Licitações Públicas: Nova Lei 14.133/2021
Licitações Públicas: Nova Lei 14.133/2021
Antonio
Daud
UnB - Legislação e Ética na
Administração Pública - 2025 (Pós-Edital)
Autor:
Antonio Daud, Ricardo Torques,
Rodrigo Rennó, Tiago Zanolla,
Equipe Legislação Específica
Estratégia Concursos
16 de Junho de 2025
Índice
1) Licitações Públicas - Lei nº 14.133/2021 - Parte I
..............................................................................................................................................................................................3
INTRODUÇÃO
Olá, amigos (as)!
Nesta aula estudaremos o tema licitações públicas, com foco na Nova Lei de Licitações (NLL), Lei
14.133, de 1º de abril de 2021, que revogou a Lei 8.666/1993.
O tema licitações é, de fato, bastante denso e possui sua complexidade, mas está prestes a ficar
menos difícil para você do que é para seus concorrentes =)
Daremos um tratamento especial neste assunto, para “digerirmos” todas as novidades da NLL e
o emaranhado de regras e exceções inerentes à legislação sobre licitações, que certamente serão
um “prato cheio” para o Examinador.
Diante de todos estes detalhes a serem estudados, é natural o tema exigir um esforço “extra”.
Mas pense que é aqui que sua determinação em ser aprovado efetivamente será colocada à prova!
Muitos de seus concorrentes podem até desistir, mas não você!!!
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Pelo tamanho do assunto, dividimos o tema “licitações” em duas aulas. Nesta primeira, iremos
estudar aspectos introdutórios sobre a nova lei, definições, princípios, modalidades, critérios de
julgamento e, por fim, procedimentos auxiliares.
Na próxima aula, estudaremos as hipóteses de contratação direta e as fases da licitação.
Avante!
NOÇÕES GERAIS
Lembro que a principal previsão constitucional quanto à realização de licitações encontra-se assim
esculpida na Carta Magna:
Reparem que o inciso XXI acima diz respeito à celebração de contratos para (i) Compras, (ii)
Alienações, (iii) Serviços e (iv) Obras – reunidos no mnemônico C-A-S-O.
Para este grupo de contratos, a licitação é a regra, mas admite-se, excepcionalmente, a
celebração de contratos sem prévia licitação – isto é, a “contratação direta” (nos casos
especificados na legislação).
Alcance da NLL
INCIDÊNCIA EM PROVA: MÉDIA
Inicialmente, lembro que a realização ou não de licitação, como regra geral, não constitui uma
faculdade do gestor público. Isto porque a licitação decorre do princípio da indisponibilidade do
1
Além de situações específicas, como o procedimento licitatório para contratação de serviços de
publicidade (Lei 12.232/2010). Ademais, as licitações por empresas estatais encontram-se regidas pela
Lei 13.303/2016.
2 Art. 22, XXVII – normas gerais de licitação e contratação, em todas as modalidades, para as administrações
públicas diretas, autárquicas e fundacionais da União, Estados, Distrito Federal e Municípios, obedecido o disposto
no art. 37, XXI, e para as empresas públicas e sociedades de economia mista, nos termos do art. 173, § 1°, III;
Considerando, então, os termos do art. 1º da NLL, a nova lei de licitações obriga os seguintes
entes:
Administração Direta
Autarquias
Nova lei de
Fundações públicas
licitações
Fundos especiais
Demais entidades controladas direta ou indiretamente pelos entes
federativos
Tratando-se da Administração Direta, vale destacar que a nova lei alcança todos os poderes,
inclusive os Poderes Legislativo e Judiciário, quando estes estiverem no exercício da função
administrativa3.
Em relação às entidades da Administração Indireta, vale destacar que a nova lei alcança as
autarquias e fundações públicas, de direito público ou privado, mas não alcança as empresas
estatais (empresas públicas e sociedades de economia mista) e subsidiárias. Isto porque todas
estas empresas possuem regras de contratação próprias, previstas na Lei 13.303/2016 (conhecida
3 A Lei nem precisaria fazer esta ressalva, já que suas regras não teriam aplicação quando tais Poderes estiverem
no exercício das funções legislativa e jurisdicional. De toda forma, lembro que a função administrativa consiste no
conjunto de atividades do Estado que atuam concreta e diretamente (proativamente) para zelar dos interesses e
bens da coletividade, por exemplo, prestando serviços públicos, admitindo novos servidores por meio de concursos
públicos, contratando empresas.
como “Lei das Estatais”). Há, no entanto, uma exceção4! As regras quanto aos crimes relacionados
a licitações e contratos, mencionados na nova lei de licitações, também aplicam-se às empresas
estatais.
No que diz respeito aos fundos especiais, vale citar como exemplo o Fundeb (Fundo de
Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da
Educação), que consiste em um acervo de bens destinados à educação. Então, quando uma
entidade pública vai aplicar os recursos do Fundeb (fundo especial), estará obrigada a seguir a
nova lei de licitações.
Havendo entidades controladas pelo poder público, direta ou indiretamente, estas também
devem obediência à nova lei.
A nova lei tratou, também, de flexibilizar sua aplicação em determinadas situações. Assim, além
da não alcançar as estatais, a Lei 14.133/2021 previu “casos especiais” em que em regra não serão
aplicada.
Dentro deste grupo de “casos especiais” estão incluídas três situações específicas envolvendo (i)
contratações realizadas por repartições públicas sediadas no exterior, (ii) contratações que
envolvam recursos estrangeiros e (iii) contratações relativas à gestão das reservas internacionais
do país, a saber:
(i) As contratações realizadas por repartições públicas sediadas no exterior (como por
exemplo uma representação diplomática do Brasil no exterior) obedecerão às peculiaridades
locais e apenas aos princípios básicos estabelecidos na nova lei, seguindo regulamentação
específica a ser editada por Ministro de Estado. Portanto, tais representações estarão submetidas
apenas aos princípios básicos da nova lei (não à sua integralidade) – art. 1º, §2º.
4Além desta exceção expressa, se considerarmos a revogação da Lei 8.666 e da Lei 10.520, ambas mencionadas
no texto da Lei das Estatais, podemos concluir que há ainda outros dois assuntos nos quais aplicar-se-ão as regras
da NLL: (i) critérios de desempate em uma licitação e (ii) regras quanto à modalidade pregão.
(iii) Por fim, tratando-se de contratações relativas à gestão das reservas internacionais do País,
inclusive as de serviços conexos ou acessórios a essa atividade, elas não seguirão diretamente a
NLL, devendo obediência a ato normativo próprio do Banco Central, respeitados os princípios
constitucionais expressos da Administração (art. 1º, § 5º).
Exemplo: assim como outros países, o Brasil possui uma reserva financeira, no exterior,
para cobrir eventuais déficits internacionais ou estabilizar o real frente a outras moedas.
Então, por exemplo, quando o Banco Central adquire um sistema informatizado para
auxiliar na gestão dessa reserva, em tese não seguiria a NLL, mas um ato normativo do
próprio Banco Central.
No que diz respeito às entidades do terceiro setor (paraestatais), vale a pena individualizarmos
cada espécie, já ressaltando que em regra a nova lei não se aplicará a elas.
Os serviços sociais autônomos (“Sistema S” – como Senai, Sesc e Senac) já não seguiam a Lei 8.666
e não seguirão os termos da nova lei de licitações, devem editar e seguir regulamentos próprios
de licitação, os quais devem observar os princípios que regem as contratações públicas.
O mesmo entendimento vale para as Organizações Sociais (OS), as quais também deverão,
individualmente, editar regulamentos próprios de compras (Lei 9.637/1998, art. 17), e para as
Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público – Oscip (Lei 9.790/1999, art. 14). Para as
Organizações da Sociedade Civil - OSC, por sua vez, a legislação aplicável (Lei 13.019/2014) não
exige a realização de licitação.
5
Neste caso, a documentação encaminhada ao Senado Federal para subsidiar a autorização do
empréstimo estrangeiro deverá fazer referência às condições do contrato a ser celebrado (art. 1º, §4º).
Há, no entanto, duas situações que foram expressamente excluídas da aplicação da NLL, a saber
(art. 3º):
Nestes casos, portanto, outras regras serão aplicadas, mas não a Lei 14.133/2021.
Além dos casos de aplicação (art. 2º) e de não aplicação (art. 3º), vale a pena comentarmos
situações de aplicação subsidiária da Lei 14.133/2021, o que ocorrerá nas licitações para serviços
de publicidade (regidas pela Lei 12.232/2010) e das licitações para contratos de concessão e
permissão de serviços públicos (Leis 8.987/1995: concessão/permissão de serviços públicos e
11.079/2004: parcerias público-privadas - PPPs). Apesar de possuírem regras próprias, nestes
casos a Lei 8.666 era aplicável subsidiariamente, de sorte que a NLL passa a cumprir o mesmo
papel (Lei 14.133, art. 189).
Portanto, nas licitações para serviços de publicidade e para delegação de serviços públicos, a NLL
será aplicável subsidiariamente, de sorte que todas as remissões à Lei 8.666 que constam de leis
específicas, considera-se como se estivessem fazendo menção à NLL.
não se aplica
• operações de crédito e gestão da dívida pública
• Contratações sujeitas à legislação própria
aplicação subsidiária
Conceito e Objetivos
INCIDÊNCIA EM PROVA: MÉDIA
Ainda utilizando conceitos cunhados sob a égide da Lei 8.666/1993, destaco que, para Maria Sylvia
Zanella Di Pietro 6, licitação consiste no
Dito isto e já retornando ao texto da NLL, desmembrando os quatro incisos de seu art. 11,
podemos dizer que a licitação possui os seguintes objetivos (chamados de “finalidades” na Lei
8.666):
6
DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. Ed. GenMétodo. 31ª ed. 2018. eBook. Tópico
9.1
incentivar a Inovação
Exemplo: Imagine que você vai até uma concessionária de veículos novos adquirir um
novo carro, que você pretende utilizar nos próximos 3 anos, e você se depara com duas
opções:
a) modelo X (custo de R$ 30.000,00) – alto consumo de combustível, baixo valor de
revenda e com previsão de gasto com revisão/manutenção de R$ 15.000,00 ao ano.
Portanto, ao selecionar a proposta mais vantajosa, a Administração deverá considerar todo o ciclo
de vida do objeto a ser contratado.
2) Tratamento isonômico
Aqui não houve alterações significativas em relação à Lei 8.666, mas é importante lembrarmos que
os princípios da isonomia e da impessoalidade estão intimamente ligados à finalidade da atuação
estatal.
Nesse sentido, o próprio constituinte previu a necessidade de se assegurar a “igualdade de
condições a todos os concorrentes” (CF, art. 37, XXI) também nas licitações públicas, de modo a
não criar distinções indevidas entre aqueles que desejam contratar com o poder público.
Assim, o tratamento isonômico proíbe o estabelecimento de condições que impliquem preferência
em favor de determinados licitantes em detrimento dos demais, permitindo-se apenas exigências
de qualificação técnica e econômica indispensáveis à garantia do cumprimento das obrigações e
outras diferenciações expressamente previstas em lei.
3) Incentivar o Desenvolvimento Nacional Sustentável
A partir deste objetivo (que já constava como finalidade na antiga Lei 8.666), podemos concluir
que o poder de compras da Administração pode ser utilizado para favorecer o mercado brasileiro
de bens e serviços e, além disso, de buscar a adoção de práticas sustentáveis nas contratações
públicas, que não agridam o meio ambiente ou que possam ser utilizadas como mecanismo de
políticas públicas de ordem econômica e social.
Aqui, portanto, é possível perceber – na nova Lei – o fortalecimento da chamada “função
regulatória da licitação”, segundo a qual a licitação não se presta apenas a examinar propostas e
preços, sendo utilizada também como instrumento de política pública sob os prismas sociais (a
exemplo da possibilidade de se exigir mão de obra de egressos do sistema prisional ou de
mulheres vítimas de violência doméstica – art. 25, §9º; exigência de as empresas contratados
cumpram reserva de cargos para pessoa com deficiência – art. 116), ambientais (a exemplo das
regras específicas sobre obras públicas – art. 45, I e II) e econômicas (a exemplo do critério de
preferência para empresas brasileiras – art. 60, §1º, II), entre outros.
Pela importância, o legislador também elencou este objetivo como um dos princípios das licitações
(art. 5º).
4) Justa competição
A “justa competição” é objetivo da licitação que caminha de “mãos dadas” com o tratamento
isonômico, na medida em que os licitantes devem competir entre si, pela oportunidade de serem
contratados pela Administração, a fim de que se consiga alcançar a proposta mais vantajosa. E,
além disso, a competição deverá ser justa, sem que ocorram distinções indevidas entre eles.
(superfaturamento de pagamento
antecipado) etc.
Além desses dois conceitos, vale frisar que a licitação também objetiva evitar contratações
inexequíveis. A inexequibilidade consiste na situação inversa, ou seja, quando a Administração
seleciona uma empresa para fornecer algo por um valor extremamente baixo, isto é, muito inferior
ao que é praticado no mercado7.
Apesar de aparentar ser algo vantajoso para a Administração, um contrato inexequível teria
grandes chances de ser malsucedido. Assim, para se cumprir este “objetivo”, esta proposta
poderia ser desclassificada durante a licitação (art. 59, III).
6) Incentivar a inovação
7
No caso de obras e serviços de engenharia, serão consideradas inexequíveis as propostas cujos valores
forem inferiores a 75% do valor orçado pela Administração (art. 59, § 4º).
Uma das grandes críticas que se fazia à Lei 8.666 nos atuais tempos consistia nos entraves
burocráticos gerados pelas regras licitatórias, que impediam o gestor público inovar dentro do
arcabouço normativo vigente.
Em resposta a tal anseio, assim como observado na Lei do Regime Diferenciado de Contratações
(Lei 12.462/2011), na nova Lei buscou-se incentivar a inovação, explorando novas ideias em busca
do interesse público.
Uma das iniciativas que buscou concretizar o incentivo à inovação consiste na criação da
modalidade licitatória denominada “diálogo competitivo”, que destina-se – como se verá mais
adiante nesta aula – justamente à contratação de objetos inovadores e complexos.
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Antes de encerrar este tópico, vale adiantar que o legislador atribui à alta administração8 do órgão
a responsabilidade por implantar controles nas contratações públicas, no intuito de alcançar os
objetivos comentados, bem como promover um ambiente íntegro e confiável (art. 11, parágrafo
único).
8 A alta administração de um ente público é formada por aqueles agentes públicos com poder de decisão no
órgão/entidade, como os Ministros de Estado, Secretários-Executivos, Superintendentes, Diretores-Gerais etc.
PRINCÍPIOS
INCIDÊNCIA EM PROVA: MÉDIA
O caput do art. 5º da NLL expressa os seguintes princípios aplicáveis às licitações:
desenvolviment
eficácia economicidade competitividade celeridade o nacional
sustentável
interesse probidade
igualdade planejamento transparência
público administrativa
razoabilidade e
segurança segregação de vinculação ao
proporcionali motivação
jurídica funções edital
dade
julgamento
objetivo
A nova lei ampliou, consideravelmente, a quantidade de princípios a serem alvejados nas licitações
públicas, de sorte que agora chegamos a ter 22 princípios (na Lei 8.666 eram apenas 8!). Para
facilitar a visualização, no diagrama acima, deixamos em preto os princípios que já constavam da
Lei 8.666 e, em vermelho, os novos princípios expressos.
Reparem que vários destes princípios são aplicáveis à toda atuação administrativa – não apenas às
licitações públicas – como é o caso dos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade,
publicidade e eficiência.
Por outro lado, há princípios específicos das licitações, como é o caso da vinculação ao edital e do
julgamento objetivo.
Além destes expressos, para reforçar, o legislador remeteu também aos princípios mencionados
na LINDB – Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (Decreto-Lei 4.657/1942) – os quais
constituem princípios estruturantes do direito brasileiro (como a irretroatividade, transparência,
isonomia, legalidade).
Adiante vamos comentar os princípios mais relevantes, à luz das regras legais aplicáveis, buscando
aglutinar aqueles que possuem estreita relação entre si.
L-I-M-P-E
Os princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência, muito embora
já constem expressamente do texto constitucional (CF, art. 37, caput) foram listados também na
nova Lei.
O princípio da legalidade reforça a ideia de que a Administração deve seguir os procedimentos e
ritos constantes da Lei 14.133 no momento de realizar suas contratações.
O princípio da impessoalidade, ao incidir sobre as licitações públicas, postula que a Administração
não dê tratamento favorecido ou persecutório aos licitantes, não criando discriminações indevidas
entre os licitantes.
Já o princípio da moralidade remete à noção de honestidade, ética, boa-fé de todos os agentes
que atuem na condução dos procedimentos licitatórios, evitando trocas de favores e atos de
corrupção por meio dos certames públicos.
O princípio da publicidade, a seu turno, assegura que os atos constantes do procedimento
licitatório, em regra, não sejam sigilosos, de modo a permitir o conhecimento a todos os
interessados, sejam os próprios licitantes, cidadãos em geral e órgãos de controle. Ao
comentarmos o princípio da transparência, a seguir, detalharemos os contornos da publicidade
dentro de uma licitação.
Por fim, o princípio da eficiência, que não constava expressamente da Lei 8.666, pugna que os
agentes públicos busquem contratar produtos de qualidade, com celeridade e a custos aceitáveis.
Na nova lei, poderemos destacar o chamado “contrato de eficiência”, o qual objetiva a redução
de despesas da Administração (art. 6º, LIII).
Transparência
Além de mencionar expressamente o princípio da publicidade, a nova Lei citou ainda o princípio
da transparência. Por meio da visibilidade dos atos que compõem o processo licitatório, os
licitantes, os órgãos de fiscalização e a sociedade em geral têm condições de acompanhar e
verificar a lisura do seu processamento.
Nesse sentido, o art. 13 da Lei prevê que
Há, no entanto, situações em que a visibilidade dos atos praticados pela Administração, por
terceiros, será postergada para outro momento. É o que se chama de “publicidade diferida”:
Em relação ao inciso I acima, como já ocorria sob o regramento da Lei 8.666/1993, é sigiloso o
teor das propostas apresentadas pelos licitantes 9. Tal sigilo, no entanto, não é eterno, vigorando
até o momento da abertura das propostas em sessão pública. Por este motivo, dizemos que a
publicidade ficou diferida para o momento de abertura da proposta.
No segundo caso de publicidade diferida, temos uma importante novidade em relação à Lei
8.666/1993, que consiste na possibilidade de o orçamento da licitação ser sigiloso. Sob o novo
regramento, é possível que a Administração escolha não divulgar quanto planeja gastar com
determinada compra já no próprio edital da licitação. O raciocínio é de que, quando os licitantes
desconhecem o referencial de preços do poder público, teoricamente seria possível a obtenção
de preços ainda mais vantajosos.
Assim, embora a publicidade do orçamento estimado ainda seja a regra geral 10, o sigilo passou a
ser possível. Neste caso, o gestor público decidirá também o momento da divulgação do
orçamento (art. 18, XI), na medida em que a Lei 14.133 não definiu previamente quando o
orçamento seria tornado público.
Aproveito para adiantar que, mesmo nos casos em que o orçamento seja sigiloso, este sigilo
alcança os licitantes e particulares em geral. Os órgãos de controle (como tribunais de contas,
controladorias, Ministério Público etc), sejam interno ou externo, têm total acesso ao orçamento,
mesmo antes do encerramento da licitação (art. 24, I).
