O aterramento é muito importante, porém frequentemente negligenciado.
O condutor
terra funciona como um caminho de fuga para picos de tensão provenientes da rede
elétrica. A eletricidade sempre encontra caminho mais fácil para seguir. O condutor
terra cria esta possibilidade, permitindo que a eletricidade percorra um caminho mais
fácil, deixando todo o equipamento e as pessoas protegidos.
O aterramento em instalação elétrica residencial tem sido alvo de discussão há alguns
anos devido à quantidade de acidentes ocorridos, causando, assim, prejuízos
financeiros com a queima de aparelho, ou, até mesmo, danos físicos às pessoas
expostas aos efeitos da eletricidade.
A recomendação para a instalação de aterramento foi evidenciado na reformulação de
NBR 5410 – Instalações em Baixa Tensão, em 1991, e desde então tem-se observado
a importância do aterramento. Com a melhora do poder de compra do brasileiro e a
redução do preço dos produtos, a quantidade de eletrodomésticos e eletroeletrônicos
nas residências tem aumentado significativamente, o que cada vez mais expõe os
usuários aos riscos da eletricidade. Logo, o aterramento é a solução mais eficaz.
O aterramento é nada mais que uma ligação elétrica intencional do equipamento à
terra, onde o valor de resistência é considerado importante, porque quanto mais
próximo de zero, melhor o aterramento, ou seja, mais segura é esta instalação. Veja
as especificações na figura que segue:
Se essa ligação é feita diretamente, sem a interposição de qualquer impedância
medida da capacidade de um circuito de resistir ao fluxo da corrente elétrica quando
se aplica uma tensão nos seus terminais (ou resistência) falamos em aterramento
direto.
Se, ao contrário, entre o condutor e a terra insere-se uma impedância, dizemos que o
aterramento é não direto.
Existem dois tipos de aterramento numa instalação:
a) aterramento funcional que consiste na ligação à terra de um dos condutores do
sistema (geralmente o neutro), com o objetivo de garantir o funcionamento correto,
seguro e confiável da instalação;
b) aterramento de proteção que consiste na ligação à terra das massas e dos
elementos condutores estranhos à instalação, com o único objetivo de proporcionar
proteção contra contatos indiretos.
O aterramento funcional tem objetivo de garantir o perfeito funcionamento do sistema,
fazendo com que os dispositivos de proteção e controle existentes na instalação
funcionem dentro do especificado no projeto contra:
a) surtos em linhas de força, provocado por atividades realizadas pelas distribuidoras
de energia;
b) surtos em linhas de transmissão de dados, existentes através da comunicação de
instrumentos da distribuidora;
c) descargas atmosféricas;
d) segurança contra choques elétricos, gerados por falhas de isolamentos;
e) curtos-circuitos fase a terra, provocada por falhas no sistema de distribuição de
energia.
Algumas vezes são realizados aterramentos “conjuntos”, ou seja, ao mesmo tempo,
funcionais e de proteção.
Os aterramentos são feitos com hastes de aterramento, que vão permitir o contato
direto com a terra. Estes podem ser também: perfis, barras, cabos nus, fitas, etc. O
termo “eletrodo” refere-se sempre ao condutor ou ao conjunto de condutores que
estarão enfiados no solo, e, portanto, pode ser desde uma simples haste isolante até
uma complexa “malha” de aterramento, constituída pela associação de hastes com
cabos. Em qualquer tipo de prédio deve existir um “sistema de terra” que é composto
de equipamentos e dispositivos que fazem parte do circuito de aterramento constituído
por:
a) eletrodo de aterramento – condutor ou conjunto de condutores em contato íntimo
com o solo e que garante(m) uma ligação elétrica com ele;
b) eletrodos de aterramento eletricamente distintos (independentes) – eletrodos
de aterramento suficientemente distantes uns dos outros para que a corrente máxima
suscetível de ser escoada por um deles não modifique sensivelmente o potencial dos
outros;
c) condutor de proteção (PE) - condutor prescrito em
certas medidas de proteção contra os choques elétricos e
destinado a ligar eletricamente:
– massa - são os elementos condutores que não são
energizados, mas que podem, por problemas de isolação,
energizar-se e, assim, provocar um choque ao manter em
contatos diretamente parte metálicas de aparelhos
eletrodomésticos ou a carcaça do equipamento;
– elementos condutores estranhos à instalação – pode ser
qualquer material condutor que não faz parte do sistema
de aterramento;
– eletrodos de aterramento principal – são as hastes de
aço revestidas de cobre. Pontos de alimentação ligados à
terra são os pontos onde serão conectados os
equipamentos utilizados na instalação.
