História
Movimento Negro
Unificado: luta contra o
racismo e a repressão na
Ditadura Militar
4o bimestre Ensino
Aula 2 Médio
● Organizações e movimentos negros ● Compreender a formação e os
no Brasil; objetivos do Movimento Negro
Unificado (MNU);
● Movimento Negro Unificado (MNU);
● Contextualizar historicamente o
● Resistência negra no contexto da
período de criação do MNU em
Ditadura Civil-Militar (1964-1985).
1978;
● Analisar as formas de resistência
negra durante a Ditadura Civil-
Militar.
Para começar
VIREM E CONVERSEM
Leia os seguintes trechos:
Durante a ditadura, documentos oficiais negavam a existência de
racismo no Brasil, tratando o tema como ‘invenção’ da esquerda.
Negro tem que ir pro pau.” No entanto, casos como o assassinato de Robson Silveira da Luz
Delegado de Polícia da 44a DP, por policiais da 44a DP, chefiados pelo delegado Alberto Abdalla,
Dr. Luiz Alberto Abdalla, em abril de 1978 em 1978, geraram forte reação da população negra, resultando
(COMISSÃO DA VERDADE DO ESTADO DE SÃO
na criação do Movimento Negro Unificado (MNU).”
PAULO, [s.d.])
Trecho do relatório da Comissão da Verdade
do Estado de São Paulo (adaptado)
5 minutos Fonte: COMISSÃO DA VERDADE DO ESTADO DE SÃO
PAULO, [s.d.].
● Considerando as discussões da aula anterior e os trechos aqui apresentados, qual era o
tratamento dispensado à população negra pela polícia durante a ditadura civil-militar
brasileira?
Foco no conteúdo
O movimento negro no Brasil: uma luta cultural e política
A resistência da população negra brasileira durante a Ditadura Militar ocorreu em dois
campos interligados: o cultural e o político. No campo cultural, houve um movimento de
valorização da identidade negra dentro da sociedade brasileira. As antigas teorias da
mestiçagem e a ideia de democracia racial passaram a ser questionadas por intelectuais e
artistas. No meio acadêmico, nomes como Florestan Fernandes mostraram como, mesmo
após a Abolição, a população negra não teve acesso às mesmas oportunidades que os
brancos, enfrentando barreiras na educação, no mercado de trabalho e na política. Isso
revela um tipo de racismo que não se manifesta apenas por meio de atitudes individuais, mas
também está presente em toda a estrutura da sociedade.
Fonte: MEMÓRIAS DA DITADURA, [s.d.].
A democracia racial foi amplamente difundida no século XX, especialmente pelo sociólogo Gilberto
Freyre, em sua obra Casa-grande e senzala (1933). Segundo essa visão, a miscigenação teria criado
uma sociedade harmoniosa entre brancos, negros e indígenas.
Foco no conteúdo
O movimento negro no Brasil:
uma luta cultural e política
Já no campo político, a Ditadura Militar
reprimiu o movimento negro, negando a
existência do racismo no Brasil e
classificando suas lideranças como
agitadores. Diante da perseguição, a
resistência encontrou na arte e na cultura
formas de expressão e de luta,
fortalecendo a identidade e a mobilização
da população negra.
Capa do jornal Versus, Memorial da Democracia, 1978.
Disponível em: [Link]
reorganiza-o-movimento-negro/docset/893. Acesso em: 5 mar. 2025.
Foco no conteúdo
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O samba como resistência Sandra De Sá – “Olhos coloridos” (ao vivo)
No samba, intensificou-se a
valorização das raízes negras e
africanas, ainda que o gênero
fosse frequentemente associado à
identidade nacional brasileira. No
final dos anos 1960 e início dos
anos 1970, com a explosão da
black music no Brasil, artistas
como Tim Maia, Toni Tornado,
Gerson King Combo e Sandra
De Sá passaram a abordar
explicitamente temas relacionados A música “Olhos coloridos”, popularizada por Sandra De Sá, é um hino de valorização
à identidade negra e à luta contra da identidade negra e de resistência ao racismo.
a discriminação.
