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4.3. PROGRAMA 3 – MONITORAMENTO QUALI-QUANTITATIVO
4.3.1. AÇÃO 3.1 - Instalação e operação de estações fluviométricas
A ação de instalação e operação de estações fluviométricas, conforme o nome indica,
tem por objetivo projetar uma rede de monitoramento fluviométrico para a Bacia do
Sinos e seu detalhamento está apresentado a seguir.
Além do monitoramento fluviométrico aqui proposto, também propõe-se a implantação
de uma rede de monitoramento da qualidade da água, a ser acrescida à rede da FEPAM,
em afluentes do Rio do Sinos, o que será objeto da próxima ação, mas que apresenta
intensa relação com esta.
[Link]. Caracterização
A experiência histórica tem demonstrado dois fatos irrefutáveis, do ponto de vista dos
recursos hídricos:
• A quantificação hídrica é uma das atividades de maior importância no que diz
respeito ao planejamento, aproveitamento e controle de recursos hídricos numa
bacia hidrográfica;
• Existe uma grande variabilidade da disponibilidade hídrica, tanto temporal
quanto espacial.
Sendo assim, a previsão de aproveitamento da água, enquanto recurso para as múltiplas
atividades desejadas, pressupõe a permanente quantificação de descargas líquidas, por
meio de uma rede de monitoramento apropriada.
A manutenção de uma rede de monitoramento hidrológico apropriada possibilita, em
última instância, que os órgãos de gerenciamento dos recursos hídricos conheçam a
disponibilidade hídrica da bacia. O monitoramento hidrológico permite a formação de
bancos de dados que podem contribuir para a adequada gestão dos recursos hídricos.
O valor econômico das informações hidrológicas, obtidas de uma rede hidrométrica,
pode ser aferido através da prevenção e redução das perdas em fenômenos hidrológicos
extremos (cheias e secas), perdas de oportunidade de uso devido à falta de
conhecimento dos potenciais e, com a segurança de que os projetos e obras serão
dimensionados adequadamente, sem que haja superdimensionamento ou
subdimensionamento de estruturas devido a fatores hidrológicos.
A relação benefício/custo dos dados e informações hidrológicos é significativamente
superior a um (1). Estudos feitos na Austrália e no Canadá apresentaram relações
benefício/custo econômico de 6,4 a 9,3.
Logo, a gestão e o planejamento dos recursos hídricos, pela necessidade e benefícios
resultantes, devem priorizar a aquisição de informações hidrológicas através da
implantação, operação e manutenção de uma rede hidrométrica capaz de prover um
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diagnóstico mais preciso dos potenciais hídricos da região e do processamento dos
dados hidrológicos, para a sua correta utilização.
Na Bacia do Sinos, assim como em todo Estado do Rio Grande do Sul, considera-se
suficiente o número de estações pluviométricas instaladas. A própria Defesa Civil
monitora a precipitação em todos os municípios do Estado e publica estas informações
em sua página da internet.
Já as estações fluviométricas, essas são a grande carência do setor no RS. Na Bacia do
Sinos, há apenas uma estação monitorada pela Agência Nacional de Águas, com
condições de utilização direta em planejamento de recursos hídricos. Trata-se da estação
87380000, localizada em Campo Bom, com área de drenagem de 2.864 km².
Há outras estações existentes, porém as mesmas não dispõem de séries de vazões, uma
vez que ou se tratam de estações recentes, como em Taquara (87374000) ou estações
sujeitas à influência de outras condicionantes, como em São Leopoldo (87382000), que
sofre o efeito do remanso do Lago Guaíba (rio Jacuí).
Há ainda estações de propriedade da CEEE, vinculadas às usinas de geração de energia,
mas as informações relativas a este monitoramento ainda não estão disponíveis no
Sistema Nacional de Informações Hidrológicas, o Hidroweb.
Há também a rede do DRH-SEMA-RS, operada por uma empresa terceirizada, mas a
rede é recente e ainda não dispõe de monitoramento sistemático (a muitas interrupções
no contrato), o que gera falhas na base de dados. Do mesmo modo que no caso anterior,
estas informações também não estão disponíveis no Hidroweb.
Finalmente há o caso de estações antigas, que estão desativadas, mas que não dispõem
de dados de vazão, mas apenas dados de níveis, e estações em afluentes do Rio dos
Sinos, a maioria também desativadas, como nos rios Santa Maria (Paranhana), Rolante e
Areia
O que é proposto aqui é a instalação de 05 estações fluviométricas para o
monitoramento de algumas Unidades de Estudo da Bacia do Sinos. Assim, seriam
instaladas cinco estações, nos rios listados no quadro abaixo, conforme a descrição a
seguir.
Quadro 4.3.1 – Proposição de Estações Fluviométricas para a Bacia do Sinos
Unidade (s) Rio
Alto Sinos – Baixo Rolante (AS6) Rolante
Alto Sinos – Areia (AS7) Areia
Médio Sinos – Alto Paranhana (MS1) Paranhana
Alto Sinos – Caraá (AS3) Caraá
Baixo Sinos – Portão / Estância Velha (BS7) Portão
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A Figura 4.3.1 ilustra os pontos propostos. A reativação de alguma estação que não
esteja em operação pode ser suficiente, não necessitando a criação de uma nova estação
de monitoramento.
Os dados obtidos deverão sofrer um trabalho de consistência para posterior
disponibilização no banco de dados do Sistema Nacional de Informações Hidrológicas,
o Hidroweb.
