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Evolução do SUS e Saúde no Brasil

Resumo do texto “SUS” – Profa. Clarice Medeiros O texto apresenta a história e os princípios do Sistema Único de Saúde (SUS), destacando sua origem, fundamentos legais e estrutura organizacional dentro do contexto histórico e político brasileiro. 1. Contexto histórico Durante a ditadura militar (1964–1985), o Brasil vivia um sistema de saúde fragmentado entre a medicina previdenciária (voltada aos trabalhadores formais) e a saúde pública, que atendia a população em geral. O regime priorizou a

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Evolução do SUS e Saúde no Brasil

Resumo do texto “SUS” – Profa. Clarice Medeiros O texto apresenta a história e os princípios do Sistema Único de Saúde (SUS), destacando sua origem, fundamentos legais e estrutura organizacional dentro do contexto histórico e político brasileiro. 1. Contexto histórico Durante a ditadura militar (1964–1985), o Brasil vivia um sistema de saúde fragmentado entre a medicina previdenciária (voltada aos trabalhadores formais) e a saúde pública, que atendia a população em geral. O regime priorizou a

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PROFA.

CLARICE MEDEIROS

sus
História
Ao longo da ditadura miliar (1964-1985), o que
tange propriamente ao sistema público de saúde,
o país vivia sob a duplicidade de um sistema
cindido entre a medicina previdenciária e a saúde
pública.

Os definidores das políticas militares objetivavam


a privatização de parte dos serviços médicos
estatais, então considerados inadequados por
não serem lucrativos.

Em sentido contrário, as políticas do período


deram continuidade à diretriz dos governos
anteriores de expansão da cobertura da
assistência médica previdenciária estatal às
camadas mais desfavorecidas.
História
o governo militar criou o Instituto Nacional de
Previdência Social (INPS), uniformizando os
benefícios de seus contribuintes e eliminando o
modelo de gestão tripartite (União, empregadores
e empregados).

Além de determinar a progressiva exclusão da


participação social na gestão da previdência, o
INPS passou a priorizar a contratação de serviços
privados para o atendimento de seus
beneficiários.

No que concerne à saúde pública, o período é


marcado pela instauração de uma crise de
recursos e pelo enfraquecimento da capacidade
de ação do Ministério da Saúde
História
APesar do crescimento ecônomico nacional, um
modelo econômico privilegiava o
desenvolvimento a partir da concentração da
riqueza.

A partir do final da década de 1970, a crise


econômica internacional proveniente do aumento
do preço do petróleo, iniciado em 1974, atingiu
fortemente o país.

Embora o governo continuasse, por alguns anos,


sustentando diversas iniciativas de investimento,
chegava ao fim o ciclo de forte crescimento
econômico, aspecto que favoreceria a ampliação
das tensões sociais e o surgimento de diversas
formas de mobilização popular por transformações
políticas e mudanças nas condições sociais. Esse
caldo de cultura daria origem aos primeiros
movimentos pelas reformas no campo da saúde.
História
No Ocidente capitalista, desfazia-se
progressivamente um relativo consenso acerca
dos papéis desempenhados pelo Estado como
ente produtivo, promotor do desenvolvimento e da
solidariedade social e provedor direto de serviços
considerados básicos, como a previdência social,
a saúde, a educação e a assistência social.

No que tange especificamente à saúde, os


diagnósticos realizados em escala continental, do
patrocínio da Organização Pan-americana da
Saúde (Opas), apontavam para um quadro
sanitário preocupante que combinava baixa
cobertura assistencial e disseminação de doenças
marcadamente da pobreza.
História
As formas indicadas para o enfrentamento do
quadro envolviam o planejamento e avaliação de
ações, o que implicava a instituição de unidades
especializadas nos ministérios e a gestão
adequada de estatísticas vitais e sanitárias; a
administração coordenada dos serviços de saúde,
com a articulação dos âmbitos nacional e local,
assim como a integração da prevenção com a
assistência curativa; e a ênfase na formação e
capacitação dos recursos humanos.

A nova forma de pensar a saúde compreendia a


busca de aumento da cobertura dos serviços. Essa
ideia-força foi capaz de organizar as pautas
institucionais, ao mesmo tempo em que se
registrava o aumento das críticas às intervenções
de tipo vertical, orientadas por doença, e à
medicina curativa centrada na instituição
hospitalar e no uso crescente de tecnologias
complexas.
História
No contexto brasileiro, esses debates em torno da
saúde ocorreram em um cenário de grandes
transformações políticas e sociais.