SANDRA SÁ. Olhos coloridos (ao vivo). YouTube, 16 jul. 2018. Disponível em:
[Link] Acesso em: 29 mar. 2025.
Foco no conteúdo
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O movimento Black Rio
Além disso, o movimento Black Rio, que
se consolidou nos anos 1970, foi
fundamental para o fortalecimento da cena
da música negra e estimulou um senso de
coletividade entre jovens negros da
periferia. Esse movimento promoveu bailes
que celebravam o soul, o funk e o samba-
rock, funcionando não apenas como uma
forma de entretenimento, mas também
como uma expressão política e cultural,
que resistia ao racismo e à repressão da
Black Rio! Black Power! (2008) resgata o movimento cultural Black
Ditadura Militar. Rio dos anos 1970, que celebrou a identidade negra no Brasil por
meio do funk, do soul e do samba-rock. O documentário destaca sua
conexão com o Black Power dos EUA e sua importância como
A black music é um termo que engloba diversos resistência ao racismo e à repressão da ditadura.
gêneros musicais de origem afro-americana, como
soul, funk e R&B. O gênero tornou-se uma forma de ESPIRAL. Black Rio! Black Power! – Trailer oficial. YouTube, 13 ago. 2024.
Disponível em: [Link] Acesso em:
resistência e de valorização da identidade negra, com 29 mar. 2025.
letras que abordavam temas como racismo,
desigualdade social e orgulho racial.
Foco no conteúdo
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É o mundo negro que viemos “Pioneiro dos blocos afro no carnaval, Ilê Aiyê
mostrar a você: completa 50 anos”
a cultura negra no carnaval
No ano de 1974, na cidade de Salvador,
o bloco Ilê Aiyê surgiu com o objetivo de
celebrar o carnaval e, ao mesmo tempo,
protestar contra o racismo, exaltando a
cultura afro-brasileira. A música do bloco,
que inclui versos como “É o mundo
negro que viemos mostrar a você”, se
tornou um símbolo de resistência e de
valorização da identidade negra. Esse
movimento também marcou o início de
uma nova consciência nas periferias,
especialmente entre jovens e
adolescentes, com foco na valorização A reportagem celebra o legado do Ilê Aiyê, o primeiro bloco afro do Brasil, fundado
em 1974.
da identidade racial e na percepção do
preconceito racial, tanto explícito quanto FOLHA DE [Link]. Pioneiro dos blocos afro no carnaval, Ilê Aiyê completa 50 anos.
disfarçado, presente na sociedade Disponível em: [Link] Acesso em: 29 mar. 2025.
brasileira.
Foco no conteúdo
A arte como lugar de valorização da
cultura negra
O movimento artístico brasileiro também foi profundamente
marcado por reflexões em torno das heranças culturais de
matriz africana, bem como sua valorização. Neste contexto,
temos em Abdias do Nascimento um dos principais expoentes
da militância negra no Brasil durante o período da Ditadura
Militar. Abdias foi jornalista, dramaturgo, poeta e artista visual;
sua biografia é marcada pelo combate à discriminação racial,
no qual empregou a arte como estratégia de luta e de
valorização da cultura negra. Durante muito tempo, a história
da arte brasileira foi influenciada pela ideia de “democracia
racial”, de maneira que as culturas negra e indígena eram
mediadas pelo olhar do homem branco. Abdias do
Nascimento buscou revolucionar esta percepção ao evocar as
origens do Egito antigo, a simbologia do candomblé, a luta
libertária na África e na diáspora, resgatando e valorizando a
cultura milenar africana.
Simbiose africana no 3, 1973
Abdias Nascimento. Acrílico sobre tela. Acervo Ipeafro.
Reprodução – ENCICLOPÉDIA ITAÚ CULTURAL, 2016. Disponível em:
[Link]
Acesso em: 29 mar. 2025.