As estações propostas, com réguas, monitoram os níveis dos rios. Para que se obtenha
as informações de vazões, necessita-se de um trabalho de elaboração da curva-chave, o
que pressupõe a realização de campanhas para medição de vazões.
Estas medições de vazão constarão do Plano de Operação da Estação, a ser definido
pelo responsável pela estação (DRH-SEMA ou ANA), em conjunto com o responsável
por sua operação.
Estações fluviométricas
propostas
Arroio da Areia
Figura 4.3.1 – Localização das Estações Fluviométricas propostas
[Link]. Abrangência/Ocorrência Espacial
Esta ação tem abrangência em toda a Bacia do Rio dos Sinos.
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[Link]. Atores Intervenientes e Atribuições
• Departamento de Recursos Hídricos: com a atribuição de operar a rede e manter
a consistência dos dados;
• Agência Nacional de Águas: com a atribuição de manter o HIDROWEB
alimentado com as informações proveniente da rede de monitoramento.
[Link]. Cronograma de Implantação/Implementação
A instalação das cinco estações propostas é uma tarefa de rápida, que poderia ser
executada em seis meses. A partir daí inicia-se o trabalho de monitoramento em si, que
deverá funcionar continuamente, até que se mude a metodologia de coleta de dados, no
horizonte de prazo do plano, 20 anos.
[Link]. Orçamento
A implementação e operação da ação apresentam o seguinte orçamento, a ser custeado
pelo DRH/SEMA, através da inclusão destas estações na rede atualmente operada pelo
Departamento, na região do Guaíba.
Quadro 4.3.2 – Orçamento da Implantação das Estações Fluviométricas Propostas
Etapa Custo (R$)
Instalação das estações R$ 15.000,00
Campanhas para medição de vazões (100 medições por estação) R$ 100.000,00
TOTAL DE IMPLANTAÇÃO R$ 115.000,00
Monitoramento (custo anual) R$ 36.000,00
TOTAL PARA O MONITORAMENTO (vinte anos) R$ 720.000,00
TOTAL GERAL R$ 835.000,00
[Link]. Resultados Esperados
Com a implementação da ação espera-se obter o conhecimento da real disponibilidade
hídrica da Bacia do Rio dos Sinos. Com o tempo, os dados coletados servirão para uma
melhor caracterização da bacia em trabalhos como este Plano de Bacia, e também
gerarão subsídios para uma outorga consistente.
[Link]. Formas de Monitoramento/Acompanhamento
O monitoramento desta ação dar-se-á pela verificação da implantação das estações e da
publicação dos dados coletados no Hidroweb.
[Link]. Obstáculos e Dificuldades
O principal obstáculo é financeiro, apesar da ação não necessitar de altos investimentos.
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AÇÃO 3.2 - Monitoramento da qualidade da água em afluentes
O presente programa objetiva aperfeiçoar o conhecimento da condição de qualidade das
águas superficiais da bacia do Rio dos Sinos, incluindo o acompanhamento das metas
do enquadramento e buscando-se selecionar pontos em comum com a rede
fluviométrica existente e proposta.
Objetiva, ainda, identificar condições naturais de qualidade de água estabelecendo
pontos de amostragem em afluentes pouco ocupados e a caracterização de cursos de
água estratégicos, em cujas sub-bacias há utilização das águas e disponibilidade hídrica
suficiente, para subsidiar, no futuro, a proposição de enquadramento de novos trechos.
[Link]. Caracterização
O monitoramento sistemático da qualidade das águas superficiais na Bacia do Rio dos
Sinos vem sendo conduzido por um arranjo que envolve a FEPAM, a CORSAN e o
DMAE. Esta rede de monitoramento ganhou maior expressividade a partir dos recursos
financeiros obtidos quando do Programa Pró-Guaíba.
Ressalta-se que dos três entes que operam a rede de monitoramento, historicamente tem
sido mais fácil acessar a informação disponível na FEPAM, referente a 17 pontos de
monitoramento, uma vez que a base de dados da rede não está unificada.
Porém, a rede existente é restrita ao Rio dos Sinos, não havendo monitoramento em
afluentes, tema que é o objeto deste programa.
Nesse contexto, o presente programa sugere uma rede mais ampla de monitoramento da
qualidade das águas superficiais para a bacia, em vista dos objetivos descritos.
Ressalte-se que a operação de redes de monitoramento é um processo dinâmico, de
modo que a contínua avaliação dos resultados é fator determinante no ajuste do
planejamento das etapas, com consequente aprimoramento dos levantamentos e das
ações de melhoria a serem implementadas.
Planejamento da rede aperfeiçoada proposta:
A proposta apresentada mantém as estações da rede básica operada pela FEPAM,
DMAE e CORSAN, que compreende uma robusta série histórica com mais de 15 anos
de dados, acrescendo-se pontos a esta rede para o monitoramento de afluentes do Rio
dos Sinos.
São propostos 08 novos pontos de monitoramento. No Quadro 4.3.3 estão relacionadas
as estações propostas para compor a rede aperfeiçoada. A localização das estações é
indicada no mapa da Figura 4.3.2.
Implantação das estações de amostragem:
Conforme mencionado anteriormente, são propostas 08 novas estações de amostragem,
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configurando uma rede aperfeiçoada, em relação à existente. Isso aumenta em 50% do
esforço amostral, considerando as 17 estações operadas pela FEPAM.
