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Aumento da Disponibilidade Hídrica no Sinos

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UNIVERSIDADE DO VALE DO RIO DOS SINOS

CONSÓRCIO PRÓ-SINOS
COMITESINOS

Plano Sinos – Plano de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio dos Sinos

4. DETALHAMENTO DO PROGRAMA DE AÇÕES

4.1. PROGRAMA 1 – AUMENTO DA DISPONIBILIDADE HÍDRICA

4.1.1. AÇÃO 1.1 - Regularização de vazões – reservatórios de médio e grande porte

A presente ação tem por objetivo aumentar a disponibilidade hídrica na Bacia do Rio
dos Sinos através da regularização de vazões obtidas por intermédio da implantação de
reservatórios de regularização. Com efeito, a situação atual na Bacia demonstra uma
situação limite quanto ao balanço hídrico superficial; desta forma, o incremento no uso
da água, no futuro, poderá ser viabilizado através do aumento da disponibilidade.
Observa-se, também, que as carências hídricas nos períodos secos (verão e outono) são
compensadas pelos excessos nos períodos úmidos (inverno e primavera). Este fato
demonstra a possibilidade da reservação da água excedente em um período para
utilização em outro.

[Link]. Caracterização

A regularização de vazões através de reservatórios de médio e grande porte na Bacia do


Rio dos Sinos foi objeto de estudo específico, pela extinta Secretaria de Irrigação e Usos
Múltiplos da Água (SIUMA), denominado: ANÁLISE AMBIENTAL ESTRATÉGICA
REFERENTE A OBRAS DE INFRAESTRUTURA HÍDRICA NA BACIA HIDRO-
GRÁFICA DO RIO DOS SINOS, realizado entre 2009 e 2010.

A proposta de implantação de barragens na Bacia do Rio dos Sinos, pela SIUMA teve
por premissa a sustentabilidade ambiental. A Análise Ambiental Estratégica, neste
contexto serviu para hierarquizar as hipóteses de barramento mais favoráveis sob a ótica
sócio-ambiental.

Com relação aos propósitos com as possíveis intervenções, a função objetivo aponta no
seguinte sentido:

• Melhorar as condições gerais de disponibilidade hídrica da Bacia do Rio dos


Sinos, melhorando o atendimento aos usos múltiplos, através de regularização
de vazões;

• Melhoria da qualidade da água no trecho baixo do Rio dos Sinos a partir da


regularização de vazões, elevando-se as vazões mínimas, características das
estiagens;

• Aumentar a garantia no atendimento da demanda hídrica atual para irrigação de


arroz e possibilitar o suprimento de futuras demandas em áreas potencialmente
irrigáveis.

Com relação à Análise Ambiental Estratégica das alternativas de infra-estrutura hídrica


na Bacia do Rio dos Sinos o objetivo consistiu na:
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• Aplicação de um modelo multi-critério de apoio à decisão e definição de


viabilidade ambiental com vistas à constituição de uma ferramenta de
planejamento estratégico para a SIUMA;

• Definição de um índice de favorabilidade ambiental para cada alternativa


estabelecendo uma hierarquia relativa, através da utilização de indicadores e
ponderadores;

• Definição de um arranjo estratégico para implantação das alternativas


selecionadas (seqüencia de implantação e estratégias para o licenciamento
ambiental).

O modelo multi-critério foi aplicado sendo obtidas as perspectivas de cada grupo


decisório (Comitesinos, DRH/SEMA, SIUMA e Consultora) quanto às intervenções, em
especial sua hierarquização quanto ao grau de favorabilidade. Como resultado final, a
AAE indicou as intervenções hídricas na Bacia do Rio dos Sinos mais favoráveis em
termos de viabilidade global.

As intervenções selecionadas são as seguintes, conforme a aplicação dos ponderadores


do Comitesinos e DRH/SEMA:

• No Rio dos Sinos: S-15;

• No Rio Rolante: S-38;

• No Arroio Areia: S-33b; e

• No Rio da Ilha: S-27a.

A Figura 4.1.1 apresenta a localização dessas intervenções infraestruturais na Bacia do


Rio dos Sinos.

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Figura 4.1.1 – Mapa de localização das intervenções selecionadas

O Quadro 4.1.1 apresenta as principais características das quatro intervenções


selecionadas como as mais viáveis (conforme o índice de favorabilidade técnico-sócio-
financeiro-ambiental).

Quadro 4.1.1 – Principais características das intervenções selecionadas


Reservatórios/Barragens
Parâmetro S-15 S-38 S-33b S-27a
Rio dos Sinos Rio Rolante Arroio Areia Rio da Ilha
Área Alagada (ha) 859,00 468,00 509,00 474,00
Área da Bacia de contribuição (ha) 7.307,00 27.309,00 14.711,00 19.835,00
Altura do maciço (m) 108,00 85,00 43,00 38,00
Comprimento do maciço (m) / Altura do
7,95 5,51 11,84 12,47
maciço (m)
Cota de fundo (m) 79,00 78,00 56,00 30,00
Cota da de Alague (m) 184,00 160,00 96,00 65,00
3
Volume armazenado (Hm ) 290,00 163,00 123,00 80,00
Q90 (m3/s) 0,25 0,93 0,50 0,67
Vazão Regul. (m3/s) 9,20 5,20 3,90 2,50

