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Fundamentos da Climatologia em Moçambique

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UNIVERSIDADE PÚNGUE

EXTENSÃO DE TETE

Licenciatura em Geografia

Climatologia

Climatologia: Fundamentos, processos e aplicações em Moçambique

Serena Aires Durão

Tete
Maio de 2025

1
2
UNIVERSIDADE PÚNGUE

EXTENSÃO DE TETE

Licenciatura em Geografia

Climatologia

Climatologia: Fundamentos, processos e aplicações em Moçambique

1º Ano, licenciatura em Geografia,


trabalho a ser apresentado ne
cadeira de Climatologia.

Docente: Osvaldo Malate

Tete
Junho de 2025

3
1 Introdução
A disciplina de Climatologia, inserida no curso de Licenciatura em Geografia, visa
proporcionar aos estudantes uma base sólida sobre os fenômenos climáticos e suas
implicações práticas e ambientais. Este trabalho reúne os principais resumos
organizados por unidades temáticas e serve de suporte à reflexão crítica sobre os temas
abordados.

3
2 Desenvolvimento
2.1 Unidade 1: Introdução à Climatologia
A Climatologia serve como alicerce fundamental para a compreensão da Climatologia,
estabelecendo o seu domínio científico e contextualizando a sua relevância. Esta secção
introdutória desdobra-se em aspetos cruciais que definem e delimitam este campo de
estudo.

Distingue-se claramente da meteorologia, que se foca nas condições atmosféricas de


curto prazo, enquanto a climatologia se dedica ao estudo dos padrões médios e da
variabilidade do tempo atmosférico ao longo de períodos extensos, tipicamente décadas
ou mais. A climatologia não se limita a descrever o “tempo médio”, mas investiga
também a frequência e intensidade de eventos extremos, as tendências de longo prazo e
os ciclos climáticos. Compreender o clima de uma região implica analisar não apenas as
médias de temperatura e precipitação, mas também a distribuição sazonal destes
elementos, os regimes de vento, a insolação, a humidade, entre outros, e como estes
interagem para formar um sistema complexo.

2.2 Os objectos, métodos e o histórico da climatologia.


Os objetos de estudo são vastos, abrangendo desde a escala microclimática (como o
clima numa pequena área urbana ou numa encosta) até à escala macroclimática ou
global (como as alterações climáticas globais). Incluem a análise das causas das
variações climáticas, tanto naturais (atividade vulcânica, variações solares, ciclos
oceânicos) como antropogénicas (emissão de gases de efeito estufa, alterações no uso
do solo). Os métodos da climatologia evoluíram significativamente. Inicialmente
baseados na recolha e análise estatística de dados observacionais de estações
meteorológicas, hoje incorporam tecnologias avançadas como satélites, radares, boias
oceânicas e modelos computacionais complexos (Modelos de Circulação Geral –
GCMs) que simulam o sistema climático. Historicamente, a climatologia emergiu como
disciplina distinta da geografia e da meteorologia, ganhando proeminência com a
crescente necessidade de compreender os padrões climáticos para a agricultura,
navegação e, mais recentemente, para enfrentar os desafios das mudanças climáticas.

2.3 Relação da climatologia com outras ciências e as suas divisões


A natureza interdisciplinar é uma marca desta ciência. A física e a química são
fundamentais para entender as leis que regem a atmosfera, a radiação e as reações
4
químicas (como as que envolvem o ozono ou os gases de efeito estufa). A geografia
fornece o contexto espacial, analisando como fatores como latitude, altitude, relevo e
proximidade do mar influenciam o clima. A geologia e a paleoclimatologia ajudam a
reconstruir climas passados através de registos como núcleos de gelo, sedimentos e
anéis de árvores. A biologia e a ecologia estudam as interações entre o clima e os seres
vivos (bioclimatologia). A oceanografia é crucial, dado o papel dos oceanos na
regulação do clima global. As ciências sociais e económicas são cada vez mais
importantes para analisar os impactos das mudanças climáticas e desenvolver estratégias
de adaptação e mitigação. Dentro da climatologia, existem diversas divisões
especializadas, como a climatologia física, a climatologia dinâmica (focada nos
movimentos atmosféricos), a climatologia sinótica (análise de padrões meteorológicos),
a climatologia regional, a climatologia aplicada (focada em setores como agricultura,
saúde, recursos hídricos) e a já mencionada paleoclimatologia.

