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Trabalho Migratório no Sul de Moçambique

O documento analisa o fenômeno do trabalho migratório no sul de Moçambique, destacando suas transformações políticas, econômicas e sociais desde o século XIX. Ele aborda a situação política e econômica da região em 1880, os principais acordos entre Portugal e os territórios vizinhos sobre recrutamento de mão-de-obra, e o impacto da migração na economia local. O trabalho é estruturado em introdução, desenvolvimento, conclusão e bibliografia, visando compreender a importância histórica do trabalho migratório na formação das relações coloniais e pós-coloniais.
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Trabalho Migratório no Sul de Moçambique

O documento analisa o fenômeno do trabalho migratório no sul de Moçambique, destacando suas transformações políticas, econômicas e sociais desde o século XIX. Ele aborda a situação política e econômica da região em 1880, os principais acordos entre Portugal e os territórios vizinhos sobre recrutamento de mão-de-obra, e o impacto da migração na economia local. O trabalho é estruturado em introdução, desenvolvimento, conclusão e bibliografia, visando compreender a importância histórica do trabalho migratório na formação das relações coloniais e pós-coloniais.
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Atija Nelson Raja..........................................................

nº21

Autica Pastonio..............................................................nº22

Avinas Paulo...................................................................nº23

Bela Carlito......................................................................nº24

Benilda Armando...........................................................nº25

Celeza Celestino A. J. Marques....................................nº26

Chalé Atumane...............................................................nº27

Cidália do Rosário Q. Rui.............................................nº28

Constância Orlando Carlos José Muahopa..............nº29

Dastum Rafael Chinelo.................................................nº30

O sul e o Trabalho Migratório

Escola Secundária 12 de Outubro

Nampula, Outubro ,2025


Atija Nelson Raja..........................................................nº21

Autica Pastonio..............................................................nº22

Avinas Paulo...................................................................nº23

Bela Carlito......................................................................nº24

Benilda Armando...........................................................nº25

Celeza Celestino A. J. Marques....................................nº26

Chalé Atumane...............................................................nº27

Cidália do Rosário Q. Rui.............................................nº28

Constância Orlando Carlos José Muahopa..............nº29

Dastum Rafael Chinelo.................................................nº30

O sul e o Trabalho Migratório

Trabalho de carácter avaliativo a

ser entregue na disciplina de Tics

11ª classe B1/1

Docente: Luíza

Escola Secundária 12 de Outubro

Nampula, Outubro ,2025

II
Indice

Introdução.........................................................................................................................................................................4

1.O sul e o Trabalho Migratório...................................................................................................................................5

1.2. A Situação Política e Económica do Sul do Rio Save em 1880.....................................................................7

[Link] Acordos....................................................................................................................................................8

[Link] do Trabalho Migratório no Sul de Moçambique..........................................................................10

1.5.A Entrada do Sul de Save à Economia Mundial............................................................................................10

[Link] Vias de Comunicação (Caminhos-de-Ferro, Portos e Serviços).............................................................10

1.6.1. Principais Vias de Comunicação....................................................................................................................11

1.6.2. Vias de Comunicação de Menor Extensão...................................................................................................12

Conclusão........................................................................................................................................................................14

Bibliografia.....................................................................................................................................................................15

III
Introdução

O presente trabalho tem como tema “O Sul e o Trabalho Migratório” e visa analisar as

transformações políticas, económicas e sociais ocorridas no sul de Moçambique, particularmente

a sul do rio Save, desde o século XIX, com destaque para o fenómeno da migração laboral.

Trata-se de um processo histórico de longa duração que influenciou profundamente a economia,

a organização social e as relações políticas da região, especialmente em função das ligações

estabelecidas com o sistema capitalista da África do Sul e com o colonialismo português.

O estudo aborda ainda a situação política e económica do sul do rio Save em 1880, os principais

acordos celebrados entre Portugal e os territórios vizinhos sobre o recrutamento de mão-de-obra,

o impacto do trabalho migratório no contexto regional e a integração do sul de Moçambique na

economia mundial através das vias de comunicação (portos, caminhos-de-ferro e serviços).

