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Presente Surpresa de Aniversário em Busan

Rigger Bdsm

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jessica kelly
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37| Rigger

🔥🔥
Após acabarmos com diversas latinhas de cerveja, eu percebi que Seokjin não era um
bêbado tão terrível; meu melhor amigo permaneceu bastante consciente, guardando os
sentimentos atrás da mesma fachada bem-humorada de sempre em sua face. Ele sequer
olhou diferente para Namjoon ao longo da noite.

Se eu não estivesse atento ao jeito como Seokjin pressionava os lábios um no outro, de


tempos em tempos, fitando a parede no canto oposto ao que Namjoon estava, eu nunca
adivinharia que ele estava desconcertado com a proximidade com o outro dominador.

No entanto, se Seokjin queria fingir que estava tudo bem, eu não seria aquele a desmentir
seu teatrinho. Como melhor amigo dele, eu o apoiaria em suas merdas, mesmo que
achasse que ele deveria conversar com Namjoon.

Assim, eu não o olhei até Seokjin falar algo de maneira estridente, chamando a minha
atenção.

— Baunilha! — gritou, sua voz se sobrepondo a conversa dos demais garotos, os quais se
calaram. — Você quer ver o seu presente agora? Você estava todo chato querendo saber o
que era!

Seokjin riu sozinho, bêbado a ponto de achar a própria frase engraçada. Eu ri também, a
latinha vazia em minha mão lembrando-me que eu não estava em um estado melhor.

— Você vai me dizer o que é? — perguntei de maneira animada.

Ao nosso redor, vi Namjoon erguendo a sobrancelha.

— Já? Mas o aniversário do Jimin não é depois de amanhã? — questionou, olhando de


Seokjin para mim. — Quer dizer, já passou da meia-noite, então, na verdade, é amanhã.

— Hum, o gostosão tem razão… — Seokjin levou o dedo até o queixo, como se analisasse
a questão. — Devo esperar até domingo para te mostrar o que é, então?

Uma feição de desespero me tomou.

— Não! Eu já esperei tanto, hyung! Você quer que eu morra de curiosidade?! —


resmunguei, olhando de maneira pidona para ele. — Você prometeu que, se eu não falasse
o nome do Namjoon-hyung até a viagem, você me daria meu presente assim que a gente
chegasse em Busan!

O rosto de Seokjin queimou, seus olhos arregalados pouco antes de se apertarem em uma
feição ameaçadora.
De repente, percebi o que deixei escapar e levei a mão até a boca.

— Quer dizer… Acho que você disse algo diferente… — Tentei me corrigir, rindo amarelo
quando percebi o olhar surpreso de Namjoon. — Você não falou sobre o Namjoon-hyung.
Foi mais algo sobre não aguentar mais me escutar falando da viagem. Eu me confundi
porque estou bêbado. Engraçado, não é? Eu sou meio esquecido.

Seokjin levou a mão até o rosto, trincando os lábios como se quisesse me matar, e Yoongi e
Taehyung seguraram a vontade de rir. Junto de Namjoon, Jungkook abriu a boca em
surpresa, olhando com curiosidade para mim. Obviamente, nenhum deles caiu na minha
desculpa fajuta.

— Baunilha idiota! — Seokjin levantou-se com as mãos para frente, como se fosse me
esganar.

Rindo da minha própria idiotice, escorreguei para trás de Yoongi, usando ele como um
escudo.

— Eu vou jogar seu presente de aniversário no lixo, Park Jimin! — ameaçou, meu ar de riso
sumindo quando entendi o que suas palavras significavam.

— Não, hyung! Por favor. Tudo menos isso! Você sabe que eu amo ganhar coisas!

Seokjin ainda semicerrava os olhos.

— Pois veja.

Saindo do meu campo de visão, ele se afastou de Yoongi e de mim, subindo a escada de
madeira no canto da sala para chegar ao quarto dele. Momentos depois, ele voltou com
uma embalagem relativamente grande em mãos.

— Meu Deus, é enorme! — comentei, espantado, soltando Yoongi para ir até Seokjin, com
um sorriso no rosto que logo se desfez quando vi o olhar vingativo do meu amigo.

— Deveria ter pensado nisso antes de ser um bocudo que espalha segredos. Agora isso
aqui vai pro lixo.

Seokjin se dirigiu até o lado de fora da casa com a sacola em mãos e eu o segui
desesperado.

Os outros garotos, ignorando nosso drama, apenas continuaram a beber na sala, rindo da
situação. Namjoon, pelo que observei rapidamente, era o único mais reflexivo após o que
eu deixei escapar há alguns minutos.
— Hyung, por favor! Não joga o meu presente fora! — implorei assim que chegamos perto o
suficiente de um dos baldes de lixo, na parte externa da casa.

Seokjin bufou, virando na minha direção.

— Não vou jogar fora. Só fiz toda essa cena porque queria fugir da sala — disse ele, o que
me fez erguer uma sobrancelha.

— O quê?

Sentindo um alívio tomar conta do meu corpo quando ele afastou a embalagem do lixeiro,
nem me importei quando Seokjin riu.

— Mas bem que você merecia, baunilha. O que você tinha na cabeça para falar aquilo? O
Namjoon já acha que eu estou evitando ele. Agora você deu a ele certeza! — Bufou,
lançando um olhar irritado na minha direção antes de me puxar para longe da casa.

Sem tempo de responder, apenas deixei ele agarrar a minha mão, arrastando-nos até a
praia.

Como eu estava descalço, a sensação areia entre os dedos me arrepiou, pois ela estava
gelada onde meus pés tocaram.

— Desculpa, hyung. Saiu sem eu nem perceber — falei, vendo Seokjin dar de ombros
quando sentamos próximos ao mar, sua mão livre finalmente soltando a minha.

— Tudo bem. Eu sei que você não fez por mal.

O olhar dele ainda estava distante, fitando as ondas suaves se quebrando, a alguns metros
de distância, antes de se arrastarem pela areia da praia.

— Eu só não queria que ele soubesse que está certo tão rápido...

— Sobre você evitá-lo? — perguntei.

— Sim. Namjoon já reparou que eu estou diferente com ele.

Seokjin se calou e eu mordi os lábios, sem saber o que dizer.

Ele deve ter percebido que fiquei preocupado, pois sorriu para me confortar.

— Enfim, deixa isso pra lá. Só não queria olhar pra cara do Namjoon agora. Por isso dei um
jeito de fugir com você. — Seokjin piscou o olho na minha direção. — Quer descobrir o que
eu comprei?

Estendendo-me a sacola que ele segurava, Seokjin me olhou com expectativa.


Respirando fundo, eu balancei a cabeça para os lados em seguida.

