Síndrome dos Ovários Policísticos
Discentes: Mariana Moreau e Thiago Lisboa
Docente: Evan Pereira Barreto
Definição e Epidemiologia
● É primariamente caracterizada por disfunção
ovulatória e hiperandrogenismo.
● É a endocrinopatia mais frequente entre mulheres em
idade reprodutiva (9-18% das mulheres).
● É importante fator de risco de infertilidade, síndrome
plurimetabólica, diabete melito tipo 2 e doença
cardiovascular.
ETIOLOGIA
➔ Condição multifatorial determinada por múltiplos fatores de risco genéticos e ambientais
➔ Entre estes, podem-se citar a exposição pré-natal a androgênios e o estado nutricional intrauterino,
os fatores genéticos e origem étnica, a resistência insulínica na puberdade e adrenarca exagerada e
a presença de obesidade
➔ Os principais genes atualmente em estudo são aqueles relacionados com a regulação do eixo
hipotálamo-hipófise ovariano, os processos de esteroidogênese e foliculogênese, bem como a
secreção e ações celulares/moleculares de insulina e adipocinas e os genes relacionados com
obesidade e diabetes
FISIOPATOLOGIA
➔ Não se sabe ao certo em que local inicia o processo, que pode ser central (hipotálamo/hipófise) ou
periférico (ovário ou suprarrenal)
➔ Na disfunção hipofisária, existiria um aumento do GnRH devido a uma disfunção no processo de
feedback dos esteróides sexuais (a supressão da frequência do pulso das gonadotrofinas pelo
estradiol e pela progesterona estaria diminuída), o que levaria a um aumento da frequência no pulso
de LH e um consequente aumento geral nos níveis do LH
➔ Na hipótese de disfunção ovariana, o excesso de androgênio ovariano causado por uma
esteroidogênese anormal levaria a um crescimento excessivo de pequenos folículos ovarianos
concomitante à inibição da maturação e do desenvolvimento do folículo dominante
FISIOPATOLOGIA
➔ A resistência insulínica/hiperinsulinemia não é uma constante, mas é prevalente e induz aumento
adicional de androgênios ovarianos, via ativação do complexo enzimático IGF-1 e reduz a síntese
hepática da globulina ligadora de hormônio sexual (SHBG) elevando, assim, os níveis de
testosterona livre.
QUADRO CLÍNICO
DISFUNÇÃO MENSTRUAL
Nesse cenário, a ausência de ovulação impede a produção de progesterona e, evidentemente, a queda da
progesterona que desencadeia a menstruação. Alternativamente, a amenorreia pode ser causada por
níveis elevados de androgênios nas pacientes com SOP. Especificamente, os androgênios podem
neutralizar o estrogênio e produzir endométrio atrófico. Portanto, é comum observar amenorreia e
camada fina de endométrio em pacientes portadoras de SOP com níveis androgênicos elevados. Além de
amenorreia, as pacientes com SOP podem se apresentar com sangramento intenso e imprevisível.
Quadro clínico
Hiperandrogenismo: hirsutismo, acne, alopecia androgênica
Irregularidade menstrual: oligo ou amenorréia
Hiperinsulinemia: acantose nigricans, frequentemente na região axilar e o pescoço
Infertilidade: abortamentos precoces e complicações tardias na gestação também têm sido associadas
com a baixa fecundidade destas pacientes, além de maior incidência de DMG
Obesidade: ocorrência estimada em até 49% das mulheres com SOP, predominantemente central
+ Dislipidemia: níveis elevados de LDL, triglicerídeos e baixo HDL
+ Apnéia do Sono
+ DM e hipertensão a longo prazo
Quadro clínico
● A prevalência de síndrome metabólica é de aproximadamente 45% em mulheres com SOP
● Há relatos a indicar que as mulheres com SOP apresentam risco três vezes maior de câncer
endometrial. A hiperplasia endometrial e o câncer endometrial são riscos em longo prazo da
anovulação crônica, sendo que as alterações neoplásicas no endométrio aumentam em decorrência
de estimulação estrogênica crônica sem oposição
+ Mulheres com SOP podem se apresentar com diversos problemas psicossociais como ansiedade,
depressão, baixa autoestima, redução da qualidade de vida e imagem corporal negativa
Fenótipos
1. Fenótipo ovulatório (hiperandrogenismo e morfologia policística dos ovários em uma mulher
ovulatória)
2. Fenótipo não hiperandrogênico (oligomenorreia e morfologia policística dos ovários, sem
hiperandrogenismo evidente)
O fenótipo clássico é o mais comum, com uma prevalência de cerca de 70%, e os fenótipos ovulatório e
não androgênico compartilham os restantes 30%.
