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Gestão de Resíduos da Construção em Salvador

A dissertação avalia a gestão dos resíduos da construção civil em Salvador, propondo soluções para uma gestão ambiental eficaz conforme a Resolução CONAMA nº. 307/2002. O estudo destaca a responsabilidade compartilhada entre governos e setor privado na gestão desses resíduos e a necessidade de políticas públicas que promovam a educação ambiental e a sustentabilidade. No entanto, os resultados indicam que as metas estabelecidas não estão sendo cumpridas pelos agentes responsáveis.

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Gestão de Resíduos da Construção em Salvador

A dissertação avalia a gestão dos resíduos da construção civil em Salvador, propondo soluções para uma gestão ambiental eficaz conforme a Resolução CONAMA nº. 307/2002. O estudo destaca a responsabilidade compartilhada entre governos e setor privado na gestão desses resíduos e a necessidade de políticas públicas que promovam a educação ambiental e a sustentabilidade. No entanto, os resultados indicam que as metas estabelecidas não estão sendo cumpridas pelos agentes responsáveis.

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UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA

ESCOLA POLITÉCNICA
MESTRADO EM ENGENHARIA AMBIENTAL URBANA

MARIA THEREZA MACIEIRA FONTES

A GESTÃO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS DA CONSTRUÇÃO


CIVIL NA CIDADE DE SALVADOR E A IMPLEMENTAÇÃO
DA RESOLUÇÃO CONAMA NO 307/2002

Salvador
2008
MARIA THEREZA MACIEIRA FONTES

A GESTÃO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS DA CONSTRUÇÃO


CIVIL NA CIDADE DE SALVADOR E A IMPLEMENTAÇÃO
DA RESOLUÇÃO CONAMA NO 307/2002

Dissertação apresentada ao Mestrado em


Engenharia Ambiental Urbana – MEAU, da
Universidade Federal da Bahia, como
requisito para obtenção do título de mestre.

Orientador: Prof. Luiz Roberto Santos


Moraes, PhD.

Salvador
2008
FOLHA DE APROVAÇÃO
AGRADECIMENTOS

Jamais pensei que fosse tão difícil descrever os agradecimentos de um trabalho


científico, pois inúmeras são as pessoas que colaboram para a sua realização.
Então é grande a responsabilidade de agradecer a todos e o cuidado que se deve
ter para não omitir de forma justa e indesejada algum nome, de modo que peço
desculpas desde já, caso, involuntariamente, cometa esse deslize.

Inicialmente agradeço a Deus pelo dom da sabedoria que me permitiu chegar ao fim
com a desenvoltura necessária e pela fé implantada em mim.

Agradeço aos meus pais, Therezinha Fontes e Nivaldo Fontes (in memorian) pelo
incentivo, compreensão e tudo que representam para mim.

Ao meu companheiro Luciano Sandes pelo incentivo e discussão exaustiva do tema.

Meus amigos Arlinda Coelho, Antônio Alves Dias Neto, Cristina Braga, Cristiane
Martinez, Luis Aníbal Oliveira Santos, e aos demais pelo grande incentivo e
cooperação.

Ao meu orientador, Luiz Roberto Moraes, pela sua contribuição crítica, sempre
solidário com o esforço dos alunos e que vibra com as conquistas dos mesmos.

Agradeço também aos professores e a equipe de apoio do Mestrado que me tratou


com cortesia no intuito de colaborar.

Contudo, os meus sentimentos de gratidão e carinho com todos que contribuíram


nessa jornada e que não é possível descrever, de tal forma que faço aqui o último
pedido a todos, que se sintam agradecidos e reconhecidos por mim.
"A vida é uma jornada, uma jornada para descobrir quem você é."

Robert Happé
RESUMO

O estudo tem como objetivo geral avaliar a gestão dos resíduos de construção civil,
na cidade de Salvador, com a perspectiva de identificar soluções factíveis e práticas
para que o Município de Salvador possa efetivamente contribuir para uma gestão
ambiental diferenciada dos resíduos da construção civil a partir da Resolução
CONAMA nº. 307/2002. Preocupada com os efeitos poluentes que podem ser
causados pela ação do homem, e visando ser uma ferramenta de modernização no
que se refere à gestão desses resíduos, a Resolução CONAMA nº. 307/2002,
direciona essa atribuição não só para os governos municipais e o Distrito Federal,
como para o setor privado, uma vez que são responsáveis pela sua geração ou co-
responsáveis pela sua gestão. Este estudo foi realizado junto aos Órgãos envolvidos
na GRCC como ambiente de análise empírica, e adotou o método de abordagem
qualitativa. A revisão bibliográfica contempla a Agenda 21 para a Construção Civil,
que trata de construção sustentável e traz uma inovação no conceito da gestão do
resíduo da construção civil, como também foram utilizados estudos que analisam o
cenário nacional da gestão de resíduos da construção civil. Como o resíduo da
construção civil é um tipo de resíduo urbano, o Poder Público Municipal deve atuar
como o grande articulador e coordenador de todos os agentes envolvidos na gestão
de resíduos da construção civil, induzir práticas previstas em políticas públicas que
objetivam desenvolver a cultura de preservação ambiental, que estimulem a
capacitação, a educação ambiental, à reciclagem, o reaproveitamento e a não
geração dos resíduos da construção civil. Também estimular a produção de
edificações duráveis e ecologicamente sustentáveis a fim de contribuir para a
GRCC. Contudo, o estudo empírico demonstra que essa meta não está sendo
cumprida pelos agentes envolvidos na gestão dos resíduos da construção civil no
Município de Salvador.

Palavras-chave: Resíduos da Construção Civil; Resolução CONAMA 307/2002;


Agenda 21.
ABSTRACT

The study has as its general objective, the evaluation of the management of civil
construction wastes, in the city of Salvador, with the perspective of identifying
feasible and practical solutions so that the city of Salvador can, effectively, contribute
for a differentiated environmental management of the civil construction wastes,
through the Resolution CONAMA nº. 307/2002. Concerned about the polluting
effects that may be caused by man’s action, and aiming to be a tool for
modernization in what refers to the management of these residues, the Resolution
CONAMA nº. 307/2002 directs this attribution not only for the municipal governments
and to the Federal District, as well as for the private sector, once they are
responsible by its generation or co-responsible for this management. This study was
done together with the Organs involved in GRCC as an environment for empirical
analysis, and it adopted the method of qualitative approach. The references include
the Agenda 21 for Civil Construction, that deals with sustainable construction and
brings an innovation in the concept of the management of residues from the civil
construction and studies that analyze the national scenery of management of civil
construction wastes. As its residue is a type of an urban residue, the Municipal Public
Power shall act as the great articulator and coordinator of all the agents that are
involved in the management of civil construction wastes, induce practices
concerning public politics that aim to develop the culture of environmental
preserving, the recycling, the re –utilization and the non generation of civil
construction wastes. Also to stimulate the production of lasting edifications that are
ecologically sustainable in order to contribute for GRCC. However, the empirical
study demonstrates that this aim has not being followed by the agents involved in the
management of civil construction wastes in the city of Salvador.

Keywords: Civil construction wastes; Resolution CONAMA 307/2002; Agenda 21.


LISTA DE FIGURAS, TABELAS E QUADROS.

Figura 1 – Representação do macro complexo industrial da construção civil 23

Figura 2 – Percentagem em massa de vários constituintes dos resíduos urbanos em


onze cidades da região Sudeste 35

Figura 3 – Quantidade em massa da origem dos RCC em algumas cidades


brasileiras 35

Figura 4 – Modelo de fluxo para a redução da geração de resíduos da construção


civil em Salvador, considerando as etapas contempladas pela Resolução CONAMA
nº307/2002. 55

Tabela 1 - Indicadores de Sustentabilidade da Gestão Diferenciada 33

Tabela 2 – Identificação de Unidades de Reciclagem de RCC em 48 cidades


brasileiras pesquisadas 36

Quadro 1 - Alternativas para destinação do RCC no Município de Salvador 92/93

Quadro 2 - Proposta de competências dos agentes envolvidos no sistema de GRCC


em Salvador
LISTA DE SIGLAS

ARSAL Agência Reguladora e Fiscalizadora dos Serviços de Limpeza


Urbana e Manejo de Resíduos Sólidos de Salvador
ADEMI Associação dos Dirigentes das Empresas do Mercado Imobiliário
CADCT Coordenação de Apoio ao Desenvolvimento Científico e
Tecnológico do Estado da Bahia
CERF Civil Engineering Research Foundation
CEF Caixa Econômica Federal
CEPRAM Conselho Estadual de Meio Ambiente da Bahia
CIB Innovation in Building and Construction
CREA/BA Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia da
Bahia.
CNUMAD Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e
Desenvolvimento
CO2 Gás carbônico
CONAMA Conselho Nacional do Meio Ambiente
CRA Centro de Recursos Ambientais do Estado da Bahia
DSC Discurso do Sujeito Coletivo
FEP Fundação Escola Politécnica da Bahia
GRS Gestão de Resíduos Sólidos
GTZ Cooperação Técnica Alemã
IMA Instituto de Meio Ambiente do Estado da Bahia
LIMPURB Empresa de Limpeza Urbana do Salvador
NL Núcleo de Limpeza
OECD Organization for Economic Co-operation and Development
PDE Postos de Descarga de Entulho
PEV Posto de Entrega Voluntária
PGRCC Projetos de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil
PGRS Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos
PIGRCC Plano Integrado de Gerenciamento de Resíduos da Construção
Civil
PMGRCC Programa Municipal de Gerenciamento de Resíduos da
Construção Civil
PPP Parceria Público-Privada
RCC Resíduos da Construção Civil
RMS Região Metropolitana de Salvador
SEARA Sistema Estadual de Administração dos Recursos Ambientais
SEBRAE Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas
SENAI Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial
SEPLAM Secretaria Municipal do Planejamento, Urbanismo e Meio
Ambiente de Salvador
SINDUSCON/BA Sindicato da Construção Civil da Bahia
SINTRACOM/BA Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil e da Madeira
da Bahia
SISNAMA Sistema Nacional do Meio Ambiente
SMA Superintendência de Meio Ambiente de Salvador
UFBA Universidade Federal da Bahia
SUMÁRIO

FOLHA DE APROVAÇÃO
AGRADECIMENTOS
EPÍGRAFE
RESUMO
ABSTRACT
LISTA DE FIGURAS, TABELAS E QUADROS
LISTA DE SIGLAS
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO 13
2 OBJETIVOS 21
2.1 OBJETIVO GERAL 21
2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS 21
3 REFERENCIAL TEÓRICO 22
3.1 A CONSTRUÇÃO CIVIL E OS PROBLEMAS AMBIENTAIS 22
3.2 GESTÃO AMBIENTAL NA CONSTRUÇÃO CIVIL 24
3.3 A GESTÃO DIFERENCIADA DOS RESÍDUOS DA CONSTRUÇÃO CIVIL31
3.4 SITUAÇÃO DAS CIDADES BRASILEIRAS E DE SALVADOR QUANTO
AOS RESÍDUOS DA CONSTRUÇÃO CIVIL 36
3.5 MARCOS LEGAIS COM ÊNFASE NA RESOLUÇÃO CONAMA nº.
307/2002 49
4 METODOLOGIA 64
5 RESULTADOS E DISCUSSÃO 75
5.1 O PAPEL DOS AGENTES DA GRCC 75
5.2 ANÁLISE DAS ENTREVISTAS 82
5.2.1 Impactos e dificuldades referentes à implantação da Resolução
CONAMA no. 307/2002 82
5.2.2 Instrumentos e legislação disponíveis para aplicação da Resolução
CONAMA nº. 307/2002 90
5.2.3 Atuação do Órgão/entidade quanto a GRCC 93
5.2.4 Gestão responsável e seus entraves, instrumentos e ações. 99
5.2.5 Diagnóstico e Considerações 105
5.3 Síntese Analítica 108
5.4 PESQUISA SENAI – ANÁLISE DO GERENCIAMENTO EM CANTEIROS
DE OBRAS 111
5.5 O PGDE E A SITUAÇÃO ATUAL 117
6 CONCLUSÃO 118
REFERÊNCIAS 123
APÊNDICES 128
ANEXOS 146
13

1 INTRODUÇÃO

No Brasil, a questão dos resíduos gerados em ambientes urbanos atinge contornos

gravíssimos, pela pequena presença de soluções adequadas quer para os efluentes

líquidos, emissões gasosas ou resíduos sólidos. Este é um quadro típico dos países

em desenvolvimento, mas nem por isso se deve permitir qualquer postura

condescendente da sociedade.

Preocupada com os efeitos poluentes que podem ser causados pela ação do

homem, e visando ser uma ferramenta poderosa para a modernização da estrutura

produtiva nacional, a Constituição Federal de 1988 (CF/88) amplia a participação

responsável da esfera pública ao atribuir novas responsabilidades aos Municípios,

visando a melhoria da qualidade de vida nas cidades, até então, centralizados no

governo federal. Essas responsabilidades têm efeito também na construção civil. O

art. 23, caput e inciso IV da CF/88 dispõe taxativamente que:

Art. 23. É competência comum da União, dos Estados, do Distrito


Federal e dos Municípios:
VI - proteger o meio ambiente e combater a poluição em qualquer de
suas formas (BRASIL, 1988a, s.p.).

No que se refere aos resíduos da construção civil (RCC) essa nova atribuição recai,

principalmente, sobre os governos municipais e o Distrito Federal, uma vez que o

RCC é gerado no Município cabendo a este a responsabilidade no que se refere ao

manejo, planejamento, regulação e fiscalização.


14

Ainda assim, os RCC provenientes de demolições, reformas e do próprio processo

construtivo representam hoje um dos maiores problemas para o saneamento

ambiental em áreas urbanas, principalmente, nas grandes cidades brasileiras onde

ocorre o descarte inadequado de grande quantidade de resíduos. A deposição dos

RCC em locais inadequados tem provocado graves impactos ambientais, sociais e

econômicos. Destacam-se entre outros: alagamentos, deslizamento de encostas,

proliferação de vetores e poluição, que contribuem para reduzir a qualidade de vida

da população, principalmente, a de baixa renda, aumentando os custos sociais e

comprometendo o meio ambiente.

Diante destes problemas, o Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAMA) editou

a Resolução nº. 307/2002, visando equacionar esta situação. A forma de

implementação desta Resolução é parte do objeto desta pesquisa.

A Resolução CONAMA nº. 307/2002 estabelece diretrizes, critérios e procedimentos

para a efetiva gestão dos resíduos da construção civil, fixando prazos para sua

implementação. Esta Resolução estabelece aos geradores que tenham como

objetivo prioritário a não geração de resíduos, e, secundariamente, a redução, a

reutilização, a reciclagem e a destinação final (BRASIL, 2002).

Resolução CONAMA nº. 307/2002 vem para contribuir no controle dos danos

causados pela construção civil, que

[...] é uma das atividades mais antigas. Nos primórdios da


humanidade foi executada de forma artesanal gerando como
subproduto grande quantidade de entulho mineral. Tal fato já
despertava a atenção dos construtores na época do Império Romano
(LEVY e SALOMON, 2005, s.p.).
15

A primeira aplicação de entulho reciclado foi registrada após o final da 2ª Grande

Guerra na reconstrução das cidades européias que tiveram seus edifícios demolidos

e o entulho resultante britado para produção de agregado, visando atender uma

demanda da época. Porém, somente a partir de 1928 começaram a ser

desenvolvidas, de forma sistemática, pesquisas para analisar o consumo de

cimento, a quantidade de água e o efeito da granulometria dos agregados oriundos

de alvenaria britada e de concreto (WEDLER e HUMMEL, 1946 apud LEVY e

SALOMON, 2005).

A partir da segunda metade do século XIX a atividade da construção civil apresentou

considerável crescimento juntamente com a dinâmica do processo de urbanização

resultante da explosão demográfica ocorrida nas grandes capitais brasileiras.

Também, são observadas, neste período de crescimento da atividade da construção

civil, mudanças significativas nos materiais de construção, tendência que vem se

mantendo com acréscimos de outros componentes e diminuição da fração dos

materiais tradicionais. A mais significativa mudança foi introduzida 1940 com o

advento do plástico na construção civil.

A questão do desequilíbrio entre a geração crescente de resíduos sólidos

provenientes da construção civil e a falta de áreas para destinação final com

características ambientais aceitáveis e em localização que não acrescente custos de

remoção e transporte, gera uma preocupação mundial para os empresários do setor

e para o Poder Público.


16

Os impactos ambientais decorrentes da cadeia produtiva da construção civil são

notados pela quantidade dos produtos empregados que consomem um elevado

volume de recursos naturais. Ainda, a produção de cimento e cal, por exemplo,

envolve a calcinação de calcário, lançando grande quantidade de CO2 na atmosfera.

Segundo John (2000) apud Schneider (2003), no Brasil a indústria cimenteira é

responsável pela geração de mais de 6% do total de CO2 gerado no País que é um

dos gases responsável pelo efeito estufa.

Por sua vez, o manejo inadequado dos RCC’s pode gerar impacto ambiental muitas

vezes agravado pelo desconhecimento das quantidades geradas, pelos custos

sociais envolvidos e, inclusive, pela possibilidade de seu reaproveitamento. Os

gestores dos RCC percebem a ineficácia de suas ações corretivas como: limpeza de

terrenos baldios e encostas, concertos e reparos nos sistemas de micro e macro

drenagem, maior controle do tráfego de pedestres e veículos, maior controle de

vetores causadores de doença, entre outras ações, que não atuam na causa do

problema e sim nos efeitos, representando maiores custos à sociedade.

O setor da construção civil é responsável por grande geração de resíduos que

representa desperdício para a economia do País. A quantidade de RCC gerada no

Brasil é da ordem de 400 a 500kg/hab ano (SANCHES, 2004). No Município de

Palmas (TO) esse valor sobe para 2,56kg/hab dia (ALMEIRA e PICANÇO, 2008), na

projeção anual representa 934,4kg/hab, “possivelmente devido à falta de controle

nas etapas de gerenciamento realizadas pelas empresas coletoras e pela

administração pública” (ALMEIRA e PICANÇO, 2008, p.1).


17

Segundo Chung e Lo (2003, apud COSTA et al., 2007, p. 446), “aproximadamente,

de 20 a 30% do fluxo de resíduos sólidos gerados pelas cidades dos países

desenvolvidos [...] pode chegar a mais de 50% do total de resíduos sólidos

produzidos”. Já nas cidades brasileiras de mesmo porte, Pinto (1999) estimou que

podem gerar uma massa de entulho que representa cerca de 70% do total dos

resíduos sólidos urbanos gerados, sendo grande parte desses resíduos descartados

de forma aleatória em locais inadequados, como margens de rios e em encostas,

provocando problemas de ordem urbana e ambiental.

A importância da geração de resíduos na cadeia produtiva pode ser destacada por

Paiva e Ribeiro (2005, s.p.), que afirmam.

Nenhuma sociedade poderá atingir o desenvolvimento sustentável


sem que a construção civil, que lhe dá suporte, passe por profundas
transformações. A cadeia produtiva da construção civil, também
denominada construbusiness, apresenta importantes impactos
ambientais em todas as etapas do seu processo: extração de
matérias primas, produção de materiais, construção, uso e
demolição. Qualquer sociedade seriamente preocupada com esta
questão deve colocar o aperfeiçoamento da construção civil como
prioridade.

Uma forma de aperfeiçoamento é que o entulho apresenta uma grande vantagem

que é o seu alto potencial de reciclagem como matéria prima para produção de

materiais construtivos (CASSA, BRUM e CARNEIRO, 2001).

Uma das limitações do reaproveitamento e reciclagem desses materiais reside na

questão da aplicação de tecnologias apropriadas, durante o processo construtivo ou

de demolição, que salvaguardem a qualidade dos materiais para agregar valor


18

comercial aos mesmos. Restrições ambientais também dificultam o

reaproveitamento, pois, deve-se aplicar um método que não permita a contaminação

do material por substâncias tóxicas ou perigosas para que o mesmo possa ser

reciclado.

A realização de estudos sobre gestão municipal dos RCC é fundamental para o

desenvolvimento de ações, que favoreçam a não geração, o aproveitamento dos

resíduos da construção civil e a minimização dos problemas sócio-ambientais por

eles ocasionados.

Segundo Cassa, Brum e Carneiro (2001), a elevada quantidade de RCC gerados

nas cidades brasileiras é decorrente do acelerado processo de urbanização e da

estabilização da economia, porém verifica-se que as municipalidades não estão

estruturadas para o gerenciamento adequado desta expressiva quantidade de

resíduos.

O governo municipal é o principal responsável pela administração dos resíduos

sólidos, porém, deve-se vislumbrar que existe uma co-responsabilidade entre o

Poder Público e o gerador. Cabe ao Poder Público planejar, regulamentar, fiscalizar

e possibilitar a destinação correta (PUCCI, 2006) e ao gerador atender a

regulamentação incorporando tecnologias e procedimentos técnicos para reduzir

perdas produtivas e favorecer a reutilização e reciclagem dos RCC.

Buscando identificar as falhas cometidas pela administração local, uma vez que,

dependendo do gerador, grandes quantidades de RCC são geradas, sem


19

reaproveitamento, sendo os mesmos descartados de forma incorreta, visto a lacuna

no gerenciamento dos RCC pelo Poder Público Municipal.

Desta forma, este trabalho tem como objetivo avaliar a gestão dos RCC em Salvador

sob a ótica da competência do Poder Público Municipal e da participação da

iniciativa privada. O presente trabalho tem também como perspectiva identificar

soluções factíveis para que o Município possa efetivamente contribuir para uma

gestão ambiental diferenciada.

Neste propósito, a pesquisa recorreu à Agenda 21, um programa de ação, que

constitui uma abrangente tentativa para promover, em escala planetária, um novo

padrão de desenvolvimento, conciliando métodos de proteção ambiental, justiça

social e eficiência econômica.

Trata-se de um documento com a participação de 179 países, para o qual

contribuíram governos e instituições da sociedade civil num processo que culminou

com a realização da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e

Desenvolvimento (CNUMAD), em 1992, no Rio de Janeiro, também conhecida por

ECO-92 (CIB, 2008).

Com estes objetivos o trabalho foi estruturado com um item que aborda a introdução

ao tema, seu ambiente de pesquisa, objeto e uma breve justificativa do porque

estudar este tema.


20

No segundo ítem são apresentados os objetivos do trabalho. No terceiro, o trabalho

aborda a questão dos resíduos sólidos da construção civil e seus problemas

ambientais, a gestão ambiental na construção civil, a gestão diferenciada destes

resíduos, um panorama destes resíduos no Brasil e em Salvador e os marcos legais

vigentes com especial destaque para a análise da Resolução CONAMA nº.

307/2002.

No quarto item é apresentada a metodologia utilizada na pesquisa, realizada por

meio de coleta de dados secundários obtidos em pesquisa bibliográfica e

documental sobre o assunto, com foco nos diversos trabalhos realizados por centros

de pesquisa brasileiros, tendo como base artigos, teses e dissertações como forma

de avaliar as tendências atuais para a área. Os dados primários, importantes numa

pesquisa como esta, foram coletados por meio de entrevistas semi-estruturadas

aplicadas a gestores dos principais Órgãos e entidades responsáveis pela GRCC

em Salvador.

No quinto item são apresentados os resultados das entrevistas realizadas e a

discussão, bem como os resultados de trabalho realizado pelo SENAI/BA (2007).

Por fim no sexto item é apresentada a conclusão, onde são avaliadas as situações

da GRCC em Salvador à luz do referencial teórico e da Resolução CONAMA nº.

307/2002, após seis anos de sua edição e as recomendações da autora.


21

2 OBJETIVOS

2.1 OBJETIVO GERAL

Analisar a gestão dos resíduos de construção civil, na cidade de Salvador com base

na implementação da Resolução CONAMA nº. 307/2002.

2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

• Realizar revisão crítica da bibliografia sobre experiências de gestão municipal

de resíduos de construção civil, identificando instrumentos de gestão,

intervenções e ações realizadas em Salvador.

• Identificar os limites e possibilidades de implementação da gestão dos RCC

em Salvador em conformidade com a Resolução CONAMA nº. 307/2002,

segundo a percepção dos agentes envolvidos na gestão.

• Analisar como as empresas em Salvador têm efetivado a gestão dos GRCC

nos canteiros de obra à luz da Resolução CONAMA nº. 307/2002.


22

3 REFERENCIAL TEÓRICO

3.1 A CONSTRUÇÃO CIVIL E OS PROBLEMAS AMBIENTAIS

As atividades de produção de matérias-primas, de canteiro e até mesmo de

manutenção e demolição geram impactos ambientais, como resíduos, ruído, poeira,

além de outros poluentes industriais.

O macro complexo industrial da construção civil (Figura 1), que é definido por

Musetti (2000) como toda a cadeia produtiva da construção civil, desde os setores

de material de construção e bens de capital para realização da construção até os

serviços de reparos e demolição, segundo Cassa, Brum e Carneiro (2001), no Brasil

representa cerca de 14% da economia. Esta importância econômica está muito

relacionada à necessidade humana do ambiente construído que lhes sirva de habitat

para o desenvolvimento de suas atividades econômicas e culturais (CASSA, BRUM e

CARNEIRO, 2001).
23

Figura 1 – Representação do macro complexo industrial da


construção civil

Avaliando todo o processo produtivo da construção civil, desde a exploração da

matéria prima até o acabamento das obras, conclui-se que a área de construção civil

é uma das maiores consumidoras de matérias-primas naturais. É estimado que a

construção civil utilize cerca de 20 a 50% do total de recursos naturais consumidos

pela sociedade e que cerca de 80% da energia utilizada na produção de um edifício

seja consumida na produção e transporte de materiais (CASSA, BRUM e CARNEIRO,

2001). O macro complexo industrial da construção civil ainda é responsável por

cerca de 50% do CO2 lançado na atmosfera (JOHN, 2000) e por cerca de 40% dos

resíduos gerados na economia (JOHN et al., 2001).

Uma vez construídas, as edificações ainda representam significativos impactos

ambientais. Elas são responsáveis por cerca de 50% do consumo de energia elétrica

no Brasil (LAMBERTS e WESTPHAL, 2000 apud CASSA, BRUM e CARNEIRO, 2001).

A sua operação consome água, tanto em suporte às atividades desenvolvidas


24

quanto em limpeza. As atividades de manutenção da construção e de demolição

geram resíduos, poeira e ruído. Durante a vida útil de um edifício, as atividades de

manutenção consomem recursos em volume, aproximadamente, igual aos

despendidos na fase de produção (JOHN, 1988).

O interior de edifícios é, de maneira geral, sempre mais poluído que o ar exterior,

tanto pela geração de poeiras e proliferação de microrganismos quanto pela

liberação de compostos orgânicos voláteis, nocivos à saúde dos usuários.

As etapas do macro complexo industrial (Figura 1), podem ser implementadas por

meio de ações que visem diminuir as perdas dos materiais de construção civil na

obra.

3.2 GESTÃO AMBIENTAL NA CONSTRUÇÃO CIVIL

Segundo Caponero et al. (2004), com a gestão mais responsável dos RCC é

possível aperfeiçoar os processos produtivos reduzindo o uso de matérias primas e

recursos naturais.

Em função desta realidade, vários países têm adotado políticas ambientais para o

setor. Nos Estados Unidos, a Civil Engineering Research Foundation (CERF)

entidade dedicada a promover a modernização da construção civil, verificou que a

‘‘questão ambiental’’ foi à segunda preocupação da área e definiu 38 propostas de

pesquisa para avançar neste sentido (JOHN, 2001).


25

Na Europa, desde 1996, a European Construction Industry Federation possui

agenda específica para o aproveitamento de RCC e a International Council for

Research and Inovation in Building and Construction (CIB) criou uma agenda

específica para o setor, a Agenda 21 para a construção sustentável. Esta Agenda foi

elaborada a partir da Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e

Desenvolvimento Sustentável – Rio 92, por 170 países membros. Este documento

trata de um amplo programa para o desenvolvimento sustentável do planeta e

escreve que a Agenda 21:

Deve ter uma estrutura conceitual, que defina elos entre o conceito
global de desenvolvimento sustentável e o setor da construção, e
permita outras agendas locais ou subsetoriais sejam comparadas e
coordenadas, visando definir medidas detalhadas e apropriadas ao
contexto local (CIB, 2000, p. 18).

Contempla também três principais objetivos para a construção civil:

• criar uma estrutura global e uma terminologia, agregando valor a todas as

agendas nacionais, regionais e sub-regionais;

• criar uma Agenda para as atividades de campo do CIB e para a coordenação

com suas organizações parceiras especializadas;

• fornecer um documento para definição das atividades de P & D.

A Agenda 21 para a Construção Civil trata de uma construção sustentável. Ela traz

uma inovação no conceito aplicado à construção civil:

Atualmente, uma apreciação do significado dos aspectos não-


técnicos está crescendo e percebendo que os chamados aspectos
26

“leves” são, também, cruciais para um desenvolvimento sustentável


na construção, Sustentabilidade econômica e social devem ter uma
definição clara e de consenso. Mais recentemente, também os
aspectos culturais e as implicações do patrimônio cultural do
ambiente construído passaram a ser considerados como aspectos
proeminentes na construção sustentável (CIB, 2000, p. 18-19).

