Fases da Licitação: Lei 14.133/2021
Fases da Licitação: Lei 14.133/2021
Antonio
Daud
UnB - Legislação e Ética na
Administração Pública - 2025 (Pós-Edital)
Autor:
Antonio Daud, Ricardo Torques,
Rodrigo Rennó, Tiago Zanolla,
Equipe Legislação Específica
Estratégia Concursos
06 de Maio de 2025
Índice
1) Licitações Públicas - Lei nº 14.133/2021 - Parte II
..............................................................................................................................................................................................3
INTRODUÇÃO
Olá, amigos (as)!
Vamos em frente ao nosso estudo da nova lei de licitações.
Na aula anterior, estudamos as 5 modalidades licitatórias, os 5 procedimentos auxiliares e os novos
critérios de julgamento, entre outros temas.
Agora chegou o momento de conhecermos as fases da licitação de acordo com a Lei 14.133/2021
e as hipóteses de contratação direta (dispensa e inexigibilidade).
Avante!
FASES DA LICITAÇÃO
INCIDÊNCIA EM PROVA: MÉDIA
A licitação é um processo administrativo e, como tal, deverá seguir um rito previsto na legislação.
Assim sendo, estudaremos a seguir as etapas (ou fases) que integram o procedimento licitatório.
Iremos tomar por base o “rito procedimental comum”, utilizado nas modalidades concorrência e
pregão (art. 29, caput), já que o rito das demais modalidades apresenta peculiaridades, como no
caso do diálogo competitivo.
Reparem que, antes de o edital de uma licitação ser publicado, a licitação já está sendo executada
internamente na Administração. Ou seja, até a divulgação do edital da licitação, ela pode não ser
de conhecimento público, mas já é executada no interior da máquina pública, no bojo da chamada
fase preparatória da licitação.
Com a NLL, ficou ainda mais bem definida a distinção entre fase preparatória da licitação (ou seja,
antes da publicação do edital) e sua “fase externa“ (que é inaugurada com a publicação do edital),
quando a licitação se torna pública.
Antes de analisarmos cada uma das etapas do procedimento licitatório, vale a pena destacar a
ordem geral em que acontecem, a partir da previsão do art. 17 da NLL:
Apresentação
Fase Divulgação do
das propostas
preparatória edital
e lances
desinversão
Homologação
Para quem estava familiarizado com a Lei 8.666, adianto o que mudou:
Fase preparatória
INCIDÊNCIA EM PROVA: BAIXA
Seguindo um dos novos princípios expressos das licitações, a fase preparatória do processo
licitatório – caracterizada por intenso planejamento – ganhou detalhados contornos na nova lei.
Em síntese, nesta fase estarão presentes os seguintes momentos:
proj. básico e
estudo
executivo,
técnico orçamento análise de análise
termo de edital
preliminar estimado riscos jurídica
referência (ou
(ETP)
anteprojeto)
1
A exceção fica por conta dos municípios com até 20.000 habitantes, que terão 6 anos para se adequar
à forma eletrônica das licitações (art. 176, II).
Primeiramente, vale destacar que o planejamento de cada contratação deve se compatibilizar com
o plano de contratações anual (caso tenha sido elaborado) e com os orçamentos aprovados (art.
18, caput).
Assim, para viabilizar o planejamento da licitação, a equipe envolvida na contratação irá elaborar
um ETP (Estudo Técnico Preliminar) 2 , o qual constitui a primeira etapa do planejamento da
contratação e irá servir de insumo para as atividades de definição e especificação do objeto a ser
contratado.
Em síntese, o ETP inicia-se com a descrição das necessidades da contratação, considerando o
problema a ser resolvido. A partir daí, são elaborados os requisitos da contratação, estimadas as
quantidades necessárias e é feito um levantamento de mercado, buscando identificar as soluções
existentes no mercado que poderiam solucionar o problema descrito. De posse de tudo isso, a
Administração irá escolher a solução a ser licitada, dentre aquelas que atendem sua necessidade.
Exemplo: imagine que determinado órgão necessite contratar transporte para seus
servidores realizarem fiscalizações (problema a ser resolvido). O órgão irá fazer um
levantamento e identificar alternativas para atender a esta necessidade, como (i) a
compra de novos veículos e contratação de motoristas terceirizados, (ii) a locação de
veículos com contratação de motoristas e (iii) a contratação de serviços de transporte por
aplicativo, sem ter que alugar ou adquirir novos veículos.
A partir destas 3 soluções, a Administração iria avaliar qual delas melhor atende suas
necessidades, a qual será objeto de futura licitação.
2
O estudo técnico preliminar consiste no documento constitutivo da primeira etapa do planejamento de
uma contratação que caracteriza o interesse público envolvido e a sua melhor solução e dá base ao
anteprojeto, ao termo de referência ou ao projeto básico a serem elaborados caso se conclua pela
viabilidade da contratação (art. 6º, XX).
3
Documento necessário para a contratação de bens e serviços, que deve conter parâmetros e elementos
descritivos da licitação, como a definição do objeto, quantitativos, o prazo do contrato, requisitos da
contratação etc (NLL, art. 6º, XXIII).
comprometer o sucesso da licitação e a boa execução contratual (art. 18, X), de modo a indicar
providências que a Administração deveria adotar para reduzir a exposição a tais riscos.
Ao final da fase preparatória, o processo é encaminhado ao departamento jurídico, para controle
da legalidade dos documentos que o compõem (art. 53).
Muito bem! Feita esta breve contextualização sobre as etapas da fase preparatória, adiante iremos
nos debruçar sobre pontos específicos.
➢ Elaboração do edital
Diferentemente da Lei 8.666, a NLL não detalhada expressamente o conteúdo mínimo do edital,
mencionando genericamente que o edital deverá conter o objeto da licitação e as regras relativas
à convocação, ao julgamento, à habilitação, aos recursos e às penalidades da licitação, à
fiscalização e à gestão do contrato, à entrega do objeto e às condições de pagamento (art. 25,
caput).
Além disso, para facilitar a elaboração do edital, em atenção ao princípio da eficiência, sempre
que possível, a Administração adotará minutas padronizadas de edital e de contrato com
cláusulas uniformes (art. 25, § 1º).
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Todos os elementos do edital, incluídos seus anexos (minuta de contrato, termos de referência,
anteprojeto, projetos e outros documentos), deverão ser divulgados em sítio eletrônico oficial,
na mesma data de divulgação do edital, sem necessidade de identificação para acesso (art. 25, §
3º):
termo de referência
em sítio eletrônico
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Ao final da fase preparatória, em regra, a minuta do edital da licitação deverá ser examinada e
aprovada pelo departamento jurídico, a fim de que seja realizado o controle preventivo quanto à
legalidade do procedimento licitatório (art. 53).
Tal avaliação ocorre ao final da fase preparatória da licitação e, frise-se, anteriormente à
divulgação do edital. Se houver alguma necessidade de alteração proposta pelo departamento
jurídico, a minuta de edital deverá ser enviada de volta ao departamento de licitações, para que
sejam efetuadas.
É importante que todos estes elementos do edital sejam avaliados sob o enfoque jurídico, até
porque, uma vez publicados, a Administração se vincula ao seu cumprimento (princ. da vinculação
ao edital).
Apesar de o “crivo” jurídico ser a regra geral, o legislador previu, em atenção aos princípios
expressos da celeridade e da eficiência, casos em que a análise jurídica é dispensável, que deverão
ser reguladas por ato da autoridade jurídica máxima competente (art. 53, § 5º).
Aproveito para frisar uma novidade da NLL que busca valorizar a orientação constante do parecer
jurídico, especificamente do documento proveniente parecerista que pertence aos quadros
permanentes da Administração (art. 10).
Se, futuramente, o agente público que atuou na licitação estiver sendo investigado ou acusado de
praticar alguma irregularidade e, assim, precisar se defender judicial ou administrativamente, caso
ele tenha seguido a orientação constante do parecer jurídico, em regra os advogados públicos
poderão promovam sua defesa, ou seja, sem ônus para o servidor investigado.
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Bem, seguindo adiante, além do controle jurídico sobre as minutas de editais, veremos mais
adiante o controle social sobre o teor dos editais publicados, exercido por qualquer pessoa
mediante impugnação.
Tratando-se de contratações de grande vulto (valor estimado superior a cerca de R$ 200 milhões),
friso que o edital deverá prever:
Isto significa que as licitações presenciais se tornaram exceção, somente podendo ocorrer
mediante justificativa e desde que a sessão registrada em ata e gravada:
motivação
Agente de contratação
Como já comentado anteriormente, a condução do procedimento licitatório é realizada, em regra,
por um agente de contratação (art. 8º, caput). Tratando-se especificamente da contratação de
bens ou serviços especiais, é facultada a substituição do agente de contratação por uma comissão
de contratação (art. 8º, §2º). Por outro lado, sendo o caso do pregão, este agente será chamado
de “pregoeiro” (art. 8º, § 5º).
4Em síntese, os programas de integridade representam trabalhos preventivos de prevenção a atos de corrupção
que as empresas, neste caso, deverão criar internamente.
5Para licitações de menor vulto, a matriz de alocação de riscos é facultativa (art. 22) e permite que o cálculo do
valor estimado da contratação considere taxa de risco compatível com o objeto da licitação.
6 A exceção fica por conta dos municípios com até 20.000 habitantes, que terão 6 anos para se adequar à forma
eletrônica das licitações (art. 176, II).
Publicidade do edital
INCIDÊNCIA EM PROVA: MÉDIA
Uma vez concluída a elaboração do edital, etapa em que houve a manifestação do departamento
jurídico do ente promotor da licitação, inaugura-se a fase externa da licitação, iniciada pela
divulgação do edital no Portal Nacional de Contratações Públicas.
Por este motivo a lei prevê que encerrada a instrução do processo sob os aspectos técnico e
jurídico, a autoridade determinará a divulgação do edital de licitação no Portal (art. 53, § 3º).
A partir desta divulgação, as empresas interessadas poderão tomar conhecimento do certame e,
assim, terem condições de oferecer propostas.
Com a derrubada do veto ao art. 54, §1º, voltou a ser obrigatória a publicação de
extrato do edital no Diário Oficial e em jornal diário de grande circulação.
Reparem, portanto, que antes da Lei 14.133, a publicidade do edital de licitação
se dava apenas nestes dois veículos, sendo que agora se dará de 3 formas:
a) Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP): seu inteiro teor
b) diário oficial: seu extrato
c) jornal diário de grande circulação: seu extrato
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No caso de consórcio público, a publicação seria no site eletrônico do ente federativo de maior nível entre eles (art. 54, §2º).
Por fim, após a homologação do processo licitatório, serão disponibilizados no Portal Nacional os
documentos elaborados na fase preparatória que porventura não tenham integrado o edital e
seus anexos (poderíamos incluir aqui, por exemplo, a divulgação do estudo técnico preliminar da
contratação e do orçamento estimado, quando sigiloso) – art. 54, § 3º. E, facultativamente, estes
documentos também poderão ser disponibilizados no sítio eletrônico oficial do ente federativo
do órgão responsável pela licitação:
➢ Antecedência mínima
Para que uma empresa interessada em participar da licitação consiga examinar todo o conteúdo
do edital e formular sua proposta, é necessário que tenham tempo hábil para isto.
Ao contrário, se houvesse tempo muito exíguo para a formulação de propostas, as empresas que,
de algum modo, já detivessem conhecimento sobre a licitação seriam privilegiadas sobre as
demais que até então a desconheciam, em prejuízo do princípio da igualdade.
Assim, o legislador estabeleceu prazos de antecedência mínima. Estes prazos são computados
entre a data da divulgação do edital e a data de apresentação das propostas/lances.
São prazos mínimos, nada impedindo que prazos superiores sejam estabelecidos. Dito isto, vamos
estudar estes prazos com o auxílio de uma tabela, que compila as regras do art. 55 da NLL:
- técnica e preço
Quaisquer licitações em que se
- melhor técnica ou conteúdo 35 dias úteis
adotem os critérios de:
artístico
Reparem que os prazos são computados em dias úteis – e não mais em dias corridos como ocorria
anteriormente para modalidades da Lei 8.666.
Aqui há uma especificidade para contratos da área de saúde: os prazos poderão, mediante decisão
fundamentada, ser reduzidos até a metade nas licitações realizadas pelo Ministério da Saúde, no
âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) – art. 55, §2º.
Além disso, é importante frisar que, assim como ocorria sob a égide da Lei 8.666, eventuais
modificações no edital exigem divulgação pela mesma forma que se deu o texto original e o
cumprimento dos mesmos prazos, exceto quando a alteração não comprometer a formulação das
propostas (art. 55, §1º).
Assim sendo, havendo modificação, o edital será republicado e os prazos estudados acima serão
contados novamente, como regra geral. A exceção a esta última regra diz respeito àquelas
alterações que não afetam a formulação de propostas pelos licitantes.
8
A Lei 8.666 atribuía tal faculdade a qualquer “cidadão”.
9
À semelhança do que consta do Decreto federal 10.024/2019, art. 31
Por outro lado, utilização da disputa aberta é vedada quando adotado o critério de julgamento
de técnica e preço (art. 56, § 2º).
Vale comentar também o conceito de “lances intermediários”. Trata-se de mecanismo que busca
evitar fraudes e combinações ardilosas entre licitantes, por meio do qual autoriza-se que um
licitante dê novo lance, que ao mesmo tempo é melhor que seu próprio lance anterior, mas pior
que o melhor lance geral do certame. Ou seja, com o lance intermediário o licitante poderão
melhorar sua colocação na disputa, mas continuará não sendo o melhor colocado.
Nesse sentido, consideram-se intermediários os lances (art. 56, § 3º):
I - iguais ou inferiores ao maior já ofertado, quando adotado o critério de julgamento de
maior lance;
II - iguais ou superiores ao menor já ofertado, quando adotados os demais critérios de
julgamento.
Além disso, a lei prevê que, na disputa aberta, após a definição da melhor proposta, se a diferença
entre a melhor proposta e o segundo colocado for de pelo menos 5%, a Administração poderá
admitir o reinício da disputa, nos termos estabelecidos no edital, para a definição das demais
colocações (art. 56, § 4º). Ou seja, neste caso, ela poderá abrir disputa para os demais colocados,
a fim de definir todas as colocações do certame licitatório.
Por fim, para estimular a redução de preços e, ainda, evitar a utilização de “robôs” nas licitações,
o edital poderá estabelecer intervalo mínimo de diferença de valores entre os lances (art. 57).
Garantia de proposta
Assim como já ocorria sob o regramento da Lei 8.666, poderá ser exigida, no momento da
apresentação da proposta, a comprovação do recolhimento de quantia a título de garantia de
proposta, como requisito de pré-habilitação (Art. 58).