População potencialmente atingida (hab) 413,00 48,00 93,00 99,00

Usos Multiplos atuais 9 9 10 10


Usos Multiplos futuros 12 12 12 12

Área Irrigável (QREG / 1,4L/s/ha) 6.571,43 3.714,29 2.785,71 1.785,71

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Reservatórios/Barragens
Parâmetro S-15 S-38 S-33b S-27a
Rio dos Sinos Rio Rolante Arroio Areia Rio da Ilha
Áreas Aptas Irrigação no entorno (pot.
640,08 120,84 1.100,17 1.785,71
irrigação até 15km jusante)
Área Irrigada (Safra 2008/2009) atingida
- - - -
(ha)
Ára Irrigável (Potencial) atingida (ha) 3,92 - - -
Estrada Municipal
8,7 6,8 1,5 7,6
(km) – 1
Estrada Estadual (km)
- - - -
– 20
Rodovias/
Estrada Federal (km) –
Estradas - - - -
50
atingidas
Obra de arte sobre
estrada
- - - -
Estadual/Federal(un) -
20
Sedimentos (Perda de Solo na sub-bacia de
39,00 47,00 106,00 160,00
contribuição - t/ha/ano)
Fraturas (m) 3.194,00 3.855,00 5.062,00 1.451,00
Vazão Média de Longa Duração Qmld
1,3996 5,6007 3,1943 4,2107
(m3/s)
Quantidade de espécies migradoras no
ponto barrado
Área com processo DNPM (ha) 30,59 - - -
Antrópico Urbano/Área Urbana - - - -
Antrópico Rural (ha) 638,64 214,11 498,10 442,27

Extrema – 3 573,48 - - 403,16

Vulnerabi- lidade Alta – 2 - 141,97 509,05 466,15


Aqüífero Moderada – 1 285,72 326,24 0,26 8,04

Desprezível – 0 - - - -
Extrema importância
- 468,21 - -
biológica
Muito alta importância
- - - -
Áreas prioritarias biológica
a conservação Alta importância
- - - -
Mapa MMA biológica
Insuficient. conhecida
c/ provável import. - - - -
Biológica
Mata Nativa (ha) 141,92 88,68 4,71 7,27
Área de APP atigida (ha) 147,74 99,15 135,23 106,50
Área de APP gerada (ha) 356,09 288,34 183,56 265,93
3
Vazão regularizada (m /s) 9,20 5,20 3,90 2,50
3
Volume armazenado (Hm ) 290,00 163,00 123,00 80,00

Tipo de maciço (T - Terra C - Concreto) T C T T

Volume do maciço (m ) 3 22.931.900 1.614.300 3.741.000 1.574.000


Custo da Barragem (R$) [Link],00 818.410.000,00 187.100.000,00 78.700.000,00
Potência Instalada (MW) 8,05 3,54 1,26 0,70
Energia Anual Gerada (MWh/ano) 70.558,3 30.975,4 11.035,0 6.143,0

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No total das quatro intervenções infraestruturais selecionadas como mais viáveis para a
Bacia do Rio dos Sinos, tem-se um volume acumulado da ordem de 656.000.000 m3
com uma vazão regularizada global de 20,8 m3/s, a um custo total de R$ 2,23 bilhões.

Pelo porte e custo das intervenções e pelas suas repercussões sociais e ambientais,
entende-se que a implantação dar-se-á de forma sequencial, escalonando os impactos,
mas também escalonando os benefícios. Obviamente, a implantação dessas intervenções
deverá passar ainda por instâncias decisórias (no próprio Comitesinos), além de ser
objeto de estudos específicos (projetos de engenharia – básico e final – e estudo de
impacto ambiental – EIA/RIMA). Somente após cumpridos esses passos, será possível
iniciar o processo de licitação para a contratação da construção das barragens em
paralelo à negociação para a desapropriação das áreas atingidas.

Conforme o cenário futuro projetado (relatório da Atividade 4.2), os benefícios em


termos de incremento de vazões regularizadas na Bacia do Rio dos Sinos são
significativos e os valores são apresentados no Quadro 4.1.2.
Quadro 4.1.2 – Comparação entre as situações sem e com regularização de vazões (reservatórios de
regularização), para o compartimento do Alto Sinos e para Toda a Bacia
Disponibilidades (m³/s) Disponibilidades (m³/ano)
Segmento
Q90 Qmin,jan Q90 Qmin,jan
Alto Sinos s/ Regularização 12,067 4,807 380.542.468 151.573.604
Alto Sinos c/ Regularização 25,577 22,703 806.636.018 715.999.727
BH Sinos s/ Regularização 25,474 10,147 803.361.592 319.992.775
BH Sinos c/ Regularização 38,984 28,043 [Link] 884.418.898

Em um horizonte de 20 anos, entende-se que um sequenciamento na implantação dos


reservatórios é adequado e necessário. Inclusive, observando os resultados do balanço
hídrico futuro para o cenário 3 (que confronta as disponibilidades hídricas acrescidas da
regularização de vazões com as projeções de máxima demanda) conclui-se que haverá
relativa folga e que não serão necessários os quatro barramentos.

Assim, em uma ótica de preservação de um curso d’água sem a implantação de


barramento e considerando os custos de implantação (financeiros, sociais e ambientais),
pode-se propor, para o horizonte deste Plano (20 anos), a implantação dos seguintes três
reservatórios: no Rio Rolante o S-38; no Arroio Areia o S-33b; e no Rio da Ilha o S-
27a.