Na Europa são considerados os seguintes aspectos para redução do impacto

ambiental:

• minimizar o consumo de recursos (conservar);


• maximizar a reutilização de recursos (reutilizar materiais e
componentes);
• usar recursos renováveis ou recicláveis (renovar /reciclar);
• proteger o meio ambiente (proteção da natureza);
• criar um ambiente saudável e não tóxico (utilizar não tóxicos);
• buscar a qualidade na criação do ambiente construído
(aumentar a qualidade) (KILBERT, 1994 apud JOHN, 2001,
p.34).

Segundo Kilbert (1994), devido à complexidade da gestão dos resíduos sólidos os

citados tópicos devem ser implementados de forma combinada e simultânea.

A escassez de matérias-primas motivou os países europeus como Holanda,

Espanha, Bélgica e Reino Unido a aplicarem instrumentos econômicos taxando os

geradores de RCC. O aumento com os custos dos resíduos gerados obrigou as

construtoras a adotarem alternativas para redução dos resíduos fomentando

investimentos em tecnologias de reciclagem (SANCHES, 2004).

A Agenda 21 para a Construção Civil recomenda que as ações defendidas por

Kilbert (1994, apud JOHN, 2001) devem considerar algumas diretrizes para sua

implementação, como:
27

a) organizacionais e de gestão;
b) design de componentes e de edifícios, incluindo aspectos
relativos a reciclabilidade;
c) conservação de recursos naturais;
d) desenvolvimento urbano;
e) outros impactos ambientais relacionados a atividades do setor;
f) aspectos sociais, culturais e econômicos (JOHN, 2001, p.34).

John (2001, p.33) faz algumas considerações sobre as diretrizes defendidas na

Agenda 21 Européia:

Essas diretrizes gerais devem se manifestar em preocupações


técnicas específicas. Por exemplo, a durabilidade deixa de ser um
aspecto importante apenas do ponto de vista econômico e passa a
significar o tempo em que as atividades que implicaram determinado
impacto ambiental cumprem sua função social (SJÖSTRÖM, 1996),
minimizando o consumo de recursos, preservando a natureza e
minimizando o impacto ambiental.

É necessário perceber que o aumento da durabilidade, depende de novas

utilizações e funções que o produto passa a ter com o tempo, alteradas de acordo

com as novas necessidades sociais. Além disso,

A seleção de materiais deixará de ser feita apenas com base em


critérios estéticos, mecânicos e econômicos, mas estará
condicionada a diferentes questões como contaminação do ar
interno considerando as taxas de ventilação ambiental, durabilidade
no ambiente a que serão expostos, possíveis impactos ambientais
da sua deposição e possibilidades de reciclagem. Esses critérios
constituirão parte integrante das atividades diárias dos engenheiros
e arquitetos (JOHN, 2001, p.34-35).

Apesar do exposto, John (2000) afirmou que embora a minimização na geração de

resíduos seja sempre uma ação necessária, ela é limitada, uma vez que existem

impurezas indesejáveis na matéria-prima, que podem comprometer a qualidade do


28

insumo, material ou produto, envolvendo custos e patamares de desenvolvimento

tecnológico que inviabilizam a sua remoção.

Uma forma muito comum de aproveitar o entulho é realizando a sua reciclagem e/ou

seu reaproveitamento. O RCC normalmente apresenta muita contaminação (solo,

matéria orgânica, plásticos, etc.), enquanto que o entulho segregado no próprio local

da obra permite uma melhor reciclagem do material.

Existe a necessidade da reciclagem dos resíduos de construção e demolição, que

representam mais de 50% da massa dos resíduos sólidos urbanos (PINTO, 1999),

para redução do consumo de energia durante o processo de produção.

A indústria do cimento tem usado resíduos de alto poder calorífico para a obtenção

de sua matéria-prima (co-incineração) ou utilizando a escória de alto forno, resíduo

com composição semelhante ao cimento (JOHN, 2000).

A reciclagem na construção civil pode gerar inúmeros benefícios como:

• redução no consumo de recursos naturais não-renováveis, quando

substituídos por resíduos reciclados; e

• redução de áreas necessárias para aterro, pela minimização da quantidade de

resíduos pela reciclagem (JOHN, 2000).

Apesar da importância da reciclagem verifica-se que a variação da porcentagem da

reciclagem dos RCC em diversos países é função da disponibilidade de recursos

naturais, distância de transporte entre reciclados e materiais naturais, situação


29

econômica e tecnológica do país e densidade populacional (DORSTHORST e

HENDRIKS, 2000).

A avaliação da quantidade e qualidade do entulho gerado no ambiente urbano

permite um gerenciamento diferenciado de cada material, incorporação de práticas

gerenciais para diminuir seu desperdício nos canteiros de obras, no transporte,

geração e destinação final de maneira a favorecer seu reaproveitamento ou

reciclagem na construção civil. Desta forma, evitam-se problemas ambientais e

econômicos, causados, principalmente, pela deposição irregular destes resíduos e

pelo desperdício dos recursos naturais.

Uma das possibilidades de aproveitamento dos entulhos é na confecção de peças

não estruturais, pois, geralmente, o mesmo não apresenta características de

homogeneidade de resistência e de outras propriedades necessárias em concretos

estruturais, devido a sua origem variada. Porém, quando se aplica um

gerenciamento diferenciado dos resíduos haverá maior garantia da sua qualidade

possibilitando seu maior aproveitamento.

A quantidade e a diversidade do RCC gerado nas construções que são realizadas

nas cidades brasileiras demonstram enorme desperdício de material. Esta conclusão

pode ser obtida quando se verifica os resultados obtidos por Cassa, Brum e Carneiro

(2001) no estudo realizado na Região Metropolitana de Salvador: o entulho, gerado

pelo setor da construção civil, apresenta características adequadas ao seu

aproveitamento como materiais de construção, sendo viável tanto tecnicamente


30

como economicamente. Laurizten (1994) apud Cassa, Brum e Carneiro (2001) avalia

que, aproximadamente, 90% do entulho pode ser reciclado.

Um pesquisa feita com objetivo de analisar a implementação da gestão sustentável

de RCC em canteiros de obras de construção civil na cidade do Recife identificou:

No aspecto financeiro, é de suma importância para as empresas


realizarem a segregação de forma correta, tendo em vista a
economia alcançada com a diminuição da quantidade de remoções
dos resíduos. Para tanto, faz-se necessário também destinar os
resíduos potencialmente recicláveis para a prática da reciclagem, ou
ainda reutilizar boa parte deles no próprio canteiro de obra, como é o
caso dos resíduos Classe A. (SILVA et al., 2008, p.8).

Deve-se observar também que os custos com a geração de entulho são distribuídos

por toda a sociedade, não só pelo aumento do custo final das construções como

também pelos custos de remoção, tratamento e destino final.

De acordo com John (2005), resultados de pesquisas anteriores demonstram que as

características dos resíduos de construção são muito variáveis. As tecnologias

existentes não conseguem medir as características dos resíduos em tempo real, de

forma que mesmo agregados reciclados de excelente qualidade são empregados

em funções menos exigentes, desvalorizando o produto.


31

3.3 A GESTÃO DIFERENCIADA DOS RESÍDUOS DA CONSTRUÇÃO CIVIL

Nos municípios brasileiros verifica-se que o gerenciamento de RCC são realizados

de forma emergencial, ou seja, as intervenções adotadas rotineiramente são apenas

quando os problemas oriundos dos RCC surgem. Pinto (2001) classifica este modelo

de gestão como corretivo e o define da seguinte forma:

[...] caracteriza-se por englobar atividade não preventiva, repetitiva e


custosa, que não são resultados adequados, e são, por isso,
profundamente ineficientes, pois, se sustenta na ‘‘inevitabilidade’’ de
áreas com deposições irregulares degradando o ambiente urbano...
enquanto houver a disponibilidade de áreas de aterramento nas
proximidades das regiões fortemente geradoras de Resíduos de
Construção Civil (PINTO, 2001, p.78 – grifo da autora).

A gestão corretiva traz conseqüências, consideradas pelo autor, “perversas”,

oriundas da prática continua de aterramento de ambientes urbanos que elimina

áreas naturais (várzeas, vales, mangues e outras regiões baixas) importantes para

armazenar águas de chuvas, áreas essas escassas nos centros urbanos

impermeabilizados.

Segundo Pinto (2001), a gestão dos RCC tem cunho corretivo devido ao grande

volume de RCC gerados, o desaparelhamento das municipalidades e a falta de

suporte de políticas públicas. Verifica-se que a Resolução CONAMA nº 307/2002 é o

único instrumento legal voltado especificamente para os resíduos inertes.


32

Pinto (2001) afirma ainda a necessidade de formulação de políticas voltadas para os

RCC ancoradas em estratégias sustentáveis, como o correto envolvimento dos

agentes atuantes e a intensa reciclagem dos resíduos captados.

A intensidade da geração de resíduos e a extensão dos impactos por eles causados,

nas áreas urbanas, indicam claramente para a necessidade de mudança gradativa

da gestão corretiva para a implantação de uma gestão preventiva e diferenciada. A

gestão dos espaços urbanos em Municípios de médio e grande porte não mais

comporta intervenções continuamente emergenciais e coadjuvantes das reações de

geradores e coletores à ausência de soluções.

Um dos instrumentos de gestão é a elaboração de um inventário preciso da

composição e fluxo dos resíduos sólidos urbanos. Neste instrumento, a quantidade

de RCC gerado precisa ser identificada e conhecida pelos gestores de limpeza

urbana, para que se possa assumir a responsabilidade de adotar soluções duráveis

para a absorção eficiente desses resíduos.

De acordo com Sanches (2004), para que seja viabilizada a transformação do

resíduo de construção civil em negócio é importante um gerenciamento eficiente do

sistema de coleta, utilizando mecanismos de regulação e controle e aplicação de

instrumentos econômicos disponíveis no processo de gestão diferenciada dos RCC.

Segundo Pinto (2001), a Gestão Diferenciada dos RCC é constituída por um

conjunto de ações que corporificam um novo serviço público, visando a:


33

• captação máxima dos resíduos gerados, por meio da constituição de redes de

áreas de atração, diferenciadas para pequenos e grandes

geradores/coletores;

• reciclagem dos resíduos captados, em áreas perenes especialmente

definidas para essa tarefa;

• alteração de procedimentos e culturas, no tocante à intensidade da geração,

à correção da coleta e da disposição e às possibilidades de utilização dos

resíduos reciclados.

E tendo como objetivos gerais:

• a redução dos custos municipais com a limpeza urbana, com a destinação

dos resíduos e com a correção dos impactos ocorrentes na Gestão Corretiva;

• a disposição facilitada dos pequenos volumes de RCC gerados;

• o descarte racional dos grandes volumes gerados;

• a preservação do sistema de aterros, como condição para a sustentação do

desenvolvimento;

• a melhoria da limpeza urbana;

• o incentivo à presença e à consolidação de novos agentes de limpeza urbana;

• a preservação ambiental, com a redução dos impactos por má deposição,

redução do volume aterrado e redução dos impactos decorrentes da

exploração de jazidas de agregados para a construção civil;

• a preservação da paisagem e da qualidade de vida nos ambientes urbanos;

• o incentivo às parcerias para captação, reciclagem e reutilização de RCC;

• o incentivo à redução da geração nas atividades construtivas.


34

O modelo de Gestão Diferenciada dos RCC pode ser uma possibilidade de

contraposição a todas as deficiências diagnosticadas na Gestão Corretiva referidas

anteriormente, atingindo a qualidade no serviço de limpeza urbana: satisfação dos

munícipes como usuário dos serviços e dos espaços urbanos e reconquista da

qualidade ambiental desses espaços.

A Gestão Diferenciada dos RCC pode ser uma forma de romper com a ineficácia da

Gestão Corretiva e com a postura amadora dos gestores dos resíduos sólidos, por

meio da proposição de solução sustentável para espaços urbanos cada vez mais

densos e complexos de gerir. Deve ser vista como solução necessária,

complementar a gestão das outras parcelas dos resíduos sólidos urbanos.

A Gestão Diferenciada dos RCC deverá buscar, ainda, a exemplo dos países mais

desenvolvidos, o aprimoramento de mecanismos reguladores e econômicos que

responsabilizem os geradores, desestimulem práticas agressivas e estimulando

aquelas econômica e ambientalmente sustentáveis (BRASIL, 1996).

Uma característica intrínseca da Gestão Diferenciada de RCC é a classificação dos

resíduos; a integração entre agentes (geradores e coletores, públicos e privados), e

a integração entre processos que devem ser articulados: coleta extensiva de

resíduos, reciclagem eficiente da mais ampla gama possível de tipos e uso intenso

de resíduos reciclados em obras e serviços públicos e privados.


35

Quando aplicada a Gestão Diferenciada percebe-se uma sensível economia de

aporte financeiro conforme apresentado na Tabela 1, por Piovezan Júnior (2007)

que faz uma adaptação do estudo de Pinto (1999).

Tabela 1: Indicadores da Sustentabilidade de Gestão Diferenciada

O estudo feito por Pinto (1999) demonstra uma redução de 41,93% no custo de uma

gestão diferenciada, quando comparada a uma gestão corretiva.


36

3.4 SITUAÇÃO DAS CIDADES BRASILEIRAS E DE SALVADOR QUANTO AOS

RESÍDUOS DA CONSTRUÇÃO CIVIL

Segundo Sanches (2004, p.16), “O equacionamento da problemática do processo

produção/destinação final dos RS dependem muito mais de fatores da política

municipal... porque a GRS deve incorporar instrumentos e práticas adequadas à

viabilidade local”. Verifica-se nesta citação, a percepção da autora sobre a limitação

das esferas Federal e Estaduais de governos em atender especificidades locais,

porém, contrapondo a esta percepção, observa-se que os Municípios contam com

poucos recursos financeiros e técnicos ficando ainda sem condição para estabelecer

e implementar políticas municipais.

Comparativamente à países do primeiro mundo, a reciclagem de resíduos da

construção civil no Brasil é ainda tímida. A Holanda recicla cerca de 90% dos

resíduos de construção e demolição (ÂNGULO, ZORDAN e JOHN, 2001) e no

Brasil, não se tem ao menos o controle rigoroso do descarte destes resíduos,

verificando-se pouca evolução com relação ao aproveitamento dos RCC.

Em cidades brasileiras de médio e grande porte, a quantidade de RCC gerada em

relação à massa total de lixo coletada gira em torno de 61%, como mostra a Figura 2

(PINTO, 2005).
37

Figura 2 – Percentagem em massa de vários constituintes dos resíduos urbanos em onze cidades da
região Sudeste do Brasil.

Quanto à origem destes RCC, a Figura 3 mostra os percentuais de resíduos

segundo a origem em algumas cidades brasileiras.

Figura 3 – Quantidade em percentual em massa da origem dos RCC em algumas cidades brasileiras.
38

Embora já se observe no mercado a movimentação de empresas interessadas em

explorar o negócio de reciclagem de RCC e não apenas o negócio de transporte, as

experiências brasileiras estão limitadas a ações das municipalidades, que buscam

reduzir os custos e o impacto ambiental negativo da deposição da enorme massa de

entulho, média de 500 kg/[Link], obtida segundo dados de Pinto (1999), no meio

urbano para algumas cidades brasileiras de médio e grande porte.

De acordo com o IBGE, poucas são as cidades que possuem unidades de

reciclagem, entre quarenta e oito Municípios estudados apenas doze tem unidades,

como mostra a Tabela 2.

Tabela 2 – Identificação de unidades de reciclagem de RCC em 48 cidades brasileiras pesquisadas.


39

A experiência da indústria da construção civil no Brasil, para fins de reciclagem de

produtos gerados por outras indústrias concentra-se na indústria cimenteira, que

recicla, principalmente, escórias de alto forno básicas e cinzas volantes, que tem

como conseqüência a redução da emissão de gás carbônico utilizando escória de

alto forno em substituição ao cimento portland (ÂNGULO, ZORDAN e JOHN, 2005).

Atualmente, uma nova relação, entretanto começa a surgir entre empresas e meio

ambiente, o que reflete um novo comportamento diante de tantos impactos

negativos de suas atividades produtivas.

Em algumas cidades do Brasil, a exemplo de São Paulo, começa a existir uma

preocupação, principalmente, por parte dos Sindicatos da Construção Civil e de

algumas instituições, públicas e privadas, com a gestão ambiental dos RCC.

Como forma de equacionar problemas causados por resíduos sólidos a reutilização

e a reciclagem surgem, juntamente com a não geração e a redução da quantidade

gerada, como alternativas para a minimização do problema de geração de resíduos,

o mesmo aplicando-se aos RCC. Neste sentido, têm sido realizadas várias

pesquisas no País, no intuito de se reciclar este material, que contam com apoio dos

centros de pesquisa e da Caixa Econômica Federal (CEF).

Um dos problemas mais graves do RCC é variabilidade de composição e,

conseqüentemente, de outras propriedades desses agregados reciclados (ÂNGULO,

2000).
40

A reciclagem dos resíduos de construção, que representam mais de 50% da massa

dos resíduos sólidos urbanos, reduz também o consumo de recursos naturais não

renováveis, a energia durante o processo de produção e minimiza a necessidade de

áreas para dispor os RCC (PINTO, 1999).

Uma das atividades que mais contribui com ações que alteram o meio ambiente é a

construção civil. Essas alterações ocorrem na fase de implantação da obra,

execução dos serviços, confecção de artefatos, limpeza da obra, etc. Além disso,

são gerados resíduos em toda a vida útil da construção: execução, manutenção,

reforma e demolição.

A grande quantidade de resíduos da indústria da construção civil é proveniente da

perda de materiais de construção nos canteiros de obras, resultante dos materiais

desperdiçados durante o processo de execução de um serviço, ou que se tornaram

resíduos por falta de segregação. Outras fontes geradoras são as demolições e as

reformas, que promovem a eliminação das diversas componentes durante a

utilização ou após o término do serviço.

Na fase de construção, o entulho gerado numa edificação é constituído pelas sobras

dos materiais adquiridos e danificados ao longo do processo produtivo, tais como

restos de concretos e argamassa produzidos e não utilizados, alvenaria demolida,

argamassa que cai durante a aplicação e não é reaproveitada, sobras de tubos, aço,

eletrodutos, entre outros.

Dentre os vários fatores que contribuem para a geração do entulho, vale citar:
41

• despreparo de mão-de-obra;

• imperícia em projetos de arquitetura, estrutura, formas, instalações, entre

outros;

• qualidade inadequada dos materiais e componentes da construção;

• ausência de procedimentos operacionais e mecanismos de controle, de

execução e inspeção (PIOVEZAN JÚNIOR, 2007).

Se, por um lado, o entulho acarreta perda de recursos para o gerador, por outro

lado, acarreta também gastos para o Poder Público, que, por sua vez, acaba

arcando com os custos de disposição final dos RCC’s, que são depositados

aleatoriamente em locais não definidos pela municipalidade, e em caso do pequeno

gerador, no custo com o transporte dos resíduos.

Em relação ao grande gerador, embora seja preconizado que os mesmos assumam

as despesas decorrentes do transporte e deposição final, na prática estes custos

não são totalmente repassados. Um exemplo disso é o desgaste de vias públicas

provenientes do transporte de RCC que não são computados no seu custo final.

Um dos maiores problemas enfrentado pelo Município de Salvador é a grande

quantidade de pontos clandestinos de descarga de entulho, espalhados pela cidade,

devido à dispersão geográfica e temporal da geração desse resíduo pelo setor

informal, somados a falta de educação ambiental, sinalização e, por fim, à falta de

local estabelecido para destinar o resíduo.


42

A destinação clandestina de entulho, de modo geral, colabora para a proliferação de

vetores de doença como dengue, leptospirose, risco com animais venosos, etc.

Porém, das diversas destinações clandestinas do entulho, duas podem ser ainda

mais preocupantes:

• lançamento em encostas, gerando depósitos instáveis, que podem causar

deslizamentos;

• lançamento em baixadas, junto à redes de drenagem, ou mesmo diretamente

no leito dos canais, levando à obstrução do escoamento pluvial e provocando

inundações.

Finalmente, as grandes distâncias, e por conseqüência, os custos de transporte para

os aterros oficiais dificultam a iniciativa do pequeno gerador em dar destino

adequado ao entulho por ele gerado.

Em Salvador, no ano 2000, verificou-se que o valor da massa de entulho

representou 50% dos resíduos coletados pela limpeza urbana, cerca de 2.750 t/dia

de entulho, sendo que este valor representou em 2004 quase 40% dos resíduos

sólidos coletados na cidade, cerca de 1.636 t/dia, causando graves impactos

ambientais e sociais (LIMPURB, 2000 e 2004).

Durante quatro anos, verificou-se uma variação de quantidades coletadas deste

resíduo, ou seja, a situação da coleta de entulho, em Salvador, refletiu o

desempenho dinâmico do serviço de limpeza urbana e da administração da


43

LIMPURB e também a variação do número de obras e reformas realizadas na

cidade.

Contudo, um dado que é visto como positivo para a economia, pode ser preocupante

no que se refere ao meio ambiente:

O mercado imobiliário baiano, assim como em todo o País,


experimenta um dos seus melhores momentos. Somente no
primeiro semestre deste ano, o crescimento nas vendas chegou a
nada menos que 68,2%. A euforia neste segmento da construção
civil no estado também provocou um incremento no número de
lançamentos, na ordem de 99% (CARVALHO, 2007, s.p.).

Esses dados preocupam quando se questiona se o Município está pronto para

fiscalizar a GRCC, na proporção que a quantidade destes resíduos crescem.

Segundo a LIMPURB (2004), verificou-se a melhoria da coleta dos resíduos da

construção civil após a realização de um levantamento dos pontos de descarte

clandestino de entulho em Salvador. Neste trabalho, realizado em 1996 pela

LIMPURB, foram identificados 420 pontos clandestinos de deposição de entulho.

Diante disso, a empresa elaborou em 1997 e vem implantando, desde 1999, o

Projeto de Gestão Diferenciada de Entulho de Salvador (LIMPURB, 2004), baseado

no modelo de Gestão Diferenciada do Entulho.


44

Este Projeto tem como objetivo:

Transformar o descarte clandestino de entulho na cidade em


deposição correta através da adoção de uma política ordenadora que
busque a remediação da degradação ambiental gerada, a integração
dos agentes envolvidos com a questão, como também a maximização
do reaproveitamento da reciclagem a da redução da geração deste
tipo de resíduo (SALVADOR, 1997, p.10).

O modelo se baseia na descentralização do tratamento e destino final do entulho,

por meio da implantação de áreas, estrategicamente localizadas próximas à geração

do entulho da construção civil, e denominadas Postos e Bases de Descargas de

Entulho, para o recebimento do RCC.

O Decreto municipal nº. 11.664/97, no art. 1º, inciso III, define PDE e BDE

(SALVADOR, 1997, s.p.):

III – Postos de Descarga de Entulho (PDE) – é a área preparada e


disponibilizada para receber entulho, com limites de recepção por
transportador, de até, 2m3 com o objetivo de transferi-lo para a Base
de Descarga de Entulho – BDE.

IV – Base de Descarga de Entulho (BDE) - é a área preparada e


disponibilizada para receber entulho, com limites de recepção por
transportador sem limite de recepção.

O Projeto previa implantar na cidade 22 Postos de Descarga de Entulho (PDEs) -

áreas oficializadas, cercadas, de fácil acesso ao pequeno gerador, disponibilizando

acondicionadores padronizados de 5m³, e previa também a criação de 5 BDEs.


45

Algumas medidas foram implantadas nesse período pelo Projeto de Gestão do

Entulho em Salvador, como:

• a remoção de entulho nos pontos de descarte;

• a sinalização, a fiscalização e a punição dos lançamentos clandestinos;

• a criação de locais adequados para recebimento de entulho.

Estas ações reduziram para 160 o número de pontos clandestinos de descarga de

entulho espalhados pela cidade em um período de dois anos, entre 1997 e 1999.

Diante dessas considerações, parece evidente a importância da implantação do

Projeto de Gestão Diferenciada de Entulho em Salvador e a demonstração de que

as soluções para os problemas gerenciais do resíduo passam pela elaboração e

implementação de um plano de gestão específico.

Com este intuito a Caixa Econômica Federal foi a primeira instituição a apoiar

pesquisa, disponibilizando recursos financeiros e humanos fundamentais para a sua

realização. A pesquisa desenvolvida na Escola Politécnica da Universidade Federal

da Bahia (UFBA), contou com a parceria da Empresa de Limpeza Urbana do

Salvador (LIMPURB). A então Coordenação de Apoio ao Desenvolvimento Científico

e Tecnológico do Estado da Bahia (CADCT), também apoiou a pesquisa,

viabilizando os recursos necessários para a realização de diversas atividades a ela

vinculadas.
46

A pesquisa, concebida pelo Prof. José C. Cassa e intitulada, Projeto Entulho Bom

(1997), inicialmente denominado de ‘‘Aproveitamento de Resíduos Sólidos para a

Produção de Materiais de Construção de Baixo Custo – Região Metropolitana de

Salvador (RMS)’’, teve o objetivo de contribuir para a minimização dos impactos

oriundos dos RCC, a preservação de recursos naturais e a melhoria de qualidade de

vida.

Os estudos desenvolvidos nesse projeto de pesquisa visaram o aproveitamento

seguro e racional dos resíduos sólidos da construção civil disponíveis na RMS para

a produção de materiais de construção, incluindo seus aspectos tecnológicos,

econômicos e ambientais.

Na etapa inicial, foi realizado o diagnóstico dos setores geradores de resíduos da

região, o qual identificou o entulho como resíduo de interesse para o projeto.

Observou-se que o grande potencial de reciclagem e o nível de conhecimento sobre

o entulho de Salvador ainda era limitado.

Foram, então, realizadas pesquisas experimentais para a reciclagem do entulho de

Salvador na produção de materiais de construção (camadas de pavimentos,

argamassas e tijolos), buscando-se o manuseio ambientalmente adequado desses

materiais e a ampliação da oferta de habitação e infra-estrutura urbana, de forma a

contribuir para o desenvolvimento local sustentável.

Segundo o Estudo Diagnóstico Sobre a Competitividade da Indústria da Construção

Civil (1999 apud SANCHES 2004), encomendado à Escola de Administração da


47

UFBA pelo Sindicato da Indústria da Construção do Estado da Bahia

(SINDUSCON/BA), verifica-se a necessidade de investimentos no treinamento de

mão-de-obra e na atualização dos métodos de produção e gestão por parte dos

empresários. O mesmo estudo orienta o Governo Municipal, à contratar mão-de-obra

com qualificação em GRCC para realização de obras públicas. Estes pontos

levantados foram considerados obstáculos para o GRCC.

O trabalho de Sanches (2004) mostrou que a gestão desses resíduos, praticada no

Município de Salvador, ainda não tem uma contribuição efetiva para a gestão

sustentável de RCC, sendo então recomendadas algumas mudanças estruturais no

modelo de gestão diferenciada:

• Criar mecanismos de intercâmbio contínuo entre a Prefeitura do


Município e os construtores visando a consolidação e ampliação
do sistema de gestão, inserindo as dimensões da
sustentabilidade;
• Promover a valorização dos RCC como matéria prima por meio de
um gerenciamento integrado, com ênfase no reaproveitamento,
na reciclagem e no desenvolvimento de um mercado de resíduos
da construção civil;
• Empreender, de maneira formal, a responsabilidade social das
atividades geradoras de RCC, inserindo permanentemente a
participação das comunidades locais, vizinhas aos PDES, no ciclo
de gestão integrada dos resíduos;
• Estabelecer valores de cobrança para os grandes geradores
atendendo às suas disponibilidades de pagamento para viabilizar
um processo de gestão sustentável;
• Inserir no modelo de gestão a cooperação intermunicipal visando
a disseminação das ações da gestão sustentável, garantido a
ampliação efetiva dos seus limites de ação;
• Desenvolver pesquisas mais amplas sobre a disposição a pagar
(DAP), do setor da construção civil, conjuntamente com o Poder
Público Municipal, Estadual, no sentido de esclarecer os usuários
sobre a relevância dos resultados obtidos na pesquisa, para a
tomada de decisão dos gestores públicos quanto a determinação
de um valor de uso pela disposição final dos RCC’s que atenda
aos anseios dos construtores, às necessidades do Poder Público
e aos interesses da comunidade (SANCHES, 2004, p. 158).
48

Seguindo a linha de recomendação de Sanches (2004), a presente pesquisa dá

destaque às contribuições da Agenda 21 para a construção civil no desenvolvimento

deste estudo, pois se trata da fonte bibliográfica mais enriquecedora para este

trabalho. Se o objetivo for gerenciar de modo sustentável é preciso:

• Ter uma definição clara e ampla compreensão do que queremos


dizer com sustentabilidade;
• Partilhar com o público a filosofia que pode levar à compreensão
da relação entre os diferentes e complexos fatores que
contribuem para a sustentabilidade. Este é um aspecto que não
deve ser exclusivo da indústria da construção e seus clientes;
• É necessário estabelecer um sólido sistema de classificação que
dê estrutura ao problema, de tal modo que os complexos inter-
relacionamentos possam ser modelados de modo a auxiliar a
comunicação, estimular a compreensão e ampliar o
conhecimento;
• Desenvolver um conjunto de medidas, relacionadas aos
aspectos acima citados, que permitem calibrar o progresso
efetuado. De outro modo, como saberíamos que progresso foi
realmente conseguido?
• Desenvolver uma estrutura que permite o planejamento, projeto
construção, acompanhamento e retroalimentação de modo
sustentável, como parte integrante de ciclo de desenvolvimento e
habitação. Sem esta estrutura, a pauta de sustentabilidade será
estéril e inoperante;
• Deve-se estabelecer um protocolo para as tomadas de decisão,
inserido na estrutura acima, que desafiará todos os envolvidos
no processo de tomar decisões a agirem positivamente quando
se trata de sustentabilidade. Quando cabível esse protocolo deve
compelir as entidades reguladoras e o judiciário a aplicar o
consenso público (CIB, 2000, p. 57).

