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Risco de Álcool e Sexo em Adolescentes

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Nathaly Martinez
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DOI: 10.1590/1413-81232018231.

14282015 303

Associação entre as condutas de risco do uso de álcool e sexo

TEMAS LIVRES FREE THEMES


desprotegido em adolescentes numa cidade do Sul do Brasil

Association between the risk of alcohol use and unprotected


sex in adolescents in a city in the southern region of Brazil

Luana Dallo 1
Raul Aragão Martins 2

Abstract This paper aims to analyze alcohol Resumo O objetivo deste artigo é analisar as con-
abuse and unprotected sex and the association dutas de uso abusivo de álcool e sexo desprotegi-
between them in students in a city in the south- do e a associação entre ambos em escolares numa
ern region of Brazil. This is a cross-sectional study cidade do Sul do Brasil. Trata-se de um estudo
using a quantitative approach with 590 second- transversal e de abordagem quantitativa com 590
ary school students from two public schools. Re- alunos do Ensino Médio em duas escolas públicas.
garding alcohol use, 14% scored from eight to 40 Quanto ao uso do álcool, 14% pontuaram de 8
in The Alcohol Use Disorders Identification Test a 40 no The Alcohol Use Disorders Identification
(AUDIT), which means, at least, a risky drinking Test (AUDIT), o que significa, no mínimo, uma
behavior, with higher rate among boys. Moreover, conduta de beber de risco, com índice maior entre
31.1% indulged themselves in binge drinking, rapazes. Além disso, 31,1% beberam de modo a se
which means drinking six or more doses according embriagar, o que significa beber 6 ou mais doses,
to AUDIT; and even among those who are low- segundo o AUDIT; e, mesmo dentre aqueles que
risk drinkers, 21.1% had this drinking pattern. são bebedores de baixo risco, 21,1% tiveram esse
Regarding sexual behavior, young boys started padrão de beber. Em relação ao comportamento
sexual life earlier and the kind of relationship sexual, os rapazes iniciaram o intercurso sexual
more referred to by them is one with no com- mais precocemente e o tipo de relacionamento
mitment; boys have uncommitted relationships, mais referido foi o ficar; os rapazes ficam, e as mo-
while girls have more relationships with com- ças namoram mais. Quanto ao resultado da asso-
mitment. In relation to the results of the associ- ciação entre uso de álcool e relação sexual, 47,3%
ation between alcohol use and sexual intercourse, declararam já ter usado álcool antes de ter relações
47.3% stated alcohol use before having sex, and sexuais e aqueles que iniciaram a atividade sexual
those who started sexual activity got more drunk se embriagaram mais e tiveram maior pontuação
1
Pontifícia Universidade
Católica do Paraná. R. and had higher scores in the AUDIT. New studies no AUDIT. Recomendam-se novos estudos a res-
Imaculada Conceição are recommended regarding the association be- peito da associação entre ambas as condutas no
1155, Prado Velho. 80215- tween both behaviors in Brazil, considering that Brasil, já que a relação causal não é clara e apre-
901 Curitiba PR Brasil.
luadallo@[Link] the causal relationship is not clear and shows sev- senta diversos modelos de explicação.
2
Instituto de Biociências, eral explanation models. Palavras-chave Adolescente, Comportamento se-
Letras e Ciências Exatas, Key words Adolescent, Sexual behavior, Alcohol- xual, Alcoolismo, Assunção de riscos, Sexualidade
Universidade Estadual
Paulista. São José do Rio ism, Risk-taking, Sexuality
Preto SP Brasil.
304
Dallo L, Martins RA

