ISSN 1980-5098
Acesso aberto
Ci. Fl., Santa Maria, v. 32, n. 1, p. 371-394, jan./mar. 2022 • [Link]
Submissão: 06/10/2020 • Aprovação: 07/06/2021 • Publicação: 25/03/2022
Artigos
Adubação fosfatada no crescimento inicial de sete
espécies florestais nativas destinadas à recuperação de
uma área degradada
Phosphate fertilization in the initial growth of seven native forest species
intended for the recovery of a degraded area
Oclizio Medeiros das Chagas SilvaI , Erick Martins NieriII ,
Lucas Santos SantanaIII , Rodolfo Soares AlmeidaIII ,
Geisislaine do Carmo Reis AraújoIII ,
Soraya Alvarenga BotelhoIII , Lucas Amaral de MeloIII
Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Seropédica, RJ, Brasil
I
Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará, São Félix do Xingu, PA, Brasil
II
III
Universidade Federal de Lavras, Lavras, MG, Brasil
RESUMO
Para que haja uma restauração florestal eficaz é de fundamental importância o conhecimento sobre o
crescimento inicial das plantas. Dentre os aspectos a serem considerados destacam-se as exigências
nutricionais das espécies utilizadas para tal finalidade, tendo em vista que essas áreas, geralmente,
apresentam solos de baixa fertilidade, o que pode dificultar o estabelecimento e crescimento das espécies
plantadas. O objetivo deste trabalho foi avaliar a influência da adubação fosfatada em espécies florestais
nativas, destinadas à recuperação de uma área degradada. O experimento foi conduzido no Centro de
Desenvolvimento Científico e Tecnológico da UFLA - Fazenda Muquém, situada no município de Lavras,
Minas Gerais. O delineamento experimental utilizado foi em blocos casualizados completos, com 12
repetições e uma planta por parcela, em esquema fatorial 7 x 4, sendo sete espécies e quatro doses de
superfosfato simples (0, 150, 300 e 450 gramas/cova). Aos 60 dias após o plantio, foram coletados dados
sobre porcentagem de sobrevivência, diâmetro ao nível do solo e altura das plantas. Aos 300 dias, além
do diâmetro e altura, foi avaliada a área de projeção de copa das plantas. As espécies apresentaram
altos percentuais de sobrevivência, com exceção do Inga edulis, com sobrevivência de 58%. Dentre as
sete espécies estudadas, Schinus terebinthifolius e Guazuma ulmifolia foram as que apresentaram maior
crescimento dos parâmetros analisados, sendo, portanto, as espécies de maior potencial para um
recobrimento mais rápido dessa área. A adubação fosfatada influenciou, de forma distinta, o crescimento
inicial das sete espécies, em relação às doses de superfosfato simples aplicadas. Recomenda-se a dose
de 250 gramas de superfosfato simples por cova, como adubação de base para todas as espécies.
Palavras-chave: Adubação de plantio; Crescimento de plantas; Recomendação de nutrientes;
Restauração florestal
Artigo publicado por Ciência Florestal sob uma licença CC BY-NC 4.0.
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ABSTRACT
For an effective forest restoration, knowledge about the initial growth of plants is of fundamental
importance. Among the aspects to be considered, the nutritional requirements of the species used for
this purpose stand out, considering that these areas generally have low fertility soils, which can hinder
the establishment and growth of the planted species. The objective of this work was to evaluate the
influence of phosphate fertilization on native forest species, destined to the recovery of a degraded
area. The experiment was carried out at the Center for Scientific and Technological Development at
UFLA - Fazenda Muquém, located in the municipality of Lavras, Minas Gerais. The experimental design
used was in complete randomized blocks, with 12 replicates and one plant per plot, in a 7 x 4 factorial
scheme, with seven species and four doses of simple superphosphate (0, 150, 300 and 450 grams/
pit). At 60 days after planting, data on percentage of survival, diameter at ground level and plant
height were collected. At 300 days, in addition to the diameter and height, the canopy projection area
of the plants was evaluated. The species showed high percentages of survival, with the exception of
Inga edulis, with 58% survival. Among the seven species studied, Schinus terebinthifolius and Guazuma
ulmifolia were the ones that showed the highest growth in the analyzed parameters, being, therefore,
the species with the greatest potential for a faster covering of this area. Phosphate fertilization
influenced, in a different way, the initial growth of the seven species, in relation to the doses of simple
superphosphate applied. It is recommended to dose 250 grams of simple superphosphate per hole,
as a basic fertilization for all species.
Keywords: Planting fertilization; Plant growth; Recommendation of nutrients; Forest restoration
1 INTRODUÇÃO
Com o passar dos anos, avançaram-se os processos de degradação e
fragmentação dos ecossistemas naturais, principalmente devido à expansão da
fronteira agrícola, pecuária e crescimento de centros urbanos. Com o uso intensivo
ao longo do tempo, essas áreas tornam-se susceptíveis à compactação do solo, perda
da fertilidade natural e, consequentemente, degradação ambiental, necessitando da
adoção de práticas que visem a sua recuperação (MELO et al., 2013; BRANCALION et
al., 2015).
Tendo em vista tal cenário de degradação dessas áreas, torna-se indiscutível
a prioridade em recuperar e reabilitar suas funções. O uso de espécies nativas
de rápido crescimento é indicado para a recuperação dessas áreas, uma vez que,
em um período curto de tempo, elas podem proporcionar melhores condições ao
solo (MARTÍNEZ-GARZA; BONGERS; POORTER, 2013; VALE; COSTA; MIRANDA, 2014;
BRANCALION et al., 2015).