Os estudos da CIB (2005) sugeridos por meio da Agenda 21 internacional e os

estudos de Sanches (2004) complementam-se e servem como norteadores para as

políticas de GRCC a serem formuladas e implantadas no Brasil.


49

3.5 MARCOS LEGAIS COM ÊNFASE NA RESOLUÇÃO CONAMA nº. 307/2002

A nova atribuição outorgada pela Constituição Federal de 1988 aos estados e

Municípios, quanto à questão ambiental, cria a necessidade de formulação de

diversas políticas públicas em âmbito local.

No âmbito regional ou local, uma gestão ambiental integrada deve levar em

consideração tanto a consonância com o âmbito federal como o fortalecimento de

cooperações intermunicipais e a participação da população na definição de

prioridades associadas às práticas de gestão ambiental que devem envolver

planejamento, controle, acompanhamento e comunicação permanentes.

No âmbito nacional o único instrumento legal sobre RCC é a Resolução CONAMA

nº. 307/2002. Porém, são marcos importantes a Política Nacional de Meio Ambiente

e a Lei de Crimes Ambientais.

A Lei nº. 6.938/81, da Política Nacional de Meio Ambiente, instituiu o CONAMA e o

princípio poluidor-pagador.

O CONAMA é o Órgão consultivo e deliberativo do Sistema Nacional do Meio

Ambiente (SISNAMA) e, segundo Sanches (2004), vem continuamente legislando,

por meio de resoluções sobre atividades que interferem no equilíbrio ambiental.

O art. 4º, inciso VII, da Lei nº. 6.938/81 estabelece o princípio do poluidor-pagador:
50

Art. 4º - A Política Nacional do Meio Ambiente visará:


I - à compatibilização do desenvolvimento econômico social com
a preservação da qualidade do meio ambiente e do equilíbrio
ecológico;
II - à definição de áreas prioritárias de ação governamental
relativa à qualidade e ao equilíbrio ecológico, atendendo aos
interesses da União, dos Estados, do Distrito Federal, do Territórios e
dos Municípios;
III - ao estabelecimento de critérios e padrões da qualidade
ambiental e de normas relativas ao uso e manejo de recursos
ambientais;
IV - ao desenvolvimento de pesquisas e de tecnologias
nacionais orientadas para o uso racional de recursos ambientais;
V - à difusão de tecnologias de manejo do meio ambiente, à
divulgação de dados e informações ambientais e à formação de uma
consciência pública sobre a necessidade de preservação da
qualidade ambiental e do equilíbrio ecológico;
VI - à preservação e restauração dos recursos ambientais com
vistas á sua utilização racional e disponibilidade permanente,
concorrendo para a manutenção do equilíbrio ecológico propício à
vida;
VII - à imposição, ao poluidor e ao predador, da obrigação de
recuperar e/ou indenizar os danos causados, e ao usuário, de
contribuição pela utilização de recursos ambientais com fins
econômicos (BRASIL, 1981, s.p.).

Sanches (2004) observa que o art. 4º, supra citado, tem sido muito utilizado pelo

Poder Judiciário para responsabilizar civil e penalmente às condutas lesivas ao meio

ambiente, provenientes da disposição final inadequada dos resíduos, pois considera

culpado o provedor de danos ambientais seja este ocorrido por demonstração de

culpa ou dolo.

A Lei nº. 9.605/1998 de Crimes Ambientais institui como crime ambiental os

depósitos irregulares que possam prejudicar a flora, fauna, a função social da área

urbana e rural, a saúde pública e demais problemas de poluição de qualquer


51

natureza, que ocorram proveniente do lançamento de resíduos em desacordo com

as exigências estabelecidas em leis ou regulamentos.

No âmbito estadual, deve-se destacar os seguintes instrumentos legais: a Lei nº.

3.163/1973, a Lei nº. 6.529/1993, o Decreto nº. 7.639/1999, o Decreto nº.

7.967/2001, a Lei nº. 10.431/2006 e o PL nº. 16.043/2007.

A Lei nº. 3.163/1973 que criou o Conselho Estadual de Meio Ambiente (CEPRAM),

Órgão superior do Sistema Estadual de Administração dos Recursos Ambientais

(SEARA), que delibera sobre diretrizes, políticas, normas e padrões relacionados à

preservação e conservação ambiental e a Lei nº. 6.529/1993 que modifica o

CEPRAM.

O Decreto nº. 7.639/1999 regulamenta o SEARA (Sistema Estadual de

Administração dos Recursos Ambientais). Neste Decreto reserva-se um capítulo

específico para resíduos sólidos, que trata da definição do resíduo sólido e distinção

daqueles perigosos, também, determina os princípios para sua gestão, que são: a

não geração, minimização, reutilização, reciclagem, tratamento e disposição final.

O mesmo Decreto nº. 7.639/1999 institui também o Plano de Gerenciamento dos

Resíduos Sólidos (PGRS) como um instrumento de gestão que deve ser guiado

pelos princípios da Lei nº. 7.799/2001, revogada em 20/12/2006. O PGRS deverá

ser elaborado pelos geradores e pela Administração Pública local, quando esses

forem oriundos das atividades urbanas.


52

O Decreto nº. 7.967/2001 que regulamenta a Lei nº. 7.799/2001, que institui a

Política Estadual de Administração de Recursos Ambientais define no seu art.130 as

seguintes diretrizes para a gestão dos resíduos sólidos:

I - não geração, minimização, reutilização e reciclagem de resíduos


através de alteração de padrões de produção e de consumo e
desenvolvimento de tecnologias limpas;
II - desenvolvimento de programas de gerenciamento integrado de
resíduos sólidos;
III - uso de embalagens retornáveis e sua reutilização;
IV - desenvolvimento de tecnologias limpas para a reutilização,
reciclagem, tratamento e disposição final dos resíduos;
V - estabelecimento de parcerias objetivando otimizar a gestão dos
resíduos sólidos;
VI - desenvolvimento de programas de capacitação técnica na área
de gerenciamento de resíduos sólidos;
VII -promoção de campanhas educativas e informativas junto à
sociedade sobre a gestão ambientalmente adequada de resíduos
sólidos e sobre os efeitos na saúde e no meio ambiente dos
processos de produção e de eliminação de resíduos;
VIII - incentivo à criação de novos mercados e a ampliação dos já
existentes para os produtos reciclados;
IX - articulação institucional entre os gestores visando a cooperação
técnica e financeira, especialmente nas áreas de saneamento, meio
ambiente e saúde pública (BAHIA, 2001, p.50 e 51).

No art. 132 do Decreto nº. 7.967/2001 define-se os RCC como pertencentes ao

grupo de resíduos urbanos. No art. 133 determina como princípios para a gestão dos

resíduos sólidos de forma hierarquizada a não geração de resíduos, minimização da

geração, reutilização, reciclagem, tratamentos e, em último caso, a disposição final.

Neste Decreto, também são determinados nos art. 134 a 139 as responsabilidades

do gerador, transportador, das unidades receptoras e também competências

correlatas do então CRA (atual Instituto do Meio Ambiente – IMA) e, nos art. 138,

inciso IV, e 146 os deveres dos Municípios quanto os resíduos urbanos no qual se

enquadra os RCC.
53

O art. 138 estabelece como instrumento de gestão o Plano de Gerenciamento de

Resíduos Sólidos – PGRS, integrante do processo de licenciamento ambiental e o

seu conteúdo mínimo. No art. 140 determina as condições proibitivas de destinação

final dos resíduos sólidos.

A Lei nº. 10.431/2006, que dispõe sobre a Política de Meio Ambiente e Proteção à

Biodiversidade do Estado da Bahia, é hoje considerada o instrumento legal que

baliza a gestão dos resíduos sólidos no Estado. Dos seus princípios gerais, cabe

destacar no que diz respeito à GRCC:

- da adoção de práticas, tecnologias e mecanismos que contemplem


o aumento da eficiência ambiental na produção de bens e serviços,
no consumo e no uso dos recursos ambientais;
- do usuário e do poluidor pagador; da otimização do uso de energia,
matérias-primas e insumos visando à economia dos recursos
naturais, à redução da geração de resíduos líquidos, sólidos e
gasosos (BAHIA, 2006, s.p.).

Para alcançá-los foram determinadas as seguintes diretrizes da Lei nº. 10.431/2006:

- o incentivo à reciclagem e reuso dos recursos naturais, ao


desenvolvimento de pesquisas, à utilização de tecnologias mais
limpas, à busca da eco-eficiência e às ações orientadas para o uso
sustentável dos recursos ambientais;
- o estabelecimento de mecanismos de prevenção de danos
ambientais e de responsabilidade socioambiental pelos
empreendedores, públicos ou privados, e o fortalecimento do
autocontrole nos empreendimentos e atividades com potencial de
impacto sobre o meio ambiente;
- o estímulo à integração da gestão ambiental nas diversas esferas
governamentais e o apoio ao fortalecimento da gestão ambiental
municipal (BAHIA, 2006, s.p.).
54

Quanto às normas, diretrizes e padrões de emissão e da qualidade ambiental, o art.

29 define como diretrizes balizadoras desta política a não geração, minimização,

reutilização e reciclagem de resíduos e alteração de padrões de produção e

consumo, estimulando e valorizando as iniciativas da sociedade para o

aproveitamento de resíduos reutilizáveis e recicláveis.

Assim como no Decreto nº. 7.639, art. 31, e no Decreto nº. 7.967/2001, institui o

PGRS como instrumento de gestão dos resíduos sólidos. No art. 32, responsabiliza

os geradores de resíduos por quaisquer danos causados ao meio ambiente

independente de dolo ou culpa, e ainda, no inciso I, determina que a

responsabilidade do gerador não exime a do transportador e a do receptor.

Também, foi encaminhada a Assembléia Legislativa Projeto de Lei nº. 16.043/2007

que dispõe sobre a Política Estadual de Gestão de Resíduos Sólidos. Este Projeto

tem como instrumentos de gestão planos e projetos específicos de coleta,

transporte, tratamento, processamento e destinação final.

Estes planos e projetos deverão ser licenciados pelo IMA. Os planos e projetos

devem ter como metas a redução da quantidade dos resíduos gerados e o controle

satisfatório de possíveis efeitos ambientais. Tratando-se dos resíduos da construção

civil verifica-se que este Projeto de Lei está em conformidade com a Resolução

CONAMA nº. 307/2002.

No âmbito do município de Salvador, destacam-se quatro instrumentos legais:


55

- o Código de Polícia Administrativa do Município de Salvador de 1973, atualizado

pela Lei nº. 5.503/99, estabelece as diretrizes gerais da Limpeza Pública da cidade

(AZEVEDO, 2004);

- o Decreto nº. 12.133/1998 que significou um marco legal importante para a

regulamentação do gerenciamento dos RCC’s, inclusive técnicos da LIMPURB

colocam que este Decreto serviu como base a Resolução CONAMA nº. 307/2002.

O Decreto nº. 12.133/1998 visou à regulamentação do gerenciamento diferenciado

do entulho na cidade de Salvador estabelecendo obrigações para o pequeno e o

grande gerador. No entanto, o relatório da LIMPURB de 2006 inclui a necessidade

de adequar o referido Decreto à citada Resolução. Nas metas definidas, no

Planejamento Estratégico da empresa, foi prevista a elaboração de projeto de lei que

substituiria o Decreto nº. 12.133/1998, visando adequar a gestão municipal à

Resolução CONAMA nº. 307/2002;

- o Decreto nº. 12.066/1998 no seu art. 6º dispõe sobre o acondicionamento de

RCC.

A Lei nº. 7.400/2008, do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano do Município de

Salvador, sancionada em 20 de fevereiro de 2008, determina como uma das

diretrizes gerais da política ambiental do Município o reaproveitamento de resíduos

sólidos como medida política de economia ambiental, geração de emprego e renda

para os soteropolitanos; e no art. 243, Parágrafo Único, III, apresenta como medida
56

a “reciclagem de resíduos inorgânicos, em especial o entulho proveniente da

construção civil” (SALVADOR, 2008, p. 135).

As diretrizes apresentadas se colocadas em prática pelo Município poderiam

contribuir para melhorar a gestão dos RCC. Deve-se observar que ao grande

quantidade de perdas de materiais de construção nas grandes cidades provém de

reparos e reformas, e que no caso de Salvador, grande parcela da população não

tem recursos para ser assistida por técnicos responsáveis que a oriente,

favorecendo as perdas dos materiais de construção civil e muitas vezes o descarte

irregular.

Na construção civil, uma grande quantidade diária de resíduos formada por

argamassa, areia, cerâmicas, concretos, madeira, metais, papéis, plásticos, pedras,

tijolos, tintas e outros é um sério problema nas grandes cidades brasileiras e a

Resolução CONAMA nº. 307/2002 propõe uma gestão diferenciada destes resíduos.

A Resolução CONAMA nº. 307/2002 que trata do gerenciamento e disposição final

dos RCC e estabelece diretrizes, critérios e procedimentos para a gestão dos

resíduos da construção civil por meio da implementação de ações visa contribuir

para a efetiva redução dos impactos ambientais gerados pelos resíduos oriundos da

construção civil.

A Resolução CONAMA nº. 307/2002 e a Resolução CONAMA nº. 348/2004,

complementar, classificam os RCC como:


57

• Resíduos Classe A – (a) são os reutilizáveis ou recicláveis


como agregados de demolição, construção e pavimentação
inclusive solos; (b) são os cerâmicos, argamassa e concreto;
(c) são os pré moldados.
• Resíduos Classe B – são os resíduos recicláveis para outras
destinações tais como: plásticos, vidros, papel, madeiras e
outros.
• Resíduos Classe C – são os resíduos não recicláveis em
função da não existência de tecnologia apropriada (nesta
classificação encontra-se o gesso).
• Resíduos Classe D - são os resíduos perigosos, tais como:
tintas, solventes, óleos, resíduos de amianto e outros ou os
contaminados oriundos de clínicas radiológicas, instalações
industriais etc. (BRASIL, 2002, s.p.; BRASIL, 2004, s.p.).

Tal preocupação com esse detalhamento da classificação prende-se à questão da

disposição final cujas instruções estão no art. 10 da Resolução CONAMA nº.

307/2002. Cada resíduo é classificado em função da possibilidade de reutilização,

reciclagem e insere o planejamento para seu gerenciamento. Além de classificar, a

Resolução CONAMA nº. 307/2002 também indica para os resíduos uma destinação

em caso de não reaproveitamento.

A Resolução CONAMA nº. 307/2002 estabelece que cada Município deverá ter um

plano integrado de gerenciamento de resíduos da construção civil. O papel regulador

tende a ser assumido pelo Poder Público municipal.

Ficou estabelecido pela Resolução do CONAMA nº. 307/2002 que após a data que a

mesma entrou em vigor (02 de janeiro de 2003), os Municípios deveriam implantar

seus Planos Integrados de Gerenciamentos de Resíduos da Construção Civil, no

prazo máximo de doze meses, contemplando os Programas Municipais de

Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil específicos para geradores de


58

pequenos volumes, tendo o programa o prazo de dezoito meses para sua

implementação.

A Resolução CONAMA nº. 307/2002 estabelece que os geradores deveriam incluir

os Projetos de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil nos seus projetos

de obra sujeitos a aprovação dos Órgãos competentes, no prazo máximo de vinte e

quatro meses. Também no prazo máximo de dezoito meses, os Municípios deveriam

parar de dispor os RCC nos aterros de resíduos domiciliares e em áreas de “bota-

fora”.

O art. 8º, em sua §1º, define que os Projetos de Gerenciamento de Resíduos da

Construção Civil (PGRCC) de empreendimentos e atividades não sujeitos ao

licenciamento ambiental deverão estar em conformidade com o Programa Municipal

de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil (PMGRCC).

Nota-se um equívoco nesta colocação, já que PMGRCC é destinado apenas ao

pequeno gerador e o projeto deve ser elaborado pelo grande. Já o art. 5º desta

Resolução, estabelece que é o Plano Integrado de Gerenciamento de Resíduos da

Construção Civil (PIGRCC), de responsabilidade do Município, que deve traçar as

diretrizes técnicas e procedimentos para os PGRCC.

O CONAMA exige que as prefeituras criem políticas públicas de


gerenciamento dos resíduos urbanos. A idéia é que os gestores
municipais se mobilizem para que as construtoras apresentem um
plano de ação que evite o despejo de entulho de forma irregular no
meio ambiente (ROMERO, 2005, s.p.).
59

Pucci (2006) considera a Resolução CONAMA nº. 307/2002, necessária à definição

da legislação para o gerenciamento dos RCC e que a grande contribuição deste

instrumento é a responsabilização do gerador em relação aos resíduos por ele

gerado. Porém, Sanches (2004, p.39) contesta o exposto ao dizer que, “as ações do

CONAMA tem sido questionadas por não se tratar de lei e sim de simples ato

administrativo”. Então, é valida uma investigação mais profunda sobre Ato

Administrativo, a partir da sua definição:

É toda manifestação de vontade unilateral da Administração Pública


que, agindo nessa qualidade, tenha por fim imediato adquirir,
resguardar, transferir, modificar, extinguir ou declarar direitos ou
impor obrigações aos administrados ou a si própria (MEIRELLES,
1996, p. 46).

O Ato Administrativo provém do Poder Público, ou seja, de quem esteja investido em

prerrogativas estatais. Trata-se de uma manifestação que produz efeitos jurídicos, é

regido pelas normas de direito público, exercido no uso de prerrogativas públicas.

Ou seja, o Ato Administrativo tem força de lei, deve ser cumprido, ou poderá o

indivíduo ou empresa que se sujeita ao não cumprimento sofrer penalidades (DI

PIETRO, 2008).

Pucci (2006) encontra algumas falhas na Resolução CONAMA nº. 307/2002: a falta

de critérios para diferenciar o grande e o pequeno gerador e a não diferenciação dos

Municípios quanto a sua capacidade de adequação à Resolução. Dentre as

diferenciações, o autor destaca o tamanho dos Municípios, a infra-estrutura e a

capacidade de destinação diferenciada dos resíduos.


60

Entretanto, verifica-se uma contradição em Pucci (2006) quando se refere a falta de

definição de critérios para diferenciar o grande e o pequeno gerador.A definição

agravaria a diferenciação entre os Municípios no trato dos RCC, pois cada um pode

dar tratamento diferenciado. No que diz respeito a esta distinção, considera-se que a

mesma deve ser contemplada no Plano Integrado de Gerenciamento dos RCC

instituído pelo Poder Público Municipal e não na Resolução, uma vez que cada

Município tem características próprias e a definição dos diferentes geradores devem

melhor atender a administração local.

A distinção entre Municípios, não realizada na Resolução, é muito importante, visto

que, a maioria deles não tem recursos suficientes para o manejo adequado dos

RCC’s nem para construir pequenos aterros para disposição de resíduos oriundos

dos domicílios, necessitando de apoio técnico e financeiro dos Governo Federal e

Estadual para construção dos aterros.

A Resolução CONAMA nº. 307/2002 conduz o Município a ampliar sua atribuições

quanto aos serviços públicos, pois, a gestão diferenciada instituída necessita da

adoção de procedimentos para avaliação dos projetos de gerenciamento dos RCC,

avaliação de áreas para deposição temporária e permanente dos RCC e a

fiscalização do grande e pequeno gerador na aplicação dos procedimentos definidos

no Plano Integrado de Gerenciamento de RCC.

Tal Resolução visa direcionar soluções ao resíduo gerado e uma melhor destinação

a cada classe de materiais. Considera a existência de tecnologias apropriadas para

o aproveitamento tratando-se de um instrumento de comando e controle por meios


61

de licenciamento ambiental e fiscalização, ou seja, instituindo regras e padrões a

serem seguidos, disciplinando a segregação na fonte e o encaminhamento ao

resíduo que já foi gerado.

Figura 4 – Modelo de fluxo para a redução da geração de resíduos da construção civil em Salvador,
considerando as etapas contempladas pela Resolução CONAMA nº307/2002.

Considerando o modelo de fluxo para a redução da geração de resíduos da

construção civil proposto para Salvador (Figura 4) elaborado por Azevedo, Kiperstok

e Moraes (2006), verifica-se que a aplicação do modelo preconizado pela Resolução

CONAMA nº. 307/2002 atinge a etapa de prevenção no seu nível mais baixo das

práticas mais adequadas ambientalmente. Isso ocorre, porque a separação dos

resíduos gerados favorece procedimentos de reutilização e reciclagem tanto internas

como externas, porém não contempla instrumentos para as etapas de redução na

fonte.
62

O grau de avanço dos instrumentos de Comando e Controle em etapas mais

adequadas do ponto de vista ambiental no campo da prevenção da poluição é algo

percebido por muitos autores. O exemplo disso é a crítica feita à referida Resolução

quanto à exclusiva preocupação com a questão dos resíduos gerados não sendo

dado um enfoque na questão da matéria prima.

A cadeia produtiva da construção civil chega a consumir 50% dos recursos naturais

extraídos do planeta Terra (SCHNEIDER, 2003), sendo assim, torna-se necessária a

adoção de medidas preventivas como, por exemplo, a taxação do uso de matérias

primas, como forma de otimizar o uso dos recursos naturais. Ou ainda, como

preconizam Azevedo, Kiperstok e Moraes (2006), a introdução de taxa sobre os

RCC (princípio poluidor pagador), a promoção da sensibilização dos segmentos

envolvidos como forma de estimular a redução de desperdício e o uso de

procedimentos de reaproveitamento e reciclagem.

Segundo Kiperstok, Nascimento e Pereira (2003, p.31), “resíduos são matérias-

primas mal aproveitadas e poluição não é senão o resultado de uma baixa eficiência

no aproveitamento dos recursos naturais”. Desta forma, o uso de instrumentos

econômicos pode motivar o setor produtivo a adotar medidas de redução na fonte

por meio do aumento da eficiência do processo produtivo.

Segundo a Organization for Economic Co-operation and Development (OECD)

(2002) citado por Azevedo, Kiperstok e Moraes (2006), a contribuição na diminuição

dos impactos ambientais dos resíduos são provenientes do “uso de políticas mais
63

restritivas de gestão de resíduos sólidos e de tecnologias mais limpas, aliados a

exigência de um padrão ambiental mais alto” (AZEVEDO, KIPERSTOK e MORAES,

2006, p.34).

O modelo de gestão de RCC estabelecido pela Resolução CONAMA no. 307/2002 é

considerado um avanço, porém, tem suas limitações tanto no trato das diferenças

entre os Municípios, quando não considera as diferenças técnicas e econômicas

entre eles, como também, nas questões relacionadas à práticas de redução na

fonte.
64

4 METODOLOGIA

Neste item é apresentada a metodologia utilizada na pesquisa, que busca entender

a GRCC em Salvador por meio de desenvolvimento de pesquisa de campo com

agentes envolvidos na GRCC. A metodologia consiste na apresentação das

premissas adotadas na definição da amostra pesquisada para uma pesquisa

qualitativa, bem como dos critérios adotados para a coleta e tratamento de dados.

Primeiramente foi realizado um levantamento de informações e desenvolvimento

sobre gestão municipal de RCC em Salvador e a identificação de instrumentos de

gestão, legislação, resoluções, normas técnicas, intervenções e ações realizadas no

âmbito local por meio de revisão bibliográfica e levantamento documental.

Realizaram-se entrevistas preliminares, em caráter exploratório, para um

reconhecimento do universo da pesquisa. O ponto de vista de cada um dos agentes

serve de marco inicial para esta pesquisa, que no final, apresenta os resultados

numa segunda fase de entrevistas. Os agentes entrevistados foram LIMPURB, IMA,

SINDUSCON, CREA, SINTRACOM e SMA, cujo ponto de vista de todos segue

descritos.

Também foram realizadas visitas a sites de Órgãos municipais de limpeza pública

identificando as ações, intervenções e outras práticas de gestão de RCC.


65

Na visão da LIMPURB, o Programa de Gestão de Resíduos Sólidos da Construção

Civil é uma metodologia proposta na Resolução CONAMA nº. 307/2002, e na

mesma linha dos estudos de Sanches (2004) e da Agenda 21, reafirma a

responsabilidade do gerador, como também a necessidade da coleta seletiva e do

reaproveitamento dos resíduos gerados na construção civil. O ponto negativo é que

às vezes as ações municipais desenvolvidas para atender a referida Resolução são

interrompidas em função da descontinuidade administrativa.

O Plano Municipal de Gestão Diferenciada dos Resíduos da Construção Civil para

Salvador foi elaborado desde 1997 e o Termo de Referência para elaboração dos

Projetos de Gerenciamento dos Geradores foi elaborado sete anos após, em 2004.

Segundo a LIMPURB (2004), no período da pesquisa, algumas ações de GRCC

estavam sendo desenvolvidas pelo Poder Público Municipal, com a finalidade de

atender as diretrizes da Resolução CONAMA nº. 307/2002. Estas ações

contemplavam:

• Aquisição de duas áreas localizadas em Sussuarana e na BR-324 para

implantar os aterros de inerte classe A.

• Recadastramento das empresas e dos motoristas que realizam o transporte

de entulho.

• Elaboração de Projeto de Usina de Reciclagem de entulho.

• Busca de parceria para implantar o Projeto da Usina de Reciclagem.

• Depósito dos resíduos no Aterro de Canabrava, que já ocorre desde 1996.

• Disposição de pequenos geradores, até 2m³ que irão transportar o material

até os Postos de Entrega Voluntária (PEVs).


66

• Acompanhamento da implantação do projeto de Gestão dos Resíduos da

Construção Civil fundamentado na referida Resolução CONAMA nº.

307/2002, do empreendimento do Shopping Salvador.

O então Centro de Recursos Ambientais da Bahia (CRA/BA), atual IMA trabalha em

Salvador para adequar o licenciamento ambiental à Resolução CONAMA nº.

307/2002, exigindo dos empreendedores a apresentação do PGRCC no processo de

licenciamento, porém não executa efetiva fiscalização, esta só é realizada quando

há denúncia.

Segundo o SINDUSCON/BA, a Prefeitura Municipal de Salvador até o momento da

conclusão desta pesquisa ainda não apresentou a legislação para regulamentar a

Resolução CONAMA nº. 307/2002, e auxiliar na elaboração dos Planos e Projetos

de Gerenciamento dos RCC desde a data que a Resolução entrou em vigor até a

presente data.

Algumas construtoras juntamente com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e

Pequenas Empresas (SEBRAE), Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial

(SENAI) e Cooperação Técnica Alemã (GTZ) desenvolve em Salvador, desde 2005,

um programa de capacitação de técnicos da construção civil (CONSULADO GERAL

DA REPÚBLICA FEDERAL DA ALEMANHA, 2005). Tem como objetivo implantar a

metodologia para a prática de gestão integrada de racionalização na construção civil

e gestão de resíduos sólidos no canteiro de obras, aliando a utilização de

agregados, visando uma maior adequabilidade das empresas da construção civil à

Resolução CONAMA nº. 307/2002.


67

Os dados colhidos nestes levantamentos, tanto de campo como bibliográfico, foram

necessários para a definição da situação que se encontrava o universo da pesquisa

frente ao problema a ser estudado, bem como a definição do marco teórico

referencial e revisão da literatura, para juntos subsidiar a pesquisadora na análise e

discussão dos dados primários levantados na próxima fase de coleta em entrevistas.

Posteriormente foram levantados dados primários por meio de entrevistas semi-

estruturadas, numa segunda fase de entrevistas, realizadas em cada um dos

agentes envolvidos na GRCC:

• Do Poder Público: Empresa de Limpeza Urbana do Salvador (LIMPURB);

Superintendência do Meio Ambiente (SMA); Superintendência de Controle e

Ordenamento do Uso do Solo de Salvador (SUCOM); Instituto do Meio

Ambiente (IMA).

• De entidades de classe: Sindicato da Construção Civil da Bahia

(SINDUSCON/BA); Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia

da Bahia (CREA/BA); Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil e da

Madeira da Bahia (SINTRACOM/BA).

Esta pesquisa identificou a atuação dos agentes envolvidos na GRCC no Município

de Salvador, verificou o papel de cada um desses agentes na GRCC, e realizou uma

análise do conteúdo das entrevistas, tratadas com aprofundamento no ítem 5.


68

As entrevistas feitas a estes agentes buscaram identificar as dificuldades da

implementação de uma GDRCC, sobre diferentes óticas dos agentes envolvidos,

observando entraves técnicos, institucionais e legais. Buscou-se também obter uma

comparação do modelo vigente e o modelo de gestão diferenciada preconizado à luz

da academia, sendo como referência o estudo realizado por Azevedo, Kiperstok e

Moraes (2006) e também o estabelecido na Resolução CONAMA nº. 307/2002.

