Política de Saúde Integral da Criança
Política de Saúde Integral da Criança
PUERICULTURA
1. Recusa alimentar (a criança não consegue
beber ou mamar);
DEFINIÇÃO 2. Vômitos importantes (ela vomita tudo o que
Puericultura é a consulta periódica de uma criança ingere);
feita com o propósito de avaliar seu crescimento e 3. Convulsões ou apneia (a criança fica em torno
desenvolvimento de maneira próxima. Durante de 20 segundos sem respirar);
essas consultas deve-se realizar orientações 4. Frequência cardíaca abaixo de 100bpm;
educativas, ações de promoção da saúde, ações 5. Letargia ou inconsciência;
relacionadas à prevenção de doenças e observação 6. Respiração rápida (acima de 60 irpm);
dos riscos e vulnerabilidades sob a qual está 7. Atividade reduzida (a criança movimenta-se
submetida a respectiva criança. Além disso, é papel menos do que o habitual);
da puericultura observar fatores de risco e 8. Febre (37,5°C ou mais);
vulnerabilidades que cercam as diferentes fases do 9. Hipotermia (menos do que 35,5°C);
processo de crescimento e desenvolvimento da 10. Tiragem subcostal;
criança. 11. Batimentos de asas do nariz;
FREQUÊNCIA DE CONSULTAS 12. Cianose generalizada ou palidez importante;
Nos primeiros 2 anos de vida as consultas são mais 13. Icterícia visível abaixo do umbigo ou nas
frequentes devido ao processo de crescimento e primeiras 24 horas de vida;
desenvolvimento ser mais intenso, por isso: 14. Gemidos;
1. No 1° ano de vida: É recomendado um 15. Fontanela (moleira) abaulada;
mínimo de 7 consultas de rotina, uma na 16. Secreção purulenta do ouvido;
primeira semana e no 1°/2°/4°/6°/9° e 12° 17. Umbigo hiperemiado (hiperemia estendida à
mês. pele da parede abdominal) e/ou com secreção
2. No 2° ano de vida: Deve se ter um mínimo purulenta (indicando onfalite);
de 2 consultas de rotina: no 18°e 24° mês. 18. Pústulas na pele (muitas e extensas);
Observação: A partir dos 2 anos de idade as 19. Irritabilidade ou dor à manipulação.
consultas podem se tornar anuais. Além da FREQUÊNCIA RESPIRATÓRIA
oportunidade de avaliar o desenvolvimento da
criança, tal organização da frequência de consultas
adotada pelo Ministério da Saúde toma como base
o calendário de vacinação, permitindo a verificação
do cartão vacinal em meses oportunos: ao
nascimento, com 1, 2, 3, 4, 5, 6, 12 e 15 meses.
OBJETIVOS DA PRIMEIRA CONSULTA
1. Observar as relações familiares; 1ª CONSULTA - FATORES DE RISCO:
2. Facilitar o acesso ao serviço de saúde; - Antecedentes mater nos: Diabetes,
3. Possibilitar ou fortalecer o vínculo das famílias Hipertensão, Obesidade, Doenças infecciosas e
com as equipes de saúde; Drogas.
4. Escutar e oferecer suporte emocional nessa - Contexto Socioeconômico: Residência,
etapa de crise vital da família; escolaridade, renda familiar.
5. Estimular o desenvolvimento da parentalidade; - Antecedentes Obstétricos: Paridade,
6. Orientar a família sobre os cuidados com o Malformações, Prematuridade, Doenças na
bebê; gestação.
7. Identificar sinais de depressão puerperal; - Sintomas Atuais: Irritabilidade, Vômitos,
8. Promover o aleitamento materno exclusivo até diarreia, recusa alimentar.
o 6° mês de vida; - Parto e Nascimento: Tipo, local, peso ao
9. Prevenir lesões não intencionais; nascer, APGAR, Intercorrências
10. Identificar sinais de perigo à saúde da criança. - Outros: Amamentação, Vacinas, Sono,
SINAIS DE ALARME Eliminação Vesical e intestinal.
Em todas as visitas domiciliares, é fundamental que APGAR
o profissional de saúde saiba identificar sinais de É um dos métodos mais utilizados para a avaliação
perigo à saúde da criança. São sinais que indicam a imediata do recém-nascido (RN), principalmente,
necessidade de encaminhamento da criança ao no primeiro e no quinto minutos de vida.
serviço de referência com urgência: SINAIS
Maria Vitória de Sousa Santos
ORIENTAÇÕES
Maria Vitória de Sousa Santos
ALEITAMENTO MATERNO
• Promova e apoie o aleitamento materno
exclusivo;
• A criança que é alimentada somente com
leite materno até os 6 meses de vida;
• Apresenta menor morbidade;
• Orientar a livre demanda (frequência e
duração);
• Não prescrever suplementação desnecessária
com outros leites;
• Formação ou o fortalecimento do vínculo
entre os pais e o bebê.
CUIDADOS COM O RECÉM-NASCIDO
1. Orientar lavagem de mãos por todas as
pessoas que tem contato com o bebê;
2. Oriente a família de modo a não permitir
que pessoas fumem dentro de casa;
3. Banho, troca de fraldas, assaduras e
cuidados com o coto umbilical.;
4. Importância da posição supina (proteção
contra a morte súbita do lactente);
5. Uso Chupetas;
6. Prevenção de acidentes;
7. Verificar Calendário.
DESENVOLVIMENTO
Refere-se às mudanças qualitativas, tais como
aquisição e o aperfeiçoamento de capacidades
e funções, que permitem à criança realizar
coisas novas, progressivamente mais complexas,
com uma habilidade cada vez maior.
1. Crescimento: O crescimento termina em MONITORIZAÇÃO E AVALIAÇÃO DO
determinada idade, quando esta alcança a
CRESCIMENTO
sua maturidade biológica.
2. Desenvolvimento: O desenvolvimento é
um processo que acompanha o homem
através de toda a sua existência.
DESENVOLVIMENTO MOTOR
O desenvolvimento motor é a capacidade de
realizar movimentos por própria vontade e é
dividido em duas áreas: motor grosso e motor
fino.
1. Motor grosso: compreende a maturação
da postura, o equilíbrio da cabeça, sentar,
engatinhar, ficar de pé e o andar.
2. Motor fino: incluem o emprego das mãos
e dedos na preensão de objetos, tais como
apanhar, alongar, empilhar objetos.
MARCOS DO DESENVOLVIMENTO
1. Desenvolvimento Motor
2. Linguagem e comunicação
3. Desenvolvimento Social
Maria Vitória de Sousa Santos
CONDUTAS RECOMENDADAS as intercorrências infecciosas, os cuidados
A seguir, serão apresentadas algumas com a criança, o afeto e a higiene.
considerações sobre o manejo de situações de 2. Trate as intercorrências clínicas, se houver.
desvio no crescimento da criança com até 5 3. Encaminhe a criança para atendimento no
anos de idade. Nasf.