Quando exigida, esta garantia de proposta será imposta a todos os licitantes e não poderá ser
superior a 1% do valor estimado para a contratação.
Esta garantia será devolvida aos licitantes no prazo de 10 dias úteis, contado da assinatura do
contrato ou da data em que for declarada fracassada a licitação. No entanto, se o licitante
vencedor se recusar a assinar o contrato ou a não apresentar os documentos para a contratação,
a garantia de proposta será integralmente executada (art. 58, § 3º; art. 90, §5º).
A garantia poderá ser prestada na forma de (i) caução em dinheiro ou em títulos da dívida pública,
(ii) seguro-garantia ou (iii) fiança bancária emitida por banco ou instituição financeira devidamente
autorizada a operar no País pelo Banco Central do Brasil.
Por fim, reparem que aqui não estamos falando da garantia de execução do contrato, prevista no
art. 96, que poderá ser exigida não de todos os licitantes, mas apenas daquele que for convocado
para celebrar o contrato.
Faculdade da Administração
Prevista em edital
fiança bancária
Reparem que, caso uma proposta não obedeça às exigências constantes do edital licitatório, a
proposta será desclassificada.
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Adaptando-se as lições de ALEXANDRINO, Marcelo. Vicente Paulo. Direito Administrativo
Descomplicado. 25ª ed. p. 723
Portanto, após aplicar o critério de julgamento e, assim, definir a proposta mais bem classificada
(1º lugar), o agente de contratação irá desclassificar propostas que (art. 59, caput e §1º):
Orçamento da Administração
85%
exigência de garantia
75%
Inexequível
Para os demais casos (compras e demais serviços), a lei não chega a definir um critério objetivo.
Além disso, convém destacar que, na fase de julgamento, para se avaliar a conformidade da
proposta do licitante mais bem classificado, é possível realizar teste em amostras dos produtos
ofertados, prova de conceito, entre outros testes, de modo a comprovar sua aderência às
especificações definidas no termo de referência ou no projeto básico (art. 17, §3º). Isto tudo será
possível desde que previsto no edital.
Empate na licitação
Se, após realizado o julgamento das propostas oferecidas pelos licitantes, o agente de contratação
se deparar com empate, a solução é dada pelo art. 60, que prevê os seguintes critérios de
desempate e de preferência:
Reparem que, neste ponto, várias foram as alterações em relação à Lei 8.666, iniciando pela
distinção entre critérios de desempate (4 primeiros do diagrama acima) e de preferência (4
últimos).
A partir da NLL, o principal critério de desempate consiste no oferecimento de nova proposta
pelos licitantes empatados, por meio da qual eles poderão realizar uma disputa final, onde
poderia, por exemplo, reduzir ainda mais o valor ofertado.
Seguindo a ordem prevista em lei, o segundo critério, também inovação da NLL, privilegia aquele
licitante que já foi contratado anteriormente pela Administração e demonstrou bom desempenho
prévio.
Na sequência, temos o estímulo a ações afirmativas das mulheres no mercado de trabalho e à
adoção de programas de integridade (que visam a minimizar as chances de atos de corrupção).
Não tendo solucionado o empate, terá lugar a aplicação sucessiva dos “critérios de preferência”.
Inicialmente, dois critérios que consideram a localização da empresa licitante: a unidade da
federação em que ele se estabeleceu e, na sequência, se é brasileira ou não. Por fim, serão
privilegiadas as empresas que investem em pesquisa e no desenvolvimento (P&D) de tecnologia
no País e, ainda, comprovem a prática de mitigação11, prevista na Lei sobre mudanças climáticas
(Lei 12.187/ 2009).
Por fim, notem que não consta mais previsão para realização de sorteio, que existia na Lei
8.666/1993.
Margem de preferência prevista na NLL
Sabemos que as licitações não são utilizadas somente para obter as melhores propostas para
contratar com o Estado. Os gastos do governo respondem por relevante fatia na economia
brasileira, representando em uma das formas de estimular nossa economia. Portanto, uma das
formas de estimular setores específicos da economia é criando preferências na legislação, de
forma a privilegiar determinados setores nas aquisições públicas.
Trata-se, portanto, de mecanismo por meio do qual a Administração Pública irá preferir, em uma
licitação, o setor a ser fomentado, em detrimento dos demais.
Na nossa atual legislação, há várias situações que ensejam preferência a determinados setores,
como na NLL e na Lei Complementar 123/2006.
De toda forma, reparem que aqui estamos diante de uma situação excepcional, em que o
legislador permitiu a criação de distinção entre particulares interessados em contratar com o
Estado.
Segundo a NLL, consoante posterior regulamentação por parte do Poder Executivo, poderá haver
preferência em duas situações:
11
As mitigações consistem em se implementarem mudanças tecnológicas que reduzam uso de recursos
e emissões de gases para cada unidade produtora, bem como implementação de medidas que reduzam
as emissões de gases de efeito estufa (Lei 12.187/2009, art. 2º, VII).
12
Segundo o art. 6º, serviço nacional é aquele prestado em território nacional, nas condições
estabelecidas pelo Poder Executivo federal (inciso XXXVI) e produto manufaturado nacional é aquele
São situações em que o Estado admite pagar um pouco mais caro a empresas enquadradas nas
duas situações acima descritas, tendo em vista o desenvolvimento nacional sustentável. Portanto,
entre um produto estrangeiro e um nacional (que atenda a normas técnicas brasileiras), a
Administração dará preferência aos brasileiros.
Mas há um limite! Admite-se pagar, no máximo, em regra 10% a mais aos bens nesta situação (art.
26, §1º, II), sendo que, no caso de tecnologia brasileira, a margem pode ser ampliada para até
20% (art. 26, §2º). Reparem que, sob as regras da Lei 8.666, o limite máximo era de 25%.
Além disso, tal preferência pode ser estendida até mesmo aos países do Mercosul, desde que haja
reciprocidade (art. 26, §1º,III).
De toda forma, a margem de preferência não se aplica aos bens manufaturados nacionais e aos
serviços nacionais se a capacidade de produção desses bens ou de prestação desses serviços no
País inferior à demanda (art. 26, §5º).
Tratando-se de licitações da área de tecnologia da informação e comunicação (TIC), o Poder
Executivo federal, mediante ato normativo, poderá permitir licitação restrita a bens e serviços
com tecnologia desenvolvida no País produzidos de acordo com o processo produtivo básico
(PPB) de que trata a Lei da Informática (Lei 8.248/1991 alterada pela Lei 10.176/2001) – art. 26,
§7º.
Por fim, como requisito de transparência, deverá ser divulgada, em sítio eletrônico oficial, a cada
exercício financeiro, a relação de empresas favorecidas pela margem de preferência, com
indicação do volume de recursos destinados a cada uma delas (art. 27).
produzido no território nacional de acordo com o processo produtivo básico ou com as regras de origem
estabelecidas pelo Poder Executivo federal (XXXVII).
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Adiante uma preferência constante da LC 123, que instituiu o estatuto da Microempresa e da
Empresa de Pequeno Porte, que continua aplicável às licitações da NLL (Lei 14.133, art. 60, §2º).
Preferência para micro e pequenas empresas
Aqui não houve alterações promovidas pela Lei 14.133, embora seja oportuna recapitularmos os
principais aspectos desta preferência da LC 123/2006.
De forma geral, se, em uma licitação, uma “grande empresa” oferecer o mesmo preço que uma
“pequena empresa”, para o mesmo bem ou serviço, haveria um empate. E, por força da LC
123/2006, a pequena empresa terá preferência para contratar com a Administração, de sorte que
a pequena empresa seria contratada, em detrimento da grande.
Isso é resultado de um dos princípios constitucionais da nossa Ordem Econômica, qual seja:
CF, art. 170, inciso IX - tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte
constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sua sede e administração no País.
No entanto, o legislador ampliou o conceito de empate, criando situações em que uma micro (ME)
ou pequena empresa (EPP) apresenta proposta com valor superior ao da “grande empresa” e,
ainda assim, seriam consideradas empates. Estes casos são chamados de empates fictícios e
encontram-se assim previstos na LC 123/2006:
Pela análise do texto, fica clara a intenção de se estimularem as micro (ME) e pequenas empresas
(EPP) nas contratações públicas, até mesmo por meio do empate fictício. Note que o conceito de
empate foi estabelecido de duas maneiras distintas:
A) Para o caso de licitações públicas cuja modalidade não seja o pregão, todas as propostas
superiores ou iguais a 10% da melhor classificada e que forem fornecidas por micro e pequenas
empresas estão consideradas empatadas e, portanto, passíveis de aplicação do direito de
preferência.
Neste caso, as ME e EPPs terão a oportunidade de apresentarem novas propostas/lances e, assim,
apresentar um valor menor que a “grande empresa” ofertou.
B) Já para os casos do pregão, contudo, esse índice de empate entre os lances é até 5%
superior ao melhor preço.
Em síntese:
empate = até 5%
pregão
do melhor preço
modalidade da
licitação empate = até
demais
10% do melhor
modalidades
preço
Atenção! As vantagens das micro e pequenas empresas trazidas não tornam, por si só,
as contratações mais caras. A vantagem dada a essas empresas é caracterizada pelo
direito de serem as últimas a fornecerem as propostas nos casos em que há empate.
E a adjudicação do objeto para as ME e EPP acontecerá somente se for apresentada
proposta de preço inferior ao da melhor classificada.
Caso o direito de preferência não seja exercido pela pequena ou microempresa melhor
classificada, as demais que também tenham ”empatado” com a melhor proposta deverão ser
chamadas, na ordem de classificação, para fornecer sua proposta. E é claro, se a melhor proposta
da licitação já for de uma micro ou pequena empresa, não haveria que se falar em exercício do
direito de preferência.
Negociação de condições mais vantajosas
Ao final da etapa de julgamento, após definido o resultado da licitação, o agente de contratação
(ou a comissão) ainda poderá negociar condições mais vantajosas com o primeiro colocado ou,
até mesmo, com os demais colocados, caso a proposta do primeiro fique acima do limite máximo
(art. 61).
Como forma de conferir celeridade às licitações, a NLL prevê que (art. 63):
1) Poderá ser exigida, de todos os licitantes, uma simples declaração de que
atendem aos requisitos de habilitação, sendo que aquele que expediu a
declaração responderá pela veracidade das informações prestadas.
2) Do licitante vencedor, ao contrário, será exigida a efetiva apresentação dos
documentos de habilitação, como regra geral.
3) No entanto, se o edital previr que a fase de habilitação irá anteceder o
julgamento, aí sim os documentos serão exigidos de todos os licitantes.
Nesse sentido, a NLL prevê que a documentação de habilitação será dividida nos seguintes
aspectos (art. 62):
econômico-
jurídica técnica
financeira
Antes de detalhar cada um deles, vale destacar que a Administração não pode exigir documentos
que não estejam previstos na Lei 14.133/2021, até porque podem tais documentos devem ser
“necessários e suficientes para demonstrar a capacidade do licitante de realizar o objeto da
licitação” (art. 62, caput).
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A habilitação jurídica busca confirmar, apenas, se aquela pessoa que está participando da licitação
está juridicamente apta a exercer direitos e contrair obrigações, de modo a garantir a legitimidade
do contrato a ser celebrado. Assim, a NLL prevê que a documentação relativa à habilitação jurídica
“limita-se à comprovação de existência jurídica da pessoa” (art. 66), a exemplo de cédula de
identidade, ato constitutivo da empresa, estatuto ou contrato social, registro comercial da
empresa e, “quando cabível, de autorização para o exercício da atividade a ser contratada”.
A habilitação fiscal, social e trabalhista dos licitantes se presta a verificar se o licitante se encontra
regularmente inscrito nos cadastros dos fiscos brasileiros (receita federal, receita estadual e/ou
municipal). Além disso, a empresa deve apresentar certidões que comprovem que ela não possui
dívidas trabalhistas perante a Justiça do Trabalho, bem como de que cumpre as idades mínimas
para o trabalho13 (art. 68).
A qualificação técnica, por sua vez, busca aferir se o licitante pertence àquele nicho de mercado,
isto é, se já prestou aqueles serviços, se ele já executou aquele tipo de obras antes. Tal exigência
minimizará o risco de se contratar alguém que não esteja tecnicamente apto a executar o objeto.
Uma das novidades da nova lei é que a qualificação técnica é desdobrada em (i) técnico-
profissional e (ii) técnico-operacional – art. 67, caput.
No primeiro grupo, avalia-se se a empresa de fato possui, em seu quadro de funcionários,
profissionais qualificados para executar o objeto licitado (art. 67, I). Já no segundo, avalia-se se a
empresa já executou objeto semelhante ao licitado (art. 67, II).
De toda forma, a lei autoriza a exigência do registro da empresa na entidade profissional
competente (por exemplo, registro no CREA ou no CRF). É também muito comum que se exija a
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Previstas na CF, art. 7º, XXXIII.
De toda forma, caso a Administração opte por realizar tais exigências, a lei impõe um limite
máximo para as exigências de capital social e para o valor do patrimônio líquido, que será de, no
máximo, 10% do valor estimado da contratação, no caso de compras para entregas futuras e em
obras e serviços (art. 69, §4º).
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Antes de encerrar a etapa de habilitação, vale destacar que a documentação relacionada à
habilitação poderá ser (art. 70):
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Se o licitante for empresa constituída há menos de 2 anos, a exigência é limitada ao último exercício
(art. 69, §6º).
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Superada a etapa de julgamento das propostas e habilitação, terá lugar a etapa de recursos, se
houver, adiante estudada.
Etapa recursal
INCIDÊNCIA EM PROVA: MÉDIA
A lei assegura aos licitantes o direito de recorrer em face de vários atos praticados pelo agente de
contratação. Nesse sentido, a Lei prevê que cabe recurso do julgamento das propostas ou da
habilitação/inabilitação dos licitantes, entre outros atos (art. 165, I).
Aproximando-se da sistemática dos recursos da Lei 10.520, a NLL prevê que o licitante deverá
manifestar, inicialmente, uma intenção de recorrer e, em um segundo momento, apresentaria o
porquê de seu inconformismo (as chamadas “razões recursais”).
A intenção de recorrer deve ser manifestada de maneira imediata.
Manifestação imediata da intenção de recorrer significa que deve ocorrer logo após a divulgação
do ato do qual se pretende recorrer (por exemplo, a divulgação do resultado do julgamento das
propostas). Aqueles licitantes que não se manifestaram imediatamente, quanto ao seu interesse
de recorrer contra aquele ato, terão precluído seu direito de interpor recurso (art. 165, §1º, I, parte
inicial).
É como um “recorra agora ou cale-se para sempre” =)
Isto não significa que o licitante deva apresentar, naquele exato momento, toda a fundamentação
jurídica do seu recurso! O que ele deverá fazer, de imediato, é manifestar sua intenção de recorrer.
