COMO REPRODUZIR RÁSBORAS
Olá, meus amigos. Apesar da minha experiência com Rasboras ser zero, espero
poder contribuir com este tópico.
Estive hoje conversando por telefone com um dos meus maiores mestres, Denis
Cetera, e ele estava relatando a desova das suas Rasboras, que estava ocorrendo
durante o nosso papo. Se não me engano, as que ele tem hoje são as Galaxy (Danio
margaritatus). O mesmo ja teve êxito na reprodução de várias espécies de
Rasboras. Segundo ele, a reprodução de Rasboras não é tão mais difícil que a de
Paulistinhas.
Daí me lembrei e comentei com ele sobre este tópico. Ele então me passou
algumas dicas valiosas, que repassarei aqui. Tais dicas servem tanto para a
Rasbora Harlequin (Trigonostigma heteromorpha) quanto para a Rasbora Espei (T.
espei).
Em primeiro lugar, o pH TEM que estar bem ácido, em torno de 4 a 4,5 ou 5, no
máximo. Como os testes tradicionais não mostram tal valor de pH, ele usa um
medidor de pH digital. Além disso, a água deve estar mole, com gH bem baixo
mesmo, 1 a 2, nunca passando de 3. Isso é muito importante. Se o GH estiver
acima de 3, não vai rolar desova.
Como em nossos aquários geralmente mantemos valores de pH mais próximos ao
neutro, temos que fazer uma adaptação muito lenta e gradual das rásboras aos
baixíssimos valores de pH e GH recomendados. Se baixarmos os parâmetros rápido
demais, os peixes vão sentir.
Após adaptar os peixes aos novos parâmetros, agora vem a alimentação: durante
15 dias ofereceremos só alimento vivo. O lance é bombar as matrizes com
artêmias vivas, náuplios, enquitréias, microvermes, larvas de mosquito, a sogra, o
cunhado chato... Enfim, oferecer somente alimentação viva, para estimular a
reprodução.
A coluna d'água deve ser baixa, de preferência 15 cm de altura, podendo ficar
em 20 cm.
A filtragem deve ser feita através de filtro de espuma, tocado por compressor
de ar. Nada de filtro motorizado.
Após 15 dias, temos peixes prontos para a reprodução (isso se eles já não
estiverem desovando pelo aqua, depois desses procedimentos). Temos, então, três
alternativas:
a) Forrar o fundo do aqua com uma camada (de preferência duas) de bolinhas de
gude;
b) Forrar o fundo do aqua com Musgo-de-Java;
c) Colocar uma divisória horizontal no aqua feita com tela de mosquiteiro.
Qualquer umas das três opções funciona a contento. O objetivo é que os ovos (que
não são adesivos e caem imediatamente no fundo do aquário) não sejam devorados
pelos pais durante e após a desova.
Aí, então, vem o "pulo do gato": com tudo pronto, efetua-se uma TPA de cerca
de 20%, sendo que a água de reposição tem que estar com um pH
diferente da água do aquário. Por exemplo, se o pH do aquário está em 4, o pH
da água de reposição tem que ser 5 ou 3 (sempre um ponto de diferença, tanto faz
se para menos ou para mais). Já o GH tem que estar igual (água bem mole).
E pronto, está dado o start. A partir do choque de pH, a desova ocorre em menos de
24 horas. Após a desova, separamos os pais e aguardamos o nascimento.
Os filhotes alimentam-se de infusórios nos primeiros dias e posteriormente já
começar a pegar náuplios de artêmia recém-eclodidos, vermes-do-vinagre,
microvermes, etc. É importante já termos esses alimentos principalmente os
infusórios) para quando os filhotes nascerem.
Segundo o Denis, dessa forma dá para reproduzir direto, não importa qual Rasbora
for. Só precisa adequar um pouco o pH para cada espécie de Rasbora, mas a
fórmula para induzir a reprodução é a mesma e é fácil.
Infelizmente, ele está sem internet desde que se mudou para Curitiba, o que o
impede de participar dessa nossa conversa. Mas tentei transmitir nessas mal
traçadas linhas todas as dicas que ele me passou. Espero ter sido útil.
Abraços e boa sorte, torço para ler daqui a algum tempo relatos da galera
reproduzindo esses peixinhos.
Por Daniel Alves, retirado do fórum AQUAFLUX em 22 de maio de 2012