Introdução condutas de risco, por ser uma droga que dimi-


nui as atividades do Sistema Nervoso Central,
Comportamentos de risco à saúde em adolescen- provocando aumento da loquacidade, desinibi-
tes têm sido destacados como prioridade na saú- ção, diminuição da capacidade de planejar e de
de pública, e o ambiente escolar é considerado discernir os riscos.
o espaço ideal para o trabalho de prevenção. As Além de o uso de álcool afetar diretamente a
condutas de risco mais comuns entre os adoles- cognição, o humor e a capacidade de julgamen-
centes são consumo de drogas legais e ilegais, en- to, ele compromete também a inserção da pes-
volvimento em situações de violência, alimenta- soa na comunidade e a relação com esta. Como
ção inadequada, níveis insuficientes de atividade exemplo, pode-se citar o caso de um adolescente
física e condutas sexuais desprotegidas1. inseguro que começa a fazer uso de cerveja para
O início da adolescência acontece com as convidar uma moça para sair ou para conversar
mudanças físicas que ocorrem na puberdade. Pu- com os amigos. Se tiver sucesso, haverá a tendên-
berdade e adolescência, apesar de estarem dire- cia de repetir o mesmo processo numa nova si-
tamente relacionadas, designam dois fenômenos tuação. Futuramente, se não puder fazer uso da
diferentes. O primeiro envolve mudanças bioló- substância, provavelmente, sentirá insegurança e
gicas inevitáveis, ao passo que a adolescência se preferirá não sair a correr o risco de ter um mau
refere a componentes psicológicos e sociais; isso desempenho. Cria-se, dessa forma, uma nova
quer dizer que a adolescência começa na biolo- dependência: o adolescente passa a necessitar da
gia e termina na cultura, no momento em que o droga para estabelecer laços sociais7.
adolescente atinge uma razoável independência Outro problema é que muitos adolescen-
em relação aos pais. Em algumas sociedades con- tes utilizam o álcool para recreação e não criam
sideradas mais simples essa etapa pode ser breve, outras formas de divertimento e descontração,
mas naquelas percebidas como tecnologicamente podendo, com isso, ter dificuldade em manter os
mais avançadas, essa fase tende a se prolongar2. relacionamentos afetivos sem esse uso7. Segundo
Nessa fase, o que se destaca é a busca pelo Figueiró8, a sexualidade inclui não somente sexo,
prazer, que ocorre por meio da maturação sexual mas também afetividade, carinho, prazer, amor
e da procura pelas drogas. Isso porque sexuali- ou sentimento mútuo de bem querer, comunica-
dade e drogas possibilitam ao adolescente novas ção, toques e intimidade. O álcool geralmente é
sensações, um prazer irrestrito, embora momen- usado por eles apenas para facilitar o ato sexual,
tâneo3. tornando as relações afetivas superficiais e preju-
Uma teoria baseada na neurociência4 explica dicando o desenvolvimento da sexualidade.
que há um modelo de sistemas duplos que impli- Na atualidade, percebe-se uma idealização
cariam o desenvolvimento das condutas de risco quanto ao desempenho sexual, tornando-o um
nos adolescentes; o primeiro sistema estaria cor- fator de muita insegurança no início da vida se-
relacionado ao sistema socioemocional e indica- xual. Em decorrência disso, a relação sexual aca-
ria a necessidade de um rápido e explosivo au- ba se tornando uma performance e deixando de
mento de atividades dopaminérgicas envolvidas ser resultado de um momento íntimo entre duas
com o momento da puberdade, o que resultaria pessoas que se gostam7. Desse modo, o uso de
num aumento da busca de sensações ou recom- álcool antes ou durante a relação sexual parece
pensas, pois a dopamina desempenha um papel funcionar como um catalisador dos sentimentos
crítico em circuitos de recompensa no cérebro. de medo e angústia, devido à crença de que, por
Entretanto, esse aumento na procura da re- diminuir a inibição, ele facilita o desempenho
compensa imediata precederia a maturação es- sexual e, consequentemente, aumenta o prazer9.
trutural do segundo sistema, o de controle cog- Porém, o álcool não tem como efeito apenas
nitivo, que se desdobra ao longo da adolescência a diminuição das inibições, mas também a per-
e permite avanços no controle do impulso e na da da sensibilidade física, o que pode tornar as
autorregulação (o controle do próprio sistema de práticas sexuais menos prazerosas. Além disso, os
recompensa). Daí a sugestão de que esse período adolescentes deixam, dessa forma, de enfrentar
seria o de maior vulnerabilidade às condutas de naturalmente a ansiedade e responsabilidade de
risco. aproximar-se do parceiro ou parceira e da toma-
Estudos brasileiros5,6 identificam o álcool da de decisão de ter a relação sexual10.
como a primeira (e a mais utilizada) droga en- Para Vieira e Diehl10, quanto mais o adoles-
tre os adolescentes, além de ser considerada a cente estiver entorpecido por uso de drogas, me-
substância que possui maior associação com as nor será a possibilidade de sentir prazer, na mes-
305