Esse arranjo reduz significativamente os custos de implantação (para R$ 1,1 bilhão). O


volume total acumulado reduz para 366 Hm3 e a vazão conjunta regularizada para 11,6
m3/s, ainda assim dobrando a atual Qmin,jan.

A implantação dos referidos reservatórios deverão ser precedidas de todas as ações e


cuidados ambientais e sociais, conforme a legislação vigente.

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[Link]. Abrangência/Ocorrência Espacial

Embora os três reservatórios selecionados estejam localizados no compartimento do


Alto Sinos, seus benefícios (regularização de vazões) atingirão as Unidades de jusante,
até a foz do Rio dos Sinos. Considerando, também, que o fato de haver maior
disponibilidade na calha do Rio dos Sinos permite (ou libera) usos mais intensos da
água em seus afluentes, pode-se afirmar que, em termos de benefícios a abrangência é
global.

Já em termos de impactos resultantes da implantação dos reservatórios, haverá


concentração nas Unidades AS4 (rio Rolante), AS6 (rio da Areia) e AS8 (rio da Ilha).

[Link]. Atores Intervenientes e Atribuições

Diversos atores intervenientes serão necessários à implementação desta ação, face a sua
magnitude e importância. O custo de implantação das obras está estimado em R$ 1,1
bilhão, enquanto que as áreas alagadas pelos reservatórios atingirão 1.450 ha (valor
significativo considerando o tamanho médio das propriedades rurais nos locais em
questão). A estimativa inicial (preliminar) aponta que serão diretamente atingidas cerca
de 300 pessoas. No entanto, os benefícios da regularização de vazões poderão atingir
mais de 800.000 pessoas na Bacia.

Diante do exposto, conclui-se que a implementação de uma ação desta envergadura


somente se viabiliza através da participação direta de diversas instituições com as
seguintes responsabilidades:

• Comitesinos e Consórcio Pró-Sinos: articulação das ações de conscientização e


sensibilização social, institucional e política, nos âmbitos dos usuários da água e
municípios na Bacia. Entende-se que se não houver uma mobilização da parcela
da sociedade da Bacia que será beneficiada em contraponto àquela que será
atingida (pela área alagada), dificilmente haverá condições sociais e políticas de
implantação dos reservatórios.

• Prefeituras Municipais: tanto nas áreas onde serão implantados os três


reservatórios, como nas áreas beneficiadas (cidades no Baixo Sinos), com vistas
a apoiar institucionalmente os trabalhos preliminares (estudos e projetos) e as
obras propriamente ditas, dando visibilidade às compensações e benefícios
sociais.

• Secretaria de Obras Públicas, Irrigação e Desenvolvimento Urbano: como


promotora dos estudos técnicos e das obras de construção das barragens,
mediante a utilização de recursos orçamentários próprios complementados por
recursos financeiros oriundos de convênios. A Metroplan poderá atuar no
acompanhamento técnico, verificando o atendimento às condições de múltiplo
uso dos recursos hídricos. Eventualmente, no papel de Agência de Água, poderá
coordenar a cobrança e a aplicação de recursos financeiros específicos com o
objetivo de subsidiar a implantação das obras.

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• Secretaria de Meio Ambiente: atuando através do DRH no acompanhamento


das ações técnicas e da FEPAM na fiscalização das questões ambientais
relacionadas aos empreendimentos, desde o seu projeto até a sua implantação.

• Secretaria de Agricultura, Pecuária e Agronegócio: apoiando tecnicamente


através da EMATER, a realocação dos produtores rurais atingidos pelas áreas
envolvidas nos três reservatórios.

• Secretaria do Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo: apoiando os


produtores rurais reassentados no que se refere a novas formas de produção, com
treinamento e subsídios financeiros.

• Secretaria de Infraestrutura e Logística: implementando as obras de


realocação e readequação viária no entorno dos reservatórios e nos pontos onde
houver interceptação.

• Assembléia Legislativa: na articulação política e social dos diversos entes


envolvidos, inclusive criando um espaço específico para a harmonização de
questões entre os diversos grupos de interesse envolvidos. Podendo, inclusive,
possibilitar, pela sua abrangência, a divulgação dos benefícios decorrentes da
implantação dos reservatórios.

• Ministério de Integração Nacional: financiando parte dos recursos financeiros


necessários, mediante o estabelecimento de convênio com o Governo de Estado,
visto tratarem-se de obras de infra-estrutura hídrica.

[Link]. Cronograma de Implantação/Implementação

Diante do vulto das obras (quase 7.000.000 m3 de aterro compactado) e da magnitude


dos recursos financeiros necessários (R$ 1,1 bilhão), deverá haver um escalonamento na
implantação das obras, conforme a seguinte proposta, iniciando com os menores custos
de implantação:

Fase Preparatória: 4 anos

Concepção e materialização do arranjo institucional: 1 ano

Elaboração dos projetos básicos de engenharia (3 reservatórios): 1 ano

Elaboração dos estudos ambientais (3 reservatórios): 2 anos

Elaboração dos projetos finais de engenharia (3 reservatórios): 1 ano

Fase Construtiva: 11 anos

Reservatório S-27a (rio da Ilha): 3 anos

Fase de negociação social (remoção e reassentamento dos alagados): 1 ano

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Construção da barragem: 2 anos

Reservatório S-33b (rio Areia): 4 anos

Fase de negociação social (remoção e reassentamento dos alagados): 1 ano

Construção da barragem: 3 anos

Reservatório S-38 (rio Rolante): 4 anos

Fase de negociação social (remoção e reassentamento dos alagados): 1 ano

Construção da barragem: 3 anos

O prazo total para a implantação dos três reservatórios é de 15 anos. Sabendo-se que
processos políticos e sociais dessa magnitude tendem a sofrer atrasos, pode-se
considerar como adequado o horizonte de 20 anos para a implantação dos três
reservatórios.