Quadro 4.3.3 – Proposição de Estações de Qualidade das Águas para a Bacia do Sinos
Unidade (s) Rio
Alto Sinos – Alto Rolante (AS4) Rolante (nascentes)
Alto Sinos – Areia (AS7) Areia
Alto Sinos – Médio Rolante - Riozinho (AS5) Riozinho
Alto Sinos – Baixo Rolante (AS6) Rolante (foz)
Alto Sinos – Caraá (AS3) Caraá
Alto Sinos – Ilha (AS8) Ilha
Médio Sinos – Alto Paranhana (MS1) Paranhana (nascentes)
Médio Sinos – Baixo Paranhana (MS2) Paranhana (foz)
Seguindo a metodologia aplicável este tipo de monitoramento, as estações a serem
implantadas deverão ser georeferenciadas e caracterizadas em detalhes por meio de
formulários específicos, incluindo no mínimo croqui de localização, principais agentes
causadores de degradação e registro fotográfico.
Operação da rede aperfeiçoada de monitoramento:
Recomenda-se que seja adotada na operação da rede aperfeiçoada a mesma metodologia
que a FEPAM adota em sua rede, ou seja, freqüência trimestral de amostragem.
Cabe registrar que a Resolução CNRH Nº 91, de 5 de novembro de 2008, relativa aos
procedimentos gerais para o enquadramento dos corpos de água superficiais e
subterrâneos, estabelece que compete aos órgãos gestores de recursos hídricos avaliar o
cumprimento das metas do enquadramento por meio do monitoramento das águas.
Adicionalmente, a cada dois anos, devem ser elaborados relatórios técnicos, a serem
encaminhados ao comitê e Conselho de Recursos Hídricos, verificando o atendimento
das metas estabelecidas e, quando necessário, identificando ações corretivas.
Dessa forma, é indispensável que os operadores da rede de monitoramente definam
diretrizes para a operação integrada da rede aperfeiçoada de monitoramento,
abrangendo, coletas, ensaios laboratoriais e tratamento, avaliação e divulgação de
informações, assim como para a definição e acompanhamento das ações a serem
implementadas.
Intercâmbio de informações de monitoramento:
As empresas operadoras de sistemas de abastecimento público, em atendimento à
Portaria 518 do Ministério da Saúde, realizam semestralmente o controle da qualidade
da água bruta em ponto de captação. Esses dados são de extrema importância para
aprimorar o conhecimento da qualidade da água em pontos estratégicos.
Recomenda-se, dessa forma, que os órgãos gestores de recursos hídricos formalizem
acordo com as empresas operadoras de sistemas de abastecimento público para
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intercâmbio dos resultados de monitoramento de água bruta, de forma a enriquecer o
banco de dados de qualidade da água, fortalecendo o processo de enquadramento dos
corpos de água.
A figura a seguir apresenta a localização das estações propostas.
Arroio da Areia
Estações fluviométricas
propostas
Arroio da Areia
Figura 4.3.2 – Localização das Estações de Monitoramento da Qualidade da Água propostas
[Link]. Abrangência/Ocorrência Espacial
Os resultados esperados, de maior conhecimento sobre a qualidade da água, têm
repercussão em toda a Bacia do Rio dos Sinos. No entanto, será no trecho médio e alto,
principalmente os afluentes principais do Rio dos Sinos, que hoje não dispõe de
informação de qualidade da água é que são esperados os melhores resultados.
[Link]. Atores Intervenientes e Atribuições
• FEPAM (junto com DMAE e CORSAN);
• Empresas operadoras de sistemas de abastecimento público nos municípios.
[Link]. Cronograma de Implantação
A implantação das estações é proposta para o primeiro ano do Plano de Ações. O
monitoramento é sugerido para todo o horizonte de prazo do Plano, 20 anos.
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[Link]. Custos/Orçamento
São estimados os seguintes custos para implantação e operação anual da rede ampliada:
• Microlocalização das 08 estações propostas – R$ 16.000,00
• Operação anual da rede aperfeiçoada – R$ 96.000,00
• Tratamento, avaliação e divulgação de resultados – R$ 50.000,00
• Horas técnicas de consultoria para definição de diretrizes e acordos – R$
10.000,00
Assim, estima-se um total, no primeiro ano de R$ 172.000,00, e em 20 anos, chega-se a
um investimento de R$ 2.946.000,00.
[Link]. Resultados Esperados
• Ampliar o conhecimento da qualidade das águas da bacia;
• Integrar dados de qualidade e quantidade de água;
• Fomentar o trabalho conjunto da qualidade das águas entre FEPAM, DMAE e
CORSAN;
• Promover intercâmbio de informações de monitoramento, de maneira a
maximizar resultados com custos menores;
• Contribuir para o processo de enquadramento de cursos de água.
[Link]. Formas de Monitoramento/Acompanhamento
O monitoramento desta ação pode ser feito a partir do controle da geração de resultados
de qualidade do água.
[Link]. Obstáculos e dificuldades
O principal obstáculo é financeiro, apesar da ação não necessitar de altos investimentos.
Outro obstáculo será a disponibilidade das informações de qualidade. Será necessário
exercitar mecanismos de divulgação das informações para que a informação seja
partilhada com outros planos e programas da Bacia do Sinos.
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4.3.2. AÇÃO 3.3 - Modelagem hidrodinâmica do Rio dos Sinos
Neste item será abordado o sub-programa/ação Modelagem Hidrodinâmica do Rio dos
Sinos, como uma das etapas que consta do programa Monitoramento Quali-Quantitativo
vigente na Bacia do Rio dos Sinos.
