Enfermagem em Doenças Gastrointestinais
Enfermagem em Doenças Gastrointestinais
Propósito
A identificação dos sinais e sintomas das doenças é fundamental no planejamento da assistência em saúde
que será realizada pela equipe de enfermagem para um cuidado direcionado aos problemas gastrointestinais,
hepatobiliares e urologicovesicais realizados pela equipe multiprofissional.
Preparação
Antes de iniciar o estudo, tenha em mãos algum dicionário de termos médicos para consulta.
Objetivos
• Descrever as medidas de enfermagem necessárias em doenças do sistema gastrointestinal.
• Descrever a assistência de enfermagem em doenças hepatobiliares.
• Descrever a assistência de enfermagem em doenças urologicovesicais.
Introdução
Em razão do estilo de vida sedentário da população — com maus hábitos alimentares —, associado à
industrialização, o número de casos de portadores de doenças crônicas gastrointestinais, hepatobiliares e
urologicovesicais apresentou elevação, segundo Araújo (2012). O avanço tecnológico das últimas décadas
modificou o perfil epidemiológico mundial; observou-se uma queda no percentual de mortes por agentes
infecciosos (graças ao advento das vacinas e novos medicamentos disponíveis) e uma elevação do número de
casos com consequente óbito por doenças crônicas não transmissíveis, entre elas a cirrose hepática e o
diabetes (BRASIL, 2020). Em virtude dessa mudança epidemiológica, a estimativa de vida da população
aumentou para além de 70 anos de idade.
Araújo (2012) ainda refere que o envelhecimento da população mundial deflagrou casos de distúrbios
gastrointestinais como gastrite, diarreia e obstipação, bem como problemas geniturinários, como infecções e
insuficiência renal, resultando num tempo de internação maior do que o esperado. Nesse caminhar, as ações
da enfermagem buscam intervir de forma preventiva e curativa, promovendo o conforto e a adaptação do
indivíduo na sociedade após a alta hospitalar.
1. Assistência de enfermagem em doenças do sistema gastrointestinal
O aparecimento de sintomas é indicativo de doença em curso, porém a maioria dos pacientes não valoriza
essas alterações, buscando um serviço de saúde apenas diante da piora. Por esse motivo:
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Eructação (eliminação de
Mastigação inadequada, gastrite.
gases pela boca)
Gases
intestinais
Sintomas Aspecto Fator desencadeante
Esbranquiçadas ou cinza-
Doença hepática, pancreática ou biliar.
claras
Veremos a seguir as doenças gastrointestinais mais comuns e como a equipe de enfermagem deve proceder
diante de cada caso.
Gastrite
A gastrite consiste num quadro inflamatório da mucosa do estômago resultante da ação de ácidos, da bactéria
Helicobacter pylori, do uso indiscriminado de anti-inflamatórios não esteroidais (AINE), do consumo abusivo
de álcool ou resultante de radioterapia. De acordo com Hinkle e Cheever (2016), a gastrite se classifica em
dois tipos: não erosiva e erosiva.
Não erosiva
A gastrite não erosiva pode se apresentar num quadro agudo ou crônico, desencadeado pela ação
direta da bactéria H. pylori. Estima-se que grande parte da população esteja contaminada com essa
bactéria, sendo ela adquirida pelo consumo de hortaliças e frutas mal higienizadas. Quintairos et al.
(2020) referem que a maioria dos casos de cânceres do estômago estão relacionados à presença do
H. pylori. No entanto, alguns pacientes contaminados com essa bactéria não apresentam qualquer
sintoma; a doença passa a ser percebida apenas após longo período de exposição, quando o H. pylori
já causou a inflamação da mucosa.
Erosiva
Os casos de gastrite erosiva são mais graves e resultam do uso prolongado de anti-inflamatórios,
ingestão acidental ou proposital de ácidos, lesões agudas graves, queimaduras, cirurgia de grande
porte, tratamento radioterápico e etilismo. A gastrite erosiva, quando não tratada, causa perfuração
da mucosa gástrica, gangrena e estenose, sangramentos e até o óbito.
Sintomatologia da gastrite
O paciente com gastrite aguda não erosiva
pode apresentar sintomas de início abrupto,
como: desconforto abdominal, náuseas e
vômitos, fadiga, cefaleia e soluços. Esses
sintomas imediatos podem durar horas e até
dias. De forma mais grave, portadores de
gastrite erosiva apresentarão sintomas
relacionados ao sangramento resultante da
erosão e possível perfuração do trato digestivo,
como: melena (fezes escuras, cor de piche),
hematêmese (vômito com sangue) e
hematoquezia (saída de sangue vivo pelo Paciente com alterações no estômago sendo avaliado
ânus). por médicos.
• Antibioticoterapia.
• Uso de inibidores de prótons (derivados azólicos, como: omeprazol, pantoprazol, esomeprazol etc.).
• Antiácidos.
• Bloqueadores de H2 (ranitidina, famotidina).
• Dietoterapia (no caso, uma dieta livre dos irritantes gástricos, como condimentos e gorduras).
• Repouso.
• Mudança de hábitos (vício).
• Diminuição do estresse.
Na via enteral, utilizam-se as SNE — sondas que atravessam a narina do paciente —, de aspecto longo, calibre
fino (de 5 a 12FR), radiopaco e com fio guia para auxiliar a passagem e a visualização durante exame de
radiografia (o fio é retirado após confirmação do posicionamento).
Recomendação
A finalidade dessa sonda é fornecer dieta ou medicação por gavagem diretamente na 1ª porção
duodenal. É indicada para pacientes com irritação gástrica ou que precisam desse tipo de aporte
nutricional.
