server0 => aba Desktop => IP configuration
IP Address [Link]
Subnet Mask [Link]
o Há maquinas (hosts) em que o ip deve ser configurado de forma estática pelo administrador da
rede.

4. Configure o serviço DHCP no Server0


• Clique sobre o Server0 => aba Config => coluna da esquerda, botão DHCP.
o Ao clicar sobre um serviço, ele é automaticamente ativado (colocado em “ON”). No caso de ativar
“sem querer” um serviço, coloque-o em “OFF” antes de sair da tela.
• Verifique e alimente os campos
Default gateway: deve-se declarar o roteador gatway da rede – não é o caso deste exercício.
DNS Server: declara-se qual será o servidor de nome de domínios – não é o caso.
Start IP Address: endereço inicial a ser fornecido. Coloque em [Link]
Subnet Mask: máscara de rede, de acordo com o IP. Coloque [Link]
Maximum Number of Users: número de hosts da rede. Coloque 11.
• Clique no botão [ Save ] para efetivar as configurações.

5. Coloque todos os PCs para solicitar IP (IP dinâmico).


• Clique sobre o PC => aba Desktop => IP configuration => DHCP
o Aguarde até o host receber a configuração IP antes de sair da tela.

6. Teste as conexões de rede:


• Abra o prompt de comandos no PC0 e verifique o IP (ipconfig)
• Teste a conectividade com o restante da rede com o ping (em broadcast)
• Todas as máquinas respondem?

7. Realize a seguinte sequência de comandos e verificações


• Abra o prompt de comandos no PC0 e no PC9
• No PC0 digite: ipconfig
• Ainda no PC0, digite: ipconfig /release
• No PC9 digite: ipconfig
• Ainda no PC9, digite: ipconfig /release
• No PC0 digite: ipconfig /renew
• No PC9 digite: ipconfig /renew

____________________________________________________________________________________
Laboratório de Redes – Prof. Wilson – DHCP
9

8. Responda as seguintes questões:


a) Houve troca em algum endereço IP? Por quê?
b) O que faz o comando ipconfig com o parâmetro /release?
c) O que faz o comando ipconfig com o parâmetro /renew?
d) Insira mais quatro PCs e conecte ao switch e os configure para DHCP.
e) Os novos hosts da rede obtêm IP?

9. Libere os IPs de PC1, PC2, PC3 e PC4 (ipconfig /release em prompt de comandos)

10. Execute, em prompt de comandos, ipconfig /renew nos novos hosts (PC10 ~ PC13)

11. Verifique se adquiriram IP.

12. Volte aos hosts anteriores (PC1 ~ PC4) e verifique se renovam o IP.
• Execute ipconfig /renew em cada um dos PCs indicados

13. Explique o ocorrido e a causa.

14. Para que serve o DHCP?

15. Na área de trabalho, insira mais um Server-PT.

16. Neste novo servidor (Server1), coloque o IP [Link]/24 (IP estático)


• Clique sobre o Server1 => aba Desktop => IP configuration
• Start IP Address: endereço inicial a ser fornecido. Coloque em [Link]
• Subnet Mask: máscara de rede, de acordo com o IP. Coloque [Link]
• defina Maximum Number of Users para 8.

17. No Server0, em DHCP, redefina Maximum Number of Users para 8.

18. Salve o arquivo da simulação, feche-o e reabra. Isto provocará reset na simulação, com
renovação de IPs de todos os PCs na simulação.

19. No prompt de comandos do PC0, verifique seu IP (ipconfig) e verifique com quais ela consegue
conexão de rede através de um ping em broadcast.

20. Localize um host que não tenha respondido ao ping do item anterior e repita o procedimento
nele (ipconfig e ping em broadcast) e verifique quais hosts respondem.

21. Encerre o Cisco Packet Tracer e responda:


f) Dois DHCP-Servers podem atuar numa mesma rede?
g) Se sim, qual a vantagem de se fazer isso?
h) Ainda em caso positivo, que cuidados devem ser tomados?

____________________________________________________________________________________
Laboratório de Redes – Prof. Wilson – DHCP
10

Roteamento Estático
Introdução teórica

Roteamento é o nome do processo utilizado pelo Router (roteador) para encaminhar um pacote de
dados de uma rede à outra rede. Esse processo é baseado no endereço IP de destino. Os
dispositivos intermediários utilizam o endereço IP para conduzir o pacote até seu destino final.

Para decidir por onde encaminhar o pacote, o roteador tem que “aprender” os caminhos até chegar
ao destino, através dos protocolos de roteamento dinâmico. No caso de roteamento estático, o
administrador deve declarar o caminho manualmente.

No rotamento estático, caso haja alguma alteração de rede, todas as rotas deverão ser reavaliadas
e alteradas manualmente, se necessário.

Parte prática

Inicie o Cisco Packet Tracer

1. Na área de trabalho, inclua:


• Dois switches (Switches => 2950-24 – switch de 24 portas)
• Dois servidores (end devices => generic [Server-PT])
• Dois roteadores (Routers => 1841)

2. Interligue o Switch0 ao Router0 e o Switch1 ao Router1 usando a conexão por cabo reto
(straight). Em cada switch conecte um dos servidores também usando conexão por cabo reto
(straight).
• Connections => Cooper Staright-Through
• Use as portas Fast Ethernet (fa).

3. Interligue o Router0 ao Router1 usando a conexão por cabo cruzado (crossover).


• Connections => Cooper Cross-Over
• Use as portas Fast Ethernet (fa).

4. No Server0, coloque o IP [Link]/24 (IP estático)


• Clique sobre o Server0 => aba Desktop => IP configuration
IP Address [Link]
Subnet Mask [Link]
Default Gateway [Link]

5. Configure o serviço DHCP no Server0


• Clique sobre o Server0 => aba Config => coluna da esquerda, botão DHCP.
• Verifique e alimente os campos
Default gateway: deve-se declarar o roteador gatway da rede. Coloque [Link]
DNS Server: declara-se qual será o servidor de nome de domínios – não é o caso.
Start IP Address: endereço inicial a ser fornecido. Coloque em [Link]
Subnet Mask: máscara de rede, de acordo com o IP. Coloque [Link]
Maximum Number of Users: número de hosts da rede. Coloque 20.
• Clique no botão [ Save ] para efetivar as configurações.

____________________________________________________________________________________
Laboratório de Redes – Prof. Wilson – Roteamento Estático x Roteamento Dinâmico
11

6. No Server1, coloque o IP [Link]/24 (IP estático)


• Clique sobre o Server0 => aba Desktop => IP configuration
IP Address [Link]
Subnet Mask [Link]
Default Gateway [Link]
7. Configure o serviço DHCP no Server1
• Clique sobre o Server0 => aba Config => coluna da esquerda, botão DHCP.
• Verifique e alimente os campos
Default gateway: deve-se declarar o roteador gatway da rede.
Coloque [Link]
DNS Server: declara-se qual será o servidor de nome de domínios – não é o caso.
Start IP Address: endereço inicial a ser fornecido. Coloque em [Link]
Subnet Mask: máscara de rede, de acordo com o IP. Coloque [Link]
Maximum Number of Users: número de hosts da rede. Coloque 20.
• Clique no botão [ Save ] para efetivar as configurações.

8. Na área de trabalho, inclua:


• dez PCs (end devices >> generic [PC-PT])

9. No switch0, conecte de PC0 a PC4; no switch1, conecte de PC5 a PC9. Interligue todos os
hosts aos switches usando a conexão por cabo reto (straight).
• Connections => Cooper Staright-Through
• Use as portas Fast Ethernet de cada host.

10. Coloque todos os PCs para solicitar IP (IP dinâmico).


• Clique sobre o PC => aba Desktop => IP configuration => DHCP

11. Teste as conexões de rede:


• Abra o prompt de comandos no PC0 e verifique o IP (ipconfig)
• Teste a conectividade com o restante da rede com o ping (em broadcast)
• ping [Link]
• Verifique se todas as máquinas de sua rede respondem.
Verifique também o TTL indicado: TTL = __________
• Abra o prompt de comandos no PC5 e verifique o IP (ipconfig)
• Teste a conectividade com o restante da rede com o ping (em broadcast)
• ping [Link]
• Verifique se todas as máquinas de sua rede respondem.
Verifique também o TTL indicado: TTL = __________

As redes LAN devem operar normalmente na forma individual, mas ainda não trocam informações
entre si. Os cabos que interligam os roteadores devem estar fora de operação (conexões
vermelhas).

Parando com o mouse sobre o roteador, podemos verificar o status das portas (coluna Link) e
configuração IPv4 (coluna IP Address):

____________________________________________________________________________________
Laboratório de Redes – Prof. Wilson – Roteamento Estático x Roteamento Dinâmico
12

A figura a seguir ilustra as interligações deste exercício.

O roteador tem duas portas Fast Ethernet (Fa), cada uma conectada a uma
rede. Posicione o mouse (sem clicar) sobre cada enlace que interliga os
roteadores. Observe com atenção a identificação de cada uma.

Vamos configurar as portas do roteador manualmente usando linha de comando (CLI – command
line interface).

12. Configure as interfaces de rede do Router0:


• Clique sobre o Router0. Escolha a aba CLI.
• Na janela de comandos, acione simultaneamente as teclas [ctrl]+[C] e, em seguida, dê [enter].
Aparecerá o prompt: Router>
• Na figura do exemplo, a Fa0/0 está conectada na rede [Link] (Switch0) e a Fa0/1 na rede
[Link].
Neste caso, a sequência de comandos será (o primeiro símbolo indica o prompt):

> enable - habilita entrada de comandos root


# configure terminal - entra no modo configuração
# interface FastEthernet0/0 - declara a interface a configurar
# ip address [Link] [Link] - define IP e máscara
# no shutdown - ativa a interface (on)
# exit - encerra acesso à interface
# exit - encerra configuração
# disable - encerra entrada de comandos root

• Repita a operação para a outra interface, no exemplo a Fa0/1, definindo o endereço [Link]/8.

> enable - habilita entrada de comandos root


# configure terminal - entra no modo configuração
# interface FastEthernet0/1 - declara a interface a configurar
# ip address [Link] [Link] - define IP e máscara
# no shutdown - ativa a interface (on)
# exit - encerra acesso à interface
# exit - encerra configuração
# disable - encerra entrada de comandos root

____________________________________________________________________________________
Laboratório de Redes – Prof. Wilson – Roteamento Estático x Roteamento Dinâmico
13

13. Configure a rota entre as redes (rota estática):


• Devemos declarar o caminho para a rede [Link]/24 via [Link]

> enable - habilita entrada de comandos root


# configure terminal - entra no modo configuração
# ip route [Link] [Link] [Link] - rota estática
# exit - encerra configuração
# disable - encerra entrada de comandos root

14. Configure as interfaces de rede do Router1.


Se você seguiu a sequência indicada, no Roputer1 terá a interface Fa0/1 ligada à rede [Link] e
a Fa0/0 na rede [Link].

> enable - habilita entrada de comandos root


# configure terminal - entra no modo configuração
# interface FastEthernet0/0 - declara a interface a configurar
# ip address [Link] [Link] - define IP e máscara
# no shutdown - ativa a interface (on)
# exit - encerra acesso à interface
# exit - encerra configuração
# disable - encerra entrada de comandos root

• Repita a operação para a outra interface, no exemplo a Fa0/1, definindo o endereço [Link]/8.

> enable - habilita entrada de comandos root


# configure terminal - entra no modo configuração
# interface FastEthernet0/1 - declara a interface a configurar
# ip address [Link] [Link] - define IP e máscara
# no shutdown - ativa a interface (on)
# exit - encerra acesso à interface
# exit - encerra configuração
# disable - encerra entrada de comandos root

15. Da mesma forma, use o descrito no item 13 como exemplo para configurar o Router1 para
acessar a rede [Link]/24 pela interface [Link]

> enable - habilita entrada de comandos root


# configure terminal - entra no modo configuração
# ip route [Link] [Link] [Link] - rota estática
# exit - encerra configuração
# disable - encerra entrada de comandos root

16. Teste a conexão entre as redes:


• Abra o prompt de comandos no PC0 e verifique o IP (ipconfig)
• Teste a conectividade com um host da outra rede
ping [Link]
• Verifique o parâmetro TTL
Há o decréscimo de uma unidade por termos um roteador: TTL = __________
• Verifique o traçado da rota até o destino
tracert [Link]
Verifique a listagem obtida e interprete o ocorrido.

____________________________________________________________________________________
Laboratório de Redes – Prof. Wilson – Roteamento Estático x Roteamento Dinâmico
14

• Abra o prompt de comandos no PC5 e verifique o IP (ipconfig)


• Teste a conectividade com um host da outra rede
ping [Link]
• Verifique o parâmetro TTL
Há o decréscimo de uma unidade por termos um roteador: TTL = __________
• Verifique o traçado da rota até o destino
tracert [Link]
Verifique a listagem obtida e interprete o ocorrido.

17. Teste os domínios de rede:


• Abra o prompt de comandos no PC0 e verifique o IP (ipconfig)
• Teste a conectividade com o restante da rede com o ping (em broadcast)
ping [Link]
• Verifique se todas as máquinas das duas redes respondem.
• Abra o prompt de comandos no PC5 e verifique o IP (ipconfig)
• Teste a conectividade com o restante da rede com o ping (em broadcast)
ping [Link]
• Verifique se todas as máquinas das duas redes respondem.

O procedimento descrito é comumente utilizado em configurações no modo terminal. Há a


possibilidade de usar também a interface gráfica (GUI – Graphic User Interface).

18. Vejamos a interface de configuração gráfica (GUI) do roteador.


Note que os parâmetros cadastrados por linha de comandos são exibidos.
• Clique sobre o roteador e escolha a aba “Config”.
À esquerda há uma série de botões de configuração.
• Clique sobre (Interface) FastEthernet0/0 e verifique as configurações.
Compare com os dados informados por linha de comandos (itens 12 e 14).
• Clique sobre (Interface) FastEthernet0/1 e verifique as configurações.
Compare com os dados informados por linha de comandos (itens 12 e 14).
• Clique sobre (Routing) Static e verifique as configurações.
Compare com os dados informados por linha de comandos (item 13).
• No caso de não encontrar relação entre o mostrado pela interface gráfica com o executado pela
linha de comandos, tire sua(s) dúvida(s) com o professor.

19. Encerre o Cisco Packet Tracer e responda:


a) Qual a função do roteador?
b) O que é um default gateway?
c) O que acontece se não declararmos o default gateway em um PC?
d) Qual a principal desvantagem no uso do roteamento estático?
e) O que é domínio de difusão de uma rede?
f) Por que todas as máquinas das duas redes não respondem simultaneamente aos
“broadcasts”?
g) O que representa o TTL apresentado na resposta do comando “ping”?
h) O que faz o comando “tracert”?
i) Neste exercício, quantas redes estão configuradas?
j) Quais os endereços de cada rede?

____________________________________________________________________________________
Laboratório de Redes – Prof. Wilson – Roteamento Estático x Roteamento Dinâmico
15

Roteamento Estático x Roteamento Dinâmico

Introdução Teórica

A Internet foi criada pelo Departamento de Defesa dos EUA em 1969, com o objetivo de construir
um sistema de comunicação digital para tempos de guerra. Entretanto, havia um grande problema:
se uma das estações de transferência fosse atacada? Houve então a necessidade de que as
informações pudessem ser rapidamente redirecionadas, para contornar problemas com uma parte
inoperante da rede.

A solução encontrada foi a criação de protocolos de roteamento que permitissem a construção e


atualização de tabelas de roteamento entre os gateways. Com o crescimento da rede e
consequentemente das tabelas de roteamento, foi necessário a implantação de protocolos de
roteamento hierárquicos. Assim os roteadores foram divididos em regiões chamadas Autonomous
System (AS), onde cada roteador conhece todos os detalhes de sua própria região e não conhecia
a estrutura interna de outras regiões.

Para uma rede local existem dois níveis de comunicação: interna ao AS, que utiliza algoritmos de
roteamento IGP (Interior Gateway Protocol) e externa ao AS, que utiliza algoritmos de roteamento
EGP (Exterior Gateway Protocol).

O protocolo RIP (Routing Information Protocol) utiliza o algoritmo vetor-distância. Este algoritmo é
responsável pela construção de uma tabela que informa as rotas possíveis dentro do AS.

Os protocolos baseados no algoritmo vetor-distância partem do princípio de que cada roteador do


AS deve conter uma tabela informando todas as possíveis rotas dentro deste AS. A partir desta
tabela o algoritmo escolhe a melhor rota e o enlace que deve ser utilizado. Estas rotas formam uma
tabela. Cada uma destas rotas contém as seguintes informações:

• Endereço => IP da rede;


• Roteador => Próximo roteador da rota de destino;
• Interface => O enlace utilizado para alcançar o próximo roteador da rota de destino;
• Métrica => Número indicando a distância da rota (0 a 15), sendo uma rota com métrica 16
considerada uma rota infinita;
• Tempo => Quando a rota foi atualizada pela última vez;

O protocolo RIP utiliza o conceito broadcast, desta forma um roteador envia sua tabela para todos
os seus vizinhos em intervalos predefinidos de tempo (geralmente 30 segundos). Estas mensagens
fazem com que os roteadores vizinhos atualizem suas tabelas e que por sua vez serão enviadas
aos seus respectivos vizinhos.

O tempo de convergência é muito importante para que a rede não fique por muito tempo
desatualizada. Para isso existem algumas implementações a respeito de rotas muito grandes. Uma
delas é o método Split Horizon With Poisonous Reverse. Neste, diante de uma falha em um nó da
rede, os roteadores que usariam este nó como alternativa marcam suas mensagens com métrica
infinita (16) evitando que o pacote seja devolvido e entre em loop.

Os pacotes RIP são transmitidos através de UDP e IP, usando a porta 520 do UDP tanto para
transmissão quanto para recepção. Se uma rota não é atualizada dentro de 180 segundos, sua
distância é colocada em infinito e a entrada será mais tarde removida das tabelas de roteamento.

____________________________________________________________________________________
Laboratório de Redes – Prof. Wilson – Roteamento Estático x Roteamento Dinâmico
16

O OSPF é um protocolo especialmente projetado para o ambiente TCP/IP para ser usado
internamente ao AS. Sua transmissão é baseada no Link State Routing Protocol e a busca pelo
menor caminho é computada localmente, usando o algoritmo Shortest Path First - SPF.

O SPF funciona de modo diferente do vetor-distância, ao invés de ter na tabela as melhores rotas,
todos os nós possuem todos os links da rede. Cada rota contém o identificador de interface, o
número do enlace e a distância ou métrica. Com essas informações os nós (roteadores) descobrem
a melhor rota.

Enquanto o RIP converge proporcionalmente ao número de nós da rede, o OSPF converge em


uma proporção logarítmica ao número de enlaces. Isto torna a convergência do OSPF muito mais
rápida. Além disso, no protocolo RIP, a mensagem é proporcional ao número de destinos, sendo
assim se a rede é muito grande, cada mensagem terá de ser subdividida em vários pacotes,
diminuindo mais ainda a velocidade de convergência.

Nem sempre a melhor rota entre dois pontos deve ser a única utilizada, pois isso pode implicar em
sua sobrecarga. Análises matemáticas provaram que a divisão do tráfego em duas rotas é mais
eficiente. Por isso o OSPF utiliza o método de divisão de caminhos. Essa divisão é realizada por
um algoritmo muito complexo, pois, como dificilmente uma fonte e um destino tem duas rotas
possíveis exatamente iguais, é feita uma análise se as rotas são suficientemente iguais. Além
disso, deve-se decidir a fração do tráfego que deve ser enviado em cada uma delas.
Exemplificando: Um pacote que iria de X para Y, só pode passar por Z se a distância entre Z e Y
for menor que a distância entre X e Y. Com isso, são determinadas todas as rotas secundárias que
alcançarão um determinado nó.

Parte prática

Neste exercício, usaremos interfaces seriais DCE (Data Communications Equipment, Data Circuit-
terminating Equipment). O DCE serve para realizar algumas tarefas importantes na transmissão de
dados entre dois dispositivos como determinar a frequência de clock, a determinação dos erros de
transmissão e a codificação, enfim a definição de como se envia e como se recebem os dados.
Isso significa que um DCE pode ser um dispositivo ligado diretamente ao roteador ou uma interface
com estas capacidades.

