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Manejo de Adubação Orgânica no Feijão

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e-ISSN 1983-4063 - [Link]/pat - Pesq. Agropec. Trop., Goiânia, v. 45, n. 1, p. 29-38, jan./mar.

2015

Manejo da adubação na cultura do feijão


em sistema de produção orgânico1
Leandro Barradas Pereira2, Orivaldo Arf2,
Neli Cristina Belmiro dos Santos3, Aline Estela Zini de Oliveira4, Lauro Kenji Komuro4

ABSTRACT RESUMO
Fertilization management in bean crop
under organic production system Atualmente, os sistemas de produção de alimentos
tendem a incluir manejos sustentáveis do solo e da água. Um
Nowadays the food production systems tend to include dos principais desafios do cultivo orgânico do feijoeiro é o
the sustainable management of soil and water. One of the main manejo da adubação. Este trabalho objetivou avaliar doses de
obstacles to the organic cultivation of common bean is the fertilizante orgânico à base de resíduos de frigorífico (1,0 t ha-1;
fertilization management. This study aimed to evaluate doses of 1,5 t ha-1; 2,0 t ha-1; e 2,5 t ha-1). O delineamento experimental
organic fertilizer containing slaughterhouse residues (1.0 t ha-1, foi em blocos casualizados, em esquema fatorial 4x2x2, com
1.5 t ha-1, 2.0 t ha-1 and 2.5 t ha-1). The experimental design 16 tratamentos e 4 repetições. Foram realizadas as seguintes
was randomized blocks in a 4x2x2 factorial scheme, with 16 avaliações: massa seca de plantas; diagnose foliar; população
treatments and 4 replications. Plant dry weight; foliar diagnose; inicial e final de plantas; número de vagens por planta, grãos por
initial and final plant population; number of pods per plant, grains planta e grãos por vagem; massa de 100 grãos; e produtividade
per plant and grains per pod; 1000-grain weight; and grain yield de grãos. Concluiu-se que os métodos e épocas de aplicação
were evaluated. It was concluded that the methods and time do fertilizante orgânico não influenciam os componentes de
of organic fertilizer application do not affect the production produção e produtividade do feijoeiro. A dose de 2,5 t ha-1
components and yield in common bean. The dose of 2.5 t ha-1 de fertilizante orgânico propiciou a maior produtividade do
of organic fertilizer provided the highest common bean yield in feijoeiro em 2012, porém, não expressou sua capacidade máxima
2012, but it did not express its maximum production capacity. de produção.

KEY-WORDS: Phaseolus vulgaris L.; organic fertilizer; cattle PALAVRAS-CHAVE: Phaseolus vulgaris L.; fertilizante
residues. orgânico; resíduos bovinos.

INTRODUÇÃO sistema de produção orgânico. A procura por feijão


produzido organicamente tem aumentado, mesmo
O feijão é um dos alimentos básicos do povo com preços de venda do produto cerca de 30-40 %
brasileiro e de grande parte da América Latina. Apre- superiores ao do feijão cultivado de forma conven-
senta fundamental importância, devido ao fato de ser cional (Santos 2011).
fonte acessível de proteínas, com elevado valor ener- Darolt (2000) verificou que os principais en-
gético. A sua comercialização é instável e os riscos traves para a produção orgânica estão relacionados
climáticos atrelados à cultura dificultam uma maior à falta de crédito específico para produtores, dificul-
adesão de agricultores, em todo o País (Conab 2013). dades para a comercialização da produção e falta de
Uma das alternativas para aumentar a estabili- experiência e informação técnica.
dade da sua comercialização é a agregação de valor Os principais limitantes à sustentabilidade no
ao grão, que pode ser alcançada com a utilização do cultivo do feijoeiro comum, em sistemas orgânicos

1. Trabalho recebido em jan./2014 e aceito para publicação em jan./2015 ([Link]


2. Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp), Departamento de Fitotecnia, Tecnologia de Alimentos e
Socioeconomia, Ilha Solteira, SP, Brasil. E-mails: leandro.pereira61@[Link], arf@[Link].
3. Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), Pólo Regional do Extremo Oeste, Andradina, SP, Brasil.
E-mail: neli@[Link].
4. Escola Técnica Estadual Sebastiana Augusta de Moraes, Andradina, SP, Brasil. E-mails: aline.oliveira301@[Link],
[Link]@[Link].
30 L. B. Pereira et al. (2015)

e convencionais, incluem o manejo do solo e do Uma das finalidades de um sistema orgânico