— Não precisa me dar nada agora, hyung. Eu sei que eu devo ter estragado a noite pra
você…

Seokjin suspirou.

— Olha, não nego que estaria melhor se o Namjoon não soubesse que eu estou evitando
ele. Mas, não é como se aquele geniozinho não suspeitasse disso antes mesmo de você
abrir a sua boca gostosa. No fundo, ele já sabia.

— Ainda me sinto culpado…

— Não se preocupe, não estou com raiva de você — falou, apertando a minha bochecha
quando viu meu bico frustrado. — Agora deixa de cerimônia, porque eu sei que você só
está fazendo um charminho antes de aceitar. Você ama receber coisas, baunilha. Nasceu
com a alma de um Sugar Baby querendo mimos.

Sem ter como negar, apenas ri de maneira contida antes de pegar a sacola nas mãos de
Seokjin.

Curiosamente, ele parecia empolgado para ver a minha reação.

— Já que você insiste, farei o sacrifício de aceitar esse mimo — brinquei.

No momento em que retirei o presente da sacola laranja, no entanto, reconheci a


embalagem de uma loja famosa de brinquedos em Seul.

— Eu não acredito nisso… — murmurei.

Seokjin admirou meu olhar espantado, divertindo-se.

— Fui até o shopping e, quando vi a vitrine de uma loja de brinquedos, pensei que seria
genial e entrei lá sem pensar duas vezes — explicou.

Surpreso, não consegui nem abrir a embalagem.

Tinha que ser o Seokjin para fazer algo assim!

— Eu disse que estava indo para uma festa infantil e a atendente da loja me perguntou qual
a idade da criança aniversariante — continuou a falar, sorrindo de lado quando disse a parte
que achava mais interessante: — Falei que o pequeno Jimin estava fazendo cinco aninhos
e ela me ajudou a escolher, bebê.

Acabei rindo, levando o que havia ganhado até o meu peito e abraçando.
— Você é ridículo! — falei, mesmo que a ideia me parecesse fofa.

— Não vai abrir? Eu sei bem que o bebê Jimin vai adorar usar isso quando brincar com o
seu Yoongi-hyung.

Sem retrucar o que ele disse, rasguei o papel colorido que cobria o presente, deparando-me
com uma caixa quadrada de plástico. Reconheci imediatamente, no interior da caixa,
bonecos representando personagens de um desenho animado.

— Sério isso? — perguntei, sorrindo largo.

— Pocoyo me lembra Park Jimin. É fofinho que nem você no macacão que o Yoongi te deu
— falou. — Uma imagem de você e do mandão brincando com o Pocoyo e o Pato me veio
até a cabeça e eu achei adorável. Precisei comprar.

Fantasiei o que Seokjin havia dito e me peguei achando a ideia interessante para colocar
em prática em algum momento futuro. Agir que nem criança com Yoongi sempre era a
minha coisa favorita para fazer quando eu estava muito estressado e apenas queria que ele
cuidasse das coisas para mim, como um adulto. De alguma forma, essa havia se tornado a
nossa prática mais especial; Yoongi sempre me confortava tão bem quando me chamava de
bebê.

Encarando o presente em minhas mãos, não consegui conter a minha expressão feliz.
Seokjin realmente me conhecia bem a ponto de me dar algo tão fora do comum, para um
homem de vinte e seis anos de idade. Ele sabia que eu faria bom uso.

— Obrigado, hyung. Eu adorei. De verdade.

— Não é nada, baunilha — disse, tão animado quanto eu ao perceber que eu realmente
gostei do que ganhei. — Na verdade, esse não é a única coisa que você vai ganhar.

— Não é?!

Eu arregalei os olhos.

Seokjin negou, sorrindo de maneira maliciosa antes de soltar algo que capturou meu
interesse:

— A outra coisa é algo que você vai poder usar bastante, mas nos momentos em não está
"pequeno". — Ele fez aspas com o dedo. — Inclusive, é algo que eu pedi permissão ao
mandão para te dar.

— Como assim pediu permissão ao Yoongi? Desde quando você precisa da autorização de
alguém para fazer o que quer? — indaguei, chocado com a nova informação. — Acho que
ficar no mesmo ambiente que o Namjoon-hyung por algumas horas te deixou domesticado
e…

Não tive como completar meu pensamento, pois ganhei um tapa na nuca.

— Isso doeu!

— Foi a intenção. Cale-se, criança ingrata. — Ele revirou os olhos, ignorando minha careta.
— Enfim, é lógico que, ao menos em relação a você, eu preciso pedir a autorização do
mandão. Você é submisso dele e eu respeito isso. Eu e ele somos amigos, sabe? Por mais
que às vezes ele fique emburradinho comigo.

Seokjin piscou o olho pra mim e eu o olhei com interesse.

— Hum… Não gosto de vocês dois planejando coisas sem me contar o que é.

— Não se preocupe, baunilha. Você sabe que nós dois te conhecemos bem e não faríamos
nada que você não gostaria — disse, passando o polegar por minha bochecha. — Você
confia nas decisões do Yoongi para vocês dois, não confia?

Mesmo que estivesse curioso, eu assenti.

— Confio.

— Ótimo. Então você sabe que, se ele concordou com o meu segundo presente, pode ter
certeza que você vai gostar.

Não tendo argumentos contra isso, não contestei o que ele falou.

— E quando exatamente você pretende me dar esse tal presente? — perguntei, deitando a
cabeça no ombro de Seokjin.

Uma onda quebrou e a água do mar veio até nós, molhando nossos pés sobre a areia para
depois descer, deixando um rastro úmido na orla. Eu me encolhi, abraçando meu corpo com
o frio que isso me provocou.

— No domingo? — insisti na questão, vendo de esguelha Seokjin envolver as pernas com


os braços. Ele também parecia afetado com o clima gelado.

— Talvez amanhã. Isso se você for um bom dongsaeng para mim e ficar de bico fechado na
frente do Namjoon — impôs a condição.

— Não pode ser hoje à noite? — pedi, inclinando a cabeça para a apoiar no colo de Seokjin.

Ele riu do meu jeito carente.


— Você nunca está satisfeito, não é? Interesseiro sanguessuga do caralho.

— Não diga essas coisas do seu dongsaeng, hyung — reclamei. — Eu só estou tentando
usar meu poder de persuasão contra Vossa Senhoria.

— Guarde seu charme para o Yoongi. Não vai funcionar comigo — disse, o que apenas me
motivou mais.

Determinado, retirei as mãos de Seokjin das pernas dele, abrindo um caminho para que eu
pudesse me aconchegar nos braços dele. Lançando-o meu olhar mais inocente e fofo, eu
sorri.

— Caralho, baunilha. Vai se foder, porra. Vai se foder você e esse seu olhar de cachorrinho
abandonado!