Dadas as quantidades de configurações a serem feitas, é muito importante organizar-se para não
se perder. Qualquer trabalho efetuado em redes de computadores deve ser registrado para
referência futura. Não confie apenas na sua memória: em instantes esquecemos qual host
configuramos com qual IP ou qual rota foi definida.

A figura seguinte ilustra o diagrama de conexões deste exercício. Anote nele os endereços de rede
e os endereços das interfaces com IPs estáticos (Routers e Servers). Isto evitará que você se
perca durante o processo de construção e configuração e ajudará na compreensão do
funcionamento do conjunto.

____________________________________________________________________________________
Laboratório de Redes – Prof. Wilson – Roteamento Estático x Roteamento Dinâmico
17

____________________________________________________________________________________
Laboratório de Redes – Prof. Wilson – Roteamento Estático x Roteamento Dinâmico
18

Construção da Rede

Inicie o Cisco Packet Tracer

1. Na área de trabalho, inclua:


• Três switches (Switches => 2950-24 – switch de 24 portas)
• Três servidores (end devices => Generic [Server-PT])
• Três roteadores (Routers => Generic [Router-PT])

2. Interligue o Switch0 ao Router0 o Switch1 ao Router1 e o Switch2 ao Router2 usando a


conexão por cabo reto (straight). Em cada switch conecte um dos servidores também usando
conexão por cabo reto (straight).
• Connections => Cooper Staright-Through
• Use as portas Fast Ethernet (fa).

3. Interligue os Routers usando a conexão Serial DCE.


Use a figura ao lado como referência.
• Connections => Serial DCE
• Use as portas seriais.
Router0 (Se3/0)  Router1 (Se2/0)
Router0 (Se2/0)  Router2 (Se2/0)
Router1 (Se3/0)  Router2 (Se3/0)

4. No Server0, coloque o IP [Link]/24 (IP estático)


• Clique sobre o Server0 => aba Desktop => IP configuration
IP Address [Link]
Subnet Mask [Link]
Default Gateway [Link]

5. Configure o serviço DHCP no Server0


• Clique sobre o Server0 => aba Config => coluna da esquerda, botão DHCP.
• Verifique e alimente os campos
Default gateway: deve-se declarar o roteador gatway da rede. Coloque [Link]
DNS Server: declara-se qual será o servidor de nome de domínios – não é o caso.
Start IP Address: endereço inicial a ser fornecido. Coloque em [Link]
Subnet Mask: máscara de rede, de acordo com o IP. Coloque [Link]
Maximum Number of Users: número de hosts da rede. Coloque 20.
• Clique no botão [ Save ] para efetivar as configurações.

6. No Server1, coloque o IP [Link]/24 (IP estático)


• Clique sobre o Server1 => aba Desktop => IP configuration
IP Address [Link]
Subnet Mask [Link]
Default Gateway [Link]

7. Configure o serviço DHCP no Server1


• Clique sobre o Server1 => aba Config => coluna da esquerda, botão DHCP.
• Verifique e alimente os campos
Default gateway: deve-se declarar o roteador gatway da rede. Coloque [Link]
DNS Server: declara-se qual será o servidor de nome de domínios – não é o caso.
Start IP Address: endereço inicial a ser fornecido. Coloque em [Link]
Subnet Mask: máscara de rede, de acordo com o IP. Coloque [Link]
Maximum Number of Users: número de hosts da rede. Coloque 20.
• Clique no botão [ Save ] para efetivar as configurações.
____________________________________________________________________________________
Laboratório de Redes – Prof. Wilson – Roteamento Estático x Roteamento Dinâmico
19

8. No Server2, coloque o IP [Link]/24 (IP estático)


• Clique sobre o Server2 => aba Desktop => IP configuration
IP Address [Link]
Subnet Mask [Link]
Default Gateway [Link]

9. Configure o serviço DHCP no Server2


• Clique sobre o Server2 => aba Config => coluna da esquerda, botão DHCP.
• Verifique e alimente os campos
Default gateway: deve-se declarar o roteador gatway da rede.
Coloque [Link]
DNS Server: declara-se o servidor de nome de domínios – não é o caso.
Start IP Address: endereço inicial a ser fornecido. Coloque em [Link]
Subnet Mask: máscara de rede, de acordo com o IP. Coloque [Link]
Maximum Number of Users: número de hosts da rede. Coloque 20.
• Clique no botão [ Save ] para efetivar as configurações.

10. Na área de trabalho, inclua:


• Nove PCs (end devices >> generic [PC-PT])

11. No switch0, conecte de PC0 a PC2; no switch1, conecte de PC3 a PC5; no switch2, conecte de
PC6 a PC8. Interligue todos os hosts aos switches usando a conexão por cabo reto (straight).
• Connections => Cooper Staright-Through
• Use as portas Fast Ethernet de cada host.

12. Coloque todos os PCs para solicitar IP (IP dinâmico).


• Clique sobre o PC => aba Desktop => IP configuration => DHCP

13. Teste as conexões de rede:


• Abra o prompt de comandos no PC0 e verifique o IP (ipconfig)
• Anote o IP de PC0: PC0 = ______________________
• Teste a conectividade com o restante da rede com o ping (em broadcast): ping [Link]
• Verifique se todas as máquinas de sua rede respondem. Verifique também o TTL indicado.
• Abra o prompt de comandos no PC3 e verifique o IP (ipconfig)
• Anote o IP de PC3: PC3 = ______________________
• Teste a conectividade com o restante da rede com o ping (em broadcast):
ping [Link]
• Verifique se todas as máquinas de sua rede respondem.
Verifique também o TTL indicado: TTL = __________
• Abra o prompt de comandos no PC6 e verifique o IP (ipconfig)
• Anote o IP de PC6: PC6 = ______________________
• Teste a conectividade com o restante da rede com o ping (em broadcast):
ping [Link]
• Verifique se todas as máquinas de sua rede respondem.
Verifique também o TTL indicado: TTL = __________
• Use o mapa da próxima página como exemplo e anote nele os IPs das interfaces para facilitar
as análises.

Os roteadores têm portas Fast Ethernet (Fa) e Seriais DCE (Se). Estas portas iniciam em “off” por
default.

Os cabos que os roteadores devem estar fora de operação (conexões vermelhas).

____________________________________________________________________________________
Laboratório de Redes – Prof. Wilson – Roteamento Estático x Roteamento Dinâmico
20

Ao posicionar o mouse sobre o roteador, podemos verificar o status das portas (Link Down, IP
Address <not set>):

As redes LAN devem operar normalmente na forma individual, mas ainda não trocam informações
entre si.

Roteamento estático

Vamos configurar as portas dos roteadores manualmente usando a interface gráfica (GUI – graphic
user interface).

14. Configure as interfaces de rede do Router0:


• Clique sobre o Router0. Escolha a aba Config.
• Clique sobre FastEthernet0/0 e configure:
IP Address [Link]
Subnet Mask [Link]
Port Status on
Responda: Qual a classe desta rede? Classe ________
• Clique sobre Serial2/0 e configure:
IP Address [Link]
Subnet Mask [Link]
Port Status on
Clock Rate escolha 1200
Responda: Qual a classe desta rede? Classe ________
• Clique sobre Serial3/0 e configure:
IP Address [Link]
Subnet Mask [Link]
Port Status on
Clock Rate escolha 9600
Responda: Qual a classe desta rede? Classe ________

15. Configure as interfaces de rede do Router1:


• Clique sobre o Router1. Escolha a aba Config.
• Clique sobre FastEthernet0/0 e configure:
IP Address [Link]
Subnet Mask [Link]
Port Status on
Responda: Qual a classe desta rede? Classe ________
• Clique sobre Serial2/0 e configure:
IP Address [Link]
Subnet Mask [Link]
Port Status on
Clock Rate ? ________________ (anote o clock rate que deve ser usado)
Responda: Qual a classe desta rede? Classe ________

____________________________________________________________________________________
Laboratório de Redes – Prof. Wilson – Roteamento Estático x Roteamento Dinâmico
21

• Clique sobre Serial3/0 e configure:


IP Address [Link]
Subnet Mask [Link]
Port Status on
Clock Rate escolha 64000
Responda: Qual a classe desta rede? Classe ________

16. Configure as interfaces de rede do Router2:


• Clique sobre o Router2. Escolha a aba Config.
• Clique sobre FastEthernet0/0 e configure:
IP Address [Link]
Subnet Mask [Link]
Port Status on
Responda: Qual a classe desta rede? Classe ________
• Clique sobre Serial2/0 e configure:
IP Address [Link]
Subnet Mask [Link]
Port Status on
Clock Rate ? ________________ (anote o clock rate que deve ser usado)
Responda: Qual a classe desta rede? Classe ________
• Clique sobre Serial3/0 e configure:
IP Address [Link]
Subnet Mask [Link]
Port Status on
Clock Rate ? ________________ (anote o clock rate que deve ser usado)
Responda: Qual a classe desta rede? Classe ________

17. Configure a rota entre as redes (rota estática):


• Em cada Roteador, na aba Config, clique sobre Static
Configure a rede de destino, máscara e próximo salto (next hope), como indicado:

Router0 Router1 Router2

18. Teste a conexão entre as redes:


• Abra o prompt de comandos no PC0 e verifique o IP (ipconfig).
• Analise a resposta e confirme o endereço da rede em que você está.
• Teste a conectividade com os hosts das outras redes.

ping __________________________ (anote o IP de PC3) – TTL = ___________

ping __________________________ (anote o IP de PC6) – TTL = ___________

• Verifique o parâmetro TTL – há o decréscimo de uma unidade por roteador.


• Verifique o traçado da rota até o destino (de PC0 para PC3 e PC6)

tracert ________________________ (anote o IP de PC3)


Verifique a listagem obtida e interprete o ocorrido.

tracert ________________________ (anote o IP de PC6)


Verifique a listagem obtida e interprete o ocorrido.
____________________________________________________________________________________
Laboratório de Redes – Prof. Wilson – Roteamento Estático x Roteamento Dinâmico
22

• Abra o prompt de comandos no PC3 e verifique o IP (ipconfig).


• Analise a resposta e confirme o endereço da rede em que você está.
• Teste a conectividade com os hosts das outras redes

ping __________________________ (anote o IP de PC0) – TTL = ___________

ping __________________________ (anote o IP de PC6) – TTL = ___________

• Verifique o parâmetro TTL – há o decréscimo de uma unidade por roteador.


• Verifique o traçado da rota até o destino (de PC3 para PC0 e PC6)

tracert ________________________ (anote o IP de PC0)


Verifique a listagem obtida e interprete o ocorrido.

tracert ________________________ (anote o IP de PC6)


Verifique a listagem obtida e interprete o ocorrido.

• Abra o prompt de comandos no PC6 e verifique o IP (ipconfig).


• Analise a resposta e confirme o endereço da rede em que você está.
• Teste a conectividade com os hosts das outras redes

ping __________________________ (anote o IP de PC3) – TTL = ___________

ping __________________________ (anote o IP de PC0) – TTL = ___________

• Verifique o parâmetro TTL – há o decréscimo de uma unidade por roteador.


• Verifique o traçado da rota até o destino (de PC6 para PC3 e PC0)

tracert ________________________ (anote o IP de PC3)


Verifique a listagem obtida e interprete o ocorrido.

tracert ________________________ (anote o IP de PC0)


Verifique a listagem obtida e interprete o ocorrido.

19. Teste os domínios de rede:


• Abra o prompt de comandos no PC0 e verifique o IP (ipconfig)
• Teste a conectividade com o restante da rede com o ping (em broadcast)
ping [Link]
• Verifique se todas as máquinas das duas redes respondem.
• Abra o prompt de comandos no PC3 e verifique o IP (ipconfig)
• Teste a conectividade com o restante da rede com o ping (em broadcast)
ping [Link]
• Verifique se todas as máquinas das duas redes respondem.
• Abra o prompt de comandos no PC6 e verifique o IP (ipconfig)
• Teste a conectividade com o restante da rede com o ping (em broadcast)
ping [Link]
• Verifique se todas as máquinas das duas redes respondem.

____________________________________________________________________________________
Laboratório de Redes – Prof. Wilson – Roteamento Estático x Roteamento Dinâmico
23

20. Delete a conexão entre o Router0 e o Router2, conforme


ilustra a figura ao lado.
• Refaça os teste de conectividade entre as redes descrito no
item 18 e responda:

a) Quais redes foram afetadas?


b) Detalhe sua resposta, indicando qual rede deixou de
conectar-se com qual outra rede.

Sugestão do professor: Refaça a conexão entre Router0 e o Router2. Salve esta simulação com o nome de
“roteamento estático” para o caso de revê-la e facilitar a comparação com o roteamento dinâmico (próxima
etapa).

Roteamento dinâmico

21. A partir da simulação anterior, restaure a conexão apagada (ítem 20) e remova toda
configuração de roteamento estático da seguinte forma:
• Clique sobre o Roter0, escolha a aba Config e o botão Static
• Na caixa Network Address, clique sobre cada configuração e clique sobre o botão Remove.
• Repita a operação para o Router1
• Repita a operação para o Router2

22. Configure o roteamento no Router0 usando o RIP (Route Information Protocol)


• Clique sobre o Router0, escolha a aba Config e o botão RIP
• No campo Network, declare as redes em que o Router0 participa:

A caixa Network Address deverá apresentá-las como a seguir:


Router0:

23. Configure o roteamento no Router1 usando o RIP (Route Information Protocol)


• Clique sobre o Router1, escolha a aba Config e o botão RIP
• No campo Network, declare as redes em que o Router1 participa:
A caixa Network Address deverá apresentá-las:
Router1: (anote as rotas que estão diretamente conectadas)

____________________

____________________

____________________

____________________________________________________________________________________
Laboratório de Redes – Prof. Wilson – Roteamento Estático x Roteamento Dinâmico
24

24. Configure o roteamento no Router2 usando o RIP (Route Information Protocol)


• Clique sobre o Router2, escolha a aba Config e o botão RIP
• No campo Network, declare as redes em que o Router2 participa:
A caixa Network Address deverá apresentá-las:
Router2: (anote as rotas que estão diretamente conectadas)

____________________

____________________

____________________

25. Teste a conexão entre as redes e compare com o verificado no teste do item 18 deste exercício
(rotas estáticas)
• Abra o prompt de comandos no PC0 e verifique o IP (ipconfig).
• Analise a resposta e confirme o endereço da rede em que você está.
• Teste a conectividade com os hosts das outras redes

ping __________________________ (anote o IP de PC3) – TTL = ___________

ping __________________________ (anote o IP de PC6) – TTL = ___________

• Verifique o parâmetro TTL – há o decréscimo de uma unidade por roteador.


• Verifique o traçado da rota até o destino (de PC0 para PC3 e PC6)

tracert ________________________ (anote o IP de PC3)


Verifique a listagem obtida e interprete o ocorrido.

tracert ________________________ (anote o IP de PC6)


Verifique a listagem obtida e interprete o ocorrido.

• Abra o prompt de comandos no PC3 e verifique o IP (ipconfig).


• Analise a resposta e confirme o endereço da rede em que você está.
• Teste a conectividade com os hosts das outras redes

ping __________________________ (anote o IP de PC0) – TTL = ___________

ping __________________________ (anote o IP de PC6) – TTL = ___________

• Verifique o parâmetro TTL – há o decréscimo de uma unidade por roteador.


• Verifique o traçado da rota até o destino (de PC3 para PC0 e PC6)

tracert ________________________ (anote o IP de PC0)


Verifique a listagem obtida e interprete o ocorrido.

tracert ________________________ (anote o IP de PC6)


Verifique a listagem obtida e interprete o ocorrido.

• Abra o prompt de comandos no PC6 e verifique o IP (ipconfig).


• Analise a resposta e confirme o endereço da rede em que você está.
• Teste a conectividade com os hosts das outras redes

____________________________________________________________________________________
Laboratório de Redes – Prof. Wilson – Roteamento Estático x Roteamento Dinâmico
25

ping __________________________ (anote o IP de PC3) – TTL = ___________

ping __________________________ (anote o IP de PC0) – TTL = ___________

• Verifique o parâmetro TTL – há o decréscimo de uma unidade por roteador.


• Verifique o traçado da rota até o destino (de PC6 para PC3 e PC0)

tracert ________________________ (anote o IP de PC3)


Verifique a listagem obtida e interprete o ocorrido.

tracert ________________________ (anote o IP de PC0)


Verifique a listagem obtida e interprete o ocorrido.

26. Delete a conexão entre o Router0 e o Router2, conforme ilustra a figura.

• Refaça os testes de conectividade entre as redes, descrito


no item 25, e responda:

a) Alguma rede perdeu conectividade com alguma outra?


b) Detalhe sua resposta, indicando qual a diferença notada
na entrega dos pacotes.

Sugestão do professor: salve esta simulação com o nome de “roteamento dinâmico” para o caso
de revê-la e facilitar a comparação com o roteamento estático.

27. Encerre o Cisco Packet Tracer e responda:

c) O que ocorre, diante de uma falha em um link de backbone, no uso do roteamento estático?

d) Quais as possibilidades de restaurar as conexões perdidas em uma falha em rotas estáticas?

e) O que ocorre, diante de uma falha em um link de backbone, no uso do roteamento dinâmico?

f) O que é DCE?

g) O que representa o clock rate nas conexões por interface DCE (seriais)?

h) O que representa o TTL apresentado na resposta do comando “ping”?

i) O que faz o comando “tracert”?

j) Neste exercício, quantas redes foram configuradas?

k) Quais os endereços de cada rede?

l) Quais os endereços de broadcast de cada rede?

____________________________________________________________________________________
Laboratório de Redes – Prof. Wilson – Roteamento Estático x Roteamento Dinâmico
26

Serviços entre Redes – DNS & HTTP

Construção da Rede

Inicie o Cisco Packet Tracer

1. Na área de trabalho, inclua:


• Seis switches (Switches => 2950-24 – switch de 24 portas)
• Seis servidores (end devices => Generic [Server-PT])
• Seis roteadores (Routers => Generic [Router-PT-Empty] – é o último roteador, à direita)
• doze PCs (end devices => generic [PC-PT])

2. Os roteadores estão sem interfaces de rede. Você deve equipá-lo conforme sua necessidade.
• Clique sobre o roteador a ser equipado
• Na visualização do equipamento (imagem), procure o botão on/off e desligue o equipamento.
• Os slots para equipar o router são contados da direita para a esquerda.
• Na aba Physical, coluna Modules, escolha:
PT-ROUTER-NM-1CFE (Fast Ethernet Interface) – insira uma interface no primeiro slot, à
direita.
PT-ROUTER-NM-1FGE (Gigabit Fiber) – insira duas interfaces (nos slots vazios seguintes, à
direita)
• Na imagem, procure o botão on/off e religue o equipamento

Com isto os roteadores contarão com as interfaces fa0/0, Gig1/0 e Gig2/0. A escolha dos slots da
direita para a esquerda garante esta configuração (Fast Ethernet no slot 0, Gigabit Fiber nos slots
1 e 2)

3. Interligue o Switch0 ao Router0, Switch1 ao Router1, Switch2 ao Router2, Switch3 ao Router3,


Switch4 ao Router4 e Switch5 ao Router5 usando a conexão por cabo reto (straight). Em cada
switch conecte os respectivos servidores também usando conexão por cabo reto (straight).
• Connections => Cooper Staright-Through
• Use as portas Fast Ethernet (fa).

4. Forme as redes LAN interligando os PCs aos switches:

PC0, PC1 e PC2  Switch0


PC3, PC4 e PC5  Switch2
PC6, PC7 e PC8  Switch3
PC9, PC10 e PC11  Switch5

Dada a quantidade de equipamentos, podemos representar as redes LAN individuais por


intermédio de Clusters.

Um Cluster, em informática, é um aglomerado de equipamentos de processamento distribuído


(rede).

____________________________________________________________________________________
Laboratório de Redes – Prof. Wilson – Serviços entre Redes – DNS & HTTP
27

5. Caso deseje (opcional), forme os Clusters para facilitar a visualização do conjunto de redes:

• Para formar um Cluster, clique na área de trabalho e arraste o mouse de forma a selecionar os
equipamentos desejados. Selecionados os equipamentos, clique sobre o submenu [New
Cluster] (linha alaranjada). Uma nuvem é exibida, indicando o Cluster. Clicando sobre o Cluster
desejado, podemos visualizar os equipamentos em seu interior. Para voltar à visualização
anterior, clique em [Back]. Para voltar a exibição sem o Cluster, clique sobre a ferramenta de
deleção (X, no menu à direita) e sobre o Cluster a ser desfeito; confirme a deleção.

