Contratos Administrativos: Lei 14.133/2021
Contratos Administrativos: Lei 14.133/2021
Antonio
Daud
UnB - Legislação e Ética na
Administração Pública - 2025 (Pós-Edital)
Autor:
Antonio Daud, Ricardo Torques,
Rodrigo Rennó, Tiago Zanolla,
Equipe Legislação Específica
Estratégia Concursos
06 de Abril de 2025
Índice
1) Contratos Administrativos - Lei nº 14.133/2021
..............................................................................................................................................................................................3
INTRODUÇÃO
Olá, amigos (as)!
Nesta aula iremos discorrer acerca dos contratos celebrados pelos entes públicos sob regime
predominantemente de direito público, ou, simplesmente, contratos administrativos, com foco na
nova lei de licitações e contratos (Lei 14.133/2021).
De forma mais precisa, podemos considerar que um “contrato”, seja na esfera pública ou na
privada, é marcado pelos seguintes elementos:
No tocante aos “contratos administrativos”, as regras da nova lei estão concentradas nos seus
artigos 89 a 154, os quais iremos comentar nesta aula.
Mas, além da Lei 14.133, existem outras normas para reger os contratos celebrados
pela Administração.
Há contratos que seguirão normas próprias, como é o caso dos contratos celebrados
por empresas públicas e sociedades de economia mista, aos quais se aplicarão,
==48e4e3==
Repare que, quando a nova lei foi publicada, já existiam milhares de contratos em vigor,
regidos pela Lei 8.666/1993 ou pela Lei 12.462/2011 (que serão revogadas dentro do
prazo de 2 anos). Então, o legislador cuidou de prever regras de transição (arts. 190-
191), para definir quais regras seriam aplicáveis a eles.
Nesse sentido, se o contrato foi assinado antes da publicação da Lei 14.133, ele
"continuará a ser regido de acordo com as regras previstas na legislação revogada". Ou
seja, para os contratos anteriores à Lei 14.133, continuam valendo as regras "antigas"
(art. 190).
Além disso, se a Administração tiver optado por celebrar um contrato regido pela "lei
antiga", ele continuará sendo regido por aquelas normas durante toda sua vigência,
mesmo após a publicação da Lei 14.133 (art. 191, p.u.).
Após termos feito esta breve contextualização, iremos diferenciar os “contratos administrativos”
dos demais contratos celebrados pela Administração Pública.
Contratos da Administração
INCIDÊNCIA EM PROVA: BAIXÍSSIMA
A expressão “contrato da administração” é empregada para designar todo e qualquer contrato
celebrado pela Administração Pública, seja sob regime de direito público ou privado.
Já a expressão “contrato administrativo” é reservada para abranger apenas os ajustes em que a
Administração, nesta qualidade, celebra sob o regime jurídico de direito público, consoante
leciona Di Pietro.
É comum dizer que, nos contratos de direito privado, a Administração se nivela ao particular,
caracterizando-se uma relação jurídica marcada pela horizontalidade.
Já nos contratos administrativos, a Administração age como poder público, fazendo uso de todo
seu poder de império sobre o particular, sendo marcados pela verticalidade.
A bem da verdade, é importante registrar que os contratos celebrados pela Administração nunca
serão submetidos a regime integralmente de direito privado ou integralmente de direito público.
Teremos, em ambos os casos, a predominância de um regime sobre outro, da seguinte forma:
Regime predominantemente de
Contratos de direito direito privado
privado
Contratos da (horizontalidade)
Administração Regime predominantemente de
Contratos direito público
administrativos
(verticalidade)
Quanto a esta diferenciação, José dos Santos Carvalho Filho 1 afirma que
nem o aspecto subjetivo nem o objetivo servem como elemento diferencial. Significa
que só o fato de ser o Estado sujeito na relação contratual não serve, isoladamente,
para caracterizar o contrato como administrativo. O mesmo se diga quanto ao objeto:
é que não só os contratos administrativos, como também os contratos privados da
Administração, hão de ter, fatalmente, um objetivo que traduza interesse público.
Assim, tais elementos têm que ser sempre conjugados com o regime jurídico, este sim
o elemento marcante e diferencial dos contratos administrativos.
É possível incluir, também, nesta lista os contratos de serviço público em que a Administração
Pública é a usuária, a exemplo dos contratos de prestação do serviço de telefonia fixa para
repartições públicas.
Os contratos privados celebrados pela Administração são regidos predominantemente pelo
direito privado. Ou seja, a maior parte das regras são provenientes do direito privado. No entanto,
uma fração destas regras será derrogada por normas de direito público, falando-se em derrogação
parcial das normas de direito privado por normas de direito público.
Contratos administrativos
Como se sabe, o regime jurídico-administrativo é marcado por prerrogativas (poderes) e sujeições
(limitações) à atuação estatal.
O que diferencia os contratos administrativos dos demais são justamente as prerrogativas do
poder público neles manifestadas. Isto porque as sujeições impostas à Administração em ambos
os contratos (de direito privado ou de direito público) são as mesmas. Ou seja, como já
comentamos, em ambos os regimes, os contratos obedecem a exigências de forma, de
procedimento, de competência e de finalidade.
Retornando às prerrogativas, veremos que estas se materializam nas chamadas “cláusulas
exorbitantes”, as quais efetivamente colocam a Administração Pública em posição de
superioridade sobre o particular.
1
FILHO, José dos Santos Carvalho. Manual de Direito Administrativo. 27ª ed. Atlas. P. 177
Adiante nesta aula veremos com mais detalhes o que são estas “cláusulas exorbitantes”, mas já
podemos adiantar alguns exemplos, como a possibilidade de alteração e extinção unilateral e a
aplicação de penalidades à empresa contratada.
Estas cláusulas são incomuns ou até ilícitas nos contratos entre particulares. No entanto, nos
contratos celebrados pela Administração sob regime de direito público, elas constituem seu
elemento mais marcante.
Tratando-se de contratos sob regime de direito público, as cláusulas exorbitantes produzirão
efeitos por força das disposições legais, ou seja, mesmo se não previstas como cláusulas nos
respectivos contratos administrativos.
Avançando um pouco mais, é importante destacar que, havendo lacuna na legislação, é possível
a utilização de normas do direito privado também nos contratos administrativos. Ou seja, na
inexistência de norma específica de direito público, poderão ser aplicados, de forma supletiva (ou
subsidiária), preceitos do direito privado e princípios da teoria geral dos contratos:
Lei 14.133, art. 89. Os contratos de que trata esta Lei regular-se-ão pelas suas cláusulas
e pelos preceitos de direito público, e a eles serão aplicados, supletivamente, os
princípios da teoria geral dos contratos e as disposições de direito privado.
Em ambas as espécies de contrato, a contratação deve sempre ter em vista o interesse público,
sob pena de desvio de poder.
horizontalidade Verticalidade
2 Citado por DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. Ed. GenMétodo. 31ª ed. 2018. Item 8.11
Então, por exemplo3, no contrato de compra e venda, o vendedor quer alienar o bem para
receber o melhor preço e o comprador quer adquirir pagando o menor valor (oposição de
interesses).
Por exemplo, uma prefeitura celebra um convênio com a União para a realização de uma amostra
cultural. Neste caso, tanto a União como a Prefeitura têm o mesmo interesse, o fomento à cultura
(interesses comuns). Por este motivo, nos convênios falamos em partícipes (ou participantes),
não se fala em partes opostas.
Para melhor apresentar os contornos dos “convênios”, Di Pietro4 aponta ainda outra importante
diferença com os “contratos”: a inexistência de contraprestação nos convênios.
Em um contrato, a remuneração paga ao contratado consiste em uma contraprestação pelos
serviços prestados. Além disso, o valor pago a título de remuneração passa a integrar o patrimônio
da entidade que o recebeu, que poderá lhe dar a destinação que bem entender. Portanto, em um
contrato, é irrelevante para o repassador a utilização que será feita daquele valor.
Já em um convênio, o ente público pode até repassar recursos ao outro participante, mas esta
não terá natureza de contraprestação. O valor recebido do poder público pelo participante fica
vinculado à utilização prevista no convênio.
Em outras palavras, se o convênio destinou recursos para a pavimentação de ruas, o particular que
os recebeu não poderia dar destinação diversa a eles. Este valor recebido não perde a natureza
de dinheiro público, podendo ser utilizado apenas para a finalidade prevista no convênio.
Antes de encerrar este paralelo, é importante destacar que, de forma geral, os convênios podem
ser celebrados entre (i) dois entes públicos ou (ii) ente público e entidades privadas.
Apesar destas diferenças, prevê a Lei 14.133 que suas regras aplicam-se aos convênios, acordos,
ajustes e outros instrumentos congêneres se (i) na ausência de norma específica sobre convênios
e (ii) no que couber - art. 184.
3
DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. Ed. GenMétodo. 31ª ed. 2018. Item 8.11
4
DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. Ed. GenMétodo. 31ª ed. 2018. Item 8.11
Contrato Convênio
Mais adiante vamos detalhar algumas características dos convênios, mas é importante já avançar
com esta distinção traçada.
----
Estudadas as diferenças entre “contrato administrativo” e “ato administrativo”, entre aqueles e os
“contrato da administração” e os “convênios”, iremos passar a detalhar o conceito e
características dos “contratos administrativos”.
CONCEITO
INCIDÊNCIA EM PROVA: BAIXÍSSIMA
Adiante veremos algumas definições de “contratos administrativos”, a partir das quais
perceberemos seu elemento principal: a regência por normas de direito público,
predominantemente.
Para Hely Lopes Meirelles 5
Contrato administrativo é o ajuste que a Administração Pública, agindo nessa
qualidade, firma com particular ou outra entidade administrativa para a consecução
de objetivos de interesse público, nas condições estabelecidas pela própria
Administração
5
MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro, 35ª edição, p. 239.
De forma semelhante, segundo José dos Santos Carvalho Filho 6, contrato administrativo consiste
no
ajuste firmado entre a Administração Pública e um particular, regulado basicamente
pelo direito público, e tendo por objeto uma atividade que, de alguma forma, traduza
interesse público
Percebam o seguinte: os sujeitos e o objeto do contrato são insuficientes para se caracterizar uma
avença como “contrato administrativo”. O ‘fiel da balança’ será o regime jurídico, necessariamente
de direito público.
Assim, é possível que tenhamos um ente público como sujeito de um contrato, que não seja regido
pelo direito público. No mesmo sentido, em relação ao objeto do contrato, em todos os casos a
avença está destinada a perseguir o interesse público, seja regida pelo direito privado ou público.
CARACTERÍSTICAS
INCIDÊNCIA EM PROVA: MÉDIA
Segundo Hely Lopes Meirelles, o contrato administrativo é sempre consensual e, em regra, formal,
oneroso, comutativo e realizado intuitu personae.
Assim, além de ter sempre a Administração como parte e buscar o alcance do interesse público,
temos ainda as seguintes características dos contratos administrativos:
Co Consensual
F Formal
O Oneroso
Co Comutativo
I Intuitu personae
6
FILHO, José dos Santos Carvalho. Manual de Direito Administrativo. 27ª ed. Atlas. P. 177
independentemente do
formalismo dos facultativo
valor, para compra com
contratos entrega imediata e
administrativos Instrumento de integral (sem obrigações
contrato futuras)
1) Como regra geral, os contratos administrativos terão forma escrita (art. 91, caput).
Nesse sentido, a nova lei prevê que tanto os contratos como seus aditamentos7:
Art. 91. Os contratos e seus aditamentos terão forma escrita e serão juntados ao
processo que tiver dado origem à contratação, divulgados e mantidos à disposição
do público em sítio eletrônico oficial.
Em virtude da exigência da forma escrita, dizemos que, em regra, é necessária a existência de um
termo de contrato (ou instrumento de contrato), o qual poderá ser em papel ou na forma
eletrônica (art. 91, §3º). Este “termo de contrato”, não sendo sigiloso, deverá ser divulgado na
internet e mantido à disposição para consulta do público em geral (conforme detalharemos mais
adiante).
Além disso, se o contrato versar sobre direitos reais sobre imóveis (como o contrato de compra e
venda de um prédio, por exemplo), este será formalizado por escritura pública (art. 91, §2º), que
também deverá ser divulgada ao público em geral.
Isto nos leva à segunda regra:
7
Aditamento consiste, em síntese, naquele instrumento que alterou o contrato celebrado inicialmente.
Nestas situações em que o instrumento de contrato é facultativo, não se trata de contrato verbal.
Caso não utilize o instrumento de contrato, a Administração deverá substituí-lo por outros
documentos hábeis, tais como carta-contrato, nota de empenho de despesa, autorização de
compra ou ordem de execução de serviço.
Instrumento de contrato
FACULTATIVO OBRIGATÓRIO
independentemente do
dispensa de
valor, para compra com
licitação por baixo demais casos
entrega imediata e integral
valor
(sem obrigações futuras)
Contrato verbal
pequenas compras e
até R$
EXCEÇÃO serviços de pronto
10.000,00
pagamento
Bilateralidade
Os contratos administrativos são negócios jurídicos bilaterais, pois seu surgimento demanda a
concordância de mais de uma parte e, assim, produzem efeitos para ambas as partes.
Uma destas partes será sempre um ente da Administração Pública, em geral chamada de
“contratante”, sendo a outra parte chamada de “contratada”.
Onerosidade
Em regra, os contratos administrativos têm caráter oneroso. Isto significa que o poder público se
compromete a entregar uma contraprestação (em geral, financeira) à empresa contratada que
cumprir suas obrigações contratuais.
Quando, por outro lado, for celebrado contrato pactuando a alienação de determinado bem por
parte da Administração, o ônus financeiro será do particular. De qualquer modo, os contratos
administrativos em regra não são gratuitos.
Comutatividade
Além de serem onerosos (existência de contraprestação), os contratos administrativos, em regra,
são comutativos (ou sinalagmáticos), na medida em que existe equivalência ou reciprocidade entre
as obrigações a que se comprometeram as partes.
Vou abrir um parêntese aqui para adiantar que uma das características marcantes dos contratos
administrativos é a existência das cláusulas exorbitantes, que colocam o poder público em um
patamar de superioridade em relação ao particular contratado – verticalidade (assunto detalhado
mais adiante nesta aula).
No entanto, tais cláusulas exorbitantes não desnaturam a comutatividade dos contratos
administrativos, uma vez que o particular tem garantida, mesmo nos casos de alteração unilateral
do contrato, a manutenção do equilíbrio econômico-financeiro do contrato (isto é, a manutenção
da equivalência das obrigações). Portanto, mesmo diante das cláusulas exorbitantes, o contrato
continua administrativo sendo comutativo, com prestações equivalentes e economicamente
equilibradas.
Intuitu personae (pessoalidade)
Em regra, os contratos administrativos para os quais a lei exige licitação são firmados intuitu
personae, isto é, são celebrados em razão das condições pessoais da empresa contratada, aferidas
por meio do procedimento da licitação. Daí se diz que os contratos administrativos são
personalíssimos.
Em outras palavras, se uma empresa foi selecionada para ser contratada, é aquela própria empresa
quem deverá prestar os serviços ou fornecer as mercadorias contratadas. Portanto, se aquela
empresa falir, por exemplo, e deixar de existir, o contrato deverá ser igualmente extinto (art. 137,
IV).
Imaginem o seguinte: um município celebra contrato administrativo com um advogado para lhe
prestar assessoria jurídica quanto a um assunto específico e, posteriormente, tal advogado
falece. Nesta situação, aquele contrato fica extinto, na medida em que o advogado havia sido
contratado pelas suas características pessoais (intuitu personae).
Nesse sentido, a Lei 14.133 prevê a hipótese de falecimento como geradora de extinção
contratual (art. 137, IV), que tem o efeito de declarar o fim daquele vínculo contratual.
No entanto, atendidas as condições previstas em lei, em caráter excepcional, é possível que ocorra
a subcontratação.
Exemplo: se a contratada foi a ‘empresa A’, atendidas determinadas condições, ela poderia
“transferir” uma parte do contrato para a ‘empresa B’. Neste caso, dizemos que a ‘empresa B’ foi
subcontratada.
parcial (regra)
Como detalharemos mais à frente nesta aula, uma das novidades da Lei 14.133 consiste na
possibilidade de se exigir seguro-garantia para contratos de obras e serviços de engenharia (art.
99). Nestes casos, pode-se estabelecer que, caso a empresa contratada descumpra o contrato, a
seguradora assumirá a execução e irá concluir a obra.
Neste cenário, uma das alternativas para a seguradora concluir a obra é a subcontratação daquela
obra para uma empresa do ramo da construção civil e, neste caso, a lei permitiu até mesmo a
subcontratação total, isto é, de 100% do que faltar da obra (art. 102, III).
Percebam que, embora se admita como regra a subcontratação meramente parcial, no caso do
seguro para obras e serviços de engenharia, passa a ser possível a subcontratação total.
exceção: seguro p/
total ou
parcial (regra) obras e serviços de
parcial
engenharia
Contrato de adesão
Consoante leciona Di Pietro, todas as cláusulas dos contratos administrativos são fixadas
unilateralmente pela Administração.
Pense da seguinte forma: a Administração publica o edital de uma licitação, fixando condições
em que pretende contratar. Quando uma empresa envia sua proposta, em atendimento àquele
edital, isto significa que ela aceitou tais condições e está de acordo com a oferta feita pela
Administração.
Portanto, em geral a empresa contratada não goza de liberdade para discutir e convencionar
cláusulas contratuais com o poder público. Ou a empresa adere àqueles termos ou não celebra o
contrato. A partir desta noção, dizemos que o contrato administrativo é de adesão.
Nesse sentido, destaco que a Lei 14.133/2021 prevê a minuta do contrato a ser celebrado como
anexo edital da licitação (art. 18, VI), como regra geral.
Além disso, mesmo quando o contrato não é precedido de licitação, a Administração é quem
estabelece, previamente, as cláusulas contratuais.
Antes, porém, de concluir, destaco que a tipicidade não é característica dos contratos
administrativos. Diferentemente dos “atos administrativos” (que devem corresponder a figuras
previamente definidas e nominadas pela Lei), quanto aos “contratos administrativos”, é possível
que as partes celebrem um contrato inominado (não tipificado), desde que alinhado ao interesse
público e ao particular.
Portanto, qualquer que seja seu valor, o ente público contratante deve divulgar o
contrato e seus aditamentos no Portal Nacional de Contratações Públicas (art. 94).
Este é uma condição para que o contrato possa produzir efeitos, de onde se diz que a “divulgação
(..) é condição indispensável à eficácia do contrato” (art. 94). Caso o contrato assinado não seja
divulgado, ainda que seja válido, ele não poderia produzir efeitos, como regra.
Em relação aos prazos para divulgação, a nova lei passou a prever que a divulgação deve ocorrer
dentro dos seguintes períodos (contados de sua assinatura):
20 dias
se celebrado após licitação
úteis
10 dias
após contratação direta
úteis
A lei prevê, ainda, regra específica para os contratos celebrados em caso de urgência. Estes terão
eficácia imediata, a partir de sua assinatura (e não a partir da divulgação no Portal, como os
demais), mas deverão ser publicados nos prazos acima destacados, sob pena de nulidade (art. 94,
§1º).
Tratando-se da contratação de profissional do setor artístico por inexigibilidade, a divulgação no
Portal deverá identificar os custos do cachê do artista, dos músicos ou da banda, quando houver,
do transporte, da hospedagem, da infraestrutura, da logística e das demais despesas específicas
do evento (art. 94, §2º).