— O Yoongi fala que eu sou o cachorrinho dele. Posso muito bem usar isso ao meu favor
para conquistar as pessoas — falei, rindo quando Seokjin lutou para se soltar de mim e eu
quase caí, apoiando-me de última hora com as mãos na areia.

— Continua não adiantando, mesmo que eu ache fofo de uma maneira irritante — retrucou.
— A verdade é que eu bebi muito essa noite e minhas pernas estão bambas. Eu quase não
consegui subir a escada para pegar seu Pocoyo! Se eu for subir até meu quarto de novo e
descer, vou acabar caindo.

Assim que ele admitiu o real motivo para não ceder ao meu pedido, nós dois começamos a
rir juntos. Dessa vez, quando fui me inclinando por cima dele, de tanto que gargalhava,
Seokjin não me afastou.

O único som ao nosso redor era o barulho que o mar fazia e, à medida que nosso riso
diminuía, eu fui focando nesse som, fitando o desenho que as ondas faziam na areia
molhada.

Olhando para a água, eu só despertei quando senti meu celular vibrar no bolso.

Yoongi 🔥🧡
Tudo bem com o Seokjin?
[12/10 às 02:34]

— O que você está lendo aí? — perguntou o homem ao meu lado, tentando espiar o que eu
estava lendo, mas eu não deixei.

— Espera um pouco, seu intrometido!

Yoongi 🔥🧡
🤣🤣
Namjoon está olhando para a porta a cada dois segundos. Aposto que está pensando no
Seokjin
[12/10 às 02:34]

Você está rindo da desgraça alheia? Que cruel, lindo😳


[12/10 às 02:34]

🔥🧡
🤭
Yoongi
Estou apenas me vingando de todas as vezes que seu amiguinho riu de nós dois
[12/10 às 02:35]

Você é mau
[12/10 às 02:35]

Yoongi 🔥🧡
Às vezes. Mas eu tenho certeza que esses dois estão loucos pelo outro e é questão de
tempo até se resolverem
[12/10 às 02:35]

Agora dá um jeito de voltar para casa. Eu consigo ver daqui você tremendo de frio por estar
aí fora, meu bem
[12/10 às 02:35]

Sim, senhor
[12/10 às 02:36]

Mas posso pedir uma coisa antes?


[12/10 às 02:36]

🤡
Você poderia distrair o Namjoon? Eu vou entrar correndo com o Seokjin-hyung. Aquele
cagão não vai querer voltar pra casa se souber que o Namjoon está pensando nele
[12/10 às 02:36]

Yoongi 🔥🧡
Okay
[12/10 às 02:37]

Com um sorriso satisfeito, guardei meu celular.

— Preparado para correr, hyung? — perguntei, passando a mão cheia de areia pela parte
de trás da minha calça, assim que levantei.

— Como assim "correr"?

Seokjin não teve muito tempo para entender sobre o que eu estava falando, pois eu o puxei
pela mão, segurando meu presente contra o peito com o outro braço.
Quase tropeçando na areia fofa, nós nos apoiamos um no outro enquanto corríamos até
varanda da casa. Vendo que o caminho estava livre, nós nos separamos e Seokjin foi de
maneira desengonçada para o quarto dele.

Soltando um suspiro ao desviar o olhar do andar de cima, fui até o sofá onde Yoongi estava
sentado junto com Jungkook e Namjoon, conversando com os dois como eu havia pedido.
Relativamente perto dos três, Taehyung estava em uma poltrona, dormindo de boca aberta,
já alheio a tudo.

Aproximando-me do meu namorado pela parte de trás do sofá, coloquei o que ganhei de
lado para tocar o ombro de Yoongi.

— Ah, você voltou — disse Namjoon, reparando que eu estava sozinho.

— Sim, lá fora é bem frio durante a madrugada — falei, não deixando passar o olhar
levemente intrigado dele com a fuga de Seokjin. — Se eu ficasse mais alguns minutos iria
congelar.

Escutando a minha reclamação, Yoongi segurou as minhas mãos entre as suas palmas,
esquentando-as. Foi tão inconsciente, mas eu gostava de notar como ele era sempre atento
às minhas necessidades.

— Já está tarde — considerou Namjoon, após algum tempo. — Eu vou dormir. Kook, você
vem?

Jungkook sorriu para Namjoon antes de assentir. No entanto, eu vi como o olhar dele foi até
Taehyung, ainda largado do outro lado da sala, quase babando enquanto dormia na
poltrona.

— Sim. Só vou colocar o Taehyung no quarto dele antes. Ele vai acordar com dor nas
costas se dormir nessa posição — disse, abaixando o rosto de maneira tímida quando
percebeu que todos olhamos na sua direção.

Assim que Namjoon concordou, Jungkook foi até a poltrona de Taehyung, passando os
braços por baixo dos joelhos e das costas dele, antes de enfim o carregar. Taehyung
murmurou algo em meio ao sono, mas não acordou, agarrando-se na roupa de Jungkook.

Foi uma visão engraçada, pois, apesar de ser um um submisso, Jungkook era mais forte
fisicamente do que a maioria de nós, o que apenas provava que estereótipos de aparência
não querem dizer nada na prática. Isso ficou ainda mais evidente vendo Jungkook subir a
escada com Taehyung nos braços, como se o homem desacordado não pesasse nada.
Namjoon o seguiu, abrindo a porta do quarto de Taehyung assim que chegaram ao andar de
cima.

Quando enfim fiquei sozinho com Yoongi, ele levantou do sofá.


— Vamos para o nosso quarto também? — indagou, uma expressão de cansaço tomando
seu rosto.

Balancei a cabeça afirmativamente, imitando Yoongi quando ele bocejou, colocando a mão
sobre a boca.

Vendo que ele estava me esperando para subirmos juntos, eu me virei para pegar o meu
presente no chão, sorrindo timidamente quando vi o olhar curioso dele em direção ao
embrulho.

— Seokjin me deu alguns bonequinhos — falei, percebendo que ele estava esperando que
eu o mostrasse. — Quer ver?

Yoongi segurou a sacola laranja quando eu a entreguei a ele.

Retirando a caixa de dentro da embalagem, ele viu exatamente o que eu havia recebido de
aniversário. O rosto de Yoongi se iluminou.

— Seokjin escolheu bem. Você gostou? — perguntou, observando-me assentir. — Podemos


abrir da próxima vez que você quiser que o hyung brinque com você, meu bem.

— Hum… Acho que gosto da ideia — admiti, passando o dedo pela choker nova ao redor
do meu pescoço.

Yoongi continuou segurando o meu brinquedo para mim quando subimos até o nosso
quarto.

Quando já estávamos deitados, no entanto. Eu não dormi imediatamente.