Cluster0  Server0, Switch0, PC0, PC1, PC2


Cluster1  Server1, Switch1
Cluster2  Server2, Switch2, PC3, PC4, PC5
Cluster3  Server3, Switch3, PC6, PC7, PC8
Cluster4  Server4, Switch4
Cluster5  Server5, Switch5, PC9, PC10, PC11

6. Interligue os Routers usando cabos de fibra ótica.


• Connections => Fiber

Router0 – Gig1/0  Router1 – Gig1/0


Router1 – Gig2/0  Router2 – Gig2/0
Router2 – Gig1/0  Router3 – Gig1/0
Router3 – Gig2/0  Router4 – Gig2/0
Router4 – Gig1/0  Router5 – Gig1/0
Router5 – Gig2/0  Router0 – Gig2/0

7. Os servidores Server0, Server2, Server3 e Server5 devem ser configurados como o DHCP de
suas respectivas redes.
Utilize como endereço fixo do servidor, o último endereço de host rede (254).

O default gateway será o primeiro endereço de host da rede (1).


O DNS Server deste conjunto será o Server4: coloque [Link]
Maximum Number of Users dos DHCPs: Coloque 20.
Start IP Address: endereço inicial a ser fornecido. Coloque a patir do host 100 de cada rede.
Os parâmetros de configuração básica (Gateway, DNS Server) dos Servers podem ser feitos na
aba Config, botão Settings.

• Rede 0 = [Link]
Server0 (IP) = _______________________ (anote o IP do Server0)

Default Gateway (IP) = _______________________ (Router__)

• Rede 2 = [Link]
Server2 (IP) = _______________________ (anote o IP do Server2)

Default Gateway (IP) = _______________________ (Router__)

• Rede 3 = [Link]
Server3 (IP) = _______________________ (anote o IP do Server3)

Default Gateway (IP) = _______________________ (Router__)

____________________________________________________________________________________
Laboratório de Redes – Prof. Wilson – Serviços entre Redes – DNS & HTTP
28

• Rede 5 = [Link]
Server5 (IP) = _______________________ (anote o IP do Server5)

Default Gateway (IP) = _______________________ (Router__)

8. Coloque todos os PCs para solicitar IP (IP dinâmico).


• Clique sobre o PC => aba Desktop => IP configuration => DHCP

9. Teste as conexões de rede:


• Abra o prompt de comandos no PC0 e verifique o IP (ipconfig)
Anote o IP de PC0: PC0 = ______________________
• Teste a conectividade com o restante da rede com o ping (em broadcast): ping [Link]
• Verifique se todas as máquinas de sua rede respondem. Verifique também o TTL indicado.

• Abra o prompt de comandos no PC3 e verifique o IP (ipconfig)


Anote o IP de PC3: PC3 = ______________________
• Teste a conectividade com o restante da rede com o ping (em broadcast): ping [Link]
• Verifique se todas as máquinas de sua rede respondem. Verifique também o TTL indicado.

• Abra o prompt de comandos no PC6 e verifique o IP (ipconfig)


Anote o IP de PC6: PC6 = ______________________
• Teste a conectividade com o restante da rede com o ping (em broadcast): ping [Link]
• Verifique se todas as máquinas de sua rede respondem. Verifique também o TTL indicado.

• Abra o prompt de comandos no PC9 e verifique o IP (ipconfig)


Anote o IP de PC9: PC9 = ______________________
• Teste a conectividade com o restante da rede com o ping (em broadcast): ping [Link]
• Verifique se todas as máquinas de sua rede respondem. Verifique também o TTL indicado.

• Use a figura da página seguinte como referência para facilitar as análises.

10. Nos Servers que faltam (Server1 e Server4), coloque as seguintes configurações:

Server1: Server4:
IP Address: [Link]/8 IP Address: [Link]/16
Default Gateway: [Link] Default Gateway: [Link]
DNS Server: [Link] DNS Server: [Link]

As redes LAN devem operar normalmente na forma individual, mas ainda não trocam informações
entre si.

____________________________________________________________________________________
Laboratório de Redes – Prof. Wilson – Serviços entre Redes – DNS & HTTP
29

____________________________________________________________________________________
Laboratório de Redes – Prof. Wilson – Serviços entre Redes – DNS & HTTP
30

Roteamento

11. Configure o IP das interfaces para cada roteador.


Clique sobre o Roter0, escolha a aba Config
Sob o botão INTERFACE deverão ser visíveis as interfaces adicionadas
Os endereços de hosts usados pelas redes entre roteadores serão de sua escolha, porém
mantendo-se os endereços das redes.

• FastEthernet0/0 – configure como default gateway da respectiva rede local


• GigabitEthernet1/0 – configure obedecendo o indicado na figura da página anterior.
• GigabitEthernet2/0 – configure obedecendo o indicado na figura da página anterior.
• Não esqueça de ativar cada interface (port status = on)

12. Configure o roteamento dinâmico em cada Router usando o RIP (Route Information Protocol)

• Clique sobre o Router, escolha a aba Config e o botão RIP


• No campo Network, declare as redes em que o Router participa. A caixa Network Address
deverá apresentá-las. Anote as configurações no quadro a seguir:

Tabelas RIP
Router0: Router1: Router2:
_________________ _________________ _________________

_________________ _________________ _________________

_________________ _________________ _________________

Router3: Router4: Router5:


_________________ _________________ _________________

_________________ _________________ _________________

_________________ _________________ _________________

13. Teste a conexão entre as [Link] o prompt de comandos em um host de cada rede. Use
como destinos, Server1 e Server4. Verifique o TTL obtido. Verifique também, o traçado da rota.
Complete a tabela a seguir com os parâmetros indicados:

PC0 PC3 PC6 PC9


ping [Link] ping [Link] ping [Link] ping [Link]

TTL=______ TTL=______ TTL=______ TTL=______

tracert [Link] tracert [Link] tracert [Link] tracert [Link]

Qtdd routers= _____ Qtdd routers= _____ Qtdd routers= _____ Qtdd routers= _____
---------------- ---------------- ---------------- ----------------
ping [Link] ping [Link] ping [Link] ping [Link]

TTL=______ TTL=______ TTL=______ TTL=______

Tracert [Link] Tracert [Link] Tracert [Link] Tracert [Link]

Qtdd routers= _____ Qtdd routers= _____ Qtdd routers= _____ Qtdd routers= _____

____________________________________________________________________________________
Laboratório de Redes – Prof. Wilson – Serviços entre Redes – DNS & HTTP
31

14. Delete a conexão entre o Router0 e o Router1 (rede [Link]) e repita os testes de conexão
entre as redes. Aguarde alguns momentos para refazer o teste devido a atualização das tabelas
dos Routers.

PC0 PC3 PC6 PC9


ping [Link] ping [Link] ping [Link] ping [Link]

TTL=______ TTL=______ TTL=______ TTL=______

tracert [Link] tracert [Link] tracert [Link] tracert [Link]

Qtdd routers= _____ Qtdd routers= _____ Qtdd routers= _____ Qtdd routers= _____
---------------- ---------------- ---------------- ----------------
ping [Link] ping [Link] ping [Link] ping [Link]

TTL=______ TTL=______ TTL=______ TTL=______

Tracert [Link] Tracert [Link] Tracert [Link] Tracert [Link]

Qtdd routers= _____ Qtdd routers= _____ Qtdd routers= _____ Qtdd routers= _____

Compare as tabelas e traçados de rotas obtidos nos itens 13 e 14 e conclua sobre as diferenças.

Servidor de páginas web – HTTP (Hipertext Transfer Protocol)

15. Configure o Server1 como servidor de páginas


• Clique sobre o Server1 e escolha a aba Config
• Na coluna à esquerda, clique sobre o serviço HTTP.
A direita aparecerá o script (código) em linguagem HTML de uma página WEB.
Onde está escrito “Cisco Packet Tracer”, substitua por “Eletrônica”.
• Feche a janela do Server1.

16. Teste o acesso à página WEB recém criada.


• Clique sobre o PC0.
• Na aba Desktop, escolha Web Browser
• No campo URL, digite: [Link] e dê enter ou tecle em [ Go ]
• Verifique se a página é corretamente exibida

Servidor DNS (Domain Name Server)

Na prática não é comum o acesso à página pelo IP. Configurando um DNS (e indicando para a
rede qual é o DNS), pode-se substituir o IP por um nome de domínio.

17. Configure o Server4 como servidor DNS


• Clique sobre o Server4 e escolha a aba Config
• Na coluna à esquerda, clique sobre o serviço DNS.
No campo Name, coloque o domínio desejado. Exemplo: [Link]
No campo Address, declare o servidor da página. No caso: [Link]
• Feche a janela do Server4.

18. Teste o acesso à página WEB por nome de domínio.


• Clique sobre o PC0.
• Na aba Desktop, escolha Web Browser
• No campo URL, digite: [Link] e dê [enter] ou clique em [ Go ]
• Verifique se a página é corretamente exibida

____________________________________________________________________________________
Laboratório de Redes – Prof. Wilson – Serviços entre Redes – DNS & HTTP
32

Alterando o código HTML da página

Podemos construir páginas básicas para simular um ambiente realista com hiperlinks exibição de
figuras.

19. Altere o código de página web no Server1 para exibição de figuras.


• Clique sobre o Server1, aba Config, serviço HTTP.
• Altere o código html para o seguinte:

<html>  inicio do código html


<body bgcolor='white'>  define cor do corpo da página
<center><font size='+2' color='blue'>..:: Eletrônica ::..</font></center>  topo da página
<hr>Bem vindo à página da Eletrônica.  linha + texto
 parágrafo + texto
<p> Links rápidos:  mudança de linha e hiperlink
<br><a href='[Link]'> Uma pequena página </a>  mudança de linha e hiperlink
<br><a href='[Link]'> Copyrights </a>  mudança de linha e hiperlink
<br><a href='[Link]'> Imagens </a>  mudança de linha e hiperlink
<br><a href='pics/[Link]'> Ohm & Joule </a>  encerra o corpo da página
</body>  fim do código html
</html>

• Clique sobre [ > ] até exibir o código da página 3/3 (File Name: [Link])
Altere o código para o seguinte:

<html>
<body bgcolor=’yellow’>
<center><font size='+2' color='green'>Imagens Diversas</font></center>
<p>Conjunto de imagens selecionadas</p>
<p>
<a href='pics/[Link]'><img src="pics/[Link]" width=100 /></a>
<a href='pics/[Link]'><img src="pics/[Link]" width=100 /></a>
<a href='pics/[Link]'><img src="pics/[Link]" width=100 /></a>
<a href='pics/[Link]'><img src="pics/[Link]" width=100 /></a>
<a href='pics/[Link]'><img src="pics/[Link]" width=100 /></a>
</p>
<p>
<a href='pics/[Link]'><img src="pics/[Link]" width=100 /></a>
<a href='pics/[Link]'><img src="pics/[Link]" width=100 /></a>
<a href='pics/[Link]'><img src="pics/[Link]" width=100 /></a>
<a href='pics/[Link]'><img src="pics/[Link]" width=100 /></a>
<a href='pics/[Link]'><img src="pics/[Link]" width=100 /></a>
</p>

<p>
<a href='pics/[Link]'><img src="pics/[Link]" width=100 /></a>
<a href='pics/[Link]'><img src="pics/[Link]" width=100 /></a>
<a href='pics/[Link]'><img src="pics/[Link]" width=100 /></a>
<a href='pics/[Link]'><img src="pics/[Link]" width=100 /></a>
<a href='pics/[Link]'><img src="pics/[Link]" width=100 /></a>
</p>

<br><a href='[Link]'>Back</a>
</body>
</html>

____________________________________________________________________________________
Laboratório de Redes – Prof. Wilson – Serviços entre Redes – DNS & HTTP
33

• Pegue, com o professor, as figuras referentes a este código. As figuras ([Link] a [Link]) devem
ficar dentro da pasta “pics” e a pasta deve ficar no mesmo local onde está a simulação (arquivo
.pkt). Caso deseje usar suas próprias imagens, use arquivos pequenos: 40KB ou menores.
• Nas linhas de código html, a sequência =‘pics/’ indica o nome da pasta onde estarão as figuras.
Experimente outros nomes para a pasta, como ‘imagens/’, ‘fotos/’ ou ‘figuras/’; não se esqueça
de alterar também no código html e testar o funcionamento. Você pode usar isso para organizar
suas simulações, agrupando imagens em pastas distintas (carros, motos, paisagens, pessoas,
flores, etc.).

20. Após os testes e verificação de funcionamento, mostre ao professor e tire suas dúvidas.

21. Pegue outras figuras (pode ser com o professor) e construa outras páginas em novos
servidores. Não se esqueça de criar domínios no DNS Server.

22. Salve o arquivo, encerre o Cisco Packet Tracer e responda:

a) O que ocorre, diante de uma falha em um link de backbone, no uso do roteamento dinâmico?

b) O que representa o TTL apresentado na resposta do comando “ping”?

c) O que faz o comando “tracert”?

d) O que faz o serviço HTTP?

e) O que faz o serviço DNS?

f) Neste exercício, quantas redes foram configuradas?

g) Quais os endereços de cada rede?

____________________________________________________________________________________
Laboratório de Redes – Prof. Wilson – Serviços entre Redes – DNS & HTTP
34

Acesso de LAN e WLAN à WAN por ADSL


Para este exercício partiremos da atividade onde construímos redes para verificação dos serviços
DNS & HTTP executada anteriormente.

Inicie o Cisco Packet Tracer

Abra o exercício citado.

A figura ao lado representa tal simulação. Ela


representa uma WAN com diversos serviços.
Note que há quatro redes em destaque. Cada
uma delas pode representar um provedor de
acesso, com seu Server e outras máquinas de
gerenciamento.

Neste exercício vamos eleger uma das redes em


destaque como provedor de acesso e simular
uma conexão ADSL de um cliente.

Para isso vamos utilizar o recurso de WAN


Emulation do Cisco Packet Tracer.

Procure no canto inferior esquerdo da tela por


uma figura de nuvem com o label Wan Emulation
(cuidado para não confundir com a nuvem
Multiuser). Inclua a nuvem Generic (Cloud-PT) na
área de trabalho, próximo ao Switch5 (Rede
[Link]). Inclua também um DSL modem.

Interligue a nuvem ao Switch5 usando um cabo


cross (Cooper Cross-Over). Para isso use a porta
Ethernet6 da Cloud-PT e qualquer porta do
Switch5.

Em Connections, selecione Phone e interligue o


Modem4 da Cloud-PT e Port 0 do DSL Modem

Feito isso, é interessante selecionar todas as


redes do exercício anterior e agrupá-las em um
cluster, como mostrado na figura a seguir:

____________________________________________________________________________________
Laboratório de Redes – Prof. Wilson – Acesso de LAN e WLAN à WAN por ADSL
35

A WAN Emulation (Cloud-PT) deve ser configurada.


• Clique sobre ela. Escolha a aba Config.
• Clique no botão DSL. Note que o Modem4 e a Ethernet6 já estão identificadas como ativas.
• Clique no botão ADD.

Coloque um microcomputador (PC-PT) e interligue o PC (FastEthernet) ao modem (Port 1) usando


um cabo reto (Copper Straight-Through).

Configure o PC para adquirir IP dinâmico.

Anote o IP atribuído: ___________________________

Abra o command prompt e verifique as configurações IP pelo comando: ipconfig /all

Responda: De onde vieram estas configurações? _______________________________________

_______________________________________________________________________________

_______________________________________________________________________________

Teste a conexão do PC-PT com a WAN pelo Web Browser: acesse [Link] (ou outro site
que você tenha criado no exercício anterior) e verifique se funciona. Não esqueça que, para
visualizar figuras nas simulações, elas devem estar na pasta e no local corretos (vide exercício
anterior).

A WLAN do usuário final

Exclua o PC-PT e coloque, em seu lugar, um roteador sem fio e três Laptops:
Wireless Devices >> LinkSys
End Devices >> Generic (Laptop-PT)

Conecte o roteador (porta Internet) ao modem (Port 1) usando um cabo reto (Copper Straight-
Through).

Configure os Laptops para conexão sem fio (wireless)


• Clique sobre o Laptop, escolha a aba physical.
• Desligue o Laptop (botão próximo ao “cabo de alimentação”)
• Remova a interface física (RJ45) – clique e arraste para o canto inferior direito da tela
• Coloque a interface wireless (botão Linksys WPC-300N)
• Religue o Laptop

Refaça esta operação para os outros dois laptops.

____________________________________________________________________________________
Laboratório de Redes – Prof. Wilson – Acesso de LAN e WLAN à WAN por ADSL
36

A figura a seguir mostra os Laptops conectados e prontos para conectar a “Internet”.

Teste os acessos dos Laptops com a WAN usando o Web Browser de cada um.

• Caso não funcione, clique sobre o roteador, aba Config, botão Internet. Em Connection
Type, coloque em Static e volte para DHCP. Isto forçará a renovação de configuração IP do
router. Teste as conexões dos Laptops com a WAN novamente. A resposta pode demorar
um pouco. Caso ainda não funcione, peça auxílio ao professor.

Com tudo funcionando, resta apenas configurar uma proteção de acesso à rede sem fio.
• Clique sobre o roteador Wi-Fi.
• Aba Config >> botão Wireless

Em Wireless Settings coloque:


• SSID = Eletronica  assim mesmo, sem acentuação
• Channel = 6
• WPA2-PSK = Einstein

Feche a tela do roteador. Note que os Laptops perderam a conexão. Devemos configurá-los:
• Clique sobre o Laptop
• Aba Config >> botão Wireless

Em Wireless coloque:
• SSID = Eletronica
• WPA2-PSK = Einstein

Com isso, este Laptop deve recuperar a conexão. Repita esse procedimento para os outros
Laptops. Verifique as configurações IP de cada Laptop:
• ipconfig /all

Teste a conectividade dos Laptops com a WAN através do Web Browser de cada um.
Abra o Prompt Command em um dos Laptops e teste, com o ping, a conexão para a página:
• ping [Link]  ou outro site que você tenha criado
• Anote o IP do host que responde:
______________________

Salve o arquivo, encerre o Cisco Packet Tracer e responda:

a) Quem fornece as configurações de IP para que o usuário final possa navegar na Internet?
b) Na rede sem fio do usuário final (WLAN), quem forneceu as configurações aos Laptops?
c) Como é fornecida a configuração de DNS Server aos Laptops?
d) Ao enviar ping para um domínio, quem responde é um IP. Por quê?

____________________________________________________________________________________
Laboratório de Redes – Prof. Wilson – Acesso de LAN e WLAN à WAN por ADSL
37

VLAN estática em Switch

Introdução teórica

Existem dois tipos básicos de switches que podem ser usados em redes locais de computadores:
os gerenciáveis e os não-gerenciáveis. Enquanto os switches não-gerenciáveis são dispositivos
indicados para o uso em redes pequenas no lugar dos hubs, os switches gerenciáveis oferecem
um conjunto de características avançadas com maiores funcionalidades, sendo imprescindíveis em
redes de maior porte.

Cada porta de um switch recebe um endereço MAC específico, com caminhos fixos para os dados
entre as portas do dispositivo. Um switch reconhece o endereço físico (endereço MAC) dos
dispositivos a ele conectado para regular o fluxo de tráfego através da rede. Quando uma
mensagem alcança um switch, o mesmo checa o endereço de destino no frame de dados e o
compara com sua tabela de endereços. Se o endereço corresponder a um dos dispositivos
conectados em uma de suas portas, ele retransmite a mensagem somente para aquela porta.
Assim, a transmissão de dados em um switch é baseada em uma associação estática entre porta e
endereço MAC. Algumas características comuns aos switches incluem a comunicação full duplex e
autonegociação. Outra característica é a auto MDI-MDIX ou autocrossing. Essa característica
elimina a necessidade do uso de cabos cruzados (crossover) para interconectar os switches. Essa
facilidade permite a uniformidade do cabeamento, permitindo o uso apenas de cabos diretos em
toda a rede.