Este estudo tem o objetivo de avaliar, através de simulação matemática, sob quais
regimes de escoamento no Rio dos Sinos tornam-se inoperantes os bombeamentos para
abastecimento público nas seções dos municípios de Campo Bom, Novo Hamburgo e
São Leopoldo. Além disso, o estudo pretende avaliar quais os efeitos das demandas para
irrigação, no trecho superior do Rio dos Sinos, sobre a disponibilidade hídrica nas
seções a jusante.
Esta simulação representará vazões e cotas mínimas, que caracterizem nos períodos de
estiagem no Rio dos Sinos a propagação do pulso hidráulico resultante do desligamento
das bombas de irrigação para avaliação da sua influência sobre a disponibilidade hídrica
no trecho inferior do Rio dos Sinos. Desta forma determinando sua influência sobre a
disponibilidade hídrica no trecho inferior do Rio dos Sinos.
O presente plano tem por justificativa trazer luz sobre um assunto controverso na Bacia
do Sinos, que remete a um potencial conflito entre a produção rural no trecho
médio/alto e a captação para abastecimento público.
[Link]. Caracterização
[Link].1. Área de Estudo
O estudo abrange o trecho do Rio dos Sinos que vai desde a foz até o rio Paranhana,
apresentando uma extensão aproximada de 100 km (Figura 4.3.3).
[Link].2. Ferramenta de análise
Modelo Hidrodinâmico HEC-RAS
O modelo HEC-RAS (U.S. Corps of Engineers, 2006) é um modelo hidrodinâmico
unidimensional com uma interface gráfica para visualização de resultados, desenvolvido
pelo Corpo de Engenheiros do Exército dos EUA. Trata-se de um programa
computacional gratuito e que vem sendo continuamente desenvolvido. Pode ser usado
para análise de escoamento permanente (curvas de remanso) ou não-permanente e,
recentemente, foi incorporado um módulo para transporte de sedimentos.
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Foz do Rio
Paranhana
Foz do Rio
dos Sinos
Figura 4.3.3 - Localização da área em estudo e em destaque o trecho entre a foz e o rio
Paranhana
No módulo de escoamento não-permanente, o modelo resolve as equações de
continuidade e de momento na forma de equações diferenciais parciais:
∂A T ∂Q
+ − q1 = 0
∂t ∂x (equação da continuidade ou de conservação de massa)
∂Q ∂Q ⋅ V ∂z
+ + g ⋅ AT ⋅ + Sf = 0
∂t ∂x ∂x (equação da conservação de momento)
Onde: Q é a vazão; t é o tempo; AT é a área da seção; q1 é o aporte lateral de vazão; z é
a cota (ou nível); V é a velocidade; g é a aceleração da gravidade; Sf é a declividade da
linha de energia; e x é a distância ao longo do rio.
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As equações apresentadas acima são aproximadas por um esquema de diferenças finitas
e resolvidas numericamente pelo método de Newton-Raphson. A resolução das
equações exige que as condições do escoamento sejam conhecidas nos extremos do
problema. Como condições de contorno de montante podem ser inseridas séries de
vazão ou de nível na seção mais a montante. As condições de contorno de jusante
podem ser vazões, níveis, ou uma relação entre vazões e níveis tal como uma curva-
chave ou a equação de Manning para uma dada declividade da linha d’água. Mais
detalhes do modelo HEC-RAS podem ser encontrados em U.S. Corps of Engineers
(2006).
Informações necessárias
Para fins de simulação matemática são imprescindíveis algumas informações, as
mesmas que serão apresentadas a seguir.
Levantamento de perfis transversais das seções
Para maior confiabilidade dos resultados faz-se necessário o levantamento de seções
transversais ao longo do trecho a ser simulado. O espaçamento das seções deve ser o
mais refinado possível. Neste contexto, sugere-se o levantamento de 23 seções no trecho
entre a foz até o rio Paranhana. Vale lembrar que o levantamento deve contemplar
somente a seção do leito menor do rio, não sendo necessário o levantamento da calha
maior do canal. Uma localização preliminar das seções transversais sugeridas é
apresentada na Figura 4.3.4. As seções levantadas devem ser apresentadas em um banco
de dados com as seguintes características:
• Coordenadas (X,Y,Z) – definição de um sistema de coordenadas no plano (UTM
ou lat-long, por exemplo) e altimétrico (amarradas a um nível de referência),
para definição do perfil longitudinal e, assim, mudanças de declividades do leito
do Rio dos Sinos;
• Cada seção deve apresentar também qual a sua localização em extensão (km) em
relação à foz do Rio dos Sinos, no delta do Jacuí; e
• Indicação do nível d´água nas seções.
Obs.:
- Nas seções com régua, deve-se amarrar “zero” da régua com a seção de medição.
- Nas seções de bombeamento, realizar o levantamento das tubulações de adução.
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Figura 4.3.4 - Localização preliminar das seções transversais sugeridas para levantamento
batimétrico
Campanha de medição de níveis nas seções
Com o intuito também de uma maior confiabilidade dos resultados, para calibração do
modelo, propõe-se uma única campanha de medição de nível d’água nas seções
sugeridas durante um período de vazão baixa.
Condições de contorno
Para condições de contorno são necessárias informações de vazão (condição de
contorno de montante) e nível no delta do Jacuí (condição de contorno de jusante). Estas
informações estão disponíveis no banco de dados hidroweb da ANA (Agência Nacional
de Águas).
