123Ao tocar o glifo, o fragmento dissolveu-se em um brilho dourado, envolvendo-o.
A
magia selvagem e primordial de Kallyadranoch, canalizada através daquele artefato
perdido, inundou seu corpo. Não foi uma maldição, mas uma bênção—uma resposta à sua
devoção constante e à sua compreensão inata da natureza arcana dos dragões. A
transformação foi agonizante e extática. Sua pele humana se fundiu e deu lugar a
escamas de bronze. Chifres irromperam de sua testa, suas mãos se tornaram garras e
as costas arderam com o surgimento de grandes asas membranosas. Ele não foi
corrompido; foi refeito. Tornou-se Kallyanach.
Quando a dor passou, Sumadu olhou para seu reflexo em um vaso de água polido. O
jovem escriba havia se ido. Em seu lugar estava uma criatura de mito. O choque deu
lugar a um entendimento profundo. Ele finalmente compreendia a magia que sempre
estudara. Ela não estava apenas nos livros; agora corria em suas veias, era parte
de sua carne e osso. A bênção de Kally não era um dom de poder bruto, mas a chave
para desbloquear o potencial que sempre estivera adormecido dentro dele. Ele havia
se tornado a própria coisa que venerava.