Ciência & Saúde Coletiva, 23(1):303-314, 2018


ma proporção que aumenta sua vulnerabilidade Dessa maneira, este estudo tem por objetivo
emocional e física. Considerando-se que a ativi- correlacionar os dados do levantamento sobre
dade sexual é um encontro entre pessoas, pode uso de álcool e condutas sexuais respondidos
acontecer de ser uma experiência muito ruim, num mesmo questionário por estudantes do En-
principalmente se dela resultar violência, gra- sino Médio de duas escolas de uma cidade do Sul
videz não planejada, contágio por DSTs/AIDS, do Brasil e averiguar se o mesmo adolescente que
abandono e rejeição. bebe, também pratica sexo sem camisinha.
Estudiosos11 apresentam dois modelos di-
ferentes para explicar o papel causal do álcool
sobre os comportamentos sexuais de risco: o Metodologia
modelo de imparidade, que enfatiza o efeito far-
macológico do álcool, e o modelo da expectativa, Trata-se de um estudo exploratório, transversal e
que destaca as crenças pessoais sobre esse efeito. de abordagem quantitativa. Participaram da pes-
O primeiro modelo12 indica que as proprie- quisa 590 alunos dos dois primeiros anos do En-
dades do álcool prejudicam os processos cogniti- sino Médio em duas escolas públicas da cidade de
vos e perceptuais, produzindo efeitos como limi- Curitiba, capital do estado do Paraná, no ano de
tação na atenção e no pensamento abstrato. Uma 2012. As escolas são identificadas com as letras “A”
representação desse modelo é a teoria da miopia e “B”. Devido ao não preenchimento das questões
alcoólica, a qual explica que a influência do ál- relativas ao sexo a que pertenciam e à idade que
cool nas emoções do indivíduo é mediada pelos tinham, foram excluídos 27 participantes, resul-
efeitos no sistema da atenção. Nesse sentido, du- tando em um grupo com 563 sujeitos.
rante a intoxicação, há uma redução nos recursos O instrumento para levantamento dos dados
da atenção, os quais são direcionados para even- foi organizado em duas partes. A primeira delas
tos emocionais mais relevantes13. foi constituída por variáveis sociodemográficas,
O modelo da expectativa11 enfatiza as crenças como tipo de relacionamento, classificado como
pessoais sobre os efeitos do consumo de álcool, “Casado/União estável”, “Namorar” e “Só/Ficar”;
ao invés do efeito farmacológico dele. As pessoas e pela identificação dos usuários de bebidas alco-
podem, por exemplo, acreditar que o álcool me- ólicas, por meio do instrumento The Alcohol Use
lhora a experiência sexual ou que pode ser usado Disorders Identification Test (AUDIT), proposto
como uma desculpa para justificar escolhas in- por Babor et al.15. A pontuação desse teste vai de
consequentes, como ter relação sexual sem pre- 0 a 40, com a seguinte classificação: considera-
servativo. se que os jovens estudantes que pontuam de 0 a
Mas a literatura apresenta ainda outras teo- 7 fazem uso de álcool de baixo risco; de 8 a 15,
rias, como a explicação causal reversa14 e a teoria uso de risco; de 16 a 19, uso nocivo; e de 20 a 40,
da terceira variável12. A explicação causal rever- provável dependência. Em sua segunda parte, o
sa14 entende que a intenção ou o desejo de ter re- instrumento foi constituído de perguntas sobre o
lações sexuais precedem e causam o beber, e não comportamento sexual dos estudantes e constru-
o contrário. Assim, as pessoas bebem estrategica- ído com base nas “Pesquisas de conhecimentos,
mente para desinibir e facilitar a relação sexual. atitudes e práticas na população brasileira de 15 a
Para a teoria da terceira variável, são as carac- 64 anos – PCAP”16. A PCAP16 é um inquérito po-
terísticas estáveis do indivíduo que podem fazer pulacional a respeito dos conhecimentos, atitu-
com que ele beba e faça sexo arriscado. Como, des e práticas relacionados à infecção pelo vírus
por exemplo, determinada base genética faz com HIV, e tem o objetivo de monitorar e controlar
que a pessoa busque satisfazer sensações, tenha a epidemia subsidiando as ações de prevenção e
pouco controle do impulso ou habilidades de campanhas da mídia nos últimos anos no país.
enfrentamento, ou ainda tenha uma maneira de Os dados coletados foram digitados em uma
lidar com sentimentos negativos por meio de es- planilha eletrônica e exportados para um pro-
quiva. Outro exemplo de terceira variável pode grama de análises estatísticas – SPSS (Statistical
ser o estilo de vida, quando a pessoa vive num Package for the Social Sciences)17. Nesse progra-
ambiente em que ambos os comportamentos são ma, foram calculadas as frequências e realizadas
implícita ou explicitamente incentivados. Per- análises paramétricas e não paramétricas, depen-
cepção de normas entre pares e presença de con- dendo das características dos dados. Para essas
flitos na família são variáveis que podem explicar análises, foi adotado o nível de significância de
o envolvimento nessas duas condutas de risco ou 0,05. Os questionários preenchidos apenas par-
em outras mais12. cialmente não foram analisados.
306
Dallo L, Martins RA