Cenários a serem modelados
Para a condição de montante, serão utilizadas vazões mínimas da curva de permanência,
tais como: Q90, Q95, Q97. Da mesma forma, para condição de jusante, serão utilizados
valores correspondentes às cotas mínimas no posto da Praça da Harmonia (nível com
permanência de 90%, 95% e 97%). Os cenários a serem simulados, portanto, serão
combinações dessas variáveis hidrológicas que caracterizam períodos de estiagem na
bacia.
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[Link]. Abrangência/Ocorrência Espacial
A abrangência espacial deste sub-programa/ação é na calha principal do Rio dos Sinos,
desde a foz até a jusante do rio da Ilha, perfazendo, aproximadamente, 100km lineares.
[Link]. Atores Intervenientes e Atribuições
• Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio dos Sinos –
Comitesinos;
• Departamento de Recursos Hídricos da Secretaria do Meio Ambiente do Estado
do Rio Grande do Sul – DRH/SEMA RS;
• Associação dos Produtores; e
• Operadores dos Sistemas Públicos de Abastecimento do Trecho Baixo.
[Link]. Cronograma de Implantação/Implementação
O cronograma para a implantação desta ação prevê que a mesma demande cerca de 360
dias, entre a etapa de levantamentos preliminares e relatório final, conforme a previsão
do quadro a seguir.
Quadro 4.3.4 – Cronograma de implantação
Ações/Dias 60 120 180 240 300 360
Levantamentos Preliminares
Levantamentos de Campo
Calibração do Modelo
Geração de Cenários e Análise de Resultados
Apresentação aos Atores Intervenientes
Relatório Final
[Link]. Custos/Orçamento
O investimento necessário para a implantação desta ação está detalhado no Quadro
4.3.5.
Quadro 4.3.5 – Detalhamento do orçamento
1. Levantamentos e implantações de Campo*
1.1. Material 200.000,00
1.2. Serviços 100.000,00
2. Serviços técnicos de escritório 100.000,00
TOTAL 400.000,00
* Os levantamentos de campo consideram a demarcação batimétrica de 23 seções com nível d’água e
adicionalmente uma campanha de medição de nível em todas as seções em período menor para obter
melhores resultados do modelo.
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[Link]. Resultados Esperados
Pretende-se com o estudo de simulação matemática responder as seguintes questões
práticas verificadas neste conflito:
1) Para qual faixa de vazões mínimas as bombas nas seções de abastecimento não
operam?
2) Qual a influência do efeito de jusante (remanso) no padrão de escoamento nas
seções de abastecimento?
3) Qual a influência das vazões retiradas para irrigação na parte superior da bacia
hidrográfica sobre a disponibilidade hídrica nas seções de interesse?
4) Qual o tempo de percurso e magnitude do pulso gerado em virtude do
desligamento das bombas para irrigação nas seções de bombeamento?
[Link]. Formas de Monitoramento/Acompanhamento
O acompanhamento da ação se dará através do monitoramento dos avanços obtidos nas
diversas ações de desenvolvimento: (i) Levantamentos Preliminares; (ii) Levantamentos
de Campo; (iii) Calibração do Modelo; (iv) Geração de Cenários e Análise de
Resultados; (v) Apresentação aos Atores Intervenientes e; (vi) Relatório Final. O
progresso da ação se mostrará a medida que estes itens forem concluídos.
[Link]. Obstáculos e Dificuldades
• Obtenção de recursos financeiros para financiamento da ação;
• Definição final de critérios para operação dos sistemas de bombeamento (tanto
públicos de abastecimento como de irrigação) de forma consensual; e
• Obtenção de todas as informações hidrológicas necessárias para a simulação do
modelo matemático.
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4.3.3. AÇÃO 3.4 - Gestão de águas subterrâneas – cadastramento de poços
Neste item será tratado da gestão de águas subterrâneas, mais especificamente o
cadastramento de poços de captação na Bacia do Rio dos Sinos.
Constituindo-se como uma reserva estratégica, as águas subterrâneas quando utilizadas
de maneira sustentável podem suprir um possível déficit hídrico de mananciais
superficiais de água. O maior desafio a respeito desta questão, do uso dos mananciais
subterrâneos, é descobrir suas disponibilidades e potencialidades para que se possa fazer
o uso correto, sem que afete sua qualidade e sua capacidade de recarga.
A adoção de captação das águas subterrâneas pode reduzir as captações superficiais e
suprir em parte as demandas no abastecimento urbano, rural e industrial. Em especial,
nas localidades mais afastadas dos cursos d’água de maior porte, a captação de água
subterrânea pode ser de maior importância para uma melhor condição de saneamento.
No entanto, a utilização da água subterrânea na Bacia do Rio dos Sinos, pressupõe um
maior nível de conhecimento do potencial hidrogeológico existente.
A reserva de água subterrânea disposta nos aqüíferos na Bacia do Rio dos Sinos é de
550 hm3/ano, o que representa aproximadamente a média de 17 m3/s. Estas reservas
estão associadas à condição de recarga propiciada pelo regime de chuvas na bacia e pela
distribuição das áreas de recarga. Comparativamente, a disponibilidade potencial de
17 m3/s da água subterrânea representa 18% da disponibilidade da água superficial na
Bacia do Rio dos Sinos (em termos médios).