A análise dos limites e das possibilidades de implementação da GRCC na cidade de

Salvador, foi possível por meio do conjunto dos dados primários com os

secundários.

Além das entrevistas e dos resultados dos questionários, utilizou-se a análise de

documentos, fundamentais para esta avaliação, como: Planos Municipais de

Salvador; Propostas Técnicas do Sistema Integrado de Tratamento de Lixo;

Proposta de Manejo de Entulho; Relatórios Técnicos Sobre Gestão Diferenciada de

Entulho; Projeto Coleta de Entulho; Projeto Entulho Bom; Termo de Referência –

Projeto de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil – PGRCC.

As informações colhidas nas entrevistas passaram por uma análise de conteúdo em

que se buscou extrair a visão de cada Órgão quanto a:

a) Impactos e dificuldades referentes à implantação da Resolução CONAMA nº.

307/2002.
69

b) Instrumentos e legislação disponíveis para aplicação da Resolução CONAMA nº.

307/2002.

c) Atuação do Órgão/entidade quanto a GRCC.

d) Gestão responsável e seus entraves

e) Diagnósticos e Considerações.

Além dessas temáticas, é apresentada uma síntese analitica sobre a Resolução

CONAMA nº. 307/2002 e o contexto que cada órgão se encontra inserido no

município de Salvador no que se refere a essa resolução.

Sobre o método de abordagem qualitativa, segundo Maanem (1979, p. 520),

[...] compreende um conjunto de diferentes técnicas interpretativas


que visam a descrever e a decodificar os componentes de um
sistema complexo de significados. Tem por objetivo traduzir e
expressar o sentido dos fenômenos do mundo social; trata-se de
reduzir a distancia entre o indicador e o indicado, entre teoria e
dados, entre contexto e ação.

Além disso, um pesquisador deverá ter maturidade e segurança na hora da escolha

do método para sua pesquisa, ainda assim não há método que dê instrumento

necessário a todas as descobertas a cerca do problema, pois, uma pesquisa

científica deve parar em algum momento planejado, assim que alcance o objetivo do

projeto. Nenhuma pesquisa responde a todos os problemas possíveis de uma


70

problemática, devendo ela servir para além da resposta e também para instigar

outras pesquisas, sendo ela um novo ponto de partida (DENKER, 2001).

Para o levantamento de como as empresas tem realizado a gestão dos RCC nos

canteiros de obras foram avaliados dados secundários obtidos da pesquisa realizada

no segundo semestre de 2006 pelo Serviço Nacional Aprendizagem Industrial

SENAI/FIEB (Anexo B apresentada parcialmente e C – Cartilha: Resíduos da

Construção, da geração à destinação responsável) junto à engenheiros e mestres de

obras de 23 obras realizadas em Salvador (SENAI, 2007), intitulado “Resíduos de

construção: da geração à destinação responsável”.

A autora participou da pesquisa realizada pelo SENAI, que teve como resultado o

relatório “Resíduos de construção: da geração à destinação responsável” (SENAI,

2007). Sua participação se deu em duas fases, a primeira na elaboração do escopo

da pesquisa, fase que definiu suas diretrizes, objetivos e metas, bem como a

metodologia; e na segunda fase que compreendeu a revisão final do relatório,

quando a pesquisadora fez suas contribuições e sugestões ao relatório final.

O conjunto de informações é referente às construtoras, as obras e sobre a gestão de

resíduos sólidos aplicados nos canteiros de obras visitados. Este último busca

identificar: os serviços no canteiro de obras que mais geram resíduos; quais

resíduos gerados são mais problemáticos; processos produtivos adotados;

tecnologias; estrutura das empresas, limitações orçamentárias na adoção de

tecnologias e técnicas de racionalização; a qualidade do projeto e da modulação;

administração de materiais; qualidade da mão de obra; custo por remoção dos


71

resíduos no canteiro de obras e outros aspectos intervenientes na geração e

segregação dos RCC.

As informações obtidas neste levantamento juntamente com os dados obtidos em

outras fontes consultadas pela pesquisadora foram importantes para avaliar o grau

de organização e desempenho de algumas empresas de construção civil, que atuam

na cidade de Salvador, nos aspectos da gestão dos resíduos sólidos, ilustrando

pontos que precisam ser fortalecidos e identificando aspectos, que o Poder Público

Municipal pode intervir por meio de instrumentos legais e operacionais.

O objetivo da utilização da pesquisa do SENAI é atender o terceiro objetivo

específico deste trabalho, ao levantar como as empresas têm efetivado a GRCC nos

canteiros de obra à luz da Resolução CONAMA nº. 307/2002 por meio dos

resultados oriundos de pesquisa realizada pelo SENAI/Bahia.

A pesquisa realizada pelo SENAI/BA foi uma pesquisa de campo de abordagem

quantitativa e qualitativa e como método de coleta de dados foram realizadas

entrevistas e aplicados questionários (ANEXO B e C).

a) Objetivo da pesquisa SENAI/BA

O objetivo principal desta etapa é obter informações gerais sobre


geração e gestão de resíduos em obras na cidade de Salvador,
através de entrevistas com os responsáveis pelas obras e pela
destinação dos resíduos de construção gerados (SENAI, 2007, p.5).

b) Composição da amostra
72

A preocupação do SENAI era em obter uma amostra diversificada das atividades

construtivas no período de agosto a outubro de 2006. O SENAI Dendezeiros,

SINDUSCON/BA e ADEMI listaram 46 empresas que estavam operando em

Salvador. A maioria das empresas estavam realizando obras. Verificada que a

maioria delas construía edifícios altos, também, buscou-se empresas que tivessem

realizando obras de conjuntos habitacionais e condomínios de prédios de pequena

altura. Das empresas identificadas, 29 aceitaram participar da pesquisa.

Vale salientar que a amostra foi estabelecida por convite realizado via telefone, fax e

outros meios. Muitas empresas não responderam ao convite, desta forma, pode-se

considerar que houve um revés na pesquisa considerando-se que as empresas mais

irregulares não quiseram colaborar.

c) Perfil das obras

As obras pesquisadas localizavam-se no Município de Salvador, sendo a maioria

nos bairros da Pituba e proximidades. As obras apresentam as seguintes

características.

- quanto à estrutura:

• 27 obras são estruturas convencionais de concreto e vedação em

alvenaria;

• 2 são de alvenaria estrutural;


73

- quanto ao número de pavimentos:

• 10 obras possuem até 10 pavimentos;

• 17 obras possuem entre 10 e 20 pavimentos;

• 2 obras possuem mais de 20 pavimentos.

d) Pontos relevantes

Como há uma diferença entre a pesquisa realizada pela autora e a realizada pelo

SENAI/FIEB, utilizou-se da última apenas os resultados que abordavam os aspectos

que atendem ao objetivo dessa dissertação. Então, quanto aos resultados, interessa

particularmente o significado das respostas obtidas sobre as seguintes indagações

presentes no questionário, que são sobre:

• as principais causas da geração dos resíduos;

• as soluções que têm sido adotadas para cada tipo de material nos canteiros

de obras observadas em Salvador;

• as principais formas adotadas pela construtora para remoção dos resíduos;

• se existe algum beneficiamento dos resíduos coletados na obra;

• como fazem o transporte de seus resíduos;

• se as empresas possuem implantado Sistema de GRCC;

• se conhecem os aterros disponíveis em Salvador para disposição de RCC;

• que tipos de controle tem sido implantadas na obra;


74

• se a equipe técnica têm conhecimento sobre documentos e normas legais

importantes como referência para a gestão dos RCC.

Estas informações, ou seja, como as empresas têm efetivado a gestão dos RCC nos

canteiros de obras no intuito de discutir como tem sido realizada a GRCC em

Salvador é apresentada no item 5.2.


75

5 RESULTADOS E DISCUSSÃO

5.1 O PAPEL DOS AGENTES DA GRCC

A pesquisa bibliográfica-documental identificou como papel de cada um dos

agentes, assim definidos nos seus regimentos:

• Papel do CRA/BA, atual IMA/BA

CAPÍTULO II
FINALIDADE E COMPETÊNCIA

Art. 2º - O Centro de Recursos Ambientais - CRA, Órgão integrante


do Sistema Estadual de Administração de Recursos Ambientais -
SEARA, tem por finalidade executar a Política Estadual de
Administração dos Recursos Ambientais (BAHIA, 2008, s.p.).

A Constituição Federal coloca que o licenciamento também é de

competência municipal, ou seja, os Municípios podem licenciar seus

empreendimentos ou atividades de impacto local desde que eles se estruturem.

Então como a Prefeitura Municipal de Salvador conta em sua estrutura com a SMA,

o processo de licenciamento ambiental deverá ser realizado pela mesma ou pelo

Conselho Municipal de Meio Ambiente (COMAM).


76

• Papel do SINTRACOM/BA

Capítulo I
Da Denominação e Finalidades do Sindicato
Artigo 2º - O Sindicato para atingir sua finalidade, tem como
princípios e compromissos:
a) A unidade de todos os trabalhadores da base na luta em defesa
de seus interesses imediatos e futuros, desenvolvendo atividades na
busca de soluções para os problemas das categorias, tanto em vista
a melhoria de suas condições de vida e trabalho, agindo sempre no
interesse mais geral do povo brasileiro (SINTRACOM/BA, 2005, s.
p.).

Uma entidade sindical tem a função de defender os interesses da

categoria de trabalhadores que representa. Nas sociedades atuais dos países em

industrialização, a teoria e a ação sindical estão diante de significativos e novos

desafios devido à emergência rápida de novos agentes sociais, tanto no campo

como nas cidades, e as transformações da economia e das instituições (SINPRORP,

2008). Nestes termos é papel do SINTRACOM/BA defender a qualificação

profissional, estimulando a celebração de convênios e acordos com entidades

públicas, privadas e organizações não governamentais, nacionais e internacionais,

visando à implementação de ações que qualifiquem a mão de obra da categoria que

representa o que resultará em empregabilidade para os trabalhadores da construção

civil.

• Papel do CREA/BA

O estatuto do CREA/BA estabelece que:


77

CAPÍTULO I
DA NATUREZA, DA FINALIDADE E DA ORGANIZAÇÃO DO CREA

Art. 2º No desempenho de sua missão, o Crea é o Órgão de


fiscalização, de controle, de orientação e de aprimoramento do
exercício e das atividades profissionais da Engenharia, da
Arquitetura, da Agronomia, da Geologia, da Geografia e da
Meteorologia, em seus níveis médio e superior, no território de sua
jurisdição.
Parágrafo único. O Crea, para cumprimento de sua missão, exerce
ações:
I – promotora de condição para o exercício, para a fiscalização e
para o aprimoramento das atividades profissionais [...] (BAHIA,
2008, s. p.).

O papel do CREA/BA aproxima-se ao do SINTRACOM/BA, cabendo ao CREA/BA a

atuação em outro nível de qualificação, orientação, e fiscalização da atividade

profíssional na construção civil em níveis médio e superior. A missão da entidade

reforça esta idéia, que é de: "Orientar, valorizar e fiscalizar o exercício ético-legal da

Engenharia, Arquitetura, [...], em níveis superior e médio, em prol da melhoria da

qualidade de vida da sociedade" (CREA/BA, 2008, s.p.). Vale lembrar que a

Resolução CONAMA nº. 307/2002 tem seu papel de melhorar a qualidade de vida

da sociedade no que se refere aos impactos causados pelos RCC.

• Papel da LIMPURB

A LIMPURB integra a Administração Indireta da Prefeitura Municipal do Salvador. O

Estatuto Social aprovado pelo Conselho de Administração, estabelece que a

LIMPURB tem a finalidade de planejar, organizar, coordenar, controlar, comandar e

executar, os serviços do sistema de limpeza urbana no Município do Salvador

(LIMPURB, 2008).
78

• Papel da SUCOM

Cabe à SUCOM,

CAPÍTULO II
Finalidade e Competência

Art.1º. À Superintendência de Controle e Ordenamento do Uso


do Solo do Município - SUCOM, que tem por finalidade exercer a
função de supervisionar, acompanhar, fiscalizar e planejar o
cumprimento das normas relativas ao ordenamento do uso e
ocupação do solo no Município de Salvador [...] (SALVADOR, 2008,
s.p.).

Conforme encontra-se estabelecido no seu regimento, a SUCOM tem papel de

gestor do uso do solo no Município de Salvador. Para se executar a Resolução

CONAMA nº. 307/2002 o projeto da obra deve ser submetido à autorizações do

Município, no que se trata da GRCC, cabendo à SUCOM analisar, emitir alvarás de

construção, fiscalizar a obra e emitir pareceres quanto ao cumprimento da

Resolução CONAMA nº. 307/2002, quando a obra não for passível de licenciamento

ambiental. Esta pode ser a contribuição da SUCOM, além de coordenar os demais

agentes envolvidos no cumprimento da referida Resolução, listados neste universo

de pesquisa

• Papel da SMA

A SMA tem a Missão de

Promover a consciência ambiental, a conservação e a preservação


dos recursos naturais por meio da articulação, gestão integrada e
participativa buscando o desenvolvimento sustentável, o equilíbrio
79

urbano-ambiental e a qualidade de vida em Salvador (SMA, 2008,


s.p.).

Além da missão da SMA as suas competências prevêem colaboração na GRCC,

conforme segue:

Competências:
I- Coordenar e executar as políticas, diretrizes e metas relacionadas
ao meio ambiente;
II- Estimular e realizar o desenvolvimento de estudos e pesquisas de
caráter científico, tecnológico, cultural e educativo, objetivando a
produção e a difusão do conhecimento ambiental;
III- Promover medidas de prevenção, mitigação e correção das
alterações nocivas ao meio ambiente natural, urbano, rural e insular;
IV- Analisar e aprovar projetos de empreendimentos e de atividades
que possuam envolvimento ambiental, em conformidade com a Lei
de Ordenamento do Uso e da Ocupação do Solo ou instrumento
legal que a suceda;
V- Executar o licenciamento ambiental no Município;
VI- Emitir pareceres, com base em análise prévia de projetos
específicos e laudos técnicos;
VII- Conceder autorizações, manifestações prévias e licenças
ambientais de empreendimentos ou atividades efetiva ou
potencialmente causadoras de impactos ambientais, excetuados os
casos de competência do COMAM;
VIII- Integrar a política ambiental às políticas setoriais previstas no
Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano - PDDU do Município;
IX- Articular as ações ambientais nas perspectivas metropolitana,
regional e nacional;
X- Garantir a participação da comunidade no processo de gestão
ambiental, assegurando a representação de todos os segmentos
sociais no planejamento da política ambiental do Município através
de fóruns, audiências públicas, seminários, conferências e da
Agenda 21;
XI- Recomendar ações destinadas a articular os aspectos
ambientais dos planos, programas, projetos, atividades
desenvolvidas pelos diferentes Órgãos municipais, estaduais e
federais [...] (SALVADOR, 2008, s.p.).

Como pode ser visto acima, a SMA é um Órgão estratégico na execução da

Resolução CONAMA nº. 307/2002.


80

• SINDUSCON/BA

O SINDUSCON/BA é uma entidade privada, sem fins lucrativos, agregativa dos

interesses da categoria econômica da Indústria da Construção do nosso Estado.

Tem a missão de representar, unir, defender e fortalecer institucionalmente o

segmento (SINDUSCON, 2008). Assim, como a sua missão, o seu estatuto prevê o

apoio do desenvolvimento do segmento que representa, destacando-se o

[...].
Artigo 3º - São deveres do Sindicato:
I. Colaborar com os Poderes Públicos no desenvolvimento da
solidariedade social.
II. Colaborar com o Estado como Órgão Técnico e Consultivo no
estudo e solução dos problemas que se relacionem com a categoria
econômica representada.
[...].
Artigo 4º - São objetivos do Sindicato, além daqueles previstos na
legislação pertinente:
I. Promover pesquisas técnicas, econômicas e financeiras, visando o
aperfeiçoamento da indústria da construção, podendo para tal fim,
firmar convênios com entidades especializadas.
II. Estimular a formação técnica da mão-de-obra em todos os seus
níveis [...].
III. Estimular o desenvolvimento da capacidade técnica e empresarial
das associadas.
V. Promover a divulgação às associadas de informações
relacionadas com a indústria da construção, sempre que necessário
e possível, podendo, para tal fim, editar boletim informativo ou outro
periódico qualquer com este objetivo (SINDUSCON, 2008, s.p.).

O que se pode notar na missão e estatuto do SINDUSCON/BA, é que um dos seus

principais papéis frente à Resolução CONAMA nº. 307/2002 é contribuir no

desenvolvimento de tecnologias que a construção civil precisa para aplicar a referida

Resolução.
81

Assim, tem importante papel junto às outras entidades entrevistadas no que diz

respeito à implementação da Resolução CONAMA nº. 307/2002.

O entendimento dos papéis supra citados é importante para compreender a análise

feita a seguir, onde são apresentados e definidos os resultados da pesquisa que

visou compreender a GRCC em Salvador em relação ao atendimento da Resolução

CONAMA no. 307/2002.

• ARSAL

O Município de Salvador, cria por meio da Lei nº 7.394, de 28.12.2007, a Agência

Reguladora e Fiscalizadora dos Serviços de Limpeza Urbana e Manejo de Resíduos

Sólidos de Salvador – ARSAL. A Agência tem papel de regulamentar e fiscalizar a

ação pública e privada na coleta, transporte, tratamento e destino final dos RCC. A

mesma Lei autoriza o Poder Executivo Municipal a contratar empresas sob parceria

público-privada, na modalidade de concessão administrativa, para auxiliar o

Município na coleta, transporte, tratamento, destino final dos RCC’s, sendo que os

recursos para pagamento das contratações estão previsto por meio do Fundo

Municipal de Limpeza Urbana - FMLU de que trata esta Lei, e na falta ou

insuficiência destes, com recursos orçamentários ou outra forma de contraprestação

prevista em lei federal.


82

5.2 ANÁLISE DAS ENTREVISTAS

Apresenta-se na seqüência, a síntese da visão de representante de cada entidade

entrevistada, abordada e discutida em relação aos seguintes tópicos: a) Impactos e

dificuldades referentes à implantação da Resolução CONAMA nº. 307/2002, b)

Instrumentos e legislação para aplicação da Resolução CONAMA nº. 307/2002; c)

Atuação do órgão/entidade quanto á GRCC d) Gestão responsável e seus entraves,

instrumentos e ações, e e) Diagnóstico e considerações.

5.2.1 Impactos e dificuldades referentes à implantação da Resolução CONAMA no.

307/2002

a) Visão do IMA/BA

A visão do IMA/BA é que na Resolução CONAMA no. 307/2002 faltam critérios e

diretrizes para sua implementação, principalmente, no que diz respeito ao que é o

grande gerador, embora em Salvador já existisse uma legislação que fazia essa

diferenciação. O entrevistado chama a atenção para a questão da minimização dos

resíduos ter sido deixada em segundo plano, sendo discutido basicamente a

questão da destinação final destes resíduos.


83

Segundo o entrevistado, a referida Resolução não mudou muito os procedimentos

do Órgão. Isto tem se dado na verdade devido a não implementação da Resolução

CONAMA no. 307/2002, o que segundo ele se ocorresse viria a somar com os

esforços do Órgão, “sinceramente não impactou nada ainda. Nem positivamente,

nem negativamente porque a gente não tem condição de dizer que estará sendo

implementada”.

Quando questionado sobre a capacidade do IMA/BA de analisar os Projetos de

GRCC a resposta foi a seguinte: “Na verdade o IMA não faz o gerenciamento dos

resíduos, ele tem que buscar que isso seja implementado não pelo Estado mais pelo

empreendimento que o Estado licencia [...]”. Com relação aos instrumentos e a

legislação que orientam o gestor municipal e o gerador na GRCC foram citadas

basicamente a Resolução CONAMA no. 307/2002 e a legislação ambiental como um

todo.

b) Visão do SINTRACOM/BA

A entrevista oportunizou constatar que há um desconhecimento do SINTRACOM/BA

com relação à Resolução CONAMA no. 307/2002 e as causas e conseqüências dos

RCC. Seis anos após a publicação da Resolução CONAMA, o Sindicato tem pouco

conhecimento do seu teor, conforme afirma o seu presidente: “Não me aprofundei

ainda sobre a Resolução CONAMA no. 307/2002, toda a totalidade dela, a gente
84

sempre discute um pouco, mas não chega a discutir o fundamental como seria ela

implantada e como agiria nesse ponto”.

O Sindicato não reconhece qual seria o seu papel na GRCC e ainda nega esse

papel, como observado na fala do entrevistado: “Fica difícil para um Sindicato dos

Trabalhadores responder de que forma a gente poderia reduzir os resíduos da

construção civil. Porque não cabe muito ao Sindicato analisar de que forma é que

tem”.

O que o representante do SINTRACOM/BA relata no parágrafo anterior é

contraditório com a análise do seu próprio regimento, com o referencial teórico desta

pesquisa a exemplo de Pinto (2001), Sanches (2004) e a Agenda 21, com os novos

paradigmas do que é um sindicato e da Resolução CONAMA no. 307/2002, pois

cabe ao SINTRACOM/BA desenvolver ações que visem a qualificação da mão de

obra da categoria que representa, o que resultaria em uma das condições

necessárias para se cumprir a Resolução CONAMA no. 307/2002 e empregabilidade

para os trabalhadores da construção civil.

O Sindicato também desconhece o problema e o entrevistado afirma que: “Hoje as

grandes construtoras praticamente não deixam resíduos [...] Se é que esse resíduo

dá prejuízo [...]”.
85

c) Visão do CREA/BA

O CREA/BA admite a Resolução CONAMA no. 307/2002 como: “uma Resolução de

grande importância, principalmente, para um setor que produz uma grande

quantidade ou um grande volume de resíduos”. Contudo, o entrevistado alerta: “o

que precisa é efetivamente procurar colocar em prática, porque a gente acha que ela

não está totalmente sendo executada”.

Quando questionado sobre o papel do CREA/BA diante do publicado pela

Resolução CONAMA nº. 307/2002, o entrevistado admite o CREA/BA como um

“fiscalizador”. Ele complementa que o Órgão deve, “exigir que essa atividade seja

executada por profissional devidamente habilitado. Então, no caso, iria exigir a

Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) para esse projeto de resíduos sólidos,

pelo GRCC referente aquela obra.” Com essa fala, o CREA/BA assemelha-se a uma

postura próxima a adotada pelo SINTRACOM/BA, se limitando apenas na

fiscalização da atuação dos profissionais, ignorando que cabe ainda ao CREA/BA

atuar promovendo qualificação da atividade profíssional na construção civil em

níveis médio e superior, conforme seu regimento e a importância da qualificação

desta mão de obra abordada por Pinto (2001), Sanches (2004) e a Agenda 21.
86

d) Visão da LIMPURB

A empresa tem uma avaliação positiva da Resolução CONAMA no. 307/2002. Na

visão da LIMPURB, a Resolução CONAMA veio “dar maior sustentabilidade ao

modelo cumprido [...] desde 1997 à coleta diferenciada, mais especificamente ao

entulho, que é o classe A desta Resolução”.

Quando questionado sobre os aspectos da Resolução CONAMA nº. 307/2002, o

entrevistado aponta que ela: “veio realmente otimizar a gestão dos resíduos da

construção civil, porque nós estávamos trabalhando só entulho, propriamente dito, é

o que tem o maior volume dos resíduos provenientes da construção civil e ela veio

acrescentar os materiais reciclados.” O discurso da LIMPURB é coerente com as

recomendações de Cassa (2001) no que diz respeito à GRCC, inclusive no que se

trata de reaproveitamento e reciclagem, previsto desde o seu estudo “Projeto

Entulho Bom” (CASSA, 2001).

Quanto aos pontos a serem aperfeiçoados o entrevistado, primeiramente, conduz

sua resposta direcionando os aspectos a serem melhorados nos Órgãos

fiscalizadores: “Porque o que falta [...] é os Órgãos fiscalizadores está afinado no

seu papel”. O entrevistado aponta uma falta de amparo legal aos Órgãos

fiscalizadores para poder notificar ou cobrar o gerador de RCC infrator. Por fim, o

entrevistado aponta “a falha na Resolução é que faltou um resíduo que é muito

importante e que toda a construção civil tem [...] a parte de matéria orgânica não foi

contemplada”. A limpeza do terreno, inclusive com o destocamento das espécies

vegetais gera um grande volume de material vegetal, denominado resíduos de poda.


87

Para concluir a fala na temática Impactos e Dificuldades, o entrevistado relata: “Eu

acho que ela não trouxe nenhum impacto, ela veio fortalecer, porque a gente já tinha

um projeto”.

e) Visão da SUCOM

A SUCOM reconhece o seu papel como de polícia no Município de Salvador. Há

uma limitação na participação da SUCOM na GRCC, conforme a fala do

entrevistado: “Aqui na SUCOM a gente não tem esse processo todo da Resolução.

A gente enxerga o início e o final. O licenciamento e para onde vai”.

Quando questionado sobre a avaliação da Resolução CONAMA nº. 307/2002, o

entrevistado diz que: “É um documento sério, importante inclusive para a

preservação do meio ambiente, agora, de difícil implementação”.

Na visão da SUCOM há alguns entraves que dificultam a implementação da

Resolução CONAMA, sendo a principal delas a falta de indicação das áreas de

aterro dos RCC, por parte do Município e do grande gerador. Sobre isso, o

entrevistado diz que: “[...] no caso da SUCOM, ela está enxergando as áreas porque

é o papel dela [...]”.


88

Quanto à dificuldade de falta de local para o destino do RCC, o entrevistado diz que

este Órgão não pode agir efetivamente, contudo dá sua contribuição levantando a

discussão: “Então eu acho que a gente provoca um pouco que eles pensem nisso,

embora nós não tenhamos uma solução efetiva, mas pelo menos estão se sentindo

incomodados”.

A Resolução CONAMA nº. 307/2002 preconiza no seu Art. 8O, §1O, que os

empreendimentos não sujeitos ao licenciamento ambiental deverão apresentar o

projeto de GRCC juntamente com o projeto de engenharia do empreendimento para

análise. No entendimento da autora cabe à SUCOM o papel fundamental de analisar

e emitir alvará de construção e/ou reforma a estes projetos, papel este não admitido

pelo entrevistado. O entrevistado se contradiz ao citar que a SUCOM é responsável

pela indicação das áreas e ao mesmo tempo comenta que o Órgão não pode agir,

pois não é papel da SUCOM indicar as áreas para o aterro de RCC.

f) Visão da SMA

A entrevista feita neste Órgão revelou um desconhecimento do que se trata a

Resolução CONAMA nº. 307/2002, mas também uma disposição na fala do

entrevistado: “ela vai ter que ser seguida, ela vai ter que ser respeitada [...]”. Sobre

as perguntas feitas nesta temática nenhuma resposta coerente foi apresentada, o

entrevistado afirma que o papel da Resolução CONAMA é: “dar soluções para

minimizar essas situações de miséria, de pobreza, que as cidades brasileiras estão


89

contempladas”. Quando questionado sobre os aspectos a serem melhorados e as

dificuldades encontradas para a implementação do modelo de GRCC da Resolução

o entrevistado não respondeu às perguntas.

O papel da SMA vem a complementar o da SUCOM, conforme o mesmo Art. 8O, §

2O, quando aborda que o projeto de GRCC de empreendimentos sujeitos ao

licenciamento ambiental, deverá ser analisado dentro do processo de licenciamento

junto ao Órgão competente. Do mesmo modo, a autora entende, como sendo da

SMA o papel de emitir licenças ambientais, condicionadas à analise do projeto de

GRCC, conforme estabelece a Resolução CONAMA nº. 307/2002.

g) Visão do SINDUSCON/BA

Quando questionado sobre o papel da entidade na GRCC o entrevistado responde

que: “Ainda não foi estabelecido o Programa Municipal de Gerenciamento de

Resíduos da Construção Civil. Desta forma, os papéis não estão definidos”. A

resposta pode estar correta quando trata da falta do Programa Municipal de GRCC,

contudo, de acordo com o que preconiza a Resolução CONAMA nº. 307/2002, as

empresas afiliadas ao SINDUSCON são grandes empresas, cabendo a elas a

elaboração de Projeto de GRCC. A concentração de esforços deste Sindicato

deveria ser na elaboração do PIGRCC, que deveria contemplar onde deverá constar

as diretrizes técnicas do Projeto de GRCC.


90

O entrevistado também disse que a entidade atua no sentido de auxiliar as

empresas a atender à Resolução com produção de conhecimentos técnicos e

oferecendo capacitação em parceria com outros Órgãos.

A entidade faz uma avaliação positiva da Resolução, e indica como um dos aspectos

a serem melhorados a definição de pequenos e grandes geradores, reafirmando a

abordagem realizada por representantes de outras entidades e Órgãos

entrevistados. Pode ser encontrada no Relatório Final do Projeto de Gestão

Diferenciada de Entulho na Cidade do Salvador (1997) a definição de pequeno e de

grande gerador.

O entrevistado conclui este tópico dizendo que a Resolução: “Motivou o segmento a

dedicar mais atenção ao tema”.