SOBREPESO OU OBESIDADE 4. Encaminhe a criança para o serviço social,
1. Verifique a existência de erros alimentares, se este estiver disponível.
identifique a dieta da família e oriente a 5. Oriente a família para que a criança realize
mãe ou o cuidador a administrar à criança nova consulta com intervalo máximo de 15
uma alimentação mais adequada, de dias.
acordo com as recomendações para uma
alimentação saudável para a criança.
2. Verifique as atividades de lazer das
crianças, como o tempo em frente à
televisão e ao videogame, estimulando-as a
realizar passeios, caminhadas, andar de
bicicleta, praticar jogos com bola e outras
brincadeiras que aumentem a atividade
física.
3. Encaminhe a criança para o Nasf, se tal
possibilidade estiver disponível.
4. Realize a avaliação clínica da criança.
MAGREZA OU PESO BAIXO PARA A IDADE
Para crianças menores de 2 anos:
1. Investigue possíveis causas, com atenção
especial para o desmame.
2. Oriente a mãe sobre a alimentação
complementar adequada para a idade.
3. Se a criança não ganhar peso, solicite seu
ac o m p an h am en to n o Nas f, s e tal
possibilidade estiver disponível.
4. Oriente o retorno da criança no intervalo
máximo de 15 dias.
Para crianças maiores de 2 anos:
1. Investigue possíveis causas, com atenção
especial para a alimentação, para as
intercorrências infecciosas, os cuidados
com a criança, o afeto e a higiene.
2. Trate as intercorrências clínicas, se houver.
3. Solicite o acompanhamento da criança no
Nasf, se tal possibilidade estiver disponível.
4. Encaminhe a criança para o serviço social,
se isso for necessário.
5. Oriente a família para que a criança realize
nova consulta com intervalo máximo de 15
dias.
MAGREZA ACENTUADA OU PESO MUITO
BAIXO PARA A IDADE
1. Investigue possíveis causas, com atenção
especial para o desmame (especialmente
para os menores de 2 anos), a alimentação,
Maria Vitória de Sousa Santos
PREMATURIDADE
permanecer um período mais prolongado na
UTI Neonatal. Utiliza a incubadora até
estabilização de seu quadro clinico e ganho de
peso; acesso venoso periférico ou central:
nutrição parenteral ou por sonda (enteral);
suporte respiratório.
FATORES DE RISCO
1. Parto prematuro anterior;
2. Hipertensão;
3. Diabetes gestacional;
4. Estresse;
5. Sobredistenção uterina;
6. Rotura prematura de membranas ovulares;
7. Infecções;
8. Miomas;
INTRODUÇÃO 9. Malformações uterinas;
• A prematuridade é um dos fatores determinantes 10. Gestação indesejada;
mais importantes da mortalidade infantil. No 11. Descolamento de placenta;
Brasil corresponde a 11,5% do total de 12. Assistência pré-natal inadequada.
nascimentos. SINAIS DE ALERTA PARA UM PARTO
• O baixo peso ao nascer (‹ 2.500 g) é o fator de
PREMATURO
risco isolado mais importante para a mortalidade
1. Pressão alta;
infantil.
2. Febre;
• A maior parte das mortes infantis ocorre nos
3. Perda de líquido amniótico:
primeiros dias de vida da criança, por causas
4. Dores lombares;
consideradas evitáveis, como infecção, asfixia ao
5. Inchaço das mãos e rosto;
nascer complicações da prematuridade.
6. Pressão em região pélvica.
• O bebê prematuro é um bebê que nasceu depois da
20° semana e antes de completar 37 semanas de PECULIARIDADES DO PREMATURO
gestação, e por isso, ele apresenta alguns sistemas - Fica internado na UTIN por alguns dias;
do corpo ainda imaturos, que precisam de - Utiliza o oxigênio para respirar melhor;
cuidados especiais para que ele possa crescer e se - Utiliza sonda para sua alimentação;
desenvolver da melhor maneira possível. - Fica na incubadora ou berço aquecido para
• A prematuridade tem repercussões a curto e a manter a temperatura;
longo prazo. - Utiliza de algumas medidas de prevenção para
evitar infecções (Ex: uso de antibiótico);
GRAUS DE PREMATURIDADE - As vezes faz-se necessário a reanimação
1. Prematuro Limítrofe: Nascido entre 34 e
neonatal;
36 semanas. -
- Podem apresentar apneia; dificuldades na Doenças pulmonares (Doença da membrana
hialina, hipertensão pulmonar, pneumotórax);
sucção e deglutição; dificuldades para - Doenças metabólicas (Hipoglicemia,
respirar; icterícia; distúrbios metabólicos
hiperglicemia, hipercalcemia, hipocalcemia);
como hipoglicemia. - Icterícia da prematuridade;
2. Prematuro Moderado: Nascido entre 29 e - Doenças genéticas;
33 semanas. -
- O bebê pode ter sinais importantes de Malformações congênitas.
prematuridade (problemas respiratórios, OS CUIDADOS COMEÇAM NA SALA DE
neurológicos, cardíacos) podendo necessitar PARTO
de mais suporte ou cuidados intensivos na • Deve ser recepcionado em campos aquecidos;
UTI Neonatal. Pulmão mais imaturo, • Equipe completa com material de reanimação
podendo ser necessário suporte respiratório ou neonatal;
entubação. • Vaga de UTI.
3. Prematuro Extremo: Até 28 semanas de CRITÉRIOS DE ALTA DA MATERNIDADE
gestação. 1. Estabilidade fisiológica: Alimentar-se
- Seus órgãos principais (coração, pulmão, rins) exclusivamente VO, sem engasgo, cianose ou
não estão desenvolvidos e, por isso, necessitará dispneia, com ganho de peso adequado (20g/
Maria Vitória de Sousa Santos
dia). Manter temperatura corporal normal, em 4. Hib: Os prematuros devem receber reforço de
berço comum. Função cardiorrespiratória HiB aos 15 meses de idade, junto com a DTP,
estável, sem apneia ou bradicardia. VOP, Hepatite A e Tetra viral.
2. No método Canguru: A mãe segura e • Quadros graves de Bronquiolite no Outono/
família consciente dos cuidados (incluindo a inverno: Imunização passiva com anticorpo
posição canguru) peso mínimo de 1.600 g (PALVZUMABE)
primeira consulta em até 48h, uma vez por • B e b ê s d e r i s c o p a r a m a i o r g r av i d a d e
semana até atingir 2500 g. (Hospitalização e Oxigênio):
MÉTODO CANGURÚ - Durante a sazonalidade em Santa Catarina:
• Contato pele a pele entre os pais e o bebê que, março à agosto.
além de estabelecer o afeto e segurança, favorece - RNPT com IG menor até 28 sem e 6d (no
o desenvolvimento neuropsicomotor, ganho de primeiro ano de vida).
peso e contribui para a defesa imunológica - RNPT com Displasia Broncopulmonar (1° e
quando necessário, no 2° ano).