O presente plano tem dois objetivos principais, quais sejam: (i) criar/ampliar o sistema
de informações de poços subterrâneos de captação, através de um cadastro completo dos
poços existentes, com repercussão no conhecimento quantitativo dos mananciais e a sua
potencialidade frente ao cenário atual de utilização; e (ii) aumentar o nível de
conhecimento sobre a qualidade da água dos mananciais subterrâneos.
[Link]. Caracterização
[Link].1. Hidrogeologia na Bacia Hidrográfica do Rio dos Sinos
Um sistema aqüífero define-se por um conjunto de características geométricas e físicas
de um determinado local. Na bacia do Rio dos Sinos, os sistemas aqüíferos foram
definidos levando em consideração a litologia, a estrutura e a permeabilidade (tipo,
ordem e grandeza) do local de abrangência da bacia. A partir da definição da estrutura
de cada unidade hidrogeológica, e de seus limites baseada no comportamento aqüífero
das litologias predominantes, obteve-se a seguinte compartimentação hidrolitológica, a
saber: Sistema Aqüífero Permiano; Sistema Aqüífero Rio do Rasto; Sistema Aqüífero
Pirambóia; Sistema Aqüífero Botucatu; Sistema Aqüífero Serra Geral-1; Sistema
Aqüífero Serra Geral-2; Sistema Aqüífero Serra Geral-3; e Sistema Aqüífero Aluvionar.
A seguir serão apresentadas algumas características físicas de cada sistema aqüífero
identificado na Bacia Hidrográfica do Rio dos Sinos.
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a) Sistema Aqüífero Permiano
O Sistema Aqüífero Permiano ocorre em subsuperfície no município de Canoas e parte
de Esteio. É composto por rochas sedimentares permianas principalmente das
Formações Irati e Rio Bonito. Sua permeabilidade é baixa a moderada e ampliada por
intrusão ou fraturamento. As vazões variam entre 0,5 e 18m3/h e as capacidades
específicas são geralmente inferiores a 0,3m3/h/m.
b) Sistema Aqüífero Rio do Rasto
Esta unidade é composta por sedimentos do Grupo Passa Dois (Formação Rio do Rasto)
como siltitos, arenitos finos argilosos, secundariamente argilitos. Os arenitos formam
lentes relativamente curtas, em geral, com menos de 3m de espessura. Mesmo se
comportando como um aqüífero pobre esta unidade vem sendo amplamente explorada,
constituindo uma fonte alternativa de abastecimento. Os poços, geralmente com mais de
200 metros de profundidade, captam os níveis arenosos finos e apresentam vazões
baixas (média de 3,8m3/h). As capacidades específicas são, geralmente, menores que
0,1m3/h/m. Sua ocorrência na Bacia do Rio dos Sinos se dá nos municípios de Nova
Santa Rita, parte de Sapucaia do Sul, Esteio, Cachoerinha e Gravataí.
c) Sistema Aqüífero Pirambóia
O Sistema Aqüífero Pirambóia é formado pelos arenitos médios a finos lenticulares,
róseos e endurecidos, de ambiente continental eólico úmido com intercalações fluviais.
O fácies eólico é composto por arenitos com estratificações cruzadas acanaladas ou
tangenciais e mais raramente planares. As estratificações são em geral de médio e
grande porte, chegando a atingir até 5 metros.
Os poços que captam água desta unidade possuem profundidades entre 31 e 200 metros.
As vazões são muito variáveis atingindo até 11,24m3/h, mas com média de 4,6m3/h. As
capacidades específicas raramente excedem a 0,5m3/h/m. Sua área de afloramento na
Bacia dos Sinos abrange praticamente todo o município de São Leopoldo e Novo
Hamburgo, a porção centro sul do município de Portão e sul de Estância Velha.
d) Sistema Aqüífero Botucatu
O Sistema Aqüífero Botucatu corresponde a uma ampla área de deposição eólica
constituída por arenitos médios a finos, róseos e avermelhados ortoquartzíticos
relacionados à Formação Botucatu. Ocorrem na base e na encosta da Serra Geral. Onde
os arenitos afloram, o aqüífero é do tipo livre. Onde se encontra sob as lavas da
Formação Serra Geral, seu tipo é confinado. Nas áreas onde se configuram situações
topo estruturais elevadas (morros e encostas da serra) sua capacidade de armazenar água
subterrânea é diminuída.
Na área de afloramento, é muito explorado por meio de poços tubulares, tendo um bom
comportamento hidrogeológico. As capacidades específicas médias giram em torno de
0,54m3/h/m e as vazões dos poços na maioria das vezes variam de 1 a 56m3/h com
média de 8,6m3/h. Sua área de afloramento abrange os municípios de Campo Bom,
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Sapiranga, Nova Hartz, Araricá, Parobé, Taquara, Rolante, parte de Igrejinha, norte de
Portão, Estancia Velha e Santo Antônio da Patrulha.
e) Sistema Aqüífero Serra Geral-1
O Sistema Aqüífero Serra Geral-1 é formado pelas rochas vulcânicas básicas e
intermediárias mesozóicas. São aqüíferos fraturados e descontínuos, onde o fluxo da
água subterrânea se dá através de descontinuidades geradas por tectônica ou por
resfriamento das lavas. Seu controle é basicamente estrutural e as vazões dos poços são
muito variáveis. Ocorre nos vales encaixados e abertos, alinhados segundo falhas e
fraturas de diversas direções, desde as cotas de 100m até 550m. Neste sistema aqüífero
a água subterrânea acumula e flui por descontinuidades (vazios) formadas por
disjunções relacionadas ao resfriamento da lava e à tectônica frágil que atingiu a região.