Desta forma, este trabalho pretende compreender como o fenómeno do trabalho migratório se

tornou um dos elementos estruturantes da história económica e social do país, contribuindo para

a formação das relações coloniais e pós-coloniais entre Moçambique e a África do Sul.

Objetivo Geral

Analisar o processo histórico do trabalho migratório no sul de Moçambique e a sua influência na

estrutura política, económica e social da região, a partir do século XIX.

Objetivos Específicos

• Descrever a situação política e económica do sul do rio Save em 1880;

• Identificar os principais acordos entre Portugal e os territórios vizinhos relacionados com

o recrutamento de mão-de-obra moçambicana;

• Explicar o impacto do trabalho migratório no desenvolvimento económico e social do sul

de Moçambique;

Metodologia

Na realização do trabalho baseou-se nas fichas bibliográficas que encostam na última página do

trabalho.

Estrutura:

Introdução, desenvolvimento, conclusão e bibliografia.

4
1.O sul e o Trabalho Migratório

O trabalho migratório é um processo histórico a longa data que não começa apenas com os

acordos entre os portugueses e o Estrado de Gaza, mas sim, bem antes de se começar a exploração

imperial.

Em 1880 os estados do sul de Moçambique, eram politicamente independentes do colonialismo

português dos quais se destacaram: Moamba a leste, Gaza a Norte, Maputo a Sul e Matola. Desses

os mais dominantes eram:

➢ O Estado de Gaza, com a sua capital em Mossurize as actuais províncias de Gaza e

Inhambane dominava;

➢ O Estado de Maputo a sul da baia de Lourenço Marques, dominava a zona entre os montes

Libombos e a costa, incluindo algumas chefaturas de Tembe.

Antes da conquista colonial, estes Estados estavam ligados ao capital asiático e europeu através de

pequenos estabelecimentos portugueses em Inhambane e Lourenço Marques e indianos situados

na costa e no interior. Os contactos estabelecidos com os mercadores assentavam-se

essencialmente nas seguintes actividades:

Caça do elefante – com o marfim podiam participar no mercado internacional que assegurava o

acesso aos bens que localmente ainda não eram produzidos como é o caso de enxadas de ferro,

tecidos, missangas de vidro, armas de fogo, etc.

Produção de oleaginosas, (amendoim, gergelim e milho) que ganhou uma importância quando o

comércio de marfim começou a declinar na década de 1870, o que era antes adquirido pela troca

de marfim passou a ser adquirido pela comercialização de oleaginosas.

Com o desenvolvimento das plantações de açúcar no Natal, com que as populações locais não

dessem resposta à grande necessidade de mão-de-obra daí que, houve necessidade de procurá-la

fora da África do Sul. Portanto, o sul de Moçambique era uma região próspera para o

recrutamento de mão-de-obra, aliado a outros factores:

A região sul de Moçambique tem um clima propenso à seca com solos pobres, dai que a

emigração sempre foi solução para a sobrevivência;

A ascensão do Estado de Gaza foi acompanhada por extorsões regulares e sistemáticas através da

cobrança de impostos e pilhagem, o que fez com que as populações preferissem emigrar;

5
Depois da morte de Sochangana em 1858, eclodiu uma guerra civil que obrigava as populações a

emigrar à procura de protecção que acabavam trabalhando nas plantações.

A partir da segunda metade do século XIX, a economia do Sul de Moçambique começou a ser

profundamente influenciada pela expansão da economia capitalista que se verificava nas

colónias britânicas do Natal e da Cabo e nas Republicas Boers do Transvaal e Orange Free State

(Estado Livre de Orange). A necessidade de fontes de mão-de-obra abundante e barata para as

minas e plantações sul-africanas, combinada com as dificuldades económicas então

experimentadas pelas principais formações políticas do Sul de Moçambique, concorreu para a

transformação das actuais províncias de Maputo, Gaza e Inhambane em reserva de mão-deobra.