5
3 Unidade 2: A Atmosfera da Terra
3.1 Origem e composição da atmosfera
A origem e composição da atmosfera, traçando a sua evolução desde as emanações
vulcânicas primordiais até à sua constituição atual. A atmosfera contemporânea é uma
mistura de gases, predominantemente nitrogénio (cerca de 78%) e oxigénio (cerca de
21%), com uma pequena fração de árgon e vestígios de outros gases, incluindo os
cruciais gases de efeito estufa como o dióxido de carbono (CO2), metano (CH4) e vapor
de água (H2O). A composição não é estática, variando ligeiramente com a altitude e
sendo influenciada por processos naturais (vulcanismo, respiração, fotossíntese) e
atividades humanas (emissões industriais, queima de biomassa).

3.2 Estrutura vertical


A atmosfera não é homogénea, dividindo-se em camadas distintas com base
principalmente no perfil de temperatura. A camada mais baixa, a troposfera, estende-se
desde a superfície até cerca de 8-16 km de altitude (variando com a latitude e estação do
ano). É aqui que ocorre a maior parte dos fenómenos meteorológicos (nuvens, chuva,
vento) e onde a temperatura geralmente diminui com a altitude. Acima, encontra-se a
estratosfera, que contém a camada de ozono, crucial para absorver a radiação
ultravioleta nociva do Sol. Nesta camada, a temperatura aumenta com a altitude devido
a essa absorção. Seguem-se a mesosfera, onde a temperatura volta a diminuir
drasticamente, e a termosfera, caracterizada por temperaturas muito elevadas devido à
absorção de radiação solar de alta energia, embora a densidade do ar seja extremamente
baixa. A camada mais externa é a exosfera, que gradualmente se funde com o espaço
interplanetário.

3.3 Propriedades térmicas e a importância dos gases


A atmosfera interage com a radiação solar e terrestre através de processos de absorção,
reflexão e transmissão, determinando o balanço energético do planeta. Gases como o
vapor de água, CO2, metano e óxido nitroso, apesar de presentes em pequenas
concentrações, desempenham um papel vital no efeito estufa, retendo parte do calor
irradiado pela superfície terrestre e mantendo a temperatura média do planeta habitável.
Sem este efeito natural, a Terra seria um planeta gelado. A camada de ozono (O3) na
estratosfera, por sua vez, é essencial para filtrar a radiação UV-B, protegendo os seres
vivos dos seus efeitos prejudiciais

6
4 Unidade 3: Circulação Geral da Atmosfera
4.1 Conceitos de vento e pressão.
O vento é essencialmente o movimento do ar das áreas de alta pressão para as áreas de
baixa pressão, impulsionado pelo aquecimento diferencial da superfície terrestre pelo
Sol. A força de Coriolis, resultante da rotação da Terra, desvia este movimento (para a
direita no Hemisfério Norte, para a esquerda no Hemisfério Sul), influenciando a
direção dos ventos. A pressão atmosférica, o peso da coluna de ar sobre uma
determinada área, varia com a temperatura (ar quente é menos denso e exerce menor
pressão) e a altitude.

4.2 A circulação planetária


A circulação planetária descreve os padrões de vento e pressão em escala global. O
aquecimento mais intenso no equador gera baixas pressões e movimentos ascendentes
do ar, enquanto o arrefecimento nos polos gera altas pressões e movimentos
descendentes. Isto, combinado com a força de Coriolis, estabelece um sistema de
células de circulação: as Células de Hadley nas regiões tropicais (com ventos alísios a
soprarem para o equador à superfície), as Células de Ferrel nas latitudes médias (com
ventos de oeste predominantes) e as Células Polares nas altas latitudes (com ventos de
leste polares). Associadas a estas células estão as correntes de jato, ventos fortes em
altitude que serpenteiam o globo.