Alguns pacientes têm alta hospitalar com essa sonda, necessitando de orientação quanto aos cuidados e o
tipo de dieta a ser utilizada. Diante disso, o papel do enfermeiro como executor de cuidados e orientação é
fundamental para o sucesso dessa terapia. Hinkle e Cheever (2016) recomendam que o limite para utilização
da sonda seja de até quatro semanas. São complicações do uso de SNE: diarreia, náuseas e vômitos,
hipervolemia (excesso de líquidos), distensão abdominal, pneumonia por aspiração, saída do tubo, obstrução
do tubo, irritação nasofaríngea e hiperglicemia.
Exemplo
Se o paciente necessitar de um período bem maior para nutrição enteral, recomenda-se a realização de
GTT, que consiste numa abertura cirúrgica comunicando a parte externa da parede abdominal ao interior
do estômago. Essa situação pode ser temporária ou permanente, dependendo do quadro do paciente. A
sonda é suturada no abdome e permanece no local por, no mínimo, seis meses até a primeira troca. A
partir desse momento, serão utilizados dispositivos de baixo perfil (sondas de reposição ou bottons) ou
sonda foley (de forma provisória). Por se tratar de ostomia, requer atenção redobrada na avaliação e nos
cuidados.
São comuns estes tipos de complicações: ulceração na ostomia, necrose, infecção da ostomia, sangramentos,
alargamento do óstio, isquemia periostomial, saída da sonda e fechamento do óstio.
Imagem ilustrativa para gastrostomia.
Entretanto, quando o paciente é incapaz de digerir alimentos num período de até dez dias, como nos casos de
queimaduras, problemas psiquiátricos, patologias gastrointestinais (pancreatite aguda, íleo paralítico, fístula
enterocutânea, doença de Crohn) e cirurgias, a NPT ou NPP (administrada concomitante com dieta enteral) é
indicada. Trata-se de uma fórmula composta por aminoácidos, vitaminas, dextrose, eletrólitos, em volume
calculado meticulosamente para atender à necessidade do paciente, administrada por um acesso venoso
profundo.
Atenção
Para a administração dessa solução, é necessário que o médico realize punção de um acesso profundo,
utilizado exclusivamente para esse fim. As complicações mais comuns nessa modalidade são:
pneumotórax, embolia, obstrução do catéter, contaminação do catéter, sepse, hiper-hidratação,
hiperglicemia e hipoglicemia.
Sonda nasoentérica
Gastrostomia Nutrição parenteral total
(SNE)
Tempo de
troca do A cada 36h A cada 36h A cada nova fórmula
equipo
Cuidados de
enfermagem Higienizar cavidades Avaliar aspecto do Avaliar o local da punção
oral e nasal estoma diariamente
Sonda nasoentérica
Gastrostomia Nutrição parenteral total
(SNE)
Avaliar posição da
sonda mensurando
comprimento, Verificar
Manter o acesso
analisando aspirado temperatura da
exclusivamente para a
gástrico e o pH desse dieta antes da
NPT
conteúdo e administração
auscultando o ar
injetado
Realizar limpeza do
Trocar fixador nasal Atentar para sinais
estoma com água e
diariamente flogísticos no local
sabão
Atentar para o
prazo de
Atentar para o prazo de administração de
administração de cada Realizar a troca do
cada frasco de
frasco de dieta – não curativo a cada 48h
deve ultrapassar 6h dieta –
não deve
ultrapassar 6h
Quadro 2: Resumo da assistência de enfermagem nas modalidades nutricionais. Elaborado por: Michele
Andrade.
Úlcera péptica
Trata-se de uma escavação na mucosa do trato gastrointestinal. Pode ser esofágica, gástrica ou duodenal.
Hinkle e Cheever (2016) afirmam que o número de idosos com úlcera tem aumentado, em virtude da baixa
produção de muco. Essa doença está relacionada, na maioria das vezes, com a presença de H. pylori no
estômago, o que nem sempre resulta em escavação, como vimos no estudo da gastrite. O uso abusivo de
anti-inflamatórios não esteroides (AINE), o álcool, o estresse, o etilismo e o tabagismo também podem estar
relacionados com o surgimento de úlceras, por alterarem a excreção de ácido clorídrico.
A tendência familiar também pode ser um fator de predisposição significativo. Pessoas com sangue tipo
O são mais suscetíveis às úlceras pépticas do que aquelas com sangue dos tipos A, B, ou AB.
A úlcera de Curling é uma lesão que surge 72 horas depois de o paciente ter sofrido queimaduras graves, e
sua extensão vai do início do estômago até o piloro. Outro tipo de úlcera resultante de estresse é a úlcera de
Cushing, comum em pacientes que sofreram traumatismo craniano. Estas últimas são mais profundas e
penetrantes do que as primeiras, apresentando assim maior gravidade do quadro. Também existe uma
associação entre as úlceras pépticas e a doença pulmonar crônica ou a nefropatia crônica.
Úlcera gástrica.
• Abandono do fumo.
• Mudança de hábitos alimentares.
• Cirurgia (somente em caso de úlceras refratárias ao tratamento proposto) — caso haja necessidade
pode ser realizada vagotomia, Billroth I ou Billroth II.
• Evitar ingestão de bebidas cafeinadas e álcool.
Apendicite
O apêndice é um anexo de aspecto vermiforme, medindo 10cm de comprimento, localizado na porção inicial
do intestino delgado, sendo preenchido por alimentos e esvaziado regularmente no intestino grosso, a cada
ciclo da digestão. Entretanto, por possuir um lúmen de pequeno calibre, há maior risco de ficar obstruído e
assim resultar no quadro inflamatório denominado apendicite. A evolução do quadro é muito rápida,
necessitando de intervenção médica imediata.
Apendicite.