fertilizante, principalmente no que diz respeito à de produção é a reciclagem de resíduos de origem
má distribuição de nutrientes no perfil do solo, bem orgânica, reduzindo, ao mínimo, o emprego de recur-
como ao desequilíbrio entre os mesmos (Aidar & sos não renováveis. A adubação orgânica é a forma
Kluthcouski 2009). mais importante de reconstruir, de maneira física,
Os fertilizantes orgânicos apresentam com- química e biológica, os solos, principalmente quando
posição variável conforme sua origem, teor de apresentam baixo teor de matéria orgânica.
umidade e processamento, antes de sua aplicação. A Existem várias vantagens no uso de adubos
mineralização de nutrientes como o nitrogênio (N) orgânicos, como a melhoria na estrutura do solo, ati-
e o fósforo (P), no solo, depende, principalmente, vação microbiológica, aumentos nos teores de matéria
da relação carbono/nitrogênio (C/N) do material orgânica e na resistência das plantas ao ataque de
orgânico. Compostos com relação C/N inferior a 25 pragas e doenças, retenção de cátions (Ca, Mg e K) e
e C/P inferior a 200 liberam a maior parte do N e do efeito de proteção da umidade do solo. Assim, a ado-
P no primeiro ano da aplicação. Em geral, produtos ção de técnicas de cultivo que possibilitem melhorar
de origem animal sofrem um processo de minera- o manejo da cultura do feijão, em sistema orgânico,
lização mais acelerado do que produtos de origem em condições favoráveis ao desenvolvimento das
vegetal, quando submetidos às mesmas condições de plantas, pode ser de suma importância para o aumento
temperatura ambiente e umidade no solo. da produtividade e qualidade de grãos.
No sistema orgânico de produção para a fer- Tendo-se em vista que o manejo da adubação
tilização dos solos são usados adubos verdes, restos orgânica pode proporcionar aumento na produtivi-
de colheitas, tortas e farinhas de vegetais fermenta- dade, desenvolveu-se este estudo com o objetivo de
dos, compostos orgânicos bioestabilizados, resídu- avaliar a influência de doses de fertilizante orgânico
os industriais e agroindustriais isentos de agentes à base de resíduos de frigorífico, método e época de
químicos ou biológicos com potencial poluente e de aplicação, nos componentes de produção e produti-
contaminação, fosfatos naturais e semisolubilizados, vidade da cultura do feijão, em sistema de cultivo
farinhas de ossos, termofosfatos, escórias e rochas orgânico irrigado.
minerais moídas, como fonte de cálcio, magnésio,
fósforo, potássio e micronutrientes (sempre de baixa MATERIAL E MÉTODOS
solubilidade).
Não há registros de uso de compostos orgâ- O experimento foi desenvolvido nos anos
nicos elaborados com resíduos de frigorífico, no de 2011 e 2012, em Andradina (SP), em área ex-
solo. Esses adubos são elaborados a partir de capim perimental da Agência Paulista de Tecnologia dos
do rúmen, sangue e couro de bovinos de corte. O Agronegócios (APTA) (20º55’S, 51º23’W e 379 m de
processo de fabricação é realizado a céu aberto, altitude). O clima da região, segundo a classificação
com o auxílio de micro-organismos que aceleram a de Köppen, é tropical quente e úmido, com inverno
degradação do material orgânico, transformando-o seco. A precipitação média anual é de 1.150 mm, a
em adubo orgânico. temperatura média anual de 23 ºC e a umidade relativa
Alguns estudos têm evidenciado a viabili- do ar de 70-80 % (Santos 2007). Os experimentos
dade do uso de fertilizantes orgânicos em sistemas foram conduzidos na mesma área e, também, nas
de produção orgânica e aumento de produtividade mesmas parcelas. Os valores de precipitação pluvial
em feijão caupi (Cavalcante et al. 2009, Melo et al. e temperaturas máximas e mínimas da área de cultivo,
2009, Pereira et al. 2013), feijão de vagem (Alves durante a condução dos experimentos, constam na
et al. 2000) e feijoeiro comum (Pereira et al. 2011). Figura 1. O fornecimento de água foi realizado por
Experimentos conduzidos por Carvalho & sistema fixo de irrigação por aspersão.
Wanderley (2007), no Distrito Federal, mostraram O solo é classificado como Latossolo Verme-
que o feijão orgânico tem produtividade compará- lho (Oliveira et al. 1999) de textura arenosa. Antes
vel à do feijão cultivado sob sistema convencional. da instalação dos experimentos, foram coletadas
Padovan et al. (2007) avaliaram doze cultivares, na amostras de solo, as quais, após homogeneizadas,
região de Dourados (MS), mostrando a viabilidade resultaram em amostra composta, que foi levada ao
do sistema orgânico de produção de feijão. laboratório para análise química, sendo os resultados

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(a) Precipitação Tº Máxima Tº Mínima 2011, e incorporado com grade. Em 15/02/2012, foi
25 40 realizada a semeadura de sorgo granífero na área
35 que permanecia em pousio, para controle das plantas
Precipitação pluvial (mm)

20 espontâneas, sendo roçado no dia 07/05/2012.

Temperatura do ar (ºC)
30
15 25 O delineamento experimental foi em blocos
20 casualizados, em esquema fatorial 4x2x2, com 16
10 15 tratamentos e 4 repetições. Os tratamentos foram
5
10 constituídos por 4 doses do fertilizante orgânico
5 (1,0 t ha-1; 1,5 t ha-1; 2,0 t ha-1; e 2,5 t ha-1), 2 métodos
0 0 de aplicação do fertilizante orgânico (no sulco e a
lanço incorporado) e 2 épocas de aplicação (anteci-
pado em 30 dias e na semeadura). As parcelas foram
(b) 80 constituídas por seis linhas de 6,0 m de comprimento,
40
espaçadas 0,50 m entre si, apresentando uma área de
70 35
18 m2. A área útil foi constituída pelas quatro linhas
Precipitação pluvial (mm)

