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Poder Local: Estruturas e Desafios

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PODER LOCAL

À ideia de poder local subjaz a convicção de que a unidade do Estado não deve levar à
dissolução de comunidades menores. Pelo contrário, considera-se que estas deverão ter a
possibilidade de administrar os interesses que lhes são específicos através de órgãos
representativos da vontade dos seus membros e próximos das populações. A existência de
competências a serem exercidas localmente pretende garantir uma maior eficácia na
resolução de certos problemas.

Existem duas formas de poder local no nosso país: os municípios (a forma mais característica
e antiga de administração local) e as freguesias. Estas autarquias constituem-se como pessoas
colectivas territoriais dotadas de órgãos representativos. As relações do poder local com o
Estado têm várias vertentes, de entre as quais se destacam as seguintes:

Relação entre o poder local e central: o poder local e o central cooperam na resolução dos
problemas das populações de forma coordenada, partilham o esforço administrativo e
financeiro, seja associando-se para a realização de determinada obra, seja fazendo o poder
local determinadas obras e o poder central outras; o Estado distribui verbas às autarquias e,
por outro lado, fiscaliza o cumprimento da lei, tendo o poder local, de resto, autonomia
administrativa; o poder local, democraticamente eleito, representa as populações perante o
Estado, fazendo-lhe chegar os seus problemas e reivindicações.

Forma de tutela administrativa: a tutela administrativa consiste na verificação do


cumprimento das leis e regulamentos por parte dos órgãos e dos serviços das autarquias
locais e entidades equiparadas. A tutela administrativa compete ao Governo, sendo
assegurada, de forma articulada, pelos Ministros das Finanças e do Equipamento, do
Planeamento e da Administração do Território, no âmbito das respectivas competências.

Os desafios encontrados no processo de mudança da gestão autárquica: na mudança da gestão


autárquica, os desafios encontrados são: (1) pouca clareza relativamente à descentralização
fiscal (ter uma base tributária consistente e coerente com as suas funções e atribuições, num
contexto de um sistema tributário do Estado altamente centralizado) – (2) aumento do peso
das máquinas partidárias, fazendo com que estes prestem mais contas aos seus respectivos
partidos políticos do que aos cidadãos eleitores, - (3) Sobreposição de algumas atribuições
entre as direcções provinciais e os serviços provinciais do Estado.

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