Uma vez manifestada a intenção, o licitante terá o prazo de 3 dias úteis para apresentação das
razões do recurso (ou seja, as razões de fato e de direito que fundamentam seu recurso). Este
----
Superada a etapa recursal, seja por não terem sido interpostos ou já terem sido examinados, a
licitação chegará a seu fim, com a adjudicação e homologação.
Adjudicação e Homologação
INCIDÊNCIA EM PROVA: BAIXA
Antes de avançarmos uma pergunta:
15
Diferentemente da Lei das Estatais, em que a fase única deixa de existir quando houver a desinversão
de fases (Lei 13.303/2016, art. 59, caput).
A resposta é não! Antes de se falar em celebração do contrato, terá lugar a etapa de adjudicação,
que consiste no ato que atribui ao licitante vencedor o objeto da licitação, ato este que será
praticado não mais pelo agente de contratação, mas pela “autoridade superior” (art. 71, IV).
Ufa! Acabou?
Ainda não, está quase!
Imagino que vocês já devem ter percebido a complexidade do processo licitatório e o emaranhado
de regras legais e infralegais imposto pela legislação. Assim, é bastante natural que a condução
da licitação esteja sujeita a erros.
Diante desse quadro, o legislador impôs – assim como já havia na Lei 8.666 – uma etapa de
controle antes de se concluir uma licitação, para que se possa verificar se ela foi conduzida de
acordo com os ditames legais.
Tal controle de legalidade do procedimento é realizado na etapa de homologação da licitação e
está a cargo da “autoridade superior”16 (art. 71, IV) – e não pelo agente de contratação.
Caso seja identificado alguma ilegalidade, a autoridade se abstém de homologar o procedimento
e o devolve para saneamento de irregularidades (se for um vício sanável) ou determina sua
anulação (por vício insanável) – art. 71, I e III. De toda forma, caso não mais entenda conveniente
aquela contratação, a autoridade poderá ainda revogar a licitação (art. 71, II).
É importante lembrarmos que a revogação consiste no desfazimento do processo por razões de
conveniência e oportunidade, ao passo que a anulação tem lugar na presença de uma ilegalidade.
Além disso, nesses casos de anulação e revogação, deverá ser assegurada a prévia manifestação
dos interessados (art. 71, § 3º).
Portanto, encerradas as fases de julgamento e habilitação, e exauridos os recursos administrativos,
o processo licitatório será encaminhado à autoridade superior, que terá basicamente 4 alternativas
(art. 71):
16
Por uma questão de segregação de funções, o legislador estipulou que outras pessoas – diversas da
comissão de licitação – devem examinar o procedimento licitatório.
Embora, como regra geral, a celebração de contratos pelo Estado exija a prévia realização de
licitação, admite-se a contratação direta (isto é, sem prévia licitação) nos “casos especificados na
legislação”17.
Pois bem, neste tópico estudaremos tais situações excepcionais, em que o ordenamento jurídico
admite que um fornecedor seja contratado pela Administração sem que outros tenham a
oportunidade de concorrer com ele. Trataremos, portanto, de exceções ao dever de licitar.
A contratação direta (ou contratação sem licitação prévia) terá lugar nos casos de (i) inexigibilidade
ou (ii) dispensa de licitação.
Já adianto que as situações de inexigibilidade de licitação pressupõem primordialmente
inviabilidade de competição entre fornecedores. Tais casos decorrem de características do
mercado ou do objeto a ser contratado, como nas situações de monopólio - quando não há mais
de um fornecedor apto a fornecer o bem ou prestar o serviço à Administração. Como a
contratação direta, nestes casos, é uma decorrência do mercado – e não da lei –, o legislador
limitou-se a prever uma lista de exemplos (ou rol exemplificativo) de situações de inexigibilidade
no art. 74 da NLL, não buscando exaurir todas estas situações de inviabilidade de competição.
Por outro lado, nos casos de dispensa de licitação, a competição entre mais de um fornecedor até
seria viável, porém o legislador entendeu por bem dispensar a realização do procedimento
licitatório, para conferir celeridade às compras governamentais, por considerar que o custo da
licitação não compensa os riscos que ela minimiza ou para fomentar determinados setores.
Diferentemente da inexigibilidade, aqui estamos falando de um afastamento do dever de licitar
por uma decisão do legislador.
Assim, ainda falando da dispensa, tradicionalmente dizemos que há casos em que o legislador
autoriza o administrador a não realizar a licitação – conduta discricionária – e outros em que
determina ao administrador sua não realização – conduta vinculada. Ao primeiro grupo, dá-se o
nome de licitações dispensáveis (enumeradas no art. 75 da NLL) e, ao segundo, licitações
dispensadas (enumeradas no art. 76, incisos I e II).
17
Nos termos da CF, art. 37, XXI.
Como tais casos representam uma decisão do legislador, suas hipóteses encontram-se
taxativamente previstas na legislação (diferentemente das hipóteses de inexigibilidade).
Em síntese:
Licitação
dispensável art. 75
(discricionário)
dispensa Rol taxativo
Contratação
direta
Inexigibilidade art. 74
Rol
inviabilidade de exemplificativo
competição
Vejam a questão a seguir, que buscou confundir o candidato quanto a estes conceitos:
18
Na Lei 8.666, o procedimento de justificação envolvia a ratificação da contratação direta (art. 26), o
que deixa de existir.
19
Comparando tais elementos com aquelas exigidos pela Lei 8.666: razão da escolha do fornecedor,
justificativa do preço e, quando fosse o caso, caracterização da situação emergencial/calamitosa/de
grave risco à segurança pública e documento de aprovação dos projetos de pesquisa.
justificativa do preço
Art. 73. Na hipótese de contratação direta indevida ocorrida com dolo, fraude ou
erro grosseiro, o contratado e o agente público responsável responderão
20
Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos
jurídicos, quando: (..) IV - dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo licitatório;
solidariamente pelo dano causado ao erário, sem prejuízo de outras sanções legais
cabíveis.
É importante notar que, com a nova lei, tal responsabilização se dará apenas nos
casos de dolo, fraude ou erro grosseiro, sendo que, pela Lei 8.666, isto ocorreria
nos casos de superfaturamento em geral.
É importante destacar também que a realização de contratação direta fora das hipóteses previstas
em lei constitui crime previsto no Código Penal21.
Além disso, friso que, para fins de transparência, o ato que autoriza a contratação direta ou o
respectivo contrato devem ser divulgados na internet:
Art. 72, parágrafo único. O ato que autoriza a contratação direta ou o extrato
decorrente do contrato deverá ser divulgado e mantido à disposição do público
em sítio eletrônico oficial.
----
Bem, caro aluno, comentamos acima as características da inexigibilidade e da dispensa de licitação
em linhas gerais. Agora vamos detalhar melhor estes institutos.
Avante!
Inexigibilidade
INCIDÊNCIA EM PROVA: ALTÍSSIMA
A inexigibilidade de licitação, como visto acima, diz respeito a situações em que não há viabilidade
de competição entre os fornecedores.
Consoante já definia Di Pietro22, “não há possibilidade de competição, porque só existe um objeto
ou uma pessoa que atenda às necessidades da Administração; a licitação é, portanto, inviável”.
21
CP, art. 337-E Admitir, possibilitar ou dar causa à contratação direta fora das hipóteses previstas em
lei:
Pena – reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa.
22
DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. Ed. GenMétodo. 31ª ed. 2018. eBook. Tópico
9.5
Dadas as múltiplas possibilidades de surgimento das situações de inexigibilidade (em que não há
possibilidade fática de mais de uma empresa competir pela celebração do contrato), o legislador
optou por conceituar brevemente o instituto da inexigibilidade e citar exemplos (rol
exemplificativo), da seguinte forma:
Ou seja, se determinada situação não se enquadrar em um dos incisos do art. 74, mas se enquadrar
no conceito de inviabilidade de competição, mencionado no seu caput, será válida a contratação
mediante inexigibilidade.
Apesar de ser um rol exemplificativo, para fins de prova, é importante conheceremos “de perto”
cada uma das hipóteses, sintetizadas a seguir:
Natureza intelectual
predominante
+
Notória especialização
+
Enumerados no art. 74
Serviços técnicos
publicidade
Inexigibilidade Vedada para
divulgação
Vedada subcontratação
Artista
divulgar cachê do artista
consagrado
Passemos, adiante, a comentar cada uma destas cinco situações mencionadas no texto legal.
O inciso I do art. 74 diz respeito à aquisição de produtos ou contratação de serviços a partir de
fornecedor exclusivo. Ora, se apenas uma empresa fornece tal produto, não se poderia cogitar a
realização do certame licitatório.
Tal exclusividade requer comprovação, a qual é realizada por meio de um atestado de
exclusividade (ou documentos similares, como contrato de exclusividade ou declaração do
fabricante) – art. 74, §1º.
Outro ponto relevante a ser observado é que, assim como havia na Lei 8.666, nesta hipótese de
inexigibilidade é vedada a preferência de marca dos produtos fornecidos por meio da
inexigibilidade (art. 74, §1º, parte final). Assim, como regra geral, a Administração não poderia
realizar uma contratação fundamentada neste inciso I, após ter restringido o universo de produtos
a uma única marca. Isto porque a restrição por marca poderia artificialmente criar a inviabilidade
de competição, o que não se compatibiliza com a finalidade da inexigibilidade.
----
A seu turno, o inciso II do art. 74 prevê a inexigibilidade para contratação de atividades artísticas.
Assim, a contratação de artista que tenha sido consagrado (i) pela crítica ou (ii) opinião pública
tem cunho fortemente personalíssimo, não passível de avaliação por fatores objetivos (como seria
em uma licitação). Tal contratação pode ser realizada diretamente com o artista (ex.: contrato
assinado diretamente com a Ivete Sangalo) ou com o empresário que detenha exclusividade (ex.:
com o único empresário que representa a Ivete Sangalo).
Este último inciso, de igual teor ao que constava da Lei 8.666, foi objeto da seguinte questão:
Exemplo: ainda em relação à seria contratação por inexigibilidade da Ivete Sangalo, temos
que: (a) seria possível contratá-la por intermédio de seu empresário que a representa
com exclusividade em todo o território nacional; (b) seria possível contratá-la, para um
show na Bahia, por meio do empresário que a representa com exclusividade naquele
Estado; (c) não seria possível contratá-la diretamente por intermédio de alguém que
detenha exclusividade de representação para a data de 29 de março de determinado ano;
(d) não seria possível contratá-la diretamente por intermédio de alguém que detenha
exclusividade de representação para o festival Axé Music 2022.
23
Seguindo jurisprudência do TCU, a exemplo do Acordão 1.435/2017-Plenário.
Se comparássemos esta nova listagem com aquela que constava da Lei 8.666,
iremos perceber que a novidade ficou por conta da alínea ‘h’: controles de
qualidade, análises, testes, ensaios, instrumentação e monitoramento.
Vou abrir um parêntese aqui para destacar que, além destes serviços previstos no corpo da NLL,
a Lei 14.039, de agosto de 2020, passou a considerar, formalmente, como serviços técnicos
singulares aqueles prestados por advogados24 e por profissionais de contabilidade.
A resposta é dada pelo art. 74, §3. Apesar de seu teor abrangente, podemos perceber que a
notoriedade da especialização do profissional diz respeito ao “reconhecimento da qualificação
daquele sujeito por parte de sua comunidade profissional” 25:
Art. 74, § 3º Para fins do disposto no inciso III do caput deste artigo, considera-se
de notória especialização o profissional ou a empresa cujo conceito no campo de
sua especialidade, decorrente de desempenho anterior, estudos, experiência,
24
A par do debate jurisprudencial existente quanto a este enquadramento, no STF (a exemplo dos Inqs
3074-SC e 3077-AL) e no TCU (a exemplo do Acórdão 5.318/2010-2ª Câmara).
25
FILHO, Marçal Justen. Comentários à Lei de Licitações e Contratos Administrativos. 17ª ed. p. 593
Comparando os requisitos da inexigibilidade para serviços técnicos com aqueles previstos na Lei
8.666, percebemos que a grande novidade ficou por conta da substituição da antiga “natureza
singular”27 pela “natureza predominantemente intelectual”:
26
Idem ao disposto no art. 6º, XIX.
27
Requisito que, anteriormente, suscitava acalorados debates quanto à sua delimitação e efetivo alcance.
Publicidade
Vedado para
divulgação
----
Voltando às hipóteses de inexigibilidade do art. 74, vemos que seu inciso IV menciona as
aquisições mediante credenciamento.
Exemplo: é o que já ocorria quando um órgão público desejava, por exemplo, credenciar
médicos para lhe prestarem serviços. Neste caso, a Administração, após divulgar os
requisitos para o credenciamento, cadastrava os profissionais interessados em serem
contratados e, futuramente, os contratava para prestarem os serviços. Portanto, não
havia uma licitação propriamente dita, muito embora houvesse um procedimento para
“seleção” destes profissionais.
Assim, quando tal situação levar a uma inviabilidade de competição, a partir dos profissionais
credenciados seria possível a contratação direta mediante inexigibilidade.
----
Por fim, o inciso V do art. 74, que prevê a inexigibilidade para aquisição ou locação de imóvel
cujas características de instalações e de localização tornem necessária sua escolha.
Aqui podemos imaginar, como exemplo, a repartição pública que necessita se mudar para outro
edifício em uma mesma cidade. Para tanto, a Administração irá elaborar critérios de escolha do
novo imóvel, seja para locação (aluguel) ou compra (aquisição), como a localização, a dimensão do
imóvel, destinação etc.
Assim, quando tais critérios condicionarem a escolha do imóvel, a celebração do respectivo
contrato não exige a realização de licitação, dada inclusive a impossibilidade de competição entre
mais de um particular a respeito.
Nestas contratações, devem ser demonstrados os seguintes elementos:
Art. 74, § 5º, I – avaliação prévia do bem, do seu estado de conservação e dos
custos de adaptações, quando imprescindíveis às necessidades de utilização, e
prazo de amortização dos investimentos;
II – certificação da inexistência de imóveis públicos vagos e disponíveis que
atendam ao objeto;
III – justificativas que demonstrem a singularidade do imóvel a ser comprado ou
locado pela Administração e que evidenciem vantagem para ela.
28
Licitação Pública e Contrato Administrativo. 4ª ed., Ed. Fórum, p. 119,
HORA DO
INTERVALO!
Dispensa
Conforme leciona Marçal Justen Filho 29 , a dispensa de licitação é “consagrada por lei para
situações em que é viável a competição”. No entanto, a lei reconhece que “sua realização não
traria os benefícios pretendidos” ou, até mesmo, que poderia acarretar malefícios indesejáveis.