Além disso, a lei deixa claro que o sigilo não é compatível com o critério de julgamento de “maior
desconto” (detalhado mais à frente). Isto porque, no “maior desconto”, o preço de referência,
logicamente, deverá constar do edital (já que os licitantes irão ofertar descontos sobre um valor
de referência calculado pela Administração) – art. 24, parágrafo único. E, apesar de não constar
expressamente da Lei, podemos dizer que o sigilo do orçamento também não se aplicaria ao
critério “melhor técnica ou conteúdo artístico”, na medida em que o edital de tal contratação
obrigatoriamente deverá divulgar o valor do prêmio ao licitante vencedor (art. 35, caput).
9
Especialmente quando estamos falando do modo de disputa fechado (art. 56, II), detalhado mais
adiante neste curso.
10
Dada a utilização do verbo “poderá” no art. 24, caput, da Lei 14.133/2021, a exigência de motivação para a
aposição de chancela de sigilo sobre o orçamento e a diferença com o regramento contido na Lei das Estatais (Lei
13.303/2016, art. 34).
Por fim, vale ressaltar que, mesmo nos casos de orçamento sigiloso, deverão ser divulgados os
quantitativos e das demais informações necessárias para a elaboração das propostas (art. 24,
caput, parte final).
público (regra)
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Relacionado ao princípio da transparência, temos o Portal Nacional de Contratações Públicas
(PNCP), detalhado mais adiante, que reunirá informações sobre licitações e contratos de todos os
entes federativos.
Nesse sentido, amplia a transparência das contratações públicas a obrigatoriedade de divulgação
na internet das contratações diretas de cada órgão (isto é, sem prévia licitação) - art. 72, parágrafo
único.
Celeridade
De “mãos dadas” com o princípio da eficiência, a celeridade prescreve que as licitações sejam
céleres. De nada adiantaria a Administração selecionar uma excelente proposta no bojo de uma
licitação que levasse cerca de 2 anos, por exemplo!
Portanto, a menção ao princípio da celeridade nos lembra de se atender também a esta dimensão
temporal, no sentido de dinamizar o planejamento e a condução de uma licitação.
Alguns dos mecanismos que atuam no sentido de acelerar os certames licitatórios são a pré-
qualificação, o registro cadastral prévio – previstos como “procedimentos auxiliares” na nova lei –
, bem como a inversão de fases (em que a habilitação em regra ocorre apenas sobre a
documentação do primeiro colocado em uma licitação) e a instituição de modelos de editais (art.
19, IV; art. 25, §1º).
Probidade Administrativa
Ligado ao princípio da moralidade, a nova Lei menciona o princípio da probidade administrativa,
o qual consiste – segundo a doutrina majoritária – em uma espécie do princípio da moralidade
administrativa. Assim, os gestores envolvidos na realização de uma licitação devem prezar pela
probidade, pela honestidade.
Nesse sentido, lembro que a Lei de Improbidade Administrativa chega a tipificar, expressamente,
como ato de improbidade administrativa a conduta, dolosa, que frustra a licitude de processo
licitatório (Lei 8.429/1992, art. 10, VIII).
Igualdade
Já vimos que a licitação se destina, não apenas a permitir a escolha da melhor proposta, mas
também a assegurar a igualdade de direitos a todos os interessados em contratar com o poder
público. Assim, o princípio da igualdade proíbe o estabelecimento de condições que impliquem
preferência indevida em favor de um ou outro licitante.
Ainda que simplório, vejam o exemplo a seguir:
O princípio da igualdade pode ser visualizado em diversas regras previstas na nova lei de licitações,
a exemplo destas:
Outro caso seriam empresas de um mesmo grupo econômico atuando, cada uma por si, em um
certame licitatório. Dados os vínculos empresariais entre elas e a possibilidade de atuarem em
conluio na licitação, o legislador optou por impedir tal participação.
Assim, o art. 14 e o art. 9º, §1º, da Lei 14.133 veda as seguintes participações na licitação ou
execução contratual:
Vale ressalvar, no entanto, que tais vedações não impedem a participação em licitação em que se
inclua, como encargo do contratado, a elaboração do projeto básico e/ou do projeto executivo,
como ocorre em determinados regimes de contratação (art. 14, §4º).
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Bem, retomando o assunto...
Quer dizer que o edital da licitação não pode fazer nenhuma exigência às empresas
interessadas que possa diferenciá-las?
Vejam que, em ambas as restrições do exemplo acima (1 e 2), as exigências são relevantes para
que a empresa contratada tenha condições de cumprir o contrato, construindo a ponte
adequadamente.
Agora imagine a seguinte exigência, ainda tomando por base a licitação para construção de uma
ponte:
Exemplo 2: na licitação para construção da ponte, a prefeitura exige que a empresa a ser
contratada possua sede física naquele local.
A pergunta que devemos nos fazer é: qual a relevância ou pertinência desta exigência para a
construção da ponte? Nenhuma!
Nesse sentido, assim como já constava da Lei 8.666, a NLL prevê que é vedado que os agentes
públicos:
Há, no entanto, uma situação excepcional em que se admite “privilegiar” empresas situadas no
território do Estado ao qual pertence o órgão promotor da licitação. Trata-se de uma novidade da
NLL, que permite que o local da sede da empresa seja considerado para fins de desempate (tema
detalhado mais adiante nesta aula):
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2) Outra situação excepcional11, em que o legislador permitiu a criação de distinção entre
particulares interessados em contratar com o Estado, consiste na possibilidade de criação de
margem de preferência para produtos manufaturados nacionais e serviços nacionais e para bens
reciclados, recicláveis ou biodegradáveis (para “promover o desenvolvimento nacional”). O tema
será detalhado mais adiante, mas já adianto seu fundamento legal:
3) Outra situação excepcional, que será detalhada oportunamente nesta aula, consiste no direito
de preferência para beneficiar micro e pequenas empresas, em detrimento das grandes (LC
123/2006, art. 44 c/c NLL, art. 4º).
Mais adiante detalharemos a margem de preferência da NLL e o direito de preferência previsto
na LC 123/2006, dada sua importância em provas.
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Ainda no intuito de assegurar a igualdade nas licitações, o legislador proibiu, como regra geral, a
diferenciação entre empresa brasileiras e estrangeiras. Portanto, em uma licitação internacional,
por exemplo, um estrangeiro deveria ter as mesmas chances de vencer o certame que um
brasileiro, como regra:
Art. 9º. É vedado ao agente público designado para atuar na área de licitações e
contratos, ressalvados os casos previstos em lei: (..)
II – estabelecer tratamento diferenciado de natureza comercial, legal, trabalhista,
previdenciária ou qualquer outra entre empresas brasileiras e estrangeiras,
inclusive no que se refere a moeda, modalidade e local de pagamento, mesmo
quando envolvido financiamento de agência internacional.
11
De modo muito similar ao que já constava da Lei 8.666/1993.
Apesar de não mencionado no dispositivo transcrito acima (que se dirige ao administrador público),
podemos perceber a existência de exceções a esta regra (ou seja, situações em que a lei permitiu
a diferenciação entre empresas brasileiras e estrangeiras), a exemplo das seguintes:
1) utilização da nacionalidade da empresa como critério de preferência para desempate
(tema estudado mais adiante – art. 60, §1º, II)
2) margem de preferência para serviços/produtos nacionais que atendam a normas técnicas
brasileiras (art. 26, I; art. 52, §6º)
Competitividade
Para que a Administração consiga selecionar uma proposta vantajosa, é essencial que, durante a
licitação, efetivamente tenha havido competição entre os licitantes. Quanto maior o número de
propostas obtidas na licitação, em tese maior será a competição entre os licitantes e, assim,
maiores as chances de se obter a proposta mais vantajosa.
Nas licitações marcadas por combinações ardilosas de preços, a exemplo daqueles que foram alvo
da atuação de cartéis, ou naquelas com número muito reduzido de licitantes, há baixíssima
competição, em prejuízo dos cofres públicos.
Também por este motivo, friso que a legislação veda o estabelecimento de exigências
impertinentes ou irrelevantes para o objeto da licitação ou de quaisquer situações que
comprometam seu caráter competitivo:
art. 9º. É vedado ao agente público designado para atuar na área de licitações e
contratos, ressalvados os casos previstos em lei: I – admitir, prever, incluir ou
tolerar, nos atos que praticar, situações que: (..)
a) comprometam, restrinjam ou frustrem o caráter competitivo do processo
licitatório, inclusive nos casos de participação de sociedades cooperativas; (..)
Vinculação ao edital
O princípio da vinculação ao edital informa que as regras previstas no edital são obrigatórias,
devendo ser observadas por todos. Isto porque o edital consiste na “lei interna da licitação”12,
devendo ser observado tanto pelos licitantes como pela Administração que o expediu. Se as
regras previstas no edital são inobservadas, a licitação pode se tornar nula.
Reparem que tal princípio consiste em garantia tanto para os licitantes (de que o poder público
irá seguir fielmente as regras editalícias sem margem para discricionariedade) como para a
Administração13 (já que os licitantes poderão ser desclassificados/inabilitados se descumprirem as
regras do edital).
Por fim, vale destacar que, sob o regramento da Lei 8.666/1993, havia duas espécies de
instrumentos convocatórios (edital e carta-convite), sendo que na Lei 14.133/2021 existe apenas
o edital.
Julgamento Objetivo
Vimos, acima, que a Administração (assim como os licitantes) deve seguir as regras fixadas no
edital, sem margem para discricionariedade. Nesse mesmo sentido ocorrerá o julgamento das
propostas apresentadas pelos licitantes.
Em outras palavras, o julgamento das propostas deve se basear unicamente no critério previsto
no edital (como menor preço, técnica e preço etc), sem margem para subjetivismos.
Interesse Público
Sabemos que, por meio de uma licitação, a Administração busca contratar determinado objeto
que, ao fim e ao cabo, deverá atender aos anseios e necessidades da coletividade (o “bem
comum” da coletividade).
12
MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro, 35ª edição, p. 321.
13
FILHO, José dos Santos Carvalho. Manual de Direito Administrativo. 27ª ed. Atlas. P. 250
Nesse sentido, a menção ao referido princípio busca resgatar, obedecendo às disposições legais
específicas, a noção da supremacia do interesse público sobre o privado.
Eficácia e Economicidade
Além de atender ao princípio constitucional da eficiência, as licitações devem seguir aos princípios
da eficácia e da economicidade.
Dito isto, vou abrir um parêntese para tratarmos da diferenciação entre os termos eficiência,
eficácia e economicidade.
A par das divergências doutrinárias e da relação íntima entre estes três conceitos, costuma-se dizer
que eficiência se resume à avaliação do custo-benefício da ação estatal (isto é, a quantidade de
insumos gastos em determinada ação estatal versus a quantidade de produtos alcançados). Assim,
quanto menos insumos se gasta para uma mesma quantidade de produtos gerados, mais será
eficiente.
A eficácia, por sua vez, se relaciona ao atingimento dos objetivos e metas previamente
estabelecidos. Assim, uma licitação eficaz é aquela em que se conseguiu obter um contrato bem-
sucedido e, ao final, a entrega dos produtos e serviços foi efetivada no prazo e na qualidade
pretendidos.
Já a economicidade diz respeito ao custo financeiro dos insumos e materiais utilizados para
alcance da meta. Sabemos que as licitações são custeadas com recursos públicos, em geral obtidos
compulsoriamente da população, de sorte que as compras estatais devem respeitar o erário
público.
Planejamento14
O planejamento é fundamental para se aumentarem as chances de sucesso da contratação, ou
seja, garantir que ela efetivamente agregue valor ao órgão licitante. Pode parecer óbvio, contudo,
na prática, verifica-se que boa parte das contratações brasileiras são realizadas sem um mínimo de
planejamento. Portanto, planejar a contratação não é mera faculdade do gestor público, mas sim
obrigação legal.
Lembro que a licitação é um procedimento que possui duas fases, uma interna (agora chamada
de “preparatória”) e outra, externa, como detalharemos em aula futura. O princípio do
planejamento prevê que, durante a fase preparatória da licitação, a Administração deve
aprofundar seus estudos, conhecendo melhor aquilo que pretende adquirir, detalhando suas reais
necessidades, a fim de aumentar as chances de os resultados pretendidos com contratação sejam
alcançados, com um nível de risco e custo aceitáveis.
Outra dimensão do princípio do planejamento sugere que cada ente federativo, a cada ano,
consolide as contratações pretendidas pelos seus órgãos e entidades, compilando-as no chamado
plano de contratações anual (art. 12, VII)15. Este plano, de elaboração facultativa, tem por objetivo
racionalizar as contratações dos órgãos e entidades de cada esfera, garantir o alinhamento com o
seu planejamento estratégico e subsidiar a elaboração das respectivas leis orçamentárias, que são
anuais.
14
O princípio do planejamento já era mencionado na legislação federal enquanto diretriz que deve
permear toda a atuação administrativa (Decreto-Lei 200/1967, art. 6º, inciso I e art. 10, § 7º).
15
Como já estabelecia a IN 1/2019-Seges/ME para parte do Poder Executivo Federal
Exemplo: antes de se fazer uma licitação para adquirir toner de impressora, o órgão
deverá estimar, por exemplo, quantas páginas espera imprimir e, assim, quantas
unidades espera gastar daquele produto ao longo do ano, de modo a conferir mais
eficiência às compras governamentais.
Razoabilidade e proporcionalidade
Os princípios da razoabilidade e proporcionalidade encontram-se implícitos no texto
constitucional, com sede no princípio do devido processo legal (CF, art. 5º, LIV) e também
expressos na legislação federal (Lei 9.784/1999, art. 2º). Na NLL o legislador prestigiou-os,
optando por torná-los expressos.
Em síntese, são princípios que auxiliam o intérprete do direito administrativo a exercer o “bom
senso” e, assim, a descartar soluções absurdas, bizarras, desarrazoadas, proibindo o cometimento
de excessos por parte da Administração.
Segurança jurídica
A segurança jurídica é princípio geral do direito, que tem por objetivo resguardar a estabilidade
das relações jurídicas e, assim, conferir previsibilidade à atuação estatal.
Há uma série de institutos jurídicos que concretizam a proteção à segurança jurídica, como a
irretroatividade da lei ou intepretações, a coisa julgada, o ato jurídico perfeito e o direito
adquirido.
Este princípio já era mencionado expressamente, em âmbito federal (Lei 9.784/1999, art. 2º), e
acabou sendo positivado no texto da nova lei de licitações, com intuito de se resguardar os direitos
daqueles envolvidos em uma licitação.
Segregação de funções 16
O princípio da segregação de funções, amplamente utilizado no setor privado e em determinadas
atividades da Administração, foi positivado na nova lei de licitações, para fortalecer sua aplicação
nas contratações públicas.
Ele consiste em um mecanismo de controle, que busca, em síntese, separar funções de execução
e de aprovação, fazendo com que servidores distintos as executem.
A) Quando você vai a uma loja: repare que, no processo de compra, algumas funções são
atribuídas a pessoas distintas, como fazer a venda (vendedor), receber o pagamento
(“caixa”) e entregar o produto a você (por vezes atribuída ao setor de “expedição”).
B) Quando você vai até uma agência bancária solicitar um empréstimo: repare que a
concessão do empréstimo certamente envolverá a aprovação de um “gerente” ou de
outra pessoa diferente daquela que lhe atendeu.
16
Já mencionado amplamente na jurisprudência dos tribunais de contas, a exemplo do Acórdão TCU
686/2011 – Plenário, e previsto em alguns diplomas normativos, a exemplo da IN Seges/MPDG 05/2017,
arts. 31 e 50.
Por esta razão o legislador vedou a designação do mesmo agente público para atuação simultânea
em funções mais suscetíveis a riscos, de modo a reduzir a possibilidade de ocultação de erros e
de ocorrência de fraudes na respectiva contratação (art. 7º, §1º).
Portanto, a ideia é reduzir os riscos de erros e de fraudes, por meio da não concentração de
determinadas funções sobre um mesmo servidor.
Assim, em uma licitação, tal princípio irá garantir que sua condução não seja concentrada nas mãos
de um único servidor.
Motivação
O princípio da motivação, como se sabe, exige que a administração pública indique os
fundamentos de fato e de direito que levaram a uma decisão.
Além de implícito no texto constitucional, tal princípio encontra-se positivado também na
legislação federal (Lei 9.784/1999, art. 2º, parágrafo único, VII).
Nas licitações, percebe-se que, além de transparentes, os atos do procedimento licitatório devem
ser motivados, de sorte que os licitantes e cidadãos interessados possam conhecer os
fundamentos, de fato e de direito, que determinarem a decisão administrativa.
----
Concluídos os comentários sobre os princípios expressos na nova lei, adiante destacamos alguns
princípios implícitos.
Adjudicação Compulsória
Conforme veremos mais adiante, a adjudicação consiste na etapa da licitação por meio da qual a
Administração atribui o objeto licitado ao vencedor. É um reconhecimento de que “a empresa X
venceu o certame” e, portanto, se houver um futuro contrato para aquele objeto licitado, ela será
a empresa contratada.
Assim, parte da doutrina defende a existência do princípio da adjudicação compulsória, segundo
o qual, uma vez concluída a licitação, a Administração não poderia atribuir o objeto da licitação a
outra empresa que não a vencedora.
Reparem, no entanto, que a “adjudicação compulsória” não significa “contratação compulsória”.
Mesmo após realizada a licitação, declarado seu vencedor e adjudicado a ele seu objeto, o poder
público poderia deixar de celebrar o respectivo contrato.
Em outras palavras, se a Administração entender que não é mais conveniente ou oportuna a
contratação, ela poderia revogar a licitação ou, simplesmente, adiar a celebração do contrato. Ou,
ainda, detectado algum vício no procedimento licitatório, ele poderia ser anulado, não havendo
que se falar em obrigatoriedade de contratação com o adjudicatário.
Virtualização
Apesar de não restar expresso na Lei, a partir da interpretação da Lei 14.133, tem-se falado17 no
princípio da virtualização dos atos do procedimento licitatório.
Tendo a lei sido publicada em pleno ano de 2021, a tendência é que a forma física dos atos
licitatórios seja evitada, priorizando-se seu formato virtual. Exemplo disso é que, sob a égide da
Lei 8.666, tínhamos “envelopes” contendo as propostas dos licitantes. A partir de agora, em regra
as propostas serão eletrônicas.
Nesse sentido, o art. 12 prevê que:
De outro lado, a nova lei prevê, de modo geral, a forma eletrônica para as licitações18:
Isto significa que as licitações presenciais se tornaram exceção, somente podendo ocorrer
mediante justificativa e desde que a sessão seja gravada.
Outra manifestação do princípio da virtualização consiste na expressa menção à possibilidade de
assinaturas digitais no bojo das licitações e contratos administrativos (Art. 12, § 2º).
17
A exemplo de Rafael Sérgio de Oliveira, “10 tópicos mais relevantes do projeto da nova lei de Licitação
e Contrato”. in Observatório da Nova Lei de Licitações.
18
A exceção fica por conta dos municípios com até 20.000 habitantes, que terão 6 anos para se adequar
à forma eletrônica das licitações (art. 176, II).
Formalismo moderado
A partir da leitura atenta do texto da nova lei, pode-se inferir a existência do princípio do
formalismo moderado (ou do informalismo) é extraído dos seguintes critérios de atuação:
Carvalho Filho19 traz esclarecedora definição a este respeito:
Uma manifestação deste princípio na NLL consta do art. 12, inciso III, que prevê que:
19
FILHO, José dos Santos Carvalho. Manual de Direito Administrativo. 27ª ed. Atlas. P. 1015
DEFINIÇÕES IMPORTANTES
O art. 6º da nova lei de licitações apresenta uma lista de 60 de definições, que podem ser cobradas
em provas. Deste universo, destacaremos especialmente aquelas relacionadas aos objetos da
licitação, aos principais projetos de uma contratação e aos agentes públicos que atuam na
licitação, cuja compreensão será essencial para o estudo das modalidades licitatórias.
alienação de
compra serviços obras
bens
Feita esta contextualização, iremos trazer breves considerações sobre os objetos das licitações,
para permitir melhor compreensão do que está por vir.