No que concerne diretamente à saúde, o período


atestou maior articulação no âmbito o MS, que
ampliou o repasse de verbas para os estados e
passou a desenvolver projetos verticais
direcionados ao controle de algumas doenças,
como a hanseníase, a tuberculose e o câncer
(Braga, Paula, 1986).
História
É importante ressaltar que o progressivo
desenvolvimento de ações no campo da saúde
com o objetivo de melhorar o atendimento e
diminuir o gasto com recursos tendia a demandar
quadros técnico-científicos nem sempre
imediatamente disponíveis nas agências estatais.

Dessas novas posições nas agências estatais,


esses membros do nascente movimento sanitário
brasileiro – orientados ideologicamente à
esquerda e favoráveis à prestação estatal de
serviços de saúde – procuraram introduzir
mudanças progressivas nas bases de organização
do sistema de saúde do país.
História
a Abrasco e o Cebes defenderam participação
social; no lugar de políticas de controle das
doenças, notadamente transmissíveis, a promoção
da saúde e melhoria da qualidade geral de vida;
no lugar de um setor dividido entre saúde pública
e medicina previdenciária, um sistema unificado e
universal.

Nos anos 80, além do fato de a crise econômica e


o desemprego diminuírem sensivelmente as
receitas previdenciárias, a crise também
relacionava-se à ampliação da cobertura da
assistência médica e previdenciária. A inexistência
de financiamento adequado e o modelo de
compra de serviços privados, altamente custoso,
eram fonte de crescente deficit.
História
A resposta dos técnicos do Instituto Nacional de
Assistência Médica da Previdência Social (Inamps)
para a crise materializou-se em medidas que
buscavam diminuir as despesas com os contratos
com o setor privado e ampliar as ações do setor
público.

O principal conjunto dessas medidas foi


denominado Ações Integradas de Saúde (AIS) que,
com base em mecanismos de regionalização e
hierarquização, procurou interligar a rede pública
nas esferas federal, estadual e municipal.

A Conferência de Alma-Ata, 1978 que abordou o


tema “Cuidados Primários de Saúde”, se
consolida como um marco ao trazer a discussão
sobre a reestruturação dos sistemas de saúde
segundo a lógica de Redes de Atenção à Saúde.
História
Em 1985, com a eleição indireta do então senador
Tancredo Neves e posse de seu vice,
José Sarney – em virtude da morte do primeiro –, o
regime militar encerra-se.

Com seu fim, também desfazem-se algumas de


suas estruturas políticas autoritárias. O processo
de redemocratização, no entanto, transcorre em
meio a uma crise econômica, que leva a planos
econômicos emergenciais que visavam tirar o país
da hiperinflação e fomentar o crescimento
econômico.
História
Em outubro de 1988, com a promulgação da nova
Constituição Federal, completa-se o processo de
retorno do país ao regime democrático.

No contexto de busca de implantação de um


estado de bem-estar social, a nova carta
constitucional transformava a saúde em direito de
cidadania e dava origem ao processo de criação
de um sistema público, universal e
descentralizado de saúde.

Transformava-se, então, profundamente a


organização da saúde pública no Brasil.
A criação do SUS
Após a aprovação do SUS e da Lei Orgânica da Saúde
(1990), profundas mudanças econômicas, políticas e na
esfera pública viriam a ocorrer.

A Lei 8.080/90 é a Lei Orgânica da Saúde, que


regulamenta o funcionamento do Sistema Único de
Saúde (SUS) no Brasil, definindo que este sistema
abrange ações e serviços de saúde sob a
responsabilidade de pessoas físicas e jurídicas, públicas
e privadas.

