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Blocos Regionais O CASO DA SADC , II Trabalho DE
Fundamentos DO Comércio Internacional
Gestao de sistemas de informaçao (Universidade São Tomás de Moçambique)
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UNIVERSIDADE TÉCNICA DE MOCAMBIQUE
Mestrado em Finanças e Comércio Internacional
Fundamentos do Comércio Internacional
BLOCOS REGIONAIS ECONÓMICOS E SEU PAPEL
O CASO: SADC (Comunidade de Desenvolvimento da África Austral)
Dra. Nilza Isabel Savele Matavele
Maputo, Junho de 2022
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ÍNDICE
[Link]ÇÃO.......................................................................................................................................2
1.2 OBJECTIVOS.................................................................................................................................2
1.2.1. Objectivo Geral............................................................................................................................2
1.2.2. Objectivos Específicos.............................................................................................................2
II. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA.............................................................................................................3
2.1. BLOCOS ECONÓMICOS.............................................................................................................3
2.1.1. Conceitos, Origem, Características e Funções.......................................................................3
2.1.2 Classificação Dos Blocos Regionais.........................................................................................4
2.1.3. Vantagens e Desvantagens Dos Blocos Regionais Económicos.............................................5
2.1.4. Principais Blocos Económicos Mundiais e Regionais............................................................5
III. ESTUDO DE CASO............................................................................................................................6
3.1. Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC).....................................................6
3.1.1 Breve História da SADC..........................................................................................................6
3.1.2. Objectivos da SADC................................................................................................................7
3.1.3. Visão e missão da SADC..............................................................................................................7
3.1.4. Instituições da SADC...............................................................................................................8
3.2. Intervenções, Funções e Comparticipação de Moçambique na SADC.....................................10
IV. CONCLUSÃO....................................................................................................................................13
V. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...............................................................................................14
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[Link]ÇÃO
O presente estudo discute aspectos relacionados aos Blocos Regionais Económicos e seus
Papeis, baseando-se em revisão bibliográfica de diversos autores, dando ênfase na SADC
(Comunidade de Desenvolvimento da África Austral), desde a história da sua origem, objetivos,
missão e visão, suas instituições e as funções e intervenções de Moçambique na SADC. À
medida que a globalização avança, há países se organizando em blocos, criando mercados
regionais para se protegerem da concorrência e das oscilações no mercado. Os blocos regionais
económicos são criados com a finalidade de promover relações comerciais entre os países
membros, mediante medidas como a redução ou eliminação de impostos ou tarifas alfandegárias
e a solução dos problemas comerciais em comum. Os Blocos Regionais são geralmente formados
por países vizinhos ou aqueles que possuem afinidades culturais e comerciais.
1.2 OBJECTIVOS
1.2.1. Objectivo Geral
Analisar os blocos regionais económicos e seu papel
1.2.2. Objectivos Específicos
Compreender a história dos blocos regionais económicos, suas caracteríticas e funções;
Classificar os blocos regionais económicos; e
Identificar os principais tipos de blocos regionais económicos.
NILZA ISABEL SAVELE MATAVELE 2
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II. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
2.1. BLOCOS ECONÓMICOS
2.1.1. Conceitos, Origem, Características e Funções
O presente capítulo, reserva-se a fazer um enquadramento teórico sobre a temática em causa,
referindo-se sobre alguns trabalhos já publicados sobre o assunto. De acordo com
(ALMEIDA,2002), embora a designação de “bloco regional” possa ser aplicada a qualquer grupo
de países vinculados pela contiguidade geográfica (blocos asiático, africano ou latino-americano)
ou por acordos intergovernamentais, de tipo econômico ou político, o termo, em sua acepção
restrita, refere-se aos agrupamentos de carácter comercial resultando de um projecto
integracionista. Trata-se de um fenómeno recente, coincidindo com a emergência da ordem
internacional pós-Segunda Guerra. O processo de formação dos blocos regionais
contemporâneos coincide com o desenvolvimento dos processos de integração económica, cujo
primeiro exemplo bem-sucedido foi o Mercado Comum Europeu criado pelo tratado de Roma de
1957, convertido depois em Comunidade Européia e mais recentemente (1992) em União
Européia, contendo inclusive dispositivos sobre moeda única.