— Hoje já é dia doze, não é? — perguntei, escutando a voz sonolenta de Yoongi murmurar
um "sim" ao meu lado. — Sabe o que eu acabei de perceber?

Aproximando-me de Yoongi para o abraçar, eu sorri, apoiando a bochecha no peito dele.

— Hoje faz seis meses que você perguntou a mim se eu queria ser seu submisso, depois
que eu te vi na Original Sin.

Surpreso, ele levantou o meu rosto, querendo me ver.

— Você se lembra do dia? — perguntou.

— Lembro. Mas é estranho pensar que só faz seis meses que paramos de fugir um do outro
— confessei. — Às vezes eu sinto como se você sempre estivesse aqui. Não lembro mais
como era não querer te namorar.

Deixando um beijo na minha testa, Yoongi me abraçou mais forte.


— Eu também não lembro como era — falou, sussurrando contra o meu cabelo.

🔥🔥
Algumas horas depois, o sol nasceu. No entanto, devido a hora que paramos de beber,
acordamos todos bem depois disso. Assim, já estava de tarde quando nós fomos até a
cozinha na intenção de preparar algo para comer.

Felizmente, todos trouxeram bastante comida e Taehyung se dispôs a fazer um churrasco


com a ajuda de Namjoon e Yoongi. Também empenhados, Jungkook e Seokjin se juntaram
para preparar o tempero que acompanharia o que o restante estava fazendo.

Enquanto isso, eu apenas abria a boca e me deixava ser alimentado por Yoongi sempre que
ele me trazia pedaços de carne dentro de uma folha de alface.

Se eu estou sendo mimado? Talvez.

— Vida boa, hein, baunilha? Todo mundo trabalhando e você aí largado na mesa.

Seokjin se sentou ao meu lado. Logo em seguida, Jungkook fez o mesmo.

Um pouco mais a frente, os outros três homens discutiam sobre o melhor jeito de preparar a
nova remessa de carne, Namjoon e Taehyung olhando de maneira séria para a
churrasqueira enquanto Yoongi parecia confuso.

Tentei não me distrair com a visão.

— Pois é. Me sinto o príncipe que nasci para ser — brinquei, reparando em Jungkook
sorrindo de lado com a minha resposta para Seokjin. — Podem continuar servindo o
aniversariante.

— Seu aniversário é só amanhã, palhaço.

— Como um príncipe, nada mais justo do que ter mais de um dia de festa em minha
homenagem. — Sorri ao responder Seokjin. — Além disso, todo mundo aqui sabe que eu
sou uma negação cozinhando.

— Isso é uma verdade.

Reparando em como Jungkook estava atento ao que falávamos, tentei incluí-lo na


conversa.

— Então… Dormiu bem, Jungkook? — questionei, quase batendo na minha própria cabeça
quando ouvi a minha própria frase em voz alta.
É sério que eu falei isso? Era tão ridiculamente óbvio que eu queria puxar assunto…

Por sorte, Jungkook era legal demais para me deixar sem graça, respondendo a minha
pergunta idiota de maneira simpática.

— Sim. O quarto que eu dividi com o Namjoon era bem confortável — falou, sorrindo no
final.

Quase engasgando com o próprio ar que eu respirava, olhei para Seokjin de maneira
preocupada, culpando-me por dentro por levar o assunto por esse caminho sem nem
perceber.

Merda, eu sou muito otário mesmo.

— Isso é bom — falou Seokjin, o que me aliviou, pois ele não parecia chateado quando
olhou para Jungkook.

Pelo contrário, Seokjin parecia bem tranquilo em relação ao arranjo das coisas, mesmo que
o rapaz ao seu lado fosse submisso do homem pelo qual meu amigo estava apaixonado.

Vendo os dois interagindo, ao engatar outro assunto, admirei ainda mais meu hyung.
Seokjin poderia ser o que for, mas ele não era ciumento e isso ficava óbvio ao observar a
forma como ele era capaz de sorrir de maneira genuína para Jungkook.

Porém, mesmo que Seokjin tentasse passar uma imagem indiferente, eu percebi ele
suspirando quando o restante do pessoal se juntou a nós. Lançando olhares discretos para
o lugar onde Namjoon se sentou, Seokjin assumiu uma feição pensativa.

Nesse instante, eu entendi o que estava se passando pela cabeça dele. O que o
incomodava não era o fato de Namjoon se envolver com outras pessoas, até porque o
próprio Seokjin gostava de ser livre nesse sentido. O verdadeiro problema, que tanto o
inquietava, era não saber o que Namjoon e ele significam um para o outro.

Conhecendo Seokjin, imaginei o quão assustado ele deve estar, pensando que fugir de uma
conversa com o outro dominador pode evitar definir essa situação por mais tempo, apenas
para não enfrentar a realidade de colocar um rótulo entre eles.

Chegando a essa conclusão, tomei a decisão de abrir os olhos de Seokjin. E foi isso que fiz
no momento em que todos terminaram de comer e eu fiquei encarregado de lavar os pratos
do churrasco.

Assim que todos menos Seokjin foram para a sala, notei que ele estava distraído e decidi
seguir o seu olhar. O que encontrei no outro cômodo não me surpreendeu: Namjoon e
Jungkook sorriam, enquanto conversavam, e estavam sentados bem perto um do outro.
Voltando a fitar meu melhor amigo, segurei o rosto dele e forcei Seokjin a virar a cabeça
para mim. Ele ainda demorou alguns segundos antes de desviar o olhar da cena na sala e
me olhar nos olhos.

— Você precisa conversar com o Namjoon e resolver essa coisa entre vocês dois — falei,
puxando-o para dentro da cozinha a fim de começar o meu trabalho. — Eu tô falando sério.
Eu estou te ajudando a fugir dele porque eu vou te apoiar no que você decidir, mas eu ainda
acho que vocês precisam conversar.

— Hum… — murmurou, não muito satisfeito com o que escutava.

Começando a lavar a louça, eu revirei os olhos.

— Não seja tão monossílabo. Você sabe que eu estou certo — continuei.

— Preferia quando eu era o sensato da nossa amizade.

Acabei rindo de sua resposta mal-humorada.

— Você ainda é o sensato da nossa amizade. E é por isso que vai reconhecer que eu tenho
razão e vai até o seu gostosão para abrir o jogo com ele — sugeri.

— Certo. Eu serei um adulto responsável e vou falar com o gostosão — concordou, ainda
que a contragosto. — Satisfeito?

— Você não imagina o quanto.

Não muito tempo depois, Seokjin fez uma careta assim que notou como eu molhava a
minha própria roupa à medida que lavava os pratos.

— Desastrado. Deixa que eu faço isso enquanto você seca os pratos, baunilha. — Ele jogou
um paninho na minha direção, assumindo o meu lugar em frente a pia. — O que eu não
faço pelo aniversário do príncipe Jimin?