Por fim, no caso de obras, a Administração divulgará em sítio eletrônico oficial, em até 25 dias
úteis após a assinatura do contrato, os quantitativos e os preços unitários e totais que contratar e,
em até 45 dias úteis após a conclusão do contrato, os quantitativos executados e os preços
praticados (art. 94, §3º).
Esquematizando as principais regras quanto à divulgação dos contratos, temos que:
----
Tomando por base a regra geral no sentido de que os contratos sejam formalizados em um
“instrumento de contrato”, a Lei 14.133 prevê o conteúdo mínimo deste contrato, ou seja as
“cláusulas necessárias” do contrato, o que será detalhado a seguir.
Ressaltamos, na cor vermelha, as cláusulas necessárias que não constavam do art. 55 da Lei 8.666,
que passaram a ser previstas pela nova lei, as quais possuem maior tendência a serem exploradas
nas próximas provas.
Dois detalhes deste rol do art. 92 foram cobrados nas questões abaixo:
FCC/ARTESP – Agente de Fiscalização à Regulação de Transporte (adaptada)
Nos termos da Lei n° 14.133/2021, os contratos administrativos têm, como uma de suas cláusulas
necessárias, o crédito pelo qual correrá a despesa, sendo prescindível a indicação da classificação
funcional programática e da categoria econômica.
Gabarito (E), ao destoar do que dispõe o inciso VIII do art. 92 da nova lei. Ambas as informações devem
constar do termo do contrato: tanto o crédito orçamentário quanto sua classificação funcional
programática e da categoria econômica. Portanto, ambas são imprescindíveis.
Relacionado a este tema, adianto que a nova lei previu expressamente a possibilidade
de se utilizarem meios alternativos de prevenção e resolução de conflitos, como a
8
E além dos elementos “básicos” mencionados no art. 89, §§1º e 2º, da Lei 14.133/2021.
Ademais, quando necessário, os contratos devem conter cláusula que preveja período
antecedente à expedição da ordem de serviço para verificação de pendências, liberação de áreas
ou adoção de outras providências cabíveis para a regularidade do início de sua execução (art. 92,
§ 2º). Assim, quando a ordem para início do contrato for expedida, todas estas questões já
estariam solucionadas, para efetivamente ser iniciada a execução do contrato.
Vale destacar, ainda, o disposto no artigo 150 da Lei, que prevê que todo contrato deve conter:
Art. 150. Nenhuma contratação será feita sem a caracterização adequada de seu
objeto e sem a indicação dos créditos orçamentários para pagamento das parcelas
contratuais vincendas no exercício em que for realizada a contratação, sob pena
de nulidade do ato e de responsabilização de quem lhe tiver dado causa.
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Seguindo adiante, lembro que Hely Lopes Meirelles 9 lecionava, ainda sob a égide da Lei
8.666/1993, em todo contrato administrativo estão presentes também as denominadas cláusulas
implícitas, que se consideram existentes mesmo que não escritas.
Nesse sentido, mesmo que o instrumento do contrato não preveja, por exemplo, a possibilidade
de extinção unilateral por interesse público, esta seria uma cláusula implícita daquele contrato.
O mesmo ocorre em relação às cláusulas que autorizam redução ou ampliação do objeto do
contrato, dentro dos limites regulamentares; a que faculta a assunção dos trabalhos paralisados,
para evitar a descontinuidade do serviço público, e outras que constituam privilégios irrenunciáveis
do poder público em suas contratações.
CLÁUSULAS EXORBITANTES
Cláusulas exorbitantes, pelo próprio nome, são aquelas que exorbitam do direito comum. Elas
seriam consideradas “leoninas”, ilícitas, em um contrato privado, que está sujeito à equivalência
jurídica entre as partes contratantes (horizontalidade). Mas, nos contratos administrativos
(marcados pela verticalidade), elas representam sua principal característica. Estas cláusulas
consistem em poderes, prerrogativas, conferidos à Administração a fim de que o interesse público
possa prevalecer sobre o interesse privado. Neste sentido, o art. 104 da Lei 14.133/2021 enumera
as seguintes cláusulas exorbitantes:
fiscalizar a execução do
cláusulas contrato
exorbitantes pela inexecução total ou parcial
do ajuste
aplicar sanções
motivadas
Além destas, poderíamos considerar também como cláusulas exorbitantes 10 (art. 96 e art. 137, §2º,
IV, respectivamente):
Aproveito para lembrar que a grande maioria destas cláusulas exorbitantes não está presente no
regime de contratações estabelecido pela Lei das Estatais. Dito isto, vamos detalhar cada uma
destas sete cláusulas!
10
Parte da doutrina considera, ainda, como cláusula exorbitante a possibilidade de exigência das
“medidas de compensação” a que se refere o art. 26, §6º, da Lei 14.133/2021.
A remuneração (por vezes chamada de “equação financeira do contrato”) deve ser preservada
durante toda sua vigência, não sendo passível de ser alterada unilateralmente.
Vejam, portanto, que nem toda cláusula do contrato administrativo comporta alteração unilateral.
Há algumas que, dada a característica da consensualidade do contrato e seus efeitos financeiros,
exigem consentimento da empresa contratada (alteração bilateral).
Nesse sentido, o art. 124 elenca dois conjuntos de situações: (I) aquelas que podem ser realizadas
unilateralmente e (II) que exigem alteração bilateral. Comparando, lado a lado, estas cláusulas
temos o seguinte:
Admitem alteração unilateral (art. 124, inc. I) Exigem acordo entre as partes (inciso II)
Qualitativas substituição da garantia de execução
(isto é, modificação do projeto ou das
especificações, para melhor adequação técnica
aos seus objetivos)
Quantitativas modificação do regime de execução da obra ou
(isto é, modificação do valor contratual em serviço, bem como do modo de fornecimento,
decorrência de acréscimo ou diminuição em face de verificação técnica da
quantitativa de seu objeto, nos limites inaplicabilidade dos termos contratuais
permitidos pela Lei) originários
modificação da forma de pagamento, mantido
-
o valor inicial atualizado
restabelecer o equilíbrio econômico-financeiro
inicial do contrato, em caso de força maior, caso
fortuito ou fato do príncipe ou em decorrência
-
de fatos imprevisíveis ou previsíveis de
consequências incalculáveis, que inviabilizem a
execução do contrato tal como pactuado.
Uma das cláusulas infensas à alteração unilateral foi cobrada na seguinte questão:
CEBRASPE/PGE-PE – Procurador do Estado (adaptada)
A modificação do regime de execução da obra para melhor adequação técnica constitui hipótese de
alteração unilateral do contrato.
Gabarito (E), nos termos do art. 124, II, ‘b’
Feita esta diferenciação, percebam a grande prerrogativa atribuída ao poder público: a
Administração poderá impor ao contratado uma modificação e este é obrigado a acatar tal
alteração. É claro que, em todas estas alterações, deve-se buscar o interesse público, mas em um
contrato privado uma parte não é obrigada a alterar a modificação proposta pela outra: as
alterações devem ser bilaterais.
A este respeito, Hely Lopes Meirelles ressalta que “nenhum particular, ao contratar com a
Administração, adquire direito à imutabilidade do contrato ou à sua execução”. Caso o particular
não se submeta às alterações impostas, será considerado descumpridor do contrato, dando azo a
que a Administração extinga o contrato por culpa do contratado.
Portanto, tratando-se de cláusula regulamentar, o poder público detém a prerrogativa de alterá-
las sem a concordância do contratado.
A partir do art. 124, inciso I, da Lei 14.133/2021, poderemos ter duas possibilidades de alteração
unilateral:
Qualitativas
ex.: o contrato previa que a obra fosse
executada com areia artificial, mas a
Administração determinou substituição
Alterações por areia natural
unilaterais
modificação do valor contratual
decorrente de acréscimo ou diminuição
quantitativa de seu objeto
Quantitativas
ex.: o contrato previa a compra de 100
carros, mas foram necessários 120
A Lei estabelece limites para as alterações, sejam qualitativas ou quantitativas, da seguinte forma:
Art. 125. Nas alterações unilaterais a que se refere o inciso I do caput do art. 124 desta
Lei, o contratado será obrigado a aceitar, nas mesmas condições contratuais,
acréscimos ou supressões de até 25% (vinte e cinco por cento) do valor inicial
atualizado do contrato que se fizerem nas obras, nos serviços ou nas compras, e, no
caso de reforma de edifício ou de equipamento, o limite para os acréscimos será de
50% (cinquenta por cento).
Em virtude da alteração redacional promovida pela nova lei, agora não há mais dúvidas de que
tais limites aplicam-se também para as alterações qualitativas.
Em qualquer dos casos, a alteração unilateral do contrato não poderá transfigurar o objeto da
contratação (art. 126).
Além disso, tratando-se de supressão de obras, bens ou serviços, se o contratado já houver
adquirido os materiais e posto no local dos trabalhos, a Administração deverá pagá-lo pelos custos
de aquisição, regularmente comprovados e monetariamente corrigidos, cabendo também
indenização por danos sofridos pela empresa contratada (art. 129).
Em síntese:
Regra: 25%
Acréscimos
unilaterais do valor inicial
Reforma:
atualizado do
50%
contrato
Limites p/
alterações Supressões
-25%
unilaterais
➢ Equilíbrio econômico-financeiro
Caso seja promovida a alteração unilateral, as cláusulas econômico-financeiras do contrato
deverão ser revistas para que se mantenha o equilíbrio contratual (art. 104, § 2º). Portanto, caso a
alteração unilateral aumente ou diminua os encargos do contratado, a Administração deverá
restabelecer, no mesmo termo aditivo, o equilíbrio econômico-financeiro inicial (art. 130).
➢ Contratações integrada e semi-integrada
Apesar de ser possível, em geral, a alteração dos valores totais contratados (atendidos os limites
comentados acima), isto não se aplica aos regimes de contratação integrada e semi-integrada (art.
133). Isto porque, nestes dois regimes, a empresa contratada participa da licitação já sabendo que
os contornos da obra ainda não estão totalmente definidos. Portanto, é da essência destes
contratos a contratada assumir alguns riscos relacionados à precificação da obra, não podendo
posteriormente reclamar ajustes no valor contratado, como regra geral.
Mas, apesar de serem vedadas em regra alterações dos valores das contratações integrada e semi-
integrada, a lei chega a admitir excepcionalmente nos seguintes casos:
I - para restabelecimento do equilíbrio econômico-financeiro decorrente de caso fortuito
ou força maior;
II - por necessidade de alteração do projeto ou das especificações para melhor adequação
técnica aos objetivos da contratação, a pedido da Administração, desde que não
decorrente de erros ou omissões por parte do contratado, observados os limites
estabelecidos no art. 125 desta Lei [25%];
III - por necessidade de alteração do projeto nas contratações semi-integradas, nos termos
do § 5º do art. 46 desta Lei [alteração do projeto básico];
IV - por ocorrência de evento superveniente alocado na matriz de riscos como de
responsabilidade da Administração.
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Por fim, vale ressaltar que a Lei das Estatais (aplicável aos contratos celebrados por empresas
públicas, sociedades de economia mista e subsidiárias) não admite a alteração unilateral do
contrato11.
11
Lei 13.303/2016, art. 72. Os contratos regidos por esta Lei somente poderão ser alterados por acordo
entre as partes, vedando-se ajuste que resulte em violação da obrigação de licitar.
Fiscalização do contrato
INCIDÊNCIA EM PROVA: ALTA
A Administração contratante tem o poder-dever de acompanhar e fiscalizar a execução do
contrato administrativo. Tal acompanhamento e fiscalização ocorre de modo permanente, durante
todo o período de execução do contrato.
Para esta atividade, é especialmente designado um ou mais representantes da administração,
normalmente chamado(s) de “fiscal(is) de contrato” (art. 117). Assim, na atividade fiscalizatória
este representante deverá verificar se o contratado está obedecendo às regras previstas no
contrato e na legislação.
Por exemplo: o fiscal de contrato irá checar se os empregados estão utilizando uniformes
(conforme ‘cláusula X’ do contrato administrativo), se a empresa contratada está pagando em
dia a remuneração de seus empregados (fiscalização sob o prisma trabalhista), se os tributos
estão sendo recolhidos adequadamente pela contratada etc.
Ao(s) fiscal(is), aplicam-se os requisitos estabelecidos no art. 7º da nova lei, de sorte que o fiscal
de contrato deverá atender aos seguintes requisitos:
Do lado da empresa, para interagir com o fiscal de contrato e outros ‘atores’ da fiscalização
contratual, é designado um preposto, que nada mais é do que um representante da empresa
perante a organização pública contratante. Este preposto deve ser aceito pela Administração,
consoante prevê o art. 118 da nova lei.
Em síntese:
Estas penalidades são impostas diretamente pela Administração Pública, ou seja, sua aplicação
não depende de manifestação prévia do Poder Judiciário.
São penalidades que decorrem do poder disciplinar da Administração Pública. Não decorrem,
portanto, do poder de polícia, na medida em que existe vínculo específico que liga o poder
público àquele particular: o vínculo contratual.
Antes de detalharmos cada uma delas, vamos listar as sanções administrativas aplicáveis aos
contratados (Lei 14.133/2021, art. 156) 12:
Advertência
por atraso injustificado –
“multa de mora”
Multas
por infração administrativa -
"multa compensatória"
Sanções impedimento de licitar e
administrativas contratar com a por até 3 anos
administração
Declaração de
de 3 a 6 anos
inidoneidade
Adiante vamos examinar alguns aspectos importantes da aplicação de sanções diretamente pelo
ente público contratante.
Sanções administrativas aplicáveis
A seguir cada uma das sanções aplicáveis pela Administração Pública.
A) Advertência
A advertência é a sanção mais branda que pode ser aplicada no bojo dos contratos administrativos.
Será aplicável nas hipóteses de inexecução parcial do contrato, quando não se justificar a
imposição de penalidade mais grave (art. 156, §2º).
Destina-se a advertir, alertar, o contratado quanto a desvios cometidos durante a execução do
contrato, a fim de que não ocorram novamente. Apesar de a lei não ter previsto o processo para
aplicação da advertência, não se poderia conceber sua aplicação sem prévio contraditório, na
medida em, embora seja mais branda, igualmente consiste em uma sanção (art. 156, caput, parte
final).
12
Comparando com a Lei das Estatais (aplicável aos contratos celebrados por empresas públicas,
sociedades de economia mista e subsidiárias), destaco que aquela lei deixou de prever a possibilidade
de aplicação da pena de declaração de inidoneidade e o prazo máximo do impedimento é de 2 anos (Lei
13.303/2016, art. 83).
B) Multas
Como adiantado acima, a Lei 14.133 prevê duas espécies de multas:
i) multa por atraso injustificado – chamada de “multa de mora”
Art. 162. O atraso injustificado na execução do contrato sujeitará o contratado a multa
de mora, na forma prevista em edital ou em contrato.
Esta multa de mora tem lugar, por exemplo, nos contratos de obras públicas em que a empreiteira
descumpre o cronograma contratual, atrasando de entrega de parcelas da obra, com prejuízos ao
poder público.
A respeito desta sanção, a lei deixa claro que a aplicação da multa de mora não impede que a
Administração a converta em “multa compensatória” (decorrente de infração administrativa) e
promova a extinção unilateral do contrato com a aplicação cumulada de outras sanções (art. 162,
parágrafo único).
Exemplo: suponha que a empresa privada DesviaTudo S/A tenha fraudado a execução de um
contrato administrativo, com o auxílio de um servidor público, o que acabou resultando na
celebração de contrato desvantajoso para a Administração. Em razão da fraude, a órgão deixou
de assinar um contrato de R$ 10 milhões e adquiriu o mesmo produto por R$ 15 milhões.
Esta diferença de R$ 5 milhões (ou seja, R$ 15 – R$ 10 milhões) representa um dano causado aos
cofres da estatal.
Neste caso, mesmo que a empresa DesviaTudo receba uma multa por aquela infração, poderá
ser obrigada a “devolver” a diferença de R$ 5 milhões.
Além disso, para quem considera a “extinção unilateral” como espécie de sanção, estaríamos
diante de outra possibilidade de cumulação de sanção. Tal entendimento decorre da possibilidade
de se aplicar, por uma mesma conduta, a “extinção unilateral” + outra sanção.
----
Diferentemente das demais sanções administrativas e cláusulas exorbitantes, a multa por
inexecução contratual somente pode ser aplicada se houver previsão no edital da licitação ou no
contrato, consoante previsto no §3º do art. 156 da nova lei. Do contrário, não haveria como
calcular o valor da multa a ser aplicada. Não por outro motivo, o valor das multas é cláusula
obrigatória de todo contrato (art. 92, XIV).
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Além disso, dada a natureza pecuniária da multa, a Administração poderá abater seu valor dos
pagamentos que seriam devidos à empresa contratada ou, no caso de extinção, da garantia que
havia sido prestada pela empresa (art. 156, §8º). Se a garantia for insuficiente, o poder público irá
cobrar do particular sancionado apenas a diferença.
Nesta situação, caso o particular não pague voluntariamente o valor devido a título de multa, a
cobrança deverá se dar por intermédio do Poder Judiciário. Em outras palavras, caso superior às
garantias prestadas, a multa não é considerada autoexecutória.
Para colocar um fim nas discussões a este respeito, a nova lei previu expressamente o alcance das
sanções de impedimento temporário de licitar e contratar, deixando claro que esta sanção alcança
toda a administração pública daquele ente federativo (direta e indireta). Portanto, o impedimento
alcança a administração pública do ente federativo no qual a sanção foi aplicada.
Exemplo: se a empresa QuêBrada recebe esta sanção de impedimento por parte de um órgão do
município de Araguari/MG, ela não poderia ser contratada por qualquer outra organização
pública daquele município, durante a vigência da sanção. Isto não impediria que ela fosse
contratada por um órgão do Estado de Minas Gerais ou por uma entidade federal.
Adianto que, apesar do prazo máximo de 3 anos, esta sanção admite reabilitação do condenado
após o prazo de 1 ano (art. 163), consoante detalhado mais à frente.
Além disso, a lei chegou a prever as situações específicas em que poderá ser aplicado o
impedimento (art. 156, §4º c/c art. 155):
❑ inexecução parcial do contrato que cause grave dano à Administração, ao
funcionamento dos serviços públicos ou ao interesse coletivo;
❑ inexecução total do contrato;
❑ deixar de entregar a documentação exigida para o certame;
❑ não manter a proposta, salvo em decorrência de fato superveniente devidamente
justificado;
❑ não celebrar o contrato ou não entregar a documentação exigida para a contratação,
quando convocado dentro do prazo de validade de sua proposta;
❑ ensejar o retardamento da execução ou da entrega do objeto da licitação sem
motivo justificado;
Ocorre que, mesmo nestas hipóteses, se a Administração entender que o caso indica a imposição
de penalidade mais grave, poderá aplicar a “declaração de inidoneidade”, o que nos leva ao
próximo tópico.
D) Declaração de Inidoneidade
A declaração de inidoneidade para licitar e contratar com a Administração consiste na sanção
administrativa mais dura, destinada às condutas mais graves. A declaração de inidoneidade, pela
nova lei, não pode ter duração inferior a 3 anos e nem superior a 6 anos.
Além dos prazos de duração, a inidoneidade ainda diferencia-se do impedimento para contratar
quanto a outros dois aspectos: (a) seu alcance e (b) a competência para sua aplicação.
Isto porque a declaração de inidoneidade alcança toda a administração pública brasileira (não
apenas do ente federativo no qual a sanção foi aplicada) – art. 156, §5º, parte final.
Além disso, a competência para sua aplicação foi confiada, com exclusividade, a autoridades do
nível de ministro de estado ou, na administração indireta, à máxima autoridade da entidade (art.