Os switches gerenciáveis permitem ainda aos administradores da rede determinar a velocidade de


operação para uma porta específica, no sentido de otimizar a banda de passagem e o desempenho
global da rede. Como uma rede de computadores normalmente sofre alterações ao longo do
tempo, esse recurso se torna muito útil ao monitorar e verificar o status dos segmentos em tempo
real.
Assim, um comutador ou Switch é um dispositivo utilizado em redes de computadores para
reencaminhar pacotes (frames) entre os diversos nós. Possuem portas, assim como os
concentradores (hubs) a principal diferença é que o comutador segmenta a rede internamente,
sendo que a cada porta corresponde um domínio de colisão diferente, isto é, não haverá colisões
entre pacotes de segmentos diferentes. Outra importante diferença está ligada à gestão da rede,
com um switch gerenciável podemos criar VLANS, deste modo a rede gerida será divida em
menores segmentos, onde identifica cada porta e envia os pacotes somente para a porta destino,
evitando assim que outros nós recebam os pacotes

As primeiras VLAN's geralmente eram configuradas para reduzir o tamanho do domínio de colisão
em um segmento Ethernet muito extenso para melhorar o desempenho. Quando os switches
descartaram este problema (já que não têm um domínio de colisão único), as atenções se voltaram
para a redução do domínio de broadcast na camada MAC. Dependendo do tipo de configuração,
os usuários ganham mobilidade física dentro da rede.

VLAN's podem ser estáticas ou dinâmicas:

VLANs estáticas (ou baseadas em portas) são criadas atribuindo-se cada porta de um comutador a
uma VLAN. Quando um novo dispositivo se conecta à rede ele assume a VLAN da porta à qual ele
está ligado. Em caso de mudança, se esse dispositivo for ligado a uma nova porta por exemplo,
para mantê-lo na VLAN original será necessário que o administrador de rede reconfigure
manualmente as associações porta-VLAN.

____________________________________________________________________________________
Laboratório de Redes – Prof. Wilson – VLAN estática em um Switch gerenciável
38

VLANs dinâmicas são criadas e alteradas dinamicamente via software, através de um servidor
VMPS (VLAN Management Policy Server) e de um banco de dados que armazena os dados dos
membros das VLANs. VLANs dinâmicas baseiam-se em critérios estabelecidos pelo administrador
de rede, como o MAC address ou o nome do usuário de rede de cada dispositivo conectado ao
comutador.

O processo de interligar mais de uma VLAN através de um link único é chamado de trunking. O link
é denominado tronco.

Um link de tronco é um canal switch-switch ou switch-roteador, por onde passam informações


originadas por e destinadas a mais de uma VLAN. O link de tronco não pertence a nenhuma das
VLANs individualmente.

Em equipamentos da Cisco, o VTP (VLAN Trunking Protocol) possibilita domínios de VLAN, os


quais podem ajudar em tarefas administrativas. O VTP também permite "expurgo", assim, o tráfego
de uma VLAN específica é direcionado apenas aos switch's que têm portas naquela VLAN.

Parte prática: Simulação de VLANs estáticas em um Switch gerenciável Cisco

Inicie o Cisco Packet Tracer

1. Na área de trabalho, inclua:


• Um switch (Switches => 2950-24)
• Doze PCs (End Devices => Generic [PC-PT])

2. Interligue todos os hosts ao Switch usando a conexão por cabo reto (straight)
• Connections => Cooper Staright-Through
• Use as portas Fast Ethernet de cada host e use as portas e endereços IP indicados a seguir:

PC0  [Link]/24  FastEthernet0/1


PC1  [Link]/24  FastEthernet0/2
PC2  [Link]/24  FastEthernet0/3
PC3  [Link]/24  FastEthernet0/4
PC4  [Link]/24  FastEthernet0/5
PC5  [Link]/24  FastEthernet0/6
PC6  [Link]/24  FastEthernet0/7
PC7  [Link]/24  FastEthernet0/8
PC8  [Link]/24  FastEthernet0/9
PC9  [Link]/24  FastEthernet0/10
PC10  [Link]/24  FastEthernet0/11
PC11  [Link]/24  FastEthernet0/12

3. Note que todos os PCs participam do mesmo range de rede.


Abra o prompt de comandos em um dos PCs, execute o ping em broadcast e verifique quais
hosts respondem.

• ping –n 1 [Link]

____________________________________________________________________________________
Laboratório de Redes – Prof. Wilson – VLAN estática em um Switch gerenciável
39

4. Configure as VLANs 5 e 10 no switch:

>enable
# configure terminal
#hostname EletronicaEinstein
#vlan 5
#name TEORIA
#vlan 10
#name PRATICA
#exit

#int fo/1
#switchport access vlan 5
#int fo/2
#switchport access vlan 5
#int fo/3
#switchport access vlan 5
#int fo/4
#switchport access vlan 5
#int fo/5
#switchport access vlan 10
#int fo/6
#switchport access vlan 10
#int fo/7
#switchport access vlan 10
#int fo/8
#switchport access vlan 10
#switchport mode trunk
#^z
#show vlan brief

5. Verifique as conectividades com o ping em prompt de comandos


Abra o prompt de comandos no PC0, execute o ping em broadcast e verifique quais hosts
respondem.
• ping –n 1 [Link]

6. Verifique as conectividades com o ping em prompt de comandos


Abra o prompt de comandos no PC4, execute o ping em broadcast e verifique quais hosts
respondem.
• ping –n 1 [Link]

7. Verifique as conectividades com o ping em prompt de comandos


Abra o prompt de comandos no PC8, execute o ping em broadcast e verifique quais hosts
respondem.
• ping –n 1 [Link]

8. Troque as portas, no switch, de algumas máquinas:


Troque os cabos de PC1 com PC5 (FastEthernet0/2 com FastEthernet0/6)
Troque os cabos de PC7 com PC11 (FastEthernet0/8 com FastEthernet0/12)

____________________________________________________________________________________
Laboratório de Redes – Prof. Wilson – VLAN estática em um Switch gerenciável
40

9. Refaça os testes propostos nos itens 5 a 7. Compare com as respostas obtidas anteriormente e
responda. Houve alguma alteração? Quais? Por quê?

10. Salve o arquivo. Encerre o Cisco Packet Tracer.

11. Responda:

a) O que faz o comando “show vlan brief”?

b) As portas fo/9, fo/10, fo/11 e fo/12 não foram alteradas. A qual VLAN elas ficaram associadas?

c) Caso se mude a porta de conexão de um host que participa de uma VLAN estática, que
cuidado deve ser tomado? (considerando que deva manter a conectividade com os mesmos)

d) Quais vantagens podem ser encontradas com o uso de VLANs?

e) Como você faria para trocar mensagens entre as VLANs?

f) Neste exercício todos os hosts, das três VLANs, pertencem à mesma faixa de IP. É possivel
configurar um roteador para permitir conectividade entre as VLANs deste exercício? Por quê?

____________________________________________________________________________________
Laboratório de Redes – Prof. Wilson – VLAN estática em um Switch gerenciável
41

Telefonia básica IP - VoIP no Cisco Packet Tracer

Introdução teórica:

Voz sobre IP, também chamada de VoIP (Voice over Internet Protocol), telefonia IP, telefonia
Internet, telefonia em banda larga ou voz sobre banda larga é o roteamento de conversação
humana usando a Internet ou qualquer outra rede de computadores baseada no Protocolo de
Internet.

O procedimento consiste em digitalizar a voz em pacotes de dados para que trafegue pela rede IP
e converter em voz novamente em seu destino.

Uma das vantagens que isso pode trazer é que uma conexão de Internet pode se tornar uma
maneira de fazer ligações telefônicas gratuitamente caso a outra ponta seja um sistema VoIP, ou
com grande redução de custo, onde uma chamada interurbana ou internacional é reduzida ao
custo de uma chamada local. Diversos softwares que tem essa finalidade estão disponíveis de
graça, um dos mais famosos é o Skype.

Podemos utilizar um aparelho telefônico comum para usufruir do sistema VoIP através do uso de
um dispositivo denominado ATA (adaptador telefônico analógico). Este é um conversor analógico-
digital: converte o sinal analógico de voz em dados digitais para transmissão pela Internet e vice-
versa.

Em VoIP, ao tirar o telefone do gancho, um sinal é enviado ao ATA, que o recebe e envia o tom de
discar, indicando assim que há uma conexão ativa com a Internet. Quando o número do telefone
desejado é discado, os tons são convertidos pelo ATA em dados digitais que são armazenados
temporariamente. Os dados do número telefônico são enviados na forma de uma solicitação para o
processador de chamadas da operadora VoIP. Ela verifica os dados para certificar-se de que estão
em um formato válido, e determina para onde mapear o número telefônico, que ao ser mapeado é
traduzido como um endereço IP. Os dois aparelhos, nos dois lados da chamada, são então
conectados. Uma informação é enviada para o ATA do número que receberá a chamada, fazendo
o aparelho tocar, e quando ele for atendido, uma sessão é estabelecida entre os dois lados.
Durante a conversação, os sistemas transmitem os pacotes, convertidos pelos ATAs. Ao desligar, o
circuito entre o ATA e o telefone é aberto, encerrando a sessão.

Além dos aparelhos analógicos convencionais, existem também os telefones IP, parecidos com um
telefone comum, mas utilizam conectores RJ-45 ao invés dos conectores telefônicos padrão RJ-11.
Os telefones IP conectam-se diretamente ao roteador e contêm todo o hardware e software
integrado para fazer uma ligação IP, eliminando a necessidade da utilização de um ATA para essa
finalidade.

O órgão responsável pela regulamentação de telecomunicações no Brasil, a ANATEL, através de


um comunicado, clarificou que um provedor VoIP, que não fornece a estrutura, isto é, não fornece
a rede, não precisa de licença da ANATEL. Assim os provedores VoIP que possuem somente o
Servidor e não oferecem o link, não necessitam da licença.

____________________________________________________________________________________
Laboratório de Redes – Prof. Wilson – Telefonia básica IP - VoIP
42

O TFTP (Trivial File Transfer Protocol) é um protocolo de transferência de pequenos arquivos entre
máquinas, criado em 1980. Atualmente, com a popularidade do VoIP, o TFTP tornou-se um
protocolo bastante requisitado uma vez que permite de uma forma muitos simples enviar a
configuração automaticamente para os terminais VoIP. Além disso, ele é também um protocolo
bastante utilizado para atualização de firmware em equipamentos.

Parte prática:
Configuração básica do Call Manager ExpressTM (CME) em um roteador 2811

Inicie o Cisco Packet Tracer

Topologia de rede:

Os telefones IP não irão ligar, pois os switches não tem PoE (Power over Ethernet). Abra a
visualização (Physical) e conecte a fonte de alimentação para cada um deles.

Primeiro configuramos a interface FastEthernet0/0 no Router (2811)

RouterA>enable
RouterA#configure terminal
RouterA (config)#interface FastEthernet0/0
RouterA (config-if)#ip address [Link] [Link]
RouterA (config-if)#no shutdown
RouterA (config-if)#exit
RouterA (config)#

O próprio roteador servirá nesse caso como servidor DHCP e para o CME (Call Manager Express)
é preciso fornecer o IP do servidor TFTP para que os telefones possam buscar seu firmware e
arquivos de configuração. Isso é feito com a opção 150 do DHCP.

RouterA (config)#ip dhcp pool VOICE


RouterA (dhcp-config)#network [Link] [Link]
RouterA (dhcp-config)#default-router [Link]
RouterA (dhcp-config)#option 150 ip [Link]
RouterA (dhcp-config)#exit
RouterA (config)#

____________________________________________________________________________________
Laboratório de Redes – Prof. Wilson – Telefonia básica IP - VoIP
43

Devemos ativar o CME (telephony Service) no Router para habilitar o VoIP na rede

RouterA (config)#telephony-service
RouterA (config-telephony)#max-dn 5
RouterA (config-telephony)#max-ephones 5
RouterA (config-telephony)#ip source-address [Link] port 2000
RouterA (config-telephony)#auto assign 1 to 5
RouterA (config-telephony)#exit
RouterA (config)#

Os comandos básicos e obrigatórios para configurar o CME estão dentro do modo de configuração
do telephony-service.

• max-dn 5  número máximo de linhas


• max-ephones 5  número máximo de telefones físicos
• ip source address  router que será o responsável pelo registro dos telefones pela porta 2000
• auto-assign  faz o registro automático dos telefones e vincula as linhas (DN – Directory
Number) aos telefones físicos. Na prática esta técnica é pouco utilizada. Costumam-se
configurar os telefones IP inserindo os ephones manualmente, vinculando o MAC de cada
aparelho a um ramal (DN).

Como o único serviço, neste caso, é o de telefonia, não temos duas VLANs separadas (para voz e
dados). Assim, podemos utilizar a VLAN1 para voz. Caso se use voz e dados, o tráfego deverá ser
separado, sendo necessário criar duas VLANs, onde o tráfego de voz trafega pela voice vlan e os
dados pela vlan de acesso normal.

A sequência a seguir configura as portas de 1 a 5 do switch para conectar telefones IP.

Switch>enable
Switch#configure terminal
Switch(config)#interface range fa0/1 – 5
Switch(config-if-range)#switchport mode Access
Switch(config-if-range)#switchport voice vlan 1
Switch(config-if-range)#exit
Switch(config)#exit
Switch#disable
Switch>

O ramal (linha, extensão ou extension) é denominado Diretory Number (DN). Para definir os ramais
que os aparelhos deverão usar, devemos configurar os DNs no roteador através do comando
ephone-dn.

Router(config)#ephone-dn 1
Router(config-ephone-dn)#number 54001

Assim, o primeiro aparelho a ser conectado ao switch terá o ramal 54001. Para garantir a ordem
correta de atribuição de ramais, conecte um aparelho de cada vez, só conectando o seguinte
quando este já estiver configurado (com parâmetros). O registro (processo de o aparelho adquirir
as configurações e se registrar no roteador CME) pode demorar alguns instantes para ser
efetivado.

____________________________________________________________________________________
Laboratório de Redes – Prof. Wilson – Telefonia básica IP - VoIP
44

Podemos verificar a configuração do aparelho parando com o mouse sobre ele, sem clicar.

Com o primeiro aparelho configurado, conectamos o segundo na rede e o configuramos com o


ephone-dn:

Router(config)#ephone-dn 2
Router(config-ephone-dn)#number 54002
Router(config-ephone-dn)#exit
Router(config)#exit
Router#disable
Router>

Para testar, basta abrir a aba GUI de cada aparelho. Podemos clicar sobre o monofone (handset)
para tirá-lo do gancho e discar o ramal do outro aparelho. Para atender, basta clicar sobre o
monofone.

Com base no exposto, insira mais dois ramais (54003 e 54004). Teste as chamadas entre os
quatro ramais. Mostre o funcionamento do sistema ao professor.

Salve o arquivo, encerre o Cisco Packet Tracer e responda:

a) O que significa e qual a função do ATA?

b) Descreva a condição onde é possível a redução de custo de uma chamada telefônica para um
telefone convencional, usando VoIP.

____________________________________________________________________________________
Laboratório de Redes – Prof. Wilson – Telefonia básica IP - VoIP
45

Comandos Básicos de Switches Cisco


Configurando um nome
Switch>enable
Switch#configure terminal
Switch(config)#hostname Einstein
Einstein#

Configurando senha enable


Switch>enable
Switch#configure terminal
Switch(config)#enable password Einstein

Configurando senha enable secret


Router>enable
Router#configure terminal
Router(config)#enable secret Einstein

Configurando senha da console


Router>enable
Router#configure terminal
Router(config)#line console 0
Router(config-line)#password Einstein

Configurando acesso telnet para 05 usuários-


Switch>enable
Switch#configure terminal
Switch(config)#line vty 0 4
Switch(config-line)#login
Switch(config-line)#password Einstein

Configurando o endereço IP do switch-


Switch>enable
Switch#configure terminal
Switch(config)#interface vlan 1
Switch(config-if)#ip address [Link] [Link]
Switch(config-if)#no shutdown

Configurando o gateway do switch


Switch>enable
Switch#configure terminal
Switch(config)#ip default-gateway [Link]

Configurando vlan no switch


Switch>enable
Switch#configure terminal
Switch(config)#vlan 10
Switch(config-vlan)#name dep-administrativo
Switch(config-vlan)#exit
Switch(config)#
Switch(config)#interface fastEthernet 0/1
Switch(config-if)#switchport mode access
Switch(config-if)#switchport access vlan 10
Switch(config-if)#exit
Switch(config)#exit
Switch#sh vlan

____________________________________________________________________________________
Laboratório de Redes – Prof. Wilson – Comandos básicos de Switches gerenciáveis Cisco
46

Configurando trunk no switch


Switch>enable
Switch#configure terminal
Switch(config)#interface fastEthernet 0/1
Switch(config-if)#switchport mode trunk

Comandos de verificação e diagnóstico


Switch#show ?
(O comando show ? fornece uma lista dos comandos show disponíveis)

Switch#show arp
(Exibe a tabela ARP do roteador)

Switch#sh interfaces
(Verifica detalhadamente as configurações das interfaces)

Switch #sh ip interface brief


(Verifica as configurações das interfaces)

Switch#show mac-address-table dynamic


(Verifica a tabela de endereçamento MAC)

Switch#show vlan
(Exibe as vlans configuradas)

Switch #sh running-config


(Verifica as configirações ativas na RAM)

Switch#sh startup-config
(Verifica as configurações da NVRAM)

Switch#sh flash:
(Verifica os arquivos de sistema operacional da Flash)

Switch#copy running-config startup-config


(Salva as configurações ativas na RAM para a NVRAM)

____________________________________________________________________________________
Laboratório de Redes – Prof. Wilson – Comandos básicos de Switches gerenciáveis Cisco
47

Comandos Básicos de Roteadores Cisco


Configurando um nome.
Router>enable
Router#configure terminal
Router(config)#hostname Einstein
Einstein#

Configurando senha enable.


Router>enable
Router#configure terminal
Router(config)#enable password Einstein

Configurando senha enable secret.


Router>enable
Router#configure terminal
Router(config)#enable secret Einstein

Configurando senha da console.


Router>enable
Router#configure terminal
Router(config)#line console 0
Router(config-line)#password Einstein

Configurando acesso telnet para 05 usuários.


Router>enable
Router#configure terminal
Router(config)#line vty 0 4
Router(config-line)#login
Router(config-line)#password Einstein

Configurando IP na interface ethernet.


Router>enable
Router#configure terminal
Router(config)#interface ethernet 0/1
Router(config-if)#ip address [Link] [Link]
Router(config-if)#no shutdown

Configurando IP na interface fastethernet.


Router>enable
Router#configure terminal
Router(config)#interface fastEthernet 0/1
Router(config-if)#ip address [Link] [Link]
Router(config-if)#no shutdown

Configurando IP na interface serial.


Router>enable
Router#configure terminal
Router(config)#interface serial 0/1/0
Router(config-if)#ip address [Link] [Link]
Router(config-if)#clock rate 128000 (somente se a serial for DCE)
Router(config-if)#no shutdown

Configurando roteamento RIP v1.


Router#
configure terminal
Router(config)#router rip
Router(config-router)#network [Link]
Router(config-router)#network [Link]

____________________________________________________________________________________
Laboratório de Redes – Prof. Wilson – Comandos básicos de Roteadores Cisco
48

Configurando uma rota default por ip do próximo salto.


Router#configure terminal
Router(config)#ip route [Link] [Link] [Link]

Configurando rota default por interface.


Router#configure terminal
Router(config)#ip route [Link] [Link] serial 0/1/0

Configurando rota estática por ip do próximo salto.


Router#configure terminal
Router(config)#ip route [Link] [Link] [Link]

Configurando rota estática por interface.


Router#configure terminal
Router(config)#ip route [Link] [Link] serial 0/0

Configurando roteamento entre vlans.


Router>enable
Router#configure terminal
Router(config)#interface fastEthernet 0/1
Router(config-if)#no shutdown
Router(config-if)#exit
Router(config)#interface fastEthernet 0/0.1 (ID da sub-interface)
Router(config-subif)#encapsulation dot1Q 10 (ID da vlan)
Router(config-subif)#ip address [Link] [Link]
Router(config-subif)#exit
Router(config)#interface fastEthernet 0/0.2 (ID da sub-interface)
Router(config-subif)#encapsulation dot1Q 20 (ID da vlan)
Router(config-subif)#ip address [Link] [Link]

Comandos de verificação e diagnóstico.


