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Procedimentos Analíticos em Auditoria PME

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A utilização dos procedimentos analíticos de auditoria em Pequenas e Médias

Empresas: inquérito aos Revisores Oficiais de Contas

W
José Ricardo Cunha Ribeiro
IE
EV

Dissertação apresentada no Instituto Politécnico do Cávado e do Ave para obtenção do


grau de Mestre em Auditoria
PR

Orientadora: Prof. Doutora Sónia Monteiro

Co-orientadora: Dr.ª Fátima Amorim

Barcelos, Novembro 2014


PR
EV
IE
W
A utilização dos procedimentos analíticos de auditoria em Pequenas e Médias
Empresas: inquérito aos Revisores Oficiais de Contas

W
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José Ricardo Cunha Ribeiro
EV

Dissertação apresentada no Instituto Politécnico do Cávado e do Ave para obtenção do


grau de Mestre em Auditoria
PR

Orientadora: Prof. Doutora Sónia Monteiro

Co-orientadora: Dr.ª Fátima Amorim

Barcelos, Novembro 2014


A utilização dos procedimentos analíticos de auditoria em PME: inquérito aos ROC
_____________________________________________________________________________

RESUMO

Numa altura tão conturbada como a que vivemos, onde se assiste por um lado a crises
económicas e financeiras, por outra ao relato de variadas situações que configurarão
questões de fraude, ressurge indubitavelmente a questão do papel do auditor e o gap
de expetativas em relação à auditoria financeira.

O interesse por parte dos auditores nos procedimentos analíticos tem crescido
significativamente nos últimos anos devido, pelo facto de potenciarem uma melhoria da
eficiência e eficácia do trabalho de auditoria. Regra geral, os procedimentos analíticos
são utilizados com mais frequência na fase do planeamento e revisão global de
auditoria, sendo crescente o seu uso como testes substantivos e como verdadeira
evidência de suporte da opinião do auditor. No entanto, quando se realiza auditorias a

W
Pequenas e Médias Empresas (PME), existem vários fatores na essência das PME a
ter em conta, tais como, a existência de limitações no controlo interno e na informação
IE
disponível e o domínio por parte do proprietário-gerente. Estes fatores derivam da
pequena dimensão dessas empresas, o que origina a limitação da utilização dos
procedimentos analíticos.
EV

A presente investigação tem como principal objetivo analisar de que forma os


Revisores Oficiais de Contas (ROC) utilizam os procedimentos analíticos no processo
de auditoria a PME, estando conscientes das limitações inerentes à sua utilização.
PR

Para o efeito, e como metodologia foi dirigido um inquérito aos ROC portugueses,
tendo obtido um total de 44 respostas. Os principais resultados indicam que:

 os ROC recorrem com mais frequência a procedimentos analíticos simples


numa auditoria a PME, em particular na fase de planeamento e são aplicados
com maior frequência na área dos gastos com o pessoal (comparativamente
com as áreas de vendas, compras e Estado);
 é frequente a verificação dos resultados dos procedimentos analíticos com outro
tipo de procedimentos numa auditoria; e na sequência de resultados satisfatórios
os ROC optam por reduzir de forma moderada os testes de detalhe.
 Os ROC consideram importante alguns fatores próprios das PME na utilização
dos procedimentos analíticos, o que origina uma menor utilização desses
procedimentos nas PME comparativamente com as grandes empresas.

Palavras-chave: PME, Auditoria, Procedimentos Analíticos.


iv
A utilização dos procedimentos analíticos de auditoria em PME: inquérito aos ROC
_____________________________________________________________________________

ABSTRACT

At a time as troubled as we live, where we witness on one hand the economic and
financial crisis, on the other to the account of different situations that will shape fraud,
arise the question of the auditor's role and will gap expectations financial audit.