CUIDADOS PÓS ALTA - Bebês com Cardiopatia Congênita Cianótica
1. No banho usar sabonete neutro, evitar talco e
ou Cardiopatia Congênita e Hipertensão
perfumes;
Pulmonar com repercussão hemodinâmica
2. Roupa adequada ao clima local;
(até 2 anos).
3. Evitar aglomerações;
4. Vacinas atualizadas; RETINOPATIA DA PREMATURIDADE
5. Incentivo ao aleitamento materno. • Prematuros abaixo de 32 semanas e ou 1500g.
• Prematuros > 32 semana, que necessitaram
ACOMPANHAMENTO AMBULATORIAL
Oxigenioterapia.
Cálculo da idade Gestacional Corrigida
• Avaliações iniciam entre a 4ª e a 6ª semana de
(IGC):
vida pós-natal.
T (tempo em semanas e dias) = 40 semanas - idade
• Seguimento confor me orientação do
Gestacional
Oftalmologista.
IGC = Idade Cronológica -T
• Retinopatia: identificação precoce e tratamento
Exemplo:
(Laser).
Bebê nascido de 32 semanas, que no dia da
consulta está com 6 meses. ACOMPANHAMENTO DA SAÚDE AUDITIVA
T = 40 sem - 32 sem => T = 8 semanas • Emissões otoscústicas (EOA) teste da orelhinha.
IGC = Idade cronológica atual - T • TANU: Triagem Auditiva Neonatal Universal.
IGC= 6 meses - 8 semanas (2 meses) = 4 meses. • Prematuros e outros bebês de Alto Risco para
perda auditiva.
VACINAÇÃO
• Encaminhamento ao Programa de Saúde
• Orientação vacinal para os bebês Prematuros é
Auditiva (SASA).
conforme a Idade Cronológica.
• EOA repetida após a alta.
• Imunizações do calendário nor mal PNI
• Outros exames: Potencial Evocado Auditivo
(Programa Nacional de Imunizações);
(PEATE OU BERA)
• Alguns bebês Imunoproteção específica;
• Identificação precoce - Implante coclear -
• Normativas vigentes no Centro de referência em
Protetização
imunobiológicos especiais - CRIE.
• Pe d i at r a s - O t o r r i n o l a r i n g o l o g i s t a
PARTICULARIDADES NA VACINAÇÃO -Fenoaudólogos
1. BCG: Só pode ser aplicada em RN com peso • Comportamento auditivo e desenvolvimento da
maior ou igual a 2.000 g. Assim, o bebê que fala/linguagem.
nascer com ‹ 2 kg deve ter a BCG adiada ate
DEFICIÊNCIAS DE MICRO-NUTRIENTES
atingir o peso adequado.
• Prematuros precisam de suplementação de
2. Hepatite B: As crianças com peso de
vitaminas e minerais: Ferro, Zinco, Vitaminas A,
nascimento ≤ 2.000 g ou idade gestacional (IG)
D e C, em doses profiláticas e por períodos
< 33 semanas devem receber além da dose de
adequados, de acordo com o peso de nascimento
vacina ao nascer (nas primeiras 12 horas de
e IG.
vida), mais 3 doses da vacina. Isto é, no total
recebem 4 doses: com 0, 2, 4 e 6 meses. ANEMIA DA PREMATURIDADE
3. DTP: Recém-nascidos prematuros com <31 • Além de transfusão de sangue na UTI neonatal,
semanas e/ou < 1.000 g devem ter a vacinação pode precisar de suplementação de ferro em
postergada ou receber a DTPa. doses terapêuticas.
Maria Vitória de Sousa Santos
• A suplementação profilática de Ferro se inicia
mais precoce e em doses maiores quanto menor o
for peso de nascimento:
1. Baixo Peso (<2500g);
2. Muito Baixo Peso (<1500g);
3. Extremo Baixo Peso (<1000g).
AMAMENTAÇÃO
• Na amamentação, o bebê recebe os anticorpos da
mãe para proteção contra diarréia e diversos
t i p o s d e i n f e c ç õ e s, p r i n c i p a l m e n t e a s
respiratórias;
• O leite materno diminui as chances do bebê
desenvolver alergias, colesterol alto, diabetes e
obesidade;
• O aleitamento materno também ajuda a criança
a d e s e n v o l v e r - s e b e m , fi s i c a m e n t e e
emocionalmente;
• É um excelente exercício para o desenvolvimento
da face e da fala;
• É importante para que a criança, tenha dentes
fortes e alinhados e também para que o bebê
tenha uma boa respiração.
Maria Vitória de Sousa Santos
IMUNIZAÇÕES
• Se baseia na adequada e suficiente resposta
do sistema imunológico contra a ação de um
agente infeccioso.
• Em geral, é o objetivo final da administração
de imunobiológicos, os quais podem induzir
mecanismos de resposta celular e humoral,
produzindo a imunidade contra agentes
infecciosos como vírus e bactérias, ou a
administração direta de anticorpos contra
uma infecção específica.
• Na maioria dos casos, no primeiro contato
com um agente infeccioso (primo infecção), o
sistema imune não possui anticorpos
específicos para impedir a infecção ou o
desenvolvimento da doença, sendo necessário
o decorrer de alguns dias até que os linfócitos
B produzam as imunoglobulinas (resposta
humoral) das classes IgM (inespecífica) e IgG
(específica).
• Nessa mesma situação, os Linfócitos T são
estimulados a produzir células de memória
(resposta celular), que atuarão
desencadeando, prontamente, a resposta
imune celular em caso de reinfecção, através
da secreção de citocinas, ativação de
macrófagos e linfócitos B, recrutamento de
outras células imunes e indução do processo
inflamatório.
Maria Vitória de Sousa Santos
imunidade prontamente. Por não haver o
reconhecimento do antígeno, não ocorre a
ativação de célula de memória. Algumas
semanas após, o nível de anticorpos
diminui, o que dá a esse tipo de imunidade
um caráter temporário. Ex: Leite materno,
soros.
VACINAS ATENUADAS X INATIVADAS
As vacinas virais podem ser classificadas como
atenuadas e inativadas.
1. Vacinas atenuadas: Contêm agentes
infecciosos vivos, mas enfraquecidos. A
vacina atenuada é aquela em que o vírus
encontra-se ativo, porém, sem capacidade
de produzir a doença (exemplos: caxumba,
febre amarela, poliomielite oral - VOP,
rubéola, sarampo, varicela).
2. Vacinas inativadas: Usam agentes
mortos ou apenas partículas deles. Os
componentes dessas vacinas são chamados
de antígenos e têm como função reduzir ao
máximo o risco de infecção ao estimular o
sistema imune a produzir anticorpos, de
forma semelhante ao que acontece quando
somos expostos aos vírus, porém, sem
causar doença.