Já de acordo com Machado & Matsushita, blocos económicos, é um tipo de acordo
intergovernamental onde as barreiras do comércio são reduzidas ou eliminadas. São associações
criadas entre os países, com a finalidade do estabelecimento de relações económicas entre si e
entre os demais Estados-Nação, visando o crescimento das relações mútuas económicas, com a
integração das relações de comércio. Começaram a surgir após a Segunda Guerra Mundial, e
foram viabilizados em razão da tecnologia das comunicações e do transporte, que diminuiu as
distâncias e possibilitou a aproximação de Nações e culturas diferentes, em busca de ajuda
mútua, efeito da globalização.
A multiplicação desse tipo de acordo comercial nas duas últimas décadas do século XX obrigou
inclusive essa organização a constituir, desde 1996, um Comitê sobre Acordos Regionais de
Comércio, com vistas a monitorar seu desenvolvimento, a examinar sua consistência com as
regras do GATT-OMC e a evitar a generalização de práticas excludentes e discriminatórias.
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Como exemplos dessas práticas podem ser citados os regimes especiais aplicados a determinados
ramos da economia – como a Política Agrícola Comum da UE, por exemplo, altamente
distorcida das regras multilaterais de comércio que resultam em reservas de mercado e
dispositivos contrários ao princípio do tratamento nacional, outro dos fundamentos do GATT,
com a reciprocidade. No regime do GATT, os blocos regionais são regidos pelo art. 24, que
estabelece as condições pelas quais esses agrupamentos (em geral sob a forma de zona de livre
comércio ou de união aduaneira) podem ser progressivamente constituídos como exceção à
cláusula NMF (geralmente no prazo de dez anos), devendo cobrir “substancialmente todo o
comércio” entre os membros, sem introduzir maiores barreiras tarifárias e restrições não-
tarifárias do que as existentes no comércio desses países com terceiros, anteriormente à criação
do novo bloco (ALMEIDA,2002).
Ainda de acordo com Almeida 2002, os blocos regionais de comércio adoptam como ponto de
partida a contiguidade geográfica para desenvolver mecanismos preferenciais de acesso aos
mercados dos países-membros, mas a maioria limita-se a esquemas pouco elaborados, ao estilo
das zonas de livre-comércio como o Nafta (embora ele contemple arranjos reforçados em
serviços, investimentos e propriedade intelectual). Alguns blocos comerciais avançam a ponto de
se converter em mercados comuns (como pretende ser o Mercosul, que ainda precisa completar
sua união aduaneira) e apenas um, a União Européia, consolidou seu mercado comum e deu
passos decisivos para converter-se em união económica e monetária, tendo adoptado inclusive
uma moeda comum, o euro.
Os blocos comerciais tornaram-se importantes actores da economia internacional, justificando-se
que a OMC tenha decidido instituir, um ano após sua criação, um comitê dedicado a monitorar
suas actividades, de maneira a assegurar que esses arranjos que, por sua natureza discriminatória,
podem desviar fluxos de intercâmbio preservem a compatibilidade com as regras do sistema
multilateral. Em todo caso, na passagem do século XX para o XXI, o processo de liberalização
comercial poderia ser impulsionado tanto pelas rodadas multilaterais administradas pela OMC,
cuja estrutura é formalmente igualitária, como pelos mecanismos geograficamente restritos dos
blocos comerciais. (ALMEIDA,2002).
2.1.2 Classificação Dos Blocos Regionais
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Segundo Machado & Matsushita, os blocos económicos são classificados em:
Áreas De Livre Comércio: onde há a isenção de taxas e impostos na comercialização de
produtos e serviços entre os países que formam o bloco;
União Aduaneira: com a implementação de condutas de comércio com vistas a alcançar
países fora do bloco (ex: Mercosul);
Mercado Comum: com a integração da economia, possibilitando a passagem de
mercadorias e pessoas entre os países; e
União Económica E Monetária: com a integração da economia e a criação de moeda
única para os países do bloco. Essa classificação representa as fases em que os blocos
acabam se constituindo. É o caso, por exemplo, que ocorreu na União Europeia, antes
designado Mercado Comum Europeu. Todas as fases foram seguidas, até a criação da
moeda única.
2.1.3. Vantagens e Desvantagens Dos Blocos Regionais Económicos
A partir de 1990, multiplicam-se os acordos comerciais regionais. O que tais acordos têm em
comum é o facto de que eles são acordos comerciais recíprocos e classificados em tipos
diferentes, conforme seus níveis de proximidade ou qualidade de integração entre os países-
membros. As maiores vantagens dos blocos económicos estão no menor custo dos produtos e,
com isso, maior volume de produção; maior eficiência na produção e comercialização; maior
vantagem competitiva, com a eliminação de tarifas sobre a importação, e como consequência o
maior consumo. Já as maiores desvantagens são o oferecimento de concessões, que nem todos os
países estão preparados para fazer, pois não são tão desenvolvidos quanto outros; perda de parte
da soberania, dependendo da união feita entre os países; perda da perspectiva globalizada do
comércio, e a polarização geopolítica do mundo. (MACHADO & MATSUSHITA).