A emigração de moçambicanos do Sul do rio Save para os territórios vizinhos, especialmente para

os que hoje formam a Republica da África do Sul, teve início nos meados do século XIX,

reflectindo imperativos económicos, políticos e sociais internos e a expansão do capital agrícola e

mineiro sul-africano.

Assim as plantações de cana-de-açúcar do Natal em 1850 e a indústria mineira de diamantes de

Kimberley em 1870 constituíram os principais pólos de atracão da força de trabalho

moçambicana.

Em suma, os factores resumem-se em:

✓ A introdução da economia de plantações da cana sacarina no Natal, em 1850

✓ O avanço do capitalismo na África Austral na colónia Britânica do Natal;

✓ A abertura de minas de diamante em Kimberley em 1870;

✓ A exploração de minas de ouro em Lydemberg, em 1874 a leste do Transval;

✓ A abertura de novas minas de ouro nas áreas central e sul do Transval, em

Witwatersrand;

✓ A construção de linhas férreas para servir estes centros em 1892;

✓ Antes da imposição do domínio colonial português no Sul de Moçambique em 1897, a

emigração já era uma prática corrente, particularmente estimulada por necessidades que

na altura só o dinheiro podia satisfazer, e controlada pelas aristocracias locais. Desde

então, a crescente monetarização da economia do Sul de Moçambique fez da emigração

uma componente fundamental para a reprodução e equilíbrio material de grande parte

6
das famílias camponesas e das classes dominantes. A título de exemplo, em 1879 havia

cerca de 15 000 moçambicanos a trabalhar em diversos pontos da África do Sul e, em 1897,

cerca de 60 000 estavam nas minas de ouro do Transvaal.

O início das campanhas militares de ocupação colonial no sul de Moçambique, em 1895, marcou

uma nova etapa das relações entre Moçambique e os territórios da África do Sul (colónias

britânicas e as repúblicas boers). As vitórias conseguidas pelos colonizadores portugueses nas

batalhas de Marracuene, Magude, Coolela e Mandlakaze, ainda em 1895, concorreram

decisivamente para a rápida montagem das primeiras estruturas político-administrativas

coloniais.

As autoridades coloniais portuguesas encetaram contactos com as autoridades do Transvaal

visando o controlo e o proveito da emigração para os campos auríferos de witwatersrand,

descobertas em 1886.

A partir de finais do século XIX, a mão-de-obra moçambicana e a sua exportação para os centros

mais avandos de acomulação capitalista na África do Sul tornou-se uma das características mais

imporantantes da história colonial do país, pois o Estado português ganhava devisas com este

trabalho.

1.2. A Situação Política e Económica do Sul do Rio Save em 1880

Em 1880, o sul do rio Save — região que corresponde aproximadamente ao atual sul de

Moçambique — encontrava-se numa fase de profundas transformações políticas e económicas,

marcadas tanto pela influência das potências coloniais como pelas dinâmicas internas das

sociedades locais.

Politicamente, a região era caracterizada por uma estrutura fragmentada, composta por vários

chefes locais (régulos) que exerciam autoridade sobre pequenas comunidades. Esses líderes

mantinham uma certa autonomia, mas começavam a sofrer forte pressão do avanço colonial

português, que procurava consolidar o seu domínio e estabelecer fronteiras definidas. A presença

portuguesa, embora ainda limitada, começou a intensificar-se através da criação de postos

administrativos e do envio de missões militares e religiosas.

Economicamente, a região vivia um período de transição. O comércio de escravos, que havia sido

uma das principais atividades económicas até meados do século XIX, encontrava-se em declínio

devido à abolição oficial do tráfico. Em seu lugar, começaram a surgir novas formas de

exploração, como o comércio de produtos agrícolas (milho, amendoim, feijão) e matérias-primas

7
(marfim e borracha), voltadas para o mercado externo. No entanto, a economia local mantinha-se

essencialmente de subsistência, com base na agricultura tradicional e na criação de gado.