TIPOS DE IMUNIZAÇÃO CONTRAINDICAÇÕES DA VACINA
A imunização se subdivide em: 1. Sim: Reação anafilática imediata do
1. Imunização ativa: Neste tipo de componente da vacina. Espécies das
imunização, a imunidade decorre após o vacinas vivas.
contato com um antígeno ou agente 2. Adiamento: Doença febril aguda > 37,5
infeccioso, seja por uma infecção natural, C°. Uso da hemoderivados ou
seja induzida pela vacinação. Quando a Imunoderivados. Usa de imunossupressores
imunização decorre de uma infecção ou corticoidas em dose imunossupressora.
natural, a imunidade gerada é denominada 3. Não: Resfriado leves, Desnutrição,
de imunidade ativa natural. Em paralelo, a Prematuridade, corticoides tópicos ou em
resposta imune induzida por vacinas dose baixa, Reação local à vacina, História
estimula o sistema imune a produzir familiar de reações graves à vacina.
anticorpos específicos sem causar a doença BCG
no indivíduo, gerando a imunidade ativa • A vacina BCG (Bacilo Calmette-Guérin) é
de modo artificial. Tanto a imunização uma vacina que garante proteção contra
natural quanto a artificial geram tuberculose, em especial as formas mais
imunidade duradoura, que pode durar por graves da doença, como a meningite
toda a vida. tuberculosa e tuberculose miliar.
2. Imunização Passiva: Decorre da • Deverá ser aplicada o mais precocemente
administração ou transferência de passível, de preferência ainda na
anticorpos contra antígenos ou agentes maternidade, em recém-nascidos com peso >
infecciosos específicos. Ao contrário da 2kg,
imunização ativa, a imunidade passiva é • Via intradérmica braço direito (Inserção do
imediata, ou seja, administram-se deltoide)
anticorpos prontos, que conferem a
Maria Vitória de Sousa Santos
• Na ausência de cicatriz não é necessário aos 2, 4 e 6 meses de vida, incluídas na
revacinar. vacina pentavalente de células inteiras.
A vacina deve ser adiada nos seguintes casos: • Via Intramuscular (IM)-Vasto lateral da coxa
1. Recém-nascidos com menos de 2.000 g, até • Individuo vacinado -› anti-HBs (marcador de
que atinjam esse peso. vacinação)
2. Pacientes em uso de outras terapias Contraindicações
imunodepressoras (quimioterapia • R e a ç ã o a n a fi l á t i c a e p ú r p u r a
antineoplásica, radioterapia, entre outros). trombocitopênica (Prévia).
3. Até três meses após o tratamento com PENTAVALENTE
imunodepressores, imunomoduladores ou • A vacina pentavalente é a combinação de
corticosteroides em dose elevada. cinco vacinas individuais em uma.
Contraindicações • A vacina pentavalente garante a proteção
1. Portadores de imunodeficiência primária contra a difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e
ou adquirida. contra a bactéria haemophilus influenza tipo b,
2. Pacientes acometidos por neoplasias responsável por infecções no nariz, meninge
malignas. e na garganta.
3. P a c i e n t e s e m t r a t a m e n t o c o m • Público alvo: A vacina pentavalente é
c o r t i c o s t e ro i d e s e m d o s e e l ev a d a aplicada nas crianças aos dois, quatro e seis
(equivalente à dose de prednisona de 2 meses de idade.
mg/kg/dia para crianças até 10 kg ou de • Os reforços e/ou complementações em
20 mg/dia ou mais, para indivíduos acima crianças a partir de 1 ano são realizados com
de 10 kg) por período superior a duas a vacina adsorvida difteria, tétano e pertússis
semanas. (DTP).
4. Recém-nascidos de mães que utilizaram DTP
durante os dois últimos trimestres da • A vacina combinada de DTP e Hib é
gestação drogas imunomoduladoras que também chamada tetravalente, já que
atravessam a barreira placentária. protege, ao mesmo tempo, contra difteria,
5. Gestantes. tétano e coqueluche.
Evolução da lesão • Recomenda-se três doses: com dois, quatro e
seis meses de vida.
• Via IM- Vasto lateral da coxa.
• Caso o esquema não possa ser cumprido,
recomenda-se completá-lo até os 12 meses.
Contraindicações:
- Maiores de 7 anos.
- Crianças que apresentaram encefalopatia
nos sete dias que se seguiram à aplicação de
d o s e a n t e r i o r d e va c i n a c o n t e n d o
componente pertussis.
- A n a fi l a x i a c a u s a d a p o r q u a l q u e r
componente da vacina.
Reações locais e/ou regionais VORH
- Granuloma; • Tem como objetivo reduzir incidência de
- Úlcera; formas graves (hospitalizações por diarreia
- Abscesso; por rotavírus).
- Linfadenopatias regionais. • Administração via oral.
HEPATITE B 1. 1° dose: Só pode ser feita até 3 meses e 15
• Aplicar a l° dose nas primeiras 12 ou 24 dias.
horas de vida. 2. 2° dose: Só pode ser feita até 7 meses e 29
• Esquema de quatro doses: uma dose em dias.
formulação isolada ao nascimento e doses Contraindicação:
Maria Vitória de Sousa Santos
• Crianças fora da faixa etária citada acima; algum de seus componentes, contraindica
com deficiências imunológicas por doença ou doses futuras.
uso de medicamentos que causam Esquemas de doses:
imunossupressão; com alergia grave (urticária • A imunização contra a poliomielite deve ser
disseminada, dificuldade respiratória e iniciada a partir dos 2 meses de vida, com
choque anafilático) provocada por algum dos mais duas doses aos 4 e 6 meses, além dos
componentes da vacina ou por dose anterior reforços entre 15 e 18 meses e aos 5 anos de
da mesma; e com doença do aparelho idade.
gastrintestinal ou história prévia de • VIP – Na rotina de vacinação infantil: aos 2,
invaginação intestinal. 4 e 6 meses, com reforços entre 15 e 18 meses
Esquema de doses: e entre 4 e 5 anos de idade. Na rede pública
1. VRH1 – Para crianças a partir de 6 as doses, a partir de um ano de idade, são
semanas de idade: em duas doses, com feitas com VOP.
intervalo mínimo de quatro semanas. • VOP – Na rotina de vacinação infantil nas
Esquema padrão: 2 e 4 meses de idade. Unidades Básicas de Saúde, é aplicada nas
2. VRH5 – Para crianças a partir de 6 doses de reforço dos 15 meses e nos 4 anos de
semanas de idade: três doses, com intervalo idade e em campanhas de vacinação para
mínimo de quatro semanas. Esquema crianças de 1 a 4 anos.
padrão: 2, 4 e 6 meses de idade. Via de aplicação:
Observação: Nunca reaplicar (mesmo que a 1. VOP – Oral.
criança cuspa, vomite ou regurgite). 2. VIP – Intramuscular.
VOP - SABIN / VIP Observação: Revacinar caso a criança,
• Vacina contra poliomelite. cuspa, vomite ou regurgite (apenas 1x).