Compras
Por meio dos contratos de compras (por vezes chamados de “fornecimentos”), a Administração
adquire bens móveis necessários às suas atividades, os quais poderão ser entregues de uma só
vez ou parceladamente.
Segundo a definição legal (art. 6º, X), compra consiste na aquisição remunerada de bens para
fornecimento de uma só vez ou parceladamente, considerada imediata aquela com prazo de
entrega de até 30 dias da data ordem de fornecimento20.
A legislação define que são comuns aqueles bens cujos padrões de desempenho e qualidade
possam ser objetivamente definidos pelo edital, por meio de especificações usuais no mercado
(art. 6º, XIII).
Para os bens comuns, passa a ser obrigatória a adoção do pregão como modalidade licitatória,
qualquer que seja o ente federativo 21.
20
Na Lei 8.666, o prazo para se considerar “compra imediata” era de 30 dias contados da apresentação
da proposta (e não da ordem de fornecimento). Além disso, futuramente iremos comentar que as
compras com entrega imediata possuem algumas facilidades, a exemplo da dispensa da etapa de
habilitação e, a depender do valor da compra, do instrumento contratual.
21Até antes da Lei 14.133/2021, a obrigatoriedade da adoção do pregão para objetos comuns ficaria a critério de
cada ente federativo, sendo que, na esfera federal, o Decreto 10.024/2019 tornava obrigatória sua utilização.
Em contraponto aos comuns, temos os bens especiais, como sendo aqueles que, por sua alta
heterogeneidade ou complexidade, não podem ser descritos objetivamente no edital como os
comuns (art. 6º, XIII). Reparem que o conceito de “especial” tem um caráter residual, inserindo-se
aqui as situações que não puderem ser enquadradas como comum. Neste caso, a modalidade
licitatória será a concorrência.
comuns pregão
Obras
A partir da definição legal de ‘obra’22, temos que as licitações que têm como objeto “obras
públicas” se destinam à execução indireta de construção, reforma, fabricação, recuperação ou
ampliação de bens públicos.
Relembro que, uma obra pode ser executada diretamente ou indiretamente pelo poder público.
A execução direta é aquela em que a própria Administração (com seu maquinário e servidores
próprios) ergue um edifício, por exemplo.
Na execução indireta, por sua vez, a Administração celebra um contrata um terceiro, para que
este erga o edifício para a Administração. Aqui terá lugar o contrato de obra pública e, por sua
vez, as licitações de obras públicas.
22
Lei 14.133, art. 6º, XII - Obra - toda atividade estabelecida, por força de lei, como privativa das
profissões de arquiteto e engenheiro que implica intervenção no meio ambiente por meio de um conjunto
harmônico de ações que, agregadas, formam um todo que inova o espaço físico da natureza ou acarreta
alteração substancial das características originais de bem imóvel;
Serviços
A partir da definição legal de “serviço”23, a doutrina já definia contratos de serviços como aqueles
que visam a atividade destinada a obter determinada utilidade concreta de interesse para a
Administração. Nesta espécie, a obrigação do particular contratado pelo poder público se traduz
em fazer algo que seja útil à Administração.
Reparem que aqui não estamos falando dos contratos de serviços públicos (voltados à população),
mas da prestação de serviços privados à Administração. Nestes contratos de serviços, torna-se
evidente a terceirização realizada pela Administração.
serviços de
comuns vs. especiais
quanto ao engenharia
objeto
outros serviços
23
Art. 6º, XI – serviço: atividade ou conjunto de atividades destinadas a obter determinada utilidade,
intelectual ou material, de interesse da Administração
Portanto, sendo especiais, em regra, os serviços deverão ser licitados mediante concorrência
(exceto os serviços comuns de engenharia, detalhados mais adiante).
----
De outro lado, quanto à sua continuidade, os serviços podem ser enquadrados como contínuos
ou não.
24
Até antes da Lei 14.133/2021, a obrigatoriedade da adoção do pregão para objetos comuns ficaria a
critério de cada ente federativo, sendo que, na esfera federal, o Decreto 10.024/2019 tornava obrigatória
sua utilização.
Serviços contínuos são contratados pela Administração Pública para a manutenção da atividade
administrativa, decorrentes de necessidades permanentes ou prolongadas (art. 6º, XV).
De outro lado, temos os serviços não contínuos ou contratados por escopo, os quais impõem ao
contratado o dever de realizar a prestação de um serviço específico em período predeterminado,
a exemplo de um projeto. Apesar de haver um período predeterminado, nada impede que tal
prazo seja prorrogado, desde que justificadamente, pelo prazo necessário à conclusão do objeto
(art. 6º, XVII).
Exemplos: realização de uma consultoria em uma entidade pública; criação de uma nova
campanha publicitária; implantação, até outubro daquele ano, de uma nova ferramenta
informatizada.
Antes de avançar, ressalto que podemos transpor os mesmos comentários acima para as compras,
as quais também podem ser classificadas em contínuas (fornecimentos contínuos) ou não.
Pois bem, voltando aos serviços contínuos, a nova lei cuidou de criar mais uma subdivisão
importante25: serviços contínuos com regime de dedicação exclusiva de mão de obra. Nestes
contratos, em síntese, os terceirizados ficam alocados apenas para determinado órgão (isto é, sem
serem “compartilhados” com outros contratos), prestando serviços nas dependências físicas do
próprio órgão público (art. 6º, XVI). Em contraponto, não houvesse a “dedicação exclusiva de mão
de obra”, um mesmo terceirizado poderia ser alocado em múltiplos contratos, ao mesmo tempo,
não se fixando em nenhum órgão público ou contrato durante a prestação dos serviços.
Nos contratos com dedicação exclusiva, a nova Lei prevê alguns mecanismos para assegurar o
cumprimento, por parte da empresa contratada, das obrigações trabalhistas. Um destes
mecanismos consiste na prerrogativa de a Administração solicitar ao contratado uma série de
comprovantes relacionados aos terceirizados, como o recibo de pagamento dos salários e vale-
transporte, a folha de ponto, recolhimento do FGTS etc. Caso o contratado deixe de apresentar,
estará sujeito à multa (art. 50).
----
Na sequência, temos uma importante subdivisão dos contratos de serviços quanto ao seu objeto:
serviços de engenharia e outros serviços.
Serviço de engenharia, segundo a definição legal, consiste em toda atividade ou conjunto de
atividades não enquadradas no conceito de obra e que, por força de lei, são privativas das
25Seguindo a diferenciação que constava da legislação federal, a exemplo da Instrução Normativa 5/2017, da
Secretaria de Gestão do então Ministério do Planejamento
Locações
A locação – por vezes chamada de “aluguel” – consiste em um contrato, primariamente regido
por regras do direito privado, em que uma das partes cede à outra o direito de usar e gozar um
determinado bem, esperando receber certa retribuição em troca (Código Civil, art. 565).
Já adianto que uma das novidades da NLL consistiu na possibilidade de a locação de bem imóvel
ser realizada sem uma licitação prévia, mediante inexigibilidade de licitação (art. 74, V), e não mais
por meio de dispensa de licitação.
De qualquer forma, não sendo o caso da inexigibilidade de licitação, a locação de imóveis deverá
ser precedida de licitação e avaliação prévia do bem, do seu estado de conservação, dos custos
de adaptações e do prazo de amortização dos investimentos necessários (art. 51).
Alienações
Uma licitação também poderá se destinar a promover a alienação (venda) de um bem do poder
público, seja móvel ou imóvel.
Já adianto que, tratando-se de bens imóveis, a alienação é condicionada ao atendimento dos
seguintes pressupostos (art. 76, caput e inciso I):
justificado
avaliação prévia
procedimentos
judiciais
autorização legislativa, inclusive para dispensada se imóvel
autarquias e fundações oriundo de
dação em pagamento
dispensada nos casos
licitação na modalidade de leilão
do art. 76 da nova Lei
Reparem que, quanto à modalidade licitatória a ser adotada, tivemos um importante avanço na
nova Lei. Isto porque, sob a égide da Lei 8.666, embora o leilão pudesse ser adotado em situações
específicas, a regra geral era a adoção da concorrência para a alienação de bens imóveis. Agora,
portanto, qualquer que tenha sido a forma de aquisição do bem, deverá ser adotado o leilão.
Outra observação importante quanto à alienação de imóveis diz respeito aos imóveis provenientes
de (i) dação em pagamento26 ou (ii) procedimentos judiciais27 (art. 76, § 1º). Para facilitar a
conversão em pecúnia destes bens, o legislador afastou a obrigatoriedade de autorização
legislativa nestes casos.
Quanto à alienação de bens móveis, a legislação exige o seguinte (art. 76, caput e inciso II):
alienação - móveis
avaliação prévia
26
Dação em Pagamento, em síntese, diz respeito à situação em que o particular dá bens imóveis ao
poder público como forma de quitar dívidas.
27
Neste caso são bens imóveis oriundos de processos judiciais, como nos casos em que o particular teve
seu patrimônio executado para pagamento de dívidas com o Estado.
Para que uma licitação ocorra, é necessário que a Administração defina, da melhor maneira
possível, aquilo que deseja contratar, a um nível de precisão tal que todos os licitantes e
interessados consigam compreender, a partir de uma leitura atenta do edital da licitação.
Pela complexidade inerente a uma obra ou a uma prestação de serviços, é necessário que sejam
elaborados projetos, que buscam, em síntese, descrever para os licitantes o que se espera seja
feito.
Assim, em geral, ainda durante a fase preparatória da licitação, a partir do estudo técnico
preliminar (ETP), a Administração elabora um projeto básico, o qual posteriormente é detalhado
em um projeto executivo, que, por sua vez, irá permitir a futura execução da obra ou prestação
do serviço. Em alguns casos, como veremos adiante, é ainda necessária a elaboração de um
documento inicial, denominado anteprojeto:
Execução da
Anteprojet Projeto
Projeto Básico obra ou do
o Executivo
serviço
Antes de detalhar estes 3 documentos, vale adiantar que o anteprojeto – que, nem sempre é
necessário – representa uma versão mais simples, mais inicial, dos estudos relacionados à solução
a ser contratada. Em síntese, o anteprojeto seria um mero esboço.
Por outro lado, o projeto básico é uma versão um pouco mais detalhada do que se espera da
empresa contratada, contendo maior nível de precisão que o anteprojeto.
Por fim, o projeto executivo detalha ainda mais o projeto básico, a ponto de permitir a completa
execução da obra.
Projeto Básico
Nos termos previstos no art. 6º, XXV, o Projeto Básico consiste no conjunto de elementos
necessários e suficientes, com nível de precisão adequado, para definir e dimensionar a obra ou o
serviço, ou complexo de obras ou serviços objeto da licitação.
Tal projeto é elaborado com base nas nos “estudos técnicos preliminares”, que assegurem a
viabilidade técnica e o adequado tratamento do impacto ambiental do empreendimento, e que
possibilite a avaliação do custo da obra e a definição dos métodos e do prazo de execução,
devendo conter os seguintes elementos:
fornecimento e
prestação de serviço
associado
A partir do último item do diagrama acima, reparem que o orçamento detalhado da obra não será
obrigatório no projeto básico quando o regime de execução for a (i) contratação integrada ou a
(ii) contratação semi-integrada.
Em regra, o projeto básico é elaborado pela Administração e constitui um dos anexos do edital
da licitação. Isto porque é por meio dele que os licitantes conseguirão estimar o custo da obra,
conhecer suas etapas, prazos e, assim, poderão formular suas propostas de preços.
No entanto, no regime de contratação integrada28, o projeto básico é elaborado pela própria
empresa encarregada de executar a obra (e não pela Administração). Neste caso, como veremos
28
A contratação integrada consiste, em linhas gerais, em um regime de execução de obras em que o
próprio contratado se encarrega de praticamente todas as etapas da obra, desde a concepção dos
projetos básico e executivo, passando pela execução das obras, montagem, teste, comprometendo-se a
realizar todas as etapas para a entrega final do objeto à Administração (art. 6º, XXXII).
mais adiante, o edital da licitação não contém projeto básico, pois a licitação é realizada apenas
com base no anteprojeto.
Podemos dizer que um “irmão” do projeto básico consiste no termo de referência. A despeito da
proximidade entre as definições literais que constam do art. 6º - que mencionam que o termo de
referência irá balizar as licitações de bens e serviços (art. 6º, XXIII), ao passo que o projeto básico
destina-se às contratações de obras e serviços (art. 6º, XXV) -, podemos dizer que o termo de
referência é o documento que acompanhará o edital de uma compra (bens), o projeto básico
acompanhará o edital de uma obra e, no caso dos serviços, ora estará presente o projeto básico,
ora o termo de referência.
----
De toda forma, a título de aprofundamento, vale destacar que, tratando-se de obras e serviços
comuns de engenharia, se demonstrada a inexistência de prejuízo para a aferição dos padrões de
desempenho e qualidade almejados, a especificação do objeto poderá ser realizada apenas em
termo de referência, dispensada a elaboração de projetos básico ou executivo (art. 18, §3º).
Projeto Executivo
O Projeto Executivo, por sua vez, diz respeito ao conjunto dos elementos necessários e suficientes
à execução completa da obra, consistindo em um detalhamento das soluções previstas no projeto
básico (art. 6º, XXVI).
Portanto, enquanto o projeto básico define e dimensiona a obra, o projeto executivo vai além,
permitindo sua execução completa, futuramente. Em síntese, o Projeto Executivo detalha o
Projeto Básico a um nível de pormenores suficientes para a completa execução da obra.
Apesar de o projeto executivo ser, em regra29, exigido para a realização de obras e serviços de
engenharia (art. 46, §1º), nem sempre será elaborado pela própria Administração.
Isto porque, excepcionalmente, nos regimes de contratação semi-integrada e contratação
integrada, a elaboração do projeto executivo fica sob responsabilidade da própria empresa
contratada para execução das obras.
29
A exceção fica por conta das obras e serviços comuns de engenharia que poderão ser realizadas apenas
com base no termo de referência ou no projeto básico, se demonstrada a inexistência de prejuízo para
a aferição dos padrões de desempenho e qualidade almejados (art. 18, §3º).
Comparando a situação em que o projeto básico não é exigido para realização da licitação, com
aquelas em que o projeto executivo não será exigido, chegamos ao seguinte quadro-comparativo:
Administração elabora Contratado elabora
Projeto básico
Regra geral -
Projeto executivo
Contratação semi-
Projeto básico Projeto executivo
integrada
Contratação
Não é exigido Administração elabora Contratado elabora
semi-integrada
Contratação Administração
Contratado elabora
integrada elabora
Neste tópico iremos nos debruçar sobre os principais agentes públicos envolvidos em uma
licitação, ou seja, aquelas pessoas que efetivamente conduzem os procedimentos licitatórios e o
“papel” exercido por cada um30.
Disposições Gerais
Antes de detalhar cada um dos agentes que atuam em uma contratação, vale destacar regras
gerais relacionadas à sua designação.
Para resguardar o profissionalismo na atuação destes agentes públicos, o artigo 7º da NLL prevê
genericamente que:
❑ caberá à autoridade máxima31 do órgão ou da entidade (ou a quem as normas de
organização administrativa indicarem) designar os responsáveis utilizando-se da gestão por
competências
❑ em regra, os servidores a serem designados devem, preferencialmente, serem servidores
efetivos ou empregados públicos dos quadros permanentes da Administração Pública
❑ estes servidores devem ter atribuições relacionadas a licitações e contratos ou possuírem
formação compatível ou qualificação atestada por certificação profissional emitida por
escola de governo criada e mantida pelo poder público
❑ não serem cônjuges/companheiros de licitantes ou contratados habituais da Administração,
nem terem com eles vínculo de parentesco, colateral ou por afinidade, até o 3º grau, ou de
natureza técnica, comercial, econômica, financeira, trabalhista e civil.
Além do profissionalismo na atuação destes agentes, deve-se atender ao princípio da segregação
de funções, de sorte que é vedada a designação do mesmo agente público para atuação
simultânea em funções mais suscetíveis a riscos, de modo a reduzir a possibilidade de ocultação
de erros e de ocorrência de fraudes na respectiva contratação (art. 7º, §1º).
Todos estes requisitos aplicam-se, também, aos órgãos de assessoramento jurídico e de controle
interno da Administração (art. 7º, §2º).
30
Aqui iremos comentar a regra geral, muito embora exista regra de transição aplicável a municípios de
até 20.000 habitantes (art. 176, I).
31
Embora os arts. 6º, LV, e 8º prevejam a designação do agente de contratação pela “autoridade
competente”.
com licitante ou
não ter parentesco de até 3º grau contratado
impedimento
habitual
não possuir vínculo técnico,
comercial, econômico, financeiro,
trabalhista ou civil
Já adianto que, quanto a este assunto, a principal alteração promovida pela NLL consiste
na substituição, em regra, da “comissão de licitação” da Lei 8.666 pelo “agente de
contratação”, havendo situações excepcionais em que a “comissão” foi mantida:
pregão "pregoeiro"
leiloeiro ou servidor
leilão
designado
Adiante iremos detalhar cada um destes papéis e vamos aproveitar para já comentar a atuação
das “autoridades”, bem como das “Bancas”, responsáveis por atribuir notas às propostas técnicas.
➢ Agente de Contratação
Agente de contratação é aquele agente público que, em regra, conduz uma licitação. Para tanto,
ele irá tomar decisões, acompanhar o trâmite da licitação, dar impulso ao procedimento licitatório
e executar quaisquer outras atividades necessárias ao bom andamento do certame até sua
homologação (art. 8º, caput).
O agente de contratação deverá obrigatoriamente ser designado entre (i) servidores efetivos ou
(ii) empregados públicos dos quadros permanentes da Administração Pública. Em outras palavras,
o agente de contratação deverá necessariamente ser escolhido entre agentes públicos
concursados. Portanto, diferentemente da regra geral do artigo 7º (em que tal escolha se dá em
caráter preferencial), para o agente de contratação não se admite quem não seja concursado.
O agente de contratação, no entanto, será auxiliado por uma equipe de apoio.
E, se o agente praticar irregularidades, responderá individualmente pelos seus atos, salvo quando
induzido a erro pela atuação da equipe.
➢ Comissão de contratação
Apesar de a regra geral ser a condução da licitação pelo “agente de contratação”, em algumas
situações o legislador previu a atuação da “comissão de contratação”. A comissão consiste, então,
no conjunto de agentes públicos indicados pela Administração, em caráter permanente ou
especial, com a função de receber, examinar e julgar documentos relativos às licitações e aos
procedimentos auxiliares (art. 6º, L).
A comissão de contratação terá lugar em duas situações:
na modalidade diálogo
obrigatória
competitivo
comissão de
contratação
na contratação de bens ou
facultativa serviços especiais
(modalidade concorrência)
➢ Pregoeiro
Assim como já ocorria sob o regramento da Lei 10.520/2002, se a modalidade licitatória for
pregão, o agente de contratação será designado pregoeiro (art. 8º, § 5º).
➢ Leiloeiro
Tratando-se de licitação na modalidade leilão, sua condução ficará a cargo de leiloeiro ou de
servidor designado pela autoridade competente (art. 31, caput).