[Link]. Custo/Orçamento

Os custos de implantação das obras relativas aos três reservatórios selecionados foram
determinados, de forma inicial e considerando todos os custos correlatos (inclusive de
desapropriação das áreas alagadas e dos estudos técnicos e ambientais e dos projetos de
engenharia), resultando nos seguintes valores:

• Reservatório S-38 (rio Rolante): R$ 818.410.000,00

• Reservatório S-33b (rio Areia): R$ 187.100.000,00

• Reservatório S-27a (rio da Ilha) R$ 78.700.000,00

• Total: R$ [Link],00

Distribuídos ao longo de quinze anos, tem-se um dispêndio médio anual de R$


72.200.000,00 (ou da ordem de R$ 6.000.000,00 mensais).

[Link]. Resultados Esperados

Os resultados esperados com a implantação dos três reservatórios propostos nesta ação
consistem no aumento da regularização das vazões no Rio dos Sinos e de seus
tributários (Ilha, Areia e Rolante) a jusante dos barramentos. Esse incremento na vazão
regularizada possibilitará o atendimento das demandas futuras para diversos usos
(abastecimento público, criação animal, irrigação e uso industrial), possibilitando
inclusive a melhoria da qualidade das águas. Complementarmente, alguns outros usos
poderão ser viabilizados com os reservatórios, tais como recreação (balneários), pesca e
geração de energia.

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[Link]. Formas de Monitoramento/Acompanhamento

Durante a fase preparatória, o acompanhamento se dará através do monitoramento dos


avanços da cada ação, através dos seus resultados (relatórios entregues e aprovados,
licenças ambientais expedidas).

Na fase construtiva a melhor forma de acompanhamento é através do monitoramento


dos desembolsos financeiros, visto que há vinculação direta entre a parcela física (obra)
e a financeira (faturamento). Esse tipo de acompanhamento deve ser complementado
pela verificação do andamento das vistorias ambientais.

[Link]. Obstáculos e Dificuldades

O principal obstáculo à implantação dessa ação consiste na resistência das comunidades


atingidas pelos reservatórios, onde se encontram os habitantes que terão que ser
reassentados. Haverá um nítido confronto de posições: de um lado a sociedade da Bacia
localizada nas porções média e baixa (centenas de milhares de habitantes) que
necessitam de uma maior regularização na vazão do Rio dos Sinos, notadamente para
melhorar as condições de abastecimento público; de outro alguns milhares de moradores
das áreas atingidas pelos reservatórios.

Nesse sentido, entende-se como necessária a construção de uma negociação social e


política, com o objetivo de esclarecer os benefícios dos reservatórios e os esforços no
sentido de minimizar os impactos (desapropriações e reassentamentos).

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4.1.2. AÇÃO 1.2 - Regularização de vazões - açudes

O objetivo desta ação consiste no aumento da disponibilidade hídrica local, através da


construção de novos açudes ou ampliação de açudes existentes, permitindo assim um
aumento da vazão regularizada na Bacia do Rio dos Sinos. Face à dimensão dos açudes
na Bacia, os benefícios da acumulação e disponibilização da água acumulada em açudes
são restritos em termos espaciais, caracterizando-se como de atendimento localizado e
nas proximidades das intervenções.

[Link]. Caracterização

A ação consiste no esforço para a construção de novos açudes bem como no aumento da
capacidade atual de açudagem, com a finalidade de acumular água com o objetivo
específico de atender a demandas hídricas locais, para usos diversos da água (criação
animal, pequena irrigação, etc.).

Em razão da restrição volumétrica e locacional, essa ação não possui capacidade para o
incremento global na regularização de vazões do Rio dos Sinos, mas contribui
indiretamente para esse aumento, ao reduzir a dependência de água (localizada e de
pequeno porte).

A situação atual quanto à acumulação de água em açudes na Bacia do Rio dos Sinos é
apresentada no Quadro a seguir, que mostra para cada Unidade de Planejamento a área
total alagada e o volume total acumulado, além da quantidade de açudes.
Quadro 4.1.3 – Situação atual quanto à acumulação de água em açudes na Bacia do Rio dos Sinos
UPG AREAS ALAGADAS (HA) VOLUMES ACUMULADOS (M3) QUANT. AÇUDES
AS1 1,45 15.897 1
AS2 0,00 0 0
AS3 79,41 1.088.441 36
AS4 41,68 515.672 22
AS5 6,18 92.495 2
AS6 28,29 511.630 7
AS7 50,94 840.912 16
AS8 66,11 912.793 32
AS9 14,92 183.200 8
MS1 88,12 1.655.215 27
MS2 12,42 139.866 8
MS3 54,76 782.018 20
MS4 42,89 571.544 22
BS1 88,11 1.503.463 20
BS2 86,72 1.414.275 25
BS3 48,39 898.457 11
BS4 71,69 1.039.474 25
BS5 23,61 315.164 10

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UPG AREAS ALAGADAS (HA) VOLUMES ACUMULADOS (M3) QUANT. AÇUDES


BS6 140,20 1.869.045 69
BS7 110,72 1.664.538 39
BS8 36,79 424.847 23
BS9 3,38 38.765 2
TOTAL 1.096,81 16.477.710 425
Obs.: Foram identificados apenas os açudes com área alagada igual ou superior a 1 ha.