4.3 circulações regionais


Além da escala planetária, existem circulações regionais significativas, como as
monções (inversões sazonais de vento causadas pelo aquecimento diferencial entre
continentes e oceanos, cruciais para o clima de regiões como o Sul da Ásia) e as brisas
marítimas e terrestres (circulações diárias perto da costa).

A circulação em Moçambique, analisa-se como a sua localização geográfica, a


influência do Oceano Índico, a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) e os sistemas
de alta e baixa pressão regionais moldam os padrões de vento e, consequentemente, o
regime de chuvas e as estações climáticas do país.

7
5 Unidade 4: Radiação e Balanço Energético
5.1 Radiação solar e terrestre
A energia que alimenta o clima da Terra provém quase inteiramente do Sol, na forma de
radiação eletromagnética de onda curta (luz visível, ultravioleta). Ao atingir a atmosfera,
parte desta radiação é refletida de volta para o espaço (pelas nuvens, aerossóis e pela
própria superfície), parte é absorvida pela atmosfera, e o restante é absorvido pela
superfície terrestre (oceanos e continentes), aquecendo-a. A superfície aquecida, por sua
vez, emite energia na forma de radiação de onda longa (infravermelha). Esta radiação
terrestre é parcialmente absorvida pelos gases de efeito estufa na atmosfera, que a
reemitem em todas as direções, incluindo de volta para a superfície, contribuindo para o
aquecimento do planeta (o efeito estufa natural).

5.2 Constante solar


A constante solar que representa a quantidade média de radiação solar recebida no topo
da atmosfera terrestre por unidade de área, perpendicular aos raios solares. Embora
designada como “constante”, ela apresenta pequenas variações associadas aos ciclos de
atividade solar. A quantidade de energia solar que efetivamente chega à superfície varia
significativamente com a latitude (maior no equador, menor nos polos), a estação do ano
(devido à inclinação do eixo terrestre), a hora do dia e as condições atmosféricas
(nebulosidade, transparência do ar).

5.3 Balanço de energia


O balanço de energia da Terra é o equilíbrio entre a energia solar absorvida pelo sistema
Terra-atmosfera e a energia de onda longa emitida de volta para o espaço. Para que a
temperatura média do planeta permaneça relativamente estável ao longo do tempo, a
entrada de energia deve ser igual à saída. Este balanço global é mantido, mas existem
desequilíbrios regionais: as regiões tropicais recebem mais energia do que perdem,
enquanto as regiões polares perdem mais energia do que recebem. Esta diferença de
energia é o motor fundamental para as circulações atmosférica e oceânica, que
transportam calor dos trópicos para os polos, procurando restabelecer o equilíbrio.

8
6 Unidade 5: Elementos e Factores do Clima
6.1 A interação entre fatores e elementos climáticos
Os elementos do clima são as variáveis atmosféricas que descrevem o estado do tempo
e, em média, o clima: temperatura do ar, precipitação, humidade, pressão atmosférica,
vento (direção e intensidade), radiação solar, nebulosidade, etc. Os factores climáticos
são as condições geográficas ou astronómicas que influenciam e modificam estes
elementos. Os principais fatores incluem a latitude (influencia o ângulo de incidência
solar e a duração do dia), a altitude (temperatura e pressão diminuem com a altitude), o
relevo (influencia ventos e precipitação – efeito orográfico), a
continentalidade/maritimidade (proximidade de grandes massas de água modera as
temperaturas), as correntes marítimas (transportam calor ou frio), a cobertura vegetal
(influencia a absorção de radiação, a evapotranspiração e o escoamento superficial) e
fatores astronómicos (variações na órbita terrestre).