Outro fator importante foi o início do trabalho migratório, especialmente em direção à África do

Sul. As difíceis condições económicas, a escassez de oportunidades e as pressões coloniais

levaram muitos homens a atravessar o rio Save em busca de emprego nas minas e fazendas

sul-africanas. Essa migração tornou-se um fenômeno de grande importância social e económica,

influenciando profundamente a estrutura familiar e comunitária da região.

Portanto, em 1880, o sul do rio Save apresentava-se como uma zona em transformação:

politicamente, sob crescente domínio colonial; economicamente, em adaptação a novas

realidades comerciais; e socialmente, marcada pelo início do movimento migratório que definiria

boa parte da história da região nas décadas seguintes.

[Link] Acordos

A necessidade imperiosa de um instrumento legal com força suficiente e reconhecido pelos

interessados, levou ao governo português a negociar com as autoridades da Pretória, nos

seguintes termos:

1.1867: Os governos de Natal e de Portugal, estabeleceram um acordo que permitia a saída

voluntária de trabalhadores migrantes moçambicanos para o Natal. Este acordo permitia os

trabalhadores viajar a partir de Lourenço Marques, por mar. Este acordo foi alargado em 1875 no

sentido de permitir aos moçambicanos a trabalharem na Província de Cabo;

2.1897: A fim de regularizar a emigração de mão-de-obra, os governos de Pretória e de

Moçambique, assinaram neste ano o primeiro Regulamento para o Engajamento de Indígenas

para RSA. Mouzinho de Albuquerque, pretendia regularizar a emigração e garantir a entrada de

dinheiro, solucionar a questão do porto, caminhos-de-ferro e do comércio. Este estatuto

estabelecia a pasta de Curador, cujo titular tinha como função dirigir e controlar os “nativos”

moçambicanos na África do Sul. Neste mesmo ano foi criado a Witwatersrand Native Labour

Association - WENELA

3.1901: O recrutamento de trabalhadores moçambicanos parou devido a guerra Anglo-Boer

(1899-1902). Depois da guerra a indústria foi reestruturada e a necessidade de mão-de-obra

continuou. Face a esta situação, esboçou-se um novo plano que condicionava a assinatura do

acordo à garantia do uso de porto e caminhos-de-ferro para a circulação de mercadorias do Rand.

O novo acordo foi chamado Modus Vivendi de [Link] período, o contrato foi limitado em um

8
[Link] também incluída uma cláusula que proibia à WENELA o estabelecimento de estações de

recrutamento a norte do paralelo 22º como forma de salvaguardar os interesses do capital

internacional a Norte do rio Save. No mesmo ano, a WENELA, através de acordos secretos com as

autoridades portuguesas, obteve o monopólio de recrutamento no Sul de Moçambique.

4.1909: Nesta data foi assinada a primeira Convenção entre Moçambique e Transval que

estabelecia:

a) A manutenção de uma zona de competência de parte de Lourenço Marques em relação à

área do Rand; a garantia de 50% do tráfego dessa área passar pelo porto de Lourenço

Marques; o estabelecimento de uma comissão mista para a coordenação dos dois sistemas

ferroviários e o sistema de tarifas ferroviárias;

b) A formalização do acordo prévio que estabelecia o monopólio de recrutamento da

WENELA; um sistema de pagamento deferido de salários; a possibilidade de o governo

português poder cobrar os impostos nas minas; o direito a receber uma taxa por cada

mineiro recrutado, a ser paga pelas minas;os contratos continuariam a ser por 12 meses,

mas renováveis.

5.A Convenção de 1928:Este acordo, que devia vigorar durante dez anos incluía os seguintes

pontos principais:

1. Mantinha em vigor todos os acordos anteriores no que diz respeito ao porto de Lourenço

Marques, nomeadamente o que estabelecia que 50% das importações por mar, dirigidas à

“zona de competência” no Rand seriam feitas através de Lourenço Marques;

2. O período de contrato era de 12 meses, extensíveis por mais 6 meses e era proibido voltar

a empregar os trabalhadores antes destes terem passado pelo menos 6 meses em

Moçambique, depois de cada contrato;

3. Estabeleciam um sistema de pagamento deferido obrigatório, nos termos de que uma

parte dos salários eram entregues à Curadoria e pago aos trabalhadores depois do seu

regresso à Moçambique. Estes acordos foram revistos em 1934 e 1940.