Atualmente, existem na Bacia do Rio dos Sinos, conforme identificação e quantificação


procedida através de imagens de satélite, 425 açudes com porte diferenciados (com
áreas alagadas variando em 1 e 22 ha). Mais da metade desses açudes possui área
alagada individual inferior a 2 ha, o que demonstra o pequeno porte dessas
acumulações. A área total alagada é de aproximadamente 1.100 ha e o volume total
acumulado da ordem de 16,5 Hm3.

Considerando os três grandes compartimentos da Bacia, tem-se a seguinte situação: no


Alto Sinos acumulação total de 4,16 Hm3; no Médio Sinos 3,15 Hm3; e no Baixo Sinos
9,17 Hm3. Em termos percentuais tem-se, respectivamente, 25%, 19% e 56% do volume
total acumulado, em cada compartimento.

Considerando um indicador que relaciona o volume acumulado pela área do


compartimento, observa-se que: no Alto Sinos é de 2.370 m3/km2; no Médio Sinos é de
3.215 m3/km2; e no Baixo Sinos é de 9.530 m3/km2. Ou seja, no Alto Sinos onde há
expressivas áreas rurais, relativamente aos demais compartimentos da Bacia, a
capacidade de acumulação ainda é baixa.

Considerar que o Alto Sinos pode alcançar o indicador de acumulação do Baixo Sinos
implica em aceitar uma acumulação adicional de 12 Hm3. Para uma situação média de
açudes com 2 ha de área alagada e 20.000 m3 de volume acumulado, ter-se-á uma
quantidade de 600 novos açudes. Esse volume adicional, se considerado durante o
período de verão, será responsável por uma vazão regularizada adicional de 1,5 m3/s; ou
seja, mais de 10% da Q90%, o que significa um incremento importante para o Alto Sinos.

A Figura 4.1.2 mostra a Bacia do Rio dos Sinos, suas Unidades de Planejamento e seus
compartimentos, podendo-se observar a representatividade espacial do compartimento
do Alto Sinos.

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Figura 4.1.2 – Unidades de planejamento e compartimentos da Bacia do Rio dos Sinos

A reservação de água através de açudagem pode ser obtida com barramentos de


pequeno porte e limitada área alagada; assim, minimizam-se os custos construtivos, a
perda de área produtiva e os impactos ambientais decorrentes. A idéia é que o
proprietário construa o açude, dispensando a desapropriação, no caso de uso próprio da
água acumulada.

O conceito de açude, desta forma, associa-se a uma estrutura de pequeno porte, com
área inundada limitada e localizada fora do leito dos principais cursos de água.

Para possibilitar essa capacidade de acumulação e baseado nos índices pluviométricos


normais para a Bacia, há necessidade de uma área de drenagem mínima, para cada
açude, de 8 ha, bastante reduzida, portanto.

Em termos médios, o maciço de terra necessário para garantir essa acumulação, possuirá
um volume médio da ordem de 1.200 m3 de aterro.

Embora devam ser realizados estudos técnicos específicos, pode-se propor,


preliminarmente, que os maciços serão confeccionados em solo argiloso compactado,
obtido nas proximidades do barramento. A seção transversal do maciço deverá
apresentar formato trapezoidal, com taludes com inclinação de 1(V): 2,5(H) a montante
e 1:2 a jusante. O coroamento com largura de 2 m e a proteção das superfícies se dará
através de enleivamento. É recomendável uma decapagem (escavação no terreno
natural) até atingir terreno sem presença de material vegetal e com capacidade adequada

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de resistência. Também é recomendável que o nível de água normal no açude fique


cerca de 0,50 m abaixo da cota do coroamento. O material proveniente das jazidas de
empréstimo laterais deverá ser lançado em camadas de 0,20 m de espessura e
compactado.

Caso a área de drenagem seja substancialmente maior que a indicada (8 ha), haverá
necessidade de escavar, na ombreira com declividade mais suave, um canal extravasor
de emergência, como proteção ao maciço frente a chuvas intensas.

A construção de cada açude irá requerer uma equipe mecanizada mínima, composta por:
escavadeira hidráulica ou retro-escavadeira, trator com scrapper e rolo compactador
vibratório pé-de-carneiro. O material para a confecção dos aterros (solo argiloso
compactado) será obtido em áreas de empréstimo próximas aos locais de implantação
dos açudes, utilizando-se o sistema de empréstimo lateral para minimizar os custos com
transporte.

A localização específica dessas estruturas deverá ser definida com os proprietários


rurais interessados, por ocasião prévia à implementação dessa ação. Nessa avaliação
deverão ser considerados os impactos ambientais e as exigências legais.

[Link]. Abrangência/Ocorrência Espacial

A reservação de água através de açudagem é uma ação de repercussão localizada.


Considerando o potencial de áreas disponíveis, o Alto Sinos foi considerado com o
compartimento preferencial para a implantação dos novos açudes. No entanto, o volume
adicional no período de verão do conjunto de açudes propostos é capaz de aumentar a
vazão regularizada em 1,5 m3/s, o que é significativo.

Vale ressaltar que a micro-localização dos açudes propostos deverá ser negociada com
os interessados (principalmente os proprietários rurais) e mediada pelo Comitesinos, em
momento mais próximo do início efetivo da construção dos açudes, tendo como foco as
áreas preferenciais indicadas (Alto Sinos).