6.2 Umidade
A humidade atmosférica refere-se à quantidade de vapor de água presente no ar. Mede-
se de várias formas, como humidade absoluta (massa de vapor de água por volume de
ar), humidade específica (massa de vapor de água por massa de ar húmido) e, mais
comummente, humidade relativa (a razão entre a quantidade de vapor de água presente
e a quantidade máxima que o ar poderia conter àquela temperatura, expressa em
percentagem). O ponto de orvalho é a temperatura à qual o ar se torna saturado e o
vapor de água começa a condensar.

6.3 Nuvens
As nuvens são o resultado visível da condensação do vapor de água em pequenas
gotículas de água ou cristais de gelo, suspensos na atmosfera. A formação de nuvens
requer a presença de vapor de água, núcleos de condensação (pequenas partículas como
poeira, sal marinho, pólen) e um mecanismo de arrefecimento do ar até ao ponto de
orvalho, geralmente causado pela ascensão do ar (convecção, elevação orográfica,
convergência de massas de ar). As nuvens são classificadas com base na sua altitude
(altas, médias, baixas) e aparência (cirrus, cumulus, stratus, nimbus).

6.4 Precipitação
A precipitação ocorre quando as gotículas de água ou cristais de gelo nas nuvens
crescem o suficiente para vencer as correntes ascendentes e cair à superfície. Os

9
principais tipos de precipitação incluem chuva, chuvisco, neve, granizo e saraiva. Os
mecanismos que levam à precipitação estão associados aos processos que causam a
ascensão do ar e a formação de nuvens: precipitação convectiva (associada a
aquecimento intenso da superfície e instabilidade atmosférica), precipitação orográfica
(quando o ar húmido é forçado a subir por uma barreira montanhosa) e precipitação
frontal ou ciclónica (associada à interação entre massas de ar com diferentes
temperaturas e humidades em sistemas de baixa pressão).

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7 Unidade 6: Sistema Climático e Tipos de Clima
7.1 Componentes do sistema climático
O clima não é determinado apenas pela atmosfera, mas resulta da interação complexa
entre cinco componentes principais: a atmosfera (o invólucro gasoso), a hidrosfera (toda
a água líquida da Terra – oceanos, mares, lagos, rios, águas subterrâneas), a criosfera
(toda a água no estado sólido – calotas polares, glaciares, neve, gelo marinho,
permafrost), a litosfera (a camada superficial sólida da Terra – rochas, solo) e a biosfera
(o conjunto de todos os seres vivos). Estes componentes estão interligados por fluxos de
energia, massa (como a água) e momento. Mudanças num componente podem
desencadear respostas noutros, através de mecanismos de retroalimentação (feedbacks),
que podem amplificar (feedback positivo) ou atenuar (feedback negativo) a mudança
inicial. Compreender estas interações é fundamental para analisar a variabilidade
climática natural e as alterações climáticas induzidas pelo homem.

7.2 Modelos de classificação climática


7.2.1 O modelo de Köppen
O modelo de Köppen um dos mais utilizados, baseia-se principalmente nas médias
mensais e anuais de temperatura e precipitação, relacionando-as com a distribuição da
vegetação natural. Define grandes grupos climáticos (Tropical, Seco, Temperado,
Continental, Polar) e subdivisões mais detalhadas.

7.2.2 O modelo de Thornthwaite


O modelo de Thornthwaite foca-se no balanço hídrico, considerando a
evapotranspiração potencial (a necessidade de água da atmosfera) e a precipitação para
definir índices de humidade e aridez, sendo particularmente útil para estudos agrícolas e
hidrológicos.