Sorri, gostando do que ouvia.

— Você reclama que eu sou mimado, mas você é um dos que mais me estraga — falei,
começando a empilhar os pratos que secava.

— Calado.

— Só o Yoongi pode me calar, seu bobão.

Arqueando a sobrancelha com o que eu disse, Seokjin sorriu com malícia.


Tentando fazer o que ainda restava mais rápido, lutei para não cair na distração de ficar
conversando quando Seokjin passou a lavar os copos. Felizmente, como estávamos em
dois, não demoramos muito, indo para a sala ficar com os outros no final.

Sentei no chão da sala, apoiando as costas na poltrona onde Yoongi estava sentado, e
Seokjin ficou ao meu lado, nós dois de frente para o sofá onde Namjoon e Jungkook
estavam. Taehyung, que até então estava de pé, conversando com Yoongi, também se
sentou no chão.

— Então, já que todos aqui se conhecem, eu vou deixar de cerimônia e aproveitar a


oportunidade para perguntar algo. — Seokjin aumentou a voz, ajeitando-se em seu lugar
logo após se pronunciar. — Mandão, quando que você vai gravar mais vídeos? Eu sei que
você está ocupado com o livro novo, mas, como alguém que acompanha seu canal há
algum tempo, eu já estou em abstinência.

Acabei rindo da cara de pau do meu melhor amigo antes de olhar para trás, em direção a
Yoongi.

— Bom… É verdade que eu não gravo nada tem algum tempo… — falou, pensativo. — Eu
apenas não tive oportunidade.

Taehyung também olhou com interesse para o meu namorado.

— Às vezes eu esqueço que o Yoongi ficou famosinho. É louco pensar isso porque, quando
morávamos juntos, ele era tão introvertido — disse, sorrindo no final. — Mas aí ele
descobriu esse lado exibido dele.

— Mas eu nunca gravei nada pesado para o meu canal. Ele é puramente educativo —
murmurou Yoongi, meio sem graça por ser o centro das atenções. — O máximo que tem lá,
fora alguns vídeos explicativos, são umas cenas simples que faço quando visito alguma
casa fetichista ou dou alguma palestra.

— Ah, sim. É bem educativo, realmente — considerou Seokjin. — O não impede você de
ser exibido e o baunilha de ficar de…

— Seokjin-hyung! — Eu o interrompi antes que ele falasse algo embaraçoso, como eu ficar
excitado apenas de ouvir a voz de Yoongi, antes mesmo de namorar com ele.

— Certo, não vou falar nada — disse, piscando o olho na minha direção. — Mas então,
mandão, ainda vai gravar vídeos com outros submissos, como você fazia antes? Acho que
você não posta nada desde que começou a sair com o Jimin.

Antes que Yoongi respondesse, eu me meti.

— Pense bem antes de responder. Eu já disse antes e repito: não quero nenhum irmão de
coleira.
Yoongi riu quando eu apontei o dedo para ele.

— Você é tão bobo, meu bem. Eu já te falei que não cruzo certos limites com as pessoas
com que trabalho ou que fotografo para os meus livros. Você continua sendo a única
pessoa que vai possuir uma coleira dada por mim.

Gostando de sua resposta, eu desfiz minha pose ameaçadora.

— Tudo bem. Eu acredito em você.

Yoongi desviou o olhar do meu antes de acrescentar outra coisa:

— Além disso, como o meu canal é um projeto pessoal que vai além dos meus livros e
cursos, é algo que eu faço por puro prazer. Não tenho vontade de gravar com outros
submissos.

Seokjin olhou para Yoongi de maneira admirada.

— Você é tão monogâmico. Eu morreria no seu lugar, mandão — falou, zombando do


sorrisinho de Yoongi para mim.

— O Yoongi não se importa. Ele me ama porque eu sou o melhor sub que ele poderia ter,
não é?

— Na verdade, você é o melhor sub que ele poderia ter porque ele te ama, e não o contrário
— brincou Seokjin.

— Na verdade, até que faz sentido. O Yoongi te admira há tanto tempo que acabaria
apaixonado por você de todo jeito, Jimin. — Dessa vez, Taehyung tomou a palavra,
provocando risadas em todos nós.

Yoongi desviou o olhar, para que eu não visse seu rosto envergonhado.

— Exagerado — reclamou meu dominador, mas sem desmentir Taehyung totalmente. —


Enfim, sobre o meu próximo vídeo, estou pensando em fazer algo mais específico sobre
shibari. Vocês sabem que eu não escondo meu lado rigger.

— Com mais específico você quer dizer… — Namjoon esperou Yoongi completar sua frase,
o que não demorou a acontecer.

— Eu já fiz um vídeo comparando alguns tipos de corda com os que eu mais gosto de usar,
então pensei em fazer algo mais prático dessa vez. Talvez mostrar como fazer alguns tipos
de nós, algo assim.
Achando interessante o assunto, eu me virei totalmente para trás, a fim de olhar para
Yoongi.

— Acho uma boa ideia, lindo. Você é muito habilidoso com a corda e eu tenho certeza que
muita gente tem curiosidade sobre como amarrar alguém da maneira certa — elogiei. — Na
verdade, até eu tenho curiosidade e quero entender mais sobre isso.

Vendo Yoongi levantar a sobrancelha, eu arregalei os olhos.

Percebi que minha frase poderia soar estranha, principalmente após a minha tentativa
fracassada de imobilizar Yoongi, na noite anterior.

— Quer dizer… — Tossi, tentando melhorar o que eu disse. — Eu quero aprender. Mas é
lógico que eu não iria amarrar ninguém contra a vontade da pessoa, que isso fique bem
claro.

Sorri amarelo no final e percebi que todos, exceto Yoongi, ficaram intrigados com o que eu
disse, alheios ao que havia acontecido entre meu dominador e eu há algumas horas.

— Não tem problema. Eu posso te ensinar como fazer, meu bem. Contanto que eu esteja te
guiando, está tudo bem — disse, o que me aliviou um pouco. — Por que você não sobe e
coloca algo mais comprido? Uma calça seria bom para não machucar a sua perna enquanto
eu treino com você.

— Você trouxe corda? — Namjoon olhou para Yoongi, repentinamente mais empolgado com
a notícia.

— Você realmente acha que, com seis praticantes de bdsm dividindo a mesma casa por um
final de semana inteiro, ele não traria corda? — Seokjin achou graça da pergunta. — Eu já
estou pronto pra putaria!

Namjoon riu do que Seokjin disse e eu fiquei aliviado que, mesmo que ainda estivessem em
uma situação indefinida um com o outro, eles ainda podiam se dar bem.