The interest on the part of auditors in analytical procedures has grown significantly in
recent years due, in that potentiate improving efficiency and effectiveness of audit
work. In general, analytical procedures are used more often in the planning phase and
overall audit review, and increasing its use as substantive testing and as true evidence
of support of the auditor's opinion. However, when performing audits of Small and
Medium Enterprises (SMEs), there are several factors at the heart of SMEs to be taken
into account, such as the existence of limitations in internal control and the information

W
available and the domain by the owner- manager. These factors are derived from the
small size of these companies, resulting in the restriction of the use of analytical
IE
procedures.
This research aims to examine how the Chartered Accountants (ROC) use analytical
procedures in the audit process to SMEs, being aware of the limitations inherent in its
EV

use. To this end, and as a methodology was directed a questionnaire to ROC


Portuguese and obtained a total of 44 answers. The main results indicate that:

 the ROC make greater use simple analytical procedures in the audit SMEs,
PR

particularly at the planning stage and are applied more often in the area of staff
costs (compared to the sales, purchases and State);
 verification of the results of analytical procedures with other procedures of an
audit is frequent; and following the ROC satisfactory results choose to reduce
moderately the detail tests.
 The ROC consider some important factors of the SMEs in the use of analytical
procedures, which result in reduced use of these procedures in SMEs
compared to large companies.

Keywords: Small and Medium Sized Entities, Auditing, Analytical Procedure

v
A utilização dos procedimentos analíticos de auditoria em PME: inquérito aos ROC
_____________________________________________________________________________

AGRADECIMENTOS

À minha orientadora, Profª. Doutora Sónia Monteiro, pela experiência, ensinamentos e


disponibilidade apresentada em todas as etapas da elaboração da dissertação.

À minha co-orientadora Dr.ª Fátima Amorim (ROC), pela amizade e sabedoria


demonstrada.

Aos Revisores Oficiais de Contas que por intermédio da OROC se disponibilizaram a


responder aos inquéritos. Obrigada pela vossa colaboração.

Por fim, expresso um agradecimento especial à minha esposa Alice Loureiro, pelo
apoio e motivação constante ao longo desta caminhada.

W
IE
EV
PR

vi
A utilização dos procedimentos analíticos de auditoria em PME: inquérito aos ROC
_____________________________________________________________________________

ABREVIATURAS

AICPA – American Institute of Certified Public Accountants

CNC - Comissão de Normalização contabilística

CSC – Código das Sociedades Comerciais

DF’s – Demonstrações Financeiras

DRA – Diretrizes de Revisão/Auditoria

ESNL - Entidades do Setor não Lucrativo

IAASB – International Auditing and Assurance Standards Board

IAS – International Accounting Standard

IFAC – International Federation of Accountant

W
IFRS SME's - International Financial Reporting Standards for Small and Medium Enterprise
IE
INE – Instituto Nacional de Estatística

ISA – International Standards on Auditing


EV

NCM - Norma Contabilística para as Microentidades

NCRF – Normas Contabilísticas e de Relato Financeiro


PR

NCRF-PE - Norma Contabilística e de Relato Financeiro para as Pequenas Empresas

OROC – Ordem dos Revisores Oficiais de Contas

PME – Pequenas e Médias Empresas

ROC – Revisor Oficial de Contas

SNC - Sistema de Normalização Contabilística

SROC – Sociedade de Revisores Oficiais de Contas

UE – União Europeia

vii
A utilização dos procedimentos analíticos de auditoria em PME: inquérito aos ROC
_____________________________________________________________________________

ÍNDICE

RESUMO ......................................................................................................................................iv
ABSTRACT .................................................................................................................................. v
AGRADECIMENTOS ..................................................................................................................vi
ABREVIATURAS ........................................................................................................................ vii
ÍNDICE ........................................................................................................................................ viii
ÍNDICE DE QUADROS ...............................................................................................................xi
ÍNDICE DE GRÁFICOS.............................................................................................................. xii
ÍNDICE DE FIGURAS................................................................................................................. xii

W
INTRODUÇÃO ............................................................................................................................. 1

CAPITULO I – CONCEITO E ENQUADRAMENTO CONTABILÍSTICO DAS PEQUENAS


IE
E MÉDIAS EMPRESAS .............................................................................................................. 4
EV

1. Conceito e classificação das entidades em função da dimensão .......................... 4


1.1 Classificação da União Europeia............................................................................... 5
1.2 Classificação nacional................................................................................................. 7
2. Normativo Contabilístico Português ............................................................................ 8
PR

2.1 Âmbito de aplicação .................................................................................................... 8


2.2 Hierarquia normativa ................................................................................................. 11
3. Regime contabilístico das pequenas entidades .......................................................... 13
4. Regime Contabilístico das MicroEntidades ................................................................. 14
5. Análise comparativa dos normativos ............................................................................ 18
5.1. Código de contas ...................................................................................................... 19
5.2. Demonstrações financeiras ..................................................................................... 20
5.3 Normas contabilísticas .............................................................................................. 20
6. Normativo contabilístico internacional para pequenas e médias empresas........... 23
6.1 O normativo contabilístico do IASB para pequenas entidades .......................... 23
6.2 Diretivas contabilísticas da UE relativas a pequenas e microentidades ........... 24

viii
A utilização dos procedimentos analíticos de auditoria em PME: inquérito aos ROC
_____________________________________________________________________________