DIAGNÓSTICO
Critérios de Rotterdam
Presença de no mínimo 2 dos 3 critérios seguintes:
Irregularidade menstrual devido à anovulação ou oligoanovulação
Evidência clínica ou bioquímica de hiperandrogenismo
Ovários policísticos (em ultrassonografia)
Indicação de excluir rotineiramente outros
distúrbios potencialmente graves que
possam ser confundidos clinicamente com a
SOP é
SOP:
diagnóstico de
● hiperplasia suprarrenal congênita;
● tumores secretores de androgênios e
exclusão
● hiperprolactinemia
Estes também podem resultar em
anovulação e/ou excesso de androgênios, e
essas condições devem ser excluídas.
EXAMES
Exames em pacientes sob suspeita de SOP
● IMC, Circunferência abdominal e Pressão arterial;
● Dosagem sérica de FSH, LH, TSH, T4 livre, Testosterona, Prolactina, SDHE
(sulfato de dehidroepiandrosterona), 17 OH Progesterona, Glicemia jejum e
TOTG 75g 2h;
● Perfil lipídico;
● USG
Exames
● IMC ● Glicemia
> 25 kg/m2 - jejum: > 100 mg/dL
DM: 126 mg/dL
● Circunferência abdominal
> 88 cm - TOTG 75g glicose 2h : > 140 mg/dL
DM: 200 mg/dL
● Pressão Arterial
> 135 x 85 mmHg
Exames
- TSH 0,48 a 5,60 microUI/mL
● Dosagem: - T4 l 0,89 a 1,76 ng/dL
- FSH mantém valores - Prolactina 2,8 a 29,2 ng/ml
- Na fase folicular: 3,0 - 11,6 mUI/mL - 17 - OH Progesterona
- Na fase ovulatória: 3,0 - 35,4 mUI/ml
- Na fase lútea: 1,1 - 14,0 mUI/ml - Fase folicular: até 80 ng/dL
- Fase lútea: de 60 a 230 ng/dL
- LH elevado
- Progesterona
- Fase folicular: entre 1,8 e 11,8 U/L;
- Pico ovulatório: entre 7,6 e 89,1 U/L; - Fase folicular: ≤ 1,40 ng/mL
- Fase lútea: entre 0,6 e 14,0 U/L; - Fase luteínica: de 3,34 a 25,56 ng/mL
- Testosterona 12 a 60 ng/dl
⬆ LH 2:1 FSH
- SDHE
Exames
● Perfil lipídico
- Colesterol total > 190 mg/dL;
- HDL-colesterol < 50 mg/dL;
- LDL-colesterol > 130 mg/dL;
- Triglicérides > 150 mg/dL ( jejum)
ou > 175 mg/dL(sem jejum)
USG
Critérios ultrassonográficos para ovários policísticos:
● 12 cistos pequenos - 2 a 9 mm de diâmetro;
● ou volume ovariano aumentado >10 mL;
● ou ambos.
+ Com frequência, há maior quantidade de estroma em relação ao número de folículos;
+ Apenas um ovário com essas características é suficiente para definir a SOP (Entretanto,
esses critérios não se aplicam a mulheres que usam contraceptivos orais combinados).
USG
USG
TRATAMENTO
TRATAMENTO
A escolha do tratamento para cada sintoma de SOP depende dos objetivos da paciente e
da gravidade da disfunção endócrina. Portanto, o tratamento de mulheres anovulatórias que
desejam engravidar deve ser significativamente diferente do tratamento de adolescentes
com irregularidade menstrual e acne.
TRATAMENTO
Mulheres portadoras de SOP com intervalos cíclicos
regulares (8 - 12 menstruações por ano) e
hiperandrogenismo brando preferem não fazer nenhum tipo
de tratamento. Entretanto, é prudente fazer rastreamento
periódico nessas mulheres para dislipidemia e diabetes
mellitus.
Mudança de estilo de vida
PERDA DE PESO
Mulheres obesas com SOP, as MEVs focado na DIETA e em EXERCÍCIOS FÍSICOS são
imprescindíveis para que o tratamento seja efetivo
● A perda de peso ainda que modesta (5% do peso corporal) pode resultar em
restauração dos ciclos ovulatórios normais;
+ Essa melhora é resultado de reduções nos níveis de insulina e de androgênios, sendo
que as últimas são mediadas por elevação nos níveis da globulina ligadora de hormônio
sexual (SHBG).
PERDA DE PESO - ALIMENTAÇÃO
+ Dietas ricas em carboidratos aumentam a sensibilidade insulínica
e dietas ricas em proteínas reduzem as taxas de secreção de
insulina;
+ Dietas com teor extremamente alto de proteínas são
preocupantes por causarem sobrecarga na função renal. Além
disso, resultam em perdas de peso apenas a curto prazo, com
menos benefícios ao longo do tempo;
+ Dietas hipocalóricas, bem balanceadas, oferecem mais benefícios
no tratamento de mulheres obesas com SOP.
