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A Fada Vermelha e o Gigante Tomás

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TOMÁS

Era uma vez uma fada vermelha. Ela tinha um belo sorriso, e vivia
voando por todo canto, sempre sorrindo e cantando: “quando não tinha nada
eu quis, quando tudo era ausência esperei, quando tive frio, tremi, quando tive
coragem liguei...” A fada vermelha podia curar qualquer um com seus abraços,
e suas palavras também conseguia acalentar qualquer ser por onde ela
passava. Mas, apesar de todos os encantos, sorrisos e abraços, ela sempre
saia pra voar sozinha pela floresta. Ela gostava de ver o mundo, de ouvir
histórias e sempre queria voar por campinas diferentes.
Uma dia de repente, após voltar de um passeio bonito, o tempo
começou a esfriar. Uma tempestade estava se formando com chuva, raios e
relâmpagos. A fada vermelha buscou aconchego na abertura de uma sequoia,
num árvore tão grande que quase tocava o céu. Lá se abrigava quem
precisava de descanso para seguir viagem.
Dentro da fenda da sequoia ela procurou se aquecer: lembrando que
tinha um pouquinho de fósforo, ela juntou algumas palhas secas para fazer
uma pequena chama de brasas. Buscou ficar perto da casca da sequoia, longe
do vento e acendeu a chama, e sob aquela luz foi que ela viu algo que ela
nunca tinha visto antes: um gigante adormecido. A fada vermelha ficou curiosa
e levou a chama numa tocha para ver o rosto do gigante mais de perto. Ele
dormia pesado, com um sorriso sereno. A fada percebeu pelas suas mãos
calejadas e pelos suspiros compridos, que ele estava descansando depois de
um longo dia de trabalho.
A fada então decidiu ninar o gigante para acalentar seus sonhos.
Sentou-se perto do seu ouvido e começou a solfejar uma linda canção de
amor: “Como esta noite findará, E o sol então rebrilhará, Estou pensando em
você...onde estará o meu amor?..
Ao ouvir aquela melodia tão bonita, o gigante acabou despertando. Abriu
os olhos mas não viu ninguém. A Fada estava cantando tão levemente que ele
adormeceu novamente, achando que aquela voz seria de um sonho bonito. A
fada então continuou a cantar agora sonolenta... se deitou nos cabelos do
gigante e se aqueceu entre seu calor, então adormeceu. A fada e o gigante
juntos dormiram e se abrigaram por lá.
O dia raiou e o gigante despertou. Ele tinha dormido tão bem que assim
que abriu os olhos sorriu, lembrando da canção que ouvira em seu sono.
Levantou devagar e sentiu algo leve como uma pluma escorregar dos cabelos
e cair nos seu ombros. Quando viu a fada vermelha ficou encantando com ela
era bela e sutil. Dormia pesado e parecia sonhar. O gigante a acolheu em suas
mãos a guardou aquecida, dentro do seu peito.
A friagem tinha se transformado em neve, cobrindo tudo que se via de
branco. Então, o gigante pensou em como poderia achar uma flor tão bela
quando a fada vermelha para dá-la. Subiu na sequoia e viu que, lá em cima,
preso num ninho, havia uma flor linda e singela: um dente-de-leão. Pegou a flor
com todo cuidado, com as pontinhas dos dedos e botou no colo da fada
vermelha. Como o toque suave daquela flor, a fada acordou. Ela, sentindo o
aroma e percebendo sua beleza, quis cantar, voando com uma pluma: “Eu vou
vestido de amor, Para o amor encontrar, O corpo leve em voo, E a alma a
flutuar”. Foi tão bonito que o gigante, vendo a dança flutuante da fada
vermelha, sorriu e chorou.
Sem perceber, o dente-de-leão se desmanchou no ar, espalhando amor
e saudade. E o sorriso virou lagrima. A fada vermelha quase se perdeu, tentar
juntar a flor flutuante, que eu se espalhou na brisa, pra nunca mais voltar.
Triste, a fada emudeceu.
O gigante decidiu buscar uma nova flor para alegrar a fada vermelha e
saiu com ela pelo mundo. Mas o inverno demorava a passar. Dia após noite
eles buscavam, voando e caminhando, achar uma flor como aquela de rara
beleza. Muitos dias se passavam. A fada não estava mais triste. O gigante tinha
se tornado seu companheiro de viagem. Juntos viram grandes lagos e
pequenos jardins, perceberam a beleza da vida em volta deles enquanto
caminhavam juntos em busca de flor.
Com o tempo, a neve virou gelo, o gelo virou sereno e o sereno virou
orvalho. A sequoia se encheu de frutos e animais saíram de suas tocas. A
primavera havia começado. O dia chegou de mansinho, enchendo de luz e
calor os olhos do gigante que sempre aquecia a fada vermelha em seu peito.
Uma brisa suave soprou e trouxe flutuante uma linda surpresa: um cravo
vermelho que pousou levemente no colo da pequena fada vermelha
adormecida. A sentir aquele perfume afetuoso, a fada sorriu, abriu os olhos e
viu: a primavera tinha lhe dado uma nova flor e, com ela, um amor. Ela cantou:
“Tudo de amar trago comigo, De amor, amor, E amor amigo, De amor bem
dizer, E de se dar, Partilhar o Sol e o trigo”.
A fada e o gigante cuidaram do cravo, que está se abrindo. Resolveram
chamar ele de Tomás, para representar a lealdade que tinham construído
durante a caminhada.

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