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Silva, O. M. C.; Nieri, E. M.; Santana, L. S.; Almeida, R. S.;
Araújo, G. C. R.; Botelho, S. A.; Melo, L. A. | 373
Um dos problemas geralmente observados, quando se estuda espécies
nativas, é a alta diversidade de espécies existentes, na qual o detalhamento sobre
recomendações e exigências nutricionais ainda é escasso e pouco encontrado na
literatura (CARLOS et al., 2014; GONÇALVES et al., 2014), principalmente, porque os
estudos têm sido inclinados para espécies de interesse econômico, como o Eucalyptus,
deixando uma lacuna a ser preenchida em relação às diversas espécies nativas.
Conforme pontua Resende et al. (1999), as espécies florestais arbóreas têm
seu potencial de crescimento diminuído quando se desenvolvem em solos pobres,
mostrando-se bastante responsivas à fertilização. Destaca-se a importância de um
crescimento acelerado das plantas na fase inicial, pois a rápida cobertura florestal
auxilia na formação de cobertura densa, reduzindo o escorrimento superficial de água
e o assoreamento do solo. A cobertura florestal da área contribui também para o
controle de plantas daninhas, fazendo com que os tratos culturais sejam amenizados,
na fase de condução do povoamento.
Para uma restauração florestal eficaz, é essencial a compreensão do crescimento
das plantas e os requisitos nutricionais de espécies vegetais nativas, empregadas para
tal finalidade (SEDDON et al., 2014; NUSSBAUMER et al., 2016; CARVALHO et al., 2018).
De forma geral, áreas que sofreram processos de degradação em solos brasileiros
apresentam solos de baixa fertilidade, o que é um fator limitante para o crescimento
vegetal na fase inicial (GRANT et al., 2001; BARROS; NEVES; NOVAIS, 2004).
Dentre os nutrientes que influenciam o crescimento inicial das espécies arbóreas,
destaca-se o fósforo, principalmente devido à sua deficiência generalizada na maioria
dos solos brasileiros (SCHUMACHER; CECONI; SANTANA, 2004; BARROS; NEVES;
NOVAIS, 2004) e à função que exerce no metabolismo da planta, tendo a capacidade
de melhorar o desenvolvimento do sistema radicular, bem como contribuir para o
melhor crescimento das plantas em campo.
Avaliações de parâmetros biométricos em espécies florestais nativas plantadas
em áreas degradadas podem colaborar para a escolha de espécies com maior potencial
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de crescimento e desenvolvimento, frente às perturbações ambientais encontradas
nessas áreas. O conhecimento acerca do crescimento inicial de espécies florestais, na
fase de implantação, contribui de forma expressiva para o sucesso do reflorestamento.
Portanto, com este trabalho, objetivou-se avaliar a influência da adubação fosfatada,
no crescimento inicial de espécies florestais nativas, e a interação entre adubação e as
diferentes espécies, a fim de apoiar atividades de restauração de uma área degradada,
na Região Sul de Minas Gerais.
2 MATERIAL E MÉTODOS
O experimento foi conduzido no período de maio de 2017 a março de 2018, no
Centro de Desenvolvimento Científico e Tecnológico da Universidade Federal de Lavras
(UFLA) - Fazenda Muquém. A fazenda está inserida na unidade geomorfológica do
Planalto Atlântico, na Superfície do Alto Rio Grande, localizada mais especificamente
no municipio de Lavras, Região Sul de Minas Gerais, sob as coordenadas Latitude
21°11’42.52”S e Longitude 44°59’21.50”O, ocorrendo na região a predominância de
relevo ondulado. A área de estudo constava-se de uma pastagem abandonada, sem
uso da terra a cerca de cinco anos. Antes da implantação da pastagem, havia um
plantio de café, o qual teve seu ciclo finalizado.
A vegetação primária da área em geral se caracteriza por floresta tropical
subperenifólia, entretanto, atualmente, são encontrados somente fragmentos dessa
vegetação nos locais mais acidentados, uma vez que as áreas mais planas foram
utilizadas para cultivos agrícolas e instalação de experimentos acadêmicos. Devido às
condições observadas em campo, a área de estudo foi classificada como estando em
nível médio de degradação.
De acordo com a classificação climática de Köppen, o clima da região é Cwa,
temperado chuvoso (inverno frio e seco e verão quente e úmido). O mês mais quente
é fevereiro, com temperatura média de 22,5°C, e o mais frio é julho, com temperatura
média de 15,8 °C. A precipitação média do mês que ocorreu o plantio das mudas
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das espécies arbóreas (maio) é de 41 mm, ocorrendo maior precipitação no mês de
dezembro com valor médio de 296 mm. A pluviosidade média anual é de 1530 mm
(ALVARES et al., 2013).
Para fins de avaliação da fertilidade do solo da área, antes da instalação do
experimento, foi realizada a coleta de amostras de solo, nas profundidades de 0,0-0,2
m e 0,2-0,4 m. As amostras foram devidamente idenficadas, alocadas em sacos de
papel e encaminhadas para análise no Laborátorio de Fertilidade do Departamento
de Ciência do Solo, da Universidade Federal de Lavras. Após análise química das
amostras de solo, notou-se que o teor de fósforo apresentava níveis muito baixos no
solo (Tabela 1).
