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Análise do Auto da Feira de Gil Vicente

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EXAME PORTUGUÊS 12

TÓPICOS DE ANÁLISE EM AUTO DA FEIRA


e representação alegórica

• Como se percebe pela sua caracterização, Mercúrio (e os representantes dos signos do Zodíaco), Tempo,
Dimensão religiosa

Serafim, Diabo e Roma são personagens alegóricas, sendo as três últimas ligadas ao Cristianismo
(e à sua divisão Céu / Inferno).
• As restantes personagens representam tipos sociais, sobretudo populares, que têm comportamentos
ora ignorantes e inocentes, ora interesseiros.
• A moral vigente é a da boa conduta (bons costumes) que conduz ao céu ou ao paraíso, enfim, a Deus.

• Com Amâncio e Denis, Branca e Marta percebemos o quotidiano da vida de casados (diferença de
Representação do

personalidades e conflitos).
quotidiano

• Com Vicente e Mateus testemunhamos a realidade dos homens sem escrúpulos que procuram pra-
zeres carnais.
• Com as «moças» e os «mancebos» percebemos o quotidiano rural de quem vem vender à feira e,
vendo que esta é dedicada a virtudes e a Nossa Senhora, opta por A louvar, cantando em coro o seu
papel de Mãe de Deus.

AUTO DA FEIRA1 – RESUMO

• «A obra seguinte é chamada Auto da Feira. Foi representada ao mui excelente Príncipe El Reo Dom Joam,
o terceiro em Portugal deste nome, na sua nobre e sempre real cidade de Lisboa, às matinas do Natal, na
era do Senhor de MDXXVII.» [1527]

• Entra Mercúrio e pede a máxima atenção para explicar aos presentes quem o mandou e o motivo da sua
descida à terra: Mercúrio faz algumas considerações prévias:
– todos os terrestres (crentes e não crentes) querem saber o que lhes reserva o futuro;
– presta-se a revelar como tudo funciona no mundo de onde vem, não sem antes mencionar um famoso
matemático e astrólogo da época, Francisco Melo:
> o céu é redondo; o Sol é amarelo;
> os humanos são gerados, nascem, crescem e morrem – é esta a grande regra do senhor Tempo;
> do céu vêm o Sol, as chuvas e tudo se encaixa na vida dos terrestres.
£

Daqui se depreende a sátira que Gil Vicente faz


da astrologia e seus signos do zodíaco, bem como das constelações.

• Mercúrio acrescenta uma crítica a «clérigos e frades / já não têm ao Céo respeito, / mingua-lhes as santi-
dades, / e crece-lhes o proveito».

• Entra o Tempo, que apresenta a feira:


– uma feira de virtudes instalada em tempo de Natal – «Feira das Graças, / à honra da Virgem parida em
Belém»;
– o que se vende: «Todas virtudes qu'houverem mister […] / «a troco de cousas que hão de trazer» / «Todos
remédios especialmente / contra fortunas e adversidades»; conselhos sábios e sensatos; amor; razão;
justiça; verdade; paz (porque os Cristão se comportam como danados e discutem / rivalizam, pecami-
nosos); «o temor de Deos / que é já perdido em todos estados»; «as chaves dos Céos»; acerto de contas
para com Deus;
– lá estará também o Anjo de Deus para ajudar o Tempo, que teme «maus compradores», influenciados
pela «feira do Demo», mesmo ali ao lado.

1
A obra de referência para o estudo deste texto vicentino é Gil Vicente, Teatro de Gil Vicente (apresentação e leitura de António José Saraiva),
Lisboa, Dinalivro, 1998.

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