A apendicite é a maior causa de abdome agudo, sendo necessária cirurgia de emergência para salvar a vida
do paciente. O apêndice se torna edemaciado, dolorido, inflamado e repleto de conteúdo fecal. O maior risco
envolvido nesse quadro é a ruptura e consequente contaminação da cavidade abdominal. A partir desse
momento, o risco de morte por sepse triplica. As principais complicações da apendicite são a peritonite
(resultante da ruptura do apêndice) e a pileflebite portal (trombose séptica resultante da presença de trombos
vegetativos originados no intestino doente).
Sintomatologia da apendicite
Os sintomas da apendicite são específicos e fecham o diagnóstico no momento do exame clinico:
• Dor periumbilical com irradiação para o quadrante inferior direito.
• Febre baixa.
• Náuseas e vômitos.
• Constipação ou diarreia.
• Dor lombar (se o ceco estiver enrolado para trás).
• Sinal de Rovsing positivo (verificado ao palpar o quadrante inferior direito, profundamente, com a mão
em faca, retirando-a rapidamente. Se o paciente queixar-se de dor, o sinal é positivo!).
• Abdome em tábua, rígido e dolorido.
1
Tratamento do paciente com apendicite
O tratamento consiste numa cirurgia de emergência para remoção do apêndice inflamado
(apendicectomia), realizada via laparotomia. Além disso, é necessário corrigir qualquer distúrbio
hidroeletrolítico, sendo necessária terapia endovenosa. Podem ser utilizados antibióticos e drenos,
se houver abscesso.
2
Cuidados de enfermagem com o paciente pós-apendicectomia
A assistência no pós-operatório consiste em aliviar a dor com medicações prescritas, registrar sinais
vitais, atentar para sinais de complicações, como sangramentos, deiscência e evisceração no local
da cirurgia, registrar aceitação de dieta e aspecto das eliminações fisiológicas.
Atenção
Para os dois tipos de procedimento, devem ser checadas a assinatura do termo de consentimento livre e
esclarecido, e a presença de uma pessoa para acompanhar o paciente após o exame.
Um exemplo prático:
1 Sra M. C. S., 51 anos, oficial da ativa da Marinha, foi realizar endoscopia digestiva para averiguar uma
azia refratária aos medicamentos prescritos. Durante o exame, ao introduzir o endoscópio, o médico
visualizou o estômago repleto de alimentos. O exame foi interrompido e adiado para a semana
seguinte.
2Ao acordar da sedação, a paciente disse que fez jejum de apenas 6 horas, pois não viu necessidade
de um jejum tão longo, além de ter comido massas na noite anterior. Mesmo sendo orientada quanto
à dieta e ao tempo de jejum, a paciente não cumpriu e isso prejudicou a realização do exame.
3A endoscopia digestiva requer que o estômago esteja livre de resíduos alimentares para facilitar a
visualização e, se necessário, proceder à biópsia da mucosa do trato gastrointestinal. Assim como
essa paciente, muitos outros têm digestão lenta e necessitam de um tempo maior para esvaziamento
gástrico completo.
Por esse motivo, a enfermagem deve interagir com o paciente e o acompanhante, reforçando a importância de
que sejam seguidas todas as orientações fornecidas para o preparo adequado à realização do exame.
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Verificando o aprendizado
Questão 1
Um paciente idoso esteve internado por alguns meses na unidade de tratamento intensivo. Em virtude do seu
quadro de saúde, foi prescrita alimentação pela sonda nasoentérica. Conforme melhora apresentada, o idoso
teve alta para a enfermaria e, depois, para casa, utilizando a sonda. Segundo orientação da enfermagem, de
quanto em quanto tempo deve ser realizada a troca da sonda nasoentérica?
Questão 2
As doenças gastrointestinais apresentam diversos sintomas, alguns inespecíficos (iguais em todas elas) e
outros específicos a cada quadro patológico que o paciente apresenta. Diante dessa afirmativa, assinale a
alternativa que é um sintoma específico na apendicite:
Sangramento
Vômitos
Diarreia
Dor
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Colecistite e colelitíase
A vesícula biliar é um órgão sacular, medindo de 7,5 a 10cm de comprimento, com formato de pera, localizado
na parte inferior do fígado. Sua função é armazenar a bile produzida pelo fígado para liberá-la durante a
digestão. Entretanto, quando esse órgão apresenta alterações que o impedem de liberar a bile, os níveis de
bilirrubina sanguíneos se elevam, e o paciente apresenta inúmeras alterações, entre elas, dificuldade para
digerir gorduras, alterações de mucosas e de pele.
A vesícula biliar é um órgão sacular, medindo de 7,5 a 10cm de comprimento, com formato de pera, localizado
na parte inferior do fígado. Sua função é armazenar a bile produzida pelo fígado para liberá-la durante a
digestão. Entretanto, quando esse órgão apresenta alterações que o impedem de liberar a bile, os níveis de
bilirrubina sanguíneos se elevam, e o paciente apresenta inúmeras alterações, entre elas, dificuldade para
digerir gorduras, alterações de mucosas e de pele.A colecistite é a inflamação da vesícula biliar, causada por
obstrução do ducto biliar, iniciando um processo de autólise e fazendo com que esse órgão fique repleto de
pus. Essa inflamação se classifica em dois tipos: calculosa e acalculosa.
Calculosa
Na colecistite calculosa, a causa da doença é a obstrução mecânica do ducto biliar por cálculo,
impedindo a liberação da bile no intestino. Nesse caso, a vesícula pode sofrer uma gangrena seguida
de ruptura.
Acalculosa
A colecistite acalculosa é uma infecção pós-procedimento cirúrgico de grande porte, em que ocorre
contaminação pelas bactérias Escherichia coli, alguns tipos de Klebsiella e Streptococcus. Outras
causas da colecistite acalculosa: torção do órgão ou obstrução do ducto cístico. Os sintomas de
colecistite são: febre, dor em hipocôndrio direito, náuseas, vômitos e calafrios.