Temperatura do ar (ºC)
60 30
centrais, desprezando-se 0,50 m em ambas as extre-
50 25 midades de cada linha.
40 20 O fertilizante orgânico utilizado foi à base de
30 15 resíduos de frigorífico, no estado físico granulado e
20 10 farelado, com teor de P (resina) = 281 mg dm-3; MO =
10 5 34 g dm-3; pH (CaCl2) = 7,6; K = 12 mmolc dm-3;
0 0 Ca = 74 mmolc dm-3; Mg = 19 mmolc dm-3; H+Al =
8 mmolc dm-3; Al = 0 mmolc dm-3; S-SO4-2 = 206 mg dm-3;
umidade = 2 %; e relação C/N de 10/1. O fertilizante
Período de condução do experimento (dia/mês) orgânico foi produzido por uma empresa local, a par-
tir de resíduos como capim do rúmen, chifres e couro
Figura 1. Precipitação pluvial (mm) e temperaturas máximas
de bovinos, sendo realizado processo de composta-
e mínimas (ºC) registradas durante a condução
dos experimentos, nos anos de 2011 (a) e 2012 (b) gem aeróbica, com aplicação de micro-organismos
(Andradina, SP). Fonte: Ciiagro (2013). para acelerar a decomposição e melhorar a qualidade
do composto orgânico.
O feijão foi semeado, mecanicamente, nos
determinados segundo metodologia descrita por Raij dias 31/05/2011 e 14/06/2012, utilizando-se a culti-
et al. (2001) (Tabela 1). var IAC-Alvorada, com as seguintes características:
O solo da área experimental estava em pou- cultivar de grão tipo carioca, proveniente do Instituto
sio há mais de três anos, sem receber manejo físico Agronômico de Campinas, com porte de planta se-
e químico, e ocupado com pastagem (Urochloa miereto (tipo III), moderada resistência a antracnose,
decumbens). No primeiro e segundo anos de cultivo, ciclo de 92 dias da emergência à maturação fisiológi-
realizou-se preparo convencional do solo, com uma ca e tolerante ao escurecimento do grão (Carbonell et
aração, utilizando-se arado de aiveca, e uma grada- al. 2008). Utilizou-se espaçamento de 0,50 m entre
gem. Em seguida, foi aplicado calcário dolomítico as linhas e doze sementes por metro, com o objetivo
(PRNT = 95,4), na dose de 1,09 t ha-1, apenas em de se obter população final de 240.000 plantas ha-1.

Tabela 1. Análise química do solo, na camada de 0-0,20 m, antes da instalação dos experimentos (Andradina, SP, 2011 e 2012).

Presina MO pH K Ca+2 Mg+2 H+Al Al+3 SB CTC V S-SO4-2


Cultivo
mg dm-3 g dm-3 (CaCl2) ____________________________
mmolc dm-3 ____________________________ % mg dm-3
2011 4 19 4,9 2,3 14 5 24 1 21,3 45,3 47 2
2012 7 16 5,1 3,1 25 11 20 0 39,1 59,1 66 2
MO: matéria orgânica; SB: soma de bases; CTC: capacidade de trocar cátions a pH 7,0; V: saturação por bases.

