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Análise de "Auto da Feira" de Gil Vicente

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PORTUGUÊS 12.

O ANO

TEORIA
GIL VICENTE, AUTO DA FEIRA (obra integral)

TÓPICOS DE ANÁLISE EM AUTO DA FEIRA

• Esta moralidade apresenta-nos personagens alegóricas (concretizações de abstrações), por meio das
quais Gil Vicente consegue expor vícios, defeitos e maus costumes de classes sociais (neste caso, de
uma cidade – Roma – centro institucional da espiritualidade cristã e da instituição Igreja).
Natureza e estrutura da obra

• Com o uso de cómico vai-se pondo em prática o objetivo de «ridendo castigat mores» («a rir se casti-
gam os costumes»).
• O texto dramático não está dividido em partes específicas, no entanto identificam-se três grandes
momentos:
– a sátira inicial do universo astrológico (com referências aos signos do Zodíaco e a constelações);
– o desenvolvimento de todos os percursos cénicos das personagens que vão à feira do Diabo e à
do Serafim;
– o desenlace, com o destino final das personagens (com as mercadorias que compram ou com a
desistência e abandono da feira) e com o louvor à Virgem Maria feito pelas «nove moças dos mon-
tes, e três mancebos».
• O discurso é tipicamente vicentino, ou seja, em verso, com recurso ao latim e à ironia.

• Mercúrio: mensageiro dos deuses, «senhor / de muitas sabedorias, / e das moedas reitor, / e deos
das mercadorias»; é ele quem ordena que se faça uma «feira».
• Tempo: personagem que nomeia a feira «feira chamada das Graças, / à honra da Virgem parida em
Belém»; é ele quem a abre e é também ele quem pede a Deus que lhe mande um Serafim.
• Serafim: anjo da primeira hierarquia dos anjos, aquela que está mais próxima de Deus, logo a mais
poderosa; possui seis asas – duas cobrem o rosto, duas cobrem os pés e duas servem para voar;
está sempre ligado ao louvor e à glorificação de Deus.
Caracterização das personagens e relação entre elas

• Diabo: personagem alegórica que tenta vender mercadorias contrárias ao bem e aos bons costu-
mes; conotado como símbolo do Inferno e responsável pelos anjos que se revoltaram contra Deus.
• Roma: primeira compradora e cliente da feira, que passa junto da banca do Diabo e o renega por lhe ter
comprado anteriormente costumes maus; Roma acaba nas mãos do Serafim, pedindo-lhe paz, ciente de
que tem de mudar de vida.

• Amâncio Vaz Amâncio e Denis são «compadres» e vão à feira para


tentar ver-se livres das respetivas mulheres, pensando
• Denis Lourenço trocá-las entre si.
• Branca Anes Branca e Marta são, respetivamente, as esposas de Amâncio
• Marta Dias e Denis, primas e símbolo da ignorância do povo quanto aos
dogmas da fé cristã.
• Justina • Tesaura
• Leonarda • Merenciana Estas personagens surgem no texto como
• Teodora • Doroteia «nove moças dos montes, e três mancebos,
• Moneca • Gilberto todos com cestos nas cabeças», trazendo
mercadorias para vender e o desejo de lou-
• Giralda • Nabor var a Virgem Maria. Hendrick Goltzius,
• Juliana • Dionísio Mercúrio, 1611

• Vicente Vicente e Mateus são dois homens que tentam as «moças», tentando obter prazeres
• Mateus carnais, mas acabam por abandonar a feira sem os seus desejos satisfeitos.

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