2.1.4. Principais Blocos Económicos Mundiais e Regionais
De acordo com Almeida 2002 e Machado & Matsushita, os principais blocos económicos
mundiais são:
União Europeia (EU)- 1950;
Mercosul- Mercado Comum do Sul 1991;
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NAFTA O NAFTA - North American Free Trade Agreement, ou Tratado Norte-
Americano de Livre Comércio 1994;
ASEAN- Associação das Nações do Sudeste Asiático 1967;
APEC - Cooperação Econômica Ásia-Pacífico 1989;
CEI- Comunidade dos Estados Independentes 1991;
CA- Comunidade Andina 1969;
UA-União Africana 2002;
SADC- Comunidade de Desenvolvimento da África Austral 1992; e
ALCA - Área de Livre Comércio das Américas 1994, não é um bloco, mas sim um
projeto que reúne países da América do Norte, Central e do Sul. Não chegou a constituir
um bloco, diante das divergências entre os membros dos países em questão.
III. ESTUDO DE CASO
Nesse ponto ir-se-á debruçar de forma exaustiva sobre a Comunidade de Desenvolvimento da
África Austral (SADC), no que concerne a história do seu surgimento, sua predominância e a
intervenção de Moçambique na SADC com base nos manuais da SADC.
3.1. Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC)
3.1.1 Breve História da SADC
Segundo SADC 2017, a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) existe
desde 1980, quando foi criada como aliança isolada integrada por nove Estados maioritários da
África Austral. Era conhecida por Conferência de Coordenação do Desenvolvimento da África
Austral (SADCC), cujo objectivo principal era de coordenar projectos de desenvolvimento
destinados a reduzir a dependência económica da então África do Sul do Apartheid. Os Estados-
Membros fundadores são: Angola, Botswana, Lesoto, Malawi, Moçambique, Suazilândia,
República Unida da Tanzânia, Zâmbia e Zimbabwe. A SADCC foi fundada a 1 de Abril de 1980,
em Lusaka, Zâmbia, após a adopção da Declaração de Lusaka, «África Austral: Rumo à
Libertação Económica».
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A transformação da organização de Conferência de Coordenação para Comunidade de
Desenvolvimento (SADC) teve lugar a 17 de Agosto de 1992, em Windhoek, Namíbia, aquando
da assinatura da Declaração e do Tratado na Cimeira dos Chefes de Estado e de Governo,
conferindo assim à Organização um carácter legal. A SADC foi criada ao abrigo do artigo 2.° do
Tratado da SADC por Estados-Membros representados pelos respectivos Chefes de Estado e de
Governo ou seus representantes devidamente autorizados para liderarem o processo de
integração económica da África Austral (SADC 2027).
Os Estados-Membros são: África do Sul, Angola, Botswana, República Democrática do Congo,
Reino de Eswatini, Lesoto, Madagáscar, Malawi, Maurícias, Moçambique, Namíbia, Seychelles,
República Unida da Tanzânia, Zâmbia e Zimbabwe.
3.1.2. Objectivos da SADC
Segundo o manual da SADC 2017, os principais objectivos da Comunidade de Desenvolvimento
da África Austral (SADC) são alcançar, por via da integração regional, o desenvolvimento
económico, paz e segurança, aliviar a pobreza, melhorar o padrão e qualidade de vida dos povos
da África Austral e apoiar os que são socialmente desfavorecidos.
Os objectivos da SADC, como estipula o artigo 5.° do Tratado da SADC (1992), são:
Alcançar o desenvolvimento e crescimento económico através da integração regional,
aliviar a pobreza, melhorar o padrão e qualidade de vida dos povos da África Austral e
apoiar os que são socialmente desfavorecidos;
Desenvolver valores, sistemas e instituições políticos comuns;
Promover e defender a paz e segurança;
Promover o desenvolvimento auto-sustentado na base da auto-suficiência colectiva e a
interdependência entre os Estados-Membros;
Conseguir a complementariedade entre as estratégias e programas nacionais e regionais;
Promover e optimizar o emprego produtivo e a utilização de recursos da Região;
Conseguir a utilização sustentável dos recursos naturais e a protecção efectiva do meio
ambiente;
Reforçar e consolidar as afinidades e laços históricos, sociais e culturais desde há muito
existentes entre os povos da Região.