• Poliovírus atenuado (bivalente). FEBRE AMARELA
• Administração por via oral. Indicação:
1. Vacina Oral Poliomielite (VOP) – É Pessoas a partir de 9 meses de idade. 4 anos
uma vacina oral atenuada bivalente, ou dose de reforço.
seja, composta pelos vírus da pólio tipos 1 e Contraindicações:
3, vivos, mas “enfraquecidos”. • Crianças abaixo de 6 meses de idade.
2. Vacina Inativada Poliomielite (VIP) – • Indivíduos infectados pelo HIV,
Por ser inativada, não tem como causar a sintomáticos e com imunossupressão
doença. É uma vacina trivalente e grave comprovada por exame de
injetável, composta por partículas dos vírus laboratório.
da pólio tipos 1, 2 e 3. • Pessoas com imunodepressão grave por
Contraindicação: doença ou uso de medicação.
1. VOP • Pacientes que tenham apresentado
- Gestantes; doença neurológica desmielinizante no
- Pessoas que sofreram anafilaxia após o período de seis semanas após a aplicação
uso de componentes da fórmula da vacina de dose anterior da vacina.
(em especial os antibióticos neomicina, • Gestantes, salvo em situações de alto
polimixina e estreptomicina); risco de infecção, o que deve ser avaliado
- Pessoas que desenvolveram a pólio vacinal pelo médico;
após dose anterior; • Mulheres amamentando bebês com até 6
- Pessoas com deficiência do sistema meses. Se a vacinação não puder ser
imunológico causada por doença ou evitada, suspender o aleitamento
medicamentos, pessoas que vivem com o materno por 10 dias. Procure o pediatra
vírus HIV, e todos os que convivem com para mais orientações.
esses grupos. • Pacientes submetidos a transplante de
2. VIP – A história de reação alérgica grave órgãos.
(anafilaxia) à dose anterior da vacina, ou a • Pacientes com câncer.
Maria Vitória de Sousa Santos
• Pe s s o a s c o m h i s t ó r i a d e re a ç ã o • Em situação de risco para o sarampo –
anafilática relacionada a substâncias surtos ou exposição domiciliar, por
presentes na vacina (ovo de galinha e exemplo – a primeira dose pode ser
seus derivados, gelatina bovina ou aplicada a partir dos 6 meses de idade.
outras). Essa dose, porém, não conta para o
• Pacientes com história pregressa de esquema de rotina: continuam a ser
doenças do timo (miastenia gravis, necessárias duas doses a partir dos 12
timoma, casos de ausência de timo ou meses, com intervalo mínimo de 1 mês.
remoção cirúrgica). • Como rotina para crianças, as sociedades
• Em princípio há contraindicação para brasileiras de Pediatria (SBP) e de
gestantes, mas a administração deve ser Imunizações (SBIm) recomendam duas
analisada de acordo com o grau de risco, doses: uma aos 12 meses e a outra aos 15
por exemplo, na vigência de meses, podendo ser usadas a vacina SCR
surtosrianças abaixo de 6 meses de idade. ou a combinada SCR-V (tetraviral).
Via de aplicação • Para crianças mais velhas, adolescentes e
- Subcutânea. adultos não vacinados ou sem
TRÍPLICE VIRAL comprovação de doses aplicadas, a SBIm
• Trata-se de vacina atenuada, contendo vírus recomenda duas doses, com intervalo de
vivos “enfraquecidos” do sarampo, da um a dois meses.
rubéola e da caxumba; aminoácidos; • Em casos de surto de caxumba ou
albumina humana; sulfato de neomicina; sarampo, pode ser considerada a
sorbitol e gelatina. Contém também traços aplicação de uma terceira dose em
de proteína do ovo de galinha usado no pessoas com esquema completo. Não há,
processo de fabricação da vacina. no entanto, evidências que justifiquem a
Indicação: medida na rotina.
Crianças, adolescentes e adultos. • Na rotina do Programa Nacional de
Contraindicação: Imunizações (PNI) para a vacinação
- Gestantes, pessoas com comprometimento infantil, a primeira dose desta vacina é
da imunidade por doença ou medicação, aplicada aos 12 meses de idade; e aos 15
história de anafilaxia após aplicação de dose meses (quando é utilizada a vacina
anterior da vacina ou a algum componente. combinada à vacina varicela [tetraviral:
- A maioria das crianças com história de SCR-V]). Também podem se vacinar
reação anafilática a ovo não tem reações gratuitamente indivíduos até 29 anos
adversas à vacina e, mesmo quando a reação (duas doses, com intervalo mínimo de 30
é grave, não há contraindicação ao uso da dias) e indivíduos entre 30 e 59 anos
vacina tríplice viral. Foi demonstrado, em (uma dose).
muitos estudos, que pessoas com alergia ao Via de aplicação:
ovo, mesmo aquelas com alergia grave, têm - Subcutânea.
risco insignificante de reações anafiláticas. HPV
Teste cutâneo não é recomendado, pois não • São duas doses, com intervalo de 6 meses.
consegue prever se a reação acontecerá. No • Tipos de HPV: 6 e 11 (verruga): 16 e 18
entanto, é recomendado que estas crianças, (câncer).
por precaução, sejam vacinadas em • 2 doses dessa vacina para meninas e meninos
ambiente hospitalar ou outro que ofereça entre 9 e 14 anos.
condições de atendimento de anafilaxia. • Para indivíduos entre 9 e 45 26 anos, que
Esquemas de doses: convivem com o HIV/AIDS, e pacientes em
• A SBIm considera protegido todo tratamento de quimioterapia e
indivíduo que tomou duas doses na vida, transplantados de órgãos sólidos ou medula
com intervalo mínimo de um mês, óssea são recomendadas 3 doses.
aplicadas a partir dos 12 meses de idade. • Via de aplicação: IM na região deltoide ou
anterolateral superior da coxa.
Maria Vitória de Sousa Santos
ULTRASSONOGRAFIA
• Não é considerado um exame obrigatório
pelo Ministério da Saúde, mas possui maior
acurácia para determinação da idade
gestacional quando feita no l° trimestre,
especialmente entre 6 e 13 semanas.
• Exceto quando houver impossibilidade de
determinação da idade gestacional correta e
na presença de intercorrências clínicas ou
obstétricas, assim como detecção precoce de
gestações múltiplas e retardo de crescimento
intrauterino.
Idade gestacional x estrutura visualizadas na
USG-TV:
1. 4 semanas: Saco gestacional (SG);
2. 5-6 semanas: Vesícula Vitelinica;
3. 6-7 semanas: Batimentos cardíacos fetais;
4. 12 semanas: Placenta.
EXAMES COMPLEMENTARES
TRATAMENTO
1. Diminuição do açúcar;
2. Atividade física:
⑱
3. Insulina açúcar.
ANEMIAS
• A anemia é definida durante a gestação com
os valores de hemoglobina (Hb) abaixo de
11g/ dl.
• O rastreamento deve ser oferecido a toda
gestante o mais precocemente na vinculação
do pré-natal e novamente com
aproximadamente 28 semanas.