156, § 6º) – não tendo sido especificada a competência para o impedimento para licitar e contratar.
competência exclusiva de
ministro de Estado, de
órgão
secretário estadual ou
Poder municipal
Executivo competência exclusiva da
autarquia ou
autoridade máxima da
decl. de fundação
entidade
inidoneidade -
competência competência exclusiva de
Legislativo, Judiciário, Ministério autoridade de nível
Público e Defensoria Pública hierárquico equivalente
àquelas mencionadas acima
Por fim, adianto que a declaração de inidoneidade também admite reabilitação do condenado,
após o prazo de 3 anos (art. 163) – o prazo mínimo para reabilitação da Lei 8.666 era de 2 anos.
Em outro giro, o legislador previu as condutas que podem dar azo à inidoneidade (art. 156, §5º):
❑ Nas hipóteses ensejadoras do impedimento, quando se justificar imposição de penalidade
mais grave
❑ apresentar declaração ou documentação falsa exigida para o certame ou prestar declaração
falsa durante a licitação ou a execução do contrato;
❑ fraudar a licitação ou praticar ato fraudulento na execução do contrato;
❑ comportar-se de modo inidôneo ou cometer fraude de qualquer natureza;
❑ praticar atos ilícitos com vistas a frustrar os objetivos da licitação;
❑ praticar ato lesivo previsto na Lei Anticorrupção (Lei 12.846/2013, art. 5º).
➢ Defesa prévia
Em decorrência do mandamento constitucional do contraditório e da ampla defesa, é necessário
que o contratado seja “ouvido”, antes da aplicação da sanção. Sem o contraditório, a sanção
poderá ser anulada.
Para a aplicação de (i) multa13, (ii) impedimento para licitar e contratar e (iii) declaração de
inidoneidade, a lei estabelece a defesa prévia do interessado no prazo de 15 dias úteis, contado
da data de sua intimação (arts. 157 e 158, caput). Tratando-se, por outro lado, da advertência, a
lei não chegou a prever expressamente o prazo para a defesa prévia, embora não se admita a
imposição de sanções sem prévio contraditório e ampla defesa.
➢ Particularidades das sanções de impedimento e inidoneidade
Pela gravidade das situações envolvendo o (i) impedimento para licitar e contratar e (ii) a
declaração de inidoneidade, o legislador previu no artigo 158 uma série de requisitos adicionais
para aplicação das sanções, adiante sintetizados:
❑ Processo conduzido por comissão composta de 2 ou mais servidores estáveis14
❑ Dentro do prazo para defesa, a empresa poderá também solicitar a produção de provas
adicionais
13
Neste caso, o legislador previu o prazo de defesa prévia, embora não tenha exigido expressamente a
instauração de processo de responsabilização.
14
Em órgão cujo quadro funcional não seja formado de servidores estatutários, a comissão será composta
de 2 ou mais empregados públicos pertencentes aos seus quadros permanentes, preferencialmente com,
no mínimo, 3 anos de tempo de serviço no órgão ou entidade (art. 158, §1º).
Assim, o artigo 160 prevê a possibilidade de a personalidade jurídica ser desconsiderada sempre
que for utilizada com abuso do direito para:
❑ facilitar, dissimular ou encobrir a prática dos atos ilícitos previstos na Lei 14.133 ou
❑ provocar confusão patrimonial
Nesse caso, todos os efeitos das sanções aplicadas à pessoa jurídica serão estendidos a:
❑ administradores
❑ sócios com poderes de administração
❑ pessoa jurídica sucessora
❑ empresa do mesmo ramo com relação de coligação ou controle, de fato ou de direito, com
a pessoa jurídica sancionada.
➢ Reabilitação
Tratando-se das sanções de “impedimento para licitar/contratar” e “declaração de inidoneidade”,
a lei autoriza que a empresa se reabilite perante a autoridade que aplicou a sanção. O objetivo
aqui é permitir que a empresa possa ser contratada e volte a participar de licitações antes do fim
do prazo da sanção. Trata-se, portanto, de uma forma de antecipar o fim dos efeitos da pena.
Para tanto, exige-se o atendimento aos seguintes requisitos cumulativos (art. 163):
❑ reparação integral do dano causado à Administração Pública;
❑ pagamento da multa;
❑ transcurso dos prazos mínimos de:
o 1 ano da aplicação da penalidade, no caso de impedimento de licitar e contratar
o 3 anos da aplicação da penalidade, no caso de declaração de inidoneidade
❑ cumprimento das condições de reabilitação definidas no ato punitivo
❑ análise jurídica prévia, com posicionamento conclusivo quanto ao cumprimento dos
requisitos listados acima.
Além disso, tratando-se especificamente de sanções aplicadas pela prática de (i) apresentar
declaração ou documentação falsa ou (ii) ato previsto na Lei Anticorrupção, a Lei exige um
requisito adicional para a reabilitação, qual seja a implantação ou aperfeiçoamento de programa
de integridade pela empresa – art. 163, parágrafo único.
Os órgãos deverão informar as sanções por eles aplicadas, para fins de publicidade no Cadastro
Nacional de Empresas Inidôneas e Suspensas (Ceis) 15e no Cadastro Nacional de Empresas Punidas
(Cnep) – art. 161. Esta divulgação deve ocorrer no prazo máximo 15 dias úteis, contado da data
de aplicação da sanção.
➢ Apuração conjunta de atos previstos na Lei Anticorrupção
Para assegurar a coerência entre as várias esferas de apuração, a nova lei previu que os atos
previstos como infrações administrativas em seu texto que também sejam tipificados como atos
lesivos na Lei Anticorrupção (Lei 12.846/2013) serão apurados e julgados conjuntamente, nos
mesmos autos, observados o rito procedimental e a autoridade competente definidos na Lei
Anticorrupção (art. 159).
Uma vez encerrados os comentários quanto à aplicação de sanções, vamos a mais uma cláusula
exorbitante.
Exigência de garantias
INCIDÊNCIA EM PROVA: ALTA
A legislação autoriza ao poder público exigir garantias das empresas licitantes ou contratadas, as
quais buscam minimizar riscos do contrato e da licitação. Caso o particular descumpra obrigações
legais ou contratuais, a administração poderia reter a garantia, até mesmo para facilitar o
recebimento do valor das multas e o ressarcimento dos prejuízos sofridos.
Mas antes de prosseguir um alerta: o gestor não está obrigado a exigir garantias. Sua exigência
encontra-se dentro da discricionariedade do gestor público. Caso decida por exigi-la, deverá
constar do edital da licitação (art. 96, caput).
Tal aspecto foi objeto da seguinte questão:
FGV/CODEBA – Analista Portuário – Engenheiro Civil (adaptada)
A exigência de prestação de garantias ao contratado na contratação de obras é obrigatória.
Gabarito (E), pois serão exigidas "a critério da autoridade competente" (art. 96)
As garantias das empresas podem ser exigidas pela Administração em duas situações:
No primeiro caso, chamada de garantia de proposta (ou “garantia por participação”), caso o
gestor opte por exigi-la, todas as empresas licitantes deverão prestar a garantia ao ente público
que está promovendo a licitação. Tal exigência busca primordialmente garantir que a proposta da
empresa licitante será honrada, ou seja, que ela irá assinar o contrato caso seja convocada.
Nesta situação, a exigência da garantia faz parte do processo licitatório, no momento da
apresentação da proposta:
Art. 58. Poderá ser exigida, no momento da apresentação da proposta, a
comprovação do recolhimento de quantia a título de garantia de proposta, como
requisito de pré-habilitação.
§ 1º A garantia de proposta não poderá ser superior a 1% (um por cento) do valor
estimado para a contratação.
Vejam que, neste caso, a garantia prestada pelos licitantes é limitada a 1% do valor estimado da
contratação.
----
Já no segundo caso, denominada garantia de execução contratual (ou simplesmente “garantia
contratual”), a garantia é exigida imediatamente antes da assinatura do contrato (no caso de
contrato precedido de licitação, será sempre após fim do processo licitatório).
Além disso, nesta situação, a garantia é exigida apenas da empresa que será contratada.
Neste caso, a garantia se presta a assegurar o cumprimento integral do contrato administrativo
(art. 97), em regra sendo devolvida à empresa após o fim do contrato (art. 100).
Mas relembro que a garantia somente pode ser exigida pelo poder público quando previsto no
instrumento convocatório da licitação.
Em relação aos limites máximos, a Lei 14.133/2021 inova ao estabelecer 3 situações distintas (arts.
98 e 99):
limites das garantias de
exceções:
obras e serviços de máximo de 30% do valor
engenharia de grande vulto inicial do contrato
(acima de R$ 200 milhões) (seguro-garantia)
Vejam que a regra geral continua sendo a mesma que constava da Lei 8.666/1993: a garantia
contratual será de no máximo 5% do valor inicial do contrato.
Mas, excepcionalmente, em razão da complexidade técnica e dos riscos envolvidos, devidamente
justificados, poderá ser exigida garantia de até 10% do valor inicial do contrato (art. 98). Por outro
lado, tratando-se de obras e serviços de engenharia de grande vulto (acima de cerca de R$ 200
milhões16), a garantia poderá chegar até a 30% do valor inicial do contrato (art. 99). Neste caso, a
garantia será na modalidade seguro e irá prever “cláusula de retomada” do contrato pela
seguradora.
---
Além disso, nos contratos que importem na entrega de bens pela administração, dos quais o
contratado ficará depositário, deve-se somar o valor desses bens ao valor da garantia (art. 101).
Mas não é só isso! Em regra, tanto na garantia de proposta como na contratual, o particular é
quem escolherá a modalidade da garantia (art. 96, §1º), dentre as seguintes:
16
Valor atualizado para R$ 250.902.323,87, pelo Decreto 12.343/2024.
seguro-garantia
fiança bancária
No entanto, como adiantado acima, existe uma exceção importante, que foi trazida pela nova lei!
Dito isto, passemos aos comentários sobre cada modalidade de garantia mencionada na Lei
14.133/2021.
➢ Caução em dinheiro ou títulos da dívida pública
Nesta modalidade, o particular entrega ao poder público uma determinada quantia, a título de
caução.
Sendo em dinheiro, a quantia será atualizada monetariamente (art. 100, caput, parte final), de
sorte que, ao final do contrato, não tendo causado prejuízos, o particular receberá o valor inicial
corrigido monetariamente.
Sendo em títulos da dívida pública, deverá ser emitida “sob a forma escritural, mediante registro
em sistema centralizado de liquidação e de custódia autorizado pelo Banco Central do Brasil e
avaliados pelos seus valores econômicos” (art. 96, §1º, I).
➢ Seguro-garantia
Nesta situação, uma empresa seguradora emite apólice de seguro, que tem por objetivo garantir
o fiel cumprimento das obrigações assumidas pelo contratado perante a Administração, inclusive
as multas, os prejuízos e as indenizações decorrentes de inadimplemento (art. 97).
Como é necessário um trâmite burocrático perante a seguradora, o edital fixará prazo mínimo de
1 mês (contado da data de homologação da licitação e anterior à assinatura do contrato), para a
prestação da garantia pelo contratado.
Nesta modalidade, o prazo de vigência da apólice será igual ou superior ao prazo estabelecido
no contrato administrativo e deverá acompanhar as modificações referentes à vigência deste
mediante a emissão do respectivo endosso pela seguradora. Além disso, o seguro-garantia
continuará em vigor mesmo se o contratado não tiver pago o prêmio nas datas convencionadas.
Além disso, nos contratos de execução continuada ou de fornecimento contínuo de bens e
serviços, será permitida a substituição da apólice de seguro-garantia na data de renovação ou de
aniversário, desde que mantidas as mesmas condições e coberturas da apólice vigente e desde
que nenhum período fique descoberto, salvo se houver suspensão do contrato (art. 97, parágrafo
único).
Seguindo adiante, como já adiantado, lembro que, em contratos de obras e serviços de
engenharia, edital poderá exigir a prestação na modalidade “seguro” e prever a obrigação de a
seguradora assumir a execução e concluir o objeto do contrato. Ou seja, a seguradora “pularia”
para dentro do contrato, caso a empresa descumpra suas obrigações (mecanismo chamado de
step in).
Nos casos em que se fizer uso desta possibilidade, o contrato, além de ser celebrado entre a
Administração e a empresa contratada, teria também que ser assinado pela seguradora, na
condição de interveniente (art. 102, I).
Legal, não é mesmo?!
E tem mais. Para que tal seguro funcione adequadamente, o legislador previu algumas
prerrogativas à seguradora, que poderá (art. 102, I): a) ter livre acesso às instalações em que for
executado o contrato principal; b) acompanhar a execução do contrato principal; c) ter acesso a
auditoria técnica e contábil; e d) requerer esclarecimentos ao responsável técnico pela obra ou
pelo fornecimento.
Além disso, para viabilizar a conclusão do contrato, caso assuma a obra, a seguradora poderá
subcontratar, total ou parcialmente, o objeto do contrato assumido.
Aqui, em virtude do step in, é possível até mesmo que a emissão do empenho (para futuro
pagamento) ocorra em nome da seguradora, ou a quem ela indicar para a conclusão do contrato.
Por fim, vale registrar que, caso a empresa que havia sido contratada descumpra o contrato e
deixe de concluir a obra, teremos duas possíveis situações (art. 102, parágrafo único):
I - caso a seguradora execute e conclua o objeto do contrato, estará isenta da obrigação
de pagar a importância segurada indicada na apólice;
II - caso a seguradora não assuma a execução do contrato, pagará a integralidade da
importância segurada indicada na apólice.
➢ Fiança bancária
Já nesta modalidade um banco é quem se responsabilizará a pagar um determinado valor à
administração na hipótese de inadimplemento do contratado.
➢ Título de capitalização
Após a Lei 14.770, de 2023, a NLL passou a admitir como modalidade de garantia o título de
capitalização, desde que seja custeado por pagamento único e o resgate se dê pelo valor total.
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Reforço que, em todos os casos, a garantia prestada pelo contratado é liberada ou restituída após
a execução do contrato, caso a empresa não deixe “pendências” decorrentes do contrato. Além
disso, na hipótese de suspensão do contrato por ordem ou inadimplemento da Administração, o
contratado ficará desobrigado de renovar a garantia ou de endossar a apólice de seguro até a
ordem de reinício da execução ou o adimplemento pela Administração (art. 96, §2º).
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Por fim, lembro que a alteração da garantia prestada exige acordo entre as partes, não podendo
ser realizada unilateralmente (art. 124, II, ‘a’).
De proposta 1%
Regra geral 5% A A
De execução
Obras e serv. eng. de grande vulto 30%
(200 mi)
Garantias
Contratado é depositário de bens da + o valor dos
Administração bens
Obras e serv.
edital pode exigir seguro-
eng
garantia
Seguradora é anuente
A letra (B), incorreta, visto ser possível a exigência de garantias em contratos de obras, serviços e
fornecimentos (art. 96, caput).
Quanto à letra (C), incorreta, visto que a exigência de garantias é uma faculdade da Administração.
Por fim, a letra (E) confunde “garantia contratual”, mencionada no enunciado, com “garantia de
proposta”.
Por fim, destaco que a Lei das Estatais (aplicável aos contratos celebrados por empresas públicas,
sociedades de economia mista e subsidiárias) prevê as mesmas modalidades de garantia, à
exceção da caução em títulos da dívida pública e do título de capitalização17.
17
Lei 13.303/2016, art. 70, § 1º.
18
CCB, art. 477. Se, depois de concluído o contrato, sobrevier a uma das partes contratantes diminuição
em seu patrimônio capaz de comprometer ou tornar duvidosa a prestação pela qual se obrigou, pode a
outra recusar-se à prestação que lhe incumbe, até que aquela satisfaça a que lhe compete ou dê
garantia bastante de satisfazê-la.
Nesse sentido, a nova lei conferiu à Administração a tolerância de 2 meses de atraso nos
pagamentos (contados da emissão da nota). A partir do 2º mês de atraso, permanecendo a mora
quanto ao pagamento, como regra geral a empresa contratada poderá (i) suspender
automaticamente a execução do contrato ou, ainda, (ii) pleitear a extinção do contrato. É isto que
depreendemos a partir dos seguintes dispositivos legais:
art. 137, § 2º O contratado terá direito à extinção do contrato nas seguintes hipóteses:
(..)
IV - atraso superior a 2 (dois) meses, contado da emissão da nota fiscal, dos
pagamentos ou de parcelas de pagamentos devidos pela Administração por despesas
de obras, serviços ou fornecimentos;
Art. 137, § 3º As hipóteses de extinção a que se referem os incisos II, III e IV [atraso
nos pagamentos superior a 2 meses] do § 2º deste artigo observarão as seguintes
disposições: (..)
II - assegurarão ao contratado o direito de optar pela suspensão do cumprimento
das obrigações assumidas até a normalização da situação, admitido o
restabelecimento do equilíbrio econômico-financeiro do contrato, na forma da alínea
“d” do inciso II do caput do art. 124 desta Lei.
Reparem que, no caso de o contratado optar pela suspensão da execução do contrato, esta
suspensão ocorrerá até a normalização dos pagamentos pela Administração (art. 137, §3º, II).
Destaco, também, que a regra dos 2 meses não se aplica em quatro situações excepcionais (art.
137, §3º, I): (i) calamidade pública, (ii) grave perturbação da ordem interna, (iii) guerra ou (iv)
quando o atraso decorrer de ato ou fato que o contratado tenha praticado, do qual tenha
participado ou para o qual tenha contribuído. Nestes casos excepcionais, em tese o contratado
teria que suportar o atraso, sem ter direito a suspender a execução ou requerer a extinção
contratual. Em síntese:
Por fim, friso que falamos até agora no descumprimento contratual da parte da Administração. No
caso de inadimplemento do particular, a Administração poderá opor normalmente a exceção do
contrato não cumprido e, automaticamente, deixar de honrar suas obrigações perante o particular.
Exemplo: imagine que uma repartição pública vá contratar o fornecimento de energia elétrica e
que, naquela localidade, exista um único concessionário daquele serviço. Assim, como a
Administração é usuária do serviço e este é prestado em regime de monopólio, tal contrato
poderia ser por prazo indeterminado.
Reparem que a Lei 8.666 vedava, em caráter absoluto, a celebração de contratos por prazo
indeterminado, sendo que, agora, é possível que isto ocorra, na restrita hipótese destacada acima
(usuária de serviço público em regime de monopólio)19. Portanto, em relação à predeterminação
do prazo contratual temos que:
19A rigor, este caso nem diria respeito a um “contrato administrativo” propriamente dito, podendo ser considerado
um contrato privado da Administração, a qual será usuária do serviço público.
Partindo, então, da regra geral de que o contrato administrativo terá um prazo, adiante veremos
a duração máxima destes contratos20.
Regra geral
A nova lei simplesmente prevê que a duração dos contratos será aquela prevista no edital da
licitação que deu origem ao contrato (art. 105). Nesse sentido, o legislador previu que:
Art. 105. A duração dos contratos regidos por esta Lei será a prevista em edital, e
deverão ser observadas, no momento da contratação e a cada exercício financeiro, a
disponibilidade de créditos orçamentários, bem como a previsão no plano
plurianual, quando ultrapassar 1 (um) exercício financeiro.
Portanto, embora a duração seja dada pelo edital, sua execução deverá observar a disponibilidade
de orçamento e, caso a duração ultrapasse 1 exercício financeiro, deverá observar também o Plano
Plurianual (PPA - que tem duração de 4 anos), o que nos leva ao seguinte diagrama:
Adiante vamos conhecer os prazos máximos que podem ser previstos no edital, para cada tipo de
contrato.