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Antes da semeadura, as sementes foram inoculadas (50 % das plantas com folhas primárias expandidas),
com a estirpe SEMIA 4088 de Rhizobium tropici, para a população de plantas inicial, e no momento da
contendo 2,0 x 109 células viáveis por grama. colheita, para a população de plantas final. Os dados
As intervenções nas plantas espontâneas, em foram transformados em plantas ha-1.
ambos os anos de cultivo, foram realizadas com Por ocasião da colheita, foram coletadas 10
capinas manuais, aos 15 e 42 dias após a semeadura plantas, em local pré-determinado, na área útil de
(DAS). Foram realizadas pulverizações com óleo cada parcela, para avaliação do número de vagens por
de nim, na dose de 0,5 %, aos 15, 40 e 70 DAS, planta (número total de vagens dividido pelo número
para controle preventivo de vaquinha (Diabrotica de plantas), número de grãos por vagem (relação entre
speciosa). Aos 28 DAS, foi realizada, em ambos os o número total de grãos e o número total de vagens),
anos de cultivo, uma adubação foliar com fertilizante massa de 100 grãos (determinada pela coleta ao aca-
à base de pescados marinhos (1 % N), na dose de so e pesagem de quatro amostras de 100 grãos por
0,8 L ha-1, na forma de calda, aplicando-se 200 L ha-1. parcela, tendo sua massa corrigida para 13 % de base
Não houve aparecimento de doenças durante a con- úmida) e produtividade de grãos (as plantas da área
dução do ensaio. útil de cada parcela foram arrancadas e levadas para
Em ambos os anos, a adubação de cobertura foi secagem a pleno sol). Após a secagem, as mesmas
realizada aos 30 DAS, sendo aplicados 1.670 kg ha-1 foram submetidas a trilha manual, os grãos foram
de fertilizante orgânico farelado próximo à linha pesados e os dados transformados em kg ha-1 (13 %
de semeadura, correspondendo a 50 kg ha-1 de N, de base úmida).
levando-se em consideração a faixa de produtivida- Os resultados foram submetidos à análise de
de esperada (1,5-2,5 t ha-1) e as recomendações de variância e as médias comparadas pelo teste Tukey
Ambrosano et al. (1996). (p < 0,05), para o modo e época de aplicação. Foi
Foram realizadas adubações foliares aos efetuada análise de regressão para as doses de ferti-
56 DAS, com fertilizante organomineral Ecofol à lizante orgânico.
base de cálcio (5,23 %), na pré-florada do feijoeiro,
na dose de 1,0 L ha-1, em forma de calda, aplicando-se RESULTADOS E DISCUSSÃO
200 L ha-1. O fertilizante é certificado para produção
orgânica pela Ecocert Brasil. Os dados referentes aos teores de macro-
As colheitas foram realizadas nos dias nutrientes foliares não apresentaram interações
16/09/2011 e 17/09/2012, quando foram arrancadas significativas entre época de aplicação, método de
plantas de duas linhas de 5,0 m de comprimento na aplicação e doses de fertilizante, no primeiro ano
área útil das parcelas, e, posteriormente, trilhadas, de cultivo (Tabela 2). Os teores de fósforo, cálcio,
aos 107 e 94 DAS, respectivamente. magnésio e enxofre verificados nas folhas do fei-
Foram realizadas as seguintes avaliações: joeiro, nos diferentes tratamentos, encontram-se
a) Massa seca de plantas: por ocasião do flo- dentro da faixa de teores adequados (2,5-4,0 g kg-1;
rescimento das plantas, foram coletadas, ao acaso, 10 10-25 g kg-1; 2,5-5,0 g kg-1; e 2,0-3,0 g kg-1, respec-
plantas da área útil de cada parcela, sendo levadas ao tivamente), segundo Raij et al. (1997). No entanto,
laboratório, acondicionadas em sacos de papel devi- os teores de nitrogênio e potássio obtidos no presente
damente identificados, e colocadas para secagem em experimento apresentaram valores inferiores à faixa
estufa de ventilação forçada, à temperatura média de considerada adequada (30-50 g kg-1 e 20-24 g kg-1,
60-70 ºC, até atingirem massa constante; respectivamente). Esse fato pode ser explicado pela
b) Diagnose foliar: foi retirado o terceiro tri- baixa disponibilidade de matéria orgânica no solo (em
fólio com pecíolo, por ocasião da avaliação da massa torno de 16-19 g dm-3), que, segundo Kluthcouski &
seca de plantas, sendo moído em moinho tipo Willey, Soares (2009), é fonte natural de nitrogênio para
para determinação dos teores de N-total, P, K, Ca, Mg as plantas, além de ser responsável por aumentar a
e S, conforme metodologia descrita por Sarruge & CTC, propiciando maior capacidade de retenção de
Haag (1974) e Malavolta et al. (1997); nutrientes, como o potássio.
c) População inicial e final de plantas: ava- O teor de matéria orgânica reduziu-se de
liadas por meio da contagem das plantas em duas 19 g dm-3 para 16 g dm-3, provavelmente devido à
linhas de 5,0 m, na área útil das parcelas, na fase V2 cultura presente antes da pastagem, que apresenta

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Tabela 2. Valores médios e valores de F para teores foliares de N, P, K, Ca, Mg e S de feijão de inverno, em função da época, método
de aplicação e doses de fertilizante orgânico à base de resíduos de frigorífico(1) (Andradina, SP, 2011).

N P K Ca Mg S
Tratamento _________________________________________________
g kg-1 _________________________________________________
Época de aplicação
30 DAS 27,15 2,60 18,90 23,98 3,17 2,53
Semeadura 29,20 2,64 19,54 23,28 3,04 2,42
Método de aplicação
Sulco 27,34 2,66 18,93 23,39 2,96 b 2,47
Lanço 29,01 2,58 19,51 23,86 3,26 a 2,48
Doses de adubo (t ha-1)
1,0 28,45 2,56 19,40 23,46 3,18 2,43
1,5 28,74 2,58 18,34 23,14 2,95 2,47
2,0 27,64 2,61 19,84 24,95 3,15 2,60
2,5 27,87 2,74 19,31 22,96 3,15 2,40
Valor de F
Época de aplicação (EA) 3,54 0,14 0,65 0,62 1,44 1,48
Método de aplicação (MA) 2,33 0,62 0,53 0,27 7,61** 0,00
Dose de adubo (DA) 0,21 0,76 0,63 1,03 0,95 0,99
EA * MA 0,09 0,29 0,11 0,49 0,12 2,56
EA * DA 0,68 0,84 0,99 1,15 0,10 2,07
MA * DA 0,21 0,54 0,35 0,91 0,03 0,23
EA * MA * DA 0,71 0,68 0,18 0,55 0,20 0,50
Regressão linear 0,33 1,89 0,11 0,00 0,04 0,02
Regressão quadrática 0,00 0,34 0,11 0,86 1,12 1,83
CV (%) 15,48 14,19 16,47 15,05 14,18 13,93
Médias seguidas de mesma letra, dentro de cada parâmetro estudado, não diferem entre si a 5%, pelo teste Tukey. ** Significativo a 1%. (1) Composição do fertilizante
orgânico: teor de P (resina) = 281 mg dm-3; MO = 34 g dm-3; pH (CaCl2) = 7,6; K = 12 mmolc dm-3; Ca = 74 mmolc dm-3; Mg = 19 mmolc dm-3; H+Al = 8 mmolc dm-3;
Al = 0 mmolc dm-3; S-SO4-2 = 206 mg dm-3; umidade = 2 %; relação C/N = 10/1.