Os casos de dispensa de licitação tratam, em síntese, de opções do legislador. Por este motivo,
não se admite a criação de um caso de dispensa sem a devida previsão em lei (em sentido estrito)
– diversamente do que se verifica sobre a inexigibilidade (cujo rol é exemplificativo).
Dito isto, passemos ao estudo das hipóteses de dispensa de licitação previstas na Lei 14.133/2021.
Comentaremos, primeiramente, os casos de licitações dispensáveis e, na sequência, de licitações
dispensadas. Veremos, adiante, que todos os casos de licitação dispensada referem-se à alienação
de bens (venda).
Licitação dispensável
INCIDÊNCIA EM PROVA: ALTÍSSIMA
29
FILHO, Marçal Justen. Comentários à Lei de Licitações e Contratos Administrativos. 17ª ed. p. 468-
469
Nos casos estudados a seguir, o legislador conferiu uma faculdade ao administrador público, o
qual poderá optar entre (i) realizar uma licitação ou (ii) celebrar o contrato diretamente.
Em razão dessa possibilidade de decisão, dizemos que, nas licitações dispensáveis, a conduta do
administrador é discricionária. Assim, fica claro que – diferentemente das hipóteses de licitação
dispensada – aqui o legislador autoriza o administrador a não realizar a licitação.
Justen Filho30, mesmo antes da NLL, já classificava as variadas hipóteses de dispensa de licitação
em 4 grandes grupos31:
Feita esta breve contextualização, passemos ao estudo de cada uma das hipóteses de dispensa
de licitação.
Iremos concentrar nossos comentários nas hipóteses mais relevantes em prova.
30
Op. Cit. p. 470
31
Di Pietro, por sua vez, agrupa as situações nas seguintes categorias: (i) em razão do pequeno valor,
(ii) situações excepcionais, (iii) em razão do objeto e (iv) da pessoa.
Importante mencionar que se a entidade contratante se constituir como consórcio público ou for
autarquia ou fundação qualificadas como agência executiva32, os limites acima serão duplicados –
art. 75, §2º.
Além disso, anualmente, a cada dia 1º de janeiro, o Poder Executivo federal atualizará estes
valores, a partir do índice de inflação (IPCA-E), devendo os novos valores serem divulgados no
Portal Nacional de Contratações Públicas (art. 182). Para o ano de 2025, estes valores foram
atualizados para R$ 125.451,15 e R$ 62.725,59, pelo Decreto 12.343/2024
A título de aprofundamento, vale comentar que, nesta hipótese de dispensa, para facilitar os
pagamentos devidos pela Administração, que são de baixo valor neste caso, a lei prevê que,
preferencialmente, estas compras serão pagas por meio de cartão de pagamento (art. 75, §4º),
sendo que o extrato do cartão deverá ser divulgado no Portal Nacional de Contratações Públicas33.
Nesta hipótese de dispensa seria possível também haver um processo competitivo, na medida em
que a lei sugere que a Administração, preferencialmente, divulgue o aviso de contratação e
examine propostas de eventuais interessados (art. 75, §3º).
32
Autarquias ou fundações que celebrarem contratos de gestão.
33
O Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP) consiste em um repositório de dados de licitações
e contratos na internet (NLL, art. 174).
Por fim, para se evitar a prática do “fracionamento de despesas” (em que uma grande compra
seria artificialmente fracionada em duas ou mais compras de baixo valor), o § 1º do art. 75
estabelece que, para se aferir o respeito aos limites de cerca de R$ 50 e 100 mil, deverão ser
observados:
I - o somatório do que for despendido no exercício financeiro pela respectiva unidade
gestora;
II - o somatório da despesa realizada com objetos de mesma natureza, entendidos como
tais aqueles relativos a contratações no mesmo ramo de atividade.
Esta aferição com o somatório, no entanto, não se aplica às contratações de até R$ 8 mil34 de
serviços de manutenção de veículos automotores de propriedade do próprio órgão contratante,
incluído o fornecimento de peças (art. 75, § 7º).
Obras
Inferior a
serviços de engenharia
R$ 100 mil
manutenção de veículos
Dispensa de licitação por
diminuto valor Compras Inferior a
R$ 50 mil
demais serviços
consórcios
públicos
Limites duplicados p/
agências
executivas
Art. 75, III – para contratação que mantenha todas as condições definidas em edital de licitação
realizada há menos de 1 (um) ano, quando se verificar que naquela licitação:
34
Valor atualizado para R$ 10.036,10, pelo Decreto 12.343/2024.
Este inciso trata da licitação deserta (em que há desinteresse na contratação por parte do
mercado) e também de alguns casos de licitação fracassada (em que todas as propostas
apresentadas pelos licitantes foram descartadas).
Mas, antes de avançarmos, muita atenção para não confundirmos a licitação deserta com a
licitação fracassada. Embora ambas sejam procedimentos licitatórios frustrados, a licitação deserta
consiste no certame em que nenhuma empresa se apresenta, enquanto, na fracassada, as
empresas participam da licitação, oferecem propostas, mas nenhuma é selecionada, em razão de
nenhuma ser considerada válida.
Em síntese:
Todos os interessados
Licitação fracassada »» são inabilitados ou
desclassificados
A despeito da diferença, veremos que a licitação fracassada, em algumas hipóteses, também
poderá autorizar a contratação mediante dispensa. Isto porque subentende-se que a realização
de uma nova licitação não geraria benefícios à Administração e, assim, autoriza-se a contratação
direta mediante dispensa. A contratação direta, então, estará autorizada nas licitações em que o
fracasso decorrer de (i) não apresentação de propostas válidas ou (ii) as propostas apresentarem
preços superiores aos de mercado ou incompatíveis com aqueles fixados oficialmente.
Em qualquer dos casos (licitação deserta ou fracassada), o legislador estabeleceu duas condições:
a) todas as condições da licitação anterior (a exemplo das cláusulas da minuta de contrato) sejam
mantidas.
b) a licitação anterior tenha ocorrido há, no máximo, 1 ano.
Art. 75, IV – para contratação que tenha por objeto: a) bens componentes ou peças de origem
nacional ou estrangeira necessários à manutenção de equipamentos, a serem adquiridos do
fornecedor original desses equipamentos durante o período de garantia técnica, quando essa
condição de exclusividade for indispensável para a vigência da garantia;
Art. 75, IV – para contratação que tenha por objeto: (..) b) bens, serviços, alienações ou obras, nos
termos de acordo internacional específico aprovado pelo Congresso Nacional, quando as
condições ofertadas forem manifestamente vantajosas para a Administração;
Nesta hipótese, o país celebrou um acordo internacional (que foi referendado pelo Congresso),
prevendo aquisições pela Administração, que são claramente vantajosas para o país. Assim, o
legislador já pré-autorizou que estes casos dispensassem a realização de procedimento licitatório.
Art. 75, IV – para contratação que tenha por objeto: (..) c) produtos para pesquisa e
desenvolvimento35, limitada a contratação, no caso de obras e serviços de engenharia, ao valor de
R$ 300.000,00 (trezentos mil reais);
Art. 75, IV – para contratação que tenha por objeto: (..) d) transferência de tecnologia ou
licenciamento de direito de uso ou de exploração de criação protegida, nas contratações
realizadas por Instituição Científica, Tecnológica e de Inovação (ICT) pública ou por agência de
fomento, desde que demonstrada vantagem para a Administração;
Aqui temos uma hipótese de dispensa dirigida especialmente a agências de fomento (como o
CNPq - Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) ou Instituição Científica,
Tecnológica e de Inovação 36 , que vão até o mercado buscar criações ou tecnologias já
desenvolvidas.
35
Lei 14.133, art. 6º, LV - produtos para pesquisa e desenvolvimento: bens, insumos, serviços e obras
necessários para atividade de pesquisa científica e tecnológica, desenvolvimento de tecnologia ou
inovação tecnológica, discriminados em projeto de pesquisa;
36
Nos termos previstos na Lei 13.243/2016, são entidades da administração pública ou entidades
privadas sem fins lucrativos que tenham como missão institucional executar atividades de pesquisa
básica ou aplicada de caráter científico ou tecnológico.
Art. 75, IV – para contratação que tenha por objeto: (..) e) hortifrutigranjeiros, pães e outros
gêneros perecíveis, no período necessário para a realização dos processos licitatórios
correspondentes, hipótese em que a contratação será realizada diretamente com base no preço
do dia;
Assim como já constava da Lei 8.666, nesta alínea o legislador cuidou das compras eventuais de
produtos perecíveis (verduras, frutas, carnes, pães etc). Imagine se, às pressas, um ente público
necessite adquirir um gênero perecível. Como tais gêneros alimentícios se deterioram com o
decurso do tempo, não faria sentido a realização de uma licitação. Faz-se, assim, a contratação
direta com base no preço do dia.
Detalhe importante é que tal dispensa não é permanente37, na medida em que a Administração,
em geral, poderia se planejar e realizar uma licitação para o fornecimento contínuo destes gêneros
perecíveis (por meio de um registro de preços, por exemplo). Dessa forma, a compra dos
hortifrutis mediante dispensa somente será cabível durante o período de tempo necessário para
a realização da licitação.
Art. 75, IV – para contratação que tenha por objeto: (..) f) bens ou serviços produzidos ou prestados
no País que envolvam, cumulativamente, alta complexidade tecnológica e defesa nacional;
Sabemos que há grande demanda para serviços relacionados à construção de equipamentos para
processamento de dados ou softwares especialistas para a defesa nacional. Nesses casos, é
facultado à Administração dispensar a licitação caso os bens sejam produzidos ou os serviços sejam
prestados em território nacional, e estejam caracterizados por possuírem alta complexidade
tecnológica e serem relacionados à defesa nacional.
A diferença entre a hipótese em apreço e o inciso VI (comprometimento da segurança nacional)
consiste, segundo Carvalho Filho 38 , que este último tem “caráter genérico, referindo-se à
segurança nacional, ao passo que o primeiro é específico e visa à proteção de propriedade
intelectual voltada à defesa nacional – esta, na verdade, um aspecto daquela. Além disso, conjuga
esse fator com a complexidade tecnológica dos bens e serviços do setor, a qual, em regra, impede
mesmo o regime de competitividade”.
Art. 75, IV – para contratação que tenha por objeto: (..) g) materiais de uso das Forças Armadas,
com exceção de materiais de uso pessoal e administrativo, quando houver necessidade de manter
a padronização requerida pela estrutura de apoio logístico dos meios navais, aéreos e terrestres,
mediante autorização por ato do comandante da força militar;
Esta hipótese de dispensa, que já constava da Lei 8.666, foi pensada nos militares, buscando
facilitar a padronização dos materiais de uso das forças armadas. Reparem que aqui não estamos
37
FILHO, José dos Santos Carvalho. Manual de Direito Administrativo. 27ª ed. Atlas. P. 259
38
Op. Cit.
nos referindo a material de uso pessoal ou administrativo dos militares (como impressoras, toners,
resmas de papel etc).
Se formos considerar as aquisições em geral realizadas pelos militares por meio de dispensa de
licitação, além deste inciso, ganha especial aquelas hipóteses mencionadas no inciso VI
(possibilidade de comprometimento da segurança nacional) e do inciso IV, alínea ‘i’
(abastecimento ou suprimento de efetivos militares em estada eventual de curta duração em
portos, aeroportos ou localidades diferentes de suas sedes).
Art. 75, IV – para contratação que tenha por objeto: (..) h) bens e serviços para atendimento dos
contingentes militares das forças singulares brasileiras empregadas em operações de paz no
exterior, hipótese em que a contratação deverá ser justificada quanto ao preço e à escolha do
fornecedor ou executante e ratificada pelo comandante da força militar;
Hipótese que nos remete às forças de paz que o país constituiu no exterior, a exemplo da atuação
das forças armadas no Haiti de 2004 a 2017.
Art. 75, IV – para contratação que tenha por objeto: (..) i) abastecimento ou suprimento de efetivos
militares em estada eventual de curta duração em portos, aeroportos ou localidades diferentes de
suas sedes, por motivo de movimentação operacional ou de adestramento;
O fundamento lógico desta hipótese consiste na inviabilidade de a tropa/embarcação retornar à
sua sede associada à premente necessidade do combustível ou alimento.
Nesse sentido, a exiguidade de prazo tornaria desaconselhada a realização de uma licitação.
Art. 75, IV – para contratação que tenha por objeto: (..) j) coleta, processamento e comercialização
de resíduos sólidos urbanos recicláveis ou reutilizáveis, em áreas com sistema de coleta seletiva
de lixo, realizados por associações ou cooperativas formadas exclusivamente de pessoas físicas de
baixa renda reconhecidas pelo poder público como catadores de materiais recicláveis, com o uso
de equipamentos compatíveis com as normas técnicas, ambientais e de saúde pública;
Neste caso, a Administração procura dar um fomento a associações/cooperativas de pessoas de
baixa renda que se dediquem ao manejo e reciclagem de resíduos.
Art. 75, IV – para contratação que tenha por objeto: (..) k) aquisição ou restauração de obras de
arte e objetos históricos, de autenticidade certificada, desde que inerente às finalidades do órgão
ou com elas compatível;
Aqui teríamos um museu, por exemplo, contratando diretamente uma organização para fornecer
uma obra de arte ou restaurá-la.
Reparem que a restauração de obras de arte é serviço mencionado no rol do art. 74 da nova Lei,
de sorte que, havendo notória especialização e natureza predominantemente intelectual, poderia
ser objeto de inexigibilidade de licitação, nos termos do art. 74, III.
Art. 75, IV – para contratação que tenha por objeto: (..) l) serviços especializados ou aquisição ou
locação de equipamentos destinados ao rastreamento e à obtenção de provas previstas nos
incisos II e V do caput do art. 3º da Lei nº 12.850, de 2 de agosto de 2013 [em inquérito ou processo
criminal], quando houver necessidade justificada de manutenção de sigilo sobre a investigação;
Aqui temos uma novidade da Lei 14.133! Estamos diante da obtenção de equipamentos (como
grampos, gravadores, escutas etc) destinados à obtenção de provas, na seara criminal, relativa à
interceptação de comunicações telefônicas e telemáticas e captação ambiental de sinais
eletromagnéticos, ópticos ou acústicos.
Art. 75, IV – para contratação que tenha por objeto: (..) m) aquisição de medicamentos destinados
exclusivamente ao tratamento de doenças raras definidas pelo Ministério da Saúde;
Aqui temos outra novidade da Lei 14.133! Trata-se de uma forma de facilitar a aquisição de
medicamentos para as DRs (doenças raras), que são aquelas que atingem, proporcionalmente, um
número muito reduzido de pessoas39.
