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ESTUDO 10
A COBIÇA
E SUAS CONSEQUÊNCIAS
1Reis 21.1-16
Do que
vamos falar?
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INTRODUÇÃO
Uma das mais famosas lendas da mitologia grega é a do rei
Midas. Quando Dionísio, o deus do vinho, ofereceu realizar qual-
quer desejo seu como recompensa por sua hospitalidade, Midas
não pensou duas vezes: “Quero que tudo que eu tocar se transfor-
me em ouro!”
No início, Midas se alegrou com seu novo poder. Tocava ár-
vores e elas se transformavam em ouro maciço. Flores do jardim
viravam esculturas douradas. Cada objeto comum se tornava um
tesouro inestimável. Seu palácio logo se tornou o mais esplendo-
roso de todos, brilhando como o próprio sol.
Mas a alegria durou pouco. Quando a fome apertou, e Midas
tentou levar uma uva à boca, ela tornou-se uma pequena esfera
de ouro. O pão virou metal. A água, ouro líquido. O rei estava con-
denado a morrer de fome em meio à sua própria riqueza.
Sua cobiça tirou-lhe a oportunidade de desfrutar das coisas
simples, de sentir o calor de um abraço ou compartilhar uma re-
feição com quem se ama. O desejo do rei, que parecia tão inteli-
gente e bom, tornou-se sua grande maldição.
Quais são os desejos do seu coração e o que eles têm
a ver com a sua relação com Deus?
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TEXTO BÍBLICO
Leia 1Reis 21.1-16
Compreenda o texto
O episódio aconteceu durante o reinado de Acabe, rei de
Israel (cerca de 874–853 a.C.), no Reino do Norte. Nesse tempo,
o povo de Israel havia deixado de adorar o Senhor para seguir
o falso deus Baal. O texto mostra como a cobiça tomou conta do
coração de Acabe, levando a uma série de outros pecados.
v.1 – Nabote, o jezreelita, possuía uma vinha: Em Israel,
a terra era vista como um presente de Deus, dado às famílias
como parte de sua herança na terra prometida (Lv 25.23-28).
O fato de Nabote possuir uma vinha mostra sua fidelidade à
aliança com Deus, pois ele cuidava de uma herança que deveria
permanecer na família.
v.2 – Acabe disse a Nabote: Dê-me a sua vinha: No texto
hebraico, a expressão “dê-me” expressa autoridade ou urgên-
cia, refletindo a disposição do rei de usar seu poder e influên-
cia para conseguir o que quer. Acabe está disposto a ignorar os
mandamentos de Deus e os direitos de Nabote para satisfazer o
seu desejo.
v.2 – se for do seu agrado, darei em dinheiro: A proposta
de Acabe mostra que ele não entendia o significado da proprie-
dade da terra em Israel. Deus é o verdadeiro dono da terra (Lv
25.23), e os israelitas são apenas administradores. Ao oferecer
dinheiro, Acabe trata a terra como se fosse uma mercadoria.
Isso revela uma tentativa de subordinar a Palavra de Deus aos
desejos humanos, mostrando que a cobiça nos faz pensar que
nossa vontade está acima da vontade de Deus.
v.3 – o Senhor Deus me livre de lhe dar a herança de
meus pais: Nabote não recusa a oferta só porque não queria
sair daquela terra, ou por teimosia, mas porque ele era fiel à
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aliança que Deus fez com Israel. Sua recusa é um testemunho
de fé.
v.4 – Acabe voltou para casa aborrecido e indignado: A rea-
ção de Acabe mostra como a cobiça pode afetar a vida de uma
pessoa, gerando frustração. Sua reação mostra que ele não con-
fiava na provisão de Deus nem reconhecia a soberania de Deus
sobre as posses e desejos humanos.
v.7 – Você está governando Israel ou não?: Jezabel, uma
princesa fenícia, ignorava que o rei de Israel era servo de Deus,
chamado a governar em submissão à aliança divina (Dt 17.18-
20). Ela tinha uma visão errada sobre poder e autoridade.
v.10 – que testemunhem contra ele: Jezabel tenta dar uma
aparência de direito ao plano de se apoderar da vinha de Na-
bote. O uso de testemunhas falsas serviria para cumprir as exi-
gências da lei, que pedia pelo menos duas testemunhas para
validar uma acusação (Dt 19.15). A cobiça resultou no pecado
do falso testemunho.
v.13 – o levaram para fora da cidade e o apedrejaram: A
morte de Nabote testemunha que uma pessoa fiel a Deus pode
ter que enfrentar sofrimento e injustiça nas mãos de pessoas
más. Isso aconteceu com Jesus, que também foi levado para
fora de Jerusalém e crucificado sob falsas acusações (Hb 13.12,
Jo 19.16-18).
v.15 – tome posse da vinha: Neste mundo, parece que o
pecado e a maldade vencem os planos de Deus. Cristo, o ver-
dadeiro Herdeiro, também foi entregue à morte por autorida-
des injustas que queriam tomar o Reino para si (Mt 21.33-41).
No entanto, o que parecia ser a vitória do pecado revelou a
vitória de Cristo e confirmou a aliança de Deus com seu povo.
Isso nos lembra que mesmo nos momentos em que o mal pa-
rece vencer, podemos confiar que a Palavra de Deus sempre
prevalecerá.
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Pense sobre o texto
• O que levou Acabe a desejar tanto a vinha de Nabote?