6.O Acordo de 1964: estabelecia mecanismos mais específicos e mais rigorosos. O acordo

estipulava que os trabalhadores só podiam ser empregados com o reconhecimento do Instituto do

Trabalho, que tinha sido criado em 1961 para tratar, entre outros, dos assuntos relacionados com

o recrutamento de trabalhadores. O período de contrato manteve-se em 12 meses extensíveis até

9
ao máximo de 18 meses e em relação ao trabalho deferido estabelecia que depois de 6 meses, 60%

dos salários referentes ao restante período depositado pelas minas (através da WENELA) num

Banco designado por Moçambique, através do Instituto do Trabalho.

Acordo de 1965: A característica mais interessante deste acordo era autorizar o estabelecimento

de outras empresas recrutadoras. Como consequência disto, viriam a constituírem-se outras três

agências de recrutamento: ATLAS, ALGOS e a CAMON, que iniciaram a sua actividade em 1967,

recrutando trabalhadores para as minas não filiadas na Câmara das Minas e para agricultura da

África do Sul.

[Link] do Trabalho Migratório no Sul de Moçambique

➢ Monetarização da economia do sul de Moçambique, com a introdução da libra esterlina;

➢ Aumento da rede comercial no sul de Moçambique;

➢ Diminuição da mão-de-obra das comunidades;

➢ Readaptação de certas instituições sociais (lobolo) em função do salário;

➢ A monetarização da economia levou também à alteração do sistema de tributação;

➢ A emigração serviu de via de penetração da língua inglesa, vestuário e de outros

elementos europeus.

1.5.A Entrada do Sul de Save à Economia Mundial

A implantação das relações de produção capitalista no país determinou o surgimento de um

sector de transportes – portos, caminhos-de-ferro e serviços – virado quase exclusivamente para

servir os interesses do capitalismo internacional, em particular na África Austral. Estas vias de

comunicação possibilitaram a entrada do Sul de Save à economia mundial, em particular, e de

todo país, em geral, o que facilitou a entrada e saída de mercadorias de vários pontos de África e

do mundo fora.

[Link] Vias de Comunicação (Caminhos-de-Ferro, Portos e Serviços)

Até 1930, Moçambique esteve submetido à exploração levada a cabo pelo capital estrangeiro não

português. O capitalismo implantou-se no país, concretamente através da penetração nos sectores

da produção agrícola para exportação, da emigração da mão-de-obra e, ainda, no sector dos

transportes, que passaram a desempenhar um papel preponderante na economia de

Moçambique.

10
Ao longo do período, foram construídos e apetrechados os principais portos e caminhos-de-ferro

moçambicanos, que tiveram, a função quase exclusiva de servir o trânsito de mercadorias de e

para as ricas regiões mineiras do Transval e das então colónias inglesas da Rodésia do Sul,

Rodésia do Norte e do Niassalândia.

1.6.1. Principais Vias de Comunicação

▪ Em 1887, iniciou-se a construção do caminho-de-ferro de Lourenço Marques, cuja ligação

com o Transval se começou a utilizar em 1894, ao mesmo tempo que se procedia ao

alargamento e aperfeiçoamento do porto de Lourenço Marques. A ideia da construção do

caminho-de-ferro Lourenço Marques-Tranavaal foi discutida pela primeira vez no

Transvaal em 1870. Como o Transvaal pretendia libertar-se do domínio britânico,

Lourenço Marques garantia-lhe a saída para o mar. Para Portugal, a ideia era importante,

porque o caminho-de-ferro seria um corredor de acesso ao interior, principalmente para

garantir o princípio de ocupação efectiva, num período em que a Inglaterra tentava o

domínio de Lourenço Marques. O caminho-de-ferro era a chave do desenvolvimento do