Tabela 1 – Características químicas do solo da área (Latossolo Amarelo distrófico), onde
foi instalado e conduzido o experimento, nas profundidades de 0,0-0,2 m e 0,2-0,4 m
Prof. pH MO K P Ca Mg Al H + Al T V m
cm - dag/kg mg/dm³ cmol/dm³ %
00-20 6,3 1,92 90,87 0,68 3,22 0,75 0,06 1,82 6,02 69,82 1,41
20-40 5,8 1,68 59,03 0,62 2,79 0,67 0,05 3,17 6,78 53,26 1,37
Fonte: Autores (2020)
Em que: MO: matéria orgânica; T: capacidade de troca catiônica a pH 7,0; V: índice de saturação da
base; m: índice de saturação de alumínio.
O delineamento experimental utilizado foi em blocos casualizados completos,
com 12 repetições, em esquema fatorial 7 x 4: sete espécies (Tabela 2) e quatro
doses de superfosfato simples como adubação de plantio; 0, 150, 300 e 450 gramas/
cova), totalizando 336 parcelas de uma planta cada. As doses de fósforo utilizadas
foram calculadas com base nos teores de P expressos na análise do solo (Tabela 1) e
fundamentadas na proposta de Barros e Novais (1999), para a cultura do eucalipto.
As mudas utilizadas no experimento foram fornecidas pelo Viveiro da Unidade
da Usina Hidrelétrica Volta Grande, do município de Conceição das Alagoas, Minas
Gerais. Foram selecionadas mudas de qualidade, com altura total média de 20 cm
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e diâmetro médio de 3,5 mm. As mudas foram rustificadas e apresentavam aspecto
vigoroso, consideradas aptas para plantio em campo.
Tabela 2 – Relação das sete espécies arbóreas utilizadas na restauração de uma área
de pastagem abandonada na Região Sul de Minas Gerais
Nome científico Nome popular Família GE
Citharexilum myrianthum Chamiáo pau viola Verbenaceae P
Croton floribundus Spreng capixingui Euphorbiaceae P
Guazuma ulmifolia Lam mutamba Malvaceae P
Inga edulis Mart inga Fabaceae NP
Peltophorum dubium Spreng angico amarelo Fabaceae P
Psidium guajava Lineu goiaba Myrtaceae NP
Schinus terebinthifolius Raddi aroeira pimenteira Anacardiaceae P
Fonte: autores (2020)
Em que: GE = Grupo Ecológico (P = Pioneira e NP = Não Pioneira).
Com o intuito de melhorar as condições de solo para o plantio, foi realizado
o preparo do solo, por meio de aração, seguida da gradagem, em área total.
Posteriormente, o arranjo de plantio (3 x 1,5 m) foi marcado com auxílio de cordas,
fazendo-se a abertura das covas (20 x 20 x 20 cm). O superfosfato simples foi misturado
ao solo da cova previamente aberta e, em seguida, foi realizado o plantio. Como o
plantio foi realizado em período de estiagem, foi aplicada junto às mudas uma solução
de 500 mL de gel hidrorretentor.
Os tratos culturais realizados na área foram o combate às formigas cortadeiras,
na área de plantio e no seu entorno, antes do preparo do solo, utilizando-se iscas
granuladas; o monitoramento no ato do plantio e nos meses subsequentes (quando
identificada a presença de formigas, foi retomado o controle, conforme descrito
anteriormente). O controle de plantas daninhas foi realizado por meio de coroamento
ao redor das plantas, com auxílio de enxada e aplicação de calda herbicida entre as
linhas de plantio, aos 60 dias e 240 dias após o plantio.
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Para fins de análise da sobrevivência e crescimento inicial das plantas em
campo, foram realizadas duas coletas de dados. Aos 60 dias após o plantio, ocorreu
a mensuração da sobrevivência e dos parâmetros biométricos altura das plantas (H),
utilizando-se vara graduada em cm e diâmetro ao nível do solo (DNS), com auxílio de
um paquímetro digital graduado em mm. Aos 300 dias, além da avaliação da altura
e diâmetro, foram reunidos dados da área de projeção de copa (AC), com o auxílio
de uma vara graduada em cm, na qual foram coletadas duas medidas ortogonais
(medidas que se intercerptam em um ponto). A AC foi calculada por meio da fórmula
da elipse (Equação 1).
(1)
Em que: AC é a área de copa (m²); a é o semieixo maior; b é semieixo menor; π é (admensional).
Os dados de sobrevivência e crescimento das plantas foram submetidos à
análise de normalidade dos erros pelo teste de Shapiro-Wilk. Posteriormente realizou-
se a análise de variância e quando constatada diferença estatística, as médias foram
comparadas pelo teste de Scott-Knott, a 5% de probabilidade de erro. Foram ajustadas
equações de regressão, quando averiguada significância da interação entre adubação
e espécie, com o intuito de se obter a dose recomendada de superfosfato simples,
capaz de promover o maior crescimento dos parâmetros fitométricos das plantas.
Os dados foram processados utilizando-se o programa estatístico Sisvar versão 5.6
(FERREIRA, 2014).
3 RESULTADOS
3.1 Porcentagem de sobrevivência
Com base na análise de variância, observou-se que houve diferenças
significativas para sobrevivência das espécies. Os maiores valores observados para
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sobrevivência foram: Citharexilum myrianthum (92%), Croton floribundus (100%),
Guazuma ulmifolia (96%), Peltophorum dubium (91%), Psidium guajava (100%) e Schinus
terebinthifolius (100%). Houve bom estabelecimento dessas espécies no campo, sendo
observada porcentagem de sobrevivência superior a 90%. Apenas em Inga edulis, com
sobrevivência de 58%, foi verificado valor baixo, sendo estaticamente diferente das
demais espécies (Tabela 3).