5.2.2 Instrumentos e legislação disponíveis para aplicação da Resolução CONAMA

nº. 307/2002

a) Visão do IMA/BA

O IMA/BA faz uma definição dos papéis do Estado e do Município, e o entrevistado

define que: “o Município tem que atuar e o Estado é um Órgão fiscalizador na

questão ambiental”. Esta visão está de acordo com o art. 30 da CF/88 e com a
91

Resolução CONAMA nº. 237/1997. Quanto aos instrumentos para a aplicação da

Resolução CONAMA nº. 307/2002, na visão do entrevistado é necessário “que o

Município tenha um plano de manejo de RCC, que vai nortear tanto o programa

como o projeto”. Esta visão concorda com o estabelecido no art. 5º da Resolução

CONAMA nº. 307/2002, e também com Pinto (2001) quando diz que a GRCC tem

cunho corretivo, devido também à falta de suporte de políticas públicas.

b) Visão do SINTRACOM/BA

O entrevistado não respondeu ao ser questionado neste tópico.

c) Visão do CREA/BA

Quando questionado se o Município e o gerador de RCC atendem à Resolução

CONAMA nº. 307/2002, o entrevistado responde que não tem uma opinião formada.

O entrevistado complementa dizendo que se trata de uma opinião pessoal: “também

falta alguma coisa, porque a gente vem falando na questão de implementação dela.

Eu ainda acho que está faltando alguma coisa para se chegar totalmente ser

realizada essa Resolução”. Contudo, o entrevistado não aponta um caminho para se

percebe que ele acredita que esteja faltando.


92

d) Visão da LIMPURB

O entrevistado demonstra segurança nas questões legais da GRCC, elenca algumas

leis municipais que conduzem a GRCC, mas o que chama a atenção na fala do

entrevistado é a preocupação da LIMPURB em participar desta gestão apresentando

proposta técnica à Câmara Municipal, que complementa a legislação já em vigor. A

autora verificou junto à LIMPURB e confirmou que foi elaborada pela Empresa uma

minuta do projeto de lei municipal, com base no documento norteador encaminhado

pelo Ministério das Cidades, que pretende instituir um Sistema de Gestão

Sustentável de RCC e Resíduos Volumosos e o Plano Integrado de Gerenciamento

de Resíduos da Construção Civil, de acordo com o previsto pela Resolução

CONAMA nº. 307/2002.

e) Visão da SUCOM

O entrevistado não respondeu ao ser questionado neste tópico.

f) Visão da SMA
93

Quando questionado se o Município de Salvador atende aos requisitos para

implementação da Resolução CONAMA nº. 307/2002, o entrevistado da SMA diz

apenas que o Município de Salvador detém os instrumentos para a sua aplicação. O

Relatório Final do Projeto de Gestão Diferenciada de Entulho na Cidade do Salvador

(1997) preconiza um modelo de gestão preventiva, a Gestão Diferenciada de RCC,

que deverá buscar ainda o aprimoramento de mecanismo reguladores e econômicos

que responsabilizem os geradores, desestimulem práticas e estimulem as práticas

econômicas e ambientalmente sustentáveis. Contudo, em Salvador, ainda falta o

instrumento legal que institui o Sistema de Gestão Sustentável de RCC.

g) Visão do SINDUSCON/BA

O entrevistado também não respondeu ao ser questionado neste tópico.

5.2.3 Atuação do Órgão/entidade quanto a GRCC

a) Visão do IMA/BA

Na avaliação do Órgão, cabe ao Estado na GRCC o licenciamento de

empreendimento de grande porte e a sua atuação deve se dar na formulação de


94

uma política estadual de resíduos diferenciada para cada tipo de resíduo. Já na

relação Estado - Município, o Órgão atuaria como fiscalizador para grandes

empreendimentos da GRCC, apesar do Município ter autonomia para o

licenciamento de pequeno porte. Essa atuação deve permanecer com o Estado, que

tem que ter essa prerrogativa de poder fiscalizar qualquer área e qualquer Município.

O Estado deveria priorizar seus esforços com a formulação da política,

implementação de planos, o estímulo a elaboração de novos procedimentos de

novos licenciamentos, estímulo aos Municípios na elaboração de seus planos

municipais e orientação técnica.

Segundo Milaré (2006, s.p.),

Compete ao Município legislar sobre "assuntos de interesse local",


de acordo com o art. 30, inciso I, e também proteger o meio
ambiente, juntamente com as demais esferas governamentais,
segundo o art. 23, inciso VI e art. 225, todos da CF/1988.

A visão do referido autor pode ser complementada pela Resolução CONAMA nº. 237

no seu art. 6º.

Compete ao Órgão ambiental municipal, ouvidos os Órgãos


competentes da União, dos Estados e do Distrito Federal, quando
couber, o licenciamento ambiental de empreendimentos e atividades
de impacto ambiental local e daquelas que lhe forem delegadas pelo
Estado por instrumento legal ou convênio (BRASIL, 1997, s.p.).
95

Também Pinto (2001) afirma a necessidade de formulação de políticas estaduais

voltadas para os RCC ancoradas em estratégias sustentáveis, o que reforça a visão

do IMA/BA.

b) Visão do SINTRACOM/BA

O SINTRACOM/BA não se sente no papel de ter que atuar diretamente na GRCC. O

entrevistado quando perguntado sobre a responsabilidade do trabalhador da

construção civil diz que: “Todos tem, agora, não é uma responsabilidade direta do

trabalhador, porque, o que acontece impede às vezes de ter uma responsabilidade

direta dele [...] a responsabilidade dele seria, em procurar não desperdiçar muito

material na conduta do seu dia a dia, da sua luta, do seu trabalho.” A entidade não

reconhece seu papel da GRCC e não tem uma atuação no sentido de participar da

implementação da Resolução CONAMA nº. 307/2002.

Conforme já demonstrado no item seis desta dissertação, o SINTRACOM/BA tem o

papel de defender a qualificação profissional, que também é uma diretriz técnica do

PIGRCC, art. 6º da Resolução CONAMA nº. 307/2002, que indica a qualificação da

mão de obra para que seja possível a implementação da referida Resolução. Nesses

termos, o SINTRACOM/BA não reconhece a importância da participação que lhe

cabe na efetivação da referida Resolução.


96

c) Visão do CREA/BA

Na visão do entrevistado o CREA/BA ainda não assumiu o seu papel na GRCC,

ficando isso claro na sua fala: “O CREA não tem tido uma participação efetiva

nessas atividades. Ainda no momento a gente não tem participado muito disso aí.

Mas está disponível se no caso os Órgãos públicos necessitarem como já outros

conselhos existentes, principalmente no Estado e na Prefeitura, que o CREA

participa, então na hora que se formar um conselho, uma comissão e precisar da

colaboração do CREA, o CREA estará disponível. Vai participar, vai colaborar para

que efetivamente seja implementado. Porque o CREA também tem sua função

social, fazer com que as coisas que são boas para a sociedade ele tenha

participação e tenha sua colaboração através de voz, de discussões, etc.”

Contudo, é possível admitir o CREA/BA como colaborador do processo de GRCC,

quando o entrevistado diz que a este Órgão cabe: “[...] exigir que essa atividade seja

executada por profissional devidamente habilitado. Então no caso iria exigir a

Anotação de Responsabilidade Técnica, para o projeto de resíduos sólidos, pelo

gerenciamento desse resíduo na construção civil referente àquela obra”.

Embora, segundo o entrevistado, a entidade ainda não exerça o seu papel, cabe a

ela o papel de agente fiscalizador do exercício do profissional responsável pela

elaboração e implementação do PGRCC.


97

d) Visão da LIMPURB

O entrevistado não respondeu ao ser questionado neste tópico

e) Visão da SUCOM

O representante da SUCOM reconhece que cabe ao Órgão, o licenciamento e

fiscalização da etapa de demolição, e que por conta das exigências feitas pelo

mesmo, o processo de licença se torna demorado, o que contraria os interesses dos

empresários.

Na visão da autora, os projetos de GRCC juntamente com os demais projetos do

empreendimento, que deverão ser encaminhados para a SUCOM são apenas os

não passíveis de licenciamento ambiental, não se restringindo apenas aos de

demolição, e que de acordo com Milaré (2006), “O licenciamento ambiental é uma

forma de intervenção estatal na atividade privada, através do exercício do poder de

polícia”, concordando neste ponto com a visão do Órgão.

Como a SUCOM se limita aos resíduos de demolição, sua atuação na GRCC é

importante, porém fica aquém do que a atividade precisa. O que se entende na fala

do entrevistado é que o papel desempenhado pelo Órgão cumpre com suas


98

obrigações: “O primeiro passo nosso, nesse sentido, foi, tentarmos um controle mais

rigoroso dos resíduos feitos pela demolição”.

f) Visão da SMA

Ao ser questionado sobre a atuação do Órgão, o entrevistado, inicia a fala

apontando uma orientação do Ministério das Cidades que trata dos RCC, mas o

entrevistado não responde se a SMA cumpre esta orientação, ou se está engajada

em algum programa federal.

O Regimento da Superintendência do Meio Ambiente, no seu capítulo II, art. 20,

incisos IV e V, trata da responsabilidade do Órgão de analisar, aprovar e executar o

licenciamento de empreendimentos que tenham envolvimento ambiental. Na visão

da autora, com relação ao Município de Salvador, os projetos de GRCC de um

empreendimento deverão ser encaminhados para a SMA, para ser analisado dentro

do processo do licenciamento quando o empreendimento for passível de

licenciamento ambiental. A autora conclui que o Órgão tem importante papel na

GRCC, contudo, a sua atuação apresenta-se ainda de forma tímida.


99

g) Visão do SINDUSCON/BA

Segundo o entrevistado, o SINDUSCON/BA está sempre presente nas discussões

promovidas pela PMS, sendo esta a sua atuação.

A autora identificou a atuação da entidade ao realizar ação de treinamento em 14

empresas em parceria com o SENAI, SEBRAE e a GTZ, seguindo a sua missão que

é desenvolver a tecnologia que a construção civil precisa para aplicar a Resolução

CONAMA nº. 307/2002.

5.2.4 Gestão responsável e seus entraves, instrumentos e ações.

a) Visão do IMA/BA

Na opinião do entrevistado, o mais importante numa gestão responsável é a

conscientização dos empreendedores: “O mais importante mesmo são os

empreendedores se conscientizarem que é um desperdício de dinheiro dele, metade

do problema está resolvido”. Ele complementa que numa gestão responsável é

necessário que se tenha um plano de gestão com todos os princípios de manejo de

resíduos sólidos que é a redução da geração, aproveitamento ao máximo, a

reutilização, se possível reciclagem e que haja também uma preocupação com o

ciclo de vida dos materiais.


100

O principal entrave que é colocado para a sua implementação é a falta de

instrumentos legais mais claros e específicos. Dentre os entraves relevantes, um dos

mais importantes é o número inadequado de pessoal para a fiscalização. Há

também uma necessidade de trabalho conjunto com os Municípios para alavancar

os trabalhos neste sentido.

O instrumento de gestão entendido pela entidade é o licenciamento ambiental como

relata o entrevistado: “Na verdade o licenciamento é um instrumento de gestão só

que a atuação no licenciamento especificamente na gestão de resíduos não está

consolidada por falta de um critério muito claro estabelecido. Apesar de o

licenciamento ser um instrumento que pode ser utilizado, falta essa determinação,

esse pensamento mais específico”.

Não há um diagnóstico específico no IMA/BA sobre RCC e as ações que Órgão tem

adotado são ações de discussão sobre a integração de instituições envolvidas e a

sensibilização dos técnicos do mesmo sobre a questão dos RCC.

b) Visão do SINTRACOM/BA

Na visão do SINTRACOM/BA, uma gestão responsável de RCC implica em

capacitação de mão-de-obra para o uso racional de material, diminuindo e melhor

qualificando os RCC gerados para sua reciclagem.


101

O entrevistado diz que há uma dificuldade para a qualificação da mão-de-obra: “A

gente tem brigado bastante, bastante mesmo com o Sindicato Patronal, com a

própria FIEB, para que a gente implante essa escola, e aí toda vez que vai lá, é uma

choradeira: Ah, mas a gente não pode, a gente já deu tudo, já paga muito imposto,

então, o que é que o governo faz com os impostos que a gente paga. Mas com o

advento da Resolução, isso aí fica mais fácil, porque com a nova Resolução a gente

tem como cobrar do Ministério Público.”

O estatuto da entidade no seu Capítulo I, Das Denominações e Finalidades do

Sindicato, prevê “Representar os interesses das categorias perante os poderes

públicos e diante dos setores privados, celebrando convênios, inclusive para prestar

apoio e assistência aos associados do Sindicato [...]”. Assim, o SINDUSCON/BA

vem lutando para a implantação de escolas visando à qualificação de mão-de-obra

dos trabalhadores da construção civil, inclusive no que diz respeito à GRCC.

c) Visão do CREA/BA

Na visão do CREA/BA uma gestão responsável de RCC depende de uma

fiscalização efetiva, sendo que o entrevistado afirma que há um desordenamento

grave na ocupação e uso do solo, e os RCC são descartados em áreas naturais de

forma ilegal.
102

No quesito entrave, o entrevistado diz que o maior deles seria a falta de

investimento, assim ele afirma: “[...] tudo para se ter um resultado tem que ter

investimento. E o Município, infelizmente, não investe nesse tipo de atividade, é

difícil os Órgãos públicos fazer um investimento.”

Além do investimento o entrevistado sugere: “os Órgãos públicos também podem

[...] fazer uma lei municipal com base nessa Resolução com exigências outras com

procedimentos para cada tipo de obra, para cada empreendimento”. Essa sugestão

revela o desconhecimento do entrevistado quanto à Resolução CONAMA nº.

307/2002, que prevê a lei complementar, e um desconhecimento da própria Lei, que

foi editada desde o projeto de ação diferenciada de entulho e a Lei de RCC no

Município de Salvador.

d) Visão da LIMPURB

A LIMPURB levanta um fator ainda não apontado pelos demais entrevistados: é que

para uma Gestão Responsável do RCC é preciso mais do que a fiscalização e

capacitação “[...] fator que realmente carece é [...] otimizar mais o meio de

comunicação não podendo ser pontual tem que ser continuada”.

A LIMPURB apresenta uma solução para o problema levantado pelo CREA/BA, a

falta de investimento, o entrevistado diz que, “nós fizemos uma comissão, onde nós

estamos com três membros da prefeitura, um da SMA que é a Superintendência do

Meio Ambiente, outro da SUCOM e a LIMPURB, para ver se a gente dá uma


103

implementada, no gerenciamento, implantação não tem recursos, [...], perspectiva

existe, nós demos entrada agora pelo PAC Plano de Aceleração de Crescimento”.

e) Visão da SUCOM

Quando questionado sobre o Plano de Gestão Diferenciado da LIMPURB, o

entrevistado denuncia o que seria mais uma ação inacabada e diz: “Ele não chegou

a ser implementado, acho que ele só está no papel. Inclusive ele precisa até ser

atualizado dentro dessa nova visão, das usinas”.

Com relação a uma área de influência da SUCOM, o aterro, o entrevistado

demonstra estar atento, mas também não indicou uma solução para o problema da

falta de área: “Tem que ter o aterro inerte agora, isso já deveria acontecer a muito

tempo, porque isso ocupa um volume muito grande e outras questões que eu acho

que ela permeia de uma forma muito boa para essas questões ambientais, então

pelo que estou entendendo você está colocando que é de difícil implementação por

conta de que está faltando a indicação das áreas. Mas é aí que está, não é só a

questão das áreas porque aqui no caso da SUCOM, ela está enxergando as áreas

porque é o papel dela [...].”

O entrevistado aponta também outro problema que entrava a aplicação da GRCC:

“Estão todos os agentes articulados, falta talvez alguém assumir a coordenação no

processo”. Também o Órgão não se diz apto para coordenar.


104

f) Visão da SMA

Quando questionado sobre o que cabe ao Município na GRCC o entrevistado

responde que: “Aí 100% o Município, cabe o Município a sua gestão. Isso está na

Constituição no art. 30, isso está no Estatuto da Cidade, no art. 39. Isso está na

Resolução CONAMA 237 [...]”. Contudo, ao seguir a entrevista se percebe na fala do

entrevistado ao ser questionado sobre o que seria uma GRCC, ele responde: “Para

você ter um gestor responsável, você também tem que ter um Ministério Público

atuando, você tem que ter o Judiciário agindo, e você tem que ter acima de tudo

uma sociedade composta de cidadãos e cidadãs.” Esta fala, no ponto que se refere

às previsões legais que responsabilizam o Município na GRCC, se percebe que o

município é totalmente responsável, contudo ao ter que assumir o papel de gestor

(planejar, coordenar e captar recursos), o entrevistado transfere a responsabilidade

para fazer o processo acontecer a outros agentes.

g) Visão do SINDUSCON/BA

Na fala do entrevistado também se percebe o mesmo movimento para tentar desviar

a responsabilidade da gestão responsável dos RCC. O entrevistado aponta como

principal entrave a falta de recursos: “os entraves são mais de natureza econômica.

Faltam incentivos.” Quando questionado sobre o papel da SINDUSCON/BA numa

possível contribuição para a minimização dos entraves para uma gestão responsável
105

dos RCC’s, ele diz: “Não cabe ao SINDUSCON/BA a remoção direta dos entraves.”

E para concluir esta avaliação outra fala do entrevistado transfere para a terceira

pessoa a responsabilidade: “Após os ajustes que merecem ser feitos na Resolução,

cada um tem que desempenhar de forma plena o seu papel.

5.2.5 Diagnóstico e Considerações

a) Visão do IMA/BA

O Órgão informou que o Ministério Público elaborou um diagnóstico sobre resíduos

sólidos, mas não contempla especificamente os RCCs.O entrevistado comenta”o

IMA não,mas agente sabe que o Ministério Público está com um diagnóstico bem

completo sobre resíduos em geral, lixões, pontos irregulares e as situações dos

aterros sanitários que foram implementados de dez anos para cá. Mas de resíduo da

construção civil não”.

b) Visão CREA/BA

Na visão do CREA faltam investimentos no aproveitamento dos RCC por parte do

empreendedor. O entrevistado coloca “porque as perdas são grandes, a partir do


106

momento que ele faz um trabalho desses eles vão ter um retorno”. O órgão pode

auxiliar conscientizando os empresários e consequentemente seus funcionários. O

município deveria exigir investimentos no aproveitamento dos RCCs a depender do

porte da obra.

c) Visão da LIMPURB

O entrevistado responde que o maior responsável pelo baixo aproveitamento dos

RCC é o grande gerador. O poder público tem que fazer cumprir a lei e o grande

gerador tem que reciclar internalizar os procedimentos da Resolução 307/2002. Com

relação aos entraves diz o entrevistado que os resíduos da construção não precisam

mais de trabalhos científicos, já existem trabalhos maravilhosos, ”só precisa fazer

acontecer” Os entraves institucionais são a falta de recursos e gerenciamento.

”Esses dois últimos anos não houve investimento nenhum e tem que ter”

d) Visão da SUCOM

Na visão do representante da SUCOM falta implementar a Resolução 307/2002,criar

condicionantes de licença ambiental e os atores públicos devem se unir e ter uma

visão clara e definida com relação as soluções necessárias para uma Gestão

responsável dos resíduos da construção civil.


107

e) Visão da SMA

Ao ser questionado sobre a existência de jazidas para exploração da matéria prima

em Salvador, o entrevistado responde que a questão da exploração de jazidas é um

processo de políticas publicas “recurso mineral não é dano ambiental, os processos

dos minerais não é dano ambiental, na minha leitura, é decisão política”. A

autorização para exploração mineral é de responsabilidade federal. Com relação ao

aproveitamento dos RCC, o comentário foi: “nós não temos uma política de

aproveitamento, isso é um problema cultural”.

f) Visão do SINDUSCON/BA

Quando questionado sobre o baixo aproveitamento dos resíduos da construção civil

o entrevistado se refere à falta de incentivos e que os entraves são mais de natureza

econômica.
108

5.3 Síntese Analítica

a) IMA/BA

A visão do IMA/BA sobre a Resolução CONAMA no. 307/2002 de certa forma pode

ser considerada contraditória. Enquanto avalia que a Resolução não tem causado

impacto sobre as ações do Órgão, também admite que não tem como avaliar a sua

implementação. Essas afirmações em parte podem ser atribuídas pela falta de

clareza nas atribuições de cada ator envolvido, notadamente, devido à ausência do

Plano Integrado de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil, de

responsabilidade dos Municípios.

b) SINTRACOM/BA

O SINTRACOM/BA negligencia a Resolução CONAMA nº. 307/2002. A entidade

admite desconhecer a própria legislação em discussão e não se reconhece no

processo enquanto sujeito ativo, mesmo que o seu estatuto no cap. I, art. 2º, inciso a

aborda o seu papel para a “[...] melhoria de suas condições de vida e trabalho,

agindo sempre no interesse mais geral do povo brasileiro”.


109

c) CREA/BA

Na visão do CREA/BA a Resolução CONAMA nº. 307/2002 atende às necessidades,

contudo precisa ser efetivada. Por diversas vezes o entrevistado retomou esta fala,

chegando a dizer que o próprio CREA/BA não assumiu seu papel no processo de

GRCC, e complementou dizendo que o papel do Órgão é fiscalizador do exercício

profissional.

O entrevistado diz que uma gestão responsável depende de uma fiscalização

efetiva. Com essa fala ele denuncia o próprio Órgão, que se diz no papel de

fiscalizador e reconhece ainda não ter assumido o seu papel.

d) LIMPURB

A LIMPURB tem uma visão contrária à do IMA/BA, que sustenta que “na Resolução

faltam critérios e diretrizes para sua implementação, principalmente no que diz

respeito ao que é o grande gerador”, ao contrário da LIMPURB que diz: “A

Resolução veio para resolver as questões do Pequeno Gerador e do Grande

Gerador”.
110

e) SUCOM

O entrevistado tem uma visão definida do papel e campo de atuação do Órgão, e dá

indicações de onde mais este poderia avançar. Trata-se de dois pontos, o primeiro é

que o Órgão atua apenas nas demolições, ficando as construções de fora, embora o

Órgão se considere eficiente no papel que desempenha, e o segundo trata da área

de depósito, pois, segundo o entrevistado o depósito de RCC é de responsabilidade

da SUCOM.

f) SMA

A SMA também apresenta desconhecimento da Resolução CONAMA nº. 307/2002.

O entrevistado, quando questionado diretamente se o Município de Salvador atende

aos requisitos para implantação da Resolução CONAMA nº. 307/2002, diz que o

Município de Salvador detém os instrumentos para a sua aplicação. Contudo, esta

fala não pode ser tomada como segura, pois o entrevistado não discorre sobre o

assunto e se contradiz ao afirmar que o Município detém os instrumentos, uma vez

que ele admite não conhecer a Resolução CONAMA nº. 307/2002, o que deixa a

entender que não conhece também os instrumentos.

g) SINDUSCON/BA
111

Na visão do SINDUSCON/BA o Programa Municipal de Gerenciamento de Resíduos

da Construção Civil viria para definir os papéis de cada ator do processo de

GRRCC, sendo este um entrave para o cumprimento da Resolução CONAMA nº.

307/2002. Sem esta definição o entrevistado diz que a atuação da entidade é de

sempre estar presente nas discussões promovidas pela PMS, esta postura limita a

atuação da entidade, mesmo sendo previsto no seu estatuto, no art. 4º, incisos II e

IV, o papel de estimular a formação técnica da mão-de-obra. Seguindo a entrevista

as respostas colhidas fazem concluir que o SINDUSCON/BA não se reconhece

como agente ativo do processo de GRCC, e o entrevistado chega a dizer que: “Não

cabe ao SINDUSCON/BA a remoção direta dos entraves.”

5.4 PESQUISA SENAI – ANÁLISE DO GERENCIAMENTO EM CANTEIROS DE

OBRAS

Os resultados da pesquisa contribuíram na análise de como as construtoras em

Salvador têm gerenciado os seus RCC elucidando os aspectos quanto às

responsabilidades dos agentes envolvidos do Poder Público e da iniciativa privada.

Entre as principais causas de geração dos RCC nos 29 canteiros de obras

pesquisados pelo SENAI destaca-se como a mais citada a baixa sofisticação

tecnológica do processo construtivo (com 36% das citações). A segunda causa mais
112

citada (19% das citações) foi a baixa capacitação da mão de obra; seguida pela

baixa qualidade e/ou falta de integração de projetos arquitetônicos (18% das

citações); problemas na gestão dos materiais como especificação de compra,

recebimento, estoque e aplicação (15% das citações); alterações na obra solicitada

pelo cliente (9% das citações); e ao material de construção (3% das citações).

Cabe a todos os atores envolvidos no processo da construção civil o papel de

desenvolver normas e condições adequadas à qualidade dos materiais de

construção para que os mesmos evitem a geração de resíduos no transporte e

execução da obra, como também adotar instrumentos econômicos que incentivem a

indústria de produção de materiais de construção civil inovar seus materiais.

Verifica-se no fluxograma apresentado por Azevedo, Kiperstok e Moraes (2006), que

a concepção de materiais de construção civil para o setor produtivo é a medida de

maior grau de prevenção e esta foge da atuação direta das construtoras.

Quanto às construtoras, estas podem contribuir como consumidores responsáveis

sócio e ambientalmente ao adquirirem os materiais disponíveis no mercado que

ofereçam qualidade construtiva e menor preço. Pode-se afirmar que estas devem

ser as principais preocupações de qualquer consumidor com o seu produto.

A baixa sofisticação tecnológica, o uso de mão de obra não qualificada, os

problemas oriundos pela concepção do projeto e a falta de planejamento e logística

são fatores de geração de RCC de responsabilidade direta do empreendedor.


113

Quanto à mão de obra não qualificada cabe aos sindicatos assumirem mais

ativamente a atividade de capacitação desses profissionais.

A questão da baixa qualidade tecnológica no processo produtivo remete-se também

a algumas questões: Porque não são utilizadas tecnologias mais avançadas para a

GRCC? Como cada ator deve responder a este problema? Por que o setor da

construção civil não utiliza tecnologias mais adequadas no processo produtivo?

Quais as limitações para que o setor construtivo utilize tecnologias de ponta nos

seus processos de construção? Que instrumentos o Poder Público pode incentivar o

melhor emprego de tecnologias pela empresas de construção civil? Que vieses

estes instrumentos podem gerar? Como estes vieses podem ser equacionados?

Cabe ao Poder Público influenciar na diminuição dos fatores produtores de RCC de

maneira a induzir o empreendedor a praticar uma GRCC, agindo como incentivador

de instrumentos de prevenção da poluição.

Das soluções adotadas na obra para a GRCC, o SENAI enumerou uma lista de

materiais a apresentou como alternativas ao manejo dos mesmos, soluções mais

próximas a de Fim de Tubo que da Prevenção da Poluição como: a segregação,

aterramento, reuso e reciclagem na própria obra e venda dos materiais para

terceiros re-aproveitarem.

Como resultado da pesquisa desenvolvida pelo SENAI observou-se que 23 das 29

empresas entrevistas não possuem sistema de gestão de resíduos implantado, e

mais da metade dos entrevistados afirmam que controlam a quantidade de resíduos


114

gerados, e o local de destinação e poucos disseram que controlam o custo com

captação e destinação.

Quanto ao transporte dos materiais para destinação final 28 entrevistados afirmaram

terceirizar o serviço, sete contratam cooperativas de catadores, três contratam

sucateiros, um contrata outros prestadores de serviço e apenas um entrevistado,

afirmou efetuar o próprio transporte de seus resíduos.

Quanto à existência de GRCC pelas empresas, apenas seis delas afirmaram

adotarem. Praticamente 80% dos entrevistados não gerenciam seus resíduos de

acordo com o preconizado pela Resolução CONAMA nº. 307/2002, o que significa

um descaso quanto ao atendimento da legislação em vigor.

Com relação às formas de controle dos resíduos adotados nos canteiros de obras

obteve-se o seguinte resultado:

• Sete entrevistados afirmaram que não há controle algum.

Dos que realizam algum tipo de controle:

• Sete afirmaram controlar o custo com captação e destinação.

• Doze afirmaram controlar a quantidade de resíduo gerado.

• Dezesseis têm controle do local de destinação.


115

Verifica-se que alguns daqueles que afirmaram ter algum tipo de controle

responderam mais de uma opção. A posse dos dados permite verificar aqueles que

exercitam mais de uma forma de controle.

Estes dados mostram o descaso do gerador com os resíduos que gera. Apenas sete

controlam os custos de destinação. Apenas doze têm condição de responder sobre

o volume dos RCC gerados no canteiro de obras, os demais só têm condição de

mensurar de forma intuitiva oriundo da experiência e vivência do trabalho. E vinte

dos entrevistados não sabem para onde vão seus resíduos o que demonstra uma

total falta de aplicação do princípio da responsabilidade objetiva presente na

Constituição Federal de 1988 e pela legislação ambiental brasileira, especialmente a

Lei nº. 6.938/81, que, se aplicada, inibiria este descaso.

No que diz respeito ao conhecimento da equipe técnica sobre documentos e

normais legais importantes como referência para a gestão dos RCC:

A maioria dos entrevistados conhece a Resolução CONAMA 307


(75,9%), mas percebe-se que não aplicam, em suas obras, os
critérios exigidos nesse documento. Poucos conhecem o Decreto
Municipal 12.133 de 08/10/1998 de Salvador/BA (37,9%) e poucos
conhecem as normas da ABNT listadas nos questionários (27,6%).