Sul de Moçambique, onde a sua presença era fraca. Em 1873, foi assinado o segundo

Acordo de Paz, Amizade entre Portugal e o Transvaal e fez-se a negociação da construção

do caminho-de-ferro Lourenço Marques-Transvaal. Em 1882, ratificação do tratado de

1875 e novo acordo quanto à construção da linha-férrea entre Lourenço Marques e o

Transvaal. Já em 1883, Portugal atribui a concessão da construção do caminho-de-ferro

Lourenço Marques-Transvaal ao americano Mac Murdo. Em 1887, foi o início da

construção do caminho-de-ferro Lourenço Marques-Transvaal. Em 1895, foi inaugurada

oficialmente a linha-férrea Lourenço Marques-Transvaal. Finalmente, em 1897,

publicação da Carta de Lei com as bases para da construção e exploração das obras do

porto de Lourenço Marques;

▪ Outra importante linha de comunicação que cruzava Moçambique é o caminho-ferro que

ligava a Beira à Rodésia do Sul, inaugurada em 1898;

▪ Em 1892, iniciam-se os trabalhos de construção da linha-férrea Beira-Macequece;

▪ Em 1897, entrou em funcionamento o caminho de ferro Beira- Umtali. Paralelamente,

desenvolveu-se o porto da Beira, cuja utilização já se vinha a fazer desde 1892, ambos sob

a administração da Companhia de Moçambique;

▪ O caminho-de-ferro Trans-Zambézia, que começou a funcionar em 1922 e estabeleceu a

11
ligação entre o porto da Beira e a fronteira do Niassalândia.

1.6.2. Vias de Comunicação de Menor Extensão

1. De 1900 a 1901, construção da Companhia de Caminho-de-ferro da Zambézia;

2. Em 1905, início da construção da linha-férrea Lourenço Marques-Suazilândia;

3. A construção do troço ferroviário Moamba-Xinavane, subsidiário do caminho-de-ferro e

porto de Lourenço Marques, que entrou em funcionamento em Outubro de 1914. Permitiu

o desenvolvimento das plantações de Açúcar de Xinavane, facilitou o movimento dos

trabalhadores migrantes e garantiu a circulação de pequenas quantidades de cereais

produzidas pelos camponeses;

4. Em 1908, foi construída uma linha-férrea a partir do porto de Inhambane, com ligação a

Inharrime, com o objectivo de servir o desenvolvimento das plantações de açúcar de

Mutamba;

5. Em 1912, entrou em funcionamento o primeiro troço do caminho-de-ferro do Limpopo, a

partir do pequeno porto fluvial do Xai-xai na província de Gaza, estabelecendo a ligação

com Goba, perto da fronteira com a Suazilândia, com objectivo de fazer uma ligação com

os rico jazigos mineiros daquele território, principalmente de carvão e de ferro;

6. Em 1922, entrou em funcionamento uma linha-férrea Trans-Zambézia que ligava o porto

da Beira com a Niassalândia com extensão de 145 quilómetros, que tinha por fim

transportar trabalhadores e géneros alimentares para as companhias estabelecidas na

Baixa Zambézia. Inauguração do caminho-de-ferro entre Quelimane e Mocuba;

7. Em 1924, foi aberta a linha do Norte, ligando o porto do Lumbo ao interior da actual

província de Nampula;

8. Ainda em 1924, foi aberta a linha-férrea Lourenço Marques-Marracuene, em via reduzida,

para servir a região agrícola do vale de Incomati;

9. Em 1928, foi a primeira viagem aérea Lisboa-Lourenço Marques;

10. Já em 1929, foi a conclusão do Porto da Beira.

Embora Moçambique possuísse, em 1930, um total de cerca de dois mil quilómetros de

viasférreas, raras eram as que ligavam regiões diferentes do país, não existindo, mesmo, ligação

alguma entre norte, o centro e o sul. Eram precários os meios e vias de comunicação rodoviários,

12
com rede de estradas pouco transitáveis e com uma extensão de cerca de oito mil quilómetros

desigualmente distribuídos.