20
Lembrando que os prazos da Lei 14.133 são gerais, os quais não excluem nem revogam os prazos
contratuais previstos em leis especiais (art. 112). Por exemplo, as parcerias público-privadas continuam
tendo prazos variando de 5 a 35 anos (Lei 11.079/2004, art. 5º, I).
21
Neste caso, a extinção ocorrerá apenas na próxima data de aniversário do contrato e não poderá
ocorrer em prazo inferior a 2 meses, contado da referida data (art. 106, § 1º).
utilização de programas de
informática
duração máxima
de 5 anos maior vantagem econômica pela contratação plurianual
❑ para aquisição, por pessoa jurídica de direito público interno, de insumos estratégicos para a
saúde produzidos por fundação que, regimental ou estatutariamente, tenha por finalidade
apoiar órgão da Administração Pública direta, sua autarquia ou fundação em projetos de ensino,
pesquisa, extensão, desenvolvimento institucional, científico e tecnológico e de estímulo à
inovação, inclusive na gestão administrativa e financeira necessária à execução desses projetos,
ou em parcerias que envolvam transferência de tecnologia de produtos estratégicos para o SUS,
nos termos do inciso XII do caput deste artigo, e que tenha sido criada para esse fim específico
em data anterior à entrada em vigor desta Lei, desde que o preço contratado seja compatível com
o praticado no mercado.;
Note que, para os 4 primeiros casos acima, a Lei 8.666 já previa prazo de 120 meses (equivalentes
aos 10 anos da nova lei), tendo sido acrescentadas as duas últimas hipóteses da lista acima. Além
disso, todos estes casos representam hipóteses de dispensa de licitação, listadas no rol do art. 75
da nova lei.
inovação tecnológica
duração máxima de
10 anos
segurança nacional
Exemplo: suponha que uma empresa privada é contratada pela União para cuidar do
funcionamento do sistema informatizado que faz a gestão de todos os convênios federais, que é
utilizado por vários órgão e entidades em todo o país. Como trata-se de sistema de TI
estruturante, este contrato poderia ter a duração máxima de 15 anos.
----
Após termos detalhado os contratos de acordo com os prazos de 5, 10 e 15 anos, vamos comentar
duas situações específicas igualmente importantes para fins de prova.
Já nos contratos que geram receita para a Administração, quem irá receber recursos financeiros a
partir do contrato é a Administração.
Exemplo: um órgão público que permite a um particular utilizar uma área dentro da repartição
para instalar um restaurante, que irá vender refeições aos servidores daquele órgão. Neste caso,
o órgão celebra um contrato de concessão de uso de bem público e é remunerado pelo particular.
Seja para os contratos de eficiência ou para aqueles que gerem receita, os prazos serão de até
(art. 110):
Para deixar clara a diferença entre estas situações, o legislador previu que são considerados
contratos com investimento aqueles que impliquem a elaboração de benfeitorias permanentes,
realizadas exclusivamente às custas do contratado, que serão revertidas ao patrimônio da
Administração Pública ao término do contrato (art. 110, II, parte final).
Reparem que, quando há investimento por parte do contratado, é natural que o contrato tenha
um prazo maior, a fim de que a empresa consiga recuperar o investimento por ela realizado de
maneira diluída ao longo do tempo.
❑ sua vigência máxima será definida pela soma do prazo relativo ao fornecimento inicial (ou
à entrega da obra) com o prazo relativo ao serviço de operação e manutenção
Sintetizando os prazos comentados nesta seção (arts. 106-114), chegamos ao seguinte diagrama:
prorrogável por
serviços e fornecimentos contínuos
até 10 anos
máx. 5 anos aluguel de equipamentos
inovação tecnológica
máx. 10 anos segurança nacional
duração dos transferência de tecnologia do SUS
contratos + produtos estratégicos
(prazo previsto em
edital) insumos estratégicos para o SUS
contratos de eficiência ou que SEM
gerem receita investimento
operação continuada de sistemas
máx. 15 anos
estruturantes de TI
Estudaremos as situações em que (i) são detectados defeitos no trabalho realizado pelo
contratado, (ii) o contratado causa danos à Administração ou a terceiros e (iii) o contratado deixa
de pagar certos encargos.
22 Lei 8.666/1993, art. 70. O contratado é responsável pelos danos causados diretamente à Administração ou a
terceiros, decorrentes de sua culpa ou dolo na execução do contrato, (..).
23Lei 13.303/2016, art. 76. O contratado é obrigado a reparar, corrigir, remover, reconstruir ou substituir, às suas
expensas, no total ou em parte, o objeto do contrato em que se verificarem vícios, defeitos ou incorreções resultantes
da execução ou de materiais empregados, e responderá por danos causados diretamente a terceiros ou à empresa
pública ou sociedade de economia mista, independentemente da comprovação de sua culpa ou dolo na execução do
contrato.
Mas a Lei 14.133 prevê também o que ocorrerá se o contratado deixa de cumprir tais encargos,
isto é, se o contratado estiver em situação de inadimplência em relação a estes encargos:
Art. 121, § 1º A inadimplência do contratado em relação aos encargos trabalhistas,
fiscais e comerciais não transferirá à Administração a responsabilidade pelo seu
pagamento e não poderá onerar o objeto do contrato nem restringir a regularização e
o uso das obras e das edificações, inclusive perante o registro de imóveis, ressalvada a
hipótese prevista no § 2º deste artigo. (..)
§ 2º Exclusivamente nas contratações de serviços contínuos com regime de
dedicação exclusiva de mão de obra, a Administração responderá solidariamente
pelos encargos previdenciários e subsidiariamente pelos encargos trabalhistas
se comprovada falha na fiscalização do cumprimento das obrigações do contratado.
Reparem que, segundo a lei, para os encargos trabalhistas, fiscais e comerciais, a inadimplência
do contratado não transfere à Administração Pública a responsabilidade por seu pagamento (art.
121, §1º). A inadimplência quanto a estes encargos também não poderá onerar o objeto do
contrato, ou seja, não poderá impor ônus, como impedimento à regularização ou à obtenção de
alvará de funcionamento ao edifício.
No que se refere aos encargos previdenciários e trabalhistas, teremos uma exceção envolvendo
os contratos de “serviços contínuos com regime de dedicação exclusiva de mão de obra”24.
Nestes contratos, a inadimplência do contratado pode fazer com que a Administração responde
de maneira solidária pelos encargos previdenciários e subsidiária pelos encargos trabalhistas (art.
121, §2º).
Além disso, teremos outra peculiaridade envolvendo os encargos trabalhistas e os contratos de
serviços continuados. A nova lei de licitações – seguindo entendimento do STF25 – estabeleceu
que a responsabilidade da Administração não é automática, pois depende de a Administração ter
sido negligente quanto ao seu dever de fiscalizar o contrato (art. 121, §2º, parte final).
24Art. 6º, XVI - serviços contínuos com regime de dedicação exclusiva de mão de obra: aqueles cujo modelo de
execução contratual exige, entre outros requisitos, que:
a) os empregados do contratado fiquem à disposição nas dependências do contratante para a prestação dos serviços;
b) o contratado não compartilhe os recursos humanos e materiais disponíveis de uma contratação para execução
simultânea de outros contratos;
c) o contratado possibilite a fiscalização pelo contratante quanto à distribuição, controle e supervisão dos recursos
humanos alocados aos seus contratos;
25 A exemplo do Recurso Extraordinário (RE) 760931.
Imaginem o seguinte exemplo: o Banco Central contrata a empresa Fogo Total para lhe prestar
serviços de vigilância. Durante os 5 anos do contrato, os serviços eram prestados pelos vigilantes
Lucas, João, Mateus e Marcos (terceirizados da empresa Fogo Total).
Se a empresa deixar de pagar os encargos trabalhistas destes empregados, o Banco Central não
poderá ser chamado a pagar tais encargos, como regra geral.
No entanto, se a autarquia deixou de fiscalizar a execução daquele contrato (não verificando os
pagamentos dos salários dos terceirizados, não checando a concessão de férias, recolhimento de
FGTS etc), considera-se que houve negligência do seu dever de fiscalizar (chamada culpa in
vigilando).
Nesta situação, excepcionalmente, o Banco Central passará a responder de maneira subsidiária
(e não solidária).
A responsabilidade subsidiária significa que há uma ordem de preferência para cobrança dos
valores, devendo-se primeiramente tentar cobrar da própria empresa contratada e, somente em
segundo lugar, do ente público.
A título de aprofundamento, destaco que, em relação aos contratos com dedicação exclusiva de
mão de obra, o legislador previu outras medidas para redução do risco trabalhista da
Administração:
Art. 121, § 3º Nas contratações de serviços contínuos com regime de dedicação
exclusiva de mão de obra, para assegurar o cumprimento de obrigações trabalhistas
pelo contratado, a Administração, mediante disposição em edital ou em contrato,
poderá, entre outras medidas:
I - exigir caução, fiança bancária ou contratação de seguro-garantia com cobertura
para verbas rescisórias inadimplidas;
II - condicionar o pagamento à comprovação de quitação das obrigações trabalhistas
vencidas relativas ao contrato; [uma espécie de retenção dos pagamentos,
condicionada à comprovação de pagamento dos terceirizados]
III - efetuar o depósito de valores em conta vinculada [art. 142];
IV - em caso de inadimplemento, efetuar diretamente o pagamento das verbas
trabalhistas, que serão deduzidas do pagamento devido ao contratado; [aqui o poder
público pagaria diretamente aos terceirizados]
V - estabelecer que os valores destinados a férias, a décimo terceiro salário, a
ausências legais e a verbas rescisórias dos empregados do contratado que
Fiscais
Trabalhistas
Inadimplência do
contratado quanto a
encargos Administração
regra geral
não responde
Trabalhistas
Serv. responde
se houver falha
contínuos c/ subsidiariamen
na fiscalização
dedicação te
exclusiva de
M/O Previdenciários Administração responde
solidariamente
Por fim, lembro que, mesmo quando a empresa contratada subcontratar parte do objeto, ela
continuará responsável pelas obrigações legais ou contratuais inicialmente assumidas (art. 122).
profissional pela perfeita execução do contrato, nos limites estabelecidos pela lei ou
pelo contrato.
Após esta breve contextualização, passaremos a tratar das regras legais específicas quanto aos
recebimentos provisório e definitivo.
Veremos que as exigências impostas pela nova lei de licitações, irão variar conforme o tipo de
objeto: obra, serviço e compras de mercadorias (similar ao que já ocorria pela Lei 8.666/1993).
O legislador optou por ser mais rigoroso quanto ao recebimento de obras e serviços e menos
rigoroso no recebimento de compras. Assim, impôs controles mais rígidos quanto à quantidade
de servidores em cada uma destas etapas28.
28
Na nova lei, não houve a previsão de prazos mínimos para recebimento (como ocorria sob o
regramento da Lei 8.666), pois deverão ser previstos em regulamento ou no próprio contrato. Além
disso, na nova lei não foram previstas regras próprias para o recebimento de equipamentos alugados.
Termo detalhado
responsável por seu
acompanhamento e fiscalização Servidor ou comissão
Compras
(Fiscal de contrato)
fiscal de contrato
provisório
termo detalhado
OBRAS e SERVIÇOS
servidor ou
comissão
definitivo
termo detalhado
RECEBIMENTO
fiscal de contrato
provisório
sumário
COMPRAS
servidor ou
comissão
definitivo
termo detalhado
fornecimento de prestação de
locações obras
bens serviços
Percebam, portanto, que, considerando cada fonte de recursos, teremos uma fila para cada uma
destas categorias de contratos. A ideia é tornar impessoal a decisão quanto a quem deveria
receber primeiro sua remuneração da Administração.
O assunto é tão importante que a inobservância imotivada desta ordem cronológica poderá (i)
ensejar a apuração de responsabilidade do agente responsável (art. 141, §2º) e, até mesmo, a
caracterização de crime (CP, art. 337-H, caput, parte final).
Apesar de a regra geral ser dada pela ordem cronológica, o legislador previu hipóteses de “fura
fila”, ou seja, situações em que a ordem de pagamento poderá ser alterada. O rol taxativo destas
hipóteses encontra-se no art. 141, §1º:
❑ grave perturbação da ordem, situação de emergência ou calamidade pública
❑ pagamento de direitos oriundos de contratos em caso de falência, recuperação
judicial ou dissolução da empresa contratada;
❑ pagamento a microempresa (ME), empresa de pequeno porte (EPP), agricultor
familiar, produtor rural pessoa física, microempreendedor individual (MEI) e
sociedade cooperativa, desde que demonstrado o risco de descontinuidade do
cumprimento do objeto do contrato
❑ pagamento de serviços necessários ao funcionamento dos sistemas estruturantes,
desde que demonstrado o risco de descontinuidade do cumprimento do objeto do
contrato
❑ pagamento de contrato cujo objeto seja imprescindível para assegurar a integridade
do patrimônio público ou para manter o funcionamento das atividades finalísticas do
órgão ou entidade, quando demonstrado o risco de descontinuidade da prestação
de serviço público de relevância ou o cumprimento da missão institucional
Em qualquer destes casos, a alteração da ordem requer: (i) prévia justificativa da autoridade
competente e (ii) posterior comunicação ao órgão de controle interno da Administração e ao
tribunal de contas competente.
Por fim, vale destacar que, para fins de transparência e controle social, o órgão deverá divulgar
em seu sítio na internet, mensalmente, a ordem cronológica de seus pagamentos, bem como as
justificativas que fundamentarem a eventual alteração dessa ordem (art. 141, § 3º), sendo que tudo
isto deverá ser fiscalizado pelos órgãos de controle (art. 141, §2º, parte final).
➢ Antecipação de pagamento
Em regra, o pagamento às empresas contratadas pela Administração deve ocorrer após a
prestação do serviço, entrega do bem contratado ou execução da parcela da obra. Assim,
primeiramente a empresa contratada executa sua obrigação, para depois receber. Daí dizemos
que a regra geral é que seja vedada a antecipação do pagamento (art. 145, caput).
Em outras palavras, os pagamentos (isto é, a execução financeira do contrato) devem seguir o
ritmo da prestação dos serviços (ou seja, sua execução física), em regra não havendo margem para
que os pagamentos ocorram antes da prestação dos serviços.
Apesar de esta ser a regra geral, a nova lei de licitações – seguindo a jurisprudência do TCU –
passou a admitir a antecipação do pagamento, atendidas as seguintes condições:
❑ se antecipação propiciar sensível economia de recursos ou se representar condição
indispensável para a obtenção do bem ou para a prestação do serviço
❑ a Administração poderá exigir garantia adicional como condição para a antecipação do
pagamento
❑ se o objeto não for executado no prazo previsto, o valor antecipado deverá ser devolvido.
regra vedada
antecipação propiciar sensível
economia de recursos
antecipação de exceções
pagamento antecipação representar condição
indispensável para a obtenção do
bem ou serviço
➢ Remuneração variável
Ainda a respeito dos pagamentos contratuais, a lei autoriza29 o estabelecimento de remuneração
variável nos contratos de obras, fornecimentos e serviços, inclusive de engenharia, a qual seria
vinculada ao alcance de metas de desempenho, padrões de qualidade, critérios de
sustentabilidade ambiental e prazos de entrega (art. 144). Trata-se de um “reforço positivo” à
contratada que atinge bons resultados contratuais.
A variação na remuneração ocorrerá nos termos previstos contratualmente, devendo ser motivada
e respeitar o limite orçamentário fixado pela Administração para a contratação (art. 144, § 2º).
Por fim, quando o objeto do contrato visar especificamente a implantação de processo de
racionalização, esta remuneração variável poderá ser ajustada em base percentual sobre o valor
economizado em determinada despesa (art. 144, § 1º).
metas
padrões de qualidade
critérios
sustentabilidade ambiental
Remuneração variável
prazos de entrega
29
De modo semelhante ao que já constava do RDC – Regime Diferenciado de Contratações (Lei
12.462/2011)
Neste último tópico, reunimos outras regras relacionadas ao pagamento que constam do texto
legal.
Primeiramente, vale ressaltar que, havendo controvérsia sobre a execução do objeto, quanto a
dimensão, qualidade e quantidade, a Administração deverá pagar a parcela incontroversa, no
prazo previsto para pagamento (art. 143). Então, por exemplo, se após a execução de uma obra,
a Administração tem dúvidas sobre a execução de uma parcela dela, mas não sobre o restante,
deve-se pagar aquela parcela sobre a qual não há discussão, retendo-se o restante.
Além disso, é possível que o edital ou o contrato prevejam, em caráter excepcional, a possibilidade
de ocorrer o pagamento em conta vinculada ou pagamento pela efetiva comprovação do fato
gerador (art. 143), o que tem por objetivo assegurar o cumprimento das obrigações trabalhistas
relacionadas ao contrato, especialmente em contratos de prestação de serviços continuados.
Por fim, no ato de liquidação da despesa (que ocorre após o recebimento do objeto), os serviços
de contabilidade comunicarão aos órgãos da administração tributária (como a Receita Federal) as
características da despesa e os valores pagos (art. 146).
30
Alinhado ao que prevê o Código de Processo Civil, em seu artigo 3º, §3º.
31
A exemplo do previsto na Lei 8.987/1995, art. 23-A, e das alterações promovidas pelas Leis 13.129 e
13.140, ambas de 2015.
comitê de
arbitragem conciliação mediação resolução de
disputas
Estas formas de solução poderão ser aplicadas às discussões relacionadas a direitos patrimoniais
disponíveis, como as questões relacionadas ao restabelecimento do equilíbrio econômico-
financeiro do contrato, ao inadimplemento de obrigações contratuais por quaisquer das partes e
ao cálculo de indenizações (art. 151, parágrafo único).
Além disso, ainda que o instrumento do contrato não tenha, incialmente, previsto esta
possibilidade, é possível que os contratos sejam aditados para preverem a adoção dos meios
alternativos de resolução de controvérsias (art. 153).
Adiante vamos detalhar cada uma das quatro formas previstas no texto da lei.
➢ Arbitragem
Trata-se de mecanismo de solução de conflitos em que um terceiro (normalmente chamado de
árbitro ou um colegiado de árbitros) é chamado a solucionar o conflito de forma permanente.
Este árbitro é previamente escolhido pelas partes para solucionar eventuais conflitos que possam
surgir. Como há um terceiro chamado a solucionar a lide, diz-se que a arbitragem é um método
heterocompositivo de solução de conflitos (pois há alguém externo à relação jurídica conflituosa),
até porque a decisão deste árbitro será imposta às partes.
Nesse sentido, a Lei 14.133 prevê que:
❑ a arbitragem será sempre de direito (e não por equidade) e observará o princípio da
publicidade (art. 152).
❑ o processo de escolha dos árbitros, dos colegiados arbitrais e dos comitês de resolução de
disputas observará critérios isonômicos, técnicos e transparentes (art. 154).
➢ Mediação
A mediação tende a ser considerada mecanismo autocompositivo de solução dos conflitos. É, em
regra, um processo informal em que um mediador (um terceiro imparcial) ouve ambas as partes e
faz propostas a elas, com vistas a pôr fim ao processo. Assim, as partes poderão ou não acatar
suas propostas e, caso as acatem, terá havido uma transação, uma negociação, para pôr fim ao
conflito.
O mediador, diferentemente do árbitro, não detém poderes decisórios. Em outras palavras,
juridicamente, as partes continuam autônomas para chegar a um consenso e buscar uma solução
para o conflito.
Caso a mediação seja infrutífera, as partes poderão acionar o Poder Judiciário para sanar a
questão.