Foco no conteúdo
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“A história e o legado de Lélia Gonzalez”
Lélia Gonzalez e o protagonismo
feminino na resistência à
Ditadura Militar brasileira
Autora de livros como Lugar de negro
e Festas populares no Brasil, ambos
publicados na década de 1980, Lélia
Gonzales teve participação
fundamental na resistência e na luta do
movimento negro contra a Ditadura
Militar, e foi uma das fundadoras do
Movimento Negro Unificado (MNU) no Lélia Gonzalez: a luta contra o racismo e o sexismo no Brasil.
ano de 1978.
BRASIL DE FATO. A história e o legado de Lélia Gonzalez. YouTube, 20 nov.
2019. Disponível em: [Link]
Acesso em: 29 mar. 2025.
1 minuto
De que maneira a cultura, por meio da música, do
samba e da black music, se tornou uma forma de
Pause e responda
resistência da população negra durante a Ditadura
Militar?
Ao reforçar a ideia de “democracia Ao se afastar das questões raciais e
racial”, promovendo a integração focar apenas no entretenimento,
pacífica entre brancos e negros. evitando confrontos com o governo.
Ao substituir os ritmos tradicionais
Ao utilizar a arte como ferramenta de
afro-brasileiros por estilos musicais
denúncia contra a discriminação e de
estrangeiros, apagando suas raízes
valorização da identidade negra.
culturais.
Correção
Pause e responda
De que maneira a cultura, por meio da música, do samba e da
black music, se tornou uma forma de resistência da população
negra durante a Ditadura Militar?
Ao reforçar a ideia de “democracia Ao se afastar das questões raciais e
racial”, promovendo a integração focar apenas no entretenimento,
pacífica entre brancos e negros. evitando confrontos com o governo.
Ao utilizar a arte como ferramenta Ao substituir os ritmos tradicionais
de denúncia contra a discriminação afro-brasileiros por estilos musicais
e de valorização da identidade estrangeiros, apagando suas raízes
negra. culturais.
Foco no conteúdo
O Movimento Negro Unificado (MNU)
Em 1978, militantes de diversos grupos negros, juntamente
com estudantes, atletas, artistas e representantes de
organizações culturais, realizaram uma grande
manifestação em São Paulo contra o racismo. Mais de 2
mil pessoas se reuniram em frente ao Teatro Municipal
para protestar contra recentes episódios de violência
racial.
O protesto foi motivado pela agressão sofrida por quatro
jovens atletas negros em um clube esportivo de São Paulo,
onde foram brutalmente atacados por seguranças do local.
Esse evento foi um marco importante na luta contra a
discriminação e levou à criação do Movimento Negro
Unificado (MNU), uma organização fundamental na luta
contra o racismo no Brasil, que se formou como resposta a
essa violência explícita e à necessidade de união contra a
discriminação racial.
Hamilton Cardoso, militante e jornalista, discursando na manifestação e protesto dos militantes no
centro de São Paulo. Fotografias de Jesus Carlos.
Foco no conteúdo
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O Programa de Ação do
MNU
O MNU desempenhou um papel
fundamental na resistência à
ditadura e na busca por uma
sociedade mais igualitária. Seu
Programa de Ação incluía itens
como a reforma agrária radical,
proteção dos acampamentos dos
sem-terra, direito de sindicalização
e reforma do ensino. Além disso, o
movimento também apoiou as
lutas das mulheres negras, que TV UNICAMP. “A repressão aos movimentos negros durante a Ditadura Militar”. Aldair
Rodrigues, historiador e professor do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas
enfrentavam discriminação dupla, (IFCH).
tanto racial quanto de gênero, em
uma sociedade machista e racista. TV UNICAMP. A repressão aos movimentos negros durante a Ditadura Militar. YouTube, 25 mar.
2024. Disponível em: [Link] Acesso em: 29 mar.
2025.