CAPITULO II – CONTROLO INTERNO: FATORES LIMITADORES NAS PME ................ 27

1 . Controlo Interno: conceito e limitações ....................................................................... 27


2 . Limitações no controlo Interno em entidades de menor dimensão ........................ 32
2.1. Domínio por parte do proprietário-gerente ........................................................... 32
2.2. Limitação na Segregação de funções ................................................................... 33
2.3 Limitações na informação disponível...................................................................... 34

CAPITULO III – PROCEDIMENTOS ANALITICOS DE AUDITORIA EM PME .................. 36

1. A importância dos procedimentos analíticos de Auditoria nas PME ....................... 36

W
2. Fases dos Procedimentos Analíticos de Auditoria ..................................................... 37
2.1 Fase I: Formação das expetativas .......................................................................... 37
2.2 Fase II: Identificação das Diferenças...................................................................... 38
IE
2.3 Fase III: Investigação das causas ........................................................................... 39
2.4 Fase IV: Avaliação e formação da opinião ............................................................ 39
EV

3. Tipos de procedimentos analíticos ................................................................................ 41


3.1 Análise de tendências ............................................................................................... 41
3.2 Análise de rácios ........................................................................................................ 42
3.3 Testes de Razoabilidade ........................................................................................... 43
PR

3.4 Regressão Estatística ............................................................................................... 44


4. A utilização dos procedimentos analíticos no processo de auditoria. ..................... 45
4.1 Fase de aceitação da missão .................................................................................. 45
4.2 Fase do planeamento ............................................................................................... 46
4.3 Fase de execução da auditoria................................................................................ 47
4.4 Fase da revisão global da auditoria ........................................................................ 49

CAPITULO IV: ESTUDO EMPIRICO....................................................................................... 51

1. Revisão de estudos empíricos ................................................................................... 51


2. Metodologia de investigação e tratamento de dados ............................................. 55
3. Definição e caraterização da amostra ....................................................................... 56

ix
A utilização dos procedimentos analíticos de auditoria em PME: inquérito aos ROC
_____________________________________________________________________________
4. Apresentação e discussão dos resultados ............................................................... 58
4.1 Tipos de Procedimentos Analíticos ......................................................................... 58
4.2 Aplicação dos Procedimentos Analíticos por Fase de Auditoria ......................... 60
4.3 Aplicação dos Procedimentos Analíticos por Área ............................................... 62
4.4 Grau de importância de alguns fatores na utilização dos procedimentos
analíticos de auditoria nas PME ..................................................................................... 63
4.5 Verificação dos resultados dos procedimentos analíticos com outro tipo de
procedimentos numa auditoria a PME e consequente redução dos testes de
detalhe ................................................................................................................................ 64
4.6 Grau de utilização dos procedimentos analíticos: PME vs grandes empresas 65

CONCLUSÕES, LIMITAÇÕES DO ESTUDO E PISTAS PARA INVESTIGAÇÃO FUTURA


..................................................................................................................................................... 67

W
Apêndice I: Comparação dos Normativos (NCRF/NCRF-PE/NC-ME)................................... 71
Apêndice II - Inquérito aos Revisores Oficiais de Contas ........................................................ 73
IE
BIBLIOGRAFIA .......................................................................................................................... 77
EV
PR

x
A utilização dos procedimentos analíticos de auditoria em PME: inquérito aos ROC
_____________________________________________________________________________

ÍNDICE DE QUADROS

Quadro 1: Perspetivas para a classificação de empresas, em função da dimensão .... 5

Quadro 2: Classificação Europeia de empresas (Ditetiva 2013/34/UE) ........................ 6

Quadro 3: Classificação nacional de empresas (DL 158/2009 e DL 36A/2011) ........... 8

Quadro 4:Aplicação obrigatória vs aplicação opcional dos normativos contabilísticos 10

Quadro 5: Resumo dos instrumentos legais aplicáveis às NCM ................................ 16

Quadro 6: Demonstrações financeiras por normativo ................................................ 20

Quadro 7: Correspondência vertical entre os normativos contabilísticos.................... 21