grande volume de raízes fasciculadas e folhas, para a população final, não houve diferenças signi-
influenciando a matéria orgânica. No cultivo de ficativas (Tabela 5). Em 2012, não houve influência
2011, houve diferenças significativas apenas para dos tratamentos para população inicial e final de
o teor do macronutriente magnésio, quanto ao mé- plantas (Tabela 6).
todo de aplicação do fertilizante, sendo seu teor de A população de plantas esperada de 240.000
3,26 g kg-1, quando aplicado a lanço. Os teores de plantas ha-1 não foi alcançada em 2011. De acordo
magnésio do presente trabalho foram semelhantes aos com Souza et al. (2002), populações de plantas de
verificados por Araújo (2008) (4,12 g kg-1; cultivar 120-300 mil plantas ha-1 não alteram a produtividade
IAC-Votuporanga), em experimento de avaliação de de grãos do feijoeiro. Populações finais por volta
cultivares de feijão em sistema orgânico de produção. de 150, 170 e 220 mil plantas ha-1, para a cultivar
Para os teores de K, Ca, Mg e S, em 2012, Pérola, em sucessão a braquiária, milho e milheto,
verificaram-se interações significativas entre época respectivamente, foram observadas por Gomes Jú-
de aplicação e método de aplicação (Tabelas 3 e 4). nior (2006).
Observa-se que a aplicação do fertilizante orgânico Quanto à produção de massa seca de plantas,
aos 30 DAS proporcionou maior teor foliar de K no não houve diferença significativa para os métodos
método de aplicação a lanço. Com relação aos teores e épocas de aplicação do fertilizante, no cultivo em
foliares de Ca, Mg e S, esses foram maiores quando 2011 (Tabela 5). No entanto, em 2012, o aumento nas
o fertilizante foi aplicado no momento da semeadura doses de fertilizante orgânico proporcionou aumento
no sulco. A aplicação de fertilizante orgânico na linha significativo na massa seca de plantas (Figura 2a) e os
de semeadura atinge a área de desenvolvimento radi- dados foram ajustados à equação linear Y= 3,416 +
cular, proporcionando maior absorção de nutrientes. 0,0016x (R2 = 0,92). O aumento linear na massa seca
No ano de cultivo 2011, verificou-se que hou- de plantas indica que a maior dose (2.500 kg ha-1)
ve influência do método de aplicação, sendo que a não foi suficiente para atingir um ponto máximo de
aplicação do fertilizante no sulco proporcionou maior desenvolvimento das plantas. A dose de 2.500 kg ha-1
população inicial de plantas (182.687 plantas ha-1). Já de fertilizante orgânico corresponde à aplicação de

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34 L. B. Pereira et al. (2015)

Tabela 3. Valores médios e valores de F para teores foliares de N, P, K, Ca, Mg e S de feijão de inverno, em função da época, método
de aplicação e doses de fertilizante orgânico à base de resíduos de frigorífico(1) (Andradina, SP, 2012).

N P K Ca Mg S
Tratamento _________________________________________________
g kg-1 _________________________________________________
Época de aplicação
30 DAS 37,99 4,24 11,35 19,85 2,25 b 2,61
Semeadura 38,15 4,28 11,50 21,65 2,63 a 2,63
Método de aplicação
Sulco 38,34 4,33 11,07 23,44 a 2,69 a 2,69
Lanço 37,80 4,18 11,78 18,05 b 2,19 b 2,55
Doses do adubo (t ha-1)
1,0 38,56 4,20 12,09 19,58 2,58 2,66
1,5 37,31 4,12 11,90 22,28 2,47 2,67
2,0 39,18 4,29 10,87 19,21 2,22 2,54
2,5 37,24 4,43 10,84 21,92 2,47 2,61
Valor de F
Época de aplicação (EA) 0,04 0,12 0,04 1,22 4,37* 0,07
Método de aplicação (MA) 0,54 1,34 1,16 11,01** 7,54** 2,23
Dose do adubo (DA) 1,70 1,10 1,03 0,93 0,71 0,39
EA * MA 0,06 0,16 6,10* 4,32* 5,85* 13,41**
EA * DA 0,60 0,58 0,56 0,28 1,72 0,19
MA * DA 1,28 0,19 0,79 0,25 0,89 1,90
EA * MA * DA 1,27 0,38 0,87 0,93 1,70 0,77
Regressão linear 0,40 2,27 2,69 0,29 0,52 0,50
Regressão quadrática 0,22 0,71 0,01 0,00 0,98 0,10
CV (%) 7,70 11,62 22,80 31,32 30,02 14,19
Médias seguidas de mesma letra, dentro de cada parâmetro estudado, não diferem entre si a 5%, pelo teste Tukey. * Significativo a 5%; ** significativo a 1%. (1) Composição
do fertilizante orgânico: teor de P (resina) = 281 mg dm-3; MO = 34 g dm-3; pH (CaCl2) = 7,6; K = 12 mmolc dm-3; Ca = 74 mmolc dm-3; Mg = 19 mmolc dm-3; H+Al =
8 mmolc dm-3; Al = 0 mmolc dm-3; S-SO4-2 = 206 mg dm-3; umidade = 2 %; relação C/N = 10/1.

Tabela 4. Desdobramento das interações significativas entre época de aplicação e método de aplicação nos teores foliares de K, Ca,
Mg e S, em feijão orgânico (Andradina, SP, 2012).