Art. 75, V – para contratação com vistas ao cumprimento do disposto nos arts. 3º, 3º-A, 4º, 5º e 20
da Lei nº 10.973, de 2 de dezembro de 2004 [relacionadas à construção de ambientes
especializados e cooperativos de inovação], observados os princípios gerais de contratação
constantes da referida Lei;
Nesta hipótese estamos diante da contratação das “encomendas tecnológicas”, da Lei
10.973/2004, chamada de lei da inovação. O exemplo que podemos citar seria um órgão público
buscando contratar, por exemplo, a criação de uma vacina para combater a Covid-19 junto a uma
instituição de pesquisa ou um algoritmo computacional, totalmente inovador.
39
Segundo o Ministério da Saúde, são doenças que afetam até 65 pessoas em cada 100 mil indivíduos.
Art. 75, VI – para contratação que possa acarretar comprometimento da segurança nacional, nos
casos estabelecidos pelo Ministro de Estado da Defesa, mediante demanda dos comandos das
Forças Armadas ou dos demais ministérios;
Nesta hipótese estaremos diante dos interesses da sobrevivência do Estado brasileiro 40 , nos
termos definidos no Decreto 2.295/1997, a exemplo da “aquisição de recursos bélicos navais,
terrestres e aeroespaciais”.
Caso concreto: ao final de 2019, o Brasil formalizou a aquisição de quatro navios de guerra
(chamadas “Corvetas Tamandaré”), ao custo aproximado de R$ 5,5 bilhões, fazendo uso
desta hipótese de dispensa (igual teor à que constava da Lei 8.666 41).
Segundo Jacoby, este inciso contém uma resposta da Lei de Licitações ao conflito entre o princípio
da licitação e o da segurança nacional, sendo que o legislador entendeu que deveria prevalecer a
segurança nacional, nestes casos. Isto porque há situações em que a realização de uma licitação
poderia trazer riscos à segurança nacional, a exemplo de sua ampla publicidade e dos prazos
necessários para seus procedimentos.
Reparem que, no texto da Lei 8.666, exigia-se decreto do próprio Presidente da República, sendo
que a nova Lei admite ato normativo expedido pelo Ministro da Defesa.
Art. 75, VII– nos casos de guerra, estado de defesa, estado de sítio, intervenção federal ou de
grave perturbação da ordem;
O inciso acima deixa claro que, em tempos de guerra, de grave perturbação da ordem, estado de
defesa (CF, art. 136), de sítio (CF, art. 137, I) ou intervenção federal42 (CF, art. 34-36), não haveria
tempo hábil para a realização da licitação, podendo o administrador público se socorrer da
contratação direta mediante dispensa.
Art. 75, VIII – nos casos de emergência ou de calamidade pública, quando caracterizada urgência
de atendimento de situação que possa ocasionar prejuízo ou comprometer a continuidade dos
serviços públicos ou a segurança de pessoas, obras, serviços, equipamentos e outros bens,
públicos ou particulares, e somente para aquisição dos bens necessários ao atendimento da
situação emergencial ou calamitosa e para as parcelas de obras e serviços que possam ser
concluídas no prazo máximo de 1 (um) ano, contado da data de ocorrência da emergência ou da
40
FILHO, Marçal Justen. Comentários à Lei de Licitações e Contratos Administrativos. 17ª ed. p. 506
41
TCU - DEN: 02149320197, Relator: AUGUSTO SHERMAN, Data de Julgamento: 27/11/2019, Plenário),
ainda à luz da Lei 8.666/1993.
42
Que já eram apontados como exemplos de grave perturbação da ordem.
No inciso VIII acima está descrita a hipótese de emergência ou calamidade pública que possa
ocasionar prejuízo ou comprometer a segurança de pessoas e bens públicos ou particulares.
Estejam atentos para o fato de que os bens ou serviços contratados deverão ser apenas os
necessários ao atendimento da emergência.
Além disso, o tempo total do contrato para esses casos deverá ser limitado a 1 ano, contados da
ocorrência da calamidade que justificou a situação de emergência, sendo proibida a prorrogação
dos instrumentos contratuais (e a recontratação da mesma empresa com base nesta mesma
hipótese de dispensa).
Reparem que, pela Lei 8.666, o prazo máximo destes contratos era de 180 dias, tendo sido
ampliado para 1 ano na nova lei.
Em 2024, ao examinar este inciso VIII, o STF confirmou a constitucionalidade desta vedação à
recontratação da mesma empresa. No entanto, flexibilizando a vedação legal, o STF entendeu que
a vedação impede a recontratação com fundamento na mesma situação emergencial ou
calamitosa que extrapole o prazo máximo de 1 ano. Portanto, seria possível a recontratação ou a
prorrogação contratual desde que o prazo total não supere 1 ano. Além disso, a vedação não
impede que a empresa participe de futura licitação que venha a substituir a dispensa de licitação,
tampouco impede que a empresa seja contratada diretamente por outro fundamento previsto em
lei, incluindo uma nova emergência ou calamidade pública. Vejam a tese fixada:
Por fim, vale comentar a chamada “emergência fabricada”, que é aquela em que a situação
emergencial decorreu da desídia do administrador – e não de uma causa natural. A Lei considera
tal contratação como sendo aquela que objetiva “manter a continuidade do serviço público” (art.
75, § 6º). Neste caso, embora seja possível a celebração do contrato por dispensa, devem ser
adotadas duas providências: (i) conclusão do processo licitatório e (ii) apuração das
responsabilidades dos agentes públicos que, por negligência, deram causa à situação
emergencial.
contado da data de
Prazo máximo=1 ano ocorrência da
emergência/calamidade
dispensável
Emergência ou
calamidade pública Vedada prorrogação
(inc. VIII)
Somente o necessário p/
atender à situação
Art. 75, IX – para a aquisição, por pessoa jurídica de direito público interno, de bens produzidos
ou serviços prestados por órgão ou entidade que integrem a Administração Pública e que tenham
sido criados para esse fim específico, desde que o preço contratado seja compatível com o
praticado no mercado;
O inciso IX acima apresenta a hipótese que permite às pessoas jurídicas de direito público interno
(órgãos, autarquias e fundações de direito público) contratarem bens ou serviços de órgão ou
entidade que tenha sido criado para o fim específico da contratação, desde que o preço
contratado seja compatível com o praticado no mercado.
São situações em que contratante e contratado pertencem à Administração Pública (sendo o
contratante pessoa jurídica de direito público).
Observe atentamente que há uma série de pré-requisitos que autorizam a contratação por meio
de dispensa, porém o mais importante deles é o fato de que o preço contratado deverá ser
compatível com o praticado no mercado.
Por fim, vale destacar que não há mais o limite temporal que havia sob a égide da Lei 8.666, que
exigia que a entidade contratada houvesse sido criada “em data anterior à vigência” daquela Lei.
Art. 75, X - quando a União tiver que intervir no domínio econômico para regular preços ou
normalizar o abastecimento;
Aqui temos um caso em que a contratação pretendida pela Administração não visa obter a
proposta mais vantajosa, mas sim regularizar o abastecimento e os respectivos preços em
benefício da população.
Como exemplo, poderíamos citar as intervenções no domínio econômico para normalizar o
abastecimento de bens alimentícios ou de combustíveis.
Carvalho Filho44 defende que este caso de dispensa destina-se exclusivamente à União, na medida
em que os demais entes federados não possuem competência constitucional para a intervenção
no domínio econômico (CF, art. 174).
Art. 75, XI – para celebração de contrato de programa com ente federativo ou com entidade de
sua Administração Pública indireta que envolva prestação de serviços públicos de forma associada
nos termos autorizados em contrato de consórcio público ou em convênio de cooperação;
43
A celebração do contrato seria por meio da União - pessoa jurídica de direito público a que pertence o
órgão público.
44
FILHO, José dos Santos Carvalho. Manual de Direito Administrativo. 27ª ed. Atlas. P. 264
Nestes casos, dispensou-se a licitação para a celebração de contrato de programa entre ente da
federação (ou entidade de sua administração indireta) com o consórcio público, para tal prestação
de serviços públicos de forma associada.
----
Vou abrir um parêntese para lembrar que, além da regra estudada acima, o consórcio público
pode ser contratado diretamente pela Administração Direta ou Indireta dos entes federativos
consorciados, isto é, dispensada a licitação (Lei 11.107/2005, art. 2º, III).
Art. 75, XII – para contratação em que houver transferência de tecnologia de produtos estratégicos
para o Sistema Único de Saúde (SUS), conforme elencados em ato da direção nacional do SUS,
inclusive por ocasião da aquisição desses produtos durante as etapas de absorção tecnológica, e
em valores compatíveis com aqueles definidos no instrumento firmado para a transferência de
tecnologia;
Considerando a importância do tema “saúde pública”, a ideia, nesta hipótese de dispensa,
consiste em facilitar aquisição de produtos estratégicos para o Sistema Único de Saúde (SUS).
Art. 75, XIII – para contratação de profissionais para compor a comissão de avaliação de critérios
de técnica, quando se tratar de profissional técnico de notória especialização;
Neste inciso temos outra novidade da Lei 14.133. Em algumas situações, a Administração precisará
avaliar critérios técnicos de ofertas de licitantes, por exemplo, como ocorre em uma licitação na
modalidade concurso. Assim, para se contratar particulares para realizar tal avaliação, é
dispensável a licitação, quanto os profissionais a serem contratados possuírem notória
especialização.
Art. 74, XIV – para contratação de associação de pessoas com deficiência, sem fins lucrativos e de
comprovada idoneidade, por órgão ou entidade da Administração Pública, para a prestação de
serviços, desde que o preço contratado seja compatível com o praticado no mercado e os serviços
contratados sejam prestados exclusivamente por pessoas com deficiência;
Temos aqui uma hipótese de fomento proporcionado pela Administração Pública, visto que um
dos objetivos desta contratação é beneficiar tais associações, cujos associados possuem limitações
físicas (PcD – Pessoa com Deficiência).
Duas exigências importantes: (a) a associação de PcD não pode ter finalidade lucrativa e (b) os
serviços devem ser prestados apenas por PcD.
Art. 74, XV – para contratação realizada por Instituição Científica, Tecnológica e de Inovação (ICT)
de instituição brasileira sem fins lucrativos que tenha por finalidade estatutária apoiar, captar e
executar projetos de ensino, pesquisa, extensão, desenvolvimento institucional, científico e
tecnológico e de estímulo à inovação, inclusive gerir administrativa e financeiramente essas
atividades, ou para contratação de instituição dedicada à recuperação social da pessoa presa,
desde que a contratada tenha inquestionável reputação ética e profissional e não tenha fins
lucrativos;
Esse inciso ilustra o caso das contratações das fundações (pois não possuem fins lucrativos) de
ensino e pesquisa, por exemplo, para o fornecimento de bens ou para a prestação de serviços.
A lei determina que a instituição deva ser brasileira, que detenha inquestionável reputação ético-
profissional (alguém sabe como medir isso?) e, também, não tenha fins lucrativos.
A novidade, nesta hipótese, fica por conta da inclusão (i) do estímulo à inovação e (ii) dos projetos
de extensão, que não constavam da Lei 8.666/1993.
Art. 74, XVI – para a aquisição, por pessoa jurídica de direito público interno, de insumos
estratégicos para a saúde produzidos por fundação que, regimental ou estatutariamente, tenha
por finalidade apoiar órgão da Administração Pública direta, sua autarquia ou fundação em
projetos de ensino, pesquisa, extensão, desenvolvimento institucional, científico e tecnológico e
de estímulo à inovação, inclusive na gestão administrativa e financeira necessária à execução
desses projetos, ou em parcerias que envolvam transferência de tecnologia de produtos
estratégicos para o SUS, nos termos do inciso XII do caput deste artigo, e que tenha sido criada
para esse fim específico em data anterior à entrada em vigor desta Lei, desde que o preço
contratado seja compatível com o praticado no mercado;
Já havíamos comentado anteriormente duas hipóteses similares:
- contratação por parte de pessoa jurídica de direito público, de outro ente público (inciso
IX);
- contratação por uma Instituição Científica, Tecnológica e de Inovação (ICT) de instituição
brasileira destinada ao ensino, pesquisa, desenvolvimento etc (inciso XV acima).
Neste inciso temos a previsão específica para contratação para atender a necessidades da área de
saúde.
XVII - para a contratação de entidades privadas sem fins lucrativos para a implementação de
cisternas ou outras tecnologias sociais de acesso à água para consumo humano e produção de
alimentos, para beneficiar as famílias rurais de baixa renda atingidas pela seca ou pela falta regular
de água; (Lei 14.628/2023)
XVII - para contratação de entidades privadas sem fins lucrativos, para a implementação do
Programa Cozinha Solidária, que tem como finalidade fornecer alimentação gratuita
preferencialmente à população em situação de vulnerabilidade e risco social, incluída a população
em situação de rua, com vistas à promoção de políticas de segurança alimentar e nutricional e de
assistência social e à efetivação de direitos sociais, dignidade humana, resgate social e melhoria
da qualidade de vida. (Lei 14.628/2023)
Reparem que, embora a nova Lei tenha acrescido novos casos de dispensa, várias hipóteses que
constavam da Lei 8.666 não foram mencionadas na NLL, a exemplo das seguintes:
- compra ou locação de imóvel destinado ao atendimento das finalidades precípuas da
administração (Art. 24, X): tal situação passou a ser considerada, formalmente, hipótese de
inexigibilidade de licitação;
- contratação de remanescente de obra, serviço ou fornecimento, em consequência de
rescisão contratual (Lei 8.666, Art. 24, XI): agora, a Administração poderá simplesmente convocar
o próximo licitante da lista de classificados para celebrar o contrato (Lei 14.133, art. 90, §7º);
- contratação de fornecimento de energia elétrica e gás natural (Lei 8.666, Art. 24, XXII): de
toda forma, parte da doutrina já defendia o enquadramento deste caso no conceito de
inexigibilidade de licitação;
- contratação de organizações sociais, para atividades contempladas no contrato de gestão
(Art. 24, XXIV): considerando que não eram contratos administrativos propriamente ditos, bem
como o entendimento do STF constante da ADI 1.923;
- construção de estabelecimentos penais (Lei 8.666, Art. 24, XXXV).
Licitação dispensada
INCIDÊNCIA EM PROVA: BAIXA
Nas hipóteses estudadas a seguir, o legislador estabeleceu uma única conduta ao administrador
público: a não realização de licitação.
Todos os casos comentados nesta seção dizem respeito à alienação de bens, dominicais45, sendo
a alienação de bens imóveis tratada no inciso I do art. 76 a seguir e, no inciso II do mesmo artigo,
as hipóteses de dispensa que tem por objeto a alienação de bens móveis.
