Universidade Federal do Amazonas
Faculdade de Odontologia
Disciplina de Saúde Bucal Coletiva IV
Sistemas de Informação em Saúde
Contexto
Os Sistemas de Informação em Saúde (SIS) no Brasil agregam informações
produzidas pelos serviços de saúde, sendo possível criar indicadores dos
mais variados tipos, desde cobertura, financiamento, morbidade e
mortalidade, dentre outros.
O Brasil tem, provavelmente, um dos sistemas mais abertos do mundo, no
sentido de que é possível obter acesso livre às principais bases de dados de
saúde bastando apenas um computador com acesso à Internet. Embora seja
possível obter as bases de dados inteiras dos principais SIS (SIM, SINASC,
SINAN, SIA, dentre outros), a criação de indicadores a partir deste processo é
relativamente complexa, tornando-se inviável enquanto ferramenta de
gestão e planejamento.
Neste sentido, foram criadas estruturas de consulta a estes sistemas de
informação, de modo que os principais indicadores podem ser acessados
diretamente através de mecanismos dinâmicos de construção de tabelas.
Esta iniciativa se deu a partir da criação do Datasus, o sistema de
gerenciamentos dos SIS, a partir da metade dos anos 1990 e este modelo
tem se aperfeiçoado paulatinamente, se tornando na principal fonte de
dados em saúde no País.
O DATASUS
Como destacado anteriormente, no sítio do Datasus, é também possível
obter os principais indicadores de saúde. Para acessar, o endereço é
[Link]
Na seção de estatísticas vitais, é possível obter os principais indicadores de
mortalidade. Vamos exemplificar obtendo a mortalidade por grupos de
causas. Clicando em “Mortalidade – desde 1996 pela CID-10” e, sem seguida
“Mortalidade Geral”. Abaixo, aparece a possibilidade de escolher a
abrangência geográfica. Vamos escolher a opção “Brasil por município”.
A tela que aparece em seguida é padrão para toda e qualquer consulta no
Datasus e contém os campos de escolha para a montagem de uma tabela
personalizada. Neste exemplo, escolhemos para a linha “Capítulo do CID-
10”, para a coluna “Ano do óbito” e manteremos em conteúdo “óbitos por
residência”. Nos períodos disponíveis, vamos avaliar os anos de 2014 a 2016
(use a tecla “Shift” para marcar mais de um ano). Em “Seleções
disponíveis”, clique em “Capital” e escolha “Manaus”.
Feitas todas as escolhas, basta ir até o fim da tela e clicar em “Mostrar”.
Saúde Bucal Coletiva IV – FAO/UFAM
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A tela seguinte mostra os resultados da consulta, com os valores absolutos
dos óbitos que ocorreram em Manaus entre 2014 e 2016, segundos os
principais grupos de causas (Capítulos do CID-10).
Navegando até o final da tela, é possível observar que temos a opção de
salvar em formato .csv. Este formato pode ser lido no Excel, sendo possível,
portanto, fazer cálculos ou mesmo gráficos com os dados obtidos. É possível,
por exemplo, calcular a mortalidade proporcional, bastando, para isso,
calcular os percentuais de cada grupo de causa em relação ao total de
óbitos.
Saúde Bucal Coletiva IV – FAO/UFAM
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Construindo um indicador a partir dos dados do Datasus
Em algumas situações, o indicador não está completamente calculado, mas
é possível construí-lo a partir dos dados do numerador e do denominador e
também da base de multiplicação. Por exemplo, mortalidade materna é
obtida a partir do número de óbitos maternos dividido pelo total de nascidos
vivos multiplicado por 100 mil.
Desse modo, será necessário fazer duas consultas, o número de óbitos e o
número de nascidos vivos no mesmo período e local. Tomando como
exemplo o cálculo para o Brasil.
1. No Tabnet, clique em “Estatísticas vitais” e, seguida ““Mortalidade –
desde 1996 pela CID-10”” e escolha “Óbitos de mulheres em idade
fértil e óbitos maternos”.
2. Em “Abrangência geográfica”, escolha “Brasil por região e unidade da
federação”.
3. Na linha, mantenha a “Região”, a coluna mantenha “Não ativa” e, em
conteúdo, escolha “Óbitos maternos”.
4. No período disponível, escolha o ano de 2017 e clique em “Mostra”.
5. A tabela mostrará o total de óbitos maternos para cada região e para o
Brasil.
6. Observe que, no Brasil, ocorreram 1.718 óbitos maternos em 2017.
Este será o nosso numerador.
7. Retorne à tela inicial, clicando em “Informações de Saúde”, escolha
novamente “Estatísticas vitais” e clique em “Nascidos Vivos desde
1994” e, em seguida “Nascidos vivos”.
8. Escolha a mesma abrangência geográfica (Brasil por região e unidade
da federação) e, na tela seguinte, mantenha as mesmas opções de
linha e coluna e também do ano. No conteúdo, escolha “Nascimentos
por residência da mãe” e clique em “Mostra”.
Saúde Bucal Coletiva IV – FAO/UFAM
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9. Observe que nasceram 2.923.535 crianças em 2017 no Brasil. Este
será o nosso denominador.
10. O cálculo do indicador é bastante simples, bastando dividir o
número de óbitos pelo total de nascidos vivos e multiplicando por 100
mil.
1.718
Mortalidade Materna= x 100.000
2.923 .535
11. Neste caso, encontramos um valor de 58,8.
Este mesmo raciocínio pode ser aplicado para o cálculo da mortalidade
infantil, mudando apenas o numerador, que deve ser composto pelos óbitos
infantis (menores de um ano de idade) e a base de multiplicação, que deve
ser por 1000 nascidos vivos.
É fácil perceber que, a partir das estratégias de seleção para linha e coluna,
é possível realizar diversas análises, comparando municípios, estados e
regiões, além de observar a evolução do indicador ao longo do tempo.
Exercícios para uso do Datasus
Exercício 1
A partir do município sorteado:
1. Obtenha o indicador de mortalidade materna para o ano de 2016.
2. Faça o mesmo para dados do estado desse município e do Brasil.
3. Compare os resultados.
Exercício 2
A partir do município sorteado:
1. Obtenha o indicador de mortalidade infantil para o período de 2008 a
2012 e para o período de 2013 a 2017.
Saúde Bucal Coletiva IV – FAO/UFAM
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2. Analise os resultados e veja se a situação melhorou ou piorou ao longo
do tempo.
Exercício 3
A partir do município sorteado, acesse o SIA/SUS:
1. Escolha 2 (dois) procedimentos relativos à Atenção Primária em Saúde
Bucal;
2. Verifique a quantidade aprovada de cada um desses procedimentos
para o ano de 2012 e 2019;
3. Compare os resultados, considerando o número de Equipes de Saúde
Bucal e a população estimada para o município nos períodos indicados.
*lembre-se que cada equipe dever ser responsável por 2000 a 3500 pessoas,
considerando a contratação de 40h/semanais por profissional de saúde.
Saúde Bucal Coletiva IV – FAO/UFAM