7.2.3 O modelo de Martonne


O modelo de Martonne utiliza um índice de aridez simples, baseado na relação entre
precipitação e temperatura, para delimitar zonas áridas, semiáridas e húmidas. Cada
modelo tem as suas vantagens e limitações, e a escolha depende do objetivo do estudo

7.3 Clima de Moçambique


O país apresenta uma diversidade climática significativa, influenciada pela sua extensão
latitudinal, a proximidade do Oceano Índico, o relevo e a circulação atmosférica

11
regional (incluindo a ZCIT e a influência de sistemas subtropicais). Utilizando
classificações como a de Köppen, identificam-se predominantemente climas tropicais
(savana tropical - Aw) na maior parte do território, com variações que vão desde climas
mais húmidos no norte e em zonas de maior altitude, até condições semiáridas no
interior sul. Analisam-se as características das estações chuvosa e seca, os padrões de
temperatura e precipitação e a ocorrência de fenómenos extremos como ciclones
tropicais e secas.

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8 Unidade 7: Estações Meteorológicas e Previsão do Tempo
8.1 Conceito de tempo atmosférico
Define-se o conceito de tempo atmosférico, reforçando a distinção em relação ao clima.
O tempo refere-se ao estado instantâneo da atmosfera num determinado local e
momento, caracterizado pelos valores dos elementos meteorológicos (temperatura,
humidade, pressão, vento, nebulosidade, precipitação, visibilidade). É altamente
variável no curto prazo (horas, dias).

8.2 Instrumentos e gráficos climáticos


As estações meteorológicas são locais equipados para medir e registar os elementos do
tempo. Podem ser convencionais (com observadores humanos) ou automáticas (que
transmitem dados remotamente). Os principais instrumentos incluem: termómetro
(temperatura), barómetro (pressão), higrómetro/psicrómetro (humidade), anemómetro
(velocidade do vento), catavento (direção do vento), pluviómetro (quantidade de
precipitação), piranómetro (radiação solar), entre outros. Os dados recolhidos são
processados e apresentados em diversos formatos, como tabelas, séries temporais e
gráficos climáticos. Exemplos incluem o climograma (que representa graficamente as
médias mensais de temperatura e precipitação de um local), mapas sinóticos (que
mostram a distribuição da pressão, frentes e sistemas meteorológicos numa vasta área) e
diagramas termodinâmicos (utilizados para analisar a estabilidade atmosférica).

8.3 Cuidados na divulgação do tempo


A previsão do tempo, baseada na análise de dados observacionais e em modelos
numéricos de previsão (NWP), é uma informação crucial para diversos setores da
sociedade (agricultura, transportes, turismo, gestão de emergências, etc.) e para o
público em geral. A comunicação da previsão deve ser clara, precisa e acessível,
utilizando linguagem adequada ao público-alvo. É importante indicar o grau de
incerteza associado à previsão (que geralmente aumenta com o horizonte temporal) e
fornecer informações sobre potenciais riscos meteorológicos (avisos de tempo severo).
A ética na comunicação e a responsabilidade na divulgação de informações que podem
ter impactos significativos são aspetos fundamentais.

13
9 Unidade 8: Mudanças Climáticas
9.1 Causas e consequências globais
Embora o clima da Terra sempre tenha variado naturalmente, as alterações observadas
desde meados do século XX, particularmente o rápido aquecimento global, são
atribuídas principalmente às atividades humanas. A principal causa é o aumento da
concentração de gases de efeito estufa (GEE) na atmosfera como CO2, metano (CH4) e
óxido nitroso (N2O) resultante da queima de combustíveis fósseis (carvão, petróleo, gás
natural) para energia e transporte, da desflorestação (que reduz a capacidade da biosfera
de absorver CO2), de processos industriais e de práticas agrícolas. As consequências
globais são vastas e interligadas: aumento das temperaturas médias globais (terrestres e
oceânicas), alterações nos padrões de precipitação (intensificação de chuvas em
algumas áreas, secas prolongadas noutras), derretimento de glaciares e calotas polares,
subida do nível médio do mar (devido à expansão térmica da água e ao degelo),
acidificação dos oceanos (pela absorção de CO2) e aumento da frequência e intensidade
de eventos climáticos extremos (ondas de calor, secas, inundações, ciclones tropicais
mais intensos).