[Link]. Atores Intervenientes e Atribuições

A implantação do esforço de açudagem proposto dependerá diretamente dos


proprietários rurais onde se localizarão tais estruturas e das instituições que apresentam
capacidade operacional para suportar essas ações. Assim, foram identificados os
seguintes atores:

• Proprietários rurais, através das associações e sindicatos de produtores rurais,


cooperativas ou de forma individual: com a atribuição de indicar e disponibilizar
os locais para açudagem, cedendo as áreas necessárias para tanto, e arcando com
os custos necessários à construção.

• EMATER: terá como atribuição prestar apoio técnico nos estudos de localização
e nos projetos para a construção dos açudes, acompanhando as obras durante o
período construtivo.
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• Secretaria de Obras Públicas e Irrigação: subsidiando parcial ou integralmente os


custos necessários à construção dos açudes.

• Ministério da Integração: subsidiando parcial ou integralmente os custos


necessários à construção dos açudes.

[Link]. Cronograma de Implantação/Implementação

A implantação dos 600 açudes propostos demandará um prazo global da ordem de 12


anos, face à limitação dos volumes construtivos envolvidos, à possibilidade de
implantações concomitantes e à simplicidade dos estudos técnicos necessários (projeto,
licenciamento e outorga). Em termos de obras de implantação, cada açude demandará
um prazo entre 90 e 120 dias corridos, considerando-se que poderão ser implantados
cerca de 50 açudes por ano.

Ao prazo de 12 anos deve ser acrescido o tempo necessário à formatação dos convênios
para financiamento e à elaboração dos estudos técnicos, previsto em 3 anos. Assim, o
tempo total para implementação dessa ação será de 15 anos.

[Link]. Custo/Orçamento

O custo de implantação de cada açude será da ordem de R$ 8.000,00 (equivalendo a R$


6,00/m3 de aterro). O custo total está estimado em R$ 4.800.000,00, podendo ser arcado
direta e integralmente pelos proprietários ou através de uma modalidade na qual parte
do investimento seja efetuado pelo Estado com a contraparte dos proprietários, variando
entre 50 a 80%.

[Link]. Resultados Esperados

Em termos globais (para a Bacia), a implantação do esforço de açudagem proposto


permitirá que sejam atendidas as demandas hídricas futuras com maior garantia, visto
que as demandas localizadas no Alto Sinos serão atendidas pela reservação própria,
liberando vazões no leito do Rio dos Sinos para o Médio e Baixo Sinos onde ocorrem as
maiores demandas.

No entanto, essa ação apresentará maior eficiência com relação aos resultados
localizados, nas propriedades onde serão construídos os 600 açudes e no Alto Sinos.

[Link]. Formas de Monitoramento/Acompanhamento

O acompanhamento dessas obras ocorrerá através de visitas técnicas periódicas, as quais


deverão diagnosticar a condição geral das estruturas e a forma de operação adotada.
Haverá necessidade de se monitorar a liberação de volumes hídricos, notadamente no
período de verão, conforme as condicionantes ambientais estabelecidas (vazão
remanescente).

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[Link]. Obstáculos e Dificuldades

A principal dificuldade desta ação consiste na sua natureza limitada e localizada, frente
à ótica integradora do Plano de Bacia. No entanto, essa dificuldade em termos de
alcance dos objetivos, torna-se uma vantagem em termos técnicos, financeiros,
ambientais e sociais (face à simplicidade técnica construtiva e operacional; ao custo
relativamente baixo; aos impactos mínimos e localizados e a não necessidade de
desapropriações e realocações).

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4.1.3. AÇÃO 1.3 - Regularização de vazões – transposição do Rio Caí

Esta ação objetiva melhorar a regularização de vazões na Bacia do Rio dos Sinos,
notadamente nos rios Paranhana e Sinos, mediante a manutenção e estabilização do
regime de transposição de águas do rio Caí, através do sistema Salto-Bugres-Canastra,
operado pela CEEE.

[Link]. Caracterização

Há 50 anos o Rio dos Sinos vem recebendo um reforço hídrico a partir do Rio Caí,
através de um sistema de geração hidrelétrica operado pela Companhia Estadual de
Energia Elétrica. Esse sistema é composto pelo reservatório do Salto (no rio Caí,
auxiliado por dois outros reservatórios a montante: Blang e Divisa) de onde ocorre uma
derivação de água para a Usina de Bugres, junto a um reservatório de mesmo nome.
Deste reservatório, já localizado na Bacia do Rio dos Sinos, ocorre uma derivação
através de tubulação até a Usina de Canastra. Assim, caracteriza-se uma transposição de
águas entre as bacias hidrográficas dos rios Caí (doador) e Sinos (receptor).

Conforme o projeto original da CEEE (proprietária e operadora deste sistema) havia


previsão da formação do reservatório de Laranjeiras, através da construção de uma
barragem localizada no rio Paranhana (antigamente denominado de Santa Cruz), a
jusante da Usina de Canastra. Com efeito o maciço da barragem foi construído, mas
nunca houve o fechamento das adufas, o que resulta na passagem direta das vazões do
rio Paranhana. Esse maciço (Laranjeiras) fica situado junto ao local onde hoje tem-se as
atividades de rafting.