A colelitíase consiste na presença de cálculos produzidos pela própria vesícula por acúmulo de determinados
resíduos nesse órgão. Os cálculos são compostos por: pigmentos, colesterol e misto. Geralmente a colelitíase
é assintomática, causando apenas discretos sintomas gastrointestinais, que podem ser classificados em:
causados pela própria vesícula e causados pela obstrução. Os sintomas são: cólica biliar, icterícia, colúria
(urina marrom), acolia fecal (fezes esbranquiçadas por ausência de bile) e déficit de vitamina K.
Recomendação
A CPRE é o exame mais indicado, pois permite a visualização direta das estruturas biliares pela
introdução de um duodenoscópio. Durante esse exame, o médico introduz um papilótomo (acessório
para corte de esfíncter), onde realizará a secção do esfíncter de Oddi, permitindo assim a remoção de
cálculos sem necessidade de uma laparotomia.
As medidas terapêuticas para colecistite e colelitíase consistem em preservar o órgão mediante tratamento
medicamentoso, ou por procedimentos não invasivos, como litotripsia ou remoção do agente por CPRE, ou
ainda pela dissolução dos cálculos por administração de monooctanoína ou éter metilterciário butírico (MTBE)
administrado diretamente dentro da vesícula por meio do duodenoscópio. Porém, quando não é possível
preservar o órgão, é realizada colecistectomia por videolaparoscopia para remoção cirúrgica da vesícula.
Quanto à colecistite, visando preservar a vesícula do paciente, o tratamento é do tipo conservador, com
repouso, medicamentos e aporte nutricional; caso isso não seja possível, torna-se necessária a remoção do
órgão. A maioria dos casos de pacientes com colecistite responde bem ao tratamento medicamentoso, que
utiliza ácido ursodesoxicólico.
Cirrose hepática
A cirrose hepática é uma doença na qual o tecido saudável do fígado é substituído por tecido fibrótico,
alterando o aspecto e o funcionamento do órgão. De acordo com Hinkle e Cheever (2016), a cirrose se
subdivide em três tipos:
É causada pelo alcoolismo, sendo esse o tipo Resulta de um surto pós-infecção por hepatite
mais comum de cirrose. Uma das viral. A característica dessa cirrose é a
características é a formação de fibrose ao redor formação de fibrose em faixas largas por todo o
do espaço porta. fígado.
Cirrose biliar
Atenção
É importante o controle do peso, visando acompanhar o quadro evolutivo de ascite e edemas isolados.
A monitorização do paciente quanto à aceitação da dieta oferecida deve ser realizada conscientizando-o
quanto à importância da reposição de nutrientes e eletrólitos necessários para sua recuperação. Medidas
simples como restrição de sal, uso de lactulose e dieta pobre em proteínas e gorduras são utilizadas para
acelerar a recuperação e impedir a evolução da doença para encefalopatia hepática. O controle dos sinais
vitais deve estar presente em todas as etapas do tratamento, pois o paciente cirrótico tende a descompensar
facilmente, sendo necessária intervenção para estabilizar.
Diabetes mellitus
As doenças crônicas são as maiores responsáveis pela morbidade da população. Entre elas está o diabetes
mellitus. Acometendo em sua maioria pacientes de meia idade e idosos, essa doença é silenciosa, sendo
diagnosticada apenas quando o paciente realizou hiperglicemia em teste glicêmico ou laboratorial. Segundo
Araujo e colaboradores:
No Brasil, a grande magnitude das Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) corresponde a 72% das
causas de mortes, sendo crescente o número de óbitos por diabetes. O diabetes mellitus tipo 2 é
preocupante, em virtude, particularmente, dos riscos de desenvolvimento de complicações micro e
macrovasculares que diminuem a expectativa e qualidade de vida dos pacientes.
O diabetes consiste numa deficiência pancreática relativa à produção do hormônio insulina, responsável pela
quebra de moléculas de açúcar, resultando numa elevação de glicose na corrente sanguínea. Essa deficiência
pode ocorrer nas seguintes formas: ausência de produção de insulina, resistência à insulina ou produção
insuficiente desse hormônio. Por esse motivo, o diabetes mellitus se classifica em: tipo I ou tipo II (ou mellitus),
insipidus (mais raro, ocorre devido a uma falha da glândula hipófise), diabetes gestacional e diabetes
secundária resultante de outras patologias.
1
Diabetes tipo I (insulinodependente)
O diabético tipo 1, ou insulinodependente, apresenta destruição das ilhotas beta pancreáticas,
responsáveis pela produção de insulina, por meio de um ataque autoimune, resultando na ausência
de produção de insulina ou na redução da quantidade desse hormônio. O insulinodependente
necessita da insulina para sobreviver e está mais propenso ao desenvolvimento de cetoacidose
diabética. Esse tipo de diabetes é detectado bem cedo, em alguns casos ainda na infância ou na
adolescência (em obesos), sendo conhecido como diabetes juvenil.
2
Diabetes tipo II
Quando o paciente apresenta produção reduzida de insulina, resultando numa hiperglicemia, dizemos
que ele tem diabetes mellitus. Outra denominação dessa patologia é diabetes insulinorresistente,
pois, em muitos casos, a baixa produção de insulina pelo indivíduo não apresenta quaisquer efeitos
sobre a glicose que foi ingerida, necessitando de um tratamento mais complexo para manter a
produção controlada. Manifesta-se depois dos 30 anos de idade, e geralmente associa-se à
presença de obesidade, à predisposição genética, a fatores ambientais e à idade.
