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Reflexões sobre Setembro Amarelo

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*título: Setembro Amarelo*

*Carrego um relógio que anda pra trás, as horas me olham, mas nunca são iguais,
giram em espirais de vidro quebrado, escorregam das paredes e caem no meu
cabelo como chuva de Prata que não molha ou sai molhado, a cada minuto que
escapa parece rir de mim. As paredes respiram, o teto se inclina, o chão parece
firme mas não respira! Ele se curva como ondas que engolem meus passos, e eu
me pego caminhando por corredores que se multiplicam horrorizados,
coincidindo em portas que nunca vi abrir. Um suspiro se parte, um sorriso se
esconde, e os ecos se enredam no chão,* (desenhando caminhos que ninguém
responde e que não chamam atenção), *misturando lampejos que caem e se
dobram em tons que só à noite compreende ou talvez nem mesmo ela me
entende.*

*No bolso, guardo pedras de algodão, leves no corpo, pesadas no chão, cada uma
carregando memórias que são minhas e não são, segredos que o vento leva e
devolve em sussurros que ninguém ouve* (ou nunca responde) *coincidindo com
pensamentos que nunca escrevi,* (tendo o pressentimento de ouvir, sentir, ler, até
prever, mas não de escrever!). *O vento tem uma voz metálica, dizendo que tudo
se repete, que cada queda é reflexo de outra queda, mas dependendo do
momento, se tornar direta ou indireta, fala que cada riso perdido encontra riso que
não vi, e que ainda assim continuo tropeçando em minutos que se dissolvem
como açúcar no gelo, chuva que não toca, dor que coreógrafa, cores que caem
em planta morta e voltam sem avisar.* (Pois ela são assim: livres e difíceis de se
avistar.)

‘Vocês julgam! Mas eu ainda consigo enxergar, eu sou bela, eu sou fera, eu sou o
mar, quero me libertar dos meus pensamentos e talvez da minha própria
escuridão, me ajude Deus e diga que meu esforço não será em vão! Dá-me
coragem pra responder o áudio que me chamar ao anoitecer, quero me libertar de
tudo ... E finalmente ser uma planta morta que não vai mais sofrer.’

_E quem entenderia essa dor sem formato? Que cresce sozinha, que queima no
ato, que se dobra e se esconde nas curvas do peito? Ansiedade mastiga pedaços
de mim, depressão costura o começo no fim, e eu conto os segundos, pra não me
perder ou talvez pra não esquecer, mas eles se perdem em escadas que respiram,
portas que se inclinam que não admitiam, sombras que escorregam e se tornam
vozes que ninguém percebe. Já percebeu a internet sussurra?_ “ninguém vai
notar”, _e eu acredito, como uma besta boba de delírio, porque os espelhos
digitais só sabem medir sorrisos, contar lágrimas, demonstrando Famílias
distantes e amizades tão frias quanto o inverno,_ (isso por acaso é pra entreter
seu ego?)

_Sou uma casa sem porta, sou vidro embaçado,_ (estou morto ou enterrado?)
_sou rua vazia, sou carta que nunca foi lida, sou uma lixa que não foi usada ainda,
sou uma mensagem que se perdeu,_ (eu continuo tropeçando, posso continuar
culpando o chão ou o culpado sou eu?)

*Mas alguém chegou perto, perto o suficiente pra nem sequer bater e nem pedir,
olhou nos meus olhos, me fez repetir:* *“Eu ainda existo, eu não sou só ferida, há
cores guardadas na sombra da vida.” Por um instante, a solidão caiu como
máscara que ninguém recolheu* (correu!), *e a voz atravessou meu peito, fazendo
os minutos tropeçarem em si mesmos.* ‘O enigma é real, a dor tem começo, mas
não é o final, ainda que se disfarce de espiral infinita, ainda que se pinte de preto
no peito, ainda que o mundo gire ao contrário, repetindo rimas sem nenhum
respeito. O caos pode se transformar, se quebra, se ajeita, a vida ainda não vai
sumir, a pressão não vai te matar, só pede receita, pede paciência, pede mãos
invisíveis que segurem e massageia, pode tremer a cada coincidência que surge
diante de você, pois ela parece dizer o que mais precisa ver:’ “Você não está só,
mesmo quando tudo insiste em desaparecer.”

Setembro me veste com tom amarelo, me lembra que a dor não apaga o belo,
mesmo quando o sol finge que não nasce, há lampejos que se repetem nos
padrões de resgate, (coincidências cada vez maiores), o escuro ainda traz
pontes que não vejo mas que cabem em um bocejo. Mesmo no abismo há uma
linha (há sinal) “mesmo no abismo final?” *Eu aprendi que o buraco não é uma
morada profunda e estranha, que ele é ontem, hoje, amanhã e depois de amanhã,
eu escolho viver, sem engano tenho que abraçar o futuro,* (desenhar o humano
com minhas mãos, mesmo com linhas tortas), *manchas podem se espalham e
vozes podem se misturar sem querer, mas nada sair da minha cabeça que
(“’yellow september”’) está me mudando meu jeito de ser.*

*Esse é um final que pede que eu fique,*


pois sua beleza nunca precisou ser explicada de forma tão dedicada pra (eu
entender que) “não foi com palavras”,

‘era um mundo quebrado’ *que ainda assim* _era amarelo._

And in that yellow world, everything made sense.

(E nesse mundo amarelo, tudo fazia sentido.)”

(“Stay alive, the world still needs your light.”)

“Continue vivo, o mundo ainda precisa da sua luz”

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