d) condutor PEN – condutor ligado à terra garantindo ao mesmo tempo as funções de
condutor de proteção e de condutor neutro; a designação PEN resulta da combinação
PE (condutor de proteção) + N (de neutro); o condutor PEN é considerado um condutor
vivo;
e) terminal (ou barra) de aterramento principal – terminal (ou barra) destinado a ligar,
ao dispositivo de aterramento, os condutores de proteção, incluindo os condutores de
energia potencialidade e, eventualmente, os condutores que optam por um aterramento
funcional;
f) resistência do aterramento (total) – resistência elétrica entre o terminal de
aterramento principal de uma instalação elétrica e a terra;
g) condutor de aterramento – condutor de proteção que liga o terminal (ou barra) de
aterramento principal ao eletrodo de aterramento;
h) ligação equipotencial – ligação
elétrica destinada a colocar no mesmo
potencial ou em potenciais vizinhos os
elementos condutores estranhos à
instalação;
i) condutor de equipotencialidade –
condutor de proteção que garante
uma ligação equipotencial;
condutor de proteção e de condutor
neutro; a designação PEN resulta da
combinação PE (condutor de
proteção) + N (de neutro); o condutor
PEN é considerado um condutor vivo;
Existem algumas recomendações para fazer um aterramento:
a) os equipamentos elétricos deverão ser ligados a terra, só se dispensando os
aparelhos eletrodomésticos desta exigência, aqueles com duplo isolamento e em
perfeito estado de conservação;
b) os chuveiros elétricos deverão ser obrigatoriamente ligados à terra;
c) os eletrodutos metálicos rígidos ou flexíveis, bem como as capas de chumbo e
armações dos cabos elétricos, deverão ser eletricamente contínuos e ligados à terra,
mas não podem ser usados como condutores de proteção.
Os sistemas de aterramento apresentados na NBR 5410 trazem uma codificação por
meio de letras:
a) primeira letra: situação da alimentação em relação à terra:
–T – sistema aterrado;
–I – sistema isolado.
b) Segunda letra: situação das massas em relação à terra:
–T – massas diretamente aterradas;
–N – massas ligadas ao neutro.
c) Outras letras: condutor neutro versus condutor de proteção:
–S – neutro e proteção em condutores distintos;
–C – neutro e proteção num mesmo condutor (PEN);
–C-S – neutro e proteção combinados numa parte da instalação.
Os esquemas de aterramento têm como referência as condições de aterramento da
alimentação da instalação e das massas existentes. São considerados na Norma os
seguintes esquemas: TN, TT e IT.
No caso de instalações alimentadas por distribuidora de energia em baixa tensão, o
neutro é sempre aterrado próximo à medição, consideradas a fonte da instalação.
Assim, nestas instalações, recomenda-se utilizar apenas os esquemas TN e TT.
As instalações alimentadas em alta tensão, em que para instalações residenciais são
raras no Brasil, com subestação pertencentes aos usuários, ou as que têm fonte
própria, vias de regra, qualquer um dos três esquemas pode ser utilizado.
Os esquemas de aterramento estão relacionados com as medidas de proteção contra
choque elétrico e contra sobretensão, neste caso considerados aterramento de
proteção.
Existem diversas maneiras de proteger pessoas contra choque elétrico, o esquema de
aterramento influenciam a medida de controle do risco, podendo ser por proteção
supletiva ou seccionamento automático da alimentação. No caso das medidas de
proteção contra sobretensão, o esquema de aterramento influenciou na seleção e
instalação dos dispositivos DPS´s (dispositivos de proteção contra surtos).
Esquemas de
Aterramento
A figura que segue apresenta um Esquema Terra Neutro – TN que pode apresentar variações em seu esquema. As variações são:
TN-S, TN-C e TN-C-S.
A corrente de falta fase-massa é uma corrente de curto-circuito, logo um ponto de alimentação diretamente aterrado ligado à massa
através de um condutor de proteção.
Aterramento
do Neutro
Esquema TN-S
NEUTRO
TERRA
BEP
FASE 1 FASE 2
Aterramento Aterramento
Funcional de Proteção
Neste aterramento, observa-se que o condutor neutro está ligado ao condutor terra,
criando um condutor chamado PEN, que nada mais é do que Condutor neutro +
condutor PE.