— Não seja ridículo, Seokjin-hyung. — Dei um tapa no braço dele, por mais que eu
estivesse igualmente empolgado. — Isso vai ser totalmente inocente.

Fazendo o meu máximo para ser rápido, fui até o quarto trocar de roupa enquanto Yoongi
foi até a mala do carro para pegar o que precisaríamos. Assim que voltei para a sala, no
entanto, ele já estava lá, esperando por mim.

Ao nosso redor, os outros rapazes nos observaram com atenção, esperando Yoongi me
mostrar o básico. Reparei que ele deixou uma tesoura relativamente perto, para o caso de
alguma emergência, mas não me atentei muito a isso, voltando o meu olhar para o que ele
tinha em mãos.
— Normalmente eu uso cordas de juta, mas preferi pegar uma simples de algodão para
você treinar. Como vamos demorar um pouco, acho que é a melhor escolha para não ferir a
pele e eu já reparei que você gosta da textura macia sempre que eu uso em você —
explicou, piscando o olho para mim. — Você pode sentar.

Assentindo, fiz como ele disse. Yoongi me deu a corda que ele segurava e eu a observei de
perto, passando os dedos pelo material compacto, enrolado de forma que tornasse mais
fácil ser transportado.

— Você já deve ter reparado que, na hora de guardar a corda, eu sempre a arrumo de um
jeito que o meio da corda fique visível — disse, passando o dedo pela argola de corda presa
entre as voltas do próprio material. — É uma preferência minha porque facilita saber por
onde eu vou começar quando soltar a corda, já que eu costumo começar a amarração com
essa parte. É prático.

Dizendo isso, Yoongi pegou o objeto de mim e desfez o arranjo das tiras, deixando a corda
cair no chão, desenrolando-se com um barulho suave e agradável.

Entre os dedos, Yoongi ainda segurava o meio da corda, e eu o olhei com admiração
quando ele me mostrou a facilidade com que ele soltou o quanto queria da corda.

— Entendeu? Desse jeito a parte que você quer trabalhar já fica pronta para ser usada… —
Yoongi a enrolou mais uma vez, depois a entregando para mim. — Tente você agora.

Tentando seguir o que ele disse, fiz como Yoongi orientou, sorrindo quando desfiz a
amarração da corda e a estiquei; segurando o meio de maneira a qual ele ainda assumisse
o formato de argola, para que se tornasse possível puxar por ali as duas tiras partindo dele,
as quais seriam utilizadas.

— Isso. — Yoongi sorriu. — Depois eu te ensino como guardar a corda desse jeito, se você
quiser. Por enquanto, você quer treinar alguns nós simples?

Feliz por estar aprendendo algo novo, eu balancei a cabeça para cima e para baixo.

— Coloque a sua perna por cima de mim — pediu.

Assim que segurou meu pé, Yoongi pegou a corda na minha mão e começou a me mostrar
alguns nós, amarrando a minha perna em seguida. Quando viu que eu havia entendido o
que ele fez, ele me deixou tentar, atento às minhas perguntas.

— Não deixe tão apertado — disse, no momento em que tentei fazer um nó de coluna
dupla, unindo as minhas duas pernas. Yoongi enfiou o indicador entre as tiras de corda e
meus tornozelos, afrouxando um pouco a minha amarração. — Você não quer perder a sua
perna sem circulação, então deixe a folga de um dedo.
Balançando a cabeça em concordância, tentei fazer novamente, bufando quando vi que,
dessa vez, ficou tão folgado que os nós não pareciam firmes.

— Isso é difícil! — resmunguei, cheio de chateação. — Por que parece tão fácil quando
você faz?!

Meu dominador ainda teve a pachorra de rir do meu aborrecimento.

— Eu quero que fique bonito… — choraminguei. — Como eu faço pra ficar bonito, Yoongi?

Desfazendo a bagunça que eu fiz, Yoongi me deu o meio da corda mais uma vez.

— Tente de novo. Em algum momento vai melhorar — disse e eu tentei não fazer uma
careta. Obviamente, falhei. — Sem essa cara chateada, meu bem. Você acha que eu
aprendi tudo de uma hora pra outra?

— Não… — Dei de ombros. — Mas é difícil.

Percebendo que eu estava frustrado, Yoongi se ajeitou no sofá, colocando as pernas para
cima do mesmo jeito que eu.

— Tente em mim dessa vez. Vai ser mais fácil do que fazer em você mesmo — falou,
tentando me incentivar.

Admirado, eu arregalei os olhos.

— Mesmo? Eu achei que você não gostasse de ser amarrado…

— Tudo bem. — Yoongi não deu muita importância ao que propôs. — O importante é que
eu tenho a mão livre. Pode tentar fazer a coluna dupla nas minhas pernas.

Animado com o que ele disse, esforcei-me para fazer algo mais decente dessa vez, sorrindo
satisfeito quando notei que era realmente mais fácil fazer isso em outra pessoa do que em
si mesmo.

— Ficou bom? — perguntei, passando o dedo por dentro da corda para conferir o quão
restrito ele estava com as tiras. — Acho que não ficou muito folgado nem muito apertado.

— Ficou ótimo, meu bem — elogiou. — É importante que você treine bem, porque esse nó
é bem útil para unir duas coisas. Nesse caso, foram as minhas pernas, mas você poderia
fazer isso com a perna e o braço, os dois braços, ou até mesmo um membro do corpo e um
objeto, como a perna de uma cadeira, caso queira prender a pessoa que está amarrando.
Enfim, pode usar a criatividade.

Considerando as possibilidades, eu me senti feliz por estar indo bem, admirando Yoongi
levar as mãos até a corda em sua perna e desfazer o nó que eu havia feito.
No entanto, eu nem tive tempo de me sentir convencido, porque logo o som de risadinhas
se fez presente e eu olhei para a parte da sala onde os outros estavam.

Seokjin nem disfarçava o quanto achava a situação engraçada e a risada escandalosa dele
acabou provocando risos em Namjoon e Taehyung também.

— Que meigo. O baunilha parece até um cachorrinho aprendendo um truque novo. Só falta
abanar o rabinho — zombou Seokjin e eu estirei a língua para ele antes de voltar a atenção
para Yoongi, que se ajeitou melhor no sofá assim que teve as pernas livres. — Tão lindo o
Rope Bunny do mandão querendo ser Rigger.

— Eu acho legal. Acho que o Jimin seria um bom Rigger — disse Jungkook, o que provocou
espanto em boa parte de nós e fez Seokjin parar de rir.

Quando percebeu que todos estavam olhando na direção dele, Jungkook encolheu os
ombros.