Também existem horizontes permeáveis formados por autobrechas e sedimentos
intertrápicos (vulcanogênicos ou eólicos), marcando o contato entre os derrames.
Os poços que captam esta unidade apresentam profundidades entre 54 e 222m,
predominando poços com 100m. Suas vazões são muito variáveis, com uma
predominância de vazões de até 15m3/h, sendo freqüentes os poços com mais de
30m3/h. O sistema aqüífero Serra Geral-1 é muito utilizado, principalmente nas
comunidades rurais. Abrange os municípios de Gramado, Canela, São Francisco de
Paula, Caraá, Riozinho e Três Coroas.
f) Sistema Aqüífero Serra Geral-2
Este sistema é semelhante ao Sistema Aqüífero Serra Geral-1 e está ligado aos termos
ácidos do Vulcanismo da Bacia do Paraná. Ocorrem em altitudes entre 750 e 1000m.
São aqüíferos fissurais de pequena potencialidade hidrogeológica, devido ao seu
posicionamento topográfico. Além do fator topográfico, a pequena espessura de solo faz
com que a maior parte da água não infiltre e flua através de nascentes localizadas junto
à escarpa. Pode ser captado por poços tubulares de profundidade até 60m, nas fraturas,
ou por poços escavados.
As vazões encontradas giram na casa dos 3m3/h, porém, a presença de grandes fraturas
geológicas amplia a potencialidade deste sistema aqüífero, podendo se encontrar poços
com vazões superiores a 20m3/h. Este sistema aqüífero ocorre nos municípios
localizados nas porções norte e nordeste da Bacia (Gramado, Canela e São Francisco de
Paula), coincidindo com as áreas mais elevadas da região.
g) Sistema Aqüífero Serra Geral-3
Esta unidade hidrogeológica refere-se a zonas desfavoráveis ao armazenamento de água
subterrânea. É composta por morros isolados de basaltos que apresentam encostas de
alta declividade e praticamente ausência de solo, que favorecem o escoamento
superficial. São áreas em que o armazenamento de água subterrânea é muito
prejudicado. O aproveitamento da água, quando necessário, deve ser feito por captação
de fontes.
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h) Sistema Aqüífero Aluvionar
Este sistema é composto por aqüíferos intergranulares relacionados aos depósitos
fluviais que ocorrem ao longo da calha e da várzea do Rio dos Sinos. Geralmente, são
constituídos por uma seqüência areno-silto-argilosa. Os depósitos são gradacionais,
predominando na porção inferior seixos e areias conglomeráticas ou areias muito
grossas. Na porção intermediária predominam areias finas a médias e na parte superior é
composta basicamente de argilas com teores variáveis de silte. Nestes ambientes fluviais
é comum o rompimento dos canais dando origem a lentes de material grosseiro que se
inserem entre os sedimentos mais finos, correspondendo aos paleocanais fluviais.
A área fonte predominante deste sedimento é o Arenito Botucatu e a Formação
Pirambóia, possibilitando assim a obtenção de água subterrânea em quantidades e
qualidade aproveitáveis, havendo restrições, no entanto, devido à pequena espessura da
unidade. As profundidades do aqüífero, em geral, não ultrapassam os 20 metros. O
sistema aqüífero é capaz de fornecer vazões altas com capacidades específicas
superiores a 0,3m3/h/m.
i) Distribuição dos Sistemas Aqüíferos na Bacia do Rio dos Sinos
A distribuição dos sistemas aqüíferos na Bacia do Sinos é apresentada no Mapa
hidrogeológico da Bacia. O mapa hidrogeológico da Bacia do Rio dos Sinos foi obtido
com base nos métodos convencionais de cartografia das águas subterrâneas, conforme a
Legenda Internacional para Mapas Hidrogeológicos da UNESCO (Struckmeier &
Margat, 1995). O mapeamento hidrogeológico, apresentado ilustrativamente na Figura
4.3.5 a seguir, buscou agrupar as ocorrências de água subterrânea, conforme os tipos de
rochas e das estruturas abertas que servem de espaço armazenador de água. O mapa em
detalhe pode ser visto no Relatório Técnico correspondente a Atividade 3.3 do Plano
Sinos.
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Figura 4.3.5 – Mapa Hidrogeológico da Bacia do Rio dos Sinos
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[Link].2. Cadastramento de poços
Os poços tubulares, como forma de captação de água subterrânea, apresentam as
características hidráulicas e hidroquímicas dos sistemas aqüíferos, de forma mais
próxima do real. Todo estudo hidrogeológico, no entanto, deve iniciar com um
inventário de pontos de captação de água subterrânea, popularmente denominado de
cadastramento de poços, conforme Freitas & Trainini (2005).
O cadastramento de poços inicia-se com o contato junto às instituições detentoras de
informações de interesse hidrogeológico, onde são coletados dados, relatórios de poços
existentes, e trabalhos técnicos anteriormente realizados. Posteriormente realiza-se o
cadastramento em campo.
Na Bacia do Rio dos Sinos, o SIAGAS (Sistema de Informações de Águas
Subterrâneas) apresenta um total de 276 poços cadastrados na bacia. Os poços tubulares
existentes na região são utilizados na maioria das vezes para abastecimento público e
industrial.