32
Mais adiante veremos que, nestas situações, a modalidade licitatória adotada é a concorrência.
Caso a Administração opte por um leiloeiro, sua seleção deverá se dar mediante credenciamento
ou licitação na modalidade pregão e adotar o critério de julgamento de maior desconto para as
comissões a serem cobradas (art. 31, §1º).
Escolhido obrigatoriamente
entre (i) servidores efetivos ou
(ii) empregados públicos dos
Agente de » quadros permanentes
»» Regra geral
Contratação »
- responsabilidade: em regra,
individual; exceção: induzido a
erro pela equipe de apoio
Diálogo competitivo »
Comissão de »» - regra: responsabilidade
(obrigatoriamente) »
contratação solidária dos integrantes
- exceção: posição individual
(mínimo de 3 membros) bens e serviços especiais » divergente registrada em ata
»»
(ou agente de contratação) »
Pregoeiro »» Pregão
Leiloeiro »» Leilão
(ou servidor designado)
❑ Determinar o retorno dos autos à instância devida para correção de irregularidades, se for
o caso
A “autoridade competente”, a seu turno, possui diversas prerrogativas tanto no âmbito da seleção
do fornecedor como durante a execução contratual, sendo competente para:
❑ Designar os agentes de contratação (art. 8º, caput)
❑ Autorizar a contratações diretas por dispensa ou inexigibilidade (art. 72, VIII)
❑ Exigir garantia de proposta dos licitantes (art. 96), entre outras prerrogativas
A “autoridade máxima”, de outro lado, detém prerrogativas como:
❑ promover gestão por competências e observar o princípio da segregação de funções na
designação de agentes públicos para executar as funções essenciais da lei (art. 7º)
==48e4e3==
❑ determinar a extinção contratual por razões de interesse público (art. 137, VIII)
❑ aplicar a sanção de declaração de inidoneidade para licitar ou contratar (art. 156, §6º, I)
Ainda que, na prática, alguns desses papeis possam ser exercidos pela mesma autoridade,
percebam que a autoridade não conduz o procedimento licitatório, mas designa aqueles que o
conduzem e, ao final, decide quanto ao seu desfecho.
➢ Banca de avaliação das propostas técnicas (critérios de “melhor técnica”
ou “técnica e preço”)
Nas licitações em que se adotam os critérios de julgamento de “melhor técnica/conteúdo
artístico” ou “técnica e preço”, é necessário que alguém faça também a avaliação da proposta
técnica de cada licitante e, assim, atribua uma pontuação a cada proposta.
Para desempenhar esta atribuição, o legislador previu a atuação de uma Banca, designada
especialmente para essa avaliação técnica (art. 37, II), a qual também será composta por, no
mínimo, 3 membros.
Apesar da mesma quantidade de membros da comissão, notem que esta Banca não se confunde
com a comissão ou com o agente de contratação, porquanto tem atribuição muito mais específica,
limitada à avaliação da parte técnica das propostas (ao se utilizarem critérios de “melhor técnica”
ou “técnica e preço”). Portanto, nas licitações de “melhor técnica” ou “técnica e preço” haverá a
Banca (que irá atribuir a nota técnica) e também um agente de contratação/comissão (que irá
conduzir o restante da licitação).
Outra diferença é que esta Banca pode ser composta também por “não servidores”, ou seja, por
profissionais contratados33 pela Administração, experts em determinado assunto (art. 37, §1º).
33
Estes profissionais poderão ser contratados por dispensa de licitação (art. 75, XIII).
Nesse sentido, vale destacar a existência de hipótese de dispensa de licitação específica para
contratação destes profissionais (art. 74, XIII).
Há, aqui, outra novidade da NLL, que busca proteger os agentes públicos que atuarem na licitação
e estimular que atuem em estrita observância à orientação dos órgãos jurídicos.
Se, futuramente, o agente público que atuou na licitação estiver sendo investigado ou acusado de
praticar alguma irregularidade e, assim, precisar se defender judicial ou administrativamente, caso
ele tenha seguido a orientação constante do parecer jurídico, em regra os advogados públicos
poderão promovam sua defesa, ou seja, sem ônus para o servidor investigado (art. 10). Tal
benefício aplica-se mesmo se o agente público já houver deixado o cargo que exercia à época da
licitação (art. 10, §2º).
Tal regra, no entanto, não se aplica quando houver provas da prática de atos ilícitos dolosos nos
autos do processo administrativo ou judicial (art. 10, §1º, II).
Ele destina-se à divulgação centralizada e obrigatória dos atos exigidos por esta Lei e,
facultativamente, permitirá a realização das próprias contratações pelos órgãos e entidades de
todos os poderes e todas as esferas (art. 174, caput) 34.
Para tanto, ele conterá informações como (art. 174, §2º):
editais de
credenciamento notas fiscais
atas de registro
eletrônicas
e de pré- de preços
(quando for o caso)
qualificação
Em termos de funcionalidades deste Portal, ele deverá oferecer um sistema eletrônico para a
realização das sessões públicas das licitações, viabilizar um cadastro unificado dos licitantes, conter
um painel para consulta de preços, entre outras (art. 174, §3º).
O Portal será gerido por um comitê de 7 membros, presidido por um representante indicado pelo
Presidente da República e composto por representantes da União (ao todo 3 membros 35), de
Estados/DF (ao todo 2 membros36) e de municípios (2 membros37 - art. 174, §1º).
Por fim, vale destacar que, além da divulgação no PNCP (obrigatória), os entes federativos,
facultativamente, poderão instituir sítio eletrônico oficial para divulgação complementar e
realização das respectivas contratações (art. 175).
Repositório de dados de licitações e
contratos
Centralizado
Características
Nacional
editais de licitação e anexos
Portal Nacional de
Contratações contratos e termos aditivos
Públicas Principais avisos de contratação direta
informações
planos de contratação anuais
atas de registro de preços
Comitê, com 7 representantes
gestão
(3U, 2E, 2M)
34 A exceção fica por conta dos municípios com até 20.000 habitantes, que terão 6 anos para se adequar à divulgação
em sítio eletrônico oficial (art. 176, III).
35 indicados pelo Presidente da República.
36 indicados pelo Conselho Nacional de Secretários de Estado da Administração.
37 indicados pela Confederação Nacional de Municípios.
➢ Grande vulto
O legislador definiu expressamente que serviços, obras e fornecimentos de grande vulto são
aqueles cujo valor estimado supera R$ 200 milhões (art. 6º, XXII). A propósito, para o ano de 2025,
este valor foi atualizado para R$ 250.902.323,87 pelo Decreto 12.343/2024.
Como veremos adiante, para estes contratos de grande vulto, a lei prevê uma série de controles
adicionais, dos quais destaco desde logo os seguintes:
❑ obrigatoriedade de a empresa contratada implantar um programa de integridade38 (art. 25,
§4º)
R$ 200 milhões
contratada implantar um
Grande vulto programa de integridade
obrigatoriedade
de:
matriz de alocação de riscos
Consequências (obras e serviços)
➢ Matriz de riscos
Ressaltando a grande preocupação do legislador com a gestão de riscos, o texto da lei previu a
matriz de riscos, com força de contrato.
38
Em síntese, os programas de integridade (ou de compliance) representam trabalhos preventivos de
prevenção a atos de corrupção que as empresas contratadas, neste caso, deverão criar internamente.
Imagine que, durante a execução de obra, descobriu-se que há um erro no projeto. Quem
responde por este erro? Os custos extras são arcados somente pela Administração?
Somente pela empresa? Por ambos?
Assim, nas palavras do legislador, matriz de risco é a “cláusula contratual definidora de riscos e de
responsabilidades” entre as partes que celebraram o contrato e “caracterizadora do equilíbrio
econômico-financeiro inicial do contrato”, em termos de ônus financeiro decorrente de eventos
supervenientes à contratação (art. 6º, XVII; art. 103).
A resposta é não!
Em regra, é facultativa a previsão em edital da matriz de risco.
No entanto, como adiantado acima, ela se torna obrigatória tratando-se de contratos de grande
vulto (R$ 200 milhões), bem como nos regimes de contratação integrada e semi-integrada (art. 22,
§3º).
Em qualquer caso, sendo prevista em edital, a matriz deverá conter (art. 6º, XVII):
a) listagem de possíveis eventos supervenientes à assinatura do contrato que possam causar
impacto em seu equilíbrio econômico-financeiro e previsão de eventual necessidade de prolação
de termo aditivo por ocasião de sua ocorrência;
b) no caso de obrigações de resultado, estabelecimento das frações do objeto com relação
às quais haverá liberdade para os contratados inovarem em soluções metodológicas ou
tecnológicas, em termos de modificação das soluções previamente delineadas no anteprojeto ou
no projeto básico;
c) no caso de obrigações de meio, estabelecimento preciso das frações do objeto com
relação às quais não haverá liberdade para os contratados inovarem em soluções metodológicas
39
Para quem desejar se aprofundar no assunto, sugiro a leitura dos Acórdãos do TCU 1.510/2013 e
2.622/2013, ambos do Plenário.
divisão de responsabilidades
equilíbrio econômico-financeiro
características
inicial
semi-integrada
40
DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro. 22ª edição, p. 193-194
MODALIDADES DE LICITAÇÃO
A contratação por meio de uma licitação demandará, obrigatoriamente, a opção pela modalidade
licitatória, tendo a NLL previsto as seguintes (art. 28):
Modalidades
• pregão
• concorrência
• concurso
• leilão
• diálogo competitivo
Comparando com a legislação anterior, repare que “chega” uma nova modalidade (diálogo
competitivo) e “foram embora” duas modalidades da Lei 8.666 (tomada de preços e convite) e o
Regime Diferenciado de Contratações (RDC)41, sendo o pregão incorporado à nova lei geral de
licitações:
Mas, mesmo em relação às 4 modalidades que já existiam antes da NLL, há diferenças importantes
que comentaremos mais adiante.
Dito isto, passemos ao detalhamento de cada uma das cinco modalidades licitatórias da NLL.
41
A extinção do RDC se deve à disposição contida no inciso II do art. 193 da NLL, que revoga a Lei
12.462/2011, após o período de 2 anos da publicação da nova lei.
Pregão
INCIDÊNCIA EM PROVA: ALTA
O pregão, antes regido pela Lei 10.520/2002, passou a constar da NLL, com poucas (mas
importantes) mudanças.
Nesse sentido, a NLL prevê que o pregão é “modalidade de licitação obrigatória para aquisição
de bens e serviços comuns, cujo critério de julgamento poderá ser o de menor preço ou o de
maior desconto” (art. 6º, XLI).
A partir da nova definição de pregão, precisamos nos debruçar sobre cinco principais aspectos, a
saber: a natureza dos objetos licitados por meio do pregão, a obrigatoriedade de seu uso,
situações em que o pregão é inviável, os critérios de seleção que podem ser adotados e, por fim,
o servidor responsável por conduzir o pregão.
Natureza comum
O pregão consiste em modalidade de licitação destinada à aquisição de bens e serviços
considerados comuns. Ou seja, a utilização do pregão está relacionada à natureza do objeto ser
ou não comum, sendo irrelevante o valor da contratação (como em todas as modalidades
licitatórias).
Já sabemos que serão considerados comuns aqueles objetos cujos padrões de desempenho e
qualidade possam ser objetivamente definidos pelo edital, por meio de especificações usuais no
mercado (NLL, art. 29, parte final; art. 6º, XIII).
Friso que, em contraponto aos comuns, temos os bens e serviços especiais, como sendo aqueles
que, por sua alta heterogeneidade ou complexidade, não podem ser descritos objetivamente no
edital como os comuns (art. 6º, XIV), sendo inviável a adoção do pregão.
42
Lei 10.520/2002, art. 1º Para aquisição de bens e serviços comuns, poderá ser adotada a licitação
na modalidade de pregão, que será regida por esta Lei.
43
Ainda que, por meio de legislação específica, determinados entes federativos tenham tornado
obrigatória sua utilização para bens e serviços comuns, a exemplo do âmbito federal.
44
Apesar de não estar expresso na Lei 14.133/2021, trata-se de dedução lógica da adoção do leilão para
as alienações.
Reparem que, pelo texto da Lei 10.520, anteriormente admitia-se apenas o menor preço45. A NLL,
no entanto, ampliando o alcance do que se entende por “menor dispêndio”, autoriza a realização
de pregões com base no (i) menor preço ou (ii) maior desconto.
O critério do maior desconto é utilizado quando a Administração possuir um preço-base (valor de
referência) e for vencedor do certame aquele licitante que oferecer o maior desconto sobre o valor
de referência. É, matematicamente, uma outra forma de se chegar ao menor valor a ser
desembolsado pela Administração.
Condução do pregão
Assim como já ocorria pelo regramento da Lei 10.520, o pregão será conduzido por um agente
designado pregoeiro (art. 8º, §5º).
----
Por fim, vale destacar a possibilidade de utilização do pregão para a formação de um registro de
preços (art. 6º, XLV) e, em relação a seu procedimento, a lei prevê que o pregão seguirá o rito
procedimental comum, detalhado mais à frente neste curso (art. 29, caput).
45
Em âmbito federal, no entanto, o pregão eletrônico já poderia utilizar também o “maior desconto”
(Decreto 10.024/2019, art. 7º).
Concorrência
INCIDÊNCIA EM PROVA: ALTA
A NLL traz pouco detalhamento a respeito da concorrência, limitando-se a dizer que será a regra
geral para se licitarem (i) bens e serviços especiais, (ii) obras e (iii) serviços de engenharia, sejam
comuns ou especiais – art. 6º, XXXVIII.
Vejam que, sob a égide da Lei 8.666, a adoção da concorrência, na maioria dos
casos, dependia do valor da licitação. Era a modalidade adotada para licitações
de valores altos.
Como adiantamos acima, isto mudou! Com a NLL, a concorrência será adotada
independentemente do valor da contratação!
Em relação aos serviços de engenharia, vale frisar que a concorrência será obrigatória para os
serviços de engenharia especiais e, facultativa, para os comuns:
concorrência
Condução da concorrência
Diferentemente do que ocorre no pregão, a concorrência será conduzida pelo agente de
contratação, como regra geral, auxiliado por uma equipe de apoio.
Tratando-se, no entanto, da contratação de bens ou serviços especiais, a lei faculta a substituição
do agente de contratação por uma comissão com no mínimo 3 membros (art. 8º, §2º).
concorrência pregão
Por fim, em relação às semelhanças com o pregão, vale destacar a possibilidade de utilização da
concorrência para a formação de um registro de preços (art. 6º, XLV) e o fato de que a concorrência
também seguirá o rito procedimental comum, detalhado mais à frente neste curso (art. 29, caput).
Diálogo competitivo
INCIDÊNCIA EM PROVA: ALTA
O diálogo competitivo é, na verdade, a grande novidade da NLL em termos de modalidade
licitatória.
Sua criação, inspirada na legislação estrangeira46, representa uma resposta do legislador às
dificuldades da Administração Pública de contratar objetos muito complexos e inovadores. São
situações em que, dada a elevada complexidade, a Administração tem dificuldades até mesmo de
definir sozinha o que deveria contratar.
46
Utilizado na União Europeia desde 2004 (vide “Diálogo Concorrencial” na atual Diretiva 2014/24 EU).
Por meio do diálogo competitivo, a Administração pode conhecer mais a respeito das alternativas
existentes no mercado e, após definir o tipo de solução a ser adotado com o auxílio da iniciativa
privada, aí sim, em um segundo momento, realiza uma competição entre os licitantes. Em outras
palavras, esta modalidade destina-se a situações em que a Administração conhece bem o
“problema” que precisa endereçar, mas se utilizará da expertise do mercado para conceber a
melhor “solução”.
Nesse sentido, ganha destaque lição doutrinária 47 no sentido de que o diálogo competitivo é
modalidade ”voltada para solucionar problemas ligados à definição do que contratar”.
Muitas vezes, também, a tecnologia necessária para solucionar o problema da Administração é de
domínio restrito de um ou outro fornecedor, sendo que o diálogo competitivo permitiria a
Administração conhecer o “estado da arte” daquele objeto e, futuramente, obter algo que lhe
atenda melhor. Ou seja, estamos diante de situações em que a Administração conhece suas
necessidades, mas não sabe a melhor forma de atendê-las, surgindo um procedimento com duas
fases bem distintas:
Então, antes de descrever no edital o que deseja contratar, a Administração chama players do
mercado para um diálogo, individualizado com cada um deles, a fim de que possa saber o melhor
produto, a melhor solução, aquilo que seria capaz de atender aquelas necessidades do modo mais
customizado possível. Somente após tal aprofundamento, é definido o objeto a ser licitado e,
assim, passa-se à fase competitiva da licitação.
Assim, o legislador definiu o diálogo competitivo como sendo:
Art. 6º, XLII – diálogo competitivo: modalidade de licitação para contratação de obras,
serviços e compras em que a Administração Pública realiza diálogos com licitantes
previamente selecionados mediante critérios objetivos, com o intuito de desenvolver uma
ou mais alternativas capazes de atender às suas necessidades, devendo os licitantes
apresentar proposta final após o encerramento dos diálogos;
47
Segundo Mark Kirkby, citado por Rafael Sérgio Lima de Oliveira, in O Diálogo Competitivo do Projeto de Lei de Licitação e Contrato Brasileiro.
Procedimento
O diálogo competitivo possui procedimento próprio (diferente do rito comum da concorrência e
do pregão), a seguir sintetizado:
fase de diálogo
indicação da
solução a ser
contratada
fase competitiva
A partir do diagrama, vale frisar que a primeira fase do diálogo tem como finalidade “desenvolver
uma ou mais alternativas capazes de atender às necessidades” da Administração, fazendo-se a
chamada “pré-seleção” para selecionar aqueles com os quais a Administração irá dialogar.
Já a fase competitiva, que tem lugar após desenvolvida/escolhida a alternativa, visa à obtenção
de propostas de empresas para efetivamente fornecerem a alternativa escolhida. Vejam que o
contrato será assinado com aquele licitante que for vitorioso na fase competitiva.
➢ Editais do diálogo competitivo
No diálogo competitivo teremos dois editais, sendo um para cada fase. Na fase do diálogo, o
edital deverá conter critérios objetivos empregados para pré-seleção dos licitantes (edital da pré-
seleção). Para a fase competitiva, será divulgado novo edital, que irá fixar critérios para a seleção
da proposta vencedora.
O edital de pré-seleção deve estabelecer prazo mínimo de 25 dias úteis para que os interessados
manifestem interesse em participar do diálogo (art. 32, §1º, I). Por outro lado, o edital da fase
competitiva deve prever prazo mínimo de 60 dias úteis para apresentação das propostas.
critérios empregados
Edital da pré-
»» para pré-seleção dos »» 25 dias úteis
seleção
licitantes
➢ Comissão de contratação
Como a Administração acaba possuindo maior discricionariedade na etapa de diálogo, é natural
existirem controles mais rigorosos a fim de coibir desvios por parte dos servidores que irão
conduzir o diálogo competitivo.
Nesse sentido, prevê o Estatuto que o diálogo competitivo será conduzido por comissão de
contratação composta de pelo menos 3 servidores efetivos ou empregados públicos pertencentes
aos quadros permanentes da Administração, admitida a contratação de profissionais para
assessoramento técnico da comissão (art. 32, §1º, XI).
Caso a Administração opte por contratar profissionais “de fora” para assessoramento técnico,
estes assinarão termo de confidencialidade e abster-se-ão de atividades que possam configurar
conflito de interesses (art. 32, §2º).