Método de aplicação
Época de aplicação Sulco Lanço Sulco Lanço
Teor K foliar Teor Ca foliar
________________________________________________________________
g kg-1 ________________________________________________________________
30 DAS 10,90 aA 12,65 aA 20,85 bA 18,84 aA
Semeadura 11,81 aA 10,34 bA 26,02 aA 17,26 aB
DMS 1,85 4,62
Teor Mg foliar Teor S foliar
________________________________________________________________
g kg-1 ________________________________________________________________
30 DAS 2,28 bA 2,22 aA 2,51 bA 2,71 aA
Semeadura 3,10 aA 2,16 aB 2,87 aA 2,39 bB
DMS 0,52 0,26
Médias seguidas de mesma letra, dentro de cada parâmetro estudado, minúscula na coluna e maiúscula na linha, não diferem entre si a 5%, pelo teste Tukey.

Massa seca de plantas 2011 Massa seca de plantas 2012 Produtividade 2011 Produtividade 2012
(a) (b)
Massa seca de plantas (g planta-1)

) 8,00 2.000
-1
at 7,50 1.800
n
Produtividade (kg ha-1)

al ) 1.600
p 7,00 -1
g
( a 1.400
h
s 6,50 g
at k
( 1.200
n e
al 6,00 d
p a 1.000
e d
i
d 5,50 v 800
ac ti
u 600
se 5,00 d
ro
sas P 400 Produtividade 2012 y = 0,1536x + 552,7
a 4,50 Massa seca de plantas 2012 y = 0,0016x + 3,416 R² = 0,72*; (p<0,05)
M R² = 0,92**; (p<0,01) 200
4,00 0
1.000 1.500 2.000 2.500 1.000 1.500 2.000 2.500

Doses do fertilizante (kg ha -1 ) Doses do fertilizante (kg ha -1 )

Figura 2. Massa seca de plantas (a) e produtividade (b), em função das doses de fertilizante orgânico (Andradina, SP, 2011 e 2012).

e-ISSN 1983-4063 - [Link]/pat - Pesq. Agropec. Trop., Goiânia, v. 45, n. 1, p. 29-38, jan./mar. 2015
Manejo da adubação na cultura do feijão em sistema de produção orgânico 35

Tabela 5. Valores médios e resultados da análise de variância (valores de F) da população inicial (PI), população final (PF), massa
seca de plantas de feijão (MF), número de vagens por planta (VP), número de grãos por planta (GP), número de grãos por
vagem (GV), massa de 100 grãos (MG) e produtividade (PR) de feijão (Andradina, SP, 2011).

PI PF MF MG PR
Tratamento VP GP GV
_________
plantas ha-1 _________ g planta-1 g kg ha-1
Época de aplicação
30 DAS 177.000 a 128.062 a 5,09 a 11,59 a 41,84 a 4,09 a 27,58 a 1.839 a
Semeadura 177.125 a 127.125 a 5,46 a 11,50 a 42,68 a 4,31 a 28,25 a 1.698 a
Método de aplicação
Sulco 182.687 a 128.937 a 5,09 a 11,53 a 42,46 a 4,18 a 28,32 a 1.706 a
Lanço 171.437 b 126.250 a 5,46 a 11,56 a 42,06 a 4,21 a 27,50 a 1.830 a
Doses do adubo (t ha-1)
1,0 181.000 129.375 5,12 10,62 38,93 3,75 28,16 1.612
1,5 173.750 126.750 5,81 12,31 45,75 4,56 27,69 1.880
2,0 175.750 127.500 5,31 12,25 44,81 4,56 27,70 1.784
2,5 177.750 126.750 4,87 11,00 39,56 3,93 28,12 1.797
Valor de F
Época de aplicação (EA) 0,00 0,07 0,99 0,01 0,04 0,31 2,19 0,89
Método de aplicação (MA) 9,99** 0,64 0,99 0,00 0,01 0,00 3,41 0,69
Dose do adubo (DA) 0,75 0,13 1,11 1,20 0,81 1,16 0,32 0,56
EA * MA 0,40 2,27 0,02 1,72 0,48 1,08 0,09 0,00
EA * DA 0,41 0,90 0,82 0,09 0,22 0,36 0,30 0,44
MA * DA 0,35 0,22 0,56 0,70 0,69 0,67 0,62 0,58
EA * MA * DA 0,48 0,04 0,33 0,90 0,34 0,48 0,03 0,56
Regressão linear 0,23 0,22 0,55 0,09 0,00 0,10 0,00 0,47
Regressão quadrática 1,68 0,07 2,22 3,50 2,39 3,38 0,96 0,72
CV (%) 8,04 10,53 28,53 27,18 36,92 37,18 6,45 33,72
Médias seguidas de mesma letra, dentro de cada parâmetro estudado, não diferem entre si a 5%, pelo teste Tukey. ** Significativo a 1%.

Tabela 6. Valores médios e resultados da análise de variância (valores de F) da população inicial (PI), população final (PF), massa
seca de plantas de feijão (MF), número de vagens por planta (VP), número de grãos por planta (GP), número de grãos por
vagem (GV), massa de 100 grãos (MG) e produtividade (PR) de feijão (Andradina, SP, 2012).