W
Quadro 8: Fatores limitadores dos sistemas de controlo interno ................................ 31

Quadro 9: Procedimentos de Auditoria ...................................................................... 40


IE
Quadro 10: Análise de rácios: categorias................................................................... 42

Quadro 11: Revisão de estudos empíricos segundo Silva (2010) .............................. 53


EV

Quadro 12: Género .................................................................................................... 56

Quadro 13: Frequência utilizada dos procedimentos analíticos na fase de recolha de


PR

evidências ............................................................................................................ 62

Quadro 14: Grau de importância de cada fator na utilização dos procedimentos

analíticos de auditoria nas PME ........................................................................... 63

xi
A utilização dos procedimentos analíticos de auditoria em PME: inquérito aos ROC
_____________________________________________________________________________

ÍNDICE DE GRÁFICOS

Gráfico 1: Amostra: distribuição geográfica ............................................................... 56

Gráfico 2: Modalidade de exercicio da atividade de Revisor ...................................... 57

Gráfico 3: Experiência como Auditor.......................................................................... 58

Gráfico 4: Comparação de dados do cliente com estimativas efetuadas pelo auditor 58

Gráfico 5: Análise de rácios incluindo análise de rácios da empresa com rácios do

setor ..................................................................................................................... 59

Gráfico 6: Identificação de irregularidades, com recurso a ferramentas informáticas,

que poderão indicar um controlo intero fraco ou mesmo a existência de fraude ... 59

W
Gráfico 7: Aplicação dos procedimentos analíticos na fase de Planeamento ............. 60

Gráfico 8: Aplicação dos procedimentos analíticos na fase da execução da auditoria61


IE
Gráfico 9: Aplicação dos procedimentos analíticos na fase da revisão global da
EV

auditoria ............................................................................................................... 61

Gráfico 10: Frequência de verificação dos procedimentos analíticos com outro tipo de

procedimentos ...................................................................................................... 64
PR

Gráfico 11: Redução do nível dos testes de detalhe/pormenor .................................. 65

Gráfico 12: Menor Grau de utilização dos procedimentos analíticos: PME vs Grandes

Empresas ............................................................................................................. 66

ÍNDICE DE FIGURAS

Figura 1: Hierarquia para aplicação supletiva dos normativos ................................... 12

Figura 2: Triângulo da Fraude de Donald R. Cressey ................................................ 29

xii
A utilização dos procedimentos analíticos de auditoria em PME: inquérito aos ROC
_____________________________________________________________________________

INTRODUÇÃO

A harmonização contabilística foi iniciada em prol das grandes empresas, não obstante,
desde então, os organismos envolvidos nesse processo têm vindo a adaptar a exigência
de informação contabilística às necessidades de relato específicas dos diferentes tipos
de empresas. No contexto nacional, a Comissão de Normalização Contabilística
(CNC), passou a contemplar no sistema português, a inserção de um conjunto de
informação adaptada às entidades de menor dimensão, onde se substitui um conjunto
de 28 Normas Contabilísticas e de Relato Financeiro (NCRF) por uma única norma
aplicável, por opção, às pequenas entidades (NCRF-PE),

Reconhecendo que o tecido empresarial português é composto maioritariamente por


pequenas e médias empresas, estas apresentam caraterísticas que lhe são muito

W
próprias, como a dimensão e simplicidade da sua estrutura organizativa, que as
diferencia das grandes empresas.
IE
Se, em matéria de contabilidade, a dimensão das entidades justifica a existência de
um normativo contabilístico simplificado, com menores exigências ao nível do relato
EV

financeiro, o mesmo acontece ao nível do sistema de controlo interno e processo de


auditoria implementado em pequenas e médias empresas (PME). De facto, as
caraterísticas específicas das PME podem levar o auditor a ajustar o seu trabalho de
auditoria, nomeadamente na forma como utiliza alguns procedimentos de auditoria, a
PR

fim de maximizar a eficácia do seu trabalho.

Segundo Andrade e Barros (2013:3), os procedimentos analíticos de auditoria têm


como finalidade “auxiliar o auditor na definição da natureza, profundidade e extensão
dos outros procedimentos de auditoria, direcionando-o para as áreas de risco
acrescido e permitindo-lhe desenvolver testes substantivos de auditoria menos
extensos e, porventura, menos tempestivos, para além de servirem cada vez mais
como fonte de recolha de evidência”. Todavia, a utilização dos procedimentos
analíticos em PME terá limitações na sua aplicação pelo facto da sua dimensão e
complexidade serem mais reduzidas.