Outro controle previsto no Estatuto dispõe que as reuniões com os licitantes durante a pré-
seleção, embora reservadas, serão registradas em ata e gravadas mediante utilização de recursos
tecnológicos de áudio e vídeo. Estes registros serão obrigatoriamente juntados aos autos do
processo licitatório logo no início da fase competitiva.
➢ Diálogos com os interessados
Esta é a etapa mais marcante desta modalidade: o diálogo com potenciais fornecedores a fim de
se conceber, juntamente com o mercado, a melhor alternativa que atenda aos anseios da
Administração. O objetivo aqui, portanto, é identificar a melhor solução para o problema
apontado pela Administração.
O diálogo com os interessados deverá ser realizado, pela Administração, de forma individualizada
com cada player, de modo a não expor as soluções de uma empresa perante seus concorrentes.
Isto porque a Administração não poderá revelar a outros licitantes as soluções propostas ou as
informações sigilosas comunicadas por um licitante sem o seu consentimento (art. 32, §1º, IV).
O edital de pré-seleção poderá prever, ainda, a realização de fases sucessivas, caso em que cada
fase poderá restringir as soluções ou as propostas a serem discutidas, sendo que a fase de diálogo
poderá ser mantida até que a Administração, em decisão fundamentada, identifique a solução ou
as soluções que atendam às suas necessidades.
Detalhe importante é que serão admitidos aos diálogos todos os interessados que preencherem
os requisitos objetivos estabelecidos no edital de pré-seleção (art. 32, §1º, II).
➢ Fase competitiva
Aqui o objetivo já não é mais identificar a melhor solução. O objetivo desta segunda fase é
selecionar a empresa a ser contratada para efetivamente entregar a solução escolhida.
É importante destacar que somente participam da fase competitiva os licitantes que foram pré-
selecionados para participar da etapa de diálogos (art. 32, §1º, VIII, parte final).
Em relação aos critérios de julgamento passíveis de serem adotados no diálogo, vale destacar que
a Lei foi silente a este respeito, o que indicaria a possibilidade de utilização de quaisquer dos
critérios de julgamento previstos no art. 33 da NLL.
Hipóteses
Seguindo adiante, após termos compreendido a lógica e o procedimento desta modalidade,
registro que o diálogo competitivo aplica-se às compras, obras e serviços desde que atendam às
seguintes condições (art. 32, caput):
impossibilidade de a Administração
definir as especificações com precisão
hipóteses - diálogo
competitivo solução técnica mais adequada
necessidade de definir e
identificar as alternativas que requisitos técnicos aptos a concretizar
possam satisfazer suas a solução já definida
necessidades, com destaque
para os seguintes aspectos:
estrutura jurídica ou financeira do
contrato
Além destes casos, vale ressaltar que, a partir da edição da NLL, o diálogo competitivo passa a
poder ser utilizado também para contratação de concessionárias de serviço público48.
48
Alterações promovidas pelo art. 179 da Lei 14.133/2021.
Vale destacar, ainda, que foram vetados os dispositivos do projeto de lei que previam atribuições
específicas dos órgãos de controle externo para monitorar os diálogos competitivos (art. 32, §1º,
XII).
Por fim, destaco a existência da modalidade licitatória prevista na LC 182, de junho de 2021 (que
instituiu o marco legal das startups), que também destina-se à contratação de soluções
inovadoras49.
Concurso
INCIDÊNCIA EM PROVA: ALTA
Primeiramente, saliento que aqui não estamos nos referindo ao “concurso público” para seleção
de pessoal para os quadros da Administração Pública, mas de uma modalidade de licitação, a qual
se destina à celebração de contratos administrativos com o licitante vencedor.
49
A título de aprofundamento, destaco que, na modalidade licitatória especial da LC 182, a Administração
indicará o problema a ser solucionado, sendo que seu edital não necessita obrigatoriamente de divulgação
no Portal Nacional e sua condução é realizada por uma comissão especial com no mínimo 3 pessoas.
Dito isto, destaco que, de modo muito similar à Lei 8.666, a NLL define o concurso como sendo a
modalidade de licitação para escolha de trabalho técnico, científico ou artístico (ou seja, “trabalho
T-C-A”) e para a concessão de prêmios ou remuneração aos vencedores, cujo critério de
julgamento será o de melhor técnica ou conteúdo artístico (art. 6º, XXXIX).
Exemplo: imagine que determinado órgão público pretenda adotar um novo logotipo,
para reformular sua imagem institucional perante a sociedade. Como não possui nenhum
“artista” em seus quadros, pretende contratar, por meio de licitação, um particular para
criação deste logotipo. Como trata-se de um trabalho artístico, teria lugar a realização de
um concurso, em que vários profissionais iriam competir entre si para a criação do
“melhor” logotipo.
Seguindo adiante, como o concurso sujeita-se a um procedimento especial, seu edital deverá
indicará (art. 30): I – a qualificação exigida dos participantes; II – as diretrizes e formas de
apresentação do trabalho; e III – as condições de realização e o prêmio ou remuneração a ser
concedida ao vencedor.
Além disso, nos concursos destinados à elaboração de projeto, o vencedor deverá ceder à
Administração Pública todos os direitos patrimoniais relativos ao projeto e autorizar sua execução
conforme juízo de conveniência e oportunidade das autoridades competentes. Nesse sentido, o
art. 93 da NLL reforça que o uso futuro do projeto pela Administração é livre e não depende de
nova autorização de seu autor.
Em outras palavras, muito embora o autor do projeto seja um particular, ele não mais terá direito
a receber royalties ou outras remunerações pela sua invenção, pois ela foi cedida à Administração.
Além disso, o período de antecedência mínima entre a data da divulgação do edital e a data de
apresentação das propostas/lances é de 35 dias úteis (art. 55, IV).
Leilão
INCIDÊNCIA EM PROVA: ALTA
Leilão consiste na modalidade de licitação para a alienação de bens, sejam eles imóveis ou móveis,
a quem oferecer o maior lance.
Seguindo adiante, a condução do leilão é confiada a (i) leiloeiro oficial ou (ii) a servidor designado
pela Administração (art. 31, caput). No caso de leiloeiro, a Administração deverá selecioná-lo por
meio de credenciamento ou licitação na modalidade pregão, adotando o critério de julgamento
de maior desconto para as comissões a serem cobradas (art. 31, §1º).
Além disso, o período de antecedência mínima entre a data da divulgação do edital e a data de
apresentação das propostas/lances é de 15 dias úteis (art. 55, III).
Lembro que a alienação de bens públicos deve ser precedida de prévia avaliação (art. 76, caput),
de modo a estimar o valor de mercado do bem a ser leiloado. Tal avaliação irá subsidiar a definição
do preço mínimo da alienação, a ser previsto em edital (art. 31, § 2º, II).
Por fim, vale destacar que, no caso do leilão, além da divulgação no sítio eletrônico oficial, o edital
do leilão será afixado em local de ampla circulação de pessoas na sede da Administração e
poderá, ainda, ser divulgado por outros meios necessários para ampliar a publicidade e a
competitividade da licitação (art. 31, §3º). A ideia aqui é maximizar a visibilidade do leilão e, assim,
potencializar o número de interessados em adquirir os bens da Administração.
Concorrência Pregão
•bens e serviços especiais •obrigatório p/ bens e serviços comuns
•obras •facultativo p/ serviços de engenharia comuns
•serviços de engenharia especiais (obrigatória) e •inviável p/ serv. tec. especializados, obras,
comuns (facultativa) objetos especiais e serv. engenharia especiais
•todos os critérios, exceto maior lance •critérios "menor preço" ou "maior desconto"
• procedimento comum •procedimento comum
•agente de contratação ou comissão (facultativo) •pregoeiro
Leilão
•alienação de bens
•leiloeiro oficial ou servidor designado
•critério: maior lance
•procedimento: sem habilitação; sem registro
cadastral prévio
•afixação do edital na sede da Admin.
•antecedência mínima: 15 dias úteis
Sob a égide da Lei 8.666, o valor da licitação, em muitos casos, era decisivo na
definição da modalidade licitatória a ser adotada. Para as provas de concurso
público, tínhamos que decorar aqueles limites de valor que autorizavam a adoção
do convite, tomada de preços e da concorrência.
A boa notícia é que, na nova lei, com a extinção do convite e da tomada de preços,
o valor da licitação é irrelevante para se decidir qual modalidade deve ser adotada.
Isto porque a modalidade passa a ser determinada sempre pela natureza do
objeto licitado (não mais pelo valor).
obras • concorrência
• especiais: concorrência
serviços de engenharia
• comuns: pregão ou concorrência
• especiais: concorrência
serviços em geral
• comuns: pregão
• bens especiais: concorrência
compras
• bens comuns: pregão
alienações • leilão
➢ Ato vinculado
Podemos dizer que, em regra, o gestor público não detém liberdade para “escolher” a
modalidade licitatória a ser utilizada, de modo que dizemos que a adoção da modalidade é ato
vinculado, em regra. Isto porque a adoção de uma modalidade licitatória em detrimento de outras
é determinada prioritariamente pelas características do objeto a ser contratado. Uma vez presente
certa característica do objeto a ser licitado (por exemplo, uma obra), fatalmente a modalidade
estaria predeterminada (no caso, a concorrência). Portanto, como regra, a decisão quanto à
adoção de uma ou outra modalidade é ato vinculado.
No entanto, há uma situação específica em que haverá certa discricionariedade na adoção da
modalidade, que diz respeito à contratação de serviços comuns de engenharia, em que o gestor
poderá escolher entre o pregão ou a concorrência. Neste caso excepcional, portanto, a adoção
da modalidade licitatória seria ato discricionário.
CRITÉRIOS DE JULGAMENTO
INCIDÊNCIA EM PROVA: MÉDIA
Mais adiante neste curso estudaremos como se processa a classificação e o julgamento das
propostas em uma licitação. No entanto, já adianto que, para tais procedimentos, é determinante
o critério de julgamento do fornecedor (anteriormente chamado de “tipo de licitação”).
É justamente aqui que veremos o fator que irá determinar a vitória de um licitante sobre os demais.
O art. 33 da nova Lei prevê os seguintes critérios de seleção do fornecedor (rol taxativo):
50
Além do critério de “técnica e preço”, quando couber (art. 34, caput).
outros fatores vinculados ao seu ciclo de vida, poderão ser considerados para a definição do
menor dispêndio, sempre que for possível sua mensuração objetiva (art. 34, §1º).
Tratando-se do maior desconto, lembro que o preço estimado ou o máximo aceitável constará do
edital da licitação, não sendo compatível com o sigilo do orçamento (art. 24, parágrafo
único). Além disso, o desconto ofertado por ocasião da licitação deverá ser aplicado sobre futuros
aditivos contratuais (art. 34, §2º, parte final). Além disso, o desconto será aplicado sobre o preço
global fixado no edital de licitação (art. 34, §2º, parte inicial).
Aproveito para adiantar que é vedada a utilização isolada do modo de disputa fechado51 quando
adotados os critérios de julgamento de menor preço ou de maior desconto (art. 56, §1º).
51
No modo de disputa fechado as propostas permanecem em sigilo até o momento designado para sua
divulgação.
Este critério poderá ser utilizado em concursos ou concorrências para a contratação de projetos e
trabalhos de natureza técnica, científica ou artística (art. 35).
Neste critério, por meio de uma “banca” composta por no mínimo 3 membros, a Administração
irá avaliar a qualidade técnica da proposta, por meio do cálculo de uma nota ou “índice técnico”.
Na “melhor técnica”, a classificação toma por base, unicamente, o cálculo deste índice técnico
(adiante veremos que, na “técnica e preço”, será também calculado um índice técnico e um de preços).
mínimo de 3 membros
Banca atribui as notas
do “índice técnico” pode ser composta por
“não servidores”
Técnica e preço
Já na “técnica e preço”, que pode ser utilizado apenas na concorrência, são calculados dois
índices, um técnico e outro de preço, fazendo uma média ponderada entre eles, para se definir a
licitante que apresentou a maior pontuação. Será considerado vencedor do certame aquele que
apresentar a melhor média.
Uma novidade da NLL é que, na ponderação entre fatores técnicos e fatores de preço, a nota dos
fatores técnicos não poderá extrapolar o máximo de 70% em relação ao total (art. 36, §2º).
A “técnica e preço” poderá ser utilizada em contratações de (art. 36, §1º)
I – serviços técnicos especializados de natureza predominantemente intelectual, caso em
que o critério de julgamento de técnica e preço deverá ser preferencialmente empregado;
II – serviços majoritariamente dependentes de tecnologia sofisticada e de domínio restrito,
conforme atestado por autoridades técnicas de reconhecida qualificação;
III – bens e serviços especiais de tecnologia da informação e de comunicação;
IV – obras e serviços especiais de engenharia;
V – objetos que admitam soluções específicas e alternativas e variações de execução, com
repercussões significativas e concretamente mensuráveis sobre sua qualidade,
produtividade, rendimento e durabilidade, quando essas soluções e variações puderem ser
adotadas à livre escolha dos licitantes, conforme critérios objetivamente definidos no edital
de licitação.
Outra novidade da Lei 14.133 é que o desempenho pretérito na execução de contratos com a
Administração Pública deverá ser considerado na pontuação técnica (art. 36, § 3º), tanto na
“melhor técnica” como na “técnica e preço” (art. 37, III). Ainda em relação à “técnica e preço”,
quando couber, ela também irá considerar o menor dispêndio para a Administração (art. 34,
caput).
Ainda a respeito da “técnica e preço”, adianto que é vedada a utilização do modo de disputa
aberto52 quando adotado tal critério de julgamento (art. 56, § 2º).
Após o Congresso Nacional derrubar alguns dos vetos, em junho de 2021, passou a viger o
disposto no art. 37, §2º, da nova lei, que estabelece que
Portanto, no caso destes 3 serviços predominantemente intelectuais, caso não sejam contratados
por inexigibilidade e o valor seja de até R$ 300.000,00, o gestor deverá optar pela (i) melhor
técnica ou (ii) técnica e preço.
52
Modo de disputa entre os licitantes em que as propostas são apresentadas de modo público.
53
Valor atualizado para R$ 376.353,48, pelo Decreto 12.343/2024.
Hipóteses
bens e serviços especiais de TIC
(justificativa):
Maior lance
Em outro giro, o maior lance é exclusivo do leilão e, portanto, destina-se às alienações de bens.
Assim, será vencedor da licitação aquele que ofertar o maior valor para arrematar determinado
bem público.
54
Contrato de eficiência consiste, em linhas gerais, à contratação de serviços que têm por objetivo proporcionar
economia ao contratante, na forma de redução de despesas correntes, de sorte que o contratado será remunerado
com base em percentual da economia gerada (Lei 14.133, art. 6º, LIII).
Percebam que o foco deste critério é o contrato que propicie redução de despesas correntes por
parte da Administração (redução da conta de energia, de água etc). Assim, o licitante que vencer
a licitação receberá um percentual da economia que ele conseguir gerar para a Administração.
No maior retorno, o licitante entrega duas propostas à Administração (art. 39, §1º):
a) proposta de trabalho: em que consta as obras, serviços e bens a serem fornecidos e a
economia estimada
b) proposta de preços: que corresponde ao percentual sobre a economia gerada.
Assim, para se apurar quem venceu a licitação, a Administração basta fazermos a diferença entre
o valor da economia estimada (da proposta de trabalho) e da proposta de preços, de modo a
obter a “economia líquida” - art. 39, §2º.
Se, por outro lado, não for gerada a economia prevista, há duas alternativas (art. 39, §4º):
I - a diferença entre a economia contratada e a efetivamente obtida será descontada da
remuneração do contratado;
II - se a diferença entre a economia contratada e a efetivamente obtida for superior ao limite
máximo estabelecido no contrato, o contratado sujeitar-se-á, ainda, a outras sanções cabíveis.
55
Deixamos de incluir o diálogo competitivo dada a inexistência de regra expressa quanto ao critério de
julgamento que poderia ser utilizado.
56
Dada a semelhança da “maior oferta de preço” (Lei 13.303, art. 54, VI) com o “maior lance” da NLL.
PROCEDIMENTOS AUXILIARES
INCIDÊNCIA EM PROVA: MÉDIA
Procedimentos auxiliares (ou “instrumentos auxiliares”) representam mecanismos que, muito
embora não se confundam com modalidades licitatórias, são procedimentos prévios à contratação
dos fornecedores, que, caso utilizados, também irão auxiliar na seleção de fornecedores pela
Administração.
Os procedimentos auxiliares podem ser divididos em dois grupos57, aqueles que já resultam em
contratação e os que antecedem uma licitação e possuem um caráter preparatório. Já adianto
que, no primeiro grupo, podemos incluir o credenciamento e o Sistema de Registro de Preços e,
no segundo, enquadram-se a pré-qualificação, o Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI)
e o registro cadastral.
Estes procedimentos já vinham sendo utilizados na prática58, alguns existiam em atos normativos
esparsos59, outros na própria Lei 8.66660, de sorte que o grande mérito da NLL foi explicitar estes
“procedimentos auxiliares”61 e consolidar suas regras em um único ato normativo.
Nesse sentido, o art. 78 da NLL lista os seguintes procedimentos auxiliares:
Procedimentos auxiliares
• Credenciamento
• SRP – sistema de registro de preços
• Pré-qualificação
• PMI – Procedimento de manifestação de interesse
• Registro cadastral
57
Consoante sistematiza Rodrigo Augusto Lazzari Lahoz, in “Nova Lei de Licitações e Contratos
Administrativos”. 2ª ed. Ed. Zenite.
58
Como no caso do credenciamento, defendido pela doutrina (a exemplo de Joel de Menezes Niebuhr) e
admitido pela jurisprudência do TCU (a exemplo do Acórdão 784/2018-Plenário).
59
A exemplo do Decreto federal 7.892/2013 (registro de preços, mencionado também nas Leis 8.666 e
10.520) e do Decreto federal 8.428/2015 (procedimento de manifestação de interesse – PMI).
60
No caso da pré-qualificação (Lei 8.666, art. 114), do registro cadastral (Lei 8.666, arts. 34-37) e do
próprio registro de preços (Lei 8.666, art. 15).
61
Como já havia feito a Lei 12.462/2011, que trata do RDC – Regime Diferenciado de Contratações, a
partir do art. 29.
Credenciamento Concorrência
Pré-qualificação
Leilão
Procedimento de manifestação
de interesse (PMI) Concurso
Sistema de registro de preços Pregão
(SRP)
Registro cadastral Diálogo competitivo
Credenciamento
O credenciamento, regulamentado no art. 79 da NLL como um dos “procedimentos auxiliares”,
já era muito utilizado na prática para a Administração contratar, sem licitação, determinados
serviços.
No credenciamento tradicional, a Administração divulga uma lista de requisitos para a contratação,
por meio de um edital (“chamamento público”), sendo que todos os particulares que preencherem
os requisitos seriam credenciados para, futuramente, prestarem serviços à Administração sob um
valor fixado por ela, não havendo possibilidade de competição entre eles. Até por esta razão, o
credenciamento foi também listado como hipótese de inexigibilidade de licitação na nova lei de
licitações (art. 74, IV).
62
A exceção fica por conta do registro cadastral, para o qual o legislador não exigiu a divulgação de
edital.
63
Exemplo extraído do Edital de Credenciamento TCU 01/2018.
64
Exemplo extraído do Edital de Credenciamento 01/2020 do Ministério da Economia.
Em relação aos preços, a NLL estabelece que, nas duas primeiras hipóteses acima, o edital do
credenciamento irá fixar o valor da contratação. Tratando-se, no entanto, do credenciamento em
razão de mercados fluidos, o valor não é fixado previamente, mas fruto da oscilação do momento.