➢ Conciliação
A conciliação, muito similar à mediação, diz respeito às situações em que um conciliador - sem
poderes decisórios - é chamado para estimular às partes objetivando que elas cheguem a um
consenso. A diferença é que a conciliação em geral representa um processo mais curto,
destinando-se a situações menos complexas que a mediação.
Aqui também, caso a conciliação não seja aceita, as partes ainda poderão acionar o Poder
Judiciário para sanar a questão.
➢ Comitê de resolução de disputas (dispute board)
O Comitê de resolução de disputas - mais conhecido como dispute board - é outro mecanismo
alternativo de solução de conflitos, em que um conjunto de profissionais é chamado para auxiliar
às partes a chegarem a um consenso.
O assunto ainda carece de regulamentação legal no país, mas internacionalmente existem comitês
com poderes decisórios (como um árbitro), não decisórios (como um mediador ou conciliador) e
híbridos.
Na Lei 14.133, lembro apenas que o processo de escolha dos comitês de resolução de disputas
observará critérios isonômicos, técnicos e transparentes (art. 154).
Extinção
Nos termos do art. 138 da nova lei, o contrato administrativo poderá ser extinto das seguintes
formas:
exceto no caso de
descumprimento decorrente
Unilateralmente
da própria conduta da
Administração
Extinção por acordo, por conciliação,
contratual consensual mediação ou por comitê de
resolução de disputas
por decisão judicial ou
arbitral
Muito bem, conhecidas as hipóteses de extinção, vamos agora detalhar as formas pelas quais ela
poderá ocorrer.
Extinção unilateral
A Administração, diferentemente do contratado, não necessita recorrer ao Judiciário para
extinguir um contrato, na medida em que o ordenamento jurídico lhe confere o poder de extinguir
unilateralmente o contrato, em determinadas hipóteses. Trata-se, como vimos, de uma cláusula
exorbitante dos contratos administrativos.
A partir do que prevê o art. 138, I, parte final, percebam que a extinção unilateral somente será
possível quando o inadimplemento contratual não for imputável à administração pública. Isto
porque, quando a Administração der causa ao descumprimento contratual (ou seja, nos “fatos da
administração”), poderá ter lugar as outras duas espécies de extinção (consensual ou via
judicial/arbitral).
Nesta hipótese, será necessária a autorização por escrito e fundamentada da autoridade
competente (art. 138, §1º).
Em determinados casos de extinção unilateral, especialmente quando houver culpa do contratado,
além da própria extinção caberá a aplicação de sanções administrativas e, eventualmente a
assunção do objeto do contrato pela Administração, conforme estabelece o artigo 139.
Extinção consensual
A extinção consensual também é feita quando houver interesse da Administração, mas aqui em
geral exige-se a concordância do contratado. Segundo a nova lei, esta modalidade de extinção
poderá se dar por meio de (i) acordo entre as partes, (ii) conciliação, (iii) mediação ou (iv) por
comitê de resolução de disputas – art. 138, II.
Como detalhado em tópico anterior desta aula, repare que, além do simples acordo entre
contratante e contratado, estamos também diante de meios alternativos de solução de conflitos
(conciliação, mediação e dispute board). No entanto, note que a extinção consensual não admite
a utilização da arbitragem, tratada no próximo tópico.
Na extinção consensual, também será necessária a autorização por escrito e fundamentada da
autoridade competente (art. 138, §1º).
Extinção judicial ou arbitral
Diferentemente das extinções unilateral e consensual (em que há interesse da Administração), aqui
estamos diante de uma extinção litigiosa, que exigirá ou (i) uma decisão judicial ou (ii) a decisão
arbitral. Nestes casos, a decisão – do juiz ou do árbitro – será imposta à Administração,
independentemente de seu interesse. Segundo o legislador, trata-se de hipóteses em que o
contratado “terá direito à extinção do contrato”.
A novidade da Lei 14.133 fica por conta da expressa previsão quanto à atuação de árbitros na
resolução de conflitos da Administração, o que irá depender da existência de cláusula
compromissória ou compromisso arbitral32.
De toda forma, percebam que esta modalidade em geral é requerida pelo contratado, nos casos
de inadimplemento pela Administração, já que ele, em muitos casos, não pode paralisar a
execução do contrato, tampouco extinguir unilateralmente.
32
Segundo os arts. 4º e 9º da Lei 9.307/1996, cláusula compromissória é a convenção através da qual
as partes em um contrato comprometem-se a submeter à arbitragem os litígios que possam vir a surgir,
relativamente a tal contrato; e o compromisso arbitral é a convenção através da qual as partes submetem
um litígio à arbitragem de uma ou mais pessoas, podendo ser judicial ou extrajudicial.
Já antevendo as questões de prova sobre este assunto, percebam as principais diferenças desta
categoria de extinção com as duas anteriores:
hipóteses: hipóteses:
não aplicável no caso de •acordo
descumprimento por •conciliação •judicial
parte da Administração •mediação •arbitral
•comitê
Hipóteses de extinção
Após termos conhecido as formas de extinção, vale comentar as hipóteses previstas em lei que
expressamente ensejam a extinção, as quais podem ser divididas em três grupos:
(a) situações imputáveis ao particular contratado
(b) situações imputáveis à Administração
(c) por circunstâncias alheias às partes
Ocorre que, na topologia da nova lei, tais hipóteses encontram distribuídas em apenas duas listas,
sendo a primeira constante do caput do art. 137 (que simplesmente menciona que tais hipóteses
“constituirão motivos para extinção do contrato”) e a segunda, em seu §2º (que lista as hipóteses
em que “o contratado terá direito à extinção”).
Vamos iniciar com o caput do art. 137:
Art. 137. Constituirão motivos para extinção do contrato, a qual deverá ser
formalmente motivada nos autos do processo, assegurados o contraditório e a ampla
defesa, as seguintes situações:
I - não cumprimento ou cumprimento irregular de normas editalícias ou de
cláusulas contratuais, de especificações, de projetos ou de prazos;
II - desatendimento das determinações regulares emitidas pela autoridade
designada para acompanhar e fiscalizar sua execução ou por autoridade superior;
III - alteração social ou modificação da finalidade ou da estrutura da empresa que
restrinja sua capacidade de concluir o contrato;
IV - decretação de falência ou de insolvência civil, dissolução da sociedade ou
falecimento do contratado;
V - caso fortuito ou força maior, regularmente comprovados, impeditivos da
execução do contrato;
VI - atraso na obtenção da licença ambiental, ou impossibilidade de obtê-la, ou
alteração substancial do anteprojeto que dela resultar, ainda que obtida no prazo
previsto;
VII - atraso na liberação das áreas sujeitas a desapropriação, a desocupação ou a
servidão administrativa, ou impossibilidade de liberação dessas áreas;
VIII - razões de interesse público, justificadas pela autoridade máxima do órgão ou da
entidade contratante;
extinção do motivação
contrato - art. 137,
caput contraditório e ampla defesa
----
Seguindo adiante, nos deparamos com as hipóteses listadas no art. 137, § 2º, sendo que todas
representam faltas da Administração:
I - supressão, por parte da Administração, de obras, serviços ou compras que acarrete
modificação do valor inicial do contrato além dos limites permitidos [em regra de
25%]
II - suspensão de execução do contrato, por ordem escrita da Administração, por
prazo superior a 3 (três) meses;
III - repetidas suspensões que totalizem 90 (noventa) dias úteis,
independentemente do pagamento obrigatório de indenização pelas sucessivas e
contratualmente imprevistas desmobilizações e mobilizações e outras previstas;
33
DE ASSIS, Luiz Eduardo Altenburg. Nova Lei de Licitações e Contratos Administrativos. 2ª ed., Ed.
Zenite. Capítulo 15.
Suspensão do contrato
»» prazo superior a 3 meses
continuamente por
A título de aprofundamento, destaco que estas três hipóteses destacadas acima (incisos II, III e IV)
- art. 137, § 2º:
I - não serão admitidas em caso de calamidade pública, de grave perturbação da ordem
interna ou de guerra, bem como quando decorrerem de ato ou fato que o contratado tenha
praticado, do qual tenha participado ou para o qual tenha contribuído;
II - assegurarão ao contratado o direito de optar pela suspensão do cumprimento das
obrigações assumidas até a normalização da situação, admitido o restabelecimento do equilíbrio
econômico-financeiro do contrato.
---
Conhecidas as formas e hipóteses de extinção, passemos agora ao estudo da “anulação” do
contrato.
Anulação
O contrato poderá ser declarado nulo quando se concluir que ele padece de uma irregularidade
insanável.
Isto porque, caso se esteja diante de uma irregularidade sanável, o gestor público deveria optar
pela correção da irregularidade (saneamento), sem chegar ao extremo de desfazer o contrato.
Mas não basta o gestor estar diante de uma irregularidade insanável. Segundo a nova sistemática
da Lei 14.133, a anulação do contrato (ou da licitação) exige, adicionalmente, que tal medida se
revele de acordo com o interesse público. Nesse sentido, o artigo 147 prevê que:
Art. 147. Constatada irregularidade no procedimento licitatório ou na execução
contratual, caso não seja possível o saneamento, a decisão sobre a suspensão da
execução ou sobre a declaração de nulidade do contrato somente será adotada na
hipótese em que se revelar medida de interesse público, com avaliação, entre outros,
dos seguintes aspectos: (..)
Detalhando um pouco mais, parte da doutrina34 tem defendido que a Lei 14.133 criou um "estudo
de impacto invalidatório"35, de sorte que a decisão pelo desfazimento do contrato administrativo
(ou mesmo pela sua suspensão) seria adotada após a ponderação de diversos aspectos (e não mais
seria um efeito “automático” da existência de irregularidade) e, assim, se demonstrar que é a
medida mais consentânea ao interesse público:
irregularidad interesse
anulação
e insanável público
34
Consoante leciona Marçal Justen Filho.
35
Assim como consta na LINDB, art. 21, caput, e art. 22, §1º.
e pela solução da irregularidade por meio de indenização por perdas e danos, sem prejuízo da
apuração de responsabilidade e da aplicação de penalidades cabíveis (art. 147, parágrafo único).
Exemplo 1 (anulação do contrato): comprovou-se que o contrato para execução de uma obra foi
celebrado após uma licitação fraudada, em que o agente de contratação recebeu propina do
licitante vencedor, sendo que a obra sequer foi iniciada.
Considerando insanável tal irregularidade e que a obra não foi iniciada, a declaração de nulidade
do contrato poderia se mostrar a medida mais acertada ao interesse público.
Assim, para a decisão de anular ou sanear o contrato, serão avaliados os seguintes aspectos (art.
147):
impactos econômicos e financeiros do atraso na fruição dos
benefícios do objeto do
riscos sociais, ambientais e à segurança da
contrato
população local
motivação social e ambiental do contrato
custo da deterioração ou perda das parcelas executadas
despesa p/ preservar as instalações e serviços já executados
Avaliação dos
despesa p/ desmobilização e ao posterior retorno às atividades
impactos da
anulação
medidas adotadas para o saneamento dos indícios de irregularidades
custo total e estágio de execução física e financeira do contrato
De toda forma, assim como estudamos em relação aos atos administrativos, a anulação pode ser
realizada pela própria Administração Pública, mediante provocação ou de ofício, ou pelo Poder
Judiciário, mediante provocação.
E, assim como nos “atos administrativos”, a anulação do contrato, em regra, também produz
efeitos retroativos (ex tunc):
Art. 148. A declaração de nulidade do contrato administrativo requererá análise prévia
do interesse público envolvido, na forma do art. 147 desta Lei, e operará
retroativamente, impedindo os efeitos jurídicos que o contrato deveria produzir
ordinariamente e desconstituindo os já produzidos.
Portanto, como regra, a anulação do contrato opera efeitos retroativos, desfazendo o vínculo entre
o contratado e o ente público desde o nascimento do contrato.
Apesar de a retroação dos efeitos da anulação ser a regra geral, o legislador previu duas exceções:
Art. 148 , § 1º Caso não seja possível o retorno à situação fática anterior, a nulidade
será resolvida pela indenização por perdas e danos, sem prejuízo da apuração de
responsabilidade e aplicação das penalidades cabíveis.
Art. 148 , § 2º Ao declarar a nulidade do contrato, a autoridade, com vistas à
continuidade da atividade administrativa, poderá decidir que ela só tenha eficácia em
momento futuro, suficiente para efetuar nova contratação, por prazo de até 6 (seis)
meses, prorrogável uma única vez.
No primeiro caso (art. 148, §1º), os efeitos não retroagem, mas podem ser cobradas indenizações
buscando-se reparar aqueles que foram lesionados pela irregularidade (e são apuradas as
responsabilidades pela irregularidade identificada).
Já no segundo caso (art. 148, §2º), considerando o princípio da continuidade, a Administração
poderia modular os efeitos da anulação, permitindo que o contrato ainda perdure pelo tempo
necessário para se fazer nova contratação. Nesta hipótese, o contrato ainda poderia ser executado
por mais 6 meses, prorrogáveis uma única vez.
----
Além disso, uma vez desfeito o contrato em razão de sua nulidade, caso o contratado já tenha
comprovadamente se mobilizado para a prestação de serviços, adquirido produtos para entregar
à Administração ou, até mesmo, executado parte do contrato, ele deverá ser indenizado:
Art. 149. A nulidade não exonerará a Administração do dever de indenizar o
contratado pelo que houver executado até a data em que for declarada ou tornada
eficaz, bem como por outros prejuízos regularmente comprovados, desde que não lhe
seja imputável, e será promovida a responsabilização de quem lhe tenha dado causa.
Percebam que a indenização pode se referir a (i) parcela do objeto executada e (ii) outros prejuízos
que tenha sofrido (chamados de “danos emergentes”).
A legislação não prevê qualquer indenização em relação a lucros cessantes, que consiste na
parcela de lucro que o particular deixou de auferir caso o contrato houvesse sido executado
regularmente.
Além disso, não há que se falar em indenização se o prejuízo houver acontecido por culpa do
contratado.
36
DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. Ed. GenMétodo. 31ª ed. 2018. Item 8.6.8
alteração unilateral
Administração
Álea administrativa fato do príncipe
Riscos responde
(ou ‘áleas’)
fato da administração
aplicação da teoria da
Álea econômica
imprevisão
regra: rescisão
Caso fortuito e força
contratual sem culpa
maior
das partes
Deixando de lado o ‘caso fortuito e força maior’ e as situações específicas envolvendo matriz de
alocação de riscos (art. 22), teremos três diferentes tipos de riscos no contrato administrativo, a
saber.
A álea ordinária (ou empresarial) é aquela ordinariamente assumida pelo empresário na condução
das atividades empresariais, é risco ordinário e contratual, integralmente assumido pela empresa
contratada.
Diferentemente, as áleas administrativa e econômica estão dentro da álea extraordinária, já que
são situações que fogem ao ordinariamente esperado de um contrato. Dentro da álea econômica,
estudaremos a chamada “teoria da imprevisão”, importantíssima em provas! Veremos que,
diferentemente do que ocorre em relação à álea ordinária, estas situações extraordinárias não são
suportadas integralmente pelo contratado.
----
Adiante iremos estudar as circunstâncias que provocam alterações nos contratos administrativos,
examinando mais especificamente o fato do príncipe, fato da administração, as interferências
imprevistas, além do caso fortuito e da força maior e da teoria da imprevisão (álea econômica).
Como há grande controvérsia doutrinária quanto à classificação das figuras que se seguem, iremos
nos pautar pela posição esposada por Di Pietro, não deixando de enumerar outros tipos
igualmente importantes para fins de prova.
Fato do príncipe
Segundo leciona Hely Lopes Meirelles, fato do príncipe consiste em toda determinação estatal,
geral, positiva ou negativa, imprevista e imprevisível, que onera substancialmente a execução do
contrato administrativo.
Percebam que o ato de majoração do imposto tem caráter geral, alcançando a todos que se
encontrarem importando aqueles produtos, incluindo o particular recém celebrado. Neste caso, o
contrato é atingido de modo incidental (ou reflexamente).
Além disso, nesta majoração o Estado não atuou como uma das partes do contrato, mas fez uso
do seu poder de império.
Quando a conduta estatal, nesta condição, desequilibra a economia do contrato ou impede sua
plena execução, deverá haver a revisão dos custos do contrato mediante acordo entre as partes.
É um exemplo do chamado “reequilíbrio econômico-financeiro do contrato”:
Art. 134. Os preços contratados serão alterados, para mais ou para menos, conforme o
caso, se houver, após a data da apresentação da proposta, criação, alteração ou extinção
de quaisquer tributos ou encargos legais ou a superveniência de disposições
legais, com comprovada repercussão sobre os preços contratados.
No mesmo exemplo acima, se a Administração, ao invés de aumentar a alíquota de importação,
baixasse uma lei proibindo a importação daquele medicamento, o contrato seria rescindido (sem
culpa do contratado), uma vez que o fato do princípio tornou impossível sua execução.
A este respeito, vejam a seguinte questão:
FCC/TRT - 11ª Região (AM e RR) - Técnico Judiciário (adaptada)
O fato do príncipe não se preordena diretamente ao particular contratado, pois tem cunho de
generalidade e apenas reflexamente incide sobre o contrato, ocasionando oneração excessiva ao
particular independentemente da vontade deste.
Gabarito (C), na medida em que o fato do princípio atinge o contrato de maneira incidental
(indiretamente).
Por ser um ato geral, que desequilibra o contrato pela via reflexa (isto é, indiretamente), este não
se confunde com o fato da Administração, que veremos a seguir.
Fato da Administração
Fato da Administração consiste em toda ação ou omissão do Poder Público que, incidindo direta
e especificamente sobre o contrato, retarda ou impede sua execução.
Exemplos37: a Administração contrata empresa para construção de um hospital, mas não lhe
entrega o local da obra; a Administração não providencia as desapropriações necessárias para
construção de uma rodovia; atraso nos pagamentos por longo tempo.
37
Adaptados a partir de MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro, 35ª edição, p. 270-
271.
38Lembrando que as hipóteses dos incisos II, III e IV não serão admitidas em caso de calamidade pública, de grave
perturbação da ordem interna ou de guerra, bem como quando decorrerem de ato ou fato que o contratado tenha
praticado, do qual tenha participado ou para o qual tenha contribuído (art. 137, § 3º, I);
Já caso fortuito consiste no evento da natureza que, por sua imprevisibilidade e inevitabilidade,
cria para o contratado impossibilidade intransponível de regular execução do contrato.
39 Art. 125. Nas alterações unilaterais a que se refere o inciso I do caput do art. 124 desta Lei, o contratado será
obrigado a aceitar, nas mesmas condições contratuais, acréscimos ou supressões de até 25% (vinte e cinco por
cento) do valor inicial atualizado do contrato que se fizerem nas obras, nos serviços ou nas compras, e, no caso de
reforma de edifício ou de equipamento, o limite para os acréscimos será de 50% (cinquenta por cento).
40
MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro, 35ª edição, p. 268-269.
Exemplo: fortes chuvas que inundam o local em que a obra seria executada.
Em qualquer dos casos (causa humana ou da natureza), o que caracteriza o evento como caso
fortuito ou força maior são: a imprevisibilidade, a inevitabilidade de sua ocorrência e o absoluto
impedimento de se executar o contrato41.
Reparem que aqui não se trata de mera falta de previsão (evento imprevisto, mas previsível), mas
da impossibilidade de sua previsão.
A força maior e o caso fortuito equiparam-se ao fato da administração quanto aos efeitos
produzidos, no sentido de isentar a responsabilidade do particular pela inexecução do contrato.
Na Lei 14.133, ambas as circunstâncias autorizam (i) a extinção do contrato sem culpa das partes
– art. 137, V – ou (ii) a alteração bilateral do contrato – art. 124, II, ‘d’.