Antes, porém de avançar, notem que a alienação destes bens, ainda que realizada mediante
dispensa, como regra geral exige (art. 76, caput e incisos I e II):
45
Bens públicos dominicais (ou dominiais) são aqueles que, apesar de integram o patrimônio público,
não possuem uma destinação pública definida.
autorização legislativa -
avaliação prévia avaliação prévia
interesse público devidamente justificado interesse público devidamente justificado
A partir do diagrama acima, quero chamar a atenção para um detalhe: a despeito de, em regra,
se exigir autorização legislativa para alienação de bens imóveis, há dois casos em que esta não
será necessária. São as alienações de imóveis provenientes de (i) dação em pagamento46 ou (ii)
procedimentos judiciais47 (art. 76, § 1º). Para estas, embora se exija licitação na modalidade leilão,
a autorização legislativa não se faz necessária.
46
Dação em Pagamento, em síntese, diz respeito à situação em que o particular dá bens imóveis ao
poder público como forma de quitar dívidas.
47
Neste caso são bens imóveis oriundos de processos judiciais, como nos casos em que o particular teve
seu patrimônio executado para pagamento de dívidas com o Estado.
48
Art. 76, § 5º Entende-se por investidura, para os fins desta Lei, a:
A partir do rol acima, reparem que, na alienação de imóveis residenciais, não houve limitação de
área (alínea ‘f’), sendo que para imóveis comerciais estabeleceu-se um máximo de 250 m2 (alínea
‘g’).
Seguindo adiante, além da hipótese estabelecida na alínea ‘h’ acima, destaco que a Administração
poderá conceder (i) título de propriedade ou (ii) direito real de uso de imóveis sem licitação
quando a utilização do imóvel se destinar a (art. 76, §3º):
I – alienação, ao proprietário de imóvel lindeiro, de área remanescente ou resultante de obra pública que
se tornar inaproveitável isoladamente, por preço que não seja inferior ao da avaliação nem superior a
50% (cinquenta por cento) do valor máximo permitido para dispensa de licitação de bens e serviços
previsto nesta Lei;
II – alienação, ao legítimo possuidor direto ou, na falta dele, ao poder público, de imóvel para fins
residenciais construído em núcleo urbano anexo a usina hidrelétrica, desde que considerado dispensável
na fase de operação da usina e que não integre a categoria de bens reversíveis ao final da concessão.
Art. 76, § 3º, I – outro órgão ou entidade da Administração Pública, qualquer que
seja a localização do imóvel;
II - pessoa natural que, nos termos de lei, regulamento ou ato normativo do órgão
competente, haja implementado os requisitos mínimos de cultura, de ocupação
mansa e pacífica e de exploração direta sobre área rural, observado o limite de
que trata o § 1º do art. 6º da Lei nº 11.952, de 25 de junho de 200949.
No que se refere à dação em pagamento de bens imóveis, mencionada na alínea ‘a’ acima, lembro
que aqui é o Estado quem dá o imóvel em pagamento (licitação dispensada)! Diferentemente seria
se o Estado tivesse recebido o imóvel em pagamento a um particular, aí haveria o dever de licitar
a alienação deste imóvel por meio do leilão (embora se dispense a autorização legislativa – art. 76,
§1º).
Já no que diz respeito à doação de bens imóveis, mencionada na alínea ‘b’ acima, o § 2º do mesmo
artigo dispõe que, cessadas as razões que justificaram sua doação, os bens anteriormente doados
reverterão ao patrimônio da pessoa jurídica doadora, vedada sua alienação pelo beneficiário.
Por falar em doação, importante destacar que, se houver o estabelecimento de encargo50, ela
deverá ser licitada. Tal licitação, todavia, será dispensada no caso de interesse público
devidamente justificado (art. 76, §6º).
----
Adiante as dispensas para alienação de bens móveis:
49
Neste segundo caso, será dispensada a autorização legislativa nas situações arroladas no art. 76,
§4º, da Lei 14.133.
50
Doação com encargo consiste na doação que é acompanhada de uma contrapartida a cargo daquele
que recebeu o bem (exemplo: doação de uma gleba de terra em que o donatário deverá construir uma
escola).
Antes de encerrar este tópico, destaco que, em junho de 2019, o STF 51 considerou que a venda
de subsidiárias de estatais não requer realização de licitação (nem mesmo autorização legislativa).
A alienação das empresas-matrizes, por outro lado, continua demandando prévio procedimento
licitatório (e também autorização legislativa).
51
STF - ADI 5624. Rel. Ricardo Lewandowski. Julgamento: 6/6/2019
Imagine, por exemplo, a construção de uma grande ponte, com elevada complexidade,
em que três empresas de “médio porte” se unem para participarem da licitação e, caso
sejam vencedoras, executarem o contrato.
Reparem que, individualmente, cada uma seria incapaz de construir a ponte. Mas,
“somando suas forças”, o consórcio destas empresas seria plenamente capaz.
A regra geral é a possibilidade de participação de consórcios nas licitações. Caso o poder público
decida não permitir, esta vedação deverá constar do edital da licitação:
Note que, no silêncio do edital, vale a regra geral que é a possibilidade de participação do
Consórcio. Este ponto foi cobrado na seguinte questão:
Cebraspe/CNJ
Nas licitações públicas, a participação de pessoa jurídica em consórcio depende de autorização
expressa no edital do certame.
Comentário
Gabarito (E), visto que o edital não precisa permitir expressamente a participação de consórcios.
A própria Lei já permite a participação do consórcio:
Art. 15. Salvo vedação devidamente justificada no processo licitatório, pessoa jurídica poderá
participar de licitação em consórcio,
52
A Lei 6.404/1976 (aplicável a empresas constituídas na forma de sociedades anônimas) indica que
consórcio consiste na associação temporária entre duas ou empresas, sem possuir personalidade
jurídica própria, destinado à execução de determinado empreendimento.
Além disso, o art. 15 da Lei 14.133/2021 prevê algumas regras a serem observadas nestas
licitações, especialmente as seguintes:
✓ Deverá existir um compromisso (público ou particular) de constituição de consórcio,
subscrito pelos consorciados
✓ É necessário que se indique, em cada consórcio, qual das empresas assumirá sua liderança
(chamada de “empresa líder”)
✓ Durante a licitação, cada empresa somente pode participar de um único consórcio
✓ Cada empresa responde solidariamente pelos atos praticados em consórcio (tanto na fase
de licitação quanto na de execução do contrato)
✓ Para fins de habilitação, é permitido o somatório dos atestados individuais de cada empresa
consorciada
Nesta situação, o 1º colocado perderá a preferência que detinha para ser contratado (art. 90,
caput, parte final) e a Administração poderá aplicar-lhe uma sanção prevista na Lei 14.133 (a
exemplo da multa) e, até mesmo, reter a garantia de proposta, caso tenha sido prestada, conforme
indica o art. 90, §5º.
Isto porque considera-se que a proposta ofertada pelo licitante representa, para si, um
compromisso assumido de fornecer os bens ou prestar os serviços naquelas condições. Portanto,
diante deste descumprimento de obrigação, o licitante estará sujeito a uma sanção.
53
A Lei 8.666/1993 previa também a possibilidade de revogação da licitação, o que não mais se encontra
expresso na Lei 14.133/2021.
Vejam que aqui temos outra novidade da Lei 14.133/2021. Sob o regramento da Lei 8.666, era
possível convocar os próximos colocados, mas, para serem contratados, estes teriam que aceitar
honrar a proposta do 1º colocado. Ou seja, pela Lei 8.666/1993, a Administração não admitia
pagar a mais do que a proposta do 1º colocado, sendo que isto passa a ser possível pela nova lei.
Portanto, pela nova Lei, a Administração irá indagar se é do interesse dos próximos colocados,
celebrar o respectivo contrato, embora não tenham sido os vencedores da licitação. Inicialmente,
ela irá buscar alguém que aceite os termos do 1º colocado, mas, se não conseguir, poderá
contratar outros colocados por valor superior ao ofertado pelo 1º colocado ou, ainda, por valor
proposto pelos demais colocados.
----
Antes de encerrar este tópico, vale frisar outra diferença importante entre a Lei 14.133 e a Lei
8.666, a respeito da contratação do remanescente de obra, serviço ou fornecimento.
Pela Lei 8.666, caso uma empresa rescindisse o contrato sem concluir 100% de sua execução, a
Administração estaria autorizar a contratar diretamente os próximos licitantes, por meio de uma
hipótese de dispensa de licitação (Lei 8.666, Art. 24, XI).
Pela nova lei, para facilitar, a Administração poderá simplesmente convocar o próximo licitante da
lista de classificados para celebrar o contrato (Lei 14.133, art. 90, §7º), sem ter que lançar mão de
um processo de dispensa de licitação:
RECURSOS
INCIDÊNCIA EM PROVA: BAIXÍSSIMA
A NLL, em seu art. 165, prevê dois instrumentos para que os interessados submetam os atos de
licitações e contratos a uma reavaliação administrativa.
Após a leitura atenta dos dispositivos, podemos assim sintetizar estes instrumentos:
ato que decida pedido de pré-
qualificação de interessado ou de
inscrição em registro cadastral
advertência
Por fim, uma diferença importante em relação à Lei 8.666 é que, na nova lei, o recurso e o pedido
de reconsideração terão efeito suspensivo (art. 168).
detenção de 2 a 3
Violação de sigilo de proposta em licitação (Devassar o sigilo de proposta CP, art.
anos
apresentada em licitação ou proporcionar a terceiro o ensejo de devassá-lo) 337-J
+ multa
reclusão de 3 a 5 anos
Afastamento de licitante (Afastar ou tentar afastar licitante por meio de + multa CP, art.
violência, grave ameaça, fraude ou oferecimento de vantagem de qualquer tipo) (fora a conduta de 337-K
violência)
Fraude em licitação ou contrato, por meio de:
- entrega de mercadoria ou serviços com qualidade ou quantidade;
fornecimento, como verdadeira ou perfeita, de mercadoria falsificada,
deteriorada, inservível para consumo ou com prazo de validade vencido;
reclusão de 4 a 8 anos CP, art.
- entrega de uma mercadoria por outra;
+ multa 337-L
- alteração da substância, qualidade ou quantidade da mercadoria ou do serviço
fornecido;
- qualquer meio fraudulento que torne injustamente mais onerosa para a
Administração Pública a proposta ou a execução do contrato)
Admitir à licitação empresa ou profissional inidôneo reclusão de 1 a 3 anos
CONCLUSÃO
Bem, pessoal,
Desta aula destaco especialmente as hipóteses de dispensa e inexigibilidade. Vamos compreender
e decorar todos estes casos, que certamente serão exigidos em provas!
Seguem, adiante, um breve resumo e questões comentadas sobre o tema.
Espero que gostem =)
@professordaud
RESUMO
Fases da licitação:
Contratação direta:
Licitação
dispensável art. 75
(discricionário)
dispensa Rol taxativo
Contratação
direta
Inexigibilidade art. 74
Rol
inviabilidade de exemplificativo
competição
QUESTÕES COMENTADAS
1. Cebraspe/TRF 6/ Analista - 2025
A contratação direta para a aquisição de materiais é autorizada em caso de inviabilidade de
competição e, nessa hipótese, deverá ser instruída com documento idôneo que comprove que o
objeto é fornecido por produtor, empresa ou representante comercial exclusivo, sendo vedada a
preferência por marca específica.
Comentários:
O item está correto, conforme prevê o Art. 74, inciso I e § 1º, da Lei 14.133/2021:
Lei 14.133/2021, Art. 74. É inexigível a licitação quando inviável a competição,
em especial nos casos de:
I - Aquisição de materiais, de equipamentos ou de gêneros ou contratação de
serviços que só possam ser fornecidos por produtor, empresa ou representante
comercial exclusivos; (..)
§ 1º Para fins do disposto no inciso I do caput deste artigo, a Administração
deverá demonstrar a inviabilidade de competição mediante atestado de
exclusividade, contrato de exclusividade, declaração do fabricante ou outro
documento idôneo capaz de comprovar que o objeto é fornecido ou prestado
por produtor, empresa ou representante comercial exclusivos, vedada a
preferência por marca específica.
Gabarito (Certo)
2. Cebraspe – PC DF/Agente Administrativo - 2025
É inexigível a licitação nos casos de guerra, estado de defesa, estado de sítio, intervenção federal
ou de grave perturbação da ordem.
Comentários:
O item está incorreto, pois são hipóteses de licitação dispensável os casos de guerra, estado de
defesa, estado de sítio, intervenção federal ou de grave perturbação da ordem:
Lei 14.133/2021, Art. 75 - É dispensável a licitação: (..)
VII - nos casos de guerra, estado de defesa, estado de sítio, intervenção federal
ou de grave perturbação da ordem;
Gabarito (Errado)
3. Cebraspe – PC DF/Agente Administrativo - 2025
Na hipótese de dispensa de licitação em razão de valor, a administração pública pode substituir o
contrato por outro instrumento hábil.
Comentários:
O item está correto, conforme prevê o Art. 95, inciso I, da Lei 14.133/2021:
Gabarito (Certo)
6. CEBRASPE/TSE/2024
A licitação será dispensável para a aquisição de materiais ou contratação de serviços que só
possam ser fornecidos por produtor, empresa ou representante comercial exclusivos, já que é
inviável a competição.
Comentários:
O item está incorreto, pois no caso de fornecimento por produtor, empresa ou representante
comercial exclusivos, a licitação é inexigível, e não dispensável:
Lei 14.133/21, Art. 74 - É inexigível a licitação quando inviável a competição, em
especial nos casos de:
I - Aquisição de materiais, de equipamentos ou de gêneros ou contratação de
serviços que só possam ser fornecidos por produtor, empresa ou representante
comercial exclusivos:
Gabarito (Errado)
7. CEBRASPE/ANTT-2024
Cabe contratação direta de fornecedor da administração pública, mediante dispensa de licitação,
quando a competição for inviável para o objeto do contrato.
Comentários:
Questão incorreta, quando a competição for inviável para o objeto do contrato, cabe contratação
direta mediante inexigibilidade de licitação. Consoante definição de Maria Sylvia Zanella Di
Pietro1, “não há possibilidade de competição, porque só existe um objeto ou uma pessoa que
atenda às necessidades da Administração; a licitação é, portanto, inviável”.
Gabarito (E)
8. CEBRASPE/CGE-RJ - 2024
A concorrência e o pregão seguem o rito procedimental comum do processo de licitação,
adotando-se o pregão quando o objeto tiver padrões de desempenho e qualidade
objetivamente definíveis por edital.
Comentários:
Questão correta, conforme disposição do art. 29 da Lei nº 14.133/2021:
Art. 29. A concorrência e o pregão seguem o rito procedimental comum a que se
refere o art. 17 [fases do processo de licitação] desta Lei, adotando-se o pregão
sempre que o objeto possuir padrões de desempenho e qualidade que possam ser
objetivamente definidos pelo edital, por meio de especificações usuais de mercado.