Foco no conteúdo
As conquistas do movimento negro no Brasil
1 2 3 4
Dia da Consciência A Constituição de Criminalização do Educação e cultura
Negra 1988 racismo afro-brasileira
O 20 de novembro Os pensamentos do A atuação do MNU foi A Lei no 10.639/2003,
marca a morte de Zumbi Movimento Negro crucial para a que tornou obrigatório o
dos Palmares (1695) e Unificado contribuíram aprovação da Lei no ensino da história e da
foi escolhido para
reconhecer a luta dos
para a inclusão de 7.716/1989, que cultura afro-brasileira e
afro-brasileiros, valorizar leis para grupos define e pune crimes africana nas escolas, é
sua contribuição histórica marginalizados na resultantes de uma conquista
e cultural e promover a Constituição de 1988, discriminação ou importante na luta pela
reflexão sobre a sobretudo os preconceito de raça, valorização da
desigualdade racial e o quilombolas. cor, etnia, religião ou identidade e da história
combate ao racismo. procedência nacional. dos afro-brasileiros.
Fonte: SILVA, 2019.
Na prática TODO MUNDO ESCREVE Atividade 1 Veja no livro!
ATIVIDADE 1. A resistência da cultura negra no
centro do debate Trecho da primeira publicação do jornal
SINBA, de julho de 1977.
Leia a transcrição da reportagem e responda à questão a
seguir. Reprodução – QUEIROZ, [s.d.]. Disponível em:
[Link]
julho-de-1977/. Acesso em: 29 mar. 2025.
FONTE I
10 minutos
Na prática TODO MUNDO ESCREVE Atividade 1 Veja no livro!
ATIVIDADE 1. A resistência da cultura negra no centro do debate
De repente, todas as atenções voltaram-se para um fato que A partir do final da década de 1970, com o processo de
segundo alguns, preocupou até as altas esferas. Que reabertura política e o ressurgimento dos movimentos
acontecimento tão importante poderia estar causando tamanha
celeuma dentro da sociedade brasileira? negros, a imprensa negra retomou sua circulação pelo
[...] país, como é o caso do periódico Sinba, que teve seu
O objeto causador de tanta discussão era o movimento musical primeiro número lançado em julho de 1977. Já nesta
do Soul, que aqui no Rio recebeu a denominação de Black Rio.
[...]
edição, trouxe para o debate uma denúncia sobre os
Em recente programa de uma emissora de televisão do Rio de ataques sofridos pelo movimento Black Rio.
Janeiro, um dos considerados “papas” do movimento [Black
Rio] ao [...] [dar] respostas evasivas diante de perguntas tais
como: o movimento Black Rio é racista? O movimento por ele ● Com base no jornal (Fonte I), por que é possível
liderado não estaria sendo uma forma de alienação dos jovens afirmar que periódicos como este, ligados ao
negros?...
Caberia então perguntar: não seria a tentativa de se colocar o Movimento Negro, foram instrumentos
movimento Black Rio como racista, alienante, político, modismo fundamentais para o fortalecimento da atuação
caricaturado etc... mais uma da já comprovada discriminação da dessa militância e de crítica ao mito da
sociedade brasileira a toda e qualquer manifestação de negros,
evidenciada pelo conceito de superioridade racial surgido na
democracia racial amplamente divulgado pelo
época da escravidão?” regime militar?
(SINBA, 1977)
10 minutos
Na prática
Correção
Com base no jornal (Fonte I), por que é possível afirmar que periódicos como este, ligados ao
Movimento Negro, foram instrumentos fundamentais para o fortalecimento da atuação dessa militância
e de crítica ao mito da democracia racial amplamente divulgado pelo regime militar?
A denúncia do jornal SINBA sobre os ataques sofridos pelo Black Rio evidencia o forte teor
racista das críticas feitas ao movimento, já que se tratava de “mais uma das já comprovadas
discriminações da sociedade brasileira a toda e qualquer manifestação de negros evidenciada
pelo conceito de superioridade racial surgido na época da escravidão”, contrariando, deste
modo, o chamado mito da democracia racial disseminado pelos militares. Ademais, por meio da
circulação de notícias como essa, o movimento negro divulgava seus principais debates e sua
contestação à ditadura militar, além de tornar pública as diferentes violências sofridas pela
população negra no período, incentivando, assim, uma reação à tentativa de silenciamento
promovida pelo regime militar.