Além disso, nos regimes de contratação integrada e semi-integrada, embora a regra geral seja
pela impossibilidade de alteração contratual, havendo força maior ou caso fortuito será possível a
alteração do valor dos contratos (art. 133, I).
No próximo item, veremos situações que, embora previsíveis, deixaram de ser identificadas.
Interferências imprevistas
As interferências imprevistas consistem em ocorrências de ordem material (não previstas pelas
partes) que surgem na execução do contrato, de modo surpreendente e excepcional, dificultando
e onerando de modo extraordinário o prosseguimento dos trabalhos.
Exemplo42: a Administração celebra contrato de obra pública, no qual havia indicado que o
terreno do local seria arenoso. No entanto, durante as obras, constata-se que, na verdade, o
terreno é rochoso, o que irá onerar sobremaneira a empresa contratada.
41
Op. cit.
42
Adaptados a partir de MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro, 35ª edição, p. 272.
43
ALEXANDRINO, Marcelo. Vicente Paulo. Direito Administrativo Descomplicado. 25ª ed. p. 644
Teoria da Imprevisão
Como leciona Di Pietro, a álea econômica (ensejadora da teoria da imprevisão) consiste em
“acontecimento externo ao contrato, estranho à vontade das partes, imprevisível e inevitável, que
causa um desequilíbrio muito grande, tornando a execução do contrato excessivamente onerosa
para o contratado”.
Neste cenário tem lugar a teoria da imprevisão, que busca rever o contrato para se reestabelecer
o equilíbrio original.
Conforme aponta Carvalho Filho, o fundamento da teoria da imprevisão é o princípio da cláusula
rebus sic stantibus, segundo o qual o contrato deve ser cumprido desde que presentes as mesmas
condições existentes no cenário dentro do qual foi o pacto ajustado. Se tais condições forem
profundamente alteradas, rompe-se o equilíbrio contratual, e não se pode imputar qualquer culpa
à parte inadimplente.
Não seria justo obrigar a parte prejudicada a continuar cumprindo seu encargo, tendo ciência de
que ela não teria celebrado o contrato se houvesse previsto as alterações que o oneraram
profundamente.
Reparem que o acontecimento deve ser imprevisível, seja (i) quanto à sua ocorrência ou (ii) quanto
à dimensão de suas consequências. Se o fato for previsível e de consequências calculáveis, ele é
suportável pelo particular contratado, caracterizando álea econômica ordinária. Nesta situação,
não terá lugar a teoria da imprevisão.
Assim, reforço que a teoria da imprevisão somente terá lugar para a chamada álea extraordinária,
isto é, aquela que extrapola o risco ordinariamente assumido pelo empresário na condução das
atividades empresariais. A teoria da imprevisão não se aplica a simples alterações de preços, em
proporções suportáveis pelas partes.
Nesse sentido, Carvalho Filho44 leciona que, para Caio Tácito
“A álea econômica é, por natureza, extraordinária, excedente aos riscos normais
admitidos pela natureza do negócio. Os fenômenos da instabilidade econômica ou
social (guerras, crises econômicas, desvalorização da moeda) são as causas
principais do estado de imprevisão, tanto pela importância do impacto de seus efeitos,
como pela imprevisibilidade de suas consequências.” Assinala ainda o grande
publicista que o fato gerador da imprevisão deve ser independente da vontade do
beneficiário, o que confirma que não agiu com culpa e que ao evento não deu causa.
44 FILHO, José dos Santos Carvalho. Manual de Direito Administrativo. 27ª ed. Atlas. P. 215
Não podemos confundir a teoria da imprevisão com as interferências imprevistas, estudados logo
acima.
As interferências dizem respeito a fatos de ordem material, que já existiam no momento da
celebração do contrato, mas eram desconhecidos pelos contratantes (eram previsíveis). Já para a
teoria da imprevisão, há que se ter a impossibilidade de previsão, seja quanto à sua ocorrência,
seja quanto às suas consequências.
Além disso, o fato deve ser alheio à vontade das partes. Se o acontecimento decorrer da vontade
do particular, este responderá sozinho pelas consequências de seu ato. Por outro lado, se o
acontecimento decorrer da vontade da Administração, estaremos diante de um fato do príncipe
ou da Administração, dentro das regras relativas à álea administrativa.
Ante o exposto, podemos perceber os seguintes requisitos para restabelecimento do equilíbrio
econômico-financeiro do contrato por meio da aplicação da teoria da imprevisão:
1) acontecimento estranho à vontade das partes
2) imprevisibilidade quanto à ocorrência ou quanto à dimensão das consequências
3) inevitabilidade
4) causa de profundo desequilíbrio no contrato
Assim, um contrato de obra, por exemplo, poderia prever que os preços contratados seriam
reajustados pelo INCC – Índice Nacional da Construção Civil, que é um índice setorial (reajuste em
sentido estrito). Um contrato de limpeza, por exemplo, que em geral é um serviço continuado com
dedicação exclusiva de mão de obra, poderia ser objeto da repactuação.
A adoção de um ou outro critério para “reajuste” deve estar indicada no edital e no contrato
administrativo, sendo que a repactuação consiste na modalidade que deve ser utilizada nas
contratações de serviços continuados com regime de dedicação exclusiva de mão de obra ou
predominância de mão de obra (art. 6º, LIX).
Reparem que, independentemente do prazo de duração do contrato, ele deverá conter cláusula
que estabeleça o índice de reajustamento de preço, com data-base vinculada à data do orçamento
estimado, e poderá ser estabelecido mais de um índice específico ou setorial (art. 92, § 3º).
Tratando-se, por outro lado, especificamente dos contratos de serviços contínuos, o reajuste
somente poderá ocorrer após o período mínimo de 1 ano, sendo que o critério de reajustamento
de preços será (art. 92, § 4º):
a) reajustamento em sentido estrito, quando não houver regime de dedicação exclusiva de
mão de obra ou predominância de mão de obra;
b) repactuação, quando houver regime de dedicação exclusiva de mão de obra ou
predominância de mão de obra.
Nesse sentido, as regras deste capítulo buscam aprimorar a fiscalização, o controle, a que se
sujeitam as licitações e os contratos administrativos.
Estas normas aplicam-se ao controle administrativo (aquele controle realizado pela própria
administração pública no exercício da autotutela) e do controle legislativo (realizado por órgãos
do Poder Legislativo, incluindo os tribunais de contas) sobre as contratações públicas. Avante!
45
“Compliance”, do inglês, deriva de “comply”, que significa estar em conformidade, de acordo com as
normas aplicáveis.
•servidores e
empregados
públicos •assessoramento
•órgão central de
•agentes de jurídico
controle interno
licitação
•autoridades que •controle interno do
•tribunal de contas
atuam na estrutura próprio órgão
de governança do
órgão contratante
Vejam que a 1ª linha refere-se às “defesas” ou controles adotados pelos agentes que estão mais
próximos da contratação. Ou seja, nesta 1ª linha inserem-se os controles adotados pelos agentes
da contratação, servidores e empregados públicos do órgão contratante, bem como pelas
autoridades que atuam na estrutura de governança do órgão contratante.
46
IIA. Institute of Internal Auditors. Modelo das Três Linhas do IIA 2020: uma atualização das Três
Linhas de Defesa.
47
A exemplo do “Referencial de Combate a fraude e corrupção” do Tribunal de Contas da União (TCU)
Percebam que estes agentes da 1ª linha são aqueles que estão “com as mãos na massa”
conduzindo a contratação. Portanto, eles devem se preocupar não apenas em concluir a
contratação, mas também em se certificar de que a legislação está sendo seguida e os riscos sendo
gerenciados.
Já a 2ª linha contempla a atuação das consultorias jurídicas (que examinam as minutas de editais
e contratos), bem como o controle exercido pelo órgão de controle interno do próprio órgão que
está realizando a contratação. Esta diz respeito, portanto, a controles menos próximos à
contratação do que aqueles da 1ª linha.
Por fim, a 3ª linha abrange o controle exercido pelos tribunais de contas (que são órgãos de
controle externo) e pelo órgão central de controle interno.
Exemplo: suponha que o Ministério da Saúde lance um edital de licitação para aquisição de
agulhas e seringas para aplicação de vacinas.
Os controles aplicados pelo pregoeiro, pela equipe de apoio, pelas autoridades e servidores da
área administrativa do Ministério da Saúde consistem na 1ª linha de defesa.
Quando a minuta de edital é submetida à avaliação da consultoria jurídica do Ministério ou é
examinada pela assessoria de controle interno do próprio Ministério, trata-se da 2ª linha de
defesa.
Agora, se aquela contratação é examinada pela Controladoria-Geral da União (CGU) ou pelo
Tribunal de Contas da União (TCU), estaríamos diante da 3ª linha de defesa.
gravidade, a nova lei de licitações prevê que quando os integrantes das linhas de defesa
constatarem (art. 169, § 3º):
irregularidade
se houver indícios de crime: encaminham ao Ministério Público
com dano à
Administração
adotarão medidas para o saneamento da impropriedade
Além disso, é natural que a apuração das irregularidades identificadas pelos órgãos de controle
seja conduzida por meio de um processo, no qual se assegure o contraditório e ampla defesa ao
órgão contratante.
Nesse sentido, os esclarecimentos apresentados pelo órgão contratante – em relação à
irregularidade apurada – devem ser encaminhadas aos órgãos de controle até a conclusão da fase
de instrução do processo e não poderão ser desentranhadas dos autos (art. 170, § 1º).
Agora, caso o órgão permaneça revel e opte por não prestar esclarecimentos, isto não impede
que o órgão de controle tome as decisões e nem retarda a aplicação dos prazos aplicáveis ao
processo (art. 170, § 2º).
Como não poderia deixar de ser, os órgãos de controle desconsiderarão os documentos
impertinentes, meramente protelatórios ou de nenhum interesse para o esclarecimento dos fatos
(art. 170, § 3º).
Nesse sentido, vale destacar que – assim como previsto na Lei 8.666 – qualquer licitante,
contratado ou pessoa física ou jurídica poderá representar aos órgãos de controle interno ou ao
tribunal de contas competente contra irregularidades na aplicação da Lei de Licitações (art. 170,
§ 4º).
O controle do controle
Uma das preocupações do legislador foi coibir abusos por parte dos órgãos de controle. Nesse
sentido, o artigo 171 previu três diretrizes, aplicáveis à atuação destes órgãos:
Art. 171. Na fiscalização de controle será observado o seguinte:
I - viabilização de oportunidade de manifestação aos gestores sobre possíveis
propostas de encaminhamento que terão impacto significativo nas rotinas de
trabalho dos órgãos e entidades fiscalizados, a fim de que eles disponibilizem
subsídios para avaliação prévia da relação entre custo e benefício dessas possíveis
proposições;
II - adoção de procedimentos objetivos e imparciais e elaboração de relatórios
tecnicamente fundamentados, baseados exclusivamente nas evidências obtidas e
organizados de acordo com as normas de auditoria do respectivo órgão de controle, de
modo a evitar que interesses pessoais e interpretações tendenciosas interfiram
na apresentação e no tratamento dos fatos levantados;
III - definição de objetivos, nos regimes de empreitada por preço global, empreitada
integral, contratação semi-integrada e contratação integrada, atendidos os requisitos
técnicos, legais, orçamentários e financeiros, de acordo com as finalidades da
contratação, devendo, ainda, ser perquirida a conformidade do preço global com os
parâmetros de mercado para o objeto contratado, considerada inclusive a dimensão
geográfica.
Para fins de prova, destaco que, por força do princípio da impessoalidade, os órgãos de controle
deverão tomar decisões que decorram das provas contidas no processo e na análise objetiva e
Percebam que o órgão licitante tem 10 dias úteis para atender às requisições do tribunal de contas,
enquanto este terá o prazo de 25 dias úteis para examinar todas as informações prestadas pelo
órgão licitante e, ao final, decidir definitivamente sobre aquela questão.
Notem, ainda, que enquanto o legislador limitou que o prazo aplicável ao tribunal de contas seja
prorrogado uma única vez, para o órgão licitante a lei simplesmente assevera que é admitida sua
prorrogação, sem restringir, expressamente, que isto ocorra mais de uma vez.
Caso seja descumprido o prazo imposto ao órgão licitante (em regra, 10 dias úteis), haverá a
apuração de responsabilidade e a obrigação de reparação do prejuízo causado ao erário (art. 171,
§4º).
➢ Demais aspectos das medidas cautelares
Naquelas situações em que o tribunal de contas determinar a paralisação de uma licitação, a
medida cautelar deverá definir, também (art. 171, § 1º): a) as causas da suspensão; e b) o modo
pelo qual será garantido o atendimento do interesse público obstado pela suspensão da licitação,
no caso de objetos essenciais ou de contratação por emergência.
Por outro lado, ao julgar o caso em caráter definitivo, a decisão de mérito (que em regra ocorrerá
dentro de 25 dias úteis) deverá definir as medidas necessárias e adequadas, em face das
alternativas possíveis, para o saneamento do processo licitatório, ou determinar a sua anulação
(art. 171, § 3º).
Em outaras palavras, de modo similar ao que comentamos em relação ao art. 147 da nova lei, nem
sempre uma irregularidade levará à anulação da licitação. Pode ser que, dentre as alternativas
existentes para aquele caso concreto, o tribunal de contas considere mais consentâneo ao
interesse público a manutenção da licitação com a correção da irregularidade.
Capacitação provida pelos tribunais de contas
Por fim, o legislador ressaltou a importância de os tribunais de contas realizarem eventos de
capacitação sobre a nova lei, utilizando-se de seus órgãos de treinamento, chamados de “escolas
de contas”:
Art. 173. Os tribunais de contas deverão, por meio de suas escolas de contas,
promover eventos de capacitação para os servidores efetivos e empregados públicos
designados para o desempenho das funções essenciais à execução desta Lei, incluídos
cursos presenciais e a distância, redes de aprendizagem, seminários e congressos sobre
contratações públicas.
CONVÊNIOS
INCIDÊNCIA EM PROVA: BAIXÍSSIMA
Com a mudança promovida pela Lei 14.770, de dezembro de 2023, passou a ser importante
detalharmos alguns pontos principais dos convênios.
Já sabemos que, apesar do “convênio” não ser exatamente um “contrato”, as regras da NLL
poderão ser aplicadas aos convênios no que couber.
Nesse sentido, quando for ser reestabelecido o equilíbrio econômico-financeiro do convênio (em
caso de força maior, caso fortuito ou fato do príncipe ou em decorrência de fatos imprevisíveis ou
previsíveis de consequências incalculáveis, que inviabilizem a execução do convênio tal como
pactuado), se o valor global inicialmente pactuado demonstrar-se insuficiente para a execução do
objeto, poderão ser (art. 184, § 2º):
§ 2º, I - utilizados saldos de recursos ou rendimentos de aplicação financeira;
II - aportados novos recursos pelo concedente;
III - reduzidas as metas e as etapas, desde que isso não comprometa a fruição ou a
funcionalidade do objeto pactuado.
Além disso, são permitidos ajustes nos instrumentos celebrados com recursos de transferências
voluntárias, para promover alterações em seu objeto, desde que (art. 184, § 3º):
I - isso não importe transposição, remanejamento ou transferência de recursos de uma
categoria de programação para outra ou de um órgão para outro;
II - seja apresentada justificativa objetiva pelo convenente; e
III - quando se tratar de obra, seja mantido o que foi pactuado quanto a suas
características.
----
Além disso, nos convênios (e instrumentos do gênero) envolvendo a União, cujo valor total é de
até R$ 1,5 milhão, deve-se aplicar o regime simplificado de análise e prestação de contas:
Além disso:
Art. 184-A, § 1º O acompanhamento pela concedente ou mandatária será realizado pela
verificação dos boletins de medição e fotos georreferenciadas registradas pela
empresa executora e pelo convenente do Transferegov e por vistorias in loco,
realizadas considerando o marco de execução de 100% (cem por cento) do cronograma
físico, podendo ocorrer outras vistorias, quando necessárias.
Ponto importante é que este regime simplificado aplica-se aos convênios, contratos de repasse e
instrumentos congêneres celebrados após a publicação da Lei 14.770, de 22/12/2023.
CONCLUSÃO
Bem, pessoal,
A aula de hoje também está recheada de detalhes. Espero termos ‘decifrado’ o linguajar e os
principais mecanismos da Lei 14.133/2021, no que diz respeito aos contratos administrativos.
Atenção especial às formalidades do contrato administrativo, às cláusulas exorbitantes, à duração
do contrato e aos encargos decorrentes da execução contratual.
Adiante teremos, como de costume, nosso resumo e as questões comentadas relacionadas ao
tema da aula de hoje =)
@professordaud
RESUMO
Aspectos iniciais
Contratos privados da Administração Pública Contratos Administrativos
Presença da Administração como uma das Presença da Administração como uma das
partes partes
Finalidade de interesse público Finalidade de interesse público
Regidos predominantemente pelo direito Regidos predominantemente pelo direito
privado público
horizontalidade Verticalidade
Contrato Convênio
interesses antagônicos interesses comuns
não há contraprestação (há
há contraprestação
contrapartida)
"partes" "participantes"
regras da Lei 14.133 aplicáveis no
regras da Lei 14.133 aplicáveis
que couber e na ausência de norma
diretamente
específica
Cláusulas exorbitantes
fiscalizar a execução do
contrato
pela inexecução total ou
parcial do ajuste
aplicar sanções
cláusulas
exorbitantes motivadas
restrições à exceção do
contrato não cumprido
De proposta 1%
Regra geral 5%
De execução
Obras e serv. eng. de grande vulto 30%
(200 mi)
Garantias
Contratado é depositário de bens da + o valor dos
Administração bens
Seguradora é anuente
Particular suspende a
execução até a
atraso no pagamento normalização dos
regra pagamentos
ou
pleiteia a extinção
superior a 2 contratual
meses
Calamidade, grave
perturbação da ordem
Exceções interna, guerra ou atraso
causado pelo
contratado
prorrogável por
serviços e fornecimentos contínuos
até 10 anos
máx. 5 anos aluguel de equipamentos
inovação tecnológica
máx. 10 anos segurança nacional
duração dos
transferência de tecnologia do SUS
contratos + produtos estratégicos
(prazo previsto em
edital) insumos estratégicos para o SUS
contratos de eficiência ou que SEM
gerem receita investimento
operação continuada de sistemas
máx. 15 anos
estruturantes de TI
Encargos contratuais
Fiscais
fiscal de contrato
provisório
termo detalhado
OBRAS e SERVIÇOS
servidor ou
comissão
definitivo
termo detalhado
RECEBIMENTO
fiscal de contrato
provisório
sumário
COMPRAS
servidor ou
comissão
definitivo
termo detalhado
Se estiver em desacordo Objeto rejeitado
com o contrato (no todo ou em parte)
Extinção do contrato
hipóteses: hipóteses:
não aplicável no caso de •acordo
descumprimento por •conciliação •judicial
parte da Administração •mediação •arbitral
•comitê
Nulidade do contrato
QUESTÕES COMENTADAS
1. CEBRASPE/TRF 6/ ANALISTA - 2025
No que se refere ao controle das contratações públicas realizadas com base na Lei n°
14.133/2021, o Poder Judiciário integra a terceira linha de defesa.