Ademais, o rito procedimental comum citado no art. 17 da NLLC é ilustrado através do esquema
abaixo:
1
DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. Ed. GenMétodo. 31ª ed. 2018. eBook. Tópico 9.5
Gabarito (C)
9. CEBRASPE/CNPQ - 2024
Ainda que não tenha ocorrido fato superveniente, a autoridade competente poderá revogar o
processo licitatório por conveniência e oportunidade.
Comentários:
O processo licitatório possui regras diferenciadas dos outros atos administrativos, de modo que a
revogação do processo licitatório só pode ocorrer em virtude de fato superveniente
devidamente comprovado, por força do art. 71 da NLLC:
Lei nº 14.133/2021, Art. 71. Encerradas as fases de julgamento e habilitação, e
exauridos os recursos administrativos, o processo licitatório será encaminhado à
autoridade superior, que poderá:
II - revogar a licitação por motivo de conveniência e oportunidade;
§ 2º O motivo determinante para a revogação do processo licitatório deverá ser
resultante de fato superveniente devidamente comprovado.
Gabarito (E)
10. CEBRASPE/CNPQ - 2024
O estudo técnico preliminar deve trazer a descrição de possíveis impactos ambientais do objeto
junto às respectivas medidas mitigadoras.
Comentários:
Nos termos da Lei nº 14.133/2021:
Art. 18, § 1º O estudo técnico preliminar a que se refere o inciso I do caput deste
artigo deverá evidenciar o problema a ser resolvido e a sua melhor solução, de modo
a permitir a avaliação da viabilidade técnica e econômica da contratação, e conterá os
seguintes elementos:
De acordo com a Lei n.º 14.133/2021, assinale a opção correta, no que diz respeito ao objeto de
licitação.
(A) É obrigatória a adoção do princípio do parcelamento do objeto.
(B) Nos casos de necessidade de padronização do objeto, é possível indicar uma ou mais marcas
ou modelos de produtos, desde que essa indicação seja formalmente justificada.
(C) É vedada a contratação de mais de uma empresa ou instituição para executar o mesmo
serviço.
(D) Os atestados exigidos para avaliação de habilitação técnica durante licitação para contratação
de serviços devem exigir a totalidade do escopo descrito no objeto.
(E) É inexigível a licitação para contratação que envolva valores inferiores a R$ 100.000,00.
Comentários:
A alternativa (A) está incorreta. Nos termos da lei, o parcelamento do objeto não será sempre
obrigatório, sendo aplicável somente nos casos em que seja vantajoso economicamente e viável
tecnicamente, conforme art. 40, V, “b”, da Lei 14.133/2021:
Art. 40. O planejamento de compras deverá considerar a expectativa de consumo
anual e observar o seguinte:
V - atendimento aos princípios:
b) do parcelamento, quando for tecnicamente viável e economicamente vantajoso;
A alternativa (B) está correta. Nas licitações de fornecimento de bens, o poder público poderá,
excepcionalmente, indicar marcas formalmente justificadas e em decorrência de necessidade de
padronização do objeto:
Art. 41. No caso de licitação que envolva o fornecimento de bens, a Administração
poderá excepcionalmente:
I - indicar uma ou mais marcas ou modelos, desde que formalmente justificado, nas
seguintes hipóteses:
a) em decorrência da necessidade de padronização do objeto;
A alternativa (C) está incorreta. O art. 49 da Lei 14.133/2021 prevê hipótese autorizativa da
contratação de mais de uma empresa para execução do mesmo serviço:
Art. 49. A Administração poderá, mediante justificativa expressa, contratar mais de
uma empresa ou instituição para executar o mesmo serviço, desde que essa
contratação não implique perda de economia de escala, quando:
I - o objeto da contratação puder ser executado de forma concorrente e simultânea
por mais de um contratado; e
II - a múltipla execução for conveniente para atender à Administração.
Parágrafo único. Na hipótese prevista no caput deste artigo, a Administração deverá
manter o controle individualizado da execução do objeto contratual relativamente a
cada um dos contratados.
A alternativa (D) está incorreta. Os atestados exigidos não devem abordar todo o escopo da
licitação, mas somente as parcelas de maior relevância ou valor significativo, conforme art. 67, §
1º:
Art. 67, § 1º A exigência de atestados será restrita às parcelas de maior relevância ou
valor significativo do objeto da licitação, assim consideradas as que tenham valor
individual igual ou superior a 4% (quatro por cento) do valor total estimado da
contratação.
A alternativa (E) está incorreta. A hipótese é de dispensa da licitação, não inexigibilidade:
Art. 75. É dispensável a licitação:
I - para contratação que envolva valores inferiores a R$ 100.000,00 (cem mil reais), no
caso de obras e serviços de engenharia ou de serviços de manutenção de veículos
automotores;
Gabarito (B)
17. CEBRASPE/TJDFT - Juiz de Direito Substituto - 2023
A respeito do encerramento da licitação nos termos estabelecidos pela Lei n.º 14.133/2021,
julgue os itens a seguir.
I - É possível a revogação da licitação por motivos de conveniência e oportunidade, desde que
resultantes de fato superveniente devidamente comprovado.
II - Para a anulação da licitação, quando presente legalidade insanável, dispensa-se a
manifestação prévia dos interessados.
III - A anulação da licitação pode ser promovida de ofício pela administração pública, não
estando condicionada à provocação de terceiros.
Assinale a opção correta.
(A) Apenas o item I está certo.
(B) Apenas o item II está certo.
(C) Apenas os itens I e III estão certos.
(D) Apenas os itens II e III estão certos.
(E) Todos os itens estão certos.
Comentários:
O item I está correto, pois a licitação realmente poderá ser revogada, por motivo de
conveniência e oportunidade, desde que em razão de motivo superveniente:
Art. 71. Encerradas as fases de julgamento e habilitação, e exauridos os recursos
administrativos, o processo licitatório será encaminhado à autoridade superior, que
poderá: (..)
II - revogar a licitação por motivo de conveniência e oportunidade; (..)
§ 2º O motivo determinante para a revogação do processo licitatório deverá ser
resultante de fato superveniente devidamente comprovado.
O item II está incorreto. Inicialmente, a anulação dá-se por ilegalidade insanável, não por
legalidade insanável. Além disso, o contraditório dos interessados é requisito indispensável para
sua anulação:
Art. 71, III - proceder à anulação da licitação, de ofício ou mediante provocação de
terceiros, sempre que presente ilegalidade insanável;
§ 3º Nos casos de anulação e revogação, deverá ser assegurada a prévia manifestação
dos interessados.
O item III está correto, pois a anulação da licitação pode ocorrer também de ofício, não somente
por provocação (art. 71, III).
Gabarito (C)
18. CEBRASPE/PGE-RR - Procurador - 2023
Segundo estabelece a Lei n.º 14.133/2021, quando o licitante vencedor não contratar e os
remanescentes não aceitarem a contratação nas mesmas condições propostas pelo vencedor,
caberá à administração declarar o processo deserto.
Comentários:
O item está incorreto. Em primeiro lugar, a licitação deserta se configura quando nenhum
interessado aparece para se inscrever, o que não é o caso da questão, em que houve até mesmo
um licitante vencedor.
Além disso, neste caso, o poder público poderá convocar os licitantes remanescentes para
negociação, mesmo que acima do preço do licitante vencedor e, mesmo que tal negociação seja
frustrada, poderá contratar com um licitante remanescente, sob as condições por ele ofertadas,
para não "perder" a licitação:
Art. 90, § 2º Será facultado à Administração, quando o convocado não assinar o termo
de contrato ou não aceitar ou não retirar o instrumento equivalente no prazo e nas
condições estabelecidas, convocar os licitantes remanescentes, na ordem de
classificação, para a celebração do contrato nas condições propostas pelo licitante
vencedor. (..)
§ 4º Na hipótese de nenhum dos licitantes aceitar a contratação nos termos do § 2º
deste artigo, a Administração, observados o valor estimado e sua eventual atualização
nos termos do edital, poderá:
I - convocar os licitantes remanescentes para negociação, na ordem de classificação,
com vistas à obtenção de preço melhor, mesmo que acima do preço do adjudicatário;
II - adjudicar e celebrar o contrato nas condições ofertadas pelos licitantes
remanescentes, atendida a ordem classificatória, quando frustrada a negociação de
melhor condição.
Gabarito (E)
19. CEBRASPE/CNMP - Analista - Tecnologia da Informação e Comunicação - Suporte e
Infraestrutura - 2023
O interessado que, convocado dentro do prazo de validade da proposta para a contratação de
bens e serviços, não celebrar o contrato ou apresentar documentação falsa exigida para o
certame ficará impedido de licitar e contratar com a administração pública pelo prazo de até oito
anos.
Comentários:
De fato, configuram infrações ao contrato administrativo ambas as hipóteses elencadas no
enunciado da questão:
Art. 155. O licitante ou o contratado será responsabilizado administrativamente pelas
seguintes infrações: (..)
VI - não celebrar o contrato ou não entregar a documentação exigida para a
contratação, quando convocado dentro do prazo de validade de sua proposta;
VIII - apresentar declaração ou documentação falsa exigida para o certame ou prestar
declaração falsa durante a licitação ou a execução do contrato;
De toda forma, o erro no enunciado diz respeito ao prazo, visto que a sanção de impedimento de
licitar e contratar que o impedirá de licitar ou contratar com a administração pelo prazo máximo
de 3 anos (art. 156, §4º).
Gabarito (E)
20. CEBRASPE/TCE-SC - 2022
É inexigível, nos termos da Lei n.º 14.133/2021, a licitação para contratação que envolva valores
inferiores a R$ 100.000,00 (cem mil reais), no caso de obras e serviços de engenharia ou de
serviços de manutenção de veículos automotores.
Comentários:
O item está incorreto, pois trata-se de licitação dispensável (art. 75, I), e não inexigível.
Aproveito para lembrar que o Decreto 11.317/2022 atualizou esse valor para R$ 114.416,65.
Contudo, essa atualização não se aplicava para o concurso relativo a esta questão.
Gabarito (E)
21. CEBRASPE/TCE-RJ – Auditor - 2021
Não sendo caso de interesse público devidamente justificado, a doação com encargo deverá ser
licitada, constando de seu instrumento, obrigatoriamente, os encargos, o prazo de seu
cumprimento e cláusula de reversão, sob pena de nulidade do ato.
Comentários:
Mesmo se examinarmos esta questão à luz da Lei 14.133/2021, o gabarito seria correto, em
virtude de a nova lei replicar regra que constava da Lei 8.666/1993.
Assim, em uma doação, se houver o estabelecimento de encargo2 ao donatário, em regra ela
deverá ser licitada. Tal licitação, todavia, será dispensada no caso de interesse público
devidamente justificado:
Art. 76, § 6º A doação com encargo será licitada e de seu instrumento constarão,
obrigatoriamente, os encargos, o prazo de seu cumprimento e a cláusula de reversão,
2
Doação com encargo consiste na doação que é acompanhada de uma contrapartida a cargo daquele que recebeu o bem
(exemplo: doação de uma gleba de terra em que o donatário deverá construir uma escola).
Comentários:
A única alternativa que possui conexão com a inexigibilidade de licitação é a letra (B), que
refere-se a situações em que há inviabilidade de competição.
Aproveito para ressaltar que as alternativas (A), (C) e (E) dizem respeito a hipóteses de dispensa
de licitação, previstas no art. 75 da NLL, em que em tese há viabilidade de competição, mas o
legislador decidiu excepcionar o dever de licitar:
Art. 75, IV, j) coleta, processamento e comercialização de resíduos sólidos urbanos
recicláveis ou reutilizáveis, em áreas com sistema de coleta seletiva de lixo, realizados
por associações ou cooperativas formadas exclusivamente de pessoas físicas de baixa
renda reconhecidas pelo poder público como catadores de materiais recicláveis, com
o uso de equipamentos compatíveis com as normas técnicas, ambientais e de saúde
pública; (..)
a) bens, componentes ou peças de origem nacional ou estrangeira necessários à
manutenção de equipamentos, a serem adquiridos do fornecedor original desses
equipamentos durante o período de garantia técnica, quando essa condição de
exclusividade for indispensável para a vigência da garantia;
g) materiais de uso das Forças Armadas, com exceção de materiais de uso pessoal e
administrativo, quando houver necessidade de manter a padronização requerida pela
estrutura de apoio logístico dos meios navais, aéreos e terrestres, mediante
autorização por ato do comandante da força militar;
Gabarito (B)
26. CEBRASPE/MPE-PI – Técnico Ministerial – Área Administrativa - 2018
Considerando que seis geradores de energia do parque tecnológico de determinado órgão
estejam inoperantes, julgue o próximo item, acerca de inventário, alteração, baixa e controle de
bens.
A doação desses geradores para estabelecimentos assistenciais de saúde geridas por
organizações da sociedade civil de interesse público poderá ser realizada sem licitação.
Comentários:
A questão aborda a necessidade ou não de realização de licitação para a doação de bens móveis
(geradores). Neste caso, quando a finalidade da doação for o interesse social (neste caso
assistência à saúde), a licitação estará dispensada:
Lei 14.133, art. 76, II - tratando-se de bens móveis, dependerá de licitação na
modalidade leilão, dispensada a realização de licitação nos casos de:
a) doação, permitida exclusivamente para fins e uso de interesse social, após avaliação
de oportunidade e conveniência socioeconômica em relação à escolha de outra forma
de alienação;
Esta mesma hipótese de licitação dispensada já existia sob a égide da Lei 8.666/1993 (art. 17, II,
‘a’).
Gabarito (C)
27. CEBRASPE/MPE-PI – Técnico Ministerial – Área Administrativa - 2018
Gabarito (E)
Neste caso, se houver a rescisão de um contrato celebrado após procedimento licitatório, será
possível que se convoque os demais licitantes para a contratação do remanescente daquela obra
(art. 90, §7º), não mais sendo necessário realizar uma dispensa de licitação.
Gabarito (E)
33. CEBRASPE/PC-MA – Delegado de Polícia Civil – 2018
Considerando que, iniciado procedimento licitatório voltado à aquisição de determinados bens
de interesse do estado do Maranhão, não tenham aparecido interessados em participar do
referido certame, assinale a opção correta de acordo com a legislação pertinente.
(A) A falta de interessados no procedimento licitatório é causa de inexigibilidade de licitação, o
que possibilita a contratação direta pela administração pública, inclusive com a alteração das
condições básicas anteriormente estabelecidas.
(B) A falta de interessados no procedimento licitatório é causa de dispensa de licitação, quando
tal procedimento tiver sido realizado há menos de 1 (um) ano.