A anemia durante a gestação pode estar
associada a:
PUERPÉRIO FISIOLÓGICO composto de células não ciliadas, em
decorrência do desequilíbrio entre os níveis
• O puerpério é o período que vai da de progesterona e estrogênio.
dequitação (expulsão da placenta) até a volta • Com a diminuição destes hormônios após o
do organismo materno às condições pré- parto, há extrusão nuclear das células não
gravídicas. ciliadas e diminuição do tamanho das células
• Promover cuidados humanizados à mulher, ciliadas e não-ciliadas.
recém-nascido e sua família abordando os • Além disso, após a dequitação, persiste a
aspectos físicos, emocionais e socioculturais porção basal da decídua. Esta se divide em
relativos à fase puerperal. duas novas camadas: a superficial, que sofre
FASES DO PUERPÉRIO descamação; e a profunda, que regenera o
Período de 6 a 8 semanas após o parto. novo endométrio a partir das glândulas e do
1. Imediato: até o 10° dia após o parto. estroma da decídua basal, recobrindo a
2. Tardio: 10° ao 45° dias após o parto. cavidade endometrial dentro de 16 dias após
3. Remoto: após 45° dia após o parto. o parto.
INVOLUÇÃO E RECUPERAÇÃO DA GENITÁLIA VAGINA E VULVA
• Logo após o parto, o útero se encontra um • A vagina está alargada e lisa logo após o
pouco acima da cicatriz umbilical, a partir parto.
do qual inicia um processo de involução. • Gradualmente, suas dimensões se reduzem,
• O útero se contrai, comprimindo os vasos mas não voltam ao estado pré-gravídico.
sanguíneos e causando uma aparência • A rugosidade vaginal reaparece na terceira
isquêmica. semana, por redução do edema e da
• A contração também contrai os vasos vascularização.
intramiometriais, reduzindo o fluxo • Nódulos de mucosa fibrosados formam as
sanguíneo e prevenindo a hemorragia pós- carúnculas himenais devido ao rompimento
parto. do hímen no momento do parto.
• Além disso, os vasos calibrosos são • Por fim, a distensão fascial e possíveis
obliterados (trombose), constituindo outro lacerações causam afrouxamento da
mecanismo hemostático para prevenir perda musculatura pélvica, que pode não regredir
sanguínea. ao estado original.
• Após 24h, o fundo uterino atinge a cicatriz • Em decorrência disso, o parto predispõe a
umbilical. ocorrência de incontinência urinária e fecal.
• Após uma semana, atinge a região entre a • Histologicamente, há progressiva atrofia do
cicatriz umbilical e a sínfise púbica. epitélio escamoso vaginal nos primeiros dez
• Na segunda semana, deixa de ser palpável dias.
no abdome e, por fim, atinge as dimensões • No 15º dia, a descamação alcança seu pico e
pré-gravídicas dentro de 6-8 semanas após o a regeneração se inicia.
parto. PAREDE ABDOMINAL
• O colo uterino, ao fim da dequitação, se • No puerpério, a musculatura da parede
encontra amolecido, com lacerações no abdominal está afrouxada.
orifício externo, que continua dilatado. • Em consequência da ruptura das fibras
• A dilatação do colo regride de forma lenta, elásticas da pele e da distensão prolongada
ficando entre 2-3 cm nos primeiros dias após causada pelo útero gravídico, a parede
o parto, e menos de 1 cm com uma semana abdominal continua mole e flácida.
de puerpério. • Várias semanas depois, seu tônus normal é
• É comum haver cólicas abdominais nos readquirido na maioria dos casos. Em
primeiros 3 dias, e estas são mais fortes em algumas mulheres, no entanto, persiste a
multíparas e em lactantes, pois a estimulação diástese do musculo reto abdominal.
do mamilo estimula a liberação de ocitocina • A pele pode ainda continuar frouxa, se
pelo eixo neuro-hipofisário. houver ruptura extensa de fibras elásticas.
• Em relação as tubas uterinas, seu epitélio
SISTEMA ENDÓCRINO
durante a gestação é predominantemente
• Ao fim da gravidez os níveis de estrogênio e • Nota-se, na série branca, imediatamente
progesterona estão muito elevados, assim após o parto, leucocitose de até 30 mil
como os de prolactina (PRL). glóbulos, à custa principalmente dos
• Com a saída da placenta, ocorre queda granulócitos neutrófilos.
imediata dos esteroides placentários a níveis • Em condições normais, a hiperleucocitose
muito baixos e leve diminuição dos valores fica reduzida à metade nas primeiras 48
dos valores de PRL, que ainda permanecem horas, e ao cabo do 5.° ou 6.° dia o quadro
elevados. retorna às taxas habituais.
• Na ausência da lactação, nas primeiras • A velocidade de eritrossedimentação,
semanas pós-parto, tanto a LH como o FSH a c e l e r a d a n a g r av i d e z , s o f re n ovo
mantêm-se com valores muito baixos, para incremento no puerpério, regularizando-se
logo começarem a se elevar lentamente. somente entre a 5° e a 7° semana.
• No puerpério inicial os níveis de estrogênio • A concentração de hemoglobina volta a
mantêm-se baixos e a progesterona não é níveis não gravídicos em 6 semanas do parto.
detectável. • Está aumentada a tendência à coagulação
• A recuperação das gonadotrofinas até os no puerpério.
níveis prévios à gravidez depende da • Após a dequitação, há geralmente queda das
presença ou não da amamentação. plaquetas, com elevação secundária nos
• A amamentação pode impedir a fertilidade primeiros dias do pós-parto juntamente com
pela ação direta do estímulo do mamilo a adesividade plaquetária.
sobre o hipotálamo por via neuroendócrina, • O fibrinogênio plasmático diminui em
inibindo o fator inibidor da prolactina (PIF) concentração no momento do parto,
e o hormônio liberador da gonadotrofina atingindo o seu menor nível no primeiro dia
(GnRH), acarretando, respectivamente, do puerpério e voltando a se elevar em
elevação da prolactina e inibição do FSH e seguida, igualando-se aos níveis pré-
do LH hipofisários. gravídicos entre o 3º e o 5º dia.
PERDA PONDERAL ALTERAÇÕES ÓSSEAS
• Após a gravidez, a mulher perde quase a • Há diminuição generalizada da densidade
totalidade do peso adquirido durante a óssea em gestantes, voltando ao estado pré-
gestação. gravidez dentro de 12 a 18 meses após o
• Cerca de metade do peso ponderal parto.
adquirido é perdido durante as primeiras 6 • Não é recomendada qualquer intervenção,
semanas após o parto. sendo essas alterações auto-limitadas e
• O restante ocorre entre as 6 semanas e os 6 reversíveis.
meses depois, sendo maior nos 3 primeiros SISTEMA URINÁRIO
meses. • No puerpério imediato, a mucosa vesical está
• Habitualmente há perda acentuada nos edemaciada, devido ao parto e ao trabalho
primeiros 10 dias, atribuída à maior diurese, de parto.