Alguns informaram que não obedecem à legislação porque a


fiscalização não é rigorosa e porque priorizam as atividades diárias
da obra, não se preocupando em aperfeiçoar seus conhecimentos e
práticas de Gestão de Resíduos, seja pela contratação de
funcionários ou de empresa de consultoria para auxiliá-los nessa
tarefa (SENAI, 2007, s. p.).

Quanto aos RCC’s gerados nas obras estudados, o SENAI identificou-os e

classificou-os, seguindo orientação da Resolução CONAMA nº. 307/2002, e ainda,


116

de acordo com as soluções disponíveis em Salvador para a destinação dos RCC,

foram propostas alternativas para a destinação que podem surgir com o

desenvolvimento tecnológico, alterações no mercado, políticas públicas, etc.

(SENAI, 2007), como mostrado no Quadro 1.

A pesquisa realizada pelo SENAI é de grande importância ao entendimento in loco

da geração de RCC, para que se possa a partir daí criar soluções factíveis, como

mostra o relatório SENAI, que a redução da geração dos RCC pode ser por meio da

compatibilização de projetos, do adequado planejamento e da racionalização dos

processos construtivos, como também de políticas públicas que objetivam

desenvolver a cultura de preservação ambiental, que estimulem o treinamento, a

educação ambiental, a reciclagem, o reaproveitamento e a diminuição da geração

dos RCC.

Quadro 1 - Alternativas para a destinação do RCC no Município de Salvador


Destinação em
Observação Cuidados na gestão Reuso/reciclagem
Salvador
Solos, tijolos, blocos, revestimentos, telhas, argamassa e concreto (Classe A)
Compõe mais da metade do Segregar concretos e Reuso: bases de pisos, Base de Descarga de
resíduo de construção. alvenarias para revestimento primário de Entulho, reciclagem em
facilitar o reuso e a vias, etc. Reciclagem: obra ou aterro licenciado.
reciclagem. produção de areia e brita.
Madeira e podas (Classe B)
Representa mais de 10% do Segregar: madeira de Reuso: na construção. Pode ser doada ou
resíduo de construção lei, madeira Reciclagem: como vendida para olarias,
levado aos aterros. contaminada e não combustível e na indústrias cerâmicas ou
contaminada. produção de móveis, outras empresas.
caixilhos, chapas, etc.
Papel, plástico, metais e vidro (Classe B)
São comumente reciclados Segregação na obra Devem ser reciclados. Vender ou doar para
no País. Têm pequena para facilitar a cooperativas e empresas
participação no resíduo de doação/venda e de reciclagem.
construção. diminuir custos de
transporte.
Resíduos perigosos (Classe D)
Têm pequena participação Separar dos demais Quando puder ocorrer, a Encaminhar à Cetrel
no resíduo de construção, resíduos desde a reciclagem deve ser Lumina ou Ecomed.
mas demandam cuidados origem e destinar a realizada por empresas Alguns fabricantes
na gestão. empresas capacitadas. podem receber os
especializadas. resíduos.
Gesso (Classe C)
Sua participação no resíduo Separar dos demais Ao ser calcinado e Não há solução
117

de construção é pequena, desde a origem e moído, o gesso pode ser economicamente viável
mas problemática. Em destinar a empresas usado na construção. O para sua reciclagem, em
aterros, leva à formação de especializadas. gesso acartonado Salvador. Encaminhar à
gases tóxicos. Contamina o apresenta maiores Cetrel Lumina ou
lençol d’água com sulfatos. desafios, pela Ecomed. É interessante
Agregados reciclados com associação com outros negociar soluções com o
gesso geram reações produtos. fornecedor.
expansivas nos concretos.
Fonte: SENAI, 2007

5.5 O PGDE E A SITUAÇÃO ATUAL

A LIMPURB elaborou o Projeto de Gestão Diferenciada de Entulho em Salvador


(PGDE), que em seu relatório final de outubro de 1997, pode ser encontrado o
Decreto Municipal nº. 11.664, de julho de 1997, que dispõe sobre manejo,
acondicionamento, coleta, transporte, tratamento e destino final dos resíduos
resultantes das obras de construção civil e dos empreendimentos com movimento
de terra.

Duas das metas do Projeto era implantar cinco BDEs e vinte e dois PDEs. Contudo,
o que se observa é que atualmente, os serviços de coleta e transporte de entulho
são realizados diretamente para quatro PDEs em funcionamento, ou são
depositados aleatóriamente nas vias e logradouros públicos da Cidade. Os postos
estão localizados no Itaigara, Boca do Rio, San Martim e Vasco da Gama. E existe
no Município apenas uma área oficializada para o destino final dos resíduos Classe
A - Entulho, que é a BDE localizada no Aterro de Canabrava - Parque
Socioambiental de Canabrava, em fim da sua vida útil.

Contudo, onze anos depois, ainda falta ao Município elaborar separadamente o


Plano Integrado de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil, pois, o Decreto
municipal nº. 11.664/97, que faz parte da Gestão Diferenciada de Entulho da Cidade
de Salvador, atenderia mais a um Programa Municipal de Gerenciamento de
Resíduos de Construção Civil. Dessa forma, ainda faltam as diretrizes para auxiliar
na elaboração do Projeto da Obra, salientando-se ainda que o prazo estabelecido
pela Resolução CONAMA nº. 307/2002 já expirou.
118

6 CONCLUSÃO

A Resolução CONAMA nº. 307/2002 representa um avanço na legislação que trata

da preservação do meio ambiente, especificamente no que se refere aos danos

causados pelos RCC’s.

Contudo, este avanço na legislação ainda não alcançou resultados significantes no

Município de Salvador. Primeiro, percebe-se que passados seis anos da edição da

Resolução CONAMA nº. 307/2002 ainda não está sendo aplicada em Salvador,

comprometendo a GRCC. Alguns entrevistados levantam possíveis causas para

este fato. Uma alegação presente em várias entrevistas é que a referida Resolução

prevê instrumentos que ainda não foram implementados, como o Plano Integrado de

Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil, que deve contemplar as diretrizes

do Programa Municipal de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil e dos

Projetos de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil.

Quanto ao prazo para elaboração do Plano, a referida Resolução estabelece, que

fica estabelecido o prazo máximo de doze meses para que os Municípios e o Distrito

Federal elaborem seus Planos Integrados de Gerenciamento de Resíduos de

Construção Civil e o prazo máximo de dezoito meses para sua implementação.

Atualmente no Município de Salvador a pesquisa identificou apenas uma minuta de

projeto de lei municipal, que institui o Plano Integrado de Gerenciamento de

Resíduos da Construção Civil, de acordo com o previsto na Resolução CONAMA


119

307/2002, e uma minuta para o regulamento desta lei, mesmo decorridos seis anos

da publicação da Resolução CONAMA 307/2002.

O momento que o Brasil passa é de uma economia em crescimento, com previsão

de permanência nos índices também na construção civil, que pode ser confirmado

pela Caixa Econômica Federal, responsável por financiar 72% do mercado

imobiliário nacional, que prevê para 2008 um aumento de 20% em investimento

(RIBEIRO, 2008). Este quadro reflete na expansão do segmento da construção civil,

que foi ainda mais acentuado pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC),

do Governo Federal, que possibilita a realização de obras pelo Poder Público e

iniciativa privada. Em Salvador é destaque a construção do metrô e a via expressa

portuária. Mas a revolução mais visível ocorre no setor imobiliário, desde que em

2007 foram comercializados 63% a mais de unidades comerciais e residenciais do

que em 2006 (BAHIA INDÚSTRIA, 2008, p. 3). O problema é que o sistema de

destino dos RCC em Salvador não tem mais condição de absorver os RCC gerados

pela demanda crescente do setor na cidade.

Diante do exposto, é de fundamental importância e urgência que o Município de

Salvador cumpra o art. 5º da Resolução CONAMA nº. 307/2002, na sua íntegra,

ampliando o Projeto de Gestão Diferenciada de Entulho na Cidade de Salvador,

realizado pela LIMPURB, elaborando o Plano com as diretrizes e os critérios para o

Programa e o Projeto para uma GIRCC, com todos os pontos vulneráveis levantados

por esta pesquisa, inclusive com a implantação completa das metas previstas no

PGDE em Salvador. Para isto é necessário que os Poderes Executivo e Legislativo

Municipal acelerem a tramitação do projeto de lei e o regulamento elaborados pela


120

LIMPURB, que instituem o Sistema de Gestão Sustentável de RCC e Resíduos

Volumosos e o Plano Integrado de Gerenciamento de RCC, de acordo com o

previsto pela Resolução CONAMA nº. 307/2002.

Alguns dos entrevistados demonstraram descontentamento com a falta de alguns

conceitos na Resolução CONAMA nº. 307/2002 como a indefinição entre o pequeno

e o grande gerador de RCC. Por sua vez, esta definição encontra-se expressa no

Decreto municipal nº. 11.664/97 em seu art. 1º, parágrafo II, sendo o gerador de

entulho, todo cidadão proprietário ou responsável por obra de construção civil ou dos

empreendimentos com movimentos de terra que geram resíduos sólidos, sendo

pequeno gerador aquele que gera entulho até o limite de 2m3; e grande gerador é

aquele que gera entulho superior a 2m3.

Nota-se nas entrevistas é que há uma desarticulação dos distintos Órgãos e

entidades envolvidos no processo de GRCC, agravada pela falta de uma

coordenação. Observa-se ainda que há um despreparo por parte de alguns

gestores, chegando a desconhecer o teor e papel da Resolução CONAMA nº.

307/2002, conforme apontam as entrevistas quando alguns entrevistados relatam a

falta na Resolução CONAMA nº. 307/2002 da definição dos locais para depósito dos

RCC, o que dificultaria a aplicação desta Resolução. Ocorre que não cabe a uma

Resolução federal apontar os locais em cada Município dos PDE e BDE.

Existe também o descomprometimento em assumir suas competências, transferindo

a culpa pela falta da aplicação da referida Resolução para outro agente, ou seja, a

ocorrência da transferência de responsabilidades.


121

A má GRCC em canteiro de obras deve ser encarada como desperdício de recurso

naturais e financeiros. A minimização do desperdício e a reciclagem podem

representar uma ótima oportunidade para o construtor diminuir o custo da obra e

também pode representar uma ótima oportunidade de negócio da parte de quem

recicla o RCC, sem, contudo esquecer os procedimentos e instrumentos para

redução na fonte. Pensando assim, os ganhos seriam de todos e, principalmente, do

meio ambiente, além de atender à Resolução CONAMA nº. 307/2002. Despertaria

na iniciativa privada o interesse em cumprir a Resolução, potencializando uma

articulação entre os setores público e privado.

Uma vez que o RCC é um tipo de resíduo urbano, o Poder Público deve atuar como

o grande articulador e coordenador de todos os agentes envolvidos na GRCC,

induzir práticas previstas em políticas públicas que objetivam desenvolver a cultura

de preservação ambiental, que estimulem o treinamento, a educação ambiental, a

não geração dos resíduos de construção civil, o reaproveitamento e reciclagem,

também como meta deverá ser perseguida a produção de edificações duráveis e

ecologicamente sustentáveis a fim de modernizar a aperfeiçoar os Municípios na

GRCC.

Vale também colocar que cabe ao Ministério Público fiscalizar o cumprimento da

Resolução CONAMA nº. 307/2002, podendo inclusive servir-se do Termo de

Ajustamento de Conduta (TAC) para tal finalidade.

Por fim, fica a sugestão de implantação de um modelo de reaproveitamento de

sobras de materiais utilizáveis e não utilizados em obras, similar ao adotado pelo


122

Município de Belo Horizonte - MG, sendo que estes materiais deverão ser recolhidos

pelo Município e disponibilizados à venda, por preço simbólico, à população de baixa

renda, melhorando assim a condição de moradia (BELO HORIZONTE, 2005).

Para finalizar, como contribuição ao sistema de GDRCC em Salvador, esta pesquisa

apresenta uma proposta com as competências dos agentes envolvidos no sistema

de GRCC em Salvador, conforme apresentado no Quadro 2.

Quadro 2 - Proposta de competências dos agentes envolvidos no sistema de GRCC


em Salvador

Agente Papel sugerido


SUCOM Analisar os projetos de construção de empreendimentos
juntamente como o projeto de gerenciamento de resíduos da
construção civil para que possa emitir o alvará de construção e
fiscalizar a obra.
SINDUSCON Fortalecer institucionalmente o segmento da construção civil,
como projetos que venham apoiar o desenvolvimento de novas
políticas compatíveis com a GDRCC.
SMA Analisar os Projetos de Gerenciamento da Construção Civil
(sujeitos ao licenciamento ambiental) para que possa emitir a
licença ambiental.
SINTRACOM Qualificar mão de obra, para uma gestão mais responsável e uma
maior empregabilidade no setor da construção civil.
IMA Deve ser consultado quando os empreendimentos estiverem
localizados em áreas de APA e áreas comuns a mais de um
Município.
CREA Fiscalizar a regularidade da ART do engenheiro responsável
referente a obra.
LIMPURB Fazer o armazenamento temporário, coleta, transporte,
tratamento, destino final para geradores de volume até 2m da
região atendida pelo NL 131, sendo que os demais NL’s serão
atendidos por empresas.
ARSAL Regulamentar e fiscalizar a ação pública e privada na coleta,
transporte, tratamento e destino final dos RCC.

1
A administração da cidade para fins de limpeza urbana está dividida em 18 Núcleos de Limpeza (NL), com
limites correspondentes as Regiões Administrativas. O NL 13 refere-se à região de Porto Seco Pirajá, onde se
localiza o Aterro Municipal de Canabrava.
123

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128

APÊNDICES
129

APÊNDICE A - Ficha de Identificação do Órgão

UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA


ESCOLA POLITÉCNICA
MESTRADO EM ENGENHARIA AMBIENTAL URBANA.

Esta entrevista buscará responder as dificuldades da implementação de uma gestão


diferenciada dos resíduos da construção civil na cidade de Salvador, sobre as
diferentes óticas dos agentes envolvidos, observando entraves técnicos,
institucionais e legais. Tem em vista também verificar como os diferentes agentes
analisam o atendimento à Resolução CONAMA nº 307/2002.

Entrevistado
Nome: ____________________________________________________
Instituição/Entidade: _________________________________________
Cargo: ____________________________________________________
Endereço: _________________________________________________
Tel: ______________________ Fax: ____________________________
E-mail: ____________________________________________________

Primeiro Setor:
Município Estado
Executivo Legislativo

Segundo Setor
Mercado: Privado
Patronal
Sindical

Terceiro Setor ONGs


130

APÊNDICE B - Roteiro de Entrevistas

IMA/BA

IMPACTOS E DIFICULDADES REFERENTES A IMPLANTAÇÃO DA


RESOLUÇÃO CONAMA Nº. 307/2002.

1 Como a instituição avalia a Resolução CONAMA nº 307/2002?

2 Que aspectos a Resolução CONAMA nº 307/2002 contempla satisfatoriamente e


quais os aspectos que precisam ser aperfeiçoados/melhorados?

3 Qual impacto a Resolução CONAMA nº 307/2002 trouxe para a gestão ambiental


estadual? Por quê?

4 Quais as dificuldades encontradas para implementação, no que cabe ao Órgão


ambiental, do modelo GRCC proposto na Resolução CONAMA nº 307/2002?

INSTRUMENTOS E LEGISLAÇÃO DISPONÍVEIS PARA APLICAÇÃO DA


RESOLUÇÃO CONAMA Nº. 307/2002.

5 Quais as leis, normas e resoluções que orientam o gestor municipal na gestão dos
RCC que devem ser observados e fiscalizados pelo Governo do Estado (IMA/BA)?

6 Quais as leis, normas e resoluções que orientam o gerador na gestão dos RCC
que devem ser observados e fiscalizados pelo Governo do Estado (IMA/BA)?

ATUAÇÃO DO ÓRGÃO/ENTIDADE QUANTO A GRCC.

7 O IMA/BA tem como fazer a análise dos Projetos de Gerenciamento de Resíduos


da Construção Civil dos empreendimentos e atividades enquadradas na legislação
como objeto de licenciamento ambiental?
131

8 Na sua avaliação o que cabe ao Estado na GRCC? Até onde o Estado atua ou
pode atuar?

GESTÃO RESPONSÁVEL E SEUS ENTRAVES, INSTRUMENTOS E AÇÕES

9 Na sua avaliação o que seria uma gestão responsável de RCC? Como os agentes
podem contribuir efetivamente para uma gestão responsável?

10 Quais entraves técnicos, institucionais e legais podem ser identificados para a


efetiva gestão responsável de RCC?

11 Quais os instrumentos de gestão utilizados pelo Estado da Bahia na GRCC?

12 Quais ações tem sido adotadas e quais estão planejadas para atenuar os
impactos oriundos dos RCC no Estado da Bahia?

DIAGNÓSTICOS E CONSIDERAÇÕES

13 O Estado da Bahia tem algum diagnóstico realizado sobre os RCC na Região


Metropolitana ou no Município de Salvador?

14 Ele poderia ser disponibilizado? Ou os seus resultados preliminares?


132

SINDUSCON/BA

IMPACTOS E DIFICULDADES REFERENTES A IMPLANTAÇÃO DA


RESOLUÇÃO CONAMA Nº. 307/2002.

1 Como a entidade avalia a Resolução CONAMA nº 307/2002?

2 Qual o papel do SINDUSCON/BA na GRCC no Município de Salvador?

3 Que aspectos a Resolução CONAMA nº 307/2002 contempla satisfatoriamente e


quais os aspectos que precisam ser aperfeiçoados/melhorados?

4 Qual impacto a Resolução CONAMA nº 307/2002 trouxe na gestão de RCC? Por


quê?

5 Quais as dificuldades encontradas para implementação do modelo GRCC


proposto na Resolução CONAMA nº 307/2002?

ATUAÇÃO DO ÓRGÃO/ENTIDADE QUANTO A GRCC.

6 Como o SINDUSCON/BA pode contribuir para resolver o problema do RCC?

7 Como o SINDUSCON/BA tem contribuído para que a atuação do gerador atenda a


legislação vigente?

GESTÃO RESPONSÁVEL E SEUS ENTRAVES.

8 Como o SINDUSCON/BA avalia a GRCC no Município de Salvador considerando


a responsabilidade de todos agentes (gerador – pequeno e grande, Órgão
municipal)?

9 Na sua avaliação, porque o Município de Salvador tem um baixo índice de


aproveitamento dos RCC? Quais são os entraves técnico-científicos e institucionais?
133

10 Dentre os entraves selecionados, quais seriam os que o SINDUSCON/BA teria


capacidade de contribuir para solucionar ou se envolver mais efetivamente?

11 Na sua avaliação o que seria uma gestão responsável de RCC? Como os


diferentes agentes podem contribuir efetivamente para uma gestão responsável?

12 Que entraves podem ser identificados para a efetiva gestão responsável de


RCC?

DIAGNÓSTICOS E CONSIDERAÇÕES

13 Na sua concepção o Município de Salvador atende à Resolução CONAMA nº


307/2002?

14 Na sua concepção o gerador atende à Resolução CONAMA nº 307/2002?

15 Na sua avaliação o que cabe ao Município na GRCC? Até onde o Município atua
ou pode atuar?

16 Na sua avaliação o que cabe ao Estado na GRCC? Até onde o Estado atua ou
pode atuar?
134

CREA/BA

IMPACTOS E DIFICULDADES REFERENTES A IMPLANTAÇÃO DA


RESOLUÇÃO CONAMA Nº. 307/2002.

1 Como a entidade avalia a Resolução CONAMA nº 307/2002?

2 Que aspectos a Resolução CONAMA nº 307/2002 contempla satisfatoriamente e


quais os aspectos que precisam ser aperfeiçoados/melhorados?

INSTRUMENTOS E LEGISLAÇÃO DISPONÍVEIS PARA APLICAÇÃO DA


RESOLUÇÃO CONAMA Nº. 307/2002.

3 Na sua concepção o Município de Salvador atende a Resolução CONAMA nº


307/2002?

4 Na sua concepção o gerador atende a Resolução CONAMA nº 307/2002?

ATUAÇÃO DO ÓRGÃO/ENTIDADE QUANTO A GRCC.

5 Qual é o papel do CREA/BA diante do publicado na Resolução CONAMA nº


307/2002?

6 Caso não tenha no projeto uma descrição do que fazer com aqueles resíduos
sólidos o CREA/BA não atua?

7 Como o CREA/BA tem contribuído para que a atuação do gerador atenda a


legislação vigente?

GESTÃO RESPONSÁVEL E SEUS ENTRAVES.

8 Quais as dificuldades encontradas para implementação do modelo GRCC


proposto na Resolução CONAMA nº 307/2002?
135

9 Qual impacto a Resolução CONAMA nº 307/2002 trouxe na gestão dos RCC? Por
quê?

10 Na sua avaliação o que cabe ao Município na GRCC? Até onde o Município atua
ou pode atuar?

11 O senhor acha que a GRCC deve ser a responsabilidade específica só do


Município?

12 Na sua avaliação o que cabe ao estado na GRCC? Até onde o estado atua ou
pode atuar?

13 Quais entraves técnicos, institucionais e legais podem ser identificados para a


efetiva gestão responsável de RCC?

14 Dentre os entraves selecionados, quais seriam os que o CREA/BA teria


capacidade de contribuir para solucionar ou se envolver mais efetivamente?

15 Voltando a questão 13, o senhor falou que a maior questão é a financeira, o


maior entrave. Teria algum entrave institucional e legal?

16 O CREA/BA também poderia auxiliar?

17 Na sua avaliação o que seria uma gestão responsável de RCC?

18 Como os diferentes agentes podem contribuir efetivamente para uma gestão


responsável?

DIAGNÓSTICOS E CONSIDERAÇÕES

19 Na sua avaliação, porque o Município de Salvador tem um baixo índice de


aproveitamento dos RCC?
136

20 Como o CREA/BA pode contribuir para resolver este problema?

21 O Município e o Estado teriam que papel para contribuir com a gestão


responsável?

22 Como o CREA/BA avalia a GRCC na cidade de Salvador considerando a


responsabilidade de todos agentes (gerador – pequeno e grande, Órgão municipal)?

23 Por que?
137

SINTRACOM/BA

IMPACTOS E DIFICULDADES REFERENTES A IMPLANTAÇÃO DA


RESOLUÇÃO CONAMA Nº. 307/2002.

1 Como a entidade avalia as atividades para diminuir os resíduos oriundos da


atividade de construção civil?

2 A entidade conhece a Resolução CONAMA nº 307/2002? Em caso positivo, como


a entidade avalia tal Resolução?

3 Como esta atividade tem impactado no trabalho do operário?

4 Como a entidade avalia a necessidade de reduzir os resíduos gerados na


construção civil?

ATUAÇÃO DO ÓRGÃO/ENTIDADE QUANTO A GRCC.

5 Que benefícios podem ser oriundos da atividade de minimização, reuso e


reciclagem dos RCC?

6 Qual a responsabilidade do trabalhador na geração de RCC?

GESTÃO RESPONSÁVEL E SEUS ENTRAVES

7 Que ações tem sido adotadas pelo SINTRACOM/BA neste intuito?

8 Que fatores contribuem para a geração de RCC?

9 Quais ações poderiam ser implementadas para diminuir o desperdício de materiais


de construção e a geração de RCC?

10 Qual a responsabilidade das empresas de construção civil na diminuição da


geração de RCC?
138

11 E qual a responsabilidade do Município?


139

LIMPURB

IMPACTOS E DIFICULDADES REFERENTES A IMPLANTAÇÃO DA


RESOLUÇÃO CONAMA Nº. 307/2002.

1 Como a instituição avalia a Resolução CONAMA nº 307/2002?

2 Que aspectos a Resolução CONAMA nº 307/2002 contempla satisfatoriamente e


quais os aspectos que precisam ser aperfeiçoados/melhorados?

INSTRUMENTOS E LEGISLAÇÃO DISPONÍVEIS PARA APLICAÇÃO DA


RESOLUÇÃO CONAMA Nº. 307/2002.

3 Que leis, normas e resoluções orientam o gestor municipal na gestão dos RCC?

GESTÃO RESPONSÁVEL E SEUS ENTRAVES.

4 Qual impacto a Resolução CONAMA nº 307/2002 trouxe na gestão municipal? Por


quê?

5 Quais as dificuldades encontradas para implementação do modelo GRCC


proposto na Resolução CONAMA nº 307/2002?

6 Na sua avaliação o que cabe ao Município na GRCC? Até onde o Município atua
ou pode atuar?

7 Dentre os entraves selecionados, quais seriam os que a sua instituição teria


capacidade de alavancar ou se envolver mais efetivamente?

8 Na sua avaliação o que seria uma gestão responsável dos RCC? Como os
agentes podem contribuir efetivamente para uma gestão responsável?

9 Que entraves podem ser identificados para a efetiva gestão responsável?


140

10 Qual a estrutura funcional e a infra-estrutura disponibilizada pelo Município para o


GRCC?

11 Esta infra-estrutura é adequada e suficiente?

12 Quais os instrumentos de gestão utilizados pelo Município na GRCC?

13 Quais ações tem sido adotadas e quais estão planejadas para atenuar os
impactos oriundos dos RCC?

14 O Município possui o Plano Integrado de Gerenciamento de Resíduos da


Construção Civil?

15 Na sua avaliação este Plano incorpora Programa Municipal de Gerenciamento de


Resíduos da Construção Civil e os Projetos de Gerenciamento de Resíduos da
Construção Civil?

16 Como é realizada a fiscalização dos geradores de RCC? A instituição dispõe de


quantos fiscais? Quais os principais problemas identificados?

17 Como vocês informam ao grande e pequeno gerador sobre o procedimento de


descarte dos resíduos da construção civil?

18 Qual o volume de RCC gerado na cidade de Salvador?

19 Qual o volume de RCC coletado na cidade de Salvador?

20 Quais as exigências feitas a estas empresas?

21 O Município possui equipamentos e infra-estrutura suficientes para receber,


coletar, transportar e tratar adequadamente os RCC? Em caso negativo, que
medidas tem sido adotadas para resolver este problema? E quais os principais
entraves?
141

22 O Município atende a todas estas normas legais? Contempla as atribuições


satisfatoriamente? Se não, que aspectos técnicos, legais, financeiros e institucionais
são limitantes a este atendimento?

DIAGNÓSTICOS E CONSIDERAÇÕES

23 Porque a cidade de Salvador tem um baixo índice de aproveitamento dos RCC?


Quais são os entraves técnico-científicos e institucionais?
142

SUCOM

IMPACTOS E DIFICULDADES REFERENTES A IMPLANTAÇÃO DA


RESOLUÇÃO CONAMA Nº. 307/2002.

1 Como a instituição avalia a Resolução CONAMA nº 307/2002?

2 Que aspectos a Resolução CONAMA nº 307/2002 contempla satisfatoriamente e


quais os aspectos que precisam ser aperfeiçoados/melhorados?

3 Qual impacto a Resolução CONAMA nº 307/2002 trouxe na gestão dos RCC? Por
quê?

4 Quais as dificuldades encontradas para implementação do modelo GRCC


proposto na Resolução CONAMA nº 307/2002?

ATUAÇÃO DO ÓRGÃO/ENTIDADE QUANTO A GRCC.

5 Qual o papel da SUCOM na GRCC no Município de Salvador?

6 Como a SUCOM tem contribuído para que a atuação do gerador atenda a


legislação vigente?

7 Como a SUCOM pode contribuir para resolver este problema?

GESTÃO RESPONSÁVEL E SEUS ENTRAVES.

8 Na sua avaliação o que seria uma gestão responsável dos RCC? Como os
agentes podem contribuir efetivamente para uma gestão responsável?

9 Na sua avaliação, porque a cidade de Salvador tem um baixo índice de


aproveitamento dos RCC? Quais são os entraves técnico-científicos, legais e
institucionais?
143

10 O Plano de Gestão diferenciado da LIMPURB atende as questões que estão


demandadas na Resolução CONAMA?

11 O alvará de demolição da SUCOM contempla essa questão dos resíduos, impede


algum projeto de aproveitamento?

12 O senhor fala de difícil implementação por conta dessa questão dos agentes
envolvidos ainda não estarem fazendo seus papéis? Seria isso?

13 Como a SUCOM avalia a GRCC na cidade de Salvador considerando a


responsabilidade de todos agentes (gerador – pequeno e grande, Órgão municipal)?

DIAGNÓSTICOS E CONSIDERAÇÕES

14 Que entraves podem ser identificados para a efetiva gestão responsável de


RCC?

15 Dentre os entraves selecionados, quais seriam os que a SUCOM teria


capacidade de contribuir ou se envolver mais efetivamente?

16 Na sua avaliação o que cabe ao Município na GRCC? Até onde o Município atua
ou pode atuar?

17 Na sua visão, o Município de Salvador atende à Resolução CONAMA nº


307/2002?

18 Na sua avaliação o que cabe ao Estado na GRCC? Até onde o Estado atua ou
pode atuar?
144

SUPERINTENDÊNCIA DE MEIO AMBIENTE – SMA

IMPACTOS E DIFICULDADES REFERENTES A IMPLANTAÇÃO DA


RESOLUÇÃO CONAMA Nº. 307/2002.