Comentários:
O item está incorreto, pois, nos termos previstos na Lei 14.133/2021, o Poder Judiciário não
integra nenhuma das 3 linhas de defesa:
Lei 14.133/2021, Art. 169 - As contratações públicas deverão submeter-se a
práticas contínuas e permanentes de gestão de riscos e de controle preventivo,
inclusive mediante adoção de recursos de tecnologia da informação, e, além de
estar subordinadas ao controle social, sujeitar-se-ão às seguintes linhas de defesa:
I - Primeira linha de defesa, integrada por servidores e empregados públicos,
agentes de licitação e autoridades que atuam na estrutura de governança do
órgão ou entidade;
II - Segunda linha de defesa, integrada pelas unidades de assessoramento
jurídico e de controle interno do próprio órgão ou entidade;
III - Terceira linha de defesa, integrada pelo órgão central de controle interno da
Administração e pelo tribunal de contas.
Gabarito (Errado)
2. CEBRASPE – PC DF/AGENTE ADMINISTRATIVO - 2025
A execução do contrato será acompanhada por um ou mais fiscais devidamente designados pela
administração pública, sendo vedada a participação de terceiros na fiscalização.
Comentários:
A parte final do item está incorreto, pois é permitida, sim, a contratação de terceiros para assistir
ou subsidiar na fiscalização:
Lei 14.133/2021, Art. 117 - A execução do contrato deverá ser acompanhada e
fiscalizada por 1 (um) ou mais fiscais do contrato, representantes da
Administração especialmente designados conforme requisitos estabelecidos
no art. 7º desta Lei, ou pelos respectivos substitutos, permitida a contratação de
terceiros para assisti-los e subsidiá-los com informações pertinentes a essa
atribuição.
Gabarito (Errado)
3. CEBRASPE – PC DF/AGENTE ADMINISTRATIVO - 2025
A divulgação no Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP) é condição indispensável para
a eficácia do contrato de licitação e de seus aditamentos.
Comentários:
O item está correto, conforme prevê o Art. 94 da Lei 14.133/2021:
Partindo do pressuposto de que o item refere-se a serviços contínuos com regime de dedicação
exclusiva de mão de obra, conclui-se que ele está correto:
Lei 14.133/21, Art. 6º, XVI - serviços contínuos com regime de dedicação
exclusiva de mão de obra: aqueles cujo modelo de execução contratual exige,
entre outros requisitos, que:
b) o contratado não compartilhe os recursos humanos e materiais disponíveis de
uma contratação para execução simultânea de outros contratos;
Gabarito (Certo)
7. CEBRASPE/TSE/2024
Em regra, os empregados da pessoa jurídica efetivamente contratada pela organização pública
deverão ficar à disposição nas dependências da contratante para a prestação dos serviços.
Comentários:
Outro item que refere-se a serviços contínuos com regime de dedicação exclusiva de mão de
obra, o qual está de acordo com sua definição legal:
Lei 14.133/21, Art. 6º, XVI - serviços contínuos com regime de dedicação
exclusiva de mão de obra: aqueles cujo modelo de execução contratual exige,
entre outros requisitos, que:
a) os empregados do contratado fiquem à disposição nas dependências do
contratante para a prestação dos serviços;
Gabarito (Certo)
8. CEBRASPE/TSE/2024
O registro de empenho de dotações orçamentárias pode ser realizado mediante simples apostila,
desde que tal registro não caracterize alteração do contrato.
Comentários:
O item está correto, visto que o simples registro do empenho não caracteriza alteração do
contrato e, portanto, não exige termo aditivo, podendo ser formalizado via simples apostila,
conforme prevê o Art. 136, inciso IV, da Lei 14.133/21.
Lei 14.133/21, Art. 136 - Registros que não caracterizam alteração do contrato
podem ser realizados por simples apostila, dispensada a celebração de termo
aditivo, como nas seguintes situações: (..)
IV - Empenho de dotações orçamentárias.
Gabarito (Certo)
9. CEBRASPE/TSE/2024
Os emitentes de seguro-garantia devem ser notificados pelo contratante quanto ao início de
processo administrativo para a apuração de descumprimento de cláusulas contratuais.
Comentários:
O item menciona corretamente um detalhe do processo de apuração de descumprimento de
contratos que possuem garantias:
O item está incorreto, pois o fiscal do contrato será, sim, auxiliado pelo controle interno da
administração, além dos órgãos de assessoramento jurídico, conforme prevê o Art. 117, § 3º, da
Lei 14.133/21.
Lei 14.133/21, Art. 117, § 3º - O fiscal do contrato será auxiliado pelos órgãos de
assessoramento jurídico e de controle interno da Administração, que deverão
dirimir dúvidas e subsidiá-lo com informações relevantes para prevenir riscos na
execução contratual.
Gabarito (Errado)
13. CEBRASPE/TSE/2024
Na aplicação de sanções à contratada, devem ser levadas em consideração a natureza e a
gravidade da infração cometida, as circunstâncias agravantes ou atenuantes e a implantação ou o
aperfeiçoamento de programa de integridade, conforme as normas e as orientações dos órgãos
de controle.
Comentários:
O item menciona corretamente algumas das circunstâncias avaliadas na “dosimetria” das sanções
a serem aplicadas, conforme prevê o Art. 156, § 1º, da Lei 14.133/21.
Lei 14.133/21, Art. 156, § 1º - Na aplicação das sanções serão considerados:
I - A natureza e a gravidade da infração cometida;
II - As peculiaridades do caso concreto;
III - As circunstâncias agravantes ou atenuantes;
IV - Os danos que dela provierem para a Administração Pública;
V - A implantação ou o aperfeiçoamento de programa de integridade, conforme
normas e orientações dos órgãos de controle.
Gabarito (Certo)
14. CEBRASPE/TSE/2024
A reabilitação da licitante ou da contratada perante a autoridade que aplicou a penalidade será
efetivada quando cumpridas as duas seguintes obrigações: a reparação integral do dano causado
à administração pública e o pagamento integral da multa.
Comentários:
O item está incorreto, pois a reabilitação só é admitida quando são cumpridos cumulativamente
todos os requisitos descritos no Art. 163 da Lei 14.133/21, e não apenas a reparação do dano e o
pagamento integral da multa:
Lei 14.133/21, Art. 163 - É admitida a reabilitação do licitante ou contratado
perante a própria autoridade que aplicou a penalidade, exigidos,
cumulativamente:
I - Reparação integral do dano causado à Administração Pública;
II - Pagamento da multa;
Comentários:
O item está incorreto, pois o recebimento definitivo cabe ao servidor ou comissão designada
pela autoridade competente. O fiscal de contrato é responsável pelo recebimento provisório:
Lei 14.133/21, Art. 140 - O objeto do contrato será recebido:
I - Em se tratando de obras e serviços:
b) definitivamente, por servidor ou comissão designada pela autoridade
competente, mediante termo detalhado que comprove o atendimento das
exigências contratuais;
II - Em se tratando de compras:
b) definitivamente, por servidor ou comissão designada pela autoridade
competente, mediante termo detalhado que comprove o atendimento das
exigências contratuais.
Gabarito (Errado)
21. CEBRASPE/TSE/2024
O preposto da contratada, que deve ser aceito pela administração, deve permanecer no local da
execução do contrato.
Comentários:
O item está correto, conforme prevê o Art. 118 da Lei 14.133/21.
Lei 14.133/21, Art. 118 - O contratado deverá manter preposto aceito pela
Administração no local da obra ou do serviço para representá-lo na execução do
contrato.
Aproveito para lembrar que o preposto nada mais é que um representante da empresa
contratada, aquele com o qual o fiscal de contrato irá interagir diretamente.
Gabarito (Certo)
22. CEBRASPE/TSE/2024
Nos contratos de prestação de serviços contínuos com regime de dedicação exclusiva de mão de
obra, o contratado poderá fiscalizar a distribuição dos recursos humanos alocados, mas não o seu
controle ou a sua supervisão.
Comentários:
O item está incorreto, pois o contratado pode fiscalizar tanto a distribuição quanto o controle e
supervisão dos recursos humanos alocados, conforme prevê o Art. 6º, inciso XVI, alínea c, da Lei
14.133/21.
Lei 14.133/21, Art. 6º, XVI - serviços contínuos com regime de dedicação
exclusiva de mão de obra: aqueles cujo modelo de execução contratual exige,
entre outros requisitos, que:
c) o contratado possibilite a fiscalização pelo contratante quanto à distribuição,
controle e supervisão dos recursos humanos alocados aos seus contratos;
Gabarito (Errado)
23. CEBRASPE/TSE/2024
O preposto da contratada deverá anotar, em registro próprio, todas as ocorrências relacionadas à
execução do contrato, determinando a regularização das faltas.
Comentários:
O item está incorreto, pois essa função de anotar todas as ocorrências relacionadas à execução
cabe ao fiscal do contrato, e não ao preposto, conforme prevê o Art. 117, § 1º, da Lei 14.133/21.
Lei 14.133/21, Art. 117, § 1º - O fiscal do contrato anotará em registro próprio
todas as ocorrências relacionadas à execução do contrato, determinando o que
for necessário para a regularização das faltas ou dos defeitos observados.
Gabarito (Errado)
24. CEBRASPE/TSE/2024
O fiscal do contrato deverá informar aos seus superiores as medidas convenientes para a
execução do objeto apenas nos casos em que houver dúvida jurídica.
Comentários:
O item está incorreto, pois o fiscal deve informar aos superiores a necessidade de adoção de
medidas, não nos casos em que houver dúvida jurídica, mas sim nas situações que demandar
decisão ou providência que ultrapasse sua competência, conforme prevê o Art. 117, § 2º, da Lei
14.133/21.
Lei 14.133/21, Art. 117, § 2º - O fiscal do contrato informará a seus superiores,
em tempo hábil para a adoção das medidas convenientes, a situação que
demandar decisão ou providência que ultrapasse sua competência.
Gabarito (Errado)
25. CEBRASPE/TSE/2024
Não é cabível a aplicação de penalidade ao contratado em razão de este ter deixado de entregar
a documentação exigida para o certame, uma vez que essa circunstância revela fato anterior ao
contrato.
Comentários:
O item está incorreto. Uma vez tendo participado da licitação, a empresa se sujeita à aplicação
de sanções pelo poder público, com base no poder disciplinar, mesmo antes da celebração do
contrato. Assim, nos casos em que deixar de entregar a documentação exigida para o certame, a
empresa se sujeitará à aplicação de sanções:
Lei 14.133/21, Art. 155 - O licitante ou o contratado será responsabilizado
administrativamente pelas seguintes infrações: (..)
IV - Deixar de entregar a documentação exigida para o certame; (..)
VI - Não celebrar o contrato ou não entregar a documentação exigida para a
contratação, quando convocado dentro do prazo de validade de sua proposta;
Gabarito (Errado)
26. CEBRASPE/TSE/2024
Gabarito (Errado)
29. CEBRASPE/TC DF/2024
As contratações públicas devem submeter-se a práticas contínuas e permanentes de gestão de
riscos e de controle preventivo, sujeitando-se ao controle externo realizado pelos tribunais de
contas, que integram a primeira linha de defesa.
Comentário:
O item está incorreto, pois os tribunais de contas, assim como o órgão central de controle
interno, integram a 3ª linha de defesa, conforme previsto expressamente no art. 169, inciso III, da
Lei 14.133/2021:
Lei 14.133/2021, Art. 169 - As contratações públicas deverão submeter-se a
práticas contínuas e permanentes de gestão de riscos e de controle preventivo,
inclusive mediante adoção de recursos de tecnologia da informação, e, além de
estar subordinadas ao controle social, sujeitar-se-ão às seguintes linhas de
defesa:
III - terceira linha de defesa, integrada pelo órgão central de controle interno da
Administração e pelo tribunal de contas.
Gabarito (ERRADO)
30. CEBRASPE/TC DF/2024
Os contratos administrativos devem ter a forma escrita, porém admite-se também sua forma
eletrônica, sendo permitido conferir sigilo a seus termos aditivos, quando imprescindível à
segurança da sociedade e do Estado, nos termos da legislação que regula o acesso à
informação.
Comentário:
De fato, embora a regra geral seja a publicidade dos contratos, é possível que, em caráter
excepcional, sejam sigilosos, estejam na forma escrita (isto é, impressa) ou eletrônica. Assim, o
gabarito está correto, concatenando as informações do Art. 91, caput, §1º e §3º da Lei
14.133/2021, vejamos:
Lei 14.133/2021, Art. 91 - Os contratos e seus aditamentos terão forma escrita e
serão juntados ao processo que tiver dado origem à contratação, divulgados e
mantidos à disposição do público em sítio eletrônico oficial.
§ 1º - Será admitida a manutenção em sigilo de contratos e de termos aditivos
quando imprescindível à segurança da sociedade e do Estado, nos termos da
legislação que regula o acesso à informação.
§ 3º - Será admitida a forma eletrônica na celebração de contratos e de termos
aditivos, atendidas as exigências previstas em regulamento.
Gabarito (CERTO)
31. CEBRASPE/TCE-PR - 2024
Considerando a Lei n.º 14.133/2021, que dispõe sobre licitações e contratos administrativos,
assinale a opção correta.
A) Quando a licitação adotar julgamento por técnica e preço, cada um dos fatores deverá ter
peso de 50%.
B) A fim de dar celeridade ao procedimento de licitação, atualmente a fase de habilitação é
sempre posterior à de julgamento.
C) Com a finalidade de evitar nulidades e aumentar a eficiência do procedimento licitatório, a
Lei n.º 14.133/2021 adota o conceito de linhas de defesa, as quais envolvem, entre outros,
agentes de licitação e órgãos de assessoramento jurídico e de controle.
D) O credenciamento, na hipótese de inexigibilidade de licitação, destina-se a casos em que o
profissional a ser contratado detém notória especialização.
E) Os concursos, como modalidade destinada à escolha de trabalhos intelectuais, devem ser
abertos a qualquer pessoa interessada.
Comentários:
A letra (A) está incorreta. A Lei nº 14.133/2021, em seu art. 36, § 2º, estabelece que no
==48e4e3==
julgamento por técnica e preço, as propostas técnicas e de preço devem ser ponderadas de
acordo com os critérios objetivos definidos no edital, com uma proporção máxima de 70% para a
técnica. A lei não exige um peso fixo de 50% para cada fator, mas permite que o peso da técnica
seja superior ao do preço, até o limite de 70%, conforme a especificidade do objeto licitado e a
relevância da qualidade técnica.
A letra (B) está incorreta. Conforme o art. 17, § 1º, da Lei nº 14.133/2021, a fase de habilitação
(inciso V) geralmente ocorre após o julgamento, mas pode anteceder as fases de apresentação
de propostas (inciso III) e julgamento (inciso IV) se previsto no edital e justificado. Portanto, a fase
de habilitação não é sempre posterior à de julgamento, podendo ocorrer antes mediante
justificativa.
A letra (D) está correta. O art. 169 da Lei nº 14.133/2021 adota "linhas de defesa" para melhorar
a eficiência e prevenir nulidades nas contratações públicas, envolvendo agentes de licitação,
assessoria jurídica e órgãos de controle interno e externo, garantindo segurança e controle
preventivo no processo.
A letra (D) está incorreta. O art. 6º, XLIII, e o art. 74, IV, da Lei nº 14.133/2021, esclarecem que o
credenciamento é um processo administrativo usado quando a contratação direta é permitida,
especialmente quando a competição é inviável. O credenciamento não se limita a profissionais
de notória especialização, mas sim a todos os que atendam aos requisitos da administração
A letra (E) está incorreta. O art. 30 da Lei nº 14.133/2021 estabelece que os concursos são
regidos por edital que define as qualificações exigidas dos participantes. Assim, os concursos não
precisam ser abertos a qualquer pessoa interessada; podem estabelecer critérios específicos de
participação, como qualificação técnica ou outras condições previstas no edital.
Gabarito (C)
32. CEBRASPE/CNJ-2024
É permitida a terceirização da titularidade da fiscalização do contrato no âmbito da administração
pública federal.
Comentários:
Pelo contrário, é possível contratar terceirizado para auxiliar o fiscal (assisti-lo, subsidiá-lo de
informações), mas não para exercer a titularidade da fiscalização contratual:
Art. 121. Somente o contratado será responsável pelos encargos trabalhistas, previdenciários,
fiscais e comerciais resultantes da execução do contrato.
§ 2º Exclusivamente nas contratações de serviços contínuos com regime de dedicação exclusiva
de mão de obra, a Administração responderá solidariamente pelos encargos previdenciários e
subsidiariamente pelos encargos trabalhistas se comprovada falha na fiscalização do
cumprimento das obrigações do contratado.
Portanto, questão correta.
Gabarito (C)
40. CEBRASPE/CNPQ - 2024
A aplicação da sanção de declaração de inidoneidade para licitar ou contratar exige prévia
análise jurídica.
Comentários
Questão correta, pois a declaração de inidoneidade deve ser precedida de análise jurídica, por
força do § 6º do art. 156 da Lei nº 14.133/2021:
Art. 156. Serão aplicadas ao responsável pelas infrações administrativas previstas nesta Lei as
seguintes sanções:
IV - declaração de inidoneidade para licitar ou contratar.
§ 6º A sanção estabelecida no inciso IV [declaração de inidoneidade] do caput deste artigo será
precedida de análise jurídica e observará as seguintes regras:[...]
Gabarito (C)
41. CEBRASPE/CNPQ - 2024
Considere-se que, durante a execução de um contrato de aquisição de equipamentos, tenha sido
detectada a necessidade de aumentar o quantitativo. Nesse caso, a administração poderá alterar
o contrato unilateralmente.
Comentários
A administração poderá alterar o contrato unilateralmente em caso necessidade de acréscimo
quantitativo, contudo, vale ressaltar que esse acréscimo é limitado a 25% do valor inicial
atualizado do contrato nos casos de obras, serviços ou compras, segundo dispõe o art. 124 e 125
da Lei nº 14.133/2021:
Art. 124. Os contratos regidos por esta Lei poderão ser alterados, com as devidas justificativas,
nos seguintes casos:
I - unilateralmente pela Administração:
b) quando for necessária a modificação do valor contratual em decorrência de acréscimo ou
diminuição quantitativa de seu objeto, nos limites permitidos por esta Lei;
Art. 125. Nas alterações unilaterais a que se refere o inciso I do caput do art. 124 desta Lei, o
contratado será obrigado a aceitar, nas mesmas condições contratuais, acréscimos ou supressões
de até 25% (vinte e cinco por cento) do valor inicial atualizado do contrato que se fizerem nas
obras, nos serviços ou nas compras, e, no caso de reforma de edifício ou de equipamento, o
limite para os acréscimos será de 50% (cinquenta por cento).
Comentários:
Dentre as situações autorizativas da extinção contratual, poderá a Administração extinguir
determinado contrato, por ato unilateral, exceto quando ela própria tenha causado
descumprimento contratual, conforme art. 138, inciso I:
Art. 138. A extinção do contrato poderá ser:
I - determinada por ato unilateral e escrito da Administração, exceto no caso de descumprimento
decorrente de sua própria conduta;
Gabarito (ERRADO)
48. CEBRASPE/POLC-AL - Perito Criminal - Engenharia Civil - 2023
No contrato de uma obra pública, o cronograma físico-financeiro previa a execução orçamentária
de 10 milhões de reais no presente ano. A contratada realizou até o momento, no corrente ano, 6
milhões de reais em serviços, quando houve um corte orçamentário de 2 milhões de reais.
Com base nessa situação hipotética, julgue o item subsequente.
Cortes orçamentários eximem a administração pública de pagamento de juros de mora oriundos
de atrasos de pagamentos.
Comentários:
Não é por aí. Uma vez pactuado contrato administrativo entre o Poder Público e o particular, a
Administração encontra-se obrigada a seus termos, não podendo descumpri-los livremente,
mesmo diante de cláusulas exorbitantes. Mesmo diante de cortes orçamentários, se atrasar o
pagamento, o poder público deverá pagar os juros correspondentes.