à secreção láctea e à eliminação loquial. • Há também uma distensão vesical, o que
SISTEMA CARDIOVASCULAR predispõe a retenção urinária e
• O débito cardíaco está aumentado na esvaziamento incompleto ao urinar,
primeira hora do pós-parto (10%), assim causando urina residual.
permanecendo durante 1 semana. • É a diurese inicialmente escassa, em razão
• A pressão venosa dos membros inferiores, da desidratação no trabalho de parto. Do 2.°
elevada durante a gravidez, normaliza-se ao 6.° dia estabelece-se abundante excreção
imediatamente. urinária, que elimina a água acumulada
• As varizes, acaso presentes, emurchecem, e durante a gestação.
os edemas desaparecem. • Até a sexta semana, na maioria das
SISTEMA SANGUÍNEO puérperas, o exame ultrassonográfico
• Não há mudanças da série vermelha evidencia dilatação do sistema pielocalicial.
próprias do puerpério.
• Todos esses fatores citados são fator de risco - 10° dia: lóquios alvos (lochia alba).
para infecção do trato urinário.
• A retenção urinária pode ser definida como
ausência de micção por 6h após o parto ou
após a retirada da sonda vesical após
cesariana.
PELE
• As estriações do abdome e das mamas,
quando presentes, perdem a cor vermelho-
arroxeada e ficam pálidas, transformando-se,
em algumas semanas, nas estrias branco-
nacaradas.
• Regridem as modificações do tipo de
implantação dos pelos pubianos, as
hiperpigmentações da pele do rosto, do
abdome e das mamas. MAMA
• Algumas ficam indeléveis. • Ocorre o aumento da mama por conta da
• Há também uma queda de cabelo comum h i p e r t r o fi a d o s v a s o s , d a s c é l u l a s
entre 1 e 5 meses após o parto, o que leva a mioepiteliais, depósito de gordura e retenção
crença equivocada de que amamentar causa de água e de eletrólitos.
queda de cabelo, por coincidir com o • O colostro já está presente no momento do
momento da amamentação, porém essa parto.
queda de cabelo é autolimitada e o cabelo • Apojadura acontece até o terceiro dia pós
retorna aos padrões normais de crescimento parto.
de 6 a 15 meses após o parto. Outras:
SISTEMA DIGESTIVO 1. Temperatura: Aumento discreto da
• Com o esvaziamento uterino retornam as temperatura
vís-ceras abdominais, vagarosamente, às 2. Órgãos internos: Retorno dos órgãos
disposições anatômicas. abdominais Involução uterina
• Há redução da motilidade intestinal. 3. Alterações Hematológicas: Leucocitos,
• A constipação da puérpera, indefectível nas Aumento do volume circulante,
pacientes que se mantinham no leito de uma Loquiação.
a duas semanas, é hoje menos frequente com ASSISTÊNCIA PÓS NATAL
o levantar precoce, e observada unicamente Anamnese:
nas que têm obstipação crônica. Verifique o Cartão da Gestante e pergunte à
• O funcionamento fisiológico dos intestinos é mulher questões sobre:
habitualmente restaurado no 3° ou 4° dia. 1. As condições da gestação;
ALTERAÇÃO DO ENDOMÉTRIO 2. As condições do atendimento ao parto e
• Endométrio é o tecido que reveste o interior ao recém-nascido;
do útero onde o embrião implanta e se 3. Os dados do parto (data; tipo de parto; se
desenvolve durante a gravidez. parto cesárea, qual indicação deste tipo de
• A camada superficial da decídua basal (parte parto);
que fica abaixo do concepto, formando o 4. Se houve alguma intercorrência na
componente materno da placenta) sofre gestação, no parto ou no pós-parto (febre,
necrose e é eliminada sob a forma de hemorragia, hipertensão, diabetes,
lóquios. convulsões, sensibilização de Rh);
Lóquios: 5. Se recebeu aconselhamento e realizou
Secreções exteriorizadas pela vagina no testagem para sífilis e HIV durante a
puerpério: gestação e/ou o parto;
- Até 3° dia: lóquios rubros (lochia rubra). 6. O uso de medicamentos (ferro, ácido
- 5° dia: lóquios róseos (lochia fusca). fólico, vitamina A, outros).
Pergunte a ela como se sente e indague quantidade de leite ingerido, é uma das
questões sobre: causas mais frequentes de problemas nos
1. Aleitamento (frequência das mamadas, dia mamilos.
e noite, dificuldades na amamentação, 5. Em caso de ingurgitamento mamário,
satisfação do RN com as mamadas, mais comum entre o terceiro e o quinto
condições das mamas); dia pós- parto, oriente a mulher quanto à
2. Alimentação, sono, atividades; ordenha manual, ao armazenamento e à
3. Dor, fluxo vaginal, sangramento, queixas doação do leite excedente a um Banco de
urinárias, febre; Leite Humano (caso haja na região);
4. Planejamento familiar (desejo de ter mais 6. Identifique os problemas e as necessidades
fi l h o s , d e s e j o d e u s a r m é t o d o da mulher e do recém-nascido com base
contraceptivo, métodos já utilizados, na avaliação realizada.
método de preferência); Condutas:
5. Sua condição psicoemocional (estado de Oriente a puérpera sobre:
humor, preocupações, desânimo, fadiga, 1. Higiene, alimentação, atividades físicas;
outros); 2. Atividade sexual, informando-a a respeito
6. Sua condição social (pessoas de apoio, de prevenção de DST/Aids;
enxoval do bebê, condições para o 3. Cuidados com as mamas, reforçando a
atendimento de necessidades básicas). orientação sobre o aleitamento
Avaliação clínico-ginecológica: (considerando a situação das mulheres que
1. Verifique os dados vitais; não puderem amamentar);
2. Avalie o estado psíquico da mulher; 4. Cuidados com o recém-nascido;
3. Observe seu estado geral: a pele, as 5. Direitos da mulher (direitos reprodutivos,
mucosas, a presença de edema, a cicatriz sociais e trabalhistas).
(parto normal com episiotomia ou Oriente a puérpera sobre o planejamento
laceração/cesárea) e os membros familiar e a utilização de método
inferiores; contraceptivo, se for o caso:
4. Examine as mamas, verificando a presença - Dê a ela uma informacão geral sobre os
de ingurgitamento, sinais inflamatórios, métodos que podem ser utilizados no pós-
infecciosos ou cicatrizes que dificultem a parto;
amamentação; - Explique a ela como funciona o método da
5. Examine o abdômen, verificando a LAM (amenorreia da lactação);
condição do útero e se há dor à palpação; - Se a mulher não deseja ou não pode usar a
6. Examine o períneo e os genitais externos LAM, ajude-a na escolha de outro método;
(verifique sinais de infecção, a presença e - Disponibilize o método escolhido pela
as características de lóquios); mulher com instruções para o seu uso,
Verifique possíveis intercorrências: dizendo-lhe o que deve ser feito se o método
1. alterações emocionais, hipertensão, febre, apresentar efeitos adversos e dando-lhe
dor no baixo- ventre ou nas mamas, instruções para o seguimento;
presença de corrimento com odor fétido, - Aplique vacinas (a dupla tipo adulto e a
sangramentos intensos. No caso de tríplice viral), se necessário;
detecção de alguma dessas alterações, - Ofereça teste anti-HIV e VDRL, com
solicite avaliação médica imediata, caso o aconselhamento pré e pós-teste, para as
atendimento esteja sendo feito por outro puérperas não aconselhadas e testadas
profissional da equipe; durante a gravidez e o parto;
2. Observe a formação do vínculo entre a - Prescreva suplementação de ferro: 40mg/
mãe e o filho; dia de ferro elementar, até três meses após o
3. Observe e avalie a mamada para a p a r t o, p a r a mu l h e re s s e m a n e m i a
garantia do adequado posicionamento e diagnosticada;
da pega da aréola.