Router#show ?
(O comando show ? fornece uma lista dos comandos show disponíveis)

Router#show arp
(Exibe a tabela ARP do roteador)

Router#sh interfaces
(Verifica detalhadamente as configurações das interfaces)

Router#sh ip interface brief


(Verifica resumidamente as configurações das interfaces)

Router#sh ip route
(Verifica a tabela de roteamento)

Router#sh running-config
(Verifica as configirações ativas na RAM)

Router#sh startup-config
(Verifica as configurações da NVRAM)

Router#sh flash:
(Verifica os arquivos de sistema operacional da Flash)

Router#copy running-config startup-config


(Salva as configurações ativas na RAM para a NVRAM)

• NVRAM (Non-Volatile RAM): O termo NVRAM não se refere a uma tecnologia em


particular. Indica apenas que, mesmo sendo RAM, é do tipo “não volátil”.
____________________________________________________________________________________
Laboratório de Redes – Prof. Wilson – Comandos básicos de Roteadores Cisco
Telefonia Básica 1

Telefonia Básica
O termo “telefonia” significa, ao pé-da-letra, “voz a distância” e exprime bem o seu objetivo
principal: estabelecer a comunicação de voz entre dois pontos longínquos. Com a evolução do
sistema telefônico, foram criados equipamentos especiais que permitem a transmissão de dados,
sons, imagens, etc., pelo mesmo canal de comunicação (linha telefônica) onde, a princípio, só
trafegavam sinais de voz.

A linha telefônica:

O termo “linha telefônica” a princípio fazia referência apenas ao meio de comunicação (par
de fios) entre uma origem e um destino. Hoje o termo evoluiu para representar, além dos fios de
comunicação, os equipamentos que possibilitam a conversação e identifica a origem e o destino (por
códigos numéricos).

O telefone:

A forma mais simples de se obter conversação a distância é através da conexão de dois


aparelhos telefônicos por um par de fios, alimentando-os com uma bateria.

Na realidade, para tal não necessitamos dos aparelhos por completo mas apenas dos “punhos”
(ou “monofones”: onde estão as cápsulas transmissora e receptora). Em tal configuração, para se ter
uma idéia, com uma bateria de 9V já é possível a comunicação de voz entre vários quilômetros de
distância.

Microfone (cápsula transmissora) e altofalante (cápsula receptora):

A conversão de vibrações sonoras em impulsos elétricos é obtida através de um recipiente


contendo carvão granulado, através do qual a corrente elétrica pode transitar (microfone de carvão).

Um diafragma (membrana de alumínio) atuando sobre os grânulos


de carvão pressiona as partículas alterando a resistência ôhmica do
dispositivo. Dessa forma, ao se emitir sons próximo à cápsula
transmissora a vibração sonora provoca proporcional alteração na
resistência ôhmica do microfone fazendo variar a corrente elétrica que por
ele circula.

Possuindo função inversa ao microfone, as cápsulas receptoras transformam a energia elétrica


(variações de corrente) em vibrações mecânicas, através de um diafragma.

________________________________________________________________________________________________
Prof. Wilson Carvalho de Araújo
Telefonia Básica 2

Existem duas técnicas para a obtenção dessas vibrações: através de cápsulas eletromagnéticas
e eletrodinâmicas.

Cápsula receptora eletromagnética:

Baseia-se na aplicação da corrente em uma bobina em torno de um imã permanente, com


fluxo variando em função da corrente aplicada. Esse fluxo atua em um diafragma cuja movimentação
causa deslocamento de ar.

Cabe aqui mencionar que este tipo de cápsula receptora é mais simples e robusta, porém de
menor sensibilidade que a cápsula receptora eletrodinâmica.

Cápsula receptora eletrodinâmica:

A cápsula eletrodinâmica utiliza uma membrana fixa a


uma bobina que pode mover-se dentro de um campo magnético
de um imã. Ao introduzir-se a corrente nessa bobina ela forçará
a membrana a movimentar-se proporcionalmente ao sinal
elétrico aplicado.

Este tipo de cápsula encontra aplicação onde se deseja maior


sensibilidade (reconhecimento, pela cápsula receptora, de níveis
reduzidos de corrente).

Para facilitar nosso estudo podemos convencionar os símbolos


gráficos para microfone e cápsula receptora, como mostra a figura
ao lado.

Dessa forma podemos representar o circuito elétrico capaz de estabelecer a comunicação entre dois
pontos:

________________________________________________________________________________________________
Prof. Wilson Carvalho de Araújo
Telefonia Básica 3

• Notamos a presença de uma bateria, em cada circuito, alimentando o microfone, enquanto que um
transformador evita que a componente contínua atinja a linha de comunicação telefônica. Pela
característica de possuir baterias independentes para cada circuito local, este tipo é denominado
como “telefone de bateria local” (BL).

Circuito antilocal:

Ao se supor uma comunicação através de um circuito como o apresentado, podemos observar,


de imediato, a existência de um sério inconveniente: a conversação, embora em condições de ocorrer,
causa uma sensação desagradável à pessoa que estiver falando, pois sua voz será reproduzida com
maior intensidade que a de seu interlocutor.

Devemos então incorporar ao circuito do telefone algo que evite que a pessoa que fala ouça a
si mesma. Essa atenuação, porém, deve ser parcial, pois a experiência mostra ser conveniente que os
interlocutores “sintam” suas próprias vozes, mas em nível inferior ao dos sinais recebidos pela linha
telefônica. De modo a sanar o problema, introduziu-se uma configuração conhecida por “circuito
antilocal”.

• Neste circuito, o fluxo de sinais originados do microfone encaminha-se nas duas seções do
enrolamento secundário, resultando em oposição de fase na cápsula receptora. Assim, quanto mais
próximo for o valor da impedância “z” do valor da impedância de linha “zlinha”, maior será a
atenuação do “efeito local” (tornando a lembrar que, na prática, a atenuação imposta não deve ser
total).

Telefones com bateria central (BC):

Neste grupo estão incluídos os aparelhos pertencentes à rede de assinantes de uma companhia
telefônica. Tais terminais recebem a alimentação (geralmente de -48V) da central a que estão
conectados. Basicamente podemos representá-los da seguinte forma:

Note a presença do circuito antilocal e a bateria única para toda a linha telefônica. Os
indutores em série com a bateria tem por função minimizar a influência da mesma nos sinais de voz,
________________________________________________________________________________________________
Prof. Wilson Carvalho de Araújo
Telefonia Básica 4

tornando-a transparente para a comunicação, mas deixando passar a corrente contínua que alimenta o
circuito.

Telefone BC automático:

A principal característica que o diferencia do aparelho


BC comum reside no acréscimo de um disco datilar (figura
ao lado) em série com a linha.

O circuito abaixo representa o esquema elétrico de um


telefone BC automático, incluindo circuito antilocal, disco
datilar e circuito de campainha, onde os pontos “ A” e “B”
representam os pontos de conexão com a linha telefônica:

Verifiquemos seu princípio de funcionamento:

Com o “punho” no “gancho” (aparelho em “repouso”) a chave “s” fica “abaixada”,


resumindo o caminho de circulação de corrente.

Enquanto o “punho” (monofone) estiver em sua posição natural


(repouso), permanecem conectados a linha telefônica apenas um capacitor
em série com a campainha. Como a alimentação da linha se dá em corrente
contínua, a mesma é bloqueada pelo capacitor “c” e, nestas condições,
praticamente nenhuma corrente circula pelo circuito.

O sinal de chamada é identificado pela presença de tensões senoidais com até 96V de
amplitude. Por ser senoidal, este sinal passa pelo capacitor e excita a campainha. Ao se retirar o fone
do gancho a campainha é desconectada e a alimentação circula pelo microfone - que está, neste
momento, em condições de utilização.

Tal sinal de chamada, que provoca o toque do telefone, possui como características 96V,
25Hz em um regime de toque “1x4” (um segundo de sinal por quatro de espera).

Pulsos de discagem:

O disco datilar é responsável pelo envio de códigos à central telefônica que possibilitam
prosseguir no encaminhamento da chamada. Estes códigos, identificados por números, são pulsos de
interrupção e curto circuito que o aparelho telefônico envia à central.

________________________________________________________________________________________________
Prof. Wilson Carvalho de Araújo
Telefonia Básica 5

Ao girar o disco para a direita está se preparando a emissão de mensagens para a central
telefônica; o contato de curto-circuito é fechado, bloqueando a alimentação do microfone. Ao se
soltar o disco, durante o percurso de retorno, o contato de curto-circuito permanece fechado enquanto
que os contatos interruptores de corrente são abertos e fechados tantas vezes quanto necessárias, de
acordo com o dígito discado.

Exemplificando, o gráfico a seguir representa as variações de corrente em função do tempo


para o dígito “5” sendo discado.

onde:
A. telefone em repouso;
B. telefone “fora do gancho”;
C. giro do disco para a direita (fechamento do contato de curto circuito);
D. o retorno do disco provoca 5 interrupções de corrente (correspondendo ao dígito 5 discado);
E. ao final do retorno o contato de curto circuito se abre estabelecendo a alimentação do
microfone e a corrente nominal do aparelho, a qual permanecerá neste valor até a discagem de
outro número.

O período de cada ciclo dos pulsos é padronizado em 100ms, sendo 66.7ms para a interrupção
de corrente e 33.3ms para pulso de corrente máximo. Aparelhos mais modernos apresentam, em
substituição ao disco datilar, teclados digitais que facilitam as operações, embora ainda emitindo
sinais decádicos de forma semelhante ao disco examinado (pulsos por interrupção de corrente na
linha telefônica).

Com a evolução das centrais telefônicas foi aprimorada


também a forma de envio de sinais do aparelho à central
telefônica, dando origem ao uso de sinalização multifrequencial
(MF) em telefones. Seu princípio consiste na emissão de
freqüências do espectro de voz (300Hz a 3400Hz) no envio dos
códigos identificadores à central telefônica, ao invés de
interrupções de corrente.

A figura ao lado representa o teclado MF e as


freqüências envolvidas. Exemplificando, ao se teclar “5” temos
o envio das freqüências 770Hz e 1336Hz simultaneamente.

Como vantagens sobre o teclado decádico, o MF apresenta maior imunidade a ruídos (que por
ventura possam ocorrer durante o processo de discagem) a facilidade de mauseio e a rapidez de
discagem e envio dos códigos. Em contrapartida este tipo de teclado depende de a central telefônica
________________________________________________________________________________________________
Prof. Wilson Carvalho de Araújo
Telefonia Básica 6

estar equipada com dispositivos que reconheçam a sinalização MF, enquanto que os teclados
decádicos são universalmente aceitos por qualquer central. Alguns aparelhos telefônicos, hoje em
dia, trazem a possibilidade de operar nos dois sistemas através da seleção por uma simples chave no
próprio telefone.

Para estabelecer uma eficiente integração homem-máquina a central lança mão da sinalização
acústica. Esta consiste de uma série de sinais audíveis (acústicos) emitidos da central para o
assinante. A tabela seguinte ilustra esquematicamente a sinalização acústica.

SINAL CONFORMAÇÂO

tom de discar envio constante de 425Hz

toque de chamada (96V / 25Hz)

supervisão de chamada (425Hz)

tom de ocupado (425Hz)

tom de número inacessível (425Hz)

A Comutação Telefônica:

A comutação telefônica é o processo pelo qual se estabelece a conexão entre dois ou mais
terminais telefônicos, ou seja, é todo o processo de “chaveamento” que conecta um aparelho
telefônico a outros.

A necessidade deste chaveamento (comutação) é óbvia pois um aparelho telefônico deve ser
capaz de se comunicar com vários outros, porém mantendo o sigilo de comunicação.

A figura ao lado representa a conexão por comutação entre


quatro aparelhos telefônicos com acessibilidade plena (cada um pode se
comunicar com qualquer dos outros três, bastando para isso que o
destino esteja “livre”). Note a quantidade de pares de fios para englobar
todas as possibilidades de comunicação.

• Essa quantidade de pares de fios pode ser determinada pela fórmula: f = t ( t-1 )
2
onde:
f = quantidade de pares de fios que se fazem necessários;
t = quantidade de aparelhos telefônicos.

A equação comprova a complexidade gerada pela expansão dessa rede a ponto de torná-la
inviável na prática. A primeira solução apresentada e utilizada para sanar tal inconveniente foi a
disposição da rede telefônica em “estrela” tendo como elemento central uma mesa comutadora
controlada por uma telefonista.
________________________________________________________________________________________________
Prof. Wilson Carvalho de Araújo
Telefonia Básica 7

Na prática, chegou-se a quantidade de 50 linhas como sendo o ideal para uma central de comutação
manual. Foi um consenso ditado pela complexidade construtiva e a quantidade de linhas que uma
telefonista conseguiria cuidar. Para ampliar o sistema, mais centrais eram instaladas no mesmo
ambiente e mais telefonistas eram contratadas.

Hoje em dia o processo ainda está em uso por empresas de médio e grande porte para a
comunicação entre departamentos. São as centrais PBX (Private Branch Exchange). As centrais
PBX, porém, estão sendo substituídas pelo tipo automatizado: as PABX (Private Automatic Branch
Exchange).
________________________________________________________________________________________________
Prof. Wilson Carvalho de Araújo
Telefonia Básica 8

O princípio básico da comutação em uma central telefônica pode ser melhor compreendido
pelo estudo da matriz crosspoint. Como toda matriz, a crosspoint também é formada por linhas e
colunas. A intersecção de uma linha com uma coluna origina um elemento da matriz. Cada aparelho
telefônico está conectado a cada uma das intersecções, ou seja, o telefone 1 está conectado a linha 1 e
coluna 1, o aparelho 2 é associado a linha 2 e coluna 2 e assim sucessivamente.

A figura seguinte representa de forma simplificada estas conexões para uma matriz crosspoint
“5x5” onde as intersecções são representadas por chaves.

Podemos perceber que, a princípio, em uma matriz como esta (5x5) necessitaríamos de 25
pontos de conexão (chaves) que, em uma construção mais próxima da realidade, representariam
relês. Porém ao analisar mais detidamente podemos reduzir o número de relês necessários, pois como
um terminal telefônico não deve originar uma chamada destinada a ele próprio, tal ponto de
intersecção pode ser excluido.

Dessa forma, utilizando a técnica de matriz crosspoint, a quantidade de relês (pontos de


intersecção) necessários a uma central pode ser determinado por:
r = t (t-1)

onde: r =quantidade de relês necessários;


t =quantidade de aparelhos telefônicos.

Como podemos notar pela equação apresentada, uma matriz crosspoint se torna altamente
antieconômica se levarmos em consideração que uma central com 1000 terminais necessitaria de
999mil (próximo de 1 milhão) conjuntos de relês. A questão é contornada por meio de um
dimensionamento mais realista do tráfego (quantidade de linhas ocupadas simultaneamente) de uma
central.

A figura seguinte mostra uma matriz hipotética do tipo crosspoint construída com conjuntos
de reles. O acionamento dos reles é dado por chaves que permitem a passagem de -48V e 0V
(“terra”) para endereçar linhas e colunas respectivamente. Apesar da representação por chaves, em

________________________________________________________________________________________________
Prof. Wilson Carvalho de Araújo
Telefonia Básica 9

uma construção prática poderiamos dispor de um comando eletrônico (com transistores e CI´s)
operando como chave para acionar os reles.

A seguir temos a representação simplificada de um relê convencional utilizado em telefonia.


A figura mais a direita mostra o mesmo relê com os contatos fechados, acionado pela corrente
elétrica que circula pela bobina. Este tipo de relê tem como desvantagem seu tamanho (ocupa muito
espaço quando exigido aos milhares) peso e elevada corrente de acionamento, além do acionamento
ruidoso.

Outra forma de construção destes circuitos é através do uso de um relê “reed-switch”, ou


simplesmente relê “reed”. Este relê é constituído de uma ampola de vidro com gás inerte, onde são
colocados os contatos metálicos a serem acionados. Estes contatos apresentam, em seu corpo,
materiais magnetizáveis, de forma a se unirem (se atraem) diante da presença de um campo
magnético. Vejamos a figura seguinte:

O fechamento dos contatos é proporcionado pela presença de uma campo magnético gerado
por uma bobina envolta da ampola. Ao se aplicar uma corrente elétrica a bobina gera o campo e os

________________________________________________________________________________________________
Prof. Wilson Carvalho de Araújo
Telefonia Básica 10

contatos se atraem. Ao cessar o campo magnético (cessando a corrente) os contatos voltam a posição
de repouso.

O relê reed representa uma grande evolução em termos de reles pois apresenta tamanho
diminuto e exige uma corrente muito pequena no seu acionamento além da rapidez de comutação (de
2 a 10ms), longa vida útil, baixo custo e facilidade de manipulação. Em contrapartida, é mais
sensível a choques mecânicos e suporta uma corrente de contato muito menor que a do relê
convencional.

A concentração de uso:

Por simples observação já é possível afirmar que um aparelho telefônico permanece grande
parte do tempo em repouso de modo a possibilitar a fixação, por hipótese, da quantidade de
ocupações simultâneas em uma central telefônica. Dessa forma é altamente viável que um núcleo
concentrador (central telefônica) de 1000 assinantes possua não mais que 100 linhas disponíveis,
porém com uma alta taxa de utilização.

Em termos práticos, para que um assinante viesse a efetuar uma chamada telefônica, seria
necessário haver uma pesquisa entre as linhas existentes de forma que o primeiro caminho livre
encontrado fosse imediatamente ocupado por este terminal. Podemos concluir então que, em uma
central real, há sempre uma disponibilidade de linhas inferior ao número de aparelhos telefônicos a
ela conectados.

O tráfego telefônico:

Como o próprio nome sugere, o tráfego telefônico representa o grau de ocupação dos circuitos
telefônicos. As centrais telefônicas são planejadas de tal modo que as ligações realizadas pelo
assinante tenham grande probabilidade de sucesso, mesmo nos períodos de tráfego telefônico mais
intenso, ou seja, nas chamadas “hora de maior movimento” (HMM). Obviamente, por ser uma
função estatística, devemos conviver com um determinado grau de insucessos.

A quantidade de troncos e equipamentos de comutação será dimensionada de tal forma que,


durante as HMM, somente uma porcentagem muito pequena de ligações solicitadas não possa ser

________________________________________________________________________________________________
Prof. Wilson Carvalho de Araújo
Telefonia Básica 11

estabelecida, pelo menos não imediatamente, por falta de equipamentos de comutação (ligações que
se perdem ou que precisam esperar).

A solução teórica de tais tarefas de dimensionamento pertencem ao setor da “teoria de


tráfego”, seguindo um método desenvolvido por A K. Erlang, cujo nome é utilizado para representar
uma das unidades de tráfego telefônico (abreviado para Erl.).

Basicamente podemos dizer que a intensidade de tráfego na unidade Erlang representa o


número médio de chamadas simultâneas em um período de observação.

Matematicamente podemos determinar a intensidade de tráfego:

onde:
A’ = V V = volume de tráfego - somatório dos tempos de ocupação dos
T circuitos observados;
T = período de observação.

• Por se tratar de uma observação realizada em circuitos com chamadas cursadas (encaminhadas), o
termo A’ passa a designar “intensidade de tráfego cursado”.

Outro termo que temos que levar em consideração é o “tráfego oferecido” (representado por
A), que representa a quantidade média de chamadas oferecidas a um circuito ou grupo de circuitos,
em um período de observação. O tráfego oferecido não é mensurável, sendo obtido por estimativas
de perda.

A parcela de tráfego oferecido que não chega a escoar é considerada “tráfego perdido”,
enquanto o que segue adiante é o tráfego cursado.

Com base no exposto podemos afirmar então que a intensidade máxima de tráfego cursado é
de 1Erl, representando que os circuitos permaneceram ocupados 100% do período de observação.
Exemplificando, se A’ = 0,30Erl , significa que o circuito ficou ocupado 30% do período de
observação.

Temos ainda o “tráfego de transbordo” que representa a parte do tráfego oferecido, não
cursado pela via direta, que é oferecido a uma via alternativa (é comum termos várias alternativas
caso a rota principal apresente problemas).

Caso o usuário não consiga completar sua chamada na primeira tentativa, provavelmente
tentará de novo; a cada tentativa sem êxito, partes do sistema telefônico serão ocupadas por um
tráfego ineficaz, denominado “tráfego repetitivo”.

A parcela do tráfego escoado que resulta em conversação telefônica é denominado “tráfego


de conversação”.

Temos ainda várias outras denominações para o tráfego telefônico, entre as quais podemos
citar:

________________________________________________________________________________________________
Prof. Wilson Carvalho de Araújo
Telefonia Básica 12

- Quanto a direção:
• Tráfego de entrada - que chega de outra central;
• Tráfego de saída - que é encaminhada para outra central.