3
Diabetes gestacional
O diabetes gestacional ocorre durante o 3º trimestre da gestação e tem caráter transitório,
apresentando cura após o parto. Sua detecção é feita por meio do teste oral de tolerância à glicose
(TTGO) em jejum, sendo este um dos exames de protocolo para acompanhamento no pré-natal. Além
da associação à obesidade, outros fatores que predispõem a gestante a desenvolver diabetes são:
histórico familiar, hipertensão, sucessivas perdas fetais. Quando o diabetes se manifesta na
gestação, há risco de complicação pós-parto e desenvolvimento de macrossomia fetal.
4 Diabetes secundário
Alguns pacientes desenvolvem o diabetes secundário quando apresentam outras patologias que
afetam o sistema endócrino, como síndrome de Cushing, hipertireoidismo, pancreatite, câncer no
pâncreas, acromegalia etc.
Sintomatologia do diabetes
O paciente diabético apresenta um grupo de sintomas bem característico da patologia, conhecido como os 4
P: poliúria, polidipsia, polifagia e perda de peso. A principal queixa de um paciente com suspeita de ser
diabético é a poliúria, que consiste em urinar várias vezes e em grande quantidade, principalmente à noite
(noctúria). Além desses sintomas, o paciente apresenta os seguintes:
• cicatrização lenta;
• fadiga;
• dor abdominal;
• vômitos e náuseas;
• irritabilidade;
• pele ressecada;
• alteração da visão;
• formigamento de extremidades; e
• infecções recorrentes.
Sra. M., 79 anos, entrou desesperada na emergência, pedindo socorro para seu esposo, que estava
dentro do carro. Quando a equipe chegou ao local, o paciente, J.R.S., estava desorientado,
agressivo, com fala embolada, sudoreico e tinha dificuldade para andar. Após ser encaminhado ao
serviço de emergência, suspeitava-se de AVC isquêmico, mas, antes de encaminhar o paciente para
realizar exames, foi coletado o hemoglicoteste, que acusou 31mEq/dl. Ao saber desse resultado, o
médico logo prescreveu 1mg de glucagon intramuscular, pois o paciente não tinha condições de
deglutir. Quando recobrou a consciência, o paciente relatou que havia passado o dia inteiro na rua
resolvendo problemas e que havia se esquecido de comer, mesmo tendo utilizado insulina naquele
dia.
Muitos pacientes sabem que devem manter uma ingestão regular de alimentos após o uso de insulina, a fim de
evitar hipoglicemia; porém, relativizam a sua importância e, por esse motivo, ficam hipoglicêmicos.
Cetoacidose diabética (CAD)
A cetoacidose diabética (CAD) é um quadro caracterizado pela tríade dos seguintes sintomas:
acidose, hiperglicemia e desidratação com perda de eletrólitos. Além desses, o paciente apresenta
ainda alterações gastrointestinais, queda da pressão arterial, respiração de Kussmaul, hálito cetônico.
É um quadro que evolui facilmente para gravidade se não tratado, necessitando de internação em
uma unidade de terapia intensiva. O paciente com CAD pode perder 6,5L de água em apenas um dia.
As principais causas do CAD são: quadro infeccioso, redução ou omissão de dose de insulina e
diabetes não tratado.
Atenção
As complicações a longo prazo do diabetes são resultantes de lesões teciduais ou em nervos nos quais
a má cicatrização causa isquemia tecidual, resultando em: mal perfurante plantar, neuropatia periférica,
retinopatia diabética (podendo evoluir para cegueira), nefropatia, doença vascular periférica
(responsável pela maioria das amputações) e insuficiência renal crônica.
Esse exame é o mais confiável na detecção de diabetes. O exame de glicose plasmática em jejum serve para
mensurar a quantidade de glicose restante no organismo mesmo após um período de jejum, podendo sinalizar
resistência à insulina. O teste de tolerância à glicose oral é o mais utilizado por gestantes; trata-se de um
exame que analisa os níveis de glicose do paciente em jejum de 8 horas e após 2 horas da ingestão de
solução açucarada. Esse teste identifica pré-diabetes ou diabetes.
Para que o diagnóstico de diabetes seja confirmado, é necessário obedecer aos seguintes critérios:
Confirmado o diagnóstico de diabetes, inicia-se o tratamento, que consiste em manter os níveis glicêmicos
otimizados por meio de hipoglicemiantes orais, insulinoterapia e dieta controlada, com monitoramento de
sinais de complicação. Os medicamentos utilizados no tratamento se dividem em: hormônio (insulina) e
hipoglicemiantes orais (sulfonilureia, biguanidas, inibidores de alfaglicolidase, secretagogos de insulina,
glitazonas e inibidores de dipetidil peptidase). O médico vai avaliar cada caso e identificar a medicação que
atende ao quadro apresentado pelo paciente, pois cada uma tem um sítio de ação diferente, conforme mostra
o quadro 3.
Nome Tipo Indicação Efeito colateral
Hipoglicemia
Estimulam o pâncreas a
Glipizida Sintomas
produzir insulina, mantêm os
Sulfonilureia 1ª
Gliburida níveis de glicose baixos. gastrintestinais leves
geração
Podem ser utilizados junto
Glimepirida com a metformina Ganho de peso
Reação cutânea
Estimulam a secreção de
insulina pelo pâncreas
Hipoglicemia
Meglutinida Secretagogos de Controlam os níveis de
insulina Ganho de peso
Nateglinida glicemia
Hipoglicemia
Anemia
Sensibilizam o tecido
Ganho de peso
Pioglitazona corporal à insulina
Glitazonas
Possível disfunção
Rosiglitazona Podem ser utilizados junto
hepática
com metformina ou insulina
Hiperlipidemia
Nome Tipo Indicação Efeito colateral
Infecção respiratória
superior
Aumentam e prolongam a Faringite
Inibidores de ação de incretina, hormônio
Sitagliptina
dipeptidil que aumenta a liberação de Nariz entupido
Vildagliptina peptidase-4 insulina e diminui os níveis
de glucagon Cefaleia
Diarreia
Hipoglicemia
Terapia medicamentosa
A terapia medicamentosa pode ser utilizada isoladamente ou em conjunto com a insulina, potencializando os
efeitos hipoglicemiantes. No entanto, a utilização conjunta dessas substâncias pode causar hipoglicemia de
rebote, sendo necessário controle dos níveis glicêmicos diários.