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3.1.3. Visão e missão da SADC
Visão
A Visão da SADC é a de um futuro comum, um futuro dentro de uma comunidade regional que
garanta o bem-estar económico, a melhoria dos padrões de vida e qualidade de vida, a liberdade
e justiça social, a paz e a segurança para os povos da África Austral. Esta visão partilhada está
ancorada nos valores e princípios comuns e nas afinidades históricas e culturais existentes entre
os povos da África Austral.
Missão
A Missão da SADC é promover o crescimento económico sustentável e equitativo, bem como o
desenvolvimento socioeconómico através de sistemas produtivos eficientes, da cooperação e
integração mais profundas, da boa governança e da paz e segurança duradouras, de modo que a
Região surja como um actor competitivo e efectivo nas relações do mercado internacional e na
economia mundial.
3.1.4. Instituições da SADC
Cimeira dos Chefes de Estado e de Governo da SADC
A Cimeira da SADC é responsável pela direcção geral das políticas e pelo controlo das funções
da comunidade, tornando-se, por fim, a instituição de políticas da SADC. É composta por todos
os Chefes de Estado e de Governo da SADC e é gerida por um sistema de Troika que inclui o
Presidente da Cimeira da SADC, o próximo Presidente (o Vice-Presidente na altura) e o
Presidente imediatamente anterior. O Sistema de Troika confere autoridade a este grupo para
tomar decisões rápidas em nome da SADC que são normalmente tomadas em reuniões de
políticas agendadas em intervalos regulares, bem como para proporcionar orientação de políticas
às Instituições da SADC entre as Cimeiras regulares da SADC. Este sistema tem sido eficaz
desde que foi estabelecido pela Cimeira, durante a sua sessão anual, realizada em Agosto de
1999, em Maputo, Moçambique. Outros Estados Membros podem ser cooptados pela Troika,
sempre que necessário. O Sistema de Troika funciona ao nível da Cimeira, do Órgão sobre
Política, Defesa e Segurança, do Conselho de Ministros e do Comité Permanente de Altos
Funcionários. A aplicação de duas Troikas ao nível do Comité Permanente de Altos
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Funcionários, que compreende os Secretários Permanentes ou Principais/Gerais ou responsáveis
por instâncias governamentais, ministérios ou departamentos e a nível do Órgão de Cooperação
em Política, Defesa e Segurança, é designada por Dupla Troika. A Cimeira reúne-se normalmente
uma vez por ano, por volta de Agosto/Setembro, no Estado Membro em que o novo Presidente e
o Vice-Presidente sejam eleitos.
Cimeira da Troika do órgão
O Órgão da SADC de Cooperação das Áreas de Política, Defesa e Segurança é gerido com base
na Troika e é responsável pela promoção da paz e segurança na Região da SADC. Compete-lhe
orientar os Estados-Membros e proporcionar-lhes uma direcção em questões que ameacem a paz,
a segurança e a estabilidade na Região. É coordenado ao nível da Cimeira e integra o Presidente,
o próximo Presidente e o Presidente cessante e apresenta relatórios ao Presidente da Cimeira da
SADC. A Cimeira da SADC e a Cimeira da Troika do Órgão são mutuamente exclusivas; e o
Presidente do Órgão não ocupa simultaneamente a Presidência da Cimeira. A estrutura, o
funcionamento e as funções do Órgão são reguladas pelo Protocolo de Cooperação nas Áreas de
Política, Defesa e Segurança. À semelhança da presidência da Cimeira, a presidência do Órgão é
assumida numa base rotativa anual.
Conselho de Ministros da SADC
O Conselho de Ministros supervisiona o funcionamento e o desenvolvimento da Comunidade de
Desenvolvimento da África Austral (SADC), e garante que as políticas sejam implementadas
adequadamente. O Conselho é constituído por Ministros de cada Estado-Membro, geralmente
pelos Ministérios dos Negócios Estrangeiros, Planificação Económica ou Finanças. Reúne-se
duas vezes por ano, em Janeiro ou Fevereiro e imediatamente antes da Cimeira em Agosto ou
Setembro.