Tabela 3 – Percentual de sobrevivência aos 60 dias após o plantio das sete espécies
nativas estudadas
Espécies Sobrevivência (%)
Citharexilum myrianthum 92,0 a
Croton floribundus 100 a
Guazuma ulmifolia 96,0 a
Inga edulis 58,0 b
Peltophorum dubium 91,0 a
Psidium guajava 100 a
Schinus terebinthifolius 100 a
Fonte: Autores (2020)
Em que: *Médias seguidas pela mesma letra não diferem significativamente,
pelo teste de Skott-Knott, ao nível de 5% de probabilidade de erro.
3.2 Crescimento das plantas
Também foram verificadas diferenças significativas pelo teste F a 5% de
probabilidade de erro, entre as espécies estudadas para os parâmetros altura total
das plantas, diâmetro ao nível do solo e área de copa, nos dois períodos avaliados. No
entanto, observou-se que houve interação entre as doses de superfosfato simples e
as espécies avaliadas, somente para a variável diâmetro, na avaliação aos 60 dias, e
área de copa, aos 300 dias após o plantio (Tabela 4).
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Silva, O. M. C.; Nieri, E. M.; Santana, L. S.; Almeida, R. S.;
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Tabela 4 – Resumo da análise de variância para crescimento inicial das sete espécies,
aos 60 e 300 dias após o plantio, em função das quatro doses de fósforo aplicadas
Quadrado médio
FV GL
H (60 dias) DAS (60 dias) H (300 dias) DAS (300 dias) AC (300 dias)
DOSES 3 700,7957* 80,2105* 16600,6699* 894,9803* 1,5237*
ESP 6 17422,2235* 253,6688* 152225,2576* 4967,9306* 5,3713*
BLOCO 11 198,5261ns 8,5005ns 906,7373ns 110,5121ns 0,1861ns
DOSES*ESP 18 179,5208ns 11,583313* 1866,7713ns 82,3547ns 0,3930*
ERRO 297 176,2431 4,9531 1571,5121 68,5942 0,1344
CV (%) - 39,51 28,13 34,87 34,64 10,70
Média - 33,60 7,91 113,69 23,91 0,34
Fonte: Autores (2020)
Em que: * = significativo a 5% de probabilidade de erro; ns = não significativo a 5% de probabilidade
de erro.
Na avaliação aos 60 dias, as espécies Schinus terebinthifolius e Guazuma
ulmifolia foram as que mais expressaram crescimento, diferindo estaticamente das
demais espécies. As espécies Peltophorum dubium, Croton floribundus e Citharexilum
myrianthum apresentaram crescimento moderado com valores médios em altura de
22,4 cm, 26,8 cm e 25, 2 cm, respectivamente. As menores médias para a variável
altura foram observadas nas espécies Psidium guajava e Inga edulis, sendo obtidas,
respectivamente, médias de 18,74 cm e 21,2 cm aos 60 dias.
Na avaliação aos 300 dias, o comportamento das espécies foi semelhante
ao observado aos 60, com destaque para as espécies Schinus terebinthifolius e
Guazuma ulmifolia, sendo observados valores médios em altura de 197,1 e 160,1 cm,
respectivamente. Para as espécies Psidium guajava e Inga edulis, foram obtidas médias
de crescimento em altura de 50,9 e 41,3 cm, respectivamente, sendo, novamente,
estaticamente inferiores às demais. As espécies Peltophorum dubium, Croton floribundus
e Citharexilum myrianthum apresentaram elevado crescimento relativo em altura, em
relação aos dados observados aos 60 dias, sendo verificados valores médios de 136,9,
109,4 e 100,1 cm, respectivamente.
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Em relação ao diâmetro ao nível do solo (Tabela 5), na avaliação aos 60 dias, a
espécie que apresentou o maior valor foi Schinus terebinthifolius, com 12,3 mm, seguida
por Guazuma ulmifolia, com 11,7 mm, as quais se diferiram das demais. As espécies que
apresentaram as menores médias para este parâmetro foram Psidium guajava com 5,4
mm e Inga edulis com 5,6 mm, semelhante aos resultados encontrados para a altura.
As espécies Peltophorum dubium, Croton floribundus e Citharexilum myrianthum não
diferiram estaticamente entre si para a variável diâmetro, apresentando crescimento
moderado de 7,6 mm, 8,3 mm e 10,1 mm, respectivamente.
Tabela 5 – Média da altura (H), do diâmetro ao nível do solo (DNS) e da área de copa
(AC) para as sete espécies florestais, aos 60 e 300 dias após o plantio
60 dias 300 dias
Espécies
H (cm) DAS (mm) H (cm) DAS (mm) AC (m²)
Citharexilum myrianthum 25,2 c 10,1 c 100,1 d 24,5 c 0,32 c
Croton floribundus 26,8 c 8,3 c 109,4 d 25,3 c 0,38 c
Guazuma ulmifolia 52,9 b 11,7 b 160,1 b 30,6 b 0,73 b
Inga edulis 21,2 d 5,6 d 41,3 e 9,1 d 0,11 d
Peltophorum dubium 22,40 d 7,6 c 136,9 c 27,3 c 0,29 c
Psidium guajava 18,7 d 5,4 d 50,93 e 12,3 d 0,13 d
Schinus terebinthifolius 68,0 a 12,3 a 197,1 a 38,4 a 1,49 a
Fonte: Autores (2020)
Em que: *Médias seguidas pela mesma letra não diferem significativamente, pelo teste de Skott-
Knott, ao nível de 5% de probabilidade de erro.
