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Resumo do Auto da Feira: Temas e Personagens

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PORTUGUÊS 12.

O ANO

TEORIA

AUTO DA FEIRA – RESUMO

• Entra um Serafim, apregoando:


– chama os destinatários que precisam de comprar na Feira das Graças: igrejas; mosteiros; pastores das
almas; papas corruptos; «Príncipes altos; «donas e donzelas» —≥ todos convidados a imitar os santos
antigos, a «comprar» o temor de Deus e «as cousas mais belas».

• Entra um Diabo com seu «bufarinheiro» e diálogo com o Tempo:


– o Tempo cumprimenta-o com educação e recebe gozo na resposta do Diabo, ao que o Tempo reza para
ele se afastar dali;
– o Diabo diz que é ele mesmo aquele que vende sempre mais nestas feiras: produtos de qualidade duvi-
dosa, mas disfarçados de bons; «artes de enganar, / e cousas pera esquecer / o que deviam lembrar»;
tecidos de ouro e prata; ruindade e maldade a quem ambiciona dinheiro; «perfumaduras» (feitiços);
«virotes» (setas curtas e impróprias para combates); «trago d’Andaluzia / naipes com que os sacer-
dotes / arreneguem cada dia, / e joguem até os pelotes» (crítica aos vícios do jogo e às heresias de
trocarem vestes sacerdotais por dinheiro ou vice-versa).

• Entra Roma:
– queixa-se de que nações e pessoas más a perseguem e lhe armam ciladas, por isso vem à feira «comprar
paz, verdade e fé»;
– diálogo com o Diabo: este desdenha e acusa todas as virtudes, mas ela recusa fazer-lhe compras porque
já lhe comprou mentiras e enganos no passado, e isso só lhe trouxe coisas más;
– dirige-se à Feira das Graças: Serafim saúda-a por ser a primeira senhora e enceta-se o diálogo com os
conselhos do Serafim: tem de mudar de vida, não se revoltar contra Deus, se faz guerra a outros e a
Deus, guerra receberá de todos; aconselha-a a fazer um exame de consciência.

• Entram dois lavradores – Amâncio Vaz e Denis Lourenço:


– Amâncio: quer ir à feira vender a mulher, que é agressiva; explica que casou com ela, esperando que ela
morresse das duas doenças que tinha – era tísica e tuberculosa –, mas melhorou e ela agora derreia-o
à pancada. Ele acha que ela é «endemoinhada»: arranca-lhe os cabelos e dá-lhe murros na cara (mesmo
na presença de vizinhos);
– Denis: queixa-se da sua mulher porque ela é demasiado fraca, distraída, incompetente em tudo, espe-
cialmente nas limpezas da casa e nos cozinhados, cala-se (fazendo birra) e ele não sabe o que fazer; se
vir um gato ou outro bicho, não o afasta e continua pacífica e inocente;
– Denis afirma que queria uma mulher como a de Amâncio para o defender, caso ele fosse atacado, e
Amâncio propõe uma troca da sua pela dele.

• Entram as mulheres dos dois lavradores, «Branca Anes a brava, e Marta Dias a mansa», dialogando:
– Branca: o marido só come e dorme; quando vai para os campos, nada faz, come tudo o que lhe aparecer;
– Marta: mostra-se serena e não julga nenhum dos dois maridos em causa.

• Entram «nove moças dos montes, e três mancebos,


todas com cestos nas cabeças, cobertos, cantando»:
– Gilberto (um dos moços) explica que estas moças
vêm aqui «folgar» e trazem nos cestos as suas
merendas.

• Entretanto, chegam dois compradores – Vicente e


Mateus:
– segue-se o diálogo individual entre cada um destes
dois compradores e as moças à vez – eles procuram
satisfazer os seus prazeres carnais e elas tudo lhes
negam: mercadorias e prazeres.
Ilya Repin, Segue-me, Satanás, 1895

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