As moças representaram 59,7% do grupo to- ral de alunos e, na segunda, as do grupo que já
tal e, embora tenham alcançado esse percentual, iniciou a vida sexual.
não foi constatada diferença significante entre Quanto ao início da vida sexual do grupo
elas e rapazes, na comparação entre as duas es- estudado, que foi definido por meio da respos-
colas. A análise do nível socioeconômico seguiu ta “Sim” à questão “Já teve relação sexual?”, 157
o procedimento do Critério Brasil18, sendo que alunos (28,8%) responderam afirmativamente, e
66,2% dos alunos foram classificados nos estra- 18 (3,2%) deixaram em branco essa questão. En-
tos “B1” e “B2”. Na escola “A”, 11,0% deles con- tre os que declaram já ter iniciado a vida sexual,
centram-se nos estratos mais baixos (C1 a E), e houve predomínio dos rapazes (39,5%) sobre as
na escola “B”, 31,7% dos alunos mantiveram-se moças (21,5%), sendo essa diferença significante
nos estratos “A1” e “A2”, sendo essas diferenças (χ2 = 20,742, p = 0,001). A comparação entre os
significantes (χ2 = 12,714, p = 0,002) (Tabela 1). alunos da escola “A” (33,1%) e os da “B” (24,2%)
A média de idade dos participantes era de revelou diferença também significante (χ2 =
15,21 anos (DP = 0,85), tendo os mais novos 13 3,976, p = 0,028).
anos e os mais velhos, 17 anos. Os do terceiro Quanto à orientação sexual do grupo, houve
ano não foram incluídos, porque as direções das predomínio de heterossexuais, que representa-
escolas entenderam que não se devia expô-los a ram 96,8% dos participantes. Os demais se di-
outros assuntos que não fossem os focados para o vidiram em homossexuais (0,9%) e bissexuais
exame de vestibular ao final do ano letivo. (2,3%), não havendo diferença significante entre
A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética os sexos.
em Pesquisa da Faculdade de Filosofia e Ciências A média de idade da primeira relação sexual
da Universidade Estadual Paulista. O Termo de foi de 14,53 anos (DP = 1,02) para as moças e
Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) foi 14,13 (DP = 1,31) para os rapazes. Essa diferença
entregue para os alunos, uma semana antes da entre as médias é significante (F1,149 = 5,808 p =
data prevista para a aplicação do questionário, 0,044) e revela que os rapazes se iniciam sexual-
quando também foram explicados os procedi- mente mais cedo do que as moças, conforme já
mentos e objetivos da pesquisa. Dessa forma, assinalado acima, já que o porcentual dos rapazes
participaram da pesquisa os alunos cujos pais ou (39,5%) que já iniciaram a vida sexual é quase o
responsáveis assinaram o TCLE. A pesquisadora dobro do das moças (21,5%).
visitou as salas de aula para a aplicação do ques- O relacionamento afetivo predominante
tionário, explicou como fazer o preenchimento no grupo é o “Só/Ficar”, com 77,5% de respos-
antes de entregá-lo e respondeu às dúvidas dos tas para esta opção, seguida de “Namorar”, com
alunos, tendo utilizado uma média de 10 minu- 22,5%, e de “Casado/União estável”, com 0,7%.
tos em cada sala. Entre os que namoram, 26,0% são do sexo femi-
nino e 17,3% são do sexo masculino (χ2 = 5,594,
p ≤ 0,011).
Resultados Em relação ao consumo de álcool, 14% dos
alunos pontuaram de 8 a 40, indicando, no mí-
Os resultados são apresentados em duas partes: nimo, o beber de risco, em uma idade em que a
na primeira estão as características do grupo ge- utilização dessa droga é proibida por lei. Entre

Tabela 1. Frequência e porcentagem dos participantes por sexo e nível socioeconômico do grupo estudado por
escola.
Escola A Escola B
P
F % F %
Sexo
Feminino 205 61,6 131 57,0
Masculino 128 38,4 99 43,0
Nível socioeconômico
E + C1 32 11,0 8 3,7 0,002
B1 + B2 196 67,4 141 64,7
A1 + A2 63 21,6 69 31,7 0,002
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Ciência & Saúde Coletiva, 23(1):303-314, 2018


os rapazes, 20,7% alcançaram essa pontuação, = 0,001). Mesmo dentre aqueles que apresentam
enquanto entre as moças 9,5% tiveram essa pon- beber de baixo risco, segundo o AUDIT, 21,1%
tuação (χ2 = 14,040, p = 0,001). Entretanto, deta- fizeram binge (χ2 = 157,998, p = 0,001). Além dis-
lhando esse porcentual por níveis de classificação so, 57,7% dos adolescentes que fizeram binge já
do AUDIT (Tabela 2), constata-se que entre os 11 tiveram relações sexuais, enquanto entre os que
alunos que atingiram a classificação “Possível de- nunca fizeram, somente 15,9% já iniciaram sua
pendência”, sete são do sexo feminino. Encontra- vida sexual (χ2 = 99,116, p = 0,001).
se, também, que os alunos que já iniciaram vida Dos 157 alunos que declararam já ter iniciado
sexual apresentam maior pontuação no AUDIT, sua vida sexual, 148 responderam à questão a res-
com média de 6,18 pontos (DP = 6,61), contra peito do tipo de relacionamento afetivo. Como
1,60 (DP = 3,218) dos que ainda não tiveram a esperado, em função da idade, somente quatro
primeira relação sexual (T = 8,897, p = 0,001). participantes declararam a opção “Casado/União
O beber se embriagando (Binge drinking), estável” (três moças e um rapaz) e foram, por
investigado no AUDIT por meio da pergunta nú- isso, retirados das análises seguintes, em função
mero 3 (“Com que frequência você toma ‘seis ou do número pequeno de sujeitos nessa categoria.
mais doses’ em uma ocasião?”), apresenta cinco Entre os demais participantes, o tipo de relacio-
opções de respostas (Nunca, Menos que uma vez namento mais indicado foi “Ficar”, com 60,8%
por mês, Mensalmente, Semanalmente e Todos dos alunos, seguido de “Namorar”, com 39,2%.
ou quase todos os dias). No grupo total, constatou-se diferença signifi-
Encontrou-se que 31,1% (Gráfico 1) dos alu- cante em relação a sexo, com 51,5% das moças
nos apresentam o padrão beber se embriagando, namorando e 70,7% dos rapazes na categoria
não havendo diferença entre as escolas, mas entre “Só/Ficar” (χ2 = 7,594, p = 0,005).
sexo, inclusive com 10,1% dos rapazes apresen- Os dados sobre o uso de preservativo mos-
tando essa conduta semanalmente (χ2 = 18,876, p tram que 81,0% dos alunos o utilizaram na pri-