Na avaliação aos 300 dias, foram observados maiores valores de diâmetro para
a espécie Schinus terebinthifolius, com média de 38,4 mm, diferindo estaticamente
das demais. Outra espécie que apresentou valor alto foi a Guazuma ulmifolia, com
30,6 mm. As espécies que apresentaram menores valores para esta característica
foram Psidium guajava (12,3 mm) e Inga edulis (9,1 mm), semelhante aos resultados
encontrados para a altura. Peltophorum dubium, Croton floribundus e Citharexilum
myrianthum, com valores medianos em relação às demais espécies, não diferiram
estaticamente entre si para a variável diâmetro.
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Silva, O. M. C.; Nieri, E. M.; Santana, L. S.; Almeida, R. S.;
Araújo, G. C. R.; Botelho, S. A.; Melo, L. A. | 381
Ao analisar os dados referentes à área de copa (AC), observou-se que a espécie
que mais se desenvolveu foi Schinus terebinthifolius, com média de 1,49 m², diferindo
estaticamente das demais. Para a espécie Guazuma ulmifolia, foi obtida média de
crescimento em área de copa de 0,73 m². Para Peltophorum dubium, Croton floribundus
e Citharexilum myrianthum, foram obtidos dados para essa variável de 0,29 m², 0,38
m² e 0,32 m², respectivamente, apresentando crescimento semelhante, não diferindo
estaticamente entre si. Em contrapartida, observou-se que as espécies Psidium guajava
e Inga edulis tiveram desempenho estaticamente inferior às demais, apresentando AC
de 0,13 m² e 0,11 m², respectivamente.
Em relação à interação entre as doses de fósforo aplicadas e as espécies
avaliadas, houve interação significativa para o diâmetro ao nível do solo, aos 60 dias
(Figura 1), e para área de copa das plantas, aos 300 dias (Figura 2). Foi observado
crescimento superior das plantas que receberam adubação em comparação com as
que não foram adubadas, para a maioria das espécies, comprovando que as doses de
superfosfato simples que foram aplicadas influenciaram positivamente no crescimento
das espécies avaliadas.
Ao analisar os gráficos da regressão para a variável diâmetro aos 60 dias após
o plantio (Figura 1), observa-se comportamento variável entre as espécies, com as
doses de superfosfato simples. Verifica-se que as espécies Psidium guajava e Inga edulis
responderam pouco às diferentes doses de superfosfato simples aplicadas. Para a
espécie Croton floribundus, quanto maior a dose, maior foi o crescimento obtido. Por
outro lado, as espécies Schinus terebinthifolius, Guazuma ulmifolia, Peltophorum dubium
e Citharexilum myrianthum se ajustaram ao modelo de regressão quadrática, no qual
foi possível observar que as plantas dessas espécies, que receberam a dose zero de
adubação, tiveram crescimento menor, quando comparado com as doses de 150, 300
e 450 gramas de superfosfato simples.
Avaliando os dados para Schinus terebinthifolius e Peltophorum dubium, verificou-
se que não houve diferença em crescimento em diâmetro entre as doses de 150, 300
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e 450 gramas de superfosfato simples. Contudo, foram observados valores superiores
quando comparadas com as plantas que não receberam adubação. A dose máxima
estimada por regressão para melhor crescimento em diâmetro dessas espécies foi
de 367,66 e 320 gramas de superfosfato simples, respectivamente. Já para Guazuma
ulmifolia, a dose estimada foi de 245,71 gramas, a qual influenciou o crescimento em
diâmetro dessa espécie.
Para o crescimento em diâmetro da espécie Citharexilum myrianthum, verificou-
se que a dose estimada de 239,58 gramas de superfosfato simples foi considerada ideal,
sendo observado crescimento maior que as plantas sem adubação. Para a referida
espécie, foi observado que as doses de 300 e 450 gramas não foram consideradas
adequadas, havendo menor crescimento.
Figura 1 – Diâmetro ao nível do solo (mm), aos 60 dias após o plantio de mudas de sete
espécies florestais nativas, em função de doses de superfosfato simples aplicadas no
momento do plantio
Fonte: Autores (2020)
Quando avaliados os gráficos da regressão para a área de projeção de copa,
aos 300 dias após o plantio (Figura 2), observou-se comportamento variável entre as
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Silva, O. M. C.; Nieri, E. M.; Santana, L. S.; Almeida, R. S.;
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espécies com as doses de superfosfato simples. As espécies Schinus terebinthifolius e
Guazuma ulmifolia se ajustaram ao modelo de regressão quadrática e foram as que
apresentaram as maiores médias para área de copa. A dose máxima estimada por
regressão, para favorecer uma boa formação da parte aérea dessas duas espécies, foi
de 428,33 e 245,71 gramas de superfosfato simples, respectivamente.
Figura 2 – Área de projeção de copa (m²) das sete espécies florestais nativas, aos
300 dias após o plantio, em função de doses de superfosfato simples aplicadas no
momento do plantio
Fonte: Autores (2020)
Ci. Fl., Santa Maria, v. 32, n. 1, p. 371-394, jan./mar. 2022
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As espécies Peltophorum dubium, Citharexilum myrianthum e Croton floribundus
também se ajustaram ao modelo de regressão quadrática. As doses máximas
estimadas para melhor incremento em área de copa dessas espécies foram de
286,84, 239,58 e 316,66 gramas de superfosfato simples, respectivamente. Para a
espécie Psidium guajava e Inga edulis, foi observado que não houve tendência de
crescimento para área de copa, entre as diferentes doses empregadas.