A lei estabelece os princípios e diretrizes do SUS,


garantindo que a saúde seja um direito universal, e
abrange a vigilância sanitária, epidemiológica e
ambiental, a assistência terapêutica e farmacêutica,
além de outras ações e serviços.
Principios e diretrizes
do SUS
Universalidade integralidade de
Equidade, entendida
de acesso aos assistência, entendida como
como atender as pessoas
serviços de saúde conjunto articulado e contínuo
com necessidades
em todos os das ações e serviços
diferentes de maneiras
níveis de preventivos e curativos,
diferentes)
assistência individuais e coletivos

preservação da descentralização proteção integral dos


autonomia das político- direitos humanos de
pessoas na defesa de administrativa, com todos os usuários
sua integridade física e direção única em cada
moral; esfera de governo atenção humanizada
A criação do SUS
Lei nº 8.142/1990

É um marco fundamental para o Sistema Único de Saúde


(SUS) no Brasil, pois estabelece a participação da
comunidade na gestão da saúde através da criação dos
Conselhos e Conferências de Saúde, além de
regulamentar as transferências intergovernamentais de
recursos financeiros para a área da saúde.

A Lei nº 15.126/2025, sancionada em 28 de abril de


2025, altera a Lei nº 8.080/1990 (Lei Orgânica da Saúde)
e estabelece a atenção humanizada como um princípio
legal do Sistema Único de Saúde (SUS). Esta nova norma
busca reforçar o acolhimento, o respeito à dignidade e
os direitos dos pacientes, fortalecendo a relação entre
profissionais e usuários do serviço público de saúde no
Brasi
Rede de atenção à
saúde
As Redes de Atenção à Saúde (RAS) são arranjos organizativos de serviços de saúde
que integram ações e serviços para garantir um cuidado contínuo, integral e de
qualidade aos usuários.

Coordenadas pela Atenção Primária à Saúde (APS), as RAS organizam o acesso aos
diferentes pontos de atenção (como hospitais e serviços especializados) e sistemas
de apoio, como diagnóstico e informação, para responder às necessidades de saúde
da população
Rede de atenção à
saúde
As Redes de Atenção à Saúde (RAS) são arranjos organizativos de serviços de saúde
que integram ações e serviços para garantir um cuidado contínuo, integral e de
qualidade aos usuários.

Coordenadas pela Atenção Primária à Saúde (APS), as RAS organizam o acesso aos
diferentes pontos de atenção (como hospitais e serviços especializados) e sistemas
de apoio, como diagnóstico e informação, para responder às necessidades de saúde
da população.

A organização dos três níveis de atenção (Primária, Secundária e Terciária) funciona


como uma triagem, direcionando o paciente para o nível de cuidado adequado à sua
condição. Isso garante que o paciente receba o tratamento necessário no local e
momento certo dentro do Sistema Único de Saúde.
Rede de atenção à
saúde
A Atenção Primária à Saúde (APS) inclui serviços de promoção, prevenção, proteção, diagnóstico,
tratamento, reabilitação e cuidados paliativos, abrangendo ações de saúde individuais e coletivas.

Estes serviços (UBS, NSF, Consultório de rua, visitas domicilares, CAPS, etc) são oferecidos em
centros de saúde por equipes multiprofissionais, com foco na saúde da mulher, criança,
adolescente e adulto/idoso, incluindo saúde bucal, vacinação, acompanhamento de doenças
crônicas, educação em saúde e visitas domiciliares, além de ser a porta de entrada para o sistema
de saúde.

Considerando a posição estratégica que a APS ocupa em um modelo de atenção à saúde que
organiza seus serviços a partir do território em que eles se inserem, adaptando os serviços às
necessidades da população, e não o contrário; o nível primário é fundamental no planejamento de
ações em saúde mental eficazes e humanizadas, que estejam de acordo com os princípios do SUS e
da Reforma Psiquiátrica, tendo sempre a desinstitucionalização e a autonomia do usuário como
horizonte na construção de um modelo de assistência que compreenda os fenômenos de saúde e
adoecimento como determinados por múltiplos fatores e por múltiplos agentes
Rede de atenção à
saúde
No nível secundário de atenção à saúde estão as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs),
os hospitais e outras unidades de atendimento especializado ou de média complexidade.
Nesses estabelecimentos podem ser realizados procedimentos de intervenção, tratamento
de situações crônicas e de doenças agudas.

No nível terciário de atenção à saúde estão os hospitais de grande porte (alta


complexidade), subsidiados pela esfera privada ou pelo estado. Nessas instituições podem
ser realizadas manobras mais invasivas, caso haja necessidade, intervindo em situações nas
quais a vida do usuário do serviço está em risco.
Resumo

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