Tabela 2. Frequência e porcentagem da classificação no teste AUDIT por sexo.


Feminino Masculino Total
f % F % F %
Baixo risco (0 a 7 pontos) 304 90,5 180 79,3 484 86,0
Uso de risco (8 a 15 pontos) 24 7,1 34 15,0 58 10,3
Uso nocivo (16 a 19 pontos) 1 0,3 9 4,0 10 1,8
Possível dependência (20 a 40 pontos) 7 2,1 4 1,8 11 2,0

80,0
70,0
60,0
50,0
40,0
30,0
Feminino
20,0
Masculino
10,0 Total
0,0
Nunca Menos que Mensalmente Semanalmente Todos ou quase
1 vez mês todos os dias

Gráfico 1. Porcentagem do beber se embriagando (Binge drinking) por sexo.


308
Dallo L, Martins RA

meira relação sexual, com os rapazes utilizando goria “Sempre/Muitas vezes”. Foram cruzados
menos do que as moças (25,6% delas contra os dados de sexo e tipo de relacionamento, não
10,8% deles), sendo essa diferença significante sendo encontrada diferença para a primeira va-
(χ2 = 5,179, p ≤ 0,018). Quanto à última relação riável (sexo), mas 100% (26 alunos) dos que res-
sexual, o uso de preservativo cai para 78,8%, não ponderam “Só/Ficar” assinalaram que “Às vezes”
havendo diferença significativa por sexo. Embora fazem uso de álcool antes das relações sexuais (χ2
não haja essa diferença, chama atenção o fato de = 21,476, p = 0,001).
que 9,7% das moças e 25,9% dos rapazes da cate- A utilização de preservativo entre os alunos
goria “Só/Ficar” não utilizaram preservativo em que ingerem bebida alcoólica é diferenciada na
sua última relação sexual (Gráfico 2). categoria “Sempre/Muitas vezes”, com somente
Foi levantado, também, o número médio de 41,7% deles fazendo uso da camisinha na pri-
relações sexuais que esses alunos têm por mês. meira relação sexual (χ2 = 14,084, p = 0,003). Nas
Essa informação vai ao encontro da preocupação demais categorias, esse uso é praticamente igual
de diretoras e coordenadoras de escolas sobre o ao dos que não fazem uso de álcool (Gráfico 3).
número de preservativos que precisam disponi-
bilizar para os alunos, por mês. Os dados mos- Discussão
tram que eles mantêm 3,33 relações por mês (DP
= 4,76), não havendo diferença significante por Os resultados apontaram que mais de 25% dos
sexo, mas por tipo de relacionamento, com os que estudantes investigados já tiveram relação sexual
namoram relatando 5,96 (DP = 6,22) relações se- e, nesse quadro, os rapazes estão num maior per-
xuais/mês e os que estão sós ou ficam, somente centual. A segunda edição da Pesquisa Nacional
1,65 (DP = 2,34) (F1,134 = 32,691, p = 0,001). de Saúde do Escolar (PENSE)19 – realizada numa
Investigando a relação entre vida sexual e parceria entre o Ministério da Saúde (MS) e o Ins-
consumo de álcool, encontrou-se que cinco alu- tituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)
nos (3,4%) sempre fazem uso de bebidas alcoóli- –, com escolares do 9º ano (antiga 8ª série) do En-
cas antes das relações sexuais; sete (4,7%), “Mui- sino Fundamental em escolas públicas e privadas
tas vezes”; 26 (17,6%), “Às vezes”; 32 (21,6%), do Distrito Federal e das capitais dos estados bra-
“Raramente”; e 76 (51,4%), “Nunca”; dois alunos sileiros, apresentou resultados semelhantes: 28,7%
deixaram em branco essa questão. Em função dos escolares já tiveram relação sexual, com per-
do número baixo de alunos que assinalaram as centual maior entre os rapazes (40,1%).
opções “Sempre” e “Muitas vezes”, elas foram Para esses estudiosos20,21, a diversidade de
condensadas em uma única, formando a cate- ameaças no presente e a pouca expectativa para