4. O posicionamento errado do bebê, além
de dificultar a sucção, comprometendo a
Maria Vitória de Sousa Santos
CÂNCER DE COLO DE ÚTERO NA APS - Vacina para meninos 9 a 14 anos e meninas
COLO DO ÚTERO de 9 a 14 anos. (02 doses)
1. Parte Interna: Canal cervical ou
- Imunossuprimidos Mulheres e Homens 9 a
endocérvice, revestido por um epitélio 45 anos (3 doses)
colunar simples com células produtoras de Observação: Vacinação mais efetiva quando
muco. aplicada antes do início da vida sexual.
2. Parte Externa: Contato com a vagina, Prevenção Secundária: Diagnóstico
denominada de ectocérvice, constituída precoce.
por dois tecidos (epitélio escamoso e o 1. Detecção Precoce do CA de Colo de Útero
epitélio estratificado). Existe entre os dois (abordagem dos indivíduos com sinais/
epitélios a JEC (junção Escamo- colunar). sintomas da doença);
Observação: A junção escamo-colunar (JEC) 2. Rastreamento (aplicação de exame na
é a região do colo onde incidem população assintomática, aparentemente
preferencialmente as doenças de natureza pré- saudável, com o objetivo de identificar as
maligna e maligna. lesões precursoras ou sugestivas de CA)
CÂNCER DE COLO DO ÚTERO CITOLOGIA
Replicação desordenada do epitélio de O principal objetivo é identificar alterações na
revestimento do órgão, comprometendo o morfologia celular, observando-se o citoplasma
tecido subjacente (estroma) e podendo invadir e o núcleo das células pela técnica de coloração
estruturas e órgãos contíguos ou a distância. de Papanicolau.
Recomendação MS para realização do
FATORES DE RISCO
Citopatológico:
1. Infecção pelo vírus HPV (tipo 16 e 18,
1. > 25 anos, com vida sexual ativa até 64
principalmente);
anos. Interromper após 64 anos, com dois
2. Fatores ligados à imunidade;
ou mais resultados negativos consecutivos
3. Genética;
nos últimos 5 anos;
4. Comportamento Sexual;
Observação: Após dois exames negativos,
5. Marco de idade: HPV em mulheres abaixo
com intervalo anual o tempo para a realização
de 30 anos regridem espontaneamente,
de outro exame é de 3 anos;
acima dessa idade a persistência é mais
2. > 64 anos, que nunca realizaram o exame
frequente;
Realizar 2 exames com intervalo de 1 e 3
6. Tabagismo.
anos. Se ambos negativos, são dispensadas.
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
PREPARAÇÃO PARA A COLETA
1. Sangramento vaginal anormal;
1. Não ter tido relação sexual nas 72 horas
2. Sangramento menstrual mais prolongado
que antecedem o exame;
que o habitual;
2. Não utilizar duchas de higiene íntima;
3. Secreção vaginal incomum, com um pouco
3. Não utilizar cremes ou lubrificantes
de sangue;
vaginais;
4. Sangramento após a menopausa;
4. Não estar menstruada
5. Sangramento após as relações sexuais
5. Entre outros.
(sinusorragia);
Observação: Gravidez não é contra-
6. Dor durante a relação sexual;
indicação para a realização do exame (exceto
7. Dor na região pélvica.
uma gravidez mais avançada).
COMO PREVENIR
MATERIAIS NECESSÁRIOS
Prevenção Primária: A prevenção primária
está relacionada à diminuição do risco de
contágio pelo HPV.
1. Incentivar o uso de preservativo;
2. Vacinação bivalente que protege contra os
2 tipos oncogênicos (16 e 18), e a
quadrivalente que protege também contra
os tipos não oncogênicos (6 e 11);
Maria Vitória de Sousa Santos
Introdução do espéculo: No momento da realização do Papanicolau
1. Devem-se afastar os grandes e pequenos (exame citopatológico):
lábios com o polegar e 3° dedo da mão 1. Usar a espatula de
esquerda para que o espéculo seja Ayre para fazer a
introduzido suavemente na vagina. coleta da
2. A mão direita que introduzirá o espéculo ectocérvice, girar
deve segurá-lo pelo cabo. 180° ao redor do
3. O especulo é introduzido fechado com o colo do útero
pino para baixo. colocando a parte
4. Apoia-se o espéculo sobre a fúrcula, mais longa no canal, retirar e segurar com
ligeiramente oblíquo – para evitar trauma a outra mão (passar na lâmina somente
uretral – e faz-se sua introdução após a coleta da endocérvice para evitar
lentamente. que resseque o material).
5. Antes de ser completamente colocado na 2. Usar a escovinha
vagina, deve ser rodado, ficando as valvas endocervical para
paralelas às paredes anterior e posterior da fazer a coleta da
vagina. Posição que ocupará no exame e o endocérvice, dar
pino para baixo. uma volta de 180°,
6. Segurar com a mão esquerda o cabo e roda retirar a escovinha
o pino com a mão direita. e então passar na
7. A b r i r o e s p é c u l o e n c a i x a n d o lâmina de vidro
cuidadosamente no colo do útero. identificada com o
O exame especular deve ser realizado: nome da paciente (do lado da borda fosca).
1. Descrevendo as paredes vaginas: 3. Passar a espátula de ayre e da escovinha
- Rugosidade ou lisas; endocervical na lâmina de vidro (no lado
- Presença de secreções; da borda fosca) na região onde não tem
- Comprimento e elasticidade. nenhum material e fixar o material na
2. Características do colo: lâmina de vidro identificada com álcool
- Volume; 960 em um frasco ou spray de
- Coloração; polietiletonglicol.
- Forma (cilíndrico ou plano); Observação: Aplicar o material na lâmina de
- Epitelizado ou com mácula rubra vidro passando apenas uma vez de forma
(ectopia). homogênea (não espessada) e um material ao
3. Forma do orifício externo (OE): lado do outro.
- Puntiforme;
- Circular;
- Transverso.
4. Aspecto do muco cervical:
- Translúcido;
- Esbranquiçado;
- Purulento;
- Sanguinolento.