4 DISCUSSÃO
4.1 Porcentagem de sobrevivência
Relacionando os dados de sobrevivência, de forma geral, as espécies Croton
floribundus, Schinus terebinthifolius, Guazuma ulmifolia, Peltophorum dubium,
Citharexilum myrianthum e Psidium guajava apresentaram altos percentuais de
sobrevivência, adaptando-se bem à área onde foram plantadas (CARNEVALI et
al., 2016). Em contrapartida, a baixa sobrevivência observada para o Inga edulis
pode estar relacionada às condições climáticas adversas, verificadas no período
experimental, como o déficit hídrico da região ocorrente, no inverno. Esses
resultados podem ter sido obtidos em consequência do plantio realizado no
final da estação chuvosa, ao passo que essa espécie é geralmente encontrada,
especialmente, na beira de rios e lagos, em áreas úmidas.
Na sobrevivência e crescimento inicial de espécies arbóreas nativas,
implantadas em pastagem degradada, em solo do tipo Podzólico Vermelho
Amarelo, de baixa fertilidade natural, no município de Jateí-MS, Carnevali et al.
(2016) verificaram, no conjunto de espécies avaliadas, que nenhuma delas
teve desempenho satisfatório, devido, principalmente, às condições edáficas
adversas da área de estudo. Esses achados são semelhantes ao observado neste
trabalho apenas para o Inga edulis, espécie que foi mais afetada pelas condições
edafoclimáticas da área, pelo fato de ser ecofisiologicamente sensível a mudanças
climáticas, especialmente períodos de estiagem.
Ci. Fl., Santa Maria, v. 32, n. 1, p. 371-394, jan./mar. 2022
Silva, O. M. C.; Nieri, E. M.; Santana, L. S.; Almeida, R. S.;
Araújo, G. C. R.; Botelho, S. A.; Melo, L. A. | 385
De acordo com Camargo, Ferraz e Imakawa (2002), a fase inicial de
estabelecimento das plantas em áreas degradadas se mostra crítica, tendo em
vista que nem sempre as condições de campo são as ideais para favorecer o
estabelecimento e posterior crescimento das plantas. Conforme destaca Alvarenga
et al. (2016), a porcentagem de sobrevivência depende de fatores genéticos, da
qualidade das mudas, do local de plantio e do clima, além da época de plantio,
dado que tais fatores interferem diretamente no estabelecimento e crescimento
inicial da planta em campo.
A sobrevivência das espécies arbóreas em áreas com finalidade de restauração
é essencial, pois, quando esta é elevada, a capacidade de recuperação da área é
maior, além do fato de não haver necessidade de replantio, o que demandaria mais
mão de obra, elevando os custos na fase de implantação. Martinotto et al. (2012),
ao avaliarem a influência da adubação fosfatada (200 g de superfosfato simples/
planta), na sobrevivência e crescimento inicial de Anadenanthera colubrina, Anacardium
occidentale, Dipteryx alata, Hymenaea stigonocarpa, Hancornia speciosa e Sclerolobium
paniculatum, verificaram que o percentual médio de sobrevivência das espécies
arbóreas variou de 79% a 100%. Comportamento semelhante foi observado para a
maioria das espécies deste estudo, sendo considerado como resultado positivo a alta
sobrevivência das espécies.
Conforme Fuentes-Ramírez et al. (2011), estudos com espécies nativas
relacionando a sobrevivência e crescimento inicial, além de um melhor entendimento
das interações entre as espécies, são de grande importância para contemplar ações de
restauração florestal eficiente da área, pois quando as espécies apresentam melhor
estabelecimento e adaptação ao ambiente onde foram inseridas, mais rápida é a
recuperação da área degradada e menor é o custo total da recuperação.
4.2 Crescimento das plantas
O maior crescimento dos parâmetros biométricos obtido por Schinus
Ci. Fl., Santa Maria, v. 32, n. 1, p. 371-394, jan./mar. 2022
386 | Adubação fosfatada no crescimento inicial ...
terebinthifolius e Guazuma ulmifolia pode estar relacionado ao crescimento acelerado
de ambas as espécies. De acordo com Silva et al. (1997), a alta resposta de algumas
espécies à adubação mineral pode ser atribuída à sua maior taxa de crescimento,
requerendo, desse modo, maior quantidade de nutrientes para atender à demanda
nutricional, permitindo, assim, maior expressão do potencial de produção de biomassa,
principalmente quando recebem os nutrientes que precisam.
Avaliando o crescimento inicial de quatro espécies florestais em área degradada,
submetidas a três níveis de fertilizante NPK 5-20-10 (0, 300 e 500 gramas/planta-1),
com alta concentração de fósforo na formulação, Scheer et al. (2017) constataram que
a Schinus terebinthifolius apresentou altura e diâmetro estaticamente superiores às
demais, corroborando com dados desta pesquisa.
Souza et al. (2001), estudando o estabelecimento de espécies nativas em Ribeirão
Vermelho, MG, mesma região onde foi implantado este experimento, em adubações
com diferentes níveis de fósforo (100, 200 e 400 gramas/planta-1), obtiveram, aos 540
dias, para Schinus terebinthifolius, valores para altura (1,91 m), diâmetro (31,7 mm) e
área de copa (3,08 m²). No presente trabalho, os dados médios de altura, diâmetro e
área de copa, obtidos aos 300 dias, tendem a acompanhar os resultados encontrados
por Souza et al. (2001), ressaltando-se a pequena diferença entre as idades avaliadas.