- Quanto às áreas envolvidas:


• Tráfego local - é originada e terminada no mesmo município;
• Tráfego interurbano - envolve chamadas entre municípios;
• Tráfego internacional - envolve chamadas entre países (nações).

- Quanto à procedência / destino:


• Tráfego originado - de chamadas que iniciam nesta e partem para própria ou outra central;
• Tráfego terminado - de chamadas que chegam, tendo iniciado nesta ou em outra central;
• Tráfego de trânsito - de chamadas que são recebidas e reencaminhadas a outras centrais.

Ainda com relação a intensidade de tráfego, podemos encontrar, resumidamente, os modelos:


Bernoulli, Engest, Erlang, Poisson, Binomial Negativa, Binomial Negativa Truncada. Todos eles são
representados por funções estatísticas, com modelos matemáticos aproximados, já que foram
desenvolvidos a partir de observações de comportamento da rede telefônica e os próprios assinantes
apresentam características aleatórias na utilização da telefonia.

Também podemos encontrar várias unidades de intensidade de tráfego, entre as quais


destacamos as principais a seguir:

Erl (Erlang) Nestas, o valor numérico indica a quantidade média de


TU (Traffic Unit) chamadas simultâneas.
VE (Verkehseinheit)
valor numérico destas unidades indica a quantidade média
CCS (Center Call Seconds)
de chamadas por hora, tomando-se por base um tempo
HCS (Hundred Call Seconds)
médio de chamada de 100 segundos.
UC (Unit Call)
Nestas, o valor numérico indica a quantidade média de
ARHC (Appels Réduits à l’Heure
chamadas por hora, tomando-se por base um tempo médio
Chargée)
de chamada de 120 segundos.
EBHC (Equated Busy Hour Call)

A quantidade de equipamentos estabelecida por um dimensionamento técnica e


economicamente viável implica que, eventualmente, nos horários de pico de tráfego (HMM), existam
algumas chamadas perdidas. O “grau de serviço” é dado como sendo a proporção destas chamadas
em relação ao total de tentativas efetuadas (percentual de perda).

Matematicamente:

onde:
B = grau de serviço;
B= P
P = número de tentativas de chamadas que encontram todos os meios de
N
ligação ocupados;
N = número total de chamadas.
________________________________________________________________________________________________
Prof. Wilson Carvalho de Araújo
Telefonia Básica 13

Normalmente encontramos tabelas de consulta como a apresentada a seguir:

N 0,50% 0,60% 0,70% 0,80% 0,90% 1% 2% 3% 5%


1 0,005 0,006 0,007 0,008 0,009 0,010 0,020 0,031 0,526
2 0,105 0,116 0,126 0,135 0,144 0,153 0,223 0,282 0,381
3 0,349 0,374 0,397 0,418 0,437 0,455 0,602 0,715 0,889
4 0,701 0,741 0,777 0,810 0,841 0,869 1,090 1,260 1,520
5 1,13 1,19 1,24 1,28 1,32 1,36 1,66 1,88 2,22
6 1,62 1,69 1,75 1,81 1,86 1,91 2,28 2,54 2,96
7 2,16 2,24 2,31 2,38 2,44 2,50 2,94 3,25 3,74
8 2,73 2,83 2,91 2,99 3,06 3,13 3,63 3,99 4,54
9 3,33 3,44 3,54 3,63 3,71 3,78 4,34 4,75 5,37
10 3,96 4,08 4,19 4,29 4,38 4,46 5,08 5,53 6,22
11 4,61 4,74 4,86 4,97 5,07 5,16 5,84 6,33 7,08
12 5,28 5,43 5,55 5,67 5,78 5,88 6,61 7,14 7,95
13 5,96 6,12 6,26 6,39 6,50 6,61 7,40 7,97 8,83
14 6,66 6,83 6,98 7,12 7,24 7,35 8,20 8,80 9,73
15 7,38 7,56 7,71 7,86 7,99 8,11 9,01 9,65 10,60
16 8,10 8,29 8,46 8,61 8,75 8,88 9,83 10,50 11,50
17 8,83 9,03 9,21 9,37 9,52 9,65 10,70 11,40 12,50
18 9,58 9,79 9,98 10,10 10,30 10,40 11,50 12,20 13,40
19 10,30 10,60 10,70 10,90 11,10 11,20 12,30 13,10 14,30
20 11,10 11,30 11,50 11,70 11,90 12,00 13,20 14,00 15,20

• Na tabela (bastante resumida, com fins apenas didáticos), o campo percentual representa a perda
“B”, a coluna “N” tem o número de circuitos e os valores internos às células indicam a capacidade
de tráfego em cada situação. Exemplificando, considerando uma perda de 2% em 18 circuitos
encontramos uma capacidade de escoamento de tráfego de 11,5Erl.

A justificativa de uso de uma tabela se dá porque, na realidade, a equação apresentada tem


apenas fim conceitual, uma vez que na prática são utilizados cálculos estatísticos dos modelos
apresentados.

Para ilustrar este fato, ao lado temos apresentada a fórmula do cálculo de


AN estimativa de perda segundo o modelo de Erlang:
B= N!
N onde: B = perda (percentual);
∑ Ai N = número de circuitos;
i=0
i! A = tráfego oferecido

Em uma consulta rápida na Internet, podemos encontrar vários sites de telefonia e programas
para download de calculadoras específicas para auxiliar neste tipo de cálculo.

Exemplo: [Link] (disponível em janeiro de 2015).


________________________________________________________________________________________________
Prof. Wilson Carvalho de Araújo
Telefonia Básica 14

Seletores Telefônicos

Para facilitar a compreensão do mecanismo de encaminhamento de uma chamada telefônica


podemos adotar a representação de um seletor de um só movimento, como o apresentado a seguir:

Como podemos ver, trata-se de uma chave rotativa capaz de selecionar um entre vários contatos,
possibilitando o encaminhamento telefônico.

Assim, em uma central hipotética, temos a distribuição dos seletores da seguinte forma:

• A figura expõe uma situação em nossa pequena central, na qual o aparelho telefônico “86” origina
uma chamada para o assinante “97” (aparelho “97”). Ao se tirar o monofone do gancho, o seletor
primário “86” é ativado e começa a girar, da esquerda para a direita, verificando se algum seletor
de grupo está disponível no momento. Havendo contato ocupado por outra ligação, passa-se para
o seguinte. Na figura, o seletor de grupo “0” está ocupado por uma chamada, o seletor primário
“86” passou então para o grupo “1”, selecionando-o para dar prosseguimento à ligação. O
assinante “86” então disca o primeiro número (9) e a informação é transmitida ao seletor de grupo
que estaciona no 9º contato, selecionando os seletores finais associados a família “9X” (assinantes
de 90 a 99). Ao discar o segundo algarismo identificador (7) o seletor final é movido 7 passos,
apontando para o terminal destinatário (97).

As centrais que operam sob este método, onde o próprio ato de discagem gera informações
que atuam diretamente sobre os seletores, são classificadas como “centrais de comando direto”.

________________________________________________________________________________________________
Prof. Wilson Carvalho de Araújo
Telefonia Básica 15

Os tipos de seletores:

As centrais de comando direto, devido ao fato de serem constituídas por seletores com
mecanismos independentes, onde cada dígito opera um determinado estágio de seleção, são também
designadas como “centrais passo-a-passo”.

A figura abaixo mostra o princípio de funcionamento de um seletor de dois movimentos de


uma central passo-a-passo. Este seletor é conhecido por “chave de Strowger”, em homenagem a
quem o idealizou, ou “rotary”.

Trata-se de uma matriz de contatos do tipo “10x10”. Nos deslocamentos horizontais a


magnetização de um eletroimã (a) libera a catraca (e), acarretando um pequeno giro do eixo (c), por
intermédio da engrenagem (h); por outro lado, o eletroimã (b), ao ser ativado, vem solicitar a catraca
(d) acoplada com o sistema dentado (i) possibilitando posicionamentos verticais. O bloco (f)
representa o conjunto de contatos para serem selecionados (100 ao todo) enquanto (g) consiste no
contato selecionador.

Como estas centrais são bastante inflexíveis a expansões e alterações devido a dependência
direta entre o código do assinante e a movimentação dos seletores, surgiu o princípio da “central por
comando indireto”, onde as informações vindas do terminal telefônico são armazenadas em
dispositivos especiais (registradores) executando posteriormente o deslocamento das chaves
seletoras (marcadores). Essa estrutura é exemplificada na figura seguinte.

________________________________________________________________________________________________
Prof. Wilson Carvalho de Araújo
Telefonia Básica 16

Mesmo com a adoção de registradores e marcadores, alguns problemas críticos ainda não são
solucionados: a utilização de seletores baseados na chave de Strowger exige limpeza constante e
correntes elevadas para operação dos mecanismos de rotação e elevação, além de terem um tempo de
contato relativamente elevado.

Em busca de soluções para as deficiências dos seletores “rotary“ foi que surgiu o seletor
“crossbar”. Proposto originalmente por Palmgren e Bertulander em 1919 mas sua utilização prática
só se concretizou na década de 50. Consiste em um arranjo retangular de contatos, acionados por
eletroimãs, através de barras horizontais e verticais.

A figura mostra de forma simplificada os movimentos de comutação das barras horizontais e


verticais. Na figura está representado apenas uma barra horizontal com alguns contatos (em um caso
real seriam 10) e uma única barra vertical com apenas dois contatos (em um caso real seriam 12
contatos).

A barra horizontal pode girar em +10º ou -10º em relação a posição de repouso, de acordo
com o eletroimã acionado (“a” ou “b”). É óbvio, no entanto que os dois eletroimãs (“a” e “b”) nunca
podem ser acionados simultaneamente. Os eletroimãs posicionados junto a barra vertical são
responsáveis pelo recuo da barra, de forma a efetuar o contato desejado.

A seguir temos, a título de exemplo, os três passos necessários para a comutação da


horizontal 2 com a linha 3.

________________________________________________________________________________________________
Prof. Wilson Carvalho de Araújo
Telefonia Básica 17

As centrais telefônicas fundamentadas na técnica crossbar tiveram grande aceitação mundial,


pois suas vantagens são grandes perante as chaves seletoras até então existentes. Em resumo
podemos citar que algumas qualidades dos seletores crossbar são: rapidez de comutação (em torno
de 100ms), manutenção menos dispendiosa e, o mais importante, a quantidade de reles exigidos por
uma matriz “n” linhas por “m” colunas é determinada por “n+m”. Exemplificando, enquanto que
uma matriz crosspoint “100 x 100” exigiria 9900 reles, a matriz crossbar “100 x 100” exige apenas
200 reles.

Pela sua característica de construção, a matriz crossbar não pode ser controlada diretamente
pela discagem do assinante, nos levando a imediata associação com as centrais de comando indireto.

Os registradores armazenam os números discados pelo


terminal chamador até o instante em que a conexão se estabelece. A
escolha da rota é efetuada analisando-se essa informação
memorizada e as vias disponíveis. Uma vez escolhida a rota os
marcadores realizam as ações mecânicas para se estabelecer as
conexões. Uma vez terminadas as funções de estabelecer a
conexão, estes dispositivos são liberados para atender outras
chamadas.

Por exemplo os registradores, que tem sua função executada rapidamente, são liberados
primeiros; assim a quantidade de registradores em uma central pode ser bastante pequena sem que
haja prejuízo na utilização do usuário final (assinante). O mesmo raciocínio vale para os blocos de
“escolha da rota” e “marcadores”, onde cada qual é liberado após terminar sua tarefa naquela
ligação.

O bloco de comando e os circuitos de controle em geral, são facilmente contraídos para


centrais eletromecânicas (que faz uso dos seletores apresentados) de pequeno porte. No entanto estes
circuitos são bastante inflexíveis e se tornam bastante complexos a medida que se desejar ampliar a
capacidade da central.

Dada a existência de regras e padrões que podem ser logicamente simulados, para grandes
sistemas de controle, é conveniente que tais regras sejam executadas por computadores chegando,
assim à definição da central CPA (controle por programa armazenado). Nesta o computador atua
________________________________________________________________________________________________
Prof. Wilson Carvalho de Araújo
Telefonia Básica 18

como um dispositivo de controle sequencial, varrendo constantemente as interfaces conversoras,


trabalhando em regime de compartilhamento. Uma vez que toda a lógica é determinada por
programas, há relativa facilidade de alteração e consequente flexibilidade para expansões futuras.

Com o emprego de um sistema CPA o tempo médio de troca de sinalização diminui


sensivelmente, desde que se recebe o “tom-de-discar” até o completamento da chamada, uma vez que
os circuitos que interfaceam toda a “ligação” (juntores), sendo controlados por sistemas digitais, são
mais rápidos quando comparados às centrais eletromecânicas convencionais. Desta forma já que as
chamadas são completadas mais rapidamente, as linhas permanecem ocupadas por menos tempo,
diminuindo o tráfego da central.

Além disso, as centrais CPA apresentam um consumo de energia mais uniforme, não
flutuando tanto quanto às eletromecânicas convencionais nas quais quanto maior o tráfego, maior o
consumo de energia. Em vez disso, nos períodos em que há poucas chamadas em progresso (de
madrugada, por exemplo) o processador desvia seu tempo de “ociosidade” para tarefas rotineiras,
como autodiagnósticos. Assim teremos um consumo relativamente uniforme seja em HMM (hora de
maior movimento) ou em horário de baixo tráfego, carregando menos os circuitos de alimentação
(conjunto de acumuladores e retificadores) e, na média, seu consumo ainda é inferior às centrais
eletromecânicas.

Pela época em que começaram a surgir (em meados de 1970), as centrais CPA se apresentam
basicamente em dois tipos: analógica e digital.

As primeiras centrais CPA’s eram consideradas analógicas, pois as informações que trafegam
em seus circuitos de fonia são analógicos, e estes circuitos (sensores e relês) é que são comandados
por processadores.

A figura apresenta o diagrama simplificado de uma central desete tipo (uma AXE-
ERICSSON), onde toda a malha de comutação é constituida por relês e circuitos analógicos, de um
dos modelos mais comuns da época. Nessa figura temos:

• LIC: interface de linha, possui sensores para indicar o estado da linha.


• SSN: estágio concentrador de assinantes, construído a partir de matrizes com relês “reed-switch”.

________________________________________________________________________________________________
Prof. Wilson Carvalho de Araújo
Telefonia Básica 19

• BJC: juntor de “B”, responsável por enviar o toque de chamada para “B” e enviar tom de supervisão de
chamada para “A”. Utilizado, portanto, para chamadas destinadas.
• AJC: juntos de “A”, responsável pelo envio de tom de discar e reconhecimento de pulsos decádicos (para
o caso de telefone de disco ou semelhante).
• GSN: estágio de comutação, construído por matrizes com relês “reed-switch”.
• ITC: tronco de entrada, responsável por receber informações de outra central.
• OTC: tronco de saída, responsável por informações destinadas a outra central.
• CRD: receptor de código, recebe os códigos MFC vindos de outras centrais.
• CSD: enviador de código, envia os códigos MFC para outras centrais.
• RP: processador regional, cuida da verificação de pontos de teste/status e processamento local.
• CP: processador central, responsável pela interação/coordenação de todo o sistema.

Como foi dito anteriormente, a figura está representando os blocos básicos e de forma
bastante simplificada. Além destes, a central deve conter funções de tarifação, operação e
manutenção, interface com operador, etc.

Na central CPA analógica vemos que a informação é comutada com auxílio de um sistema
digital, mas em todo o percurso ela trafega na forma analógica. A este tipo de comutação, onde as
conexões são estabelecidas através de caminhos de voz distintos umas das outras (pelo acionamento
de relês), damos o nome de “comutação espacial”.

O emprego da transmissão de dados em redes telefônicas é muito comum hoje em dia e tende,
em curto prazo, ser predominante em toda a rede. Este fato tem exigido constante aperfeiçoamento da
rede telefônica e das malhas de comutação de modo a tornar a comunicação mais eficiente quanto a
rapidez com que se estabelece, nível de ruído e compatibilidade com a comunicação de dados. A
tudo isto se soma o fato que, em larga escala, a comutação digital se torna economicamente vantajosa
(custo por terminal).

Na central CPA digital a informação vinda do assinante é imediatamente convertida para


digital, forma na qual recebe todo o processo de comutação. Uma vez que a central, neste caso, só
tratará de informações binárias, sua parte “mecânica” (relês) é substituída por elementos de
comutação eletrônicos (sem partes móveis) como transistores e CI’s eliminando todo o ruído elétrico
causado pelo acionamento de relês bem como falhas de continuidade (contato elétrico).

Dessa forma, em uma central


CPA digital, temos superioridade de
comunicação quanto à qualidade, além
da velocidade de comutação que é ainda
maior que a analógica. Uma vez que
toda a informação a ser comutada estará
na forma digital, há a possibilidade de
várias chamadas trafegarem por um
mesmo caminho de voz, amostradas a
intervalos regulares. A comutação que
utiliza este tipo de amostragem é
denominada de comutação temporal. A
figura ao lado representa o diagrama
simplificado de uma CPA digital.

________________________________________________________________________________________________
Prof. Wilson Carvalho de Araújo
Telefonia Básica 20

Na figura temos:

• LSM: responsável pela conversão da linha do assinante em digital, envio da sinalização acústica e
concentração dos assinantes.
• TSM: módulo de comutação temporal.
• SPM: módulo de comutação espacial (matriz de relê “reed”)
• ETC: juntor bidirecional, responsável por toda troca de informações com outra central, seja sinalização ou
conversação.
• EMRP: processador regional que atua sobre o estágio de assinantes. Difere do RP por permitir que o
estágio de assinantes esteja distante fisicamente do restante do conjunto (estágio remoto).

A figura representa uma central hipotética, já que na prática temos muitas centrais mistas,
implementadas com estágios digitais e analógicos em diferentes graus de aplicação.

A conversão da informação analógica para digital ocorre no LSM seguindo a técnica PCM
(modulação por código de pulso), onde cada canal de informação é amostrado a 8KHz e cada
amostragem tem seu valor analógico convertido para uma palavra binária de 8bits.

A figura seguinte ilustra o sinal analógico original e suas amostragens.

Cada uma das amostras têm seu nível de amplitude utilizado como referência para gerar uma
palavra de 8bits, onde o primeiro bit diz respeito a polaridade da amostragem e o restante, aos níveis.
Desta forma, a amostragem referente a zero volt resultaria “00000000” enquanto que na amplitude
máxima temos “11111111”. É óbvio que neste processo o sinal sofrerá distorções, as quais precisam
ser previstas. Para telefonia, no entanto, a distorção introduzida se mostra tolerável para comunicação
de voz. Essa distorção é denominada “erro de quantização” e pode ser diminuída com um aumento
de bits por amostragem, porém isso exige maiores velocidades de comunicação (bits por segundo).

A figura seguinte representa a distorção gerada pela técnica PCM na recomposição do sinal
analógico (erro de quantização).

Para melhor compreender a comutação temporal vejamos o princípio de básico multiplexação


TDM:

________________________________________________________________________________________________
Prof. Wilson Carvalho de Araújo
Telefonia Básica 21

A “multiplexação por divisão de tempo” (TDM - Time Division Multiplex) consiste em


realizar a transmissão de várias informações por uma única linha de transmissão, sem que haja
interferência entre elas, por meio de amostragens. A figura seguinte ilustra o que foi exposto.

Enquanto cada chave estiver na posição relativa aos telefones “2” (como mostra a figura), o
meio de transmissão estabelecerá a comunicação entre eles. O processo de amostragem surge quando
as chaves começam a girar. Considerando que ambas rodem com a mesma velocidade, digamos de 1
volta por segundo, teremos 250ms destinados a cada comunicação, ou seja, apenas ¼ de cada
informação é transmitida. Para que cada comunicação seja inteligível na recepção, o que se faz é
elevar a velocidade de rotação das chaves até um valor que seja imperceptível para o receptor.

A velocidade das chaves é sugerida a partir do “Teorema de Nyquist” sobre amostragem, que
afirma que “para recuperar um sinal a partir de amostras é necessário amostrarmos com uma
frequência maior ou igual ao dobro da máxima frequência da informação”.

Como a faixa de voz (adotada para telefonia) é de 300Hz a 3400Hz, a frequência de


amostragem (correspondente a rotação da chave) deverá ser igual ou superior a 6800Hz.