PI PF MF MG PR
Tratamento VP GP GV
_______
plantas ha-1 _______ g planta-1 g kg ha-1
Época de aplicação
30 DAS 247.000 a 200.843 a 5,75 a 6,43 a 19,12 1,87 27,54 a 813 a
Semeadura 245.062 a 203.656 a 6,71 a 6,71 a 21,06 2,09 27,49 a 830 a
Método de aplicação
Sulco 256.250 a 206.468 a 6,18 a 6,37 a 19,62 1,90 28,18 a 836 a
Lanço 235.812 a 198.031 a 6,28 a 6,78 a 20,56 2,06 26,85 a 807 a
Doses do adubo (t ha-1)
1,0 246.125 201.562 4,81 5,68 17,06 1,68 26,25 568
1,5 242.625 199.562 6,25 6,93 21,06 2,12 28,29 871
2,0 250.500 203.500 6,43 6,93 21,68 2,12 27,94 829
2,5 244.875 204.375 7,43 6,75 20,56 2,00 27,58 928
Valor de F
Época de aplicação (EA) 0,03 0,09. 3,12 0,33 1,12 1,37 0,00 0,06
Método de aplicação (MA) 3,81 0,85 0,02 0,70 0,26 0,70 1,39 0,18
Dose do adubo (DA) 0,10 0,05 3,89* 1,53 1,29 1,22 0,62 2,94*
EA * MA 0,00 0,31 1,17 3,49 6,60* 8,10** 0,38 1,39
EA * DA 1,24 1,53 1,39 0,67 0,29 0,32 0,83 1,32
MA * DA 1,10 0,29 0,81 0,07. 0,16 0,25 0,66 1,31
EA * MA * DA 1,64 1,56 0,12 0,18 0,28 0,92 0,06 0,48
Regressão linear 0,00 0,09 10,81** 2,15 1,86 1,26 0,51 6,42*
Regressão quadrática 0,01 0,02 0,15 2,19 1,97. 2,27. 1,12 0,70
CV (%) 17,01 18,07 35,17 29,50 36,31 37,62 16,41 32,99
Médias seguidas de mesma letra, dentro de cada parâmetro estudado, não diferem entre si a 5%, pelo teste Tukey. * Significativo a 5%; ** significativo a 1%.

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36 L. B. Pereira et al. (2015)

70 kg ha-1 de N na semeadura e a adubação de co- Tabela 7. Desdobramento das interações significativas entre
bertura de 1.670 kg ha-1 corresponde a 50 kg ha-1 de época de aplicação e método de aplicação, no número
de grãos por planta e número de grãos por vagem, em
N em cobertura. Entretanto, esses valores não foram feijão orgânico (Andradina, SP, 2012).
suficientes para suprir as necessidades de N do feijo-
eiro, devido à liberação lenta dos nutrientes, quando
Método de aplicação
utilizados fertilizantes orgânicos. Época de aplicação
Sulco Lanço
Segundo Trani & Trani (2011), compostos Número grãos planta-1
orgânicos de relação C/N inferior a 25, como o uti- 30 DAS 21,00 aA 17,25 bA
Semeadura 18,25 aB 23,87 aA
lizado na pesquisa, liberam N no primeiro ano de DMS 5,18
cultivo. Provavelmente, o feijoeiro não aproveitou Número grãos vagem-1
todo o N aplicado, devido ao fato de seu ciclo ser curto 30 DAS 2,06 aA 1,68 bA
(100 dias), ficando o N disponível para o segundo ano Semeadura 1,75 aB 2,43 aA
DMS 0,53
de cultivo. Observa-se que as médias das massas secas Médias seguidas de mesma letra, dentro de cada parâmetro estudado, minúscula
de plantas foram de 5,27 g planta-1 e 6,23 g planta-1, na coluna e maiúscula na linha, não diferem entre si a 5%, pelo teste Tukey.
respectivamente em 2011 e 2012, demonstrando, por-
tanto, um bom desenvolvimento vegetativo em 2012.
Quanto ao número de vagens por planta, não Importante componente produtivo na cultura
houve diferença significativa entre os tratamentos, do feijão, a massa média de 100 grãos não foi in-
nos dois anos de cultivo (Tabelas 5 e 6). Araújo fluenciada pelos tratamentos, nos dois anos de estudo
(2008), avaliando cultivares, obteve 15,57 vagens (Tabelas 5 e 6). Segundo Carbonell et al. (2008), a
por planta, para a IAC-Tunã. Médias menores para massa de 100 grãos da cultivar IAC-Alvorada, obtida
essa característica foram relatadas por Carvalho & em sistema convencional, é de 27,5 g, sendo igual
Wanderley (2007), que obtiveram 6 vagens por plan- à massa média do presente trabalho. Assim, nota-se
ta, para a cultivar Aporé, em cultivo orgânico. Vale que a massa de 100 grãos, provavelmente, é uma
ressaltar que, no presente experimento, o número característica intrínseca da cultivar, não apresentando
de vagens por planta foi muito variável nos anos de influência do sistema de cultivo.
cultivo 2011 e 2012, apresentando média de 11,54 e A produtividade de grãos não foi influenciada
6,57 vagens por planta, respectivamente. pelas doses, método e época de aplicação do fertili-
Para os números de grãos por planta e de grãos zante, no cultivo em 2011 (Tabela 5). No entanto, em
por vagem, não houve diferença significativa entre 2012, o aumento nas doses do fertilizante orgânico
os tratamentos, no ano de cultivo 2011 (Tabela 5). proporcionou aumento significativo na produtividade
No entanto, no ano de cultivo 2012, houve interações (Figura 2b) e os dados foram ajustados à equação
significativas para grãos por planta, entre época de linear Y = 552,7 + 0,1536x (R2 = 0,72). O aumento
aplicação e método de aplicação (Tabela 7). linear na produtividade indica que a maior dose
Quanto ao método de aplicação do composto (2.500 kg ha-1) não foi suficiente para atingir um
orgânico, Souza & Borel (1996) não encontraram ponto máximo de produtividade.
diferenças entre a incorporação, aplicação superficial Scherer & Bartz (1984) referem-se ao emprego
e na linha de semeadura. Observou-se que a aplicação de 6,5 t ha-1 de esterco de aves, em solo corrigido
do fertilizante orgânico na semeadura a lanço pro- com calcário, para a obtenção de altos rendimentos
porcionou maior número de grãos por planta (23,87). na cultura do feijão. A dose de composto orgânico
Para o número de grãos por vagem, houve interações já decomposto para o feijão, sugerida por Penteado
significativas entre época de aplicação e método (2007), é de 10 t ha-1. Entretanto, de acordo com Fi-
de aplicação (Tabela 7). A aplicação de fertilizante gueiredo et al. (2012), adubos orgânicos, em doses
orgânico na semeadura a lanço proporcionou maior muito elevadas, tornam-se prejudiciais às culturas, o
número de grãos por vagem (2,43). que vai depender de sua composição química, taxa
Em sistema convencional, Arf et al. (2011) de mineralização e teor de nitrogênio.
verificaram número médio de 4,13 grãos por vagem, O feijoeiro alcançou maiores produtividades
na cultivar Pérola. Silva & Silveira (2000) também no primeiro ano, quando comparado ao segundo
relatam produção maior (cerca de 5,05 grãos por ano de cultivo. Esse fato pode ser explicado pelas
vagem), na cultivar Aporé. condições climáticas desfavoráveis no ano de 2012.