Assim, neste último caso, a Administração deverá registrar as cotações de mercado vigentes no
momento da contratação, para viabilizar controle futuro a respeito dos preços contratados.
Pré-qualificação
Outro instrumento auxiliar consiste na pré-qualificação65, que é um procedimento seletivo prévio
à licitação, convocado por meio de edital, destinado à análise das condições de habilitação, total
ou parcial, dos interessados ou do objeto (art. 6º, XLIV).
Em outras palavras, para facilitar a realização de licitações futuras, a Administração pode realizar,
previamente, a pré-qualificação, destinada a promover uma “pré-seleção” de licitantes e produtos
capazes de atender a requisitos esperados.
Assim, nos termos do art. 80, a pré-qualificação é o procedimento técnico-administrativo para
selecionar previamente:
65
A pré-qualificação já era prevista na Lei 8.666, especificamente para concorrências em que o objeto
da licitação recomendava análise mais detida da qualificação técnica dos interessados (art. 114, Lei
8.666/1993).
Além disso, no caso de pré-qualificação de bens, estes deverão integrar o catálogo de bens e
serviços da Administração (art. 80, §5º).
pré-qualificação habilitação
Registro cadastral
O registro cadastral será utilizado para cadastro unificado de licitantes e constará do Portal
Nacional de Contratações Públicas (PNCP) – art. 87.
O sistema de registro cadastral unificado será público e deverá ser amplamente divulgado e estar
permanentemente aberto aos interessados. Além disso, será obrigatória a realização de
chamamento público pela internet, no mínimo anualmente, para atualização dos registros
existentes e para ingresso de novos interessados (art. 87, § 1º).
Além disso, para não restringir indevidamente a participação em certames licitatórios, o legislador
proibiu a exigência, pelo órgão licitante, de registro cadastral complementar como condição para
acesso ao edital (art. 87, § 2º).
Assim como na pré-qualificação, aqui a Administração também poderá realizar licitação restrita a
fornecedores cadastrados66 (art. 87, §3º), sendo admitido ao fornecedor que não estava
cadastrado que o realize dentro do prazo previsto no edital para apresentação de propostas (art.
87, §4º).
Ao solicitar sua inscrição no cadastro (ou sua atualização) a empresa interessada fornecerá os
documentos necessários e, ao final, receberá um certificado, renovável sempre que atualizar o
registro (art. 88, §2º).
Uma das novidades do registro cadastral da NLL é que o sistema deverá, também, armazenar o
desempenho pretérito na execução de contratos com a Administração Pública (art. 88, §3º), o que
será computado na “pontuação técnica” em licitações que adotem o critério “técnica e preço” ou
“melhor técnica” (art. 36, § 3º).
De toda forma, para acelerar a condução dos certames licitatórios, a documentação relacionada à
habilitação dos fornecedores, durante uma licitação, pode ser substituída por registro cadastral
(art. 70, II)67. No caso do leilão, no entanto, o prévio registro cadastral não pode ser exigido para
participação no certame (art. 31, §4º).
Detalhe interessante é que o licitante que ainda não possuir registro cadastral e deseje participar
de processo licitatório, ainda assim poderá participar até a decisão da Administração, sendo que
a celebração do contrato ficará condicionada à emissão do certificado de registro no cadastro (art.
88, §6º).
66
Similar ao que era previsto na Lei 8.666/1993 com a modalidade “tomada de preços”.
67
Como já era possível sob a égide da Lei 8.666 (art. 32, §3º, Lei 8.666/1993).
68
Utilizado inicialmente no contexto de delegação da prestação de serviços públicos, consoante indica o
art. 21 da Lei 8.987/1995.
Agora notem que não há garantia de que que os estudos serão aproveitados. É possível que um
particular gaste recursos próprios elaborando estes estudos e estes sejam, ao final, descartados
pela Administração.
E, mesmo se forem aproveitados, a Administração não irá pagar pelos estudos. Isto porque, no
caso de aproveitamento, quem remunera o autor dos estudos é o vencedor da futura licitação
para execução daquele projeto. Em outras palavras, cabe ao vencedor da licitação remunerar
aquele que desenvolveu os estudos relacionados ao objeto posteriormente licitado.
Exemplo: ainda tomando por base o exemplo anterior de PMI para estudos de viabilidade
para concessão de serviços dentro de parque ambiental. Aquele que elaborou os estudos
somente seria remunerado pela empresa que, futuramente, viesse a ganhar a licitação
para prestação dos serviços que foram objeto do estudo.
Portanto, o vencedor da licitação resultante do PMI já sabe, de antemão, que terá que remunerar
o autor dos estudos do PMI, de sorte que irá incluir este valor em sua proposta.
---
Dito isso, faz-se oportuno destacar que a realização, pela iniciativa privada, dos estudos (art. 81):
I - não atribui ao autor dos estudos direito de preferência no futuro processo licitatório;
II - não obrigará o poder público a realizar licitação para execução do projeto;
III - não implicará, por si só, direito a ressarcimento de valores envolvidos em sua
elaboração;
IV - será remunerada somente pelo vencedor da licitação, vedada, em qualquer hipótese,
a cobrança de valores do poder público.
A NLL prevê benefício específico para as startups. Isto porque a Administração poderá publicar
edital de chamamento público destinado exclusivamente a microempreendedores individuais, as
microempresas e as empresas de pequeno porte, de natureza emergente e com grande potencial,
que se dediquem à pesquisa, ao desenvolvimento e à implementação de novos produtos (art.
81, §4º).
69
Trecho adaptado da obra: “Sistema de registro de preço e pregão presencial e eletrônico”, Jacoby
Fernandes, 2008, p. 31.
Tal mecanismo, caso bem utilizado, apresenta inúmeras vantagens, como a padronização dos bens
e serviços contratados, o ganho de escala (já que quanto maior a quantidade de produtos a serem
fornecidos, maiores os descontos concedidos), a racionalização administrativa e a redução de
custos administrativos (em vez de vários entes públicos realizarem várias licitações, apenas uma
licitação é realizada).
Não por outro motivo a NLL também previu que, quando pertinente, as compras deverão ser
processadas por meio de sistema de registro de preços (art. 40, II).
Comparando com as regras anteriores (Leis 8.666 e 10.520 e Decreto federal 7.892/2013), adianto
que as principais alterações quanto ao SRP foram as seguintes:
70
Anteriormente à Lei 14.133/2021, admitia-se excepcionalmente a adoção do critério “técnica e preço”
(Decreto 7.892/2013, art. 7º, §1º).
71
A exemplo do Acórdão 1.347/2018 – Plenário.
Durante o período de validade da ata, será possível a alteração dos preços (nas condições previstas
em edital - art. 82, VI) e a atualização periódica dos preços registrados (art. 82, §5º, IV).
Não obrigatoriedade de contratação
Uma pergunta que pode surgir diz respeito à obrigatoriedade ou não de a Administração celebrar
um contrato com o fornecedor selecionado via registro de preços. Nesse sentido, destacamos o
seguinte dispositivo:
Portanto, o fato de um órgão público ter realizado licitação para registro de preços ou de ter sido
registrada uma ata não torna obrigatória a celebração do contrato com o fornecedor. Assim como
em uma licitação qualquer, a necessidade que gerou o registro de preços pode se modificar ou,
até mesmo, deixar de existir, após a conclusão do certame licitatório. Dessa forma, o ente público
pode deixar de contratar o fornecedor registrado.
Mas, se, por um lado, a Administração não é obrigada a contratar aquilo que fora selecionado por
meio de licitação para registro de preços, por outro, o fornecedor é, sim, obrigado a honrar sua
proposta, caso a Administração o convoque para celebrar contrato, durante a vigência da ata 72.
Caso ele não obedeça à convocação, em tese estaria sujeito a penalidades legais.
Entretanto, caso, durante a validade da ata, o ente público resolva contratar aqueles bens ou
serviços registrados, poderia ainda optar por realizar uma licitação específica para aquela
demanda e, assim, deixar de “aproveitar” a ata registrada. Neste caso, seria necessária uma
justificativa por parte da Administração (art. 83, parte final).
Portanto, o teor obrigacional da Ata de Registro de Preços (ARP), que comentamos acima, aplica-
se apenas em relação ao particular com produtos registrados, visto que não obriga a
Administração.
72
Esta obrigação de fornecimento alcança apenas as quantidades e órgãos registrados na ata, não
incluindo, no entanto, os “caronas”, comentados mais adiante.
“Documento
vinculativo e Para o fornecedor
obrigacional”
1 ano
Validade
Prorrogação por
igual período
preços. Ele fica sabendo da intenção de se fazer o registro de preços divulgado pelo órgão
gerenciador, manifesta seu interesse e participa do planejamento da licitação, informando,
entre outras coisas, a quantidade da qual necessita.
C) Órgão não participante – órgão ou entidade da Administração Pública que, não tendo
participado dos procedimentos iniciais da licitação, atendidos os requisitos desta norma,
faz adesão à ata de registro de preços.
Quanto a este último órgão, vale fazer uma ressalva especial. Ele é o chamado “carona”. Ele não
está mencionado na ata, mas mediante concordância (i) do fornecedor e (ii) do órgão gerenciador,
poderá celebrar contratos a partir da ata. Neste caso, o “carona” terá que demonstrar, ainda, que
a adesão é vantajosa e que os valores registrados estão compatíveis com os valores praticados
pelo mercado (art. 86, §2º, I e II).
Com relação à quantidade máxima prevista para as adesões, vale a pena lermos atentamente dois
parágrafos do art. 86 da NLL.
Sim! Vejamos:
- O primeiro consiste em um limite individual, ou seja, para cada órgão não participante que
desejar aderir ao registro de preços. Nesse caso, a quantidade máxima que um órgão não
participante (carona) pode contratar por meio do registro de preços é metade da quantidade
registrada em ata, isto é, 50% da quantidade registrada;
As exceções a tal limitação constam dos arts. 86, §6º e 7º, dizendo respeito à (i) execução
descentralizada de programa ou projeto federal (como em um convênio), na hipótese de restar
comprovada a compatibilidade dos preços registrados com os valores praticados no mercado,
bem como na (ii) aquisição emergencial de produtos da área de saúde.
limite
metade
individual da quantidade
total registrada
adesões ao limite
registro de preço dobro
global
por "caronas" -
limites excecução descentralizada
de programas federais
exceções
emergência na área de
saúde
Art. 86, § 8º Será vedada aos órgãos e entidades da Administração Pública federal
a adesão à ata de registro de preços gerenciada por órgão ou entidade estadual,
distrital ou municipal.
Além da vedação acima, vale destacar uma regra importante inserida na NLL a partir da Lei
14.770/2023, para as adesões por municípios. Diferentemente da U, E e DF, os municípios
somente poderão aderir a atas de registros de preços de outros municípios desde que a ata tenha
sido fruto de procedimento licitatório:
Em síntese, as adesões por municípios a atas municipais poderão ocorrer, desde que a ata não
seja resultante de uma contratação direta.
Registro de preços para obras e serviços de engenharia
Anteriormente à NLL, o SRP vinha sendo utilizado para contratações de bens e de serviços 73. O
legislador, no entanto, decidiu ampliar sua utilização, passando a incluir locações de bens e obras
e serviços de engenharia74 (art. 6º, XLV).
Em relação às obras e serviços de engenharia, a adoção do registro de preços exige o atendimento
aos seguintes requisitos adicionais (art. 85):
I - existência de projeto padronizado, sem complexidade técnica e operacional;
II - necessidade permanente ou frequente de obra ou serviço a ser contratado.
Outras peculiaridades da licitação via SRP
O edital de licitação para SRP deverá prever uma série de regras do processo seletivo, chamando
a atenção ainda os seguintes aspectos (art. 82):
❑ possibilidade de serem registrados preços diferentes para um mesmo item (por exemplo,
quando o objeto for entregue em locais diferentes)
73
Tomando por base os termos do Decreto federal 7.892/2013.
74
Seguindo a jurisprudência do TCU, a exemplo do Acórdão 3.605/2014-Plenário (desde que a demanda
pelo objeto seja repetida e rotineira).
CONCLUSÃO
Bem, pessoal,
O assunto é novo e, como vocês perceberam, especialmente revestido de detalhes. Conhecer
estas novas regras certamente será um “diferencial competitivo” nestas primeiras provas. Então
siga firme, pois nada resiste ao estudo!!
Na primeira leitura deste material, não se preocupe em absorver todos os detalhes. Procure
assimilar, especialmente, as características de cada modalidade de licitação, os critérios de
julgamento das propostas e os procedimentos auxiliares.
Buscamos sistematizar, ao máximo, a absorção das novas regras e a comparação com as
disposições anteriores, sistematizando as novas regras.
As questões que se seguem, inéditas e adaptadas, vão ajudar neste caminho!
Espero que gostem =)
RESUMO
Introdução:
reservas internacionais
entidades controladas (ato normativo do Bacen)
não se aplica
• operações de crédito e gestão da dívida pública
• Contratações sujeitas à legislação própria
aplicação subsidiária
• licitações para serviços de publicidade (Lei 12.232/2010)
• licitações p/ concessão de serviço público (Leis 8.987/95 e 11.079/04)
Princípios expressos:
impessoalidad
legalidade moralidade publicidade eficiência
e
desenvolviment
economicidad competitividad
eficácia celeridade o nacional
e e
sustentável
interesse probidade
igualdade planejamento transparência
público administrativa
razoabilidade
e segurança segregação de vinculação ao
motivação
proporcionali jurídica funções edital
dade
julgamento
objetivo
Modalidades:
Critérios de julgamento:
Procedimentos auxiliares:
Procedimento Características
- contratação paralela
e não excludente Preço fixado em edital
(contratação paralela e
Inexigibilidade de
Credenciamento - seleção a critério de não excludente /
licitação
terceiros seleção a critério de
terceiros)
- mercados fluidos
- licitantes - permanente Licitação pode ser
Pré-qualificação restrita a pré-
- bens - Máximo de 1 ano qualificados
Licitação pode ser
- permanente restrita a cadastrados
(admitido cadastro
Cadastro unificado de
Registro cadastral - Chamamento dentro do prazo das
licitantes
público ao menos a propostas)
cada ano
Leilão: exige R.C.
Autor não tem
preferência em
elaboração de futuro processo
estudos, licitatório; não é estudos não obrigarão
PMI – proced. manif.
levantamentos e remunerado pelo poder público a
de interesse
projetos de soluções poder público; caso realizar licitação
inovadoras aproveitados,
remunerado pelo
vencedor da licitação
Existência da ata não
Seleção via pregão, Validade 1 ano obriga a contratar;
SRP – sist. de reg. de
concorrência ou (prorrog. igual mas obriga particular a
preços
contratação direta período) fornecer, caso
convocado
QUESTÕES COMENTADAS
1. Cebraspe/TRF 6/ Analista - 2025
O incentivo à inovação e ao desenvolvimento sustentável é um dos objetivos a serem buscados
no âmbito do processo licitatório, conforme expressamente previsto pela Lei n.º 14.133/2021.
Comentários:
O item prevê corretamente um dos objetivos das licitações:
Lei 14.133/2021, Art. 11 - O processo licitatório tem por objetivos: (..)
IV - Incentivar a inovação e o desenvolvimento nacional sustentável.
Gabarito (Certo)
2. Cebraspe/TRF 6/ Analista - 2025
O processo licitatório para registro de preços será realizado na modalidade concorrência ou
pregão, devendo ser adotado como critério de julgamento o menor preço ou o maior retorno
econômico.
Comentários:
O item está incorreto, pois o critério de julgamento do registro de preço será ou o menor preço
ou o maior desconto sobre tabela de preços praticada no mercado, conforme prevê o Art. 82,
inciso V, da Lei 14.133/2021:
Lei 14.133/2021, Art. 82 - O edital de licitação para registro de preços observará
as regras gerais desta Lei e deverá dispor sobre:
V - O critério de julgamento da licitação, que será o de menor preço ou o de
maior desconto sobre tabela de preços praticada no mercado;
Gabarito (Errado)
3. Cebraspe/TRF 6/ Analista - 2025
A Lei n.º 14.133/2021 define credenciamento como o procedimento seletivo prévio à licitação,
convocado por meio de edital e destinado à análise das condições de habilitação dos
interessados.
Comentários:
O item está incorreto, pois trouxe a definição de pré-qualificação, não do credenciamento:
Lei 14.133/2021, Art. 6º - Para os fins desta Lei, consideram-se: (..)
XLIII - credenciamento: processo administrativo de chamamento público em que
a Administração Pública convoca interessados em prestar serviços ou fornecer
bens para que, preenchidos os requisitos necessários, se credenciem no órgão ou
na entidade para executar o objeto quando convocados;
XLIV - pré-qualificação: procedimento seletivo prévio à licitação, convocado por
meio de edital, destinado à análise das condições de habilitação, total ou parcial,
dos interessados ou do objeto;
Gabarito (Errado)
4. Cebraspe – PC DF/Agente Administrativo - 2025
São previstas na lei as seguintes modalidades de licitação: pregão, concorrência, concurso,
convite, leilão, tomada de preços e diálogo competitivo.
Comentários:
O item está incorreto, pois o convite e a tomada de preços não são modalidades de licitação,
conforme prevê o Art. 28 da Lei 14.133/2021:
Lei 14.133/2021, Art. 28 - São modalidades de licitação:
I - Pregão;
II - Concorrência;
III - Concurso;
IV - Leilão;
V - Diálogo competitivo.
Gabarito (Errado)
5. CEBRASPE/TSE/2024
Em se tratando de licitações e contratações com recursos provenientes de empréstimo de
organismo financeiro de que o Brasil seja parte, podem ser admitidas condições peculiares à
seleção e à contratação constantes das normas do organismo, desde que respeitados os
requisitos legais.
Comentários:
Item que cobrou regra específica para licitações financiadas com recursos oriundos de (i) agência
oficial de cooperação estrangeira ou (ii) organismo financeiro de que o Brasil seja parte, a qual
permite condições peculiares na licitação:
Lei 14.133/21, Art. 1º, § 3º - Nas licitações e contratações que envolvam recursos
provenientes de empréstimo ou doação oriundos de agência oficial de
cooperação estrangeira ou de organismo financeiro de que o Brasil seja parte,
podem ser admitidas:
II - Condições peculiares à seleção e à contratação constantes de normas e
procedimentos das agências ou dos organismos, desde que:
a) sejam exigidas para a obtenção do empréstimo ou doação;
b) não conflitem com os princípios constitucionais em vigor;
c) sejam indicadas no respectivo contrato de empréstimo ou doação e tenham
sido objeto de parecer favorável do órgão jurídico do contratante do
financiamento previamente à celebração do referido contrato;
Gabarito (Certo)
6. CEBRASPE/TSE/2024
revogado.
Gabarito (Errado)
7. CEBRASPE/TSE/2024
A administração pública, mediante prévia declaração de interesse público, poderá combinar as
modalidades de licitação previstas na Lei n.º 14.133/2021.
Comentários:
O item está incorreto, pois é vedada a criação de novas modalidades de licitação, bem como a
combinação daquelas previstas na Lei de licitações, conforme prevê o Art. 28, § 2º, da Lei
14.133/21.
Lei 14.133/21, Art. 28 - São modalidades de licitação:
I - Pregão;
II - Concorrência;
III - Concurso;
IV - Leilão;
V - Diálogo competitivo.
§ 2º - É vedada a criação de outras modalidades de licitação ou, ainda, a
combinação daquelas referidas no caput deste artigo.