A figura seguinte mostra o espectro de frequências com a modulação dos sinais de voz em
TDM a 6800Hz.

Notamos que há formação de bandas laterais (semelhante à modulação de rádio AM-DSB).


Percebemos que para recuperar somente a fundamental (informação) necessitamos de um filtro passa
baixas bastante seletivo, com corte a 3400Hz, o que é difícil de ser obtido. No caso de a amostragem
se dar a menos de 6800Hz, torna-se impossível recuperar a fundamental sem a banda lateral inferior
(BLI) do primeiro harmônico (ocorreria a sobremodulação).

O valor normatizado pelo CCITT (Consultative Commitee for International Telegraph and
Telephone) para a frequência de amostragem é de 8KHz. A figura seguinte ilustra o espectro de
frequências para esta situação:

________________________________________________________________________________________________
Prof. Wilson Carvalho de Araújo
Telefonia Básica 22

Pela figura notamos que um filtro passa baixa de 3400Hz, porém de baixa seletividade
(tolerância de até 1200Hz) permite recuperar a fundamental.

Assim, nesta frequência de amostragem, podemos dizer que a chave demora 125µS para
amostrar todos os canais uma única vez (translação). É óbvio que este processo é impraticável por
meios mecânicos, sendo então utilizados circuitos eletrônicos. Como o sistema PCM é um sistema
cujos canais são transmitidos de modo digital, cada amostra precisa ser transformada da forma
analógica para a forma digital.

Pois bem, para o caso de comunicação na forma binária as chaves podem ser substituídas por
um sistema de contadores e portas lógicas, como mostra a próxima figura.

• Neste circuito a frequência de atuação dos contadores deve ser muito maior que a de entrada de
dados. Por exemplo, na figura temos cinco entradas de dados e para não perder nenhuma
informação a frequência de contagem deverá ser, no mínimo, cinco vezes a velocidade de dados
de uma determinada entrada (supondo que todas atuem na mesma velocidade). A linha de
sincronismo mantém os contadores atuando paralelamente garantindo a entrega de informação à
saída correspondente; este sincronismo geralmente é uma palavra padrão de bits que trafega pela
própria linha de comunicação a intervalos regulares eliminando a necessidade de uma linha extra
para si.

Assim como na versão analógica, nas saídas deste circuito teremos um sinal “distorcido”
(devido à quantização), uma vez que o período de cada bit estará definido pela velocidade dos
contadores. Para contornar tal inconveniente podemos lançar mão de escrita em memórias RAM (ou
registradores de deslocamento) de tal forma que a informação entregue em cada saída se apresente
idêntica a respectiva entrada, apenas defasada no tempo.

________________________________________________________________________________________________
Prof. Wilson Carvalho de Araújo
Telefonia Básica 23

A comutação temporal opera basicamente no mesmo princípio, apenas que na saída a


contagem não será seqüencial como na varredura de entrada, por exemplo, se “e2” está se
comunicando com “s4”, “e4” com “s2” e os outros mantendo seus correspondentes, teremos a
contagem de entrada na seqüência “e1-e2-e3-e4-e5” enquanto que a saída será respectivamente “s1-
s4-s3-s2-s5”.

Em uma central CPA real, no entanto, os circuitos são mais complexos porém obedecem o
mesmo princípio. Nela temos as identificações dos assinantes armazenados em memórias e,
conforme vamos incrementando as funções, vemos que as próprias informações digitalizadas vindas
dos assinantes também são armazenadas em memórias.

Na figura apresentada, a “memória de origem” contém a identificação da porta entrada e a


“memória de destino” contém a identificação da porta de saída e habilitam o fluxo de dados entre
entrada e saída na ordem desejada. Tudo sob controle da CPU (ela é quem comanda os contadores e a
escrita/leitura nas memórias de origem/destino). O uso de registradores de deslocamento possibilita
que cada saída forneça sua informação na forma paralela (em bytes).

Facilidades de Serviços de Assinante

Além da velocidade de comutação e imunidade a ruidos as centrais CPA inovaram em


serviços aos usuários (assinantes). Estes serviços (denominados facilidades) se caracterizam pelo
controle do próprio usuário, que efetua as programações pelo teclado do telefone.

Entre as facilidades oferecidas pelas centrais CPA, lembrando que o descrito tem função
apenas didática, tendo sido baseado nos códigos utilizados pelas centrais da rede fixa (os códigos da
telefonia celular são diferentes embora ofereça facilidades semelhantes), podemos citar as seguintes:

• Chamada em espera / atendimento simultâneo:

________________________________________________________________________________________________
Prof. Wilson Carvalho de Araújo
Telefonia Básica 24

Permite ao assinante receber uma segunda chamada enquanto a linha está ocupada. Através de
“flash 1” (toque rápido no gancho seguido do dígito 1), libera a primeira chamada e atende a
segunda. Com “flash 2” retém a primeira e atende a segunda chamada, caso dê “flash 2” novamente
retornará a primeira chamada. Pode ser ativada pelo usuário digitando *43 no teclado do aparelho
telefônico e desativada pela sequencia #43.

• Discagem abreviada:
Permite abreviar a discagem de números usuais, programado pelo próprio usuário. É
programado pela sequencia * 51 * n * número de B # , onde “n” é o código abreviado para uso (0, 1,
2, ...9). Pode ser desativado por # 51 * n # . O uso se dá digitando-se n# (código abreviado seguido
de # ).

• Linha direta (hot line):


Permite que o aparelho telefônico realize uma chamada para determinado número pré-
programado assim que for retirado do gancho. É programado pela operadora.

• Bloqueio de interurbano:
Permite ao assinante o bloqueio de chamadas interurbanas. É ativado pela seqüência * 33 *
senha # e desativado por # 33 * senha #, onde a senha é programada pela operadora do serviço. A
programação pode ser verificada por * # 33 #.

• Consulta e conferência:
Funciona de forma a permitir que, partindo de uma ligação estendida (em conversação), o
assinante provido da facilidade pode chamar para outro sem desconectar o primeiro (com flash + nº
do assinante “c”). Depois de estabelecida a conversação com “c”, ao se enviar “flash 2” retemos a
chamada para o assinante “c” e voltamos a falar com “b”. Com “flash 3” teremos uma conferência a
três. Com “flash 1” desconectamos (desligamos) a chamada de “b” e ficamos com “c”. A ativação
desta facilidade é efetuada pela operadora do serviço.

Existem várias outras facilidades como “não perturbe”, “transferência em caso de não
responder”, etc., dentre as quais, a título de exemplo, citamos as mais comuns.

Obviamente cada facilidade depende da comercialização da operadora local pois envolve


custos adicionais por ocupar memória e processamento da central. Desta forma nem todos os
usuários poderão ter todas as facilidades pois são ofertadas em quantidades limitadas. Assim o
assinante que desejar alguma facilidade deve consultar a operadora sobre a disponibilidade da mesma
e, caso esteja disponível, deverá pagar uma taxa mensal por seu uso.

Sinalização entre Centrais Telefônicas

Dada a necessidade de comunicação entre as centrais foram criados padrões de troca de


sinalização que foram evoluindo junto às centrais. Entre as formas de sinalização mais utilizadas
encontramos a “E+M contínua”, a “E+M pulsada” e a “MFC” (multifrequencial compelida).

A sinalização entre centrais é dividida em sinalização de linha e de registro.

________________________________________________________________________________________________
Prof. Wilson Carvalho de Araújo
Telefonia Básica 25

A sinalização de linha compreende a troca de informações relacionadas com os estágios da


conexão e supervisão da linha. Entre os sinais envolvidos podemos citar: ocupação do juntor,
atendimento, desconexão, bloqueio, tarifação e rechamada.

A sinalização de registro é a que se refere às informações dos assinantes como identificação,


tipo (categoria) e estado (livre, ocupado ou bloqueado).

Na sinalização convencional cada informação passada à outra central recebe como resposta
um sinal de confirmação, o que em uma chamada local representa uma troca de aproximadamente 20
sinais, representando um tempo para estabelecer a conexão (de segundos, por chamada) que pode ser
considerado elevado quando levamos em conta que uma central telefônica deve estabelecer milhares
de chamadas.

Com a evolução das centrais digitais foram criadas novas formas de troca de informações
entre centrais. A sinalização digital vem de encontro a necessidade de estabelecimento de chamadas
cada vez mais rápidos e mais confiável. Surgiram diversas formas digitalizadas entre as quais a
“sinalização por canal comum nº7” se mostra como tendência pois suporta não só a telefonia
convencional como a telefonia móvel celular e a comunicação de dados.

Para se ter uma vaga noção do que representa a sinalização por canal comum, o primeiro sinal
que é enviado para outra central já traz consigo a completa identificação do assinante de destino
(“B”), a identificação da origem (assinante “A”) e a categoria de “A”. Como resposta a essa
mensagem, temos outra que informa que foram recebidos os dígitos para encaminhamento da
chamada, estado do assinante “B” e outras. Além disso, o próprio fato de ser digital também já
colabora para acelerar o processo.

Assim, na sinalização por canal comum, o assinante percebe que, imediatamente após
terminado o ato da discagem, já é recebido o tom de supervisão da chamada, o que para o usuário
representa um conforto, para as centrais serão linhas ocupadas por menos tempo, o que colabora para
uma maior capacidade de escoamento de tráfego.

Hierarquia de Centrais Telefônicas

A central telefônica às quais os terminais de assinantes estão conectados atendem uma


determinada localidade e, por isso recebem o título de “central local”.

________________________________________________________________________________________________
Prof. Wilson Carvalho de Araújo
Telefonia Básica 26

Uma central local pode se comunicar diretamente a varias outras que estejam relativamente
próximas e inclusive fazer o reencaminhamento de chamadas para outra central, servindo de ponte,
função esta denominada “função tandem”.

• Na figura temos quatro centrais locais com cabos de comunicação entre si (cabos “troncos”). As
centrais “B” e “D” não tem comunicação direta entre si e caso haja necessidade de comunicação
entre elas (chamadas telefônicas), estas devem fazê-lo via central “A” que possui função tandem.

Com o crescimento da necessidade de comunicação entre centrais surgiu a “central tandem”


que visa interligar as diversas centrais de uma mesma localidade.

As centrais tandem também são denominadas “trânsito local”. As centrais tandem se


comunicam, em uma hierarquia superior, com as centrais trânsito. Estas tem por função encaminhar a
chamada a nível estadual, nacional e internacional. Encontramos então as centrais trânsito

________________________________________________________________________________________________
Prof. Wilson Carvalho de Araújo
Telefonia Básica 27

categorizadas por “trânsito estadual”, “trânsito nacional” e “trânsito internacional” de acordo com
sua função de encaminhamento.

Quando contratamos os serviços de telefonia de uma operadora, significa que as centrais


locais e tandem pertencem a tal operadora. Ao realizar uma chamada de longa distância (interurbano)
devemos escolher as centrais trânsito que encaminharão a chamada através do código de seleção de
operadora durante a discagem.

Numeração de assinantes

As centrais locais são identificadas entre si por seu prefixo. O prefixo é um código numérico
de três ou quatro algarismos.

A numeração dos assinantes dentro de um determinado prefixo é também um código


numérico de quatro algarismos que representam a MCDU (milhar, centena, dezena, e unidade) da
identificação do circuito do assinante. Assim, o número completo do assinante é dado pelo conjunto
formado pelo prefixo da central mais o MCDU de seu circuito.

Da mesma forma cada área possui um código de dois algarismos para identificá-lo, por
exemplo, São Paulo tem código 11, a região Campinas tem código 19, Ribeirão Preto é 16, a cidade
do Rio de Janeiro é 21, Belo Horizonte é 31, etc. Assim é perfeitamente aceitável que existam
centrais telefônicas de mesmo prefixo, porém em localidades diferentes. Este código de área é
conhecido popularmente por DDD por permitir a “discagem direta a distância” ou seja, sem
intervenção da telefonista; como curiosidade, essa nomenclatura foi criada pela Embratel.

A seguir está representado o estado de São Paulo com os códigos das áreas. Note que não
estão representados todos os municípios; estão apenas as áreas e regiões com os nomes dos
municípios de representação de cada respectiva região.

________________________________________________________________________________________________
Prof. Wilson Carvalho de Araújo
Telefonia Básica 28

Para realizar uma chamada interurbana ou internacional também devemos discar um código
numérico que, para interurbano (nível nacional) é dado por “0” e internacional é “00”.
Além do código de acesso a longas distâncias (0 ou 00), devemos informar a operadora das centrais
tânsito escolhida para encaminhar a chamada.

Assim, para realizar uma chamada interurbana (de outra localidade) para o número dado como
exemplo devemos discar:

Dos dois algarismos que identificam a localidade o primeiro identifica o estado ou a região do
país a qual pertence a localidade, por exemplo, São Paulo (estado) é “1”, Rio de Janeiro e Espírito
Santo tem por identificação o “2”, Minas Gerais é “3” e assim pos diante.

________________________________________________________________________________________________
Prof. Wilson Carvalho de Araújo
Telefonia Básica 29

Da mesma forma que a identificação das diversas localidades também temos um código
numérico para cada país para o caso de chamadas internacionais, por exemplo, o Brasil tem como
código internacional o 55, Estados Unidos é 1, etc. Este código é denominado DDI por permitir a
“discagem direta internacional”.

Da mesma forma que na chamada interurbana, é necessário discar o código de acesso para
chamada internacional (“00”) que é universal. Assim, se estivermos no exterior e desejarmos realizar
uma chamada telefônica para o número dado como exemplo, deveremos discar:

A tabela a seguir apresenta alguns países e seus respectivos códigos DDI.

________________________________________________________________________________________________
Prof. Wilson Carvalho de Araújo
Telefonia Básica 30

PAÍS DDI PAÍS DDI PAÍS DDI PAÍS DDI


África do Sul 27 El Salvador 503 Israel 972 Paquistão 92
Alemanha Ocidental 49 Emirados Árabes 971 Itália 39 Paraguai 595
Alemanha Oriental 37 Equador 593 Iuguslávia 38 Perú 51
Angola 244 Espanha 34 Jamaica 1 Polônia 48
Antilhas Holandesas 599 Estados Unidos 1 Japão 81 Porto Rico 1
Arábia Saudita 966 Etiópia 215 Jordânia 962 Portugal 351
Argentina 54 Filipinas 63 Kuwait 965 Quênia 254
Aruba 297 Finlândia 358 Lesoto 266 Reino Unido 44
Austrália 61 Formosa 886 Líbano 961 República Dominicana 1
Áustria 43 França 1 Libéria 231 Romênia 40
Bélgica 32 Grécia 30 Líbia 218 São Marino 39
Bolívia 591 Groenlândia 299 Luxemburgo 352 Síria 963
Brasil 55 Guadalupe 590 Marrocos 212 Sri Lanka 94
Bulgária 359 Guatemala 502 Martinica 596 Suécia 46
Camarões 237 Guiana 592 México 52 Suíça 4
Canadá 1 Guiana Francesa 594 Mônaco 33 Tailândia 66
Chile 56 Haiti 509 Moçambique 258 Tanzânia 255
China 86 Holanda 31 Montserrat 1 Trinidad y Tobago 1
Chipre 357 Honduras 504 Namíbia 264 Tunísia 216
Cingapura 65 Hong Kong 852 Nicarágua 505 Turquia 90
Colômbia 57 Hungria 6 Nigéria 234 Uganda 256
Coréia do Sul 82 Índia 91 Noruega 47 Uruguai 598
Costa do Marfim 225 Indonésia 62 Nova Caledônia 687 Venezuela 58
Costa Rica 506 Irã 98 Nova Zelândia 64 Zaire 243
Cuba 53 Irlanda 353 Panamá 507 Zâmbia 260
Egito 20 Islândia 354

Rede Externa

Da casa do usuário de telefonia (assinante) comunicação é estabelecida por fios metálicos


(fios) que, a medida que cresce a concentração, são agrupados em cabos até alcançar a central
telefônica. Este quadro compõe a “planta externa” da rede telefônica.

A figura seguinte mostra o aspecto de uma rede telefônica típica.

Da casa do assinante , o par de fios (fio “drop”) sai e junta-se com os pares de outras casas no
poste mais próximo, onde há uma caixa de distribuição. Esta caixa permite acesso aos fios dos cabos
aéreos reunindo muitos pares de fios, seguindo pelos postes até um armário de distribuição. A partir
________________________________________________________________________________________________
Prof. Wilson Carvalho de Araújo
Telefonia Básica 31

deste armário, cabos mais grossos reúnem os cabos de muitos postes e seguem por dutos
subterrâneos até o distribuidor geral (DG) do prédio da central telefônica. No “DG” os milhares de
fios que vem das ruas são conectados aos fios que vão à central telefônica.

O cabo subterrâneo que interliga o DG e o armário de distribuição é conhecido por “cabo


primário”. O cabo aéreo que interliga o armário de distribuição e as caixas de distribuição é
conhecido por “cabo secundário” ou “lateral”. Cada “lateral” pode ter dezenas de caixas de
distribuição distribuídas ao longo de seu percurso, de forma a atender a centenas de usuários.

Para o caso de grandes empresas, onde a concentração de linhas telefônicas é intensa, é


comum o uso de um lateral destinado exclusivamente à empresa.

Manter os cabos da rede primária completamente secos é fundamental. Na maioria desses


casos, os fios telefônicos são isolados uns dos outros apenas por papel. Se entrar umidade dentro
deles a isolação elétrica se degrada, resultando em problemas - o mais comum dos quais é a linha
cruzada. Como não é possível consertar o isolante de papel, um problema como este costuma resultar
no abandono dos pares de fios com isolação defeituosa.

Para evitar umidade, esses cabos são mantidos dentro de tubos em que se injeta gás inerte ou
ar seco, a uma pressão maior que a externa. Como podem haver pequenos vazamentos dentro dos
tubos, é preciso manter bujões de alta capacidade para empurrar mais gás se a pressão cair abaixo de
determinado nível. Nas caixas de passagens (subterrâneas) onde são feitas emendas, pode haver
acúmulo de gases tóxicos e explosivos. Antes de qualquer atividade, os técnicos devem tomar
especial cuidado para não entrar em um ambiente que pode ser letal.

Costuma-se chamar a planta externa de “investimento enterrado”. Uma vez construída, não é
possível modificá-la; o máximo que se pode fazer é ampliá-la, construindo mais dutos para mais
cabos. O projeto dessas redes deve prever, com razoável precisão, quem são e onde estão os usuários
potenciais, como a região onde vivem vai desenvolver-se economicamente, onde se construirão
condomínios residenciais ou de escritórios, etc. Médias mundiais dizem que a rede deve ser
planejada para atender à demanda dos cinco anos seguintes. Um erro de avaliação e os cabos serão
enterrados no lugar errado, ou seja, ficarão inúteis.

As redes primária e secundária, juntas, consomem cerca de 50% de todo o dinheiro gasto em
um sistema telefônico. Em terrenos acidentados, o custo da rede externa pode chegar a 70% do total.
Erros são irrecuperáveis. Um projeto superdimensionado resulta em dinheiro enterrado;
subdimensionado exigirá ampliações que, em geral, são custosas.

Apesar de toda a dificuldade, uma rede convencional pode ser muito vantajosa. Com um bom
projeto e cerca de 100 habitantes por quilômetro quadrado (média mundial), a rede metálica pode dar
lucro e ainda permite cobrar dos assinantes tarifas muito reduzidas, sendo indicada para bairros de
média e alta concentração populacional. Para bairros com menores quantidades de assinantes a rede
convencional se torna muito custosa, tanto quanto a construção como manutenção, o que pode
atrasar, em muito, o avanço de sua expansão.

Wireless Local Loop - WLL

________________________________________________________________________________________________
Prof. Wilson Carvalho de Araújo
Telefonia Básica 32

Até pouco tempo atrás não havia alternativa à rede convencional (metálica). Com o preço de
circuitos integrados caindo todos os anos, enquanto seu poder de processamento e sua velocidade
dobram a cada dois anos, em média, as empresas de telecomunicações começaram a propor o WLL
(Wireless Local Loop) não mais como ficção científica, mas como realidade tecnológica
economicamente viável.

O conceito do WLL é simples: o telefone do assinante é ligado a um equipamento de rádio


que troca informações com uma estação de rádio. A estação, por sua vez, está conectada à central
telefônica e, a partir dela, a chamada segue seu curso usual.