— Hum… Eu já tinha reparado nisso antes — continuou, quando percebeu que nós ficamos
em silêncio para que ele falasse. — Não é sempre, mas, às vezes, o Jimin tem um olhar
diferente. É meio intimidador; mas, ao mesmo tempo, passa a ideia de que você pode
confiar nele. — Assim que me olhou, Jungkook percebeu que eu o encarava, o que o fez
desviar o olhar, sem graça. — Ninguém nunca sentiu isso?

— Ah, então é por isso que você nunca me olha nos olhos! — exclamei, lembrando do que
eu já havia reparado sobre Jungkook faz meses, apesar de não entender o que isso
significava até esse momento. — Você me acha dominante?

— Eu te vejo como alguém que passa a ideia de segurança — respondeu, apertando os


próprios dedos com vergonha. — Por isso acho que você seria um bom Rigger. É como eu
disse, às vezes você tem um olhar bem dominante, como se fosse capaz de cuidar bem de
um sub. Até me surpreendi quando soube que você era sub do Yoongi.

Apesar de eu ter ficado surpreso com a declaração, algumas pessoas não ficaram.
Taehyung, por exemplo, apenas olhou para Jungkook como se já soubesse de tudo que ele
falava.

Lembrei do que Yoongi havia dito sobre Taehyung falar com Jungkook pela internet, na
época em que o Jungkook ainda estava fora da Coreia, e me perguntei se essa era a razão.

— Mas então, quando eu vi o Jimin e o Yoongi juntos, eu entendi que eles combinam —
falou, dando seguimento ao seu pensamento. — O Yoongi também tem essa coisa de fazer
você se sentir seguro e o Jimin muda quando está do lado dele. Hum… talvez mudar não
seja a palavra certa. — Jungkook pareceu pensativo antes de concluir: — A impressão que
eu tenho é que o Yoongi desperta algo no Jimin que o deixa diferente. Por isso que eu disse
que não é sempre que eu vejo um olhar mais intimidador no Jimin. Quando ele está com o
Yoongi, ele fica suave, eu não sei explicar.

— Nisso você tem razão. Eu me lembro quando o Jimin ficou confuso com o que sentia com
o Yoongi e me ligou desesperado, falando que ficava estranhamente "permissivo" na
presença do mandão — disse Seokjin, entrando na conversa. — Se ele soubesse desde o
início o que isso significava teria poupado bastante dor de cabeça.

Intrigado com a análise de outra pessoa sobre mim mesmo, eu olhei para o meu namorado.

É verdade que Yoongi trazia um lado mais submisso meu, que por muitos anos eu não
sabia nem que existia. Ao mesmo tempo, como próprio Jungkook já reparou, eu possuía um
lado mais cheio de mim mesmo, capaz de cuidar de alguém.

Pensando na noite passada, quando tentei fazer Yoongi aceitar que eu o imobilizasse,
percebi que um pouco desse lado havia aparecido e eu o deixei sair do controle, ao ponto
de deixar Yoongi insatisfeito com a minha atitude.

Por termos uma dinâmica fetichista consensual, é óbvio que todas as nossas ações
levavam em consideração o gosto do outro. Então, por mais que eu também quisesse
cuidar do Yoongi às vezes, eu não iria insistir nesse ponto novamente, sem ele me pedir. Eu
respeitava esse limite de Yoongi por saber que, ao menos por enquanto, ter o controle das
coisas o fazia bem. Aliás, não é como se eu me importasse de deixá-lo ter esse controle.

Constatando que Yoongi pareceu preocupado com o que os rapazes falavam, talvez se
recordando do nosso momento confuso na noite anterior, eu me aproximei dele, deixando a
corda de lado para o abraçar.

— Eu nunca me arrependi de aceitar ser seu submisso, sabia? — sussurrei no ouvido dele.

Eu não estava mentindo. Por mais que às vezes eu negasse por pura birra, eu amava ter
Yoongi como meu dominador. Nunca teria escolhido outro, senão ele.

Yoongi retribuiu meu abraço, mas ainda permaneceu calado.

— Sim, realmente. O olhar do Jimin fica bem suave na presença do Yoongi — comentou
Namjoon, lembrando-me que eles ainda estavam lá.

Escondi o rosto no pescoço do meu namorado.

— É porque esse malcriado só se comporta com o Dom dele — Seokjin colocou lenha na
fogueira, mas eu pouco me importei, continuando agarrado em Yoongi.

Meu namorado também não se importou com os comentários alheios e eu senti que Yoongi
estava ficando distante da conversa.
— Meu bem… — chamou, com a boca bem perto do meu ouvido. — Será que podemos
conversar um pouco?

Curioso com o que ele tinha a dizer, eu concordei.

Antes de nos afastarmos, porém, Yoongi lançou um olhar para Taehyung, pedindo para ele
guardar a corda jogada no sofá. Só depois disso seguimos de mãos dadas para a beira da
praia.

Esperei nós dois nos sentarmos antes de perguntar algo.

— Então, sobre o que você queria falar?

Yoongi ainda demorou um pouco a responder.

— Estou me sentindo inseguro agora — confessou, o que me deixou boquiaberto por


alguns segundos, pois eu nunca vi Yoongi admitir algo do tipo tão diretamente.

— Como assim inseguro? Sobre o quê?

— Lembra quando você me disse que sentia ciúmes de mim, mesmo sabendo que era
irracional? — indagou, só prosseguindo assim que me viu assentir. — Então, eu me senti
meio insuficiente agora, mesmo que eu confie na sua palavra, quando diz que me ama.

Pressionando os lábios um no outro, eu olhei para Yoongi, não gostando de o ver tão para
baixo.

— Por que insuficiente? — questionei. — Por causa do que o Jungkook falou?

Yoongi deu de ombros.

— Também. Não é como se fosse uma novidade depois do que aconteceu ontem. Eu me
pergunto se eu te dou tudo o que você tem desejo — admitiu sua insegurança.

— Yoongi… Sobre o que aconteceu ontem, eu sinto muito por ter tentado fazer aquelas
coisas sem antes conversar com você. Nunca quis te deixar desconfortável. Além disso, se
eu pensei em te amarrar, foi porque imaginei que no fundo você gostaria. Eu nunca, nunca
teria prazer em fazer isso sabendo que você não gosta.

Yoongi abraçava as próprias pernas, com o rosto abaixado, mas levantou a cabeça para me
olhar nos olhos.

— Se eu quis tomar iniciativa ontem à noite? Sim, eu quis. Mas, maior do que aquela
vontade que eu tive, é a vontade que eu tenho de te ver bem, gostando do que a gente faz.
E por favor, não é como se eu não gostasse de deixar você comandar tudo, porque nós dois
sabemos que eu adoro ser submisso, seu bebê e seu tudo — reforcei, apenas para
tranquilizá-lo.

Yoongi sorriu e eu aproveitei o momento para o empurrar na areia.