Gabarito (Errado)
8. CEBRASPE/TSE/2024
Lei local pode estabelecer como condição para a participação no certame licitatório que a
empresa licitante tenha fábrica ou sede na respectiva unidade federativa, sem que se infrinja o
princípio da igualdade.
Comentários:
Pelo contrário! Segundo o STF, é inconstitucional a lei estadual que estabeleça como condição
de acesso a licitação pública, para aquisição de bens ou serviços, que a empresa licitante tenha a
fábrica ou sede no Estado-membro (ADI 3.583/PR)
Comentários:
Como o TSE é um órgão federal, ele não poderia aderir a atas de registro de preços de origem
estadual, distrital ou municipal, por força da vedação constante do Art. 86, § 8º, da Lei
14.133/21.
Lei 14.133/21, Art. 86, §8º - Será vedada aos órgãos e entidades da
Administração Pública federal a adesão à ata de registro de preços gerenciada
por órgão ou entidade estadual, distrital ou municipal.
Gabarito (Certo)
12.CEBRASPE/CNJ-2024
A organização pública licitante pode exigir registro cadastral complementar de potenciais
fornecedores para o acesso ao edital de licitação e a seus anexos.
Comentários:
Pelo contrário, é vedada tal exigência, visto que poderia limitar indevidamente a competição nas
licitações:
Art. 87, § 2º É proibida a exigência, pelo órgão ou entidade licitante, de registro
cadastral complementar para acesso a edital e anexos.
Gabarito (E)
13.CEBRASPE/CNJ-2024
É vedado à administração pública realizar licitação restrita a fornecedores cadastrados.
Comentários:
Pelo contrário, a Lei permite a realização restrita a licitantes cadastrados:
Art. 87, § 3º A Administração poderá realizar licitação restrita a fornecedores
cadastrados, atendidos os critérios, as condições e os limites estabelecidos em
regulamento, bem como a ampla publicidade dos procedimentos para o
cadastramento.
Vale destacar, todavia, que neste caso será admitido fornecedor que realize seu cadastro dentro
do prazo previsto no edital para apresentação de propostas.
Gabarito (E)
14.CEBRASPE/CNJ-2024
A modalidade diálogo competitivo pode ser adotada na licitação quando for impossível à
administração pública definir, com precisão suficiente, as especificações técnicas do objeto.
Comentários:
O item aborda corretamente uma das situações que autorizam a adoção do diálogo competitivo:
Art. 32. A modalidade diálogo competitivo é restrita a contratações em que a
Administração:
I - vise a contratar objeto que envolva as seguintes condições:
B) concurso.
C) diálogo competitivo.
D) pregão.
E) tomada de preços.
Comentários:
De acordo com o art. 6º, XIV, da Lei n.º 14.133/2021, os bens e serviços especiais são aqueles
que por sua alta heterogeneidade ou complexidade, não podem ser descritos na forma de bens
e serviços comuns, exigida justificativa prévia do contratante.
A letra (A) está correta, a própria definição de concorrência da Nova Lei de Licitações dispõe
sobre a sua aplicabilidade nos casos de contratação de bens e serviços especiais:
Lei n.º 14.133/2021, art. 6º Para os fins desta Lei, consideram-se:
XXXVIII - concorrência: modalidade de licitação para contratação de bens e
serviços especiais e de obras e serviços comuns e especiais de engenharia, cujo
critério de julgamento poderá ser:
A letra (B) está incorreta, o concurso é aplicável na escolha de trabalho técnico, científico ou
artístico:
Lei n.º 14.133/2021, art. 6º, XXXIX - concurso: modalidade de licitação para
escolha de trabalho técnico, científico ou artístico, cujo critério de julgamento
será o de melhor técnica ou conteúdo artístico, e para concessão de prêmio ou
remuneração ao vencedor;
A letra (C) está incorreta, conforme art. 32, I, da Lei n.º 14.133/2021, o diálogo competitivo é
restrito a contratações em que administração visa contratar objeto que envolva as seguintes
condições: a) inovação tecnológica ou técnica; b) impossibilidade de o órgão ou entidade ter sua
necessidade satisfeita sem a adaptação de soluções disponíveis no mercado; e c) impossibilidade
de as especificações técnicas serem definidas com precisão suficiente pela Administração.
A letra (D) está incorreta, o objeto principal da modalidade pregão é a aquisição de bens e
serviços comuns:
Lei n.º 14.133/2021, art. 6º, XLI - pregão: modalidade de licitação obrigatória
para aquisição de bens e serviços comuns, cujo critério de julgamento poderá ser
o de menor preço ou o de maior desconto;
A letra (E) está incorreta, a tomada de preços, prevista na Lei nº 8.666/1993, não está mais
disciplinada na Lei n.º 14.133/2021.
Gabarito (A)
18.CEBRASPE/CGE-RJ - 2024
Concorrência é a modalidade licitatória utilizada para a contratação de bens e serviços comuns,
cujo critério de julgamento poderá ser o de maior desconto.
Comentários
Questão incorreta, a concorrência pode ser utilizada para contratação de bens e serviços
especiais e de obras e serviços comuns e especiais de engenharia, não estando restrita a
contratação de bens e serviços comuns. Ademais, o maior desconto realmente é um dos critérios
de julgamento possíveis para a modalidade concorrência, conforme Lei nº 14.133/2021:
Art. 6º, XXXVIII - concorrência: modalidade de licitação para contratação de bens
e serviços especiais e de obras e serviços comuns e especiais de engenharia, cujo
critério de julgamento poderá ser:
a) menor preço;
b) melhor técnica ou conteúdo artístico;
c) técnica e preço;
d) maior retorno econômico;
e) maior desconto;
Gabarito (E)
19.CEBRASPE/CGE-RJ - 2024
A inovação e o desenvolvimento nacional sustentável devem ser observados no processo
licitatório.
Comentários
Questão correta, tanto a inovação quanto o desenvolvimento nacional sustentável são objetivos a
serem atingidos pelo processo licitatório, conforme Lei nº 14.133/2021:
Art. 11. O processo licitatório tem por objetivos:
IV - incentivar a inovação e o desenvolvimento nacional sustentável.
Gabarito (C)
20.CEBRASPE/CNPQ - 2024
No processo licitatório para aquisição de bens, o valor estimado é definido com base no menor
preço.
Comentários
Nos termos da Lei nº 14.133/2021:
Art. 23, § 1º No processo licitatório para aquisição de bens e contratação de
serviços em geral, conforme regulamento, o valor estimado será definido com
base no melhor preço aferido por meio da utilização dos seguintes parâmetros,
adotados de forma combinada ou não:
A avaliação do melhor preço se refere a proposta mais vantajosa para a administração pública,
permitindo uma avaliação mais abrangente, que leva em conta diferentes elementos além do
custo. Portanto, a questão está incorreta.
Gabarito (E)
21.CEBRASPE/CNPQ - 2024
É possível a adesão de órgão não participante do processo licitatório à ata de registro de preços
cujo objeto seja a aquisição de computadores.
Comentários
Nos termos da Lei nº 14.133/2021:
Art. 86. O órgão ou entidade gerenciadora deverá, na fase preparatória do
processo licitatório, para fins de registro de preços, realizar procedimento público
de intenção de registro de preços para, nos termos de regulamento, possibilitar,
pelo prazo mínimo de 8 (oito) dias úteis, a participação de outros órgãos ou
entidades na respectiva ata e determinar a estimativa total de quantidades da
contratação.
§ 2º Se não participarem do procedimento previsto no caput deste artigo, os
órgãos e entidades poderão aderir à ata de registro de preços na condição de
não participantes, observados os seguintes requisitos:
I - apresentação de justificativa da vantagem da adesão, inclusive em situações
de provável desabastecimento ou descontinuidade de serviço público;
II - demonstração de que os valores registrados estão compatíveis com os valores
praticados pelo mercado na forma do art. 23 desta Lei;
III - prévias consulta e aceitação do órgão ou entidade gerenciadora e do
fornecedor.
Assim, é possível a adesão de órgão não participante à ata de SRP, desde que cumpra com os
requisitos da apresentação de justificativa da vantagem da adesão, demonstração de
compatibilidade dos preços com os valores do mercado e a prévia consulta e aceitação do órgão
gerenciador. Logo, questão correta.
Gabarito (C)
22.CEBRASPE/TCDF– Auditor TI - 2023
Em concurso destinado à elaboração de projetos, o vencedor deverá ceder à administração
pública todos os direitos patrimoniais relativos ao projeto, autorizando a execução deste
conforme o juízo discricionário da autoridade competente.
Comentários
Questão correta, conforme art. 30, parágrafo único da Lei n.º 14.133/2021:
Lei nº 14.133/2021, art. 30, parágrafo único. Nos concursos destinados à
elaboração de projeto, o vencedor deverá ceder à Administração Pública, nos
termos do art. 93 desta Lei, todos os direitos patrimoniais relativos ao projeto e
autorizar sua execução conforme juízo de conveniência e oportunidade das
autoridades competentes.
Gabarito (C)
23.CEBRASPE/TCDF– Auditor TI - 2023
Entre as hipóteses legais que admitem a regência da referida norma de licitações estão a
alienação e a concessão de direito real de uso de bens.
Comentários
Questão correta, conforme art. 2º da Lei nº 14.133/2021:
Lei nº 14.133/2021, art. 2º Esta Lei aplica-se a:
I - alienação e concessão de direito real de uso de bens;
Gabarito (C)
24.CEBRASPE/TCDF– Auditor TI - 2023
Em respeito aos princípios que regem a administração pública, em especial, o da publicidade e o
da moralidade, é vedado, em qualquer hipótese, o sigilo dos contratos e termos aditivos.
Comentários
Questão errada, já que os contratos administrativos e termos aditivos devem ser públicos, em
regra, pois devem respeito ao princípio da publicidade e da transparência. Entretanto, é admitido
o sigilo de contratos e termos aditivos quando for imprescindível (necessário) à segurança da
sociedade e do Estado:
Lei nº 14.133/2021, art. 91. Os contratos e seus aditamentos terão forma escrita e
serão juntados ao processo que tiver dado origem à contratação, divulgados e
mantidos à disposição do público em sítio eletrônico oficial.
§ 1º Será admitida a manutenção em sigilo de contratos e de termos aditivos
quando imprescindível à segurança da sociedade e do Estado, nos termos da
legislação que regula o acesso à informação.
Gabarito (E)
25.CEBRASPE/AGER-MT - Técnico Administrativo - 2023
No que se refere à Agência de Regulação dos Serviços Públicos Delegados do Estado de Mato
Grosso, assinale a opção correta, considerando a Lei n.º 14.133/2021e a Lei n.º 10.520/2002 e
suas alterações.
A) Por ser uma sociedade de economia mista, a referida agência, caso deseje realizar a locação
de imóvel, deverá seguir as regras da Lei n.º 14.133/2021.
B) Por ser um órgão da administração direta, é vedada a essa agência utilizar a modalidade
pregão, em observância às disposições da Lei n.º 10.520/2002.
C) Por ser uma empresa pública, a Lei n.º 14.133/2021 não se aplica a esse órgão.
D) Por ser uma autarquia, essa agência, quando da contratação de um serviço técnico
especializado, deve aplicar a Lei n.º 14.133/2021.
E) Por ser um órgão da administração indireta, se essa agência desejar realizar um contrato que
tenha por objeto operação de crédito, deverá seguir as regras da Lei n.º 14.133/2021.
Comentários:
Vamos comentar esta questão à luz da nova lei de licitações, apesar de mencionar a legislação do
Estado do MT. A alternativa (A) está incorreta. As agências reguladoras são tipicamente de
natureza autárquica, o que já torna a alternativa, de plano, errada, ao afirmar que a AGER-MT
seria uma sociedade de economia mista (é autarquia criada pela Lei estadual 7.101/1999). Além
disso, as sociedades de economia mista não seguem a Lei 14.133/2021, mas a Lei 13.303/2016:
Lei 14.133/2021, art. 1º, § 1º Não são abrangidas por esta Lei as empresas
públicas, as sociedades de economia mista e as suas subsidiárias, regidas pela Lei
nº 13.303, de 30 de junho de 2016, ressalvado o disposto no art. 178 desta Lei.
Quanto à alternativa (D), correta, a contratação de tal serviço por uma autarquia submete-se sim
à nova lei de licitações:
Lei 14.133/2021, art. 2º Esta Lei aplica-se a:
V - prestação de serviços, inclusive os técnico-profissionais especializados;
Gabarito (D)
26.CEBRASPE/TJ-CE - Técnico Judiciário – Judiciária - "Sem Especialidade" - 2023
O tratamento diferenciado e preferencial atribuído às micro e pequenas empresas nas licitações
públicas é uma exceção ao princípio licitatório denominado
A) princípio da economicidade.
B) princípio da legalidade.
C) princípio da isonomia.
D) princípio da moralidade.
E) princípio da impessoalidade.
Comentários:
A alternativa (C) está correta. O princípio da isonomia impõe que todos os participantes da
licitação sejam tratados de forma igualitária, sem favorecimentos ou discriminações que não
sejam previstos em lei. Portanto, sob este raciocínio, considerando que o tratamento
diferenciado às pequenas e microempresas constituiu favorecimento, podemos concluir que é
exceção ao princípio licitatório da isonomia. De toda forma, não há qualquer irregularidade nisso,
visto que trata-se de favorecimento previsto diretamente na Lei.
Gabarito (C)
27. CEBRASPE/CNMP - Analista - Tecnologia da Informação e Comunicação - Suporte e
Infraestrutura - 2023
Julgue o item a seguir conforme a Lei n.º 14.133/2021, que dispõe sobre licitações e contratos na
administração pública.
A lei em apreço veda expressamente que militar do Exército Brasileiro, mesmo no âmbito do
Ministério da Defesa, desempenhe a função de pregoeiro.
Comentários:
Pelo contrário! Seguindo o que já previa a Lei 10.520/2002, a nova lei não vedou a atividade de
pregoeiro aos militares.
Gabarito (E)
28. CEBRASPE/MPE-BA - Promotor de Justiça - 2023
I - As determinações da Lei n.º 14.133/2021 se aplicam sempre que houver uso de recursos
públicos por órgãos da administração direta, indireta, fundacional e por sociedades de economia
mista.
II - As determinações da Lei n.º 14.133/2021 abrangem os fundos especiais e demais entidades
sujeitas a controle direto ou indireto da administração pública.
III - As determinações da Lei n.º 14.133/2021 abrangem os órgãos do Poder Judiciário dos
estados e municípios quando no desempenho de função administrativa.
Assinale a opção correta.
A) Apenas o item I está certo.
B) Apenas os itens I e III estão certos.
C) Apenas os itens I e II estão certos.
D) Apenas os itens II e III estão certos.
E) Todos os itens estão certos.
Comentários:
O item I está incorreto, visto que as sociedades de economia mista não são alcançadas pelas
novas regras licitatórias:
Art. 1º, § 1º Não são abrangidas por esta Lei as empresas públicas, as sociedades
de economia mista e as suas subsidiárias, regidas pela Lei nº 13.303, de 30 de
junho de 2016, ressalvado o disposto no art. 178 desta Lei.
Os itens II e III estão corretos, considerando o alcance da nova lei:
Art. 1º, I - os órgãos dos Poderes Legislativo e Judiciário da União, dos Estados e
do Distrito Federal e os órgãos do Poder Legislativo dos Municípios, quando no
desempenho de função administrativa;
II - os fundos especiais e as demais entidades controladas direta ou
indiretamente pela Administração Pública.
Gabarito (D)
35. CEBRASPE/SEE-PE - Analista - 2022
O orçamento estimado para contratação mediante o procedimento licitatório pode ter caráter
sigiloso, inclusive, em relação aos órgãos de controle externo.
Comentários:
Embora seja possível, de maneira justificada, o sigilo do orçamento utilizado para a licitação, os
órgãos de controle deverão ter acesso ao orçamento elaborado, mesmo que sigiloso:
Lei 14.133, art. 24. Desde que justificado, o orçamento estimado da contratação
poderá ter caráter sigiloso, sem prejuízo da divulgação do detalhamento dos
quantitativos e das demais informações necessárias para a elaboração das
propostas, e, nesse caso:
I - o sigilo não prevalecerá para os órgãos de controle interno e externo;
Gabarito (E)
36. CEBRASPE/TCE-SC - 2022
As contratações realizadas no âmbito das repartições públicas sediadas no exterior seguirão
obrigatoriamente a instrução processual e os procedimentos estabelecidos na Lei n.º
14.133/2021.
Comentários:
Não é por aí. As contratações realizadas por repartições públicas sediadas no exterior
obedecerão às peculiaridades locais e apenas aos princípios básicos estabelecidos na nova lei.
Portanto, tais representações estarão submetidas apenas aos princípios básicos da nova lei (não à
sua integralidade):
Art. 1º, § 2º As contratações realizadas no âmbito das repartições públicas
sediadas no exterior obedecerão às peculiaridades locais e aos princípios básicos
estabelecidos nesta Lei, na forma de regulamentação específica a ser editada por
ministro de Estado.
Gabarito (E)
37. CEBRASPE/SEFAZ-CE - Auditor - 2021
As normas gerais de licitação e contratação previstas pela Lei n.º 14.133/2021 aplicam-se, em
regra, às administrações públicas diretas, autárquicas e fundacionais da União, dos estados, do
Distrito Federal e dos municípios, bem como às empresas públicas e às sociedades de economia
mista dos respectivos entes.
Comentários:
A primeira parte da questão está correta. Todavia, o erro da questão está em afirmar que a NLL
se aplica também às empresas públicas e às sociedades de economia mista. Na verdade, tais
entidades são regidas pela Lei 13.303/2016 (conhecida como “Lei das Estatais”), conforme
previsão expressa na própria Lei 14.133/2021:
Lei 14.133, art. 1º, § 1º - Não são abrangidas por esta Lei as empresas públicas,
as sociedades de economia mista e as suas subsidiárias, regidas pela Lei nº
13.303, de 30 de junho de 2016, ressalvado o disposto no art. 178 desta Lei.
Gabarito (E)
38. CEBRASPE/SEFAZ-CE - Auditor - 2021
É permitida a celebração de contrato regido por normas de licitação anteriores à Lei n.º
14.133/2021, desde que a opção escolhida conste expressamente no edital ou no aviso ou
instrumento de contratação direta.
Comentários:
Para responder a essa questão, é preciso conhecer o art. 191, da Lei 14.133/21, que afirma:
Lei 14.133, art. 191 - Até o decurso do prazo de que trata o inciso II do caput do
art. 193, a Administração poderá optar por licitar ou contratar diretamente de
acordo com esta Lei ou de acordo com as leis citadas no referido inciso, e a
opção escolhida deverá ser indicada expressamente no edital ou no aviso ou
(..)
Em outras palavras, mesmo não sendo servidor ou dirigente do órgão que está promovendo
licitação, o autor do projeto de uma obra, por exemplo, não poderia participar do certame para
execução daquela obra.
De toda forma, é oportuno lembrar que tal vedação não se aplicaria à participação do autor do
projeto para atuar no apoio das atividades de planejamento da contratação, de execução da
licitação ou de gestão do contrato, desde que sob supervisão exclusiva de agentes públicos do
órgão ou entidade (art. 14, §2º).
Gabarito (E)
41. CEBRASPE/MPU - Analista do MPU - Direito - 2018
Dado o princípio da competitividade, é vedada, em licitações, a exigência de qualificação
técnica.
Comentários:
A existência do princípio expresso da competitividade impede exigências impertinentes ou
irrelevantes para a execução do futuro contrato (art. 9º, I, ‘c’). No entanto, não impede que a
Administração faça exigências indispensáveis ao cumprimento das obrigações contratuais, a
exemplo de exigências de qualificação técnica (comprovadas por meio de atestados de
capacidade técnica – art. 67, II).