Na prática TODO MUNDO ESCREVE Atividade 2 Veja no livro!
ATIVIDADE 2. O MNU e o combate ao racismo estrutural
Leia o texto a seguir e responda à questão que se segue.
● Como o Movimento Negro Unificado (MNU) contribuiu para o fortalecimento da
identidade negra no Brasil? De que maneira essas ações podem ser vistas como
formas de resistência ao racismo estrutural que ainda persiste na sociedade
brasileira?
[...] Numa manifestação ocorrida em 1978, vários grupos negros reuniram-se nas escadarias do Teatro
Municipal de São Paulo para protestar [...]. Durante esse ato público, ocorreu a unificação das várias
organizações negras, nascendo, assim, o Movimento Negro Unificado (MNU), cujo Programa de Ação
defendia: a) desmistificação da democracia racial brasileira; b) organização política da população negra;
[...] c) formação de um amplo leque de alianças na luta contra o racismo [...]; d) organização nos
sindicatos e partidos políticos; e) luta pela introdução da História da África e do Negro no Brasil nos
currículos escolares [...].”
Fonte: DOMINGUES, 2007.
10 minutos
Na prática
Correção
Como o Movimento Negro Unificado (MNU) contribuiu para o fortalecimento da identidade negra no
Brasil? De que maneira essas ações podem ser vistas como formas de resistência ao racismo
estrutural que ainda persiste na sociedade brasileira?
O Movimento Negro Unificado (MNU), ao desmistificar a democracia racial e lutar pela
inclusão da História da África nos currículos escolares, contribuiu significativamente para o
fortalecimento da identidade negra no Brasil, pois reconheceu e valorizou as raízes africanas
e a importância da cultura negra na formação do país. Ao combater a ideia de que no Brasil
não existia racismo, o MNU ajudou a evidenciar as desigualdades estruturais enfrentadas
pela população negra, desafiando a visão dominante que negava essas questões. Além
disso, ao defender a inclusão da História da África e do Negro nos currículos escolares, o
MNU procurou proporcionar uma educação mais justa e representativa, possibilitando que
os estudantes negros se vissem refletidos de forma positiva na história e na cultura
brasileiras. Essa ação também visava romper com o apagamento da contribuição dos negros
para a sociedade e reverter a marginalização de sua cultura.
Essas ações do MNU são exemplos de resistência ao racismo estrutural, pois ao promover
uma maior consciência histórica e cultural, o movimento lutou por justiça social e também
pela criação de um ambiente educacional e político mais igualitário, em que a população
negra pudesse ocupar seu espaço com dignidade e respeito.
Encerramento COM SUAS PALAVRAS 5 minutos
A resistência negra à Ditadura Militar
● De que maneira a criação do Movimento Negro
Unificado (MNU) em 1978 reflete a necessidade de
uma resposta organizada e coletiva contra as
desigualdades raciais no Brasil?
● Como o contexto político e social da Ditadura Militar
influenciou a criação do MNU e o fortalecimento da
luta contra o racismo no Brasil?
● Quais foram as outras formas de resistência negra
durante a Ditadura Militar?
OKÊ OXÓSSI, 1970.
Abdias do Nascimento. Acrílica sobre tela. Coleção MASP, doação Elisa Larkin Nascimento.
Ipeafro, no contexto da exposição Histórias Afro-atlânticas, 2018.
Reprodução – PROJETO AFRO, [s.d.]. Disponível em: [Link]
nascimento/. Acesso em: 29 mar. 2025.
Referências
BRAUNS, E.; SANTOS, G.; OLIVEIRA, J. A. de (Org.). Movimento Negro Unificado: a resistência nas ruas.
Edições Sesc/Fundação Perseu Abramo, 2019.