Conforme esses autores, Schinus terebinthifolius se apresentou como uma espécie
promissora quanto ao crescimento médio em altura, em diâmetro ao nível do solo e
quanto à área de copa, sendo indicado seu plantio nessas condições para a restauração
dessa área, corroborando com os resultados deste presente estudo.
O crescimento elevado da Schinus terebinthifolius em relação às demais espécies,
além da influência da adubação fosfatada, também pode estar relacionado à sua
adaptação ao ambiente, sendo que essa espécie tem a capacidade de apresentar
maior plasticidade fenotípica (CHIAMOLERA; ANGELO; BOEGER, 2011), crescendo
mesmo em condições adversas, evidenciando a facilidade em se estabelecer em
ambientes degradados.
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Silva, O. M. C.; Nieri, E. M.; Santana, L. S.; Almeida, R. S.;
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Valadares et al. (2015), ao avaliarem a influência de quatro níveis de fósforo (0,
150, 300 e 600 mg dm-³), em mudas de três espécies florestais (Astronium fraxinifolium,
Stryphnodendron adstringens e Acacia australiana), constataram que, quando houve
aumento da adubação fosfatada, também houve crescimento em altura e diâmetro
do coleto, sendo uma relação diretamente proporcional. Os máximos crescimentos
em altura e em diâmetro foram obtidos nas doses correspondentes a 278 e 328 mg
dm-³ de fósforo. Neste presente trabalho, que foi realizado em condições de campo,
situação diferente de resultados obtidos em viveiro/vasos, a tendência de crescimento
para algumas espécies foi semelhante à condição de viveiro – quanto maior a dose,
maior foram as médias obtidas dos parâmetros avaliados.
Na avaliação do comportamento de nove espécies florestais, plantadas em área
degradada, no Alto Rio Grande, Minas Gerais, com duas formulações de adubação de
plantio, Faria, Davide e Botelho (1997) observaram comportamento distinto entre as
adubações testadas e entre as espécies. Dentre as espécies estudadas, Peltophorum
dubium apresentou altura de 1,24 m, aos 360 dias, quando utilizada adubação química
(100 g de superfosfato simples + 60 g de sulfato de magnésio + 5 g de sulfato de zinco)
e orgânica (3,0 litros de esterco bovino) e 1,01 m, quando utilizada apenas adubação
química. Esses dados demonstram a influência da adubação mineral no crescimento
inicial das plantas (CARVALHO et al., 2018).
Nesse experimento, aos 300 dias, Peltophorum dubium, Citharexilum myrianthum
e Croton floribundus, com dados de crescimento semelhantes entre si, apresentaram
valores para os parâmetros fitométricos maiores que os observados por Faria, Davide
e Botelho (1997), considerando o período de tempo de avaliação menor. Tal fato pode
estar relacionado também às condições da área. Neste estudo, apesar de ser uma
área de pastagem degradada e com baixos teores de fósforo, os teores de nutrientes
como potássio e cálcio encontravam-se altos no solo, o que pode ter contribuído
conjuntamente com o fornecimento de fósforo, para o crescimento das plantas
dessas espécies. Os valores altos de K e Ca verificados na análise química podem estar
Ci. Fl., Santa Maria, v. 32, n. 1, p. 371-394, jan./mar. 2022
388 | Adubação fosfatada no crescimento inicial ...
relacionados ao antigo cultivo de café, pois, pelo fato de ser uma cultura que recebeu
adubação, possivelmente, deixou no solo da área resíduos desses nutrientes.
Conforme relatam Bertolini, Debastiani e Brun (2015) e Fernandes et al. (2019),
as espécies Peltophorum dubium e Citharexilum myrianthum, respectivamente, em
relação às diversas espécies florestais nativas, apresentam crescimento relativamente
rápido. Todavia, ainda são poucos os trabalhos realizados para inferir sobre as
exigências nutricionais dessas espécies. Em estudo realizado por Venturin et al. (1999),
a espécie Peltophorum dubium apresentou elevada exigência nutricional, confirmando,
dessa forma, sua exigência por solos férteis, pois apresenta crescimento rápido. Neste
estudo, foi observado que, aos 60 dias, o crescimento desta espécie foi lento. Todavia,
aos 300 dias, foi observado bastante incremento, principalmente, em altura e diâmetro
das plantas, possivelmente, porque o efeito da absorção do fósforo ocorre ao longo
do tempo e por resposta às condições climáticas mais propícias entre 60 e 300 dias
após o plantio.
Em relação às espécies que apresentaram ritmo de crescimento menor neste
estudo, tais dados se assemelham aos achados por Resende et al. (1999) e Martinotto
et al. (2012), os quais constataram que espécies de crescimento mais lento tendem
a obter menores respostas à fertilização e se adaptam a solos de baixa fertilidade,
em determinados casos. Psidium guajava é uma espécie rústica, adaptada a diversos
ambientes e a uma grande variedade de solos, sendo uma espécie bastante comum,
que cresce espontaneamente em terrenos baldios, pastos e margem de estradas. Por
causa dessa condição, a espécie converge a não ser responsiva à fertilização, quando
comparada às demais espécies.
Em relação ao baixo crescimento observado para o Inga edulis, esse fato ocorreu
provavelmente devido aos baixos índices pluviométricos na fase de estabelecimento,
o que pode ter afetado diretamente o crescimento desta espécie (CARNEVALI et al.,
2016). Outro ponto observado para as espécies Psidium guajava e Inga edulis, em
relação às demais espécies, é que ambas são classificadas como não pioneiras, as
Ci. Fl., Santa Maria, v. 32, n. 1, p. 371-394, jan./mar. 2022
Silva, O. M. C.; Nieri, E. M.; Santana, L. S.; Almeida, R. S.;
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quais apresentam tendência de crescimento menor, quando comparadas às espécies
pioneiras, corroborando com os dados obtidos neste estudo.