Imagine uma licitação para construção de ponte. O edital poderia exigir, como qualificação
técnica, a apresentação de atestados de que o licitante tenha, anteriormente, construído ponte
sob aquela tecnologia construtiva, por exemplo.
Gabarito (E)
42. CEBRASPE/PGM-Manaus-AM - Procurador do Município - 2018
No regime de execução indireta por empreitada por preço global, o poder público contrata
terceiros para a execução de obra por preço certo e total.
Comentários:
A questão abordou corretamente uma das definições constantes do art. 6º da NLL:
Art. 6º, XXIX - empreitada por preço global: contratação da execução da obra ou
do serviço por preço certo e total;
Gabarito (C)
43. CEBRASPE/STM - Técnico Judiciário - Programação de Sistemas - 2018 (adaptada)
Ao contratar serviços ou obras visando à promoção de baixo impacto sobre recursos naturais, a
administração pública atende ao objetivo do desenvolvimento nacional sustentável.
Comentários:
Um dos objetivos da nova lei de licitações é, de fato, incentivar o desenvolvimento nacional
sustentável (art. 11, IV).
Uma das dimensões de tal princípio é justamente a adoção de práticas sustentáveis nas
contratações públicas, as quais devem buscar também a preservação do meio ambiente.
Gabarito (C)
44. CEBRASPE/TCU - Auditor Federal de Controle Externo - Tecnologia da Informação - 2015
(adaptada)
São consideradas compras as aquisições remuneradas de bens, seja para fornecimento de uma
só vez, seja para fornecimento parcelado.
Comentários:
A proposição está de acordo com a definição de “compra” constante do art. 6º da NLL:
Art. 6º, X - compra: aquisição remunerada de bens para fornecimento de uma só
vez ou parceladamente, considerada imediata aquela com prazo de entrega de
até 30 (trinta) dias da ordem de fornecimento;
Gabarito (C)
45. CEBRASPE/TCU - Auditor Federal de Controle Externo - Conhecimentos Gerais - 2015
Dado o princípio da isonomia, é vedado atribuir preferências para bens e serviços produzidos e
prestados por empresas brasileiras, mesmo que se trate de critério para promover o desempate
em procedimentos licitatórios.
Comentários:
O legislador proíbe, como regra geral, a diferenciação entre empresa brasileiras e estrangeiras:
Art. 9º. É vedado ao agente público designado para atuar na área de licitações e
contratos, ressalvados os casos previstos em lei: (..)
II – estabelecer tratamento diferenciado de natureza comercial, legal, trabalhista,
previdenciária ou qualquer outra entre empresas brasileiras e estrangeiras,
inclusive no que se refere a moeda, modalidade e local de pagamento, mesmo
quando envolvido financiamento de agência internacional.
Há, contudo, duas principais exceções a esta regra:
1) utilização da nacionalidade da empresa como critério de preferência para desempate (art. 60,
§1º, II)
2) margem de preferência para serviços/produtos nacionais que atendam a normas técnicas
brasileiras (art. 26, I; art. 52, §6º)
Nesse sentido, havendo empate em uma licitação, poderiam ser utilizados variados critérios para
desempate e preferência, sendo que um deles poderá ser a “nacionalidade” da empresa.
Gabarito (E)
46. CEBRASPE/TJ-BA - Juiz de Direito Substituto - 2019 (adaptada)
Um município deseja realizar obra de construção de uma ponte. Embora pequena, a obra é
complexa, sem especificação usual, dada a peculiaridade do terreno, e está orçada em cerca de
R$ 1,6 milhão.
Nessa situação hipotética, de acordo com a nova lei de licitações, o gestor poderá escolher, para
a contratação, a licitação na modalidade
A) pregão.
B) leilão.
C) concurso.
D) concorrência.
E) tomada de preços.
Comentários:
Vamos aproveitar esta questão para examiná-la de acordo com as modalidades mencionadas na
nova lei de licitações.
A letra (A) está incorreta. A execução de obras não pode ser licitada por meio de pregão. Nesse
sentido, ainda reforça o enunciado mencionando que o objeto licitado não possui especificação
usual.
Pela natureza do objeto, conseguimos perceber que a modalidade cabível é a concorrência,
mencionada na letra (D). Agora, qualquer que seja o valor da obra, terá lugar a adoção da
concorrência.
A letra (B) está incorreta, porquanto o leilão destina-se à venda de bens.
A letra (C) está incorreta, visto que o concurso – mesmo sob a regência da Lei 14.133 – não pode
ser adotado para licitações de obras, mas para seleção de trabalhos técnicos, científicos ou
artísticos (art. 6º, XXXIX).
Por fim, a letra (E) está incorreta, na medida em que a nova lei de licitações não mais prevê a
modalidade tomada de preços (ou o convite).
Gabarito (D)
47. CEBRASPE/STJ - Técnico Judiciário - Administrativa - 2018
O leilão é a modalidade de licitação para a aquisição de bens e serviços comuns,
independentemente do valor estimado da contratação. Nessa modalidade, a disputa entre os
licitantes é realizada mediante propostas e lances em sessão pública.
Comentários:
A questão tentou confundir o candidato desavisado entre as modalidades “leilão” e “pregão”. O
leilão consiste na modalidade de licitação destinada à venda de bens em geral a quem oferecer
o maior lance (NLL, art. 6º, XL).
Gabarito (E)
48. CEBRASPE/MPU - Técnico do MPU - Administração - 2018 (adaptada)
A licitação na modalidade de pregão deve ser adotada para aquisição de bens e serviços
comuns, que são aqueles cujos padrões de desempenho e qualidade possam ser objetivamente
definidos por edital, mediante especificações usuais no mercado.
Comentários:
Questão sem grandes dificuldades, que cobrou a aplicação do pregão para contratação de
objetos comuns, ou seja, aqueles com “padrões de desempenho e qualidade que possam ser
objetivamente definidos pelo edital, por meio de especificações usuais de mercado” (Lei
14.133/2021, 29, caput).
Gabarito (C)
49. CEBRASPE/TCU - Auditor Federal de Controle Externo - Conhecimentos Gerais - 2015
É possível a licitação na modalidade pregão pelo critério técnica e preço, desde que o bem ou
serviço seja considerado comum.
Comentários:
A questão cobrou a impossibilidade de se utilizarem critérios diversos do “menor preço” ou do
“maior desconto” no pregão. Relembrando:
Gabarito (E)
50. CEBRASPE/TCE-RJ - Auditor – 2021 (adaptada)
Caso o edital de um registro de preços preveja o fornecimento de bens em locais diferentes, é
vedada a apresentação de proposta diferenciada por região.
Comentários:
A apresentação de proposta diferenciada por região, na verdade, é uma faculdade do poder
público quando realiza um registro de preços, a qual visa a permitir que as propostas espelhem
os custos variáveis de cada região:
Art. 82. O edital de licitação para registro de preços observará as regras gerais
desta Lei e deverá dispor sobre: (..)
III - a possibilidade de prever preços diferentes:
LISTA DE QUESTÕES
1. Cebraspe/TRF 6/ Analista - 2025
O incentivo à inovação e ao desenvolvimento sustentável é um dos objetivos a serem buscados
no âmbito do processo licitatório, conforme expressamente previsto pela Lei n.º 14.133/2021.
2. Cebraspe/TRF 6/ Analista - 2025
O processo licitatório para registro de preços será realizado na modalidade concorrência ou
pregão, devendo ser adotado como critério de julgamento o menor preço ou o maior retorno
econômico.
3. Cebraspe/TRF 6/ Analista - 2025
A Lei n.º 14.133/2021 define credenciamento como o procedimento seletivo prévio à licitação,
convocado por meio de edital e destinado à análise das condições de habilitação dos
interessados.
4. Cebraspe – PC DF/Agente Administrativo - 2025
São previstas na lei as seguintes modalidades de licitação: pregão, concorrência, concurso,
convite, leilão, tomada de preços e diálogo competitivo.
5. CEBRASPE/TSE/2024
Em se tratando de licitações e contratações com recursos provenientes de empréstimo de
organismo financeiro de que o Brasil seja parte, podem ser admitidas condições peculiares à
seleção e à contratação constantes das normas do organismo, desde que respeitados os
requisitos legais.
6. CEBRASPE/TSE/2024
A construção da sede de um novo tribunal regional eleitoral orçada em R$ 180.000.000,00 é
considerada uma obra de engenharia de grande vulto.
7. CEBRASPE/TSE/2024
A administração pública, mediante prévia declaração de interesse público, poderá combinar as
modalidades de licitação previstas na Lei n.º 14.133/2021.
8. CEBRASPE/TSE/2024
Lei local pode estabelecer como condição para a participação no certame licitatório que a
empresa licitante tenha fábrica ou sede na respectiva unidade federativa, sem que se infrinja o
princípio da igualdade.
9. CEBRASPE/TSE/2024
Pregão é a modalidade de licitação obrigatória para a aquisição de bens e serviços
comuns, cujo critério de julgamento poderá ser o de menor preço ou o de maior desconto.
10.CEBRASPE/TSE/2024
Não se admite aposição de sigilo em relação aos atos praticados em processo licitatório,
podendo haver apenas o diferimento da publicidade quanto ao conteúdo das propostas, até a
respectiva abertura.
11.CEBRASPE/TSE/2024
Ao Tribunal Superior Eleitoral é defeso aderir a ata de registro de preços gerenciada por órgão
ou entidade estadual, distrital ou municipal.
12.CEBRASPE/CNJ-2024
A organização pública licitante pode exigir registro cadastral complementar de potenciais
fornecedores para o acesso ao edital de licitação e a seus anexos.
13.CEBRASPE/CNJ-2024
É vedado à administração pública realizar licitação restrita a fornecedores cadastrados.
14.CEBRASPE/CNJ-2024
A modalidade diálogo competitivo pode ser adotada na licitação quando for impossível à
administração pública definir, com precisão suficiente, as especificações técnicas do objeto.
15.CEBRASPE/CNJ-2024
Na modalidade de licitação diálogo competitivo, há processo administrativo de chamamento
público destinado à convocação de interessados em prestar serviços ou fornecer bens, para que,
preenchidos os requisitos necessários, se credenciem no órgão ou na entidade para executar o
objeto, quando convocados.
16.CEBRASPE/CNJ-2024
No edital de licitação, pode-se prever a matriz de alocação de riscos entre o contratante e o
contratado, hipótese em que o cálculo do valor estimado da contratação poderá considerar uma
taxa de risco compatível com o objeto e com os riscos atribuídos à contratada, consoante
metodologia predefinida pelo ente federativo.
17.CEBRASPE/SEFAZ-AC – Auditor - 2024
De acordo com a Nova Lei de Licitações e Contratos Administrativos (Lei n.º 14.133/2021), a
contratação de bens e serviços especiais se dará mediante a modalidade de licitação
denominada
A) concorrência.
B) concurso.
C) diálogo competitivo.
D) pregão.
E) tomada de preços.
18.CEBRASPE/CGE-RJ - 2024
Concorrência é a modalidade licitatória utilizada para a contratação de bens e serviços comuns,
cujo critério de julgamento poderá ser o de maior desconto.
19.CEBRASPE/CGE-RJ - 2024
A inovação e o desenvolvimento nacional sustentável devem ser observados no processo
licitatório.
20.CEBRASPE/CNPQ - 2024
No processo licitatório para aquisição de bens, o valor estimado é definido com base no menor
preço.
21.CEBRASPE/CNPQ - 2024
É possível a adesão de órgão não participante do processo licitatório à ata de registro de preços
cujo objeto seja a aquisição de computadores.
22.CEBRASPE/TCDF– Auditor TI - 2023
Em concurso destinado à elaboração de projetos, o vencedor deverá ceder à administração
pública todos os direitos patrimoniais relativos ao projeto, autorizando a execução deste
conforme o juízo discricionário da autoridade competente.
23.CEBRASPE/TCDF– Auditor TI - 2023
Entre as hipóteses legais que admitem a regência da referida norma de licitações estão a
alienação e a concessão de direito real de uso de bens.
24.CEBRASPE/TCDF– Auditor TI - 2023
Em respeito aos princípios que regem a administração pública, em especial, o da publicidade e o
da moralidade, é vedado, em qualquer hipótese, o sigilo dos contratos e termos aditivos.
25.CEBRASPE/AGER-MT - Técnico Administrativo - 2023
No que se refere à Agência de Regulação dos Serviços Públicos Delegados do Estado de Mato
Grosso, assinale a opção correta, considerando a Lei n.º 14.133/2021e a Lei n.º 10.520/2002 e
suas alterações.
A) Por ser uma sociedade de economia mista, a referida agência, caso deseje realizar a locação
de imóvel, deverá seguir as regras da Lei n.º 14.133/2021.
B) Por ser um órgão da administração direta, é vedada a essa agência utilizar a modalidade
pregão, em observância às disposições da Lei n.º 10.520/2002.
C) Por ser uma empresa pública, a Lei n.º 14.133/2021 não se aplica a esse órgão.
D) Por ser uma autarquia, essa agência, quando da contratação de um serviço técnico
especializado, deve aplicar a Lei n.º 14.133/2021.
E) Por ser um órgão da administração indireta, se essa agência desejar realizar um contrato que
tenha por objeto operação de crédito, deverá seguir as regras da Lei n.º 14.133/2021.
26.CEBRASPE/TJ-CE - Técnico Judiciário – Judiciária - "Sem Especialidade" - 2023
O tratamento diferenciado e preferencial atribuído às micro e pequenas empresas nas licitações
públicas é uma exceção ao princípio licitatório denominado
A) princípio da economicidade.
B) princípio da legalidade.
C) princípio da isonomia.
D) princípio da moralidade.
E) princípio da impessoalidade.
27. CEBRASPE/CNMP - Analista - Tecnologia da Informação e Comunicação - Suporte e
Infraestrutura - 2023
Julgue o item a seguir conforme a Lei n.º 14.133/2021, que dispõe sobre licitações e contratos na
administração pública.
A lei em apreço veda expressamente que militar do Exército Brasileiro, mesmo no âmbito do
Ministério da Defesa, desempenhe a função de pregoeiro.
28. CEBRASPE/MPE-BA - Promotor de Justiça - 2023
De acordo com o disposto na Lei n.º 14.133/2021, o pregão é modalidade de licitação
obrigatória para aquisição de bens e serviços comuns, cujo critério de julgamento
A) poderá ser o de menor preço ou o de maior desconto.
B) deverá ser o de técnica e preço, apenas.
C) deverá ser o de menor preço, apenas.
D) deverá ser o de maior retorno econômico, apenas.
E) poderá ser o de menor preço ou o de melhor técnica.
29. CEBRASPE/TJ-ES - Analista Judiciário 02 - Administrativa - 2023
O leilão é uma modalidade de licitação que requer a divulgação do edital em sítio eletrônico
oficial e sua afixação em local de ampla circulação de pessoas, bem como o registro cadastral
prévio e a habilitação dos licitantes.
30. CEBRASPE/AGER-MT - Inspetor Regulador - 2023
Acerca dos critérios de julgamento das propostas admitidos pela Nova Lei de Licitações e
Contratos, julgue os itens subsequentes.
I O julgamento pelo critério do menor preço deve considerar o menor dispêndio para a
administração pública.
II O julgamento pelo critério técnica e preço deve considerar a maior pontuação obtida a partir
da ponderação das notas atribuídas aos aspectos de técnica e de preço da proposta, de acordo
com fatores objetivos constantes do edital.
III O julgamento pelo critério do maior retorno econômico é utilizado exclusivamente para a
celebração de contrato de eficiência.
IV O critério do maior desconto deve ter como referência o preço global da proposta do licitante.
Estão certos apenas os itens
A) I e IV.
B) II e III.
C) II e IV.
D) I, II e III.
E) I, III e IV.
31. CEBRASPE/CNMP - Analista - Apoio Técnico Especializado - Arquivologia - 2023
O procedimento de pré-qualificação se destina à seleção prévia de licitantes para participar de
futuro processo licitatório ou de bens que atendam às exigências técnicas ou de qualidade
estabelecidas pela administração.
As normas gerais de licitação e contratação previstas pela Lei n.º 14.133/2021 aplicam-se, em
regra, às administrações públicas diretas, autárquicas e fundacionais da União, dos estados, do
Distrito Federal e dos municípios, bem como às empresas públicas e às sociedades de economia
mista dos respectivos entes.
38. CEBRASPE/SEFAZ-CE - Auditor - 2021
É permitida a celebração de contrato regido por normas de licitação anteriores à Lei n.º
14.133/2021, desde que a opção escolhida conste expressamente no edital ou no aviso ou
instrumento de contratação direta.
39. CEBRASPE/SEFAZ-CE - Auditor - 2021
Em relação ao que dispõe a Lei n.º 14.133/2021 e aos conceitos referentes às licitações e aos
contratos públicos, julgue o item a seguir.
Pelo princípio da segregação de funções, a administração deve buscar a divisão de funções entre
==48e4e3==
A) pregão.
B) leilão.
C) concurso.
D) concorrência.
E) tomada de preços.
47. CEBRASPE/STJ - Técnico Judiciário - Administrativa - 2018
O leilão é a modalidade de licitação para a aquisição de bens e serviços comuns,
independentemente do valor estimado da contratação. Nessa modalidade, a disputa entre os
licitantes é realizada mediante propostas e lances em sessão pública.
48. CEBRASPE/MPU - Técnico do MPU - Administração - 2018 (adaptada)
A licitação na modalidade de pregão deve ser adotada para aquisição de bens e serviços
comuns, que são aqueles cujos padrões de desempenho e qualidade possam ser objetivamente
definidos por edital, mediante especificações usuais no mercado.
49. CEBRASPE/TCU - Auditor Federal de Controle Externo - Conhecimentos Gerais - 2015
É possível a licitação na modalidade pregão pelo critério técnica e preço, desde que o bem ou
serviço seja considerado comum.
50. CEBRASPE/TCE-RJ - Auditor – 2021 (adaptada)
Caso o edital de um registro de preços preveja o fornecimento de bens em locais diferentes, é
vedada a apresentação de proposta diferenciada por região.
51. CEBRASPE/TCE-PB - Auditor de Contas Públicas - 2018 (adaptada)
No âmbito da contratação pública por meio do SRP, de acordo com o disposto na Lei
14.133/2021, havendo licitação para registro de preços, está pode ser feita nas modalidades
A) leilão ou convite.
B) concorrência ou pregão
C) leilão, concurso ou tomada de preços.
D) concorrência, tomada de preços ou convite.
E) tomada de preços ou pregão.
52. CEBRASPE/TC-DF - Auditor de Controle Externo - 2014 (adaptada)
Considerando que a Subsecretaria de Licitação e Compras, da Secretaria de Estado de
Planejamento e Orçamento, é o órgão gerenciador do SRP no âmbito do DF, é possível concluir
que suas atribuições incluem realizar o processo licitatório em si e gerenciar a ata de registro
decorrente do SRP.
GABARITO
1. C 33.C
2. E 34.D
3. E 35.E
4. E 36.E
5. C 37.E
6. E 38.C
7. E 39.C
8. E 40.E
9. C 41.E
10.E 42.C
11.C 43.C
12.E 44.C
13.E 45.E
14.C 46.D
15.E 47.E
16.C 48.C
17.A 49.E
18.E 50.E
19.C 51.B
20.E 52.C
21.C
22.C
23.C
24.E
25.D
26.C
27.E
28.A
29.E
30.D
31.C
32.C