A predominância das PME no tecido empresarial português, a par da importância


crescente da utilização dos procedimentos analíticos de auditoria, como forma de
melhoria da eficiência e eficácia do trabalho de auditoria, motivaram a realização deste
trabalho, cujo objetivo principal é analisar de que forma os Revisores Oficiais de
1
A utilização dos procedimentos analíticos de auditoria em PME: inquérito aos ROC
_____________________________________________________________________________

Contas (ROC) portugueses utilizam os procedimentos analíticos no processo de


auditoria deste tipo de empresas, estando conscientes das limitações inerentes à sua
utilização.

Face ao exposto, procuramos dar resposta às seguintes questões de investigação:

 Quais os procedimentos analíticos mais utilizados numa auditoria às PME?


 Em que fases do processo de auditoria às PME são mais utilizados os
procedimentos analíticos?
 Em que áreas da auditoria às PME são mais utilizados os procedimentos
analíticos?
 É frequente a verificação dos resultados dos procedimentos analíticos com
outro tipo de procedimentos numa auditoria? Qual o seu impacto nos testes de
detalhe?

W
 Qual a influência de algumas caraterísticas das PME na utilização dos
procedimentos analíticos?
IE
 Há diferenças no grau de utilização dos procedimentos analíticos em PME
comparativamente com as grandes empresas?
EV

Em relação à estrutura da dissertação, optamos por dividir em quatro capítulos, os três


primeiros relativos à abordagem teórica do tema, destinando o último capítulo ao
estudo empírico levado a cabo junto de Revisores Oficiais de Contas portugueses.

No primeiro capítulo abordamos o conceito de PME e a classificação (nacional e


PR

europeia) das entidades em função da sua dimensão. Apresentamos também neste


capítulo enquadramento contabilístico das entidades de menor dimensão, analisando
o normativo contabilístico nacional e internacional para as pequenas entidades e micro
entidades.

No segundo capítulo, apresentamos os fatores limitadores da auditora a PME,


designadamente, limitações no controlo interno, domínio do proprietário-gerente e
limitação na informação disponível.

No terceiro capítulo, abordamos os tipos de procedimentos analíticos de auditoria que


podem ser utilizados pelos auditores, nas diferentes fases do processo de auditoria
fazendo, sempre que possível, referência às particularidades de aplicação destes
procedimentos em PME.

2
A utilização dos procedimentos analíticos de auditoria em PME: inquérito aos ROC
_____________________________________________________________________________

Por último, no quarto capítulo, relativo ao Estudo Empírico, começamos por efetuar
uma breve análise aos estudos empíricos existentes sobre o tema, quer no contexto
nacional quer em outros âmbitos geográficos, de modo a permitir a comparação dos
resultados. De seguida apresentamos metodologia de investigação adotada -
inquérito dirigido aos ROC – e uma breve caraterização da amostra. Finalmente
apresentamos e discutimos os resultados obtidos, após análise e tratamento das
respostas dos inquiridos.

Finalizámos a nossa dissertação reforçando as principais conclusões retiradas da


investigação realizada, salientando as limitações inerentes ao estudo, bem como
sugerindo algumas pistas para investigação futura.

W
IE
EV
PR

3
A utilização dos procedimentos analíticos de auditoria em PME: inquérito aos ROC
_____________________________________________________________________________

CAPITULO I – CONCEITO E ENQUADRAMENTO CONTABILÍSTICO DAS


PEQUENAS E MÉDIAS EMPRESAS

1. Conceito e classificação das entidades em função da dimensão

Segundo Strouhal et al (2011), as Pequenas e Médias Empresas (PME) constituíam,


em 2007, cerca de 99% das entidades empresariais de todo o mundo, sendo que a
maioria da força laboral se centrava nesse setor. Concomitantemente, a European
Commission Enterprise and Industry, atesta que existem mais de 23 milhões de PME’s
na União Europeia (UE), sendo que nove, em cada dez, são microempresas, em
média, com trabalho para duas pessoas. A realidade nacional vai de encontro à média

W
europeia e, prova disso, são os dados oficiais fornecidos pelo Instituto Nacional de
Estatística (INE), reportados a 2008. Há seis anos atrás, existiam, de acordo com a
definição europeia, 349.756 PME’s, que empregavam aproximadamente 2.178.500
IE
pessoas.