Esquema TN-C
Aterramento
do Neutro
PEN
FASE 1 FASE 2
OBS: Neste esquema, o condutor PEN não
deve possuir secção transversal (Bitola)
inferior a 10mm² NBR 5410 – Item [Link].1
Aterramento
Funcional
Neste esquema, observa-se que apenas uma massa está com o condutor PE separado do
neutro. Consequentemente, o esquema TN-C-S é uma combinação dos dois esquemas
mostrados anteriormente.
Aterramento
Esquema TN-C-S
do Neutro BEP
PEN
FASE 1 FASE 2
Aterramento Aterramento
Funcional de Proteção
a) esquema terra neutro – TT
O percurso da corrente de falta fase-massa inclui a terra, como mostra a figura. É, portanto, um percurso de
resistência alta. As massas podem ser aterradas individualmente ou por grupos. O esquema TT com eletrodos de
aterramento independentes é mais comum em áreas rurais, por conta das distâncias entre a rede ou a entrada de
energia até o consumo.
Aterramento
do Neutro
Esquema TT
PEN
BEP
FASE 1 FASE 2
Aterramento
Funcional Aterramento
de Proteção
b) esquema IT
A alimentação pode apresentar esquemas de aterramento isoladas da terra ou
aterradas através de uma impedância. As massas, por sua vez, individualmente, por
grupos ou coletivamente, podem estar aterradas em eletrodo ou, no caso da
alimentação aterrada por impedância, sendo conectada ao eletrodo de aterramento da
alimentação.
Independente da situação, a corrente de uma primeira falta fase-massa, que expõe o
usuário ao risco de choque ou a um curto-circuito , apresenta um valor limitado, visto
que seu percurso se fecha através da capacitância do circuito em relação à terra ou,
eventualmente, através da impedância por meio da qual é aterrada a alimentação. Este
tipo de aterramento normalmente é usado em instalações de maior porte, não sendo
nosso caso, onde o universo são residências.
d) haste de aterramento
A haste pode ser encontrada em vários tamanhos e diâmetros. O mais comum é a
haste de 2,40 m por 1/2 polegada de diâmetro. Quando não se consegue uma boa
resistência de terra (menor que 10 Ω), agrupamos mais de uma barra em paralelo ou
em linha. Dessa forma, emenda-se outra haste até alcançar o valor desejado de
resistência. Podemos encontrar no mercado dois tipos básicos: Copperweld (haste
com alma de aço revestida de cobre) e Cantoneira (trata-se de uma cantoneira de
ferro zincada ou de alumínio).
Nas residências, o padrão estabelecido
pela concessionária de energia elétrica
é a instalação de haste instalada no
quadro de entrada, próximo ao medidor
de energia, conforme apresentado na
figura:
e) malhas de aterramento
A malha de aterramento é indicada para locais
cujo solo oferece dificuldades em inserir haste,
e/ou precisa-se de uma área maior para o
escoamento de correntes de fuga. O eletrodo
de aterramento é instalado antes da montagem
do prédio, e se amplia por boa parte da área
da construção. A malha de aterramento é feita
de cobre, e sua “janela de visita”, ou seja, um
ponto de visualização de conexões previsto em
projeto para inspeção.
f) estruturas metálicas
Algumas instalações usam as ferragens da estrutura da construção como eletrodo de
aterramento elétrico. Neste caso, deve-se observar alguns itens, qualquer que seja o
eletrodo de aterramento (haste, malha ou ferragens da estrutura). Ele deve ter as
seguintes características gerais:
–ser bom condutor de eletricidade;
–ter resistência mecânica adequada ao esforço a que está submetido;
–não reagir (oxidar) quimicamente com o solo.
Normalmente, a utilização deste tipo de aterramento é bastante limitada devido aos
custos envolvido com manutenção e instalação. São mais comuns em construção de
maior porte, onde parte dos custos são diluídos. Aproveitar as estruturas metálicas
para o aterramento exigirá alguns cuidados que são previstos em projeto, como por
exemplo, conexões dos condutos de proteção com a estrutura metálica, seu sistema
de proteção para descargas atmosférica (SPDA).
Um dos conceitos propostos pela NBR 5410
é a equipotencialização, pois, todas as
possibilidades existentes de corrente de fuga
devem ser eliminadas. Neste caso, o
aterramento é uma das opções mais viável e
consegue conectar toda a estrutura metálica
do prédio a todos os sistemas existentes,
como por exemplo, sistema de incêndio,
SPDA, sistema de gás, tubulações
hidráulicas e outras, e criar um único
caminho para a malha de aterramento. É
ideal para o funcionamento dos
equipamentos e proteção de pessoas.