O sistema Salto-Bugres-Canastra foi concebido para operar em regime intermitente,


com o objetivo inicial (década de 60) de atender à parcela da demanda metropolitana de
eletricidade. Neste tipo de regime, o pico operacional (máxima capacidade do sistema
de geração) ocorre somente em algumas horas do dia, normalmente as de maior
demanda por energia elétrica. No restante, o sistema ou fica suspenso ou gera somente
uma parcela do máximo operacional.

Essa variação diária pode ser significativa, como de fato o é, o desta forma foi
concebido o reservatório de Laranjeiras, para atenuar a variação diária de vazões,
garantindo um fluxo constante a jusante da barragem. No entanto, o não fechamento do
maciço da barragem de Laranjeiras resultou na manutenção das variações diárias de
vazões.

Conforme informações prestadas pelo setor técnico da CEEE ao Comitesinos, em


fevereiro de 2009, “o volume de água de transposição é função da época do ano e da
acumulação total verificada nos reservatórios do Salto, Blang e Divisa. Este varia de um
mínimo de 2,0 m³/s a um máximo de 11,2 m³/s”.

“Em condições normais de acumulação, o regime de operação da Usina de Canastra é


intermitente, ou seja, varia a defluência ao longo do dia prevendo a utilização por
demais usuários, além do setor de geração de energia. Assim se considera uma

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defluência mínima de 2,0 m³/s a um máximo de 14,2 m³/s (volume máximo turbinado
pela usina).”

Ainda conforme informações da CEEE com base nas vazões turbinadas na Usina de
Canastra em dezembro de 2008 (entre os dias 20 e 31), observa-se a referida variação:
mínima vazão turbinada de 2,5 m3/s e máxima vazão turbinada de 15 m3/s. Em termos
de vazão média diária turbinada tem-se uma variação entre 8,3 e 10,5 m3/s, como uma
média para o período de 8,8 m3/s.

Tais valores são significativos para o Rio dos Sinos, se entendermos que a transposição
apresenta elevada garantia fornecida pelo reservatório do Salto (conjuntamente com
Blang e Divisa), e que as vazões naturais mínimas no Rio dos Sinos são bastante baixas.
Por exemplo: vazão mínima = 3,85 m3/s; vazão mínima do mês de janeiro = 10,15 m3/s;
e vazão com permanência de 90% (Q90%) = 25,5 m3/s. Assim, a vazão média diária
transposta do Rio Caí corresponde, respectivamente, a 230%, 87% e 35% das vazões
referidas no Rio dos Sinos. O que mostra a importância desta transposição, na
regularização de vazões no Rio dos Sinos. Ao se considerar apenas o Médio Sinos,
compartimento no qual o sistema está inserido, a vazão média diária transposta
corresponde a vazão natural com 90% de permanência.

Isto posto e considerando a grave situação quanto ao balanço hídrico entre


disponibilidades e demandas de água na Bacia do Rio dos Sinos entende-se que a
transposição de águas do rio Caí assume importância estratégica, razão pela qual uma
ação específica é proposta neste Plano.

A presente ação propõe que, inicialmente, a barragem de Laranjeiras seja fechada e que
seu reservatório passe a operar na regularização das vazões turbinadas pela Usina de
Canastra. Isto garantiria assim um fluxo contínuo a jusante, o que ajudará a estabilizar o
regime fluvial do Rio dos Sinos, notadamente junto às captações de água de Campo
Bom, Novo Hamburgo e São Leopoldo (melhorando as suas condições operacionais).
Objetiva-se, assim, estabilizar em 8,8 m3/s, um regime de vazões que varia entre 2,5
m3/s e 15 m3/s.

O fechamento do maciço e o enchimento do reservatório de Laranjeiras implicarão na


realização de estudos e projetos específicos, bem como da execução de obras civis e
instalação de equipamentos. No entanto, o maior esforço não será na parte técnica
(engenharia), mas sim na questão ambiental e social. No âmbito ambiental haverá a
supressão de áreas de matas localizada no reservatório e que deverão ser compensadas,
embora em pequena magnitude (entre 15 e 20 ha). No âmbito social deverão ser
realizadas as desapropriações (se é que tais áreas já não sejam de propriedade da CEEE,
o que é muito provável) e complementarmente negociação com os praticantes de
rafting, que podem ter a sua atividade impactada, embora em pequena dimensão, pois
continuarão passando pela barragem (pelo vertedor e não mais pelas adufas) as vazões
do rio Paranhana.

Em paralelo, a presente ação propõe também a realização de negociações junto à CEEE


e ao Comitê Caí com vistas a garantir esse padrão de transposição de vazões, dentro das

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capacidades de regularização do conjunto de barragens Salto, Blang, Divisa,


assegurando uma vazão média transposta próxima a 9,0 m3/s.

Caso os estudos hidrológicos demonstrem a incapacidade do sistema de reservatórios


em garantir essa vazão média, indica-se de antemão a possibilidade de aumento na
capacidade de acumulação com vistas a garantir a vazão pretendida.

Com relação à barragem de Laranjeiras é possível, ainda, equipá-la para a geração de


energia hidrelétrica, aproveitando a vazão regularizada e o desnível proporcionado pelo
seu maciço, com vistas a tornar mais atrativa, financeiramente, a sua implantação.

Resumindo, esta ação é composta de duas proposições: formação do reservatório da


barragem de Laranjeiras e garantia de uma vazão média transposta de 8,8 m3/s.