Todavia, não existem consenso sobre o que é uma PME, sendo variável quer o
EV

conceito quer a forma de classificar as empresas.

No que respeita ao conceito, são inúmeras as definições de PME que podemos


encontrar na literatura, sendo que usual apontar as caraterísticas especificas que as
PR

distinguem das empresas de maior dimensão, associadas à estrutura de propriedade,


forma de financiamento, relação gerência-propriedade, etc.

A maioria das definições baseia-se em critérios de classificação, quantitativos e/ou


qualitativos. Na classificação das empresas quanto à sua dimensão, regra geral, as
empresas dividem-se em grandes, médias, pequenas e microempresas. Todavia, num
contexto económico e financeiro, de acordo com Couto (2012) esta classificação pode
basear-se em critérios distintos:

 Critérios quantitativos, como o número de trabalhadores, o valor do ativo, o valor


das vendas, o volume de negócios, etc.;

 Critérios qualitativos, relacionados com caraterísticas da organização e


administração da empresa (familiar e centralizada, por exemplo).

4
A utilização dos procedimentos analíticos de auditoria em PME: inquérito aos ROC
_____________________________________________________________________________

Gonçalves et al (2009) refere que a classificação das empresas em função da sua


dimensão, altera consoante o foco de análise, como espelha o quadro seguinte:
Quadro 1: Perspetivas para a classificação de empresas, em função da dimensão

MICROEMPRESA PEQUENA EMPRESA MÉDIA EMPRESA

trabalhadores

trabalhadores

trabalhadores
Rendimentos

Rendimentos

Rendimentos
N.º Médio de

N.º Médio de

N.º Médio de
Volume de

Volume de

Volume de
Negócios

Negócios

Negócios
Balanço

Balanço

Balanço
Perspetiva

>2e > 2 e > 10 > 10 e > 10 e > 50 e


Económica ≤2M ≤2M ≤ 10 ≤ 10 M ≤ 10 M e≤ 50 ≤ 43 M ≤50 M ≤ 250
>500 000€ >500 000€
Contabilística ≤ 500 000€ ≤ 500 000€ ≤5 e e ≤ 50 ≤ 1 500 000 € ≤ 3 000 000 € > 50
(CNC) ≤ 1 500 000 € ≤ 3 000 000 €
Fonte: Elaboração Própria

W
Verifica-se, pois, uma falta de consenso consoante a perspetiva de análise, mas
também em função do enquadramento geográfico em que as empresas estão inseridas.
IE
Considerando o objeto de estudo desta dissertação, importa enfatizar a perspetiva
contabilística para a classificação das empresas. Debruçamo-nos nos pontos seguintes
na perspetiva europeia e nacional desta temática
EV

1.1 Classificação da União Europeia

Uma das primeiras classificações da União Europeia, que recorreu a critérios


PR

quantitativos, data de 1996, a Comissão Europeia adoptou uma recomendação que


estabelece a primeira definição comum para as pequenas e médias empresas da UE1
tendo sido substituída pela Recomendação da Comissão n.º 2003/361/CE, relativa à
definição de micro, pequenas e médias empresas2, que entrou em vigor em 1 Janeiro de
2005 e é obrigatória para os esquemas nacionais de auxílios estatais e dos programas
comunitários3.

Todavia, em matéria contabilística as Diretivas 78/660/CEE e 83/349/CEE (IV e VII


diretivas contabilísticas, respetivamente) têm, ao longo de várias décadas, constituído a
base para a contabilidade das entidades na UE, cujos requisitos de divulgação são
menos exigentes para entidades de menor dimensão.

1
Jornal Oficial das Comunidades Europeias n.º L 107, 30.04.1996
2
Jornal Oficial das Comunidades Europeias n.º L 124, 20.05.2003
3
Aquela recomendação foi transposta para o ordenamento jurídico português pelo Decreto-Lei n.º 372/2007 de 6 de
Novembro.
5
A utilização dos procedimentos analíticos de auditoria em PME: inquérito aos ROC
_____________________________________________________________________________

Esta preocupação com a redução dos encargos administrativos ligados a


determinados requisitos de divulgação para pequenas, médias e micro empresas tem
estado presente na legislação que foi posteriormente surgido na UE. Cabe destacar,
em 2009 a aprovação da Diretiva 2009/49/CE do parlamento europeu e do conselho,
de 18 de Junho de 2009 que altera as IV e VII diretivas comunitárias, estabelecendo
uma à simplificação adicional no que respeita à apresentação de informação financeira
por parte de pequenas e médias sociedades. Posteriormente, e circunscrita à micro
entidades, é aprovada a Diretiva 2012/6/UE de 14 de março de 2012, que altera a IV
Diretiva contabilística, prevendo um subgrupo de microempresas designado por
"microentidades", isentando-as de algumas obrigações contabilísticas.