Além da concentração, as insulinas disponíveis no mercado são classificadas quanto ao mecanismo de ação,
variando desde a ultralenta (glargina 300) até a ultrarrápida (lispro, asparte e glulisina). Por esse motivo, é
comum a aplicação de dois tipos de insulina em um mesmo paciente, sendo uma delas utilizada somente em
casos de pico hiperglicêmico.
Início da Pico da
Nome Duração Posologia Aspecto
ação ação
1-3x/dia (recomendar
NPH 2-4h 4-10h 10-18h Turvo
dose noturna às 22 horas)
Glargina
2-4h Sem pico 20-24h 1x/dia Cristalino
100
Início da Pico da
Nome Duração Posologia Aspecto
ação ação
Glargina
6h Sem pico Até 36h 1x/dia
300
Quadro 4: Farmacocinética das insulinas utilizadas no Brasil. Extraído de: BRASIL, 2019, p.10.
Assistência de enfermagem ao
paciente diabético
Uma das maiores dificuldades encontradas pela equipe de
saúde se refere à adesão ao tratamento pelo paciente, em
função da necessidade de mudança no estilo de vida (o que
Criança com bomba infusora de insulina. inclui, em muitos casos, abstenção de álcool, de
carboidratos e doces), do uso dos medicamentos e da
monitorização glicêmica. Por esses motivos, o primeiro passo na assistência de enfermagem é convencer o
paciente a seguir o tratamento proposto e manter os níveis de glicose adequados, alertando-o quanto à
necessidade de seguir as orientações para evitar futuras complicações. Além disso, outras ações da
enfermagem são:
• Orientar quanto ao cuidado com lesões, principalmente nos pés, e quanto ao corte das unhas.
• Estimular ingesta hídrica.
• Estimular a prática de exercícios físicos.
• Orientar quanto à necessidade de jejum somente para a realização de exames.
• Orientar quanto ao uso da insulina.
• Estimular a autoadministração de insulina.
• Orientar quanto aos cuidados com a dieta a ser ingerida.
• Verificar sinais de desidratação e ressecamento da pele.
• Avaliar o nível de orientação do paciente.
• Administrar medicação conforme prescrição.
• Orientar a equipe quanto a sinais de complicação mostrados pelo paciente.
• Registrar alterações durante todo o dia.
Colecistite e colelitíase
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Diabetes mellitus
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Questão 1
A Sra. J. S., 32 anos, cirrótica, deu entrada na emergência do hospital do bairro Alcântara, em São Gonçalo,
RJ, alcoolizada, desorientada, agressiva, pele ressecada, ictérica. Não deixou que a equipe se aproximasse
para socorrê-la. Em virtude disso, minutos depois iniciou quadro de hematêmese e posterior síncope, sendo
encaminhada para a unidade de terapia intensiva. Diante desse quadro, quais sinais e sintomas apresentados
pela paciente indicaram risco de vida?
Desorientação e icterícia.
Hematêmese e síncope.
Hematêmese e icterícia.
A alternativa C está correta.
A cirrose hepática apresenta vários sintomas relacionados ao excesso de bilirrubina no sangue, como
icterícia e pele ressecada. Entretanto, a evolução da doença, com piora clínica do quadro, apresenta sinais
de sangramento (hematêmese) e perda da consciência (síncope), indicando que o paciente iniciou quadro
de gravidade.
Questão 2
O diabetes mellitus acomete milhões de pessoas no mundo todo, sendo um dos maiores causadores de
complicações, como: retinopatia, neuropatia diabética e mal perfurante plantar. O diagnóstico correto e o
tratamento associado ao controle dos sintomas são as principais maneiras de evitar complicações. Assinale a
alternativa que apresenta uma característica específica do diabetes tipo 1:
Hipoglicemia
Polidipsia
Perda de peso
Resistência à insulina
Pielonefrite
Caracteriza-se por um processo inflamatório de origem bacteriana que acomete a pelve renal, túbulos e parte
do tecido renal. A pielonefrite se divide em dois tipos: aguda e crônica.
Aguda
Crônica
Porém, se esse rim afetado formar fibrose local, contraindo-se e perdendo sua função, dizemos que o
paciente desenvolveu pielonefrite crônica — essa é uma das causas de insuficiência renal crônica,
levando o paciente a necessitar de terapia dialítica ou transplante.
Sintomatologia da pielonefrite
Quando o paciente apresenta pielonefrite aguda são observados os seguintes sintomas:
• febre;
• calafrios;
• leucocitose;
• náuseas;
• vômitos;
• dor no flanco afetado;
• dor lombar;
• dor na micção;
• bacteriúria;
• piúria; e
• polaciúria.
• fadiga;
• inapetência;
• perda de peso;
• poliúria;
• polidipsia; e
• cefaleia.
Recomendação
Se o paciente faz acompanhamento ambulatorial, o médico inicia um esquema de antibiótico via oral de
duas semanas. Caso esteja internado, a terapia de escolha será antibiótico endovenoso por até 10 dias.
Se o paciente apresentar recidiva, poderá fazer antibioticoterapia por seis semanas.
Urolitíase
A litíase urinária é a presença de cálculos de fosfato de cálcio retidos em órgão do sistema urinário. De acordo
com Hinkle e Cheever (2016), a formação desses cálculos é lenta, tendo sua manifestação por volta da
terceira década de idade, com predominância de casos no sexo masculino. A formação de cálculos urinários
está ligada aos seguintes fatores: consumo excessivo de leite, presença de cânceres, produção aumentada de
vitamina D, acidose tubular renal, hiperparatireoidismo e doenças da medula óssea, como policitemia vera.