1 Como a instituição avalia a Resolução CONAMA nº 307/2002?

2 Que aspectos a Resolução CONAMA nº 307/2002 contempla satisfatoriamente e


quais os aspectos que precisam ser aperfeiçoados/melhorados?

3 Qual impacto a Resolução CONAMA nº 307/2002 trouxe na gestão municipal? Por


quê?

INSTRUMENTOS E LEGISLAÇÃO DISPONÍVEIS PARA APLICAÇÃO DA


RESOLUÇÃO CONAMA Nº. 307/2002.

5 O Município de Salvador atende a Resolução CONAMA nº 307/2002?

6 Se não atende, em que aspectos não atende e por quê?

7 Quais as leis, normas e resoluções orientam o gestor municipal na gestão de


RCC?

ATUAÇÃO DO ÓRGÃO/ENTIDADE QUANTO A GRCC.

8 Como a SMA tem atuado no campo dos RCC, resíduo com maior volume gerado
em Salvador, em relação a:

GESTÃO RESPONSÁVEL E SEUS ENTRAVES.

9 Na sua avaliação o que cabe ao Município na GRCC? Até onde o Município atua
ou pode atuar?
145

10 Quais entraves técnicos, institucionais e legais podem ser identificados para a


efetiva gestão responsável de RCC?

11 Na sua avaliação, o que seria uma gestão responsável de RCC? Como os


agentes podem contribuir efetivamente para uma gestão responsável?

12 Que entraves podem ser identificados para a efetiva gestão responsável dos
RCC?

13 Quais são as dificuldades e limitações da SMA para lidar com os RCC?

DIAGNÓSTICOS E CONSIDERAÇÕES

15 O Município atende a todas estas normas legais? Contempla as atribuições


satisfatoriamente? Se não, que aspectos técnicos, legais, financeiros e institucionais
são limitantes a este atendimento?

16 Existem jazidas para exploração de matéria prima para construção civil em


Salvador?

17 Onde é obtida a matéria prima para a construção civil em Salvador?

18 Que controle a PMS e a SMA têm sobre esta atividade extrativa?

19 Existe uma previsão para a escassez destes recursos? Que impacto esta
escassez pode representar nos custos de materiais de construção civil?

20 Porque o Município de Salvador tem um baixo índice de aproveitamento dos


RCC?
146

ANEXOS
147

ANEXO A

RESOLUÇÃO Nº 307, DE 5 DE JULHO DE 2002

Estabelece diretrizes, critérios e procedimentos para a gestão dos resíduos da construção civil.

O CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE-CONAMA, no uso das competências que lhe foram
conferidas pela Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, regulamentada pelo Decreto nº 99.274, de 6
de julho de 1990, e tendo em vista o disposto em seu Regimento Interno, Anexo à Portaria nº 326, de
15 de dezembro de 1994, e

Considerando a política urbana de pleno desenvolvimento da função social da cidade e da


propriedade urbana, conforme disposto na Lei nº 10.257, de 10 de julho de 2001;

Considerando a necessidade de implementação de diretrizes para a efetiva redução dos impactos


ambientais gerados pelos resíduos oriundos da construção civil;

Considerando que a disposição de resíduos da construção civil em locais inadequados contribui para
a degradação da qualidade ambiental;

Considerando que os resíduos da construção civil representam um significativo percentual dos


resíduos sólidos produzidos nas áreas urbanas;

Considerando que os geradores de resíduos da construção civil devem ser responsáveis pelos
resíduos das atividades de construção, reforma, reparos e demolições de estruturas e estradas, bem
como por aqueles resultantes da remoção de vegetação e escavação de solos;

Considerando a viabilidade técnica e econômica de produção e uso de materiais provenientes da


reciclagem de resíduos da construção civil; e

Considerando que a gestão integrada de resíduos da construção civil deverá proporcionar benefícios
de ordem social, econômica e ambiental, resolve:

Art. 1º Estabelecer diretrizes, critérios e procedimentos para a gestão dos resíduos da construção
civil, disciplinando as ações necessárias de forma a minimizar os impactos ambientais.

Art. 2º Para efeito desta Resolução, são adotadas as seguintes definições:

I - Resíduos da construção civil: são os provenientes de construções, reformas, reparos e demolições


de obras de construção civil, e os resultantes da preparação e da escavação de terrenos, tais como:
tijolos, blocos cerâmicos, concreto em geral, solos, rochas, metais, resinas, colas, tintas, madeiras e
compensados, forros, argamassa, gesso, telhas, pavimento asfáltico, vidros, plásticos, tubulações,
fiação elétrica etc., comumente chamados de entulhos de obras, caliça ou metralha;

II - Geradores: são pessoas, físicas ou jurídicas, públicas ou privadas, responsáveis por atividades ou
empreendimentos que gerem os resíduos definidos nesta Resolução;

III - Transportadores: são as pessoas, físicas ou jurídicas, encarregadas da coleta e do transporte dos
resíduos entre as fontes geradoras e as áreas de destinação;
148

IV - Agregado reciclado: é o material granular proveniente do beneficiamento de resíduos de


construção que apresentem características técnicas para a aplicação em obras de edificação, de
infra-estrutura, em aterros sanitários ou outras obras de engenharia;

V - Gerenciamento de resíduos: é o sistema de gestão que visa reduzir, reutilizar ou reciclar resíduos,
incluindo planejamento, responsabilidades, práticas, procedimentos e recursos para desenvolver e
implementar as ações necessárias ao cumprimento das etapas previstas em programas e planos;

VI - Reutilização: é o processo de reaplicação de um resíduo, sem transformação do mesmo;

VII - Reciclagem: é o processo de reaproveitamento de um resíduo, após ter sido submetido à


transformação;

VIII - Beneficiamento: é o ato de submeter um resíduo à operações e/ou processos que tenham por
objetivo dotá-los de condições que permitam que sejam utilizados como matéria-prima ou produto;

IX - Aterro de resíduos da construção civil: é a área onde serão empregadas técnicas de disposição
de resíduos da construção civil Classe "A" no solo, visando a reservação de materiais segregados de
forma a possibilitar seu uso futuro e/ou futura utilização da área, utilizando princípios de engenharia
para confiná-los ao menor volume possível, sem causar danos à saúde pública e ao meio ambiente;

X - Áreas de destinação de resíduos: são áreas destinadas ao beneficiamento ou à disposição final


de resíduos.

Art. 3º Os resíduos da construção civil deverão ser classificados, para efeito desta Resolução, da
seguinte forma:

I - Classe A - são os resíduos reutilizáveis ou recicláveis como agregados, tais como:

a) de construção, demolição, reformas e reparos de pavimentação e de outras obras de infra-


estrutura, inclusive solos provenientes de terraplanagem;

b) de construção, demolição, reformas e reparos de edificações: componentes cerâmicos (tijolos,


blocos, telhas, placas de revestimento etc.), argamassa e concreto;

c) de processo de fabricação e/ou demolição de peças pré-moldadas em concreto (blocos, tubos,


meios-fios etc.) produzidas nos canteiros de obras;

II - Classe B - são os resíduos recicláveis para outras destinações, tais como: plásticos,
papel/papelão, metais, vidros, madeiras e outros;

III - Classe C - são os resíduos para os quais não foram desenvolvidas tecnologias ou aplicações
economicamente viáveis que permitam a sua reciclagem/recuperação, tais como os produtos
oriundos do gesso;

IV - Classe D - são os resíduos perigosos oriundos do processo de construção, tais como: tintas,
solventes, óleos e outros, ou aqueles contaminados oriundos de demolições, reformas e reparos de
clínicas radiológicas, instalações industriais e outros.

Art. 4º Os geradores deverão ter como objetivo prioritário a não geração de resíduos e,
secundariamente, a redução, a reutilização, a reciclagem e a destinação final.

§ 1º Os resíduos da construção civil não poderão ser dispostos em aterros de resíduos domiciliares,
em áreas de "bota fora", em encostas, corpos d`água, lotes vagos e em áreas protegidas por Lei,
obedecidos os prazos definidos no art. 13 desta Resolução.

§ 2º Os resíduos deverão ser destinados de acordo com o disposto no art. 10 desta Resolução.
149

Art. 5º É instrumento para a implementação da gestão dos resíduos da construção civil o Plano
Integrado de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil, a ser elaborado pelos Municípios e
pelo Distrito Federal, o qual deverá incorporar:

I - Programa Municipal de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil; e

II - Projetos de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil.

Art. 6º Deverão constar do Plano Integrado de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil:


I - as diretrizes técnicas e procedimentos para o Programa Municipal de Gerenciamento de Resíduos
da Construção Civil e para os Projetos de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil a serem
elaborados pelos grandes geradores, possibilitando o exercício das responsabilidades de todos os
geradores.

II - o cadastramento de áreas, públicas ou privadas, aptas para recebimento, triagem e


armazenamento temporário de pequenos volumes, em conformidade com o porte da área urbana
municipal, possibilitando a destinação posterior dos resíduos oriundos de pequenos geradores às
áreas de beneficiamento;

III - o estabelecimento de processos de licenciamento para as áreas de beneficiamento e de


disposição final de resíduos;

IV - a proibição da disposição dos resíduos de construção em áreas não licenciadas;

V - o incentivo à reinserção dos resíduos reutilizáveis ou reciclados no ciclo produtivo;

VI - a definição de critérios para o cadastramento de transportadores;

VII - as ações de orientação, de fiscalização e de controle dos agentes envolvidos;

VIII - as ações educativas visando reduzir a geração de resíduos e possibilitar a sua segregação.

Art. 7º O Programa Municipal de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil será elaborado,


implementado e coordenado pelos Municípios e pelo Distrito Federal, e deverá estabelecer diretrizes
técnicas e procedimentos para o exercício das responsabilidades dos pequenos geradores, em
conformidade com os critérios técnicos do sistema de limpeza urbana local.
Art. 8º Os Projetos de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil serão elaborados e
implementados pelos geradores não enquadrados no artigo anterior e terão como objetivo
estabelecer os procedimentos necessários para o manejo e destinação ambientalmente adequados
dos resíduos.

§ 1º O Projeto de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil, de empreendimentos e atividades


não enquadrados na legislação como objeto de licenciamento ambiental, deverá ser apresentado
juntamente com o projeto do empreendimento para análise pelo Órgão competente do poder público
municipal, em conformidade com o Programa Municipal de Gerenciamento de Resíduos da
Construção Civil.

§ 2º O Projeto de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil de atividades e empreendimentos


sujeitos ao licenciamento ambiental, deverá ser analisado dentro do processo de licenciamento, junto
ao Órgão ambiental competente.

Art. 9º Os Projetos de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil deverão contemplar as


seguintes etapas:

I - caracterização: nesta etapa o gerador deverá identificar e quantificar os resíduos;


150

II - triagem: deverá ser realizada, preferencialmente, pelo gerador na origem, ou ser realizada nas
áreas de destinação licenciadas para essa finalidade, respeitadas as classes de resíduos
estabelecidas no art. 3º desta Resolução;

III - acondicionamento: o gerador deve garantir o confinamento dos resíduos após a geração até a
etapa de transporte, assegurando em todos os casos em que seja possível, as condições de
reutilização e de reciclagem;

IV - transporte: deverá ser realizado em conformidade com as etapas anteriores e de acordo com as
normas técnicas vigentes para o transporte de resíduos;

V - destinação: deverá ser prevista de acordo com o estabelecido nesta Resolução.

Art. 10. Os resíduos da construção civil deverão ser destinados das seguintes formas:

I - Classe A: deverão ser reutilizados ou reciclados na forma de agregados, ou encaminhados a áreas


de aterro de resíduos da construção civil, sendo dispostos de modo a permitir a sua utilização ou
reciclagem futura;

II - Classe B: deverão ser reutilizados, reciclados ou encaminhados a áreas de armazenamento


temporário, sendo dispostos de modo a permitir a sua utilização ou reciclagem futura;
III - Classe C: deverão ser armazenados, transportados e destinados em conformidade com as
normas técnicas especificas.

IV - Classe D: deverão ser armazenados, transportados, reutilizados e destinados em conformidade


com as normas técnicas especificas.

Art. 11. Fica estabelecido o prazo máximo de doze meses para que os Municípios e o Distrito Federal
elaborem seus Planos Integrados de Gerenciamento de Resíduos de Construção Civil, contemplando
os Programas Municipais de Gerenciamento de Resíduos de Construção Civil oriundos de geradores
de pequenos volumes, e o prazo máximo de dezoito meses para sua implementação.
Art. 12. Fica estabelecido o prazo máximo de vinte e quatro meses para que os geradores, não
enquadrados no art. 7º, incluam os Projetos de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil nos
projetos de obras a serem submetidos à aprovação ou ao licenciamento dos Órgãos competentes,
conforme §§ 1º e 2º do art. 8º.

Art. 13. No prazo máximo de dezoito meses os Municípios e o Distrito Federal deverão cessar a
disposição de resíduos de construção civil em aterros de resíduos domiciliares e em áreas de "bota
fora".

Art. 14. Esta Resolução entra em vigor em 2 de janeiro de 2003.

JOSÉ CARLOS CARVALHO

Presidente do Conselho

Publicada DOU 17/07/2002


151

ANEXO B

Projeto Tratamento e Destinação Responsável de Resíduos Sólidos na Construção Civil


SENAI - Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial – Salvador/BA
CETIND - Centro de Tecnologia Industrial Pedro Ribeiro
SENAI Dendezeiros - Áreas de Construção Civil e de Meio Ambiente SENAI-DR/BA

Relatório da primeira etapa


(OBTENÇÃO DE INFORMAÇÕES GERAIS SOBRE GERAÇÃO E GESTÃO DE RESÍDUOS EM
OBRAS DE EMPRESAS CONSTRUTORAS DE SALVADOR)
Equipe:
Jefferson Caponero (Senai CETIND)
Tatiana G. Almeida (Senai Dendezeiros)
José Antonio Ribeiro de Lima (consultor)
Ana Virgínia S. Nascimento (estagiária)
Lidiane de Brito Almeida (estagiária)

(Novembro/2006)

1. APRESENTAÇÃO ...............................................................................ERRO! INDICADOR NÃO DEFINIDO.


2. JUSTIFICATIVA...................................................................................ERRO! INDICADOR NÃO DEFINIDO.
3. OBJETIVOS.........................................................................................ERRO! INDICADOR NÃO DEFINIDO.
4. MÉTODOS E MATERIAIS ...................................................................ERRO! INDICADOR NÃO DEFINIDO.
4.1. Contratação e capacitação dos técnicos.................................................................... Erro! Indicador não definido.
4.2. Elaboração dos questionários de coleta de dados ..................................................... Erro! Indicador não definido.
4.3. Identificação das empresas construtoras a serem visitadas....................................... Erro! Indicador não definido.
4.4. Aplicação dos questionários nas obras ..................................................................... Erro! Indicador não definido.
5. RESULTADOS.....................................................................................ERRO! INDICADOR NÃO DEFINIDO.
5.1. Serviços que mais geram resíduos, em volume ........................................................ Erro! Indicador não definido.
5.2. Resíduos mais problemáticos, considerando aspectos além do volume ................... Erro! Indicador não definido.
5.3. Principais causas da geração de resíduos.................................................................. Erro! Indicador não definido.
5.4. Soluções adotadas na obra para gestão de resíduos .................................................. Erro! Indicador não definido.
5.5. Valores médios obtidos com venda de resíduos coletados na obra........................... Erro! Indicador não definido.
5.6. Principais formas de remoção de resíduos da obra................................................... Erro! Indicador não definido.
5.7. Custos de remoção de obras em Salvador ................................................................ Erro! Indicador não definido.
5.8. Conhecimento da legislação sobre gestão de RCD................................................... Erro! Indicador não definido.
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS .................................................................ERRO! INDICADOR NÃO DEFINIDO.
7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS....................................................ERRO! INDICADOR NÃO DEFINIDO.
ANEXO A - QUESTIONÁRIO UTILIZADO NA PESQUISA .......................................................................... 152
ANEXO B - CARTA DE APRESENTAÇÃO .................................................................................................. 156
ANEXO C - RELAÇÃO DAS EMPRESAS IDENTIFICADAS ........................................................................ 157
ANEXO D - RELAÇÃO DAS EMPRESAS QUE PARTICIPARAM DA PESQUISA...................................... 160
ANEXO E - QUESTIONÁRIOS ORIGINAIS ............................................ERRO! INDICADOR NÃO DEFINIDO.
152

(Anexo A - Questionário utilizado na pesquisa)

Unidades: CETIND / DENDEZEIROS


Projeto: Tratamento e Destinação de Resíduos na Construção Civil

GESTÃO DE RESÍDUOS EM OBRAS Data:

Entrevistados (nome e cargo):

Empresa:
Endereço:
Fone / Fax:
Site / E-mail:
Atua desde: (ano)

OBRA:
Endereço:

Pavimentos: (un) Área: (m 2/apto) Garagens/apto: (un) Apto/andar (un):


Área c onstruída total (m2 ):
Início (mês/ano): Término (previsão):
1. Descrição geral do sistema construtivo:
Estrutura convencional de concreto e vedações:
Alvenaria estrutural Estrutura de aço e vedações
Outro (especificar):
andamento

Finalizado

A inici ar
Em

2. Etapas Especificação
Fundação
Estrutura
Vedação vertical
Caixilharia
Cobertura
Forração
Revestimento paredes internas
Revest. par. áreas molhadas int.
Revestimento fachada
Revestimento piso interno
Revest. piso int. áreas molhadas
Revestimento piso externo
Pintura interna
Pintura externa
Impermeabilizações
Isolações termoacústicas
Outro
Outro
Outro
Outro

FOLHA 1
153

Anotações do entrevistador:
154

Unidades: CETIND / DENDEZEIROS


Projeto: Tratamento e Destinação de Resíduos na Construção Civil

GESTÃO DE RESÍDUOS EM OBRAS

3. Listar os 3 serviços que mais geram resíduos na obra, por volume (ordenar):
Fundação Forração
Estrutura Revestimento de paredes (I/E)
Vedação vertical Revestimento de piso (I/E)
Caixilharia Instal. hidrosanitárias (tubulação)
Cobertura Instal. elétrica/fone/etc. (Tubul.)
* Exceto Solo, Demolição e Limpeza de terreno

4. Listar os 3 resíduos mais problemáticos, considerando aspectos além do volume (ordenar e justificar):

5. Listar as 3 principais causas da geração de resíduos (ordenar):


Uso de processo construtivo com baixa sofisticação tecnológica (ex. paredes de tijolos)
Baixa qualidade de projetos / Falta de integração entre projetos
Problemas na gestão dos materiais (especificação/compra/recebimento/estoque/apl icação)
Baixa capacitação da mão-de-obra
Alterações na obra solicitadas pelo cliente
Outro:
Outro:
Outro:
Outro:
Não s egrega Aterro Reusa/recicla Vende/doa
na obra para recic lagem
6. Soluções adotadas na obra para gestão de resíduos: e/ou reuso
Fração mineral (paredes, concreto e similares)
Metais
Papel / Papel ão
Plástico
Vidros
Gesso
Madeira
Fibrocimento
Material de pintura, impermeabilização, isolação
Resíduo orgânico
Solo
Outro
Outro

7. Principais formas de remoção de resíduos da obra


Veí cul o próprio (resíduos: )
Serviço de terceiros (resíduos: )
Sucateiros (resíduos: )
Cooperativas de catadores (resíduos: )
Outros

FOLHA 2
155

Unidades: CETIND / DENDEZEIROS


Projeto: Tratamento e Destinação de Resíduos na Construção Civil

GESTÃO DE RESÍDUOS EM OBRAS

8. Custos de remoção de resíduos de obras em Salvador:


Caminhão poliguindaste ( m3): R$/cç Caminhão polig. ( m 3): R$/c ç
Basculante ( m ):
3 R$/cç Basculante ( m ):
3 R$/cç
Outros (capacidade e preço):
Outros (capacidade e preço):
Caso uso veículo próprio, quanto paga pela deposição:

9. Quais os aterros disponíveis em Salvador para resíduos de obras:


Conhece:
Utiliza:

10. Valores obtidos com venda de resíduos coletados na obra (R$ - total):
Não vende
Plástico: Papel / Papel ão: Vidro:
Madeira: Metal: Outro:
Outro: Outro: Outro:

11. A Empresa possui Sistema de Gestão de Resíduos implantado? SIM NÃO

12. Quais controles são adotados na obra com relação aos resíduos:
Controla-se custos com captação e destinação
Controla-se quantidade de resíduo gerada
Controla-se local de destinação
Não há controle

13. Quais destes documentos são conhecidos pela equipe técnica da Empresa:
Resolução CONAMA 307
NBR 15112 - Resíduos de construção civil e resíduos volumosos. Áreas de transbordo e triagem
Diretrizes para projeto, implantação e operação
NBR 15113 - Resíduos sólidos da construção civil e resíduos inertes. Aterros
Diretrizes para projeto, implantação e operação
NBR 15114 - Resíduos sólidos da construção civi. Áreas de reciclagem
Diretrizes para projeto, implantação e operação
NBR 15115 - Agregados reciclados de resíduos sólidos da construção civi
Execução de camadas de pavimentação. Procedimentos
NBR 15116 - Agregados reciclados de resíduos sólidos da construção civi
Utilização em pavimentação e concreto sem função estrutural. Requisitos
Decreto Municipal 12.133 de 08/10/1998 de Salvador/BA

Pode indicar outra empresa, obra ou colega que poderiam participar desta pesquisa ?

Verificações do entre vista dor:


Divulgação das ações do SENA I na área de construção civil
Divulgação do programa SENAI de gestão de res íduos em obra
Convite à empresa para participar da segunda etapa da pesquisa
identificação de outras obras para participar da primeira etapa da pesquisa

Entrevistador:
Data: Tempo gasto:
FOLHA 3
156

(Anexo B Carta de apresentação)

Salvador, ___ de ____________ de 2006

CONSTRUTORA
At: CONTATO

Ref: Pesquisa sobre destinação de resíduos de construção em Salvador

O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI-BA), Unidades Dendezeiros e


CETIND, com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia
(FAPESB), está desenvolvendo o projeto Tratamento e Destinação Responsável de
Resíduos Sólidos da Construção Civil com o objetivo de contribuir para a gestão
destes resíduos através de atividades de apoio às empresas construtoras.
A Resolução CONAMA 307/2002, já em vigor, estabelece responsabilidades dos geradores com relação aos
resíduos de construção. Estas novas diretrizes aumentaram a necessidade de obtenção de informações sobre os
resíduos gerados nas obras, visando auxiliar na busca de alternativas ambientalmente corretas e economicamente
viáveis para sua destinação.

Na pesquisa que está sendo desenvolvida pelo SENAI, uma das etapas principais é a
realização de diagnóstico sobre a geração e gestão de resíduos de obras em Salvador,
identificando os principais problemas relativos a esta questão e soluções já
implementadas.

Neste sentido, gostaríamos de contar com colaboração desta empresa na pesquisa


diagnóstica, recebendo um dos técnicos da equipe de pesquisadores para
preenchimento de um breve questionário que deverá ser respondido por um
profissional responsável pela gestão das obras.
Entraremos em contato em breve para agendar uma visita. Caso a empresa deseje obter mais informações sobre o
projeto, pode entar em contato com a Enga Tatiana Almeida pelo telefone (71)3310-9972 ou pelo e-mail
tatianaa@[Link].

Atenciosamente

Patricia Pereira de Abreu Evangelista


Gerente da Área Tecnológica da Construção Civil
SENAI – Unidade Dendezeiros
157

(Anexo C - Relação das empresas identificadas)

Nº CONSTRUTORA CONTATO TELEFONE

Ricardo Lyrio 3327-0022


1 Santa Helena S.A. Incorporações e Construções
Manoel Moreira 3203-1360
Yuri Santos Guimarães 3341-1415
2 KUBO Engenharia e Empreendimentos Ltda
Ângelo Lorens Simões -

3 Civil Construtora Ltda Leda Cristina Meira 2104-5356

4 Garcez Construtora Ltda Karina Santana 3237-9530

Sergio Almeida 3353-5687


5 Almeida Matos Engenharia Ltda
Eliomar Matos 3354-6634

Marcelo 3345-3775
6 Everest Construmar Construtores Consorciados Ltda
Paulo Sérgio [Link] 3346-3930

Conipe Construtora e Incorporadora de Projetos de Leonardo Fichman 3341-2754


7
Engenharia Ltda Marcelo Cerqueira -
Eduardo Mattos 3206-1822
8 Construtora Norberto Odebrecht S/A
André Basto 3328-3080

9 Construtora e Incorporadora JL Ltda Eduardo Vila Nova 3431-6060

10 Coliseu Empreendimentos e Participações Ltda Fabrízio Cruz -

3331-1315
11 Consil Empreendimentos Ltda Augusto [Link] (Boloso)
3245-6247

12 Construtora Maco Ltda Luiz Raimundo 3248-5977

13 Construtora Barcino Esteve Ivan Barreto 3243-0913

14 Liz Construções Alexandre Pinto Duro 3451-8685

15 MRM Construtora Ltda Alexandre Pedral 3347-5897

Cláudio Cunha 3351-2261


16 Factor Construções e Empreendimentos Ltda
Andréa Vidal -
Fernando Melo 3451-4585
17 FM Construtora Ltda
Gustavo Torres Muricy -

18 JCG Construtora e Incorporadora Ltda Carlos Novais 3235-8932

19 FFB Construções Luiz Cláudio Alves de Souza (79) 3232-1010

Lucas Gordilho/ Fábio 3247-7373


20 Cosbat Engenharia Ltda
Luis Fernando Costa Filho 3247-5752
158

21 Accioly Carvalho Const. [Link] Ricardo Oliveira Accioly Lins 3341-1965

22 Consplan [Link] e [Link] Maria do Carmo Gomes 2202-5000

23 Jotagê Engenharia Cláudio Burgos 3354-2382

Henrique Marques 3264-7688


24 Construtora Sol Emp. Imob. Ltda
Eliel Oliveira Santos -

25 Construtora Barcino Esteve Ivan Barreto 3243-0913

26 Pacto Projetos e Obras Albérico 3359-7316

27 Oikos Engenharia Ltda Paulo Von Söhsten 3248-5977

André Guimarães Filho 3341-1366


28 André Guimarães Construções
Dênis -

29 Lessa Engenharia e Consultoria Ltda Mara Lívia 3240-2121

Vicente Mattos 3372-3000


30 Concreta Controle de Concreto e Tecnologia Ltda
Rodrigo Faria -
Gustavo Maia 3341-0886
31 Chroma Construções Ltda
Igo Alves Conceição -

32 MRM Construtora Ltda Alexandre Pedral 3347-5897

Ricardo Martins 3355-4591


33 Sertenge S/A Erick Fialho Queiroz 3241-1710

Fábio Campos -
Edison Pascoli 3334-0471
34 ARC Engenharia Ltda José Esmer -

Virgínia -

35 Luiz Mendonça Construtora Péricles Leal 3340-6777

Luciano Muricy Fontes 3334-4444


36 Metrus Empreendimentos Ltda
Antônio Maurício Rocha 3342-2530
Waldo Gavazza 9979-8542
37 Gráfico Engenharia Ltda Alexandre Duarte 9956-9274
Alexandre Mendonça 9964-4395
Paulo Henrique 3336-6270
38 Andrade Mendonça Cons. Ltda
Mariana Dourado -

39 CST Expansão Urbana Ltda Marcelo Peres 2101-8500

40 NCN Engenharia Ltda Ramiro Fonseca 3264-3435


159

41 Souza Netto Engenharia Ltda Cid 3353-7075

42 Thomas Magnus Incorporações Ltda Mariano Guimarães 3235-9218

43 Leão Engenharia Adilson Mariano 3343-6233

44 Franisa Empreendimentos Imobiliários. Marco Melo 3358-5019

45 Barbosa Valente Engenharia João Carlos Valente 3240-9255

46 Sanjuan Engenharia e Empreendimentos Ltda Ana Borges 3272-0713


160

(Anexo D - Relação das empresas que participaram da pesquisa)

Nº EMPRESA ENTREVISTADO TELEFONE OBRA

Franisa Empreendimentos
1 Imobiliários Ltda Marcos Mesquita 3358-5019 Edifício Serra Atlântica

2 Santa Helena Manoel Moreira 3203-1361 Porto Trapiche

3 Garcez Engenharia Karina Santana 3237-9530 Mansão Milano Marítimo

4 Garcez Engenharia Karina Santana 3237-9530 Mansão Alto do Apipema

5 Civil Construtora Ltda Wellington Pedro 2104-5356 Civil Trade

6 Almeida Matos Engenharia Eliomar 3353-5687 Mansão Raffaello Sanzio

7 Everest Construmar Solange Maria 3345-3775 Mar de Athenas

8 Kubo Engenharia Yuri Guimarães 3341-1415 Cond. Valter Baraúna

9 Odebrecht Eduardo Mattos 3276-1866 Vale do Loire

10 CONIPE Marcelo Cerqueira 3241-2754 Solar das Violetas

11 Souza Netto Cid 3353-7075 Cond. Barão de Coubertin

12 Gráfico Engenharia Waldo Gavazza 9979-8542 Vog Solar do Imbuí

13 Oikos Paulo V. Sohsten 3271-3030 Ed. Resid. Bel Air

14 FM Construtora Ltda Gustavo Muricy 8147-3250 Resid. Bosque Tropical II

15 Construtora Maco Luiz Raimundo 3248-5977 Hotel Zank

Cond. Ed. Mansão prof. José Maria de


16 Luiz Mendonça Péricles Leal 3247-8095 Magalhães Neto

17 Grupo Fator Andréa Vidal 2201-3014 Fator Arpoador - Edifício Arpoador

18 Sertenge Ricardo Martins 3355-4591 Boulevard Alto do Candeal

19 Leão Engenharia Adilson Mariano 3343-6233 Bahia Suítes

20 Lessa Engenharia Mara Lívia 3240-2121 Escola Jitauna - Ba


161

21 Lessa Engenharia Mara Lívia 3240-2121 Reforma Teatro Plataforma

22 Arc Engenharia Caroline / Mércia 3334-0471 Edgar Degas

23 Chroma Construções Igo Alves 3379-5261 Mansão Raffaello Sanzio

24 Concreta Rodrigo Faria 8866-5308 Residencial Granville

25 Consplan Maria do Carmo 2202-5000 Complexo Hoteleiro Ibero Star

Mansão Conde de
26 MVL Incorporações Ltda Leandro Andrade 3341-5153 Castanheira

27 Coliseu Empreendimentos Antônio Carlos 3331-0795 Edifício Giaccomo Puccine

28 Conie Empreendimentos Alexandre 3452-7118 Ilha de Marajó

29 Barcino Esteve Ivan Barreto 3243-0913 Pituba Ville


162

ANEXO C

RESÍDUOS DE CONSTRUÇÃO:
DA GERAÇÃO À DESTINAÇÃO RESPONSÁVEL
163

Copyright© 2007 por SENAI DR BA. Todos os direitos reservados


Projeto Gráfico e Finalização
Ficha Catalográfica
Núcleo de Informação Tecnológica / Senai – Unidade Dendezeiros

____________________________________________________________
SENAI-DR BA. Resíduos de construção: da geração à destinação
Responsável. Salvador: Senai - BA, 2007.