Mais recentemente, importa fazer referência à Diretiva 2013/34/UE, do Parlamento


Europeu e do Conselho de 26 de junho de 2013, que visa a revogação das IV e VII

W
Diretivas contabilísticas, e a sua substituição por uma única Diretiva que regule a
mesma matéria.
IE
Esta diretiva procura limitar as exigências contabilísticas das pequenas e micro
empresas, e aumentar os limites para classificação das pequenas entidades. Para tal
apresenta a seguinte classificação das empresas, sendo que dois dos limites
EV

apresentados não podem ser ultrapassados, a cada data de Balanço:

Quadro 2: Classificação Europeia de empresas (Ditetiva 2013/34/UE)


PR

Rubricas N.º Empregados Volume anual de Balanço total anual


negócios
Microempresa <10 < 700 000 € < 350 000 €

Pequena empresa <50 <8 000 000 € <4 000 000 €

Média empresa <250 <40 000 000 € <20 000 000 €


Fonte: Elaboração Própria

Segundo Correia (2013), a transposição desta Diretiva para o ordenamento jurídico


português até 2015, implicará uma alteração dos atuais limites nacionais, no que se
respeita à classificação de micro, pequenas e médias entidades, conforme iremos
abordar no ponto seguinte.

6
A utilização dos procedimentos analíticos de auditoria em PME: inquérito aos ROC
_____________________________________________________________________________

1.2 Classificação nacional

No contexto nacional, e tendo por base as IV Diretiva comunitária, o Plano Oficial de


Contabilidade (POC), vigente até 2009, previa obrigações contabilísticas mais
simplificadas para entidades de menor dimensão. Para tal, quer o artigo 262º do
Código das Sociedades Comerciais (CSC), quer o POC-89 definiam uma PME tendo
por base os seguintes critérios:
 Total do balanço: 1.500.000€
 Total das vendas líquidas e outros proveitos: 3.000.000€
 Número de trabalhadores empregados em média durante o exercício: 50.

Posteriormente, face ao ambiente harmonizador que se vivia a nível internacional e,


em particular na UE fruto do Regulamento n.º 1606/2002, de 19 de julho,4 a Comissão
de Normalização contabilística (CNC) iniciou uma nova etapa de normalização

W
contabilística em Portugal, mantendo uma filosofia de simplificação contabilística para
pequenas entidades.
IE
Neste contexto, o Decreto - Lei n.º 158/2009, 13 de Julho de 2009 vem aprovar o
Sistema de Normalização Contabilística (SNC). Sendo aplicável às empresas não
EV

financeiras, o SNC visou a substituição do Plano Oficial de Contabilidade (POC) e


demais legislação complementar, com entrada em vigor em 1 de Janeiro de 2010.

O SNC corresponde a um modelo baseado nas normas do IASB adotadas na UE,


garantindo a compatibilidade com as Diretivas Contabilísticas Comunitárias, sendo por
PR

isso criadas um conjunto de 28 Normas Contabilísticas e de Relato Financeiro


(NCRF). Sendo um modelo no qual se atende às diferentes necessidades de relato
financeiro, foi também criada uma Norma Contabilística e Relato Financeiro para
Pequenas Entidades (NCRF-PE).

São consideradas Pequenas Entidades para efeitos de aplicação, por opção, da NCRF-
PE, as que não ultrapassem dois limites previstos no n.º 1 do art.º 9º do DL 158/2009
(alterado pela Lei n.º 20/2010, de 23 de agosto de 2010), descritos no quadro 3.

Entendeu-se, no entanto, que o normativo para as pequenas entidades era, ainda


assim, demasiado exigente. Deste modo, a Lei n.º 35/2010 de 2 de Setembro veio
estabelecer um regime especial simplificado das normas e informações contabilísticas

4
Relativo à aplicação das normas internacionais de contabilidade emanadas pelo International Accounting Standards
Board (IASB), nas contas consolidadas das sociedades cotadas na UE, a partir de 1 de Janeiro de 2005.

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