Existem quatro tipos de cálculos renais: os compostos por fosfatos de cálcio, por ácido úrico, por estruvita e
por cistina. Não se sabe ao certo como se formam os cálculos, mas, conforme Hinkle e Cheever (2016),
podem estar relacionados com alguma patologia de base.
• Se localizado na pelve renal, o cálculo causará sintomas como dor intensa e profunda costovertebral,
hematúria, piúria, náuseas, vômitos, desconforto abdominal, diarreia e cólica renal.
• Se localizado no ureter, provoca dor aguda, excruciante, oligúria com sangue e cólica ureteral. Se o
cálculo medir entre 0,5 e 1cm, é esperado que seja expelido; porém, se ultrapassar 1cm, deverá ser
fragmentado por litotripsia.
• Quando localizado na bexiga, o cálculo causa hematúria e, se houver obstrução, retenção urinária.
Neste caso, o risco de desenvolver sepse urinária é iminente.
Para diagnosticar urolitíase, são realizados exames de imagem e laboratoriais, como: radiografia pélvica,
ultrassom, urografia excretora, pielografia retrógrada, urina de 24h e bioquímica sanguínea.
Tratamento da urolitíase
Dependendo do tamanho do cálculo, aguarda-se a expulsão espontânea após tratamento medicamentoso. Se
isso não ocorrer, deverão ser realizadas intervenções endoscópicas ou cirúrgicas para remoção do cálculo. A
ureteroscopia é utilizada para visualizar e fragmentar o cálculo por meio de um litotripsor ou aparelho de
ultrassom. Após o procedimento, é inserido um stent (cateter duplo J), que permanece no local por 24h até
serem expelidos todos os fragmentos do cálculo.
Litotripsia.
Outro tratamento de escolha é a litotripsia extracorpórea por ondas de choque (LEOC), utilizada para
fragmentar o cálculo de forma não invasiva, por meio de ondas de choque que rompem o cálculo até ficar do
tamanho de grãos de areia, facilitando sua eliminação pela uretra.
Insuficiência renal
Em todo o mundo, 60% das mortes são resultantes de agravos de DCNT, responsáveis também pela ocupação
da maioria dos leitos hospitalares (BRASIL, 2014). Entre as DCNT com maiores taxas de mortalidade, estão as
cardiovasculares e as complicações resultantes de doenças como hipertensão arterial e diabetes. De acordo
com Hinkle e Cheever (2016), o diabetes mellitus é a principal causa da insuficiência renal crônica (IRC). Uma
forma de evitar o surgimento de novos casos de pacientes renais é a prevenção, além do acompanhamento
regular de pacientes crônicos.
Atenção
A insuficiência renal é a perda momentânea ou irreversível do funcionamento renal. Quando os rins
perdem, de forma abrupta, a sua capacidade de filtrar o sangue, então o paciente apresenta
insuficiência renal aguda (IRA), que geralmente está relacionada a quadros de choque, sepse,
queimaduras extensas, desidratação grave (esta é a principal causa), hipertensão maligna e síndrome
hemolítico-urêmica. Porém, se um quadro de falência do órgão vem se instalando de forma lenta e
gradativa, o estado do paciente é irreversível, sendo denominado de insuficiência renal crônica (IRC) ou
doença renal de estágio terminal (DRET).
Início
Na primeira fase, a lesão renal é causada, e o rim inicia quadro de dificuldade para filtrar o sangue.
Oligúria
Diurese
Em virtude dessa redução na urina, as escórias no sangue aumentam subitamente e então surgem os
primeiros sintomas de uremia.
Recuperação
Esses sinais de recuperação vão avançando num período de 3 a 12 meses. Se o paciente mantiver o mesmo
quadro oligúrico e urêmico por um período superior a 3 meses, as lesões renais são irreversíveis e ele
desenvolve IRC.
Pré-renal
Segundo Yu et al. (2007), na fase pré-renal, o paciente apresenta hipotensão arterial e hipovolemia.
Renal
Pós-renal
Quando o paciente entra na fase pós-renal, um dos sintomas mais comuns é a anúria, acompanhada
de dor muscular ou articular e mal-estar. A presença desses sintomas é indicativa do grau de perda
de função do rim.
Na IRC, o paciente apresenta nível de creatinina elevado, insuficiência cardíaca congestiva, anemia, edema,
neuropatia periférica, dor intensa e desconforto, confusão, acidose metabólica, asterixe, pele acinzentada,
gosto metálico na boca, alterações intestinais, soluços e hipertensão de difícil controle. São complicações
resultantes da IRC:
• hipercalemia;
• tamponamento cardíaco;
• pericardite;
• derrame pericárdico;
• doença óssea;
• hipertensão grave; e
• falência renal total.
Saiba mais
A biópsia renal é realizada pelo médico, utilizando uma pistola com agulha oca, que retira fragmentos do
tecido renal. Após esse procedimento, o paciente deve ficar em repouso e evitar exercícios físicos por
72h.
O tratamento do paciente na fase aguda busca recuperar o rim lesionado enquanto os níveis de escórias são
normalizados. Na maioria dos casos, o tratamento é medicamentoso, somente utilizando diálise quando o nível
de creatinina está perigosamente elevado. O paciente com IRC necessita de terapia dialítica regular a fim de
manter a função renal pelo maior tempo possível. Caso evolua para falência renal, o paciente é encaminhado
para a fila do transplante renal.
Imagem ilustrativa para um sistema de diálise.