As comunicações marítimas internas eram de uma reduzida navegação fluvial, praticamente no

rio Zambeze. As comunicações marítimas com o exterior eram de certa importância

especialmente com os portos de Lourenço Marques e da Beira. A rede de ligação telegráfica era

escassa e pouco segura, com apenas dois quilowatt de potência.

A realização de todos trabalhos de construção nos portos e caminhos-de-ferro e das estradas, foi

possível com a utilização de grandes contingentes de mão-de-obra barata. O funcionamento dessa

força de trabalho era garantido pelo Estado colonial português através de métodos diversos como

as leis do trabalho obrigatório, o chibalo, o imposto de palhota e o mussoco, muitas vezes com

auxílio dos chefes locais.

Em jeito de conclusão, Newitt (1997:352), afirma que (…) até meados da década de 1920 (…)

verificou-se um considerável investimento governamental e privado em infra-estruturas para os

transportes, mas apesar de se ter desenvolvido uma rede ferroviária a sul do Limpopo, as

restantes linhas férreas de Moçambique mantiveram-se completamente desgarradas umas das

outras. Não ligaram nem a região nem, à excepção da linha Beira-Umtali, penetraram no interior.

Ou serviram a zona interna mais imediata dos portos ou prestavam serviços à África britânica.

13
Conclusão

Em síntese, o trabalho migratório no sul de Moçambique constituiu um fenómeno histórico de

grande relevância, que marcou profundamente a estrutura política, económica e social da região.

Desde meados do século XIX, a emigração de trabalhadores moçambicanos para as colónias

britânicas e para a África do Sul foi impulsionada por fatores internos — como a pobreza dos

solos, as secas e as crises políticas — e externos — como a expansão do capitalismo europeu e a

crescente procura de mão-de-obra nas minas e plantações sul-africanas.

A análise da situação política e económica do sul do rio Save em 1880 revela uma região em

transição: politicamente fragmentada, mas já sob crescente influência colonial; economicamente

dependente do comércio externo e da migração laboral; e socialmente em processo de

transformação, com novas dinâmicas familiares e culturais decorrentes do contacto com o mundo

capitalista.

Os diversos acordos firmados entre Portugal, o Transvaal e outras colónias britânicas

regularizaram e institucionalizaram o recrutamento de trabalhadores moçambicanos,

transformando a emigração numa importante fonte de rendimento tanto para as populações

locais como para o próprio Estado colonial português. A criação de estruturas como a

Witwatersrand Native Labour Association (WENELA) e o estabelecimento de sistemas de

pagamento diferido demonstram a forte articulação entre as economias de Moçambique e da

África do Sul.

O impacto do trabalho migratório foi notório: a monetarização da economia, o aumento da rede

comercial, a transformação das instituições sociais e a introdução de novos hábitos culturais e

linguísticos. Paralelamente, as vias de comunicação, como os portos e caminhos-de-ferro,

desempenharam papel fundamental na integração do sul de Moçambique na economia mundial,

servindo de corredores de transporte de mercadorias e de trabalhadores.

Portanto, pode-se concluir que o trabalho migratório não foi apenas um movimento económico,

mas também um processo social e político que contribuiu para moldar a identidade histórica do

sul de Moçambique. Este fenómeno deixou marcas profundas que ainda hoje se refletem na

economia, nas relações regionais e nas dinâmicas culturais do país.

14
Bibliografia

PEREIRA, J. L. Barbosa, História 12 – Pré-Universitário, Longman Moçambique, 2010

SERRA, Carlos (Coord.). História de Moçambique, Primeiras sociedades sedentárias e impacto dos

mercadores 200/300 – 1885, agressão imperialista, Maputo, Livraria Universitária, UEM, Vol. I,

2000.

SOUTO, Amália Neves. Guia bibliográfica para o estudante de História de Moçambique, 1ª Ed.,

Maputo, Imprensa Universitária, UEM/CEA, 1996.

15

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