Comités Ministeriais Sectoriais e de Cluster
Os Comités Ministeriais Sectoriais e de Clusters integram ministros de cada Estado Membro da
Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC). Esses Comités são directamente
responsáveis pela supervisão das actividades das áreas centrais de integração, monitorização e
controlo da execução do Plano Indicativo Estratégico de Desenvolvimento Regional nas suas
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áreas de competência, bem como prestar assessoria política ao Conselho. Actualmente, os
Comités de Clusters são os seguintes:
Ministros responsáveis pelo Comércio, Indústria, Finanças e Investimento;
Ministros responsáveis pelo Sector de Infraestruturas e Serviços;
Ministros responsáveis pela Alimentação, Recursos Naturais e Meio Ambiente;
Ministros responsáveis pelo Desenvolvimento Social e Humano e Programas Especiais
(VIH e SIDA; educação, trabalho, emprego e género);
Ministros responsáveis por Políticas, Defesa e Segurança;
Ministros responsáveis por Assuntos Jurídicos e Judiciais; e
Grupo de Trabalho Ministerial sobre Integração Económica Regional.
Comité Permanente De Altos Funcionários
O Comité Permanente de Altos Funcionários, um comité técnico consultivo do Conselho de
Ministros, reúne-se duas vezes por ano. O órgão integra o Secretário Permanente/ Principal/Geral
ou um funcionário de categoria equivalente de cada Estado-Membro, de preferência um
ministério responsável pela planificação económica ou financeira. O Presidente e o Vice-
Presidente do Comité Permanente são nomeados pelos Estados Membros que assumem a
Presidência e a Vice-Presidência do Conselho.
Secretariado
O Secretariado da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) é a principal
instituição executiva da SADC, responsável pela planificação estratégica, facilitação,
coordenação e gestão de todos os programas da SADC. É chefiado por um Secretário Executivo
da SADC, que é coadjuvado por dois Secretários Executivos Adjuntos.
3.2. Intervenções, Funções e Comparticipação de Moçambique na SADC
De acordo com a Política da SADC para o Desenvolvimento, Planeamento e Monitorização de
Estratégias, torna-se evidente que Moçambique tem desempenhado, ao longo do tempo, um
papel de grande relevo no processo de integração regional na África Austral. Este papel ganhou
importância particular durante vigência dos regimes minoritários na região, para cujo derrube
Moçambique se empenhou de forma abnegada. O apoio concedido aos movimentos de
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libertação, no contexto da Organização dos Estados da Linha da Frente, a participação na criação
da SADCC, como um dos principais actores na busca da redução da dependência regional em
relação à África do Sul, e não só, bem como o seu envolvimento em diversas missões de busca
de paz por meios pacíficos para a região, são ações que colocam o país no pedestal dos esforços
de promoção da integração regional na SADC.
Este protagonismo na promoção da cooperação regional foi um factor adicional na colocação de
Moçambique como um dos principais inimigos dos regimes minoritários da Rodésia e da África
do Sul, tendo criado enormes custos para este país. No entanto, a posição geoestratégica de
Moçambique, servindo de porta de acesso ao mar dos países vizinhos como o Zimbábue, Malaui,
Zâmbia e Suazilândia continua a ser um factor encorajador para o seu envolvimento nos esforços
da integração regional.
Com efeito, a existência de importantes portos em Maputo, Beira e Nacala, bem como a
existência de uma infraestrutura de transportes e comunicações orientada para a prestação de
serviços faz de Moçambique um beneficiário potencial dos esforços de integração regional.
De recordar que os esforços da SADCC na restauração da rede de transportes existentes em
Moçambique foram considerados um pilar nos esforços para o estabelecimento de ligações que
poderão concorrer para a facilitação do comércio intra-regional e internacional. No âmbito da sua
política externa na região, o restabelecimento de relações com a África do Sul, que estavam
bastante condicionadas pela vigência da política de apartheid naquele país, constituiu uma das
prioridades da política externa de Moçambique no período pós-guerra civil e após a implantação,
naquele país, de um regime de maioria democraticamente eleito em 1994.
Antigos aliados desde os tempos de exílio na Tanzânia, a FRELIMO e o CNA encontraram
ambiente propício para o fortalecimento de suas relações de amizade e cooperação formal entre
partidos no poder em Estados independentes e soberanos. Assim, a África do Sul democrática
passou a ser o maior investidor regional e maior parceiro comercial de Moçambique na região.