100,0
90,0
80,0
70,0
60,0
50,0
40,0 Primeira
30,0 Última
20,0
10,0
0,0
Namora Fem Namora Masc Só/Fica Fem Só/Fica Masc

Gráfico 2. Porcentagem de uso de preservativo por tipo de relacionamento e sexo na primeira e na última relação
sexual.
309

Ciência & Saúde Coletiva, 23(1):303-314, 2018


100,0
90,0
80,0
70,0
60,0
50,0
40,0 Primeira
30,0 Última
20,0
10,0
0,0
Sempre/Muitas Às vezes Raramente Nunca
vezes

Gráfico 3. Porcentagem de uso de preservativo por categoria de uso de álcool antes da primeira e da última
relação sexual.

o futuro fazem com que os adolescentes não te- preservativo na última relação foi dos rapazes
nham medo de correr riscos. Ou seja, quando há (7,9% contra 4,8% entre as moças).
expectativas para o futuro, há uma tendência de Na presente pesquisa, o relacionamento
inibir determinados comportamentos no pre- mais indicado foi o ficar, sendo que o percentu-
sente20. Em estudo com jovens universitários22, a al maior dos que ficam é dos rapazes, enquanto
média de idade de iniciação sexual está acima da o dos que namoram é das moças. No estudo de
idade média dos jovens da população brasileira Brêtas et al.23, com 920 adolescentes de 12 a 19
geral, o que sugere que o nível da escolaridade anos, para 70% dos rapazes e 17% das moças, a
provavelmente influencia no comportamento se- primeira relação sexual foi com amigos(as), 28%
xual dos jovens. dos rapazes e 79% das moças tiveram a primeira
Na presente pesquisa, a média de idade da experiência com namorados(as) e 1% dos rapa-
primeira relação sexual foi de 14,53 para as mo- zes foi com profissionais do sexo.
ças e de 14,13 para os rapazes, ou seja, os rapazes Em outro estudo25, realizado com 691 adoles-
iniciam a atividade sexual mais cedo do que as centes de 12 a 19 anos da cidade de Porto Alegre,
moças. Outros estudos também indicaram ini- 78% das moças relataram exclusivamente par-
ciação mais cedo para os rapazes19,23,24. Neste es- ceiros fixos nas relações sexuais do último ano,
tudo, a diferença da média de idade da primeira enquanto somente 45% dos rapazes relataram o
relação de rapazes e moças é de menos de 1 ano, mesmo. O estudo constatou ainda que a primei-
o que permite levantar a hipótese de que a inicia- ra relação sexual ocorreu em geral entre rapazes
ção está acontecendo entre esses dois grupos, ou mais velhos do que as moças e entre pessoas que
seja, moças um ano mais novas do que os rapa- já possuíam algum vínculo afetivo. A maior parte
zes, o que corrobora um estudo21 que mostra que das moças indicou um namorado (89,9%), en-
as moças geralmente preferem um parceiro um quanto entre os rapazes essa resposta foi escolhi-
pouco mais velho do que elas. da por apenas 43,4%.
A respeito do uso do preservativo, 81% o uti- Segundo Rieth26, geralmente, as jovens mu-
lizou na primeira relação sexual, e os rapazes usa- lheres vinculam sexo com amor, com a pessoa
ram menos do que as moças, porém, na última certa e num contexto de namoro; já os rapazes
relação, o uso caiu para ambos os sexos (78,8%), buscam afirmar sua masculinidade, por meio
não havendo diferença significativa entre eles. Na da experiência da sexualidade, não assumindo
pesquisa PENSE19, o porcentual de adolescentes compromisso afetivo, como o do namorado. En-
que não usou preservativo na última relação foi tretanto, o controle dos pares é mais intenso so-
de 24,77%, e a maior prevalência de sexo sem bre eles. É maior o uso do preservativo entre os
310
Dallo L, Martins RA