No entanto, antes que ele pudesse reclamar por eu ter sujado as suas costas, eu subi no
colo dele, apoiando as mãos nos seus ombros.

— Eu estou satisfeito com o que temos. Se um dia você pedir para eu fazer algo com você,
ótimo. Vou ficar feliz por que você confiou em mim ao ponto de me deixar ver um lado seu
que eu nunca vi. Se não, eu não poderia me importar menos. E sabe por que?

Yoongi negou com a cabeça.

— Um dia você me disse que não ligava para o quão não experimente eu era no bdsm —
falei e nós dois sorrimos com a lembrança, a boca de Yoongi bem perto da minha quando
encostei a minha testa na dele. — Você disse que tudo isso que fazemos não era
obrigação, e que nós fazíamos por frazer. Você me disse que ficaria comigo mesmo se eu
fosse baunilha…

Respirando fundo, Yoongi continuou me olhando nos olhos.

— Eu também ficaria com você, mesmo que não fizéssemos nada do que fazemos agora.
Então, do mesmo jeito como você falou que eu não preciso fazer tudo que você quer, só pra
te agradar, você também não precisa fazer tudo o que eu quero, só para me agradar. O que
eu sinto quando eu tô com você é tão maior do que tudo isso. Eu não consigo nem explicar,
Yoon.

Concordando, ele levou a mão até a minha nuca.

— Eu sei. Eu sinto o mesmo.

Sem esperar mais, encostei a boca na dele, amassando nossos lábios um do outro daquele
jeito que já estávamos acostumados a fazer tem algum tempo.

Ainda segurando a minha nuca, Yoongi deixou seus dedos passearem entre meus fios de
cabelo, até que nosso beijo terminasse.

— Obrigado, meu bem. Eu precisava ouvir isso.

Dei um selinho em Yoongi e pisquei o olho para ele.

— Sempre que precisar de um beijo para clarear as ideias, é só me procurar — falei. —


Agora diga se eu não sou o melhor sub que você poderia arranjar? Estou me sentindo
obediente hoje.
Yoongi olhou para o lado, como se precisasse pensar um pouco, mas logo riu, levando as
mãos para a minha cintura.

Sem me importar com o quanto nossas roupas ficariam cheias de areia, deixei Yoongi rolar
comigo, até que ele ficasse por cima de mim.

— Sim, você é — falou, colocando o rosto na curva no meu pescoço, o que me provocou
um arrepio quando ele beijou ali. — E eu sempre quero você.

— Ah, lindo. Você é um safado beijando o meu pescoço desse jeito. Todo mundo consegue
ver a gente da sala — mencionei.

Contudo, Yoongi não parou, ainda mantendo as mãos firmes na minha cintura.

— Eles estão conversando entre eles — disse, subindo com seus beijos, até chegar na
minha boca de novo. — Além disso, não é como se você se importasse com plateia.

Deixando Yoongi me beijar de novo, apertei os ombros dele com mais força.

— Aqui não, Yoon. Não consigo me concentrar, porque eu sinto que entrou areia até na
minha cueca e isso arranha de um jeito horrível — murmurei, incomodado com a posição.
— Sou masoquista, mas não a esse ponto. Fantasia de transar na praia não é pra mim.

Yoongi não discordou.

— Você tem razão. É só que eu estou me sentindo carente e não consigo te largar —
confessou.

Sabendo que ele precisava de um momento de carinho após a nossa conversa, fiquei
calado, deixando Yoongi se aconchegar no meu peito.

— Tudo bem lindo. Pode grudar em mim que nem um carrapato, já que eu sou seu
cachorrinho.

Yoongi riu.

— Essa foi a pior analogia que eu já ouvi na vida, meu bem — brincou, mesmo que fizesse
algo bem parecido com o que eu disse, na prática.

Não sei ao certo quanto tempo passamos lá; mas, quando o céu estava ficando escuro,
ainda não queríamos voltar e eu puxei Yoongi em direção ao mar.

— Puta merda. Que água gelada do caralho! — reclamei, arrependido na minha própria
ideia assim que senti a água na altura do joelho, molhando a minha calça.
— Agora precisamos ir até o final — falou, colocando o queixo apoiado no meu ombro logo
que ficou atrás de mim. — Vamos mergulhar ao mesmo tempo?

Tentando não pensar muito na temperatura da água, fui abaixando junto com Yoongi, até
que o nível do mar estivesse em nossos peitos.

Assim que chegamos nesse ponto, Yoongi me abraçou e eu passei as pernas ao redor da
sua cintura.

— Pronto? — perguntei.

Ele balançou a cabeça e eu fechei os olhos, colocando a mão do nariz em seguida.

Yoongi riu da minha preparação, mas não demorou muito para entrar na água totalmente,
sua mão na minha cintura levando-me junto com ele.

Ficamos ali um bom tempo, brincando de jogar água um no outro, decidindo voltar para
casa apenas quando nossos dedos começaram a enrugar.

Quando isso aconteceu, sair da água foi ainda pior do que entrar, pois o vento frio que
passou por nós nos fez tremer da cabeça aos pés.

Tentei desgrudar a camiseta do corpo, mas ela estava tão molhada que parecia quase
fundida na minha pele.

— Quer tomar um banho e se livrar da areia que você disse que entrou na cueca? —
perguntou, achando graça da minha careta. — Ainda quero aproveitar o resto do final de
semana.

— Por favor! — Nunca aceitei tão rápido uma sugestão quanto dessa vez.

Quando passamos pela sala, os rapazes, distraídos com um jogo de tabuleiro, demoraram a
olhar na nossa direção.

Taehyung parecia o mais atento, conhecendo o melhor amigo o suficiente para saber que
Yoongi estava meio cabisbaixo quando pediu para ir comigo até a praia.

No entanto, assim que viu que Yoongi estava melhor, a expressão de Taehyung se aliviou e
ele sorriu para nós dois.

— Decidiram entrar no mar? — perguntou, olhando para a poça de água que se formava
nos meus pés e nos de Yoongi.

Ao escutar a pergunta de Taehyung, Seokjin também reparou em nosso estado, abismado


com o quão molhado estávamos.
— Baunilha, o que diabos houve com o seu cabelo? — perguntou, olhando com desgosto
para o ninho na minha cabeça.

Não duvido que até ali tinha areia.

— Estava apenas dando amor ao meu namorado. Não me importo com o que aconteceu no
processo — respondi, ganhando um olhar bobo de Yoongi. — Vamos tomar um banho.
Daqui a pouco nós voltamos, pessoal.

Logo que nos despedimos, subi com Yoongi pela escada de madeira, ignorando o grito de
reclamação de Seokjin com o rastro de água que deixamos durante o caminho.

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