9.2 Papel do ser humano


A análise de dados paleoclimáticos e a modelação climática demonstram que o
aquecimento observado não pode ser explicado apenas por fatores naturais. A correlação
entre o aumento das emissões de GEE desde a Revolução Industrial e o aumento das
temperaturas globais é inequívoca, conforme estabelecido pelos relatórios do Painel
Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). Compreender a contribuição
humana é essencial para assumir a responsabilidade e delinear ações eficazes.

9.3 Medidas de mitigação e o cenário moçambicano


A mitigação refere-se às ações para reduzir as emissões de GEE ou aumentar os
sumidouros (reservatórios que absorvem GEE, como as florestas), de forma a limitar a
magnitude das futuras alterações climáticas. Inclui a transição para fontes de energia
renováveis (solar, eólica, hídrica), o aumento da eficiência energética, a alteração de
práticas agrícolas e de uso do solo, e o desenvolvimento de tecnologias de captura e
armazenamento de carbono. A adaptação, por outro lado, envolve o ajustamento aos
impactos climáticos atuais e futuros, reduzindo a vulnerabilidade e aumentando a
resiliência. O cenário moçambicano é particularmente preocupante. Moçambique é

14
considerado um dos países mais vulneráveis aos impactos das mudanças climáticas
devido à sua extensa linha costeira baixa, à dependência da agricultura de sequeiro, à
pobreza e à limitada capacidade de adaptação. O país já enfrenta secas e cheias
recorrentes, e a intensificação de ciclones tropicais representa uma ameaça grave. São
discutidas as estratégias nacionais de mitigação e, sobretudo, de adaptação, focadas na
gestão de recursos hídricos, na agricultura resiliente, na proteção costeira e no
fortalecimento de sistemas de aviso prévio.

15
10 Unidade 9: El Niño e Desastres Naturais
10.1 efeitos de El Niño na agricultura e clima
O El Niño-Oscilação Sul (ENOS) é um padrão climático complexo que ocorre no
Oceano Pacífico tropical, caracterizado por flutuações na temperatura da superfície do
mar (fase quente El Niño, fase fria La Niña) e na pressão atmosférica. Embora centrado
no Pacífico, o ENOS tem impactos climáticos significativos em todo o mundo
(teleconexões). Durante um evento de El Niño, Moçambique, especialmente as regiões
sul e centro, tende a registar condições mais secas que o normal durante a estação
chuvosa, com impactos negativos severos na agricultura (quebra de colheitas,
insegurança alimentar) e nos recursos hídricos. A fase La Niña, por vezes, associa-se a
chuvas acima da média. Compreender e prever o ENOS é crucial para antecipar e gerir
estes impactos.

10.2 Sistemas de Aviso Prévio (SAP) em Moçambique


Dada a elevada exposição do país a desastres naturais relacionados com o clima (secas,
cheias, ciclones), os SAP são ferramentas vitais para a redução do risco. Um SAP eficaz
integra quatro componentes: monitorização e previsão de perigos (utilizando dados
meteorológicos, hidrológicos e modelos), avaliação dos riscos (identificação das áreas e
populações vulneráveis), comunicação e disseminação dos avisos (através de canais
acessíveis às comunidades em risco) e capacidade de resposta (planos de evacuação,
abrigos, preparação das comunidades). São discutidos os progressos e desafios na
implementação de SAP robustos e integrados em Moçambique, envolvendo instituições
governamentais (como o INAM e o INGD), parceiros internacionais e as próprias
comunidades locais.

16
11 Conclusão
O presente portfólio reflete o percurso de aprendizagem e análise dos conteúdos
propostos na disciplina de Climatologia. A compreensão dos elementos e dinâmicas
climáticas contribui para uma formação crítica e comprometida com os desafios
ambientais contemporâneos, especialmente em contextos vulneráveis como o de
Moçambique.

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