Como exemplo de municípios que usam as águas subterrâneas para abastecimento
público, temos: Riozinho, Nova Hartz, Novo Hamburgo, Parobé, Estância Velha, Potão,
Três Coroas, Sapiranga, Igrejinha, Santo Antonio da Patrulha, Ivoti e São Francisco de
Paula.
Para se efetuar o cadastramento, sugere-se a utilização da metodologia empregada na
elaboração do Mapa Hidrogeológico do Rio Grande do Sul (Freitas & Trainini, 2005).
No campo são verificadas as coordenadas geográficas do poço e cota da boca (através
de aparelhos de GPS com precisão aproximada de 5 metros na planimetria e 3 metros na
altimetria), situação do poço, dados do proprietário, níveis, equipamento de
bombeamento, aspectos da construção do poço (revestimento, laje sanitária), uso da
água, vazão mensal produzida, entre outras.
Com isso, em cada poço cadastrado é atribuída uma sigla pintada no tubo de
revestimento sendo feito o seu registro fotográfico, com o intuito de deixar registrados a
identificação, data do cadastramento e o nome do município. Objetiva também mostrar
as condições em que se encontram os poços na ocasião do cadastramento.
Nos poços produtivos são medidos, em laboratórios móveis, o pH, condutividade
elétrica e temperatura da água. Além destas informações são registradas as análises
químicas obtidas junto aos proprietários dos poços.
De mão das informações acima descritas, para o cadastramento dos poços em campo, a
ficha de cadastramento do projeto Mapa Hidrogeológico do Rio Grande do Sul (Freitas
& Trainini, 2005) que propicia a alimentação do SIAGAS, tem as características
mostradas nas Figuras 4.3.6 e 4.3.7.
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Figura 4.3.6 - Exemplo da ficha de cadastramento utilizada no projeto Mapa Hidrogeológico do
RS.
Fonte: Freitas & Trainini (2005)
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Figura 4.3.7 - Folha 2 da ficha de cadastramento utilizada no projeto Mapa Hidrogeológico do
RS.
Fonte: Freitas & Trainini (2005)
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Como pode ser observada nas Figuras 4.3.6 e 4.3.7, a ficha de cadastramento dos poços,
que propicia a alimentação do SIAGAS, apresenta tanto informações quantitativas
quanto qualitativas a respeito dos poços, como: localidade dos mesmos através de
informações planialtimétricas e informações físico-químicas das águas medidas in sito,
por exemplo.
[Link]. Abrangência/Ocorrência Espacial
O presente sub-programa/ação tem abrangência espacial em toda a Bacia do Rio dos
Sinos, compreendendo os 32 (trinta e dois) municípios que fazem parte da bacia.
[Link]. Atores Intervenientes e Atribuições
• Departamento de Recursos Hídricos da Secretaria do Meio Ambiente do Estado
do Rio Grande do Sul – DRH/SEMA RS;
• FEPAM - Fundação Estadual de Proteção Ambiental - RS
• CPRM – Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais
• Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio dos Sinos –
Comitesinos.
[Link]. Cronograma de Implantação/Implementação
Quadro 4.3.6 – Cronograma de implantação
Ações/Meses 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24
Planejamento e
Levantamentos
Preliminares
Levantamentos de
Campo
Tabulação e
consistência dos
resultados
Elaboração de
relatório síntese dos
resultados
Apresentação aos
Atores Intervenientes
Para a implantação desta ação, entende-se que a mesma demande cerca de 2 anos,
distribuídos conforme quadro acima.
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[Link]. Orçamento
O custo estimado para o cadastramento de um poço, considerado equipe técnica e
encargos e despesas diretas (transporte, alimentação e hospedagem, pedágios, entre
outros, editoração) é estimado em torno de R$150,00 acrescido de R$300,00 para as
análises qualidade da água. Considerando o cadastramento de 5.000 poços e análises de
qualidade em 500 poços o custo estimado é de R$ 900.000,00 (novecentos mil reais).
[Link]. Resultados Esperados
Espera-se por resultados do presente sub-programa o seguinte:
• Ampliar a base de conhecimento hidrogeológico dos aqüíferos que fazem parte
da Bacia do Rio dos Sinos, gerando um banco de dados das características
qualitativas e quantitativas desses aqüíferos;
• Acompanhar as alterações espaciais e temporais na qualidade e quantidade das
águas subterrâneas para fins de gestão integrada dos recursos hídricos;
• Identificar áreas com problemas de qualidade e quantidade, e a sua evolução no
tempo;
• Coletar novos dados dos aqüíferos para melhorar sua modelação conceitual e
numérica; e
• Comunicar ao público e aos tomadores de decisão sobre a situação do aqüífero
ou do recurso hídrico subterrâneo da bacia.
[Link]. Formas de Monitoramento/Acompanhamento
O acompanhamento da ação se dará através da evolução de cada etapa descrita no
cronograma (item [Link]), em especial quanto aos levantamentos de campo, a partir do
quantitativo de poços cadastrados. Uma forma segura de avaliar a evolução desta ação
será estabelecer uma meta de cadastro de poços no início dos trabalhos e sua aferição a
cada período fixo de tempo, como por exemplo: mensal.
[Link]. Obstáculos e Dificuldades
• Obtenção de recursos financeiros para financiamento da ação;
• Obtenção das informações junto a usuários dos poços de captação; e
• Dificuldades de acesso aos poços propriamente dita, através do impedimento ao
local pelo usuário;
• Dificuldade de cooperação de proprietários de poços ou perfuradores.
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