A cooperação na área da segurança contra o crime transfronteiriço, consubstanciado no roubo de
viaturas, tráfico de armas ligeiras e de drogas, caça furtiva e outros tipos de crime, constituem
objeto das ações conjuntas que estão sendo levadas a cabo pelos dois países nesta matéria a
política externa de Moçambique tem sido caracterizada por um grande protagonismo nos
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assuntos regionais, o que fez com que o país se destacasse em várias etapas da integração
regional. Apesar da política externa diversificada virada para a “procura de mais amigos e mais
parcerias” a nível internacional, é na região da SADC e no continente africano que se localiza a
maior parte das representações diplomáticas de Moçambique.
A integração regional constitui um dos principais pilares da política externa de Moçambique, de
onde se espera tirar proveito das suas vantagens comparativas devidas à sua localização
geoestratégica e a abundância de recursos naturais para além de ter uma grande capacidade de
fornecer energia elétrica à maioria dos países da região através da Barragem de Cahora Bassa, a
maior barragem hidrelétrica existente na região, que ainda se encontra subutilizada. O papel
histórico desempenhado por este país na libertação dos países da região, que ainda se
encontravam sob dominação de regimes minoritários, atribui-lhe um lugar de destaque na
política regional.
Para além do desempenho de importantes papéis na gestão política da organização regional,
Moçambique tem se empenhado no cumprimento de suas obrigações na SADC, organização de
que é membro fundador e na qual se empenha com grande entusiasmo. No âmbito do Protocolo
Comercial da SADC, que preconizava a criação de uma a Zona de Comércio Livre da África
Austral em 2008, Moçambique foi exemplar no cumprimento dos calendários de desarmamento
tarifário e na aprovação dos instrumentos legais visando a abertura do mercado nacional aos
parceiros da região. Tem exercido mandatos de presidência das cúpulas da SADC e do Órgão de
Cooperação em Política, Defesa e Segurança, tendo liderado iniciativas de fortalecimento ou de
manutenção da paz em alguns Estados da região.
No âmbito da busca de mecanismos para a resolução pacífica de conflitos, para além do
empenho demonstrado pelo Presidente Joaquim Chissano e que tiveram a sua continuação na
presidência de Armando Guebuza, Moçambique envolveu-se entusiasticamente na procura de
soluções para as crises políticas no Lesoto, Zimbábue, República Democrática do Congo, e
Madagascar, também no conflito potencial que ameaçava eclodir entre o Malawí e a Tanzânia em
disputa pelo Lago Malauí/Niassa.
Este protagonismo tem sido igualmente evidente nas ações que estão sendo levadas cabo por
Filipe Nyusi, presidente eleito em 2014, que tem igualmente se envolvido entusiasticamente nos
assuntos da região através da sua ativa participação na SADC.
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IV. CONCLUSÃO
Contudo, percebeu-se que à medida que a globalização avança, a tendência de blocos regionais
também ganha maiores proporções a nível mundial pois, qualquer nação que não se encontra
vinculada a nenhum bloco regional, tarde ou cedo, sofrerá isolamento do mundo inteiro, olhando
para o princípio de que o comércio incentivado dentro do bloco, aumenta e gera crescimento
económico para os países membros.
Existem diversas vantagens incontestáveis que os blocos regionais económicos proporcionaram,
uma delas está relacionada ao menor custo dos produtos e, com isso, maior volume de produção,
maior eficiência na produção e comercialização, maior vantagem competitiva, com a eliminação
de tarifas sobre a importação, e como consequência o maior consumo. Porém não pode-se deixar
de lado as desvantagens que essa tendência trás, como a perda de benefícios, distorção do
comércio, ineficiências e desvio do comércio, retaliação e aumento da influência das
multinacionais.
A SADC é um bloco económico fundamental da região da África Austral, um dos seus maiores
objectivos é de alcançar a integração regional e o alívio da pobreza, coordenar projectos de
desenvolvimento destinados a reduzir a dependência económica da então África do Sul do
Apartheid.
Moçambique desempenhou diversos papeis fundamentais na SADC, desde a sua criação até
então. O envolvimento de funcionários superiores de Moçambique em tarefas técnicas e de
direção de vários serviços e departamentos da SADC tem sido um facto recorrente e
incontestável.
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V. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ALMEIDA, Paulo Roberto. (2002). O BRASIL E OS BLOCOS REGIONAIS: soberania e
interdependência. São-Paulo
MACHADO, Marlon Wander & MATSUSHITA, Thiago Lopes. GLOBALIZAÇÃO E BLOCOS
ECONÓMICOS
SADC. (2017). Manual de Identidade Institucional da SADC, Gaborone, Botswana
SADC. (2012). Política da SADC para o Desenvolvimento, Planeamento e Monitorização de
Estratégias. Gaborone, Botswana
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