jovens homens quando se trata de uma parceira diagnosticadas com dependência ao álcool, mas
eventual, quando ficam, por exemplo, tendo em sim por um grupo maior de indivíduos que fa-
vista o valor moral associado à jovem, quando ela zem uso nocivo dele e que, assim, colocam os ou-
é considerada de risco para contrair doenças. No tros e a si mesmos em risco.
contexto de namoro, o não uso entre os jovens Com base nessa constatação, passou-se a
de ambos os sexos explica-se pelo conhecimento discutir a possibilidade de intervenções focadas
prévio, pela confiança no parceiro e, principal- na redução do consumo de álcool desse público.
mente para as moças, como prova de fidelidade. Uma técnica desenvolvida para esse objetivo foi
Entretanto, no presente estudo, 24,9% dos rapa- a intervenção breve que, em linhas gerais, tem o
zes e 9,7% das moças, que relataram estar só ou objetivo de promover um serviço rápido, econô-
ficarem, não usaram preservativo na última rela- mico e eficaz, baseado no modelo cognitivo de
ção, situação para a qual não se aplica a justifica- dependência. Visa favorecer o conhecimento a
tiva da confiança no parceiro(a), pois a exposição respeito das possíveis consequências desse pa-
ao risco independe de ser ou não uma pessoa drão de beber, aumentar a autoeficácia e a mo-
conhecida. tivação para diminuir o consumo por meio de
Em relação ao comportamento de beber, 14% determinadas estratégias31.
pontuaram entre 8 e 40, no teste AUDIT. Na pes- A pesquisa PENSE32 também investigou o uso
quisa de Martins et al.27, o mesmo instrumento de bebidas alcoólicas e os resultados revelaram
foi aplicado em 1.227 alunos de duas escolas pú- que 71,4% dos escolares já as experimentaram
blicas de uma cidade do Estado de São Paulo e algumas vez na vida, sendo que os participantes
identificou 218 alunos (17,8%) como positivos do sexo feminino e de escola privada apresen-
(pontuação igual ou maior que 8), ou seja, um tam, de forma significativa, um padrão maior
porcentual ainda maior. nesse aspecto. Além disso, essa pesquisa mostra
Detalhando esses dados do presente estudo, que a capital em que as adolescentes apresentam
constata-se que 10,3% fizeram uso de risco do maior padrão de experimentação é à mesma do
álcool, o que é preocupante, levando-se em conta presente estudo. O consumo feito nos últimos
o que afirmam Furtado e Yosetake28, para quem 30 dias32, considerado como consumo regular de
mesmo os jovens que pontuam entre 8 e 15 e bebida alcoólica, foi de 27,3% para o conjunto
não estão apresentando problemas atuais estão de capitais e o Distrito Federal, e não houve dife-
correndo o risco de, num futuro próximo, terem rença significativa entre os sexos. Porém, quando
problemas de saúde, sofrer ou causar ferimentos, avaliados, os episódios de embriaguez são signi-
ter problemas legais ou sociais, violência e ter ficativamente mais frequentes entre os rapazes
baixo desempenho no trabalho. (23,3%) do que entre as moças, mostrado que
O uso nocivo foi de 1,8%, o que já permite aproximadamente um em cada cinco escolares já
diagnosticar esses adolescentes como tendo um se embriagou (22,1%).
padrão de beber disfuncional ou mal adaptativo, Na presente pesquisa, o resultado para epi-
que pode provocar uma diversidade de proble- sódios de embriaguez foi de 31,1% e também
mas, embora ainda não satisfaçam os critérios foram os rapazes que apresentaram mais essa
para a dependência29. Muitas vezes, o jovem co- conduta; mesmo os adolescentes que fizeram uso
meça a beber na adolescência, mas demora certo de baixo risco apresentaram uma porcentagem
tempo para desenvolver a dependência, o que ge- de 21,1% de binge. Esse padrão típico de beber
ralmente acontece somente na vida adulta. Entre- entre jovens, comumente denominado de binge
tanto, neste estudo, 11 jovens (2%) apresentaram ou beber se embriagando, é identificado como
essa condição, caracterizada por sinais e sinto- beber uma quantidade de 5 doses para homens
mas fisiológicos, cognitivos e comportamentais, e 4 doses para mulheres em uma única ocasião33,
os quais demonstram que a grande prioridade na porém no instrumento AUDIT a identificação
vida do indivíduo passa a ser o uso de álcool e as se dá com um número de doses maiores (6 ou
outras atividades passam a ser secundárias30. mais), independentemente do sexo.
Nesse sentido, especialistas indicam que os Quanto ao resultado da variável sexo, dos 10
trabalhos de prevenção podem ser distintos para identificados com uso nocivo, apenas uma era
os adolescentes que não usam álcool ou que fa- moça; entretanto, dos 11 identificados com pos-
zem uso de baixo risco e para aqueles que fazem sível dependência, sete eram moças. Isso pode
uso de risco e/ou nocivo. Segundo Silva e Mi- ocorrer porque as mulheres possuem uma meta-
guel31, a maioria dos problemas associados ao bolização mais lenta do álcool, tornando-as mais
consumo de álcool não é causada por pessoas susceptíveis aos prejuízos, mesmo ingerindo
311