[Link]. Abrangência/Ocorrência Espacial

A abrangência desta ação abrange o Médio e Baixo Sinos, visto que a transposição
ocorre nas Unidades MS1 e MS2, mas os benefícios atingem toda a porção baixa da
Bacia do Rio dos Sinos, principalmente as captações de água para abastecimento
público em Campo Bom, Novo Hamburgo e São Leopoldo.

[Link]. Atores Intervenientes e Atribuições

Quatro atores intervenientes são identificados para a implementação desta ação,


conforme caracterizado no item [Link]:

• Companhia Estadual de Energia Elétrica – CEEE: como proprietária e operadora


do sistema Salto-Bugres-Canastra, deverá ser a parceira estratégica e a primeira
a ser procurada. Somente a aceitação da CEEE a essa proposta poderá
possibilitar a implementação desta ação. Assim, a realização de reuniões
técnicas, é o passo inicial que deverá ser seguido pela análise de viabilidade
técnico e financeira. Será a CEEE quem irá custear a implantação desta ação.

• Comitê Caí: como entidade responsável pela fonte hídrica, deverá ser procurado
para negociação, uma vez que a Bacia do Rio Caí também apresenta limitação
hídrica. Assim, as negociações deverão ser pautadas pela apresentação, por parte
do Comitesinos e CEEE, de argumentos técnicos que comprovem a
possibilidade da manutenção da vazão de transposição sem prejuízos ao rio Caí.
Nesse sentido, a confirmação do compartilhamento dos benefícios de uma maior
regularização no reservatório do Salto (no caso do aumento de acumulação),
pelas duas Bacias, talvez seja uma estratégica interessante. O que demandará a
execução de estudos hidrológicos e de engenharia específicos.

• Conselho de Recursos Hídricos – CRH/RS: deverá se pronunciar, independente


da existência de conflito, visto tratar-se de um caso importante de transposição
de bacias que poderá tornar-se um exemplo para outras situações no Estado.
Assim, a chancela do CRH/RS trará maior peso institucional à decisão, além da
sua atuação como arbitro em caso de eventual conflito de interesses.
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• Comitesinos: como interessado principal deverá conduzir as negociações com a


CEEE, com o Comitê Caí e no CRH/RS, atuando no convencimento desses
atores. Também deverá atuar internamente, no sentido de obter a concordância
do segmento responsável pela prática do rafting.

• Consórcio Pró-Sinos: deverá atuar através das prefeituras, promovendo esforço


político no sentido de mostrar aos demais atores estratégicos que há um legítimo
interesse dos municípios da parte baixa do Sinos (mais populosos).

[Link]. Cronograma de Implantação/Implementação

Considerando a necessidade de negociações, além das obras civis e instalação de


equipamentos mecânicos, entende-se que a implantação desta ação demande cerca de 4
a 5 anos, conforme a previsão dos seguintes passos e respectivas durações:

• Negociação técnica com a CEEE: de 6 meses a 1 ano;

• Realização de estudos e projetos: 1 ano;

• Negociação política com o Comitê Caí: 1 ano;

• Aprovação no CRH/RS: 6 meses;

• Execução das obras civis e instalação dos equipamentos mecânicos: de 1 ano a


1,5 ano.

[Link]. Custo/Orçamento

O custo da implementação desta ação decorrerá da execução dos estudos técnicos e


projetos de engenharia e da execução das obras civis e instalação dos equipamentos na
barragem de Laranjeiras. Utilizando um custo índice de R$ 5.000,00/kW instalado e
prevendo que poderão ser instalados na barragem de Laranjeiras aproximadamente 1
MW, tem-se um custo estimado de R$ 5 milhões.

Ainda deverão ser acrescidos os custos dos estudos (aumento da regularização no


reservatório do Salto para garantia na vazão transposta) e projetos de engenharia
(barragem de Laranjeira), da ordem de R$ 1 milhão.

O valor total estimado é de R$ 6 milhões, não computados os esforços no âmbito


político e institucional.

[Link]. Resultados Esperados

Com a formação do reservatório de Laranjeiras espera-se uma estabilização no regime


fluvial dos rios Paranhana e Sinos, melhorando as condições operacionais para as
captações de abastecimento público. Já a garantia de uma vazão média transposta em
8,8 m3/s é essencial à manutenção do padrão atual de demandas na Bacia.

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[Link]. Formas de Monitoramento/Acompanhamento

A ação preconiza atuações de distintas naturezas (realização de reuniões, estudos


técnicos e obras). Assim, o acompanhamento se dará nas seguintes formas: para as
reuniões com a CEEE, Comitê e CRH/RS, através do registro das atas; para a execução
dos estudos técnicos e projetos de engenharia, através do recebimento dos relatórios
finais aprovados; e para as obras na barragem, através da vistoria física ou
monitoramento dos boletins e cronogramas de avanço físico e financeiro.

Deve-se entender que essa ação (em termos de custos e da execução das obras e estudos
e da sua própria posterior operação) possui um responsável principal que é a CEEE.

[Link]. Obstáculos e Dificuldades

A dificuldade na implementação desta ação reside na resistência dos atores referidos,


decorrente de uma falta de entendimento ou sensibilização em relação aos benefícios
esperados. Tanto o Comitê Caí, quanto a CEEE e os praticantes de rafting deverão ser
conscientizados da importância desta ação. No entanto, é de se esperar resistências que
demandarão um esforço especial na negociação sócio-política, que poderá ser
capitaneada pelo Consórcio Pró-Sinos, através dos prefeitos interessados nos benefícios
da ação.

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