EXERCÍCIOS FÍSICOS
● São benéficos para o tratamento de pacientes que
desenvolveram a SOP e a DM II;
● reduz o risco de desenvolver o DM II, sendo resultado
constatado que ao perder pelo menos 7% do peso e
fazer exercícios durante 150 minutos por semana tem
grandes benefícios.
INFERTILIDADE - Anovulação
● Contraceptivos orais combinados:
O tratamento de primeira linha para irregularidades na menstruação é o uso de
ESTROGÉNO + PROGESTÁGENO ANTIANDROGÊNICO
- Etinilestradiol - Ciproteroma
- Valerato de estradiol - Dienogeste Ex: Diane 35®
- Drosperinona Selene®
- Clormodinona (Etinilestradiol 0,035 mg Ciproterona 2 mg)
● Clomifeno 50 mg (1ºciclo - 5 dias) e 100 mg (2º e 3º ciclo - 5 dias);
● Progesterona 10 mg por 10 dias;
● Fertilização
HIRSUTISMO
Tratamentos clínicos não conseguem eliminar o crescimento de pelos anormais já presentes
e necessitam de 6 a 12 meses antes que a melhora clínica seja evidente.
- Contraceptivos orais combinados: restabelecem regularidade menstrual e reduz
produção de androgênios ovarianos elevando os níveis de SBHG, assim ocorre maior
ligação de testosterona livre tornando indisponível no folículo piloso;
- Antagonistas de receptores androgênicos:
Espironolactona 50 - 100 mg, duas vezes ao dia (Principal antiandrogênio usado
atualmente);
- Finasterida 5 mg dia, age como um inibidor da enzima 5-α-redutase, atuando como
um inibidor da conversão da testosterona, reduzindo concentrações séricas desse
hormônio;
- Remoção de pelos : depilação mecânica e a laser.
ACNE
Parte do tratamento de acne é semelhante ao do hirsutismo e envolve redução dos níveis androgênicos.
A terapia consiste em:
● Contraceptivos orais combinantes;
● antiandrogênios, como a espironolactona ou a flutamida, que inibem a ligação dos androgênios com
os respectivos receptores;
● a finasterida (inibidores da 5a-redutase).
+ Outras terapias podem ser utilizadas, além da redução dos níveis androgênicos. Por essa razão,
mulheres com acne, variando de moderada a grave, devem consultar um dermatologista.
ACNE
● Isotretinoína (Roacutan ®)
10-20 mg VO, 01 ou 02 vezes ao dia.
Altamente efetivo no tratamento de acne grave.
+ Apesar de sua eficácia, esse medicamento é teratogênico no primeiro trimestre da
gravidez. As malformações caracteristicamente envolvem crânio, face, coração, SNC e
timo. Portanto, a administração de isotretinoína deve se limitar a mulheres que utilizam
métodos contraceptivos altamente efetivos.
SÍNDROME METABÓLICA
● MEV
● Estatinas (Sinvastatina, Rosuvastatina ...)
● Fibratos (Hipertriglicemia)
● Metformina (1.000 - 2.250mg dia)
- Acantose nigricans
Os tratamentos ideais para acantose nigricans são para redução da resistência
insulínica e da hiperinsulinemia.
TRATAMENTO CIRÚRGICO
Atualmente, a ressecção em cunha dos ovários raramente é realizada, mas o
procedimento de perfuração ovariana por via laparoscópica recupera a ovulação em um
número significativo de mulheres com SOP resistentes ao citrato de clomifeno.
ACOMPANHAMENTO E PROGNÓSTICO
ACOMPANHAMENTO
● Avaliação clínica será realizada a cada 3 meses, inicialmente.
● Observa-se:
- peso corporal,
- grau de acne e/ou
- hirsutismo, características dos pelos e frequência das depilações,
- além de duração, volume e frequência dos ciclos menstruais ou
sangramentos de privação.
PROGNÓSTICO
● Melhora clínica da acne e da seborreia é observada a partir do 3º mês de
tratamento, no hirsutismo e na alopecia, após o 6º ou 9º mês;
● reavaliação hormonal será individualizada;
● o tratamento prolongado com fármacos antigonadotróficos poderá restaurar a
fisiologia e a ciclicidade do eixo hipotálamo-hipófise-ovário temporária ou
definitivamente;
● o controle do peso corporal é decisivo na prevenção e no tratamento das
complicações metabólicas associadas à SOP.
REFERÊNCIAS
FREITAS, Fernando et al. 6ª EDIÇÃO. Editora Artmed, 2011.
HOFFMAN, Barbara L. et al. Ginecologia de Williams. Artmed Editora, 2014.
LABORATÓRIO HERMES PARDINI. Help dos Exames. São Paulo-SP. 2019
([Link]
SILVEIRO, Sandra Pinho; SATLER, Fabíola. Rotinas em endocrinologia. Artmed Editora, 2015.