Gabarito (ERRADO)
49. CEBRASPE/TCDF - Procurador - MP - 2021
O interesse público e a presença do Estado como sujeito da relação contratual são suficientes
para a caracterização do contrato administrativo.
Comentários
A questão aborda a diferença entre "contratos da administração" e "contratos administrativos".
Nesse sentido, poderíamos nos perguntar: o que exatamente caracteriza um "contrato
administrativo"? O que os diferencia dos demais "contratos da administração"? E a resposta é o
regime jurídico sob o qual ele é celebrado.
A expressão “contrato administrativo” é reservada para abranger apenas os ajustes em que a
Administração celebra sob o regime jurídico de direito público, fazendo uso de sua verticalidade.
Em relação à questão, percebam que em todos os “contratos da administração” haverá a
presença do Estado, de sorte que sua simples presença não é suficiente para caracterizar um
contrato administrativo. No mesmo sentido, nos lembramos de que o Estado deverá sempre
perseguir o interesse público, em todas suas atuações. Assim, mesmo nos contratos da
administração regidos prioritariamente pelo direito privado, haverá a busca pelo interesse
público.
Gabarito (E)
50. CEBRASPE/IPHAN - Analista I - Área 8 - 2018
Gabarito (E)
51. CEBRASPE/TCDF - Procurador - MP - 2021 (adaptada)
Na execução do contrato administrativo por parte do contratado, a subcontratação de partes da
obra, serviço ou fornecimento independe da anuência da administração pública.
Comentários
A subcontratação diz respeito à situação em que a empresa contratada pelo poder público
transfere a outras empresas a execução do objeto. Para que seja lícita, de acordo com a Lei
14.133, a subcontratação dependerá do atendimento de vários requisitos cumulativos, inclusive a
anuência da Administração:
Art. 122. Na execução do contrato e sem prejuízo das responsabilidades contratuais e legais, o
contratado poderá subcontratar partes da obra, do serviço ou do fornecimento até o limite
autorizado, em cada caso, pela Administração.
Gabarito (E)
52. CEBRASPE/TCE-PB - Agente de Documentação - 2018 (adaptada)
As cláusulas contratuais são fixadas previamente, de forma unilateral, pela administração,
cabendo ao particular a elas aderir.
Comentários:
A assertiva está correta. Uma das características dos contratos administrativos é o fato de serem
de adesão. Portanto, em geral a empresa contratada não goza de liberdade para discutir e
convencionar cláusulas contratuais com o poder público. Ou a empresa adere àqueles termos ou
não celebra o contrato.
Gabarito (C)
53. CEBRASPE/SEFAZ-CE - Auditor - 2021
Os fiscais de contratos designados pela administração pública devem ser servidores concursados,
necessariamente.
Comentários:
A questão diz respeito à importante função de fiscal de contrato. A Lei 14.133/21 aborda esse
tema no art. 117, da seguinte forma:
Lei 14.133/21, art. 117 - A execução do contrato deverá ser acompanhada e fiscalizada por 1
(um) ou mais fiscais do contrato, representantes da Administração especialmente designados
conforme requisitos estabelecidos no art. 7º desta Lei, ou pelos respectivos substitutos,
permitida a contratação de terceiros para assisti-los e subsidiá-los com informações pertinentes a
essa atribuição. (grifo nosso)
Portanto, como vimos acima, os requisitos do art. 7º devem ser respeitados. E o que diz esse
artigo?
Art. 7º Caberá à autoridade máxima do órgão ou da entidade, ou a quem as normas de
organização administrativa indicarem, promover gestão por competências e designar agentes
públicos para o desempenho das funções essenciais à execução desta Lei que preencham os
seguintes requisitos:
I - sejam, preferencialmente, servidor efetivo ou empregado público dos quadros permanentes
da Administração Pública;
Sendo assim, a questão extrapola ao dizer que os fiscais de contrato serão necessariamente
servidores concursados, quando a Lei utiliza a expressão “preferencialmente”.
Gabarito (errada)
54. CEBRASPE/TCE-RJ - Auditor - 2021 (adaptada)
Para obras de grande vulto o limite da garantia contratual poderá ser elevado para, no máximo,
10% do valor do contrato.
Comentários:
O item estaria correto se fosse de acordo com a Lei 8.666/1993, mas está incorreto se
examinarmos à luz da Lei 14.144, que permite a exigência de garantia contratual de até 30% no
caso de contratos de obra de grande vulto (acima de R$ 216 milhões) - art. 99.
Gabarito (E)
55. CEBRASPE/TCE-RJ - Auditor - 2021
Situação hipotética: Um órgão administrativo celebrou contrato administrativo com sociedade
empresária para determinada prestação de serviço. Assertiva: Nessa situação, a execução do
contrato deverá ser acompanhada e fiscalizada pela administração pública, sendo vedada a
contratação de terceiros para participar dessa atividade, ainda que de maneira subsidiária.
Comentários:
Esta questão contraria diretamente regra expressa na Lei 14.133/2021, a qual permite a
contratação de terceiros para apoiar o fiscal de contrato:
Art. 117. A execução do contrato deverá ser acompanhada e fiscalizada por 1 (um) ou mais
fiscais do contrato, representantes da Administração especialmente designados conforme
requisitos estabelecidos no art. 7º desta Lei, ou pelos respectivos substitutos, permitida a
contratação de terceiros para assisti-los e subsidiá-los com informações pertinentes a essa
atribuição.
Gabarito (E)
56. CEBRASPE/TCE-RJ - Auditor - 2021
No caso específico de reforma de edifício ou de equipamento, o contratado fica obrigado a
aceitar, nas mesmas condições contratuais, acréscimos ou supressões que se fizerem até o limite
de 50%.
Comentários:
O item está errado pois, no caso de reformas, permite-se apenas o aumento das quantidades até
o patamar de 50%. Não existe a mesma previsão para as reduções, para as quais aplica-se o
limite geral de 25%:
Art. 125. Nas alterações unilaterais a que se refere o inciso I do caput do art. 124 desta Lei, o
contratado será obrigado a aceitar, nas mesmas condições contratuais, acréscimos ou supressões
de até 25% (vinte e cinco por cento) do valor inicial atualizado do contrato que se fizerem nas
obras, nos serviços ou nas compras, e, no caso de reforma de edifício ou de equipamento, o
limite para os acréscimos será de 50% (cinquenta por cento).
Gabarito (E)
57. CEBRASPE/TCE-PB - Agente de Documentação - 2018 (adaptada)
As cláusulas econômico-financeiras e monetárias dos contratos administrativos poderão ser
alteradas sem prévia concordância do contratado.
Comentários:
A assertiva está incorreta. As cláusulas econômicas (ou financeiras) versam sobre o preço. Já as
cláusulas regulamentares são aquelas que disciplinam sobre o objeto do contrato e a forma de
sua execução, sem afetar a remuneração da empresa contratada. Nesse sentido, o poder da
Administração de alterar unilateralmente o contrato administrativo incide apenas sobre as
cláusulas regulamentares (ou de serviço). Não se pode promover alterações diretas, de forma
unilateral, em cláusulas econômicas dos contratos administrativos.
Art. 104, § 1º As cláusulas econômico-financeiras e monetárias dos contratos não poderão ser
alteradas sem prévia concordância do contratado.
Gabarito (E)
58. CEBRASPE/TRF-1ª REGIÃO - Analista Judiciário - Área Administrativa - 2017 (adaptada)
De acordo com a Lei n.º 14.133/2021, é lícita a determinação, feita de maneira unilateral pela
administração, que altere a garantia de execução de contrato de prestação de serviços firmado
entre um tribunal e um fornecedor.
Comentários:
A alteração da garantia prestada exige acordo entre as partes, nos termos do art. 124, II, da Lei
14.133.
Aproveito para comparar, lado a lado, as situações do art. 124 que exigem alteração bilateral
(inciso II) com aquelas que podem ser realizadas unilateralmente (inciso I):
Admitem alteração unilateral (art. 124, inc. I) Exigem acordo entre as partes (inciso II)
Qualitativas substituição da garantia de execução
(isto é, modificação do projeto ou das
especificações, para melhor adequação técnica
aos seus objetivos)
Quantitativas modificação do regime de execução da obra
(isto é, modificação do valor contratual em ou serviço, bem como do modo de
decorrência de acréscimo ou diminuição fornecimento, em face de verificação técnica
quantitativa de seu objeto, nos limites permitidos da inaplicabilidade dos termos contratuais
pela Lei) originários
modificação da forma de pagamento,
-
mantido o valor inicial atualizado
- restabelecer o equilíbrio
econômico-financeiro inicial do contrato, em
Gabarito (E)
60. CEBRASPE/EMAP – Conhecimento Básicos – Cargos de Nível Médio – 2018 (adaptada)
A administração, por oportunidade e conveniência, pode celebrar contrato por tempo
indeterminado.
Comentários:
O item está incorreto, pois a celebração de contrato por prazo indeterminado não se dá por
mera “oportunidade e conveniência” da Administração, mas na restrita hipótese do art. 109,
comentado acima.
Gabarito (E)
61. CEBRASPE/TCE-RJ – Auditor – 2021 (adaptada)
A duração dos contratos regidos pela Lei n.º 14.133/2021 ficará obrigatoriamente adstrita à
vigência dos respectivos créditos orçamentários.
Comentários:
De fato, a regra geral da Lei 8.666 era de que os contratos tivessem duração adstrita à vigência
dos respectivos créditos orçamentários.
Esta regra não mais se encontra prevista na Lei 14.133, que simplesmente remete ao edital a
duração dos contratos. Apesar de a Administração continuar tendo que observar a previsão
orçamentária, a vigência dos contratos não está mais ligada ao exercício orçamentário.
Art. 105. A duração dos contratos regidos por esta Lei será a prevista em edital, e deverão ser
observadas, no momento da contratação e a cada exercício financeiro, a disponibilidade de
créditos orçamentários, bem como a previsão no plano plurianual, quando ultrapassar 1 (um)
exercício financeiro.
Gabarito (E)
62. CEBRASPE/ STM – Analista Judiciário – Área Judiciária – 2018 (adaptada)
Os contratos administrativos de prestação de serviços executados de forma contínua podem ser
prorrogados até o limite de 60 meses ou, excepcionalmente, por mais doze meses.
Comentários:
A nova lei prevê que os serviços e fornecimentos contínuos terão contratos com duração de até 5
anos (art. 106, caput), bem como faculta sua prorrogação até o máximo de 10 anos (art. 107).
Gabarito (E)
63. CEBRASPE/EMAP – Conhecimento Básicos – Cargos de Nível Superior – 2018 (adaptada)
A comprovada inexecução do contrato administrativo em razão da ocorrência de caso fortuito é
motivo para extinção contratual, a qual deverá ser formalmente motivada nos autos do processo,
assegurados o contraditório e a ampla defesa.
Comentários:
A Lei 14.133 prevê expressamente a possibilidade da extinção do contrato em razão do caso
fortuito:
Art. 137. Constituirão motivos para extinção do contrato, a qual deverá ser formalmente
motivada nos autos do processo, assegurados o contraditório e a ampla defesa, as seguintes
situações: (..)
V - caso fortuito ou força maior, regularmente comprovados, impeditivos da execução do
contrato;
O caso fortuito diz respeito a situações em que não há nem culpa da administração, nem do
contratado, mas igualmente autorizam a extinção do contrato, inclusive unilateral.
Gabarito (C)
LISTA DE QUESTÕES
1. CEBRASPE/TRF 6/ ANALISTA - 2025
No que se refere ao controle das contratações públicas realizadas com base na Lei n°
14.133/2021, o Poder Judiciário integra a terceira linha de defesa.
2. CEBRASPE – PC DF/AGENTE ADMINISTRATIVO - 2025
A execução do contrato será acompanhada por um ou mais fiscais devidamente designados pela
administração pública, sendo vedada a participação de terceiros na fiscalização.
3. CEBRASPE – PC DF/AGENTE ADMINISTRATIVO - 2025
A divulgação no Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP) é condição indispensável para
a eficácia do contrato de licitação e de seus aditamentos.
4. CEBRASPE/TSE/2024
O modelo de execução do objeto contratual deve descrever como a consecução do objeto será
acompanhada e fiscalizada pelo contratante.
5. CEBRASPE/TSE/2024
No caso em questão, a utilização de conta-depósito vinculada é imprópria como instrumento de
asseguração do cumprimento de obrigações trabalhistas pela contratada.
6. CEBRASPE/TSE/2024
É inadmissível o compartilhamento, pela contratada, dos recursos humanos e materiais da
referida contratação para a execução simultânea de outros contratos.
7. CEBRASPE/TSE/2024
Em regra, os empregados da pessoa jurídica efetivamente contratada pela organização pública
deverão ficar à disposição nas dependências da contratante para a prestação dos serviços.
8. CEBRASPE/TSE/2024
O registro de empenho de dotações orçamentárias pode ser realizado mediante simples apostila,
desde que tal registro não caracterize alteração do contrato.
9. CEBRASPE/TSE/2024
Os emitentes de seguro-garantia devem ser notificados pelo contratante quanto ao início de
processo administrativo para a apuração de descumprimento de cláusulas contratuais.
10. CEBRASPE/TSE/2024
O recebimento provisório de obras e serviços deve ser realizado pelo responsável por seu
acompanhamento e sua fiscalização, mediante termo detalhado, quando verificado o
cumprimento das exigências de caráter técnico.
11. CEBRASPE/TSE/2024
O servidor que possui vínculo de parentesco colateral de quarto grau com o preposto da
contratada habitual para a execução de serviços na mesma organização pública não pode ser
indicado como fiscal da aludida contratação.
12. CEBRASPE/TSE/2024
Ainda que o controle interno da organização pública não possa auxiliar o fiscal do contrato, o
assessoramento jurídico deve subsidiá-lo com informações necessárias para prevenir riscos na
execução contratual.
13. CEBRASPE/TSE/2024
Na aplicação de sanções à contratada, devem ser levadas em consideração a natureza e a
gravidade da infração cometida, as circunstâncias agravantes ou atenuantes e a implantação ou o
aperfeiçoamento de programa de integridade, conforme as normas e as orientações dos órgãos
de controle.
14. CEBRASPE/TSE/2024
A reabilitação da licitante ou da contratada perante a autoridade que aplicou a penalidade será
efetivada quando cumpridas as duas seguintes obrigações: a reparação integral do dano causado
à administração pública e o pagamento integral da multa.
15. CEBRASPE/TSE/2024
Para a execução do contrato, é permitido ao contratado subcontratar parte do serviço ou do
fornecimento.
16. CEBRASPE/TSE/2024
Considere que, no curso de determinado contrato de serviço continuado, a administração
tenha-se recusado a emitir decisão sobre reclamação relacionada a sua execução, sob a alegação
de ser meramente protelatória. Nessa situação hipotética, a administração agiu em
desconformidade com a lei.
17. CEBRASPE/TSE/2024
Em caso de suspensão do contrato, o cronograma de execução será prorrogado
automaticamente pelo tempo correspondente, anotadas tais circunstâncias mediante simples
apostila.
18. CEBRASPE/TSE/2024
A contratação de terceiro exime a responsabilidade do fiscal do contrato.
19. CEBRASPE/TSE/2024
Tratando-se de serviços contínuos sem regime de dedicação exclusiva de mão de obra, somente
o contratado é legalmente responsável pelos encargos trabalhistas e previdenciários resultantes
da execução do contrato.
20. CEBRASPE/TSE/2024
Compete ao fiscal do contrato receber definitivamente o objeto do contrato, desde que este
esteja acompanhado de termo detalhado que comprove o atendimento das exigências
contratuais.
21. CEBRASPE/TSE/2024
O preposto da contratada, que deve ser aceito pela administração, deve permanecer no local da
execução do contrato.
22. CEBRASPE/TSE/2024
Nos contratos de prestação de serviços contínuos com regime de dedicação exclusiva de mão de
obra, o contratado poderá fiscalizar a distribuição dos recursos humanos alocados, mas não o seu
controle ou a sua supervisão.
23. CEBRASPE/TSE/2024
O preposto da contratada deverá anotar, em registro próprio, todas as ocorrências relacionadas à
execução do contrato, determinando a regularização das faltas.
24. CEBRASPE/TSE/2024
O fiscal do contrato deverá informar aos seus superiores as medidas convenientes para a
execução do objeto apenas nos casos em que houver dúvida jurídica.
25. CEBRASPE/TSE/2024
Não é cabível a aplicação de penalidade ao contratado em razão de este ter deixado de entregar
a documentação exigida para o certame, uma vez que essa circunstância revela fato anterior ao
contrato.
26. CEBRASPE/TSE/2024
É lícito à administração aplicar ao contratado a sanção de declaração de inidoneidade para licitar
ou contratar juntamente com a penalidade de multa.
27. CEBRASPE/TSE/2024
É direito do fiscal do contrato administrativo, durante a sua execução, ser auxiliado pelos órgãos
de assessoramento jurídico e de controle interno da administração.
28. CEBRASPE/TSE/2024
A obrigação do contratado de comprovar o cumprimento da reserva de cargos prevista em lei
para pessoas com deficiência esgota-se a cada prorrogação do prazo de vigência do ajuste.
29. CEBRASPE/TC DF/2024
As contratações públicas devem submeter-se a práticas contínuas e permanentes de gestão de
riscos e de controle preventivo, sujeitando-se ao controle externo realizado pelos tribunais de
contas, que integram a primeira linha de defesa.
30. CEBRASPE/TC DF/2024
Os contratos administrativos devem ter a forma escrita, porém admite-se também sua forma
eletrônica, sendo permitido conferir sigilo a seus termos aditivos, quando imprescindível à
segurança da sociedade e do Estado, nos termos da legislação que regula o acesso à
informação.
31. CEBRASPE/TCE-PR - 2024
Considerando a Lei n.º 14.133/2021, que dispõe sobre licitações e contratos administrativos,
assinale a opção correta.
A) Quando a licitação adotar julgamento por técnica e preço, cada um dos fatores deverá ter
peso de 50%.
B) A fim de dar celeridade ao procedimento de licitação, atualmente a fase de habilitação é
sempre posterior à de julgamento.
A duração dos contratos regidos pela Lei n.º 14.133/2021 ficará obrigatoriamente adstrita à
vigência dos respectivos créditos orçamentários.
62. CEBRASPE/ STM – Analista Judiciário – Área Judiciária – 2018 (adaptada)
Os contratos administrativos de prestação de serviços executados de forma contínua podem ser
prorrogados até o limite de 60 meses ou, excepcionalmente, por mais doze meses.
63. CEBRASPE/EMAP – Conhecimento Básicos – Cargos de Nível Superior – 2018 (adaptada)
A comprovada inexecução do contrato administrativo em razão da ocorrência de caso fortuito é
motivo para extinção contratual, a qual deverá ser formalmente motivada nos autos do processo,
assegurados o contraditório e a ampla defesa.
==48e4e3==
GABARITO
1. E 41.C
2. E 42.E
3. C 43.E
4. E 44.E
5. E 45.E
6. C 46.C
7. C 47.E
8. C 48.E
9. C 49.E
10.C 50.E
11.E 51.E
12.E 52.C
13.C 53.E
14.E 54.E
15.C 55.E
16.E 56.E
17.C 57.E
18.E 58.E
19.C 59.E
20.E 60.E
21.C 61.E
22.E 62.E
23.E 63.C
24.E
25.E
26.C
27.C
28.E
29.E
30.C
31.C
32.E
33.E
34.C
35.C
36.E
37.C
38.C
39.C
40.C