A adubação de base em plantios florestais é de suma importância para o
estabelecimento e crescimento das espécies na fase inicial de implantação, sendo
o fósforo um dos principais nutrientes limitantes para o crescimento inicial das
espécies, uma vez que sua deficiência pode limitar o desenvolvimento de raízes e,
consequentemente, afetar o crescimento da planta em campo (RESENDE et al., 1999;
SCHUMACHER; CECONI; SANTANA, 2004). O suprimento de fósforo na fase inicial de
crescimento da planta é fundamental para o ótimo rendimento da cultura. A falta
desse nutriente no início restringe o crescimento, condição da qual a planta não mais
se recupera. De acordo com Grant et al. (2001), a falta de fósforo no período mais
tardio do ciclo tem muito menor impacto no desenvolvimento da cultura do que a
carência ocorrida no início.
Diferentes espécies podem se comportar de distintas formas quanto à eficiência
de aquisição ou utilização dos nutrientes (BARROS; NEVES; NOVAIS, 2004; VALADARES
et al., 2015), conforme verificado neste estudo. Como a demanda pela planta depende
da sua taxa de crescimento e da eficiência com que ela converte o nutriente absorvido
em biomassa, o conhecimento acerca dessas diferenças na eficiência nutricional pode
representar fator preponderante no emprego mais racional de doses de fertilizantes,
sendo de fundamental importância o estudo da influência da adubação no crescimento
inicial dessas espécies nativas.
5 CONCLUSÕES
As espécies apresentaram altos percentuais de sobrevivência, sendo
recomendadas para a restauração de área degradada, com condições similares às
encontradas neste estudo. Apenas o Inga edulis, com sobrevivência menor que 60%,
não deveria ser indicada, considerando o momento em que o plantio foi realizado.
Ci. Fl., Santa Maria, v. 32, n. 1, p. 371-394, jan./mar. 2022
390 | Adubação fosfatada no crescimento inicial ...
Dentre as espécies nativas avaliadas, que apresentaram forte incremento nas
características de crescimento avaliadas e adaptação ao ambiente degradado, Schinus
terebinthifolius e Guazuma ulmifolia foram as que apresentaram maior potencial para
restauração mais rápida dessa área, em relação às demais.
A aplicação de superfosfato simples influenciou, de forma distinta, o crescimento
inicial das sete espécies florestais nativas. De forma geral, indica-se a dose de 250
gramas de superfosfato simples como adubação de base, para favorecer o crescimento
de todas as espécies.
AGRADECIMENTOS
Os autores agradecem à CEMIG pela disponibilização das mudas e pelo
financiamento de parte da pesquisa.
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Silva, O. M. C.; Nieri, E. M.; Santana, L. S.; Almeida, R. S.;
Araújo, G. C. R.; Botelho, S. A.; Melo, L. A. | 393
Contribuição de Autoria
1 – Oclizio Medeiros das Chagas Silva
Engenheiro Florestal, Me., Doutorando em Ciências Ambientais e Florestais
[Link] • omflorestal@[Link]
Contribuição: Investigação, Conceituação, Análise Formal, Metodologia, Visualização
de dados, Escrita – primeira redação, Escrita – revisão e edição
2 – Erick Martins Nieri
Engenheiro Florestal, Dr. Professor
[Link] • ericknieri@[Link]
Contribuição: Metodologia, Visualização de dados, Escrita – revisão e edição
3 – Lucas Santos Santana
Engenheiro Agrônomo, Me., Doutorando em Engenharia Agrícola
[Link] • lucas.santana1@[Link]
Contribuição: Visualização de dados, Escrita – revisão e edição
4 – Rodolfo Soares Almeida
Engenheiro Florestal, Me., Doutorando em Engenharia Florestal
[Link] • rodoxalmeida1991@[Link]
Contribuição: Metodologia, Visualização de dados, Escrita – revisão e edição
5 – Geisislaine do Carmo Reis Araújo
Engenheira Florestal, Ma.
[Link] • geisecraraujo@[Link]
Contribuição: Visualização de dados, Escrita – revisão e edição
6 – Soraya Alvarenga Botelho
Engenheira Florestal, Dra., Professora
[Link] • sbotelho@[Link]
Contribuição: Recursos, Investigação, Conceituação, Análise Formal, Metodologia
Ci. Fl., Santa Maria, v. 32, n. 1, p. 371-394, jan./mar. 2022
394 | Adubação fosfatada no crescimento inicial ...
7 – Lucas Amaral de Melo
Engenheiro Florestal, Dr., Professor
[Link] • [Link]@[Link]
Contribuição: Recursos, Investigação, Conceituação, Análise Formal, Metodologia,
Visualização de dados, Supervisão, Escrita – revisão e edição
Como citar este artigo
Silva, O. M. C.; Nieri, E. M.; Santana, L. S.; Almeida, R. S.; Araújo, G. C. R.; Botelho, S. A.; Melo,
L. A. Adubação fosfatada no crescimento inicial de sete espécies florestais nativas destinadas
à recuperação de uma área degradada. Ciência Florestal, Santa Maria, v. 32, n. 1, p. 371-394,
2022. DOI 10.5902/1980509861339. Disponível em: [Link]
Ci. Fl., Santa Maria, v. 32, n. 1, p. 371-394, jan./mar. 2022