CLEAVER, E. Alma no exílio. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1997.
COMISSÃO DA VERDADE DO ESTADO DE SÃO PAULO. Tomo I – Parte II: grupos sociais e movimentos
perseguidos ou atingidos pela ditadura – Perseguição à população e ao movimento negros, [s.d.]. Disponível em:
[Link] Acesso em: 29 mar. 2025.
DOMINGUES, P. Movimento negro brasileiro: alguns apontamentos históricos. Tempo, v. 12, n. 23, pp. 100-122,
2007. Disponível em: [Link] Acesso em:
29 mar. 2025.
GONZALEZ, L.; HASENBALG, C. (Org.). Lugar de negro. Rio de Janeiro: Zahar, 2022.
INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS ANÍSIO TEIXEIRA
(INEP). Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), 2016. Prova de Ciências Humanas e suas Tecnologias; Prova
de Ciências da Natureza e suas Tecnologias, 1o dia, Caderno 1 – Azul. 2a Aplicação. Disponível em:
[Link]
Acesso em: 29 mar. 2025.
INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS ANÍSIO TEIXEIRA
(INEP). Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), 2017. Prova de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias e
Redação; Prova de Ciências Humanas e suas Tecnologias, 1o dia, Caderno 1 – Azul. 2a Aplicação. Disponível em:
[Link] Acesso em: 29 mar. 2025.
Referências
LEMOV, D. Aula nota 10 3.0: 63 técnicas para melhorar a gestão da sala de aula. Tradução de Sandra Maria
Mallman da Rosa e Daniel Vieira. 3. ed. Porto Alegre: Penso, 2023.
MEMÓRIAS DA DITADURA. Luta cultural e política, [s.d.]. Disponível em: [Link]
cultural-e-politica/. Acesso em: 29 mar. 2025.
MUNANGA, K.; GOMES, N. L. Para entender o negro no Brasil de hoje: história, realidade. São Paulo: Global,
2004.
ROSENSHINE, B. Principles of instruction: research-based strategies that all teachers should know. American
Educator, v. 36, n. 1, Washington, 2012. pp. 12-19. Disponível em: [Link] Acesso em:
29 mar. 2025.
SÃO PAULO (Estado). Secretaria da Educação. Currículo Paulista: etapa Ensino Médio, 2020. Disponível em:
[Link]
etapa-Ensino-M%C3%A9dio_ISBN.pdf. Acesso em: 29 mar. 2025.
SCHWARCZ, L. M. Nem preto nem branco, muito pelo contrário: cor e raça na sociabilidade brasileira. São
Paulo: Claro Enigma, 2012.
SILVA, H. R. de A. Atuação das lideranças do Movimento Negro Unificado no processo de aprovação da Lei
10.639/2003 e sua implicação na mudança dos livros didáticos de História. Dissertação (Programa de Pós-
Graduação em História), Universidade Federal Rural de Pernambuco, Recife, 2019. Disponível em:
[Link] Acesso em: 29 mar. 2025.
SINBA. Por que o Black Rio incomoda?, ed. 1, jul. 1977, p. 6. Disponível em:
[Link] Acesso em: 29 mar. 2025.
Identidade visual: imagens © Getty Images.
Aprofundando
A seguir, você encontra uma seleção de exercícios extras,
que ampliam as possibilidades de prática, de retomada e
aprofundamento do conteúdo estudado.
Aprofundando Veja no livro!
(ENEM 2017) A estratégia utilizada por A luta contra o racismo, no Brasil, tomou
esse movimento tinha como objetivo: um rumo contrário ao imaginário nacional
e ao consenso científico, formado a partir
dos anos 1930. Por um lado, o
eliminar privilégios de classe. Movimento Negro Unificado, assim como
A as demais organizações negras,
priorizaram em sua luta a desmistificação
do credo da democracia racial, negando
B alterar injustiças econômicas.
o caráter cordial das relações raciais e
afirmando que, no Brasil, o racismo está
entranhado nas relações sociais. O
C combater discriminações movimento aprofundou, por outro lado,
étnicas. sua política de construção de identidade
racial, chamando de “negros” todos
D identificar preconceitos aqueles com alguma ascendência
religiosos. africana, e não apenas os ‘pretos’.”