A figura seguinte caracteriza uma rede WLL:

• Percebemos que a central telefônica deve estar preparada de forma a controlar a estação de
radiobase (ERB). O “link” (enlace) entre a ERB e a central pode se dar por rádio (como na figura),
fibra ótica ou par de cobre (utilizando modem). A ERB se comunica com o terminal do usuário
por ondas de rádio, substituindo todo o sistema de cabos da rede convencional.

Para que o sistema funcione, é instalado juntamente com o aparelho telefônico o ETA –
Equipamento Terminal do Assinante – um aparelho com uma pequena antena, da qual sai o fio que
conecta a linha ao telefone comum.

Esse dispositivo é um transceptor de radiofrequência que possibilita a utilização de um


aparelho de telefone padrão para acessar a interface aérea de CDMA (Code Division Multiple
Access).

O WLL brasileiro trabalha com mobilidade restrita. É que sistemas de WLL permitem que o
usuário se mova (lentamente, a pé, por exemplo) dentro de sua área de cobertura. Para isso há
terminais portáteis.

O WLL usa o mesmo princípio da telefonia móvel celular, do qual é restrita a mobilidade (o
celular surgiu como solução para telefonia antes do WLL). Assim, o WLL pode ser definido como
um “celular fixo”. Entende-se por técnica celular, o processo em que uma área geográfica é
subdividida em várias partes denominadas células que possuem, em cada centro, uma estação de
rádio base (ERB).

________________________________________________________________________________________________
Prof. Wilson Carvalho de Araújo
Telefonia Básica 33

Para facilidade de estudo as células são normalmente representadas na forma hexagonal.


Trata-se de uma simplificação pois, na prática é impossível obter tal formato.

A área de cobertura real é uma figura irregular, pois a propagação do sinal eletromagnético
depende de vários fatores como: obstrução por morros, declive de terrenos, edificações, vegetações,
etc. A localização da ERB, muitas vezes, não está no centro da célula, mas em posições topográficas
favoráveis a uma melhor cobertura, de forma que se elimine ao máximo as regiões de sombra e as
interferências em outras células.

A dimensão da célula deve adequar-se à densidade de tráfego telefônico. Quanto maior for o
tráfego, menor será sua área de cobertura, uma vez que os números de canais disponíveis por célula é
limitado. Desta forma, em áreas centrais de uma cidade teremos células bem menores que aquelas
encontradas na periferia.

Elementos do SMC

O SMC é composto de Centrais de Comutação e Controle (CCC), Estações Radiobase (ERB) e


Estações Móveis (EM).

________________________________________________________________________________________________
Prof. Wilson Carvalho de Araújo
Telefonia Básica 34

A CCC é a central de comutação, de tecnologia CPA, de onde se administra as ERB’s e as


EM’s. Ela contém os registros dos usuários supervisiona as chamadas para emissão da “bilhetagem”
(tarifação).

A ERB é responsável pela


comunicação entre a EM e a CCC. Ela
possui os equipamentos de transmissão
(amplificadores, torre e antenas) que se
fazem necessários para irradiação do
sinal celular. É a ERB que transmite e
recebe os sinais de controle para
estabelecimento da chamada e de voz
para estabelecimento da conversação.

A comunicação entre a torre e a


EM é denominada downlink. No sentido
inverso, temos o uplink.

A EM (estação móvel) é o equipamento celular do usuário final. A EM utiliza um processo


conhecido como “discagem em pré originação”. Quando o usuário pressionar as teclas numéricas da
EM, ela apenas armazena os algarismos em sua memória. Eles não são enviados à central telefônica
conforme são discados, como em telefones fixos. Quando todo o número de lista for digitado, o
usuário deve pressionar uma tecla de envio do número à central. Só neste momento a EM irá iniciar
sua comunicação com a ERB. Esta tecla recebe nomes diferentes conforme o fabricante da EM (talk,
send, yes, etc).

Células

Dá-se o nome de célula à área geográfica coberta por uma estação de radiobase (ERB), dentro
da qual a comunicação de rádio (transmissão e recepção) atende às especificações do sistema.

________________________________________________________________________________________________
Prof. Wilson Carvalho de Araújo
Telefonia Básica 35

As dimensões dessa área dependem de vários fatores como altura da torre, grau de
urbanização e altura das edificações, grau de arborização, irregularidades do terreno, potência de
transmissão e tipo das antenas.

Como já foi citado, por questões de simplificação de análise em projetos, para efeitos de
estudos a célula é considerada hexagonal por permitir uma análise de cobertura entre várias células,
supondo que uma não invada a área de atuação de outra (situação ideal). Obviamente este formato é
impossível de se obter na prática, porém suas deficiências podem ser contornadas por otimizações do
sistema após a implantação, ou seja, depois que o sistema entra em operação, é feito um ajuste de
altura e direcionamento das antenas e potência de irradiação visando minimizar as possíveis falhas
(interferências ou deficiência na cobertura).

Quando temos uma ERB com uma única antena irradiando igualmente em todas as direções,
denominamos de célula omnidirecional.

Nas células setorizadas, a ERB é equipada com antenas diretivas de


tal forma que cada uma cubra uma determinada área. A figura seguinte ilustra
uma situação onde cada setor é responsável pela cobertura de 120º de
abertura. Note que, neste caso, cada setor é representado por um hexágono. O
conjunto dos três hexágonos forma a célula, com a ERB localizada em seu
centro.

Hand Off

Uma estação móvel (aparelho telefônico celular) em conversação e em delocamento provavelmente


passará por várias células durante o percurso. Portanto é necessário que o sistema seja provido de
recursos que possibilitem a transferência da chamada deste usuário de uma célula para outra, de
forma transparente, sem interrupção da conversação. Este processo é denominado hand-off.

Quando é estabelecida uma chamada, o canal de


voz desta conexão (entre EM e ERB) é
constantemente monitorado pela ERB que mede
dois parâmetros: a intensidade do sinal de RF
recebido e a relação sinal-ruído da chamada
telefônica. Uma queda acentuada em qualquer dos
dois pode originar um hand-off.

Se a EM se afasta muito da ERB, o sinal de RF recebido vai diminuindo até um primeiro


limiar. Neste ponto, a CCC (central de comutação e controle) solicita às células vizinhas que meçam
a intensidade com que recebem o sinal da EM (elas sintonizam momentaneamente o canal de voz da
EM). A CCC recebe estas medições e verifica se alguma das ERBs vizinhas apresenta um nível
melhor do que a atual. Caso não haja ERB com recepção melhor que a ERB atual, ela mantém a
conexão até que seja atingido um segundo limiar, onde é enviado um “tom de advertência” ao
usuário e a conexão é desfeita. Havendo uma “candidata”, a CCC identifica um novo canal de voz
livre e informa a EM e a ERB candidata para sintonizarem no novo canal de voz. Neste ponto há uma

________________________________________________________________________________________________
Prof. Wilson Carvalho de Araújo
Telefonia Básica 36

rápida interrupção da chamada, imperceptível para o usuário, momento em que a comunicação é


transferida da primeira para a segunda ERB.

O processo de hand-off pode ser intracelular (entre canais de voz de uma mesma célula),
intercelular (entre células de uma mesma CCC) ou intersistemas (entre células controladas por
CCC’s distintas). O hand-off intracelular ocorre quando há nível de sinal adequado, mas a relação
sinal-ruído está degradando (abaixo de 18dB). Esta situação pode ser provocada por uma
interferência qualquer. Neste caso, a ERB informa o fato à CCC que, por sua vez, escolherá outro
canal dentro da mesma célula e comandará a mudança.

Roaming

A função “roaming” permite que usuários do sistema originem e recebam chamadas mesmo
estando fora da área de origem, na condição de visitantes na área de outra CCC.

O roaming automático atua da seguinte forma: uma EM, ao entrar em uma nova área de
controle e não estando em conversação, registra-se automaticamente na CCC que controla esta área.
A CCC visitada informa à CCC de origem sobre sua nova posição. A CCC de origem, por sua vez,
registra qual área de serviço o assinante está visitando.

Para que o roaming seja possível é necessário que a central telefônica mantenha um banco de
dados atualizado para seus usuários.

• O HLR (Home Location Register) é o banco de dados dos usuários locais e contém todas as
informações da EM bem como as facilidades de serviço que possui, incluindo permissões de
bloqueio (DDD, DDI ou falta de pagamento). Possui ainda registros atualizados sobre a área que
a EM se encontra (ou a última que foi encontrada – caso esteja desligada).

• O VLR (Visited Location Register) é o banco de dados referente ao usuário visitante na região.
Quando uma EM que não pertence a CCC entra em sua área de atuação, a CCC entra em contato
com a CCC de origem (a qual a EM pertence) e copia as informações do HLR da origem no VLR
visitado. Além disto, a CCC visitada atribuirá um número virtual à EM (TLDN – Temporary
Local Directory Number) e informará este número ao HLR da CCC de origem.

Quando chega uma chamada para esta EM, a princípio é encaminhada para a CCC de origem. A
CCC consulta o HLR para saber suas propriedades e onde se encontra. Caso esteja visitando (roamer)
outra área, a chamada é reencaminhada tendo por base o TLDN. Como o TLDN possui o código
DDD e um número da área onde a EM se encontra, esta recebe a chamada reencaminhada. Para o
usuário, o TLDN é “transparente”, ou seja, não é informado.

Por ser um número virtual, a cada vez que visita a área a EM poderá receber um TLDN diferente.
Toda CCC possui uma série numérica reservada aos visitantes (TLDN). Tanto o HLR como o VLR
podem ou não estar integrados a CCC. Em grandes centros (onde a concentração de EM’s é muito
grande) é comum encontrarmos o HLR/VLR como equipamentos separados fisicamente da CCC,
ocupando inclusive prédios distintos. Na realidade, este HLR/VLR é basicamente uma CCC que não
possui ERB’s.

________________________________________________________________________________________________
Prof. Wilson Carvalho de Araújo
Telefonia Básica 37

A Codificação de Voz:

O método mais comum de digitalização da voz é a “modulação por código de pulso” (PCM -
Pulse Code Modulation), com uma taxa de amostragem de 64Kbps, resultando em boa qualidade,
muitas vezes, maior que o sinal analógico transmitido por fios de cobre.

Quanto maior a taxa de amostragem, maior a faixa de freqüências necessária para a


transmissão. Como o espectro é “caro”, a indústria vem tentando reduzir o rítmo dos conversores
A/D. Para isso usam ao máximo o poder dos processadores de sinais digitais (DSP) para comprimir o
sinal de voz em ritmos de até 5,6Kbps. Quanto maior a compressão, menor a qualidade da voz
transmitida, resultando em uma voz metálica, uma distorção causada por perda de algumas
freqüências que compõe o sinal telefônico de voz.

Atualmente as pesquisas vêm mudando este panorama. A compressão usada em alguns


sistemas de 13Kbps, é considerada por muitos usuários como sendo de boa qualidade, devido à
engenhosidade do algoritmo de codificação. O principal problema a ser resolvido é reduzir o ritmo
(por um complexo algoritmo) sem que o processamento provoque atrasos (os de mais de 0,4s são
proibidos pela UIT – União Internacional das Telecomunicações) porque causam uma desagradável
sensação de que a linha caiu.

Tarifação na Telefonia Móvel (voz)

Entende-se por tarifação as regras segundo as quais as chamadas são cobradas, ou seja, o processo
que gera a conta telefônica.

A tabela seguinte simplifica a estrutura de tarifas aplicada pela operadora de SMC entre seus
usuários, e entre seus usuários e os do serviço telefônico fixo.

________________________________________________________________________________________________
Prof. Wilson Carvalho de Araújo
Telefonia Básica 38

Onde:
VC-1 = valor da comunicação 1 (chamadas locais entre celulares);
VC-2 = valor da comunicação 2 (chamadas entre áreas secundárias diferentes, mas mesma área primária);
VC-3 = valor da comunicação 3 (chamadas entre áreas primárias diferentes);
AD = adicional por chamada (chamadas para outras operadoras);
DSL-1 = deslocamento 1 (áreas secundárias diferentes, mas mesma área primária);
DSL-2 = deslocamento 2 (áreas primárias diferentes).

As gerações da comunicação móvel celular

A primeira geração (1G) foi caracterizada pela tecnologia analógica AMPS (Advanced
Mobile Telephone System). Era focado na comunicação de voz. Utilizava FM (frequência modulada)
com canais de 30KHz de largura. A ERB operava com potências ao redor de 10W, enquanto a EM
(aparelho celular) podia atingir 600mW. A potência da EM era controlada pela ERB; quando
próximo, reduzia a potência. O sistema analógico exigia grande consumo das baterias dos aparelhos,
fazendo com que possibilitassem poucas horas de conversação com a mesma bateria.

A segunda geração (2G) foi a evolução natural do 1G. Teve início com o compartilhamento
dos canais de acesso AMPS usando a técnica TDM (Time Division Multiplex). As primeiras versões
foram chamadas de E-AMPS (E = Extended), depois de TDMA (Time Division Multiple Access).

O TDMA usava canais de 30KHz (como no AMPS) compartilhados no tempo entre três
usuários.

Na Europa, no final dos anos 1980, a necessidade de padronização para um sistema único
para todos os países europeus levou o Group System Mobile a criai o Global System Mobile (GSM).

O GSM também usa a técnica TDM, porém com canais de 200KHz, compartilhados entre até
oito usuários.

O sucesso comercial do GSM fez com que muitos países o adotassem, possibilitando o
desenvolvimento de aparelhos e serviços por diversos fabricantes. A produção em massa possibilitou
o surgimento de aparelhos de custo reduzido.

Evoluções no protocolo do GSM levaram ao surgimento do GPRS (General Packet Radio


System) e depois o EDGE (Enhanced Data rate for GSM Evolution), possibilitando chegar a
540Kbps de comunicação de dados. Essas evoluções são consideradas “2,5G”.

No início da década de 1990 a Qualcomm apresentou a tecnologia CDMA para uso civil em
sistemas celulares (até então era restrito ao ambiente militar).

O CDMA (Code Division Multiple Access) se baseia na divisão por código, ou seja, todas as
estações transmitem na mesma frequência, porém apenas os pares que detiverem o mesmo código
podem se comunicar.

A grosso modo, podemos comparar a comunicação CDMA com a que ocorre em uma sala
com diversas pessoas em conversação, onde os pares conversam em línguas diferentes (português,

________________________________________________________________________________________________
Prof. Wilson Carvalho de Araújo
Telefonia Básica 39

inglês, francês, alemão, japonês, grego, etc.). Nesse caso, a língua de conversação é o código que os
demais não são capazes de decodificar.

Em São Paulo, o CDMA foi o utilizado pela Telesp Celular (Hoje Vivo) mas, embora seja
tecnicamente superior ao GSM em serviços, possuía aparelhos mais caros e, por isso, não era atrativa
para a população. A tecnologia CDMA em São Paulo foi desligada totalmente em 2011, sendo
substituída por uma rede GSM-EDGE.

Assim como o GSM, o CDMA teve evoluções denominadas 1xRTT (Radio Trasnmission
Technology) que possibiltava dados a 144Kbps e o EvDO (Evolution Data Only), com até 2Mbps de
taxa de dados. O EvDO só não foi considerado como “3G” porque é dedicado a dados (não trafega
voz).

Essas tecnologias (1xRTT e EvDO) também são consideradas “2,5G”.

A principal característica das redes “2G” foi o surgimento de serviços de dados como o SMS
(Short Message Service) e WAP (Wireless Application Protocol) – uma Internet rudimentar, em
modo texto. Surgiram aí os primeiros aparelhos com display colorido e câmeras rudimentares.

A evolução das câmeras e poder de processamento dos aparelhos possibilitaram novos


serviços como o MMS (Multimedia Message Service) – envio de fotos e pequenos vídeos por
mensagens.

A terceira geração (3G) possibilitou o surgimento do WAP2, videochamadas e


aprimoramentos no MMS. Com o “3G” surgiu o termo “triple-play”, representando os serviços
oferecidos de voz, dados e imagem.

O “3G” oferece serviços de dados com taxas maiores que 256Kbps e popularizou a utilização
do modem celular.

O modem celular é um aparelho celular simplificado: não tem display, altofalante, microfone,
bateria, vibracall nem teclado. Mas possui linha (número telefônico) e pode realizar e receber
chamadas, envias e receber SMS/MMS além de conectar à Internet (dados).

Com a diversificação de serviços, incluindo a comercialização de modem de dados (um


celular sem bateria, sem display e sem microfone) a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações)
trocou o nome do serviço prestado pelas operadoras de Serviço Móvel Celular (SMC) para Serviço
Móvel Pessoal (SMP).

A tecnologia 3G usada no Brasil é a WCDMA (Wide Code Division Multiple Access) com
sua evolução, o HSPA (High Speed Packet Access – “3,5G”).

A quarta geração (4G) é representada pelo LTE (Long Term Evolution). Essa é a única
tecnologia aceita como 4G pelo ITU. O LTE foi idealizado para fornecer até 100Mbps com o usuário
em movimento e 1Gbps com o usuário parado. Essas taxas são teóricas e definem o limite da
tecnologia. Em São Paulo, durante a implantação, em 2013, foram obtidas taxas de até 30Mbps com
o usuário parado.

________________________________________________________________________________________________
Prof. Wilson Carvalho de Araújo
Telefonia Básica 40

Com a liberação de uso para a população, são comuns taxas entre 6Mbps e 18Mbps,
dependendo de vários fatores como: distância da torre, quantidade de acessos (usuários) simultâneos
à torre no momento da medição além da calibragem dos equipamentos da operadora.

Com o “4G” temos o “quadruple-play”: voz, dados e imagem com mobilidade.

Visão de 2015: vem aí a quinta geração (5G). A quinta geração ainda não tem tecnologia
definida e não é especificada pelo ITU (International Telecommunications Union).

Em maio de 2013, a Samsung anunciou que conseguiu transmitir dados a uma velocidade de
1Gbps entre 2 terminais a 2Km de distância.

A nova tecnologia utiliza frequências EHF, mas ainda não responde a nenhuma das normas
técnicas reconhecidas pelos organismos internacionais.

Apenas especula-se a apresentação do “5G” para meados de 2020. Antes disso, ainda teremos
um “4,5G”.

Radiação

A radiação emitida por emissores, incluindo torres e aparelhos celulares, pode ser do tipo
ionizante ou não ionizante. O elemento principal que caracteriza a radiação é a frequência da onda.

Radiação ionizante é aquela que possui energia


suficiente para ionizar átomos e moléculas.

________________________________________________________________________________________________
Prof. Wilson Carvalho de Araújo
Telefonia Básica 41

A energia mínima típica da radiação ionizante é de cerca de 10eV. Pode danificar células e
afetar o material genético (DNA), causando doenças graves.

Radiações não ionizantes são as radiações de frequência igual ou


menor que a da luz (abaixo de ~8x1014Hz - luz violeta).

As ondas de rádio (incluindo as faixas de celulares) estão muito


abaixo da ionizante:

• Banda A = 850MHz (CDMA/GSM/WCDMA)


• Banda B = 900MHz (GSM/WCDMA)
• Banda L = 1800MHz (GSM)
• Banda M = 1900MHz (GSM)
• Banda J = 2100MHz (WCDMA)
• Banda S = 2600MHz (LTE)

Não havendo ionização, o que se pode esperar é aquecimento por agitação molecular.

A OMS estabelece os níveis máximos à exposição de RF.

Os níveis consideram uma margem de segurança de 50 vezes em relação ao limite médio


suportável pelos órgãos do corpo. Esse limite (Densidade de Potência) é de 4,35W/m2.

Na prática, podemos estabelecer as distâncias mínimas a serem mantidas das antenas:

– TV UHF = 40m
– Rádio FM = 30m
– TV VHF = 15m
– Telefonia móvel = 2m (da antena de TX com 20W!!!)

Os primeiros aparelhos móveis operavam com até 0,6W. Os atuais, com a digitalização, uma
fração disto. A utilização de baixa potência em antenas indoor também garante a segurança.

A Anatel exige que as operadoras contratem entidades independentes para, periodicamente,


realizarem medições e emitirem laudos a respeito dos níveis seguros da radiação eletromagnética,
conforme estabelecido pela OMS. São realizadas medições e emissão de laudos também para
aterramento e emissão de ruídos.

________________________________________________________________________________________________
Prof. Wilson Carvalho de Araújo

Você também pode gostar