20 p.: il.
ISBN

1. Construção Civil 2. Gestão de resíduos I. Título


CDD 624
___________________________________________________________

SENAI DENDEZEIROS
Av. Dendezeiros do Bonfim, 99 - Bonfim
CEP: 40.415-0060
Tels.: (71) 3310-9972/9973/9974
Fax.: (71) 3314-9661
E-mail: sacsenai@[Link]
Site: [Link]
164

APRESENTAÇÃO

A construção civil é um dos setores mais importantes da economia, consumindo grandes


quantidades de recursos naturais, gerando volumes significativos de resíduos, representando
desperdício para a economia do país. Os processos de minimização na fonte, reutilização e
reciclagem, contribuem para a redução do consumo de matérias-primas e de impactos
ambientais negativos.

A intensidade da geração de resíduos e a extensão dos impactos por eles causados, nas áreas
urbanas, indicam claramente para a necessidade de mudança gradativa com a ineficácia da
gestão corretiva para a implantação de uma gestão preventiva e diferenciada.

A gestão dos resíduos da construção civil vem mudando intensamente no Brasil,


principalmente a partir da publicação da Resolução CONAMA 307/2002 e de normas da
Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), entre outros fatores Para apoiar o setor
da construção neste assunto, o SENAI-BA desenvolve uma série de ações, entre as quais o
Programa Gestão de Resíduos na Construção Civil, visando a impulsionar o surgimento de
uma cadeia de responsabilidade social envolvendo atores como os geradores,
transportadores e os responsáveis pelos Municípios. Um dos objetivos do programa é prestar
assessoria para a implantação da gestão responsável de resíduos em obras.

Como forma de complementar a atuação do Senai-BA, foi desenvolvidos o projeto


Tratamento e Destinação Responsável de Resíduos Sólidos na Construção Civil, através de
parcerias entre as áreas de Construção Civil (Unidade Dendezeiros) e de Meio Ambiente
(Unidade CETIND). O objetivo geral do projeto foi desenvolver estudos para uma gestão
diferenciada de resíduos gerados na construção civil, considerando aspectos tecnológicos,
econômicos e ambientais.

O projeto foi desenvolvido em três etapas: (1) Elaboração de um Diagrama de Blocos,


identificando os insumos e resíduos gerados nas várias etapas do processo de construção de
edificações; (2) Pesquisa sobre a geração de resíduos de construção na cidade de Salvador,
desenvolvida em duas fases: um diagnóstico inicial e uma pesquisa de campo; (3) Pesquisa
sobre a destinação dos diferentes tipos de resíduos de construção civil na Região
Metropolitana de Salvador.
Este manual apresenta os resultados deste projeto e foi elaborado para servir como material de
consulta, auxiliando na gestão diferenciada dos resíduos em obras.
165

RESÍSUOS DE CONSTRUÇÃO

O que são resíduos de construção civil? Segundo a Resolução CONAMA 307/20021,


são os resíduos “provenientes de construções, reformas, reparos e demolições de
obras de construção civil, e os resultantes da preparação e da escavação de terrenos,
tais como: tijolos, blocos cerâmicos, concreto em geral, solos, rochas, metais, resinas,
colas, tintas, madeiras e compensados, forros, argamassa, gesso, telhas, pavimento
asfáltico, vidros, plásticos, tubulações, fiação elétrica etc., comumente chamados de
entulhos de obras, caliça ou metralha”.

No ano de 2004, em Salvador, o poder público


coletou mais de 1.600 t/dia de resíduos de
construção, o que representou quase 40% dos
resíduos sólidos urbanos2. Entretanto, a
quantidade de resíduos de construção gerada na
cidade foi ainda maior, pois estes dados não
contemplam os descartes aleatórios e em
aterros irregulares.

Parte considerável dos resíduos de construção


vai para deposições irregulares, causando
obstrução de vias e de cursos de água,
ocorrência de zoonoses, degradação da
paisagem, etc.3.
Estes e outros problemas podem ser reduzidos
pela gestão integrada e responsável dos
resíduos da construção, que é apresentada
nos próximos itens.
FOTO 01-DEPOSIÇÃO REFERÊNCIAS: (1) CONAMA – Conselho Nacional do Meio Ambiente.
Resolução 307 de 05/julho/2002. Brasília/DF. D.O.U. 17/julho/2002. (2);
IRREGULAR LIMPURB – Empresa de Limpeza Urbana de Salvador. Relatório Anual de
Atividade da LIMPURB – 2004. Salvador, LIMPURB, 2005; (3) PINTO,
T.P. Metodologia para gestão diferenciada de resíduos sólidos da
construção urbana. 1999. 189p. Tese (doutorado). USP. São Paulo, 1999;
(4) CASSA et al., 2001. Reciclagem de entulho para a produção de materiais
de construção. Projeto Entulho Bom. EDUFBA/CEF. Salvador, 2001.
166

GERAÇÃO DE RESÍDUOS DE CONSTRUÇÃO

No projeto Tratamento e Destinação Responsável de Resíduos da Construção, foram


realizados dois diagnósticos na cidade de Salvador: um para obtenção de informações
dos construtores sobre gestão de resíduos em obras e outro para quantificação dos
resíduos gerados em alguns serviços.
CITAÇÕES Na primeira etapa estudaram-se 29
24 Revest. de parede
22 Alvenaria (vedação)
obras, através de entrevistas com
14 Revest. de piso gestores. Grande parte delas localizam-
10 Estrutura se em bairros de classe média e média
10 Forro
4 Tubulações alta. A maioria (93%) é de estrutura de
Serviços que mais
2 Fundação geram resíduos concreto e vedação em alvenaria e 7% é
1 Gesso projetado (em volume)
de alvenaria estrutural. Mais da metade
(58,6%) tem entre 10 e 20 pavimentos.
Segundo informações dos entrevistados,
os serviços que mais geram resíduos, em
volume, são vedação vertical e
revestimento de paredes.
O gráfico ao lado apresenta os resíduos
apontados com críticos, pelos motivos:
inexistência de soluções para o
Mão-de_obra reaproveitamento e a destinação;
(19%)
dificuldade de manejo e armazenamento;
Projetos Processo construtivo
(36%)
sujeira na obra; risco de acidentes;
(18%)
potencial de poluição ambiental.
Gestão de
materiais (18%)
Os resíduos perigosos (pintura, isolação,
etc.) são, em muitos casos, aterrados
Materiais de
Alterações na construção (3%) junto com as outras frações, o que
Principais causas obra (9%)
da geração de resíduos constitui um problema.
Apesar de a maioria dos entrevistados
ter consciência da importância da
reciclagem de resíduos, estes, segundo
eles, não são encaminhados ao reuso e
reciclagem por diversos motivos: (1)
falta de espaço no canteiro para
segregação; (2) falta de agentes para
recolher periodicamente os resíduos; (3)
baixa motivação da equipe com relação
à segregação dos resíduos. O
encaminhamento dos materiais à
reciclagem ocorre, principalmente, nas
empresas que implantaram um Sistema
de Gestão de Resíduos, o que representa
apenas 6 das 29 obras pesquisadas.
A segunda etapa da pesquisa, relativa a quantificação da geração de resíduos, foi desenvolvida em obras de
quatro empresas de Salvador, estudando-se os serviços: alvenaria de vedação e revestimento com argamassa
167

convencional (por serem grandes geradores); revestimento de gesso (porque seus resíduos são críticos) e corte de
alvenaria para passagem de tubulações.

Os resultados, apresentados nas tabelas seguintes, referem-se à porcentagem em volume de resíduo por volume
dos elementos construtivos analisados. É importante comentar que, pelo método utilizado, foram quantificados
apenas os resíduos gerados nos pavimentos onde os serviços estavam sendo executados. Não foram, portanto,
contabilizados os resíduos gerados na recepção, armazenamento, transporte interno e processamento dos
materiais.
A geração de resíduos em alvenaria de vedação variou de 6,8% a 13,9% do volume da alvenaria acabada, sendo
menor nas obras com modulação das paredes.
Nos serviços de corte de alvenaria para tubulações, nas duas obras pesquisadas, foram gerados volumes totais
altos de resíduos (830 e 920 litros por pavimento), que representam, respectivamente, 2,7% e 3,1% do volume da
alvenaria.
A geração de resíduos no revestimento com gesso supera 10% do volume do material realmente aplicado, o que
é preocupante, pelos problemas causados não só na falta de tecnologias de reaproveitamento, como também na
destinação do gesso, apresentados adiante.
O revestimento com argamassa convencional apresentou a maior variação na geração de resíduos, variando de
0,89% a 17,9%. Na obra com menor percentual, o reuso da argamassa reduziu significativamente a geração de
resíduos neste serviço. No entanto, devem ser tomados cuidados com a qualidade final do material aplicado.

Observou-se ainda que, nas obras pesquisadas, a falta de racionalização dos processos construtivos contribui
para a geração de resíduos, desde o recebimento do material na obra. Exemplos: (1) Em alguns canteiros, os
blocos passam por várias etapas de transporte e empilhamento, o que aumenta as chances de quebras e leva ao
desperdício de trabalho; (2) Em algumas obras, a argamassa é descarregada sucessivamente em carros de mão,
piso de elevador e do pavimento, caixas, etc., o que pode prejudicar sua qualidade, por perda de água, de
consistência e incorporação de materiais estranhos, além de elevar a geração de resíduos na obra.

As características dos materiais também influenciam na geração dos resíduos: em alguns casos, os blocos usados
eram de baixa qualidade, muitos dos quais não suportando nem mesmo o manuseio.

Percebe-se também que não há um controle efetivo da distribuição e consumo individual de materiais na obra, o
que não estimula a existência de iniciativas dos operários para a redução da geração de resíduos.

Características gerais das obras pesquisadas


Obra Modulação da Empresa Controle de Compatibilizaçã Equipe fixa Racionalização Programa de
alvenaria terceirizada materiais nos o de projetos para os serviços da construção gestão de
serviços resíduos
1 NÃO SIM NÃO SIM NÃO NÃO SIM
2 SIM SIM NÃO SIM NÃO SIM SIM
3 SIM NÃO NÃO NÃO NÃO SIM NÃO
4 - NÃO NÃO - NÃO - NÃO

Resultados da pesquisa de geração de resíduos


Serviço Obra Área medida (m2) Resíduos gerados Resíduos gerados (%
(m3) em volume)
Alvenaria de vedação 1 342,11 4,31 13,9
1 342,11 3,86 12,6
2 194,81 1,31 7,4
2 194,81 1,42 8,1
3 332,92 2,04 6,8
Cortes em alvenaria 1 342,11 0,83 2,7
3 332,92 0,92 3,1
Revestimento com gesso 2 360,00 0,84 12,0
2 360,00 0,80 11,0
Revestimento em argamassa 1 660,66 2,40 17,9
3 777,45 0,86 5,5
4 806,22 0,14 0,89
4 806,22 0,10 0,62
168

GESTÃO DE RESIDUOS DE CONSTRUÇÃO


Considerando os resíduos gerados, a alvenaria da obra 1 tem um acréscimo de custo de mais de 14%, se
somarmos ao custo do material desperdiçado, o pagamento dos veículos para a remoção dos resíduos. Neste
valor não foram considerados gastos com mão-de-obra e equipamentos para transporte do resíduo na obra.
Na prática, este acréscimo nunca será totalmente eliminado, pois a geração de resíduos dificilmente será nula.
Mesmo assim, é possível diminuí-lo, implantando práticas mais limpas como mostram resultados da própria
pesquisa. Por exemplo: a diferença nas gerações de resíduos de alvenaria entre as obras 1 e 3 é de
aproximadamente 6,45%. Com este valor de geração “extra” de resíduos, e considerando os mesmos materiais, a
obra 1 tem um acréscimo em torno de 7% no custo da alvenaria em relação à obra 3.

A gestão dos resíduos de construção, incluindo soluções para redução da geração dos resíduos e minimização
dos impactos ambientais deve acompanhar todo o processo de realização do empreendimento, desde a sua
concepção até a entrega ao cliente e manutenção. A figura a seguir aponta diretrizes a serem consideradas em
cada etapa do empreendimento.
169

GESTÃO DE RESIDUOS EM OBRA

A gestão adequada dos resíduos nos canteiros de obra, desde a geração até a destinação
final, exige cuidados específicos na captação, triagem, armazenamento e transporte,
devendo-se priorizar, sempre que possível,a redução na fonte o reuso e a reciclagem.

O SENAI capacita profissionais e implanta programas de gestão de resíduos de construção


em canteiros de obra, destacando como ações necessárias para o gerenciamento de resíduos:
Organizar e limpar o canteiro de obras e segregar
os resíduos, separando-os por classes;
Acondicionar adequadamente os resíduos; FOTO 03 – SINALIZAÇÃO
Prover e sinalizar os dispositivos usados na DISPOSITIVOS
gestão de resíduos no canteiro
Promover ações de planejamento e racionalização
visando à redução da geração de resíduos;
Organizar o transporte interno dos resíduos;
Gerenciar adequadamente os resíduos,
priorizando a redução na fonte, o reuso e a
reciclagem a minimização dos impactos no
transporte e aterramento.

O sucesso da implantação da gestão responsável


FOTO 02 - BIG BAGS de resíduos nos canteiros depende do
envolvimento de toda a equipe da obra, da
gerência aos operários, que devem ser
conscientizados da importância da gestão
integrada e treinados para as novas funções
exigidas para a destinação responsável dos
resíduos.
É importante que haja a compreensão de que a
responsabilidade do construtor não se limita ao
canteiro, cabendo a ele garantir que a gestão
dada aos resíduos de suas obras seja adequada.
E atenção!
Existem normas específicas para as áreas de transbordo e triagem, reciclagem e aterro de resíduos de
construção: (1) NBR 15112. Resíduos da construção civil e resíduos volumosos. Áreas de transbordo e triagem;
(2) NBR 15113. Resíduos sólidos da construção civil e resíduos inertes. Aterros; (3) NBR 15114. Resíduos
sólidos da construção civil. Áreas de reciclagem.
170

DESTINÇÃO DE RESIDUOS DE CONSTRUÇÃO

Nas tabelas a seguir, são apresentadas as classificações gerais dos resíduos pela Resolução
CONAMA 307/2002 e pela NBR 10004/2004 (Classificação de Resíduos Sólidos). Em
seguida, os principais resíduos gerados na construção civil são enquadrados nas
classificações apresentadas, visando auxiliar na busca de soluções ambientalmente
adequadas para a destinação destes resíduos.

Classificação e destinação de resíduos da construção civil pela Resolução CONAMA 307/2002


CLASSE A: resíduos reutilizáveis ou recicláveis como agregados, tais como: de pavimentação e de infra-estrutura,
inclusive solos; de edificações: cerâmicos (tijolos, blocos, telhas, etc.), argamassa e concreto.
Devem ser reutilizados ou reciclados na forma de agregados, ou encaminhados a áreas de aterro de resíduos da construção
civil, sendo dispostos de modo a permitir a sua utilização ou reciclagem futura.
CLASSE B: resíduos recicláveis, tais como: plásticos, papel/papelão, metais, vidros, madeiras e outros.
Devem ser reutilizados, reciclados ou encaminhados a áreas de armazenamento temporário, sendo dispostos de modo a
permitir a sua utilização ou reciclagem futura.
CLASSE C: resíduos para os quais ainda não há tecnologias ou aplicações economicamente viáveis que permitam a sua
reciclagem/recuperação, como o gesso. Devem ser armazenados, transportados e destinados de acordo com as normas
técnicas especificas.
CLASSE D: resíduos perigosos, tais como: amianto, tintas, solventes, óleos e outros. Devem ser armazenados,
transportados, reutilizados e destinados em conformidade com as normas técnicas especificas. (Complementado pela
Resolução CONAMA 348/2004).

Classificação de resíduos pela NBR 10004/2004


Classe I (Perigosos): resíduos que apresentam periculosidade (riscos à saúde pública e ao meio ambiente), inflamabilidade,
corrosividade, reatividade, toxicidade e patogenicidade.
Classe IIA (Não-perigosos e não-inertes): resíduos que não se enquadram na Classe I nem na Classe II B. Podem ter
propriedades tais como: combustibilidade, biodegradabilidade ou solubilidade em água.
Classe IIB (Não perigosos e inertes): resíduos que quando submetidos a ensaios de solubilização da NBR 10006 não
apresentam teores solubilizados em concentrações superiores aos padrões de potabilidade da água.

Classificação das frações do resíduo de construção pela Resolução 307 e pela norma ABNT
10.004
Resíduo R307 ABNT Resíduo R307 ABNT Resíduo R307 ABNT
Alvenaria A IIB Argamassas A IIB Concreto A IIB
Solo não contaminado A IIB Cerâmicos A IIB Polietileno C IIA
Madeira não tratada B IIA PVC B IIB Poliuretano C IIA
Madeira tratada B I Gesso C IIA Isopor B/C IIA
Aço-alumínio-cobre B IIB Papel e papelão B IIA Vidro B IIB
Material de pintura C/D I/IIA Materiais asfálticos C/D I Plástico B IIA
Outras informações: Manual de Produtos Químicos Perigosos ([Link]/Emergencia /produtos/produto_consulta.asp), da
Cetesb, e site da Limpurb ([Link]).

De acordo com as soluções disponíveis em Salvador para a destinação dos resíduos de


construção, foram desenvolvidas as tabelas abaixo. Alternativas para destinação podem
surgir com o desenvolvimento tecnológico, alterações no mercado, políticas públicas, etc.
171

Destinação em
Observação Cuidados na gestão Reuso/reciclagem
Salvador
Classe A
Compõe mais da metade do Segregar concretos e Reuso: bases de pisos, Base de Descarga de
resíduo de construção alvenarias para facilitar revestimento primário de Entulho, reciclagem em
o reuso e a reciclagem vias, etc. Reciclagem: obra ou aterro licenciado
produção de areia e brita
Madeira e podas (Classe B)
Representa mais de 10% do Segregar: madeira de Reuso: na construção. Pode ser doada ou vendida
resíduo de construção levado lei, madeira Reciclagem: como para olarias, indústrias
aos aterros contaminada e não combustível e na produção cerâmicas ou outras
contaminada de móveis, caixilhos, empresas
chapas, etc.
Papel, plástico, metais e vidro (Classe B)
São comumente reciclados no Segregação na obra Devem ser reciclados Vender ou doar para
país. Têm pequena para facilitar a cooperativas e empresas de
participação no resíduo de doação/venda e reciclagem
construção diminuir custos de
transporte
Resíduos perigosos (Classe D)
Têm pequena participação no Separar dos demais Quando puder ocorrer, a Encaminhar à Cetrel
resíduo de construção, mas resíduos desde a origem reciclagem deve ser Lumina ou Ecomed. Alguns
demandam cuidados na gestão e destinar a empresas realizada por empresas fabricantes podem receber
especializadas capacitadas. os resíduos.
Gesso (Classe C)
Sua participação no resíduo de Separar dos demais Ao ser calcinado e moído, o Não há solução
construção é pequena, mas desde a origem e gesso pode ser usado na economicamente viável
problemática. Em aterros, leva destinar a empresas construção. O gesso para sua reciclagem, em
à formação de gases tóxicos. especializadas acartonado apresenta Salvador. Encaminhar à
Contamina o lençol d’água maiores desafios, pela Cetrel Lumina ou Ecomed.
com sulfatos. Agregados associação com outros É interessante negociar
reciclados com gesso geram produtos soluções com o fornecedor.
reações expansivas nos
concretos

DICAS
• No site da Bolsa de Resíduos da FIEB ([Link]/senai/bolsaderesiduos), empresas
oferecendo ou procurando resíduos podem se cadastrar e fazer anúncios em busca
de oportunidades!
• Fornecedores de materiais e serviços podem ser parceiros na destinação dos
resíduos
• Resíduos segregados desde a origem evitam a contaminação com resíduos
perigosos, favorecendo o reuso e a reciclagem
• É importante assegurar que o transportador leve o resíduo para o local correto.
Fiscalize, exija comprovação
• Mas lembre sempre, o mais importante é não gerar resíduo e privilegiar o reuso e
a reciclagem.
Na seção seguinte são apresentadas informações sobre a reciclagem dos resíduos
classe A
172

Onde obter outras informações:


 BOLSA DE RESÍDUOS FIEB – ([Link]/senai/bolsaderesiduos)
 ABETRE – Associação Brasileira de Tratamento de Resíduos ([Link]);
 SMA – Superintendência de Meio Ambiente ([Link]);
 CRA – Centro de Recursos Ambientais ([Link]/cra);
 LIMPURB – Empresa de Limpeza Urbana de Salvador ([Link]);
 LIMPEC – Limpeza Pública de Camaçari ([Link]);
 ECOMED (ecomed1@[Link]);
 CETREL-Lumina ([Link]);
173

RECICLAGEM DE RESIDUOS DE CONSTRUÇÃO

A fração mineral (classe A) do resíduo de construção pode ser reutilizada ou


reciclada para produção de agregados, cujos usos na construção são seguros a ponto
de existirem normas da ABNT especificando aplicações em pavimentação e em
concreto sem função estrutural: (1) NBR 15115/2004. Agregados reciclados de
resíduos sólidos da construção civil. Execução de camadas de pavimentação.
Procedimentos; (2) NBR 15116/2004. Agregados reciclados de resíduos sólidos da
construção civil. Utilização em pavimentação e preparo de concreto sem função
estrutural. Requisitos.
A norma NBR 15116 define agregado
reciclado:
 Agregado de resíduo de concreto (ARC):
que contém, na fração graúda, pelo menos
90% de fragmentos à base de cimento FOTO 04 – AGREGADO
Portland e rochas; RECICLADO
 Agregado de resíduo misto (ARM): que
contem, na fração graúda, menos de 90% de
fragmentos à base de cimento Portland e
rochas.
Em geral, concretos e argamassas produzidos
com agregado ARC apresentam melhor
desempenho que os produzidos com agregado
ARM1.
A NBR 15116 define concreto sem função
FOTO 05 – BLOCO COM estrutural com agregado reciclado, como:
AGREGADO RECICLADO “material destinado a usos como enchimento,
contrapiso, calçadas e fabricação de artefatos
não estruturais, como blocos de vedação, meio-
fio (guias), sarjeta, canaletas e placas de muro”.
Nas aplicações do agregado reciclado, devem-se
observar as especificações das normas, inclusive
quanto à caracterização dos agregados
reciclados.

REFERÊNCIAS: (1) LIMA, J. A. R. Proposição de diretrizes para normalização


de resíduo de construção reciclado e de suas aplicações em argamassas e
concretos. São Carlos, 1999. Dissertação (mestrado). EESC/USP, 237 p
174

BENEFÍCIOS DA RECICLAGEM:

Redução do consumo de recursos naturais

Aumento da vida útil dos aterros

Redução de impactos ambientais

Redução dos custos de transporte e destinação dos resíduos

Melhor aproveitamento da mão-de-obra ociosa nos canteiros.

BENEFÍCIOS DA GESTÃO DE RESÍDUOS NO CANTEIRO:

Melhor organização e limpeza da obra

Redução do volume de resíduos a descartar

Estímulo à reutilização e reciclagem de resíduos

Mudança de cultura na empresa

Diferencial de imagem da empresa no mercado

Redução de riscos de acidentes de trabalho

Otimização do fluxo de resíduos

Ajuste aos padrões de desenvolvimento sustentável

Atendimento às exigências da Resolução CONAMA 307/2002.


175

CONCLUSÕES

A geração de resíduos é inerente ao processo construtivo de edificações e, como outras


partes deste processo, merece atenção profissional e responsável por parte dos construtores,
para que seja mantida em níveis mínimos e para que os resíduos gerados sejam destinados
adequadamente.

Como se procurou mostrar neste manual, algumas características do resíduo de construção


merecem ser observadas para facilitar a sua gestão, obtendo-se benefícios econômicos,
sociais e ambientais.

A pesquisa de campo sobre a geração dos resíduos mostrou como é significativo o percentual
de material adquirido que vira resíduo em alguns processos construtivos. A redução da
geração dos resíduos pode ser obtida por meio de uma gestão diferenciada através da
compatibilização de projetos, do adequado planejamento e da racionalização dos processos
construtivos, como também de políticas públicas que objetivam desenvolver a cultura de
preservação ambiental, que estimulem o treinamento, a educação ambiental, a reciclagem, o
reaproveitamento a não geração dos resíduos de construção civil.

Implantando-se a gestão diferenciada dos resíduos gerados nos canteiros, obtém-se este
material separado em subtipos, prontos para reuso, reciclagem e destinação ambientalmente
adequadas. Com o maior envolvimento de construtoras, fornecedores, poder público e outros
agentes, novas soluções de destinação dos resíduos deverão surgir, contribuindo para a
gestão responsável.

Outro resultado desta ação é a obtenção de canteiros de obras mais limpos e organizados, o
que pode refletir positivamente na qualidade dos serviços e na motivação da equipe para a
redução de perdas e acidentes na obra, além de contribuir para a melhoria da imagem da
empresa em um mercado cada vez mais competitivo.
A implantação da gestão diferenciada de resíduos em canteiros de obras é relativamente
simples e pouco custosa, e traz benefícios que suplantam em muito os esforços despendidos
como:

Redução dos custos públicos com limpeza urbana.


Disposição facilitada de pequenos volumes.
Preservação da vida útil dos aterros.
Consolidação de novos agentes de limpeza.
Preservação ambiental.
Preservação da paisagem e da qualidade de vida.
O incentivo às parcerias (captação/reciclagem/reutilização).
Incentivo a redução na geração de resíduos.

CIB (2000) apud JOHN (2001, p.35)

CRÉDITOS
176

SENAI/BA – UNIDADE DENDEZEIROS SENAI/BA- UNIDADE CETIND


Área de Construção Civil Área de Meio Ambiente
Gerência: Patrícia Pereira de Abreu Gerência: Arlinda Conceição Dias Coelho
Evangelista
Contatos:
Contatos: Av. Luís Tarquínio Pontes, 938 – Aracuí
Av. Dendezeiros do Bonfim, 99 – Bonfim Lauro de Freitas/BA
Salvador/BA Fone: 71-3379-8212
Fone: 71-3310-9973 Site: [Link]
Site: [Link] E-mail: sacsenai@[Link]
E-mail: sacsenai@[Link]

Projeto: Tratamento e Destinação Responsável de Resíduos Sólidos na Construção


Civil
Coordenação geral: Jefferson Caponero / Arlinda Conceição Dias Coelho
Coordenação técnica: Tatiana Gesteira de Almeida Ferraz
Pesquisadores:
Coordenação: José Antonio Ribeiro de Lima
Equipe:
Ana Virgínia Santos Nascimento
Daniela de Jesus Menezes
Judiron da Silva Pena
Leandro de Souza Silva
Lidiane de Brito Almeida
Mateus de Almeida Cunha
Patrícia Miranda Lordêlo

MANUAL “RESÍDUOS DE CONSTRUÇÃO: DA GERAÇÃO À DESTINAÇÃO


RESPONSÁVEL”
Elaboração: José Antonio Ribeiro de Lima
Revisão técnica: Patrícia Pereira de Abreu Evangelista / Tatiana Gesteira de Almeida
Ferraz

Salvador –2007

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