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níveis mais baixos do álcool e por período mais portamentos sexuais numa mesma população
curto34,35. podem apenas coincidir, e não ter uma relação
O estudo de Strauch et al.36, realizado com causal entre eles.
1.056 adolescentes da cidade de Pelotas, encon-
trou relação significativa entre condutas de risco,
como beber e ter relações sexuais ou beber e fu- Considerações finais
mar. Já a pesquisa PENSE19 identificou que o uso
combinado de substâncias psicoativas amentou a Apesar da importância dos dados apresentados
chance de relação sexual, sem ou com preservati- e as implicações à prevenção entre os adolescen-
vo, tendo maior intensidade para o último. tes, algumas limitações devem ser mencionadas:
Na presente pesquisa, dos adolescentes que como foi utilizado um questionário de autorrela-
já iniciaram a vida sexual, 47,3% disseram que to, as perguntas estiveram sujeitas à interpretação
já usaram álcool antes de ter relações sexuais, e, pelos participantes e, devido a preconceitos e ta-
dentre os que responderam que usaram sempre/ bus em relação às condutas pesquisadas, pode ter
muitas vezes, apenas 41,7% o usaram na primei- havido um viés das informações fornecidas pelos
ra relação sexual. Dos que ficaram ou estão só, adolescentes.
100% assinalaram que “Às vezes” fazem uso de Quanto aos resultados que se destacaram
álcool antes das relações sexuais (χ2 = 21,476, p neste estudo, um deles foi quanto ao beber se
= 0,001). Portanto, há uma probabilidade de embriagando (binge). Mesmo bebedores de bai-
adolescentes solteiros frequentarem festas e en- xo risco apresentaram esse padrão de uso, o qual
contros de amigos e, nesses contextos, ingerirem está se tornando um comportamento cultural
altas doses de álcool e terem relações sexuais. Os em momentos festivos e de divertimento. Esse
dados também mostraram que alunos que já modo de beber afeta as decisões, o julgamento e
iniciaram a atividade sexual também possuem o discernimento, ampliando indevidamente a ex-
maior pontuação no AUDIT, apontando maior posição a riscos. Constata-se, desse modo, a ne-
risco de esses adolescentes sofrerem consequên- cessidade de mais estudos e desenvolvimento de
cias por suas condutas. projetos que informem e sensibilizem pais, edu-
Num estudo nacional37, com 17.371 estudan- cadores e profissionais de saúde a respeito desse
tes de 27 capitais brasileiras, foi constatado que, modo de beber e de suas consequências.
para adolescentes que haviam tido relação sexual Considera-se também importante que ado-
no mês anterior à pesquisa, a probabilidade de lescentes que fazem uso nocivo e/ou que apre-
também ter usado drogas ilegais no mesmo pe- sentam possível dependência sejam identificados
ríodo foi duas vezes maior e que a propensão ao e que programas de prevenção sejam desenvolvi-
uso de álcool foi cerca de 70% maior. Uso em dos, como o citado modelo da intervenção breve.
excesso de álcool (bebedeira), tabaco e drogas Quanto à iniciação sexual, é essencial a realização
ilegais foram mais prevalentes entre os partici- de mais pesquisas que abordem as relações sexu-
pantes que recentemente haviam tido relação se- ais entre jovens solteiros, pois o presente estudo
xual sem camisinha, em comparação àqueles que mostrou possibilidade de menor uso de preser-
tinham usado camisinha. vativo para essa parcela da população, principal-
O resultado da presente pesquisa apontou mente entre os rapazes. O contexto (e a cultura)
que 57,7% dos adolescentes que fizeram binge já das relações sexuais casuais e com pouco envolvi-
tinham tido relações sexuais, enquanto, dentre os mento afetivo e íntimo, como também a ansieda-
que nunca fizeram, somente 15,9% já iniciaram a de diante da performance considerada necessária
vida sexual. Esses dados vão na mesma direção de na situação, podem ser empecilhos para o uso do
um Estudo33 com 4.071 universitários, na Nova preservativo entre adolescentes e jovens.
Zelândia, que encontrou alta prevalência de binge Há necessidade de mais pesquisas que inves-
drinking – 5 doses para homens e 4 para mulhe- tiguem a relação entre o uso de álcool e a rela-
res – e alta prevalência de experiências sexuais ção sexual desprotegida, pois há uma diversidade
de risco ou sexo indesejado atribuído ao próprio de fatores que interferem nessa inter-relação. A
beber do entrevistado ou ao consumo de outras adolescência é um momento de busca absoluta
drogas. As mulheres tinham mais relatos sobre do prazer, no qual os indivíduos, inseridos numa
avanços sexuais não desejados devido ao consu- cultura que valoriza o prazer intenso, irrestrito
mo feito por outras pessoas e os homens, mais e imediato, possuem menores recursos internos
relatos sobre sexo inseguro. Salienta-se, entretan- para avaliar os riscos. Com base nisso, políticas
to, que altos níveis de consumo de álcool e com- públicas precisam ocorrer initerruptamente, com
312
Dallo L, Martins RA

o objetivo de minimizar os riscos desses compor-


tamentos habituais e de mudar o modo de pensar
da população.

Colaboradores

L Dallo trabalhou na coleta de dados e RA Mar-


tins na análise estatística. Ambos fizeram a cons-
trução do manuscrito: concepção teórica, discus-
são dos dados e revisão final do artigo.
313

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Artigo apresentado em 19/03/2015


Aprovado em 11/01/2016
Versão final apresentada em 13/01/2016

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