e-ISSN 1983-4063 - [Link]/pat - Pesq. Agropec. Trop., Goiânia, v. 45, n. 1, p. 29-38, jan./mar. 2015
Manejo da adubação na cultura do feijão em sistema de produção orgânico 37

Silva & Ribeiro (2009) relatam que a pro- Fundamentos para uma agricultura sustentável, com
dutividade de grãos de feijoeiro é bastante afetada ênfase na cultura do feijoeiro. Santo Antônio de Goiás:
quando a temperatura do ar, na floração, apresenta Embrapa Arroz e Feijão, 2009. p. 23-33.
valores acima de 35 ºC e abaixo de 12 ºC, provocando ALVES, E. U. et al. Produção de sementes de feijão-
abortamento de flores. Verificou-se, na plena floração vagem em função de fontes e doses de matéria orgânica.
do feijoeiro (09/08/2012), temperaturas máximas de Horticultura Brasileira, Brasília, DF, v. 18, n. 3, p. 215-
32,1 ºC e mínimas de 13,7 ºC, sendo muito próximas 221, 2000.
do limite e podendo ter influenciado negativamente AMBROSANO, E. J.; WUTKE, E. B.; BULISANI, E. A.
os componentes de produção e produtividade. Leguminosas e oleaginosas. In: RAIJ, B. V. et al. (Eds.).
Araújo (2008) obteve produtividade média Recomendações de adubação e calagem para o Estado
de 3.655 kg ha-1, em sistema orgânico de produção de São Paulo. 2. ed. Campinas: IAC, 1996. p. 187-203.
do feijoeiro. Isso foi possível devido a algumas con- ARAÚJO, J. C. Avaliação de cultivares de feijão
dições, dentre elas a temperatura média, que ficou (Phaseolus vulgaris L.) para o sistema orgânico de
em torno de 20-21 ºC, sendo altamente favorável ao produção. 2008. 83 f. Dissertação (Mestrado em
desenvolvimento vegetativo e reprodutivo. Didonet Agronomia) - Escola Superior de Agricultura “Luiz de
(2005) cita que, além do genótipo, a produtividade é Queiroz”, Universidade de São Paulo, Piracicaba, 2008.
fortemente dependente das condições de ambiente e ARF, M. V. et al. Fontes e épocas de aplicação de
fatores de manejo, portanto, as condições climáticas nitrogênio em feijoeiro de inverno sob sistema plantio
do presente experimento influenciaram essa variável direto. Pesquisa Agropecuária Tropical, Goiânia, v. 41,
negativamente, no ano de cultivo 2012. n. 3, p. 430-438, 2011.
Com base nos resultados constatados, verifica- CARBONELL, S. A. M. et al. IAC-Alvorada and IAC-
-se que a utilização de resíduos de frigorífico como Diplomata: new common bean cultivars. Crop Breeding
fertilizante orgânico, na produção orgânica de feijo- and Applied Biotechnology, Viçosa, v. 8, n. 2, p. 163-166,
eiro comum, pode proporcionar incrementos signi- 2008.
ficativos na produtividade da cultura até a dose de CARVALHO, W. P.; WANDERLEY, A. L. Avaliação de
2.500 kg ha-1, no entanto, doses superiores devem ser cultivares de feijão (Phaseolus vulgaris) para o plantio
avaliadas para a determinação do ponto de máxima em sistema orgânico no Distrito Federal. Ciência e
produtividade do feijoeiro orgânico. Agrotecnologia, Lavras, v. 31, n. 3, p. 605-611, 2007.
CAVALCANTE, S. N. et al. Comportamento da produção
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em função de diferentes dosagens e concentrações de
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30 dias antes ou no dia da semeadura, não afeta CENTRO INTEGRADO DE INFORMAÇÕES
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