(v.1-2)
• Por que Nabote se recusou a vender ou trocar sua vinha
com Acabe? (v.3)
• Qual foi a reação de Acabe ao não conseguir a vinha e o
que ela revela sobre sua insatisfação com aquilo que já
possuía? (v.4)
• Quais ações de Jezabel e Acabe mostram uma falta de res-
peito pelas leis de Deus? (v.5-15)
• O que acontece quando colocamos nossos desejos acima
da vontade de Deus? (v.1-16)
Leia outras passagens sobre o assunto
• Êxodo 20.17
• Filipenses 4.11-13
• Romanos 3.23-24
Guarde no coração
1 A cobiça: A cobiça acontece quando não estamos satisfei-
tos e planejamos obter o que pertence ou serve outra pes-
soa. Cobiça rapidamente leva a outros pecados, como mentir
e agir de forma injusta. Deus quer que fiquemos contentes
com o que ele nos deu, seja pelo trabalho ou por outros meios
honestos, e evitemos comparar nossa vida com a dos outros.
2 Artimanhas: Deus condena qualquer tentativa de ob-
ter vantagem por meio de mentiras, manipulação ou
meios injustos. Buscar nossos objetivos de forma desones-
ta não apenas prejudica o próximo, mas também destrói
nosso caráter e desonra a Deus.
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3 Servir o próximo: Devemos usar nossos dons e recur-
sos para o bem do próximo, em vez de buscar apenas
os nossos próprios interesses. Ajudar o outro a manter as
bênçãos que ele recebeu de Deus é fruto de uma vida guia-
da pelo Espírito Santo.
4 Pecado revelado: A proibição da cobiça mostra que
ninguém é justo diante de Deus, mesmo que leve uma
vida aparentemente correta. O coração do ser humano é
completamente corrupto e peca por pensamentos, pa-
lavras, ações e omissões. Reconhecer honestamente que
somos pecadores nos prepara para receber o evangelho:
Jesus morreu para nos salvar, e não há mais condenação
para os que confiam nele.
DOUTRINA
Você não deve cobiçar a casa do seu próximo. Que significa
isto? Devemos temer e amar a Deus, de maneira que não procu-
remos adquirir com astúcia a herança ou a casa do próximo, nem
nos apoderemos dela sob a aparência de direito etc. Pelo contrá-
Saiba
rio, devemos servir o próximo e ajudá-lo a manter o que é seu. mais sobre
Livro de Concórdia – Catecismo Menor, Nono Mandamento, o que as
p.388, [17]-[18]. Confissões
Luteranas
dizem sobre
Você não deve cobiçar a mulher do seu próximo, nem o seu isso
empregado, nem a sua empregada, nem o seu gado, nem coisa al-
guma que lhe pertença. Que significa isto? Devemos temer e amar
a Deus, de maneira que não venhamos a seduzir a mulher do pró-
ximo, não lhe tiremos os seus empregados, nem nos apossemos
do seu gado. Pelo contrário, devemos insistir com eles para que
fiquem com ele e cumpram o seu dever.
Livro de Concórdia – Catecismo Menor, Décimo Mandamen-
to, p.388, [19]-[20].
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CONCLUSÃO
Existem pecados que aparentemente são mais fáceis de contro-
lar, mas a cobiça mostra claramente que o coração humano é cor-
rompido, não confia e nem se rende à vontade de Deus. Quando pen-
samos nisso, percebemos que não faz sentido imaginar que alguém
possa viver uma vida santa e conquistar a salvação por si mesmo. Pelo
contrário, todos precisam de um Salvador. A boa notícia do evange-
lho é que fomos resgatados por Jesus, e recebemos o perdão pela fé.
Como filhos de Deus batizados, seremos levados a lutar con-
tra a cobiça e suas consequências. Ser fiel a Deus em um mundo
que exalta a ambição e tolera a desonestidade pode trazer sofri-
mentos injustos, que precisam ser suportados com paciência e fé.
Porém, confiamos na vitória de Cristo sobre o mal e nela encon-
tramos força para o presente e esperança para o futuro, quando
toda cobiça e sua injustiça serão eliminadas para sempre.
• Os desejos do seu coração demonstram satisfação ou in-
satisfação com o que você recebeu de Deus?
• Você já presenciou artimanhas ou meios desonestos usa-
dos por alguém para alcançar algo?
• O que o exemplo de Nabote ensina sobre como agir em
situações difíceis ou injustas?
• Como o entendimento de que somos administradores dos
bens que Deus nos confiou pode transformar a maneira
como você enxerga suas posses e responsabilidades?
ORAÇÃO
Amado Deus, ensina-me a confiar em ti e dá-me um coração
grato e satisfeito, que se alegre com aquilo que os outros possuem.
Quando eu enfrentar injustiças, dá-me o teu Santo Espírito, para
que eu lembre que a vitória de Cristo na cruz é a garantia de que
o mal nunca terá a palavra final. Obrigado, Senhor, pela salvação
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em Cristo e pela herança eterna que prometeste a todos que con-
fiam em ti. Em nome de Jesus. Amém.
HINO
Hino “Os que aspiram às riquezas”
(Hinário Luterano, 394)
atividade lúdica
CONTINUE A REFLEXÃO
1 Qual a
diferença
entre desejo
2 O que a Bíblia
ensina sobre o
contentamento?
3 Como a cobiça
afeta nossa
relação com Deus?
legítimo e cobiça?
4 As redes
sociais e a
cobiça.
5 Há lugar para buscar
o interesse do outro
em nossa sociedade?