(GUIMARÃES, A. S. A. Classes, raças e democracia. São
E reduzir as desigualdades Paulo: Editora 34, 2012.)
culturais.
Aprofundando
(ENEM 2017) A estratégia utilizada por A luta contra o racismo, no Brasil, tomou
esse movimento tinha como objetivo: um rumo contrário ao imaginário nacional
e ao consenso científico, formado a partir
dos anos 1930. Por um lado, o
eliminar privilégios de Movimento Negro Unificado, assim como
A as demais organizações negras,
classe.
priorizaram em sua luta a desmistificação
do credo da democracia racial, negando
B alterar injustiças
o caráter cordial das relações raciais e
econômicas.
afirmando que, no Brasil, o racismo está
entranhado nas relações sociais. O
C combater discriminações movimento aprofundou, por outro lado,
étnicas. sua política de construção de identidade
racial, chamando de ‘negros’ todos
D identificar preconceitos aqueles com alguma ascendência
religiosos. africana, e não apenas os ‘pretos’.”
(GUIMARÃES, A. S. A. Classes, raças e democracia. São
E reduzir as desigualdades Paulo: Editora 34, 2012.)
culturais.
Aprofundando
(ENEM 2017) Resolução
C) combater discriminações étnicas.
O Movimento Negro Unificado (MNU) e outras organizações negras no Brasil concentraram
sua luta no combate ao racismo estrutural e à discriminação racial, questionando o mito da
democracia racial. O movimento denunciava a exclusão social e econômica da população
negra e buscava construir uma identidade racial unificada para fortalecer a luta contra as
desigualdades. A ênfase, portanto, estava na superação das discriminações étnico-raciais.
Aprofundando Veja no livro!
(ENEM 2016) A alteração legal no Brasil A demanda da comunidade afro-
contemporâneo descrita no texto é brasileira por reconhecimento,
resultado do processo de: valorização e afirmação de direitos,
no que diz respeito à educação, passou
aumento da renda nacional. a ser particularmente apoiada com a
A promulgação da Lei 10.639/2003, que
alterou a Lei 9.394/1996, estabelecendo
a obrigatoriedade do ensino de História e
B mobilização do movimento
Cultura Afro-brasileiras e Africanas.”
negro.
C melhoria da infraestrutura
escolar.
D ampliação das disciplinas
obrigatórias. (Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das
Relações Étnico-raciais e para o Ensino de História e
Cultura Afro-brasileira e Africana. Brasília: Ministério da
E politização das universidades Educação, 2005.)
públicas.
Aprofundando
(ENEM 2016) A alteração legal no Brasil A demanda da comunidade afro-
contemporâneo descrita no texto é brasileira por reconhecimento,
resultado do processo de: valorização e afirmação de direitos,
no que diz respeito à educação, passou
aumento da renda nacional. a ser particularmente apoiada com a
A promulgação da Lei 10.639/2003, que
alterou a Lei 9.394/1996, estabelecendo
a obrigatoriedade do ensino de História e
B mobilização do movimento
Cultura Afro-brasileiras e Africanas.”
negro.
C melhoria da infraestrutura
escolar.
D ampliação das disciplinas
obrigatórias. (Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das
Relações Étnico-raciais e para o Ensino de História e
Cultura Afro-brasileira e Africana. Brasília: Ministério da
E politização das Educação, 2005.)
universidades públicas.
Aprofundando
(ENEM 2016) Resolução
B) mobilização do movimento negro.
A alteração da lei e obrigatoriedade do ensino de história e cultura afro-brasileiras é fruto da
mobilização do movimento negro que, com base na criação do Movimento Negro Unificado,
em 1978, já reivindicava a introdução da história da África e da população negra nos
currículos escolares.