1 A hemofiltração venovenosa contínua (CVVH) consiste numa remoção mais lenta de líquidos por
meio da ultrafiltração. Utiliza uma pequena bomba e seus efeitos são mais suaves e bem tolerados
pelos pacientes. Nessa terapia, um enfermeiro treinado pode manejar o equipamento.
2A hemodiálise venovenosa contínua (CVVHD), além de retirar excesso de líquidos pela ultrafiltração,
“utiliza um gradiente de concentração para facilitar a remoção das toxinas urêmicas e do líquido,
acrescentando uma solução de dialisado no circuito” (HINKLE; CHEEVER, 2016, p. 2499). Também
pode ser realizada pelo enfermeiro, porém necessita de um acesso profundo.
Os acessos utilizados para hemodiálise podem ser feitos por uma punção profunda ou pela confecção de uma
fístula arteriovenosa (FAV) ou enxerto arteriovenoso (EAV). O acesso vascular profundo é puncionado na veia
jugular, subclávia ou femural, com um cateter duplo lúmen. A FAV é uma anastomose de uma artéria e uma
veia confeccionada em intervenção cirúrgica. Necessita de um período de dois a três meses pós-cirurgia para
“amadurecer” (hipertrofiar) e, assim, estar adequada para suportar o forte fluxo da diálise. Se o paciente não
apresentar condições anatômicas ou de saúde para construir uma FAV, o médico realiza um enxerto de
material biológico ou utiliza um tubo plástico macio. O processo de construção do EAV é o mesmo da FAV,
mas, nessa situação, o tubo plástico é que ligará a artéria à veia. O tempo para maturação é de dois meses
após a confecção.
Diálise peritoneal
Esse tipo de diálise consiste num processo de drenagem e depuração de escórias por meio de uma membrana
semipermeável natural (peritôneo). O processo de depuração ocorre em três etapas: infusão, retenção e
drenagem do dialisado. Um cateter de Tenckhoff (cateter com duplo cuff) é instalado na cavidade peritoneal e
ali é infundida uma solução hipertônica de glicose aquecida. Essa solução fica retida por um período de 30 a
40 minutos e depois se inicia a drenagem do dialisado. Em um único paciente podem ser necessários vários
ciclos por dia. Esse tipo de diálise pode ser realizado ambulatorialmente ou em casa. Existem três tipos de
diálise peritoneal: diálise peritoneal cíclica contínua (DPCC), diálise peritoneal intermitente noturna (DPIN) e
diálise peritoneal periódica (DPP).
DPCC DPIN
DPP
Atenção
As complicações dessa modalidade de diálise são: hemorragia, contaminação do cateter, esclerose
peritoneal, hiperglicemia, obstrução parcial intestinal, obstipação, hipotireoidismo e hérnia abdominal ou
inguinal.
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Tratamento da urolitíase
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Insuficiência renal
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Questão 1
Numa clínica de nefrologia, dezenas de pacientes realizam hemodiálise; eles entram em grupos conforme a
quantidade de aparelhos disponíveis para a filtragem e aguardam cerca de cinco horas até a finalização do
procedimento. Assinale a assistência de enfermagem ao paciente em diálise que é realizada logo ao recebê-
lo.
Pesar.
C
Questão 2
A insuficiência renal aguda é caracterizada pela perda súbita da função renal do paciente. Se não tratada
adequadamente, a doença pode evoluir para crônica e a lesão do parênquima renal torna-se irreversível. Qual
dos sintomas abaixo é relativo à insuficiência renal aguda?
Acidose
Rash cutâneo
Anúria
Taquicardia
Asterixe
A alternativa E está correta.
A insuficiência renal aguda é caracterizada pela presença de sintomas relacionados à súbita elevação de
escórias no sangue, como: acidose, rash cutâneo, anúria e taquicardia. No entanto, lesões do sistema
nervoso central, como a asterixe, são indicativos de um processo lento, que pode se tornar crônico.
4. Conclusão
Considerações finais
As doenças gastrointestinais, hepatobiliares e urológicas constituem um grande desafio para a enfermagem.
Essas doenças apresentam alguns sintomas semelhantes, sendo necessário um diagnóstico diferencial. Além
disso, a maioria delas decorre umas das outras, sendo necessário focar na doença de base. Desse modo, a
equipe médica implementa tratamentos baseados na doença de origem primária.
No entanto, executar uma assistência adequada ao paciente depende de sua aceitação e adesão ao
tratamento proposto, o que pode ser um obstáculo no controle dos sinais e sintomas e na minimização de
complicações durante e após a alta hospitalar.
Podcast
Neste podcast, a especialista Michele Garcia encerra o tema fazendo um resumo e respondendo às
seguintes perguntas: como assistir o paciente crônico? Quais implicações influenciam na assistência do
paciente crônico? Como lidar com o sentimento de ansiedade e a perda do paciente crônico? Quais
dificuldades são comuns no tratamento do paciente crônico? Vamos lá!
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Para aprofundar os conhecimentos que você adquiriu neste conteúdo, leia a publicação Saúde Brasil 2018,
uma análise da situação da saúde e das doenças e agravos crônicos: desafios e perspectivas, , do Ministério
da Saúde.
Referências
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Revista Brasileira de Enfermagem, v. 71, n. 3, p. 1157-1163, 2018.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção Especializada à Saúde. Portaria conjunta nº 17, de 12 de
dezembro de 2019. Aprova o protocolo clínico e diretrizes terapêuticas do diabetes melito tipo 1. Diário Oficial
da União: seção 1, Brasília, DF, n. 220, p. 107, 13 nov. 2019.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Comparativo da mortalidade por doenças do
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QUINTAIROS, M. Q. et al. Doenças relacionadas à infecção pelo Helicobacter pylori: revisão sistemática. Pará
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SELHORST, I. S. de B.; BUB, M. B. C.; GIRONDI, J. B. R. Protocolo de acolhimento e atenção para usuários
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