(C) A frustração do procedimento licitatório impõe a alteração das condições preestabelecidas no
instrumento convocatório, de modo a atrair interessados em nova licitação.
(D) A despeito da falta de interessados no referido certame licitatório, novo processo licitatório
deverá ser realizado, sob pena de burla à obrigatoriedade de realização de licitação para as
contratações públicas.
(E) Mantido o interesse na contratação, a frustração do procedimento licitatório impõe a
contratação direta pela administração pública, não havendo de se falar em burla à
obrigatoriedade de realização de licitação.
Comentários:
Se o ente público estadual promove uma licitação e nenhum interessado comparece, estaremos
diante de licitação deserta.
Nesta situação, se a licitação tiver sido realizada há menos de 1 ano, é possível a contratação
direta mediante dispensa de licitação:
Art. 75, III - para contratação que mantenha todas as condições definidas em edital de
licitação realizada há menos de 1 (um) ano, quando se verificar que naquela licitação:
a) não surgiram licitantes interessados ou não foram apresentadas propostas válidas;
b) as propostas apresentadas consignaram preços manifestamente superiores aos
praticados no mercado ou incompatíveis com os fixados pelos órgãos oficiais
competentes;
Assim, a letra (b) está correta. Aproveito para lembrar que tal hipótese consiste em dispensa de
licitação, não se confundindo com inexigibilidade, tornando a letra (a) está incorreta.
Por fim, a letra (e) está incorreta, pois não há tal “imposição”. A dispensa é mera faculdade do
gestor, tendo lugar desde que a licitação não possa ser realizada sem prejuízo à Administração.
Gabarito (B)
34. CEBRASPE/TCE-PB – Agente de Documentação – 2018
(C) leilão.
(D) concorrência.
(E) tomada de preço.
Comentários:
Imagine aí se, na contratação deste artista consagrado, seria viável a realização de um
procedimento competitivo? A resposta é negativa, não é mesmo.
Neste caso, aplica-se a hipótese de inexigibilidade de licitação prevista no inciso II do art. 74 da
NLL:
Art. 74. É inexigível a licitação quando inviável a competição, em especial nos casos
de: (..)
II - contratação de profissional do setor artístico, diretamente ou por meio de
==48e4e3==
empresário exclusivo, desde que consagrado pela crítica especializada ou pela opinião
pública;
Tal situação não se confunde com a “dispensa de licitação”, em que há um afastamento do dever
de licitar por uma decisão do legislador, motivo pelo qual a letra (b) está incorreta.
Gabarito (A)
37. CEBRASPE/SECONT-ES – Auditor - 2022
A lei prevê, em regra, sete etapas sequenciais do processo de licitação, o qual se inicia na fase
preparatória e se encerra na fase de homologação.
Comentários:
É isso mesmo, o item quantifica e descreve corretamente a sequência de passos de uma licitação:
Art. 17. O processo de licitação observará as seguintes fases, em sequência:
I - preparatória;
II - de divulgação do edital de licitação;
III - de apresentação de propostas e lances, quando for o caso;
IV - de julgamento;
V - de habilitação;
VI - recursal;
VII - de homologação.
Gabarito (C)
38. CEBRASPE/SECONT-ES – Auditor - 2022
Na fase de habilitação de um processo licitatório, o órgão licitante poderá realizar a avaliação da
conformidade da proposta para comprovar a aderência às especificações definidas no termo de
referência ou no projeto básico, desde que previsto em edital.
Comentários:
O item está incorreto por um único detalhe: tal avaliação ocorre na etapa de julgamento (e não
de habilitação):
Art. 17, § 3º Desde que previsto no edital, na fase a que se refere o inciso IV do caput
deste artigo [fase de julgamento], o órgão ou entidade licitante poderá, em relação ao
licitante provisoriamente vencedor, realizar análise e avaliação da conformidade da
proposta, mediante homologação de amostras, exame de conformidade e prova de
conceito, entre outros testes de interesse da Administração, de modo a comprovar sua
aderência às especificações definidas no termo de referência ou no projeto básico.
Gabarito (E)
39. CEBRASPE/SECONT-ES – Auditor - 2022
A designação de agentes públicos para o desempenho das funções essenciais à execução da lei
em referência caberá à autoridade máxima do órgão ou da entidade, que, entre outros critérios,
indicará, necessariamente, servidor efetivo ou empregado público dos quadros permanentes da
administração pública para desempenhar as referidas funções.
Comentários:
Não é obrigatório que todos os agentes que atuam em uma licitação e na execução de um
contrato sejam servidores efetivos/empregados dos quadros permanentes, pois trata-se de mera
recomendação:
Art. 7º Caberá à autoridade máxima do órgão ou da entidade, ou a quem as normas
de organização administrativa indicarem, promover gestão por competências e
designar agentes públicos para o desempenho das funções essenciais à execução
desta Lei que preencham os seguintes requisitos:
I - sejam, preferencialmente, servidor efetivo ou empregado público dos quadros
permanentes da Administração Pública;
Diferentemente desta regra geral, o agente de contratação (que é aquele que conduz uma
licitação) deve ser obrigatoriamente designado a partir de servidores efetivos ou empregados
públicos dos quadros permanentes da Administração Pública (art. 8º).
Gabarito (E)
40. CEBRASPE/SECONT-ES – Auditor - 2022
Em atenção ao princípio da vinculação ao edital, as propostas que contiverem vícios, ainda que
sanáveis, serão desclassificadas na fase de julgamento do processo de licitação.
Comentários:
Serão desclassificadas as propostas que contiverem vícios insanáveis. Havendo vícios meramente
sanáveis, deverá ser buscado inicialmente o saneamento do vício:
Art. 59. Serão desclassificadas as propostas que:
I - contiverem vícios insanáveis;
II - não obedecerem às especificações técnicas pormenorizadas no edital;
III - apresentarem preços inexequíveis ou permanecerem acima do orçamento
estimado para a contratação;
Gabarito (E)
45. CEBRASPE/TCU – Auditor Federal de Controle Externo – 2015 (adaptada)
Qualquer pessoa é parte legítima para impugnar edital de licitação por irregularidade na
aplicação da lei, devendo a administração pública, caso a impugnação seja protocolada no prazo
da lei, julgá-la e respondê-la em até três dias úteis.
Comentários:
Como forma de possibilitar o controle social, a NLL faculta a qualquer pessoa a apresentar
impugnação ao edital de licitação, caso seja detectada alguma irregularidade. Para isto, a pessoa
deverá protocolar seu pedido de impugnação até 3 dias úteis antes da data fixada para a
abertura do certame, devendo a Administração julgar e responder o pedido em até 3 dias úteis,
limitado ao último dia útil anterior à data da abertura do certame (art. 164, p.u.).
Gabarito (C)
46. CEBRASPE/SECONT-ES – Auditor - 2022
Na contratação de serviço terceirizado, especialmente no que se refere à definição das cláusulas
de nível de serviço (SLA), a Lei n.º 14.133/2021 prevê que a administração pública defina formas
de pagamento mediante exclusivo reembolso dos salários pagos, de modo a garantir o equilíbrio
financeiro entre as partes.
Comentários:
Pelo contrário, visto que é vedado estabelecer como método de pagamento exclusivamente o
reembolso dos salários pagos, pois seria uma prática que estimularia a ineficiência por parte da
empresa contratada:
Art. 48 - Poderão ser objeto de execução por terceiros as atividades materiais
acessórias, instrumentais ou complementares aos assuntos que constituam área de
competência legal do órgão ou da entidade, vedado à Administração ou a seus
agentes, na contratação do serviço terceirizado:
I - indicar pessoas expressamente nominadas para executar direta ou indiretamente o
objeto contratado;
II - fixar salário inferior ao definido em lei ou em ato normativo a ser pago pelo
contratado;
III - estabelecer vínculo de subordinação com funcionário de empresa prestadora de
serviço terceirizado;
IV - definir forma de pagamento mediante exclusivo reembolso dos salários pagos;
V - demandar a funcionário de empresa prestadora de serviço terceirizado a execução
de tarefas fora do escopo do objeto da contratação;
VI - prever em edital exigências que constituam intervenção indevida da Administração
na gestão interna do contratado.
Gabarito (E)
47. CEBRASPE/TCU – Auditor Federal de Controle Externo – Tecnologia da Informação –
2015 (adaptada)
Gabarito (C)
48. CEBRASPE/TCE-PB – Auditor de Contas Públicas – Demais Áreas – 2018 (adaptada)
Na contratação de obras e serviços regidas pela Lei 14.133/2021, entende-se como empreitada
por
(A) preço global aquela que envolve o desenvolvimento do projeto executivo para a entrega final
do objeto, sem prévia estipulação do preço total.
(B) preço global aquela que envolve empreendimento em sua integralidade, por preço certo de
unidades determinadas, com todas as etapas de obras sob inteira responsabilidade da
contratada.
(C) preço global aquela que envolve todos os elementos de contornos necessários e
fundamentais à elaboração do projeto básico, na qual o preço é incerto.
(D) preço unitário aquela destinada a pequenos trabalhos por preço certo e global, com
fornecimento de material.
(E) preço unitário aquela contratação por preço certo de unidades determinadas.
Comentários:
A questão aborda definições constantes do art. 6º da nova lei de licitações.
Art. 6º, XXVIII - empreitada por preço unitário: contratação da execução da obra ou do
serviço por preço certo de unidades determinadas;
XXIX - empreitada por preço global: contratação da execução da obra ou do serviço
por preço certo e total;
LISTA DE QUESTÕES
1. Cebraspe/TRF 6/ Analista - 2025
A contratação direta para a aquisição de materiais é autorizada em caso de inviabilidade de
competição e, nessa hipótese, deverá ser instruída com documento idôneo que comprove que o
objeto é fornecido por produtor, empresa ou representante comercial exclusivo, sendo vedada a
preferência por marca específica.
2. Cebraspe – PC DF/Agente Administrativo - 2025
É inexigível a licitação nos casos de guerra, estado de defesa, estado de sítio, intervenção federal
ou de grave perturbação da ordem.
3. Cebraspe – PC DF/Agente Administrativo - 2025
Na hipótese de dispensa de licitação em razão de valor, a administração pública pode substituir o
contrato por outro instrumento hábil.
4. Cebraspe – PC DF/Agente Administrativo - 2025
No processo de licitação, em regra, devem ser observadas as seguintes fases, em sequência:
preparatória; de divulgação do edital de licitação; de apresentação de propostas e lances,
quando o for caso; de julgamento; de habilitação; recursal; e de homologação.
5. CEBRASPE/TSE/2024
O processo licitatório será dispensável para a contratação que mantenha todas as condições
definidas em edital de licitação realizada há menos de um ano, quando se verificar que naquela
licitação não tenham surgido licitantes interessados ou não tenham sido apresentadas propostas
válidas.
6. CEBRASPE/TSE/2024
A licitação será dispensável para a aquisição de materiais ou contratação de serviços que só
possam ser fornecidos por produtor, empresa ou representante comercial exclusivos, já que é
inviável a competição.
7. CEBRASPE/ANTT-2024
Cabe contratação direta de fornecedor da administração pública, mediante dispensa de licitação,
quando a competição for inviável para o objeto do contrato.
8. CEBRASPE/CGE-RJ - 2024
A concorrência e o pregão seguem o rito procedimental comum do processo de licitação,
adotando-se o pregão quando o objeto tiver padrões de desempenho e qualidade
objetivamente definíveis por edital.
9. CEBRASPE/CNPQ - 2024
Ainda que não tenha ocorrido fato superveniente, a autoridade competente poderá revogar o
processo licitatório por conveniência e oportunidade.
10. CEBRASPE/CNPQ - 2024
O estudo técnico preliminar deve trazer a descrição de possíveis impactos ambientais do objeto
junto às respectivas medidas mitigadoras.
(E) É inexigível a licitação para contratação que envolva valores inferiores a R$ 100.000,00.
17. CEBRASPE/TJDFT - Juiz de Direito Substituto - 2023
A respeito do encerramento da licitação nos termos estabelecidos pela Lei n.º 14.133/2021,
julgue os itens a seguir.
I - É possível a revogação da licitação por motivos de conveniência e oportunidade, desde que
resultantes de fato superveniente devidamente comprovado.
II - Para a anulação da licitação, quando presente legalidade insanável, dispensa-se a
manifestação prévia dos interessados.
III - A anulação da licitação pode ser promovida de ofício pela administração pública, não
estando condicionada à provocação de terceiros.
Assinale a opção correta.
(A) Apenas o item I está certo.
(B) Apenas o item II está certo.
(C) Apenas os itens I e III estão certos.
(D) Apenas os itens II e III estão certos.
(E) Todos os itens estão certos.
18. CEBRASPE/PGE-RR - Procurador - 2023
Segundo estabelece a Lei n.º 14.133/2021, quando o licitante vencedor não contratar e os
remanescentes não aceitarem a contratação nas mesmas condições propostas pelo vencedor,
caberá à administração declarar o processo deserto.
19. CEBRASPE/CNMP - Analista - Tecnologia da Informação e Comunicação - Suporte e
Infraestrutura - 2023
O interessado que, convocado dentro do prazo de validade da proposta para a contratação de
bens e serviços, não celebrar o contrato ou apresentar documentação falsa exigida para o
certame ficará impedido de licitar e contratar com a administração pública pelo prazo de até oito
anos.
20. CEBRASPE/TCE-SC - 2022
É inexigível, nos termos da Lei n.º 14.133/2021, a licitação para contratação que envolva valores
inferiores a R$ 100.000,00 (cem mil reais), no caso de obras e serviços de engenharia ou de
serviços de manutenção de veículos automotores.
21. CEBRASPE/TCE-RJ – Auditor - 2021
Não sendo caso de interesse público devidamente justificado, a doação com encargo deverá ser
licitada, constando de seu instrumento, obrigatoriamente, os encargos, o prazo de seu
cumprimento e cláusula de reversão, sob pena de nulidade do ato.
22. CEBRASPE/TCDF - Procurador - MP - 2021
Considera-se deserta a licitação em que todos os candidatos tenham inobservado os requisitos
contidos no respectivo edital.
23. CEBRASPE/MPE-CE - Técnico – 2020 (adaptada)
GABARITO
1. C 40.E
2. E 41.E
3. C 42.E
4. C 43.C
5. C 44.E
6. E 45.C
7. E 46.E
8. C 47.C
9. E 48.E
10.C
11.E
12.E
13.C
14.E
15.D
16.B
17.C
18.E
19.E
20.E
21.C
22.E
23.E
24.C
25.B
26.C
27.C
28.E
29.C
30.A
31.C
32.E
33.B
34.B
35.C
36.A
37.C
38.E
39.E